12 anos

Sábado, 10 de Junho de 2017

Ocasionais - Tugaquistão

ocasionais

 

TUGAQUISTÃO

 

O maior obstáculo no caminho do autêntico saber

não é a ignorância consciente da sua fraqueza,

mas a auto-suficiência de um saber aparente.

F.Heinemann

 

 

Os democratas «tugas» gostam muito da realeza!

 

O «OK»-okay (ó, quei!) – vigora desde o dia em que a Filipa de Lencastre pôs os olhos no João de Avis.

 

Ficou-se por aqui até ao tempo do Marquês de Pombal.

 

Este resolveu demarcar a zona do melhor Vinho Fino do Mundo, e tornou-a única.

 

Os Ingleses, sempre invejosos dos Franceses e dos Espanhóis, invocaram uns laços de sangue com os Portugueses e, em vez de  se ficarem pelo “Alvarinho”, com que celebraram o enlace da Filipa com o João, mesmo depois de um tal Barão de Forrester ter andado pelos “Lanca e Yorh Shires” a dizer cobras, lagartos e lombrigas de uma célebre pingota tão portuguesa, aliás, tão Transmontana, deu o dito por não dito, após umas estadulhadas camilianas, e promoveu uma cruzada copofónica de súbditos de Sua Majestade, para a conquista do território donde os deuses recolhiam o melhor néctar do mundo!

 

A D. Antónia ‘inda quis fazer de Deu-la-Deu Martin e de “Padeira de Aljubarrota”, mas, os Croft, os Forrester, os Graham’s, os Nieport, os Taylors, os Sandeman bem treinados por “Robin Hood”, Drake, Nelson e Cromwell, “passaram a perna” aos «Tugas».

 

Até um rapazote, chegado escondido no porão de uma barcaça viking, fez fortuna tal a mostrar a pele de um urso, ali, em Miragaia, que passou a comprar pipas, rabelos, armazéns, e quintas no Douro!

 

Os «Tugas» nunca mais deixam de andar a dormir! Mesmo agora que já acabaram com o hábito da sesta!

 

Pindéricos até dar c’um pau, os «Tugas» armam-se em cultos, cosmopolitas,  poliglotas, entendidos em todas as técnicas e táctitas, e exímios armadores … de andores e de sabiciche!

 

“Oi!”, “Tá!”, «Tá tudo?!»; ”Chau!”; “Taimingue”, “Brifingue”, “âpe tu, dei-te!”, “bèque-graunde”, “uarding” (final)!;  preços «lou-coste»; «uórque-chope»; «sanes-sete», «oume-produquetes»    -    serviço de passadoria(?!)—PASSADORIA?!- PASSADOR…, PASSA….; aonde se quer chegar?!

 

E (por aqui) todas as meninas (infantis) são chamadas de «princesas»!

 

Ora viva a Tuga República de republicanos prontos, prontinhos, a prestar homenagem lambuzeira  à realeza de «lords» do “Ultimatum”!

 

Esta prontidão em imitar os tiques estrangeiros (e as palavras) revela mais um sinal de fraqueza de personalidade, de identidade, do que o brio na portugalidade: é uma verdadeira rendição incondicional, é uma verdadeira declaração (ou confissão) de perda de fé nos nossos próprios valores tradicionais.

 

É lamentável que os Portugueses estejam a considerar a sua Língua, o PORTUGUÊS, como uma Língua morta, ou moribunda!

 

Tantos a babarem-se todo em genuflectória confissão de  que a  Língua Portuguesa é vergonhosa e envergonhadamente pobre   -  não tem palavras ou expressões correspondentes às gírias, aos tiques, aos lugares-comuns das estrangeiras!

 

Com que facilidade se rendem a mesquinhos interesses de gente medíocre que, de tão teimosa e embirrenta em querer «dar na vistas», seja lá a que preço for, avilta a Língua-Mãe, convidam aos estrangeirismos balofos, «pintarolas», cujo atributo mais não é do que pantomineiro e aberrante colorido palavreado, dos jeitos e dos trejeitos fiteiros de «sapateiros a querer trepar acima da chinela»!

 

Que ridícula figura a dos «provincianos ilustrados» quando, lá por terem andado nos «Passos Perdidos» à procura de umas vaidadezinhas e de umas lambidelas no «sul» de outros pares mais «ímpares», que ridícula figura a desses «provincianos ilustrados» com um diploma-canudo «à la minuta», quando, nas campanhas eleitorais, nas «entrevistas» aos Jornais, Rádios e «Têvês» locais e Regionais, nas quadradas ou rectangulares mesas-redondas ou em debates …de banalidades falam  «à lisVoeta», gesticulam “à S. Bento”,  e põem a voz de fanfarrão parlamentar ou ministerial!

 

Nenhuma Língua existe àparte  de uma Sociedade e da sua Cultura.

 

«Cada Língua está ajustada à Cultura em que é utilizada, sendo, no entanto, possível inventar ou adaptar novas formas de falar que acompanhem quaisquer possíveis mudanças culturais».

 

Usando e abusando, “ad nauseam”, de estrangeirismos desnecessários e de adverbialices pindéricas, os «Tugas» caminham, tão estupidamente quão fatalmente, para a deformação e destruição da sua Cultura identitária!

 

Revaloriza-se o «lulês», o «dilmês» e o Inglês; e despreza-se ignominiosamente o PORTUGUÊS!

 

Até parece que nem Camões, nem Herculano, nem Camilo, nem Eça, nem Ramalho, nem Antero, nem Pessoa, nem Ferreira de Castro, nem Aquilino, nem Junqueiro, nem Pascoais,  nem Araújo Correia, nem Machado de Assis, nem Jorge Amado, nem Veríssimo, nem Manuel Bandeira, nem Florbela, nem Cecília Meireles, nem Irene Lisboa, nem Bento da Cruz, nem Torga existiram!

 

Estes e muitos outros, felizmente, são testemunho de que o PORTUGUÊS sempre soube expressar-se numa linguagem verdadeira e entendida pelos deuses!

 

Nas suas palavras, nos seus Romances, nos seus Contos. nos seus Poemas, encontra-se a força sobrenatural que justifica o orgulho de «SER PORTUGUÊS»!

M., sete de Abril de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:31
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Quinta-feira, 1 de Junho de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

 

“MOTIVO de TRISTEZA”

 

 

As NOSSAS ALDEIAS são tão ricas por dentro e por fora!

 

Muito luta o Blogue “CHAVES” (o seu autor) por dar a conhecer os cantos e recantos delas, tão expostos à luz do dia e à mão de semear, e tão indiferentes, mesmo até para quem mais obrigação tem de neles reparar e deles cuidar!

 

E os contos e histórias das NOSSAS ALDEIAS, lembrados nas fotografias e nos apontamentos que nos expõe o autor, tão ansiosos por se darem a conhecer!

 

Não concebo (nem admito) flavienses que não sejam “Defensores de CHAVES”.

 

Só aqueles que são e estão inclinados para o Mal é que atraiçoam a CIDADE, consentem a sua despromoção, consentem a sua destruição. Julgam-se «os maiores» tentando fazer da terra e das Gentes Flavienses «menores»!

 

CHAVES está ocupada por uma patrulha de idiotas, fementidos, mofatrões, comandada por um pirangueiro procaz, ora um tal sacripanta cognominado «pavão de Castelões».

 

 As NOSSAS ALDEIAS já foram demasiado  castigadas ao longo da História.

 

Para mim é um motivo de tristeza.

 

A Humanidade, e, particularmente, o mundo Ocidental, atingiu um ponto de desenvolvimento (e evolução) extraordinário.

 

O século XX , apesar das duas Grandes Guerras devastadoras e de regimes políticos monstruosos, universalizou conhecimentos científicos, tecnológicos e sociais extraordinários tais que puseram à mão do Homem imensas possibilidades de desfrutar de uma vida mais feliz, com mais significado e sentido.

 

Porém, a casta de malfeitores parece nunca mais acabar: procria-se mais que ratos ou coelhos.

 

As guerras, hoje, já não se fazem em nome de um Deus ou de deuses. Hoje, as guerras são declaradas em nome dos «Mercados».

 

Freud descobriu o Inconsciente.

 

Os tiranos da Política afundaram a Consciência.

 

Sabem bem, mas não querem saber, que o seu «eu», o seu «ego», fica mínimo quando o querem fazer grande à custa da destruição do «Eu» dos outros, do OUTRO!

 

Nesta Idade Contemporânea   -    era do Petróleo, era do efémero, de um Presente transformado, num abrir e fechar de olhos, num Passado quase esquecido e num Futuro quase perdido; época em que o Homem deixa de ter os pés bem assentes na Terra para pôr a pata na Lua  e voar entre as estrelas; da modernidade multicolorida pelos cantos, enfeites e ademanes do consumismo e coisificação da consciência - é uma infâmia o desprezo, o desleixo, o descuido, a falta de respeito histórico, social e moral para com as NOSSAS ALDEIAS.

 

 Quando visito o Blogue  “CHAVES” e me consolo com os Post(ai)s acerca das NOSSAS ALDEIAS, apetece-me parafrasear Napoleão:

 

 

- Que os pindéricos que armam ao pingarelho tratando tão mal as NOSSAS  ALDEIAS “estudem a História de cada uma, pois é a única filosofia real”!

 

M., catorze de Maio de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:14
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

“Triste sina!”

 

Até parece

que só com tragédias se purificam

 os sentimentos das Gentes!

 

 

 

Vou praticar a «picardia» de aplaudir um «pecado«, confessado e declarado no Blogue “CHAVES – um olhar sobre a cidade”, a que a autora trata por «meu amor», em vinte e um de Maio de dois mil e dezassete:

 

 - Perante um texto destes não aparecem por aqui nem «Lalõezinhos», nem «boys cor-de-rosa», nem esquerdalhos, nem direitalhos. Isto é, os que em tempo de campanha eleitoral afivelam estúpidos sorrisos e se passeiam pelas ruas com ares de semi-deuses; os que transbordam genica a erguer painéis com a fronha dos seus caciques; os que atoardam o sossego das ruas com ridículos vozeirões «altifalantados», com um ar de campeonato a ver qual o que mais besuntada lambidela dá aos botins do nabiço do seu «querido líder»; os que nem sequer sabem porque são do «seu» Partido, mas o defendem com mais cega ciumeira só para  aproveitar o pretexto de se afirmarem.

 

Apesar da valentia das suas convicções políticas (sem, até, saberem o que isto é!), lêem este Post(al), ficam cheios de comichão, juntam-se, e , em rebanho, cada qual se mostra aos outros o mais indignado e o mais corajoso a combater o descaramento das  verdades deste Post(al) e deste Blogue, e correm, rafeiramente curvadinhos, a alcovitar ao chefezinho do «seu  Partido» (laranja, cor-de-rosa, cor-de-burro-a fugir, ou cor-de-zebra-parada)  a «cabala» deste (ou de qualquer outro) Blogue!

 

Mas encarar as realidades da CIDADE, meter na linha os enviezados estrategas do seu Partido sempre que dão primazia às golpadas em detrimento do benefício da Comunidade …”Qu’éto!” -   que no aproveitar é que está o ganho!

 

Até parece que estes edis de CHAVES  e as dinastias de governantes lisVoetas têm por objectivo fazer o caminho do Futuro regressando a um Passado miserável e indesejável de escassez de recursos para a Saúde, o Ensino, a Ciência, a Cultura, da Justiça, e a privação da Liberdade!

