Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

Vamos Brincar!?

 

 

A Câmara Municipal de Chaves há uns anos atrás publicou uma postura municipal em que proibida os animais de andarem na rua à solta. Claro que num concelho rural como o nosso, essa postura era impossível de cumprir e então vai daí que, já que os animais não saiam das ruas havia que tirar deles alguma utilidade para a sociedade e entrou numa de ensino dos mesmos para tarefas diárias em prol da população. A mais conseguida foi a dos cães com o ensino ministrado para ajudar pessoas a atravessar as passadeiras em segurança, colocando-se no meio da via em frente à passadeira enquanto os peões as atravessam ou sinalizando pessoas distraídas que ficam a falar no meio da via.

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Havia outra postura do género que obrigava os cavalos, éguas, burros e mulas a usar fraldas sempre que circulassem na via pública. Nas aldeias a coisa ainda foi funcionando, embora sem fralda, mas obrigando os proprietários dos animais a andarem de carreta e enxada para apanharem os detritos de animais. Na cidade, nem por isso a postura foi levada em consideração, às vezes até alguns animais de duas patas vão desrespeitando a postura, embora até sem muita culpa …

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Claro que tenho estado ironicamente a reinar embora as posturas até existam, mas fico assim sempre que vejo os políticos a reinarem connosco, a fazerem de nós parvos. Hoje caí na asneira, talvez por cansaço, de não procurar o comando da TV para mudar de canal e ver os meus habituais Simpsons,  enquanto decorriam as notícias e, claro, lá apareceram os do costume, Sócrates e Cavaco, um num de passeio de limpeza de imagem com mais um presente envenenado de construção de uma barragem a troco do fecho da linha do Tua e sacrifício do próprio tua, com as mentiras do costume de que Portugal só tem a ganhar com estes investimentos e com a criação de um milhar de postos de trabalho (que nunca diz ser temporário) e vai esquecendo toda uma população que vive junto ao Tua e que até dependia da linha do Tua para as suas deslocações, além dos habituais problemas ambientais e paisagísticos que a barragem vai gerar.

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Em simultâneo as notícias mostravam o agravamento das contas com a construção de um luxuoso TGV, do qual não prescinde e que em nada nos vai servir, em que só no troço do Poceirão-Caia se vão gastar cerca de 1700 milhões de Euros  e que já é sabido vir a dar prejuízo. Há dinheiro para TGV’s luxos e outras mordomias dos político mas não há para pagar os abonos de família que significava algum pão para muitas bocas. Venham daí as tais reformas profundas que devem começar pela classe política e pelo sistema actual. Venha daí o voto obrigatório para ver se estes políticos são mesmo os nosso representantes, venha daí o FMI pois a grande maioria não irá sentir a sua presença.

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Logo de seguida, e ainda a respeito de comboios e TGV’s,  aparece o “angelical” Cavaco Silva a dizer que se orgulhava de tudo que fez como Primeiro Ministro e nos seus feitos, no qual eu incluo o fecho da Linha do Corgo, pois esta nóia contra os comboios e a sua modernização já não é de hoje. O lobby dos transportadores rodoviários e dos construtores de auto-estradas, sempre falou mais alto.

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Para terminar a noite, recebo as “boas” notícias do Diário @tual (publicadas no post anterior) onde se dá conta que a tal auto-estrada que serviu de pretexto para o encerramento do nosso Hospital (pois o pouco que resta dele não pode ser considerado como tal)  vai passar a ter as anunciadas portagens e o percurso entre Chaves e Vila Real custará 6.40 Euros, o que ida e volta dá 12.80 Euros, mas contando que alguns dos serviços prestados pelo Hospital de Vila Real estão entregues a clínicas privadas de Amarante e Lamego, teremos mais 3.60 Euros (no caso de Lamego) que ida e volta para Chaves custará 20 Euros só de portagens. E Viva o Sócrates e já agora também a nossa deputada flaviense que concorda com tudo que o Sócrates diz, mesmo que seja contra nós.

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Custa viver no meio de tanta mentira e hipocrisia e ainda por cima vermo-nos despojados daquilo que é nosso e dos nossos e termos de pagar a factura dos luxos e dos equipamentos centralistas e do litoral dos quais não usufruímos. Farto de ser considerado igual em deveres mas não o ser em direitos, farto de ser gozado por esta corja que olha para nós de alto como se fossemos um povo de merda, farto das palhaçadas e troca de piropos entre políticos, principalmente os que ocupam lugares para os quais foram eleitos para nos representar, como os da Assembleia da República onde se fizessem um voto de consciência nem sequer deixavam transmitir em televisão as palhaçadas que por lá se passam. Custa-me ver as aldeias abandonadas e nada fazerem por elas ou pelos resistentes que se negam a abandoná-las. Tudo isto já por si custa e dói, mas gozarem connosco recorrendo constantemente à mentira, dói e custa muito mais. Mais que razão tem a Deolinda, mas não é só ela que é parva, mas todos nós somos parvos, em calar e consentir.

 

Fica a “Parva” da Deolinda:(Para ouvir a Deolinda, por favor desligue o som do rádio na barra lateral, localizado por baixo do calendário).

 


 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:58
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Mais 5 gravuras em Chaves Gravuras

 

Mais 5 gravuras em http://gravurasdechaves.blogs.sapo.pt

publicado por Fer.Ribeiro às 00:03
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Sábado, 6 de Novembro de 2010

Mosaico da Freguesia de Vidago



 

Depois de passar pela Vila de Vidago, hoje vamos ao mosaico da freguesia de Vidago, que é quase à mesma coisa, pois Vidago é a única povoação da freguesia, mas hoje, vamos analisar e trazer aqui a freguesia e focar outros aspectos que ficaram de fora do post dedicado à Vila.

 

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Localização:


A Sul da cidade de Chaves e quase no limite do concelho confrontante com o concelho vizinho de vila Pouca de Aguiar

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Arcossó, Vilarinho das Paranheiras,  Selhariz e Oura.

