Domingo, 4 de Junho de 2017

Barroso e Larouco

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Hoje ainda vamos ter por aqui a habitual rubrica dos domingos de “O Barroso aqui tão perto” com mais uma aldeia do Barroso de Montalegre.  As imagens já foram selecionadas, mas ainda falta o texto, assim, só lá para o final da noite é que aqui estará, mas não só, pois hoje também temos uma missão a cumprir em terras barrosãs. Para já fica mais uma imagem do Barroso tendo de fundo a Serra do Larouco, imagem captada desde a aldeia que hoje teremos aqui.

 

Até logo.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:37
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Domingo, 27 de Novembro de 2016

O Barroso aqui tão perto... Com neve

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Serra do Larouco com a aldeia de Gralhas nas suas faldas

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Hoje temos neve fresquinha, de ontem, que daqui tão perto só poderia ser do Barroso. Não tanta como há dois dias (sexta-feira), pois a chuva apagou-a das cotas mais baixas, mas não com força suficiente para a apagar da Serra do Larouco e das aldeias mais altas, como Padornelos e Sendim.

 

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 Serra do Larouco

 

Deveríamos ter ido  pela manhã, mas não deu, assim ficou para a tarde e mal chegámos a Soutelinho da Raia, de onde se começa a avistar o Larouco, deu logo para ver qual era o nosso destino, se tal fosse possível, pois as notícias cá em casa recebidas pela televisão, eram as de que o Larouco estava fechado ao trânsito, mas mesmo assim arriscamos a ida.

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Serra do Larouco

 

Pelo caminho deu ainda para mais uma vez apreciar a aldeia de Gralhas vista desde a estrada, com o Larouco a servir-lhe de fundo, que na hora apenas deixava ver as partes mais baixas.

 

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Padornelos

E lá fomos, pelo menos tínhamos a garantia de que até Padornelos iriamos conseguir chegar, e chegámos. Dada que a estrada ainda não era aí interrompida, continuámos por ela acima, até onde pudéssemos ir.

 

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 Padornelos

 

Mas tal como se adivinhava desde Gralhas, o Larouco a partir do meio estava encoberto de névoa cerrada, pelo que decidimos aproveitar o pouco que restava de luz para a aldeia de Padornelos e um pouco mais se pudesse ser.

 

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 Padornelos

Em Padornelos repetimos alguns motivos que tínhamos tomado nas últimas visitas e que até já deixámos aqui no seu post, mas as imagens de hoje são a versão de Padornelos com neve, e aí sim, era também novidade para nós.

 

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 Padornelos

 

Gente na rua havia alguma, pouca, pois embora até nem estivesse muito frio, acredito que à lareira se estaria bem melhor, mas mesmo assim ainda tivemos oportunidade de retribuir o cumprimento a quem nos recebia, e que mesmo descalços nas suas quatro patas, não aparentavam terem frio.

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 Padornelos

 

Não nos quisemos demorar por lá, pois a tarde já ia adiantada, o céu estava cerrado e a luz começava a escassear, pelo menos para a fotografia e ainda tínhamos em mente Sendim. E foi para lá que nos dirigimos.

 

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 Padornelos

 

Chegados ao desvio para Sendim, optámos por ir até à fronteira com a Galiza como quem vai ver se os marcos estão no sítio, e estavam, bem como a receção à Galiza onde a tradicional placa azul rodeada das estrelas da União Europeia colocadas na fronteira entre estados, em vez de anunciar Espanha, anuncia Galiza.

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 Padornelos

Não chegámos a entrar na Galiza pois antes, nas proximidades de Sendim,  tínhamos visto cavalos na sua liberdade possível, que pela certa davam um bom motivo para fotografar e deram, embora a luz aí já estivesse mesmo na hora da despedida, obrigando-nos já a elevar os ISOS e as aberturas da câmara, ainda para mais com a brancura da neve a enganar os fotómetros.

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Mas mesmo assim ainda não seria a nossa última imagem do dia, pois ainda tínhamos de fotografar a vista geral de Padornelos com o Larouco de fundo.

 

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E já sem luz fiável ainda deu para mais duas imagens. Uma já no regresso a Chaves, antes de Solveira, com uma vista para o Larouco, que continuava semi-coberto de névoa ou nuvens baixas, que lá em cima é a mesma coisa, e por último um entardecer que nos chamou a atenção, esta já em Meixide e que acabou por seu a última imagem do dia, com a cereja em cima do bolo.

 

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E como de costume ficam os Links para anteriores abordagens do Blog Chaves a localidades e temas do Barroso, hoje sem bibliografia para mencionar, pois não foi necessária:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:17
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Domingo, 1 de Maio de 2016

O Barroso aqui tão perto... Padornelos

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montalegre (549)

 

Como já vem sendo hábito nos últimos fins de semana, aos domingos damos uma voltinha pelo Barroso, que está aqui tão perto. Começámos a nossa incursão barrosã a partir do concelho de Chaves em direção a Montalegre, via Vilar de Perdizes. Já por aqui passaram Meixide, Vilar de Perdizes, Solveira, Stº André Gralhas e Meixedo, curiosamente todas aldeias das proximidades da raia que faz fronteira com a Galiza mas também todas elas da proximidade da Serra do Larouco. Exceção para Meixide que embora próxima da raia já fica mais distante do Larouco e exceção também na abordagem que fizemos à aldeia, pois foi muito breve, pelo que fica a promessa de uma abordagem a sério, mas ainda não será hoje.