 

Nos Anos Sessenta atiraram que a geração desse tempo era uma «geração perdida».

 

Triste sina!

 

Grande parte dessa geração, particularmente aqueles que resmungaram contra a situação das coisas, aproveitou a «abrilada», mas foi, para se transformar naquilo que denegava.

 

Depois, para se perpetuarem, pariram a  multidão de enfezados «jotinhas» polliticastras, e arregimentaram «pavões», «lalões«, «morrões da couve», carunchosos «’straga a tábua’”, contrabandistas da mentira e da vigarice, gente canalha vocacionada para a traição.

 

Digo com Silva Gaio: - Os mal intencionados têm, nesta Democracia «abananada», largas ensanchas para poderem cometer as patifarias que Governos e governinhos pútridos, corruptos, lhes consente e lhos ajuda.

 

Na nossa História Nunca a Política se confundiu tanto com a Hipocrisia como nas últimas décadas!

 

Dizem que nas prisões funcionam escolas de comportamento criminoso. Nós dizemos que a admissão nas classes partidárias «Jotas» é uma oportunidade para a aprendizagem clandestina de comportamentos patrioticamente criminosos.

 

Os “poderosos” – aqueles que hoje detêm o Poder – parece não terem memória. Correm o risco de repetir a História.

 

Não conhecem, ou fazem que não conhecem o Povo Português. E julgam-no adormecido.

 

Porém….”a consciência dos povos adormecidos não desperta senão com actos de violência”!.....

 

M., vinte e três de Maio de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 17:00
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Quinta-feira, 11 de Maio de 2017

Ocasionais

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ocasionais

 

“Os bearnesbaques do Arrabalde”

 

 

Ali no Arrabalde, um grupo de bearnesbaques que falavam entre si ao mesmo tempo que olhavam para todos os lados, como que atingido por um raio, que não parte, antes, une, quando eu, em passeio pela cidade, chegava ao fundo da rua Direita, atravessou-se-me na frente.

 

Dos figurões do grupo salientou-se o que me pareceu o mais aperaltado. Dirigiu-me a palavra ao mesmo tempo que esticava o braço direito e levantava a mão, em sinal de «alto!»:

 

- Se os meus olhos não me enganam e a memória não me falha, o «amigo» é o tal que faz «Discursos sobre a cidade» a desancar nos da «cambra» e escreve umas «Crónicas Ocasionais» a dar fisgadas num «pavão», umas sapatadas em «lalões» e «lalõezinhos», e umas chibatadas nuns tais «poneyzinhos-de-Tróia»!

 

Senti-me um D’Artagnan apanhado numa cilada dos beatos-falsos de Richelieu.

 

Mas logo, loguinho, apanhei a satisfação de compor um multicolorido ramo com as caras  e os modos do grupo.

 

Ditas e ouvidas aquelas palavras do «capitão do Arrabalde», e absorvida a atenção que lhes dispensei, aquela meia dúzia de «fediolas» juntou-se bem juntinha no passeio, fazendo uma parede dupla à minha frente: na primeira, ao centro, o aperaltado «capitão do Arrabalde»; atrás, espreitando por cima dos ombros dos primeiros, os restantes três.

 

A surpresa e a piada que se me pintaram na cara, e que o ar de riso certificou, fez-lhes arregalar um bocado os olhos e suspender a respiração.

 

- Muito me apraz que alguém me reconheça pelo que escrevo!

 

- E se é acerca dos meus escritos e da cidade que os «amigos» querem conversar, então convido-os a molhar a palavra! – atirei-lhes, com alguma solenidade e muita franqueza.

 

O olhar de “espadachins” de língua foi pelos ares.

 

O «capitão do Arrabalde» virou-se para a esquerda, virou-se para a direita e revirou-se para trás.

 

Voltou-se para mim, e disse:

 

- Ora aqui está a melhor notícia e as «mais boas» palaβras que hoje ouβi!

 

Ali ao lado, por baixo da antiga Casa de Saúde do Dr. Alcino, além de umas boas cadeiras de barbeiro também há outras com boas mesas.

 

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Em formação de combate, o «capitão do Arrabalde» colocou-se ao meu lado. Cuidou de não vir nenhum carro para subir a Rua Direita. Deu um toque no chapéu, e pronunciou:

 

- Por aqui!

 

Com três passadas atravessámos a rua. Seguimos garbosamente pelo passeio do Postigo das Manas e, quase em linha com a esquina do “Sotto Mayor”, o «capitão do Arrabalde» fez «direita volver». Abriu a porta da entrada de uma bodega, de boa fama antiga, e, atenciosa, venerada e respeitosamente, voltando-se para mim, proferiu:

 

- Fa-ça faβor!

 

O taberneiro saiu apressado detrás do balcão. Juntou duas mesas à que estava encostada à parede e mais próxima da caixa registadora.

 

Pensei para comigo:

 

- Que diabo! Será que nos estão a confunfir com “Os 7 Magníficos”?!

 

Ou será com “Os Sete anões”?!

 

O taverneiro voltou com um copo para cada um de nós os «Sete» e duas canecas com uma canada de «tinto», cada uma.

A hora andava pelas onze da manhã.

 

- Ora, meus senhores, o que βai mais ser?  - pergunta, alegremente, o taberneiro.

 

Passando a língua pela beiça, os «arqueiros do Arrabalde» (ou “espadachins”?!), disseram ao «capitão» aperaltado que estavam ali «às ordes»!

 

Demorei uns segundos a perscrutar  as «arqueiras» e «capitãs» expressões.

 

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E, quando o aperaltado «capitão do Arrabalde» ia abrir a boca para mais uma «voz de comando», agarrei-lhe o pulso para lhe abafar a voz.

 

Virei-me para o taverneiro, e ordenei:

 

- “Fachaβor” (tal e qual), traga azeitonas, pão centeio, «trigo de 4 cantos», uma travessa com presunto e queijo. Prepare umas moelas com piri-piri e duas codornizes para cada um de nós. “Se o senhor for servido”, junte-se a nós   -  é meu convidado!

 

Ajeitei-me na cadeira.

 

Soltei o pulso do «capitão do Arrabalde».

 

Eu ia para pegar na caneca, mas um dos «arqueiras» (ou «espadachins»?) adiantou-se-me, e disse:

 

- Se me dá licença, eu boto o βinho!

 

Percebi esta uma boa oportunidade para que o grupo  soltasse a língua.

 

Probou-se o centeio, o trigo, as azeitonas e o presunto, tudo bem benzido com o primeiro e segundo gole de vinho, com que se esvaziaram os copos.

 

- Não os deixem ganhar bafio! – avisei eu, mal engoli a última gota do meu copo.

 

Outro dos «espadachins» (ou «arqueiras»?), não querendo ficar-se atrás, botou a mão a outra caneca e, começando pelo meu (sinal de respeito?), encheu os copos.

 

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Da cozinha já chegava o cheirinho das moelas e o cantar das codornizes nas sertãs!

 

Clientes, que pelo andar e pelo olhar me pareceram habituais, iam entrando e ocupando as outras mesas.

 

Uns saudavam-nos só com um «bom-dia»!

 

Outros acrescentavam um «olá» ao nomearem alguém da minha “Companhia de «lanceiros»” ... ou de «armas dentadas».

 

Depois da primeira rodada das duas canecas e da segunda dentada nos aperitivos, claro está, consumada só depois das três primeiras provas a certificar a qualidade dos produtos, os «arqueiras» (ou «espadachins»?) já falavam uns com os outros, mas com os olhos postos no que estava posto na mesa, gabando as azeitonas e o queijo; garantindo que o «trigo de 4 cantos» era mesmo de FAIÕES; o pão centeio fora cozido no forno a lenha do João Padeiro.

 

Chegaram os pratinhos das moelas e mais duas canecas de canada.

 

Dirigi-me ao «espadachim» (ou «arqueiro»?) mais parecido com “Porthos”, pois, embora com ar vaidoso, era o menos falador, e perguntei-lhe:

 

- Ouça, amigo, que tal acha o molho das moelas?

 

Se o «trigo de 4 cantos« não calhar tão bem, mando vir «sêmea da Engrácia»!

 

O “Porthos” entendeu a ordem. Deitou a mão a um dos «4 cantos», corou-o, partiu-o ao meio, molhou-o bem molhado no molho das moelas, e meteu-o na bainha, quer-se dizer, à boca.

 

Ainda com a beiça colorida pelo piri-piri oleado, olhou para mim, e opinou:

 

- “Trás-d’orelha”, amigo!

 

Coradinhas, as codornizes foram servidas.

 

- Que linda cor! – exclamou o «fediola- arqueira» (ou «espadachim»?), parecido com “Errol Flyn”.

 

- Tem pimentos do vinagre? – perguntei ao taberneiro.

 

Ao sinal de assentimento, fiz sinal de quantidade, levantando dois dedos para o tecto e mexendo os lábios a soletrar:

- dois pratinhos!

 

Esta flaviense guarnição flaviense, legítima herdeira dos “Dragões de CHAVES” (séc. XVIII) e hoje consagrada Ala dos “Defensores de CHAVES”,  aquartelada no forte do Postigo das Manas, estava mesmo bem guarnecida de material de combate contra a falta de apetite.

 

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Vendo-nos entretidos na emboscada às codornizes, no golpe de mão aos «4 cantos», no ataque bucal ao «tinto», o taverneiro cuidou de começar a distribuir fumegantes pratos de caldo pelos outros clientes.

 

Foi assim que dei contar de se estar na hora do Jantar.

 

Porra! Almoço!

 

Antigamente (e eu já sou antigo) é que era «Jantar»!

 

Agora, a moda é «almoço»!

 

Desculpem!

 

Levantei a mão:

 

- PssssT!

 

-Imaginei-me o General Custer e o seu “7º de Cavalaria”, erguendo, tão garbosamente o braço a ordenar «Alto!», ao chegar a «Washita river».

 

- Meus senhores, acho que a hora dos aperitivos acabou.

 

Espero que se lhes tenha aberto o apetite.

 

Vamos almoçar?

 

Depois, querendo meter graça, acrescentei:

- Se algum tiver medo d’ao chegar a casa levar uma trepa da mulher, com o rolo da massa ou com os atilhos do avental, pode desertar!

 

Todos se riram a bandeiras despregadas.

 

Até os outros clientes!

 

Fiz sinal ao taberneiro (ele estava sempre muito atento à nossa mesa) para se aproximar. Ele aproveitou para trazer mais duas dionisíacas canadas.

 

Pareceu-me ter ouvido «entrecosto» e «bifana».

 

Como não estávamos numa 4ª feira, não estranhei a ausência de «feijoada».

 

Disse para o taverneiro:

 

- Para mim, e para começar, uma malga de caldo quentinha. Bem quentinha!

 

Reparei que, pelo silêncio, o caldo «furava a barriga» ao «capitão» e «espadachins» (ou «arqueiras»?) do Arrabalde!

Insisti:

 

Bem, uma malga de caldo para mim. E “fachabor” de trazer «bifanas» e, depois, «entrecosto» para todos.

