12 anos

Sábado, 3 de Junho de 2017

Bóbeda - Chaves - Portugal

1600-BOBEDA (90)

 

E hoje vamos passar por Bóbeda com os três olhares do costume. Sei que são poucos olhares para uma aldeia, mas relembro que todas as aldeias do concelho de Chaves já passaram por aqui várias vezes com pelo menos um post alargado.

 

1600-BOBEDA (50)

 

Mas há sempre um olhar que escapou às nossas anteriores seleções e outros, que embora já tivessem passado por cá, agora têm uma nova apresentação com um novo tratamento.

 

1600-bobeda-100-art (7)

 

Mas são sempre imagens que, por uma ou outra razão, despertaram o nosso interesse e o nosso clique e que esperamos serem do vosso agrado.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:36
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 27 de Maio de 2017

Bobadela de Monforte - Chaves - Portugal

1601-bobadela-83-art (15)

 

Mais um sábado e cá fica mais uma das nossas aldeias. Hoje, manda a ordem alfabética que seja Bobadela e para que não haja confusões com outras Bobadelas, esta é a de Monforte, lá no alto planalto de Monforte onde o Castelo com o mesmo nome é Rei e Senhor.

 

1600-bobadela (64)

 

No limite do concelho de Chaves tem as terras de Valpaços como vizinhas, já com ares de terra quente, mas nem por isso deixa de sobre dos rigores dos nossos frios Invernos.

 

1600-bobadela (167)

 

É mais uma das aldeias que tem a Est. Nacional 103 com principal ligação à cidade de Chaves, mas sem que esta passe pela aldeia, mas nas proximidades, tal como próximas são as aldeias de Tronco, Vilar de Izeu, Bolideira e Nozelos, esta última já do concelho de Valpaços.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 16:22
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 13 de Maio de 2017

Aveleda, o mito dos três efes, o Papa, o Benfica e Salvador Sobral

1600-aveleda (98)

 

Não podia deixar de cumprir a promessa de trazer aqui mais uma das nossas aldeias, como acontece todos os sábados, e só o faço agora, no final da noite, por fortes razões que tem a ver com o ego, não o meu em particular, mas o meu ego de ser português HOJE, sem qualquer necessidade de fazer renascer o passado de há 500 anos, sem necessidade de recorrer ao Camões, sem necessidade de fantasmas e esperanças sebastianistas. Valemos apenas por aquilo que somos hoje e valemos muito, começa a ser tempo de acreditarmos em nós, na nossa língua, naquilo que é nosso e, que ninguém duvide que temos daquilo que é melhor, e hoje, Portugal em várias frentes, demonstrou-o, tanto, que se fosse eu quem mandasse, fazia deste dia, o 13 de maio, um dia de feriado nacional.

 

Sim, este dia 13 de maio já faz parte da história de Portugal, escrita com a pena do orgulho português em que faz renascer o mito dos três efes – Fátima, Futebol e Fado – mas ao contrário de areia para os olhos, como antigamente acontecia, hoje foi, é, por justa causa, com três efes merecidos porque conquistados por nós, com a grandeza da nossa humildade.

 

1600-aveleda (56)

 

Hoje o Papa Francisco esteve em Fátima para canonizar os seus dois pastorinhos Francisco e Jacinta, tornando cada vez mais oficial aquilo que já era oficial na fé de muitos, as aparições de Fátima, e mesmo que não se acredite, ninguém pode duvidar da fé de quem acredita, e este triplo efe de Francisco,  Fátima e Fé, cada vez mais reforçam o Santuário de Fátima como um Santuário de peregrinação mundial.

 

O segundo F, o do Futebol também se consagrou hoje com a vitória do campeonato pelo Benfica, reforçando assim o nome que o Benfica tem a nível nacional e internacional. Mas o segundo F do Futebol, hoje em dia marca ponto em todo o mundo e se outrora houve um Eusébio que se escrevia internacionalmente, hoje em dia temos um montão de jogadores de craveira internacional entre os melhores do mundo, além de termos mesmo o melhor do mundo que dá pelo nome de Cristiano Ronaldo, mas também nos treinadores que exportamos, Portugal está nos melhores do mundo, ou a julgar pelo número de portugueses com essa função, somos mesmo os melhores do mundo. Pelo menos, o F do Futebol cumpre-se aos sermos os atuais Campeões da Europa

 

1600-aveleda (589)

 

O terceiro F de Fado já recebeu a sua consagração como património imaterial da humanidade, porque é único, porque é nosso, porque se canta em português, mas no dia de hoje também ficou para a história com outro “fado”, o da música portuguesa, cantada em português por Salvador Sobral ao ficar em primeiro lugar no Festival da Eurovisão, sem qualquer margem de dúvidas, com a maioria destacada dos votos do Júri e do Público europeu. Portugal venceu o Festival da Eurovisão porque acreditou naquilo que era nosso, nas nossas palavras e poesia, nas nossas melodias e música e na nossa língua portuguesa.

