Sábado, 14 de Outubro de 2017

Curral de Vacas - Chaves - Portugal

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Na nossa habitual ronda dos sábados pelas nossas aldeias, hoje toca a vez a Curral de Vacas, uma das aldeias vizinhas do vale de Chaves embora já em plena montanha.

 

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Ficam cinco olhares de cinco momentos que escaparam ou sobraram das últimas seleções em que fomos até esta aldeia, não só para o seu devido post, mas também para o post da freguesia, pois acontece que Curral de Vacas aldeia é também freguesia, mas aqui adota outro topónimo, o de S. António de Monforte.

 

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Mas também Miguel Torga foi pretexto para termos ido até esta aldeia, pois nos seus diários faz algumas referências a Curral de Vacas, quer pela Pedra da Pitorga quer pelo Auto da Paixão.

 

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Pedra da Pitorga que ainda continua por lá no meio do monte, a caminho de Vila Frade. Quanto ao Auto da Paixão, ao qual ainda fui em finais do anos 60, deixam saudades por tudo que o envolvia. Uma representação popular feita pelo povo de Curral de Vacas para quem quisesse juntar-se à celebração, pois embora “teatro” popular,  tinha um forte cariz religioso. Pena que já não se realize e que vá ficando esquecido no tempo.

 

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Quanto à aldeia, é interessante, com interessantes motivos para fotografar. Aldeia ainda com vida, não é das que mais sofre com o despovoamento, talvez pela proximidade da cidade, dos bons acessos,  mas não só, pois outras aldeias há bem mais próximas que estão mais despovoadas. É uma das aldeias pela qual gostamos de passar e “roubar” alguns olhares para memória futura e para deixar por aqui alguns.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:27
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Chá de Urze com Flores de Torga - 115

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Curral de Vacas, Chaves, 4 de Setembro de 1991

 

Com metade da povoação a guiar-me, visita penosa à Pedra Pitorga, um abrigo pré-histórico gigantesco que deu segurança através dos tempos a sucessivas aflições. A ele se acolhiam os primitivos habitantes da região, assediados por ursos, lobos, javalis e outros inimigos. Nele se refugiaram foragidos da Inquisição e da sanha miguelista e liberal, e perseguidos da Guerra Civil espanhola, que a raia não defendia da raiva nacionalista. Labirinto granítico oculto num matagal de giestas e carvalhas, nele me apeteceu resguardar também a dignidade de poeta neste tempo sem poesia que me coube.

Mas o homem já não sabe identificar-se no seio da natureza. Nem mesmo os candidatos à santidade se retiram nos cenóbios e nos desertos para conhecer na solidão os limites da alma, e meditar na hipocrisia humana. Cépticos também, procuram compungidos no seio escancarado das multidões e justificação da farsa da sua medular incredulidade. Os poetas, esse serão sempre presenças por si próprias devassadas em todos os recônditos do mundo. Em nenhum sítio real ou imaginário se podem evadir dos seus demónios interiores e da incompreensão demoníaca dos outros

Miguel Torga, in Diário XVI

 

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Menos penosa que a visita de Torga à pedra da Pitorga ou Pitorca, também eu fui conhecer a dita cuja, mas sem povoação ao qualquer guia a guiar-me. Assim, só da segunda vez que fui por lá é que a encontrei, e pensei que só à terceira é que era de vez. Acontece que acertei com a fotografia na Pitorc(g)a, pelo menos a julgar pela imagem reproduzida na Revista Aquae Flaviae nº41. Acertei com a fotografia mas foi impossível chegar perto dela. O mato não deixa. Pena que aquele campo de penedio não tenha qualquer indicação para se chegar até lá e que a Pedra da Pitorc(g)a não esteja assinalada e limpa de mato à sua volta. Como fica lá para o meio do monte, não interessa… embora arqueólogos e historiadores não pense o mesmo. Aliás a única informação que há sobre este achado é mesmo dos especialistas e profissionais do tema.

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Pela minha parte agradeço a Miguel Torga a descoberta pois até ao momento em que a conheci no seu diário nunca tinha ouvido falar da Pitorc(g)a, mesmo aquando dos achados em 1980 a fiquei a conhecer, talvez por na altura andar preocupado com outros interesses que não estes de conhecer a minha terra.

 

Fica para todos aprendermos mais um bocadinho sobre a Pitorc(g)a o que Alexandra Vieira escreve sobre a mesma e o local. De salientar que popularmente na aldeia de Curral de Vacas se referem a pedra da Pitorga, talvez por isso Miguel Torga assim se refira a ela. Nos estudos dos profissionais todos grafam a pedra como Pitorca. Apenas um pormenor, ou então é o Poeta forçou a grafia de modo a ir de encontro ao seu apelido Pi(Torga) – Isto já sou eu a inventar.

