Sexta-feira, 19 de Maio de 2017

Discursos sobre a cidade

SOUZA

 

CENTENÁRIO DA PARTIDA DO 1º BATALHÃO DO RI 19

PARA A FLANDRES-GRANDE GUERRA

 

 

Numa publicação, saída na Revista nº 50 do Grupo Cultural Aquae Flaviae, dávamos conta não só do contexto nacional deste conflito como referíamos a participação dos militares do Regimento de Infantaria 19 (RI 19) na Grande Guerra.

 

No próximo dia 23, por ocasião dos 100 anos da partida do 1º Batalhão do RI 19 para a Flandres/grande Guerra, será lançado, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal de Chaves, o livro da nossa autoria Grande Guerra - Enquadramento Internacional.

 

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Deixamos aqui aos nossos(as) leitores(as) as singelas palavras do Prefácio que, em 2015, escrevíamos:

 

“Quando nos debruçamos um pouco, e refletimos, sobre a Grande Guerra - o acontecimento mais marcante à entrada do século XX - vemo-la como um enorme terramoto, que abalou e transfigurou, de uma forma profunda e determinante, a Europa, continente dominante e hegemónico em todos os setores da atividade humana - social, cultural, científico, técnico, económico e financeiro.

 

Era uma Europa aristocrática, arrogante, imperialista, ciosa do seu poder, orgulhosa do Progresso, que julgava sempre incessante e ilimitado, e que dominaria tudo quanto à face da terra existisse.

 

À superfície, na placidez desse mundo, fervilhava uma sociedade que, cuidando de viver no melhor dos mundos, gozava a sua Belle Époque.

 

Tudo isto simplesmente se passava à superfície.

 

As principais «placas» em que aquele mundo assentava (império inglês, alemão, francês, austro húngaro e russo, e o moribundo otomano) começavam a movimentar-se. E seus movimentos pressagiavam um fin de siècle em que tudo poderia deixar de ser como dantes.

 

A era da Razão e do Progresso, científico e tecnológico, sem limites, iria dar lugar à ubris, à loucura e catástrofe.

 

Bastava agora apenas um simples movimento em qualquer ponto mais sensível de uma das «placas» para tudo começar a desmoronar-se.

 

E, inopinadamente, num remansoso verão em que as classes possidentes e dirigentes vão de férias, a banhos, um outro banho, de sangue, começa a acontecer!

 

Sarajevo foi o epicentro desse enorme terramoto que, em longas e profundas ondas de choque, se alastrou por toda a Europa e pelas áreas desse mundo por ela dominado.

 

Uma Europa ébria, incontida, cega às consequências das sucessivas decisões que se iam tomando, lançando, em massa, toda uma geração de uma juventude promissora, na fornalha de aço que a metralha, que veio com o Progresso, gerou.

 

Era o princípio do fim de uma civilização a quem faltou o bom senso e a lucidez para pugnar pela construção de uma sociedade outra, numa convivência pacífica de povos”.

 

O Mundo e a Europa em que hoje vivemos foi moldado pela Grande Guerra (I e II Guerra Mundial).

 

Cremos que as palavras por nós escritas há dois anos têm pleno cabimento nos tempos por que passamos, exigindo de todos nós, numa sociedade tão outra que criámos, mas com os mesmos velhos problemas, melhores mecanismos de controlo, muita mais clarividência e lucidez, não só para evitar as calamidades que por várias áreas do Planeta proliferam, como para vivermos numa sociedade sem hegemonias e na aceitação igual e plena das diversas diferenças, do outro diferente.

 

Só assim é que o sacrifício e as vidas perdidas dos nossos antanhos de há 100 anos terão algum sentido e valido a pena.

 

António de Souza e Silva

 

 

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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2015

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

GIL

 

Curiosidades da Grande Guerra

 

Falar, escrever ou estudar a Grande Guerra (GG) é matéria que me prende. Primeiro porque pouca coisa se sabe sobre a participação portuguesa na GG e o que se sabe pouco ou nada se valoriza; depois porque, pese embora estar volvido um século sobre o seu início, algumas das suas consequências ainda nos são muito próximas. Também porque quanto mais se descobre mais admiração merecem os heróis portugueses e em particular os flavienses que nela participaram.

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 Gil Santos numa apresentação do seu livro "A Saga de um Combatente na I Guerra Mundial"

 

Já publiquei bastante sobre a GG, inclusive neste espaço. Não me cansarei de continuar a fazê-lo, enquanto me derem essa oportunidade e for capaz de cantar, como sei, a saga desses heróis que a pátria, ingrata, lembra nesta moda do centenário.

 

Sobre esta guerra há curiosidades que merecem atenção e nos ajudam a perceber quão penosa deveria ter sido a participação destes homens humildes, arrancados às suas terras e ao seu gado, num país longínquo e estranho, a lutarem por uma causa que ninguém lhes explicou e contra um inimigo cujas ofensas não vislumbravam. Até por isso foram heróis e merecem a nossa admiração e, sobretudo, o preito de homenagem que sejamos capazes de emprestar à sua memória.

