Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

Hoje há feijoada

 

Hoje deveriam vir por aqui as palavras colhidas do vento de Mário Esteves, mas por motivos devidamente justificados, outros ventos soprarão e palavras também não faltarão. Lembro que antes das palavras colhidas do vento era habitual eu trazer aqui o dia de feijoada em Chaves, porque às quartas-feiras, dia de feira, a feijoada é quem mais ordena. Suponho que é hábito antigo de consolar os estômagos do pessoal da montanha que descia ao vale para feirar. Suponho apenas, pois eu que sou do vale, também não dispenso a feijoada das quartas-feiras. Então vamos a ela.

 

 

Estive fora da terrinha uns dias, pois também eu tenho necessidade de às vezes ver o mar, um mar a sério, longe deste mar de montanhas que me habita e habito durante o ano inteiro. Uns dias fora da terrinha que estou certo tão depressa não se repetirão… não por minha vontade, mas a isso são contas de outro rosário e da pena que, mesmo sem culpa, temos de cumprir mesmo sem ter participado no peditório.

 

 

Cá estou então de novo e bem vos queria deixar por aqui novidades fresquinhas, mas por cá continua tudo como dantes, pois à excepção dos nossos emigrantes que estão cá em férias e dão um ar agitado e excitado à cidade, pouco mais há a realçar ou de que falar, e se não fosse o concerto do Tony Carreira que vem aí no próximo dia 11 consolar corações e as obras da Ladeira da Brecha, poucos temas de conversa teríamos, o que lamentaríamos, pois nós flavienses gostamos de ter tema de conversa à hora do café ou até mesmo debatê-los profundamente na esplanada do Sport…

 

 

Pois por mim, e embora não console o meu coração, que venha o Tony Carreira, pois sempre dá um ar festivo à cidade e é um merecido doce para os nossos emigrantes (e não só), pois outra festa de verão em Chaves, não há. Quanto às obras da ladeira da Brecha, apenas lamento que só agora sejam feitas, pois há anos que aquela ladeira necessitava deste arranjo, mas foi necessário darem-se por lá uns trambolhões e partir umas pernas para se darem conta que aquela ladeira em vez de eliminar uma barreira arquitectónica, era uma ratoeira arquitectónica.

 

 

Há que louvar aquilo que é bem feito. Já o mesmo não digo de algumas localizações para os novos depósitos de lixo. Até parece que em Chaves se adora o lixo, pois só encontro essa razão para nos locais mais nobres da cidade e com visibilidade, se colocarem esses pequenos mamarachos mal cheirosos, a exemplo do que se passa junto ao Baluarte do Cavaleiro. Ainda bem que a tempo, alguma consciência cancelou o que estava previsto para o Jardim do Bacalhau, no preciso local onde antes existia a pérgula. Desta sim, temos saudades – Talvez fosse boa ideia trazê-la de volta e aplausos dos flavienses não faltariam.

 

 

 

Então já sabe, dia 11 temos cá o mesmo de sempre, o Tony Carreira. Para quem não gostar do género, no dia 14, as vozes flavienses do Coral de Chaves apresentam o seu Concerto de Verão. Se o seu gosto não atina mesmo com música, então sempre é melhor apreciar as obras da Ladeira da Brecha ou debater actualidades na esplanada do Sport…

 

Até amanhã, com o Homem Sem Memória de João Madureira.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:25
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Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010

A ultima feijoada de 2010

 

 

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Dia 29 de Dezembro de 2010, dia de S.Tomás Becket e de feijoada em Chaves. Dia da última crónica de feijoadas do ano de 2010. Seria tempo de fazer por aqui a análise do ano que termina e de preparar a entrada para o ano que se aproxima, mas há pouca vontade de fazer análises a um ano que se quer esquecido e distante e muito menos vontade para prever os maus dias que aí vão vir, pois é com todo o pessimismo do mundo que adivinho ou prevejo o ano de 2011…mas, enfim, há sempre um restinho de esperança.

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Cada vez mais estou convencido que a verdadeira escola da nossa aprendizagem é a escola da vida e dos anos de vivência. Fui educado da maneira que os meus pais e os professores sabiam educar. Não foi a educação perfeita, mas mesmo sem o ser, foi uma educação à qual estou grato. Uma educação baseada nos valores, no valor da palavra, da verdade, do respeito, da disciplina. Não foi muita rigorosa em coisa de livros e dos seus conteúdos mas foi em valores e saberes e sabores da terra e da vida,  em que o pão que se comia à mesa tinha o especial sabor de lhe conhecermos o amanho da terra,  a sementeira, de assistirmos ao seu crescimento, de esperar pelo seu amadurecer, do árduo trabalho de colher e escolher as sementes, da sua moagem, da sua mistura e amassar à mão, do aquecer do forno, das rezas e bênçãos, do sabor da bica, do cheiro (aroma) do fumo e cozedura…todo um ritual e trabalho que fazia com que o pão à mesa merecesse a vénia de quem o merecia e saboreava como uma dádiva de Deus… São coisas difíceis de explicar aos putos de hoje ou a quem sofre de amnésia para quem o pão nasce nas padarias tal como a água nasce na torneira lá de casa…

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Pensamentos e valores da vida caídos em desuso, principalmente o do valor da palavra (dita ou dada) e o da verdade, valores que os políticos actuais desconhecem ou que conhecendo, (porque são da mesma geração que a minha) fazem tábua rasa sobre eles e recorrem à mentira para ser eleitos, sendo a mentira um mal necessário que nunca deve ser posta em causa e antes deve ser ignorada e perdoada, que se vitimizam com a verdade e realidade,  orquestrando-lhes engenharias de contra-poder, ingratidão e ignorância onde o justo é pecador, é abusador, é culpado…

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Enfim, se a minha educação o permitisse, mandava à merda toda esta cambada de políticos, mentirosos e crápulas sem valores, mas como fui bem educado e respeito os valores que me incutiram, não os posso mandar à merda, mas também não vou com eles à missa…

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Enfim, não há análise possível a um ano de 2010 que se quer esquecido e muito menos previsões para um ano de 2011 que se quer que passe bem depressa. Mas, tal como disse no início, há sempre um restinho de esperança. Esperança na memória das pessoas de bem, esperança em que as pessoas deixem de vez as palas que os acompanham e deixem de seguir o carreiro dos maus pastores, esperança que a verdade seja valorizada, esperança por um futuro que nem sequer desejo melhor, apenas esperança por um futuro. E que fique aqui registado para memória futura, para os meus netos e outros netos (se é que os meus e nossos filhos vão ter condições de ter filhos) que nem todos ajoelham ao passar da procissão da geração rasca dos actuais políticos e dos seus seguidores que comungam com o punho no peito e dizem ámen! Que fique registado que eu não vou por aí, não quero ir por aí, que prefiro seguir só que mal acompanhado.

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Mesmo assim, um bom ano de 2011 e prometo-vos continuar com as feijoadas das quartas-feiras, mesmo que sem carnes e tripas, mesmo que apenas feita de feijão, prometo guardar os temperos da horta para que nunca lhe faltem.

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:49
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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010

Hoje há feijoada - Custa a engolir...mas vou no 20 do autocarro

 

 

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Ando meio desconsolado com as feijoadas das quartas-feiras. Não porque deixassem de ser o que eram, mas têm-se tornado indigestas por outros motivos, pois para estarmos de bem com uma boa mesa, também nós temos de estar bem e, nem sequer é por questões de saúde, mas questões de espírito e questões de valor (também este espiritual ou não físico). Custam-me a engolir os feijões, aliás nos últimos tempos tudo me custa a engolir. Lamento-me, penalizo-me penitencio-me por ter acreditado, sobretudo nos outros e, traição, após traição (porque em questões de valores quando não se cumprem, são traições) mas… está bem, fiquemo-nos pela desilusão e então (continuando), desilusão após desilusão, deixei de acreditar. Hoje já não acredito em nada, em ninguém e , isso , leva-nos a um estado de alma digno daqueles sofrimentos que têm de se atingir para alcançar o céu, não que eu acredite nisso, mas acredito em quem acredita que assim é – foi assim que a minha mãe me ensinou e, respeito muito todos os seus ensinamentos, porque sei (quer acredite neles ou não) que vinham carregados de valores.

 

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Pois deixei de acreditar e por isso, agora custa-me engolir feijões e no entanto, o deixar de acreditar até nem é mau de todo, pois ficamos libertos, em liberdade total sem ter de seguir rebanhos e os seus caminhos poeirentos – isso acabou. Agora todos os caminhos são possíveis. Claro que se corre o risco de andarmos sós, mas sejamos sinceros, ou a companhia é muito boa ou então também é perfeitamente dispensável…

 

Pois é assim, só me custa mesmo é engolir os feijões, mas isto com o tempo também passa, pois lá diz a sabedoria do povo (e essa está cheia de valores) – não há mal que o tempo não cure.

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Para começar estou a pensar em deixar andar de carro, pois os novos autocarros cá do burgo são tão atraentes que nem lhe resisto. Quando os vejo passar por mim apetece-me mandar-me abaixo do carro o tomar o autocarro e, se ainda não o fiz, é por que tenho receio de chegar lá e o nº20 estar ocupado e depois, claro, outra desilusão e com a sorte que tenho, ainda me tocava o lugar junto ao chulé dos pés, embora até pareçam lavadinhos, mas não vão muito com os meus fetiches, pois para mim pés apenas servem para caminhar, a não ser que sejam de porco, que esses ficam sempre bem na feijoada das quartas-feiras. Engraçado que este raciocínio e pensamento não tem lá muita lógica apresentado assim, mas se formos ao fundo da questão, tudo que vai à boca é peixe… e,  a bem ou a mal, ou,  de uma ou outra forma, lá acaba por sair.