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Algumas rochas na envolvência do abrigo (Pitorca)

 

“ O Fragão da Pitorca consiste “num aglomerado de formações graníticas que conferem ao local uma posição destacada na paisagem. O conjunto dos rochedos gera promontório que descai em forma de penedia sobre o seu sector ocidental.” Foi neste abrigo de médias dimensões, que nos inícios dos anos oitenta do séc. XX foi encontrada uma espiral em ouro (Portal do Aqueólogo, em linha). Armbruster e Parreira (1993:25) referem-se ao achado como “ (…) um anel espiralado de ouro [que] estava associado a um machado plano de cobre e a cerâmica (…) Ana M. S. Bettencourt refere que neste sítio arqueológico teriam sido realizados enterramentos “provavelmente, desde o Calcolítico até ao Bronze Inicial. Aqui, a par de ossadas humanas, apareceram cerâmicas lisas e decoradas, assim como uma espiral em ouro e um machado Plano, ainda com rebardas de fundição” (Bettencourt, 2009:18).

 

Alexandra Vieira

“Alguns dados para o estudo da Idade do Bronze no Norte de Portugal”

In Antrope – A Idade do Bronze em Portugal: os dados e os problemas. 2014

 

 

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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Chá de Urze com Flores de Torga - 113

1600-torga

 

Chaves, 26 de Agosto de 1991

 

Viver clandestinamente. Que outra maneira airosa tem um poeta de o ser neste mundo de hoje, senão a parecer uma coisa por fora e ser outra por dentro? Mas sê-lo, então, de verdade, frontal e desassombradamente, com a prova insofismável da poesia.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

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Curral de Vacas, Chaves, 3 de Setembro de 1991

 

À semelhança de tantas outras que me ocorrem penosamente à lembrança, também esta terra, infelizmente, perdeu a identidade. Mudou de nome, alindou as moradias, secou-lhe no largo o negrilho centenário que a tutelava, deixou apagar o forno do povo, pôs fim às representações do Auto da Paixão, que a notabilizavam e aqui me trouxeram pela primeira vez. Com todas as raízes cortadas, ninguém se orgulha mais do tapete de bosta que lhe almofadava os passos logo ao nascer. Cada morador, com quem falo e comento a degradação, parece ter perdido a memória das antigas feições. Até o patriarca, que foi durante a vida inteira titular da figura de Cristo no drama sagrado, e era pelo ano adiante a figura carismática da povoação, no que diz e me diz é um estranho a si próprio, um zé ninguém indigno da majestade que dantes lhe nimbava a rude fisionomia de cavador. Nem o consigo ver, como vi, a morrer santamente na consternação de todos pregado na cruz do calvário, nem, depois, a festejar alegremente com os amigos, lascas de presunto e copos de vinho tinto, a sua ressurreição.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

 

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Domingo, 14 de Setembro de 2014

Chips, novas tecnologias e Curral de Vacas

 

Não sei o que irá ser deste século que já leva 14 anos e também, quando ele terminar, não vou estar cá para fazer o seu balanço, mas pela certa irá ser muito diferente do século XX, que olhando aos acontecimentos que acolheu e as transformações que testemunhou, é um século que ficará para sempre na história: Duas guerras mundiais, o fenómeno da televisão, a ida à lua e a exploração do espaço, os movimentos sociais como os hippies, o desenvolvimentos da aviação, o inicio da globalização, etc, etc, etc, mas há uma descoberta de meados do século passado que iniciaria a transformação  do mundo no último quartel do século e que ainda hoje continua. Refiro-me à descoberta do circuito integrado (vulgarmente conhecido por chip ou microchip) e que viria a dar lugar às novas tecnologias (computadores pessoais, telemóveis, tablets, smartphones, satélites, etc.) sem as quais hoje em dia o mundo pararia.

 

 

Tive a sorte de ter nascido em 60 e ter assistido a quase todas estas transformações e revoluções. De importante penso mesmo que só perdi as duas guerras mundiais (e não lamento a perda) e no âmbito nacional a implantação da República e a I República, pois a segunda (a ditadura) ainda a vivi e ao 25 de abril de 74 (início da III República)  tive o grato prazer de assistir e viver, mas, pelas implicações na alteração das vidas das pessoas e famílias   o que mais me foi surpreendendo, numa primeira fase com início nos finais dos anos 60,  foi mesmo o aparecimento dos primeiros eletrodomésticos nas casas (frigorifico, televisão e mais tarde as máquinas de lavar roupa e loiça e mais recente o micro-ondas) e, numa segunda fase, nos inícios dos anos 80, com os computadores pessoais, mais tarde os telemóveis e hoje, tudo que temos ao dispor graças ao tal chip.

