Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2016

Exposições do "Outono Fotográfico" em Chaves

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A partir de hoje e até ao final deste mês estarão patentes ao público duas exposições de fotografia integradas no Festival Galego de Fotografia – Outono Fotográfico, este ano com a tema “Dentro-Fora / In-Out”.

 

Uma exposição Individual de Fernando DC Ribeiro, na Adega do Faustino intitulada “Um mundo que acaba”

 

Um mundo que acaba

Por dentro e por fora do que resta de um mundo rural e de artes que acabam sem retorno possível. Um mundo de resistentes que por amor ao berço disseram não aos convites da partida.

 

Uma exposição que tenta ir de encontro à temática da 34ª edição do Festival Galego de Fotografia – Dentro/Fora, In/Out - com uma mostra de momentos captados no mais puro que há dentro do mundo rural, de um mundo de artes e saberes, de uma cultura singular, interior, telúrica, hoje feita de resistentes,  a contrastar com a provocação/sedução do glamour, dos neons, num ruído de culturas onde o multiculturalismo dos que partiram se globaliza e acultura, onde as berças ficaram para sempre sepultadas ou fazem doer a memória sobrevivendo apenas na saudade.   

 

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Cumplicidades

A outra exposição, coletiva, é da Associação de Fotografia – LUMBUDUS e depois de ter estado patente ao público durante o mês de novembro em Verin, chega agora à cidade de Chaves, onde estará patente ao público na Biblioteca Municipal até ao dia 30 de dezembro.

 

Nesta coletiva participam os fotógrafos Lumbudus António Souza e Silva, Fernando DC Ribeiro, Humberto Ferreira, João Madureira, Lamartine Dias, Paula Dias e Sergio Crespo. Intitulada “Cumplicidades” mostram o quotidiano, enquanto unidade de espaço e tempo, onde nos permite apreender as heterogeneidades do espaço vivido, concebendo novos sentidos e significados às experiências que vivenciamos, que envolvem e elaboram relações contraditórias entre o dentro e o fora, o antes e depois, mudança e permanência, espaço e tempo, apreendidas por distintos meios como os olhares dos fotógrafos.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:30
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2016

Hoje vamos ÓPorto!

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Hoje vamos até ao Porto, a nossa grande cidade do Norte e cada vez mais nossa, pois a isso somos também obrigados. Não quero com isto dizer que não vá por lá com prazer, mas com esta coisa da centralização e os de Lisboa quererem acabar com o interior, e os do interior nada fazerem para os contrariar. Que remédio, lá temos que ir até uma cidade grande à procura das coisas essenciais a que  todos têm direito, principalmente o direito à saúde, uma das razões que mais nos leva por lá, mesmo que privada (outra das nóias dos de Lisboa).

 

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Mas há mais razões e nesta obrigação de irmos por lá, também podemos desfrutar um pouco da cultura que por cá escasseia e da descoberta de um Porto que até há poucos anos atrás estava mais fechado e menos atrativo – o seu centro histórico na colina que desce para o rio.

 

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E sempre que vou por lá recordo também as palavras com que um amigo galego me surpreendia, há uns bons anos atrás quando me dizia: — “Já corri os cinco continentes, já visitei muitas cidades no mundo mas as mais bonitas que encontrei foi a cidade de Chaves e a cidade do Porto”. Pensei inicialmente que estava a gozar, mas depois de se justificar fiquei crente na sinceridade das suas palavras, que já agora subscrevo na parte de ambas as cidade serem as mais bonitas do mundo, pelo menos daquele que conheço, e pelas mesmas razões desse meu amigo.

 

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Pois há dias a Associação de Fotografia Lumbudus em colaboração com a Portografia, Associação de Fotografia do Porto levou-nos em passeio de um dia pelo Porto, sem a tal obrigação de termos de ir por lá à procura de saúde, mas antes à procura da descoberta da intimidade do Porto, hoje aberta ao turismo, mas também dos seus ícones mais importantes.

 

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Mas para não dar tudo por inteiro, pois aprendi que nunca se deve dar, hoje deixo-vos apenas sete imagens à volta de um bocadinho do Porto, desde o Jardim da Cordoaria, passando pelo miradouro da Vitória, uma entrada nas Estações de S.Bento (comboio e metro), uma passagem pela Sé e a descida até à Ribeira pela intimidade do casario, escadarias e ruelas.   

 

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Mas sem chegar à Ribeira, à Ponte de D.Luís, a Gaia e demais Porto do nosso passeio. E agora que estamos tesos que nem carapaus, sem pilim para férias, esta pequena mostra que vos deixo serve também de convite para irmos até uma grande cidade, aqui bem próxima, a pouco mais de uma hora de viagem. Um convite para ir por lá sem a obrigação de ir à procura daquilo que aqui não temos e ainda acessível às nossas bolsas.

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Para terminar o agradecimento à Lumbudus pela organização do encontro/passeio e aos amigos fotógrafos da Portografia, principalmente aos que nos receberam e nos fizeram companhia, nomeadamente o Francisco Oliveira, os Antónios – Sadinha e Tedim. Obrigado, pois sem Vós algumas das descobertas não seriam possíveis.

 

Um destes dias voltamos ao Porto com mais imagens.

 

 

 

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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

Dia mundial da fotografia

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Dia 19 de agosto, dia mundial da Fotografia.

 

Tudo começou em 1826 quando o francês Joseph Nicéphore Niépce, desde uma janela com uma placa de estanho coberta de um derivado de petróleo, exposta à luz durante quase oito horas chegava àquela é conhecida como a primeira fotografia:

 

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Primeira fotografia - 1826 - de Joseph Nicéphore Niépce

No entanto apenas era o ponto de partida,  o início dos inícios da fotografia e muita gente e ciências (física e química) esteve envolvida até que Louis Daguerre, em 1837 inventa um processo fotográfico que dá pelo nome de daguerreótipo que, passado dois anos, em 19 de agosto de 1839, a Academia Francesa de Ciências reconhece a invenção de Daguerre, data que hoje se celebra como Dia Mundial da Fotografia . No mesmo ano de 1839 William Fox Talbot inventa outro processo fotográfico, o calótipo, considerando-se assim o ano de 1869 como o ano da invenção da fotografia.