 

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Hoje vamos continuar com a metodologia que aplicámos até aqui, com aldeias da raia e das proximidades da Serra do Larouco ou mesmo já em pleno Larouco, como é o caso da nossa aldeia de hoje que dá pelo nome de Padornelos. A única exceção é que deixámos de nos dirige a Montalegre para tomar a direção contrária.

 

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Padornelos já é uma antiga conhecida nossa. Sempre foi um nome sonante e muito badalado, começando logo em casa dos meus pais, a quem a minha mãe se referia amiúde e o meu aproveitava sempre para nos dizer que era a terra do romance “Terra Fria” de Ferreira de Castro. Mas não só, pois nos meus tempos de liceu apareceu por lá um puto castiço da minha idade, muito extrovertido e que vestia com orgulho o ser barrosão e que por coincidência tínhamos amigos de Montalegre em comum. De nome Afonso, tinha uma especial sensibilidade para as coisas da arte – pintura e escultura – com a particularidade de recorrer a materiais naturais, como tintas extraídas da cor das flores ou objetos/esculturas feitos a partir de raízes de urze e outros arbustos ou arvores, entre outros.

 

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Ao Afonso tinha-o encontrado pela última vez há coisa de vinte e tal anos com uma tenda na feira de artesanato que então se fazia no Jardim Público de Chaves. Cada vez que passava nas proximidades ou por Padornelos lembrava-me dele e perguntava sempre – que será feito do Afonso de Padornelos. Das últimas vezes que fui por lá em recolha de imagens, resolvi perguntar por ele. Pois que sim, que vivia lá com os pais, mas que ainda devia estar a dormir. Artistas! E a um artista nunca se incomoda o seu descanso. Contudo da última vez que lá estivemos, perguntámos mais uma vez por ele. Por coincidência quase em frente à casa dele. Eram 16 horas e a resposta foi a mesma – ainda deve estar a dormir, mas eu ligo-lhe a ver se atende – e atendeu e logo apareceu. Que ficara ali pela aldeia, agora com a mãe viúva e lá ia fazendo as suas coisas (esculturas). Coisas e Afonso que um dia traremos, com mais tempo, a solo, pois sou um dos fãs da sua arte.

 

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E se sou fã da arte do Afonso também o sou de Ferreira de Castro. Quis a sorte que nos meus tempos de liceu, numa fase poética, me tivesse dado para escrever umas coisas. Escrevi e um dia calhou ganhar o Prémio Ferreira de Castro, que, para além da medalha e do certificado, me ofereceu a obra completa de Ferreira de Castro. Não tardei muito e começar a lê-la.

 

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Claro que comecei pelo tão badalado romance “Terra Fria”. Além do próprio romance é impressionante como Ferreira de Castro nos faz sentir a própria aldeia onde a ação se passa, Padornelos, ao fazer-nos sentir a dura realidade da sua vida. Recordemos que o romance foi publicado em 1934 em que Ferreira de Castro observou in loco as aldeias barrosas, e em particular Padornelos, traçando-nos um retrato da vida do povo, evidenciando o sofrimento, a luta quotidiana e o modo de vida quase medieval que se fazia sentir nos inícios dos anos 30 do século passado.

 

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A aldeia de hoje já nada tem a ver com o Padornelos dos anos 30 do século passado. Alguns vestígios do que poderia ter sido, apena isso, do cenário atual já não há Leonardos  a lutar dia a dia pelo sustento da sua família. Ele a mulher, ainda sem filhos, procura em trabalhos esporádicos e principalmente no contrabando, ganhar algum dinheiro enquanto sonha para se estabelecer por conta própria com uma venda. É neste contexto que Ferreira de Castro nos descreve a atividade do contrabando, que então era o pão nosso de cada dia de contrabandistas a calcorrear o Larouco e Guardas-fiscais atrás ou à espera deles. Mas Ferreira de Castro vai mais longe. De volta a Padornelos um homem que havia estado emigrado nos Estados Unidos, o «americano» como ficam apelidados todos os que regressavam de terras americanas. Depressa começa a mostrar a sua riqueza que o leva a ser considerado um dos homens mais importantes e influentes da aldeia e é ele que dá origem ao drama que irá assolar a aldeia.

 

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“Terra Fria” é um romance que nos faz sentir uma constante solidão. Somos assaltados por imagens de uma terra desoladora, fria, onde a pobreza é a única condição conhecida e onde o rico julga ter todo o poder sobre o pobre que faz sentir em nós um sentimento de revolta. Ferreira de Castro para além de evidenciar a pobreza do Portugal profundo, neste caso o do Barroso, lança aqui uma crítica feroz ao abuso de poder do regime caracterizado no «americano» e na sua forma de agir.  Romance “Terra Fria” que passou a fita de cinema com um filme realizado por António de Campos em 1995 e protagonizado por atrizes como Alexandra Lencastre, Ana Bustorff  e Alexandra Leite, entre outra(o)s. Para quem gosta do Barroso, há dois livros que eu recomendo como de leitura obrigatória. Um é precisamente este,  “Terra Fria” de Ferreira de Castro. O outro, é do há pouco falecido Bento da Cruz, “O Lobo Guerrilheiro” . Diferentes, mas ambos muito reais quanto à vida do Barroso do século passado. Aliás as estórias que dão origem ao “Lobo Guerrilheiro” são todas elas estória reais do Barroso, e sei-o, porque antes de chegarem a livro, já eu as conhecia por serem contadas nos serões à lareira de casa dos meus pais.