 

Coordenadas: (Em frente ao antigo apeadeiro de Campilho)


41º 38’ 22.92”N

7º 34’ 28.87”W

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Altitude:


Variável –  Entre os 340 e os 490m

 

Orago da freguesia:


Nossa Senhora da Conceição

 

Área:


8.21 km2

 

Acessos (a partir de Chaves):


– Estrada Nacional nº2 ou A24

 

 

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Povoações da freguesia:


- Vidago é a única povoação da freguesia.

 

 

População Residente:


Em 1930 – 1256 hab.

Em 1950 – 1609 hab.

Em 1960 – 1712 hab.

Em 1970 – 1188 hab.

Em 1991 – 1332 hab.

Em 2001 – 1186 hab.

 

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Em termos de população residente apenas existem dados a partir do momento em que Vidago é desanexado da freguesia de Arcossó, ou seja os primeiros Censos da freguesia são de 1930 em que se inicia com 1256 habitantes residentes. Desde então, tem mantido a sua população sempre acima dos mil habitantes, tendo em 1960 atingido o maior nº de habitantes com 1712 hab. Residentes. O número mais baixo foi atingido nos últimos Censos, embora a partir de 1970 a sua população não registe alterações consideráveis. Poder-se-á dizer que a população de Vidago estabilizou um pouco acima do milhar de habitantes, não se prevendo que os próximos Censos venham alterar a tendência desta estabilização.

 

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Principal actividade:

 

Hoje, não é fácil definir a principal actividade de Vidago. Se tempos houve que Vidago viveu à volta das suas afamadas águas, do termalismo e hotelaria, hoje a realidade é bem diferente.

 

Desde os anos da fundação da freguesia que Vidago se tem assumido como o segundo aglomerado habitacional mais importante no concelho, logo a seguir à cidade de Chaves e sendo durante muitos anos a única Vila do Concelho, agora com a companhia de Stº Estêvão, mas esta, quase e só apenas com o título de Vila, pois na sua essência, continua a ser uma aldeia.

 

Como Vila, na sua importância termal que teve mas também graças à sua localização geográfica, assumiu-se de facto como a segunda localidade do concelho de Chaves, chamando a si o comércio, um importante parque hoteleiro mas também alguns serviços de apoio àquela que eu chamo a grande região de Vidago e que abrange as suas freguesias vizinhas mas também as freguesias mais próximas do concelho de Vila Pouca de Aguiar.

 

Vidago tem Escola Secundária, Centro de Saúde, uma Corporação de Bombeiros, feira semanal, mercado, entre outros equipamentos e serviços e ainda o seu parque hoteleiro, embora este último, já longe dos seus tempos áureos de vila termal, com algumas das suas unidades mais emblemáticas e antigas com portas fechadas

 

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A modernidade, as novas modas e novas ofertas, principalmente aquelas ligadas ao mar e à praia, mais convidativas, apelativas e popularmente mais acessíveis,  ditaram quase a morte das estâncias termais de interior. Vidago foi uma das vítimas desta nova onda das férias e da modernidade, no entanto, embora perdendo  os seus “clientes”,  foi mantendo toda a estrutura que foi criada para e por causa deles. Sem querer aqui entrar numa falta de visão e apatia dos responsáveis dos nossos destinos ao não saberem fazer frente aos novos desafios, Vidago foi sobrevivendo com outras infra-estruturas, nomeadamente a da água e do seu comércio mas também ligadas ao lazer e em muito ligadas ao Hotel Palace, ao seu parque e golf. Felizmente, Hotel Palace e golf que agora foram modernizados e abertos a um novo tipo de turismo, mais de elite, mas da qual Vidago poderá tirar algum proveito, ou talvez não, o futuro o dirá. Seja como for, há todo um património que foi recuperado e uma nova oportunidade para Vidago se poder impor como uma vila turística, onde também Vidago e os seus residentes, mas também as entidades responsáveis pelos desígnios deste concelho e não só, como a Junta de Freguesia, Autarquia e Associações de Desenvolvimento e a nova entidade do Turismo terão uma palavra a dizer e também uma oportunidade, tudo isto, se houver verdadeiro interesse no desenvolvimento não só de Vidago como da região e, diga-se, que teorias e teóricos não faltam, falta avançar para o concreto (e aqui não é o betão brasileiro) mas sim verdadeiras acções que valorizem o nosso ser interior e aquilo que de melhor temos. Claro que, para além do empenhamento,  haverá também que mudar a mentalidade e qualidade de quem decide, tarefa difícil (eu sei) mas não impossível. Pode ser que uma nova geração apareça com mais visão de futuro e sobretudo com uma visão sustentada, acabando de vez com “estes velhos do Restelo” que do verbo governar, apenas conhecem algumas poucas conjugações, principalmente as da primeira pessoa do singular, às vezes abertas à primeira do plural e à sua seita. Fernando Pessoa dizia que faltava cumprir Portugal, eu, à distância de um século digo que é urgente cumprir Portugal antes que Portugal se ….  Mas regressemos a Vidago, pois todo este discurso surgiu pelas referências à principal actividade de Vidago, que nasceu com a água e o termalismo mas que além disso, poderá ser muito mais, assim haja interesse e interessados.

 

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Particularidades e Pontos de Interesse:

 

As particularidades e pontos de interesse de Vidago já foram quase todas apontadas no post que lhe dediquei há uns tempos atrás, e pouco mais há que acrescentar, pois do ponto de vista histórico, Vidago é uma localidade e Vila recente, com mais ou menos um século de existência, mas são precisamente essas particularidades e pontos de interesse que fizeram nascer ou emergir Vidago que se tem de continuar e explorar adaptada aos novos tempos, os tais da modernidade que tanto por aí se apregoa e, essa modernidade, está em nós, nos nossos valores, saberes e sabores, que vão além de Vidago e que têm de ser entendidos como toda uma região, onde Vidago é um ponto de extrema importância. O nosso mal tem sido olhar para o umbigo e apenas para o umbigo, sem nos darmos conta que o umbigo só existe porque há todo um corpo que deixa que ele exista, sem nunca esquecer que ele também existe, porque alguém cortou o cordão umbilical para que ele possa ser, ou seja, tem um passado que foi vital para a nova vida mas ao qual estará sempre ligado, ou seja (outra vez) o futuro faz-se a olhar para a frente, mas em esquecer o passado, e só aí, é que devemos olhar para o umbigo. Entendam estas palavras como quiserem, e os que decidem, que reflictam (se é que o sabem fazer) sobre o seu papel nesta sociedade e se estão a pensar apenas neles ou também pensam no futuro dos filhos, netos e bisnetos… mas conhecendo como conheço esse responsáveis, pedir para pensarem e reflectir, já é pedir demais, pois não têm capacidade para tanto. É esta a nossa triste sina - ter quem se governe mas não termos quem nos governe - …

 

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Pois continuo a “filosofar” e penso que não vou conseguir sair desta linha de raciocínio, por isso, é melhor ficar por aqui e para saber mais sobre Vidago, nem há como regressar ao post que lhe dediquei e que poderá ver aqui:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/528702.html

 

Mas ciente que Vidago ainda é a Vila e menina dos olhos de Chaves e que poderá ser muito mais, assim haja coragem para o admitir e visão + interesse (inteligência) para que tal aconteça.

 

E com esta me vou.

publicado por Fer.Ribeiro às 04:26
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Quarta-feira sem feijoada

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Era para vos trazer aqui o programa da festa maior de Chaves – a Feira dos Santos, mas fica para a próxima semana, pois ainda não tive acesso a tal, embora já ande por aí, pois já vi uma miniatura do cartaz na página oficial da Câmara Municipal. Claro que é só por curiosidade, pois adivinha-se o conteúdo, ou seja, deve ser mais do mesmo, do habitual de todos os anos, rapazes das concertinas da Venda Nova, cabeçudos, etc. Mas pode ser que me engane. Para a semana prometo deixar aqui o programa.

 

Como estava a contar com o programa, fiquei desprevenido, despido de palavras para o post de hoje e, com a inspiração palavreia não anda lá grande coisa, vamos até à poesia, pois é ela que me salva sempre nos momentos complicados, e não só, pois poesia é sempre poesia, nem que seja e só para poetas, mas é poesia.

 

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Mas, hoje, também não estou virado para a poesia em palavras, prefiro antes trazer aqui a poesia dos gestos. Coisa complicada, também. Pois o gesto para além de ter de ser visto, tem o seu ambiente, ou seja, o mesmo gesto pode ter significado diferente consoante o lugar, ambiente e até momento que acontece, assim, também não posso ir por aí, pela poesia do gesto, do gosto, do cheiro, pois são das tais coisas que só têm poesia se forem mesmo vividos e saboreados, tal como um beijo de amor, ou melhor ainda – apaixonado, pois só beijando é que se sabe como é. Bem podem carregar camiões e camiões de palavras, entregá-las ao melhor poeta para as compor e distribuir no poema, que nunca conseguirá dar-lhe o gosto do gosto de um beijo apaixonado.

 

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Assim sendo, rendo-me mais uma vez à poesia da imagem e da fotografia, dos pormenores e dos cantinhos da nossa cidade, sim, da nossa cidade, porque a nossa cidade tem também muita poesia e poetas. Às vezes mais poetas que poesia – é certo – mas há muita poesia por aí, só é necessário afinar o olhar para a descobrir e, também, ter a sensibilidade de poeta para a conseguir ver e sentir, pois já se sabe que as coisas da poesia, os poemas, são mesmo e quase só para poetas. Nos ou além dos “quase só” estão incluídos os intelectuais de esquerda, pois esses, até numa feijoada das quartas-feiras (que hoje infelizmente não há) conseguem sentir poesia, principalmente se for apuradinha e regada com um bom tinto encorpado. Tanto, mas mesmo tanto a sentem, que além de vivê-la, comem-na, e depois recitam-na durante o dia inteiro.

 

E prontos, penso que o palavreado já chega para encaixar três poemas de Chaves, hoje em imagem.

 

Até amanhã, ou até logo, pois cheira-me que hoje vai cair por aí uma crónica ocasional.

publicado por Fer.Ribeiro às 02:55
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Quarta-feira, 2 de Junho de 2010

Devaneios a preto e branco com muitos cinzentos pelo meio

 

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Todos os dias, quando saio de casa, esqueço uma ou outra coisa.  As chaves, a carteira, os óculos… é o que calha, penso mesmo que me está no sangue esquecer-me das coisas.

 

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De nada adianta no dia anterior deixar tudo junto à porta de entrada, pois por uma razão qualquer, no dia seguinte, saio pela porta das traseiras e lá se vai a agenda do dia…

 

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Há uns dias atrás esqueci-me das cores em casa e, só quando cheguei à cidade é que me apercebi que tudo estava a preto e branco, com muitos cinzentos pelo meio. Primeiro estranhei a ausência de cor, mas comecei por ver que as pombas da praça do duque nada estranhavam, depenicando como de costume as migalhas de pão, logo a seguir, apareceu uma criança  a brincar com as pombas, ao fundo da praça notei que havia mais alguém alheio à ausência de cor e de seguida, a praça começou a encher-se de gente, vindo e indo para todos os lados …

 

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Afinal, a preto e branco, a vida ia-se compondo e seguia o ritmo dos dias de imagens cinzentas, com migalhas e pombas, crianças e gente, rotinas e indiferenças. A preto e branco, com muito cinzento, tudo continuava igual, ninguém se importava com a ausência da cor.