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 Cerca de três quartos da população portuguesa em 1917 não sabia ler nem escrever. Também por aqui se pode avaliar que os nossos soldados não sofriam apenas com os tiros e as bombas, o frio a fome e a doença. Também o isolamento da família e dos amigos os martirizava. E mesmo quando um dos muitos analfabetos queria mandar uma carta, confrontava-se com dois sérios obstáculos. O primeiro era o de arranjar quem lha escrevesse e ter de pagar por isso e outro o de assegurar que o que se escrevia passava na censura militar a que as carta estavam sujeitas.

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Por isso delicie-se o leitor, como eu me deliciei, com uma carta censurada que o soldado José Martins, natural de Casas Novas, em Chaves, escreveu, ou pediu que escrevessem, para a sua mãe Baltazara Correia:

 

frança, 11 do 8 de 1918

Minha Crida e Saudosa mãe Com muito gosto e prazer lancei mão ha pena Somente para Saver da sua emportente Saude e Juntamente a toda a nossa familia pois que eu fico bem Graças A Deus minha mãe tenho [ilegivel] que [ilegivel] de licença peço-lhe que me mande 30 milrreis que com algum que eu tenho para ver se lá vou que este dinheiro não se gasta todo mas é preciso mostralo [ilegivel] Alguma demora / Pellos Cumboios tellos para gostar não esteja arreperare para a diracão mande-mo o mais breve que possa que tem de vir num chéque mande-mo numa carta rezistada que elle não-se perde que os meus colegas tambem o teem recevido aver-se vou a essas terras que estes lêdroes não nos deixão lá ir que as tropas já-se revoltarão que até os entregarão as englezes que eu [riscado] ahi não gostava de ver os defuntos mas agor já não me custa nada que se vêêm morrer todos os dias. / Minha mãe tenho para lhe dizer que no dia nove de abril que tevemos um combate que tivemos de Cavar todos que todo o C.E.P. cavou e se os Alemães dão outro avanço o C.E.P. acavou que atté tive de [ilegivel] a minha roupa toda que ande-mos 5 dias que não comemos nada e a nossa roupa da cama era o chão andemos 22 dias com mantas e a nave e o gelo a cair que o encoento nos escapemos muitas graças que muitos meus camaradas lá ficarão como foi o Antonio Pialho que ficou com a cabeça cortada. E o Albaro da tia Izabêl tambem morreu ó está prezioneiro e o Elias e outro cabo de Rebordondo estes morrerão da nossa terra hôra o José Chiscaro ficou bôm e o Antonio Jorge ficou sem novidade que eu estive depoes do combate com elles agora já há muito tempo que não estive com elles e não esteja com quidado em mim que eu estou muito longe das trinxeiras que estou ao pé de Paris num depozito de bagagens não me falta couza alguma muitos abraços deste Seu filho José Martins. A Deus A Deus”.

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 Papel de carta

 

Também os militares, em contacto com a novidade da língua francesa, queriam mostrar à família que já sabiam falar e escrever francês. Veja-se o exemplo seguinte de uma carta escrita por José Papagaio à sua irmã para mostrar que já dominava o franciú:

 

“France, 2-2-1918

Ma chere frére:

Te participe que muá parlè tré bian le franciú. Há bocú de madamuaseles joli. Mangè tujur cornobife è une cigarrete à jur. Camones tré simpatiques, muá achete á un anglé un par de palhetes até ô genú aveque cordons è muá doné á lui une garrafe de picles.

Muá émé agore un madamuasele è apre la guerre fini partir Portugal aveque muá fiancé. Les mules du Parque boné santé.

Bocú de souvenirs de ta frere.

 

José Papagaio

 

E esta escrita para uma namorada francesa:

 

“Laventi 15/9/1917

Mademousel Catherin

Moá goute que vu dite se gout de fiancê avec moa.

Moá esperê que vu reponde a moá na bolta de lá posta. Escusamoá de moá nam enqurêr bien Francês.

Andreer de moa”

 

Belarmino de Figueiredo

Soldado nº459, 3ª Compª Inf 14

 

Também a sexualidade dos combatentes, muito bem abordada na obra Das Trincheiras com Saudade de Isabel Pestana, é dos aspetos mais curiosos e menos estudados da guerra. O jogo da sedução ocupava grande parte do tempo livre dos militares. O fenómeno explica-se por uma complexa multiplicidade de fatores, aos quais não será estranho o afastamento prolongado das esposas e das namoradas, a idade dos combatentes e ainda o espaço essencialmente masculino e militarizado da zona de guerra. Esta brutalidade do conflito armado contrastava com a simpatia das demoiselles francesas que, avidamente, procuravam para reparação das emoções esfrangalhadas. A língua falada, curiosamente, não constituía qualquer obstáculo quando se ansiava ferir, com a seta do Cupido, o coração das donzelas da Flandres. O françanhês ou patoá, mistura esquisita da língua pátria com o francês, servia, a preceito, a comunicação dos sentimentos e dos afetos. Diferentes técnicas de sedução eram utilizadas de acordo com a arte e o engenho de cada um, confundindo-se neste jogo o sedutor e a seduzida.