 

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Mas vamos a Padornelos de hoje, sem Leonardos (que eu saiba), sem contrabandistas, sem guarda-fiscal mas com o Larouco sempre presente e com uma vida muito mais fácil que nos tempos do romance, mas ainda com o rigor dos frios ingratos de inverno, que embora os barrosões estejam habituados a ele, não deixa de ser frio, mesmo o da neve que para muitos é uma atração, para Padornelos é uma realidade que obriga os seus habitantes ao recolhimento forçado.

 

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Na página oficial na NET do Município de Montalegre, sobre Padornelos pode-se ler:

“É a referência lógica à terra fria barrosã, desde os tempos de Camilo, muito antes de Ferreira de Castro! Mas Padornelos goza de outras referências bem mais importantes (ou devia gozá-las)! Importa recordar que lhe foi concedido um foral autêntico, por D. Sancho I e confirmado, a 5 de Outubro de 1266, por D. Afonso III. Foi ‘’conselho sobre si’’, isto é, gozava dos privilégios que aos grémios municipais se concediam: “Os homens de Padornelos devem meter juiz e serviçal e mordomo e clérigo” E assim, por este documento que substituía o de Sancho I, se conferia existência jurídica ao rudimentar concelho, com magistraturas próprias. Dessas glórias antigas (foi depois uma das honras fronteiriças de Barroso) sobeja ainda o facto de ter direito a capitão residente para poder arregimentar homens, dos 18 aos 60, para a defesa nacional, sempre que Portugal fosse acossado.”

 

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Por sua vez no Arquivo Distrital de Vila Real sobre Padornelos pode-se retirar a seguinte informação:

“A freguesia de Padornelos esteve anexa à freguesia de Santa Maria de Montalegre, tornando-se depois reitoria independente.

Foi-lhe concedido foral por D. Afonso III, a 5 de Outubro de 1205.

Em 1839 surge na comarca de Chaves e, em 1852, na de Montalegre.

Freguesia do concelho de Montalegre composta pelos lugares de Padornelos e Sandim.

A paróquia de Padornelos pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é Santa Maria.”

 

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Ora cá estão mais uma vez as contradições da História. Neste caso não é que seja importante, pois o essencial é historiado corretamente, que no caso é o foral que foi concedido a Padornelos.  Noutros casos a coisa é bem mais séria e altera a realidade dos acontecimentos. Mas para apoiar aquilo que eu digo, reparem que no sítio oficial na NET do Município de Montalegre se diz que o foral foi concedido por D. Sancho I e confirmado a 5 de Outubro por D. Afonso III, enquanto no Arquivo Distrital diz que o foral foi concedido por D. Afonso III, no mesmo dia 5 de Outubro, mas 61 anos antes, em 1205. Isto foi um pequeno aparte só para reforçar que nem tudo que está reproduzido na história está correto, e vem-me sempre à lembrança daquilo que a história diz sobre o Silveira e o Pizarro nas Segundas Invasões Francesas em Chaves.

 

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Por muita palavra que aqui se deixe sobre os locais que visitámos, a realidade, o viver estes locais ao vivo é outra coisa. As palavras têm a força que têm e as imagens, idem, aspas, mas ainda não há palavras nem imagens para fazer sentir os sons , os aromas e o tempero do ar a deslizar  nas nossas faces, principalmente estando na terra fria onde o ar é sempre diferente.

 

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E como o post já vai longo vamos ficar por aqui, para já, pois será sempre com gosto que regressaremos a Padornelos, não só pelo cozido à portuguesam, que isso é outra história, mas pelo ambiente, pela Serra do Larouco, pelo forno do povo, a igreja, a capela, a caso do sino ou do boi, pelo casario típico que ainda mantém a sua integridade e pela tais coisas que as palavras e a imagem das fotografias não conseguem transmitir e também para revisitar os amigos como o Afonso de Padornelos e a sua arte.

 

Como  de costume ficam os sítios da net consultados para recolha de informação:   

http://digitarq.advrl.dgarq.gov.pt/details?id=1066822

http://www.cm-montalegre.pt/

http://www.jfmeixedo.com/

 

Anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:43
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2015

Discursos (emigrantes) sobre a cidade

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Crónica do reencontro

 

A nossa terra é sempre um ponto de encontro para partilhar momentos felizes ou tristes. É aqui que os grandes momentos, os acontecimentos que nos marcam verdadeiramente nesta vida vão sempre dar. As raízes! Sempre voltamos a elas.

 

E é tão bom podermos partilhar esses momentos, tanto os felizes como os tristes, com as pessoas que melhor nos conhecem, saber que, nestes momentos, temos alguém que se alegra connosco ou nos limpa as lágrimas com reconforto. Tão bom sentirmos a necessidade de regressar quando estamos longe para partilhar esses momentos com as pessoas e os lugares que sempre fizeram parte da nossa vida. Podermos aí sermos realmente quem somos e sentir-nos completos.

 

O emigrante que regressa num relâmpago à terra, regressa inteiro e de coração. Dá e recebe uma alegria genuína. Transforma o momento e o sentimento do reencontro em algo grande, belo, extraordinário e inesquecível. Saboreia cada momento, cada minuto, cada lugar, pois sabe que tem partida marcada, sabe que será um momento único e irrepetível durante muito tempo. A saudade – e a “matança” da mesma – é uma das coisas mais bonitas do mundo. Intensifica a vida e os sentimentos.