 

“Os Santos, de CHAVES” [-na βerdade, não há outra Feira que se lhe compare, assegurou o «arqueiro» (ou «espadachim»?) muito parecido com o “Verdinho” das Casas-dos-Montes], o S. Caetano, a Srª da Saúde e a da Azinheira, o S. Pedro de Agosto (d’Águas Frias); as Verbenas; “Os Pardais”, “Os Canários” e o “Calypso”; os «bailes nos Bombeiros»; “os “Lázaros”; o «comboio batateiro»; o chincalhão, «as copas», o «sapo»; o contrabando ... do “Tabu”, dos caramelos e ... do resto; as cheias do rio; os «pic-nics» no Açude; as «tripas», no “Central», as almôndegas, no Mondariz, depois do cinema; e a Senhora das BROTAS quantos elogios e arroubos de eloquência mereceram naquela mesa!

 

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Ao vir levantar os pratos e as travessas, o taberneiro, reparando nos copos vazios, sopesou as canecas.

 

- “Atão” este fica pra cerimónia?!- falou, referindo-se ao vinho que restava nas vasilhas de canada.

 

- Bem, disse o «espadachim» (ou «arqueiro»?) muito parecido com “Guevara” (usava boina galega, bigode à “Cantinflas e barbicha por aparar!), a mim quer-me parecer que parece mal esse restito ir para trás. É melhor aliβiar as canecas!

 

Pegou nelas, e escorropichou-as pelos copos dos cinco «arqueiros» (ou «espadachins»?)   -   eu e o «capitão aperaltado» havíamos tapado os nossos copos com a palma da mão.

 

- Bagaço!  – reclamou o «capitão do Arrabalde».

 

O taverneiro lá voltou, «rápido e depressa», à nossa mesa com duas garrafas e sete copinhos bagaceiros.

 

Apresentou as garrafas, uma em cada mão, e com elogios:

 

- Esta é uma «marelinha» das EIRAS; e esta é uma com ervas aromáticas!

 

- Deixe as duas, «fachaβor»!   -  ordenei.

 

Apanhei o meu copo bagaceiro, e falei para o taberneiro:

 

- Para mim, um copo dos grandes.

 

Tem Geropiga?

 

- O senhor está com sorte! Ontem mesmo, o meu compadre da Ribeira de Oura veio à cidade e trouxe-me uma garrafinha dela.

 

Um momento!

 

Lépido, o tavernerio correu a buscar a doirada bebida de OURA.

 

- Como vê, ‘inda não foi «incertada».

 

«Fachaβor» de se servir.

 

Peguei na garrafa. Levantei-a contra a luz e a contra-luz.

 

O saca-rolhas mostrou-se afinado.

 

Meei bem meado, que é como quem diz: quase enchi o copo, avaliei, na ponta da língua, a doçura; no meio, a acidez; e atrás, o amargo.

 

Ficou aprovada.

 

Com distinção!

 

Voltei a encher o copo (desta vez mais cheiinho) e bebi um gole a escorregar bem pela garganta abaixo.

 

Que bem me assentou no estômago!

 

O taberneiro mantinha-se ao meu lado, com enorme curiosidade pelos meus gestos, trejeitos e olhares.

 

Reparei no seu ar vaidoso, por ter um «rico» compadre!

 

E, para se certificar da satisfação que sentia com a oportunidade de exibir aquela preciosidade perante um «entendido», pergutou-me:

 

- “Atão”, que acha deste «achado»?

 

- Oh! Amigo! Isto é diamante puro!

 

E, se me dá licença. Agora que já a provei, vou beber um copo dela!

 

Meu dito, meu feito!

 

O «capitão do Arrabalde» e os «espadachins» (ou «arqueiras»?) iam alternando a «marelinha» com a «aromática»!

Quando eu ia para botar, após a «proβa», claro está, o segundo copo, reparei que as garrafas do bagaço já estavam vazias.

 

“Diligis, cadis cum faece sicutis, amici”!

 

Merenda comida, sociedade desfeita!  -  dizia-se no “intigamente”.

 

Seguindo o meu olhar, o taverneiro topou o mesmo que eu.

 

- “Tá tudo”?!  -  perguntou e exclamou o taberneiro.

 

Levantámo-nos da mesa.

 

O «capitão do Arrabalde» mais os «arqueiras» (ou espadachins»?) quase se engaliavam a ver qual deles era o primeiro a puxar da carteira, teimosa e casmurra a não sair do bolso, e a refilarem o «pago eu!».

 

Pisquei o olho ao taberneiro, homem fino que nem um alho!

 

Imperioso, imperativo e com aprumo de imperador (não fosse ele, taverneiro, descendente de Trajano!), berrou:

 

- Não adianta discutirdes!

 

A despesa já ‘stá paga!

 

Discretamente, passei para as mãos do taberneiro um rolo de notas a arredondar bem redondinha a «conta».

 

Eu ainda não tinha chegado à porta de saída e já o taverneiro estava a tentar meter-me no bolso do casaco uma garrafa.

Sussurou:

 

- O meu compadre da Ribeira de Oura traz-me sempre DUAS.

 

Tome. Esta é especial para o senhor.

 

E quando voltar a CHAVES «fachaβor» de me «βisitar»!

 

Agradeci, todo contente.

 

No LARGO do ARRABALDE despedi-me dos «garibaldis» flavínios.

 

As declarações, as «receitas», as opiniões, as queixas, as revelações, as «noβidades», as intenções e os testemunhos do aperaltado «capitão do Arrabalde» e dos «espadachins» (ou «arqueiras»?) guardei-os bem guardados na minha “Pasta de Documentos”, para «memórias futuras»!

 

Fui dizer adeus às “Freiras”.

 

Do Brunheiro, na aragem fresca que dele descia, um queixume de saudade espalhou-se pela cidade.

 

Mozelos, dezassete de Fevereiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

 

 

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Quinta-feira, 20 de Abril de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

Fotos y grafias”

 

 

É verdade.

 

Todos vós tendes razão: eu não percebo nada, mas mesmo nada, de fotografia!

 

Mas que fico regalado com algumas (e são bastantes), muito especialmente das de uns «certos» flavienses, ai isso é que é uma grande verdade!

 

Agora, imaginai lá como eu ficaria se percebesse mesmo só «a ponta de um corno»!

 

Meter-me em becos sem saída; levar turras de chibos e cabras; apanhar molhas; patinar na neve; pôr-me de rastos; pendurar-me numa muralha; equilibrar-me no arame … de uma ponte; andar de noite a contar as estrelas, para depois me nascerem cravos nas mãos; estar horas à espera que apareça um «cúmulo» ou um «cirro» para traçar a luz do sol a bater na encosta daqui ou dali; andar com a cabeça, tronco e membros à roda do sítio onde bate a luz de um candeeiro público; torcer o pescoço para «apanhar» uma varanda; fingir afinar um botão …da camisa para gravar as rugas ou o sorriso de um rosto estranho ou conhecido; pôr… bem, fazer mais poses do que as piruetas necessárias para se ser campeão olímpico de Ginástica, em todas as modalidades, disso é que não sou capaz!

 

A vantagem e a desvantagem da fotografia com a pintura reside na distância: na pintura, o modelo do pintor mantêm-se a uma distância pessoal normal da «intimidade social» nunca ao alcance da mão para que a presença da alma do modelo não se torne demasiado envolvente, impedindo assim qualquer observação desinteressada; na fotografia, a distância pode ser íntima ou, e até, pública.

 

Um e outro, pintor e fotógrafo, ensinam-nos, ou ajudam-nos a compreender o «modo como percepcionamos o mundo.

 

O escritor tem uma vantagem sobre eles: sobre as mesmas imagens, pintadas ou fotografadas, o escritor consegue dar representações simbólicas tão convincentes que suscitam reacções próximas das provocadas por estímulos   -   como o sabor de um fruto, o perfume de uma flor, ou a nota que numa voz apaixonada confessa o prazer ou a dor.

 

E eu, apaixonado pelas letras e pelas cores da pintura e da fotografia, bendigo a Natureza, por me conceder as suas realidades e inspirar a tantos e «certos» flavienses, e para meu consolo, as suas encantadoras representações.

 

M., vinte e um de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Quinta-feira, 13 de Abril de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

“Salão de Festas”

 

 

Os cidadãos internautas, na sua maioria ou quase totalidade, vêm aqui, aos Blogues, aos Post(ai)s e às Caixas de Comentários, e a outras salas de reunião néticas, mas mesmo que «autografem» a sua presença com duas ou meia dúzia de linhas, não se afirmam como actores sociais, não confrontam nem intimidam os poderes instituídos, não exercem nenhuma influência para o sucesso ou o fracasso do poder   -   o seu pensamento é irrelevante e impotente.

 

Dizem o que bem quer e lhes apetece, o que lhes vem à cabeça ou o que lhes vai na alma. Porém, tudo isso se dilui no virtual.

 

Afinal, hoje, neste salão de festas (a Internet) da «Aldeia global», parece que todos vivemos num «isolamento comunitário»!

 

No presente, todos nos movimentamos no meio de incerteza    -   talvez só Heisenberg lhe tenha dado o «princípio»!

 

Caminha-se para um «viver per si», deixando de lado o «viver em função de Outro».

 

O amor e a amizade estão a deixar de ser um relacionamento duradouro e a converter-se num investimento, num mercado de parcerias descartáveis, conforme as vantagens de momento.

 

Por vezes, até parece que a «Evolução» nos mostra um estranho capítulo, em que que o homo sapiens caminha para hominídeo!

 

Bem, os “orangotangos de celulóide” e os «pavões de aviário» continuarão a fazer das suas, com a trapaça, a mentira, a traição e a sem-vergonha!

 

Mozelos, vinte e quatro de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:58
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

Tugaleado tugalês

 

 

De vez em quando, pode ler-se e ouvir-se, nos “media” (leia-se média!  -  a palavra é latina, não inglesa!) como, p. ex., num Semanário de nomeada (há já algum tempo), e que, com a devida vénia e sublinhados meus, transcrevo:

 

{“TROIKA

Governo esconde do FMI intenção de baixar IRS

TEXTO FILIPE SANTOS COSTA COM ÂNGELA SILVA

Versão final da carta de intenções não está fechada

Neste momento "ainda está a ser discutido o wording final", disse ao Expresso fonte governamental”}

 

WORDING final

Os medíocres, coitados, para disfarçarem o tamanho ridículo do seu conhecimento, usam e abusam do enfeite com penas de pavão de aviário: um «repórter desportivo» dissertava sobre a «BILHÉTICA»; outro, um «membro do governo» (qual Saramago a ralhar-nos por não sabermos pronunciar "NÒ-BÉL"!), vem «fazer-nos ver» que não se diz «redacção final», mas, sim, «WORDING final», ora essa!!!

 

Digo-vos uma coisa: mete-me muito nojo que os portugueses usem e abusem, a torto e a direito, dos estrangeirismos, muito especialmente das palavras em Inglês.

 

- Em Vila Nova de Foz Côa, um grupo de labregos, que nem leonês, nem mirandês, nem beirão, nem português sabem, para se dar ares de «gente da cultura» dá à sua Associação o nome de “Foz Côa FRIENDS”!

 

- Em Aveiro,  um grupinho de pontapé-na-bola auto intitula-se A D R C – ALWAYS YOUNG!

 

- Numa aldeiazinha da Terra Quente, no meio de pinhais, fazem-se «workshops» para os aldeãos!

 

- Os de Lisboa anunciam, p. ex., o “Festival de S. Remo”.

 

Mas o seu, com um “Vem aí o Lisbon Music Fest!...

 

- Em BOTICAS, é o «sunset do ...Lesenho»!... Até «nas» BOTICAS!....

 

Porra!