 

 

 

Mas como hoje é dia de dedicar o blog às aldeias, tal como as fotografias o documentam, perguntarão o que é que as novas tecnologias e toda esta revolução da eletrónica e informática têm a ver com o nosso mundo rural? – Pois a resposta é simples – Tem tudo a ver, e o atual despovoamento rural é, indiretamente, uma consequência desta nova revolução, e as aldeias as suas vitimas, tudo porque as políticas e economias atuais estão viradas para as grandes massas/grandes consumos, ou seja, esta revolução eletrónica e informática veio agravar ainda mais a disparidade que sempre houve entre o litoral e o interior, e quanto mais interior for, mais aprofundada será a disparidade e a decadência do nosso mundo rural, e ainda mais, quando todas as políticas e políticos estão alinhados com os grandes interesses económicos.

 

 

Assim não admira que as nossas aldeias fiquem despovoadas e o que resta nelas, sejam testemunhos de um passado recente que não resistiu aos novos tempos, e com esta perda, perde-se todo o romantismo das aldeias, os seus valores, as tradições, os costumes, os sabores da genuinidade das coisas.

 

 

 

 

As fotografias de hoje são de Curral de Vacas, mas poderiam ser de outra aldeia qualquer, ou melhor, de outra que sofre bem mais as consequências da modernidade, pois Curral de Vacas graças à proximidade e bons acessos à cidade, ainda não é das que mais sofre das maleitas atuais do mundo rural.  

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:40
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Domingo, 11 de Agosto de 2013

Curral de Vacas - Chaves - Portugal

 

A minha mãe sempre me disse que quem dá a noite não pode dar o dia e é bem verdade. Quero com isto dizer, e dias e noite à parte, que se ando na rua não posso estar em casa ou seja, que andando lá fora não posso vir aqui ao blog cumprir como prometido, mas é tudo por uma boa causa, pois para arranjar matéria e imagens para o blog tenho de ir para a rua.



Neste fim de semana entretive-me com o incêndio das Nogueirinhas e hoje lá fui fazer o rescaldo da situação, tal como algumas dezenas de bombeiros (de várias corporações) que por lá ainda estavam à espera de um ou outro reacendimento., pois as temperaturas do dia a isso eram propícias.



Não que o entretenimento tivesse sido de gozo, antes pelo contrário pois o cenário era de desolação total, tanto que até acabei por concordar com aqueles que dizem em que o nosso mundo rural está desertificado em vez de despovoado. Por este caminho o nosso concelho para lá caminha, para a desertificação, principalmente quando há anos, muitos anos que não há políticas para uma reflorestação, muito menos com espécies autóctones (carvalhos, castanheiros, etc) e não me venham com a cantiga dos pinheiros se darem bem por cá, que até dão, principalmente para alimentar incêndios.



Mas sobre o incêndio já aqui deixei imagens ontem, hoje quero ir até Curral de Vacas (aldeia que com as Nogeuirinhas fazem a freguesia de Stº António de Monforte), e tudo porque quando parei nas Nogueirinhas estavam por lá pessoal de Curral de Vacas de férias na terrinha e, achei de bom tom a t-shirt  que vestiam a anunciar a festa da aldeia a fazer jus, sem qualquer preconceito, ao verdadeiro nome da aldeia – Curral de Vacas. Só por isso merecem estar por aqui outra vez, mesmo que até nem tenham razões de queixa, pois Curral de Vacas já foi muitas vezes repetente neste blog, algumas graças a Miguel Torga e às suas antigas tradições que infelizmente ficaram esquecidas no tempo, mas nem que fosse e só pelas vistas que Curral de Vacas lança sobre o vale de Chaves, já vale a pena ir por lá e trazê-las aqui em imagem.



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publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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Sábado, 28 de Julho de 2012

Curral de Vacas - Chaves - Portugal

 

Para já fica uma imagem, de Curral de Vacas, freguesia de Santo António de Monforte e, surge-me uma questão, pois tudo indica que a freguesia de Stº António de Monforte será uma das que irá desaparecer do mapa das freguesias portuguesas, e a questão é esta - Qual o nome com que a aldeia irá ficar? - Ponho esta questão porque muitos  dos naturais de Curral de Vacas desque que a aldeia é freguesia, deixaram para trás o nome da aldeia e assumiram o da freguesia.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:11
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Sábado, 23 de Abril de 2011

Sábado de Páscoa

 

 

É Sábado de Páscoa. Os últimos folares vão ao forno e o cabrito ou cordeiro já está em estágio de alguidar para amanhã bem cedo ir ao forno, já sem a preocupação da bênção das casas, pois a cerimónia ao longo dos anos de implantação das modernidades foi-se perdendo.

 

Mas não foi só a tradição da bênção das casas que se perdeu. O tradicional ramo que ia a abençoar no Domingo de Ramos, com ramos de oliveira e alecrim, para mais tarde, em dias de trovoada, ajudar Santa Bárbara  com a queima de alguns ramos abençoados. Esta tradição ainda se vai mantendo, só que agora, o ramo, é da florista da esquina. Vale a intenção mas perde-se a tradição.

 

 

 

Também os autos da paixão, esta semana já aqui mencionados, são coisas do passado, pelo menos os mais famosos que levavam até eles umas boas centenas de “peregrinos” em gesto de apreciação da representação mais popular que conheci, pois ainda tive a sorte de em pequeno ver o auto da paixão de Curral de Vacas. Claro que não esqueço do de Curalha que até ficou até bem mais afamado que o das Terras de Monforte e tudo graças a Manoel de Oliveira ter feito de um dos autos o seu Acto da Primavera (1962), um filme documentário, longa metragem que ainda hoje é uma das obras contemporâneas do cinema etnográfico que viria a inspirar outros realizadores a realizarem trabalhos idênticos.

 

 

 

Foram-se perdendo algumas das tradições religiosas ligadas à Páscoa. Tenho pena que algumas se tenham perdido mas em tudo o restante, gosto mais da Páscoa actual, pelo menos é mais alegre e com muito menos medos da Igreja que ao longo da ditadura e do estado novo se impunha a um povo maioritariamente ignorante com os medos e temores a Deus em que na Páscoa (quinta-feira à tarde e sexta-feira santa) eram mais acentuados e forçosamente a Páscoa  tinha de ser triste e penitente, jejuar sem comer era uma graça a Deus, ouvir música (com excepção da clássica – vá-se lá saber porquê) quase era pecado, festas, fossem quais fossem, essas além de pecado era uma afronta a Deus. Só mesmo no Domingo de Páscoa é que a alegria e sorrisos podiam regressar aos rostos.  

 

Hoje ficam imagens que nada têm a ver com a Páscoa, mas são imagens das duas aldeias onde em tempos se realizavam autos da paixão: Curalha e Curral de Vacas.

 

Boa Páscoa.

 

 

 

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Domingo, 23 de Maio de 2010

Mosaico da Freguesia de Stº António de Monforte

 

 

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Localização:


A 12 km da cidade de Chaves, a Nordeste desta e próxima da raia e do limite do concelho,  situa-se no início do grande planalto da montanha mas ainda na encosta da serra com vistas para o grande vale de Chaves.

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Lamadarcos, Mairos, Paradela de Monforte, Águas Frias, Stº Estêvão e Vila Verde da Raia.

 

Coordenadas: (Átrio da Igreja de curral de Vacas):


41º 47’ 58.83”N

7º 23’ 10.87”W

 

Altitude:


Variável – acima dos 450m e abaixo dos 650m

 

Orago da freguesia:


Stº António

 

Área:


10,31 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):



– Estrada Nacional 103-5 (até Vila Verde da Raia) e E.M. 502 a partir de Vila Verde da Raia.

 

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Aldeias da freguesia:


- Curral de Vacas

- Nogueirinhas

 

População Residente:


Stº António de Monforte só foi constituída como freguesia em 1960. Assim, só existem dados dos últimos quatro Censos.

 

Em 1970 – 561 hab.

 

Em 1981 – 604 hab.


Em 1991 – 509 hab.


Em 2001 – 509 hab.

 

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Principal actividade:


- A agricultura.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:


 

Tal como já atrás se referiu a freguesia de Stº António de Monforte é de formação recente, só existindo como tal desde 1960, pois até aí, as aldeias de Curral de Vacas e Nogueirinhas pertenciam à freguesia de Águas Frias. Manteve no entanto a ligação às terras de Monforte, pelo menos no nome da freguesia, acrescentando ao seu orago (StºAntónio) o nome de Monforte, indo beber à origem da época medieval a denominação do território paroquial da terra e Julgado de Monforte de rio Livre.

 

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Dado nas redondezas da freguesia existirem vários povoados castrejos, pensa-se que as terras da freguesia tenham sido povoadas desde então, no entanto, como testemunho de povoamento antigo existe apenas uma ara da romanização, invocando a divindade indígena Larocus (ou Laraucus) relacionada com a Serra do Larouco, que aliás é avistada  desde terras da freguesia.