 

Sem acreditar no destino, quis o destino que isto tudo acontecesse num único só dia e no mesmo dia 13 de maio, mas isto é apenas um pequeno exemplo da nossa grandeza, só há que acreditar e tal como acontece em Fátima, termos fé que conseguimos, que somos grandes e que em muita coisa temos aquilo que é melhor no mundo, principalmente naquilo que faz parte da nossa cultura e do sermos portugueses. O único problema, o nosso problema, é não acreditarmos naquilo que temos e pior que isso, desprezarmos aquilo que temos de melhor, de genuíno, aquilo que faz de nós portugueses e Portugal, que mais depressa embarca na fácil sedução dos interesses da globalização e da aculturação que nos interesses daquilo que é nosso e que faz de nós grandes com aquilo que nós somos, com a nossa cultura.

 

1600-aveleda-art

 

Todo este discurso pode parecer desapropriado nesta rubrica dedicada às nossas aldeias, mas não o é, antes pelo contrário, pois as nossas aldeias, a vida das nossas aldeias, o espirito comunitário, saberes e sabores rurais, fazem parte da nossa cultura, da cultura rural portuguesa que está a morrer lentamente sem ninguém que lhe deite uma mão. A tudo continuar assim, com este desprezo pelo mundo rural, Portugal num futuro próximo vai arrepender-se, vai perder parte da sua cultura mais genuína, vai tornar-se igual a tantos iguais, vai tornar-se desinteressante, vamos deixar de sermos nós.

 

Ainda ontem fizemos mais uma incursão no Barroso, mais propriamente no Baixo Barroso para recolher imagens de mais algumas aldeias e abordámos uma que nos tinha dito estar completamente despovoada, e assim nos pareceu quando nela entrámos, mas no entretanto vimos uma figura humana que desde logo abordámos com  um  “ e pensávamos nós que já não havia aqui ninguém” e a resposta foi num “mau” português de quem não é de cá, como de facto assim era, um casal de holandeses com um filho ainda criança, há quatro anos encantou-se pela aldeia e por lá ficou a criar cavalos e a receber pequenos grupos de holandeses para passarem lá uns dias, tendo como mais valia uma paisagem incrível, um clima generoso e uma albufeira por perto. Talvez esta seja uma solução para as nossas aldeias mais típicas, uma má solução por sinal. Certo que talvez contribuam para o não despovoamento dessa aldeia, inclusive até são respeitadores pela tipicidade da aldeia, adaptando-se e valorizando as condições existentes sem as alterarem e até lhes temos de estar reconhecidos e agradecidos por fazerem daquela aldeia a sua nova terra, nova casa, novo lar, mas é a cultura deles que trazem com eles e a nossa, morreu, com o último habitante que lá nasceu e a abandonou.

 

1600-aveleda (587).jpg

 

Hoje fala-se muito em empreendedorismo como uma solução do nosso Portugal. Claro que este empreendedorismo também se aponta como solução para o interior de Portugal e para as nossas aldeias, e verdade se diga, pessoalmente também concordo, mas empreendedorismo sim, com respeito por aquilo que existe, respeito pela cultural dos lugares, respeito pelos saberes, sabores e tradições desses lugares,  e não o dito empreendedorismo que se está a tentar fomentar e a implementar por aí, falseando a nossa cultura dando-lhe um rótulo de origem genuína por ser feito por gente da terra – Pura mentira e falseamento daquilo que era genuíno. Tomemos como exemplo a maioria do fumeiro que hoje se faz por aí,  em cozinhas certificadas,  e inunda as nossas feiras do fumeiro, com fumeiro certificado, onde até se vão cumprindo as formas artesanais de o fazer, já nem tanto o de o curar, com as ditas cozinhas a funcionar nas nossas aldeias e gente da aldeia a fazer o fumeiro. Tudo igual ao de antigamente à exceção do reco que é feito em “estufa” à base de ração e outras coisas mais que se calha nem sequer imaginamos, sem as coisinhas boas da horta e o carinho dos tratadores. No produto final, lá temos a chouriça igualmente fumada e até o presunto que igualmente passou pela salgadeira e foi curado pelos processos tradicionais, com bom aspeto e o mesmo cheiro a fumo, mas que não enganam que andou muitos anos a comer fumeiro e presuntos genuínos de recos mesmo recos criados na corte lá de casa.

 

1600-aveleda (595).jpg

 

Se respeitarmos os nossos saberes, sabores, tradições e cultura, seremos grandes e vencedores como o fomos hoje em três frentes nos três efes, caso contrário não passaremos de medíocres e aldrabões que mais não fazemos que contribuir para a nossa aniquilação e a aniquilação daquilo que é bom e faz a nossa grandeza. Por vezes vale a pena acreditar em impossíveis, tal como aconteceu hoje com o Salvador Sobral, pois toda a gente dizia por aí que a nossa canção era linda mas não era festivaleira  para um festival como o da Eurovisão, e ganhou-o.

 

E termino com a última quadra do poema infante de Fernando Pessoa:

 

Quem te sagrou criou-te português,
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal.

 

Pois cumpra-se Portugal com aquilo que temos, com aquilo que é verdadeiramente nosso!

 

E viva o 13 de maio de 2017 e viva PORTUGAL!

 

E com esta me vou, se calha sem tempo para amanhã trazer aqui uma aldeia do Barroso, mas veremos aquilo que se pode arranjar.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:59
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Sábado, 22 de Abril de 2017

Assureiras de Baixo - Chaves - Portugal

1600-assureiras-b-26 (19)

 

Inevitavelmente ao deixarmos o vale de Chaves temos de subir às montanhas que o rodeiam. Se subirmos em direção a terras de Monforte, depois de Faiões, temos de atravessar as três vilas ou as três Assureiras, começando pelas de baixo, de onde são as três imagens de hoje.