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Mudando de assunto. A neve brindou-nos durante uns curtos dias, foi uma alegria e isso demonstra bem a nossa simplicidade e o nosso contentamento com coisa pouca. Foi bonito mas acabou. Agora é chuva, muita chuva de temporal, às vezes vento, torna-se chata, aborrecida, molha os pés, o corpo e a cabeça…uma chatice, mas como se a chuva não bastasse, derreteu as neves das serras e montanhas e vai daí, o Tâmega está cheio pelas costuras e nas zonas mais baixas, já se começou a espraiar. Tudo isto para ir de encontro à entidade que inventaram há anos e que se chama  “Protecção Civil”. Pois não é, que segundo me contaram, foram logo a correr a avisar as pessoas que vivem à margem do rio que o rio estava a encher e que se previa cheia. Eficiência é o que isto é. Nem sei como é que durante tantos anos em que vivemos sem a protecção civil, sem alertas amarelos e laranjas,  conseguimos sobreviver. Só ainda não compreendi muito bem é o significado das cores nem o que devemos fazer com elas…mas eles sabem, e isso é o que interessa e depois, todo aquele aparato do pessoal vestido com roupa reflectora, bons carros e jipes, dá-lhes um ar de coisa séria e importante. Só ainda não entendi porquê é que as pessoas quando acontece uma tragédia chamam logo os bombeiros e depois, é que vem o aparato da protecção civil para as entrevistas à TV e às rádios. Nem há como estar atento e seguir o conselho do patrão do Governo Civil cá do distrito, pois ainda recentemente no caso das neves, ele veio à rádio dizer e alertar “Se não tiver que sair de casa, não saia, e se sair meta um aparato nas rodas” – Boa! Estava a ouvir isto na rádio e a imaginar as palavras a sair por entre aquele bigode farfalhudo que o homem tem e, eram palavras sábias para levar a sério, pois, afinal, ele é que é o predizente ou comandante da Protecção Civil (comandante a modos de quem manda – penso eu). Pelo sim pelo não, como eu não tinha nenhum aparato disponível para as rodas, resolvi não me aventurar e fiquei em casa. É nisto que dá o custar a engolir feijões, e que me desculpe o “sócinho”, mas esta de ser só o povo a pagar as crises ou de não ter aparatos para por nas rodas ou, até saber o que isso é…,  tem de acabar, e o Zezinho (este é o de Lisboa ou mais um que foi para lá e esqueceu o engaço)  deveria era começar pelas peças de adorno, aqueles que ele e sua cambada nomeiam, antes de descer aos pobres, mas, tal como respondia o outro à questão (desculpem mas não me lembra quem foi):


- Porquê é que aplica impostos aos pobres se eles não têm dinheiro?


E a resposta foi simples:


- Pois não, mas são muitos…

 

 

Com esforço e a custo, lá vou comer a feijoada de hoje, mas que conste em acta que me vai custar a engolir… mas enfim, o que eu quero mesmo é andar no nº 20 do autocarro…

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:26
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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

Hoje há feijoada, mas não me apetece!

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Hoje não me apetece a habitual feijoada das quartas-feiras, embora a feira se cumpra e a feijoada continue a ser o prato forte do dia, mas hoje, já disse, não me apetece.

 

Também poderia anunciar a chegada do nevoeiro, o nosso nevoeiro, o nevoeiro da “cidade da névoa” (sic), aquele que corre no sangue de qualquer flaviense, mas também não quero ir por aí. Conversas de compadres, também não me apetecem…embora eles queiram “troco”, arre, que são teimosos… também não vou por aí e portanto, em dias destes, o melhor mesmo é ver o que vai acontecendo à nossa volta.

 

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Vamos então para uma página na Net que acabou de chegar. Uma página de informação regional do Alto-Tâmega e Barroso, associada aos Jornais “Voz de Chaves”, ao “Ecos de Boticas” e à “Rádio Fórum Boticas”. Uma página de actualização diária onde vão ficando as notícias fresquinhas da região e portanto, uma página a ter debaixo de olho.   Chama-se Diário @tual e poderá visitá-la em:

 

http://diarioatual.com/ - fica com link na barra lateral, para consulta diária.


 

Mas há mais.


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Também recentemente a Casa de Santa Marta de Chaves lançou a sua página na NET, onde se dá a conhecer e vai deixando algumas das actividades que se desenvolvem no seu seio. Uma página que poderá visitar em:

 

http://www.csantamarta-irmazinhas.com.pt/

 

A ter sempre debaixo de olho é o blog da Associação de Fotografia e Gravura – Lumbudus, pois nela vão passando algumas informações dos eventos que levam a efeito e Chaves e na região, exposições patentes ao público e algumas informações e dicas no tratamento de fotografia.

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É um blog de quem gosta de fotografia feito para quem gosta de fotografia, seja ou não fotógrafo.

Poderá vê-lo aqui:

 

http://lumbudus.blogs.sapo.pt

 

Acabadinha de inaugurar no Arquivo Municipal de Chaves, está patente ao público até ao final do mês uma exposição intitulada “Um percurso pela história da fotografia”, onde poderão ver algumas máquinas fotográficas antigas, protótipos e toda uma gama de material associado à fotografia. Uma exposição curiosa também para quem tem curiosidades sobre as coisas da fotografia. Uma boa oportunidade também para visitar as ruínas romanas e parte da muralha medieval que se encontra dentro das instalações do Arquivo Municipal.

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E para terminar, apenas mais uma imagem de Chaves, pois estas sabem sempre bem, principalmente se forem do nosso centro histórico, daquele que por se apresentar ainda em bom estado, é sempre de recomendar e sempre agradável de mostrar.

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Principalmente este, que vai mostrando as nossas ruas mais típicas mas também um pouco das nossas praças monumentais, que a ser tudo assim, bem poderíamos fazer parte do clube dos patrimónios da humanidade.

 

 

E por hoje é tudo.

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 03:50
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Quarta-feira sem feijoada

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Era para vos trazer aqui o programa da festa maior de Chaves – a Feira dos Santos, mas fica para a próxima semana, pois ainda não tive acesso a tal, embora já ande por aí, pois já vi uma miniatura do cartaz na página oficial da Câmara Municipal. Claro que é só por curiosidade, pois adivinha-se o conteúdo, ou seja, deve ser mais do mesmo, do habitual de todos os anos, rapazes das concertinas da Venda Nova, cabeçudos, etc. Mas pode ser que me engane. Para a semana prometo deixar aqui o programa.

 

Como estava a contar com o programa, fiquei desprevenido, despido de palavras para o post de hoje e, com a inspiração palavreia não anda lá grande coisa, vamos até à poesia, pois é ela que me salva sempre nos momentos complicados, e não só, pois poesia é sempre poesia, nem que seja e só para poetas, mas é poesia.

 

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Mas, hoje, também não estou virado para a poesia em palavras, prefiro antes trazer aqui a poesia dos gestos. Coisa complicada, também. Pois o gesto para além de ter de ser visto, tem o seu ambiente, ou seja, o mesmo gesto pode ter significado diferente consoante o lugar, ambiente e até momento que acontece, assim, também não posso ir por aí, pela poesia do gesto, do gosto, do cheiro, pois são das tais coisas que só têm poesia se forem mesmo vividos e saboreados, tal como um beijo de amor, ou melhor ainda – apaixonado, pois só beijando é que se sabe como é. Bem podem carregar camiões e camiões de palavras, entregá-las ao melhor poeta para as compor e distribuir no poema, que nunca conseguirá dar-lhe o gosto do gosto de um beijo apaixonado.

 

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Assim sendo, rendo-me mais uma vez à poesia da imagem e da fotografia, dos pormenores e dos cantinhos da nossa cidade, sim, da nossa cidade, porque a nossa cidade tem também muita poesia e poetas. Às vezes mais poetas que poesia – é certo – mas há muita poesia por aí, só é necessário afinar o olhar para a descobrir e, também, ter a sensibilidade de poeta para a conseguir ver e sentir, pois já se sabe que as coisas da poesia, os poemas, são mesmo e quase só para poetas. Nos ou além dos “quase só” estão incluídos os intelectuais de esquerda, pois esses, até numa feijoada das quartas-feiras (que hoje infelizmente não há) conseguem sentir poesia, principalmente se for apuradinha e regada com um bom tinto encorpado. Tanto, mas mesmo tanto a sentem, que além de vivê-la, comem-na, e depois recitam-na durante o dia inteiro.

 

E prontos, penso que o palavreado já chega para encaixar três poemas de Chaves, hoje em imagem.

 

Até amanhã, ou até logo, pois cheira-me que hoje vai cair por aí uma crónica ocasional.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:55
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

Hoje não há feijoada, mas há Ponte Romana

 

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Todo aquele que disser que não é influenciado por nada ou por ninguém, está a mentir. Quando eu era poeta, por exemplo, só conseguia escrever poesia, depois de ler poesia. A seco, ninguém me sacava nada, mas isso foram outros tempos. Hoje, confesso, continuo a ser influenciado por aquilo que vejo, oiço ou leio durante o dia e, chegado a esta hora de botar aqui faladura, os dedos começam a teclar quase por instinto, como se eles fossem os detentores dos meus pensamentos, actos e palavras, das coisas do dia (as tais influências) embora muitas vezes, também confesso, após os seus devaneios (dos dedos) tenho que usar do poder da tecla da censura, aquela que diz “delete”, porque os rapazes (os dedos) às vezes não medem bem as consequências daquilo que teclam, não por alguma vez faltarem à verdade, mesmo porque a espontaneidade não lho permitiria, mas porque há verdades que não se podem dizer, e embora não sejam segredo para ninguém, são tabu e desde pequenino que detesto o horrível cheiro do tabu.

