Sábado, 27 de Outubro de 2012

Finalmente, a descoberta...

 

Finalmente, desta vez cheguei lá, desci mesmo até ao mundo dos alfaiates… mais logo deixo por aqui o resto da descoberta. Até lá.



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publicado por Fer.Ribeiro às 01:00
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Sábado, 24 de Outubro de 2009

um título breve para expressar os tons do nosso reino maravilhoso servido em mares de montanhas e calmarias resistentes do mais interior que Chaves - Portugal tem

 

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É aqui o verdadeiro reino maravilhoso, não aquele que está atrás dos montes, mas na sua conjugação plena de estar entre os montes, num ondulado de montanhas em que o verde da intimidade se perde no azul distante salpicado pela espuma da agitação do oceano servido em suaves raios de luz.

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Aqui a maré sobre um pouco de tom, mas abriga por detrás dela a calmaria de uma despedida de verão, uma despedida ainda quente, onde o calor faz confundir os sentidos e a metamorfose das cores mostra a verdadeira resistência de quem, insiste e teima na verdura perdida no amarelecer avermelhado do tempo em que é tempo cair por terra…mas ainda hão-de vir os ventos fortes que o(a)s façam cair.

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Carregal - Chaves - Portugal

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Bem lá no cimo, onde o mar de montanhas, por tão alto - se acalma, reina a calmaria. Talvez pela proximidade do céu, não há  quem perturbe a paz do reino, que continua a ser maravilhoso, onde até, os guerreiros descansam as suas andanças.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:36
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Domingo, 11 de Maio de 2008

Ventuzelos - Chaves - Portugal

 

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Ontem estivemos em Vilas Boas e, um dos caminhos de regresso a Chaves, pode passar por Ventuzelos, a nossa aldeia de hoje. Aliás, e para quem gosta de boas vistas de paisagens naturais, com muito verde e montanhas, recomendo mesmo um passeio por esses lados no qual Ventuzelos e o Monte de Stª Bárbara estarão obrigatoriamente incluídos.

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Ventuzelos é mais uma daquelas aldeias que não costuma ficar na passagem dos nossos itinerários principais e assim, suponho, que será desconhecida da maioria dos flavienses. Pois não sabem o que perdem. A aldeia é interessante, com um núcleo bem definido de casario tradicional em granito e as inevitáveis construções (poucas) mais recentes na periferia, mas sobretudo, Ventuzelos goza de uma localização privilegiada em termos de vistas.

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Da própria aldeia avista-se todo o vale de Chaves até às montanhas de Barroso e Galiza, mas se subirmos ao monte de Santa Bárbara, onde se ergue uma capelinha em honra da santa, além do vale de Chaves e das montanhas barrosas e galegas, avista-se toda a encosta até terras de Vidago e Vila Pouca de Aguiar e Boticas.

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Eu tenho a mania que conheço todo o concelho, becos e caminhos, mas só há umas semanas atrás é que conheci o monte de Santa Bárbara e as suas vistas, e como flaviense é imperdoável não se conhecer aquele lugar, não só pelas vistas que se perdem, mas também por ser um lugar histórico para os flavienses e desde onde se ditou muita da história da cidade de Chaves, pois foi nas encostas deste monte que em 1809 esteve acampado o General Silveira durante as Invasões Francesas, de onde depois partiu com as suas tropas para reconquistar Chaves.

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Ao que parece e estando no monte de Santa Bárbara compreende-se o porque, era um local privilegiado também para as estadias de militares e outras lutas. Em Março de 1823, foi palco das lutas entre miguelistas e liberais onde o 2° Conde de Amarante, depois Marquês de Chaves, combateu a divisão liberal comandada pelo general Luís do Rego, tendo esta divisão sido obrigada a abandonar o campo de batalha como vencida.

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Surpreende-me ou talvez nem tanto, que em vez da capelinha de Santa Bárbara não tivessem construído por lá um castelo. Mas consta, embora praticamente não haja vestígios, que existiu um castro.

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Mas dizia eu que talvez não me surpreendesse muito que no monte estivesse a Capelinha de Santa Bárbara, pois segundo a minha vivência dos episódios de trovoadas em Chaves, muitas delas atravessam precisamente o Monte de Santa Bárbara em direcção a Chaves. É um fenómeno que até tem explicação científica e os homens das electricidades até já mo explicaram, mas lamento, não aprendi muito bem a lição. Sou testemunha que muitas trovoadas vêm daqueles lados, por isso a capelinha de Santa Bárbara está lá muito bem e com as suas boas vistas que alcança desde os 775 metros de altitude em que está implantada.

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O Orago da aldeia é no entanto o Santo Amaro cuja adoração é feita na capela da aldeia. Quanto à festa, bem, esqueci-me de perguntar, mas consultando alguma documentação dispersa dos meus arquivos das festas e romarias aparece-me o 4 de Dezembro com festa em honra a Santa Bárbara e o 15 de Janeiro como festa em honra de Santo Amaro. Estou em crer que nem uma nem outra se festejam nos tempos actuais, pois a verdadeira festa da aldeia é em Agosto, quando as ruas se enchem de gente e reúnem os filhos de Ventuzelos dispersos por esse mundo fora, pois Ventuzelos não foge à regra da emigração, de caminhar para a desertificação, do envelhecimento da população e da baixa taxa de natividade.

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Pese embora aquilo que disse atrás, sempre que fui a Ventuzelos encontrei crianças a brincar na rua, o que hoje em dia já é raro. Segundo apurei a aldeia tem 9 crianças em idade escolar, número insuficiente para ter escola e por isso são transportadas diariamente para a Escola do Caneiro em Chaves.

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Mas vamos aos números e ao oficial da aldeia de Ventuzelos.

 

Ventuzelos fica a 10 quilómetros de Chaves e pertence à freguesia de São Pedro de Agostém. Segundo o Censos 2001 possuía nessa data 134 pessoas, das quais 83 pessoas tinham entre 20 e 64 anos, 22 mais de 65 anos e 29 com menos de 20 anos dos quais 9 tinham menos de 10 anos. 44 pessoas estavam empregadas na altura.

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Quanto à actividade das pessoas da aldeia, tirando as que estudam, estão reformadas ou empregadas fora de Ventuzelos, há os resistentes que vivem da agricultura (centeio e batata), do gado (principalmente ovelhas) e da floresta, mas tudo a escala pequena, pois os braços mais jovens para o trabalho, já há muito que partiram à procura de melhor vida.  

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E por hoje é tudo, amanhã abrirei esta janela de novo para a cidade e talvez com um passeio pela Ponte Romana e pelo Jardim Público, para variar, pois são os dois temas actuais em debate na cidade.

 

Até amanhã!

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:03
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Sábado, 1 de Março de 2008

Fornelos - Chaves - Portugal



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Ainda não é hoje que vamos até ao Peto de Lagarelhos!

 

Digo isto porque em princípio era para lá que apontava hoje o blog, mas acontece sempre o mesmo, chego ao Peto e apetece-me ir sempre mais além.

 

Pois hoje, e chegado ao Peto, em vez de descer em direcção a Loivos, resolvi continuar a subir a montanha, ou montanhas. Estrada 314 fora, aí vem logo a seguir Lagarelhos, depois France, uns quilómetros à frente aparece o Carregal e logo a seguir Fornelos. Aqui, ou optamos por parar, por entrar em terras de Valpaços como quem vai para Carrazedo e passa por Sarapicos,  ou ainda por virar em direcção a Stª Leocádia.


 

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Estamos no limite do concelho de Chaves, e Fornelos é precisamente a última aldeia da 314 em terras flavienses.

 

Paramos então em Fornelos.

 

Fornelos fica a 18 quilómetros de Chaves e pertence à freguesia de Stª Leocádia, que por sinal fica logo ali ao lado.

 

Fornelos faz parte integrante das tais terras do planalto e sobre a aldeia pouco mais tenho a dizer, ou melhor, pouco mais sei. É uma pequena aldeia, daquelas aldeias de estrada, muito movimentada por sinal, mas na qual raramente se para ou repara. A sobressair nos “reparos”, há uma belíssima capela cujo “reparo” também é incomodado por uma curva de estrada entre muros e casas.

 

Eu pouco mais sei, mas sei quem sabe de todas as estórias do planalto e que até as conta em livro. Claro que mais uma vez vamos recorrer ao Gil Santos e a mais uma estória do seu livro “Ecos do Planalto”. Habituem-se a este nome e às suas estórias, pois pela certa irá passar por este blog muitas vezes.

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Pois na estória de hoje embora o velhinho “Texas” (comboio) seja o “actor principal” apenas serve de pretexto para mais uma estória do planalto que tem origem precisamente em Fornelos, a nossa aldeia de hoje

 

O Camboio

 

A linha de caminho-de-ferro do Corgo/Tâmega ligava a cidade de Trajano - Chaves - à cidade do Peso da Régua. Em 25 de Maio de 1905 foi inaugurado o troço entre a Régua e Vila Real. Em 15 de Julho de 1907, o comboio já chegava a Pedras Salgadas. Em 20 de Março de 1910 chegou a Vidago, havendo depois um compasso de espera devido à indecisão quanto à margem do Tâmega a utilizar e ao período difícil da primeira Guerra Mundial. Em 20 de Junho de 1919 chegou ao Tâmega - Curalha - e em 21 de Agosto do 1921 o comboio chegou finalmente a Chaves.

 

Desta forma, ficava facilitada a ligação de pessoas e mercadorias à "mui nobre e invicta" cidade do Porto. Num tempo em que não havia estradas e os veículos automóveis estavam na alvorada, o comboio era um progresso extraordinário que rasgava o país de lés a lés. Trás-os-Montes parecia, desta forma, livrar-se das peias do ostracismo a que esteve votada, quer pelo isolamento a que as montanhas do Marão, Alvão, Barroso e Gerês a submetiam, quer ainda pelo desprezo dos políticos de Lisboa que, mesmo hoje, continuam a riscá-la do mapa. Por isso, a linha do comboio era motivo de grande orgulho e admiração. Ninguém das redondezas se deslocava à feira de Chaves que não fizesse uma visita à estação dos caminhos-de-ferro.

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O comboio era rapidíssimo para o tempo! Tanto assim que não chegava a gastar quatro horas para percorrer os noventa quilómetros que separam Chaves da Régua. Fumegante, galgava encostas e vales como nada! Quem viajasse em primeira classe, tinha mais conforto do que quem escolhesse a segunda. Na terceira seguia a gente pobre, misturada com os coelhos, as galinhas e as hortaliças que se vendiam nas feiras. O comboio andava sempre cheio, era uma alegria! Eu próprio cheguei a viajar muitas vezes no Texas, como se lhe chamava nos anos setenta. As viagens que recordo com mais saudade são as que fazia nas tardes de Verão para a piscina do Palace Hotel de Vidago. No regresso, quando o comboio contornava uma colina antes do apeadeiro do Tâmega, apeávamo-nos, íamos às uvas e apanhávamo-lo mais à frente. O pior destas viagens era o facto de não se poder usar roupa clara que, com a fuligem, nos transformava em autênticos caretas. O fumo do carvão de pedra da fornalha era tão espesso, que mesmo com as janelas fechadas penetrava até aos ossos. Então quando tinha que se atravessar um túnel!...

 

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Corriam os anos trinta e o Ti Morgado de Fomelos, homem de muitos teres e de grande lavoura - meu avô matermo - tinha por parte da esposa - senhora minha avó - muita família no Porto por daí ser ela natural.

 

Ora o comboio, mesmo a cerca de dezassete quilómetros da aldeia, era um regalo quer para mandar o fumeiro e as batatas quer para receber na volta os encantos da grande cidade. Além do mais, permitia encontros mais amiudados entre os membros da famí1ia. Aos criados da casa estava incumbida a tarefa de fazer a ponte entre a estação de Chaves e a casa de Fornelos. Estavam sempre aspadinhos por este trabalho pois representava uma raríssima ocasião de ir à cidade, mas sobretudo de ver o camboio.

 

O Manuel Soqueiro - nomeada resultante do facto de ser artista a talhar tamancos de pau de amieiro foi crido lá da casa. Contraiu matrimónio e passou a cuidar da sua própria lavoura. Mas, sempre que fosse preciso, estava às ordens da casa do Morgado e lá botava uma mão nos trabalhos mais pesados. Corria Setembro, mês do arranque das batatas - a riqueza daquela casa - e não havia braço disponível que não se ocupasse nesta árdua tarefa. Acabavam as férias que os velhotes do Porto haviam passado em Fornelos. Era por isso preciso levá-los à estação para regressarem ao Porto. Como não havia na casa ninguém disponível, foi pedida ajuda ao Soqueiro. Ainda a manhã vinha longe e já os bois galegos gramavam com o jugo pela cabeça. No carro montavam-se uns bancos corridos para maior comodidade, por mor dos solavancos do macadame da estrada. Partiram manhã cedo. O Sr. Manuel era pai da Maria Soqueira,  uma moçoila de quinze anos, grossa como a casca das carvalhas da touça fronteira ao pardieiro em que viviam. Não conhecia nada para lá de Santa Leocádia. sede de freguesia. onde ouvia a missa de Domingo. Era uma boa oportunidade de a levar à cidade, tanto mais que fazia companhia aos passageiros. Assim foi!

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Chegaram à estação seria meio-dia. Havia tempo, pois a partida era só lá para a uma da tarde. Comida a merenda, era hora de dar uma vista de olhos pelas novidades. O pai não perdeu a oportunidade de mostrar o camboio à sua Maria,  explicando-lhe os mais Ínfimos pormenores.

 

- Esta casa é a estação do camboio. É aqui que as pessoas embarcam e que se despacham as encomendas. Maria, estes carriles de ferro são a estrada por onde o camboio anda. Aquela casinhota que bota fumo é a mánica que puxa as gaiolinhas que são as carruaijes. As que têm jinelas são para as pessoas, as fitchadas para as encomendas e para os animais. Aqueles homes engatam umas gaiolas às outras com a mánica na frente e o chefe da estação dá a ordem de partida. O camboio apita e arrenca!...

 

A rapariguita estava pasmada! A boca abria-se de espanto e os olhos esbugalhados brilhavam de felicidade. Era tudo ainda mais fascinante do que alguma vez havia sonhado! Quando casasse, havia de andar de camboio. - Pensava ela.

 

Mas tinha uma dúvida:

 

- Ó pai e quando o camboio arrenca a estação vai atrás dele ?!...

 

 

Em Janeiro de 1990, o troço de caminho de ferro entre Vila Real e Chaves foi encerrado.

 

Infelizmente os nossos governantes não perceberam que o prejuízo de suprimir esta maravilha será muito superior ao custo da sua manutenção!

 

Estou certo de que um aproveitamento turismo sustentado haveria de o justificar.

 

Bem, são as decisões dos inteligentes políticos da nossa praça!

 

 

Gil Santos, In Ecos do Planalto, Estórias – Edições Ecopy, Porto, 2007

 

E por hoje é tudo. Amanhã cá estarei de novo com mais uma aldeia do nosso concelho de Chaves.

 

Até amanhã!

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:29
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

Agrações - Chaves - Portugal



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Agrações.

 

Agrações, fica a cerca de  25 quilómetros de Chaves e pertence à freguesia de Póvoa de Agrações, aldeia que passou por aqui no último fim de semana. Aliás tudo que há para dizer sobre Agrações, já foi mais ou menos dito no Post da Póvoa, mas com uma grande diferença, é que Agrações é uma aldeia muito mais pequena que a sede de freguesia e, quanto a população, está praticamente deserta. Apenas oito pessoas ainda resistem a habita-la por inteiro.


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Construções novas também não há. Tudo leva a crer que quando esta diminuta população e envelhecida morrer, a aldeia morrerá com eles, aliás grande parte das suas construções já estão moribundas.


 

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Agrações é um bom exemplo do mal que tomou as aldeias de montanha. Embora seja terra rica na cultura da castanha onde até se admiram imponentes exemplares de castanheiros seculares, em tudo o resto é a pobreza que reina na aldeia.


 

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A grande maioria das construções são um misto de pedra solta e madeira, com poucas aberturas e simples. A própria capelinha é de linhas muito simples e pequena. É de devoção a Nossa Senhora da Conceição, cuja celebração se faz no dia 8 de Dezembro apenas com a realização de uma missa. Já não há festa, pois também já não há gente para festejar ou com vontade de festejar.


 

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Já foi aldeia com gente, com crianças e até com escola. Ainda há poucos anos a escola tinha 5 alunos. Não eram muitos, mas iam fazendo a alegria do largo e da Rua, pois além da estrada de acesso à Povoa, aldeia resume-se a uma rua estreita apenas interrompida por breves instantes pelo único largo, o da capela.


 

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E que mais há para dizer sobre Agrações!? – Talvez falar das panorâmicas vistas que por entre os castanheiros alcançam montanhas e montanhas até às serras do Barroso, ou seja, vistas que atravessam todo o concelho de Chaves.