 

1600-assureiras-b (13)

 

Assureiras de Baixo que se arrumaram ao lado da E.N.103, estrada  que atravessa Portugal desde o litoral minhoto (Neiva) até ao limite de Trás-os-Montes (Bragança), atravessando também o concelho de Chaves numa extensão de trinta e poucos quilómetros, mas curiosamente, das nossas cento e cinquenta aldeias, apenas dez aldeias a “quiseram” por companhia.

 

1600-assureiras-b (62)

 

Ficam então as três habituais imagens com três modos diferentes de ver mais uma vez esta aldeias. As outras duas Assureiras, ficam para os próximos sábados.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:33
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 15 de Abril de 2017

Argemil da Raia - Chaves - Portugal

1600-argemil (40)-1

 

E porque hoje é sábado, cá fica mais uma aldeia que para uns é simplesmente Argemil mas muitos, exigem, que seja como deve ser – Argemil da Raia.

 

1600-argemil (24)

 

E ser da raia não é apenas ter a Galiza ali ao lado, pois é muito mais que isso, é mesmo ter a Galiza ali ao lado, é ter mais um povo irmão, é fazer parte da História da Raia, é ter muitas estórias que só na raia podiam acontecer, por isso, ser Argemil da Raia é muito mais que ser simplesmente Argemil.

 

1600-argemil-10 (art) (2)

 

Mas também este ser da Raia começa a ser coisa da História, coisa do passado, embora recente. Contudo, tudo continua igual, ou quase. A Galiza continua ali ao lado, o povo irmão também continua lá, a História da Raia ficou registada e as estórias continuam a existir para serem contadas,  apenas a clandestinidade do atravessar de uma linha se tornou legal, mas fez toda diferença.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 8 de Abril de 2017

Arcossó - Chaves - Portugal

1200-arcosso-5 (11)

 

Na ronda pelas nossas aldeias, hoje vamos até Arcossó, com os três olhares habituais e as três formas diferentes de olhar.

 

1600-arcosso (38)

 

Arcossó ali à beirinha de Vidago. Curiosa esta referência que é bem demonstrativa como ao longo dos tempos a ruralidade e a sua principal fonte,  a agricultura, foi cedendo à força da industria, do turismo e das vias de comunicação. Isto porque tempos houve em que Arcossó era a referência para as aldeias vizinhas.

 

1600-qta-arcosso (20)

 

Coisas do tempo ou dos tempos que hoje em dia pouco agradáveis são para o ser rural, onde os únicos ventos que sopram, cada vez mais convidam à partida e deixam para trás o espírito único daquilo que era a cultura rural.  

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 04:48
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 1 de Abril de 2017

Anelhe - Chaves - Portugal

1600-anelhe (62)

 

Promessas são promessas e mesmo que seja no último minuto do dia há que cumpri-las, e assim, cá estamos com mais uma das nossas aldeias. Hoje toca a vez a Anelhe, com as habituais três imagens – cor, p&b e arte digital.

 

1600-anelhe-3 (10)

 

Arte digital com uma foto imitação de pintura, com algum corar de rosto ao lembrar-me da ligação que a verdadeira arte da pintura tem com Anelhe. Claro que me refiro ao pintor João Vieira, que tão ignorado ou desconhecido tem sido para os flavienses.

 

1600-anelhe (17)

 

E na ordem alfabética a seguir a Anelhe segue-se Arcossó, ou seja a nossa aldeia do próximo sábado, por sinal aldeia das proximidades, ambas terras de bom vinho, pena que a maioria dos tonéis da região estejam a morrer de secos nas adegas, salvo raras e exemplares exceções.

 

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:59
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 25 de Março de 2017

Amoinha Velha - Chaves - Portugal

1600-amoinha-114-art (1)

 

Tal como ficou prometido no último sábado cá está a Amoinha Velha, com os três olhares da praxe - a cores, a p&b e arte digital.

 

1600-amoinha (95)

 

Amoinha Velha que faz parte do conjunto de aldeias do planalto da Serra do Brunheiro.

 

1600-amoinha (94)

 

Para a semana descemos às margens do Tâmega, à margem direita, com a aldeia de Anelhe. Até lá.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:44
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 11 de Março de 2017

Alanhosa em três momentos

1600-alanhosa (190)

 

E porque hoje é sábado vamos até mais uma das nossas aldeias flavienses, e como já vem sendo costume, com três olhares. Um a cores, um a P&B e outro em arte digital.

 

1600-alanhosa (232)

 

Alanhosa, é a nossa aldeia de hoje. Uma aldeia pela qual fui passando ao longo dos anos e fazendo alguns registos, mas nesta coisa de registar momentos também há dias, como quem diz: há dias sim e dias não. Às vezes esses dias fazem-nos depender do próprio dia, principalmente da qualidade da luz que, para a fotografia, é essencial, mas outras vezes depende apenas de nós e da inspiração do nosso olhar ou até do nosso estado de espírito.