 

Vejamos:

 

“Voltei-me para ela [casada mas com marido na linha da frente francesa] e disse-lhe: Moi nuit bater com os dedos no fenêtre ... Compris? (E o soldado acompanha a expressão fazendo modo de bater como os nós dos dedos). Vous faire assim com fenêtre ... Compris ? (e o “Lisboa “ faz com as suas mãos o gesto de quem abre uma janela) e moi. moiselle (remata o “Lisboa”, dando um assobio e escaulindo uma mão pela outra) tout de suit. compris ?”

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 José Rodrigues dos Santos no seu romance A Filha do Capitão, descreve a este propósito da sexualidade, uma situação caricata que é paradigmática do papel que o sexo podia desempenhar no equilíbrio emocional dos homens combatentes e que também mostra bem a miséria a que se sujeitavam os nossos combatentes:

 

“Os lãzudos caminhavam agora pelos movimentados passeios da principal avenida de Merville. (…) Seguiram pela avenida até chegarem a um edifício cor de tijolo perante o qual se aglomerava um considerável número de soldados, era a porta do bordel, Le Drapeau Blanc.(…).Os soldados faziam fila, eram à vontade, mais de uma centena (…) cada um esperando a sua vez.. (…) O bordel tinha sido montado pelas próprias autoridades francesas para servir as tropas daquele sector e o Drapeau Blanc era apenas um dos muitos existentes na retaguarda das linhas aliadas. Havia bordéis para oficiais, mais discretos e caros, (…) os soldados contentavam-se com versões industrializadas e despachadas, (…) verdadeiras fábricas de sexo massificado e em série.

– Então? (…) vieram às buscates?

– Viemos pois, – confirmou (…)Victor.

– Mas ainda vai levar um bom bocado.

– Quantas buscates estão lá dentro?

– Disseram-me que são três.

– Somos cento e vinte e elas são três, dá quarenta homens para cada buscate. A cinco minutos cada pinadela, dá duzentos minutos, mais coisa menos coisa, (…) portanto só temos de espera três horas.

E é se queres! – riu-se Victor.”

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Quem tiver interesse por este tema, muito mais poderá ouvir no lançamento em 2ª edição do livro A Saga de um Combatente na I Guerra Mundial – de Chaves a Copenhaga, que acaba de sair, e que vai ser lançada em Chaves na Biblioteca Municipal, a 31 de janeiro.

Gil Santos

 

 

Nota: Todas as imagens publicadas neste post  foram fornecidas por Gil Santos.

 

 

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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Discursos sobre a cidade - Por António de Souza e Silva

SOUZA

 

HOMENAGEM AOS NOSSOS VIRIATOS CENTENÁRIOS

 

Quando nos debruçamos um pouco, e refletimos, sobre a Grande Guerra - o acontecimento mais marcante à entrada do século XX - vemo-la como um enorme terramoto, que abalou e transfigurou, de uma forma profunda e determinante, a Europa, continente dominante e hegemónico em todos os setores da atividade humana - social, cultural, científico, técnico, económico e financeiro.

Era uma Europa aristocrática, arrogante, imperialista, ciosa do seu poder, orgulhosa do Progresso, que julgava sempre incessante e ilimitado, e que dominaria tudo quanto à face da terra existisse.

À superfície, na placidez desse mundo, fervilhava uma sociedade que, cuidando de viver no melhor dos mundos, gozava a «sua» Belle Époque.

Tudo isto simplesmente se passava à superfície.

As principais «placas» em que aquele mundo assentava (império inglês, alemão, francês, austro húngaro e russo e o moribundo otomano) começavam a movimentar-se. E seus movimentos pressagiavam um «fin de siècle» em que tudo poderia deixar de ser como dantes.

A era da Razão e do Progresso, científico e tecnológico, sem limites, iria dar lugar à ubris, à loucura e catástrofe.

Bastava agora apenas um simples movimento em qualquer ponto mais sensível de uma das «placas» para tudo começar a desmoronar-se.

E, inopinadamente, num remansoso verão em que as classes possidentes e dirigentes vão de férias, a banhos, um outro banho, de sangue, começa a acontecer!

Sarajevo foi o epicentro desse enorme terramoto que, em longas e profundas ondas de choque, se alastrou por toda a Europa e pelas áreas desse mundo por ela dominado.

Uma Europa ébria, incontida, cega às consequências das sucessivas decisões que se iam tomando, lançando, em massa, toda uma geração de uma juventude promissora, na fornalha de aço que a metralha, que veio com o Progresso, gerou.