 

Tudo isto porque ao ler a última crónica ocasional aqui publicada “Uma oração sofridamente fodida” o meus rapazes (os dedos) no inicio do seu teclar de hoje começaram por escrever: “fodido-fodido, é eu vir aqui todos os dias, mesmo quando não há pachorra para cá vir” – Claro que o discurso não passou na censura e neste caso sem razão de maior, apenas para não me acusarem de me armar em vítima de uma coisa que faço porque quero. Ou seja, aqui foi mesmo a consciência da consciência quem deletou o teclado [não o teclado, mas o que foi teclado – vós percebestes-me bem! (fodido-fodido, é também o português {não o homem, mas a língua})].

 

Em suma, hoje, além da habitual falta de tempo, não estou mesmo com pachorra para estas coisas, por isso, como sempre faço nestas ocasiões, deixo aqui uma foto da ponte romana e “prontos”, assunto resolvido. Mas desta vez lembrei-me de lhe anexar o Curriculum Vitae, numa de me influenciar a mim próprio, pois o texto não é original, ou melhor – é original, mas não é original porque já há anos que o escrevi e aqui publiquei. Ainda pensei em publicá-lo outra vez sem dizer nada, pois já ninguém (pela certa) se lembraria dele, mas nestas coisas, há sempre um ou outro picuinhas, purista, mete nojo, que se importa com essas coisas e eu não quero que ninguém se incomode por minha causa.

 

Já agora, como afinal até me estiquei no texto, deixo outra imagem da Romana (ponte e não aquela que tem "arganeis" nas orelhas), para variar, esta fica a P&B.

 

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Curriculum Vitae (aumentado e corrigido)


 

Nome completo: Ponte de Trajano,  popularmente conhecida por Ponte Romana e delicadamente por Top Model.

 

Filiação: Filha de Marco Úlpio Nerva Trajano de Roma e das mãos e lombo dos aquiflavienses.

 

Naturalidade: Aquae Flaviae

 

Residência: De Santa Maria Maior à Madalena (o contrário também é verdadeiro).

 

Estado Civil: Solteira (embora muitos já tivessem abusado dela, não há registos de algum dia ter casado), mas, em toda a sua vida lhe foi conhecido um, e só um verdadeiro amante – o Rio Tâmega.

 

Data de Nascimento: Por volta do ano 100 depois de Cristo é que ela se deu conhecer por inteiro, embora concebida sem pecado, pois tudo indica que o acto aconteceu aí uns 73 anos antes de Cristo. A gravidez é que foi longa e o parto ainda mais demorado.

 

Altura: A suficiente para toda a água lhe passasse por  baixo, mesmo quando o Tâmega se excitava e crescia, ela dáva conta do recado.

 

Comprimento:  Nasceu, mais metro menos metro,  com 140m de comprimento e 18 arcos, ou 19, ou 22, já ninguém se lembra ao certo e há defensores para todos os gostos. Eu vou pelos 18, ou 19. Certo é que hoje tem apenas 9 arcos sobre o rio e 3 descobertos sobre terra. Os restantes foram como que comidos e/ou violados (e sem leviandade por parte da Top Model) por homens de dinheiro e sem escrúpulos, que até as suas casas lhes plantaram em cima. Segundo consta e a Lenda atesta, há uma Moura Encantada presa no terceiro arco da ponte, num daqueles que ainda se vê, mas que está tapado. Dizem que a Moura na noite de S.João faz uma gritaria desgraçada para que a tirem de lá…devaneios!

 

Prazo de validade: Desconhecido. Poderá ser até vitalícia se souberem cuidar dela, mas tenha o prazo que tiver de validade, o mais certo é que o nosso acabe e o dela continue.

 

Indicações eventuais: Desde cedo que se lhe conheceram os seus dotes na arte da passagem, que ainda hoje mantém. De tanto ser passerellada passou também ela a Top Model, que de tanta fama e beleza ter alcançado foi condecorada com o título de Ex-líbris de Aquae Flaviae, hoje (ainda) cidade de Chaves.

 

Desde cedo amante do Rio Tâmega, de quem lhe são conhecidas muitas filhas, algumas delas flavienses.

 

Claro que para manter a fama e a beleza e não acusar no seu corpo a idade, já foi submetida a algumas intervenções cirúrgicas, algumas simples como quando nos finais do século 19 lhe fizeram alguns implantes capilares, substituindo-lhes as velhas pedras por gradeamentos em ferro no penteado, e algumas mais profundas e sérias, com risco da própria vida, como a que sofreu no século 16, após uma excitação excessiva que o Tâmega teve, e que de tão violento e demorado que foi o acto, lhe desfez alguns arcos, mas que acabariam de lhe serem repostos com sucesso. Fora essas intervenções, são-lhe conhecidas algumas lipoaspirações de arcos, mas à revelia. Pelo menos dois arcos completos já foram lipoaspirados, e parcialmente meia dúzia deles. Mas de uma coisa estou certo, passou por várias intervenções, foi maltratada e tratada, violaram-na, taparam-lhe os arcos mas nunca recorreu ao silicone nem implantes artificiais e ainda hoje se mantém rija como um pêro e faz inveja às filhas, que muito mais novas, presumem de jovens, modernas e trigueiras… principalmente a catraia de ferro. Que presumam à vontade, pois não troco as  suas três filhas flavienses mais próximas (a Nova, a de S.Roque e a Pedonal de ferro) nem todas as filhas do Tâmega juntas por um só arco que seja desta “jovem” e madura Ponte de Trajano, mesmo com os seus 2000 anos de idade, mas que veio para ficar. Se dúvidas houver, perguntem ao Tâmega como ela é ou quem ela é?

 

Pois é, fodidinho de todo, mas a coisa até se compôs.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:00
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

Em jeito de feijoada das quartas-feiras

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Em Janeiro deste ano deixava aqui o anúncio de um evento para todos os flavienses nascidos em 1960. Hoje, porque a data do evento se aproxima, repito o anúncio, tal e qual como foi feito em Janeiro:


Há números e datas que têm um significado especial. No decorrer deste ano de 2010, todos os nascidos em 1960 fazem 50 anos, meio século, uma data que é costume festejar com alguma pompa e circunstância e, também,  uma óptima oportunidade ou pretexto  para toda(o)s a(o)s flavienses da colheita de 1960 se reunirem à mesa e festejarem esta data comum, revendo velhos amigos de brincadeira, de escola, de trabalho, mas também o regresso (por um dia que seja) à terra que nos viu nascer.


Estão assim convocados todos os flavienses nascidos em 1960 para um jantar convívio a realizar em Chaves no dia 30 de Outubro.


E quem são os flavienses de 1960!? – Claro que são todos aqueles que nasceram em Chaves (cidade e concelho) no ano de 1960. Mas não somos mesquinhos ou puristas ao ponto de excluir muitos outros flavienses que embora não tenham Chaves como terra de nascimento, viveram ou vivem em Chaves, partilharam as nossas brincadeiras de putos e jovens, dividiram connosco a carteira da escola, em suma, os flavienses de alma, muitas vezes mais puros que os flavienses de gema. Assim, também esses flavienses nascidos nos concelhos de Boticas, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar, Montalegre, etc, que por uma ou outra razão debitaram os seus passos por esta cidade, aqui estudaram ou trabalharam, estão convocados como flavienses de 1960 para o jantar de 30 de Outubro.


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Estas, eram as nossas Freiras

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Uma festa em grande com a grandiosidade da colheita de 1960.


Está na hora de passar a palavra e começarem a fazer as inscrições, existindo para o efeito um mail, onde além de qualquer esclarecimento, poderão desde já fazer a vossa inscrição. Aqui fica o mail:


Flaviensesde1960@sapo.pt


Para inscrição, deverão indicar:


 

Nome


Dia e mês de nascimento


Telemóvel ou telefone de contacto


Endereço de correio electrónico (mail)


 

Os Flavienses de 1960 também têm rosto no Facebook, em flavienses de Sessenta


 

Nota: As inscrições estão abertas só até dia 15 de Outubro.

 

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Vamos então ao post de hoje, feijoada das quartas-feiras, como convém.

 

- Gostaram da festa dos 100 anos da República?

 

Eu adorei, nunca vi tanta festa por este nosso Portugal fora. Foguetes no ar, bandas no coreto, bailaricos, enfim, uma festa em grande e então bandeiras de Portugal? – Eram milhões, cada português trazia uma na mão. Grande festa, sim senhor! Viva a República!

 

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Talvez, não haja motivos para festa, e não há mesmo e, a culpa, é precisamente dos republicanos que nos vão desgovernando, com os portugueses a começam a ficar fartos de estar a dar sempre para o mesmo peditório, obrigatório por sinal e, mais fartos ainda, quando vêem os Republicanos que nos governam a desperdiçar o nosso dinheiro e a apresentar soluções sem futuro e sem sustentabilidade para que Portugal possa sair do tal pântano no qual, parece, estar enterrado já e só com o nariz e os olhos de fora.

