12 anos

Quinta-feira, 20 de Abril de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

Fotos y grafias”

 

 

É verdade.

 

Todos vós tendes razão: eu não percebo nada, mas mesmo nada, de fotografia!

 

Mas que fico regalado com algumas (e são bastantes), muito especialmente das de uns «certos» flavienses, ai isso é que é uma grande verdade!

 

Agora, imaginai lá como eu ficaria se percebesse mesmo só «a ponta de um corno»!

 

Meter-me em becos sem saída; levar turras de chibos e cabras; apanhar molhas; patinar na neve; pôr-me de rastos; pendurar-me numa muralha; equilibrar-me no arame … de uma ponte; andar de noite a contar as estrelas, para depois me nascerem cravos nas mãos; estar horas à espera que apareça um «cúmulo» ou um «cirro» para traçar a luz do sol a bater na encosta daqui ou dali; andar com a cabeça, tronco e membros à roda do sítio onde bate a luz de um candeeiro público; torcer o pescoço para «apanhar» uma varanda; fingir afinar um botão …da camisa para gravar as rugas ou o sorriso de um rosto estranho ou conhecido; pôr… bem, fazer mais poses do que as piruetas necessárias para se ser campeão olímpico de Ginástica, em todas as modalidades, disso é que não sou capaz!

 

A vantagem e a desvantagem da fotografia com a pintura reside na distância: na pintura, o modelo do pintor mantêm-se a uma distância pessoal normal da «intimidade social» nunca ao alcance da mão para que a presença da alma do modelo não se torne demasiado envolvente, impedindo assim qualquer observação desinteressada; na fotografia, a distância pode ser íntima ou, e até, pública.

 

Um e outro, pintor e fotógrafo, ensinam-nos, ou ajudam-nos a compreender o «modo como percepcionamos o mundo.

 

O escritor tem uma vantagem sobre eles: sobre as mesmas imagens, pintadas ou fotografadas, o escritor consegue dar representações simbólicas tão convincentes que suscitam reacções próximas das provocadas por estímulos   -   como o sabor de um fruto, o perfume de uma flor, ou a nota que numa voz apaixonada confessa o prazer ou a dor.

 

E eu, apaixonado pelas letras e pelas cores da pintura e da fotografia, bendigo a Natureza, por me conceder as suas realidades e inspirar a tantos e «certos» flavienses, e para meu consolo, as suas encantadoras representações.

 

M., vinte e um de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Quinta-feira, 13 de Abril de 2017

Ocasionais

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“Salão de Festas”

 

 

Os cidadãos internautas, na sua maioria ou quase totalidade, vêm aqui, aos Blogues, aos Post(ai)s e às Caixas de Comentários, e a outras salas de reunião néticas, mas mesmo que «autografem» a sua presença com duas ou meia dúzia de linhas, não se afirmam como actores sociais, não confrontam nem intimidam os poderes instituídos, não exercem nenhuma influência para o sucesso ou o fracasso do poder   -   o seu pensamento é irrelevante e impotente.

 

Dizem o que bem quer e lhes apetece, o que lhes vem à cabeça ou o que lhes vai na alma. Porém, tudo isso se dilui no virtual.

 

Afinal, hoje, neste salão de festas (a Internet) da «Aldeia global», parece que todos vivemos num «isolamento comunitário»!

 

No presente, todos nos movimentamos no meio de incerteza    -   talvez só Heisenberg lhe tenha dado o «princípio»!

 

Caminha-se para um «viver per si», deixando de lado o «viver em função de Outro».

 

O amor e a amizade estão a deixar de ser um relacionamento duradouro e a converter-se num investimento, num mercado de parcerias descartáveis, conforme as vantagens de momento.

 

Por vezes, até parece que a «Evolução» nos mostra um estranho capítulo, em que que o homo sapiens caminha para hominídeo!

 

Bem, os “orangotangos de celulóide” e os «pavões de aviário» continuarão a fazer das suas, com a trapaça, a mentira, a traição e a sem-vergonha!