 

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 A primeira fotografia colorida, tirada por James Clerk Maxwell em 1861

Arte ou não, a discussão mantém-se, a realidade é que a fotografia está aí, na rua, em estúdio, em casa, no espaço, onde quer que seja há uma câmara fotográfica a congelar momentos, hoje maioritariamente digital, embora a analógica ainda tenha adeptos, a fotografia está ao alcance de todos e de todas as idades.

 

Em Chaves, em maio de 2010, 34 amantes de fotografia reuniram-se e formaram uma Associação de Fotografia e Gravura, a LUMBUDUS, à qual este blog dedica hoje este dia Mundial da Fotografia.

 

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 Hoje a Associação Lumbudus conta atualmente com mais de setenta associados e ao longo dos seus seis anos de existência e  tem garantido todos os meses, pelo menos, uma exposição patente ao público quer em Portugal quer na Galiza, promovido encontros fotográficos (dois por ano), realizado vários cursos de fotografia, cursos de Photoshop, workshops, concursos de fotografia, contando ainda com a publicação de um livro de coleções de postais, livro e postais comemorativos a chegada do comboio à cidade de Chaves, aliás exposição que está atualmente patente ao público e até ao fim deste mês na Adega do Faustino em Chaves.  

 

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A associação Lumbudus tem por objeto social a prática, promoção e divulgação da fotografia e da gravura,  e tudo tem feito por isso e mais não faz porque não pode ou não deixam fazer…. Não por falta de projetos mas antes por falta de apoio de quem tem competências e obrigação de apoiar projetos associativos, preferindo promover e apoiar iniciativas pessoais.  Mas a lumbudus tem a força dos verdadeiros amantes da fotografia, sem interesses pessoais,  sem fins lucrativos, não subsidiada, vivendo apenas da quotização dos seus associados e  colaborando em iniciativas, e abrindo as suas, à comunidade onde se insere numa perspetiva de reciprocidade.

 

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Mas enfim, temos pena que as associações independentes como o é a Lumbudus,  sejam esquecidas e mal amadas por quem tinha obrigação de as apoiar e em vez disso, apoiem seitas que em vez de servirem a fotografia se servem dela.

 

E é por esta e por outras que hoje, no dia Mundial da Fotografia, dedico este post à Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura.

 

 

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Terça-feira, 5 de Julho de 2016

História da Pesca contadas em fotografia de António Tedim

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A partir de hoje e durante todo o mês de julho a Adega do Faustino, em Chaves, abre as suas portas à fotografia de António Tedim, com “Histórias de Pesca”.

 

António Tedim é fotógrafo amador, natural da Maia, tem participado em diversas exposições coletivas e individuais e é um dos fotógrafos amadores portugueses mais premiados em diversos concursos nacionais e estrageiros.

 

Esta é a segunda vez que expõe em Chaves. A primeira no ano de 2012 a convite da Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura, com uma exposição intitulada a “Rapa das Bestas”, documentando uma tradição galega com mais de 400 anos. Desta vez traz até nós “Histórias da Pesca”, contadas e imagem, com histórias da arte xávega, do mar e da ria.

 

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Mas, como sempre, mais vale uma imagem do que mil palavras e nem há como passar pela Adega do Faustino para ver esta exposição, para apreciar a arte de registar e perpetuar momentos únicos em fotografia.

 

Em palavras, há tempo ainda para reproduzir aqui o que António Tedim deixa registado no catálogo da exposição:

 

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HISTÓRIA DE PESCA

 

Escrever com os olhos é a melhor forma de sentir a ria, a laguna, as gentes, as artes, os alvores, os entardeceres e tanta, tanta beleza, que em tão pouco espaço nos deslumbra.

 

Esta exposição conta histórias de pesca da ria e do mar de Aveiro porque penso que a fotografia é uma das melhores maneiras de contar histórias.

 

A  PESCA  DO SÁVEL E DA LAMPREIA

 

O Murtoseiro que já tinha casa de tijolo no Tejo, quando lá chegaram os avieiros, e ali pescava o sável, a fataça e a eirós; a Murtoseira que, mais tarde, percorria a pé os caminhos que a levavam à Azambuja, carregando as redes feitas na terra e que ia vender aos do Tejo; o Murtoseiro é povo de muitas artes mas as de pesca são as suas preferidas.

 

Subam as lampreias e os sáveis as águas mais doces que de inverno escorrem na ria, e é vê-lo com novas redes, artes velhas, colhendo esses peixes que a norte e a sul são tão apreciados e caros, e tão mal pagos aqui, onde eles desde sempre as apanham.

 

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A  APANHA  DA  AMÊIJOA

É deste Murtoseiro que outro homem, o francês François Dennis, dirá que lavra o mar. Esse era o Murtoseiro do tempo dos bois nas artes do mar, na xávega. O Murtoseiro de hoje lavra a ria, na mais dura arte com que nela se trabalha, a cabrita. A arte da apanha da amêijoa, a arte onde os homens e as mulheres esfacelam rótulas, rasgam ombros, gingam dentro de água, se contorcem na dança mais estranha, dobram-se ao peso das massas brutas das cabritas.

 

A arte onde, por vezes, homens e mulheres parecem caminhar sobre as águas. A  arte que hoje é mãe do pão para tanto desempregado. É impossível imaginar a sobrevivência do pescador e de muitas das famílias ribeirinhas, sem a apanha da ameijoa.

 

Quanta fome a ameijoa mata? E quantos corpos lentamente destrói?

 

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A  ARTE  DA  PEIXEIRA  OU SALTADOIRO

 

Peixeira é aqui nome de arte, saltadoiro também lhe chamam, e é a tainha o peixe que busca. A peixeira do Ti Manel Viola, que já não pesca, e que o filho Alfredo herdou. A peixeira que ainda trabalha lá para os lados da Bestida, é uma arte em vias de extinção. Só o Alfredo a pratica.

 

A arte das redes, sempre por detrás das artes da pesca, artes que fizeram da ria mãe e que hoje é quase madrasta dos que dela vivem.