 

Não se consegue ver escritas duas linhas em Português sem que lá não esteja metida uma «inglesada» pindérica, pedantista e ridícula?!

 

Será assim tão pobre o nosso vocabulário?!

 

 

“Bem m’ou finto”!

 

 

Por este andar, logo vem aí um «Ultimatum» a pôr-nos a todos a torcer a beiça e a revirar os olhos à «Londonshire»!

 

Haja decoro …….e orgulho …. na Língua! PORTUGUESA!!!

 

E, como se não bastasse para mau trato do PORTUGUÊS, falado e escrito moxetam-no com modismos, adverbialices e disparates!

 

- Durante um Jogo de futebol, um locutor, para manter a boca sempre aberta, informa-nos: “….aparece aparentemente a perder definitivamente a paciência”.

 

- Outro esclarece os «telespectadores» que o «camisola trinta e três» “vai a jogo,, «acaba de entrar dentro das quatro linhas», “daqui a pouco”!

 

- Efectivamente, ao fazer AcÓrdos meteu a pata nas PÓças, pronto.

 

- Curi0samente, passados vinte minutos depois das vinte e uma, pronto, a equipa vestiu o fato macaco, pronto, arregaçou as mangas, pronto, com humildade respeitou o adversário, pronto, e pôs o preto no branco do Barreto.

 

- Portanto, o fenómeno, digamos que, raro e, na circunstância, não tão raro assim, coloriu a cermónia nas vertentes da serra, pronto.

 

- Um falso quarto defesa, pronto, avança pelo terreno, de trás para a frente, pronto, e quando faz bem a leitura do jogo, faz um golo de belo efeito, pronto.

 

- Na TV: -“”O clima está a alterar-se, já a seguir notícia “”    – aparece uma nuvem e “veja o clima a alterar-se, já a seguir”.

 

O efectivamente (quase ) passou de moda e, então, surge o então é assim, segue-se-lhe o então e, neste momento,  acompanha-o o de resto. Mas vem de imediato o «também».

 

Até o “Chagas das Bicicletas do Marco” não dá umas pedaladas à língua sem buzinar um «também».

 

 E todas as etapas, curvas, descidas e subidas são «agressivas», tal como a pintura numa caixa de fósforos, o feitio de uns sapatos, o aspecto de uma montra, a distribuição de panfletos de Supermercados ou de cartazes a anunciar a festa do Bairro ou da Aldeia, ou da passeata a favor …da perda de peso são, por via de regra …e de …moda, «agressivas»!

 

E no discurso político, depois do «abrangente», há que impor o «absolutamente» e o «aprofundamento», pois as «geometrias variáveis» e o «paradigma» já quase desapareceram!

 

Porque leram uns livrecos ou umas páginas em «franciú», toca a copiar e a traduzir o «justement» para «justamente»…e mai nada! Toca a metê-lo em toda a frase, dita ou escrita!

 

Tal como um jogador de futebol é catalogado de «reforço» quando muda de clube, toda a mudança, seja aumento ou desconto, tem de levar com «uma mais-valia»!

 

Então quando um jogador, pela primeira vez, «vai a jogo», com que euforia delirante o enviado ou comentador «especial» repete tratar-se de uma «estreia absoluta»! E, quando toca na bola, «pontapeia NA frente»!

 

Vertente, estruturante, fracturante, acrescidas, então, recorrente, colateral, no limite, enlencar, alavancar, alavancagem, transversal, parabenizar são perdigotos constantes a sair pelo cano de escape da fala pedante dos enjoadamente vaidosos pelos cargos que ocupam e ainda mais «inchados» quando lhes põem um microfone à frente dos … olhos!

 

E repare-se na posição em bicos de pés, na postura da boca em forma de cu de galinha, no puxar do ombro para cima e para a frente, no alevantar das sobrancelhas de grandes figuras públicas a referirem-se aos «MEIOS DE COMUNICAÇÃO» (que não de INFORMAÇÃO  - «quéto»! Que «informar» e «formar» é «outra louça»!)  -  dizem «mídia»”!!!

 

E, se mais não fosse preciso, aí está fresquinha a a moda do «claramente»!

 

- O « claramente » não podia faltar: é obrigatório!

 

É execrável modismo epidémico (qualquer farroupilha intelectual ou qualquer intelectual farroupilha aproveita o abrir a boca para exibir a ligeireza na idiota macaquice de imitação de um enfeite ridículo), que «dá classe» a quem tem pouca ou nenhuma!

 

Quando falta substância, corpo, autenticidade, valor ao blá-blá dos que pretendem insinuar-se «pensadores», visionários, entendidos e supra-sumos, se valem das adverbialices da moda, dos tiques intelectualóides e de trejeitos ridículos como certificados de qualidade do seu palavreado baboso, espúrio, que usado numa prova oral da 4ª classe lhes garantia o «REPROVADO»!

 

Para disfarçar a sua mediocridade, pindéricos e «armadores ao pingarelho» usam e abusam desses e de outros modismos descartáveis, badalando-os   como salvo-conduto para a sua presunção, ignorância e incompetência.

 

Se as «adverbialices» e os modismos enjoativos pagassem portagem, a beiça desses pedantes renderia mais que todas as AE e SCUT’s, em cem anos!

 

Então, actualmente, nos painéis de comentadores desportivos, até parece existir um campeonato para ver qual deles usa mais vezes o «claramente»!

 

Para os “aziados” (azedados), o azedador, inspirando-se em Pascoais, diz-vos:

 

-.- A vós, o “Inglês” está na moda.

 

A mim, o PORTUGUÊS está no sangue!

 

 

M., vinte e três de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

“De uma vez por todas!”

 

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e,

de peito feito, diz que detesta a política.

Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política

 é que nasce a prostituta, a criança abandonada

 e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista, desonesto,

o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”

– Bertolt Brecht

 

 

Vêm aí as Eleições Autárquicas de 2017.

 

OS de CHAVES, que saltitam, batem palmas, seguem em procissão e louvaminham esse «pavão de Castelões» e o seu galinheiro real, com os olhos mais tapados do que uma coluna de cimento armado, teimam em não dar conta de que em vez de honras colhem, daí, vergonhas!

 

Os Flavienses, não podem deitar fora a oportunidade de defenestrar, de correr, De uma vez por todas, com a cambada de incompetentes, medíocres e malfeitores que só têm contribuído para o atraso civilizacional, para o apoucamento e para o definhar dessa Cidade, desse Município!

 

CHAVES tem, De uma vez por todas, de deixar de ser o «Bairro Raiano» de VILA REAL, o «Ilhéu das Rolas» dos milhafres da capital do Trancão.

 

Por aí, ainda há «defensores de Chaves», gente que chegue para «levantar a cidade», recuperar o brilho e o prestígio de um território com um Passado, distante e recente, glorioso, nobre!

 

Aquilo que os Flavienses têm feito até hoje é votarem e elegerem um vilão e seus vilões que estavam em luta (eleiçoeira) com outro vilão e seus vilões!

 

Se os FLAVIENSES querem ter Futuro, corram com esses falsários moinantes da política, e elejam os melhores que, por aí, ainda restam!

 

Por aí, esses «pavões» e «lalões», e os seus coreutas, se bem (bem mal!) imitados por outros «poneyzinhos-de-Tróia» incapazes, por incompetentes e medíocres, de serem apóstolos das doutrinas que professam (ou dizem professar) têm-se prestado, prestam-se, sim, para serem autênticos «algozes dos seus conterrâneos»: a política tem-lhes servido como frondosa árvore à sombra da qual conseguem «fartar os seus odiozinhos pessoais».

 

Esse «pavão-mor», embora com alguma instrução, não tem grandeza de ideias nem de reflexão para o lugar a que trepou!

 

Não conhece o Passado da «Província», nem tem a capacidade para compreender o Presente.

 

As suas “ideias” assemelham-se às daquele «Imperador Feminino Chinês» que decretou que as flores brotassem no Inverno !

 

Já ouvi a alguém dizer que esse «pavão» acredita ser um “Buda Maitreya” encarnado!

 

Aqueles que o elegeram apenas lhe têm servido de adorno.

 

Antístenes dizia não se poder fazer de um mesmo ser mais que uma única definição.

 

Antístenes não imaginava que, qual cisne negro da Nova Zelândia, vinte e cinco séculos depois, na NORMANDIA TAMEGANA, «rebentasse» um «pavão de Castelões» a quem cabem tantas e tão vis definições!

 

O meu amigo de Roterdão, ao ler as minhas “Conversas com ZEUS” e dar com os olhos nos Post(ai)s de alguns Blogues de CHAVES, numa das suas cartas mostrava o seu espanto: - «Que estranho haver tantos “De CHAVES” a prestarem-se ao papel de bobos mercenários ou de parasitas ridículos”!   

 

Às vezes, chego a crer que os Flavienses, submetidos à estagnação e atormentados com os castigos, os dislates e malfeitorias; o desleixo, a deslealdade, a má-fé; a incompetência e a mediocridade da maior parte dos seus edis, atingiram um tal grau de apatia que não se atrevem a mexer uma palha para mudar a situação, com o medo de ficarem ainda mais prejudicados e «atrasados»! 

 

Podeis crer que, nem com o espelho nem com a varinha mágica, Circe conseguiria transforma esse «pavão» e os seus «lalões» em bons flavienses. 

 

Ó de CHAVES, «lembrende-βos» que esse cafajeste e os seus correligionários são flavienses nas campanhas eleitorais!

 

Chegados aos pedestaizinhos onde vêem multiplicados os salários e as mordomias, e aumentada a untuosidade da sua ridícula quão miserável vaidade, imediatamente consideram inconveniente permanecer no credo da juventude e de toda a conveniência renegarem as juras dos comícios e faltarem às promessas da campanha!

 

Após o 25 A/74, a política tem sido um lindo refúgio de medíocres e infames, de hipócritas e incompetentes, de desleais e de traidores, onde chocam e cultivam a sua mesquinhez moral, as suas vinganças covardes, os seus caprichos doentios, as suas patológicas fantasias.

 

As campanhas, os comícios, os discursos servem mais, muito mais, para ocultar os verdadeiros interesses em jogo do que para esclarecer os eleitores.

 

A preocupação dos candidatos, para agradarem aos seus verdadeiros senhores, consiste mais em inventar argumentos que desviem a atenção pública dos verdadeiros problemas nacionais, sociais e individuais.

 

As campanhas eleitorais são, na realidade, a instalação de uma fraude, concluída e aplaudida no acto eleitoral.

 

Na verdade, o voto democrático corresponde àquilo que Chesterton disse: -“um voto torna-se de tanto valor como um bilhete de viagem de comboio numa linha impedida”.

 

A Assembleia da República, o Parlamento, a “Casa da Democracia”, enche-se de gente cujo maior mérito reside na sua habilidade para ter sido nomeado candidato graças ao seu carácter servil, submisso aos caprichos e disciplina dos seus chefezinhos, e à sua elasticidade de consciência.

 

A (esta) Democracia trouxe à luz do dia a verdadeira qualidade de gente ambiciosa e medíocre, suficientemente esperta e manhosa para se meter em lugares elegíveis em Lista eleitorais   -  foi revelado que apenas possuem um cérebro réptil!

 

E quanto mais medíocres maior a possibilidade de se sentarem em lugar mais à frente no anfiteatro do “Parlatório Nacional”!

 

Mal sabem ler e escrever. E votam de acordo com a «disciplina partidária»!

