Sábado, 21 de Outubro de 2017

Dadim - Chaves - Portugal

1600-dadim (145)

 

Embora na minha formação a disciplina de geografia me tivesse acompanhado sempre até ao 12º ano, e fosse uma das que até gostava e daí até ter sido sempre um aluno razoável, a verdade é que nunca me questionei ou me lembro de ter abordado, pelo menos a fundo, a diferença que há entre uma montanha e uma serra. Daí ao longo da minha vida pensar que as serras são a elevações mais altas, reforçada por aquela que nos enfiavam logo na primária de a Serra da Estrela ser a serra mais alta de Portugal.

 

1600-dadim (143)

 

Com o tempo, vim a saber que a Serra da Estrela não é a mais alta de Portugal e que as montanhas, afinal, são mais altas que as serras, pelo menos a julgar pela definição em que serra é uma grande extensão de montanhas ligadas umas às outras, e montanha é um monte muito alto e extenso. Daí, quando ao longe avistamos (por exemplo) os pontos mais altos da Serra do Larouco, se calha, em vez de dizemos “ e ao fundo vemos a Serra do Larouco” deveríamos dizer “ e ao fundo vemos a montanha mais alta da Serra do Larouco”.

 

1600-dadim (48)

 

 

Ora bem, esta de ter começado com a definição de serras e montanhas tem a ver com a nossa aldeia de hoje – Dadim, tudo porque geralmente quando por cá algum pessoal se refere à montanha, está a referir-se a estas terras lá de cima, do planalto da castanheira, que abrange todas aquelas aldeias do planalto desde a Bolideira, Tronco, Travancas, Argemil, Dadim, Cimo de Vila da Castanheira, Sanfins, S.Cornélio e Roriz, penso que é tudo, pois a partir de aí já são terras inclinadas de além planalto. Claro que aqui fica de fora o planalto de Monforte, que embora seja o mesmo já fica do outro lado da estrada…  

 

1600-dadim-art

 

Seja como for, ainda a montanha ou a serra, estamos em terras altas, pelo menos para o concelho de Chaves em que o ponto mais alto ronda os 900 metros. Aqui no planalto, em Dadim, andamos a rondar os 855 metros, ou seja bem próximos do ponto mais alto do concelho.

Quanto às fotos, são algumas que escaparam às anteriores seleções para anteriores posts que este blog dedicou à aldeia, no entanto é uma aldeia à qual temos de ir por lá outra vez, pois sinceramente só fui lá uma única vez em recolha de imagens e isso já foi em 2008, e pelo que conheço da aldeia, sinto que me escaparam alguns olhares que merecem ser registados, tanto mais que recordo ter sido uma aldeia simpática na receção que nos fizeram há nove anos atrás. Fica a promessa para um deste dias voltarmos por lá.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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Sábado, 11 de Setembro de 2010

Mais uma vez - Dadim

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Por uma ou outra razão, as aldeias em falta que ainda não passaram por aqui, vão continuando a ser adiadas, mas o seu dia virá.

 

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Entretanto um prémio para quem me premeia, sobretudo nos comentários e em saber que este blog vai cumprindo a sua missão de levar as aldeias do nosso concelho aos seus filhos, principalmente aos que estão ausentes.

 

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Uma dessas aldeias é Dadim, e, embora só tivesse passado por lá uma vez em recolha fotográfica, ainda há imagens em arquivo que não foram publicadas no respectivo post.

 

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Pois são algumas dessas imagens que trago aqui hoje, imagens de arquivo enquanto outras mais frescas não acontecerem, mas servem para mostrar o meu agradecimento ao pessoal de Dadim que tem vindo por aqui em visita ou em comentário. Voltem sempre, pois um dia destes também eu passarei de novo por Dadim para mais umas fotos e umas conversas com os resistentes.