 

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Talvez em vez de obrigar todos os portugueses a pagar as desgraças das suas incompetências, deveriam começar por uma reforma séria, começando por prescindir da teimosia dos luxos, como a construção de TGV’s, auto-estradas em duplicado ou em paralelo que distam umas das outras apenas uma ou duas dezenas de quilómetros, reduzir os deputados da Assembleia da República à primeira fila da bancada. Já sei que aqui me vêm com a história de que o número actual de deputados é necessário para permitir o assento aos partidos mais pequenos, além dos dois grandes (PS e PSD), mas seria bem melhor reduzir a Assembleia da República à primeira fila e davam aos partidos pequenos tempo de antena diário na televisão pública em horário nobre, para poderem mandar as suas bocas e fazerem o espectáculo, pois na assembleia da república pouco mais conseguem. Poderiam ter também tomates para fazer uma reforma administrativa séria de Portugal, acabando com muitos concelhos, os mais pequenos que nem população tem para encher uma bancada de um campo de futebol (disse uma bancada, e das pequenas) e também acabar com a maioria das freguesias que nem

 

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população tem para encher uma igreja. Acabar com a maioria das regalias dos políticos, despesas de representação, hotéis de luxo, carros topo de gama, jantaradas, condutores – que conduzam eles, que nós também conduzimos para ir trabalhar e para as nossas deslocações. Acabar com as reformas anuais no ensino e na saúde e de uma vez por todas, fazer reformas sérias com técnicos competentes e não com políticos. Eu sei lá, tanta reforma que se poderia fazer ao nível dos agentes políticos, que no momento só lhes ficava bem e davam o exemplo, e contribuíam verdadeiramente para melhorar um pouco a situação, mas o pior, até nem são as

 

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medidas de austeridade, mas o futuro, pois poupar à nossa custa, à custa de todos e de alguns mesmo com muito custo deixando-os até em plena pobreza, apenas adiam um problema sem o resolver, pois neste caso não é na poupança que está o ganho, nem a fechar fábricas e empresas, nem a aumentar o desemprego. Faz falta trabalho e produção, de coisas nossas, para podermos vender e ganhar dinheiro. Ganhar dinheiro com aquilo que temos e podemos produzir, toda a gente sabe que é assim que se sai das crises financeiras, nem é preciso ter sentado o cu (o rabo – desculpem!) nas universidades para o saber, pois em nossas casas, é isso que se vai fazendo para se poder sobreviver. Mas também aqui os políticos falham, em todos os campos e áreas, não sabendo como fomentar políticas de produção.

 

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Bem, mas fico-me por aqui com os meus desabafos, revolta e devaneios, mas tinha que o dizer, pois também sinto a crise na pele e, nem tanto por mim, mas por dois filhos que tenho para criar e para os quais gostaria que este Portugal lhe proporcionasse uma vida melhor que a minha, mas infelizmente, não lhes adivinho um futuro sorridente, e sem futuro…

 

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Mas este blog é dedicado a Chaves e é por aí que vamos, senão ainda me vem por aí o António Chaves dizer que sou como igual aos do transmontano e aos que escrevem crónicas sobre Angola....

 

Pois por Chaves, tudo na mesma, voltou à sua pacatez habitual depois do agitado mês de Agosto em que os emigrantes ainda se fazem ver, enchem ruas e restaurantes e deixam os comerciantes com os olhos brilhantes a contabilizar os euros que lhes conseguem sacar. Alterações na vida diária, penso que só e mesmo o novo centro escolar que veio agravar em termos rodoviários o trânsito numa rua que serve de acesso para a maioria das grandes superfícies comerciais, uma escola profissional e um loteamento industrial. Tudo concentrado numa rua que foi projectada para servir um bairro periférico há coisa de 30 anos atrás, e, em coisas de projectar, já se sabe o que a cidade gasta, por isso, nada a dizer ou melhor, ligando esta conversa à conversa anterior do estado da nação, também se poderiam poupar uns milhões de euros se no projectar das cidades, em vez de políticos estivesse técnicos competentes, isentos e sem outros interesses para além dos de projectar, mas há coisas, sobre as quais é melhor não falar. Assim, para compensar o post de hoje, que é de feijoada, espero que (pelo menos) vos agradem as imagens.

 

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E termino com mais um apelo aos flavienses de 1960 – Inscrevam-se para o nosso jantar, senão em vez de andar por aqui a elogiar essa grande colheita, ainda vou acreditar que a colheita se rendeu aos amores da política e as borras do tempo, turvou-vos.

 

Até amanhã com mais um “Homem sem memória”.

 

 

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Hoje não há (tempo para) feijoada!

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Pois é, às vezes somos atraiçoados pelo tempo, o dos relógios, feliz ou infelizmente ele falta-nos, foge-nos, some-se sem darmos conta.

 

Infelizmente porque não nos permite fazer tudo o que queremos, por exemplo, hoje que é quarta-feira, era dia para se confeccionar por aqui uma boa feijoada, bem temperada, para ser regada, como convém, com um bom tinto encorpado q.b. para combater e desfazer (matar)  aquelas coisas  que dizem vir misturadas com a feijoada (gorduras e outros pormenores). Ou seja, uma dieta saudável, como convém nos dias de feira.

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Felizmente, esse mesmo tempo, falta-me e livra-me de insónias ou depressões, de aturar conversas chatas a ouvir falar dos outros, dos futebóis e politiquices das partidarices e da crise da crise, como se não bastasse ela já por si. Felizmente também o mesmo tempo não me permite ver televisão, a qual já nem ligo desde que acabou o único programa que ainda ia sendo saudável (o 5 para a meia noite)… enfim, o tempo, o tempo!

 

Assim, hoje em vez de uma boas feijoada ficam apenas três imagens daquilo que vamos tendo de melhor, a p&b ou sépia para a cor não distrair ou atrair. A duas cores apenas, aquilo que vai sendo um verdadeiro património da humanidade, de uma cidade que sonha (ou há quem se atreva a sonhar) que pode ser património da humanidade, o mesmo que só é possível, se o olhar for selectivo e enganador como o é nas fotos, onde as misérias ficam escondidas, ou com um bocadinho de Photoshop até podem ser removidas. Mas sonhar é bom, sempre nos vai trazendo iludidos, enganados e ensina-nos a acreditar, é assim como o euromilhões, em que segundos os matemáticos, há mais probabilidades de nos cair um meteorito na cabeça do que nos sair o euromilhões, mas nós apostamos sempre, porque acreditamos, no impossível.

 

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Chaves património da humanidade! Era bom, então não era!? E até seria possível (em tempos) se o b€tão não mandasse tanto na cidade ( e este b€tão, não é o Betão do 5 para a meia noite).

 

Até amanhã, com um homem que perdeu a memória, ou pelo menos, é um homem sem memória.

 

 

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 03:40
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Hoje há feijoada (só falta ser à barrosã)!

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Penso que para todos nós, a nossa terra é sempre a nossa terra, ou seja, é a nossa, e pela certa, penso que acontece com todos, a nossa é sempre a melhor do mundo, é sempre do alto que a vemos e é sempre lá no alto que a pomos… mas a realidade!?

 

Claro que como flaviense, Chaves, é também para mim a melhor terra do mundo. É aquela onde sempre regresso, é a minha casa em tamanho grande, mas, embora digam que o amor é cego, não o é. Talvez a paixão o seja, mas o amor não o é. Aliás, o amor eterno, os eternos amantes, amam eternamente porque reconhecem os defeitos naquilo que amam. Reconhecem e lá os vão aceitando, porque o amor , as coisas boas do amor, se sobrepõem aos defeitos que possam existir nessa relação amorosa. Não quer isto dizer que os defeitos do amor se aceitem, antes, suportam-se mas, se amamos verdadeiramente e aceitamos,  também tentamos por todos os meios limar os defeitos que molestam o amor.

 

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Não costumo por aqui comentar ou referir-me àquilo que os colaboradores deste blog trazem por cá nos seus textos, mas hoje quero fazê-lo em relação ao texto de ontem de António Roque.

 

Quem conhece o António Roque, independentemente da sua profissão e ideologia política, sabe que ele é um verdadeiro filho e fervoroso amante de Chaves e como tal, também como eu, e penso que todos os verdadeiros flavienses, querem uma cidade de Chaves melhor, contudo, o António Roque não é cego, eu também não e os tais verdadeiros flavienses também não o são e, sabemos comparar, elogiar mas também lamentar a cidade ou o que acontece ou não acontece nela.

 

Embora este blog seja visitado regular e diariamente por um número considerável de pessoas, poucas são as que se atrevem a vir por aqui deixar um comentário e a sua opinião. Não as critico por isso, aliás eu que acompanho diariamente alguns blogs, faço precisamente o mesmo, raramente comento, mas quando o faço, além de deixar a minha opinião, deixo o meu nome, mesmo sabendo o risco que corro em ser conotado com isto ou com aquilo, por mais isentos que sejamos.

 

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Ontem previa que aparecessem comentários (anónimos como convém) a conotar o texto do António Roque com a política partidária. E tal aconteceu, tal como acontece diariamente com todas as opiniões diferentes que se possam ter e, então trazer Montalegre e os feitos de Montalegre, ou de Boticas ou de Valpaços a este blog e comparar com aquilo que se faz em Chaves, é logo política e nunca o lamento sincero daqueles que verdadeiramente lamentam que em Chaves não aconteçam coisas.