 

Mozelos, vinte e quatro de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:58
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

Tugaleado tugalês

 

 

De vez em quando, pode ler-se e ouvir-se, nos “media” (leia-se média!  -  a palavra é latina, não inglesa!) como, p. ex., num Semanário de nomeada (há já algum tempo), e que, com a devida vénia e sublinhados meus, transcrevo:

 

{“TROIKA

Governo esconde do FMI intenção de baixar IRS

TEXTO FILIPE SANTOS COSTA COM ÂNGELA SILVA

Versão final da carta de intenções não está fechada

Neste momento "ainda está a ser discutido o wording final", disse ao Expresso fonte governamental”}

 

WORDING final

Os medíocres, coitados, para disfarçarem o tamanho ridículo do seu conhecimento, usam e abusam do enfeite com penas de pavão de aviário: um «repórter desportivo» dissertava sobre a «BILHÉTICA»; outro, um «membro do governo» (qual Saramago a ralhar-nos por não sabermos pronunciar "NÒ-BÉL"!), vem «fazer-nos ver» que não se diz «redacção final», mas, sim, «WORDING final», ora essa!!!

 

Digo-vos uma coisa: mete-me muito nojo que os portugueses usem e abusem, a torto e a direito, dos estrangeirismos, muito especialmente das palavras em Inglês.

 

- Em Vila Nova de Foz Côa, um grupo de labregos, que nem leonês, nem mirandês, nem beirão, nem português sabem, para se dar ares de «gente da cultura» dá à sua Associação o nome de “Foz Côa FRIENDS”!

 

- Em Aveiro,  um grupinho de pontapé-na-bola auto intitula-se A D R C – ALWAYS YOUNG!

 

- Numa aldeiazinha da Terra Quente, no meio de pinhais, fazem-se «workshops» para os aldeãos!

 

- Os de Lisboa anunciam, p. ex., o “Festival de S. Remo”.

 

Mas o seu, com um “Vem aí o Lisbon Music Fest!...

 

- Em BOTICAS, é o «sunset do ...Lesenho»!... Até «nas» BOTICAS!....

 

Porra!

 

Não se consegue ver escritas duas linhas em Português sem que lá não esteja metida uma «inglesada» pindérica, pedantista e ridícula?!

 

Será assim tão pobre o nosso vocabulário?!

 

 

“Bem m’ou finto”!

 

 

Por este andar, logo vem aí um «Ultimatum» a pôr-nos a todos a torcer a beiça e a revirar os olhos à «Londonshire»!

 

Haja decoro …….e orgulho …. na Língua! PORTUGUESA!!!

 

E, como se não bastasse para mau trato do PORTUGUÊS, falado e escrito moxetam-no com modismos, adverbialices e disparates!

 

- Durante um Jogo de futebol, um locutor, para manter a boca sempre aberta, informa-nos: “….aparece aparentemente a perder definitivamente a paciência”.

 

- Outro esclarece os «telespectadores» que o «camisola trinta e três» “vai a jogo,, «acaba de entrar dentro das quatro linhas», “daqui a pouco”!

 

- Efectivamente, ao fazer AcÓrdos meteu a pata nas PÓças, pronto.

 

- Curi0samente, passados vinte minutos depois das vinte e uma, pronto, a equipa vestiu o fato macaco, pronto, arregaçou as mangas, pronto, com humildade respeitou o adversário, pronto, e pôs o preto no branco do Barreto.

 

- Portanto, o fenómeno, digamos que, raro e, na circunstância, não tão raro assim, coloriu a cermónia nas vertentes da serra, pronto.

 

- Um falso quarto defesa, pronto, avança pelo terreno, de trás para a frente, pronto, e quando faz bem a leitura do jogo, faz um golo de belo efeito, pronto.

 

- Na TV: -“”O clima está a alterar-se, já a seguir notícia “”    – aparece uma nuvem e “veja o clima a alterar-se, já a seguir”.

 

O efectivamente (quase ) passou de moda e, então, surge o então é assim, segue-se-lhe o então e, neste momento,  acompanha-o o de resto. Mas vem de imediato o «também».

 

Até o “Chagas das Bicicletas do Marco” não dá umas pedaladas à língua sem buzinar um «também».

 

 E todas as etapas, curvas, descidas e subidas são «agressivas», tal como a pintura numa caixa de fósforos, o feitio de uns sapatos, o aspecto de uma montra, a distribuição de panfletos de Supermercados ou de cartazes a anunciar a festa do Bairro ou da Aldeia, ou da passeata a favor …da perda de peso são, por via de regra …e de …moda, «agressivas»!

 

E no discurso político, depois do «abrangente», há que impor o «absolutamente» e o «aprofundamento», pois as «geometrias variáveis» e o «paradigma» já quase desapareceram!

 

Porque leram uns livrecos ou umas páginas em «franciú», toca a copiar e a traduzir o «justement» para «justamente»…e mai nada! Toca a metê-lo em toda a frase, dita ou escrita!