 

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As artes da ria. São artes de homens que resistem desde sempre e que comem pão salgado a cada dia, que vivem com o relógio das marés, que partem e regressam para tornar a partir.

 

É uma arte viver das artes da ria.

 

António Tedim

 

Para ficar a conhecer mais sobre António Tedim, nem há como acompanhá-lo no Facebook em:

https://www.facebook.com/antonio.tedim.7?fref=ts

 

Esta exposição é organizada pelo Blog Chaves, apoiada pela Adega do Faustino e a Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura e tem como Media Partner a Sinal TV.

 

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Quinta-feira, 9 de Junho de 2016

Fotografia - Exposições

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Para este mês de junho a Associação de Fotografia Lumbudus brinda-nos com duas exposições de fotografia. Uma, coletiva de cut-out, já inaugurou no passado dia 6 de junho, na Biblioteca Municipal de Chaves.

 

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A segunda exposição, de autoria de Pablo Serrano, inaugura hoje às 18H30 na Adega do Faustino.

 

 

 

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Sexta-feira, 20 de Maio de 2016

12 - Era uma vez um comboio

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Comboio

 

Primeiro, o sonho, a ousadia, a vontade de unir terras e aproximar pessoas

- “Faça-se!”

E fez-se!

Pás, picaretas, força de braços a rasgarem novos caminhos

Pontes, túneis, carris, estações e apeadeiros

Finalmente, a máquina, carruagens e vagões…

Milhares de viagens, milhares de sonhos

Histórias, peripécias, amores e desamores

Partidas e chegadas

Gente subindo, gente descendo…

Outro mundo para lá dos horizontes da terra de sempre…

A todos serviu, cruzando vales, rios e serpenteando montanhas

A todos encantou…

- “Feche-se!”

E fechou-se!

 

                                                                                               Luís dos Anjos

 

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CP0041 – Locomotiva: CP E202, Data: Não datado, Local: Chaves, Portugal, Slide 35 mm

 

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

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Sexta-feira, 6 de Maio de 2016

11 - Chaves, era uma vez um comboio

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Chaves, era uma vez um comboio - Um poema de Laura Freire

 

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CP0097 – Locomotiva: CP E207, Data: 1973, Local: Pedras Salgadas, Portugal, Slide 35 mm

 

“…fumegando…”

 

28 de Agosto de 1921

 

Chegaste, fumegando…

Amodinho…

Tímido, perante a multidão que te esperava…

Enquanto os “VIVA's” eram abafados pelo repenicar do teu apito…

Incansável…

Ofegante…

Com sede de água e fome de carvão…

Rasgaste as serras para cá chegar…

Depois, foi o silêncio de todos…

De todos os que serviste…

E partiste, fumegando…

 

1 de Janeiro de 1990

 

Laura Freire

 

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 CP0046 – Locomotiva: CP E207, Data: 1971, Local: Chaves, Portugal, Slide 35 mm

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

 

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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

Outra Realidade - Exposição de Ana Iglesias

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A partir de hoje e durante todo o mês de maio, na  Adega do Faustino, estará patente ao público a exposição de fotografia “Outra Realidade” da fotógrafa galega Ana Iglesias.

 

“Se souberes esperar, a gente esquecerá a tua câmara,

e então, a sua alma sairá à luz.”

Steve McCurry

 

“Quando saio à rua com a câmara fotográfica, apenas procuro captar a realidade urbana que está cheia de luz e vida. Congelo momentos que transmitam uma emoção, um sentimento, uma situação especial que acontece num segundo e que às vezes apenas eu vejo. Com essa realidade trato de criar o meu próprio mundo, sem alterá-lo mas transformando-o em algo para mim belo. A beleza pode ser vista em todas as coisas, ver e compor essa beleza é aquilo que procuro nas minhas fotografias.”  - Estas palavras  são de Ana Iglesias e testemunham bem a arte que está patente nas suas fotografias, porque Ana Iglesias não se contenta com apenas congelar momentos, emoções e sentimentos, antes, serve-se desses registos para criar e compor ou  acrescentar-lhes  arte, em composições aos que acrescenta o seu cunho pessoal. É aí que começa a arte na fotografia e a distingue de uma qualquer banal fotografia, de um qualquer registo.

 

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Ana Iglesias é Membro da antiga  Agrupación fotográfica Ourensana e da  Comunidade Fotográfica  Fotocomunity.

 

Quanto a exposições, Ana Iglesias apresenta os seus trabalhos ao público desde 2010:

 

2010

Ateneo de Ourense.

 

2011

- Exposição coletiva - homenagem a Benito Losada.

- Concello de Carballiño.  “A través dos meus ollos” . Outono Fotográfico.

- Casa da Xuventude de Ourense.  Outono fotográfico.

- Exposição Coletiva  - Violetas em “ Noite de Ronda”

.

2012.

- Exposição Coletiva -  Violetas en la exposición “Muller,erotismo e sensualidade”

- Galería Mitte de Barcelona.

 

 2013.

- Exposição coletiva -  Violetas en el Outono fotográfico.

 

2014.

- Centro cultural Marcos Valcárcel  -  “Outra Realidade”   .

- Centro sociocultural O ensanche. Santiago de Compostela. Outono fotográfico.

- Concello de Carballiño. Outono fotográfico.

 

2015

- Policlínico Cosaga. “Outra realidade”.

 

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Prémios:

  • Mención especial Raigame 2013, en categoría de serie.
  • 2º Premio fotografia Raigame 2014.

 

 

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Publicações:

  • Revista fotográfica Tetrablock. 2012.
  • Revista fotográfica Los expulsados del Paraíso. 2013.

 

É também com Ana Iglesias que o Blog Chaves se inicia com a organização de exposições de fotografia, tendo como Media Partner  a Sinal TV e contando com o apoio da Adega do Faustino e da Associação de Fotografia e Gravura Lumbudus, aos quais o  Blog Chaves agradece desde já a colaboração dos seus parceiros, à  Adega do Faustino por ter as portas abertas à arte da fotografia e à cultura, à Lumbudus por além de organizar as suas próprias exposições apoiar outras exposições de fotografia e à Sinal TV por se disponibilizar a divulgar este tipo de eventos.

 

 

Da parte do Blog Chaves tentará trazer a Chaves o que de melhor conhece em fotografia e que seja desconhecido ou pouco divulgado por estas bandas. Pensamos que este início com Ana Iglesias é um bom início, mas cabe a que por lá for ver a sua arte dizer se assim é ou não.  

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 12:48
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

Exposição de Fotografia

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Inaugura hoje, dia 7 de abril, às 18 horas, na Adega do Faustino em Chaves, mais uma exposição de fotografia da Associação Lumbudus.

 

“Domingo Corredoiro” é o título desta coletiva de fotografia em que participam três fotógrafos Lumbudus portugueses (António Souza e Silva,  Fábio Cunha e Paula Dias) e três fotógrafos espanhóis (Pablo Serrano, Sergio Crespo  e Xosé Fernández Serrano) onde está representado o olhar destes fotógrafos do dia em que se inicia o Entroido de Verín, na Galiza.

 

"O Domingo Corredoiro”  é o primeiro dia do Entroido de Verín em que os Cigarróns saem a correr pelas ruas com o chicote na mão em perseguição dos vizinhos. É por isso que se chama “corredoiro”, porque os vizinhos correm tratando de escapar dos Cigarróns. A saída da Igreja, numa mistura pagã e religiosa, os Cigarróns aguardam pelos devotos para lhe anunciar a chegada do Carnaval.



Vestir o traje de Cigarrón para além de implicar carregar com o peso dos sete quilos de fios e os cinco quilos das “chocas”, implica também vestir o peso da história, por isso, o traje de Cigarrón, é carregado com orgulho, emoção e quase devoção.

 

 

 

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Terça-feira, 29 de Março de 2016

8 - Chaves, era uma vez um comboio…

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Texas  o comboio   kimvoio

 

Vi-o a primeira vez  ainda na penumbra dos amanheceres,  a passar no fundo do estradão, a minha mãe de futuro em riste, levava a Zé por volta das sete e tal da manhã  à estação das Pedras, para ir para o colégio de Vila Pouca estudar, grande feito à época, bem  admirado bem invejado  o andar, andar a estudar e andar de comboio.

 

Lembro-me da ternura da Sra. Albertina  que morava no figueiredo e dizia que a mãezinha, a d. Aninhas tinha ido buscar a Zeizinha ó Kimvoio… E era assim… Como se o comboio,  além das pernas rodas nos carris, tivesse também braços e desse às mães vindos de um abraço ou colo qualquer,  os filhos sempre em segurança, num devagar se vai ao longe…

 

Sempre me fascinaram as rodas nos carris, num movimento para mim espiral que quase me fazia trocar os olhos por conseguirem  ir todas ao mesmo tempo, a meu ver eram elas  a voz e o instrumento  da orquestra que geravam o som tac a tac a tac o tal pouca terra pouca terra pouca  terra, gerando nas carruagens um movimento de samba folclórico ou de risadinhas constantes por cócegas.

 

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 CP0029 – Locomotiva: Não identificada, Data: 1977, Local: Vidago, Portugal, Slide 35 mm

 

Depois das rodas, a máquina, ora altiva cheia de soberba por ir à frente e puxar as carruagens como quem traz de arrasto os filhos distraídos, ora histérica em guinchos ensurdecedores  a exigir atenção de algum incauto que saia desgarrado  e ocupe a sua linha. Fumadora compulsiva, na altura, creio, mata ratos ou definitivos,  carvão direto aos pulmões   deixando no percurso lufadas de fumo, ambulantes nuvenzinhas de sonho esvaído num implacável céu.

 

À conta da sua falta de pontualidade a Nélia a Kika e o Nelo ainda levaram uma boa reprimenda, a Nélia umas boas chineladas no rabo, por assustarem as pessoas nas madrugadas dentro de um lençol com uma pilha, além de colocarem cartazes escritos das caixas de papelão, nas portas das pessoas fazendo jus às suas alcunhas.

 

Ouvia falar dele com frequência sazonal aquando de passeios de grupos , algumas criticas à sua lassidão.

 

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 CP0005  – Locomotiva: CP E209, Data: Não datado, Local: Régua, Portugal, Slide 35 mm

 

Um dia aí para uns  35 anos , vim da régua  com ele, trouxe-me direitinha com calma que mais valia chegar tarde neste mundo, que mais cedo ao outro, cheguei  a casa meio fusca com algumas faúlhas que se escaparam para nos enfarruscarem à socapa, sabendo que só dávamos conta quando chegássemos a casa, pois não dispúnhamos de espelhinho ali à mão.O balanço foi positivo, gostei, mas naquele tempo eu não sabia ainda o seu valor acrescentado , eu só tinha pressa, ele não estava ara aí virado para as pressas.

 

Lembro-me sempre com um arrepio na espinha de um senhor desesperado que decidiu atirar-se à linha quando ele passou, além das sistemáticas ameaças de senhoras que no auge da deceção pensavam alto em matar-se com a ajuda dele do kimvoio , do texas.

 

Às vezes era o bode expiatório para justificar a presença de indigentes na cidade , dado ser  em Chaves o fim da linha, os viajantes peregrinos tinham de sair e ficar à espera ,surgindo por uns tempos como estranhos na cidade.

 

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 CP0037  – Locomotiva: CP E209, Data: 1973, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35 mm

 

O Mestre Nadir a propósito do meu apelido Seixas contou-me que no seu tempo de estudante  de faculdade quando regressava do Porto, o revisor de nome Seixas mandava sair as pessoas nas subidas do comboio texas e pedia ajuda aos homens para empurrar, entrando  todos os passageiros novamente nas descidas. Foi sempre algo incompreendido, talvez por  deixar tempo aos passageiros para irem às frutas e  às vinhas do caminho  buscar uvas para comer, enquanto brincavam às corridinhas  com o texas que se deixava facilmente apanhar, ainda foi protagonista de excursões a Vidago levando miúdos e graúdos a ver a paisagem  numa alegria intemporal…

 

Depois com o tempo envelheceu, reformou-se e jaz nas memórias, além da carruagem atrás da antiga Estação e da máquina recuperada por algum saudosista perto da linha de Curalha.

 

E a nós deixou-nos  o  memorando  de o lembrar aos nossos filhos e netos se os tivermos…

 

Isabel  Seixas

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

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Sexta-feira, 18 de Março de 2016

7 - Chaves, era uma vez um comboio…

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As noites eram todas semelhantes…

 

Muitas vezes, acabados de deitar, éramos acordados sempre com a mesma pergunta:

 

- “Querendes ir ó contrabando?”

 

Sabíamos não ser uma pergunta, por isso, sem responder, levantávamo-nos e lá íamos nós em direcção ao ponto de recolha. Habitualmente, um curral em Vilarinho da Raia. Aí eram-nos distribuídas as nossas tarefas para essa noite de acordo com as capacidades que já tivéssemos demonstrado.

 

Sabíamos também haver sempre algum perigo inerente a estas actividades, pois nem todos os guardas-fiscais estavam a “dormir”, mas o dinheiro dava-nos jeito para as nossas pequenas coisas.

 

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 CP0107 – Locomotiva: CP E205, Data: 1973, Local: Chaves, Portugal, Slide 35 mm

 

As noites eram todas semelhantes…

 

Eram noites de Inverno e, por serem mais longas, permitiam, quando necessário, fazer mais do que uma viagem.

 

Eram noites frias, escuras, que serviam para disfarçar as nossas silhuetas e combiná-las com as sombras da vegetação que ladeava os caminhos por onde passávamos.

 

Mas, sobretudo, eram noites sem luar. O único brilho permitido era o pálido e suave tremeluzir das estrelas.

 

Para mim, as noites preferidas eram as de chuva. É certo que não tínhamos as estrelas, mas não restavam dúvidas quanto às noites serem mais frias, mais escuras e muito, mas muito mais silenciosas.

 

O som da chuva abafava os nossos passos. Também o “martelar” dos cascos dos animais e algum balido ou relinchar, que escapasse ao cansaço que se acumulava, deixavam de ecoar no vazio da noite.

 

Essencialmente, trazíamos ovelhas e cabras velhas, mas também cavalos, machos e burros, todos estes também com um longo percurso de vida ou com graves mazelas que os impedia de continuar a cumprir as suas funções.

 

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  CP0117 – Locomotiva: Não identificada, Data: Não datado, Local: Chaves, Portugal, Slide 35 mm

 

As noites eram todas semelhantes…

 

Tal como a passagem obrigatória pela nossa Aldeia – Outeiro Seco. Aqui, já os caminhos que percorríamos variavam. Ou para não utilizarmos sempre o mesmo, ou porque sabíamos que um deles estava a ser guardado, ou para dividirmos a “carga” para o caso de sermos apanhados pela Guarda Fiscal.

 

Nessa altura, os caminhos da nossa Aldeia eram transitáveis, não como hoje em dia, onde nem uma pessoa passa. Das nascentes brotavam águas límpidas, cristalinas, puras, onde qualquer Ser Humano ou animal podia saciar a sua sede sem receio, não como hoje em dia, em que tanto as nascentes, como as linhas de água estão poluídas pelos esgotos (provenientes dos parques empresariais) que correm a céu aberto e tudo infestam.

 

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  CP0165 – Locomotiva: CP E205, Data: Outubro de 2001, Local: Azpeitia, Espanha Slide 35 mm

 

As noites eram todas semelhantes…

 

Saíamos de Vilarinho da Raia com um destino muito preciso: a estação dos comboios em Chaves, onde carregaríamos o gado nos vagões com destino aos matadouros do Porto (ou pelo menos era o que se constava).

 

De Vilarinho da Raia seguíamos em direcção a Vila Meã e dali ao Cotrão. Ao chegar ao Cotrão, caso ainda não nos tivessem sido dadas indicações, deveríamos seguir um de dois itinerários ou dividir o gado pelos dois.

 

Aquele que mais utilizávamos era o que seguia pelo Alto Silveira, Almeirinho, Senhor dos Desamparados e Mina.

 

O outro vinha pelo caminho da Teixugueira, Caminho da Torre, Moucho e Mina.

 

A partir da Mina, o percurso era o mesmo: seguíamos em direção ao Papeiro, Mãe d'Água, Poços de Volfrâmio, Santa Cruz, Forte de São Neutel, Bairro Verde e, finalmente, estação dos comboios.

 

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  CP0123 – Locomotiva: CP E205, Data: 22 de Julho de 1976, Local: Vila Real, Portugal, Slide 35 mm

 

As noites eram todas semelhantes…

 

A estação estava sempre envolta em vapor, fumo e, porque não dizê-lo, mistério, que se acentuava com a escuridão da noite. Nunca vimos lá ninguém. Embora não tivéssemos interesse nenhum, presumo que o motivo fosse o de assim não poderem ser identificados. Os únicos ruídos que se distinguiam claramente eram os das caldeiras e do espezinhar do gado que, talvez por adivinhar o seu destino, se recusava a entrar nos vagões.

 

Havia rampas já colocadas para carregar as ovelhas e cabras nos vagões de bordas baixas (abertos) e outras para carregar nos vagões fechados os cavalos, machos e burros. O gado era encartado como sardinhas em lata. Diziam que o que interessava era o número de cabeças que chegava ao destino e não o estado em que estivessem.

 

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  CP0131 – Locomotiva: CP E202, Data: 1965, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35 mm

 

As noites eram todas semelhantes…

 

Já de regresso a casa, às vezes a-modos de despedida, ouvia-se o apito estridente e o som metálico da locomotiva que assim anunciava a sua partida. A aurora já se renovava, dando início a um novo dia e, talvez, a mais uma noite semelhante a tantas outras.

 

A verdade é que nunca viajei no nosso comboio, mas sinto muito a sua falta e lamento que todas as infra-estruturas tenham sido abandonadas ou destruídas por quem dirigia ou dirige os destinos da nossa Região, amontoando num espaço exíguo meia-dúzia de objectos, destruindo com elas as memórias de uma linha.

Humberto Ferreira

 

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

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Terça-feira, 1 de Março de 2016

6 - Chaves, era uma vez um comboio…

800-texas

 

O NOSSO CAMBOIO

 

O ramal de caminho-de-ferro do Corgo/Tâmega ligava a cidade de Trajano ao Peso da Régua, onde encontrava a linha do Douro.

 

A 25 de Maio de 1905, foi inaugurado o troço entre a Régua e Vila Real.

 

A 15 de Julho de 1907, o comboio já chegava às Pedras Salgadas.

 

A 20 de Março de 1910 a Vidago. Quedou-se por ali alguns anos, devido à indecisão quanto à margem do Tâmega que seguiria até Chaves e também pelas dificuldades da intervenção lusa na Grande Guerra.

 

A 20 de Junho de 1919, atravessou o Tâmega para a sua margem direita e chegou a Curalha.

 

A 21 de Agosto do 1921, o comboio estava em Chaves.

 

A ligação por via-férrea à Invicta, estava, finalmente, conseguida. Num tempo em que as estradas eram caminhos de cabras e os veículos automóveis estavam na alvorada, o comboio representava um progresso extraordinário. O Vale do Tâmega parecia livrar-se, por fim, do ostracismo a que esteve votado séculos, quer pelo isolamento a que o Marão, o Alvão, o Barroso e o Gerês o sujeitavam, quer pelo desprezo dos de Lisboa que, mesmo hoje, continuam a riscá-lo do mapa. Por isso, a obra era motivo de grande orgulho e de muita admiração.

 

Ninguém descia à Veiga que não visitasse a estação para ver o camboio.

 

Era um meio de transporte fantástico. Rapidíssimo! Tanto assim que não chegava a gastar quatro horas para percorrer os noventa quilómetros que separam Chaves da Régua! Esbaforido, galgava encostas e vales como as cabras as penedias e trazia novidades da cidade grande. Também levava esperanças da pequena.

 

Quem viajasse em primeira classe, dava-se à mordomia de bancos estofados. Os da segunda sentavam-se nos de madeira, e os da terceira viajavam de pé como o gado, entre os coelhos, as galinhas e as hortaliças que se vendiam pelos mercados. O Texas, como lhe chamavam, transportava muita gente. Eu próprio viajei inúmeras vezes. Recordo, com nostalgia, as viagens que fazia, nos dias de verão, para a piscina do Palace Hotel de Vidago. De regresso, enquanto o comboio, estafado pelos socalcos do Corgo, contornava as colinas do Tâmega, ia-se às uvas e caçava-se adiante.

 

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CP0059 - Locomotiva: CP E202, Data: 1969, Local: Vidago, Portugal, Slide 35mm

 

Quem viajasse armado em tirone, calça clara ou camisinha branca, ou em flausina, vestidinho níveo, chegava ao fim da viagem careto! O fumo do carvão de pedra era tão espesso, que sujava tudo. Mesmo com as ventanas fechadas entranhava-se até aos ossos.

 

Mas mais do que pessoas e bens, o comboio transportava os sonhos e as fantasias dos flavienses. Para muitos representava até o passaporte, a oportunidade, para um mundo outro!

 

Corriam os anos trinta e o Ti Morgado de Fornelos, homem de grande lavoura, tinha muita família no Porto. Ora, o comboio, mesmo a dezassete quilómetros, representava uma mais-valia, não só para a deslocação da gente, mas também para o negócio da batata de semente que chegava mais fresca ao húmus da Póvoa de Varzim. Possibilitava, ainda, fazer chegar à família tripeira os mimos do Planalto. Na volta trazia as novidades da civilização. Além do mais, permitia encontros amiudados entre os membros da família. Aos criados da casa estava incumbida a missão de fazer a ponte entre a estação e a casa de Fornelos. Era mais fácil e proveitoso do que ir ao Vidago. Andavam sempre aspadinhos por este trabalho, pois representava uma raríssima ocasião de irem à cidade, mas, sobretudo, de verem o camboio.

 

O Manuel Soqueiro, artista a talhar socos em pau de amieiro, foi criado na casa do Morgado, até contrair matrimónio e botar lavoura própria. Contudo, sempre que fosse preciso, estava às ordens e não se fazia rogado às ajudas mais pesadas.

 

Corria o mês do arranque da batata – o ouro do Planalto – e não havia braço que se livrasse desta safra. Ao mesmo tempo, acabavam as férias dos velhotes do Porto que vinham ao Brunheiro tomar ares. Não tardava o inverno, insuportável para os da beira-mar. Por isso, era preciso levá-los ao comboio. Não havendo criado disponível, recorreu-se ao Soqueiro.

 

Na madrugada de um derradeiro sábado de setembro, ainda o sol não espreitava dos lados da Terra Quente e já os bois galegos estavam pensados, jungidos e atrelados ao carro, amparados pelos ladranhos e apertados aos estadulhos, montaram-se dois bancos corridos sobre a mesa do carro, para maior conforto dos viajantes.

 

Toca para a cidade, rilhando o macadame da nacional 314!

 

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 CP0102 - Locomotiva: CP E206, Data: 1973, Local: Vila Pouca de Aguiar, Portugal, Slide 35mm

 

O Manuel era pai da Rita Soqueira, uma catraia abonada de carnes, nas suas doze primaveras. Porém, Rita era grossa como a casca das carvalhas da touça fronteira ao pardieiro em que sobreviviam. E não admirava, pois só conhecia mundo até onde a vista alcançava! Santa Leocádia, a quilómetro e meio de Fornelos, onde ouvia a missa de domingo, era o sítio mais longínquo que já tinha percorrido. Por isso, era uma boa oportunidade de lhe desvirginar os horizontes, levando-a à fim do mundo, a cidade de Chaves.

 

Chegaram à estação por volta do meio-dia. Como o comboio só partia à uma, ainda havia tempo para a merenda e para uma visita guiada. O pai, na companhia do velho Lopes, não perdeu a oportunidade de mostrar o camboio à sua piquena, explicando-lhe, com a erudição planáltica, os mais ínfimos pormenores:

 

– Olha, Rita, esta casa grande de prepianho é a estação do camboio. Aquela mais piquena o mijatório! Do oitro lado são os almazéns das mercadorias. É aqui, na gare, que a gente embarca e lá drento da estação despacham-se as encomendas p'ró Porto e tiram-se os bilhetes. Bês estas linhas de ferro no tchão em cima das bigas de madeira? São os carriles, a estrada por onde o camboio anda. Aquela casinhota que está lá na frente a botar fumo é a lacomotiba que putxa estas gaiolinhas que são as carruaijes. As que têm jinelas são para a gente, as fitchadas para as encomendas e para os animais. Aqueles homes do boné engatam as gaiolas umas nas oitras, com umas correntes e formam o camboio. Ódespois a mánica apita, arrenca e puxa o camboio, mas só quando o chefe da estação dá orde de partida com um assobio. A mánica tem lá drento um fogão de lenha como o de casa do senhor Morgado, mas muito maior! Atão o maquenista atafulha-o de carbão-de-pedra, risca um palhito e bota-le o fogo. O carbão alabareia-se e aquece duas ou três pipas de áuga que a lacomotiba tem no butcho. A água ferbe e o bapôr faz andar as rodas do camboio, como os potes na lareira alebantam os testos, nos dias das segadas, quando ferbem!

 

A rapariguita estava banzada! A boca escancarava-se-lhe de espanto e os olhos de emoção! A realidade era ainda mais estranha, fascinante e maravilhosa, do que as histórias dos comboios que lera nos livros da escola de Adães!

 

Prometera a si mesma que em casando havia de andar de camboio! - De facto veio a consegui-lo, como emigrante para a França!

 

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 CP0149 - Locomotiva: CP E54, Data: 1970, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35mm

 

A emoção era de tal ordem que a sua cabeça rodopiava de ideias e de dúvidas:

 

– Ó pai e quando o camboio arrenca a estação vai atrás dele?!..

 

O pai não lhe respondeu, não sei se por não saber a resposta, se por o chefe da estação ter dado ordem de partida:

 

– Fiiiiiiiiiiiiii-uíííííííííííííííí-iiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…

 

O comboio abriu as goelas, botou duas golfadas de fumo negro, espirrou vapor pelas partes e arrancou para a Régua.

 

– Pouca…….-…….terra; pouca….-……terra; pouca…-…terra; pouca..-..terra; pouca-terra; pouca-terra; pouca-terra; pouca-terra; pouca-terra!....................................

 

A Rita não aguentou, não sei se do medo se da emoção! Fugiu, espavorida, para o largo da estação! Porém, ainda ouviu o comboio a apitar, roufenho, na passagem de nível do Asilo, junto à casa do Mija na Garrafa!

 

– Huiiiiiiiiiiiiiiii……..Huiiiiiiiii……..Huiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!..

 

Em Janeiro de 1990, o ramal do Tâmega foi encerrado.

 

Infelizmente quem manda anda cego! Não percebeu que o prejuízo da supressão será no futuro, que já é hoje, pesadíssimo, para quem anda a ser sistematicamente espoliado!

 

É mais um esbulho que, a juntar a tantos outros, faz dos transmontanos portugueses de terceira.

 

Gil Santos

 

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http:outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016

4 - Chaves, era uma vez um comboio…

800-texas

 

O Texas do Corgo

 

Este texto deveria ser um poema, pois é na poesia que costumo chorar a dor, o amor, as paixões, as perdas, as saudades… mas sob revolta, nunca os consegui escrever.

 

cp0012.jpg

 CP0012 – Locomotiva: CP E205, Data: Não datado, Local: Chaves, Portugal, Slide 35mm

 

Desde sempre pensei que a Linha do Corgo se deveria chamar Linha do Tâmega, coisas minhas mas também da lógica das linhas ferroviárias estarem associadas à proximidade dos rios e de “correrem” ao longo da sua corrente, e daí, se o Rio Tâmega que nasce nas proximidades de Chaves desagua no Rio Douro, também a nossa linha que nascia junto ao Rio Tâmega, deveria assumir o seu nome ao desaguar na linha do Douro. Mas, repito, isso eram coisas minhas mas nunca lhe dei grande importância, pois a linha adotou o nome de outro rio ao qual também estou sentimentalmente ligado, quase desde que nasci - o Corgo - mais propriamente a Parada do Corgo, ali mesmo juntinho à nascente do rio, terra dos meus avós paternos e do meu pai e, é graças a essa aldeia que,

 

cp0138.jpg

  CP0138 – Locomotiva: Não identificada, Data: 1977, Local: Veiga de Vila Pouca de Aguiar, Portugal, Slide 35mm

 

também desde que nasci, comecei a ser um passageiro frequente do nosso comboio, o “Texas”, como carinhosamente o alcunhávamos. No entanto a minha primeira recordação do comboio remontará aí para os meus cinco anos de idade, precisamente quando no apeadeiro de Parada do Corgo comecei a ver ao fundo da reta de Zimão uma barulhenta bola de fumo negro e que, ainda por cima, apitava, e quanto mais se aproximava, o fumo aumentava, os barulhos tornavam-se mais intensos, os apitos mais fortes e estridentes até que uma montanha andante de ferro, com um nariz vermelho, estava ali, mesmo em cima de nós. Escusado será dizer, que lá no fundo nos meus cinco anitos, fiquei borradinho de medo, agarrado à saia da minha mãe.

 

1600-parada (215).jpg

 Apeadeiro de Parada do Corgo (ou Aguiar)

 

Com o tempo fui-me habituando àquele monstro amigo que me levava a visitar os meus avós e me trazia de regresso à casa de Chaves. Depois também foi através dele que vi pela primeira vez o mar e fui pela primeira vez à nossa praia (Póvoa de Varzim), tudo de comboio, depois paras as piscinas de Vidago e das Pedras Salgadas. Fui e vim da tropa de comboio, e já nos anos oitenta, quase até ao dia da sua morte, fazia viagens frequentes a Lisboa e se para lá ia de autocarro direto, o regresso fazia-o quase sempre na comodidade do comboio, e quer fosse de verão ou inverno, a Linha do Corgo, da Régua a Chaves, depois da regueifa e dos rebuçados de açúcar torrado, era feita na varanda do comboio, mas há uma viagem, a última, que nunca mais esquecerei, não por saber que era a última, pois não sabia então que passado pouco tempo, traiçoeira e irrefletidamente a linha iria ser encerrada, mas porque nessa viagem tive uma companhia inesperada à varanda, uma companhia que a família (mulher e filhos) tinha deixado na estação da Régua para apanhar o comboio para Chaves, uma companhia que eu há anos já admirava e da qual tinha saudades, sobretudo da sua sabedoria, do seu amor à poesia e do seu conversar. Era o meu antigo professor de português do Liceu, o Dr. José Henriques, que ainda antes do 25 de abril de 74, através da poesia e dentro das quatro paredes da sala de aulas nos falava da liberdade. Foi a minha última viagem na Linha do Corgo e a última conversa com o meu antigo professor, espaçada de silêncios, explicados pelo êxtase da apreciação da paisagem ou pela apanha e descarga de passageiros nas estações e apeadeiros.