 

1600-219-art (11-12)

 

Pois de todas as vez que passei ou fui a Alanhosa à caça de momentos, a última foi aquela em que o dia estava sim, em luz e em mim, pelo menos eu penso que sim. Espero que gostem destes três momentos.

 

Para o próximo sábado, a aldeia que se segue é Almorfe.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 04:48
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 4 de Março de 2017

Águas Frias - Chaves - Portugal

1600-386-art (9)

 

 

Como de costume com três imagens, pelo menos, que escaparam à seleção das anteriores abordagens à aldeia, sendo que impusemos ser uma imagem a cores, uma a preto e branco e uma em arte digital, pelo menos.

 

1600-aguas-frias (297)

 

E fui insistindo no pelo menos porque nem sempre é ou será assim, tal como hoje que em vez de três temos cinco imagens. Ficam duas extra como brinde aos nossos amigos de Águas Frias, entre os quais os da blogosfera, que desde o início desta coisa dos blogues, também eles têm marcado presença regular na WEB.

 

1600-294-art (4)

 

Aldeia que, confesso, se me tem mostrado complicada de fotografar, e por vários motivos, alguns sem culpas para a aldeia, como o sejam as condições de luz e meteorológicas, mas também algumas com culpas da aldeia. Não quero com isto dizer que não tenha motivos interessantes, porque os tem, mas sendo Águas Frias uma das aldeias com um núcleo consolidado, não foi havendo o cuidado necessário nas novas intervenções, quer em construção nova, quer em reconstruções, tornando-se complicado, numa aldeia que até não é pequena, arranjar um conjunto em que a harmonia da construção rural típica transmontana não seja quebrada.

 

1600-aguas-frias (111)

 

Por último é uma aldeia que, se tivéssemos uma política de turismo a sério, poderia beneficiar da sua localização e da proximidade do Castelo de Monforte, mas enfim, se até o castelo está esquecido pelas autoridades e entidades da História, do turismo e políticas, Águas Frias continuará como até aqui, como todas as aldeias mais distantes da periferia da cidade, dotada ao esquecimento das autoridades.

 

1600-aguas-frias (8)

 

Até ao próximo sábado com a aldeia que se segue na ordem alfabética – Alanhosa.   

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 17:39
link do post | comentar | favorito (1)
|  O que é?
Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Agrações, Chaves, Portugal

1600-469-art (6)

 

Tal como tinha sido prometido no último sábado, hoje vamos até Agrações, uma das aldeias  pela qual gostamos de passar de vez em quando, talvez por estar arrumadinha lá no alto, talvez por não calhar no itinerário de nada, talvez para contabilizar a resistência.

 

1600-agracoes (393)

 

Seja como for e mesmo não calhando no itinerário de nada, continuará a fazer parte dos meus itinerários para lançar uns olhares e fazer uns registos que, no outono e inverno são únicos e na primavera e verão sempre diferentes.

 

1600-agracoes (525)

 

Registos que ficarão para memória futura como o testemunho de que ali existiu uma aldeia, gente e vida, pois assim será e dela só restará a memória , tudo por um dia ter acreditado que lá em cima, na montanha, no itinerário de nada,  o futuro também era possível …

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:58
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 18 de Fevereiro de 2017

Agrela - Chaves - Portugal

1600-agrela (164)

 

Nesta nova ronda pelas aldeias vamos seguindo a regra de seguir a ordem alfabética pelo que, a seguir a Agostém que esteve aqui no último fim de semana, vem a Agrela, aldeia da raia seca, com a Galiza ali ao lado.

 

1600-agrela (31)

 

Nesta imagem da vista geral da aldeia, à esquerda e a cerca de 2 quilómetros, fica a raia seca com a Galiza e logo a seguir, mais 1,5 quilómetros, temos a sua congénere  galega, Bousés. Suponho que era com esta aldeia que no tempo das fronteiras e da Guarda-Fiscal, se faziam os negócios de contrabando. Ainda nesta imagem, a primeira montanha a seguir à aldeia ainda é portuguesa e logo a seguir temos a antiga aldeia promíscua do Cambedo que até 1864 era dividida a meio pela fronteira, mas hoje administrativamente portuguesa na sua totalidade. As serras cobertas de neve, que servem de fundo à imagem, essas sim já são bem galegas e entre a primeira montanha nossa e essas serras nevadas existem muitas localidades galegas, entre as quais Verin e Monterrei, duas das mais importantes da proximidade, a primeira pela sua dimensão e a segunda pelo Castelo.

 

1600-art-65 (11)

 

Raia seca e aldeias de ambos os lados  que sempre tiveram uma relação muito próxima, com muitas estórias e história para contar e por contar. Um projeto adiando deste blog que esperamos um dia retomar para contar algumas dessas estórias e também fazer alguma história. Para já e durante cento e tal semanas, tantas quantas as nossas aldeias, continuaremos a trazer aqui todos os sábados pelo menos três imagens (uma a cores, uma a p&b e outra em arte digital).

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:18
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Sábado, 11 de Fevereiro de 2017

Agostém - Chaves - Portugal

1600-agostem 43-art (13)

 

No sábado de hoje vamos fazer uma breve passagem pela aldeia de Agostém, com algumas imagens que escaparam à seleção dos posts anteriores dedicados a esta aldeia. Uma passagem apenas em imagem pois as palavras, embora também breves, vão mesmo para a imagem/fotografia.