 

No presente, que valor tem o voto quando é «Bruxelas» a aprovar ou a reprovar o que as nossas Assembleias deliberam?!

 

Que certeiro esteve quem disse: - “A Democracia é o governo dos que não sabem”!

 

CHAVES está empestada com o bodum de falsos políticos.

 

 Os monumentos religiosos do Município de CHAVES são, HOJE, tão esquecidos e abandonados que nem para celebrações religiosas e, nem muito menos, para turismo servem!

 

Aos fins-de-semana, CHAVES é uma cidade tão vazia como a Igreja da Madalena quando nela não se celebra missa!

 

A esse «pavão», persistente no assentimento do lixo espalhado pela cidade e das lixeiras espalhadas pelo Município, a sordidez e a imundície parecem-lhe «luxuoso fedor aromático»!

 

Como gostaria de contrariar, De uma vez por todas, o Gustavo Le Bon ao ver que em CHAVES, nas Eleições Autárquicas de 2017, o «Talento e o Génio» desmentiram que «o exagero das multidões incide unicamente nos sentimentos e de modo algum na inteligência».

 

E como na sua eterna «luta contra a razão o sentimento nunca foi vencido», os espertos-espertalhões, que chamam à ocupação do Poder Governo, adubam bem a imaginação popular e logo as multidões aparecem principalmente constituídas por aqueles que, dentro delas, acreditam conseguir subir muito alto.

 

O adormecimento e a distracção da maioria dos flavienses, junto com a sua falta de coragem para a mudança, faz-me lembrar aquele dito latino-lusitano:

 

-“primo est bibere, deinde philosopfari”.

 

Para os que sabem, mas não se lembram, ou «estão esquecidos», direi:

 

-“Que (lhes) importa (aos flavienses) que a liberdade de pensamento se perca (ou fique arrumada numa choça), se a liberdade de beber continua garantida?!”.

 

Piores que as calamidades do «relâmpago», as cheias furiosas do Tâmega, as trovoadas vindas de Vidago, o calor infernal de um Verão (sempre) «como nunca se viu»; pior que essas calamidades, para os Flavienses são bem mais catastróficas as calamidades dos que os têm governado, quer a partir de Lisboa, quer da Praça do Duque!

 

Um dos erros mais graves no comportamento dos (nossos) políticos caseirotes (autárquicos) consiste no seu enfeudamento, no seu vínculo, não à terra natal (ou adoptiva) na qual exercem uma função administrativa, mas, sim, nesse seu enfeudamento, vínculo e engajamento cegos à comunidade partidária, e com covarde, quão estúpida, submissão ao líder ou ao directório partidários.

 

Os administradores autárquicos «abrileiros», dessa CIDADE, da NOSSA TERRA, não descansaram enquanto não puseram essse Território na miséria civilizacional e política! Julgaram-se triunfantes, pois isso! Porém, o momento, a hora da vergonha lhes chegará!

 

O grande e trágico problema dos flavienses é que têm caído na esparrela de eleger lacaios de cabecilhas políticos «de Lisboa», e de outros políticos «interesseiros, e não Flavienses homens-bons!

 

Mais do que a penúria material de grande parte dos Portugueses, assusta-me e lamento a penúria moral de quem (n)os governa   -   desde «lá de cima», da capital, até «cá em baixo», nas autarquias!

 

Os flavienses (e os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um Passado e Presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

Sabemos da importância que grupos e instituições não-governamentais têm na Sociedade e, especialmente, na Sociedade democrática.

 

E do grau da sua autonomia muito depende a realização dos seus próprios objectivos e satisfação de necessidades da Sociedade.

 

Estes grupos e instituições não-governamentais muito contribuem para a resistência a Governos prepotentes e injustos.

 

Daí, a preocupação e o esforço de governantes medíocres, tirânicos (mesmo que disfarçados) em suprimir a autonomia e a liberdade de tais grupos e instituições, tentando impor, ou mesmo imponde-lhes, um mal disfarçado controle ditatorial.

 

Infelizmente, aí por CHAVES (ai, se fosse só por CHAVES!...) muitas instituições não-governamentais passaram à condição de organizações «recomendadas»!

 

Por aí, os «faroleiros» e candidatos a candidatos dos Partidos e Movimentos da Oposição mexem-se, remexem-se e coçam a comichão pelo Arrabalde e pelas cadeiras dos Cafés, criam células de fanfarrões e de oportunistas e atiram com flores ao peito uns dos outros, contando sempre com o ovo no cu da pita, acabando sempre por ficarem a chupar no dedo!

 

A preparação das Eleições Autárquicas confundem-na com um perliminar olímpico da prova de estafermo, bajulador, «poneyzinho-de-Troya», de «saber fazer pela vida» e vencer a guerrinha entre os seus,  com o qual pensam conquistar a medalha de ouro de integrante na Lista de candidatos aprovada pelo «chefezinho»!

 

Entretanto, a oportunidade de construir a melhor planificação estratégica para derrubar a capoeira de medíocres e infecciosos «pavões» e apresentar projecto sólido, eficiente e exitoso da recuperação do prestígio da CIDADE e do Município, e do Progresso que se lhe ajuste, vai pelo Caneiro abaixo!

 

A modorra, o narcisismo e a falta de sinceridade num ideal político-administrativo para a CIDADE (polis) tem feito com que CHAVES vá de mal a pior! E a perpetuação de gentalha reles e medíocre, no Palácio do Duque, fica garantida!

 

Que notória gente essa da Oposição, que não se cansa de tristes e humilhantes derrotas eleitorais!

 

Pobrezita!

 

Fica de papo cheio e com o ego bezuntado de vaidade balofa só por   -   de eleição em eleição  -   misturar umas bazófias de pretensa sabiciche política, em autênticos pelágios reciclados de si própria, com interpretações tão indigentes quão inifensivas, de ridículos actos ou omissões do «pavão», dos «pavões», dos «lalões», e regadas com uns copecos ou umas «bejecas» nos «Sport’s” ou nos “Faustinos” trajano-chavinos!

 

Fatalmente, sem imaginação nem credibilidade!

 

Porra!

 

Numa terra onde abundam arquitectos, não aparece   -   na Oposição   -   um Plano Estratégico com que se vencer esse bando de aves de rapina e de mau agoiro, que tem destruído o Passado, o Presente e o Futuro dessa CIDADE?!

 

Terão os Flavienses de gritar “aqui d’el rei” quando se virem obrigados a imitar Luís XVI , fazendo dos Jardins da cidade; da Veiga, da Groiva e da Ribeira; das vinhas, dos soutos, das carvalheiras ; das hortas, das cortinhas; dos batatais, das searas, dos pinhais, e dos olivais pomares de laranjeiras?!

 

CHAVES, cidade e Município, está num perigoso plano inclinado de degradação.

 

O Governo Central (de ontem, de hoje, de sempre), com a vergonhosa e indecente colaboração da maior parte dos autarcas e deputados Normando – Tameganos, parece ter um ódio de morte aos que trabalham, vivem, e aos que amam essa Região.

 

A malvadez, a ruindade, a estupidez, a imbecilidade, a ignorância, a mediocridade e a covardia de alguns flavienses, de nascimento ou por adopção, anda mal disfarçada pelos verdes véus de espuma da inveja e pelos amarelo-pálidos véus da ingratidão.

 

Aí por CHAVES, não quero que a tragédia político-administrativa vivida nos últimos decénios não cumpra a profecia «karlista-marxista» de voltar a ocorrer, como uma farsa!

 

Os flavienses (muitos, tantos, demasiados) continuam a descobrir boas qualidades no «salteador de estrada», na esperança de que ele lhes poupe nas algibeiras”:

 

- O “Pita” já morreu há muito!.......

 

Cumpre lembrar o meu amigo, e de Michel Eyquem,  Éthiene de la Boétie:

 

- “É muito próprio do vulgo desconfiar de quem o estima e confiar nos que o enganam”.  

 

Meus conterrâneos, FLAVIENSES, arrumai De uma vez por todas com essas almas pequeninas, com esses manobristas politíticos, que até mesmo nisso são reles e medíocres!

 

M., dezassete de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

“Precisa de ajuda?!”

 

Antigamente havia lojas, comércios, tabernas, pensões, sapateiros, latoeiros e talhos.

 

Com um salto pelos “Cafés” e «Bares», apareceram os “Shoppings”.

 

Logo a seguir, os “Super” e os «mini» Mercados.

 

Copiando os “shoppings», os novos do «empreendedorismo» deram o nome de “CENTRO COMERCIAL” com ares de diferença arco-irisada ao corredor de lojecas   -   salas-buraco   -   no rés-do-chão de um armário de cimento armado, cheio de gavetões a que chamamos apartamentos.

 

A mania das grandezas, sublimação das fraquezas - ‘pequenezas’ -, levou à construção de “Shoppings” grandalhões e a Hiper-mercados, para diferenciação dos “Super” e «mini-mercados».

 

Entra-se numa dessas lojas  -   seja de roupa ou de calçado; seja de produtos de higiene ou tratamento de belezas; de florista ou de telemóveis; de bijuteria ou de ourivesaria; de serviços municipais ou municipalizados; de papelaria ou de sapateiro-rápido; e, logo, uma serigaita se aproxima de nós e atira, como um petardo: «precisa de ajuda»?

 

Quem diria!

 

O “Café”, o “Salão de Chá”, a “Pastelaria e Pão-Quente” não dão para se fazer uma pausa sossegada ou ter uma conversa amena: a «cultura» indígena, o «empreendedorismo» exigem que, com gente ou vazia, a «CASA» tem de ter a Televisão ligada e com o som, de vozes ou de música, bem alto.

 

Para o empresário/a do “Café”, do “Salão de Chá”, da “Pastelaria e Pão-Quente”, a pedra de toque da sua classe empresarial não está no asseio das mesas, das cadeiras ou do chão; não está na simpatia e solicitude dos «colaboradores» (cuidado, porque agora não há «empregados»; nem sopeiras; nem «empregados –de –mesa ou de balcão)!

 

E «colaboradores» até já vai havendo muito poucos: estão a ser substituídos por «assistentes de …»; «gestores de …»; «agentes técnicos da actividade de ….»!

 

Cuidado! Muito cuidadinho!

 

Agora, nos tempos que correm «os ocupantes dos postos de trabalho» estão aí para tratarem dos «clientes» com duquesa caridade (mal se entra a porta da Loja, disparam-nos a pergunta: «Precisa de ajuda»?). Ou, então, aproximam-se com ares imperiais de imperadores, ou de imperatrizes, como que a exigir o «pedido», trazerem para a mesa o café, o bolo, a cerveja ou o sumo com o aprumo de quem apresenta armas na parada, e com a vontade de saltar «à cronhada» ou aos tiros!

 

Em alguns “Cafés” e “Pastelarias e Pão-Quente”, fica-se com a impressão de que os/as «assistentes-técnicos/as da actividade de Restauração e Similares» quase se engaleiam para ver qual deles/as realiza a operação de “Caixa”, esticando a mão para receberem a «massa», criar a técnica mais lambisgoiada de combinar as moedas para o troco, e tirar o narcisista proveito de ver um, ou outro, e outro pagante à espera de que lhe seja feito o favor de ver aceite o seu pagamento!

 

Não! Que a ocupação de um «posto de trabalho» confere direitos e mais direitos, e uma superior importância, de tal ordem que os «clientes» são seres hierarquicamente inferiores!

 

A toque de caixa, e ao som do Programa favorito da «Gerência» é que os «clientes» modernos têm de andar, ora essa!