Era o princípio do fim de uma civilização a quem faltou o bom senso e a lucidez para pugnar pela construção de uma sociedade outra, numa convivência pacífica de povos.

Um pequeno país, «à beira mar plantado», nesse extremo ocidente da Europa, prenhe de orgulho da sua gesta histórica, de sulcador de mares, e que deu a conhecer novos mundo ao Mundo, dormia numa letargia de séculos, sonhando com um passado áureo, mas, inconsciente ou anestesiado, mergulhado no mais puro dos obscurantismos, vivendo de «esmolas» de outros impérios que prosperaram à sua sombra, porque, do seu, nenhuma riqueza consistente e duradoura tirara grande proveito e conseguira construir, a não ser o fausto, que classes ociosas amplamente desperdiçavam.

Cheio de grandezas passadas, mas carente de vontade, engenho e arte, firmeza e determinação para, arregaçando mangas, «botar novos barcos» ao mar, sulcando-o com novos navios em novas águas, ficou presa fácil das aves de rapina apostadas a nem lhe deixarem os brincos das orelhas ou as alianças dos dedos e, quiçá, sem o seu próprio e humilde casebre.

Uma geração nova, aguerrida, inconformada e radical, ao contrário das gerações anteriores que a precederam - tão brilhantes de pensamento, mas Vencidos da Vida, incapazes de dar corpo às suas generosas ideias - toma as rédeas do leme do barco e tenta levar por diante o sonho, tão acalentado, de um novo navegar, em ordem a uma nova «regeneração».

Mas - o tempo veio a prová-lo - ainda não estava suficientemente madura, preparada, para enfrentar os novos e grande embates que tinha pela frente.

Na construção desse novo remar, cada cabeça, sua sentença. Era a babilónia de ideias, programas, projetos e de personalidades que, à partida unida, cedo veio a provar que estava completamente dividida, sem um projeto matricial que os unisse, a não ser a sua radical oposição a tudo quanto cheirasse «ao do antigamente».

Perante a grandeza da missão a que se propuseram levar a cabo, foram incapazes de encontrar um mínimo traço de união. E, assim, ao primeiro obstáculo ou problema, a dissensão e a discórdia.

Embora determinados na construção de um novo porvir, esqueceram-se daqueles - e eram muitos - para quem esse porvir deveria ser dirigido. E, a um autoritarismo de duas cores e uma bandeira, outro surgiu, de duas cores diferentes, com outra bandeira também diferente. De matriz bem diferente, a I República, pese embora os seus profundos ideais generosos de mudança, na essência prática, pouco mudou. Foi o estertor final do liberalismo novecentista. No meio, um povo servo, analfabeto, à espera de condutores que o entendessem, escutassem e, com ele, com um novo processo, construir um «novo mundo», um novo porvir.

Infelizmente também o mundo que o rodeava, na aparência tão desejável de um bom viver, estava, nas suas profundas entranhas, com enormes contradições, conflitos e convulsões, em profunda mudança.

Poucos, fracos estrategas, e tão distantes do povo - pois só a «rua» não bastava! - facilmente se deixaram corromper por processos e métodos herdados dos tempo da outra «velha senhora».

E o povo novamente se sentiu servo - se é que algum dia o deixou de ser - e continuou presa fácil daqueles que, durante décadas ou séculos, o subjugou e dominou, com o beneplácito e a ajuda militante de uma «santa madre igreja» que todos os dias martelava que o paraíso não está aqui na terra, que este lugar era uma simples passagem.

Sem que os seus grandes protagonistas o desejassem, inconscientemente, levaram-nos para um mundo que não desejam viver, reproduzindo uma sociedade de «escuridão» e «servos» pelos quais tanto se havia lutado para a abandonar...

Aos problemas que internamente se viviam, as ondas de choque que o terramoto da Grande Guerra provocou veio ainda mais agravá-los. Mas, para alguns, aquela catástrofe que se estava desenrolando, alimentou a esperança de, na sua destruição, poder vir a transformar-se numa solução redentora.

Massas enormes de serranos, lãzudos, incitados para terem alma de novos Nun’Álvares, entraram naquela fornalha para defenderem as sobras, mal aproveitadas, daquilo que era nosso, de um império que outrora fora grande, gerado por um povo tão pequeno e uma terra tão estrita, que até parecia um milagre. Naquela altura, a alma era bem grande. Mas agora, não! E a nossa vizinha, e rival, agora sem o império das américas, espreitava pela oportunidade de ganhar o terreno perdido nos longínquos tempos da mourama.

Urgia, pois, entrar naquela fornalha de aço e, num esforço de sobrevivência (colonial, nacional, de defesa do berço pátrio e de reconquista de um lugar no concerto das nações) estar ao lado dos nossos, nem sempre impolutos, honestos e fiéis, aliados de sempre.

E quantas amarguras este esforço global e brutal nos trouxe! Por nossa culpa e por demasiada cobiça alheia.

Uma singela região e vila, encarnando nas suas gentes, e na sua guarnição militar, o espirito do dever, porque imbuída dos ideais dessa «nova era», desse novo sonho, que ajudou ativamente a criar, dando a machadada final naquele regime que não nos queriam deixar sonhar por um novo mundo, contribuiu com a sua quota-parte para a nossa sobrevivência como povo.

Gentes habituadas já à diáspora sabiam quanto de valor afetivo e simbólico tinham aquelas paragens africanas; paredes meias com um ávido estado vizinho - mas vivendo em boa paz e harmonia com as gentes, suas iguais, que apenas as separavam um traço legal de fronteira, partilhando a mesma terra e a mesma veiga fértil - não estavam, contudo, dispostas a «servir» outro amo senão aquele que, ao longo dos séculos, por sua livre vontade escolheram.

Por isso, quando lhes dizem da ameaça que sob o solo pátrio pendia, não hesitaram dar os seus filhos, os seus maridos, os seus noivos ou namorados aos diferentes campos de batalha onde Portugal - lhes diziam - se decidia.

Olhos rasos de lágrimas, corações partidos, e repletos já de saudades à partida, acompanharam os seus homens, que tanta falta faziam ao lavor da terra, até ao último adeus na parada da vila, na marcha pelas povoações por onde passavam, ou no arrancar dos comboios que, em 1915 e 1917, de Vidago, partiram para terras longínquas.

Saíram simples, analfabetos a maioria deles, rudes e humildes trabalhadores da terra e pastores dos montes, para serem transformados em bravos, heróis de uma guerra que não lhe conheciam o jeito, que nem em sonhos ou fantasia adivinhavam o seu poder destruidor.

Alguns por lá ficaram; outros vieram doentes; alguns estropiados; muitos conheceram o cativeiro e, os que vieram, vinham diferentes. Tinham uma história para contar e partilhar. Mas não com todos, pois não a compreenderiam. Apenas com seus camaradas-irmãos, que tiveram a mesma feliz sorte de sobreviver aquele inferno. Foram esses os seus confidentes privilegiados, com quem partilhavam aqueles dias de dor, sofrimento, horror e carnificina. Os familiares e amigos respeitaram o recato íntimo das suas memórias.

Sabemos que não foi uma história de glória e de conquista. Foi uma história triste, sofrida, muito sofrida e, sabe Deus com que mágoa, por tantos tão incompreendida e tão depressa esquecida.

Mas não é só de vitórias que se faz um povo. É também na suprema dor da derrota que mais nos sentimos próximos e irmanados. Porque o que conta é a luta por um ideal em que acreditamos. E a Vida dos nossos antigos combatentes de há cem anos foi dada por esse ideal e pelo dever de o cumprir. E é por ele, pelo Portugal que hoje somos, que a nossa História, e parcelas da mesma, deve ser relembrada. Para sabermos donde vimos e como aqui chegámos. História que, tal como a vida, tem tristezas e alegrias, dor e sofrimento, festa e dias de luto, comemorações, vitórias. E também derrotas.

As nossas lutas em África e na Europa, ao contrário do que muito dizem, não foi um segundo Alcácer-Quibir. Em Alcácer-Quibir perdemos um rei e a nossa independência. Nos tórridos areais e savanas africanas e na gélida planície da Flandres, perdemos parte da flor da nossa juventude, mas restou Portugal inteiro, incólume.

Aos bravos que há cem anos se bateram pelo Portugal que hoje somos devemo-nos curvar em respeito pelo seu sacrifício, conhecendo e respeitando a sua memória. E honraremos a sua memória, como cidadãos, lutando militantemente pela paz contra a guerra, e com o dever ingente de, cada vez, mais e melhor, pugnarmos por um Portugal mais moderno, desenvolvido, e mais justo para todos.

António de Souza e Silva

 

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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

 

Coisas da Grande Guerra

 

A Primeira Grande Guerra entre 1914 e 1918, uma guerra de posições, desenrolou-se sobretudo em solo francês com o estabelecimento da Linha Maginot. Confrontava-se o império Alemão (apoiado pelo império Austro-Húngaro, a Turquia e a Bulgária, formando o Bloco Central) e o resto do mundo. Muitos países mantiveram a neutralidade como foi o caso de Portugal numa fase inicial. Contudo, por força de diversos e complexos factores e contrariamente ao que aconteceu na segunda Guerra Mundial entre 1939 e 1945, Portugal participou na Grande Guerra diretamente, sobretudo para manutenção do seu império colonial, com o envio, só para a Flandres, a partir de Janeiro de 1917, de mais de 56 mil homens.