 

1600-agostem (60)

 

Apenas uma pequena dissertação, minha, sobre o entendimento da fotografia ao longo da sua existência e a forma como lidamos com ela, tendo em conta as suas fases  analógica e digital,  e as suas três formas de se afirmar – p&b, cor e com tratamento de laboratório/estúdio/digital, deixando de parte as inúmeras razões que nos levam de encontro à fotografia e ao acto do registo ou congelamento de um momento que a ao longo do tempo  tem intensificado e banalizado o seu uso, transformando-a num utensílio indispensável e de utilização diária.  Mas não é destas que eu quero falar.

 

1600-agostem (40)

 

A fotografia que eu quero abordar é mesmo daquela que provoca quem as vê, aquelas que despertam em nós um clique, que nos fazem parar e até voltar atrás, que nos provocam, que não nos deixam indiferentes, que têm magia…

 

1600-agostem (93)

 

E pode ser uma qualquer imagem/fotografia, tirada por uma qualquer pessoa, hoje em dia até tirada por uma criança ou adolescente, que muitas vezes conseguem imagens que fazem corar de vergonha os profissionais e entendidos da fotografia.

 

1600-agostem 118-art (16)

 

Enfim, refiro-me a imagens que valem mesmo mais que todas as palavras e que nenhuma conseguirá descrever a sua provocação.  

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 04:08
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Discursos Sobre a Cidade, por Gil Santos

GIL

 

LÁGRIMAS DE SANGUE

 

Naquela ocasião as palavras vertiam-se-me como água em cesto roto. Por muito que as peasse, remedavam cabras doidas entre penedos e galgueiras. E eu, na ingenuidade das minhas verdes primaveras, permitia-as soltas, selvagens e libertinas.

 

Às segundas já ansiava os domingos. Aguardava-os como o renovo a água da rega. Os dias do senhor eram mágicos. Pela matina assistia à missa, no templo românico de Santa Leocádia. Acordava de madrugada e saía do Carregal aos primeiros acordes do galo. Sapatinho engraxado, calça vincada e camisa alva de terylene. Três quilómetros, à pata, que pouco custavam, pese embora a lama do inverno ou o pó do estio. Ouvir as larachas do padre Luís, era uma desobriga que se impunha, para expurgar os pecados, o mais das vezes veniais, e atestar a alma de fé. A liturgia pouco mais durava do que o concerto de um rouxinol num qualquer silvado. Não estivéssemos afeitos à obrigação, inconsciente, do culto e saíamos de Santa Leocádia menos católicos do que chegáramos!

 

1600-sta-leocadia (327)

 

A igreja matriz, onde ainda se diz a missa, é um respeitável templo do século XII, classificado como monumento nacional desde 1961[1]. Com a fachada principal singela, e sem ornamentos, ostenta um campanário simples, com duas ventanas e respetivos sinos. O maior usa-se para chamar os fiéis à oração e para tocar a sinais. É baloiçado por uma grossa corrente de ferro que com o tempo lavrou fundo canyon na padieira da porta principal. O mais pequeno toca apenas a rebate, no caso de incêndio ou de outras desgraças.

 

O exterior da igreja, rude e sóbrio, é de granito nu, aparelhado e muito musgado. O telhado de duas águas. As paredes laterais, no cimo, são rematadas de um lado e de outro, com temíveis gárgulas, que afugentam os atoleimados e as almas penadas. A parede nascente, contrária à entrada principal, apresenta uma seteira ricamente trabalhada. Para mim, a jóia da coroa! Ao lado direito, encontra-se o cemitério, construído no tempo da reforma dos cabrais. O jazigo da família Morgado, à entrada do lado esquerdo, visitava-se, invariavelmente, para um padre-nosso por alminha de quem lá estava. A igreja é circundada por um adro amplo. Junto à porta lateral, a sul, um sarcófago de pedra encosta-se a à parede servindo de poiso aos homens antes do santo ofício. Uma dezena de degraus, muito gastos pelo uso e pelo tempo, dão acesso ao adro, desde o terreno fronteiro, onde um pelourinho de pedra, muito torto, testemunha a antiguidade do conjunto. Ao interior da igreja o acesso faz-se exclusivamente pela porta lateral do lado esquerdo. Somente em dias de festa, casamentos ou funerais se escancara a principal.

 

1600-sta-leocadia (263).jpg

 

O espaço interior é pesado e misterioso. As paredes, antes caiadas, deixam hoje ver antiquíssimos frescos que um restauro recente deu à luz. O chão, de soalho de castanho, muito gasto, mostra um vasto conjunto de sepulturas e pedras tumulares. A única nave tem teto de madeira e é fechada por um arco triunfal abundantemente lavrado. O altar principal, para lá do arco em ogiva, é de talha dourada, muito simples, em que são protagonistas cachos de uva e os anjos papudos. Para cá do arco os altares secundários. Os do lado esquerdo estão dedicados não me lembro bem a que santinhos. O do lado direito à figura tenebrosa (que Deus Nosso Senhor me perdoe!) do Senhor dos Passos. Esta imagem mexeu sempre muito comigo. De tamanho natural, o Senhor ajoelha-se ao peso do lenho. Veste túnica roxa, atada à cintura por uma grossa corda de sisal. O seu tamanho desusado, a sua expressão de sofrimento e a feridas no rosto, marcaram-me! Nunca o consegui encarar sem que me sentisse agoniado. Hoje mesmo, ainda evito encará-lo! Abaixo da porta lateral, portanto mais longe de Deus, quiçá um castigo pelo pecado original, as mulheres de lenço ou de véu e xaile de merino. Acima os homens. Bancos não havia. Quem se quisesse alapar que levasse um moutcho de casa. Alguns assim faziam. O meu falecido avô, António Moreiras, como carpinteiro que era, não só construiu um, devidamente estofado de serapilheira para si, como para a minha avó um genuflexório que também servia de assento.

