Sábado, 4 de Novembro de 2017

Eiras - Chaves - Portugal

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E nesta nova ronda pelas nossas aldeias de Chaves, hoje toca a vez às Eiras, uma das aldeias da periferia da cidade de Chaves, instalada à beirinha da veiga mas já nas faldas da Serra do Brunheiro, como quem sobre para S.Lourenço.

 

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Embora as Eiras tenham alguns, até bastantes,  pontos de interesse que merecem uma visita, principalmente para quem gosta da nossa História, eu destacava quatro deles. Um bem visível para quem entra nas Eiras, pois está mesmo ao centro do seu principal largo/cruzamento. Claro que me refiro ao seu cruzeiro, pela sua singularidade e beleza, bem diferente dos habituais cruzeiros.

 

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Os outros pontos de interesse não estão assim tão ao dispor das nossas vistas, é necessário ir até eles. Um é a sua igreja, numa localização recatada de enquadramento bem interessante. Outro é a calçada romana onde ainda se podem apreciar alguns troços em bom estado de conservação e que tão esquecidos têm sido nos nossos roteiros turísticos, a par do miradouro que fica ao lado. Por último, destacam-se as vistas que se alcançam desde alguns pontos das Eiras, principalmente se entrarmos um bocadinho pela serra adentro,

 

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Estes pontos de interesse mencionados são para o turista comum, mas para nós, e este nós sou eu e outros como eu, há outros interesses, principalmente o das recordações de infância e primeiras adolescências, do tempo em que as Eiras pertenciam aos nossos domínios ou limites das nossas brincadeiras e outros afazeres, sobretudo a ver a imagem seguinte que penso ter sido tomada desde o Alto da Forca, já não recordo, mas recordo bem todos os cantinhos visíveis na imagem.

 

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Pois na imagem que fica atrás faz-me regressar uns bons anos ao passado. Logo na base da foto, ao centro, está a casa onde nasci e a nova casa azul, construída no lugar da antiga que sempre se supôs dar nome ao bairro. à Direita, ainda na base da foto, está a torre sineira da igreja dos maristas, onde tinham uma quinta e onde ia ao leite que me ajudou a criar e que a Srª Emília mugia na hora, quase diretamente das tetas da vaca para a leiteira. Isto quando o fornecedor de leite na era da quinta dos Caetanos, do Sr. Manuel, este mesmo ao lado da casa azul, do outro lado da estrada. E do leite passamos para o vinho, pois na base da foto, pode-se ver ainda um bocadinho da Adega Cooperativa, que em tempo de vindimas fazia a delicia das crianças do bairro com o assalto que se faziam às dornas cheias de uvas carregadas ainda (muitas delas) em cima de carros de bois. Logo a seguir à base da foto vê-se o   verde dos campos cultivado do Prado, verde que se prolonga depois pela restante veiga. O casario que aprece em segundo plano são as Eiras, onde se ia fazer a aguardente com o bagaço, após as vindimas. Logo a seguir, o casario em terceiro plano que hoje em dia está ligado à Eira, é a aldeia do Castelo que se foi prolongando e entrando pela serra adentro, coisa dos últimos trinta anos, pois antes existiam os núcleos bem definidos.

 

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Ainda na mesma foto das vistas gerais tomadas sobre a Casa Azul até ao Castelo, pode-se ver à direita das Eiras uma elevação com pinhal, que separava as Eiras da Quinta da Condeixa. Era então o meu monte preferido para ir “roubar” o pinheirinho de Natal e onde às vezes fazíamos incursões de descoberta da serra, isto logo a partir dos 6 anos de idade. Liberdades que nos tempos de hoje são impossíveis de, os putos de agora, gozarem, onde as suas liberdades de descobertas estão “limitadas” aos écrans dos computadores ou de um tablet/ipad, sem os sons, cheiros, calor ou frio da natureza, que,  diga-se a verdade, em muito contribuíram para a nossa formação, com a tal aprendizagem informal.  