 

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Tudo o resto é triste e, mais que triste, revoltante.

 

Já atrás disse que Agrações eram um bom exemplo das aldeias de montanha desertificadas. É também um bom exemplo do Portugal profundo, esquecido, isolado e pobre, onde com certeza a electricidade e a estrada asfaltada chegaram tarde demais e nada são ou pouca força tiveram para reter a sua população. É uma pequena aldeia, quase um lugar, mas que sempre o foi, e que, com certeza também, é habitado desde há centenas de anos, senão milenar.


 

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Não há politicas, nem qualquer interesse por parte de quem pode e manda para manter estas aldeias de montanha. Para Lisboa, e refiro-me sempre a Lisboa porque infelizmente é desde lá que se vê todo o país e que se decidem todas as política para Portugal, aldeias destas não existem e já há muito que são a apregoada paisagem. Há outras preocupações e prioridades que todas estão relacionadas com números e estatísticas daqueles que sempre puderam e mandaram. Querem ser igual à Europa dos TGV’s, dos grandes aeroportos, das pontes maiores da Europa, dos grandes eventos como as Expo’s, Europeus de futebol, agora já se fala no Mundial e, não tarda nada, são candidatos a uns Jogos Olímpicos. Afinal ainda somos o Portugal das grandes descobertas, o Portugal dos grandes feitos, onde toda a gente estuda até à licenciatura com disponibilidade até da alta tecnologia ou de pelo menos um PC portátil por aluno. Inventam-se até licenciaturas que muitas delas nem se percebem muito bem para que servem, além de irem servindo para engrossar os números dos desempregados e se não somos os maiores, queremos fazer figura como os grandes.

 

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Entretanto e enquanto os de Lisboa andam entretidos com os grandes feitos e com as figuras que fazem nas televisões com as aldrabices que nos tentam impingir, há todo um povo, uma cultura e tradições centenárias que vão morrendo como os poucos velhos das aldeias e com as próprias aldeias.

 

Como diria O’Neil, “Velhos, meus queridos velhos” que são humildes e vivem até felizes e contentes nos seus velhos lugares, porque os de Lisboa lhe dão uma reforma com a qual não chegam a viver, mas apenas sobreviver e que nem se quer lhes chegar para pagar um táxi das suas doenças. Uma reforma que para muitos dos senhores de Lisboa apenas chegaria para pagar um jantar com dois ou três gajos porreiros.

 

“Velhos, meus queridos velhos” que estão eternamente agradecidos às reformas que lhe caem de Lisboa, reformas que nem sequer esmolas são.

 

Falo dos de Lisboa, mas os de cá também não estão isentos das culpas e dos males das nossas aldeias. Às vezes a electricidade, o alcatrão, a água nos canos ou a merda nas fossas, não chegam para manter as nossas aldeias abertas e vivas, enquanto que na cidade também se vai fazendo figura (à escala provinciana) do grande que somos ou pretendemos ser (ou aparentar).


 

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Claro que mais uma vez me estou a meter em coisas para as quais não fui chamado e das quais até nem percebo nada. Os iluminados de Lisboa (ou não) é que sabem e,  até nem gostam de ser contrariados. Depois, claro que também há os que vão atrás do homenzinho da frente e ficam contentes com apenas dizerem méeeeeeeee! Enquanto vão deixando o chão sarapintado de bolinhas.


Claro que hoje até é para para falar de Agrações. Agrações que em vez de Agraciada é Agredida...

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Até amanhã noutra aldeia do nosso concelho, entretanto se estiver pela cidade, não pecar mais um grande evento a acontecer hoje e amanhã no Espaço Adrat, a Feira de stok's, onde irão participar, varias lojas do Centro Histórico da Cidade de Chaves tal como: LOOK OPTICASISLEY,  BENETTON, PATELA,  TRIMPH,  PARFOIS,  MIKEDAVIS, CASA, DECOR,  MUNDIAL SPORT, BOM PÉ, ENTRE OUTRAS…

 

A vida na cidade sempre foi mais colorida!

 
Diz a Procentro para não perder esta oportunidade, e aproveitar os 'PREÇOS'  fantásticos.

 

Infelizmente os “nossos queridos velhos” estão encerrados para balanço nas suas aldeias, mas pela certa lamentam não poder vir à cidade gastar algum, Óh! Se lamentam!

 

Claro que, não sei se perceberam, que todo o texto deste post foi inventado para apenas arranjar lugar para as fotos de hoje. Pois tudo vai bem por aqui… nada disto é real…Olá então como vais!?

 

Eu, definitivamente, fico-me por aqui, mas apenas por hoje!

 

Até amanhã!

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:53
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Escariz - Chaves - Portugal



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Em 16 de Dezembro de 2006 este blog passou por Escariz e dizia eu então:

 

“Escariz é uma das 10 aldeias da freguesia de S.Pedro de Agostém. Fica a 10 quilómetros de Chaves, bem no meio da montanha. É uma daquelas aldeias em que para a conhecer é mesmo necessário ir até lá, pois não fica na passagem para lado nenhum. Passa-se ao lado, bem ao lado na Estrada Nacional Nº 311-3, que liga Loivos ao Peto de Lagarelhos. Estrada que é um autêntico miradouro sobre a pequena aldeia, pois esta encontra-se bem lá ao fundo numa cota inferior à estrada. Vale a pena parar um pouco que seja para apreciar as vistas sobre a aldeia e o encontro de montanhas que se prolonga para lá de Loivos.

Quanto à aldeia em si, é mais uma aldeia de montanha que lhe segue todas as características e que tal como se pode ver na foto, se resume a meia dúzia de casas e talvez menos famílias.”

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Se em relação ao primeiro parágrafo mantenho tudo o que disse então, em relação ao segundo tenho que fazer uma correcção.

 

Acontece que quando escrevi o post de 2006 não desci à aldeia e a última vez que o tinha feito teria sido há mais de 20 anos. Da estrada deu-me impressão que a aldeia seria uma das muitas que sofria do mal da desertificação das aldeias de montanha, muitas casas velhas em apenas três ou quatro se notava edificação recente ou tratada. Puro engano. Há que descer ou subir às aldeias, entrar por elas adentro, falar com as pessoas, assistir às suas vivências, beber da sua água das fontes…enfim, entranharmo-nos nas aldeias para a ficar minimamente a conhecer.

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Embora a proximidade da Estrada Nacional e da cidade, Escariz vive habituada a poucas visitas, pois não fica à mão para nada. Quando um estranho como eu entra aldeia adentro, ainda para mais de máquina fotográfica na mão, logo ali começa um inquérito aos nossos propósitos e, se não começa, sentimo-nos na obrigação de dizer ao que vamos. Geralmente os primeiros por quem somos recebidos é pelos cães. Primeiro ladram, depois aproximam-se, depois cheiram-nos e de seguida vão-se embora à sua vida ou então fazem questão de nos acompanhar na visita. Geralmente, cumprimento-os, falo com eles e logo compreendem que vamos por bem. Quanto às galinhas, essas, não nos ligam e lá seguem na sua vida do esgaravato à procura de qualquer coisa que lhes encha o papo. Os gatos são por natureza ariscos e geralmente também não são de grandes conversas. Preferem ver-nos de longe ou então são tudo o contrário e pegam-se a nós enquanto vão desenhando oitos entre as nossas pernas.

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Depois do inquérito do costume, lá fomos entrando na conversa e na aldeia. Surpreendeu-me, pois nunca esperei ver tanta gente jovem e tanta vida nas ruas, ou na rua, pois quase se resume a uma. Vida com crianças nas suas brincadeiras e vida própria dos trabalhos da aldeia e do campo. O rebanho, o tratar dos campos, a lenha… fez-me lembrar as antigas aldeias povoadas de gente em que cada qual vai aproveitando a luz do dia para os seus afazeres que só dão descanso ao corpo pela noite. Felizmente para o descanso que as noites de Inverno são longas, já para os afazeres os dias são curtos.

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Reponho então a verdade quanto a esta aldeia e não são meia dúzia de casas habitadas e outra tanta gente, mas segundo apurei ainda são à volta de dezassete as casas habitadas, outras tantas famílias, gente jovem e algumas crianças, mas não o suficiente para terem direito a escola na aldeia. Emigrantes, também os há.

 

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Claro que esta vida de aldeia, do Sábado à tarde, não se repete durante a semana, pois as crianças têm que abalar para a escola de outra aldeia e os pais lá vão fazendo pela vida como podem, na cidade ou/e nas suas profissões por outras paragens, mas sempre fica o guardador de rebanhos e os resistentes. Claro que à noite todos regressam, pois há que dar descanso ao corpo para um novo dia.

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Na minha documentação e nas minhas pesquisas sobre a aldeia apenas encontrei o seguinte: “Escariz, topónimo de origem franco germânica, é uma pequena aldeia com algumas casas desabitadas. Tem uma capelinha da devoção a Santa Catarina”.


Além da devoção, Santa Catarina tem direito a festejos, claro que são festejos ajustados à “grandiosidade” da aldeia, que todos os anos lá se vai realizando no 25 de Novembro.

 

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E Escariz serviu-me de lição ou de muitas lições, e uma delas, talvez a mais importantes, foi a de nunca julgar as aldeias pela aparência e nunca às definir à distância.

 

Até amanhã, por aí, numa outra aldeia de Chaves.

 

 

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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Pereiro de Agrações - Chaves - Portugal



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Geralmente aqui no blog, quando vou até às aldeias, muitas vezes refiro-me às aldeias de montanha. Acontece que salvo raras excepções (meia dúzia de aldeias) todas as nossas aldeias do concelho são aldeias de montanha. Mas há montanha e montanha, planaltos e até pequenos vales de montanha.

 

Montanhas & montanhas, todas elas são iguais aparentemente, mas todas elas são diferentes.

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As montanhas que vão desde Parada, passam por São Vicente da Raia, descem até Aveleda e Segirei são completamente distintas das montanhas de Castelões, Soutelinho da Raia, Seara Velha e terras de Ervededo. Por sua vez as Montanhas e planalto da freguesia de Nogueira de Montanha, Moreiras e Stªa Leocádia já são distintas das de Rebordondo, Anelhe e Arcossó e de todas as outras…


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As aldeias moldam-se e colam-se às suas respectivas montanhas e, conforme a montanha assim é a aldeia.

 

Tudo isto para chegar à aldeia de montanha de Pereiro de Agrações, pois esta, além de se moldar e colar à montanha, entranha-se por ela adentro, confunde-se com ela, aconchega-se a ela, protege-se com ela. É tanta a intimidade e cumplicidade da montanha com a aldeia, que muitas das vezes a montanha entra com os seus grandes rochedos pelas casas adentro.

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Pereiro de Agrações é concerteza mais uma aldeia de montanha, mas com características singulares e únicas, com a intimidade das casas adossadas a gigantescos penedos e ao declive da montanha que dão à aldeia uma beleza singular.

 

Quanto às pessoas, que dizer!? Acho que são como a montanha e a aldeia, também eles vivem uma intimidade própria, afável, simpáticos, comunicativos e conversadores, humildes  e hospitaleiros. Tal como a montanha e a aldeias, também eles transportam em si uma beleza singular.


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Mas vamos lá então até Pereiro de Agrações.

 

Póvoa é sede de freguesia, à qual pertencem as aldeias de Agrações, Dorna, Fernandinho e Pereiro. Póvoa e Pereiro, adoptam ainda o sobrenome de Agrações.

 

Pereiro fica a 21 quilómetros de Chaves e o principal acesso é feito a partir de Loivos e da E.N. 311 no troço que liga Vidago a Chaves via Loivos e Peto de Lagarelhos. Quanto a população residente na freguesia é de 294 habitantes (dados para a freguesia do Censos 2001) contra os 631 habitantes que tinha em 1981 (dados Censos 1981 corrigido em 1989) e tenho pena de não ter dados dos anos 60 e 70, pois concerteza que a diferença ainda se avolumava mais. Mesmo assim penso que a diferença numérica diz tudo quanto à desertificação e envelhecimento da população, embora no Pereiro de Agrações,  talvez tenha sido onde menos se sentiu esta desertificação na freguesia, pois segundo informações da aldeia ainda deve ter à volta de 60 habitantes.


 

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É terra de emigrantes e a razão da partida é sempre a mesma ou seja, desde que a agricultura deixou de render para as despesas, não há nada que prenda a gente jovem às aldeias. Já é comum este lamento e até já estamos habituados a ele, mas ainda há muita gente que não está conformada.


 

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Pereiro de Agrações, (freguesia), tem uma área total de 7,93 km2 e a sua principal produção é a castanha, dada a sua localização, nas encostas da serra da Padrela que a separa das terras de Aguiar. No seu espaço rural são vastos os soutos de castanheiros e nogueirais entremeados com algumas manchas de pinheiros. Pequenas vinhas, algumas oliveiras e as hortas circundam as aldeias da freguesia, mas o seu forte é mesmo a castanha dos seus centenários castanheiros, alguns com troncos que rondam pela certa entre os dois e três metros de diâmetro. Castanheiros de respeito.


 

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Pereiro de Agrações é muito antiga com uma situação junto a um povoado castrejo. Foi uma das pobras de que falam as Inquirições de D. Afonso III, que eram verdadeiros lugares de refúgio e de defesa na Reconquista Cristã.


 

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O orago é o S.Jorge cujas festas se celebram no dia 23 de Abril, mas festa, mesmo festa, essa acontece no verão, em Agosto, com a vinda dos emigrantes e o povoar da aldeia quase no seu todo, onde não faltam brilhantes máquinas e muita criança. Não admira que seja uma verdadeira festa que os resistentes povoadores esperam sempre com um brilhozinho nos olhos à espera dos seus.


 

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E que mais há a dizer sobre o Pereiro de Agrações!? Talvez mesmo só referir o rigor dos Invernos e as vistas que se projectam e alcançam todas as montanhas até à serra do Larouco.


 

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E do Pereiro de Agrações é tudo. Ficamos em divida para com Agrações e a Póvoa, pois Fernandinho e a Dorna já por aqui passaram, embora também fique prometido para estas o formato alargado.

 

Até amanhã de regresso à cidade de Chaves.

 

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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Ecos do Planalto - Um livro de Estórias

 

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Tal como prometi no último post vamos então dar a conhecer esse tal filho do Planalto e o seu livro recentemente publicado “ Ecos do Planalto”.
 
"Ao correr da pena e escrevendo como quem fala, soltam-se as palavras no Planalto como as castanhas dos ouriços. E na mais ingénua das intenções, convoca-se um tempo esquecido, para que dele escorra a virilidade da alma transmontana.
 
Servindo à mesa da nostalgia uma panóplia de sabores perdidos, moldam-se as palavras ao recorte dos sentimentos que os seus Ecos cristalizem como as navalhas de sincelo do Planalto.
 
Perceba-se que no Planalto mais profundo ainda é o homem que manda no seu destino!".
 
 
São palavra que constam na contracapa do livro de estórias do planalto, todas vividas na primeira pessoa do seu autor, um regresso às origens, ao tempo de criança e de juventude.
 
Estas estórias fizeram-me companhia e foram as leituras nos dias do passado Natal. Fiquei encantado com a pureza e realidade das estórias contadas. Nelas se entende um pouco do tal rigor de viver na montanha e no planado do Brunheiro. Palavras que se vão transformando em imagens no decorrer da sua leitura.
 
Mas vamos até ao seu autor.
 
Gil Manuel Morgado dos Santos nasceu na freguesia de Santa Leocádia, neste concelho de Chaves a 19 de Maio de 1957. Frequentou a Escola Primária de Adães onde completou a 4ª classe em 1966. Frequentou o seminário de Vila Real até 1969 de onde saiu para frequentar o Liceu Fernão de Magalhães em Chaves. Aí completou o (antigo) 7º ano em 1978. Ingressou na Escola do Magistério Primário de Chaves tendo concluído o respectivo curso em 1980. Casou em Braga em 1981, onde fixou residência.
 
Licenciou-se em Administração Pública na Universidade do Minho em 1993, onde adquiriu o grau de Mestre também em Administração Pública em 2003.
 
Actualmente é Professor Titular do grupo de Economia do quadro da Escola Secundária de Caldas das Taipas em Guimarães.
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Ainda sobre o autor, nem há como deixar aqui a nota de abertura do seu livro:
 
NOTAS DE ABERTURA
 
Guardo do Planalto o gosto doce de uma infância livre!
Cresci aos ninhos!
Senti o cheiro do feno e da carqueja!
Aprendi a assobiar com o melro e o rouxinol!
Provei o fresco das manhãs claras!
Fiz-me gente à força dos nevões!
Senti o uivo do vento norte cortado por navalhas do sincelo!
Fabriquei os meus brinquedos!
Insultei o vento suão!
Construí-me amante da natureza e dos espaços livres!
Fiz dos dias infinitos escola e das noites estreladas sonhos!
Conheci a galinha ainda penada e cacarejante à volta dos pintainhos!
Vi parir a reca e a burra e a vaca!
Botei a cria ao monte e fui cá botá-la!
Jungi parelhas bois galegos e atrelei-os ao arado!
Senti o cheiro do esterco e da terra lavrada!
Cortei estrume nas touças!
Vi raposas e lobos e texugos!
Aparelhei cavalos e galopei na poeira dos caminhos!
Capei grilos e apanhei saltões e lagartixas!
Observei a vida das formigas e das abelhas e das vacas loiras!
Armei pescoceiras e fiz magustos com giestas húmidas!
Rasguei as calças a subir às cerdeiras!
Abri buracos em penedos de granito para fazer vinho de amoras. Bebi-o com trigas palhas!
Senti nos pés descalços a força telúrica do Brunheiro!
Adoeci e sarei com rezas e mezinhas!
Provei o gosto do mel e o amargo do fel!
Cresci a chamar pelos nomes próprios as plantas, os animais, os lugares, as pessoas e os caminhos!
Aprendi palavras que já não se usam e expressões que já não se ouvem!
Conheci a cor do alcatrão, do betão, da cidade e o reboliço do trânsito, o conforto da televisão e do gás J;cra electricidade e do hipermercado, felizmente quando já era crescido!
É daquele gosto da minha infância, vivida no Planalto que vos quero falar. Daquela limpidez espero impregnar as palavras das estórias que aqui vos deixo!
A semelhança com lugares e pessoas é mera coincidência. É que o Planalto, mais do que um lugar real é um sonho que, apesar de tudo, ainda povoa a memória colectiva!
O Planalto do Brunheiro é afinal a mesa onde vos quero servir uma lauta ceia transmontana!
 
Mas o melhor mesmo é ler as suas estórias e ouvir os Ecos do Planato.
 
O livro está à venda no sítio: http://ecopy.macalfa.pt no catálogo on-line em on-demand.
 
Quanto ao Gil Santos pela certa que irá passar por este Blog muitas mais vezes, não só com ecos do Planalto frio do Brunheiro, mas contamos com ele também para discursar sobre a cidade de Chaves.
 
Até amanhã, excepcionalmente fora de Chaves. 
 
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Domingo, 13 de Janeiro de 2008

Santiago do Monte, Nogueira da Montanha, Chaves, Portugal

 

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Quando este blog vai até às aldeias de montanha, geralmente menciono o frio e o rigor dos Invernos. Mas uma coisa é falar do frio e outra é vivê-lo, senti-lo nas faces, entranhar-se no corpo, doer-nos nas unhas, cortar-nos os lábios…tanto, que à distância apenas se pode imaginar e, acreditem, que mesmo imaginando-o, ficarão muito longe da realidade. Diz-se e apelidam-no de frio de cortar à faca e corta mesmo.
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Pois no meio deste frio há vida e gente que o vive e lhe resiste, vencendo-o conforme pode, atiçando o lume à lareira com uma boas achas de carvalho ou freixo, lenha de boas brasas, e uma montanha de cobertores na cama.
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Mas melhor que as palavras, nem há como a imagem, pois penso que dizem tudo.
 
São imagens de Santiago, aldeia do Brunheiro, da freguesia de Nogueira da Montanha. Imagens que são comuns à maioria das aldeias do planalto do Brunheiro.
 
Deixando o frio de parte, pois Santiago também tem verão (dos tais de inferno), vamos um bocadinho até à aldeia e ao seu ser.
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Santiago fica a 13 quilómetros de Chaves e o acesso é feito a partir da EN 314 (Chaves-Carrazedo de Montenegro) e neste sentido, logo após Peto de Lagarelhos, à esquerda, toma-se a o Caminho Municipal 1079, que nos dias de gelo, deve ser tomado com os devidos cuidados.
Raramente se menciona, mas o seu topónimo completo é Santiago do Monte, que bem poderia ser da serra, pois situa-se na parte alta do Brunheiro, a uma altitude de 809 metros. Há dias, num texto perdido na minha documentação, lia ao respeito da aldeia: “ …apresenta um aglomerado habitacional com ruas desertas e totalmente desabitado” Retirando-lhe o totalmente, o resto aplica-se, e não é difícil compreender os porquês, ale de a aldeia sempre ter sido pequena.
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À entrada da aldeia ergue-se (recentemente reconstruído) um nicho de São Miguel e na saída para a Alanhosa um outro representando em pintura o Senhor do Bom Caminho onde se poderá também presenciar a Capela de devoção ao Apóstolo Santiago, que é festejado em 25 de Julho de cada ano.
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A poente da aldeia, mesmo nas cumeadas da serra, persistem evidentes vestígios da cultura castreja proto históricas. As Crastas, assim designado popularmente. O ambiente castrejo, é um conjunto fortificado onde se observam vestígios de dois muralhados de cercados castrejos e de uma sepultura antropomórfica. Segundo rezam alguns documentos, deste local, classificado de Interesse Público, foram retirados para o Museu da Região Flaviense, uns interessantes cornos de vaca e o selim de um cavalo, em granito, além de cerâmica variada. Seria também interessante saber onde param essas peças e outras, que frequentemente em documentação dispersa aparecem como estando no museu da região flaviense, e lá, ninguém lhes põe a vista em cima (apenas um aparte). Mas associado a este castro abundam as lendas de tesouros enterrados debaixo da pedras fincadas, diz-se que muitas vezes procurados pelos "caça tesouros", mas segundo consta, nunca nenhum foi encontrado.
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E por este fim de semana é tudo, mais duas aldeias passaram por aqui, Santiago pela primeira vez.
Amanhã estaremos de regresso à mui nobre cidade de Chaves pelo Tâmega beijada.
       
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publicado por Fer.Ribeiro às 15:46
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008

Maços - Chaves - Portugal

 

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Maços, Nogueira da Montanha, Chaves, Portugal. É para aí que hoje vai este blog.
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Faltou Serra do Brunheiro ou planalto da serra, para a apresentação de Maços e, a partir de aqui, está quase tudo dito, pois é o costume nas aldeias de montanha. Terras de Invernos frios, rigorosos, até ingratos dos quase 900 metros de altitude, que lhe dão também verões luminosos que tanto são arejados como de “inferno”.
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Terra de boa batata, bom “pão”, alguma castanha, as hortas ao pé da casa, algum gado, pouca gente jovem, alguns idosos…o costume por estes lados da montanha com vistas largas, quer para as terras mais quentes de Valpaços, quer para terras de Espanha e todas as montanhas do Barroso e claro, o vale de Chaves a seus pés.
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Maços tem por topónimo um termo que poderia designar um foro que esta população teria que pagar ao senhor dela ou ao rei.
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A capela é da devoção a Santo Amaro que a população festeja a 15 de Janeiro. É uma capelinha barroca onde da antiguidade se destaca a torre sineira galaico portuguesa, mais elevada que os dois pináculos graníticos que a enquadram.
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E fico-me por aqui em palavras.
 
Até amanhã, por aí numa outra aldeia de Chaves.
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Domingo, 30 de Dezembro de 2007

Sanfins da Castanheira - Chaves - Portugal

 

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Hoje vamos até Sanfins da Castanheira.
 
Sanfins da Castanheira é sede de freguesia, à qual pertencem as aldeias de Mosteiro, Parada, Polide e Santa Cruz da Castanheira, fica a 24 quilómetros de Chaves e desenvolve-se bem lá no alto da montanha por uma área de 16,3 quilómetros quadrados e faz fronteira com as freguesias de Cimo de Vila da Castanheira, S.Vicente da Raia e os concelhos de Vinhais e Valpaços (Lebução e Bouçoaes).
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Quanto a dados estatísticos do CENSOS 2001, tinha nesta data 308 pessoas de população residente, 129 famílias e 252 habitações. Comparando com os CENSOS de 1981 em que tinha como população residente 824 pessoas, vemos que em apenas 20 anos perdeu quase dois terços da sua população para a cidade, grandes centros e emigração. Isto são dados da freguesia e embora seja válido para todas as suas aldeias, não o é por igual. Por observação, penso que as aldeias que sofreram mais com a desertificação foram Parada e Polide, pois Sanfins e Santa Cruz parece-me não ter perdido tanta população como as duas primeiras.
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Quanto à aldeia de Sanfins propriamente dita tem a característica de “entrar” por Cimo de Vila adentro e o contrário também se aplica, pois para mim que não conheço o limite das duas freguesias e aldeias, nunca sei onde começa uma e acaba a outra. À primeira vista (desinformada) parece tratar-se apenas de uma aldeia.
 
Como o nome indica, Sanfins da Castanheira é terra de castanheiros, mas não tanto como o nome nos possa levar a pensar. Agricultura é a do costume, praticamente de subsistência e pouco mais. Alguma pecuária, muito menos que há uns bons anos atrás. Políticas das quotas do leite (suponho) e, outras políticas agrícolas, têm contribuído para a desertificação destas populações. Tirando-lhes o seu único rendimento (pecuária e agricultura) mais nada lhes resta e,  só a velhice ou muito amor às suas aldeias é que os vai prendendo por lá.
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Todos lamentamos, pois com a desertificação das aldeias, perde-se também muito daquilo que temos de genuíno e muitas tradições ligadas à terra, à religião e às povoações. Coisas simples que fazem a sua identidade e que jamais serão recuperadas.
 
As festas da terra são em Agosto. Não me refiro às festas religiosas, mas à festa da gente e dos seus filhos, pois é em Agosto que todos se vão juntando por lá, principalmente os emigrantes, que em Agosto dão vida às ruas e às casas.
 
Segundo reza a história mais antiga, foi uma das freguesias mais importantes do arciprestado de Monforte. O onomástico Sanfins provém do orago da freguesia que é São Pedro Fins. Em toda a envolvente da freguesia foram encontrados vestígios de povoamento remotos, até da Pré-história. Existem também nesta área sepulturas e sarcófagos da Idade Média.
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Segundo a história mais recente, a freguesia, principalmente Sanfins e Mosteiro, está também ligada à guerrilha antifraquista, pois também era por aqui que os guerrilheiros tinham casas de abrigo, como alias já foi referido nos posts dedicados ao Cambedo.
 
E claro que não podia terminar sem referir a família Pinheiro, na qual tenho amigos de há longa data e foi pela mão deles que já há muito descobri a freguesia na festa de Stª Cruz, com um abraço para o Zequinha, o Arnaldo e, claro, o Presidente da Junta.
Até amanhã de regresso à cidade.
 
 
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publicado por Fer.Ribeiro às 02:26
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Sábado, 29 de Dezembro de 2007

Parada - Chaves - portugal

 

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Ainda antes de ir até Parada, fica aqui notícia de última hora, no público on-line.
 
 
Ministro promete reagir a providência cautelar para reabertura de bloco de partos de Chaves
 
O ministro da Saúde afirmou hoje que a Comissão de Defesa do Hospital de Chaves tem o direito de interpor uma providência cautelar visando a reabertura do bloco de partos da unidade, mas prometeu reagir se a iniciativa anunciada se concretizar.
 
Para quem quiser ler o resto da notícia, click aqui .
 
E sem qualquer comentário à arrogância do quero, posso e mando dos nossos governantes, vamos então até Parada.
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Ainda há pouco tempo atrás andamos por lá, mais precisamente em 26 de Agosto, (link aqui ), mas como os dias de Inverno são ingratos para a fotografia, lá vou tendo que recorrer àquilo que tenho em arquivo, e também a algumas repetições e cumprir a tal promessa de ir até S.Gonçalo.
 
Na realidade é complicado chegar até S. Gonçalo e recomenda-se mesmo um todo o terreno para chegar lá, ou então a pé, para quem gosta de caminhadas na montanha, que pela certa é uma boa caminhada. Mas vale a pena e o sacrifício da viagem até S.Gonçalo, pois aí sentimo-nos mesmo em Trás-dos-Montes e entalados entre tanta montanha que se perdem no horizonte, com vistas para terras de Valpaços, de Vinhais e até da Galiza. Para quem gosta da natureza é um passeio que se recomenda, pena que um incêndio de há anos atrás tivesse destruído quase toda a floresta.
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Quanto a Parada, fica a 26 quilómetros de Chaves, pertence à freguesia de Sanfins da Castanheira e o acesso é feito a partir do Caminho Municipal 1065, pavimentado e com belas vistas, tão belas como perigosas, pois a sinuosidade do caminho não recomenda distracções, e a propósito da notícia de abertura, é um daqueles locais onde não se recomenda ter um problema de saúde que necessite uma intervenção urgente. Uma boa aldeia para o Sr. Ministro da Saúde visitar e até para … bem, hoje falamos de Parada. Estava eu a falar de acessos, pois a partir de Chaves há que tomar a Nacional 103 em direcção a Bragança e chegados à Bolideira ruma-se em direcção a Dadim, Cimo de Vila da Castanheira, Sanfins, Santa Cruz e depois umas montanhas à frente, é Parada.
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Quanto à população, segundo o posto de correios reproduzido em fotografia, existem pelo menos 29 casas, mas penso que a maioria ou está desabitada ou é de emigrantes, pois a população é reduzida e envelhecida, o costume nas aldeias de montanha.
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E de que vive a aldeia!?, das hortas e das reformas, suponho, pois além de alguns castanheiros, pouco mais vi por lá. Talvez em tempos tivesse sido a floresta, que um incêndio deixou reduzida a cinzas.
 
Quanto ao seu nome, Parada, é um lugar cujo topónimo pode referir-se a um tributo ou um foro, a que se dava o nome de Parada, foro esse que o povo pagava aos senhores da terra, quando nela apareciam e que consistia em certa quantidade de mantimentos ou dinheiro, para mantença ou aposentadoria deles e da comitiva. Era um dos foros pagos entre os séculos XII a XV, pelo que a aldeia terá no mínimo essa antiguidade poderá estar associado a um foro.
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A aldeia apresenta na sua periferia sepulturas cavadas na rocha, situando-se uma delas próxima da capela de Santa Bárbara. Perto encontram se vestígios de uma cultura castreja que aqui construiu as suas estruturas e muralhas de defesa, na margem do rio Mente, afluente do rio Rabaçal.
 
E por hoje é tudo, amanhã cá estarei de novo com mais uma aldeia.
 
Até amanhã.
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Ribeira de Sampaio de há 20 anos e de hoje - Chaves - Portugal

 

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Hoje apetece-me fazer tudo ao contrário.
 
As fotos a cores são fotos de há 20 anos e, a P&B as fotos de hoje. É assim que vejo esta pequena aldeia.
 
Desde miúdo que gosto de andar pelos nossos caminhos à descoberta. Às vezes de nada, outras, entrava por caminhos sem saída e algumas vezes descobria pequenos tesouros e pequenos paraísos.
 
Há coisa de 20 anos, num passeio de moto, resolvi entrar por um caminho, localizado logo a seguir ao Miradouro de S.Lourenço. De início senti que seria um caminho até à serra, talvez atalho para a Cela, sem esperança de encontrar o que quer que fosse. Como sempre, as aparências iludem, pois logo ali, a uma centena de metros, senti-me entrado no paraíso e espantado com a beleza e serenidade do local, tanto, que custava acreditar que existisse um lugar assim. Instintivamente, nem sequer parei, mas antes virei, e a todo o gás desci montanha fora até ao vale para ir buscar um instrumento já então precioso, embora analógico – a máquina fotográfica. De novo serra acima e, aí sim, aproveitei todo o fim de tarde para fazer algumas fotos e desfrutar do local. Sentia-me um puto a desfrutar da minha nova descoberta.
 
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Tinha descoberto a Ribeira de Sampaio, três ou quatro casas, dois moinhos, uma belíssima ponte de um arco, a ribeira com a sua água cristalina, o grande castanheiro… e tudo era perfeito e puro. Era um sonho que vivia acordado e sonhava também com melhores dias para aquela Ribeira. Infelizmente a realidade foi isso mesmo, um sonho, apenas um sonho de há 20 anos, pois volvido ao local, a Ribeira que conheci, já não existe.
 
Penso que aqui, para ilustrar as minhas palavras, nem há como comparar as imagens de há 20 anos com as de hoje. Está lá tudo escrito.
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Mas mesmo assim a Ribeira de Sampaio merece umas palavras de honra.
 
Ainda no último fim-de-semana falava aqui das Ribeiras da Ribeira, a de baixo e de cima a do Pinheiro e a das Avelãs. Pois a Ribeira de Sampaio (aldeia) é a primeira ribeira a montante da Ribeira de Palheiros (ribeira de água), situa-se em plena Serra do Brunheiro, entalada entre duas encostas desta serra, precisamente por onde a ribeira (de água) desce a grande velocidade degraus de rochas e pequenas cascatas. Pois foi precisamente esta ribeira e as suas águas que deram origem ao nascimento da pequena aldeia, com os seus moinhos e as famílias (duas ou três no máximo), que se instalaram junto a eles. Aliás as águas desta ribeira deram origem (segundo documentação) a cerca de 50 moinhos ao longo do seu percurso … um aparte e outro sonho.
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Se cá pela terra houvesse ideias turísticas, o traçado desta ribeira poderia dar origem a um interessantíssimo percurso pedonal de montanha, com origem onde ela desagua, ou melhor no Tabolado com o atravessamento das poldras (se estivessem lá todas) e pelos velhos caminhos e carreiros que as gentes das Ribeiras utilizava para se deslocarem ao longo dela… apenas um aparte que não passa de sonho, pois ideias turísticas são coisas que não medram por cá.
 
A Ribeira de Sampaio era assim constituída por três ou quatro casas e dois moinhos, hoje completamente em ruínas, mas que há vinte anos ainda existiam. Tem junto à aldeia uma belíssima ponte, de um só arco e muito antiga, talvez medieval. Também esta, hoje, embora ainda se mantenha de pé e, penso que em bom estado, está quase completamente tapada por heras e outra vegetação que ocultam toda a sua beleza. Mas para já ainda existe. Quanto aos males que a vegetação e as heras lhe estão a fazer, ignoro-o, pois a ponte quase nem se consegue ver. O mesmo se passa com a construção que está junto a ela e que aos poucos vai sendo comida pelas silvas.
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Ribeira de Sampaio, terra de antigos moleiros com moinhos sempre a trabalhar, quer de dia quer de noite, pois a agricultura era farta e o povoamento das aldeias também, e era precisamente aqui que começava a nascer o pão de muito sustento.
 
Ribeira de Sampaio, fica a 8 quilómetros de Chaves, pertence à freguesia da Cela e penso que actualmente é habitada por uma família que é responsável (mas não culpada) por algumas alterações da antiga Ribeira.
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Conclusão com uma análise breve e um lamento.
 
A Ribeira de Sampaio foi sem dúvida alguma (para mim) o local mais bonito interessante e paradisíaco que conheci do concelho. Um olhar atento de gente responsável, teria classificado e preservado o local e o casario, os moinhos e a ponte, pois era todo este conjunto que valia, não só pela sua beleza, mas também pela história dos moinhos, da farinha e do pão. Poder-se-ia ter transformado numa aldeia museu rica em todos os aspectos, mas principalmente históricos e turísticos. Falhou a visão e a atenção, o interesse por pequenas coisas e locais que poderiam ser grandes e atractivas. Mais uma vez falharam as políticas para preservar um tesouro, que hoje não passa de deprimente e que penso já ser tarde para ser possível qualquer ideia ou recuperação. A velha Ribeira de Sampaio dos moinhos e moleiros morreu. Paz à sua alma!
 
As fotos de hoje são as possíveis, desde as fotos de há vinte anos da era ainda analógica e as inevitáveis perdas das digitalizações, até as de hoje, digitais com alta tecnologia.
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E por último um aviso à navegação. Este blog vai interromper durante 15 dias a dedicatória às aldeias e também à cidade, tal como vem sendo feita, pois a partir de dia 12 e até 23 de Dezembro será dedicado única e exclusivamente à aldeia do Cambedo e aos acontecimentos de 1946 nessa mesma aldeia. Será por assim dizer a primeira grande reportagem deste blog, dedicado a uma aldeia, às suas gentes, à sua história e aos seus lamentos, e podem crer que há muito a lamentar.
 
Assim, ainda teremos dois dias de cidade mas a partir de quarta-feira, é o Cambedo que vai passar por aqui.
 
Até amanhã em Chaves.
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Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Ribeira das Avelãs - Chaves - Portugal

 

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Já sabem que aos Sábados e Domingos, por aqui, o que está a dar, são as aldeias.
 
Pois então vamos até à Ribeira, mas para ir à ribeira há que falar com as autoridades na matéria, quem a conhece, ou melhor, as conhece.
 
Faltando o Dória, que só conheci de nome e que era o grande proprietário do local, havia que encontrar outro entendido na matéria. Lembrei-me então da comida biológica que vai fazendo os meus almoços. As couves, os grelos, as batatas, o feijão, a carne (seja ela qual for) e até o bacalhau, e outros peixes, tudo biológico, tem (em tom de brincadeira) origem na Ribeira, a do Cândido. Pois é o Cândido, para mim, o maior entendido em matéria da Ribeira e, como tal, foi a ele que recorri antes da minha visita às Ribeiras.
 
Começa confuso este post, pois tanto falo em Ribeira como em Ribeiras. Então vamos lá esclarecer esta confusão, que até para mim, que tenho origem nas proximidades, sempre tive as minhas dúvidas, mas que agora, depois de as visitar quase todas, cheguei a uma conclusão.
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Então é assim: Junto às poldras de Chaves desagua uma ribeira, ribeiro ou rigueiro (conforme preferirem) que dá pelo nome de Caneiro. Chamemos-lhe Ribeira do Caneiro. Esta Ribeira é muito singular, pois conforme vai avançado até montante, ou seja até à sua nascente, vai adoptando outros nomes, bem como dando nome aos pequenos aglomerados de construções que se desenvolvem junto a ela. Assim se junto às poldras se chama Ribeira do Caneiro já, onde a EN 213 a cruza, chama-se Ribeira de Palheiros, curiosamente e popularmente, este último nome de ribeira ninguém o conhece ou reconhece, no entanto e seguindo a cartografia militar (que ainda é a mais fiável) de facto a Ribeira que chega às poldras (ou ao Tâmega) como Ribeira(o) do Caneiro, na sua origem (nascente) lá para os lados das Avelelas, tem o nome de Ribeira(o) dos Palheiros e, pelo caminho, ainda recebe várias linhas de água e uma outra ribeira, como a (vinda de Mosteiró) que dá pelo nome de Ribeira das Olgas. Mas até aqui estamos a falar das ribeiras que conduzem água, e hoje, quero falar de uma ribeira que tem casas e gente.
 
Voltamos ao Cândido. Quando lhe perguntei afinal quantas ribeiras havia, ele disse-me: “- Ora bem, temos a Ribeira de Sampaio, a Ribeira do Pinheiro, a Ribeira de Cima, a Ribeira das Avelãs e a Ribeira de Baixo”.
 
Esclarecidos!? - pois eu nem por isso, e nem há como percorrer a ribeira, ribeira acima, para as ficar a conhecer e, diga-se de passagem que por estrada não é tarefa fácil e, uma boa tarde, quase não chega para as percorrer a todas.
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Mas então que já sabemos que há muitas ribeira, vamos ficar por uma delas: A Ribeira das Avelãs, que por sinal é a Ribeira do Cândido (Não haja confusão, pois Avelãs, é a ribeira da aldeia e, Cândido, é o nome do nosso informador, que por acaso é natural da Ribeira).
 
Então, a Ribeira das Avelãs, embora se situe mesmo por baixo do Miradouro de S.Lourenço, entalada entre as freguesias da Cela e das Eiras, pertence à freguesia da Madalena, e como tal, o acesso é feito por baixo e não por cima. Ou seja, a 3 quilómetros apenas de Chaves temos a Ribeira das Avelãs, mas para se chegar lá, há que ir pela Casa Azul, Sr. da Boa Morte, passar junto à quinta da Condeixa e logo a seguir, temos a Ribeira das Avelãs. Para quem gosta de história, nem há como seguir a calçada romana, pois esta passa por lá, ou ao lado.
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Localizada que está, vamos até às casas e às gentes da Ribeira (das Avelãs).
 
Quanto a casas e gente (atenção que me refiro ao núcleo histórico da Ribeira e não a novas construções), na Ribeira das Avelãs vivem 5 pessoas, 2 cães e 12 gatos. Raposas, vão passando de vez em quando. Lobos já há muito tempo (anos) que não se sentem. Casas, há outras tantas como pessoas, e mais uma de um emigrante, que também faz número nas férias. Mas se hoje é assim, segundo a D.Júlia, antigamente não era. Bastava aparecer o tocador de concertina de Valpaços e logo ali, no largo que já não existe, fazia-se baile rijo, e até os e as das redondezas apareciam. Hoje a realidade é bem diferente, e, à excepção do simpático casal que nos deu mais que uma hora de conversa, durante esse período, só apareceram duas tias do Cândido e, claro, os 12 gatos e os dois cães. Tudo o resto foi a pacatez da montanha e de um entardecer.
 
Além de toda a “biologia” da Ribeira das Avelãs que o Cândido diariamente defende a quem dá de comer, vamos a um pouco da realidade da Ribeira ,e a realidade, traduz-se muito simplesmente no simpático casal que me acolheu em conversa, o Sr. Armindo, que até é de terras da Samardã e a sua mulher a D. Júlia, ou seja, vamos descer ao Portugal profundo, mesmo aqui a três quilómetros da cidade.
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Armindo e Júlia, gente simpática e humilde, muito humilde até. Doentes, ambos do coração. O Senhor Armindo, em jovem, correu mundo. De Angola guarda as melhores e também más recordações. Tem 88 anos, vive agarrado a um cajado que o sustenta de pé, a um pacemaker que o mantém vivo além de uma algália (que lhe dá alguma qualidade de vida e que também lha retira e que o obriga a deslocar-se a Chaves diariamente, de táxi, para tratamento. A D. Júlia, desde a tragédia do filho, vai para nove anos, usa pilha no coração. Disseram-lhe os médicos que aos 7 anos a pilha tinha de ser mudada. Já lá vão 9 anos e vive agarrada à caixa do correio à espera que nela caia a carta em que a chamem para mudar a pilha. Senti-lhe a alegria de poder desabafar com alguém, que afinal até nem era tão estranho, pois tínhamos conhecimentos comuns, mas que de vez em quando largava uma lágrimas quando contava as suas desgraças da vida, das doenças, do filho ao qual lhe riparam a vida e do marido, dependente das suas doenças.
 
Parti, já ao fim da tarde quase noite, pois os meus compromissos familiares obrigavam-me a tal, mas apetecia-me ter ficado por lá, a ouvir os lamentos da D. Júlia e as recordações de Angola do Sr. Armindo, pois um pouco que seja de conversa também é terapia e curativo para alguns dos seus males. E lá parti, serra abaixo um pouco a pensar neste casal, que tão perto que está da cidade e mesmo assim vive isolado, tirando os 3 vizinhos, os 2 cães e os 12 gatos e a pensar como a vida e o nosso sistema de saúde é tão injusto para quem verdadeiramente precisa, para o Sr. Armindo, que com 88 anos de idade, pacemaker e algália, que a custo ainda se vai deslocando agarrado a um cajado, é obrigado a deslocar-se diariamente, de táxi, até ao Centro de Saúde de Chaves e quando eu perguntei à D. Júlia se ninguém do Centro de Saúde lhes vinha dar ali apoio e fazer os tratamentos necessários e diários ao seu marido, a resposta foi pronta: “ Não, enquanto ele se puder deslocar, não!” mesmo que isso custe e tenha o custo de duas viagens de táxi, além do custo de quem quase não se mantém de pé, será isto poder deslocar-se!?. A vida é injusta para os idosos e para quem precisa e, ainda mais, quando queremos mostrar ao mundo que somos um país democrático e tecnologicamente evoluído, que distribui telemóveis e computadores portáteis e deixa à margem casos, muitos casos que se repetem nas nossas aldeias de casais abandonados a si próprios, sem rendimentos e quase sem vidas como o da D.Júlia e do Sr. Armindo da Ribeira das Avelãs, mas o que mais impressiona, é que estes nossos velhos “queridos velhos” como diria Alexandre O’Neil, vivem conformados e até, aparentemente ou mesmo, felizes e acarretam as suas desgraças como uma dádiva de Deus.
 
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Como seria bom que os senhores de Lisboa às vezes descessem ao Portugal real e profundo que ainda se vive nas nossas aldeias e tivessem consciência que Portugal ainda vive a duas velocidades, a dos que entram no sistema e a dos que são esquecidos ou ignorados.
 
Sinceramente lamento ser obrigado a contribuir para um Portugal assim!
 
E entre lamentos e alegrias, só me resta agradecer ao Cândido e à tias, à simpatia do Sr. Armindo e D.Júlia, que, sem se lamentarem, me deram a conhecer mais um bocadinho do nosso Portugal (infelizmente) real.
 
Até amanhã, na civilização de uma cidade de província, que também agarrada à sua comodidade de cidade, costuma ser indiferente a estas realidades que se cruzam connosco no dia-a-dia.
 
Até amanhã!

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:13
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Sábado, 1 de Dezembro de 2007

Cela - Chaves - Portugal

 

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E como hoje é Sábado, vamos até mais uma aldeia.
 
Hoje toca a sorte à CELA.
 
Cela é aldeia e sede de freguesia, à qual pertencem as aldeias de Ribeira do Pinheiro, Ribeira de Sampaio e Tresmundes.
 
Quanto a dados da freguesia, sabemos que 3.8 Km2 de área, uma população residente de 228 pessoas, 76 famílias e 104 fogos de habitação. Dados dos CENSOS 2001 e que comparados aos de 1981, verificamos que também a freguesia sofre do mal das aldeias, da desertificação, pois nessa data (81) Cela (freguesia) tinha 371 pessoas, ou seja mais 143 pessoas, quase o dobro da população actual, mas mesmo assim, não é das piores e ainda vai havendo vida na freguesia da Cela.
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Mas vamos até à Cela, aldeia.
 
Fica localizada em plena Serra do Brunheiro, a 650 m de altitude, com vistas para S.Lourenço, Vale de Chaves e serras da Galiza. A 10 quilómetros de Chaves, o acesso é feito pela estrada Chaves-Valpaços, logo a seguir a S.Lourenço. Pouca população, mas mesmo assim suficiente para ter um Grupo Cultural e Recreativo, com um Rancho Folclórico,  que já tem andado por esse mundo fora e que marca sempre presença em todas as feiras e romarias da cidade.
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Quanto à ocupação da população da aldeia, muitos (dos poucos habitantes) trabalham na cidade, um pouco de agricultura, mel e algumas ovelhas, um pouco de vinho, batata, milho e centeio. É terra que dá disto tudo, desde que seja cultivada, o que cada vez é menos e pelas razões óbvias da falta de população e das culturas não darem sequer para sobreviver. O Pouco que se vai fazendo, é como um extra ou remedeio da casa.
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A aldeia é composta pelo seu núcleo antigo que se desenvolve ao longo da rua principal e que inicia num cruzeiro e curiosamente termina também num outro cruzeiro, passando, claro , pela sua Igreja Matriz muito antiga, da devoção à Senhora das Neves, de uma só nave com características românicas. Mas também se tem desenvolvido, com algumas construções novas ao longo da estrada de acesso à aldeia.
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É também terra de lendas, uma delas reza que há muitas centenas de anos a imagem da Senhora das Neves estava numa capelinha no sítio de Sampaio, perto da ribeira. Misteriosamente a imagem desapareceu dessa capela e foi encontrada no Lugar do Outeiro, junto a Cela. A população admirada e sem compreender o que havia acontecido, trasladou de novo a imagem para a sua capelinha. Mas, passado algum tempo, tornou a desaparecer a imagem do seu altar e voltou ao Outeiro. Então a população decidiu erigir uma igreja para a Senhora das Neves nesse mesmo local.
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Outra está relacionada com uma grande fraga existente perto da aldeia, no lugar de Pena da Águia. Conta a lenda que as águias costumavam fazer o ninho no cimo dessa fraga. Um jovem da terra quando foi pedir a noiva em casamento, o pai desta impôs ao rapaz, como condição para satisfazer o pedido, que subisse ao alto da rocha e lhe trouxesse uma pena de águia. O rapaz com todos os sacrifícios conseguiu satisfazer o homem, que lhe concedeu a mão da filha, e o lugar passou a designar-se, por este facto, Pena d'Águia.
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Quanto ao topónimo Cela, o Abade de Baçal referiu que Cela poderá ter alguma afinidade com o texto epigráfico Coelernos que figura, como um dos dez povos enumerados na coluna da ponte de Trajano em Chaves.
 
Outra teoria, esta de Pinho Leal defendida no Portugal Antigo e Moderno, refere que a designação de Cela poderá ter origem no antigo costume de uma mulher se emparedar, enclausurar-se. Para isso fazia um casebre, metia-se nele e aí vivia.
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Quanto às fotos que hoje vos deixo, são as possíveis de um fim de tarde de Inverno, à excepção da foto da Igreja, que é do verão de há dois anos atrás. Tentei apresentá-las pela ordem de entrada na aldeia, até ao último cruzeiro onde está a sede da Junta de Freguesia.
 
E por hoje é tudo, desde a Cela aldeia, pois quanto às restantes aldeias da freguesia, Tresmundes já passou pelo blog, mas tornará a passar com mais fotos e as duas ribeiras, a de Sampaio e do Pinheiro, também terão aqui o seu espaço.
 
Entretanto, até amanhã, noutra aldeia do nosso concelho.
 
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publicado por Fer.Ribeiro às 03:42
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