 

1600-sta-leocadia (37)

 

E assim se consumiam as manhãs de domingo. Terminavam, invariavelmente, com um lauto almoço de coelho estufado, frango de churrasco, engordado com os saltões das poulas das Padanas, ou com leitão no forno de lenha, quando as recas pariam para lá da capacidade de os vender. No tempo da caça, coelho bravo ou perdiz na brasa, com molho verde!

 

As tardes passava-as em Fornelos nas tropelias da meninice: jogando ao fite, ao rou-rou, fabricando cestinhas com parentes ou ouvindo estórias, quando o tempo não permitia ares livres. Contudo, o que mais me fascinava era a pregação!

 

É desta atividade que vos falo!

 

Desde tenra idade, alguém me topou faculdades oratórias invulgares. Acho que as ganhei ouvindo as pregações. As festas rijas não passavam sem um pregador, como as de hoje sem uma banda! Estes clérigos, sofistas, cobravam gorda maquia, e empanturravam-se, à tripa forra, na mesa das famílias mais abastadas. E eu ficava a ouvi-los, extasiado, o tempo que fosse, contrariando o que seria normal que era andar atrás das canas dos foguetes. Bebia-lhes as palavras, os gestos, bem como as demais ênfases da pregação, com avidez inusitada.

 

O meu sonho era um dia ser pregador!

 

Sonhava subir, devidamente paramentado, a um púlpito e fazer chorar os seixos da calçada como o padre Salgado fazia chorar as velhas beatas. O púlpito, para mim, tinha uma áurea mágica! Quanto mais alto fosse melhor! Mesmo hoje, se visito um templo, procuro sempre o púlpito e imagino-me desde lá puxando pela fé dos crentes. Os púlpitos, há muito abandonados, fascinam-me!

 

(púlpito)

sta-leocadia (33)-discursos1

 

Então, a partir dos meus quatro anos, comecei a não ter papas na língua, nem vergonha na cara! Falando pelos cotovelos, rebuscava, nos recônditos da memória, ainda viçosa, coisas que não lembravam ao diabo! Quando não, inventava, com a mesma facilidade com que o melro inventa as melodias que canta. Daí que, primeiro em família e depois em público, viesse a dar em aspirante a pregador. Não havia festa íntima que não fechasse com uma pregação de natureza religiosa ou profana, mas sempre puxando ao sentimento. A um canto da sala, sobre a cadeira mais alta da casa, relatava a vida de um santo ou de uma santa que a minha avó Carolina me tivesse lido da Cruzada ou do Avé-Maria, ou outro qualquer acontecimento que tivesse escutado na rádio ou tivesse observado em qualquer lugar. Dizem, as más-línguas, que não ficava a dever nada aos melhores pregadores da época, salvo seja!..

 

Em público comecei, lembro-me bem, em Fornelos, teria uns cinco anos. Esta povoação, ínfima, situa-se no limite do concelho de Chaves, confinando com o de Valpaços no Alto da Cruz, a apenas dois quilómetros. Aldeia natal da minha família materna, este lugar da freguesia de Santa Leocádia, juntava sempre muito povo nas tardes de domingo, não sei se por ser atravessado pela estrada nacional 314 que de Chaves conduz a Murça por terras de Montenegro, se pelo vinho da adega do Ti Balele que se escancarava para todos. A verdade é que a partir de dada altura começou a juntar ainda mais povéu, estou que para ouvir o tal aspirante a pregador. O Ti Morgado era o chefe de cerimónia. Quando sobre a parede poente do adro da capela se projetasse a sombra do edifício, fazia-ma subir. Emplouricado naquele púlpito improvisado e olhando a gente desde o céu, destravava as palavras que se evadiam em catadupa. A pregação durava e eu sentia-me o rei de uma festa em os crentes me escutavam com mais atenção do que ao padre Luís na igreja de Santa Leocádia! E eu puxava à lágrima quanto pudesse!

 

1600-fornelos (45)

 

Assim aconteceu durante alguns anos. Raro era o domingo em que não havia sermão. Apenas a borrasca ou a neve do inverno me tiravam daquele púlpito, desde o qual terei subtraído muitas almas ao regaço de belzebú!..

 

Certa ocasião, com sete anos, fui de visita a uns parentes de Almeidinha, um pequeno lugar da vetusta freguesia do Jarmelo, situada para os lados da cidade da Guarda e a caminho de Vilar Formoso.

 

Impõe-se aqui um parêntesis para situar o leitor na história desta freguesia, com referência à obra de Leite de Vasconcelos.