 

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Claro que muita mais coisa haveria para contar, mas além de não termos espaço para tantas estórias vividas, também não é aqui, num post dedicado às Eiras, que as podemos contar. Vão se contando ao longo da vida quando vêm a propósito de qualquer coisa e depois, são omentos nossos que vivemos sempre com uma emoção impossível de a transmitir aqui, reservados só a alguns que connosco os viveram.

 

E daqui, assim o espero, vamos até ao Barroso que amanhã estará cá com mais uma aldeia.

 

 

 

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Sábado, 16 de Agosto de 2014

Eiras - Chaves - Portugal

 

Vamos lá até à nossa ruralidade, mesmo aqui ao lado, tanto que parte desta ruralidade ainda é veiga de Chaves para outra tanta de montanha e conforme para o lado em que estivermos virados, ora vemos a cidade de Chaves ora vemos montanha. Falo-vos das Eiras.

 

 

Eiras que ainda faziam parte do meu território e do meu imaginário de criança, principalmente de quando partia nas minhas grandes aventuras de descoberta a bicicletar  todos esses caminhos que me separavam da montanha.

 

 

 

Desde sempre recordo das Eiras a curiosa capela guardada numa quinta, hoje com outras funções, mas nem por isso deixa de ser interessante, pelo menos ao meu olhar. Mas ir por lá é mesmo regressar ao lugares do berço, ao caminhos ainda de terra batida que nos levam às aventuras do monte, ao verde dos campos e das hortas que ainda vão existindo, ao animais do trabalho doméstico.

 

 

Aqui ou ali,  objetos esquecidos que na infância eram tão comuns, antes da era do plastificar tudo e que, alguns, apreciava o requinte e arte dos acabamentos, como o esmalte dos metais, das bacias, dos jarros, das canecas. Sobretudo as pinturas ganhavam um realce macio, frio mas macio, porque dava sempre vontade de deslizar ou acariciar com as mãos as pinturas, mas sobretudo era a curiosidade de querer saber como o esmalte era feito.

 

 

Mas para se descobrir e sentir as Eiras não basta passar pela sua rua  principal ou tomar as suas poucas derivações. Há que entrar na sua alma, isto é, nas suas quintas e quintais, na montanha, naquilo que não está ao alcance de quem simplesmente passa. Só entrando na sua alma é que conseguimos descobrir os seus tesouros, por muito esquecidos ou até perdidos que estejam, eles continuam lá, alguns de pura arte como as figuras e frescos da tal capela abandonada, mas que um dia, talvez ainda possam voltar a ter a dignidade que merecem.

 

 

O caso desta capela, embora privada, merecia ser do interesse público, da freguesia, do concelho. Todos ficariam a ganhar com a sua recuperação.

 

 

E pouco mais há a dizer, pois uma coisa são palavras, outra são imagens e outra é a realidade de se viverem os locais no próprio local, pois por muito certeiras que as palavras sejam, por muito que as imagens mostrem, continuam a faltar os cheiros e fragâncias, os sons, as brisas a bater nas faces.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:25
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Sábado, 2 de Outubro de 2010

Mosaico da Freguesia das Eiras

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Localização:


Oficialmente a 3 Km de Chaves embora, na prática, esteja ligada fisicamente (em casario) à cidade, no entanto, S.Lourenço, uma aldeia da freguesia, dista da cidade 10 km da cidade e segue as características rurais das aldeias de montanha, aliás, toda ela implantada em terras altas da Serra do Brunheiro.

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Faiões, Águas Frias (num único ponto), S.Julião de Montenegro, Cela e Madalena.

 

Coordenadas: (Largo do Cruzeiro das Eiras)


41º 44’ 01.96”N

7º 26’ 05.94”W

 

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Altitude:


Variável – acima dos 360m e abaixo dos 650m

 

Orago da freguesia:


Nossa senhora da Expectação

 

Área:


4.88 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):


– Estrada Nacional 103 até ao cruzamento do Campo de Cima e E.M. 536 a partir deste.