A declaração de guerra a Portugal teve origem no facto da Inglaterra, nossa histórica aliada, ter pedido, a 9 de Fevereiro de 1916, que aprisionássemos os navios alemães que se encontravam fundeados em portos nacionais[1]. Afonso Costa anuiu ao pedido inglês, aprisionou os navios e forçou a Inglaterra a invocar a aliança e a aceitar a intervenção de Portugal na guerra. A 9 de Março, o ministro alemão Friedrich Von Rosen, entregou no Ministério dos Negócios Estrangeiros a Augusto Soares a Declaração de Guerra contra a nação lusa. Portugal estava formalmente envolvido no conflito, à revelia da vontade inglesa, pouco disposta a conceder-nos um lugar na frente. O exército, apanhado desprevenido, reagiu mal. De imediato se iniciaram os preparativos militares, uma vez que os acontecimentos tinham posto termo às negociações diplomáticas.


Deu-se início o processo de mobilização. Decidiu-se utilizar o Polígono de Tancos para a instrução das tropas. Formou-se, com o apoio financeiro britânico, o Corpo Expedicionário Português – cep, dedicando quase todo o ano de 1916 à sua preparação intensiva. Segundo o plano aprovado pelo Estado Maior, o cep deveria constituir um Corpo de Exército com comando próprio num total de 55 000 efectivos.




O comando de uma primeira divisão de instrução reforçada, com um total de 20000 homens, foi entregue ao general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva. Apesar da falta de meios, da inexperiência em contexto de guerra de trincheiras e do pouco tempo disponível para a instrução, conseguiu a preparação básica para a guerra que havia de se completar na Flandres. Este facto constituiu aquilo a que os republicanos guerristas chamaram o milagre de Tancos.


Ao que particularmente nos interessa e que respeita ao Regimento de Infantaria 19 de Chaves, a participação não se encontra autonomizada uma vez que não foi unidade mobilizadora enquanto tal, antes integrou os seus de militares noutros Regimentos, como nos diz Montalvão Machado:


“Nenhum dos Regimentos de Chaves [cavalaria e infantaria] tomou parte directamente em qualquer das campanhas da primeira Grande Guerra Europeia. Porém os seus soldados e oficiais nela intervieram largamente integrando outros batalhões de outros regimentos, e sempre de forma a deixar memorável a sua presença nas diversas frentes da batalha”[2]

 

No entanto e apesar disso, a mobilização das forças deste Regimento, sediado nas atuais instalações do Museu Flaviense, deu-se em quatro momentos:


O primeiro constou da mobilização para Moçâmedes, no sul de Angola, em inícios de Janeiro de 1915. A 17 de Janeiro as praças foram sorteadas, a 24 regressaram do período de gozo de licença, a 28 seguiram para Lisboa, a 31 embarcaram para África e a 31 de Março de 1916 regressaram a Chaves com apenas três baixas.


Muito interessante é o facto de podermos ver em filme o desfile destas tropas sobre a ponte de Trajano em https://sites.google.com/site/zerbadas/de-chaves-a-copenhaga---a-saga-de-um-combatente/portugueses-na-trincheiras




O segundo momento resultou da mobilização do 1º Batalhão para a Flandres que largou de Chaves às 24 horas do dia 21 de Maio de 1917, integrando alguns oficiais e praças regressados da campanha de África no ano anterior. Constituiu o 2º Depósito de Infantaria do cep. Vejamos a Ordem de Serviço nº 139 que no dia anterior mandou publicar o comandante desta unidade, o devoto republicano coronel Augusto César Ribeiro de Carvalho:


regimento de infantaria nº 19

Chaves 20-Maio-1917

Ordem de Serviço nº 130


“Devendo marchar para Vidago amanhã à meia noite o 1º Batalhão dêste regimento, afim de seguir ao seu destino, constituindo o 2º Depósito de Infantaria do cep determino que se observe o seguinte:


a) Amanhã ao toque do recolher as praças comparecerão com o uniforme de campanha (dolman e calção de lã, grevas e 1º barrête) e a essa hora terão já o capote colocado na mochila e dentro desta e no saco, todos os artigos de fardamento que lhes estão distribuídos.


b) Em seguida à chamada, as praças receberão a ração fria, a ração de reserva e o vinho, devendo a distribuição ser feita por secções, afim de se efectuar com a maior rapidês, procedendo-se em seguida á distribuição do café.


c) Às 22h 3om as praças estarão em forma completamente equipadas e conduzindo cada qual o seu saco para fardamento e em seguida conduzidas á parada do quartel, onde o Batalhão se achará formado ás 23 horas.


d) É absolutamente proibida a entrada no quartel, desde o toque do recolher, a indivíduos da classe civil.


e) Comparecerão no quartel ás 23 horas todos os oficiais e sargentos do regimento que não mobilizaram. Comparecerá também a Banda de Música com o uniforme nº 5, afim de acompanhar o Batalhão até fora da vila.


f) Amanha à hora da parada da guarda serão rendidos todos os cabos e soldados mobilizados que estiverem de serviço nas companhias, por praças não mobilizadas, os quais tomarão conta dos artigos em carga nos diferentes alojamentos e pela sua existência ficarão responsáveis.