 

«[Jarmelo] tinha honras de Couto com muitos privilégios no tempo do nosso primeiro rei D. Afonso Henriques, que lhe deu foral em Coimbra após o início do seu reinado. D. Manuel deu-lhe de novo foral em Santarém, no dia 1 de Junho de 1510. Em 1755 já estava desabitada, tendo apenas algumas casas, a da câmara e cadeia e mais duas moradias para dois beneficiados, além de três igrejas.

 

Nascera por má sina no Jarmelo, Pero Coelho, que foi gentil-homem da corte de D. Afonso IV - o Bravo, pai de D. Pero. Era filho de Estevão Coelho e de D. Maria Mendes Petite, que foi avó de D. Eleonora d'Álvini, esposa do Santo Condestável. Imensamente ricos, os pais de Pero Coelho deram ao jovem uma educação esmerada.

 

Pois foi justamente para o Jarmelo que Inês de Castro, amada de seu filho D. Pedro, foi desterrada a conselho de Pero Coelho. Ali seria vigiada com rigor. Então D. Pedro em mortal ânsia, não comia não dormia, não parava um momento, e buscava por toda a parte até que descobriu a sua Inês. E com mil cautelas e embustes, às escondidas, foi vê-la de noite, a cavalo, envolto na treva de uma longa capa negra. O corcel levava as ferraduras pregadas às avessas para assim despistar os seus perseguidores. Filou-a e trouxe-a por caminhos calçados de luar, à garupa do seu alazão e foi pousá-la em recônditos paços, no meio de jardins e fontes a cantarolar em tanques de azulejos esmaltados [em Coimbra].

 

Ora, quis a política desse tempo que três fidalgos, um dos quais Pero Coelho, invocando especiais razões de interesse para a grei e para o rei, praticassem o bárbaro assassinato de Inês de Castro na Quinta das Lágrimas em Coimbra, no dia 7 de janeiro de 1355. [Apenas] dois anos depois foram justiçados, bem mais cruelmente, dois dos assassinos. A Pero Coelho foi-lhe arrancado em vida o coração pelo peito. Ao outro foi-lhe arrancado pelas costas.

 

[Em retaliação] Pedro, nesse mesmo ano, ordenou que fosse completamente arrasada a vila do Jarmelo, o que se fez em virtude de nela ter nascido Pero Coelho. Depois da vingança de el-rei D. Pedro, determinou que no Jarmelo não ficasse pedra sobre pedra e que se salgasse o terreno, num gesto decisivo de maldição e extermínio. Excetuou-se porém uma pedra, tosca por sinal, onde os minúsculos pezinhos de Inês pousavam ao montar e desmontar o seu corcel de caça, a [pedra de montar]. Determinou-se que ela vencesse uma tença, de 5 reis por dia, segundo o vulgo à memória “daquela que depois de morta foi rainha”. Foi o próprio D. Pedro que ao visitar pela derradeira vez aquele lugar para ele sagrado e tão saudoso, dissera, num misto de ódio e de tristeza:

 

- Adeus Vila do Jarmelo, adeus pedra de montar, enquanto o mundo for mundo dinheiro hás-de ganhar!

 

E quando mais tarde deixou de se cobrar a tença estipulada, foi essa falta suprida pela caridade amorosa e sentimental da gente humilde das choupanas de colmo, únicas casas que então havia, cavando-se na mesma pedra uma caixa de esmolas, onde os fiéis antes ou depois da missa, iam botar alguns ceitis.

 

Hoje o Jarmelo não é sequer um povoado. Ninguém habita as suas casas totalmente desmoronadas. As muralhas da antiga vila, esfarrapadas e dispersas no cimo da alta colina pedregosa e abrupta, provocam-nos a saudade que é natural sentir-se por um varão ilustre, ao atentarmos nos despojos à maneira de Hamlet.

 

Ali resta apenas a lenda, nuvem vaporosa que sempre fica pairando nos lugares santificados pelas tragédias de amor!»

 

Ines de Castro.jpg

 

Escutei, pela primeira vez, esta trágica história de Inês num dos serões dessa estada, contada pela matriarca da casa. Provocou-me grande curiosidade. Gravei-a nos mais ínfimos pormenores para ocasião oportuna. Estava certo que o próximo sermão não andaria à volta de um tema religioso, mas do drama de Inês de Castro.

 

Assim foi!

 

No domingo que se seguiu, após a missa na igreja paroquial do próprio Jarmelo, o Ti Morgado guindou-me ao descanso mais alto da escadaria da torre sineira que é exterior à igreja de S. Miguel. A gente que deixava a missa juntava-se, curiosa, à volta da torre para ver o que é que um pimpolho de palmo e meio, de calções e suspensórios, teria a dizer lá do alto! Mesmo o prior, já desparamentado e de sotaina, estava curioso para ver onde paravam as modas!

 

Comecei de largo! Papagueei o amor e a tragédia nos seus mais ínfimos pormenores, indo muito para lá do que ouvira. Pintei o quadro o mais negro que pude. E quantas mais lágrimas se soltavam dos olhos piscos das velhinhas, mais me empolgava no relato. Escaquei a louça que pude, mas deixei tudo em pratos limpos! Durou mais de meia hora aquele sermão profano. Terminei-o com o célebre dito de D. Pedro:

 

Adeus Vila do Jarmelo,

adeus pedra de montar,

enquanto o mundo for mundo

dinheiro hás-de ganhar!