 

Até amanhã.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 10:00
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Domingo, 6 de Junho de 2010

São Quase da Família

Cada vez há menos e, estes, não aderiram ao fenómeno do despovoamento do nosso mundo rural, pois não partiram para parte alguma, antes, foram-se extinguindo com a partida dos donos e por não fazerem parte dos planos dos novos mundos, também eles, vão sendo resistentes e também guerrilheiros nos seus pequenos territórios que também são as aldeias (as suas) que o destino lhes ditou para viverem. Animais de trabalho, de estimação de companhia de sobrevivência.

 

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Quem conhece o mundo rural, sabe que os animais fazem quase parte da família e, embora não comunguem da mesa e do berço desta, têm também direito ao seu espaço, à sua mesa e à sua cama e,  tal como à família, é-lhes dado amor, amizade, carinho e até um nome e respeito, mas também se lhes exige fidelidade, a colaboração no trabalho, as suas responsabilidades do dia-a-dia e também a contribuição para o orçamento familiar.

 

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Com a devida diferença de amores, amam-se como a um filho, aprecia-se-lhes a força, o carácter ou a esperteza, mas também a amizade, a companhia e sobretudo a fidelidade.

 

Quase nada conversadores, são no entanto bons ouvintes. Ouvem sonhos e lamentos, segredos, devaneios e certezas, quase sem pestanejar, ouvem, e ouvem, vão ouvindo sempre, parecem indiferentes, mas ouvem e, desde sempre, é-lhes apreciada a confidencialidade. Nunca nenhum traiu o seu dono e amigo com ditos e não ditos ou o contar de um segredo…também por isso se lhes aprecia a amizade e companhia.

 

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São como da família e não admira que os resistentes os queiram com orgulho e encaixilhados ao seu lado no retrato… mas é preciso subir ao nível dos valores do mundo rural para se entender tudo isto…

 

Ficam três imagens do nosso mundo rural flaviense, pedidas e consentidas que farão o orgulho da resistência por um dia terem aparecido na INTERNET, mesmo sem saberem e perceberem muito bem o quê isso é…

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publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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Sábado, 10 de Outubro de 2009

Passos de Torga pelas aldeias de Chaves - Portugal

Cimo de Vila da Castanheira/ Dadim

 

 

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Castanheira, Chaves, 16 de Setembro de 1972

 

PLANALTO

 

Malhadas e vindimas.

Pão e vinho.

A liberdade colhe-se primeiro,

Em criança,

No monte descampado,

A jogar o pião e a fazer a trança,

Atento à voz do vento e à voz do gado.

 

Miguel Torga, in Diário XI

 

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Bolideira

 

 

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Pedra da Bulideira, Chaves, 5 de Setembro de 1989

 

Sísifo em férias, tento manter a forma a fazer abanar esta turística penedia em equilíbrio precário, metendo-lhe os ombros. Não posso acostumar mal o corpo.

 

Miguel Torga, In Diário XV

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:57
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Domingo, 20 de Abril de 2008

Dadim - Chaves - Portugal



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Então vamos até uma daquelas 5 grandes zonas do concelho que é a de Monforte, da Raia e também da Castanheira. Vamos até Dadim.

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Pois há dias num dos Sábados das minhas recolhas fotográficas pelas aldeias, levava em mente as Assureiras, depois Sobreira, Avelelas, Vila Nova, Oucidres, Vilar de Izeu, Bobadela e Bolideira. Já sabia que o tempo seria pouco para fazer todas as aldeias, por isso, chegado às Assureiras, resolvi primeiro ir à Bolideira, mas como passei por Águas Frias, resolvi tomar aí umas fotos, e depois lá fui à Bolideira. Depois da Bolideira, e já que ali estava, pensei que me faltavam ainda tomar umas fotos de Cimo de Vila da Castanheira. Então resolvi ir até lá. Claro que passei por Dadim. No regresso, na

 

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aproximação a Dadim, pensei para comigo: “engraçado como há mais de 20 anos que vou passando por Dadim, sem nunca lá ter tomado uma foto. O problema penso mesmo que é da estrada nova passar ligeiramente ao lado do seu núcleo antigo, e as novas construções ou mais recentes, nas despertarem muito para fotografia. Mas bem, já que ali estava, resolvi entrar em Dadim e só quando a noite se aproximava, já depois do sol posto, é que saí de Dadim.