 

Tal como um jogador de futebol é catalogado de «reforço» quando muda de clube, toda a mudança, seja aumento ou desconto, tem de levar com «uma mais-valia»!

 

Então quando um jogador, pela primeira vez, «vai a jogo», com que euforia delirante o enviado ou comentador «especial» repete tratar-se de uma «estreia absoluta»! E, quando toca na bola, «pontapeia NA frente»!

 

Vertente, estruturante, fracturante, acrescidas, então, recorrente, colateral, no limite, enlencar, alavancar, alavancagem, transversal, parabenizar são perdigotos constantes a sair pelo cano de escape da fala pedante dos enjoadamente vaidosos pelos cargos que ocupam e ainda mais «inchados» quando lhes põem um microfone à frente dos … olhos!

 

E repare-se na posição em bicos de pés, na postura da boca em forma de cu de galinha, no puxar do ombro para cima e para a frente, no alevantar das sobrancelhas de grandes figuras públicas a referirem-se aos «MEIOS DE COMUNICAÇÃO» (que não de INFORMAÇÃO  - «quéto»! Que «informar» e «formar» é «outra louça»!)  -  dizem «mídia»”!!!

 

E, se mais não fosse preciso, aí está fresquinha a a moda do «claramente»!

 

- O « claramente » não podia faltar: é obrigatório!

 

É execrável modismo epidémico (qualquer farroupilha intelectual ou qualquer intelectual farroupilha aproveita o abrir a boca para exibir a ligeireza na idiota macaquice de imitação de um enfeite ridículo), que «dá classe» a quem tem pouca ou nenhuma!

 

Quando falta substância, corpo, autenticidade, valor ao blá-blá dos que pretendem insinuar-se «pensadores», visionários, entendidos e supra-sumos, se valem das adverbialices da moda, dos tiques intelectualóides e de trejeitos ridículos como certificados de qualidade do seu palavreado baboso, espúrio, que usado numa prova oral da 4ª classe lhes garantia o «REPROVADO»!

 

Para disfarçar a sua mediocridade, pindéricos e «armadores ao pingarelho» usam e abusam desses e de outros modismos descartáveis, badalando-os   como salvo-conduto para a sua presunção, ignorância e incompetência.

 

Se as «adverbialices» e os modismos enjoativos pagassem portagem, a beiça desses pedantes renderia mais que todas as AE e SCUT’s, em cem anos!

 

Então, actualmente, nos painéis de comentadores desportivos, até parece existir um campeonato para ver qual deles usa mais vezes o «claramente»!

 

Para os “aziados” (azedados), o azedador, inspirando-se em Pascoais, diz-vos:

 

-.- A vós, o “Inglês” está na moda.

 

A mim, o PORTUGUÊS está no sangue!

 

 

M., vinte e três de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:05
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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

“De uma vez por todas!”

 

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e,

de peito feito, diz que detesta a política.

Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política

 é que nasce a prostituta, a criança abandonada

 e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista, desonesto,

o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”

– Bertolt Brecht

 

 

Vêm aí as Eleições Autárquicas de 2017.

 

OS de CHAVES, que saltitam, batem palmas, seguem em procissão e louvaminham esse «pavão de Castelões» e o seu galinheiro real, com os olhos mais tapados do que uma coluna de cimento armado, teimam em não dar conta de que em vez de honras colhem, daí, vergonhas!

 

Os Flavienses, não podem deitar fora a oportunidade de defenestrar, de correr, De uma vez por todas, com a cambada de incompetentes, medíocres e malfeitores que só têm contribuído para o atraso civilizacional, para o apoucamento e para o definhar dessa Cidade, desse Município!

 

CHAVES tem, De uma vez por todas, de deixar de ser o «Bairro Raiano» de VILA REAL, o «Ilhéu das Rolas» dos milhafres da capital do Trancão.

 

Por aí, ainda há «defensores de Chaves», gente que chegue para «levantar a cidade», recuperar o brilho e o prestígio de um território com um Passado, distante e recente, glorioso, nobre!

 

Aquilo que os Flavienses têm feito até hoje é votarem e elegerem um vilão e seus vilões que estavam em luta (eleiçoeira) com outro vilão e seus vilões!

 

Se os FLAVIENSES querem ter Futuro, corram com esses falsários moinantes da política, e elejam os melhores que, por aí, ainda restam!

 

Por aí, esses «pavões» e «lalões», e os seus coreutas, se bem (bem mal!) imitados por outros «poneyzinhos-de-Tróia» incapazes, por incompetentes e medíocres, de serem apóstolos das doutrinas que professam (ou dizem professar) têm-se prestado, prestam-se, sim, para serem autênticos «algozes dos seus conterrâneos»: a política tem-lhes servido como frondosa árvore à sombra da qual conseguem «fartar os seus odiozinhos pessoais».

 

Esse «pavão-mor», embora com alguma instrução, não tem grandeza de ideias nem de reflexão para o lugar a que trepou!

 

Não conhece o Passado da «Província», nem tem a capacidade para compreender o Presente.

 

As suas “ideias” assemelham-se às daquele «Imperador Feminino Chinês» que decretou que as flores brotassem no Inverno !

 

Já ouvi a alguém dizer que esse «pavão» acredita ser um “Buda Maitreya” encarnado!

 

Aqueles que o elegeram apenas lhe têm servido de adorno.

 

Antístenes dizia não se poder fazer de um mesmo ser mais que uma única definição.

 

Antístenes não imaginava que, qual cisne negro da Nova Zelândia, vinte e cinco séculos depois, na NORMANDIA TAMEGANA, «rebentasse» um «pavão de Castelões» a quem cabem tantas e tão vis definições!

 

O meu amigo de Roterdão, ao ler as minhas “Conversas com ZEUS” e dar com os olhos nos Post(ai)s de alguns Blogues de CHAVES, numa das suas cartas mostrava o seu espanto: - «Que estranho haver tantos “De CHAVES” a prestarem-se ao papel de bobos mercenários ou de parasitas ridículos”!   

 

Às vezes, chego a crer que os Flavienses, submetidos à estagnação e atormentados com os castigos, os dislates e malfeitorias; o desleixo, a deslealdade, a má-fé; a incompetência e a mediocridade da maior parte dos seus edis, atingiram um tal grau de apatia que não se atrevem a mexer uma palha para mudar a situação, com o medo de ficarem ainda mais prejudicados e «atrasados»! 

 

Podeis crer que, nem com o espelho nem com a varinha mágica, Circe conseguiria transforma esse «pavão» e os seus «lalões» em bons flavienses. 

 

Ó de CHAVES, «lembrende-βos» que esse cafajeste e os seus correligionários são flavienses nas campanhas eleitorais!

 

Chegados aos pedestaizinhos onde vêem multiplicados os salários e as mordomias, e aumentada a untuosidade da sua ridícula quão miserável vaidade, imediatamente consideram inconveniente permanecer no credo da juventude e de toda a conveniência renegarem as juras dos comícios e faltarem às promessas da campanha!

 

Após o 25 A/74, a política tem sido um lindo refúgio de medíocres e infames, de hipócritas e incompetentes, de desleais e de traidores, onde chocam e cultivam a sua mesquinhez moral, as suas vinganças covardes, os seus caprichos doentios, as suas patológicas fantasias.

 

As campanhas, os comícios, os discursos servem mais, muito mais, para ocultar os verdadeiros interesses em jogo do que para esclarecer os eleitores.

 

A preocupação dos candidatos, para agradarem aos seus verdadeiros senhores, consiste mais em inventar argumentos que desviem a atenção pública dos verdadeiros problemas nacionais, sociais e individuais.

 

As campanhas eleitorais são, na realidade, a instalação de uma fraude, concluída e aplaudida no acto eleitoral.

 

Na verdade, o voto democrático corresponde àquilo que Chesterton disse: -“um voto torna-se de tanto valor como um bilhete de viagem de comboio numa linha impedida”.

 

A Assembleia da República, o Parlamento, a “Casa da Democracia”, enche-se de gente cujo maior mérito reside na sua habilidade para ter sido nomeado candidato graças ao seu carácter servil, submisso aos caprichos e disciplina dos seus chefezinhos, e à sua elasticidade de consciência.

 

A (esta) Democracia trouxe à luz do dia a verdadeira qualidade de gente ambiciosa e medíocre, suficientemente esperta e manhosa para se meter em lugares elegíveis em Lista eleitorais   -  foi revelado que apenas possuem um cérebro réptil!

 

E quanto mais medíocres maior a possibilidade de se sentarem em lugar mais à frente no anfiteatro do “Parlatório Nacional”!

 

Mal sabem ler e escrever. E votam de acordo com a «disciplina partidária»!

 

No presente, que valor tem o voto quando é «Bruxelas» a aprovar ou a reprovar o que as nossas Assembleias deliberam?!

 

Que certeiro esteve quem disse: - “A Democracia é o governo dos que não sabem”!

 

CHAVES está empestada com o bodum de falsos políticos.

 

 Os monumentos religiosos do Município de CHAVES são, HOJE, tão esquecidos e abandonados que nem para celebrações religiosas e, nem muito menos, para turismo servem!

 

Aos fins-de-semana, CHAVES é uma cidade tão vazia como a Igreja da Madalena quando nela não se celebra missa!

 

A esse «pavão», persistente no assentimento do lixo espalhado pela cidade e das lixeiras espalhadas pelo Município, a sordidez e a imundície parecem-lhe «luxuoso fedor aromático»!

 

Como gostaria de contrariar, De uma vez por todas, o Gustavo Le Bon ao ver que em CHAVES, nas Eleições Autárquicas de 2017, o «Talento e o Génio» desmentiram que «o exagero das multidões incide unicamente nos sentimentos e de modo algum na inteligência».

 

E como na sua eterna «luta contra a razão o sentimento nunca foi vencido», os espertos-espertalhões, que chamam à ocupação do Poder Governo, adubam bem a imaginação popular e logo as multidões aparecem principalmente constituídas por aqueles que, dentro delas, acreditam conseguir subir muito alto.

 

O adormecimento e a distracção da maioria dos flavienses, junto com a sua falta de coragem para a mudança, faz-me lembrar aquele dito latino-lusitano:

 

-“primo est bibere, deinde philosopfari”.

 

Para os que sabem, mas não se lembram, ou «estão esquecidos», direi:

 

-“Que (lhes) importa (aos flavienses) que a liberdade de pensamento se perca (ou fique arrumada numa choça), se a liberdade de beber continua garantida?!”.

 

Piores que as calamidades do «relâmpago», as cheias furiosas do Tâmega, as trovoadas vindas de Vidago, o calor infernal de um Verão (sempre) «como nunca se viu»; pior que essas calamidades, para os Flavienses são bem mais catastróficas as calamidades dos que os têm governado, quer a partir de Lisboa, quer da Praça do Duque!

 

Um dos erros mais graves no comportamento dos (nossos) políticos caseirotes (autárquicos) consiste no seu enfeudamento, no seu vínculo, não à terra natal (ou adoptiva) na qual exercem uma função administrativa, mas, sim, nesse seu enfeudamento, vínculo e engajamento cegos à comunidade partidária, e com covarde, quão estúpida, submissão ao líder ou ao directório partidários.

 

Os administradores autárquicos «abrileiros», dessa CIDADE, da NOSSA TERRA, não descansaram enquanto não puseram essse Território na miséria civilizacional e política! Julgaram-se triunfantes, pois isso! Porém, o momento, a hora da vergonha lhes chegará!

 

O grande e trágico problema dos flavienses é que têm caído na esparrela de eleger lacaios de cabecilhas políticos «de Lisboa», e de outros políticos «interesseiros, e não Flavienses homens-bons!

 

Mais do que a penúria material de grande parte dos Portugueses, assusta-me e lamento a penúria moral de quem (n)os governa   -   desde «lá de cima», da capital, até «cá em baixo», nas autarquias!

 

Os flavienses (e os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um Passado e Presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

Sabemos da importância que grupos e instituições não-governamentais têm na Sociedade e, especialmente, na Sociedade democrática.

 

E do grau da sua autonomia muito depende a realização dos seus próprios objectivos e satisfação de necessidades da Sociedade.

 

Estes grupos e instituições não-governamentais muito contribuem para a resistência a Governos prepotentes e injustos.

 

Daí, a preocupação e o esforço de governantes medíocres, tirânicos (mesmo que disfarçados) em suprimir a autonomia e a liberdade de tais grupos e instituições, tentando impor, ou mesmo imponde-lhes, um mal disfarçado controle ditatorial.

 

Infelizmente, aí por CHAVES (ai, se fosse só por CHAVES!...) muitas instituições não-governamentais passaram à condição de organizações «recomendadas»!

 

Por aí, os «faroleiros» e candidatos a candidatos dos Partidos e Movimentos da Oposição mexem-se, remexem-se e coçam a comichão pelo Arrabalde e pelas cadeiras dos Cafés, criam células de fanfarrões e de oportunistas e atiram com flores ao peito uns dos outros, contando sempre com o ovo no cu da pita, acabando sempre por ficarem a chupar no dedo!

 

A preparação das Eleições Autárquicas confundem-na com um perliminar olímpico da prova de estafermo, bajulador, «poneyzinho-de-Troya», de «saber fazer pela vida» e vencer a guerrinha entre os seus,  com o qual pensam conquistar a medalha de ouro de integrante na Lista de candidatos aprovada pelo «chefezinho»!

 

Entretanto, a oportunidade de construir a melhor planificação estratégica para derrubar a capoeira de medíocres e infecciosos «pavões» e apresentar projecto sólido, eficiente e exitoso da recuperação do prestígio da CIDADE e do Município, e do Progresso que se lhe ajuste, vai pelo Caneiro abaixo!

 

A modorra, o narcisismo e a falta de sinceridade num ideal político-administrativo para a CIDADE (polis) tem feito com que CHAVES vá de mal a pior! E a perpetuação de gentalha reles e medíocre, no Palácio do Duque, fica garantida!

 

Que notória gente essa da Oposição, que não se cansa de tristes e humilhantes derrotas eleitorais!

 

Pobrezita!

 

Fica de papo cheio e com o ego bezuntado de vaidade balofa só por   -   de eleição em eleição  -   misturar umas bazófias de pretensa sabiciche política, em autênticos pelágios reciclados de si própria, com interpretações tão indigentes quão inifensivas, de ridículos actos ou omissões do «pavão», dos «pavões», dos «lalões», e regadas com uns copecos ou umas «bejecas» nos «Sport’s” ou nos “Faustinos” trajano-chavinos!

 

Fatalmente, sem imaginação nem credibilidade!

 

Porra!

 

Numa terra onde abundam arquitectos, não aparece   -   na Oposição   -   um Plano Estratégico com que se vencer esse bando de aves de rapina e de mau agoiro, que tem destruído o Passado, o Presente e o Futuro dessa CIDADE?!

 

Terão os Flavienses de gritar “aqui d’el rei” quando se virem obrigados a imitar Luís XVI , fazendo dos Jardins da cidade; da Veiga, da Groiva e da Ribeira; das vinhas, dos soutos, das carvalheiras ; das hortas, das cortinhas; dos batatais, das searas, dos pinhais, e dos olivais pomares de laranjeiras?!

 

CHAVES, cidade e Município, está num perigoso plano inclinado de degradação.

 

O Governo Central (de ontem, de hoje, de sempre), com a vergonhosa e indecente colaboração da maior parte dos autarcas e deputados Normando – Tameganos, parece ter um ódio de morte aos que trabalham, vivem, e aos que amam essa Região.

 

A malvadez, a ruindade, a estupidez, a imbecilidade, a ignorância, a mediocridade e a covardia de alguns flavienses, de nascimento ou por adopção, anda mal disfarçada pelos verdes véus de espuma da inveja e pelos amarelo-pálidos véus da ingratidão.

 

Aí por CHAVES, não quero que a tragédia político-administrativa vivida nos últimos decénios não cumpra a profecia «karlista-marxista» de voltar a ocorrer, como uma farsa!

 

Os flavienses (muitos, tantos, demasiados) continuam a descobrir boas qualidades no «salteador de estrada», na esperança de que ele lhes poupe nas algibeiras”:

 

- O “Pita” já morreu há muito!.......

 

Cumpre lembrar o meu amigo, e de Michel Eyquem,  Éthiene de la Boétie:

 

- “É muito próprio do vulgo desconfiar de quem o estima e confiar nos que o enganam”.  

 

Meus conterrâneos, FLAVIENSES, arrumai De uma vez por todas com essas almas pequeninas, com esses manobristas politíticos, que até mesmo nisso são reles e medíocres!

 

M., dezassete de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:36
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

“Precisa de ajuda?!”

 

Antigamente havia lojas, comércios, tabernas, pensões, sapateiros, latoeiros e talhos.

 

Com um salto pelos “Cafés” e «Bares», apareceram os “Shoppings”.

 

Logo a seguir, os “Super” e os «mini» Mercados.

 

Copiando os “shoppings», os novos do «empreendedorismo» deram o nome de “CENTRO COMERCIAL” com ares de diferença arco-irisada ao corredor de lojecas   -   salas-buraco   -   no rés-do-chão de um armário de cimento armado, cheio de gavetões a que chamamos apartamentos.

 

A mania das grandezas, sublimação das fraquezas - ‘pequenezas’ -, levou à construção de “Shoppings” grandalhões e a Hiper-mercados, para diferenciação dos “Super” e «mini-mercados».

 

Entra-se numa dessas lojas  -   seja de roupa ou de calçado; seja de produtos de higiene ou tratamento de belezas; de florista ou de telemóveis; de bijuteria ou de ourivesaria; de serviços municipais ou municipalizados; de papelaria ou de sapateiro-rápido; e, logo, uma serigaita se aproxima de nós e atira, como um petardo: «precisa de ajuda»?

 

Quem diria!

 

O “Café”, o “Salão de Chá”, a “Pastelaria e Pão-Quente” não dão para se fazer uma pausa sossegada ou ter uma conversa amena: a «cultura» indígena, o «empreendedorismo» exigem que, com gente ou vazia, a «CASA» tem de ter a Televisão ligada e com o som, de vozes ou de música, bem alto.

 

Para o empresário/a do “Café”, do “Salão de Chá”, da “Pastelaria e Pão-Quente”, a pedra de toque da sua classe empresarial não está no asseio das mesas, das cadeiras ou do chão; não está na simpatia e solicitude dos «colaboradores» (cuidado, porque agora não há «empregados»; nem sopeiras; nem «empregados –de –mesa ou de balcão)!

 

E «colaboradores» até já vai havendo muito poucos: estão a ser substituídos por «assistentes de …»; «gestores de …»; «agentes técnicos da actividade de ….»!

 

Cuidado! Muito cuidadinho!

 

Agora, nos tempos que correm «os ocupantes dos postos de trabalho» estão aí para tratarem dos «clientes» com duquesa caridade (mal se entra a porta da Loja, disparam-nos a pergunta: «Precisa de ajuda»?). Ou, então, aproximam-se com ares imperiais de imperadores, ou de imperatrizes, como que a exigir o «pedido», trazerem para a mesa o café, o bolo, a cerveja ou o sumo com o aprumo de quem apresenta armas na parada, e com a vontade de saltar «à cronhada» ou aos tiros!

 

Em alguns “Cafés” e “Pastelarias e Pão-Quente”, fica-se com a impressão de que os/as «assistentes-técnicos/as da actividade de Restauração e Similares» quase se engaleiam para ver qual deles/as realiza a operação de “Caixa”, esticando a mão para receberem a «massa», criar a técnica mais lambisgoiada de combinar as moedas para o troco, e tirar o narcisista proveito de ver um, ou outro, e outro pagante à espera de que lhe seja feito o favor de ver aceite o seu pagamento!

 

Não! Que a ocupação de um «posto de trabalho» confere direitos e mais direitos, e uma superior importância, de tal ordem que os «clientes» são seres hierarquicamente inferiores!

 

A toque de caixa, e ao som do Programa favorito da «Gerência» é que os «clientes» modernos têm de andar, ora essa!

 

Saímos para ir às compras e entramos em «centros de caridade»!

 

Os “Shopppings”, os “Centro-Comerciais”; as sapatarias, as parafarmácias; as lojas dos «tèlélés» e as de brinquedos; as livrarias, as perfumarias; as «chocolaterias» e as gelatarias deixaram de ser «estabelecimentos comerciais»: passaram a «Centros de Ajuda ou de Perpétuo Socorro»!

 

É tanta a Caridade que até tresanda!

 

E mesmo nas Repartições Públicas, ou Câmaras Municipais, quando o cidadão expõe o seu assunto e revela alguma hesitação ou incompreensão na resposta que lhe estão a dar, o funcionário, ou funcionária, apressa-se aflitivamente, mas com tom solene e poderoso, a declarar:

 

- “Eu estou aqui para ajudar”!

 

Omessa porra!

 

Isto é uma pândega!

 

Sumiu-se o «O que deseja?»!

 

Agora ninguém está num posto de trabalho para «atender», para «vender», para «receber», para «pagar», para «ser útil», para SERVIR!

 

Toda a gente, no seu posto de trabalho, ali está para «AJUDAR» … a tornar mais leve o nosso porta-moedas ou a emagrecer a nossa Conta bancária!

 

Ou a dar cabo da nossa paciência!

 

 

M., vinte e quatro de Fevereiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

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Sábado, 28 de Janeiro de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

=Em nome d’…….

 

- A batata, a couve, os grelos;

 o cabrito, o cordeiro, a vitela;

a alheira, o salpicão, a linguiça;

o presunto, a pá, o pernil e a orelheira;

o polbo;

a castanha, o merogo, o melão e a melancia;

 os figos, os pimentos, a sêmea;

o calondro, os chícharros,

a raba,o cabaçote e a azeitona;

os pastéis, o folar;

 as águas minerais e a «pinga»;

 os monumentos e os vestígios históricos;

os artistas e os artesãos;

os Lázaros, “os SANTOS”, o S. Caetano;

a Srª da Livração, as da Saúde;

o Sr. do Monte, a Srª da Guia;

a Srª das Brotas!