 

Arranquei uma ovação mais forte do que a de Tony Carreira ao acabar o Sonho de Menino. Estou que se teria ouvido até na Serra da Estrela!..

 

Senti-me empertigado por ter sido capaz de contar a histórica trágica de Inês de Castro no próprio sítio onde ela teria estado e para as pessoas de lá!

 

− O rapaz tem jeito para pregador! − Diziam as pessoas que não se cansavam de parabenizar a família!

 

Para ultrapassar o estatuto de aspirante e poder ser pregador a sério, mal completei a 4ª classe em 1966, fui para o seminário de Vila Real.

 

Malfadada hora!

 

Dei-me tão mal na imensidão daquele casarão amarelo!

 

Chorei lágrimas de sangue pelos cantos!

 

Lá conheci o padre Max, que faleceu na Cumieira a 2 de abril de 1976. Dele levei muita pancadinha; o padre Minhava, grande músico e compositor, autor da bela marcha de Vila Real que aprendi e ainda hoje canto com nostalgia; o padre Gilberto, santo homem, diretor espiritual; o padre Hélder, responsável pela paróquia de Santa Maria Maior em Chaves; o padre Santos que me obrigava, à força do marmeleiro, a deglutir o intragável latim e tantos outros, que prefiro nem recordar!..

 

Estive lá ano e meio, afastado da minha infância livre!

 

Sim, porque que eu cresci aos ninhos, sentindo o cheiro do feno e da carqueja; aprendendo a assobiar com o melro e o rouxinol; fazendo-me gente à força dos nevões; sentindo o uivo do vento norte cortado por navalhas do sincelo; fabricando os meus próprios brinquedos; insultando o vento suão; fazendo dos dias infinitos escola e das noites estreladas sonhos; vendo parir a reca e a burra e a vaca; botando a cria ao monte e indo cá botá-la; jungindo parelhas de bois galegos e atrelando-os ao arado; sentindo o cheiro do esterco e da terra lavrada; vendo raposas e lobos e texugos; aparelhando cavalos e galopando na poeira dos caminhos; capando grilos e sacrificando saltões e lagartixas; estudando as formigas, os cágados, as abelhas e as vacas loiras; armando pescoceiras e fazendo magustos com fronças húmidas; rasgando calças a subir às cerdeiras; abrindo buracos em penedos para fazer vinho de amoras; sentindo nos pés descalços a força telúrica do Brunheiro; adoecendo e sarando com rezas e mezinhas; chamando as plantas, os animais, os lugares, as pessoas e os caminhos pelos seus nomes próprios; aprendendo palavras que já não se usam e expressões que já não se ouvem; enfim, fazendo os meus benditos sermões!

 

1600-brunheiro (353)

 

Afortunadamente, vá-se lá saber porquê, fui convidado a abandonar o malogrado seminário.

 

Fim de suplício!

 

Naquela casarão ninguém me deu oportunidade de ser pregador!..

 

Foi um desgosto de morte para a minha avó Albertina! Dizia que quando me ordenasse, mandaria matar duas vitelas, encomendaria uma camioneta de arroz e outra de açúcar e convidaria a freguesia inteira de Santa Leocádia para ouvir o meu sermão numa festa no Lameiro Grande!..

 

Nem tudo se perdeu!..

 

A vida, afortunadamente, concedeu-me, em parte, o privilégio de ser pregador. Pois enquanto mo permitam, o meu púlpito continuará a ser o da sala de aula e os fiéis ouvintes os meus pacientes alunos!

 

Gil Santos

 

[1] Decreto nº 44075 publicado em 5 de dezembro, no DR 281/61 série I.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:45
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Domingo, 15 de Janeiro de 2017

Nogueirinhas - antes, durante e depois

1600-nogueirinhas (265)

 

Hoje é dia de ir por esses caminhos até mais uma das nossas aldeias e a escolha, como sempre um pouco ao acaso, caiu sobre as Nogueirinhas.

 

1600-nogueirinhas (218)

 

E os caminhos das Nogueirinhas vivem-se sempre em três momentos: o antes, o durante e o depois. Pode parecer que é isso o que acontece com todas as aldeias que visitámos, e com algumas é, mas com outras não é bem assim.

 

1600-nogueirinhas (227)

 

Podia ser mais breve e dizer que há aldeias que não valem só por si, mas também pela sua envolvência como fazendo parte de um todo – é o que acontece com as Nogueirinhas, quer se aborde via Stº Estevão ou via Curral de Vacas.

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:02
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Junho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
15


25
26
27
28
29
30


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Abobeleira em três imagen...

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Bóbeda - Chaves - Portuga...

. Bobadela de Monforte - Ch...

. Aveleda, o mito dos três ...

. Assureiras de Baixo - Cha...

. Argemil da Raia - Chaves ...

. Arcossó - Chaves - Portug...

. Anelhe - Chaves - Portuga...

. Amoinha Velha - Chaves - ...

. Alanhosa em três momentos

. Águas Frias - Chaves - Po...

. Agrações, Chaves, Portuga...

. Agrela - Chaves - Portuga...

. Agostém - Chaves - Portug...

. Discursos Sobre a Cidade,...

. Nogueirinhas - antes, dur...

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites