Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

A Eurocidade Chaves-Verin e o Entróido

 

 

 

 

E como hoje é carnaval e em Chaves não há tradição do seu festejo,  vamos passar por Verin, onde o carnaval, ou entrudo, por lá,  já é festa grande com tradição.  Em Chaves não há tradição e também de pouco nos valeria que houvesse, pois com a adesão de Chaves (instituições públicas) à não tolerância de ponto, hoje é dia de trabalho, embora por parte do poder local, conhecendo-os como conheço, não estranhe o gesto, mas nem por isso lhes fica muito bem. Eu explico já os porquês, mas primeiro uma imagem do Entróido de Verin, ao qual fui no Domingo, quebrando a minha tradição de ir lá hoje.

 

 

 

Pois dizia eu que o gesto não lhes fica muito bem por duas razões. A primeira por falta de solidariedade com a grande maioria dos municípios que se marimbaram para as recomendações do governo e deram tolerância de ponto e, neste momento de crise a tolerância justifica-se ainda mais que nos anos de não crise, mas pelos vistos parece que além de nos quererem pobres também nos querem tristes e de castigo, como se nós fossemos os culpados da crise para a qual eles nos conduziram e continuam a enterrar, os números não mentem e, se os contabilistas do poder fizerem contas a quanto se perde com a não tolerância verão que é muito mais do que aquilo que vão ganhar e, se a intenção era castigar (mais uma vez a função pública) quem fica a perder (mais uma vez) são os privados. Penso que não será necessário explicar porquê.

 

 

Mas esta primeira razão até nem é a que fica mal ao poder local. Então a Eurocidade Chaves-Verin que tanto se apregoa no papel? Então as festas de Verin (tal como se anunciam na agenda cultural), agora, não são também as festas de Chaves? Então sabendo que grande número das gentes que enche as ruas de Verin nos desfiles de Entróido são flavienses, não os deixam ir ao desfile?

 

 

Claro que as perguntas são para ficar sem resposta e depois todos sabemos que a Eurocidade, que já existe desde 2007,  ainda não saiu das intenções do papel e da publicidade, pelo menos que seja visível e que se note,  tendo em vista a única meta a alcançar pela Eurocidade, ou seja (fica o copy-past daquilo que se diz na página oficial) :

 

 

 

 

Meta:

  • Proporcionar uma maior qualidade de vida à população dos municípios de Chaves e de Verín através da promoção do desenvolvimento sustentado.

 

Pois,  é tão fácil escrever palavras, mas analisando a frio, a eurocidade já existe há 5 anos e quanto a uma maior qualidade de vida da população, está à vista – estamos mais pobres e mais tristes e a eurocidade em nada tem contribuído para a nossa felicidade, pois continua tudo igual ou pior que antes da sua existência  e o resto é blá.blá,blá…e a crise, claro. As obras não se veem nos papéis, é no terreno. No papel apenas ficam ou projetam intenções, no terreno é que se vê a realidade e, tomemos esta tão simples como é a do Entróido, pois as festas e tradições também promovem o desenvolvimento sustentado, mas para isso, têm de se abrir à participação de todos.

 

 

A teoria da eurocidade é engraçada mas a realidade é que não tem graça nenhuma ou usando linguagem de entrudo – a cara não condiz com a careta.

 

 

Mas deixemos a tristeza de lado e já que não podemos ir ao desfile de Verin fiquemos ao menos com algumas imagens daquilo que por lá vai desfilar, num desfile que é único graças aos Cigarróns, para além das críticas sociais e políticas que este ano, como não poderia deixar de ser, andam à volta da crise e da justiça…sim, não é só por cá... mas com muito colorido, alegria e música, afinal como se diz por cá, tristezas não pagam dívidas.

 

 

Ainda hoje, ao meio dia, vamos ter por aqui a Pedra de Toque, de António Roque, com "Todos Temos Uma Cruz"

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:12
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 9 de Março de 2011

O Entrudo de Chaves é em Verin

 

 

 

Carnaval é carnaval, mas por Chaves, não há tradição do seu festejo, pelo menos organizado, com desfiles e folia nas ruas. Claro que temos as criancinhas pela rua de Stº António abaixo, mas a coisa é tão breve, que se por acaso alguém se distrai 5 minutos a tomar café, o desfile já foi, já era, já passou – foi o que me aconteceu no desfile de Sexta-Feira passada.