Os senhores comandantes das companhias mobilizadas mandarão hoje para a secretaria nota do número de praças não mobilizadas de que necessitam para os diferentes serviços.


g) Antes da marcha os senhores comandantes das companhias entregarão relações das praças que faltarem à chamada”[3]

 


Este Batalhão, tal como estava determinado, seguiu de comboio até Lisboa onde embarcou para Brest. O comando desta força estava entregue a um major que era acompanhado por quatro capitães, entre eles o médico Adelino Augusto Fernandes (pai do já falecido Dr. Augusto Fernandes da Casa de Saúde de Santo Amaro), sete tenentes, trinta e um alferes, um sargento ajudante, quatro primeiros sargentos e quarenta e sete segundos sargentos. Desconhecemos o número de cabos e praças. De Brest seguiram para Etaples de comboio onde receberam a instrução em falta para a entrada no front. Quase todo o efetivo foi distribuído por outros batalhões na hora do combate. O Batalhão nº 15 de Tomar teve no entanto, o bom senso de reunir os adidos do 19 num único pelotão. Aí se destacou o célebre soldado Milhões[4].


O terceiro momento prende-se com a segunda mobilização para a Flandres. Esta incorporou o nosso combatente António Pereira dos Santos (meu avô e cuja saga se conta no livro De Chaves a Copenhaga a saga de um combatente) e era constituída provavelmente por apenas dois pelotões[5]. A 29 de Agosto de 1917, os militares foram sorteados e avisados da partida. No dia seguinte, a pé, seguiram para Mirandela, onde apanharam o comboio para Bragança a fim de mobilizar com o Batalhão de Infantaria nº 30 daquela cidade. Aí chegaram a 1 de Setembro, pela uma hora da madrugada. De acordo com os dados constantes da Folha de Matrícula de António, gentilmente cedida pelos serviços do Arquivo Geral do Exército, no dia 1 de Setembro de 1917 “passou ao Regimento de Infantaria nº 30 - Bragança - por ordem do Comando da 6ª Divisão do Exército - Vila Real - fazendo parte do grupo de companhias deste Regimento destinadas a reforçar o CEP.” Foi integrado na Primeira Companhia do 1º Batalhão com o nº 814.


No dia 7, vestiram roupa de mobilizados e no dia seguinte seguiram para Lisboa. No dia 10, pelas 11 horas, chegaram à capital. No dia 12, partiram num vapor inglês para Brest, na Bretanha francesa, onde chegaram a 15. Daí até Ambleteuse, já na Flandres, demoraram três dias de comboio. Aí ficaram até 20 de Novembro em instrução. Nessa data, seguiram para o front e foram adidos a outros batalhões na zona de Neuve-Chapelle.


De acordo com os dados da Folha do CEP, no dia 23 de Novembro, António foi transferido para a 4ª Brigada – Brigada do Minho – onde foi incorporado na 4ª Companhia do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 3 de Viana do Castelo, com o nº 584.


Folha do CEP de António Pereira dos Santos

 



Os militares, dispersos por unidades desconhecidas, começaram logo a sofrer, ainda sem tiros nem bombas, as agruras da guerra. O nosso combatente, com muita mágoa, foi parar sozinho a esta célebre Brigada do Minho.


Quantas vezes êsses malfadados combatentes se lamentavam por não verem a seu lado um único graduado ou simples soldado da sua unidade, e, para não lhes faltar a coragem devida naquelas horas nostálgicas, ou talvez para recordar a bravura do seu regimento nas campanhas anteriores, os intrépidos militares do 19, cantavam por vezes, mesmo em plena 1ª linha, este hino que Gastão Souza Dias escreveu com purêza de mestre e êles aprenderam na parada do quartel logo nos primeiros dias de instrução e depois entoavam com veemência nas marchas dos exercícios finais:


Regimento de tanta firmêza,

De tão nobre e leal patriotismo,

Onde é culto esta doce nobrêza

De morrer numa acção de heroismo,

Não existe, não há certamente!

Que seus feitos e altas façanhas

Só são próprias da raça valente

Que nasceu para cá das montanhas.

 

CORO

Dezenove é o seu nome de glórias,

O mais belo da nobre infantaria!

Aumentemos com brava galhardia

Seu legado de tão grandes vitórias!

 

Nós fizemos o Oito de Julho

E mostramos o nosso valôr

Esmagando a traição e orgulho

Dos que á Pátria votavam rancor!

E se alguem preguntar a maneira

Como foi nossa fé triunfante,

Apontemos da nossa bandeira

Suas letras em ouro brilhante![6]

 

O quarto e último momento refere-se ao facto de terem embarcado em Lisboa, em princípios de 1918, com destino ao norte de Moçambique, 1 tenente, 7 alferes, 4 segundos sargentos e 7 cabos. Desconhece-se o número de praças e a data do respectivo regresso.