 

A freguesia é composta por duas aldeias: Curral de Vacas e Nogueirinhas.

 

Nogueirinhas é um pequeno lugar, muito bucólico até à construção da Barragem, mas que com a construção desta e da estrada de ligação de Curral de Vacas a Stº Estêvão, perdeu o romantismo do bucólico, ganhando em olhares de descoberta. Continua a ser um pequeno lugar, suponho que no máximo com meia dúzia de famílias, mas nem todas residentes. Pequena, mas possui uma capela, também pequena mas muito interessante e que quis o destino do traçado da nova estrada, que ficasse de costas voltadas para ela.

 

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Curral de Vacas, que muitos residentes se orgulham do topónimo, é geralmente apresentada com o nome da freguesia, ou seja, como Stº António de Monforte. Para mim e também na documentação que possuo, é o topónimo de Curral de Vacas que continua a constar como sendo uma aldeia da freguesia de Stº António de Monforte. Não quero meter a foice em seara alheia, mas penso que o topónimo Curral de Vacas é bem mais interessante e com fundamento que o liga à sua história antiga, do que o de Stº António de Monforte. Mas como disse, a seara é alheia e isto são coisa dos residentes, para mim, Curral de Vacas são como o Jardim, agora Largo das Freiras que bem o podem apelidar oficialmente de Praça Gen. Silveira, mas continuarão a ser sempre as Freiras.

 

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Curral de Vacas, ao contrário das Noguerinhas, é uma grande aldeia, com um grande largo, Igreja, capela e cruzeiro, forno comunitário e tanque público, dois cafés e, sempre, muita gente na rua. É uma aldeia com vida, a qual talvez se deva às vistas privilegiadas sobre o Vale de Chaves, a proximidade da cidade mas também ser uma aldeia de passagem para outras aldeias e freguesias importantes, como Mairos e Paradela de Monforte, mas também para Travancas, S.Cornélio, Argemil e freguesia de S.Vicente da Raia.

 

Stº António de Monforte é uma freguesia interessante que merece sempre uma visita, não só às suas aldeias como também à barragem de onde se avistam terras de Monforte mas também a cidade de Chaves. Um passeio de fim-de-semana com entrada por Vila Verde da Raia e saída por Stº Estêvão, recomenda-se sempre.

 

De lamentar na freguesia, só mesmo a ausência dos seus afamados “Autos da Paixão” que tão boas memórias deixa no passado da freguesia.

 

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

- Curral de Vacas

 

- Nogueirinhas

 

 

Curral de Vacas na blogosfera:

 


- http://curraldevacas.blogspot.com/

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Curral de Vacas - Chaves - Portugal

 

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A primeira vez, teria eu 6 ou 7 anos, se tantos, que fui a Curral de Vacas, foi quase em excursão familiar com pais, padrinhos, irmãos, acomodados como podíamos, todos dentro de um carro preto e grande, que gemeu a bem gemer para atingir o cimo da longa subida que desaguava na aldeia. O Esforço do carro foi tanto ou igual ao nosso, que dentro dele sofríamos e temíamos não chegar ao destino, o que seria uma tragédia não poder assistir devotamente ao Auto da Paixão. Era tempo em que a religião além de se levar a sério, era tão temida como abençoada da mesma forma que Deus nos castigava ou dava graças. Assistir ao Auto da Paixão, além da beleza da representação, era também uma graça de Deus.

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Estávamos nos anos 60 e só regressaria lá de novo, 20 anos depois por um motivo profissional qualquer. Da aldeia poucas imagens tinha, do Auto da Paixão, recordava e recordo ainda muitas das cenas e do túnel humano que se ia abrindo para a representação passar, mas também dos comentários de apreciação da representação das cenas e dos personagens, sobretudo o de Jesus que era sobre o qual recaiam mais atenções.

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Tenho assim, desde sempre, associada a aldeia de Curral de Vacas, ao Auto da Paixão, que, quer se tivesse a sorte de assistir ou não, era famoso e passava para além das terras de Chaves, tanto, que até Miguel Torga se sentiu atraído pela fama e encanto do acto ato e mesmo sem auto, quis conhecer o palco da representação:

 

Curral de Vacas, Chaves, 24 de Setembro de 1970

 

Hoje vim apenas ver o palco. Qualquer dia virei assistir à representação do Auto da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nestas quelhas esburacadas e cobertas de bosta, ladeadas de postigos por onde espreita a solidão humana sem fartura, sem higiene, sem instrução e sem esperança, sim, é de um Zé qualquer, pode carregar dignamente uma cruz divina

Miguel Torga, in Diário XI

 

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Também eu, antes deste post, por várias vezes fui, apenas, visitar o palco da actual atual aldeia. Vinha-me sempre à lembrança o tal Auto da Paixão e regressava sempre de mãos vazias e sem imagens da aldeia de hoje para a feitura deste post.