Larouco.JPG

 Serra do Larouco

Quando não vive na terra, ele sente-a tanto como quem lá vive. Lá fora, o emigrante fala dela e dá-a a conhecer a todos os que não a conhecem. Trata-a com tanto valor, admiração, amor e respeito, que todos sentem vontade de conhecer esse “Portugal” para além da típica visita turística de postal a Lisboa. E, a determinado momento, eles trazem à terra pessoas de terras longínquas e culturas bem diferentes, com novos olhares, que de outro modo, se nunca se tivessem cruzado com eles, nunca viriam por si sós. Chegados ao “verdadeiro” Portugal, os estrangeiros espantam-se, vivem e saboreiam as pequenas coisas e prazeres, aqueles que os que aí vivem todo o ano nem notam.

 

E aí a magia do reencontro torna-se ainda mais especial, pois o apreço dos visitantes ocasionais enche-nos a todos de orgulho, tanto aos que habitam a terra como aos que ela habita nos corações.

Sandra Pereira

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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Domingo, 2 de Agosto de 2015

Por terras de Soutelinho da Raia e Barroso

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Imagem de arquivo (2011)

Tal como deixei aqui documentado no blog, na sexta-feira passada fui dar uma volta pela volta a Portugal em bicicleta que andava aqui por estas bandas, com meta final na Serra do Larouco. Pois sempre que vou até terras do Barroso via Soutelinho da Raia, após esta aldeia, paro por lá num alto onde há um grande penedo à beira da estrada e desde onde se avista a Serra do Larouco com toda a sua grandeza, por um lado, e do outro avista-se o conjunto, toda a aldeia de Soutelinho da Raia.

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Imagem de arquivo (abril de 2015)

A paisagem entre esse tal penedo e a Serra do Larouco e Soutelinho da Raia resume-se a uma vegetação rasteira e autóctone constituída à base de urze vermelha (também conhecida por torga vermelha cujo nome científico é a erica australis da família das ericaceae), carqueja ( baccharis trímera) e giestas (Cytisus striatus), entre outras espécies mais pequenas e de onde os saberes populares fazem a recolha das ervas medicinais para chás e outras mezinhas de tratamento das suas maleitas.

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Claro que este tipo de vegetação não tem o valor monetário das florestas, principalmente aquelas que “se fazem depressa” para transformação em pasta de papel ou outros fins, mas têm o seu valor paisagístico e de espécies autóctones que embora algumas voltem a nascer, suponho que outras se perderão para sempre quando os incêndios as invadem sem dó nem piedade.

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Pois há dias quando parei neste ponto de paragem obrigatória foi um cenário de terra queimada, desolador, que tinha à minha volta. Um cenário que revolta sempre. Uma revolta dupla, a primeira a da terra queimada e a segunda, a do negócio dos incêndios.

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Sim, negócio dos incêndios, pois ninguém me convence do contrário com o dinheirão que se gasta no combate aos incêndios que, com bem menos, estou convencido disso, se poderiam evitar se houvesse uma aposta séria na prevenção, e mesmo que se gastasse o mesmo, seria um bom investimento, pois poupavam-se as florestas além de outros benefícios para as populações locais.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sábado, 1 de Agosto de 2015

Uma voltinha pela Volta a Portugal em Bicicleta

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A chegada dos primeiros

Então vamos lá dar uma voltinha pela Volta a Portugal em Bicicleta 2015, em terras transmontanas, mais propriamente a 2ª etapa da volta entre Macedo de Cavaleiros e a Serra do Larouco, com passagem por Chaves, e que decorreu ontem por estas bandas.

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 A chegada dos primeiros

Nem por isso sou lá muito ligado ao desporto, mas esta prova, em particular, gosto de a acompanhar, sem nunca a ter praticado. Talvez sejam coisas que ficaram desde puto, do tempo em que em Chaves havia muitos praticantes desta modalidade e também do tempo em que Chaves era final de uma etapa e partida de outra.

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Os restantes

Hoje em dia a volta passa por cá, e a grande velocidade, tanta que nem sequer teve honras de televisão na reportagem do dia da volta, quase parecendo que desde Mirandela passou diretamente para Boticas, com grande realce para as terras de Barroso, onde terminou a etapa bem lá no alto da Serra do Larouco. Às vezes vale a pena apostar nestas coisas…

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A volta em plena Serra do Larouco

Pois então como fã confesso da prova mas também das terras do Barroso e do “deus” Larouco, vi a volta a entrar em Chaves, mais propriamente a sua passagem por Nantes, vitima que fui do tempo dos relógios que não me deu tempo para apanhar a estrada aberta para a cidade. Mas serviu de emenda e mal a volta deixou Chaves e passou a confusão do trânsito acumulado, rumei logo à Serra do Larouco para esperar pela Volta lá bem na croa da serra, onde até o helicóptero da prova se via por baixo de nós.

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Local também onde as esperas são sempre agradáveis, de tão perto que estamos do céu, de onde a leitura da paisagem nos faz compreender melhor porque estamos no “Reino Maravilhoso”. Mas voltando à prova, local também onde além de podermos estar na chegada íamos desfrutando do movimento da prova nos últimos 10 quilómetros, ou seja desde a Vila de Montalegre até à croa do Larouco, de onde também se podia apreciar quem tinha perninhas para a subida.

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E, claro, não sou o único a gostar destas coisas da Volta e de subir ao Larouco. Aliás até as donas do alto, as vacas que por lá pastam livremente, sentiram curiosidade e aproximaram-se da estrada para dar uma vista de olhos, mas por pouco tempo, pois os agentes da Lei destacados no local depressa as encaminharam para longe do pessoal da pedal.

1600-volta-larouco-15 (72)

Mas voltemos ao Barroso e às vistas desde a Serra do Larouco de onde tudo se avista, desde o vale de Xinzo de Limia do lado galego, às montanhas de Chaves, Valpaços, Vinhais, Gerez com vistas privilegiadas para as barragens dos Pisões e de Tourém. E claro já que estávamos por lá fomos fazendo alguns registos fotográficos à margem da prova de ciclismo.