 

Pois pessoalmente penso que o António Roque na sua crónica de ontem até foi muito brando nos seus lamentos, porque de facto em Chaves nada acontece e se às vezes até se fazem coisas, ninguém dá por elas e este verão foi um bom exemplo disso e só mesmo o conformismo dos flavienses e a falta de visão e falta de sensibilidade de quem tem os domínios de Chaves na mão (para não lhe chamar outras coisas) é que não se apercebe que para além do movimento natural das pessoas e das ruas, em Chaves nada acontece digno de realce,  ou que ponha Chaves no mapa dos acontecimentos.

 

É inevitável comparar Chaves como os nossos concelhos vizinhos e custa aceitar que uma vila como Montalegre, marque pontos nos acontecimentos que são notícia a nível nacional e com muito menos recursos (mas mesmo muito menos) que a cidade de Chaves tem. Sem recursos, mas com ideias, trabalho e persistência em construir tradições que nunca antes por lá tinha existido. A bruxaria e as sextas-feiras 13 são um bom exemplo disso, mas também a feira do fumeiro, o parapente e a promoção constante da gastronomia, onde até o presunto de Chaves conseguiram certificar com o nome de presunto do barroso.

 

Claro que por cá, falta-nos um Padre Fontes, ou talvez até nem falte e, o que falta mesmo  é apenas quem apoie boas ideias e gente capaz para as aceitar e levar por diante…

 

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E agora pergunto eu aos anónimos e a outros seguidores politiqueiros – O que aconteceu (digno de realce ou de notícia) neste verão em Chaves!? A não ser o fogo de artificio das festas da cidade (ao qual este ano não pude assistir porque não estava cidade), não me lembro de nada, talvez excepção para a Bienal, que até é um acontecimento de realce, mas que, talvez (não duvido)  nem uma centena de pessoas passaram por lá… e porquê!? - Que pense quem tem de pensar e que não me venham como de costume, dizer que foi um sucesso.

 

Reconhecer o marasmo flaviense e reconhecer que os nossos vizinhos fazem melhor que nós será não ter amor por Chaves!?

 

Fica a questão. Eu não tenho dúvidas quanto à resposta… ou como diz o ditado “dá Deus nozes a quem não tem dentes” e, creiam, que em Chaves há muitas nozes…

 

Desculpas para o António Roque por me aproveitar da sua crónica para trazer (também)  aqui os meus lamentos.

 

 

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010

Hoje é Quarta-Feira, mas não há feijoada

 

Hoje é dia de feijoada, mas não me apetece, não por falta de ingredientes ou condimentos, pois até os tenho de sobra, principalmente condimentos para uma feijoada bem picante e apurada, mas, há estômagos muito sensíveis, que, com o calor se revoltam até com um feijão mal cozido.

 

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Recomendo então umas saladas e a uma pescadinha cozida sem muito sal, ou um peixinho grelhado com uma batatinha cozida e, pelo sim pelo não, uma visitinha à fonte da água quente das digestões difíceis também se recomenda, mas sobretudo, nada de álcool, pois dá sono e baralha as ideias. Ide pelo que eu digo.

 

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E quanto a recomendações é melhor ficar por aqui, senão ainda acabo por vos recomendar o chá das 5,  seguido da missa das 6.

 

Hoje vou ficar apenas pelas fotografias e, com tanto cinzentismo de ideias ou aberturas, estive para me decidir pelas fotos a preto e branco, mas pensei melhor, pois para o p&b é necessária alguma sensibilidade de artista, não só para as fazer, mas sobretudo para ter a sensibilidade de as apreciar e entender.

 

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Assim, como hoje quero ser plural, fico-me pelo contorno das silhuetas, onde a luz se faz e o colorido acontece mas, sempre com a alternativa democrática da escuridão onde tudo é igual, tudo se confunde e tudo se mistura sem ninguém dar por isso.

 

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Claro que uma imagem do nosso orgulho republicano, em plenos 100 anos de República, cai sempre bem e, em simultâneo, faz-se também a história à nossa in(?)terioridade e dos que ousaram sair de Chaves ou foram convidados a sair pelo seu valor para gerir os destinos de Portugal. Curioso que a um, os de Lisboa, mataram-no. Ao outro, os de Chaves, cuspiram-lhe na cara…

 

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O melhor é mesmo ficar por aqui, fiquem com a última imagem da grandeza das matemáticas, das físicas e de como a engenharia de um também flaviense desafia o céu sem o ferir e muito menos,  alcançar. Seja um apelo aos Deuses!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 11:00
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Quarta-feira, 4 de Agosto de 2010

A feijoada das quartas-feiras e a arte em Chaves

Capa do Catálogo da Bienal Arte de Chaves

 

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Alguém, em tom de gozo, me chamou a atenção para uma notícia do semanário transmontano: - “ tás a ber, afinal o festimage sempre traz os vencedores a Chaves”… Respondi instintivamente -  “ acho bem, ao menos isso,  sempre vão aprendendo…” mas afinal foi foguete lançado ao ar que não estoirou, pois quem veio a Chaves foi a mãe e dois irmãos do vencedor. Mas não deixa de ser curiosa a notícia e a necessidade que o semanário transmontano (organizador do festimage) tem em a anunciar esta visita a Chaves, como se tão importante fosse… afinal para divulgar Chaves real,  começa assim: “ O festimage não está apenas a promover a cidade de Chaves no mundo virtual. São cada vez mais os participantes no concurso que vêm conhecer ao vivo a cidade que organiza o evento. No passado fim-de-semana esteve em Chaves a família do vencedor deste ano, um jovem alemão” e a mesma notícia termina “ O ano passado, também visitou a cidade a família de um dos 50 finalistas, que veio expressamente de França para visitar a cidade berço do festimage”.

 

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Santiago Ydañes - S/título 2000 - Acrílico S/ tela - 150cm diâmetro

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Eia, eia lá como somos grandes, (acompanhe-se a leitura ao som de foguetes no ar e com a música das concertinas dos rapazes da Venda Nova), o Festimage traz a Chaves uma (1) família de vencedores, por ano, enquanto os prémios e as cerimónias, vão por correio (suponho). O evento, nem que seja só por “este trazer a Chaves” já está mais que justificado… então na Índia, toda a gentinha conhece Chaves (carroças e carroças deles). Mas adiante, pois presunção e água benta cada um toma a que quer e se acham que o Festimage promove Chaves, então há que tocar os bois para diante, mas metam-lhe as palas, não vão os bois distrair-se com a pastagem… e deixem a areia para as praias ou para o betão, que rende mais que nos olhos das pessoas…

 

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Imagem da exposição - Na imagem obras de Domingos Pinho - Óleos s/ tela

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Mas há cultura que acontece realmente em Chaves e, à Bienal deste ano rendo-me. Primeiro tivemos a oportunidade de conhecer em Chaves o ilustre pintor flaviense João Vieira. Tarde, mas teve a sua quase justa homenagem, agora Nadir Afonso na Biblioteca Municipal e «Sinais da Arte Ibérica no Século XX» onde nesta, estão 33 artistas ibéricos, a grande maioria sem precisar de apresentação. Picasso, Miró, Amadeo de Souza-Cardoso, Tàpies, Júlio Pomar, Mário Cesariny, Nadir Afonso… bons artistas, sem qualquer dúvida, a mais até para receber de uma vez só e em espaço tão pequeno e mal iluminado, mas sem qualquer dúvida, um momento alto para a arte em Chaves, onde se pode ter a oportunidade de conhecer o melhor da arte ibérica (que é também mundial), com algumas faltas que eu gostaria de ver, por exemplo espanhol o Salvador Dali e do lado português, ou flaviense, o João Vieira, a quem a Bienal também é dedicada, este último, apenas porque o Nadir ( e muito bem) também faz parte desta mostra, pois sei perfeitamente que o João Vieira esteve exposto anteriormente no mesmo espaço tal como o Nadir está agora na Biblioteca Municipal. A questão é apenas de pormenor e de igualdade onde o João Vieira também cabia por direito nesta mostra.

 

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Pablo Picasso - S/ título - Lápis de cera s/ papel - 78x56 cm

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É uma mostra que recomendo ver, principalmente agora que já se cumprem os horários da exposição e onde até há catálogo disponível, à venda, mas está disponível para os verdadeiros interessados e, aplaudo, pois sempre é melhor que haver só catálogo para amigos que até se estão a borrifar para a arte, pois apenas gostam de ser os eternos pavões que aparecem nas inaugurações das exposições (a rima dos ões é para dar força ao pavonear da pevide e só não meti o fato e a gravata, porque não rimava).

 

Pois não me custa nada dar os parabéns à Câmara Municipal por esta mostra e da minha parte até agradeço a oportunidade de poder ver em Chaves tanta arte importante junta, não por ser um esperto na matéria, que não sou, mas apenas pela curiosidade de como leigo poder ter a oportunidade de ver arte a sério e consagrada. Claro que (mesmo leigo vou conhecendo alguma coisa) a representação de Miró e Picasso estão longe de mostrarem os grandes artistas que são, até podem ter um efeito negativo para quem os não conhece, pois tanto um como outro são muito mais que o que lá está exposto, mas também não podemos exigir muito, e ter cá Picasso e Miró, é uma honra.