 

Mas continuemos, ainda, com o Auto da Paixão e com Torga, que depois do palco vazio, quis vê-lo cheio de paisagem humana num espaço de devoção, mesmo que ingénuo mas fazendo parte das práticas ancestrais enraizadas na vivência mais profunda de um povo.

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Curral de Vacas, Chaves, 11 de Abril de 1974

 

O Auto da Paixão num pobre lugarejo  transmontano transfigurado numa Galileia imaginária, a fonte de Jacob, o Jardim das oliveiras e o Sinédrio reduzido a uma bacia cheia de água, a meia dúzia de ramos espetados no chão, a um palanque de feira. Mas nesse cenário ingénuo e sumário, tudo se passou como no verdadeiro – um Cristo do mundo a sofrer as injustiças e agruras do mundo. Pilatos era qualquer regedor, Presidente da Câmara ou juiz poltrão a lavar as mãos na honra da verdade; Caifás, o influente poderoso e rancoroso, que não é por nós é contra nós; Judas, o mau vizinho que muda os marcos e jura peitado; e a turba judaica, a multidão que assistia, mata, queima, esfola, conforme a onda emotiva. Não havia vedetas. Nem o próprio redentor tentava ultrapassar a medida humana. Todos faziam diligentemente o seu papel, a debitar o texto e a gesticular como a rudeza era servida. A tarde estava de rosas, e essa doçura da natureza emoldurada harmoniosamente aquela lúdica catarse colectiva, teatro e realidade misturados, festa e pesadelo, agonia fingida e vivida. O povo tem isso: sabe encontrar o meio termo feliz, o equilíbrio entre as exigências da alma e as fraquezas do corpo. A tragédia do Calvário é a nossa própria tragédia. Mas Deus é Deus, um ser absoluto. Pode sofrer absolutamente. Nós somos criaturas relativas…Por isso, a esponja de fel que desta vez o Centurião chegou ao lábios de Cristo era um naco de pão-de-ló ensopado em vinho fino…

 

Miguel Torga, in Diário XII

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Este blog está quase a cumprir a sua promessa de passar por todas as aldeias do concelho de Chaves com um post alargado, pois com breves passagens já todas passaram, e Curral de Vacas não poderia ficar de fora de uma abordagem mais profunda e, em imagem, deixar também aqui uma ideia do que é a aldeia. Não poderia adiar mais uma visita demorada e a recolha de imagens. Aqui está hoje o post e as imagens possíveis, na certeza de que muitas mais poderia ficar aqui.

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Uma abordagem que confesso difícil, não só porque todas as velhas imagens do meu imaginário se diluíram na modernidade da aldeia, mas também, como diz Torga, por perder a sua identidade, começando pelo nome da aldeia, que não sei por qual vergonha tentam borrar e deixar esquecido o nome de sempre, da e ligado à sua história, do seu passado – Curral de Vacas, chamando hoje a si e à aldeia (consagrado em placa à entrada da aldeia) o nome da freguesia de Santo António de Monforte.

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Também Torga lamenta e de novo canta Curral de Vacas no seu diário, passados quase vinte anos após ter-se rendido a todo um povo:

 

Curral de Vacas, Chaves, 3 de Setembro de 1991

 

À semelhança de tantas outras que me ocorrem penosamente à lembrança, também esta terra, infelizmente, perdeu a identidade. Mudou de nome, alindou as moradias, secou-lhe no largo o negrilho centenário que a tutelava, deixou apagar o forno do povo, pôs fim às representações do Auto da Paixão, que a notabilizavam e aqui me trouxeram pela primeira vez. Com todas as raízes cortadas, ninguém se orgulha mais do tapete de bosta que lhe almofadava os passos logo ao nascer. Cada morador, com quem falo e comento a degradação, parece ter perdido a memória das antigas feições. Até o patriarca, que foi durante a vida inteira titular da figura de Cristo no drama sagrado, e era pelo ano adiante a figura carismática da povoação, no que diz e me diz é um estranho a si próprio, um zé-ninguém indigno da majestade que dantes lhe nimbava a rude fisionomia de cavador. Nem o consigo ver, como vi, a morrer santamente na consternação de todos pregado na cruz do calvário, nem, depois, a festejar alegremente com os amigos, lascas de presunto e copos de vinho tinto, a sua ressurreição.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

A Maravilha do Reino, perdia assim para o poeta que a canta, um pouco do seu encanto.