Não conseguimos afirmar aqui objectivamente que o RI19 se notabilizou enquanto tal. Porém, reconhecemos razão a Palmeira quando afirma:


“Pondo de parte o incomensurável e duplo sacrifício destes modestos defensores do Direito e da Justiça, dignos da mais sincera admiração, alguns bibliógrafos da guerra, ousam afirmar que as glórias praticadas por oficiais e praças dos Depósitos de Infantaria pertencem às unidades onde os mesmos as praticaram. Será assim? A minha opinião é absolutamente contrária, e, sem receio de errar, direi que essas glória pertencem individualmente aos militares que as praticam, e no seu conjunto, são exclusivas das unidades a cujos quadros pertenciam os mesmos militares, não sendo lógico cercear esse direito aos Depósitos de Infantaria, visto que todos os seus oficiais e praças eram apenas considerados em deligência nas unidades em que se iam encorporar na frente”.[7]

 

Em termos globais, as baixas do RI19 cifraram-se em 33 mortos na campanha de Angola e 48 na da Flandres. À sua memória encontramos testemunho nas paredes da Torre de Menagem, precisamente na muralha fronteira à antiga parada do 19, onde juraram fidelidade à pátria estes heróis esquecidos!

A propósito da saga destes combatentes, não queríamos deixar de aqui relatar um episódio curioso contado pelo combatente António e que curiosamente envolve uma notável figura flaviense o Capitão médico Adelino Augusto Fernandes. Assim contava:


“Era a madrugada do dia 11 de Março de 1918. A noite tinha sido de bombardeamento vivo. A primeira linha em Fauquissart estava arrasada. Os mortos eram às dezenas, os feridos gritavam por socorro e os maqueiros não chegavam para todos os que padeciam. Eu estava na linha B, perto do abrigo do comando, onde entretanto tinha chegado o capitão médico Adelino Augusto Fernandes, nascido em Chaves em 21 de Abril de 1876 e que foi mobilizado para a guerra já com 41 anos de idade. Era um nome muito conceituado na cidade de Trajano, como homem e como médico. O capitão deslocou-se da retaguarda por reconhecer que os maqueiros não dariam vazão a tanto sofrimento. Porém, com a pressa de socorrer os infelizes, vinha desprevenido. As botas estavam em mísero estado e o capote tinha ficado no abrigo da retaguarda. Quando eu soube que o capitão Fernandes estava ali para ajudar os camaradas feridos na linha A, fui ter com ele e ofereci-lhe as minhas botas e o meu capote para que ele pudesse deslocar-se em melhores condições. O reconhecimento pelo seu gesto foi tal que no regresso para além de muito agradecimento, o médico tomou nota de todos os meus dados pessoais. Até ao fim da guerra nunca mais tive contacto com o capitão Fernandes. Quando regressei do cativeiro na Alemanha e cheguei à Amoinha, minha terra natal, tinha lá um recado para que quando fosse a Chaves visitasse o então major médico na sua Casa de Saúde em Santo Amaro. Assim fiz. O major mandou chamar o filho Augusto, também ele médico, e depois de lhe contar o sucedido, recomendou-lhe que doravante deveria considerar o senhor Antoninho Moreiras como um grande amigo da família.


O Dr. Fernandes faleceu em 28 de Maio de 1943, com apenas 67 anos, passou o seu filho Augusto a ser o médico da família sem que alguma vez tivesse cobrado um único tostão que fosse, pelos serviços de saúde prestados.”


Abençoada seja a família Fernandes e todos os demais heróis combatentes da Grande Guerra, especialmente os da nossa vetusta terra flaviense.



[1][1] No porto de Lisboa estavam aportados 36 navios alemães e em Setúbal, Porto e Açores 34.

[2]Cf. Júlio M., Machado, Crónica da Vila Velha de Chaves, Chaves, Câmara Municipal de Chaves, 1994, p. 325.

[3]Cf. Carlos Palmeira, A Acção de Infantaria 19 na Grande Guerra, Chaves, Tipografia Mesquita, 1935, pp. 49-50.

[4]Soldado Aníbal Augusto Milhais, nascido em Valongo, Murça, em 9 de Junho de 1895. Em 9 de Abril em Huit Maisons, protegeu heroicamente com a sua metralhadora a retirada de inúmeros patrícios. Foi condecorado com a Ordem Militar da Torre Espada, a Cruz de Guerra de 1ª Classe e a Cruz do Rei Leopoldo da Bélgica, Faleceu em 4 de Junho de 1970.

[5]Dizemos isto com a convicção de que se esta força era comandada por dois aspirantes (Antero Alves e Augusto Dias) tratar-se-ia provavelmente de apenas 2 pelotões cada um comandado por um desses oficiais. Cf. Carlos Palmeira, Ob. Cit., p. 79.

[6]Cf. Carlos Palmeira, A Acção de Infantaria 19 na Grande Guerra, Chaves, Tipografia Mesquita, 1935, pp. 57-58.

[7]Cf. Carlos Palmeira, Ob. Cit., p. 58.

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