1600-volta-larouco-15 (142)

Agora a verdade, a verdadinha – sou fã da Volta a Portugal, mas não tanto para andar atrás dela – digamos ante que a volta foi um pretexto para mais uma vez ir até terras do Barroso e mais uma vez subir à croa do Brunheiro. Desta coisa de subir à croa dos montes, isso sim, sou mesmo fã e verdadeiro.

1600-volta-larouco-15 (108)

Para terminar, a imagem de um dos corredores da equipa alemã do Team Stuttgart, o último da prova, que cortou a meta 39 minutos depois do vencedor da prova. Se não era o último, era dos três últimos, pois com tanta confusão no final e a roulotte de serviço à nossa espera, não deu para perceber se era mesmo o último, mas era um dos últimos que aqui no blog tem honras de imagem e a minha solidariedade pelo esforço de chegar ao fim, que não deve ser pera doce, pois as línguas de fora demonstravam bem a dureza da subida. Aliás esta última imagem dá bem para perceber o que tiveram de subor nos últimos 5 quilómetros.

 

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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

Chá de Urze com Flores de Torga - 67

1600-torga

 

Chaves, 12 de Setembro de 1982

 

A tarde inteira a percorrer dentro de Espanha a fronteira com Portugal, desde Verin ao Lindoso, a confirmar a minha velha certeza de que os vizinhos só nos deram tréguas quando nos viram encostados à parede. Até onde havia terra arável, nenhuma paz possível. E por aqui nos deixaram entrincheirados nas serras, a roer fragas, enquanto eles se banqueteavam nas veigas ubérrimas do Tâmega e do Lima, e rezavam nas igrejas de Santa Comba de Bande e de Xunqueira de Ambia, raridades que mais uma vez admirei, sempre no mesmo embaraço de me ver confrontado com um génio criador que excede em tudo todas as medidas. Génio de um povo fanático e altivo, que nunca poderá compreender o nosso apego à liberdade, certamente por nele pressentir a herética afirmação dum paganismo congénito e o escandalizar também a estultícia dum orgulho patriótico pedinte.

Miguel Torga, in Diário XIV

 

1600-larouco (31)

 Vale do Rio Lima, Galiza - Visto desde a Serra do Larouco

 

Chaves, 13 de Setembro de 1982

 

A raia do Barroso vista do lado de cá. A nossa independência está alicerçada na capacidade que temos de resistir à miséria. É uma espécie de direito pobreza ou uma pobreza livre por teimosia.

 

Miguel Torga, in Diário XIV

 

 

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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

O Barroso aqui tão perto... Roteiro para um dia de visita - 1ª paragem

 

Sem muitas palavras, apenas as necessárias, vamos a um roteiro de um dia por terras de Barroso, mais propriamente do Barroso do concelho de Montalegre.

 

É apenas uma sugestão para um dia de férias, ou de fim-de-semana, para conhecer um pouco do Barroso aqui tão perto, sem dúvida alguma terras do “Paraíso Maravilhoso” de Trás-os-Montes, que vale a pena conhecer.

 

 

Assim, durante toda esta semana, um local por dia do itinerário de um dia com partida e regresso a Chaves. Apenas os locais onde vale a pena fazer uma paragem mais demorada de apreciação.

 

Fica a primeira paragem (demorada)  do roteiro, mas não hesite em parar onde lhe der a gana ou onde a natureza lho sugerir e, isso sim, não se esqueça da câmara fotográfica para os registos. Irá lamentar se não a levar.

 

 

Fica então para hoje a Serra do Larouco onde se pode subir sempre por boa estrada. Lá em cima, demore o tempo que quiser. No meio de tanto ver, não deixe de descobrir a nossa Serra do Brunheiro, o Vale de Xinzo de Limia, a Barragem dos Pisões, o Gerês e claro, a Vila de Montalegre.

Se for dos que gosta de madrugar,  vá assistir ao nascer do sol lá de cima do Larouco. Se for dos que gosta de dormir mais um pouco, basta partir de Chaves por volta da 9 da manhã. O roteiro será para um dia, para chegar a Chaves ao fim da tarde e para poder ver tudo nas calmas, com o tempo que for necessário para o almoço.

 

Amanhã ao meio-dia estaremos aqui com a segunda paragem deste roteiro.

 

 

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Domingo, 13 de Julho de 2014

Um dia de ausência por ter andado por aí...

 

Os que vêm por aqui todos os dias notaram, pela certa, que ontem não houve aqui post, e se não o houve, não foi porque me tivesse distraído, ou não me apetecesse, ou por outra qualquer razão mesquinha. Não, não foi por nada disso, mas antes por ter andado por outros caminhos,  no terreno, exaustivamente, à caça de imagens e, como os aninhos já não perdoam, chegado a casa vi o sofá a olhar para mim, eu comecei a olhar para ele, e foi amor à primeira vista… nem mais me lembrei que havia blog para atualizar.

 

 

Mas cá estamos de novo, com um post como se fosse feito de um mix musical, só que em imagens, mas todas desta aventura de dois dias em que subi à croa das serras mais altas e desci ao mais profundo dos riachos, em que vi de lá para cá mas também quis saber como se via de cá para lá, e o resultado foram muitas imagens onde nem as borboletas e libelinhas escaparam, algumas feridas para enfeitar e cuidar,  e umas dores de pernas por companhia, tudo por não dar ouvidos à sabedoria do povo de “quem se mete em atalhos, mete-se em trabalhos”.

 

 

Mas vamos lá então e desde já com um aviso aos flavienses mais puristas, o aviso de que a minha terra não termina nos limites do concelho de Chaves, pois vai um bocado mais além. Não sou como Torga que tinha o berço em S.Martinho de Anta, Portugal como a sua terra,  e a pátria telúrica a findar onde findam os Pirenéus. Não, eu sou mais modesto e fico-me só por Trás-os-Montes, com o berço principal em Chaves, com outro nas terras frias do Barroso, junto ao Rio Cávado e abrigado pela Serra do Larouco,  e outro ainda ali bem juntinho à nascente do Corgo. Em suma, tudo terras do “Reino Maravilhoso”.  Assim, as imagens de hoje também andam um bocadinho por dois dos meus berços.

 

 

E quanto a palavras poucas mais há, a não ser aquelas que serão necessárias para identificar os locais de algumas preciosidades deste nosso “Reino Maravilhoso”.

 

Então para (re)começar  atente na vista panorâmica que a seguir vos deixo, com a garantia que uma daquelas serras que se veem lá ao fundo, uma é a Serra do Brunheiro. É a tal vista de lá para cá, vista desde os 1535 metros de altitude, do segundo ponto mais elevado de Portugal continental (vamos deixar o Pico de fora). Se não souberem qual é, vão à pesquisa do Google. Desta feita proponho-me ser um bocadinho mauzinho ao não dizer alguns dos locais que eu penso ser um dever todos conhecerem.

 

 

Então na próxima imagem fica a vista de cá para lá. O cá, é a croa da Serra de Santa Bárbara, ali mesmo encostadinha ao Brunheiro, mesmo ao lado de Ventuzelos. O Lá, aquela última serra que se vê, é a tal que atinge os 1535 metros de altitude.

 

 

E já que se mencionou Ventuzelos, não resisto a deixar aqui uma imagem dessa aldeia que tem sempre um encanto especial e deixa sempre transparecer alguma grandeza do Brunheiro. Mas atenção, a aldeia que se vê na última foto no canto inferior esquerdo é Redial.

 

 

Vamos agora entrar no Barroso mais profundo, aquele que é uma maravilha dentro do “Reino Maravilhoso”. Comecemos por aquilo que é transparente e cristalino, tão transparente que se não fossem alguns peixinhos e reflexos poderíamos jurar que não havia água sobre aquelas pedras.

 

 

A libelinha também andava por lá, mas preferia o verde das plantas. Também havia borboletas e muita passarada, além de cavalos e outros animais, mas para hoje fica a libelinha e algumas vacas barrosas já a seguir.

 

 

Ainda antes das vacas fica aqui uma outra imagem que é obrigatório conhecer, nem que seja apenas em fotografia, pois é um dos ícones do Barroso, à qual também a lenda está associada. Mas bem melhor que a conhecer em fotografia é mesmo conhecê-la in loco, mas fica um conselho – não vão pelos atalhos.

 

 

Vamos então às vacas, curiosamente da raça barrosã, não estivéssemos nós no Barroso. São daquelas que anda sozinhas no monte, sabem andar na estrada como qualquer peão civilizado e pela mão, voltam a casa quando devem voltar e trazem com elas as suas crias, um mimo de crias.

 

 

Crias que são mais curiosas, mais assustadiças, mais espantadas mas que gostam de posar para a fotografia… depois botam uma corrida e lá apanham a mãe. O pai não estava.

 

 

Por último uma preciosidade à vista que esteve mergulhada em água durante umas boas dezenas de anos. Desta vez dou graças ao betão, pois é graças a ele que a podemos ver, obras na barragem obrigaram a esvaziá-la, e a velha ponte ficou à vista. Desta vez ajudo, pois pode haver quem a queira ver antes de novamente ser submersa. A foto foi tomada desde a estrada, em Cabril.

 

 

E é tudo. Há muitas mais imagens para deixar aqui, mas num futuro próximo começarei a deixar mais algumas.

 

 

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Sábado, 7 de Junho de 2014

Soutelinho da Raia, a caminho do Barroso.

 

Hoje é sábado e como tal, por aqui no blog, também é dia das nossas aldeias do concelho de Chaves, hoje com a sorte a calhar a Soutelinho da Raia, uma daquelas que eu apelido de barrosãs, e, a sua vinda aqui hoje não é por mero acaso, mas antes, porque hoje mesmo vamos passar por ela.

 

E disse bem, vamos passar, lamentavelmente apenas isso pois gostávamos de estar por lá um bocadinho que fosse, mas o nosso destino é o Barroso mais profundo por onde hoje vamos andar todo o dia, tal como foi anunciado há dias, em mais um encontro de fotógrafos Lumbudus, Blogues e amigos à procura de registos da essência do Barroso. Mais logo, se houver tempo e ainda forças, pode ser que também por aqui fiquem algumas imagens do Barroso.

 

 

Para já duas imagens de Soutelinho da Raia. Uma do seu coração, da Rua da Capela e outra com vistas lançadas para a Serra do Larouco, para a face portuguesa da Serra, pois do outro lado já são terras da Galiza, embora com um mesmo povo e até, atrevo-me a dizer -  a mesma língua.

 

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Domingo, 9 de Fevereiro de 2014

Soutelinho da Raia e o Barroso

Soutelinho da Raia

 

Pois estávamos nós em Chaves quando olhando para o Barroso as primeiras montanhas se apresentavam cobertas de neve. Se as primeiras estavam assim como não estariam as seguintes – era nevão garantido, e a baixa temperatura e um céu carregado de nuvens prometiam mais neve. Já o disse por aqui que em questões de neve sou pior que os putos, gosto dela, que se há de fazer? Pois não resisti à tentação e lá fui eu à procura dela. A primeira paragem é sempre Soutelinho da Raia, aldeia flaviense que abre as portas para o Barroso oficial.

