Sexta-feira, 30 de Junho de 2017

Mais uma de Nadir Afonso

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Depois da grande exposição que esteve patente ao público desde a inauguração do MACNA - Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, que ocorreu em julho do passado ano, depois de o MACNA ter aberto as portas a uma exposição itinerante da Fundação de Serralves é tempo de Nadir Afonso ocupar as salas de exposição permanente com uma nova exposição, a inaugurar hoje mesmo às 18 horas. Esta, em que a geometria marca uma forte presença namoro das telas do Nadir Afonso Pintor com os estudos e projetos do Nadir Afonso Arquiteto.  

 

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E se nas salas de exposição permanente, Nadir Afonso inaugura hoje mais uma exposição, nas sala de exposições temporárias continuam patente ao público a exposição “Corpo   Abstração e Linguagem” com as obras em depósito da Secretaria de Estado da Cultura na Coleção Serralves, com pinturas e esculturas de grandes nomes da arte feita em Portugal entre os anos 60 e 80 do século passado, ao todo 27 artistas, a saber: Lourdes Castro, Joaquim Rodrigo, René Bertholo, Álvaro Lapa, João Vieira, Manuel Baptista, Fernando Lanhas, Paula Rego, António Palolo, António Sena, Ângelo de Sousa, Júlio Pomar, Pedro Cabrita Reis, Jorge Martins, António Dacosta, Eduardo Betarda, José Pedro Croft, António Campos Rosado, Alberto Carneiro, José de Guimarães, Julião Sarmento, Nikias Skapinakis, Manuel Rosa, Graça Morais, José de Carvalho, Pedro Calapez e José Loureiro.

 

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Duas exposições a não perder, hoje com entrada gratuita após a inauguração e com festa nos jardins do Museu, um sunset  a partir das 18 horas, ou seja, uma festa ao pôr do sol, com música e copos.

 

 

 

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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2017

Discursos Sobre a Cidade - por António de Souza e Silva

SOUZA

 

O LEGADO DE NADIR AFONSO ARQUITETO

 

Somos filho da Galáxia de Gutenberg. Nascemos no culto do Livro e da sua Leitura. Por muito que o digital nos apele a seguirmo-lo, não prescindimos, na leitura, no sentir da textura das folhas de um livro, no seu manuseamento constante.

 

Daí que, quando nos deslocamos de Chaves para outros centros urbanos de maior dimensão, não deixamos de frequentar uma boa livraria - que infelizmente por cá não há! E saber das novidades editoriais, nos livros que vão aparecendo nas áreas que mais gostamos, e investigamos, e nos prendem a nossa atenção e curiosidade.

 

Desta feita, num dos escaparates de uma delas, na cidade Invicta, fomos dar com um livro, editado no verão passado pela editora Caleidoscópio, com o título «Arquiteturas-Imaginadas: Representação Gráfica Arquitetónica e ‘Outras Imagens’. Desenho [...] Cidade [...] Lugar».

 

Trata-se de um conjunto de textos (1º volume), de vários autores, que tiveram por base um Projeto de Investigação, criado em 2009, com a designação do título do Livro, do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design (CIAUD), da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, FA/Lisboa, Fundação para a Ciência e Tecnologia, FCT, coordenado cientificamente por Pedro António Janeiro, o editor deste 1º volume, de coletânea de textos.

 

De um relance de olhos ao índice, fizemos uma leitura transversal ao conteúdo dos diferentes autores. Sem desprimor, e enorme importância dos restantes, despertou particularmente a nossa curiosidade dois textos: um, de Michel Toussaint, «Nadir Afonso e a Arquitetura»; o outro, de Sylvio Barros Sawaya, «As Decisões que constroem o Espaço Humano».

 

Pelo primeiro, para além de nos dar o percurso do artista/arquiteto flaviense Nadir Afonso, correndo as sete partidas do Mundo e trabalhando nos ateliers dos arquitetos mais famosos do seu tempo, em projetos que hoje marcam e fazem parte da História da Arquitetura moderna, como Le Corbusier e Oscar Niemeyer, somos informados que “o discurso de Nadir Afonso coloca a Arquitetura e a Arte em mundos diferentes, mas não deixa de se centrar na proporção e harmonia, no entanto [continua Michel Toussaint, seguindo o pensamento de Nadir Afonso], só a Arte no seu isolamento é capaz de assegurar tal. Sob este ponto de vista, Nadir Afonso situa-se na continuidade do pensamento estético desde o século XVIII com Kant, com a separação concetual entre Arte e Técnica, entre Arte e Utilidade, entre Arte e Ciência”. E, mais à frente, continua Michel Toussaint, transcrevendo uma parcela de pensamento de Nadir, ínsita na obra «Mecanismes de la Création Artistique»: “No ato artístico a forma resiste pela sua proporção sensível e no ato técnico ela resiste pela sua estrutura racional. O indivíduo que se propõe ser ‘artista técnico’ força as formas a um jogo duplo que o desenvolvimento progressivo das suas funções diferentes torna insustentável”. No fim do seu artigo Michel Toussaint, a propósito do projeto de uma igreja escreve da seguinte forma o pensamento de Nadir: “Na conceção de toda a obra técnica está aí, sim, a grande contradição a resolver: enquanto as estruturas funcionais, empurradas pela ciência, avançam, as estruturas tradicionais, empurradas pelos ‘destinos espirituais’, puxam para trás. E sobre Gaudi, o arquiteto catalão cujas obras são hoje grande atração turística em Barcelona [Nadir Afonso] afirma: «Não, Gaudi não foi um ‘arquiteto genial’. Querendo ser um arquiteto e um artista ao mesmo tempo, Gaudi falhou numa e noutra dessas atividades. A arquitetura de Gaudi, ‘essa escultura habitável’ que Le Corbusier ele próprio admirava tanto, não é finalmente nem escultura, nem ‘habitat’». Só a extravagância pôde sustentar, mais de meio século, as suas obras»” E Michel Toussaint conclui que “Nadir Afonso não quis mais jogar  (...) [este ] insustentável ‘jogo duplo’, quis terminar com o [seu] ‘verdadeiro martírio’ e voltar à pureza da sua escolha inicial [antes de entrar no curso de Arquitetura]: ser artista. Por isso, abandonou a arquitetura [como profissão]”.

 

Entretanto, Nadir Afonso, enquanto se degladiava com o ‘seu verdadeiro martírio’ - entre ser Artista e /ou Arquiteto, fazendo uma opção em função daquilo que pensava o que eram estas duas áreas, deixou-nos, como arquiteto, nove projetos, sendo a fábrica de panificação (Panificadora de Chaves) uma das obras mais emblemáticas, precisamente localizada na sua terra natal, Chaves.

 

Mas não é do legado desta obra que hoje nos motivou à escrita sobre Nadir, o Arquiteto.

 

Hoje, muito sucintamente, queremos falar do «Anteplano de Urbanização da Cidade de Chaves», por ele coordenado, em 1965, e que acaba por culminar, definitivamente, a sua carreira como arquiteto.

 

Teria todo o interesse que, em futuras iniciativas do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, se procedesse a um ciclo de conferências subordinado ao tema «Repensar o Urbanismo na cidade de Chaves», tendo como mote aquele Anteplano, historicamente bem situado.

 

Refere Michel Toussaint: ”Como não podia deixar de ser, assentou a proposta de plano na descentralização, isto é, na criação de novos núcleos habitacionais com alguma autonomia, separados do Centro Histórico por áreas verdes inscrevendo-o no modelo das cidades satélites proveniente das doutrinas de Hebzener Howard, conhecido tanto por Le Corbusier, como pela disciplina urbanística em Portugal, nomeadamente a partir da presença de De Groër, arquiteto urbanista convidado por Duarte Pacheco.

 

A ideia de zonamento, ou seja, da constituição de zonas funcionalmente especializadas, está igualmente plasmada neste plano, defendida como basilar pela Carta de Atenas, documento escrito por Le Corbusier [...]. E, entendendo que a «ossatura das cidades é o traçado das suas ruas» como Nadir Afonso escreveu no Anteplano, organizou-o de acordo com as vias existentes, mas não seguindo a predeterminação de um modelo «radiocêntrico, ramificado ou em xadrez». O rio Tâmega e a sua Veiga, bem como as Águas Termais, são aqui defendidas como uma das bases económicas do futuro, não deixando de preconizar a indústria como outra perspetiva de desenvolvimento no horizonte de 20 anos [...]. Afinal este trabalho inscreve-se nos saberes e práticas urbanísticas da época em Portugal e apresenta-se já não apenas como um plano que define as formas dos edifícios e espaços exteriores em desenho, mas aposta sobretudo para um esquema de ordenamento do território da cidade existente e a sua expansão com um regulamento que orientaria as intervenções nesse território [...].

 

Bem pregou Frei Tomás!...

 

O que assistimos a seguir, e fundamentalmente depois de 76 do século passado, com a gestão autárquica do PPD, de Branco Teixeira, foi à subversão total de tudo quanto este autor, cidadão flaviense, preconizava!...

 

Hoje, volvido meio século sobre este trabalho de Nadir Afonso, que desenvolvimento e ordenamento territorial temos na nossa cidade?

 

Será que planeamos, ordenamos e desenvolvemos a nossa cidade, como muito bem diz Sylvio Barros Sawaya, tendo em linha de conta que “é, a todo o instante, que o espaço humano, gerando afirmação do que entende como sendo e do que deseja ser, uma fala social em que a sociedade concreta ali localizada se manifesta através dos gostos, das afeições, das necessidades e anseios, deixando traços inscritos no próprio espaço falando da sua vida e indicando um devir”?

 

As consultas públicas, quando as há, são meros proformas. E os cidadãos são verdadeiramente ostracizados acerca do que se passa e se faz na sua cidade. E, mais ainda, do que se vai passar, nos seus espaços vitais, quer sejam públicos, quer privados.

 

Estamos com Sylvio Barros Sawaya quando fala ser necessário explicitar, de antemão, todos os aspetos que vão levar à modificação do espaço público e privado da cidade onde «habitamos», através do projeto que se vai encomendar, ouvindo previamente os diferentes pontos de vista do(s) cidadão(s). Caso assim não aconteça, o projeto que se encomenda transforma-se numa decisão aleatória, não partilhada e distante da efetiva participação da sociedade, das suas comunidades e seus indivíduos.

 

Quantos projetos encomendados a técnicos para o ordenamento e desenvolvimento do território flaviense tiveram a participação social na conceção do mesmo?

 

É que uma decisão sobre qualquer projeto para a cidade, a nossa cidade, o nosso ‘habitat social’, deve basear-se numa audição prévia à decisão da encomenda do projeto. Trata-se de uma atitude sábia, consequente e harmoniosa, diz Sylvio Barros Sawaya, que vai depois tornar o projeto querido e participado por aqueles a quem se destina para nele estarem todos os dias, usufruindo do seu espaço, de qualquer natureza que seja - público ou privado. Quando um espaço é querido e partilhado por quem o habita, o usufrui, ou simplesmente gosta de o contemplar, não se transforma num corpo estranho à nossa vivência quotidiana...

 

Infelizmente não é isso que, pelas nossas bandas, todos os dias se passa. Exemplos? Não faltam!...

 

Intervir num espaço, em especial de uma cidade, não é apanágio exclusivo daqueles a quem confiamos, pelo voto, os destinos dos espaços que «habitamos». É de todos nós. Que, por isso, devemos ser ouvidos antes de qualquer intervenção. E partilharmos na execução dos mesmos. Porque não estamos aqui simplesmente em presença da elaboração ou execução de uma obra de arte, mas de um espaço que se destina a ser «habitado», usufruído, por todos. Quem não entender isto que siga outras áreas, deixando a política, a arquitetura ou o urbanismo, ou o que quer que seja, e que tenha a ver com o espaço onde a sociedade e as comunidades se desenvolvem e o Homem vive. E, tal como aconteceu sabiamente com Nadir Afonso, mude de rumo. Sejamos honestos!

 

Na verdade, estamos com Nadir - Arquitetar, Urbanizar e Ordenar não é a mesma coisa que Arte.

São, positivamente, duas atividades bem diversas uma da outra. Que exigem visões e posturas diferentes sobre a realidade.

 

Ordenar e gerir um território exige-se não só competência, sensibilidade social mas, acima de tudo, cultura efetivamente democrática, em que a abertura à participação cidadã - isenta do faz de conta e de pequenos ditadores - é a chave decisiva para o sucesso do desenvolvimento e bem-estar das populações que ocupam um determinado espaço - aquele onde a nossa vida, individual e coletiva, se desenrola e acontece.

 

António de Souza e Silva

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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

Professor José Henrique - “Reconhecer o Génio de Nadir Afonso – Diálogo(s) Sobre a Obra”

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Eu sei que hoje deveria trazer aqui um pouco da Feira dos Santos do dia 30 de outubro, mas ontem, nem todos os caminhos se dirigiam à feira. Assim, optei por outro caminho que me levou até ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, onde Nuno Dias ia fazer o lançamento do livro “Reconhecer o Génio de Nadir Afonso – Diálogo(s) Sobre a Obra” , e a opção deste caminho foi pela autoria dos diálogos serem de José Henrique e fui lá em jeito de homenagem a esse autor que um dia, felizmente, se atravessou no meu caminho como professor de português no Liceu de Chaves.

 

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Eu sei que nestas coisas há sempre quem apareça porque é “politicamente correto” aparecer, porque parece bem… principalmente para quem quer fazer nome na praça intelectual, mas acredito que a maioria dos que lá estiveram presentes, estiveram lá em jeito de homenagem, porque conheceram o Professor José Henrique.  Não é que eu seja um prosador, mas na minha modesta e sincera prosa, com aquela que sei e à qual às vezes, despretensiosamente, recorro, gosto de reconhecer e agradecer àqueles a quem estou reconhecido e agradecido. Para o provar deixo-vos aqui as referências que este blog fez ao Professor José Henrique:

 

 

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

 

Duas imagens e um poema

 

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No meu percurso estudantil tive a sorte de ter um professor que me despertou para a poesia. Nunca até então tinha lido verdadeiramente um poema. Até aí a poesia era uma sucessão de palavras com algum sentido, outras vezes sem sentido nenhum e que tanto rimavam, como não, onde se brincava com as palavras que se apresentavam sempre de uma forma esguia que saíam fora do formato normal de um texto de prosa. Com esse professor aprendi que a poesia não deveria ser olhada e muito menos lida com essa leviandade. Com ele, aprendi que a poesia é a verdadeira arte da palavra e do dizer, que pode até ter o poder e mais força que a de um verdadeiro exército, ou, como diria o José Carlos Ari dos Santos – a palavra é uma arma – e eu até aí não sabia.

Gosto sempre de deixar os créditos das fontes, dos despertares e daqueles que verdadeiramente me ensinaram. O professor a que me refiro chamava-se José Henrique e tenho-o como uma referência do Liceu de Chaves.

 

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Tudo isto a respeito das duas imagens de hoje, que são a mesma, mas não o são. Numa há a tal poesia colorida, cheia de música e rima que encanta pela forma e pela luz doirada. É um cliché feito com um olhar leviano sobre um entardecer, apenas isso, mas, se apurarmos o olhar veremos que há muito mais que entardeceres doirados, que há muitas imagens, sentimentos e até um porto de partida ou chegada onde alguém espera ou se despede de um momento que nunca mais irá acontecer.

 

 

 

Mais tarde, a propósito da Linha do Corgo, a Associação de Fotografia Lumbudus publicou um livro onde contribuímos com um texto que trouxemos ao blog em:

 

Terça-feira, de de fevereiro de 2016

(…)

a Linha do Corgo, da Régua a Chaves, depois da regueifa e dos rebuçados de açúcar torrado, era feita na varanda do comboio, mas há uma viagem, a última, que nunca mais esquecerei, não por saber que era a última, pois não sabia então que passado pouco tempo, traiçoeira e irrefletidamente a linha iria ser encerrada, mas porque nessa viagem tive uma companhia inesperada à varanda, uma companhia que a família (mulher e filhos) tinha deixado na estação da Régua para apanhar o comboio para Chaves, uma companhia que eu há anos já admirava e da qual tinha saudades, sobretudo da sua sabedoria, do seu amor à poesia e do seu conversar. Era o meu antigo professor de português do Liceu, o Dr. José Henriques, que ainda antes do 25 de abril de 74, através da poesia e dentro das quatro paredes da sala de aulas nos falava da liberdade. Foi a minha última viagem na Linha do Corgo e a última conversa com o meu antigo professor, espaçada de silêncios, explicados pelo êxtase da apreciação da paisagem ou pela apanha e descarga de passageiros nas estações e apeadeiros.

(…)

 

Fica agora a notícia do lançamento do livro “Reconhecer o Génio de Nadir Afonso – Diálogo(s) Sobre a Obra”, apenas isso, pois ainda não o lemos, mas pela certa que futuramente teremos oportunidade de trazer aqui algumas coisas deste livro.

 

 

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Sexta-feira, 8 de Julho de 2016

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso - Abre hoje ao público

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Depois da inauguração no passado dia 4, abre hoje ao público, com entrada gratuita, o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso.  O Museu abre as suas portas às 10 horas e hoje, excecionalmente, manter-se-á de portas abertas durante a noite, para além daquele que irá ser o horário normal de abertura ao público. Nos jardins do Museu, a partir das 23H30, terá lugar um concerto com Tiago Bettencourt,  seguido de um espetáculo pirotécnico.  

 

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Terça-feira, 5 de Julho de 2016

Inauguração do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso em dez momentos

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O anunciado dia chegou e o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso está oficialmente inaugurado com a presença do Presidente da República, do Ministro da Cultura, do autor do Projeto Arquiteto Siza Vieira, do Executivo Municipal e outras entidades convidadas. Vamos então à reportagem, breve, e sem pretensiosismos de ser uma reportagem jornalística, mas antes uma reportagem fotográfica com a legendagem de dez momentos marcantes desta inauguração. Pois então a primeira foto é do momento da chegada do Presidente da República e os cumprimentos à população.

 

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Subida da rampa de acesso à entrada principal.

 

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Descerramento da placa inaugural pelas mãos do Presidente da República, Ministro da Cultura e Presidente da Câmara.

 

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O Presidente da República a assinar o livro de honra do Museu.

 

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Entrada no primeiro dos quatro salões de exposições.

 

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O salão principal de exposições ainda à espera de ser inaugurada.

 

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O Salão principal de exposições com os convidados.

 

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Apreciações mais isoladas e mais atentas sem a confusão dos restantes convidados.

 

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E claro, a música made in Chaves num dos salões de exposições

 

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E finalmente, nos jardins do Museu,  a festa aberta à população com o foguete no ar após concerto da Orquestra de Sopros da Academia de Chaves.

 

E quanto ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso é tudo por hoje. Regressaremos com o mesmo tema no próximo dia 8 de julho com a abertura do Museu ao público, com entrada gratuita.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:44
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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2015

Arquiteturas - Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

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 Entrada principal - Vista poente

 

Duas vistas do futuro Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso. Projeto do Arquiteto Álvaro Siza Vieira.

 

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Pormenor da vista sul

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:08
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Sábado, 28 de Dezembro de 2013

Pedra de Toque

 

O frio chegou à alma

 

O frio passou pelo corpo e chegou à alma.

 

Tudo aconteceu na manhã de 11 de Dezembro quando a amiga Mizé Guimarães, no meu escritório, me deu a notícia que lhe transmitira a filha Joana – o Nadir morreu!

 

Apesar de conhecedor do estado de debilidade e de doença em que se encontrava, o nó rapidamente se trancou na garganta e a alma, dolorosamente, gelou.

 

 

Nadir não foi um amigo qualquer.

 

Ele escancarou-me as portas da cultura, da política, das artes.

 

Com ele aprendi também, eu e outros amigos queridos, a conhecer e a amar a nossa cidade, os seus recantos, as suas gentes, as suas estórias, a sua História.

 

A sua sensibilidade, a sua honradez, o seu sentido de humor (ria feliz até às lágrimas), a sua lucidez, repito, a sua lucidez, alimentaram inesquecíveis horas de convívio, de conversa fraterna e franca, que sabiamente sustentava quando nos saracoteávamos (como ele gostava desta palavra…) pelas ruas da cidade, em passeios intermináveis.

 

 

Conheci o Nadir, de quem já tinha ouvido falar sobretudo à minha avó, que fora muito amiga da mãe dele, no início dos anos 60 e logo ficamos parceiros das voltas e passeatas que, eu e outros, com ele adorávamos manter.

 

Do nosso primitivo grupo, que crismámos de Bisnaus já vários partiram e lá no assento etéreo, receberam certamente o Mestre de braços abertos.

 

Lembro o Carlos Sintra, homem da poesia e da música, o José Carlos Costa, que aparecia em férias e nos falava de jazz, o Eduardo Guerra Carneiro, consagrado jornalista que poetava com mérito e o José Henrique, sabedor de teatro, cronista exemplar, rouxinol de Coimbra.

 

 

O Nadir achava graça ao também saudoso Domingos Costa Gomes com quem por vezes charlávamos e nos ríamos.

 

Dentre os mais chegados dessa “velha guarda”, ainda restamos eu, a Mizé Guimarães, o José Firmino Morais Soares, distinto maestro, o Zé Carlos Carvalho, engenheiro civil e o Luciano Vilhena Pereira, causídico ilustre, todos amigos do peito.

 

O Zé Firmino telefonou-me dia 12, comovidíssimo, lastimando a impossibilidade de vir a Chaves devido a um concerto há muito agendado.

 

Fomos, por conseguinte, desse “team”, quatro os que acompanhamos Nadir, no último passeio até à morada definitiva.

 

O nosso grupo foi associando outros jovens que se renderam ao espirito reinante. Deles falarei noutra oportunidade.

 

 

Apesar de bastante mais velho que todos nós, o Nadir era efectivamente mais novo.

 

Viveu a França do post-guerra e tinha muita coisa para contar já que as novidades, chegavam filtradas pelas teias apertadas da censura.

 

E fazia-o com o seu reconhecido génio, narrando com palavras e gestos as ideias que defendia, ao mesmo tempo que nos ensinava sobre os grandes vultos que conhecera na cidade das luzes.

 

Nós bebíamos-lhe as palavras, o movimento das mãos com que se exprimia, a exaltação com que recordava Marcel Marceau, mimando, Gérad Philipe, representando, Eluard e Áragon, dizendo versos destes enormíssimos poetas.

 

 

Falava-nos dos quadros de Vassareli que admirava, do existencialismo de Sartre, das canções de Piaf e de Brel, que trauteava.

 

As margens do Tâmega eram o seu circuito preferido para, virado para o Brunheiro, declamar os poetas, em especial Pessoa, que ele sorvia sem limites.

 

 

Com Nadir criamos uma cadeia forte e bonita de amizade que, sediada em Chaves, seguia para outras paragens para onde por vezes viajávamos.

 

Lisboa era um poiso frequente.

 

O café Gelo, em plena baixa, era ponto de encontro da rapaziada flaviense.

 

Dali, seguíamos muitas vezes para a cidade castiça, onde procurávamos encantar a noite ao som de uma guitarra, da voz da Cândida Conceição ou da viola baixo do Zé Lobo.

 

Em 1991, o Conselho Directivo da Escola que então adotou o seu nome, convidou-me, com inteira aprovação do Mestre para falar do Nadir – o homem e o flaviense.

 

A Fernanda, boa amiga, entendida em pintura, dissertou sobre a sua obra artística.

 

Esse meu texto longo foi gravado em vídeo. O Nadir viu e sei que gostou.

 

Talvez um dia, em sua memória, porque religiosamente o retenho, o releia ou reproduza.

 

Neste momento quero, porque até aqui não o fiz, realçar o Nadir generoso, solidário, amigo dedicado dos seus amigos, que tive a enorme satisfação de conhecer.

 

Se ele a falar era uma pessoa fascinante, ouvia com delicadeza, aconselhava com inteligência e prontidão e adorava contribuir para a felicidade dos demais.

 

 

O Nadir não foi tão só o extraordinário pintor com reconhecimento mundial.

 

Foi também o esteta, o intelectual, o homem que se comovia com a vida, que preservava um espantoso sentido de humor, um homem que se fascinava com todas as manifestações artísticas.

 

Obcecado pela pintura, bastava-lhe o metro quadrado (como dizia) para trabalhar apaixonadamente.

As mulheres tiveram protagonismo na vida do Nadir.

 

Encontrei-o algumas vezes em paixões fortes, em paixões lindas, em paixões decadentes, em paixões difíceis.

 

Perdia-se por amor ao virar da esquina, ao ritmo de uma valsa ou de um tango, no breve toque de uma mão, na beleza de um gesto indecifrável, no brilho de um olhar quente.

 

Serenou com a Laura, companheira de longos anos até à inevitabilidade, que lhe proporcionou o equilíbrio que a idade foi exigindo, que lhe colmatou a notória inapetência para as coisas burocráticas e lhe deu dois belos filhos, hoje homens feitos.

 

 

Conheci as outras filhas dele que revi no dia do funeral, por quem ele tinha enlevo e admiração.

 

A mim e a todos os amigos de que já falei (e a outros de que certamente me esqueci) a partida do Nadir levou um bocado de nós !

 

Como me lembrou o Zé Carlos Carvalho, ele foi o nosso mestre, o nosso irmão, o nosso “pai”.

 

E que orgulho nós temos em termos sido muito amigos de um flaviense de gema (assim se assumia), de um homem genial de uma grandeza humana incomensurável.

 

A memória dele, perene, vai, como ele gostaria aquecer a saudade que permanecerá na alma.

                       

 

Querido amigo, fica com Pessoa.

 

Deixo-te com aquele poema que soltavas na direcção das serras que nos circundam e que tanto amavas.

 

“ Na sombra Cleópatra jaz morta.

Chove.

Embandeiraram o barco de maneira errada.

Chove sempre.

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E quanto à mãe que embala ao colo um filho morto –

Todos nós embalamos ao colo um filho morto.

Chove, chove.”

 

António Roque

 

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Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2013

Adeus Mestre Nadir Afonso!

 

As notícias da manhã de hoje surpreenderam-nos com a morte do Mestre Nadir Afonso. Um momento de pesar para a família e para a cidade de Chaves, que o Mestre Nadir sempre honrou com o seu ser flaviense, e honrará para todo o sempre com a vasta obra que nos deixa. O corpo de Nadir Afonso está de partida mas o seu ser, a sua obra e arte,  estará sempre presente entre nós.

 

 

 

Em jeito de repositório deixo aqui os post´s publicados neste blog em 13.Out.2008, em mais uma singela homenagem ao mestre, com um pouco da sua vida e obra. 





 

 

 

Inicio aqui no blog uma nova rubrica que será dedicada aos nossos ilustres flavienses e, se para começar esta rubrica a escolha do ilustre foi fácil, pois é sem dúvida alguma um dos maiores ilustres flavienses de sempre, um artista cuja arte lhe é reconhecida nacional e internacionalmente, mas também um flaviense desde o seu nascimento e que, tenho a certeza disso, sempre teve Chaves no coração. Um nome maior que Chaves se orgulha de ter entre os seus flavienses. Escolha fácil de ilustre para abrir esta rubrica, mas um nome difícil para começar, pois tudo que eu disser por aqui a seu respeito, pela certa que ficará muito aquém de tudo que há para dizer do ilustre flaviense Nadir Afonso Rodrigues, será apenas um resumo da vida e arte do Mestre Nadir, um pouco do que consta em tudo que foi dito ao seu respeito, de alguns artigos escritos em jornais nacionais, em revistas da especialidade mas também em muitos sítios onde o Mestre consta na Internet e nas suas páginas e blogues, em especial no blog espacillimité de autoria do Mestre e da sua mulher Laura Afonso.

 

 

 

Vou então tentar deixar por aqui um pouco desse grande ilustre flaviense, o Mestre Nadir Afonso.

 

Segundo filho do poeta Artur Maria Afonso e de sua mulher, Palmira Rodrigues Afonso, Nadir nasce na Rua dos Codeçais, em Chaves, a 4 de Dezembro de 1920. O nome, pouco vulgar, deve-o a um encontro acidental. «O meu pai pega em mim e leva-me ao Registo Civil, no centro da cidade. No caminho, encontra um cigano amigo dele. ‘Então Artur, onde vais?’. ‘Vou ali registar o meu filho’. ‘E que nome vais pôr ao rapaz?’. ‘Orlando’. ‘Orlando?! Muito Orlando há-de ser ele! Põe-lhe antes Nadir’. O meu pai lá pensou que o homem tinha razão, chegou ao registo e pôs-me ‘Nadir Afonso Rodrigues’».

 

 

Nadir Afonso com 1 ano de idade

 

Quando Nadir tinha um ano de idade a família mudou-se para a Rua Cândido Sotto Mayor (em tempos Rua da Madalena). O palco das brincadeiras de infância de Nadir estendia-se da Galinheira ao Jardim Público. Aos 12 anos, a família instala-se na antiga Rua da Cadeia, (actual Rua do Bispo Idácio) bem no coração da cidade, onde faria os seus estudos Liceais.

 

 

Nadir Afonso (de pé) com irmão Lereno

 

Entre a infância e a adolescência, aplicou-se em «copiar» o mais fielmente que conseguia as formas da natureza, até tomar consciência de que «a obra de arte não estava na representação dos objectos». «Por volta dos 17 ou 18 anos, pus-me a pensar que tinha de haver mais alguma coisa. E pensei, na minha ingénua idade, que a alma, o espírito do artista, também era expresso». Mais tarde, chegou à conclusão contrária. «Como fui sempre muito coca-bichinhos, comecei a magicar que não era a alma, que tinha de haver leis. Depois de muito trabalhar e ‘cocar’, percebi que as leis eram as da geometria: as do quadrado, do círculo, do triângulo».

 

 

Nadir Afonso - O estudante do Liceu de Chaves

 

Despertava já nos seus primeiros anos de idade a arte que trazia no seu interior. Depois de concluir o liceu em Chaves, Nadir ruma à Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Tem 18 anos e está decidido a fazer-se pintor, mas falta-lhe aprender que o caminho para a realização pessoal não se percorre em linha recta. Nesse tempo, embora os cursos de arquitectura e de pintura sejam ministrados no mesmo estabelecimento, há entre eles uma diferença abissal: para ingressar no primeiro, é necessário o curso dos liceus; para frequentar o segundo, a instrução primária é quanto basta.

 

Escadas do Antigo Hotel Flávia (Junto ao Jardim Público)

Esq./Dir

Em primeiro Plano Lereno, Nadir Afonso e filho do Dr. José Lino

Em segundo plano Artur Maria Afonso (Pai de Nadir), Pão Alvo (Propr. do Hotel) e Dr. José Lino

em 3º plano - hóspedes do Hotel

 

 

Alheio a tudo isso, o candidato apresenta-se na escola, num dia de Setembro, para fazer a inscrição. «Levava na mão o requerimento dirigido ao director: ‘Eu, fulano de tal, venho respeitosamente requerer a V. Exa. que se digne a aceitar-me como aluno de pintura’. À entrada estava um funcionário sentado a dormitar. Perguntei-lhe onde era a secretaria e ele puxa-me do requerimento, lê-o e diz-me: ‘Ó homem, então você tem o curso dos liceus e vem inscrever-se em pintura? A pintura não alimenta o seu homem. Inscreva-se em arquitectura’. Aquilo meteu-se em mim e eu, cobardemente, porque o funcionário me tinha assustado, vim cá fora, rasguei o requerimento, e fiz outro: ‘Eu, fulano de tal, venho respeitosamente requerer a V. Exa. que se digne e aceitar-me como aluno de arquitectura’».

 

 

Nadir Afonso - Cerâmica de Chaves - 1939

 

Mesmo depois de trocado o cavalete pelo estirador, Nadir não deixa nunca de pintar. Em Abril de 1946, na ressaca da Segunda Guerra Mundial e quando lhe falta ainda defender a tese de fim de curso (só o fará dois anos mais tarde), parte para Paris. À chegada, instala-se no Quartier Latin, consegue uma bolsa de estudo do Governo francês, inscreve-se no curso de pintura da École des Beaux-Arts e mergulha de cabeça na vertigem da arte mas também da vida. Eram tempos difíceis de um pós guerra que deixou toda a Europa destruída e Nadir sozinho em Paris com alma de artista, um principiante com umas telas debaixo do braço que os velhos pintores de Paris viam sem olhar.

 

 

Desmoralizado, a arquitectura volta a impor-se e Nadir começa a pensar em formas de «ganhar uns dinheiros» e de artista, passa a arquitecto, eu diria mesmo arquitecto-emigrante «A ideia que me veio à cabeça foi trabalhar com Le Corbusier, uma vez que já tinha tido contacto com a obra dele nas Belas_artes do Porto. Procurei o endereço dele, 35, Rue de Sèvres, e lá fui eu». Mesmo sem diploma, consegue ser recebido pelo arquitecto-chefe do ateliê, André Wogenscky, de quem viria a tornar-se amigo para vida. Começa a trabalhar no dia seguinte. Foi um dos primeiros colaboradores de Corbusier, o Mestre, também ele artista, permite que Nadir dedique as manhãs à pintura sem lhe descontar no ordenado. Durante algum tempo, serve-se do ateliê do célebre pintor cubista francês Fernand Léger (1881-1955). Mas «o afastamento em que se vive nos grandes meios de arte» levam-no a uma encruzilhada.

 

Nadir Afonso - Finalista de Liceu

De pé (Esq./Dir) Augusto Russel, Luís Adão Aguiar, Amílcar Nunes, Acácio Sílvio

Sentados (Esq./Dir) Nadir Afonso, António Mariz e David Ferreira

 

 

Ao receber a visita de um grupo de brasileiros luso-descendentes, é incentivado por Manuel Machado, colaborador de Oscar Niemeyer, a partir para o Rio de Janeiro.

 

A 14 de Dezembro de 1951, embarca para o Brasil e inicia uma colaboração de três anos com o criador de Brasília. «Niemeyer é, como Corbusier, um génio, mas, ao contrário deste, tinha um trato menos polido para com os colaboradores. Tinha bom carácter, mas exaltava-se facilmente e era bastante espirra-canivetes, muito impulsivo» desabafava assim o Mestre Nadir para uma estrevista no semanário SOL.

 

Nadir Afonso - O Arquitecto

 

O sufoco de uma vida dupla, dividida entre os constrangimentos da arquitectura e a obsessão da pintura, há-de durar até 1965. Só então abandona de vez o estirador para se dedicar em exclusivo à sua obra plástica e teórica (escreve mais de uma dezena de livros).

 

Nadir Afonso - No Brasil

 

Mesmo assim ficou o registo na colaboração com alguns nomes grandes da arquitectura mundial e ainda a sua assinatura em algumas obras de arquitectura de sua autoria, algumas em Chaves, como é o caso da Panificadora.

 

Nadir Afonso - O Filósofo e Pensador

 

Mas como dizia Vladimiro Nunes, “A Quadratura do Círculo”, num texto publicado no SOL : « Arquitecto acidental, trabalhou com Le Corbusier e Niemeyer, mas o nome de Nadir Afonso fez-se nas telas »

 

 

Com 87 anos, Nadir Afonso conquistou há muito um estatuto especial na arte portuguesa.

 

Ao abstraccionismo geométrico tem dedicado toda a sua obra. A casa espaçosa onde vive e trabalha, em Cascais, está repleta de telas, guaches e escritos teóricos. Os muitos livros que escreveu, resume-osnesta frase: «A perfeição, a originalidade, a evocação, todas essas qualidades naturais nos emocionam, mas são subjectivas. A quarta qualidade, a ‘morfometria’, a matemática, a pura harmonia das formas, é imutável e realça as outras qualidades. Aí é que está a arte». Ao contrário do que se possa pensar, afirma Nadir, o rigor não exclui o sentimento. «A geometria é um espectáculo de exactidão, mas também é muito emocionante. Quando estou triste, não vejo televisão. Pego num círculo e começo a olhar-lhe para o centro. Ou a harmonizar um quadrado com um círculo. Isso consola-me e acalma-me».

 

 

Telas pintadas pelo Mestre Nadir Afonso ao longo da sua vida de artista, não lhe conheço o número, são pela certa umas largas centenas delas, mas a sua arte não se resume à tela, pois é também artista de grande murais como no caso do metropolitano de Lisboa, autor do logótipo da cidade de Chaves e de muita obra Teórica e Filosófica que bem debitando em livro desde 1958 até aos dias de hoje:

 

Teoria e Filosofia;

  • 1958 La Sensibilité Plastique (Fr), Presses du Temps Présent, Paris
  • 1970 Les Mécanismes de la Création Artistique (Fr/En/Ge), Éditions du Griffon, Neuchâtel, Switzerland
  • 1974 Aesthetic Synthesis (En), Ed. Galeria Alvarez, Porto, Collab. Selected Artists Galleries, New York. No ISBN
  • 1983 Le Sens de l´Art (Fr), Imprensa Nacional, Lisbon. Print run: 2,750 + 250 with a numbered and signed serigraph. No ISBN. Translated in 1999 as O Sentido da Arte, Livros Horizonte, Lisbon. ISBN 9789722410547
  • 2000 Universo e o Pensamento, Colecção Obras Clássicas da Literatura Portuguesa, Livros Horizonte, Lisbon. ISBN 9789722410946
  • 2002 Sobre a Vida e Sobre a Obra de Van Gogh, Chaves Ferreira Publicações, Lisbon. Print run: 980, numbered and signed. Best art book of the 2003 Frankfurt Book Fair. ISBN 9789729402814
  • 2003 O Fascínio das Cidades, Câmara Municipal de Cascais, Cascais. ISBN 9789729815356
  • 2003 Da Intuição Artística ao Raciocínio Estético, Chaves Ferreira Publicações, Lisbon. Print run: 980, numbered and signed by the author. ISBN 9789729402920
  • 2005 As Artes: Erradas Crenças e Falsas Críticas/The Arts: Erroneous Beliefs and False Criticisms (Po/En), Chaves Ferreira Publicações, Lisbon. Numbered and signed by the author. ISBN 9789729402999
  • 2008 Nadir Face a Face com Einstein/ Nadir Face to Face with Einstein,Chaves Ferreira Publicações, Lisbon. ISBN 9789728987114

 

 

Monografias;

  • 1968 Guedes, Fernando. Nadir Afonso, Editorial Verbo, Lisbon
  • 1986 Nadir Afonso (Po/En/Fr), Colecção Arte Contemporânea, Livraria Bertrand, Lisbon. Print run included 200 numbered and signed copies, with a serigraph. ISBN 9789722500623
  • 1990 Da Vida à Obra de Nadir Afonso, Livraria Bertrand, Lisbon. Print run included 250 numbered and signed copies, with a serigraph. ISBN 9789722505416
  • 1994 Nadir Afonso, Bial, Porto. No ISBN
  • 1998 Nadir Afonso, Livros Horizonte, Lisbon. ISBN 9789722410415
  • 1999 Obra Gravada, Edições Coelho Dias. ISBN 9789729744416
  • 2000 O Porto de Nadir, Edições Coelho Dias, Porto. ISBN 9789729744440
  • 2008 Nadir Afonso: O Futuro Renascimento, Dinalivro, Lisboa. ISBN 9789725765012
  • 1958 - La Sensibilité Plastique, Press du Temps Present, Paris
  • 1970 - Les Mecanismes de la CréationArtistique, Editions du Griffon, Neuchatel, Suíça
  • 1974 - Aesthetic Synthesis, Ed- Alvarez-Colab- Selected Artists Galleries de Nova Iorque
  • 1983 - Le Sens de l´Art, Imprensa Nacional
  • 1986 - Monografia Nadir Afonso, Bertrand,Lisboa
  • 1990 - Da Vida à Obra de Nadir Afonso, Bertrand
  • 1994 - Monografia Nadir Afonso, Bial, Porto-
  • 1998 - Monografia Nadir Afonso, Livros Horizonte
  • 1999 - O Sentido da Arte, Livros Horizonte
  • 2000 - Universo e o Pensamento, Livros Horizonte
  • 2002 - Nadir Afonso - Sobre a vida e sobre a obra de Van Gogh, Chaves Ferreira Publicações, Lisboa
  • 2003 - O Fascínio das cidades, Câmara Municipal de Cascais
  • 2003 - Da intuição artística ao raciocínio estético, Chaves Ferreira Publicações, Lisboa
  • 2005 - Erradas Crenças e Falsas Críticas, Chaves Ferreira Publicações, Lisboa.

 

 

E sobre o Mestre Nadir Afonso, teria aqui tema para encher páginas e páginas deste blog, mas vamos em jeito de resumo deixar por aqui o essencial sobre o Mestre:

 

 

O Essencial sobre o Mestre Nadir Afonso

 

Uma vivência cosmopolita associada a uma grande capacidade de reflexão levou Nadir Afonso a encontrar, através da geometria, o caminho que o conduziu à compreensão da obra de Arte. Segundo a estética de Nadir, são as leis da natureza que, na sua essência, informam a obra de Arte: leis de perfeição, evocação, originalidade e harmonia.

 

A obra pictórica de Nadir Afonso prima pela pessoalidade: a obra identifica o artista. A sua produção teórica comporta temas tratados de forma inédita, que visam elevar a arte ao nível do raciocínio. Na prática, a obra estética poderá lançar as bases que conduzam ao melhor entendimento e à racionalização da obra de arte.

 

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Após a conclusão dos estudos no Porto, a ânsia de mais conhecimento levou Nadir a partir para Paris. Aí, no pós-guerra, viveu um ambiente de euforia, tendo colaborado com o arquitecto Le Corbusier, frequentado a École des Beaux-Arts, o atelier de Fernand Léger e estabelecido amizade com os pintores Herbin e Vasarely. A colaboração com o arquitecto Óscar Niemeyer verificou-se durante a estadia no Rio de Janeiro e S. Paulo, onde participou na execução do projecto do IV Centenário da Cidade de S. Paulo.

 

Regressado a Paris, alternou períodos de trabalho de arquitectura, com períodos dedicados à investigação estética, estando a pintura sempre presente. A sua primeira grande exposição realizou-se na Maison des Beaux-Arts,  em Paris. 

       

 

Uma situação económica menos adversa trouxe-lhe então a estabilidade necessária para se dedicar completamente à obra. No isolamento, longe das convenções sociais, Nadir Afonso leva uma vida simples, desenvolvendo nesse recolhimento o seu trabalho com apaixonada dedicação, o que lhe proporcionou a formulação de uma teoria estético-filosófica muito própria. O filósofo e professor Nassin Nicholas Taleb afirma que, actualmente, o homem não tem tempo para pensar. Ora, a fim de ter tempo para pensar, Nadir enveredou pelo isolamento. Como diria Henry Ford, pensar é o trabalho mais difícil que existe.

               

Nadir, apesar de não se sentir arquitecto, não renega nem tão pouco se envergonha da sua obra de arquitecto. A tese de Nadir, intitulada «A Arquitectura não é uma Arte», foi realizada a partir do projecto de uma indústria têxtil, em Saint-Dié, França, elaborado no atelier de Le Corbusier. A necessidade de a arquitectura responder a uma função, aliada à necessidade de trabalhar em equipa, não se coadunou com o seu temperamento de artista solitário. A consciência da sua incapacidade de lidar com organismos oficiais, clientes, engenheiros, construtores e outras restrições, a insatisfação criativa que a arquitectura exige, levaram-no a abandonar uma actividade que funcionou como meio de sustentação económica até 1965.

 

 

Nadir Afonso encara a pintura como uma necessidade interior de criação, sendo todos os seus esforços direccionados para a compreensão e explicação racional da arte dos mecanismos da criação artística. O longo caminho estético percorrido desde a sua infância e juventude, onde predominava a representação do real, passando pelo surrealismo, geometrismo e pelos diversos períodos que atravessou até à actualidade, conduziu o artista à convicção da existência de uma lei na arte, a que deu o nome de morfometria.  

               

Ao procurar a compreensão da criação artística, Nadir Afonso definiu as qualidades que o conduziram ao princípio de que a obra de arte é regida por leis de natureza geométrica. Partindo de exemplos palpáveis, foi progressivamente elaborando uma filosofia estética. Ao seu primeiro estudo, La Sensibilité Plastique, outros mais elaborados se seguiram.

 

 

Em Les Mécanismes de la Création Artístique, Nadir alicerçou os fundamentos teóricos da sua estética. EmO Sentido da Arte estabeleceu a preexistência das leis através das condições de existência, analisando nesse estudo os erros da percepção e tratando o objecto geométrico como fonte de harmonia que concede especificidade à obra de Arte. 

               

Considerando que as leis da geometria estão presentes em todo o Universo e partindo do princípio que as leis que regem a obra de arte são as mesmas que regem o Universo, Nadir deu corpo à concretização desta teoria, expressa nos livros Universo e o Pensamento e Nadir Face a Face com Einstein. Por outro lado, contestou normas da física relativista, como a velocidade da luz, propondo o entendimento do tempo como uma relação matemática entre espaço e movimento.

 

 

 No ensaio Sobre a Vida e sobre a Obra de Van Gogh, Nadir analisa a obra de Van Gogh, apontando a sua condição de artista com carências económicas e a indiferença do público como factores condicionantes da sua obra.

        

Para Nadir Afonso, a realização da obra de Arte não é encarada como fruto de um rasgo espontâneo de génio criador, nem como expressão da alma do artista, sendo vista como consequência de um trabalho árduo e perseverante em que só a contemplação aturada da obra é indiciadora da natureza geométrica da Arte e reveladora de possíveis erros de composição.

               

A originalidade da obra pictórica de Nadir, as suas composições inconfundíveis, a forma reflectida como as suas ideias são expostas e a independência de espírito são as características mais marcantes do trabalho de Nadir Afonso, às quais se aliam uma grande capacidade de pensar e desenvolver raciocínios.  Com Nadir Afonso estamos perante uma teoria estética que refuta a subjectividade, a linguagem da alma, e proclama a racionalização da Arte, pretendendo demonstrar que atributos como o conceito de "belo" e "beleza" são vagos e nada definem.

         

Nadir Afonso - Logótipo da Cidade de Chaves

 

A investigação estética de Nadir Afonso mostra-nos como, a partir de composições simples com formas elementares da geometria, se criam tensões matemáticas que chamam a si outras formas, as quais funcionam por sua vez como pedra de fecho da composição.

       

Aos 87 anos, apesar de o seu estado de saúde estar debilitado, Nadir Afonso continua a trabalhar com perseverança.

 

Não há qualquer dúvida que o Mestre Nadir Afonso é um dos maiores ilustres flavienses de todos os tempos da nossa milenar história flaviense. Um nome maior no campo da arte nacional e internacional.

 

Nacionalmente a sua arte já desde há muito é reconhecida e prova disso mesmo é uma recente edição de selos com algumas das suas obras, os murais em estações do metropolitano e as inúmeras e importantes exposições nacionais e internacionais para que é convidado.

 

Nadir Afonso - Metropolitano

 

Também a cidade de Chaves lhe dedicado algumas homenagens de reconhecimento quer com o nome de uma rua, o nome de um agrupamento de escolas e de uma escola, com uma sala com o seu nome no Museu da Região Flaviense onde estão expostas permanentemente algumas das suas obras.

 

 

Também Boticas recentemente se associou a esta homenagem, com uma exposição de telas suas em grande formato e com o anúncio de um Centro de Artes com o nome do Mestre onde suponho também constará alguma da sua obra e da sua história, mas falta fazer-lhe a homenagem maior, que este nome maior merece: A construção da Fundação Nadir Afonso em Chaves. Já existe o local, a maqueta já é conhecida de todos, falta mesmo é a sua construção e esse local de reunião de toda a arte e história do Mestre, a sua abertura à cidade de Chaves e a quem nos visita. A cidade de Chaves deve isso ao Mestre Nadir Afonso.

 

Nadir Afonso - Com a cidade de Chaves aos seus pés

 

Páginas e blogues de visita obrigatória do Mestre Nadir Afonso:


http://espacillimite.blogs.sapo.pt

http://nadirdechaves.blogs.sapo.pt/

http://www.nadirafonso.com/

http://www.nadirafonso.pt/

http://en.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso

http://en.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso_artworks

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso

 

entre muitos outros…

 

 

 

 

 

 

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Um até sempre ao Mestre Nadir Afonso Rodrigues

 


Mestre Nadir Afonso Rodrigues


4 de Dezembro de 1920 – 11 de Dezembro de 2013




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Quinta-feira, 5 de Setembro de 2013

Nadir Afonso? Não, obrigado!

 

Nadir Afonso? Não, obrigado!

 

Porque é que eu acho que a construção do Centro de Artes Nadir Afonso, em Boticas, foi um erro:

Porque há outro, parecido, em Chaves, a 20 km, e porque é ridículo que haja dois centros praticamente iguais e vizinhos. Porque custou 2,5 milhões de euros e a sua manutenção anual é de 200 mil euros por ano. Gostava de saber o que acontecerá ao centro se os donos das pinturas, de repente, decidirem vende-las ou muda-las de sítio. Porque a razão de o terem construído é uma coisa pequena e bacoca: a mãe do pintor era natural duma aldeia de Boticas. Se o pai ou um tio-avô do Maestro Vitorino de Almeida fossem duma aldeia de Boticas, estávamos desgraçados, lá ia a câmara ter de construir uma ópera. Porque fui visita-lo, no Domingo do fim de semana da festa de Boticas, um dos 2 dias do ano em que há mais pessoas na vila (milhares de pessoas) e confirmei aquilo de que desconfiava: das 16,15 h até às 17 h, eu era o único visitante do centro. E ele ainda estava fresquinho, tinha sido inaugurado há uns dias. Imagino que haverá semanas invernais em que pura e simplesmente não haverá visitantes alguns.



Centro de Artes Nadir Afonso em Boticas


A entrada é grátis. Boticas é uma vila demasiado pequena e sem visitantes suficientes para ter uma ópera, uma disneylandia, um metropolitano, ou sequer um centro de artes deste tamanho. Umas exposições de pintura temporárias nos sítios que já existem para isso, são suficientes e razoáveis. Antes de entrar no centro, pus-me a pensar "aposto que este vai ter os clichés habituais dos centros de arte modernos, aposto que vai ter um café e se calhar uma loja com t-shirts ou canecas impressas com pinturas do Nadir". Enganei-me, só tem o café! Como é que o café vai vender os bolos se não tem visitantes? Não tem uma loja mas tem um auditório. Mais um. Boticas já tem vários auditórios que raramente são usados e muito menos ao mesmo tempo. Ridículo, um luxo ridículo. Num concelho que perdeu 30% da população nos últimos 20 anos, onde não se faz nada de jeito para combater a desertificação, a ideia de estourar 2,5 milhões num mono que não vai servir para nada é uma ideia megalómana, despropositada, e insultuosa para a população que vai saindo aos poucos com a sacola às costas. Arte e pinturas sim, mas primeiro as pessoas e as suas necessidades básicas. Só para acabar, acho o Nadir um excelente pintor, do qual me agrada mais a sua obra dos últimos 10 ou 15 anos, o que é sinal de que está a envelhecer bem, acho eu, e também me parece boa pessoa e com grande sentido de humor. Mas um centro de artes em Chaves chega-lhe muito bem, e nem sei se não será de mais, vamos ver como vai correr. Se fosse eu, apostaria antes num centro de artes para os vários pintores relevantes de Chaves, uma coisa mais abrangente e mais atraente.

 

Luis de Boticas



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Terça-feira, 20 de Agosto de 2013

Estratos


"Restauradores


Desço as escadas e sinto a noite. Não gosto do escuro. Sem estrelas, menos ainda. Trocar o início pelo fim, de manhã, é escolha injusta de uma obrigação. (Crescer.)


Os bancos, duros, levam os olhares a cruzar-se. Uns ao encontro, outros de encontro lembram a urbe. (Vivemos nela.)


Não fosse a cortiça, apelo mudo ao patriotismo, e não gostava deles. (E dela também.)


A primeira vez foi há 20 anos. Era um carro com duas partes da frente. Não tinha rodas.


Naqueles túneis não eram precisas. Há 20 anos, um túnel não era um túnel. Era um túúúneeel, porque palavras e caminhos tinham o mesmo comprimento. (Infância.)


Mostraram-me Gaudi e levaram-me ao Zoo. Ficou o carro com duas partes da frente. (O outro lado da linha.)


“Esteja especialmente atento à entrada e à saída do combóio.” Madrid, Paris, Londres, de um lado. Rio de Janeiro, Nova York, Moscovo, do outro. (Visito todas.)


Fotografia de Marco Coelho (Flickr)


Obrigada Nadir."


Rita





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Sábado, 31 de Março de 2012

O Mestre em Lisboa e Vale de Zirma aqui ao lado

 

Hoje damos um salto a Lisboa porque um flaviense vai estar por lá (amanhã) em grande, como já é costume. Como já perceberam pela imagem/convite, trata-se do Mestre Nadir Afonso e do lançamento de mais um livro sobre a sua vida e a sua obra numa conversa com Agostinho Santos. Se está por Lisboa não perca este encontro, pois se o Mestre está por lá, Chaves também vai lá estar.

 


 

Depois do pulo dado a Lisboa ou como se costuma dizer por aqui – fomos lá num pé e viemos noutro – vamos começar a nossa caminhada pelo Brunheiro acima, sem entrarmos muito, pois ficamos logo ali pela Fonte da Carriça como quem vai para Vale de Zirma. Não sei se já o disse aqui, penso que sim, que é um pequeno mundo à parte e que encanta quem se deixa encantar. Se o lugar fossem palavras não hesitaria em dizer que era um belíssimo poema, daqueles que só os mestres da literatura poética sabem fazer…

 


 

Pois é, fui ao Vale de Zirma ver a carriça na fonte e,  mesmo não existindo vale nem a carriça tivesse aparecido na fonte, consegui ler lá o tal poema mesmo que, para a poesia acontecer, tenhamos de nos deixar encantar, pois também o nosso olhar e sentimento pode ser seletivo, tal como acontece na fotografia.

 

Mais logo teremos por aqui Isabel Seixas, com mais “Pecados e Picardias”.

 

Até lá.

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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

Duas ou três pedradas num charco

Tal como tinha anunciado há dois dias atrás, para ontem às 18H30 estava prevista a apresentação do livro “Zerbadas em Chaves” de Gil Santos. Claro que nestas coisas fazemos do impossível possível para estar presentes, pois além de ser um livro de estórias cá da terrinha, trata-se de um amigo e colaborador deste blogue que mensalmente nos vai brindando com os seus “Discursos sobe a Cidade”. Um pouco antes da hora marcada lá estava eu à porta da Biblioteca Municipal. Não era o primeiro a chegar e o ambiente estava um bocadinho estranho para este tipo de eventos. Muitos fatos escuros engravatados a rigor, muitas câmaras fotográficas e de filmar, jornalistas e cada vez mais gente a chegar, da mesma espécie… Estranho. Não que o Gil Santos e as “Zerbadas de Chaves”  não merecessem toda aquela gente e aparato, mas era estranho porque neste tipo de eventos costumamos ser sempre os mesmos e já nos conhecemos uns aos outros.

 

 

Mas a coisa ainda só estava no início, pois logo de seguida começaram a aparecer presidentes de Câmara (Chaves, Boticas e Montalegre), vereadores, assessores, chefes, polícia e exército em fato de gala, o Bispo de Vila Real, ex-deputados e candidatos, jornalistas conceituados, o Secretário de Estado da Cultura, o Arq. Siza Vieira e a Presidente da Fundação Nadir Afonso, Laura Afonso. De Gil Santos, nada, à espera dele talvez alguns do costume, mas poucos. Definitivamente algo de muito estranho se passava por ali ou então, despistado como sou, tinha-me enganado no dia, pois já não seria a primeira vez… ainda perguntei a um amigo que ia a passar, em jeito de quem pergunta as horas - “que dia é hoje?”. Que era dia 6, não havia engano portanto. Enfiei-me por entre os fatos pretos e consegui chegar à recepção da Biblioteca onde finalmente tudo ficou esclarecido. Que sim, que ia haver apresentação do livro, mas primeiro era a cerimónia do lançamento da primeira pedra da Fundação Nadir Afonso. Eia lá! Finalmente (pensei para com os meus botões), não se conclui em 2011 como prometido, mas pelo menos inicia-se. Claro que o momento, pela importância da obra, era grande, e já que lá estava juntei-me com agrado à cerimónia. Como um bom Lumbudu, fiz o devido registo fotográfico.

 

 

Ficam então algumas imagens do momento e o registo histórico do dia em que foi lançada a primeira pedra da Sede da Fundação Nadir Afonso, que num três em um, vai-nos garantir a perpetuidade  da obra de Nadir Afonso em Chaves, uma obra de arquitectura de Siza Vieira e o arranjo e embelezamento de parte da margem direita do Rio Tâmega onde antes eram as hortas e a canelha das Longras, agora só nos resta que ao lado da primeira pedra comecem a nascer mais pedras e a obra cresça até ao fim. Ouvi dizer que lá para 2013 já vai ser realidade.

 

Mas vamos finalmente às “Zerbadas de Chaves” e a Gil Santos, que depois de muita espera, finalmente começou a cerimónia, já sem fatos pretos, Bispos, polícia e exército, assessores e outros, e sem o Secretário de Estado (que por acaso até é da cultura), mas com uma sala composta de gente interessada, amigos e o Sr. Presidente da Câmara.

 

 

Mas desde logo não se estranhou a ausência da multidão anterior, pois boas “zerbadas” da arte de bem comunicar começaram a cair na sala cheias de rajadas de boas risadas e bom humor feito por um mestre da comunicação. Quem esteve lá e o conhece, sabe que não estou a exagerar e o Gil tem a sorte e felicidade de o ter como apresentador da sua obra. Estou a falar-vos de José Machado, também ele um homem da cultura a quem estas terras não são estranhas de todo, não fosse ele do concelho vizinho de Vila Pouca de Aguiar, mais propriamente das minas de Jales. Uma pepita de ouro, como o Gil Santos acabou por definir.

 

 

Quanto às estórias do Gil Santos apadrinhadas com prefácio de Bento da Cruz, o ilustre contador de estórias do Barroso, são as estória a que o Gil tão bem nos tem habituado aqui no blog Chaves. Estórias simples do povo, vividas ou testemunhadas na primeira pessoa, contadas na proximidade do planalto do Brunheiro com descidas ao vale de Chaves e às ruas e vielas da cidade. São estórias de encantar que fazem também a história da nossa cidade e do mundo real. É, como já antes referi, um livro de leitura obrigatória para flaviense que se preze, porque todo ele é feito de estórias flavienses, escrito com muitos saberes e sabores da nossa cidade e do nosso concelho rural mas também com a universalidade de um livro de estórias interessadas e sempre bem humoradas.

 

 

E de Gil Santos é tudo, ou quase, pois no próximo Sábado vai estar novamente entre nós no XV Encontro de Blogues e Fotógrafos e aguardamos que novo livro já esteja a sair do seu punho.

 

Mais logo, ao meio dia teremos por aqui mais um episódio do “Homem Sem Memória” de João Madureira.  

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Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011

Arquitecturas Flavienses

 

 

 

PANIFICADORA DE CHAVES


Anos 60

 

 

NADIR AFONSO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Mestre Nadir Afonso, hoje em Cascais

 

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Para os flavienses e não flavienses que andem hoje pela zona de Cascais, fica o alerta, pois o nosso mestre flaviense Nadir Afonso também vai estar por lá, no Centro Cultura de Cascais, às 21H30, para inaugurar mais uma das suas exposições – UTOPIAS URBANAS.

 

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Para quem não puder assistir à inauguração, a exposição irá estar patente ao público até dia 31 de Outubro, de Terça a Domingo, das 10 às 18 horas.

 

Entretanto, até 30 de Setembro, a obra de Nadir Afonso continua também por Chaves, na Biblioteca Municipal e integrado na Bienal de Chaves.

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.Outubro 2017

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