 

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Também eu aprendi a lição, não pelos dias acontecerem assim por me ter esquecido das cores em casa, mas por perceber que o Photoshop, num click, transforma todas as cores em preto e branco com muitos cinzentos, mas nunca, mesmo nunca,  consegue dar cor ao preto e branco de uma imagem, com muitos cinzentos… por mim, nunca mais esquecerei as cores em casa, aos outros, cabe-lhes a eles a escolha da cor ou da indiferença de um preto e branco com muitos cinzentos.


 

Moral da história: Mais um devaneio a preto e branco com muitos cinzentos pelo meio...ou talvez não!

publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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Sábado, 24 de Abril de 2010

Liberdades...que nome lhe dar!?

 

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Haverá maior liberdade do que a liberdade de subir às serras e aos montes, dominar as fragas e penedos e, lá bem no alto, sentir o vento nas faces enquanto o olhar se perde no horizonte!?

 

A liberdade de lá em cima, sem nada, termos tudo!

 

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Haverá melhor remédio que penetrar pela montanha adentro e o tempo ser tão nosso que fazemos parte dela!?

 

Haverá maior artista que aquele que sobe aos montes e lá do alto em cada olhar pinta uma tela!?

 

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Se a nossa liberdade nos permitir ser livres nesta liberdade de entre e por cima dos montes, montanhas e serras sentir a liberdade, haverá felicidade maior!?

 

Perguntas simples com respostas simples ao alcance de qualquer um, basta subir e penetrar numa qualquer dessas liberdades próximas de vós, pois elas existem, descubram-nas, e se (por acaso) não gostarem, também não são dignos destes olhares, por isso, não vos digo de onde são - ide à procura deles!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:21
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Domingo, 18 de Abril de 2010

Tudo isto é Chaves!

Sem muitas palavras ficam apenas três momentos vividos entre montanhas flavienses:


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Um, de quando tudo desperta e o concerto musical das aves atinge o seu auge de povoar o silêncio sem o quebrar…

 

 

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Outro de quando a intensidade da luz nos mostra os pormenores entalados entre as cores do azul celeste e o verde terrestre…

 

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E por fim, outro, de quando o sol anuncia a sua despedida da natureza  e com glamour, aponta os focos de luz para a cidade que desperta para a noite.

 

 

Tudo isto é Chaves, no seu íntimo e no seu melhor!

 

 


publicado por Fer.Ribeiro às 02:53
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Sábado, 10 de Abril de 2010

E há quem se perca nas quintas do facebook!

São Cornélio

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Penso que tive a felicidade de ter nascido aqui, em Chaves, transmontano, mas também a felicidade de na minha formação e em criança, ter a proximidade da terra do campo, uma aldeia (tipicamente aldeia transmontana)  nas origens, conhecer-lhe as virtudes mas  também a rudeza e dificuldades…e, em paralelo, ter a cidade, pequena e de província, mas também com as virtudes e defeitos das grandes cidades…

 

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São Pedro de Agostém

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Depois, um pouco e também a dose certa de descoberta do glamour e das luzes, das grandes cidades, da noite, da música, do fado e do jazz, a boémia, a arte, a poesia,  o underground, a gravata italiana, a finesse da cozinha à mesa, a tasca, novas culturas… enfim, já estou a falar-vos de idade e experiências que dão sabor, muito mais e afinado sabor àquilo que é nosso, ao nosso provincianismo e ser transmontano, à nossa cidade ou aldeia, à nossa casa ou quinhão de terra e de monte…e, pode-se estar a léguas, milhas de distância, nos confins do mundo, no cu de judas, na ponta de um arranha céus, no paraíso de uma qualquer ilha, amar e ser desses lugares todos do mundo, mas quando a saudade chama ou toca, é a terra que se suspira, as leiras, os caminhos de terra, o empedrado dos muros, o cantar do cuco, a côdea de pão e um copo de vinho da pipa e,  até da candeia e dos seus tempos se tem saudades.

 

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Seara Velha

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E se tudo isto é certo e verdade, também tudo isto é fado que arrepia e se chora quando se ouve. Aos velhos caminhos faltam-lhes os caminhantes da luta diária, às casas o calor da vida,  a alegria e traquinice das crianças e, as varandas já nada acolhem e os pátios não têm palha…apenas alguns resistentes ainda fazem a felicidade da saudade … enquanto que nas cidades, crianças crescidas, brincam nas quintas do facebook…

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:47
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Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

Hoje não há feijoada, saboreiam-se outros pratos...

 

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Hoje vamos deixar a feijoada em paz, pois cá pela terra, também há outros pratos bem interessantes onde “botar” o dente.

 

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Um pouco ao acaso, ao sabor dos passos, fui debitando click aqui, click ali, a coisas, rostos de pedra, empedrados e enlatados, ao rio que ainda sobra, ao envelhecer das folhas, da memória e das gentes.

 

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Sem qualquer pretensão para além de captar momentos, pode-se andar eternamente, dia e noite, no seio e íntimo da cidade e, os momentos, sucedem-se uns a seguir aos outros, juntos, apaixonados até, de fazer inveja a qualquer par de jovens namorados que com a velocidade dos sentimentos, não têm a manha de eternizar a paixão.


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Um olhar num rosto de pedra que me segue os passos no atravessar da praça é logo quebrado pelo perfilar da geometria dos vãos que sossegam o desassossegar do olhar, agora o meu, que felinamente fixou a presa, alheio a tudo e a todos não vá o momento quebrar-se.


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Pasmados, palulas e paneleiros, dizem respetivamente os das aldeias, os de Montalegre e os de Boticas. São invasões e incursões que não quebram o sossego do vale, milenar, como milenar é a dureza da pedra que faz a dureza do ser. Aconchegar a cabeça é que é preciso. O sol, esse sim é traiçoeiro e os pés quentes, isso é o que interessa… alcunhas, desde que não sejam rançosas, até fazem um bom mata-bicho, nada abala a inteligência e o sossego dos dias de quem lá de cima observa o barulho do silêncio.

 

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Não há relógios que meçam o tempo de contemplação. De pouco interessa que os ponteiros insistam em dar volta e mais volta se o tempo adotado for da luz do sol ou da escuridão da noite, mas é nos “entretantos”, no azul puro e frio que se dilui num amarelo branco da aurora, ou no amarelo quente que envermelhece com a despedida do sol, que estão os verdadeiros momentos de poesia pura e total.

 

Hoje não quero feijoada, pois acredito que por aí ainda há muito bom prato flaviense que a substitua…

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:10
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Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Poesias sem rima no arrimar dos dias de Chaves rural, Portugal

 

 

Hoje não há camisas, nem cuecas, meias ou toalhas

partiram, sabe-se lá para onde

talvez para o monte, para a missa, com o gado

quiçá tivessem descido à cidade

ao médico e à feira

ou talvez estejam no tanque a ensaboar…

Mas voltam… voltam sempre!

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Tal como o carteiro

agora mais raro

tanto

que se alguém está por perto

já nem me dão o gosto de saborear

gozar o  cheiro da tinta,

da cola e do papel

Já lá vai o tempo do fino papel das cartas

por avião

da América e do Brasil

do alinhar e  desenhar das letras

Quase esquecida

abandonada

a ferrugem tolhe-me as forças

e a saúde das faces rosadas.

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Também com o mesmo amor que se escrevia no papel

escrevia-se na terra

com bico fino, dois bicos ou bico largo

à luz do sol, com o seu rigor

eram rigorosos os traços traçados no desenhar a terra

Também estes desenhadores

ou escritores de escritas largas

talvez

por falta de escantilhão

vão deixando secar a tinta e

os bicos

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:12
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Domingo, 3 de Janeiro de 2010

Faiões - Chaves - Portugal

Faiões é uma daquelas aldeias que engana…eu explico melhor.

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Quando entramos na longa recta com início no Lameirão, Faiões começa a desenhar-se ao longe. Chegados ao fim da recta, uma nova recta, mais pequena e, tirando uma preciosidade nesta pequena recta, continuamos à procura de Faiões. Logo a seguir, uma curva apertada não nos permite distracções de contemplação. Mais um troço de estrada, nova curva e Faiões desaparece… mais acima, já perto de onde uma montanha se vai esvaziando, podemos deitar um olhar sobre Faiões. A vista até nem é desinteressante, mas tende a perder-se na cidade e na veiga. De Faiões, vista do alto, apenas um aglomerado de casas.

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Foi assim durante uns tempos, assim, quando de Faiões tomava apenas a passagem. Mas, talvez fosse necessário abordar a aldeia de outra forma, vê-la de outros ângulos, vista de baixo, desde a veiga… e vai daí, toca a tomar os caminhos da veiga e a deitar um olhar sobre Faiões. O interesse aumenta. Um cruzeiro e, por entre terras de cultivo ou olivais, Faiões mostra um pouco da sua graça, com uma igreja, pequena, mas bem mais interessante que a igreja nova e um aglomerado de casas à sua volta. Se calha, é mesmo por ali que se tem de tomar Faiões. Mas um dia de trovoada, outros de pressa, foi adiando a “incursão” a Faiões, e nas breves passagens, também a brevidade das fotos, mesmo assim, consegui alguns momentos únicos em que a natureza, com a sua fúria, nos brindava com o seu contrates e colorido…mas isto era natureza em revelação e não Faiões.

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Um dia aborrecido de um Domingo qualquer de verão, já fim da tarde, convidou-me a quebrar o aborrecimento, a pegar no carro, máquina fotográfica e partir sem destino. Um momento, contudo, que deveria ser breve e no vai por aqui ou por ali, dei comigo de novo em Faiões, mas desta vez com a intenção de entrar no seu coração, e entrei…

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Pasmado com o que a aldeia ia revelando, quase esquecia as fotografias. Como seria possível nunca ter entrado no coração desta aldeia e durante anos perder estes olhares que a estrada escondia ou desvirtuava… eis uma aldeia que engana na passagem e na qual dá gosto entrar, sacar da máquina e começar a disparar em todos os sentidos e direcções… uma aldeia que merecia uma visita mais demorada e prolongada se necessário fosse, ou de mais visitas para captar todos os olhares que naquele Domingo, já fim de tarde, não permitia.

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E assim ficou agendada a visita demorada a Faiões e, finalmente aconteceu, embora consciente que em questão de fotografia uma tarde de Dezembro saiba a muito pouco e a aldeia merecesse um dia maior e mais luminoso para lhe sacar, ou melhor acrescentar alguma magia aos olhares. Ficaram os olhares possíveis e a vontade de lá voltar com mais luz, de manhã, ao meio-dia, a meio da tarde e no entardecer dos olhares quentes de verão. Faiões enganou-me durante muito tempo, mas já não me engana mais.

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Tome todo o palavreado dos parágrafos anteriores como o intróito ao post de hoje, pois o verdadeiro post, dentro das normas do costume, começa aqui.

 

Fomos então até Faiões, a única aldeia da freguesia com o mesmo nome, a apenas 6 quilómetros de Chaves, isto se considerarmos Faiões apenas a aldeia onde tem as suas casas, pois o seu território começa bem antes, ocupando parte importante da veiga de Chaves, roça o Lameirão e prolonga-se até ao rio Tâmega. Até no seu território, Faiões continua a enganar os distraídos.

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A sua proximidade da cidade faz de Faiões uma freguesia quase urbana, ou mesmo urbana, mas com toda a ruralidade possível que lhe é conferida pelas terras férteis da Veiga, sendo mesmo uma das hortas de Chaves que se complementa com a vinha o olival as árvores de fruto e também alguma floresta. Em suma, poder-se-á dizer que é uma das freguesias que tem quase tudo, urbana e rural, com vale e montanha, próxima de Chaves para quase ser um dos seus bairros, mas com a distância suficiente para manter íntegra a sua condição de aldeia, a sua vida de aldeia, o seu convívio e o pleno ser de aldeia.

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Uma aldeia que está na minha história de infância, à espera do seu pão feito em “trigo de cantos” ou à espera da passagem dos estudantes que em “bando”, enchiam a estrada de bicicletas para o pedalar das aulas no Liceu ou na Escola Indústrial. Eram como um relógio em tempo de aulas e uma delícia vê-los passar desde a varanda do meu quarto ou segui-los até ao Antunes ou Rui das bicicletas…

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Pois a aldeia de Faiões também ficou desde sempre conhecida por dar de comer a Chaves, com o seu pão e o tal “trigo de cantos”, com uma importante moagem e indústria de panificação, esta ainda hoje existente, mas que nos seus tempos áureos, alguém me dizia na aldeia, chegou a ter mais de quarenta padeiros. Talvez por isso, por lá haja gente que alimenta o sonho de ter um museu do pão com toda a história do pão de Faiões e também talvez pela mesma razão exista um ditado associado a este número, que por sinal não é nada abonatório para a aldeia, que a referir-se a padeiros diria que para cima existiam em casa sim casa não, para baixo era tudo a eito.

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Mas se o pão e os padeiros fazem parte da história de Faiões, ela remonta e perde-se na antiguidade. Começando pelo seu topónimo “Faiões” para o qual, como quase sempre, há várias teorias: Leite de Vasconcelos adianta que o nome possa ter origem num genitivo germânico muito antigo. Outros historiadores vão à “faia” e ao seu aumentativo “Faião” cujo plural acabaria em “Faiões”. Como o topónimo é antigo e se perde na sua antiguidade, tudo é possível, mas nenhuma da sua origem pode ser dada com certeza absoluta. Como eu por aqui nestas coisas de topónimos gosto de inventar, a sua origem até pode estar num seu antepassado com dificuldade de dizes os “ésses”, isto muito tempo antes do pão, no tempo do faisões… talvez por isso, popularmente também por cá (no concelho) se gosta de fazer rimar Faiões com outras palavras…invenções e brincadeiras à parte,  continuemos com a sua história.

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Antes, terão de compreender que para meter tanta fotografia num post, hoje 17 fotografias, e muitas ficaram por meter, tenho que ir arranjando palavreado para as separar. Mas sempre que eu esteja a inventar, previamente ou após a invenção, aviso, não vá para aí um artista qualquer incluir as minhas invenções na história de Faiões, como às vezes, distraidamente ou não, acontece. O que vale, é que não sou historiador e nesse campo, ninguém me leva a sério.

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Pois reza ainda a história que nos princípios da nacionalidade portuguesa, Faiões era Couto dos arcebispos de Braga. Aliás (agora sou eu a dizer) estava na moda os arcebispos de Braga viver vir por cá fazer as nossas colheitas, pois Faiões não é caso único no nosso concelho como antigo Couto do arcebispado de Braga. Ervededo, com tenho mencionado nos posts dedicados à freguesia, era outro desses casos. Ou seja, o nosso concelho era fértil em colheitas. Pena que essa fertilidade que ainda hoje existe no nosso concelho, seja deixada para trás ao abandono e não haja comerciantes, como o arcebispado de Braga, que venha cá buscar as nossas colheitas, mas, claro, que ao contrário do arcebispado, as pague para poderem fazer o sustento ou modo de vida com aquilo que temos de bom.

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Há dias, a respeito da nossa “fertilidade” e da nossa agricultura, lia num dos blogues cá da região, embora este até seja made in Inglaterra, feito com a linguagem corrente no nosso dia-a-dia (apenas um aviso para os pudicos) o seguinte: E essa cambada de políticos, de comedores, que andam para aí a passear, que não fazem um caralho, será que não agarram numa dúzia dos agricultores mais finos e os levam à Suíça para ver como é que os gajos fazem? Para verem como é que os gajos, num país cheio de neve e montes, conseguem cultivar mais merdas do que nós e ainda se dão ao luxo de pagar 2000 euros aos empregados! Já nem digo 2000, por que sei que por 1000 euros já os rapazes nem pensavam em emigrar para longe, ficavam logo ali. Mas pelos vistos ninguém sabe fazer agricultura de maneira a pagar sequer uns míseros 500!

Ou andais todos tapados ou sou eu que estou maluco!” – Poderá ler o post completo aqui: http://bloguex.blogspot.com/2009/12/agricula-do-caralho.html

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Vem este post do bloguex ao encontro daquilo que muitas vezes deixo por aqui e também ao encontro da nossa aldeia de hoje, esta com a agravante (para a aldeia) de ocupar grande parte da veiga de Chaves, com terras férteis, das mais férteis de Portugal, com regadio mas onde há parcelas deixadas eternamente de poulo, onde as construções continuam a dar-se bem e onde (que eu saiba) não existe uma única exploração agrícola digna desse nome. Claro que também aqui a culpa, não é dos agricultores que fogem à agricultura, mas na falta de políticas que tornem a agricultura como um meio de vida digno, num concelho que é histórica e essencialmente agrícola, senão leia a história ou perguntem ao arcebispado de Braga.

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Desculpas a Faiões por metê-la nesta guerra, mas também a aldeia sofre dos mesmo males onde a única evolução agrícola que houve, foi substituir o arado por um tractor ou deixar terras de poulo.

 

Continuando com a história de Faiões, onde por lá passava uma importante Via Romana e que mais coisa menos coisa, seguia a trajectória da Nacional 103, a tal estrada que nos atravessa o concelho, que passa também por Faiões e liga Braga a Bragança.

 

Mas ainda antes dos romanos, outros povos deixaram vestígios por terras de Faiões, como o Castro nas montanhas do Corgo, ou objectos que ao longo dos tempos foram aparecendo por Faiões e datados como do período neolítico.