 

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Mais uma vez o meu itinerário fotográfico tinha saído furado, aliás como acontece sempre. Estranhar seria que o seguisse com rigor e tudo porque há uma ou outra coisa que nos prende mais do que aquilo que prevíamos, tal como me aconteceu em Dadim.

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Fiquei preso a Dadim pelo seu casario antigo, o tipicamente tradicional das nossas aldeias de granito, mas mais que o casario, quem me prendeu, foram mesmo as conversas com o pessoal de Dadim, sobretudo as mulheres, que além da conversa, dos lamentos e dos recados para o Sr. Presidente, me iam mostrando a Igreja velha da qual muito se honram e as casas, que antes estavam cheias de gente e que agora caem aos bocados. “Os novos partem para fora e os velhos morrem, depois é isto, caem, porque ninguém toma conta delas” vão-me dizendo, enquanto pedem uma foto aqui ou ali.

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Mais que servirem de cicerones, as mulheres de Dadim tinham era necessidade de falar dos filhos que partiram, mas que graças a Deus estão bem, pois por lá nada tinham para ganhar o pão de cada dia, e foram para o Porto, para Lisboa, para à Guarda ou Polícia, estudaram e têm os seus empregos na cidade ou emigraram para a França, Suiça ou ode calhou melhor. Fui ouvindo também os seus lamentos, que não eram por elas,  mas por uma aldeia que as viu nascer e que vêem aos poucos, casa a casa, morrer. Falo-vos do casco de Dadim, pois tal como nas outras aldeias, é mais fácil e barato construir de novo junto à estrada do que reconstruir e recuperar as antigas casas, mesmo porque as antigas (pelas suas dimensões) não lhes oferecem o conforto que hoje se exige.


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Quanto a recados para a cidade, anseiam por um Lar e Centro de Dia, para os quais até já têm umas pequenas instalações que há anos foram executadas para o efeito, mas que estão fechadas. Penso mesmo que (embora não seja a única) é coisa que a gente mais velhota da aldeia anseia e necessita, ou seja, algum apoio e alguém que os oiça.

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Quanto os que por lá fazem novas casas junto à estrada, claro que não os critico, antes pelo contrário, pois geralmente são os (poucos) casais mais novos que as constroem, o que significa que optaram pela sua aldeia e não pela partida e, enquanto houver gente nova a construir, há vida nas aldeias e algumas crianças. Também há as construções novas dos emigrantes, que embora não estejam na aldeia, demonstram a sua vontade de um dia regressar a ela.

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Mais que desertificada, Dadim é uma aldeia envelhecida, quer nas casas do seu casco, que nas pessoas. Vimos ruas com gente, muita gente até, mas durante quase duas horas que estive por lá, não vi uma única criança na rua. Não digo que não as haja, pois deve haver, poucas como de costume, mas também as ruas já há muito que não são o palco das suas brincadeiras.

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Mas vamos aos números de Dadim.

 

Em termos de população residente (dados do Censos 2001) existam 126 pessoas residentes (59 homens e 67 mulheres), dos quais 34 tinham mais de 65 anos, 63 pessoas entre os 25 e os 64 anos, 32 jovens entre os 10 e 15 anos e 5 crianças até 9 anos. São dados de 2001 que não precisam de legendas, pois dizem tudo.

 

Dadim fica a 23 quilómetros de Chaves e pertence à freguesia de Cimo de Vila da Castanheira.

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Li algures que a capela é de devoção a Santa Bárbara. Na aldeia disseram-me que era de devoção ao Anjo da Guarda cuja festa realizam todos os anos no 2º Domingo de Agosto, pelo menos desde que a festa em honra de S. João Baptista acabou. Esta última tinha a particularidade de ser uma festa da freguesia que se realizava quase alternadamente em Cimo de Vila e em Dadim, pois durante dois anos realizava-se em Como de Vila e um ano em Dadim. Mas já há muitos anos que não a fazem, e agora cada aldeia faz a sua.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:28
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