 

 

No tempo das bombas e rabichas de carnaval  ainda se iam ouvindo uns estouros aqui e além, e na cidade, na mesma rua onde desfilam as criancinhas, era um regalo ver as bombas a rebentar nos pés dos polícias que, na ausência de outros crimes que a pacata cidade não proporcionava, se entretinham a perseguir (sem nunca apanhar) os criminosos das bombas de carnaval. Afinal nem sei quem se divertia mais, se os lançadores de bombas, se os espectadores se os polícias…

 

 

Mas, claro, já sabemos que a tradição não se faz do pé para a mão e, penso que também nunca houve interesse em criar por cá a festa do carnaval ou do Entrudo. Refiro-me à festa da rua, pois à mesa, a tradição ainda vai sendo o que era – um regalo de iguarias – daquelas que são (estas sim) um verdadeiro desfilar de sabores e saberes da terra e do fumeiro, ou seja, aquelas coisas boas que se guardam do reco que se matou por altura do Natal.


 

Mas em coisa de festas, vamos sempre deitando o olho àquilo que os vizinhos fazem e vamo-nos tornando convivas das suas festas. Refiro-me à festa do Entróido de Verin onde, para além da Festa do Lázaro, lhe vamos retribuindo as visitas que fazem à nossa Feira dos Santos. Aqui sim, há tradição, tanta, que mesmo na altura do Salazar e do Franco, em plena Península Ibérica controlada pelos dois ditadores fascistas, a fronteira abria-se para os flavienses irem ao Lázaro e para os nosso amigos Galegos virem à Feira dos Santos. Já quanto ao Entróido, aí a coisa era diferente, pois parece que o Franco não gostava de Entróidos e a festa do Entróido galego, embora nunca tivesse deixado de se fazer, era assim meio clandestina e festa caseira.

 

 

Só após Franco,  e Espanha se ter convertido à democracia (sem república),  é que a festa do Entróido começou a ganhar grandeza, sendo hoje uma das principais festas da Galiza, que não se resumem só ao dia de ontem, mas já vem de há umas semanas atrás, com as já célebres noites dos compadres e das comadres, o desfile de Domingo, entre outros festejos e cerimónias, com muitos copos à mistura e sempre muita festa.

 

 

Não estranhará portanto que sendo Verin nossa vizinha, os flavienses lhe invadam os festejos e participem neles. Aliás Chaves-Verin agora até é uma eurocidade que até vai ter um autocarro a ligá-las e tudo… Pode ser que com o tempo a tal eurocidade se comece mesmo a sentir e em termos culturais e de tradição também possa haver um intercâmbio para além das actividades de cada,  contarem na agenda cultural de Chaves. Sei, porque me contaram, que este ano o desfile das criancinhas já teve alguns Cigarrons. Quem sabe se a coisa bem negociada não pode trazer até nós um desfile galego como o que ontem aconteceu em Verin. Isso é que era isso, mas para já, vamo-nos contentando com uma eurocidade que ainda não saiu das reuniões e da papelada. Já agora, talvez não fosse mal sermos mais ambiciosos e deitar um olhinho também a Orense, porque com Verin, já nem se inventa muito, pois o nosso relacionamento, pelo menos comercial e de amizade,  sempre foi próximo e de há muitos, muitos anos.

 

 

Pois eu sempre que posso, Domingo ou Terça-feira de carnaval vou até ao Entróido de Verin. Gosto da festa, do colorido, dos cigarrons e também de apreciar a beleza e até a crítica e a sátira que sempre esteve associada ao Entrudo, carnaval ou entróido, afinal como se diz por cá – no carnaval ninguém leva a mal – e este ano até havia pormenores bem picantes por Verin.

 

 

Mas o que mais impressiona é os nossos amigos galegos levarem as coisas a sério. Brincar sim e muito, mas com algum profissionalismo e dedicação e isso nota-se na qualidade dos trajes, dos adereços e do próprio espectáculo, pois a coisa, sem o profissionalismo das escolas de samba, também não é um simples arejo que se dá às peças de vestuário esquecido no roupeiro.


 

Sem menosprezar a festa em si, os Cigarrons  dão um toque especial e único ao entróido de Verin além da sua própria existência e história bem como alguns “rituais” ou regras que há a cumprir para se ser Cigarron. Mas isso já o expliquei por aqui num dos carnavais ou entróidos passados.


 

E é tudo por hoje é tudo e quanto ao carnaval, também , pois por cá é apenas um dia e é à mesa que se cumpre.

 

Até já, com a crónica de Mário Esteves.

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:25
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Fevereiro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9


20
21
22
23
24

25
26
27
28


.pesquisar

 
blogs SAPO
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Blog Chaves faz hoje 13 a...

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. A Eurocidade Chaves-Verin...

. O Entrudo de Chaves é em ...

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites