Sábado, 26 de Novembro de 2016

Podia ser verdade, mas não é...

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Podia ser verdade, mas não é, pelo menos uma verdade de hoje ou de ontem, ou mesmo deste ano. Esta neve, a que hoje fica em imagens,  já há muito derreteu, pois segundo o meu arquivo é de uma nevada de 23 de dezembro de 2009.

 

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Mas lembrei-me de a trazer aqui, pois ontem, nos lugares do costume (Montalegre e Alvão) houve neve a sério. A do Alvão vi-a, mas só isso, nem sequer a registei em imagem e muito menos a desfrutei, pois andar na autoestrada tem esse inconveniente de não ser lugar de paragens para desfrute do que quer que seja.

 

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Pois a neve que vos deixo, que tomou em cheio o Brunheiro e as suas terras altas, são registos de uma voltinha que dei por ela desde Chaves a S.Julião e vice-versa.

 

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Pela ordem de publicação, a primeira é da entrada no concelho de Chaves em S.Julião, a segunda é da aldeia de S.Lourenço vista desde a Cela e as duas últimas são da Ribeira das Avelãs, em que a última, no meu imaginário, é uma obra de arte, uma tela  lavrada na terra de autoria de um lavrador artista que está farto da geometria do rego certinho, paralelo. Pura arte… ou então seria outra coisa.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:37
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015

Festa do S.Sebastião barrosão

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Lá fui eu pagar a promessa ao S.Sebastião barrosão, das terras altas e frias de Boticas.

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Esperava-se neve, mas em Couto de Dornelas só frio, mas não o suficiente para calar a festa da música enquanto se espera pela mesa completa.

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Depois sim, pão, arroz e carne de porco oferecido pelo S.Sebastião, o resto e por conta de cada um, incluindo os talheres, mas se não os houver, também não há problema – o vizinho do lado desenrasca.

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 Vilarinho Seco

Mas o S.Sebastião não se fica por Couto de Dornelas. Um pouco mais acima, em Alturas do Barroso, também espera pelos peregrinos, mas antes há a passagem obrigatória com paragem em Vilarinho Seco onde mesmo sem S.Sebastião a festa continua.

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E por fim Alturas do Barroso que para fazer jus ao nome conserva a neves dos últimos dias para visitante ver e até brincar. Claro que o frio continua, não estivéssemos nós em plena terra fria, mas também não era nada do outro mundo, era frio apenas.

E por hoje fica esta breve passagem, no próximo sábado deixamos por aqui mais algumas imagens do S.Sebastião barrosão e da festa comunitária das suas aldeias.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:57
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Sábado, 17 de Janeiro de 2015

Soutelinho da Raia com neve

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Frio e chuva o mais certo é dar em neve, e deu. Foi a novidade no acordar de ontem que como sempre lanço o primeiro olhar exterior para o nosso Brunheiro onde nos pontos mais altos a neve tinha pousado timidamente.

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Também já é sabido que quando a neve chega para o Brunheiro as nossas aldeias de montanha estão cobertas de neve, pelo menos em Soutelinho da Raia é certa e pela certa que o foi, pois não o pude testemunhar presencialmente.

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 Serra do Larouco vista desde terras de Soutelinho da Raia

Assim, já perceberam que as fotos que hoje vos deixo não são de ontem, mas de há um ano atrás, mas pela amostra do Brunheiro, ontem e talvez ainda agora, o branco de Soutelinho seja mais branco. Pode ser que mais logo haja mais neve e quem sabe se não iremos por lá. Logo se verá!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:16
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Domingo, 9 de Fevereiro de 2014

Soutelinho da Raia e o Barroso

Soutelinho da Raia

 

Pois estávamos nós em Chaves quando olhando para o Barroso as primeiras montanhas se apresentavam cobertas de neve. Se as primeiras estavam assim como não estariam as seguintes – era nevão garantido, e a baixa temperatura e um céu carregado de nuvens prometiam mais neve. Já o disse por aqui que em questões de neve sou pior que os putos, gosto dela, que se há de fazer? Pois não resisti à tentação e lá fui eu à procura dela. A primeira paragem é sempre Soutelinho da Raia, aldeia flaviense que abre as portas para o Barroso oficial.

 

Soutelinho da Raia

Quem por cá anda há algum  tempo sabe que os nossos  dias de inverno não são muito certos, mas pela a aragem já vamos sabendo aquilo com que podemos contar e quando está ar de neve já sabemos que ela anda próxima e nunca se sabe quando ela nos cai em cima, ou ao lado. O sol e o céu azul são sempre enganadores nestes dias, pois nem tudo que parece, é, são antes coisas dos nossos invernos, e num de repente  lá se vai o sol à vida e o azul dá lugar a um cinzento escuro carregado que não tarda a cair sobre nós sem qualquer cerimónia em forma de chuva fria (cá em baixo no vale) ou  de neve nas terras mais altas da montanha.

 

Soutelinho da Raia

 

Como dizia atrás estes dias de Inverno são sempre enganadores, e desta vez até a mim me enganaram, pois chegado a Soutelinho da Raia o sol apareceu com tal força e o céu carregou-se de tal forma de azul que pensei ter a tarde de neve perdida, mesmo porque a neve  das ruas e dos telhados com a intensidade do sol deu para derreter, mas já que estávamos por lá, havia que aproveitar a luz que acabaria por ser de revelações.

 

Interior da Igreja de Soutelinho da Raia ( a imagem "fantasma" são coisas do longo tempo de exposição da fotografia)

 

Já se sabe que quando entramos nas aldeias as pessoas gostam de saber ao que vamos, o que no nosso caso não é difícil de saber, pois a câmara fotográfica denuncia-nos, mas um cumprimento é sempre obrigatório e de boa educação, mas acrescentar umas palavrinhas de circunstância ajudam sempre a criar um bom ambiente e, se tivermos tempo, podem-nos levar a verdadeiras revelações que nunca aconteceriam num cumprimento passageiro. Pois ao cumprimento acrescentei a lamentação do sol me estragar a neve para a fotografia e as palavras que recebi ainda eram de esperança – «Ontem também estava assim e de repente começou a ficar escuro e caiu pr`aí neve que cobriu tudo, mas se querem ver coisas bonitas é irem ali à igreja que estão a descobrir lá umas pinturas antigas nas paredes». Não nos fizemos rogados e já que a neve parecia ter ido para o galheiro sempre tínhamos as tais pinturas para descobrir – e descobrimos.

 

Ex voto pintado nas paredes da Igreja de Soutelino da Raia, datado de 1748

 

Por sinal uma agradável descoberta . Tratam-se de frescos, um deles datado de 1748, um ex-voto, sendo os restantes talvez da mesma época. Mas sobre os frescos falaremos oportunamente quando o trabalho estiver concluído e quando tivermos mais pormenores. Trabalho que está a ser realizado por uma empresa da especialidade às custas da fábrica da Igreja e que segundo entendi, sem qualquer apoio monetário a nível oficial, o que poderá por em risco a conclusão dos trabalhos. Louvo a atitude e o interesse da fábrica da igreja e temos pena que as tais entidades oficiais ignorem estes interesses, mas não é de admirar, pois agora há sempre a desculpa da crise, pelo menos para estas coisas,  a mesma crise que faz com que até todo o valioso (mais cultural que monetário) espólio de Miró que está em mãos do estado seja vendido sabe-se lá para onde ou para quem.  Procura-se o lucro fácil e rápido e perde-se toda uma riqueza cultural e mesmo financeira com o encaixe que esta coleção de Miró poderia trazer ao estado no futuro, mas tudo é de esperar de um governo que vende as suas joias e património cultural e que nem sequer tem um ministério que se dedique à cultura.

 

 

Pois teremos pena se o trabalho de por à vista todos os frescos da Igreja de Soutelinho da Raia for interrompido por falta de verbas, mas vamos acreditar que pelo menos haja alguns mecenas que queiram ajudar. Sobre o assunto iremos dando por aqui notícias e fica prometido um trabalho mais aprofundado sobre o assunto.

 

Soutelinho da Raia vista desde o Adro da Igreja

 

Mas regressemos à neve que, no entretanto da descoberta dos frescos, também voltou a cair em Soutelinho e com promessa de continuar pela tarde fora para repor o branco que nos levou até essas bandas da entrada no Barroso.

 

Soutelinho da Raia - Adro da Igreja

 

E já que estávamos na entrada do Barroso porque não entrar nele, mesmo porque os tais frescos da igreja nos levavam a entrar no Barroso para falar com o pároco da aldeia, o Padre Fontes, por sinal também ele um símbolo do Barroso e já que o destino passou a ser Vilar de Perdizes, porque não ir um pouco mais além, onde a neve bate sempre como quem chama por nós., e desta vez chamou mesmo.

 

Soutelinho da Raia - Ao fundo já se avista o Barroso

 

Meixide, Solveira, Gralhas e finalmente Montalegre, uma das capitais do Barroso, a do Norte, pois a do Sul é reivindicada por Boticas e na realidade assim deve ser, pois o que dá nome à região é a Serra do Barroso, com o ponto mais alto nos Cornos do Barroso  (Alturas do Barroso) a 1279m de altitude (a oitava maior elevação de Portugal Continental). Pois embora o ponto mais alto e grande parte da Serra do Barroso estejam em terras de Boticas também é certo que a vertente Norte da Serra do Barroso, já “verte” para terras de Montalegre que rematam precisamente numa outra serra - a Serra do Larouco.

 

Ao fundo a Serra do Larouco visto desde terras de Soutelinho da Raia

 

Pois se a Serra do Barroso é a oitava maior elevação de Portugal Continental, a Serra do Larouco sobe ao pódio ao ser a segunda maior elevação de Portugal Continental, com os seus 1527 m de altitude atingidos na Fonte da Pipa. Gosto de me referir à Serra do Larouco como o Deus Larouco. Na realidade o Deus Larouco era o companheiro do Deus Júpiter - I(ovis) Soc(io) Larouco a quem os soldados da Legião VII Gemina Pia Felix (Vilar de Perdizes) ergueram um santuário denominado de Pena Escrita (Penascrita), situado num altiplano da Serra do Larouco, num local abrigado à altitude de 827 metros, permitindo assim que se congregassem rituais de culto nas estações mais agrestes quando o cume do Larouco é assolado por ventos fortes, cortantes e frios, ou por nevões persistentes.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 16:31
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Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2014

O Barroso aqui tão perto...

 

Mais uma voltinha pelo Barroso vestido de branco, no dia de ontem, o Barroso que fica aqui ao lado e, uma prova disso mesmo é a primeira foto de hoje, a do Deus Larouco, pois é vista de terras flavienses, mais propriamente das proximidades de Soutelinho da Raia.

 

 

E a partir de Soutelinho da Raia sim, oficializa-se o Barroso, o de Montalegre. Mas para que gastar as palavras em imagens que demonstram bem os invernos barrosões:

 

Gralhas - Montalegre

 

Montalegre (Rotunda da Portela)

 

Montalegre

 

Montalegre (Rotunda da Corujeira)

 

Montalegre (Corujeira)

 

Para já, fica esta meia dúzia de imagens numa tarde que à procura da neve acabou por ser uma tarde de descobertas e revelações, mas dessas, o blog tratará oportunamente, pois vão muito mais além de um simples nevão.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:54
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

A minha imagem do nevão de hoje

De entre as muitas imagens possíveis do nevão que hoje vestiu Chaves de branco, a minha é esta:




 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:21
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2013

Um dia de neve com um dia de atraso

 

Confesso que em termos de neve sou pior que os putos, ou seja, ainda os putos estão a desejar ir para a neve e eu já lá estou…coisas que pela certa têm a ver com a minha costela barrosã materna ou, a não menos fria, costela do vale de Vila Pouca de Aguiar.




Pois embora com um dia de atraso, que há dois dias não houve oportunidade, aqui fica o meu registo da nevada do dia 22 que pintou de branco quase todas as montanhas à volta do vale de Chaves, que, como quase sempre, não chega ao vale de Chaves. Assim há que subir à montanha, mas como o tempo não abunda, decidi-me pelo planalto do Brunheiro, de onde tomei a primeira imagem, mais precisamente ali nas redondezas de Maços e Carvela. A segunda imagem temos que a agradecer às teleobjectivas que desde o vale de Chaves nos permite ver assim vestida a Serra do Leiranco.



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publicado por Fer.Ribeiro às 00:33
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Domingo, 5 de Dezembro de 2010

Mais neve em fotografia

 

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Tal como tinha prometido, quanto a neve, só faltava mesmo ir para o planalto do Brunheiro e para a Padrela. Pois o Brunheiro cumpre-se aqui hoje, quanto à Padrela, terá que esperar pela próxima nevada, que esta, já foi com a chuva.

 

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Ficam então aqui as imagens possíveis. Uma de France, outra de Gondar e outra de Maços, com vistas lançadas para outras serras além do vale de Chaves.

 

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E é tudo por hoje, também quanto a neve, estamos conversados.

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publicado por Fer.Ribeiro às 19:31
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Sábado, 4 de Dezembro de 2010

Soutelinho da Raia - Chaves - Portugal

 

 

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Já sabem que por aqui aos fins-de-semana há aldeias do concelho de Chaves e neste, claro, tinha de ser uma aldeia com neve.

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Hoje toca a sorte a Soutelinho da Raia, a nossa aldeia barrosã, que é brindada (ou não) sempre com as primeiras neves do ano. Pois aquilo que para nós (cá em baixo no vale) a neve nas serras é uma delícia para o olhar, para os residentes das serras e montanhas, neve, significa frio, muito mais frio, o ficar retido em casa e, às vezes, sem poderem sair da própria aldeia.

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Pois sempre que há neve, se houver estrada aberta, Soutelinho é ponto de visita obrigatório. No entanto, nesta semana a oferta até era grande, pois quase todas as aldeias de montanha mais elevada tinham neve, ou melhor, têm neve, mas como não podemos ir a todas ao mesmo tempo, hoje calhou um cheirinho a Barroso.

 

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Mas amanhã é outro dia e com a temperatura que já se faz sentir lá fora e que entrou nos negativos mal escureceu, amanhã pela certa que a neve vai continuar a fazer parte das vistas nas montanhas e, quem sabe, se houver estrada para caminhar, amanhã não teremos por aqui a neve do planalto do Brunheiro ou da Serra da Padrela.

 

Até amanhã.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:20
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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Reino Maravilhoso * Trás-os-Montes * Portugal

 

 

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Todas as manhãs, quando acordo, o primeiro olhar que lanço para fora de casa vai em direcção ao Brunheiro. Ele é o meu barómetro e é ele quem me diz se a roupa a vestir deve ser de agasalho, mais ligeira, para chuvas ou nevoeiros. Ontem, no olhar do acordar, o Brunheiro estava vestido de Branco.

 

Desci à cidade e pelo caminho o rádio foi-me pondo ao corrente da situação – Frio, alerta amarelo, neves, estradas cortadas nas serras altas e montanhas, em suma, aquilo que poderá parecer o prenúncio de uma desgraça é afinal a alegria de muitos, principalmente dos putos, pois é um dia de borga e sem aulas, mas não só, pois também os crescidos, mesmo que não o admitam, gostam de ver a terrinha vestida de branco, principalmente quando sabem que não veio para durar.

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Eu também nunca resisto, e gosto, sou como os putos…corro logo para a neve a fazer uns bonecos, mesmo que sejam apenas fotográficos.

 

Também ontem aproveitei e fui montanha acima à procura dela. Para o Brunheiro era impossível, pois a Nacional 314 estava cortada no Peto de Lagarelhos, decidi-me então por Mairos, S.Cornélio e como aqui as coisas se começavam a complicar, em vez da opção Travancas até terras de S.Vicente, decidi-me regressar pela Bolideira e Águas Frias.

 

Pelo caminho ia-me deliciando com as maravilhas do branco, o dobrar das giestas pelo peso da neve, os patos bravos (1) na barragem de Mairos e águias por tudo quanto era alto. Sozinho no meio da imensidão do branco dei comigo a dizer: - Este é o reino maravilhoso de que Torga fala.

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Chegado a casa, abriu-me o apetite para reler o “Reino Maravilhoso” de Torga, o mesmo de que tantas vezes se fala e se faz a citação das primeiras palavras do texto… “Vou falar-vos de um reino maravilhoso (…) fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores (…)  Vê-se primeiro um mar de pedras (…)— Para cá do Marão, mandam os que cá estão!... “ e nunca aparece o texto por inteiro, e é pena, pois todo ele é um poema que nos deixa nus perante a nossa identidade transmontana, o nosso ser, um retrato fiel daquilo que somos e que todo o transmontano tem obrigação de conhecer.

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Sei que muitos de vós já o conheceis, e também sei que em blog textos longos não funcionam muito bem, mas vou arriscar a deixar aqui na integra o «Reino Maravilhoso * Trás-os-Montes» para relerem ou para finalmente terem o texto por inteiro, e tal como quando se comem cerejas, quando o começarem a ler, já não param.

 

Sei que o texto não precisa de ilustrações, mas pelo caminho vou deixando algumas da nevada de ontem. Divirtam-se.

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UM REINO MARAVILHOSO

(TRÁS-OS-MONTES)

 


Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.


Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente rasga a espessura do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:

 

— Para cá do Marão, mandam os que cá estão!...

 

Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?

Mas de nada vale interrogar o grande oceano é megalítico porque o nume invisível ordena:

 

— Entre!

 

A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.

 

Reino, nestes livros sinistros que são os dicionários, é um substantivo masculino com rei à frente. Imaginem!... Como se fossem suficientes um léxico e um monarca para definir e governar uma realidade irreal!

Pelo que diz respeito a mandar, é o que sabemos

 

— Para cá do Marão...

 

Mandam todos. O poder que atravessa a muralha e penetra ali,  se tem corpo, se tem nome, ou perde a marca individual e se transforma em símbolo, ou morre. Tem de ser sempre, quer sela Pio X ou Pio XII, o «nosso Santo Papa Leão XIII», que é quem a Maria Purificada elege em cada conclave na sua Vila de Freixo de Espada à Cinta...

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Incapazes de uma obediência imposta de fora, os habitantes da terra apenas consideram naturais e legítimos os imperativos da própria consciência. O eco duma ordem estranha à sua harmonia interior desliza pela crosta das almas sem as perturbar. As mais altas dignidades de além fronteiras nada mais representam do que puras expressões nominais de valores abstractos. Meta-se um cristão por qualquer dos caminhos que levam ao coração geográfico desse mundo encantado. De certeza que lhe aparece um semelhante de aguilhada na mão, socos pregados e roupa de saragoça, a perguntar:

 

— O meu Senhor, sempre é verdade que o nosso rei agora é o Doutor Afonso Costa?

 

Faça o que fizer o Tamerlão invasor, a mesma vontade que ele julga dobrar o deseroíza e vence. É ela que, a bem ou a mal, acaba por dispor das riquezas que lhe pertencem: das águas de regadio, dos baldios, da mulher e dos filhos, e de si. De tudo o que na vida material e espiritual tem grandeza e sentido. No pormenor, no que não é seiva de ninguém, dão sentenças o Regedor e o Senhor Abade, que, afinal, pregam editais nas portas e sermões nas igrejas...

A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Montalegre, de Montalegre a Chaves, de Chaves a Vinhais, de Vinhais a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Freixo, de Freixo à Barca de Alva, da Barca à Régua e da Régua novamente a Vila Real, mas a que pertencem Foz-Côa, Mêda, Moimenta e Lamego — toda a vertente esquerda do Doiro até aos contrafortes do Montemuro, carne administrativamente enxertada num corpo alheio, que através do Côa, do Távora, do Torto, do Varosa e do Balsemão desagua na grande veia cava materna as lágrimas do exílio.

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Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.


Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas.


Nos intervalos, apertados entre os lapedos, rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta aridez. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Veigas que alegram Chaves, Vila Pouca, Vilariça, Mirandela, Bragança e Vinhais.


Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.


Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Pão de milho, de centeio, de cevada e de trigo. Pão integral. Por ser pão e por ser amassado com o suor do rosto. Sabe a trabalho. Mas é por isso que os naturais o beijam quando ele cai no chão...


O vinho é de moscatel, alvarelhão, penaguiota, malvasia fina, emana das fragas à ordem de vozes imperiosas como a de Moisés quando feria a pedra do Horeb — a vara mágica do patriarca substituída agora por um alvião de saibramento. Por toda a parte apetece saboreá-lo, porque mesmo onde a neve, o sincelo e o suão crestam a esperança, mesmo aí ele parece veludo no paladar. Mas há lugares santos onde a santidade é maior. Assim acontece no Roncão, Samos de todos os Samos.


Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo.


Mas a terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão. Produz batata, azeite, cortiça e linho. Batata farinhuda, que se desfaz na boca; azeite loiro, que sai em luz da almotolia: cortiça que deixa os sobreiros nus para agasalhar os enxames; e linho fresco, fino, que, tecido em lençóis, faz o bragal das noivas.

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De figos, nozes, amêndoas, maçãs, pêras, cerejas e laranjas nem vale a pena falar. São mimos dum pomar variegado, que nenhuma imaginação descreve quando a primavera estala nos ramos. Ver uma encosta de Barca de Alva coberta de flores de amendoeira, ou o solar de Mateus a emergir dum mar de corolas sortidas, é contemplar o inefável. Mas o fruto dos frutos, o único que ao mesmo tempo alimenta e simboliza, cai dumas árvores altas, imensas, centenárias, que, puras como vestais, parecem encarnar a virgindade da própria paisagem. Só em Novembro as agita uma inquietação funda, dolorosa, que as faz lançar ao chão lágrimas que são ouriços. Abrindo-as, essas lágrimas eriçadas de espinhos deixam ver numa cama fofa a maravilha singular de que falo, tão desafectada que até no próprio nome é doce e modesta: — a castanha. Assada no S. Martinho, serve de lastro à prova do vinho novo. Cozida, no Janeiro glacial, aquece as mãos e a boca de pobres e ricos. Crua, engorda os porcos, com a vossa licença...

 

É destes que se tem de partir para chegar à trindade tradicional do reino: os presuntos, as alheiras e os salpicões.


Por alturas do Natal, começa a matança. Ao romper da manhã, a paz de cada povoado é subitamente alarmada. Um grito esfaqueado irrompe do silêncio. Dias depois desmancha- se a bisarma, e um pálio de fumeiro cobre a lareira.


Quem não comeu ainda desses manjares ensacados, prove... E há-de encontrar neles o sabor das invernadas passadas ao borralho enquanto a neve cai o perfume das graças dadas por alma dos que Deus tem, a magia da história de João de Calais contada aos filhos, e uma ciência infusa de temperar, que vem desde que a primeira nau chegou da índia.


Mas o panorama zoológico não se fica pelo animal de vista baixa que se desfaz em torresmos e chouriços. Passando pelo lobo do Eusébio Macário, que só por si vale um tigre do Kipling, pelo boi de Miranda, que só lhe falta falar, e pelo bicho da seda que de Bragança aveludou em tempos Ceca e Meca, temos ainda a perdiz, a fera da Mantelinha, que nenhum forasteiro deve deixar de ver. Em Outubro, quando o sol ainda a espreguiçar-se de sono lava a cara na fonte de Casal de Loivos, certo perdigueiro, que sobe o monte colado ao chão, já com um aceno perfumado a fazer-lhe cócegas no nariz, pára de repente siderado. Manda-se-lhe dar a pancada. O navarro entra, e só então Sua Senhoria aparece. Cabeça alta de quem olha o mundo de cima, peito largo aberto ao vento, pés seguros de almocreve. — Pfrrruu..u..u. Lá vai ela! Quando o tiro lhe acerta e cai, parece uma deusa morta... No cinto, ainda se lhe tem respeito...

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A truta, que representa com dignidade e bravura o mundo da barbatana, é nos açudes que mostra o que é. Sobe por eles acima como os rapazes pelos mastros ensebados, e só com sofismas a pescam uns filósofos sem filosofia, que vale a pena observar, de cana em riste e saltão no anzol. Quem for a Boticas, coma um peixinho desses e beba-lhe «vinho de mortos» em cima. Pelo que houver,  fico eu. Acudo-lhe com o único remédio decente que se conhece para moela fraca — um quarto de Pedras ou de Vidago, águas minerais que nascem perto. A terra é de tal natureza que, não contente com as dádivas a céu aberto, encerra nas entranhas riquezas que não têm conto. Entra-se no ventre duma serra, e é ferro, é oiro, é chumbo, é estanho, é volfrâmio, é zinco, é urânio, é tudo quanto Vulcano forjou. Caldas, então é um benza-te Deus. São famosas as de Carrelão, as de Moledo, as de Alfaião, as de Chaves, as Carvalhelhos e as de Sabroso — porque de todas elas fazem milagres perfeitos. E vêm então peregrinos de muito longe — gente que arrebentou ou se envenenou a comer um boi e a beber um tonel — curar nelas o estômago, o fígado, a gota, os eczemas e a melancolia. Tomam-nas durante quinze dias. Ao cabo, regressam, de corpo novo e alma nova.


Os naturais é que raramente precisam delas, por serem homens de muita saúde e sobriedade.


Homens de uma só peça, inteiriços, altos e espadaúdos, que olham de frente e têm no rosto as mesmas rugas do chão. Castiços nos usos e costumes, cobrem-se com varinos, croças, capuchas e mais roupas de serrobeco ou de colmo, e nas grandes ocasiões ostentam uma capa de honras, que nenhum rei! Usam todos bigode e alguns suíças. E põem naqueles pêlos da cara uma dignidade tal, um sentido tão profundo da pessoa humana, que é de a gente se maravilhar. Às vezes agridem-se uns aos outros com tamanha violência que parecem feras. Mas olhados de perto esses nefandos crimes, vê- se que os motiva apenas uma exacerbação de puras e cristalinas virtudes, que só não são teologaís porque Deus não quer. Fiéis à palavra dada, amigos do seu amigo, valentes e leais, é movidos por altos sentimentos que matam ou morrem. Ufanos da alma que herdaram, querem-na sempre lavada, nem que seja com sangue. A lendária franqueza que vem nos livros é deles, realmente. Mas radica na mesma força interior que, levada à cegueira da exaltação, pode chegar ao assassínio. Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:

 

— Entre quem é!

 

Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.


Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.


Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo émundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.

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Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura, aos vinte anos (se não tiver sido antes), depois da militança, alguns emigram para as Arábias de além-mar. Brasis, Africas e Oceanias. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Mourejam como leões, fundam centros de solidariedade humana por toda a parte, deixam um rasto luminoso por onde passam, e voltam mais tarde, aos sessenta, de corrente ao peito, cachucho no dedo. e com a mesma quimera numa mala de couro. Gastam cem contos numa pedreira a fazer uma horta, constroem um casarão com duas águias no telhado, e respondem com ar manhoso a quem lhes censura um amor tão desvairado às berças:

 

— Infeliz pássaro que nasce em ruim ninho…

 

E continuam a comer talhadas de presunto cru.


Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia. E ali ficam nuns cemitérios de lívida desilusão, à espera que a lei da terra os transforme em ciprestes e granito. Alegrias gratuitas têm poucas. Embebedam-se nas festas e nas feiras, batem a cana-verde nos dias grandes, e gozam os robertos e as vistas que levam de povo em povo um sofisma de ventriloquia e a irrealidade serôdia das terras do Preste João.

 

— Ó Zé Roberto:

Queres casar comigo, que sou uma rapariga bem boa?

Bem boa! Bem boa! Bem boa!


Olha o «Vaticano», olha o «Vaticano», com as suas 365 janelas e o Papa a olhar a uma delas… Quem quer ver? Quem quer ver?

 

Nas romarias, verdadeiramente, não se divertem. Pagam nelas o dízimo espiritual ao santo ou à santa com quem têm contratos pelo ano fora, e fazem a barrela das suas relações humanas.


A capela da devoção fica no alto do mais alto monte que rodeia a freguesia. E eles sobem então pela serra acima, quer à vara do pálio, quer a alombar o andor, quer de joelhos, a abrir uma chaga de sofrimento no corpo pecador — mas sem tirar os olhos do inimigo com quem hão-de medir forças no arraial. Sobem numa penitência inteira. Ao descer, vêm numa manta, esfaqueados.


Dessas mortes ficam pelos caminhos memórias de pedra com alminhas do purgatório a pedir orações, que são a História intima do reino resumida em padre-nossos. A outra, toda feita de lendas e fantasia, tem o seu tombo no coração dos que são poetas, e conta-se nas fiadas. Na loja dos bois, ao calor aconchegado da bosta quente a fermentar a palha, envolto na luz pacífica de uma candeia de azeite, o rapsodo mais velho começa:

 

No tempo da Princesa Clarimunda...

 

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A meia-noite o fuso pára nas mãos adormecidas das fiandeiras. Erguem-se todos. Mas no dia seguinte chega-se ao fim.


De Celtas, lberos, Romanos, Moiros, etc. e tal, e dos do tempo dos afonsinos, os velhos dão pouca relação. Em todo o caso mostram os dólmens do Alvão, a Porca de Murça, a ara do deus Aerno, os castros desfeitos, os altares de Panóias, a ponte romana de Chaves e a Domus Municipalis de Bragança. O tempo mudou os símbolos da fé, deliu as inscrições sagradas, e relegou para a penumbra da arqueologia o que foi vivo e útil. Por isso, olham todas essas relíquias numa espécie de melancolia esquiva, Renúncia inconformada, que, num desesperado esforço de encontrar os secretos tesoiros da unidade eterna, às vezes os leva a meter um cartucho de dinamite nas pedras veneráveis, a ver se elas resistem à inquietação do presente.


É certo que há escolas pelo pais a cabo onde as leis inexoráveis do perecível e do imperecível são explicadas. De uma sei eu em que certa palmatória de cinco olhos faz decorar tudo quanto no mundo se descobriu até à raiz quadrada. Mas mesmo nos remos maravilhosos acontece a desgraça de o povo saber duma maneira e as escolas saberem doutra. Acabado o exame da quarta classe, cada qual trata de sepultar sob uma leiva, o mais depressa que pode, a ciência que aprendeu.


A não ser o Senhor Varatojo, que dá sota e ás ao mais pintado doutor. Na inquebrantável decisão de levar tudo ao fim, na teimosia que, uma vez segura da sua verdade, não cede a nenhum argumento, e no gosto inquieto de conhecer, podia ter sido um novo Fernão de Magalhães. a dar a volta aos mundos de agora. Mas como infelizmente a pátria não convida os filhos para tais empresas, empregou-se na Câmara, come do bom e do melhor à custa de quem lho vai meter no bico, toca bandolim. e lê quantos romances se escreveram. Depois conta-os na farmácia, e pinta o diabo se alguém o desmente.

 

— Tenho a certeza matemática! — grita congestionado.

 

E tem, porque sabe de cor as vírgulas e as peripécias. Outro dia chegou mesmo a ir a Paris, só para ver num parque público o banco onde uma heroína qualquer deu um beijo ao namorado. Entra esbaforido na estação da Vila, pede um bilhete, e ai vai ele. Chegou lá, não quis saber de mais nada:

 

— Faça favor: onde é o Bosque de Bolonha?

 

Olhavam-no todos como quem olha um fenómeno, mas sempre lhe disseram.

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Parecia um tiro pelas ruas a cabo. Ao fim duma hora de caminho, chegou ao sítio. Examinou, calculou, andou, virou, tornou, até que deixou sair do peito um arranco de triunfo:

 

— Foi neste!


— Neste, o quê?!

 

Ele então explicou. Assombrados e cépticos, os de lá puseram-se a rir. Felizmente que o romance estava escrito em francês...


E como alguém duvidasse, já não do juízo do homem, mas de tudo se ter passado mesmo, mesmo naquele banco, o Senhor Varatojo mostrou a página do livro, tirou do bolso do colete o relógio, e provou:


— A cena passa-se no dia 24 de Agosto, às quatro horas. Ora bem: estamos a 24 de Agosto e são quatro horas em ponto. O banco onde os dois se sentaram tinha sombra. Não há mais nenhum com sombra. Portanto...


Meteu-se outra vez no comboio, cabeçudo, e retomou as suas funções, sentado à secretária, sempre com as virtudes do povo na ponta da língua, a garantir que Camilo é o cronista do Reino, e a confessar que vai todas as noites ao jardim da Carreira ouvi-lo sobre política, religião e literatura. Ainda não encontrou fonte onde bebesse com tanto gosto...


Os contribuintes pagam a décima e riem-se. Que diz o Senhor Varatojo!? O Camilo! O Camilo levou mas foi uma grande coça na Senhora da Azinheira, outra na Senhora da Saúde, outra na Senhora dos Remédios... Fazia-se fino!


Engole em seco e muda de conversa. Como é também da mesma laia, capaz de cobiçar a mulher do próximo e varrer uma feira a estadulho, não insiste. Sabe muito bem que vive entre irmãos que não mudam de camisa para esbofetear o mais pintado, seja ele o autor do Amor de Perdição, mas que também lhe tiram o chapéu, caso o mereça. Fracos em letra redonda, sabem todos honrar a grandeza verdadeira. E a prova é que lá o têm, a esse trágico inventor de tragédias, entronizado no coração das fragas, a receber o carinho eterno da terra onde foi menino e génio. Bateram-lhe realmente nas romarias, mas deram-lhe o maior bem que se pode ter:


O nome de Transmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama Reino Maravilhoso de que vos falei.

 

Miguel Torga, In «Portugal», 1950.

 

 

(1) - Em tempo - Por um comentário a este post fiquei a saber que as aves que eu identifiquei na barragem de Mairos como patos bravos afinal são corvos-marinhos. As minhas desculpas.

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:04
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Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Chaves foi um concelho vestido de branco

 

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Claro que este post de fim-de-semana, dedicado às aldeias, tinha que forçosamente ter neve. Claro é também, que para as aldeias, principalmente as da montanha com cota mais elevada, a neve não é uma novidade, mas para as de cota mais baixa e também para a cidade, as nevadas, não são assim tão abundantes. Aliás neves que “peguem”, pela cidade, acontecem raramente.

 

Assim, é sempre com deslumbramento que se vê a neve a cair e a “pegar” no chão. Por cá,  são momentos únicos , um brinde da natureza que transforma ou deixa sair cá para fora a criança que cada um transporta. Comigo, assim acontece.

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Não poderia deixar de fazer também o registo fotográfico do acontecimento, aliás como vou fazendo com todas as nevadas, mas esta, não me permitiu ir muito além da cidade, que juntando as poucas horas de luz e ainda as fotos da cidade, apenas deu para visitar duas ou três aldeias, mas também, o registo de que a vida e o trabalho nas aldeias, mesmo com neve, não para. Gente que trabalha e para quem a neve não é, pela certa, um registo agradável de suportar, mas que se vai suportando e em troca, sempre há os benefícios que a neve traz aos campos.

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Ficam hoje três fotos da Serra do Brunheiro e duas das suas aldeias, as mais baixas, mas ainda haverá mais fotos desta nevada, com mais uma aldeia que ainda não teve por aqui o seu post alargado, talvez amanhã, quem sabe.

 

Até lá.

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:00
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Um presente de Natal - Chaves - Portugal

Que se lixe o ferro e o betão. Hoje Chaves acordou vestida de branco, e num momento, todos se transformaram em crianças. Fico-me por aqui em palavras, pois as imagens, hoje, valem tudo.

 

Para já, meia-dúzia delas.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 14:15
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Nadir pelo mundo, neve por cá e a Rua Onze para descobrir - Notícias

 

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Ainda antes de irmos para o discurso sobre a cidade de hoje e enquanto o nosso jornalista anda por paradeiro incerto, cabe-me a mim ir fazendo as notícias que acontecem e têm a ver aqui com a terrinha.

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A Neve

A primeira, que tem sido uma constante dos últimos dias, é o frio e a neve, que como acontece por cá e já vai sendo habitual neste inverno, não é notícia em e desde Lisboa. Se fosse por lá, já tinha ardido o Carmo e a Trindade, como é por cá, já estamos habituados. Seria bom para a informação e para o conhecimento do Portugal real que um qualquer jornalista ou média nacional se instalassem dois ou três dias que fossem numa das nossas aldeias altas de montanha para saberem o verdadeiro sabor do frio e os seus custos.

Ontem (e quem sabe se não está a acontecer neste preciso momento) caiu mais um nevão nas nossas terras altas, e pelo que sei, será para se repetir no dia de hoje.

 

Paixão pelas formas e harmonias continua a inspirar Nadir Afonso

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Foto de Dinis Ponteira

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Mas a notícia de ontem, foi mesmo o Mestre Nadir Afonso ter sido mais uma vez notícia a nível nacional e em vários órgãos de informação (digital e papel), estando agendada e ainda para sair a notícia no semanário Sol, edição de Sábado.

 

É uma notícia da LUSA que entretanto também nos dá a conhecer mais uma exposição do Mestre Nadir a levar a efeito na Assembleia da República.

Para aqueles que ainda não tiveram acesso à notícia, aqui fica ela na íntegra:

   A paixão pelas formas e o prazer de criar proporções harmoniosas continuam a inspirar a pintura de Nadir Afonso. Aos 88 anos, não se arrepende de ter abandonado a arquitectura, uma arte que lhe criava problemas por ser «utilitária»

Mas talvez a arquitectura nunca tenha abandonado o artista nascido em Chaves, em 1920, porque as paisagens urbanas, na sua essência, mantêm-se vivas em inúmeras telas do artista.

Para assinalar os 70 anos de carreira do pintor, a Assembleia da República inaugura segunda-feira uma exposição intitulada As Cidades no Homem, com vinte telas produzidas desde a década de 1940 até à actualidade.

Em entrevista à Agência Lusa na residência e ateliê em Cascais, Nadir Afonso falou das fontes de inspiração e da essência da sua obra plástica.

Com uma obra representada dentro e fora de Portugal, em espaços privados e públicos, como por exemplo, os grandes painéis de azulejos da estação de metro dos Restauradores, em Lisboa, admite que continua a desconhecer por que razão as cidades o fascinam tanto.

«Sei apenas que me fascina alguma coisa que me toca. Nós somos atraídos pela harmonia e pela proporção das coisas. Posso não compreender, mas sinto, e o artista transmite aquilo que sente» , descreveu.

Admite que nunca viu algumas das cidades que pintou. «Para documentar uma obra tive que escolher alguns nomes de cidades, mas nunca as vi na realidade. O que me interessa é a sua essência», reiterou, sobre a sua visão das paisagens urbanas.

Para o pintor flaviense - que teve a sua primeira formação académica em arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, e depois em pintura na École des Beaux-Arts de Paris - o mais importante na obra de arte é a essência, e essa «é constante, não muda com o tempo».

«Por isso ainda hoje sentimos satisfação estética nas obras de arte egípcias, gregas ou do Renascimento» , exemplificou.

A matemática e as formas geométricas continuam a ser as maiores fontes de fascínio. «Um quadrado tem quatro ângulos perfeitamente iguais! Um círculo é um ponto central equidistante dos pontos periféricos. Isto é uma fantástica lei matemática que nos cria emoção», observou.

«São leis que ressoam no espírito e dão uma forte sensação de plenitude» , insistiu.

Classifica a estética da sua obra como «rudimentar» e considera-a muito «fácil de compreender», apesar de «muitos não estarem de acordo».

«O filósofo acredita que o artista transmite para a tela o que está na sua alma. Mas esta concepção da arte está errada. Vem tudo da natureza - contrapõe - e o espírito do homem é um receptor dessas leis que sente intensamente» .

Depois de ter estudado arquitectura, ainda chegou a trabalhar com Le Corbusier, em Paris, e Oscar Niemeyer, no Brasil, ambos arquitectos de grande renome que lhe permitiram sempre dedicar algum tempo à pintura, o que lhe proporcionou um grande prazer e até alívio.

Recordou que abandonou a arquitectura em 1965 justamente por sentir que lhe trazia «problemas».

«Se uma forma está harmoniosa não pode ser utilitária porque a proporção matemática é exigentíssima, e não permite que a forma suporte qualquer utilidade» , justificou, admitindo ter-se sentido incapaz de conciliar ambas.

«Eu sou muito exigente na composição. É sagrada» , disse, convicto.

No dia 09 de Fevereiro, pelas 18h00, o pintor Nadir Afonso estará na Assembleia da República para inaugurar a exposição As Cidades no Homem, que ficará patente até 20 de Março.

Lusa, 2009-02-05

 

Rua 11

E já diz o ditado que não há duas sem três, pois a terceira notícia do dia (de ontem) é que temos on-line mais um blog de autoria flaviense: O blog da rua onze que surge na sequência e é de autoria do Blog da Rua Nove.

 

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Mais um blog a ter debaixo de olho, conjuntamente com os restantes blogs de autoria do mesmo autor (“Capas & Companhia”, “Ilusões Urbanas” e “Blog da Rua Nove” – todos com link na barra lateral). Autor que é também colaborador deste blog Chaves e do blog Chaves Antiga.

 

Ainda só com 1 dia on-line, mas já com muita coisa para ver e apreciar.

 

É mais um blog de visita obrigatória que eu recomendo.

 

Já a seguir mais um Discurso Sobre a Cidade de autoria de Tupamaro.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:12
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Domingo, 25 de Janeiro de 2009

Blog Chaves - 600.000 Visitas

 

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Nada melhor para comemorar as 600.000 visitas que uma foto com um brinde da natureza, uma imagem da neve, de mais um bom nevão que neste momento está a cair em todas as terras altas do concelho, como esta que vos deixo, tomada há 1 hora atrás na freguesia de S.Julião de Montenegro.

 

Pois estamos chegados às 600.000 visitas e não podia deixar passar este momento sem vos agradecer,  a todos, os que diariamente brindam este blog com a sua visita, mas também àqueles que colaboram com o blog, com os seus discursos, as notícias ou a cedência de imagens.

 

Obrigado a todos, eu prometo continuar por aqui.

 

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publicado por fernando ribeiro às 17:55
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Um dia de Neve por terras do planalto - Chaves - Portugal

 

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Hoje devia ser dia de flavienses ilustres, mas tão esquecidos que estão os nosso ilustres, pela certa que não se importarão de esperar mais uma semana, pois por aqui o que está a dar nos últimos dias, é mesmo o frio e a neve.

 

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Ao fundo, terras de barroso e o Deus Larouco

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Ontem fui até Soutelinho da Raia à procura da neve e, não me enganei, mas neve de nevão caiu mesmo no planalto de Travancas. Foi por essas bandas que me deliciei, como um puto, por terras da neve.

 

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Para fazer inveja aos flavienses ausentes, aqui fica um pouco dos últimos dias de frio e de neve e recordo-lhes também que é nestes dias que a lareira, além de confortar do frio, as brasas também convidam ao corte do que se pendura nos lareiros…ehehehe!

 

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Ficam aqui as imagens, que dizem tudo, assim, poupo-vos de palavras que no meio de tanto branco só atrapalham.

 

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Tentei ir mais além de Argemil da Raia, mas de novo começou a nevar e, se para baixo todos os santos ajudam, a subir já as coisas se complicam. A prudência e também o final de dia, recomendaram-me voltar para casa, mesmo assim, lá do alto, ainda deu para deitar um olho a São Vincente da Raia.

 

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Fica a reportagem gelada, com temperatura até bem simpática, pois para agradar a gregos e troianos, nem entrou nos negativos nem nos positivos, 0ºC era a temperatura no planalto na tarde de ontem.

 

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E como hoje é feriado, fica o itinerário da neve para os residentes distraídos: Bolideira, Travancas, Argemil da Raia (a partir de aqui é por vossa conta) mas sempre podem lançar um olhar para terras de São Vicente da Raia. De regresso, Travancas, S.Cornélio, Mairos. Soutelinho da Raia e barroso também estão vestidos de branco. Como não fui mais além, mais que isto, nada sei.

 

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As fotos estão por ordem do desenvolver do itinerário de ontem.

 

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Até amanhã, com outros olhares sobre a cidade de Chaves.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:23
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