 

Saímos para ir às compras e entramos em «centros de caridade»!

 

Os “Shopppings”, os “Centro-Comerciais”; as sapatarias, as parafarmácias; as lojas dos «tèlélés» e as de brinquedos; as livrarias, as perfumarias; as «chocolaterias» e as gelatarias deixaram de ser «estabelecimentos comerciais»: passaram a «Centros de Ajuda ou de Perpétuo Socorro»!

 

É tanta a Caridade que até tresanda!

 

E mesmo nas Repartições Públicas, ou Câmaras Municipais, quando o cidadão expõe o seu assunto e revela alguma hesitação ou incompreensão na resposta que lhe estão a dar, o funcionário, ou funcionária, apressa-se aflitivamente, mas com tom solene e poderoso, a declarar:

 

- “Eu estou aqui para ajudar”!

 

Omessa porra!

 

Isto é uma pândega!

 

Sumiu-se o «O que deseja?»!

 

Agora ninguém está num posto de trabalho para «atender», para «vender», para «receber», para «pagar», para «ser útil», para SERVIR!

 

Toda a gente, no seu posto de trabalho, ali está para «AJUDAR» … a tornar mais leve o nosso porta-moedas ou a emagrecer a nossa Conta bancária!

 

Ou a dar cabo da nossa paciência!

 

 

M., vinte e quatro de Fevereiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

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Sábado, 28 de Janeiro de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

=Em nome d’…….

 

- A batata, a couve, os grelos;

 o cabrito, o cordeiro, a vitela;

a alheira, o salpicão, a linguiça;

o presunto, a pá, o pernil e a orelheira;

o polbo;

a castanha, o merogo, o melão e a melancia;

 os figos, os pimentos, a sêmea;

o calondro, os chícharros,

a raba,o cabaçote e a azeitona;

os pastéis, o folar;

 as águas minerais e a «pinga»;

 os monumentos e os vestígios históricos;

os artistas e os artesãos;

os Lázaros, “os SANTOS”, o S. Caetano;

a Srª da Livração, as da Saúde;

o Sr. do Monte, a Srª da Guia;

a Srª das Brotas!

 E a franqueza e a hospitalidade dessa gente!

                                                                   =

 

Meus amigos, sempre que por aqui e por mais além dou a «proβar» uma alheira, das ALTURAS; um salpicão, de SEGIREI; uma chouriça, de S. VICENTE; uma fatia de presunto, de CASTELÕES; uma linguiça, de LAMACHÃ; um paloio, de VALDANTA; uma costeleta de vitela, VILARINHO SECO; uma chouriça d’abóbora, do CAMBEDO; uma de sangue, de OUTEIRO SECO; uns «rijões do pingue», de PADORNELOS, umas nozes, de VIDAGO; um gole de Geropiga, da GRANGINHA … ou do “Faustino”; um copo de «branco», de SONIM ou d’ARCOSSÓ; dois de «tinto», de Stª VALHA ou de ÁGUAS FRIAS; um molho de grelos, de SOUTELO; uns espigos, das hortas de VILAR DE PERDIZES; uma fatia de pudim feito com ovos de pita pedrês, de SOUTELINHO da RAIA; um pimento, do CAMBEDO ou de LEBUÇÃO   -   a melhorar uma «sardinhada»; uma garrafa dos «Mortos», de BOTICAS; um magusto, de castanhas de CARRAZEDO de MONTENEGRO; duas lágrimas de azeite de RIO TORTO; um pedacito de um «Trigo de 4 cantos», de FAIÕES; uma fatia de «BÔLA DE LAZA»; uma colherinha de caldo de calondro ou do de chícharros, feitos num pote, numa lareira do CANDO; ou deixo meter o garfo e «proβar» um «Cozido à transmontana», de MORGADE; um “Pastel de Chaves”; ou uma fatia de FOLAR, de PITÕES das JÚNIAS, trazido à Feira do Fumeiro de MONTALEGRE,   -   quer do “João Padeiro”, no POSTIGO, CHAVES; uma folha de couve, da CASTANHEIRA; um pedacito de raba, de Stº ESTÊVÃO, ou um niquito de cabaçote, do CAMPO de CIMA, na Ceia de Natal; uma malga de merogos, colhidos no BRUNHEIRO; uma fatia de melancia, de CURALHA; uma pavia, de VILELA do TÂMEGA; uma fatia de pão centeio, acabadinho de cozer no Forno de TOURÉM ou de MEIXIDE; duas metades de batata, de TRAVANCAS; umas nozes de VIDAGO, uma cebola de PARADA d’AGUIAR; uma truta do COVAS ou do Louredo; uns «milhos» de CERVA ou um cabrito de MACIEIRA; esses meus compinchas, por cada uma destas razões, e por todas e mais algumas, dizem sempre:

 

- CHAVES, a TUA NORMANDIA TAMEGANA é mesmo uma Região «5 estrelas»; e se os teus conterrâneos ainda não deram conta que esse Território foi abençoado pela Natureza então é porque continuam «ceguetas»!

 

Realmente, os flavienses (os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um passado e presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

CHAVES, cidade e Município, daquilo que mais precisa é mostrar-se digna de consideração.

 

E não é com gente desse calibre de «pavão» e «lalões», a administrar o Concelho que o vai conseguir!

 

CHAVES precisa de Investimentos «sérios» e a sério. Tem de saber competir por eles!

 

Os méritos da «Cidade»  -  da Região  -  têm de ser exponenciados, não somados!

 

Estamos entre aqueles que definem a unidade geográfica económica da Economia Global com as REGIÕES.

 

O Estado não tem de ser, necessária e definitivamente, o árbitro de todos os problemas Regionais!

 

CHAVES       ---    e a NORMANDIA TAMEGANA  -   tem de deixar, de vez, de ser uma paróquia da diocese politicastra de VILA REAL, ou do cardinalato político-centrista de Lisboa!

 

A «ligação» a VERIN ainda está muito longe das vantagens e benefícios que pode, e deve, proporcionar a toda REGIÃO.

 

Não é só o mercado doméstico a ter em conta para esse «salto de qualidade e de quantidade» de vida e de investimentos.

 

O «aeroporto do Campo da Roda»… ou o da «Seara» não podem ser pensados como … um bom atractivo-suporte?!

 

CHAVES   -   a REGIÃO  -   não pode ser apenas um bom lugar para negócios: também o deve ser uma CIDADE   -   REGIÃO  -  para trabalhar … e para criar filhos!

 

É tempo, mais que tempo, de CHAVES dar início a um novo ciclo positivo!

 

Prosperidade atrai prosperidade (abyssus abyssum)!

 

Não basta reduzir a pobreza: há que criar Riqueza!

 

Aos homens e as mulheres que aí param ou aportam há que os manter e para essa prosperidade.

 

CHAVES precisa de um governador-administrador  -   de um Presidente de Câmara   -   que tenha a lucidez, a sabedoria, a coragem e a força para promover as suas potencialidades.

 

Os Produtos de CHAVES não podem ser rótulos: têm de ser «MARCAS»!

 

(Os “Pastéis de Chaves” só serão «Pastéis de Chaves” se AÍ em CHAVES forem feitos!

 

… E vós bem sabeis por quê!).

 

Não há que temer nem ter vergonha do orgulho nativo!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   têm mesmo de encontrar o caminho para o sucesso!

 

As «inbeijas» dos poderes centrais   -   da «Bila» ou de Lisboa  -   que se «lixem»!

 

CHAVES faz parte de TRÁS-OS-MONTES, ou da NUT e de Portugal, sim, senhor!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   não quer, nem deve, virar as costas às duas capitaizinhas!

 

Os Flavienses, os Normando-Tameganos, também são «especialistas»  -   também são especiais e sabem «especializar-se»!

 

Ó Flavienses! Ó Normando-Tameganos!

 

Ó “OS de Barroso”! Ó “OS da VEIGA” [desde Talariño a Curalha]! Ó “OS da Montanha”! Ó “OS da Ribeira”!

 

Vós sois especialistas em muitas, muitas coisas, catano!

 

Sacudi de vez esses lingrinhas que se vos dizem políticos!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   é uma REGIÃO singular e atraente!

 

Metei isso na cabeça, amigos!

 

O que vos falta para estardes motivados para o sucesso, pessoal e da NOSSA TERRA?!

 

M., vinte e quatro de Janeiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Domingo, 18 de Dezembro de 2016

Ocasionais - "Tenho de Ir"

ocasionais

 

“TENHO DE IR!”

 

 

Ó vós, videntes, bruxos, curandeiros, astrólogos, feiticeiros, xamãs e mães-de santo!

 

Ó vós, Senhora de toda a Saúde e de todos os Remédios, das Ajudas e da Livração, do Engaranho, do Ó e do Viso!

 

Ó vós, Senhora das Brotas!

 

Ó vós, psicólogos e psiquiatras; neurologistas; existencialistas e vitalistas; cínicos, epicuros; materialistas e racionalistas; aventureiros, «saídos da casca» ou pingentes, «coninhas» e «mosca-morta»; vendedores de «banha-de-cobra» e peritos no «conto do vigário»; soberbos intérpretes, de esplanada «à la Sport» ou de “Pão-Quente”; de técnico-tácticas e arbitragens nas «quatro linhas» dos «tapetes verdes», «que-lara-mente» compostos por uma «moldura humana»!

 

Ó vós, sábios cheios de certezas absolutas, que certificais a mentira como verdade!

 

Ó vós, continentes de tanta informação «de cabeleireiro»!

 

Ó VÓS!

 

Dizei-me, explicai-me por que, nascido em CHAVES, na NORMANDIA TAMEGANA, em TRÁS-OS-MONTES experimento, no corpo e na alma, (cínicos, nos sentidos e na mente) as saudades dos consolos da era sem luz eléctrica, sem estradas ou caminhos pavimentados; sem caldos «Knorr», nem «hamburgers», nem «pizzas», nem «portagens», nem parcómetros!

 

 Mas da da luz da candeia, da lareira, do luar e do fachuco de palha; do caldo de chícharros, da bica de manteiga, das segadas e das malhadas; da matança do reco; da «chega de bois», do «jogo do pau» e do «jogo da choca»; da pesca no rigueiro de Sangunhedo ou no fio d’água do Rabagão, antes da Barragem da Venda Nova, no Noro, no Tâmega, no Covas; dos bailaricos em «Feces» e das «rubicanadas» travessias «à Júlio César», do Tamenguelos; das cartas, dos telegramas … e da “Caixa Postal”!

 

Do «Domingo dos compadres», do «Domingo das Comadres» e do “Domingo de Ramos»!

 

Das Verbenas e dos Bailes nos Bombeiros!

 

Dos “Lázaros”, de Verin!

 

Do Toque das Trindades!

 

Dos apitos do comboio, desde a Ribeira da GRANGINHA até à Estação, ou desde a Estação até à Ribeira da Granginha!

 

Dos «pontapés-na-bola» no “ROLO”, no Toural, no adrozito da Misericórdia ou no «relvado» do Castelo, lá, em MONTALEGRE; no «maracanã» da Srª da Livração, nas BOTICAS; no «Wembley» da LAPA, na «cidade»; ou num lameiro de Soutelo ou numa eira da Granginha!

 

Das caminhadas sobre a neve, desde a “Ponte da Pulga” até à CASTANHEIRA, só para poder comer um caldo ao pé da minha «apaixonada»!

 

Das maroteiras em fazer desaparecer os pentes, lá no cimo ou no fundo das escadas do Mercado, ao Geninho, ou uma maçã (das mais pequeninas) a uma «Regateira», partir dois ou três ovos e deles caírem clara, gema e… «uma coroa» ou «dez tostões» … e, depois, pagar meia dúzia, pela «brincadeira», não sem antes, primeiro, «sumir» as moedas!

 

Dos bancos e dos canteiros floridos, das «FREIRAS!

 

Das «conspirações», académicas ou românticas, no “IBÉRIA”!

 

Ó VÓS!

 

Dizei-me por que ao chegar a Vila Nova, mal batia com os olhos nos montes da «Fenda de Eva», na «Aberta da Ti’Aurora», na Quinta da Maria Rita, no Alto da Forca, ficava banhado em lágrimas e voltava para sul!

 

Ou, quando os amigos Blogueadores me convidaram para um JANTAR-Convívio, num Janeiro mais que frio, lá, no “Aprígio”, e só fui capaz de lhes deixar lá uma lembrança; e, ido pela ABOBELEIRA e VALDANTA, chegado ao CANDO, as lágrimas fizeram-me deslizar para a saída da cidade e rumar a sul, novamente!

 

E por que, mal faço a curva do “Matadouro”, logo me cresce a água na boca e sou obrigado a ir direitinho à procura, faça chuva ou faça sol, de uma quentinho “Pastel de Chaves”!

 

Ah! Tenho mesmo de ir aí para me indemnizar dos ruídos, das abstinências e das saudades a que por aqui estou condenado!

 

M., Um de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Ocasionais - Abandono

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ocasionais

 

Abandono

 

O autor do Post(al), de Domingo, 4 de Dezembro de 2016, *O Barroso aqui tão perto – Fírvidas*, escreve: “….maleitas que afetam as aldeias do interior, principalmente o  transmontano. Refiro-me, claro, ao despovoamento e envelhecimento da população. Cada vez mais estas aldeias fazem parte de um mundo que se acaba no qual apenas os últimos resistentes resistem”.

 

No Post(al) de três de Maio de 2015, *As nossas aldeias* (Stª Ovaia),  o autor escrevia  - Dá pena, chega mesmo a doer ver as nossas aldeias a morrer lentamente, tal como vão morrendo os seus resistentes, os mais idosos que não abandonam o seu torrão, até ao último para se poder fechar definitivamente as suas portas de entrada para receberem o letreiro de FECHADA   -    e, outrossim, no de  sete de Maio de 2016, *Santiago do Monte e companhia*: “As aldeias vivem agora rodeadas da palavra abandono”.

 

1600-sta-ovaia (109)

 

As aldeias vivem agora rodeadas da palavra Abandono”!

 

A tristeza e a mágoa com que alguns de nós lêem, dizem e gritam estas palavras até nos faz crer que a vida mudou de sentido e passou a ter outro significado.

 

As ALDEIAS foram as geradoras das vilas e das cidades.

 

Os vilãos abandonaram-nas.

 

Os cidadãos-citadinos esqueceram-nas.

 

Não há burguês que se preze que não fique derretido de importância, ridícula e balofa, na verdade, por viver numa «vila» ou «cidade».

 

Na mais importante praça da República, os deputados andaram à porra e à massa para ver qual aquele que conseguia a mais rápida promoção de uma terreola com significativo peso eleitoral a «vila» ou a «cidade».

 

E as ALDEIAS passaram a ser refúgios envergonhados.

 

Os aldeãos cultivavam a terra e o espírito.

 

Falavam e conviviam com a Natureza.

 

1600-montalegre (1254)

 

A Vila e a Cidade eram lugares onde se ia pagar a «décima»; fazer queixa à Guarda ou ser julgado no Tribunal; onde se ia ao Civil «iniciar o processo de casamento», o qual só depois de «lidos os banhos» é que a Igreja tornava «válido»; ao «sr. doutor» e à Famácia»; encomendar o adubo e o «sulfate»; tirar a «licença de isqueiro» ou a do carro de bois; aos Correios «meter uma carta» ou mandar um telegrama, ou à Feira d’Ano!

 

Nas ALDEIAS praticava-se o culto da Amizade.

 

Na Adega ou à Lareira diziam-se os salmos a Deméter e tombava-se o cálice de Dionisos.

 

1600-frades (53)

 

A palavra era de honra.

 

Ser compadre ou comadre, uma distinção.

 

O amor tinha a bênção do arco-íris e do luar.

 

Na ida ou na vinda da missa; na hora das Avé-Marias ou no Toque das Trindades; nas segadas ou nas vindimas; na hora do nascimento e na hora da morte, os ALDEÃOS comungavam da mesma alegria ou da mesma dor.

 

Nas Vilas e nas Cidades ajuntam-se mais pessoas para ver uma casa a arder do que para admirar uma casa a construir!

 

E, das ALDEIAS, delas se faz a “eleição dos montes” para passar neles os anos que (a tantos de vós, de nós e de mim) ficam da vida, qual magnífico “acerto de quem colhe esse fruto maduro entre desenganos.

 

M., sete de Dezembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sábado, 3 de Dezembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

 

Falsídia

 

 

Chegou, às portas da aldeia, cheio de sede.

Vinda da missa, uma beata cruzou-se com ele.

Olhou-o com pena.

Perguntou-lhe se precisava de alguma coisa.

- Água! – respondeu o viajor.

Ela mandou-o entrar em casa.

Pegou numa caneca meada de água e pô-la na mesa, dizendo:

- Aqui tem água. A caneca já está meio vazia. Veja lá a que bebe!

Morto de sede, o viageiro queria era matar a sede.

Levou a caneca à boca.

Molhou os lábios.

Agradeceu.

E saiu.

A caridade cristã falseia o amor.

 

M., Quatro de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

“Natalices”

 

Por aqui, neste Novembro já a meio, menos fresco que o costume, vendedores, feirantes e comerciantes, videirinhos e tratantes, simplórios, gabarolas e «ingénuos úteis», passado o «S. Martinho», e com uma castanha ainda a rilharem numa boca vazia de palavras sérias e decentes, apressam-se desalmadamente a anunciar o «Natal».

 

O Novembro ainda tem pra durar, e já flamejam luzes e luzinhas em janelas e vidraças, desde o rés-do-chão até ao último andar das gaiolas urbanas, pintaroladas com nevadas figuras e figurinhas a representar os motivos de vaidade dos habitantes-figurões destes casulos; nas varandas estão pendurados uns farrapos avermelhados nos quais se percebe um cabeçudo sisudo, com barbas à «pai-do-céu» antigo; e as caixas-do-correio estão entupidas com folhetos dos «Hiper», dos «Super», dos «Mini» Mercados; das Lojas de pneus e de electrodomésticos; dos agentes de Seguros e dos «Institutos» ópticos e de beleza garantindo que «este ano, o Natal chegou mais cedo».

 

E todos falam, e prometem, «preços baixos», produtos milagrosos, serviços «personalizados», prazeres exuberantes, gostos sublimes, consolações «derretidas», alegrias transbordantes, saúde «até dar c’um pau», felicidades supremas!

 

Nas Rotundas, nos Cruzamentos, e nas pontas das pontes, bandos de «voluntários» esforçam-se heroicamente para que os condutores de automóveis, de carrinhas, de camionetas e de camiões, e transeuntes, a pé ou a cavalo, aceitem os seus «certificados de generosidade de bondade, de solidariedade» com a correspondente … côngrua, oblata, dízimo, contribuição, retribuição, oferta retirada da carteira do assarapantado «cruzado»!

 

Nas Ruas, bandos de «legionários» tocam às campainhas de todos os cubículos, de todos os apartamentos, de todas as moradias e de todas as vivendas, e entram pelos “Cafés”, Pastelarias e “Pão-Quente”; Lavandarias, Talhos e Lojas de «pronto-a-vestir»; Drogarias, Papelarias e Mercearias; Sapateiros - Rápidos e Cabeleireiros-de-homens a lembrar a importância dos Bombeiros Voluntários, nos incêndios; a lembrar a importância da PSP e, ou, da GNR e da Brigada de Trânsito, na passagem de multas; a do Rancho Folclórico, a da Tuna, a do Clube de Futebol, a dos Tocadores de Bombo, para a nomeada da Freguesia!

 

Só não tocam nem entram (Credo! Cruzes! Canhoto!) nas «Dependências Bancárias»!

 

Nas Rotundas, nos Cruzamentos, nas pontas das pontes; nas Ruas; nas Caixas-do-correio e nas Caixas-de-mensagens dos telemóveis; e, a toda a hora, a fazerem tocar o telefone fixo pelotões, companhias, batalhões regimentos, exércitos; frotas, comboios, e esquadrões, esquadrilhas e quadrilhas de figurões, impostores, aldrabões, trampolineiros emboscam, cercam, atacam, intimidam, intimam os cidadãos de boa-fé, bondosos, piedosos, solidários a conceder às instituições, que essa cambada tão interesseiramente serve ou diz servir, um imensamente mais ruidoso que glorioso pretexto para aliviarem a sua consciência com tão publicitadas, quão insignificantes e inautênticas, obras beneficentes!

 

O descaramento é tanto que, todos os anos, os publicitários usam sempre a mesma paragangona-chavão: - «Este ano o Natal chegou mais cedo»!

 

E, em nome das boas acções, de benevolências e, ou, favores feitos ou a fazer; em nome das «criancinhas», dos «doentes», dos «velhinhos»,  -   que durante o ano foram esquecidos, ou explorados, ou maltratados, ou abandonados à sua sorte   -    o Natal aparece como o milagre dos milagres, a dar saúde, consolo, fartura, prazer, bem-estar, alegria aos tristes, aos desgraçados, aos oprimidos, aos injustiçados, aos excluídos! Aos infelizes!

 

E isso, graças aos «Preços Baixos», aos Saldos, às Promoções dos Comerciantes; e, mais ainda, graças à dádiva imensa de inúmeros «voluntários» e «legionários» que, de manhã à noite, (e até pela noite dentro!) abordam, de todas as maneiras e feitios, todos quantos, no seu entender, nunca, durante o ano, se lembraram do «Próximo» e não o amaram «como a si mesmos»!

 

Kant espantava-se que no mundo houvesse tanta bondade e tão pouca justiça!...

 

Natal!

 

Estação do ano em que a hipocrisia, a burla, a vigarice, a mentira, a chantagem saem à rua, com vistosas (e ronhosas, também!) roupagens; coloridos (e aberrantes) discursos de bondade e de «bondadeza»; e artísticos (e insultuosos) arremedos de visitas de arcanjos celestiais!

 

Natalices!

 

M., vinte e três de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

(...)

Na 6ª fª, à tarde, os pais das “Lindas” chegariam à cidade com o «carocha».

 

XX

O “TINO da TERRA QUENTE” partiu para Coimbra.

 

Encontrou-se algumas vezes com as estudantes de “Românicase de “Germânicas”.

 

Desta última vez, o «doutor», a «latina» e a «alemã» lanchavam, com boa disposição, na «Briosa».

 

A dada altura, a Adília disse:

 

- Sabes TINO, hoje vou revelar-te um grande segredo.

 

Pausa táctica da Adília.

 

Enrugar da testa e franzir do sobrolho do ”Rapaz da Terra Quente”, e riso maroto da Adília.

 

- Desembucha! – ordenou, já impaciente com a pausa, o Celestino.