 

Soutelinho da Raia

Quem por cá anda há algum  tempo sabe que os nossos  dias de inverno não são muito certos, mas pela a aragem já vamos sabendo aquilo com que podemos contar e quando está ar de neve já sabemos que ela anda próxima e nunca se sabe quando ela nos cai em cima, ou ao lado. O sol e o céu azul são sempre enganadores nestes dias, pois nem tudo que parece, é, são antes coisas dos nossos invernos, e num de repente  lá se vai o sol à vida e o azul dá lugar a um cinzento escuro carregado que não tarda a cair sobre nós sem qualquer cerimónia em forma de chuva fria (cá em baixo no vale) ou  de neve nas terras mais altas da montanha.

 

Soutelinho da Raia

 

Como dizia atrás estes dias de Inverno são sempre enganadores, e desta vez até a mim me enganaram, pois chegado a Soutelinho da Raia o sol apareceu com tal força e o céu carregou-se de tal forma de azul que pensei ter a tarde de neve perdida, mesmo porque a neve  das ruas e dos telhados com a intensidade do sol deu para derreter, mas já que estávamos por lá, havia que aproveitar a luz que acabaria por ser de revelações.

 

Interior da Igreja de Soutelinho da Raia ( a imagem "fantasma" são coisas do longo tempo de exposição da fotografia)

 

Já se sabe que quando entramos nas aldeias as pessoas gostam de saber ao que vamos, o que no nosso caso não é difícil de saber, pois a câmara fotográfica denuncia-nos, mas um cumprimento é sempre obrigatório e de boa educação, mas acrescentar umas palavrinhas de circunstância ajudam sempre a criar um bom ambiente e, se tivermos tempo, podem-nos levar a verdadeiras revelações que nunca aconteceriam num cumprimento passageiro. Pois ao cumprimento acrescentei a lamentação do sol me estragar a neve para a fotografia e as palavras que recebi ainda eram de esperança – «Ontem também estava assim e de repente começou a ficar escuro e caiu pr`aí neve que cobriu tudo, mas se querem ver coisas bonitas é irem ali à igreja que estão a descobrir lá umas pinturas antigas nas paredes». Não nos fizemos rogados e já que a neve parecia ter ido para o galheiro sempre tínhamos as tais pinturas para descobrir – e descobrimos.

 

Ex voto pintado nas paredes da Igreja de Soutelino da Raia, datado de 1748

 

Por sinal uma agradável descoberta . Tratam-se de frescos, um deles datado de 1748, um ex-voto, sendo os restantes talvez da mesma época. Mas sobre os frescos falaremos oportunamente quando o trabalho estiver concluído e quando tivermos mais pormenores. Trabalho que está a ser realizado por uma empresa da especialidade às custas da fábrica da Igreja e que segundo entendi, sem qualquer apoio monetário a nível oficial, o que poderá por em risco a conclusão dos trabalhos. Louvo a atitude e o interesse da fábrica da igreja e temos pena que as tais entidades oficiais ignorem estes interesses, mas não é de admirar, pois agora há sempre a desculpa da crise, pelo menos para estas coisas,  a mesma crise que faz com que até todo o valioso (mais cultural que monetário) espólio de Miró que está em mãos do estado seja vendido sabe-se lá para onde ou para quem.  Procura-se o lucro fácil e rápido e perde-se toda uma riqueza cultural e mesmo financeira com o encaixe que esta coleção de Miró poderia trazer ao estado no futuro, mas tudo é de esperar de um governo que vende as suas joias e património cultural e que nem sequer tem um ministério que se dedique à cultura.

 

 

Pois teremos pena se o trabalho de por à vista todos os frescos da Igreja de Soutelinho da Raia for interrompido por falta de verbas, mas vamos acreditar que pelo menos haja alguns mecenas que queiram ajudar. Sobre o assunto iremos dando por aqui notícias e fica prometido um trabalho mais aprofundado sobre o assunto.

 

Soutelinho da Raia vista desde o Adro da Igreja

 

Mas regressemos à neve que, no entretanto da descoberta dos frescos, também voltou a cair em Soutelinho e com promessa de continuar pela tarde fora para repor o branco que nos levou até essas bandas da entrada no Barroso.

 

Soutelinho da Raia - Adro da Igreja

 

E já que estávamos na entrada do Barroso porque não entrar nele, mesmo porque os tais frescos da igreja nos levavam a entrar no Barroso para falar com o pároco da aldeia, o Padre Fontes, por sinal também ele um símbolo do Barroso e já que o destino passou a ser Vilar de Perdizes, porque não ir um pouco mais além, onde a neve bate sempre como quem chama por nós., e desta vez chamou mesmo.

 

Soutelinho da Raia - Ao fundo já se avista o Barroso

 

Meixide, Solveira, Gralhas e finalmente Montalegre, uma das capitais do Barroso, a do Norte, pois a do Sul é reivindicada por Boticas e na realidade assim deve ser, pois o que dá nome à região é a Serra do Barroso, com o ponto mais alto nos Cornos do Barroso  (Alturas do Barroso) a 1279m de altitude (a oitava maior elevação de Portugal Continental). Pois embora o ponto mais alto e grande parte da Serra do Barroso estejam em terras de Boticas também é certo que a vertente Norte da Serra do Barroso, já “verte” para terras de Montalegre que rematam precisamente numa outra serra - a Serra do Larouco.