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Mas vamos deixar, para já, Torga e as perdas do passado de lado, que, no entanto,  se refletem no presente de uma aldeia que cresceu a par da modernidade alongando o seu casario ao longo da estrada agora asfaltada, que construiu os seus bairros novos, que pavimentou e arranjou o seu largo, o tal dos negrilhos, que vá-se lá saber porque, um pouco por todo o lado, resolveram morrer e deixar mais tristes os espaços que ocupavam.

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Mas vamos a um pouco da história desta aldeia que ainda hoje, oficialmente, é Curral de Vacas, pois tanto quanto sei, e assim consta na divisão administrativa do concelho, à Freguesia de Santo António de Monforte, pertencem as aldeias de Curral de Vacas e Nogueirinhas.

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Comecemos pela origem do topónimo. Como sempre, existem várias hipóteses para a origem da designação Curral de Vacas. Uma, tendo origem na abundante criação de gado bovino ligado à aldeia, que se calha (agora sou eu a supor) teria de perto a ver com a existência da principal feira do gado da região se realizar em terras de Monforte (Castelo) à qual esta aldeia pertenceu em termos administrativos até 1960, pois só a partir desta data é que se formou a freguesia de Santo António de Monforte (com  Curral de Vacas e Nogueirinhas). No entanto, pessoalmente estou mais virado para uma segunda hipótese de origem da sua designação, e, esta, apoiada até por alguma documentação, pois segundo segundo Viterbo no seu famoso “Elucidário” faz-se referência a um senhor donatário destas terras, cujo nome seria Luiz Pires Voacas. Seria talvez aqui (sou eu a supor outra vez) que o topónimo teria a sua origem e, a ser assim, inicialmente poder-se-ia referir ao curral do (Sr.) Voacas, acabando em Curral de Vacas. Claro que como não há qualquer documento que ateste em prol de uma origem, qualquer uma das apresentadas (ou que apresentem) pode ser verdadeira.

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Quanto à denominação da freguesia ser Santo António de Monforte, quanto a essa já se têm certezas e está directamente diretamente ligada à tal ligação que Curral de Vacas teve, como território paroquial, à terra e julgado de Monforte de Rio Livre.

 

Pela existência de vários castros nas aldeias mais próximas, tudo indica que curral de Vacas pudesse ter tido ocupação pré ou proto-histórica. Já inequívoca é a romanização bem patente na ara  existente no interior da Igreja Paroquial invocada à divindade indígena Larocus (ou Laraucos, conforme os documentos que se tenham de base) e que hoje dizem ser de invocação ao Deus Larouco. Aliás esta ara é mesmo directamente diretamente relacionada com a Serra do Larouco, cuja imponência se avista desde Curral de Vacas, bastando dirigir olhares para terras do Barroso.

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A Igreja Paroquial com torre sineira galaico transmontana de dois sinos, hoje com pedra à vista e isenta de qualquer reboco, mostra uma traça incaracterística com certa persistência do gosto românico, principalmente a nível do aparelho e do pórtico principal aberto em arco de volta inteira. Na frontaria pode ainda observar-se um pequeno óculo de recorte oval talhado em dois enormes blocos justapostos. Algumas irregularidades construtivas denunciam as sucessivas reformas a que o templo esteve sujeito ao longo dos tempos. O Padroeiro, como é natural, é Santo António, com honras e festa marcada anualmente para 13 de Junho junho.

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No largo principal da aldeia ergue-se um Cruzeiro perto do qual a Capela da Senhora do Rosário mostra a sua graça, rematando o largo.

 É junto a esta capela que se inicia o caminho para a escola primária, que (milagre) é uma das poucas escolas rurais em funcionamento. Uma prova de que esta aldeia não foi muito castigada com o despovoamento a que estamos habituados, aliás pelos Censos existentes desde que foi criada a freguesia de Santo António de Monforte, a freguesia mantém-se sempre acima dos 500 habitantes. No entanto os primeiros Censos da freguesia são de 1970, faltando os anos críticos de perda de população associados à década de 1920 e às de 1950/60. Contudo é um bom sinal existir escola primária em funcionamento, pois é porque existem crianças, e embora (segundo apurei) não chegue aos 20 alunos e esteja bem longe do número de alunos da primeira escola na aldeia, que em 1916 era de 76 crianças em idade escolar.

 

Geograficamente, a aldeia ocupa parcialmente uma área planáltica que se estende até Mairos e Paradela de Monforte no entanto as suas terras descaem para a bacia orográfica do Rio Tâmega.

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Em termos de actividade atividade, a agricultura é a de maior importância, com as culturas comuns às terras do planalto (batata, centeio, alguma vinha e os produtos hortícolas bem como árvores de fruto de proximidade das habitações. Em tempos, não há muitos, era conhecida também por se dedicar à pecuária e à produção de leite que hoje se perdeu, tal como em quase todo o concelho e graças às “boas” negociações agrícolas de preços e quotas que os nossos responsáveis governamentais têm travado a nível europeu e que em muito têm contribuído para o despovoamento do interior Norte.

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E se a nível da aldeia a principal actividade atividade é a agricultura, já não o é em termos de ocupação dos seus habitantes, muitos deles reformados e outros tantos a trabalhar em diversas actividades  atividades fora da aldeia e na cidade, funcionando a aldeia como dormitório. Uma prova de como se pode trabalhar na cidade e viver na aldeia, com a sua qualidade de vida, vizinhança e tranquilidade, mesmo que, embora avistando-se a cidade, ela fique a 12 quilómetros de distância. Outras aldeias bem mais próximas da cidade poderiam seguir o exemplo destas aldeias ainda com vida.

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De história e lenda,  falta ainda referir a Fraga da Moura ou Pedra Pitorga, mas mais uma vez, a preferência e referência deixo-a a cargo de Miguel Torga:

 

 Curral de Vacas, Chaves, 4 de Setembro de 1991

 

Com metade da povoação a guiar-me , visita penosa à Pedra Pitorga, um abrigo pré-histórico gigantesco que deu segurança através dos tempos a sucessivas aflições. A ele se acolhiam os primitivos habitantes da região, assediados por ursos, lobos, javalis e outros inimigos. Nele se refugiavam foragidos da Inquisição e da sanha miguelista e liberal, e perseguidos da Guerra Civil espanhola, que a raia não defendia da raiva nacionalista. Labirinto granítico oculto num matagal de giestas e Carvalhas, nele me apeteceu resguardar também a dignidade de poeta neste tempo sem poesia que me coube.

 

Mas o Homem já não sabe identificar-se no seio da natureza. Nem mesmo os candidatos à santidade se retiram nos cenóbios e nos desertos para conhecer na solidão os limites da alma, e meditar na hipocrisia humana. Cépticos também, procuram compungidos no seio escancarado das multidões a justificação da farsa da sua medular incredulidade. Os poetas, esses serão sempre presenças por si próprias devassadas em todos os recônditos do mundo. Em nenhum sítio real ou imaginário se podem evadir dos seus demónios interiores e da incompreensão demoníaca dos outros.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

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Para finalizar, a referência ao testemunho da vida comunitária que existiu na aldeia e pena é, nem que fosse apenas em termos de animação, convívio bem como honrar a história do passado, as infraestruturas comunitárias existentes não seja frequentemente utilizadas. Refiro-me ao lavadouro público e refiro ao forno do povo, já que as fontes, de uma ou outra forma, lá vão tendo a sua utilidade, embora já não se vá de cântaro à fonte, pois felizmente, agora, a água já nasce na torneira de casa.

 

Para quem não sabe onde fica Curral de Vacas, não há nada a saber, pois basta virarmos o destino para terras galegas, para a fronteira e quando chegarmos a Vila Verde da Raia, no cruzamento da fonte, vira-se para Curral de Vacas, embora na placa apareça (claro) Stº António de Monforte. Curral de Vacas é também terra de passagem para Mairos e Paradela de Monforte, mas se de Mairos seguirmos até S.Cornélio, então Curral de Vacas pode ser passagem para quase metade das aldeias do Concelho.

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E por Curral de Vacas é tudo. Já aqui tem o seu post alargado, no entanto, ainda gostaria de lhe dedicar um outro, uma grande reportagem, a ser possível se tornarem também possível tão famoso como saudoso Auto da Paixão. Façam dele um motivo de interesse religioso, turístico e até económico que Curral de Vacas, só ficaria a ganhar, para além de ser também um motivo de orgulho para a aldeia. Não deixem que politiquices, partidarismos e outros devaneios acabem com uma tradição que vos ficava tão bem. Não percam, como dizia Torga, a vossa identidade senão caem numa vulgar aldeia qualquer.

 

Agora sim, para terminar mesmo, a referência a um blog de Curral de Vacas, que embora a sua última publicação seja de nov.09 já existe desde 2006 e, assume o nome de Curral de Vacas .

  

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:07
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