 

A Adília olhou para a Adélia e, inclinando-se para o colega, segredou-lhe:

 

- A Adélia ficou caidinha pelo Clementino logo no primeiro dia de aulas de Psicologia!

 

O «songa» nunca deu conta.

 

Depois, a carta para a Ermelinda desanimou-a.

 

- -  Muito me contas, Adília! É mesmo verdade, Adélia?!  - pergunta o  TINO.

 

A Adélia pôs-lhe uma mão no braço, puxou-o um cibinho para si, e disse:

 

- - - Então agora vou eu fazer uma revelação!

 

E vais prestar muita atenção às minhas palavras, meu «pamonha»!

 

Nem queiram saber a cara de caso, de intrigado, com que ficou o «doutor»!

 

A Adélia olhou para a Adília e, inclinando-se para o colega, segredou-lhe:

 

- - - A Adília ficou apaixonada por ti, logo na primeira aula de Psicologia!

 

A RAPARIGA de Vilarinho de Freires baixou a cabeça, mas espreitou a expressão dos olhos e da cara do TINO.

 

Gelou-se-lhe o sangue nas veias, ao “Rapaz da Terra Quente”.

 

 O espanto deixou-o como à «estátua de sal»!

 

A Adília refez-se.

 

E falou:

 

- Olha, Tino, eu e a Adélia combinámos falar-te destes segredos hoje.

 

Um segredo era dela. O outro era meu.

 

Mas nós as duas temos um segredo comum que queremos que o conheças.

 

A Adília fez uma pausa.

 

Olhou opara a Adélia, que fez um sinal de assentimento.

 

Continuou:

- Tu e o Clementino pediram-nos para entregarmos as vossas «declarações de amor» às “Lindas”.

E entregámo-las.

 

Mas, aconteceu que, eu e a Adélia já éramos os dois segredos que acabaste de saber.

 

Os vossos envelopes iam abertos.

 

À nossa amargura juntou-se a curiosidade de ler as vossas cartas.

 

Não te admires.

 

Compreende-nos e desculpa-nos: -  Nós trocámo-las!

 

Foi fácil, pois no papel de carta vós só escrevestes «Linda”. No rosto de cada envelope é que ia o nome inteiro de cada uma: Carmelinda e Ermelinda, e que vós escrevestes na Pastelaria, quando vos dissemos o nome de cada uma delas!

 

Sede felizes!

 

O Celestino, ouviu tudo em silêncio e na mesma postura estática em que o espanto o prostrara.

 

As RAPARIGAS «latina» e «alemã» levantaram-se da mesa, e sumiram-se.

 

O TINO despertou.

 

Pagou a conta.

 

Seguiu caminho para a “Ay-Ó-Linda”, enquanto repetia:

 

- razão tinha o meu padrinho quando, uns dias antes de eu ir para VILA REAL, ao meter-me uma «nota de cem» no bolso, me aconselhava:

 

- “nunca se diz a uma mulher que se gosta de outra”!

 

E eu que só agora me lembro disto!

 

Quase deitava tudo a perder, eu que sem a «LINDA» não sou nada nem ninguém!

 

O “TINO da TERRA FRIA” partiu para Lisboa

Na Academia, o Clementino fez amizade com um cadete mais adiantado, natural da Beira Baixa e que de adiantado namoro andava com uma universitária do Alto Alentejo.

 

- Hoje vens comigo!  - disse-lhe o cadete da Beira Baixa.

 

-Vou ter com a Beatriz à «Suíça». Vou apresentar-te a um grupo de amigas e colegas da BIA.

 

Assim foi.

 

Os dois académicos militares, quando chegaram à «Suíça» tinham a esperá-los um grupinho de quatro graciosas cachopas.

 

A Beatriz levantou-se, cheia de alegria, cumprimentou o cadete Romeu com um beijinho e estendeu a mão ao TINO, ao mesmo temo que o amigo a apresentava:

 

- Esta é a minha Julieta, a BIA, cujo nome em Latim   -   Beatrix   -   significa «aquela que traz felicidade»!

 

Sorridente, a BIA completou a cerimónia das apresentações: estas são as minhas colegas e amigas Aida, Dulce e Deolinda   -  Linda, para os amigos.

 

Ao TINO pareceu-lhe fugir o tino.

 

Apreciou a conversa, a graça e a companhia do grupo.

 

Os encontros na «Suíça» foram - se repetindo, com a presença mais assídua da Deolinda.

 

Próximo das «FÉRIAS GRANDES» o TINO e a Deolinda já passeavam sozinhos, iam juntinhos ao cinema.

 

Deram conta gostarem um do outro.

 

Abraçaram-se.

 

- TINO! – suspirou ela

 

- linda! – gemeu ele.

 

Cobriram-se de beijos.

 

Descobriram o amor.

 

Naquelas «FÉRIAS GRANDES» o “TINO da TERRA FRIA” já não viajou pela Linha do Norte.

 

Com a linda do Baixo Alentejo, apanhou a Linha do Sul e, depois, seguiram para leste, para Santa Maria da Feira, Beja.

 

O “TINO da TERRA FRIA” tinha tropeçado com a linda e caiu-lhe em cima.

 

Iam encomendar-se a “Nossa Senhora ao pé da Cruz”, pedir-lhe que lhes deitasse a mão e abençoasse o «néné» que vinha a caminho.

 

Cumpridas as formalidades e obtida a autorização académica, lidos os banhos, foi uma cerimónia bonita, muito bem apadrinhada pela BIA e pelo Romeu.

 

O final do Curso de um e de outro ia - se aproximando.

 

Os TINOS estavam no último ano das Academias.

 

À “CASA da RAIA” e à Escola perto de casa só chegavam cartas de Coimbra.

 

A Rádio começou a ouvir-se «Angola é Nossa»!

 

CHAVES ia-se enchendo de soldados.

 

O TINO «doutor» foi chamado à Tropa. Deram-lhe uns dias para «ir à terra» e guia de marcha para embarcar no “Vera Cruz”, com destino a Angola.

 

vera cruz.jpg

 

A Carmelinda falou com a mãe, a mãe falou com o pai, e o “TINO da TERRA QUENTE” foi visitar o pai e a mãe da Carmelinda e prometer à «sua» linda que o casamento seria logo após o regresso do Ultramar.

 

O “TINO da TERRA FRIA” ingressou na Força Aérea.

 

Chegada a altura, foi mobilizado para Moçambique.

 

Militar de carreira, cumpriu várias «comissões de serviço». A subida de patentes ia acontecendo.

 

CP0105.jpg

 Fotografia propriedade de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/) 

 

Num Janeiro gelado, regressado do «Ultramar», feito o espólio no Quartel da Amadora, o Celestino apanhou a Linha do Norte, em Santa Apolónia, seguiu pela Linha do Douro até à RÉGUA. Atravessou o cais e entrou no comboio da LINHA do CORGO, que o levaria até CHAVES.

 

Na paragem na Estação de Vila Real, tornaram-se vivas as recordações de umas partidas para Férias.

 

Ao atravessar a Ponte de Curalha, abanou a cabeça e disse para si mesmo: -“Caramba! A viagem nunca mais chega ao fim!”

 

Na paragem da FONTE NOVA, olhou pelas “Avenidas”, apanhou a Ponte e adivinhou a “buvette” das Caldas.

 

cp0018.jpg

Fotografia propriedade de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/)

 

Mal o trem desfez a curva da Raposeira, pareceu-lhe ver, lá ao fundo, na Gare, alguém conhecido.

O comboio ia cada vez mais devagarinho.

 

O TINO sobressaltou-se quando o maquinista puxou o gatilho do apito do comboio e o assobio ecoou estridente.

 

Com um saco ao ombro e uma mala na mão, saltou do varandim, pôs a tralha no chão e correu a abraçar a «sua» linda.

 

Já estavam casados pelo Civil, pois atempadamente tratara, desde África, deste adiantamento.

 

Mas os costumes daquele tempo não consentiam mais que um xi-coração, demorado e apertadinho.

 

Os pais da Carmelinda e os pais do Celestino ficaram uns passos mais atrás. 

 

Uns e outros não cabiam em si de contentes.

 

Até o Ministério da Educação tinha dado autorização para a boda: não que o Decreto-Lei nº 27.279, de 24 de Novembro de 1936, tinha de ser respeitado!

 

No «VW carocha» seguiu a linda com os pais; no «Renault Gordini», com os pais, o TINO.

 

O destino era o mesmo: a “CASA da RAIA”, onde os esperava uma rica Ceia.

 

¥¥¥¥¥¥¥

 

De lustro em lustro, século XX chegou ao fim.

 

O século XXI já vai com 15 anos.

 

Dizem que os profetas entendiam o nº 15 como o propiciador de visões e revelações.

 

Naquela 3ª fª de 2 de Junho último, o “TINO da Terra Fria” resolveu ir ao CCB, assistir ao espectáculo do compositor belga Wim Mertens.

 

Passou pelo BAR Terraço, para espreitar, mais uma vez, o Rio, a Ponte, o Cristo-Rei e o Padrão dos DESCOBRIMENTOS.

 

De uma mesa acabava de se levantar um casal.

 

Aqueles traços daquela cara, aquele modo de andar, aquele «lencinho de azul mais claro»

provocaram-lhe um pequenino e tão forte estremecimento.

 

Seguiu-os com olhar discreto.

 

Sentiu um baque no coração.

 

As fontes latejaram.

 

Saiu.

 

Do automóvel que passou por si, um olhar partiu sereno ao encontro do seu.

 

Teve uma certeza.

 

Meteu-se no carro e foi para casa.

 

Abriu a porta com menos cuidado, algo precipitado.

 

Entrou na Sala-de-estar, onde se situava a sua Biblioteca e o «seu» BAR. Com gesto decidido, pegou num copo, com a mão esquerda, numa garrafa de whisky, com a direita.

 

Afundou-se no sofá.

 

Bebeu pela garrafa.

 

Guiou os olhos para o seu grande retrato colorido com as condecorações que lhe cobriam o peito.

 

A chaga do seu coração estava assim ainda mais encoberta.

 

Aquele olhar que do automóvel partiu sereno ao encontro do seu e o brilho daquele «lencinho de azul mais claro» tocaram-lhe na ferida.

 

Doeu-lhe até à alma.

 

Jamais conseguiu defender-se daquela própria verdade.

 

A esposa, solícita e discreta chegou à porta da Sala.

 

Olhou.

 

Encheu-se de pena.

 

- Maldita guerra!  - disse para dentro de si.

 

- Os traumas parecem surgir com mais força à medida que a idade avança! – falou consigo mesma.

 

Ia para se voltar quando ouviu um grito.

 

- - Não!   -  gritou o major-general da Força Aérea,

 

A infeliz companheira do general suspendeu o passo.

 

Parou.

 

Ficou sem respiração.

 

O copo continuava vazio, na mão esquerda.

 

O TINO «militar» emborcou mais uma boa golada de whisky.

 

- - Não foi a guerra que me pôs assim!  - berrou o “Rapaz da Terra Fria”.

 

Foi um estilhaço do tempo de paz!

 

Um rio de lágrimas correu pela cara da linda alentejana.

 

Fugiu para o seu quarto, com as mãos sobre o peito como que a querer agarrar o cabo de um punhal que acabasse de lhe ser espetado no coração.

 

No ano «15» do século XXI a profecia do número cumpriu-se!

 

 

Mozelos, 06 de Outubro de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

 

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