 

Ao fundo a Serra do Larouco visto desde terras de Soutelinho da Raia

 

Pois se a Serra do Barroso é a oitava maior elevação de Portugal Continental, a Serra do Larouco sobe ao pódio ao ser a segunda maior elevação de Portugal Continental, com os seus 1527 m de altitude atingidos na Fonte da Pipa. Gosto de me referir à Serra do Larouco como o Deus Larouco. Na realidade o Deus Larouco era o companheiro do Deus Júpiter - I(ovis) Soc(io) Larouco a quem os soldados da Legião VII Gemina Pia Felix (Vilar de Perdizes) ergueram um santuário denominado de Pena Escrita (Penascrita), situado num altiplano da Serra do Larouco, num local abrigado à altitude de 827 metros, permitindo assim que se congregassem rituais de culto nas estações mais agrestes quando o cume do Larouco é assolado por ventos fortes, cortantes e frios, ou por nevões persistentes.

 

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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Montalegre, aqui a dois passos.

 

Há dias prometi quem nem só Chaves iria passar por aqui, pois a região também teria aqui lugar e como as promessas aqui no blog são para cumprir, hoje vamos dar uma voltinha por aí, mais propriamente por Montalegre, a capital do barroso por excelência.

Graças à minha costela barrosã, já conheço Montalegre desde que nasci e tenho de lá muitas imagens de marca, mas há duas que desde sempre me fascinam. Uma, como não poderia deixar de ser, é a Serra do Larouco e então se está coberta de neve como no caso da imagem que vos deixo, o fascínio aumenta e, sempre que os ares de Barroso me anunciam a neve na serra, não resisto a ir por lá, nem que apenas seja para me ficar pelas suas faldas, o passeio vale sempre a pena.


 

A outra imagem de marca é o Castelo que, para além de anunciar Montalegre à distância, posso ainda acrescentar, e sem qualquer pudor, que é o castelo mais bonito de Portugal, e penso conhece-los a todos. A sua localização e conjunto de torres fazem dele um exemplar único digno de ser apreciado. Nem que seja só pelo castelo, já vale a pena ir a Montalegre, mas por lá há muito mais.


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Quinta-feira, 15 de Julho de 2010

Elite de Pilotos de Parapente na Serra do Larouco (Montalegre) de 15 a 18 de Julho

 

.

 


Ora aí está um evento a não perder por todos os amantes do parapente, quer para os que gostam de voar lá em cima, quer para os que cá de baixo (como eu) gostam de os ver voar.

 

São 4 dias de competição marcados para o Larouco e céus do Barroso mas também com possíveis largadas desde a Serra do Brunheiro para os céus de Chaves. O tempo e os ventos é que ditarão os melhores céus.


A WIND, Escolas de Parapente - Portugal, em conjunto com o Clube Papaventos,  traz mais de 70 pilotos de parapente a Montalegre.

De 15 a 18 de Julho a elite nacional de pilotos de parapente vai disputar a penúltima prova do Campeonato nacional da modalidade no cenário idílico da Serra do Larouco, de cujas escarpas partirão os atletas inscritos, entre os quais se encontram o Campeão Nacional (Cláudio Virgílio), a Campeã Nacional (Sílvia Ventura), o nº1 do Ranking Nacional (Nuno Virgílio) e o Recordista Nacional de distância livre (Pedro Moreira) desta modalidade que desafia os homens pela audácia dos campeões e reproduz a elegância dos falcões.


Esta prova, creditada pela Federação Portuguesa do Voo Livre e apoiada pela Câmara Municipal de Montalegre, conta para o campeonato nacional e para o ranking nacional e ainda, como prova da categoria FAI2, para o ranking mundial e proporcionará momentos de ímpar beleza enquadrados numa renhida competitividade desportiva.

 

.

Foto de Arquivo (temos pena, mas agora está sem neve)

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Este evento desportivo contará ainda como Pré-Taça do Mundo, numa  candidatura de Portugal (Montalegre) à organização da Taça do Mundo de Parapente no próximo ano, demonstrando que Portugal conseguirá e merecerá organizar este evento maior do Parapente Mundial.


Durante os 4 dias de competição haverá um programa de lazer desenhado para cativar iniciados e público interessado para a prática do Parapente, mostrando que é um desporto atraente, seguro e não excessivamente caro, podendo ser uma prática lúdica ao alcance de muitos.


Todos os interessados e curiosos serão muito bem-vindos e terão acesso a um conjunto de profissionais que trabalham nesta área e que lhes poderão fornecer todos os conselhos para se iniciarem no voo livre e no parapente.


Em cada um dos 4 dias de competição a saída efectuar-se-á do pavilhão Multiusos de Montalegre para o local de voo.


.

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No último dia deste Open Internacional os melhores entre os melhores serão distinguidos na cerimónia de entrega de prémios, agendada para o final Domingo, dia 18, no Hotel Quality Inn de Montalegre.


De Trás-os-Montes ao sonho de voar como o mais ágil dos pássaros.

 

Para mais informações e contactos sobre o evento, basta seguir os links:


Contacto: Lino Miguel Teixeira (960429595/915341855)

linomiguelteixeira@gmail.com

 

Informações do evento:

Site do Evento: http://www.sam-cam.com/Montalegre/

Site da WIND, Escolas de Parapente de Portugal: http://sam-cam.com/

Site da Câmara Municipal de Portalegre: http://www.cm-montalegre.pt/

Fotos de Parapente: http://www.sam-cam.com/galeria.htm

 

 

 


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