 

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Aldeias da freguesia:


- Eiras

- Castelo

- S.Lourenço

 

População Residente:


Em 1900 – 552 hab.

Em 1920 – 554 hab.

Em 1940 – 701 hab.

Em 1950 – 812 hab.

Em 1970 – 588 hab.

Em 1981 – 587 hab.

Em 1991 – 524 hab.

Em 2001 – 560 hab.

 

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Um gráfico e comportamento da população que sai ligeiramente fora da norma e da gráfico tipo da maioria das freguesia rurais, pois embora se note um decréscimo da população residente a partir de 1950, não é muito acentuado relativamente e comparativamente às restantes freguesia rurais e, no último censos regista-se um aumento ligeiro da população. Não será estranho a este comportamento da população residente a sua localização geográfica e a sua proximidade da cidade de Chaves e da veiga e se o comportamento da sua população não se distancia mais do gráfico tipo das freguesias rurais é precisamente por esta freguesia se um misto de freguesia urbana e rural, com as Eiras mais urbanas e o Castelo e S.Lourenço mais rural.

 

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Principal actividade:


- A agricultura, parte dela desenvolvida em plena veiga de Chaves (Eiras) e outra típica de montanha (Castelo e S.Lourenço), neste último caso, conhecida pela produção de cereja.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

 

Em território, a freguesia das Eiras é a terceira freguesia mais pequena (4.88 km2), pois apenas a vizinha freguesia da Cela e a Freguesia de Vilarinho das Paranheiras, ambas com 3.80 km2 de território se ficam aquém em território.

 

Tal como já se disse no inicio deste post em relação à proximidade e afastamentos da cidade, a freguesia também é um misto de freguesia urbana e rural, com a aldeia das Eiras  implantada em plena veiga de Chaves e S.Lourenço em plena montanha ou em plenas terras altas da Serra do Brunheiro, tendo pelo meio a aldeia do Castelo que tanto tende para a veiga como para a montanha.

 

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Embora em termos de características de terreno seja tanto da veiga como da montanha, entre as Eiras e S.Lourenço distam apenas 2 Km, hoje (felizmente) ligadas por um caminho de montanha asfaltado, mas tal só acontece desde há um ano a esta parte, pois até ao asfaltamento deste caminho (em parte devido às vergonhosas obras da E.N. 213 onde se gastaram milhões de euros para tudo ficar igual, mas estas coisas são contas de outro rosário, as quais, se o tempo mo permitir, serão ingredientes da feijoada da próxima quarta-feira ), a ligação (decente e com automóvel) tinha de ser feita via Chaves cidade, ou seja, teriam de ser percorridos cerca de 15 km por estrada. Coisas que hoje em dia não se compreendiam muito bem, mas que (repito – felizmente) com todos os defeitos que esta ligação possa ter, já está asfaltada e já liga com a decência mínima as duas (ou três) aldeias da freguesia.

 

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Um dos maiores pontos de interesse, pelo menos imediato e que todos os flavienses (re)conhecem, é o Miradouro de S.Lourenço, de onde se pode ver e até espantar em contemplação, toda a veiga de Chaves e, naturalmente, a cidade de Chaves. Coisa digna de se ver, onde o verde sempre domina em primeiro plano e o azul das montanhas, ao longe, quase se confunde com o azul do céu no entrar por terras de Barroso ou da Galiza adentro. Isto de dia, porque de noite, o espectáculo das luzes da cidade e das freguesias mais próximas serve-se para largos momentos, românticos até, de apreciação e contemplação.

 

Sem dúvida alguma não se pode conhecer Chaves cidade e Chaves concelho sem subir ao miradouro de S.Lourenço, mas toda a freguesia é na prática um miradouro sobre a cidade, também da aldeia do Castelo, as vistas são fascinantes e, até dos pontos mais elevados das Eiras, as vistas para a cidade e a veiga, têm o seu encanto.