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Também na veiga de Chaves, neste caso de Faiões, no lugar da Carreira da Pedra, foi encontrada em 1975, a estátua menir de Faiões, com contornos de figura humana. Conta a lenda que por ali existe uma cidade submersa e que na lagoa, nos tempos de tempestade, aparecem restos de navios. Valia a pena explorar esta lenda, não vá ser a cidade submersa a “Atlântida” dos sonhos de quando a veiga era oceano atlântico (nunca se sabe, mas sou apenas eu a inventar – quanto à lenda da cidade submersa, existe mesmo.)

 

Voltando à história mais recente, o casario, esse ainda possível de análise como também possível de preservar aquilo que de mais importante tem, o seu núcleo, que pelos vistos passou despercebido ao técnicos fazedores do PDM ou então confundiram-no (dada a proximidade) com Stº Estêvão, tem um interessantíssimo núcleo onde as casas tradicionais da arquitectura rural e típica transmontana, mas também algumas de cariz solarengo, como os da família Sarmento.

 

Família Sarmento de onde é natural o benemérito Dr. António Luiz de Morais Sarmento que mandou construir (sem dúvida alguma) a mais bela escola primária de Portugal como se da Universidade de Coimbra se tratasse e um bairro social para operários.

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Também Faiões ficou na história por ser um dos seus, José Calças, ser o último enforcado em Chaves, no Largo do Tabolado, pelas mãos do também último carrasco, Luís Negro, de terras de Aguiar (Capeludos). Possivelmente também foi o último enforcado em Portugal, pois poucos dias após o seu enforcamento, foi abolida a Pena de Morte em Portugal.

 

E para terminar este breve mas já longo post, ficam os agradecimentos ao meu cicerone da última visita, o Oliveira, antigo Presidente da junta e o homem sempre ligado à vida e desporto da aldeia e, ao Centro Desportivo de Faiões, um dos tais putos estudantes que me passava à porta de bicicleta integrado no bando de Faiões e que mais tarde, aquando eu fiz uma passagem pela DGD. O Oliveira nunca faltava com a equipa dos putos de Faiões.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 04:32
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Sábado, 2 de Janeiro de 2010

Três momentos…em jeito de viagem e poesia por terras flavienses

São as memórias dos sítios e lugares que nos fazem regressar…

 

Aveleda

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O verde, o aconchego,

a luz, um mar paralisado

de montanhas revoltadas, o quase

silêncio,

a distância, o horizonte, o infinito

quebrado pelo mais além…

é lá que se volta sempre quando se quer respirar a pureza do olh(ar)…

 

Póvoa de Agrações

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Regressamos às profundezas

das montanhas,

lá bem no alto. Tamanha contradição

feita das contradições dos dias. A pacatez

aparente é sempre assolada, quebrada, cortada

pela invisibilidade do ar que se vê escuro

e frio,

leve e

carrascão,

iluminado

e quente ou

pesado de suão…

é lá que se volta sempre quando se quer colher a força resistente dos que resistem…

 

Soutelinho da Raia

.

.

E a um passo de distância,

está toda a distância do mundo.

Deitada nas faldas

de um Deus,

atinge a altura da pureza vestida

do mais fino branco vertido

no plano de um pano que

por ser das faldas,

não atinge o gume

do cume

e por isso se vale,

do lume

que aquece e

alumia  

por lá no alto,

não ser do vale…

é lá que se volta sempre quando se quer sentir as alturas e o rigor dos deuses…

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:42
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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Hoje há Torga

 

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Chaves, 12 de Setembro  de 1983

 

Resguardo

 

Quero-te num poema,

Viva e transfigurada.

Sentada

No banco dum jardim

De versos outonais,

A ver horizontes irreais

Sumir-se o tempo, o burlador

Do amor,

Que diz que volta, mas que não volta mais.

 

Miguel Torga, in Diário XIV

 

 

 

 

Chaves, 30 de Agosto de 1990

 

É escusado teimar. A ser banal, a dizer banalidades e a pensar banalidades é que o português é português.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:38
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Hoje há feijoada com ferro e betão

Sempre que aos fins-de-semana este blog vai até uma aldeia, é sempre aqui referido o despovoamento das mesmas, o abandono do casario antigo e o envelhecimento da população e tudo isto ligado ao êxodo das populações rurais, cujas causas são mais ou menos conhecidas e que, já por si, são difíceis de contrariar, tanto mais quando não há políticas interessadas em que tal aconteça.

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O destino das populações rurais tem sido as cidades e, se antes do 25 do Abril o destino desse êxodo era a emigração para o estrangeiro, a partir dessa data o destino também passou a ser o das nossas cidades, incluindo a nossa de Chaves.

 

Assim, um "boom" na construção era mais ou menos previsível. A cidade de então não suportava tanta gente, eram necessárias novas habitações e, elas começaram a surgir e da pior maneira, ou seja, em torres de betão … mas deslumbra, a população flaviense assistia à chegada da modernidade…

 

O problema é que nem sempre o crescimento e modernidade das cidades são sinónimo de progresso, principalmente quando esse crescimento é feito sem regras e medidas que aliado a um agressivo interesse imobiliário e outros interesses, semeio betão e com ele é semeado também o atabalhoamento e a desorganização, mas pior ainda, com custos para todos nós.

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Infelizmente a cidade cresceu sem qualquer planeamento e,  se algum houve, não foi de parte das autoridades responsáveis e interessadas, mas dos agentes económicos ligados ao interesses imobiliários e da construção, que fizeram de Chaves uma mina de ouro com custos reduzidos.

 

Todo este boom da construção seria aceitável se integrado numa cidade planeada, não só em termos de ocupação do solo mas também em termos de necessidades e limitações que estão ligadas ao crescimento das cidades, como infra-estruturas básicas e outras ligadas à saúde, ao ensino, ao ambiente, aos transportes e comunicações,  ao lazer e bem estar, mas também e ainda outras tão ou mais importantes e que estão ligadas ao aspecto social, como o trabalho, a cultura e juventude, a velhice e infância.