 

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Isabel Muñoz - Fotografia - 120x120 cm

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Está pois de parabéns a Câmara Municipal com este evento e mais uma vez o profissionalismo da Cooperativa Árvore que, para finalizar me leva a uma questão para responder quem souber: Falo neste post de dois eventos realizados em Chaves, um anual, o Festimage cujo conceito está correcto à excepção da teimosia de não prever mais um prémio para fotografia com o tema Chaves e assim promover verdadeiramente a cidade, que é organizado pelo Semanário Transmontano e pago pela Câmara Municipal. Outro evento, pelo nome bienal, é a Bienal de Chaves que é organizado pela Cooperativa Árvore e também pago pela Câmara Municipal embora esta edição tenha o patrocínio do Turismo de Portugal. A questão é a seguinte – Qual a razão de existir da Associação Chaves Viva, que deveria promover e organizar estes eventos, se cada vez que se quer organizar qualquer coisa de jeito se tem de recorrer a entidades estranhas à Câmara Municipal? Só se for por causa dos contactos que tem com os rapazes das concertinas da Venda Nova ou então por, além de ser uma associação promotora para o ensino e divulgação das artes, ser uma associação de cariz social com a sua função de entidade empregadora…mas reconheço que para uma coisa têm jeito: põem sempre os outros a organizar e trabalhar, mas é o seu selo do apoio que sai sempre nas publicações, e os seus pavões, na fotografia dos jornais. Essa é que é essa, e com esta me vou, à feijoada, porque hoje há feijoada em Chaves…está calor, eu sei, mas a coitada da feijoada está lá com aqueles olhinhos a dizer “come-me” e eu, fraco de espírito, não resisto e como-a sempre…

 

 

 

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Hoje há feijoada, à transmontana...

Há dias num post entitulado  «Já nem sei que dizer» - onde eu referia que talvez estivesse errado em querer ver as aldeias com vida, com crianças, gente, animais… a um comentário desse post, de autoria da Joaninhas, prometi uma resposta alargada.

 

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Dizia-me a Joaninhas em comentário:

 

« (…) não entendo duas coisas. Se tantas saudades porque não vai o Fernando viver para essas aldeias lindíssimas .
Outra coisa, se todos nós fossemos morar para as aldeias que seria da cidade? Não ficava ela, também ao abandono, com esses encantos e recantos lindos lindos?
Acaba por também ela estar abandonada.

E todos nós somos cúmplices disso, não acha Fernando?

É bom tirar fotos, mas o melhor seria exigir melhores acessos a essas aldeias, e lutar sempre. (…)»

 

Pois aqui fica, como prometido, a resposta a essas questões, com um pouco de mim (em jeito de introdução) para melhor se entenderem os porquês mas também dando continuidade à discussão lançada por António Chaves na sua última Crónica Segundária.

 

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Em tempos, já não sei precisar, disse aqui neste blog que nasci em Chaves por mero acaso, pois poderia ter nascido numa vila ou numa aldeia. Numa vila, terra da minha mãe (Montalegre) ou numa aldeia, terra de meu pai (Parada de Aguiar – Vila Pouca), também poderia ter nascido em Vila Verde da Raia, ou noutra terra, aldeia, vila, ou numa cidade qualquer. Nasci em Chaves e como tal sou flaviense. Mas o ser flaviense não é tão simples assim e, não é por ter nascido em Chaves que o sou, pois nem sempre somos da terra onde nascemos, mas, isso sim, da terra onde aprendemos os primeiros passos, onde aprendemos a andar de bicicleta, onde aprendemos as primeiras letras, onde aprendemos a nadar, onde fizemos os primeiros amigos (os verdadeiros e para todo o sempre), onde roubamos a fruta madura da árvores, onde demos o primeiro beijo, onde lamentámos as primeiras ausências, onde levámos as primeiras negas, onde casamos, onde tivemos os nossos filhos, onde ao dobrar da esquina há sempre um amigo e, onde – sobretudo isso – optamos por viver e temos um lugar, uma casa que nos acolhe, com família lá dentro, onde regressamos sempre nem que seja num único dia do ano, aquele em que todos queremos estar juntos para consoar o Natal ou, no derradeiro momento que, com toda a nobreza de uma vida, se volta à terra para receber sepultura – Essa, é a nossa verdadeira terra.

 

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Pois eu, no meu ser flaviense, à excepção de ter cumprido a vida, tenho tudo isso, mas muito mais, pois também tenho a minha aldeia que herdei do meu pai e a minha vila que herdei da minha mãe e, não é apenas por eles terem nascido lá, mas porque também as vivi e continuo a viver pela simples razão de, tal como eu sou flaviense, o meu pai sempre foi da aldeia dele e a minha mãe da sua vila porque (infelizmente eles)  não tiveram a minha sorte de ter o todo ou tudo da terra onde nascemos e ter ainda um pedaço na aldeia e vila de onde descendemos, onde também se passaram natais e havia avós, tios, primos, amigos e as velhas casas que também eram nossas.

 

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Mas o ter nascido em Chaves não é tão simples como parece, pois os meus pais poderiam ter optado por fixar residência na aldeia ou na vila de onde eram naturais. Contrariando a vontade natural (estou em crer) de “puxar” para as sua terras, optaram pela cidade mais próxima das suas raízes, cidade pequena mas cidade, onde havia escolas, hospital, trabalho e as necessidades mínimas para uma vida mais ou menos digna que numa aldeia ou vila não poderiam dar no seu todo aos filhos… e aqui entramos no cerne de todas as questões ligadas ao despovoamento das aldeias, pois todas elas foram despovoadas para alcançar uma vida melhor, não só para os despovoadores mas sobretudo para os filhos.


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Parece ficar assim explicado o despovoamento das aldeias e do meio rural, mas não fica. Pois tudo poderia ser diferente desde que houvesse condições para as pessoas, os casais e os filhos, ficassem (por opção) nas terras onde nasceram, podendo ter nelas uma vida digna, com trabalho e um modo de ganhar a vida mas, com acesso fácil a tudo que existisse nas cidades, mas para isso, teria de ser necessário desmontar todas as políticas praticadas até hoje  e que actualmente são cada vez mais agressivas com a(s) modernidade(s) e o centralismos em que as pessoas, os valores e os lugares pouco interessam, pois tudo é visto sobre o prisma dos interesses, dos cifrões traduzidos em tabelas de Excel e gráficos comparativos de puras matemáticas… valores, saberes, sabores, culturas, povo, tradições, usos e costumes, não contabilizam nessas tabelas e gráficos…Eia, eia lá… a globalização centralizada é que é da modernidade, a identidade do povo  – para dizer bem e depressa – que se foda! O povo e o interior que aguente e, quantos menos forem, maior será o desprezo, pois apenas são contabilizadas cabeças que valem votos – as pessoas, a gente, os valores, sabores e saberes do povo de nada valem se não houver número suficiente de cabeças para fazer crescer os gráficos e eleger pavões para o poder… que lhes interessa a eles a terra ou a casa onde nascemos, os nossos amigos, a nossa família, onde passamos ou não o natal!. Que lhes interessam a eles os nossos sentimentos, os nossos gostos, as nossas opções… somos apenas números, um por cada cabeça, para eles, é esse apenas o nosso valor – uma unidade, ou seja – pouco ou nada valemos.

 

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Claro, Joaninhas, que tenho saudades das antigas aldeias lindíssimas, sobretudo porque tinham gente, crianças, animais e casas com gente dentro, que vivia nelas, faziam filhos e consoavam natais onde os filhos e parentes ausentes regressavam sempre e as vilas e cidades, mais pequenas é certo, também existiam, também com casas com gente lá dentro, que faziam filhos e natais e enchiam as ruas de vida com gente e crianças…

 

Custa e revolta ver as aldeias despovoadas, com as velhas casas sem gente, sem vida, sem crianças quando bastava, no tempo certo, proporcionar às populações rurais meios e condições para se manterem nas suas terras, tendo as cidades como apoio com os serviços, a saúde a educação a cultura o lazer e ponto de promoção e venda dos seus produtos. Mas tudo isto, para garantir a sua sustentabilidade, teria de ser trabalhado e ter apoio estatal e autárquico sério e responsável onde os apoios comunitários teriam caído como ouro sobre azul…mas não, olhou-se ao lucro rápido e fácil onde todos tentaram ganhar o seu, sem qualquer cuidado, sem pensar o futuro e a sua sustentabilidade.

 

Certo que o despovoamento das aldeias já não é de hoje, pois o grande boom do abandono começou a ocorrer nos anos sessenta do século passado, mas com uma diferença. Antes abandonavam as aldeias para um dia mais tarde regressar. Hoje, o abandono não tem regresso marcado e tudo porque não há motivos ou razões para se regressar, a não ser o tal sentimento do regresso à terra, mas até esse desfalece quando a terra dos filhos dos que partiram, passaram a ser outras terras nas longínquas cidades para onde os pais partiram.