 

Vamos também a um pouco da sua história que remonta, pelo menos, aos finais do Neolítico, pelo menos é isso que indicam os achados na freguesia (principalmente em S.Lourenço e no Castelo) de alguns artefactos pétreos ligados a esse período.

 

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A aldeia do Castelo cujo topónimo tudo indica estar ligado a um antigo castelo aí existente e do qual, segundo os historiadores, ainda se podem observar pequenos amontoados  de pequenos blocos respeitantes ao derrube das prováveis muralhas, tudo isto nas cercanias de uma interessante capela de invocação a S.Tiago, possivelmente com construção datada dos séculos XVII ou XVIII. Mas não se iluda o leitor interessado por estas coisas dos castelos, ou dos seus restos, pois para leigos, hoje a existência de um castelo por lá, só se encontra mesmo no nome da aldeia.

 

Logo por baixo da aldeia do Castelo começa a desenhar-se a aldeia das Eiras, sede de freguesia, onde podemos encontrar vários motivos de interesse (para além, claro, de uma bebida amarelinha, um óptimo remédio para digestões difíceis e made in casa da autora do blog eirense, que tem feito as delícias e finais dos encontros da blogosfera flaviense). O mais visível é mesmo um pequeno e curioso (pela sua pequenez) cruzeiro no centro das Eiras. Pequeno mas sem dúvida um dos mais bonitos cruzeiros do concelho, com as suas astes florenciadas e considerado imóvel de interesse público desde 1950. De base em forma quadrangular, tem nele inscrita a data de 1650.

 

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Desde este cruzeiro avista-se não muito longe uma curiosa construção que chama a atenção pela diferença que marca na paisagem, não pelas suas dimensões que até são reduzidas, mas pela sua arquitectura, que um olhar atento consegue descobrir nela uma uma capela, uma interessante mas “triste” capela que já conheceu melhores dias, pois hoje está abandonada, maltratada, tendo até já servido de galinheiro e estábulo. É propriedade privada e está integrada numa quinta agrícola, conhecida por Quinta dos Madureiras. Tive oportunidade de a visitar e registar em fotografia na minha última visita às Eiras e, de facto, a capela mete dó. O actual proprietário mostra-se impotente para a sua recuperação e segundo me confidenciou, até via com bons olhos a sua recuperação. Capela que em tempos teve culto e devoção à Nossa Senhora da Conceição onde até, segundo apurei, se realizou o casamento de familiares do antigo proprietário, mas que hoje, de capela, apenas existe a memória, mas de facto, pede urgente reforma, pede ser estudada e pede ser classificada (embora até esteja referenciada pelo antigo IPAR, mas a referência não basta). Crê-se que date do Séc. XVI e no seu interior existem ainda alguns fragmentos de frescos (pinturas). Quem sabe se a Iberdrola tomar conhecimento da sua existência e a modos de ficar bem vista para as gentes da região (em troca do negócio do Rio Tãmega) não dispensa uns trocos para a sua recuperação.

 

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De gosto românico ergue-se nas imediações das Eiras a Igreja Paroquial de Nossa senhora da Expectação. Simples e com construção provável nos séculos XV ou XVI.

 

Também a famosa Via Augusta XVII, a via romana que ligava Braga a Astorga atravessa as terras da freguesia, ainda bem visível e em bom estado de conservação num pequeno troço por baixo do miradouro de S.Lourenço e bem visível desde esse local.

 

Por último uma referência à aldeia de S.Lourenço que em termos de núcleo tradicional e consolidado é a aldeia mais aldeia da freguesia, mas também em termos de casario rústico e  tradicional, que tal como mandas as regras se desenvolve à volta e nas imediações da Capela, que se ergue lá bem no alto da aldeia.

 

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Referência também para S.Lourenço  para as suas famosas cerejas, para a sua história de serviços prestados à cidade com as suas famosas lavadeiras que diariamente transportavam roupa lavada para a cidade e hoje, para o presunto, as merendas de presunto, do bom, algum até genuíno presunto de Chaves, que é sempre acompanhado por bom pão, vinho ainda melhor, azeitonas e cebola crua, iguarias que fazem com que diariamente alguns flavienses subam por esse Brunheiro acima para se deliciarem com a dieta.