 

Planeamento para uma cidade em crescimento exigia-se, mas não o houve e, infelizmente continua a não haver.

 

Claro que por aí ainda há quem fique deslumbrado com este crescimento, principalmente para quem confunde crescimento com progresso e não se dê conta que todo este crescimento só serve para enriquecer meia dúzia e empobrecer-nos a todos, incluindo a autarquia, que neste capítulo, perde muito mais do que aquilo que ganha e, a ganhar, só em problemas,  investimentos e custos,   que deveriam ser suportados ou comparticipados pelos senhores do crescimento. Custos para a autarquia e o mesmo será dizer, custos para todos nós e com a agravante de a nossa qualidade de vida piorar.

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As contas e os custo do crescimento até são fáceis de fazer, bastava contabilizar os investimentos que a autarquia  e o estado fez em paralelo ao crescimento com a construção de novas vias, pontes, escolas, centros de saúde, hospital, redes de saneamento básico, abastecimento de água, recolha e tratamento de lixos, etc. Mas contabilizar também o investimento e custos que se fez nos anos do crescimento em quase uma centena de escolas nas aldeias e que agora estão fechadas e num hospital que não funciona, por exemplo.

 

Mas o que mais custa no meio disto, para além dos custos que nos sai do bolso a todos, são os incómodos que provocam, principalmente na falta de infra-estruturas de apoio como uma rede de transportes públicos que não existe, a falta de lugares de estacionamento ou mesmo de paragem onde mais são necessários e aqui saliento alguns locais onde o caos se instala todos os dias, como junto ao Centro de Saúde nº2/GNR/Escola Profissional onde há uma concentração de serviços e instalações e não existe um único parque de estacionamento. Tal também acontece junto às principais escolas, principalmente as que estão mais próximas da cidade (Estação, Santo Amaro, Nadir Afonso, Caneiro, Júlio Martins) onde nas horas de ponta, são as vias de circulação que servem de paragem e estacionamento, chegando mesmo a bloquear o trânsito, como no caso da Nadir Afonso.

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Mas também outros males estão ligados ao crescimento e um deles é o abandono habitacional do Centro Histórico que por sua vez leva à deterioração dos prédios,  deixando muitos deles em tão mau estado que não andará longe a ameaça da ruína.

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Mas para além de tudo isto que foi abordado há algumas perguntas que se impõem:  Todas estas novas construções estão habitadas? Quantas habitações existem no concelho? Quantas habitações existem na cidade? Quantas famílias existem no concelho? Porquê se continuam a construir habitações? O que vai acontecer com estas torres de betão daqui a 40 ou 50 anos?

 

Os dados existem e são acessíveis a todos. Seria bom que fossem estudados e analisados.

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Claro que há desculpas para todos os problemas e um deles, que muitas vezes os responsáveis apontam, é o de não haver meio de travar estes problemas porque a legislação os permite. Mas isto é um bocadinho como o gato quando se lembra de andar atrás da cauda, pois quem faz a legislação e os regulamentos são os próprios responsáveis que depois acabam por se queixar dela e depois há os contornos às Leis, mas também aqui, tal como os “chicos espertos” a contornam, também os responsáveis a podem contornar, e tudo dentro da legalidade como convém. É sabido (por exemplo) que em Chaves os loteamentos de terrenos para construção de moradias, praticamente não existem, embora existam.  Os terrenos individuais (prédios), tal como as pessoas, também se reproduzem e dão lugar a novos indivíduos, com tudo direitinho, com registo na conservatória e tudo. Pois tal como nas pessoas, agora também não há terrenos zorros. É sabido que caso um processo de loteamento seja tratado como deve ser, ao loteador cabe executar as infra-estruturas necessárias e levar até esses terrenos as infra-estruturas necessárias. Não sendo loteado legalmente, os terrenos vendem-se na mesmo ao preço de loteado, sem infra-estruturas iniciais, mas que mais ano menos ano, a Câmara, EDP, Telecom e outros, lá as farão chegar, a custo zero para o loteador. Um bom negócio que toda a gente conhece e do qual todos se aproveitam e que também todos acabaremos por pagar.

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Também aparentemente parece não haver forma de parar o crescimento (sem progresso). A lei e outros interesses permitem-no. Mas sem inventar nada, pois a fórmula já existe e é aplicada em países ditos civilizados (e também cá quando interessa), pode-se travar legalmente este crescimento atabalhoado. Como!?, simplesmente comprando os terrenos que não interessam urbanizar. Aparentemente mais caro, sairia na maioria dos casos bem mais barato à autarquia.

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Mas enfim, enquanto uma velha cidadade vai morrendo, uma nova vai nascendo, mas por cá, toda a gente parece estar contente com a nova modernidade sem progresso de uma cidade que cresce em betão e que nos sai bem cara, a todos! Mas só alguns lucram com ela.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:19
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Sábado, 12 de Dezembro de 2009

Chaves Rural e os Sabores dos Saberes

Estes

são os sabores e saberes da terra

os saberes da semente arrecadada

os saberes de a depositar na terra

os saberes de deixar passar os dias

os saberes dos tempos certos

os sabores das colheitas

os saberes e sabores

do chão e do grão

.

Loivos - Chaves

.

Se pudessem dispensar o corpo

Bastavam-lhe o saber das mãos


.

Gondar - Chaves

 

E com os sabores e saberes da terra

Tiram saberes da semente arrecadada

E com saberes a fazem farinha

Com saberes ela é amassada

e no saber do deixar passar as horas

dos saberes dos tempos certos

dão aos sabores das colheitas

os sabores dos saberes

do grão que entra e sai do chão

que amassado  entra no forno

para colher o sabor do pão

 

 

Tronco - Chaves

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:16
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