 

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Mas continuo a insistir que tudo poderia ter acontecido de outra maneira se tivesse havido políticas certas para reter as populações rurais, modernizando (a sério) a agricultura, tirando partido da floresta, da pecuária e de tudo que estas actividades está associada, como é o caso do presunto que o António Chaves tão bem tem trazido à baila nas suas crónicas segundárias, e quem diz o presunto e tudo que está associado aos recos, diz a madeira da floresta e toda uma indústria transformadora, diz a agricultura com os nossos produtos de qualidade e toda uma gama de pequenas e médias indústrias que se poderiam desenvolver à sua volta, sem esquecer a riqueza da nossa gastronomia, as nossas paisagens e montanhas e um turismo temático e de qualidade que poderia estar ligado ao nosso ser interior, às nossas termas e às montanhas, onde, aí sim, com tudo isso a funcionar, resolveríamos os problemas de trabalho dos nossos jovens bem como garantiríamos o seu regresso às origens após estarem formados, pois com tudo a funcionar, iríamos precisar de técnicos e gente formada para dar apoio a toda uma população e eles próprios avançarem com os seus negócios e empresas, mas não, tal não acontece e nunca houve vontade, ou habilidade ou inteligência por parte dos nossos governantes para que tal acontecesse, e neste capítulo dos governantes, com muita culpa para os políticos locais que sempre lhes faltou visão, inteligência e falta de amor à terra e aos seus habitantes, que nunca souberam travar o despovoamento rural e promover (ou defender) os nossos produtos e as nossas coisas. Uma cambada de ignorantes que atingiu o poder e a partir daí, lá do alto e tal como os pavões, abriram as penas da cauda em leque e puseram-se a gerir e mal,  contas correntes, a imitar às vezes, sem inovar, apostando fraco e mal, sem a importante união com os concelhos vizinhos onde poderiam arranjar poder de reivindicação com o todo de uma região igual e com os mesmos problemas… mas não, cada um por si, com as suas incompetências e o resultado está à vista, aos poucos, vamos perdendo tudo. Começou pela população das aldeias, depois foi o comboio, que além da locomotiva, aos poucos, foi levando outras carruagens, sendo a última o hospital…mas tudo isto até poderia ser nada se houvessem oportunidades para os nossos jovens formados regressarem (por opção), por cá terem trabalho e futuro.


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Como eu dizia no post que deu origem a este - já nem sei que dizer – talvez eu esteja errado e este esvaziamento do interior seja natural e se caminhe a curto prazo para uma grande cidade chamada Lisboa, outra Chamada Porto e outra chamada Algarve para passar férias e tudo o resto seja paisagem com pequenos grupos de resistentes a viverem à margem como se de indígenas ou reservas se tratassem…

 

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Para rematar este post, vamos lá dar resposta às perguntas da Joaninhas – Porque não vai o Fernando viver para uma dessas aldeias lindíssimas e a de nós sermos todos cúmplices. Pois é assim, eu vivo numa aldeia que fica juntinha à cidade, é certo, mas a resposta correcta é, eu vivo na minha aldeia que dá pelo nome de Chaves e por isso, eu não sou cúmplice do despovoamento e a testemunhar isso, é o eu estar aqui, em Chaves, porque é a minha terra e porque optei viver nela e nela constitui família. Optei pela minha terra e é aqui que quero cumprir a minha vida e, por muitas faltas que Chaves tenha foi a terra onde nasci, onde aprendi os primeiros passos, onde aprendi a andar de bicicleta, onde aprendi as primeiras letras, onde aprendi a nadar, onde fiz os primeiros amigos (os verdadeiros e para todo o sempre), onde roubei a fruta madura da árvores, onde dei o primeiro beijo, onde lamentei as primeiras ausências, onde levei as primeiras negas, onde casei, onde tive os meus filhos, onde ao dobrar da esquina tenho sempre um amigo e, onde – sobretudo isso – optei por viver e tenho um lugar, uma casa que me acolhe, com família lá dentro, onde regresso sempre todos os dias e todos os dia é natal. Falta-me cumpri o resto da vida para nesta terra receber sepultura. Por tudo isso, vivo na minha aldeia, sou um resistente e não sou cúmplice de todos os disparates que têm feito connosco.  Eu cumpro a minha parte, falta aos que têm de cumprir, os do poder, cumprir com a sua parte em prol de Chaves, das suas freguesias mas também da região, com amor e inteligência,  porque afinal esta doença, não afecta só Chaves e o concelho, mas todo o interior, onde o interior Norte é e sempre foi mais castigado, não só em oportunidades mas também com todas a dificuldades geograficas das montanhas e dos 9 meses de inverno e 3 de inferno.

 

É nisto que dá um jejum de palavras!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 10:37
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Hoje há feijoada no pântano

 

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Hoje quero-vos falar do Espaço Polis, junto ao nosso Tâmega, mas já lá vamos, antes, uns considerandos, desabafos ou devaneios, como queiram…

 

Quem acompanha este blog já me vai conhecendo, uns porque me conhecem pessoalmente, outros, embora não me conhecendo pessoalmente, vão-me conhecendo por aquilo que aqui trago e mostro, mas também pelas opiniões, confissões, desabafos  e defesas ou críticas que aqui vou deixando.


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Politicamente, uma vez que vesti a camisola de um partido, estarei ligado ou conotado a ele eternamente. Mesmo estando distanciado , desligado da militância e discordando das suas políticas.  Acredito na democracia e ainda no espírito de abril mas deixei de acreditar nos políticos e nos partidos atuais, despidos de ideais e ideologia, onde apenas o poder e o seu exercício importa, conquistado democraticamente nas urnas (é certo) mas nunca penalizado pelas mentiras e promessas que não cumprem, onde o valor da palavra já nada vale e os próprios valores estão hipotecados. É um pouco como o discurso de “abadia” – “Olha para o que digo e não olhes para o que eu faço”, um pouco assim à moda da Igreja Católica (e outras religiões) em que se tem de olhar e seguir a palavra e não os seus atos, e assim perdoar as matanças das cruzadas, a inquisição e um ror de repugnantes pecados que tem cometido ao longo da sua existência, como este mais recente da pedofilia no seu interior e que o bom católico lá terá que perdoar…

 

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Enfim, talvez defeito meu, não sei perdoar e muito menos esquecer, porque quem peca uma vez, pecará para todo o sempre, tal como um burro (os de 4 patas) por muito esperto que seja, nunca deixará de ser burro. Não sei perdoar, não sei esquecer mas também não consigo pôr-me de fora  e ficar indiferente. Sei que posso correr o risco de ficar só no caminho que escolher caminhar, mas será sempre a liberdade que me guia e será sempre a justiça que procurarei alcançar, mesmo que esse caminho me seja contrariado ou minado, apedrejado, é por ele que vou. Não consigo ficar impávido, sereno, conformado, apático às mentiras, traições, injustiças, incompetências, abusos e compadrios e muito menos ser colaboracionista de uma coisa, seja qual for, com a qual não concorde.

 

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Tal como vesti uma camisola política por ter acreditado nela, também vesti a camisola da cidade que me viu nascer, mas nesta cidade, ainda acredito e também acredito que há outros flavienses que tal como eu, também gostam dela, também lutam por ela e para ela defendem o melhor caminho, mas também, tal como na política, não perdoo nem esqueço o mal que lhe fazem.

 

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Também aqui, localmente, podemos e devemos contribuir para o bem da cidade. Elogiar o que está bem feito (porque quem faz gosta de ser elogiado) mas também denunciar e criticar (embora quem fez, não goste).

 

Mas para tudo são necessários exemplos e eles encontram-se tanto nas coisas mais importantes como nas mais insignificantes.

 

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Vamos para o espaço Polis, aquele que enriqueceu a cidade, que nos virou de frente para o rio, aquele no qual podemos ter orgulho porque é um espaço que nos fica bem e que além disso se usufrui e desfruta como ficaria bem corrigir os erros que tem.

 

É visível, ninguém o poderá negar (e não é coisa das cheias) que existem por lá espaços que deveriam ser verdes e relvados, que são pequenos pântanos. Erro de projeto, de execução, de fiscalização…não interessa de quem é ou quem o cometeu, se calha até erraram todos ou ninguém, mas o facto é que o erro está lá e pode, ou melhor deve ser corrigido, não só pelo mau aspeto de uma nódoa (ou algumas) em bom pano, mas porque ficava bem que tudo naquele espaço estivesse bem e depois as obras até têm garantia, só é preciso acioná-las ou então substituir-se a quem deve corrigir e, não vale a pena andar em tribunais (se for o caso) pois as tantas, os pântanos ainda ganham direito de usucapião do espaço que ocupam, tal como o carro da muralha.


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Também além da manutenção da relva (e muito bem) há o restante equipamento do espaço que por puro vandalismo, mau uso ou simples uso, se vai deteriorando, principalmente aquele que é essencial à higiene, limpeza e segurança do local, e já há muito material por lá estragado e outro que desapareceu (como os amortecedores do parque infantil) e nunca foram recolocados.

 

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Outra coisa que não consigo entender é como com tanta falta de locais públicos para se fazer chichi haja instalações sanitárias nesse espaço (tabolado) que nunca entraram em funcionamento, tendo servido até hoje apenas para os vândalos porem o seu vandalismo em prática.


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Claro que para tudo há desculpas, e são precisamente essas as que mais irritam, pois tal como nos pântanos, não interessa apontar culpados (se é a Câmara, a polícia, os vândalos, os putos ou a população)  interessa e só, que os problemas sejam resolvidos, quanto às culpas e políticas de fiscalização e prevenção, isso são assuntos e problemas paralelos que devem ser resolvidos dentro ou entre as respetivas instituições, para isso é que elas existem e todos nós contribuímos  com os nossos impostos.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:23
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Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

Hoje não há feijoada, saboreiam-se outros pratos...

 

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Hoje vamos deixar a feijoada em paz, pois cá pela terra, também há outros pratos bem interessantes onde “botar” o dente.

 

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Um pouco ao acaso, ao sabor dos passos, fui debitando click aqui, click ali, a coisas, rostos de pedra, empedrados e enlatados, ao rio que ainda sobra, ao envelhecer das folhas, da memória e das gentes.