 

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  CP0012 – Locomotiva: CP E209, Data: Não datado, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35mm

 

Tenho saudades da Linha do Corgo, do comboio, de viajar à varanda e, só lamento, revoltado, que os de Lisboa nos o tivessem roubado, ou pior ainda, assassinado, sem o mínimo respeito pela sua história e pelas populações que servia.  

 

Fernando DC Ribeiro

 

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http:outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016

3 - Chaves, era uma vez um comboio…

800-texas

 

NOSTALGIA

 

Já lá vão mais de sessenta anos. Mas a cena está-me tão presente como se fora hoje. Vejo o buliçoso e traquina Nona, sentado no banco de pedra da janela de casa, com os braços nela apoiados, olhando com aqueles olhos ávidos, cor de azeitona preta, para um ponto fixo do vasto horizonte de vinhedos à sua frente. Não era o mítico Marão, tão bem cantado por Teixeira de Pascoaes, e a sua Fraga protetora da Ermida, mesmo ali ao lado, que o fascinava. Nem tão pouco a beleza dos vinhedos, vestidos de mil cores, descendo em forma de barco até ao Douro. Seus olhos, penetrantes e insaciáveis, apenas se fixavam num único e só ponto longínquo do horizonte, onde os vinhedos acabam e o rio Douro passa, espraiando-se, apressado, em direção à foz. Era a Ponte do Granjão. Não que fosse uma bela obra de arte. Ou sequer uma obra imponente. A sua importância advinha simplesmente porque, sobre ela, passava algo que o fascinava. Que o fazia sonhar noutros mundos e lhe apelava a outras paragens. Nela passava o comboio. E como ele gostava de sentir, ao longe, o barulho que as rodas de ferro faziam sobre os carris; os apitos estridentes que dava quando por ela passava e o fumo que a chaminé da sua locomotiva expelia.

 

cp0003.jpgCP0003 – Locomotiva: CP E209, Data: Março de 1974, Local: Corgo, Portugal, Slide 35mm

 

Estava-se mesmo a ver que o rapaz, quando crescesse mais, não ficaria muito tempo por ali. Não que ele não gostasse da terra que o viu nascer. Muito pelo contrário, adorava-a. Era mesmo o seu paraíso do qual guarda as melhores recordações de uma infância feliz, embora muito curta.

 

Era, contudo, terra pequena de mais para o tamanho do seu sonho.

 

cp0021.jpgCP0021 – Locomotiva: CP E202, Data: Não datado, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35mm

 

Aquele comboio, passando ali todos os dias e a diferentes horas, tornou-se-lhe um amigo. O seu amigo. Mas também uma obsessão. E o seu estridente apitar, quando passava sobre a ponte, entendia-o como a mágica de um chamamento, um vem comigo conhecer o mundo.

 

E um dia partiu mesmo.

 

Com ele, e nele, deu os primeiros passos da «descoberta». Do contacto com o outro. Do partilhar de vidas. Do conhecer as diferenças. Foi, assim, a partir da luz que aquele ponto no horizonte lhe inculcou na mente que Nona se transformou no homem que hoje é: homem do mundo, mas com um enorme apego ao rincão donde partiu.

 

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CP0010 – Locomotiva: CP E209, Data: 23 de Março de 1974, Local: Chaves, Portugal, Slide 35mm

 

É por isso que, quando em presença de uma máquina a vapor, idêntica aquelas que passavam na ponte da sua infância, em Nona se lhe despertam todas as memórias, de partidas e chegadas. De todos os momentos da sua vida.

 

Por elas evoca, principalmente, um Portugal que já não somos - comunitário e rural; interior e lutador, solidário, castiçamente ibérico e sonhador.

 

As últimas travessas arrancadas das linhas que o cerziam fizeram-no infinitamente mais pequeno. Hoje somos simplesmente, e apenas, uma pequeníssima e estreita faixa debruada sobre o oceano. E temos medo de nele entrar e encetar nova empresa de um novo «navegar». Tiraram-nos a alma. A nossa verdadeira alma - a do cavador que sempre fomos.

 

cp0005.jpg

 CP0005 – Locomotiva: CP E209, Data: Não datado, Local: Régua, Portugal, Slide 35mm

 

Sem terra e sem mar, ficámos mais pobres. Estamos pobres. Uma pobreza que está não apenas naquilo que não temos. Essencialmente naquilo que já não somos. E deveríamos ser.

 

Urje, pois, que nos encontremos. Talvez em qualquer travessa perdida da linha que já não temos. E que nos indique um rumo. Um novo caminho.

António de Souza e Silva

 

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

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Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

Os Nossos Rios no Outono Fotográfico

cartaz_os nosos rios_w.jpg

Ontem na localidade galega de O Barco de Valdeorras, inaugurou mais uma exposição coletiva de fotografia com cinco fotógrafos galegos e cinco portugueses, incluída no certame do Outono Fotográfico, onde a Associação Lumbudus também marca presença com três dos seus associados. A exposição itinerante inicialmente promovida pela Cultura Que Une, já esteve este ano em Amarante, La Coruña e também já passou por Chaves no mês de setembro.

 

A exposição estará patente ao público no Teatro Municipal Lauro Olmo, no Barcor de Valdeorras, até dia 30 de novembro.

 

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