 

Mas para saber mais sobre as particularidades de cada uma desta aldeias da freguesia das Eiras, nem há como passar pelos posts que dediquei a cada uma delas para os quais a seguir deixo um link.

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

- Eiras - http://chaves.blogs.sapo.pt/488175.html

 

- Castelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/281954.html

 

- S. Lourenço - http://chaves.blogs.sapo.pt/499731.html

 

 

 

 

A freguesia na NET:



Blog Eirense – de autoria de Catarina Teixeira -  http://eirense.blogs.sapo.pt

 

 

 

Blog de S.Lourenço – de autoria de Amável Rebelo – http:// saolourencochaves.blogs.sapo.pt/

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:33
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Domingo, 11 de Abril de 2010

Eiras - Chaves - Portugal

Aos poucos, lá vou pagando as minhas dívidas. Tinha uma para com as Eiras, espero que hoje fique liquidada, ou talvez não…

 

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Foi tardia esta minha entrada pelas Eiras adentro, mas tudo tem uma explicação. Poderia começar por dizer que é sempre difícil falar e tratar daquilo que nos é mais próximo, pois quando o sentimento também fala, acabamos por ser sempre injustos, quer por excessos, quer por defeito. Mas não foi essa a razão, mesmo porque a ligação que tenho às Eiras, não é por afinidades, nem tão pouco é de hoje, já lá vai muito tempo. Teria que fazer o regresso às origens do nascimento e ao meu tempo de criança, ao tempo em que as Eiras eram o limite do meu território ou a fronteira entre o território “caseiro” e a aventura.

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Nos meus tempos de criança, pelo Natal, eram os montes das Eiras que forneciam o pinheirinho lá de casa. Era no tempo em que o pinheiro tinha de ser natural, cheirar e encher as mãos de resina. Marcado o dia do “roubo” do pinheiro, um pequeno grupo (não mais de três), bicicletava pelos caminhos da veiga fora, mais ou menos pelos mesmos caminhos em que os romanos já o tinham feito há 2000 anos. Observado ao longe, marcava-mos o objetivo com o olhar, era aquele o que queríamos e zás… num relance, como quem pula o muro para ir às cerejas, a adrenalina subia enquanto a machadada certeira, cortava de uma vez o frágil tronco.

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Hoje confesso esses “roubos” que fiz durante alguns anos, não porque o crime já tivesse prescrito, mas porque até era um “crime” consentido e instruído em casa pelos mais velhos. Ao fim e ao cabo, hoje visto à distância, até fazíamos a nossa boa ação na floresta, pois as instruções eram bem precisas: cortar uma rama jeitosa de um pinheiro ou se tal não fosse possível ou não as houvesse, cortar um pinheiro pequeno que estivesse juntinho a outro… e as leis lá de casa ditadas pelos mais velhos, eram para cumprir, e na altura, havia ainda a atenuante de não haver pinheiros artificiais.

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Mas não é por ainda haver resquícios de alguma possível culpa que não tinha ainda ido até às Eiras, há outras razões, e uma delas prende-se com a recolha de imagens, as certas, que haveriam de ilustrar o post que ilustrasse o ser da aldeia. Tarefa difícil, confesso, pois as Eiras são um misto de bairro da cidade e de aldeia, de vale e da mais pura montanha e, ao contrário da aldeia tradicional, não se desenvolve à volta de um largo principal onde está a igreja ou a capela, antes, é também um misto de novas construções que começaram a entrar pelas antigas quintas ou terrenos de cultivo. Como as construções e os bairros novos não me atraem porque nada caracterizam as aldeias, ou seja, uma casa nova (com as suas diferenças) é igual em todos os lados. Quanto às antigas quintas,  foram dando também lugar a novos espaços ou então foram abandonadas. Só me ia restando a montanha e o vale, e uma ou outra construção que chamava a atenção da objetiva, para além do obrigatório cruzeiro, a capela abandonada que salta à vista e a Igreja que fica quase isolada e apartada da aldeia.

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Confesso que fui uma boa meia dúzia de vezes até às Eiras, entrei e perdi-me na montanha, re-entrei e tornei a sair, abordava-a por um e outro lado e a mesma montanha que também caracteriza as Eiras, escondiam-me as Eiras e no mesmo vale que também as caracterizam, não havia toma possível… um dilema e problema que se foi arrastando, sem muito me preocupar, pois sabia que a aldeia está bem representada na blogosfera e que quando precisasse de ajuda, teria uma mão amiga para descobrir as Eiras que eu não conseguia descobrir, e assim se foi adiando até hoje a feitura do presente post.

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E depois deste longo intróito, vamos então até um pouco da sua história, das suas particularidades e pontos de interesse.

 

Como já atrás disse, as Eiras além de aldeia e freguesia, são na prática arrabaldes da cidade de Chaves, hoje e sempre assim foi, embora presentemente o casario faça a ligação física entre a cidade e as Eiras, que oficialmente, distam 3 km da cidade de Chaves.

 

Eiras é sede de freguesia à qual pertencem as aldeias de Castelo e São Lourenço. Hoje freguesia de Eiras, mas historicamente também referenciada como Santa Maria de Moreiras do Vale.

 

Geograficamente a aldeia das Eiras e a freguesia, localizam-se na margem esquerda do Rio Tâmega e ocupa parte da veiga de Chaves e parte da Serra do Brunheiro num dos seus contrafortes, no entanto as Eiras, a partir da cidade, é a primeira aldeia da freguesia, sendo esta a que ocupa terras da veiga de Chaves, pois tanto o Castelo como S.Lourenço estão implantadas em plena Serra do Brunheiro.

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Quanto à origem do topónimo Eiras, tudo indica que esteja ligado à férteis terras da freguesia onde os cereais, a batata, legumes, frutas (com fama nas cerejas) e bom vinho sempre fizeram a diferença na freguesia e daí, as Eiras atuais talvez tivessem origem nas eiras e eirados agrícolas que se adivinham seculares. Uma hipótese credível embora não haja documentação que ateste a sua veracidade.

 

Quem atesta bem a sua presença é o singular cruzeiro que se encontra na entrada da aldeia. Um belíssimo e raro exemplar bem diferente dos habituais cruzeiros, primeiro pelas suas peculiares dimensões e depois pela sua forma, com as extremidades a rematar em flor de lis. Diz-se ser um dos mais antigos da região, datado de 1650 e muito parecido a um cruzeiro existente na Porta da Glória de catedral de Santiago de Compostela. Aliás as Eiras integravam pela certa um dos caminhos de Santiago, característica comum a quase todas as nossas aldeias e se também é certo que se diz que todos os caminhos vão dar a Roma, os nossos, primeiro vão dar ou passam por Santiago. Quanto a este cruzeiro, só tenho um lamento a fazer, pois pela sua nobreza, merecia mais realce e melhor enquadramento que muito bem se poderia resolver com um arranjo do largo onde está inserido.

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Quanto à origem deste cruzeiro das Eiras, pensa-se que tivesse sido uma das antigas famílias desse local que o mandou construir. Trata-se da família que está ligada à fundação da quinta da Senhora da Conceição, onde existia (!) uma pequena mas interessante capela adornada com uma janela manuelina e decorada interiormente com pinturas a fresco. Disse existia, porque hoje apenas existem as paredes exteriores da capela e quase por milagre as pinturas dos frescos, que se apresenta em três painéis, apresentando no central a imagem da Virgem que dá nome à quinta, enquadrada por seis anjinhos  de corpo inteiro, segurando uma coroa os dois situado no plano mais elevado, encimados por Deus Pai entre nuvens e cabeça de anjos alados. Iconograficamente falando, a imagem de Nossa senhora da Conceição não possui o globo, sob os pés, nem olha para cima, como é mais frequente, e tem associada a imagem de Deus Pai, o que é pouco comum, havendo assim uma certa associação entre a Nossa Senhora da Conceição e a Nossa Senhora dos Anjos.