 

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Sem qualquer pretensão para além de captar momentos, pode-se andar eternamente, dia e noite, no seio e íntimo da cidade e, os momentos, sucedem-se uns a seguir aos outros, juntos, apaixonados até, de fazer inveja a qualquer par de jovens namorados que com a velocidade dos sentimentos, não têm a manha de eternizar a paixão.


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Um olhar num rosto de pedra que me segue os passos no atravessar da praça é logo quebrado pelo perfilar da geometria dos vãos que sossegam o desassossegar do olhar, agora o meu, que felinamente fixou a presa, alheio a tudo e a todos não vá o momento quebrar-se.


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Pasmados, palulas e paneleiros, dizem respetivamente os das aldeias, os de Montalegre e os de Boticas. São invasões e incursões que não quebram o sossego do vale, milenar, como milenar é a dureza da pedra que faz a dureza do ser. Aconchegar a cabeça é que é preciso. O sol, esse sim é traiçoeiro e os pés quentes, isso é o que interessa… alcunhas, desde que não sejam rançosas, até fazem um bom mata-bicho, nada abala a inteligência e o sossego dos dias de quem lá de cima observa o barulho do silêncio.

 

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Não há relógios que meçam o tempo de contemplação. De pouco interessa que os ponteiros insistam em dar volta e mais volta se o tempo adotado for da luz do sol ou da escuridão da noite, mas é nos “entretantos”, no azul puro e frio que se dilui num amarelo branco da aurora, ou no amarelo quente que envermelhece com a despedida do sol, que estão os verdadeiros momentos de poesia pura e total.

 

Hoje não quero feijoada, pois acredito que por aí ainda há muito bom prato flaviense que a substitua…

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:10
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Hoje há feijoada ou peixeirada, já nem sei!

Hoje é quarta-feira e, em Chaves, é dia de feira e, dia de feira que se preze, tem feijoada, com todos os condimentos e para todos os gostos, pese embora, agora os tempos, até serem de peixeirada, não só pela quadra da Páscoa que nos leva para o jejum do peixe, mas a peixeira que está implantada neste Portugal de marinheiros. Deve ser influência do nosso território ter mais mar que terra.

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Fotomontagem de arquivo

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Aliás sempre foi a grandeza do mar que inspirou a grandeza de Portugal e sempre inspirou o poeta português. E falo do poeta, como representante de todos os poetas portugueses, o maior, o que canta a realidade de Portugal, que, para mim, há muito deixou de ser Camões.

 

DEUS QUER, o homem sonha, a obra nasce,

Deus quis que a terra fosse toda uma,

Que o mar unisse, já não separasse.

Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

 

E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

E viu-se a terra inteira, de repente,

Surgir redonda do azul profundo.

 

Quem te sagrou, creou-te portuguez,

Do mar e nós em ti nos deu signal.

Cumpriu-se o Mar, e o império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal.

 

Fernando Pessoa, “ O Infante” In o Mar Portuguez/Mensagem

 

Assim sendo, já nem sei se isto hoje é feijoada ou peixeirada, reforçada a dúvida pelas palavras do poeta:

 

“ O MAR SALGADO, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal”

 

E o Tâmega, leva algumas lágrimas de Chaves, que também ajudam a salgar o mar.

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De Chaves ou de outra terra qualquer, pois o sentimento e a realidade é comum e uma lágrima nossa, não é menos salgada que uma lágrima de outro qualquer sítio ou terra de Portugal, mas por aqui, é de Chaves que se fala. Pois vamos às lágrimas de Chaves que contribuem para as lágrimas de Portugal e para o sal do mar.

 

Por cá nunca fomos ricos, sempre fomos mais ou menos esquecidos e se não fosse por termos uma boa horta e Espanha estar aqui a dois passos, permitindo-nos assim ter sido militares e contrabandistas, se calha Chaves nem existia. Somos pobres, mas nunca fomos invejosos, aliás a inveja nem se conjuga muito bem na pobreza. Inveja é um luxo que só os ricos, os poderosos ou bem remediados conseguem conjugar. Na pobreza cultiva-se mais a revolta e depois, o que é que se poderá invejar na pobreza!? Mas os pobres existem, e por cá, infelizmente, temos a pobreza total, ou seja, o pobre que é pobre porque não tem dinheiro para mandar cantar um cego, mas também a pobreza de ideias e da ambição de fazer sair Chaves do marasmo, ele mesmo pobreza.

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Nunca a sabedoria popular de “ Em casa onde não há pão, toda a gente ralha e ninguém tem razão” se aplicou tão bem como nos nossos dias atuais, e, ainda vamos tendo umas côdeas por casa. Basta ler os jornais, ouvir as notícias e os nossos atores, sejam eles políticos, da banca e grandes empresas, da justiça, dos Mass Media (convém refrescar a memória e saber o que são os Mass Media: - são sistemas organizados de produção, difusão e receção de informação. Estes sistemas são geridos, por empresas especializadas na comunicação de massas e exploradas nos regimes concorrenciais, monopolísticas ou mistos. As empresas podem ser privadas, públicas ou estatais.).

 

Pois a pobreza e o povo, porque a pobreza convive bem com o povo, dos poucos direitos que tem é a revolta, mesmo que seja muda e se fique pelos intestinos, mas revolta-se e com todo o direito, principalmente quando por todo o país se ouve falar de crise, de não haver dinheiro, de estamos de tanga no fundo do poço ou do pântano, de não haver dinheiro para aumento de vencimentos, de cada vez haver mais desempregados e empresas a falir e à nossa volta continuar-se a mal gastar dinheiros públicos, em puros devaneios, luxos, ambições, teimosias, politiquices, etc.

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Ainda ontem enquanto ouvia a entrevista de José Sócrates na televisão, não deixava de o admirar na facilidade em que ele tem em dar volta aos conteúdos e como na astúcia das palavras dava a volta à verdade. Ouvi coisas incríveis que nos tocam bem de perto. Falou-se das barragens que são o futuro de Portugal (imagine-se) e pelo meio, Miguel Sousa Tavares trouxe à baila uma das plataforma logísticas que Sócrates lançou com tanta pompa e circunstância e que, as autarquias caíram de queixos na sua construção. Pois por cá, temos ambas, as barragens e uma plataforma logística. Uma barragem em projeto com a qual só ficamos a perder, destruindo-se um rio que embora com algumas maleitas ainda poderia ser saudável, mas destruindo também toda uma economia de subsistência, de gente pobre, que sem as suas terras férteis de cultivo, vão ficar sem nada, e tudo em nome de Portugal e das energias renováveis que vão ser exploradas pelos monopólios da eletrecidade e que todos vamos pagar, para continuar a dar, como até aqui, chorudos lucros às empresas exploradoras, ou seja, destroem um rio, empobrecem ainda mais a região e ainda vamos ter de pagar por isso e ficar contentes.

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Não deixo de dar razão a José Sócrates quando diz que o futuro da energia está nas energias renováveis. Quem é que não sabe isso, mas o futuro não está nas barragens, mas sim em casa de cada um de nós, com a produção da energia que necessitamos, cedendo a produção que resta à rede pública. Coisa simples. Bastava que o dinheiro que se gasta em petróleo para produzir eletrecidade, o que se gasta na construção e manutenção de barragens, nos negócios e gestores a elas associados, se transferisse para o equipamento doméstico que cada um de nós necessitaria para produzir eletrecidade. Mas claro que isso não interessa às grandes empresas que detêm o monopólio da eletrecidade, não interessa ao poder dependente, não interessa ao poder internacional do petróleo. Energia sustentável, de borla, não poluente e renovável, não interessa ao grande capital e como tal, não interessa ao poder. Construam-se barragens, empobreça-se uma região já pobre, ponha-se-lhe o rótulo de amiga do ambiente, mesmo que o ambiente seja o primeiro sacrificado e todos os papalvos dirão ámen!

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Pois vamos às plataformas logísticas. Para quem não sabe e pelos vistos há muita gente que não sabe, em Chaves há uma plataforma Logística porque era um dos pontos estratégicos a nível nacional para a implantação de uma das poucas que existem. Em Chaves existe uma e até foi inaugurada por José Sócrates. E agora perguntarão vocês, afinal o que é uma  plataforma logística e onde está a de Chaves!?... pois não sei,  mas garanto-vos que existir, existe, e já há alguns anos, onde até se gastaram uns largos milhões de euros na sua construção, mas apenas isso, pois nunca funcionou, está fechada e a degradar-se, tal como toda a área envolvente onde deveria funcionar uma Mercado Abastecedor, que também existe e não funciona, e um parque de atividades que não tem atividade.

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Custa ver um poder a exibir-se e exigir-nos sacrifícios, a aumentar-nos os impostos,  a retirar-nos direitos fundamentais, a roubar-nos a saúde, a formar jovens para o desemprego e que ao lado de nós esbanja dinheiros públicos (milhões dele) para equipamentos que não funcionam, para desfazer e refazer sem nada melhorar (EN 213), para fechar escolas e construir outras, para esvaziar hospitais existentes para construir outros novos, para construir barragens que destroem rios quando a eletrecidade existe de borla nos nossos telhados, para enfim, gozar connosco. Já nem quero falar de TGV’s, Aeroportos, pontes megalómanas, mundiais de futebol, etc. entre outras realidades e projetos que pululam por aí…

 

E já que comecei com o Poeta, vamos acabar com palavras suas:

 

SENHOR, a noite veio e a alma é vil.

Tanta foi a tormenta e a vontade!

Restam-nos hoje, o silêncio hostil,

O mar universal e a saudade.

 

Fernando Pessoa, “ Prece”  In Mensagem

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:28
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