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A construção desta capela está datada de finais do Século XV ou inícios do Séc. XVI, com alterações posteriores já no Séc. XIX. Interessante demais para estar esquecida e abandonada em deterioração constante, tanto mais que é conhecida e até está referenciada na Direçao geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais como monumento, mas apenas isso e todos temos pena. Sei que é propriedade particular e está inserida dentro de uma quinta, mas também sei que pelo seu interesse, é património de todos, no entanto, embora conhecida e referenciada, não há qualquer medida de salvaguarda ou de preservação daquilo que ainda existe, pelo menos as paredes e as pinturas do fresco deveriam ter a atenção do Estado que em vez de andar a construir e criar património duvidoso em todos os aspetos, se deveria preocupar mais com o património histórico, religioso e secular que ainda existe, enquanto existe. Entretanto, segundo apurei na aldeia, a capela depois de o ser, já serviu de cavalariça e de arrecadação da quinta. Atualmente, pelo menos na altura da minha visita ao seu interior, a capela está fechada mas em completo abandono, em muito mau estado de conservação e degradação constante. Fica o lamento, o registo e a denúncia, mais não posso fazer.

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Quanto à quinta da Senhora da Conceição, a julgar pela capela e outros registos é também secular e está ligada à família de um antigo Governador da Praça de Chaves, de nome Francisco de Morais Madureira Lobo Liz e Prado, que teve uma filha, Rita Lobo Liz Prado, mãe do último morgado da Quinta das Eiras (ou dos Madureiras) e da Casa da Santa Cabeça de Chaves, cuja Pedra de Armas se encontra à guarda do Museu da Região Flaviense.

 

Outra figura notável foi também Manuel de Morais Madureira. Pensa-se que teria sido esta família que mandou construir o Cruzeiro das Eiras e que nele deixaria incrito um dos símbolos da família, a flor-de-lis.

 

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Manuel de Morais Madureira, irmão de Rita lobo de Morais Prado, desempenhou as funções de Capitão de Cavalos e Ajudante de Campo de D.Miguel de Bragança. Depois da convenção de Evoramonte, onde D.Miguel foi destinado ao exílio, este fidalgo acompanhou o Rei no seu destino, tendo morrido exilado. Era de família abastada, pois além da Quinta das Eiras, possuía ainda propriedades em vários concelhos, como os Casais de Edral em Vinhais e Vimioso e os Prazos de Ervões no concelho de Valpaços e de Nogueira de Barroso, no concelho de Boticas.

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Também era desta família o último abade que residiu dentro de muralhas do Castelo de Monforte, tendo sido este que teria mandado construir a Capela de Nossa Senhora da Conceição na Quinta das Eiras.  Diz-se que o abandono da rica Abadia de Monforte ficou a dever-se ao mau caráter demonstrado pelo infante D. Francisco de Bragança, filho de D. Pedro II e irmão de D. João V, que era o senhor daquelas terras por direito do Infantado. Quando visitou aquele castelo e foi amorosamente presenteado pelos vereadores do município, com um cesto de figos, ele atirou-os ao presenteador, por considerar uma insignificância. Perante este gesto muito pouco abonador do caráter do Infante, tanto o abade como o governador da fortaleza, que era André da Cunha Melo, abandonaram os seus postos e cargos, regressando o abade às Eiras e o governador às suas terras de Moncorvo. Pelos vistos na altura ainda havia gente com caráter e com valores…

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E quanto a património das Eiras, falta registar a Igreja Matriz, românica, que tem como padroeira a Senhora da Expectação ou seja a Senhora do O, situa-se isolada, fora da aldeia no lugar da Pipa, junto ao cemitério. É também neste lugar que ainda hoje existe uma quinta, a Quinta da Pipa, que confronta com outra antiga Quinta, a do Dória, a tal da lenda da “Casa Assombrada”, dizem, onde se podem encontrar alguns lagares esculpidos na rocha. Quanto à Quinta da Pipa, ainda se mantém a casa da Quinta, com uma varanda com interessantes colunas em granito e uma fonte não menos interessante.

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E termino por aqui, só faltam os agradecimentos e, se bem se recordam no inicio do post eu dizia que as Eiras ainda não tinham passado por aqui  e eu “ sem muito me preocupar, pois sabia que a aldeia está bem representada na blogosfera e que quando precisasse de ajuda, teria uma mão amiga para descobrir as Eiras que eu não conseguia descobrir, …” Pois essa mão amiga estava na Quinta da Pipa e chama-se Isabel Presa, que nos ajudou a descobrir algumas belezas, sem a qual não teria sido possível.

 

Quanto às Eiras estar bem representada na bologosfera, isso deve-se menina do Blog das Eiras, a Catarina Teixeira que embora ausente nas nossas visitas não anunciadas, sempre se mostrou disponível para nos apresentar a aldeia e, este agradecimento é ainda mais amplo, pois é esta Eirense, conjuntamente com a Granjinha,  que têm garantido as boas digestões dos encontros da Blogosfera flaviense com “água milagrosa”, neste caso das Eiras que nunca falta nos encontros, mesmo faltando a Eirense, a “água” marca sempre presença e esperemos que continue a marcar.

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Um Blog que deve visitar para melhor ficar a conhecer esta aldeia…


http://eirense.blogs.sapo.pt/

 

… mas também muitos dos nossos usos, costumes e tradições, à moda das Eiras, que afinal é também à nossa moda flaviense.

 

Por último um aviso à navegação, pois como este post saiu bastante atrasado, o próximo está agendado para as 13H00 de amanhã (segunda feira).

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:48
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Domingo, 27 de Julho de 2008

Quadro de honra das aldeias na blogosfera flaviense

 

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Este mundo virtual da blogosfera flaviense tem gente de carne e osso por trás da feitura de cada blog. Gente que não é virtual e por isso, também gosta de conviver e de se reunir de vez em quando, por puro convívio, troca de impressões e experiências e, sobretudo, por amizade. Duas vezes por ano, num encontro de verão e outro de Inverno, a blogosfera flaviense, colaboradores e amigos tem vindo a reunir-se à mesa, que é onde melhor se convive.

 

Pois como hoje é dia das aldeias, quero deixar aqui um sinal de gratidão para com as aldeias que através dos seus blogues e dos seus feitores ou colaboradores, sempre têm marcado presença nesses encontros, tão bem como o marcam na blogosfera, transformando-se em verdadeiros embaixadores das suas terrinhas.

 

Sobem assim ao quadro de honra deste blogue, não só pelos seus blogues mas também pela sua presença nos encontros, as aldeias de Águas Frias, Eiras, Granjinha e Valdanta. Uma palavra de apreço também para as aldeias de Segirei e Castelões, que embora nunca nos tivessem brindado com a sua presença, têm justificado as suas faltas.

 

Claro que também há uma palavra de agradecimento para os blogues que desde o primeiro encontro têm marcado sempre presença, nomeadamente o blog do Beto (Blogoflavia), o Cancelas,  o Terçolho, o Cinco de Maio & companhia, o Blog da Lai e o fotografia do Dinis Ponteira (ontem com falta justificada) e também um agradecimento para os amigos do costume.

 

Mas hoje como é Domingo, dia que este blogue dedica às aldeias, ficamos com o quadro de honra das aldeias na blogosfera flaviense e nos encontros: Águas Frias, Eiras, Granjinha e Valdanta. Obrigado pela vossa presença e amizade.

 

Até amanhã, de volta à cidade de Chaves.

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:14
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