 E a franqueza e a hospitalidade dessa gente!

                                                                   =

 

Meus amigos, sempre que por aqui e por mais além dou a «proβar» uma alheira, das ALTURAS; um salpicão, de SEGIREI; uma chouriça, de S. VICENTE; uma fatia de presunto, de CASTELÕES; uma linguiça, de LAMACHÃ; um paloio, de VALDANTA; uma costeleta de vitela, VILARINHO SECO; uma chouriça d’abóbora, do CAMBEDO; uma de sangue, de OUTEIRO SECO; uns «rijões do pingue», de PADORNELOS, umas nozes, de VIDAGO; um gole de Geropiga, da GRANGINHA … ou do “Faustino”; um copo de «branco», de SONIM ou d’ARCOSSÓ; dois de «tinto», de Stª VALHA ou de ÁGUAS FRIAS; um molho de grelos, de SOUTELO; uns espigos, das hortas de VILAR DE PERDIZES; uma fatia de pudim feito com ovos de pita pedrês, de SOUTELINHO da RAIA; um pimento, do CAMBEDO ou de LEBUÇÃO   -   a melhorar uma «sardinhada»; uma garrafa dos «Mortos», de BOTICAS; um magusto, de castanhas de CARRAZEDO de MONTENEGRO; duas lágrimas de azeite de RIO TORTO; um pedacito de um «Trigo de 4 cantos», de FAIÕES; uma fatia de «BÔLA DE LAZA»; uma colherinha de caldo de calondro ou do de chícharros, feitos num pote, numa lareira do CANDO; ou deixo meter o garfo e «proβar» um «Cozido à transmontana», de MORGADE; um “Pastel de Chaves”; ou uma fatia de FOLAR, de PITÕES das JÚNIAS, trazido à Feira do Fumeiro de MONTALEGRE,   -   quer do “João Padeiro”, no POSTIGO, CHAVES; uma folha de couve, da CASTANHEIRA; um pedacito de raba, de Stº ESTÊVÃO, ou um niquito de cabaçote, do CAMPO de CIMA, na Ceia de Natal; uma malga de merogos, colhidos no BRUNHEIRO; uma fatia de melancia, de CURALHA; uma pavia, de VILELA do TÂMEGA; uma fatia de pão centeio, acabadinho de cozer no Forno de TOURÉM ou de MEIXIDE; duas metades de batata, de TRAVANCAS; umas nozes de VIDAGO, uma cebola de PARADA d’AGUIAR; uma truta do COVAS ou do Louredo; uns «milhos» de CERVA ou um cabrito de MACIEIRA; esses meus compinchas, por cada uma destas razões, e por todas e mais algumas, dizem sempre:

 

- CHAVES, a TUA NORMANDIA TAMEGANA é mesmo uma Região «5 estrelas»; e se os teus conterrâneos ainda não deram conta que esse Território foi abençoado pela Natureza então é porque continuam «ceguetas»!

 

Realmente, os flavienses (os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um passado e presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

CHAVES, cidade e Município, daquilo que mais precisa é mostrar-se digna de consideração.

 

E não é com gente desse calibre de «pavão» e «lalões», a administrar o Concelho que o vai conseguir!

 

CHAVES precisa de Investimentos «sérios» e a sério. Tem de saber competir por eles!

 

Os méritos da «Cidade»  -  da Região  -  têm de ser exponenciados, não somados!

 

Estamos entre aqueles que definem a unidade geográfica económica da Economia Global com as REGIÕES.

 

O Estado não tem de ser, necessária e definitivamente, o árbitro de todos os problemas Regionais!

 

CHAVES       ---    e a NORMANDIA TAMEGANA  -   tem de deixar, de vez, de ser uma paróquia da diocese politicastra de VILA REAL, ou do cardinalato político-centrista de Lisboa!

 

A «ligação» a VERIN ainda está muito longe das vantagens e benefícios que pode, e deve, proporcionar a toda REGIÃO.

 

Não é só o mercado doméstico a ter em conta para esse «salto de qualidade e de quantidade» de vida e de investimentos.

 

O «aeroporto do Campo da Roda»… ou o da «Seara» não podem ser pensados como … um bom atractivo-suporte?!

 

CHAVES   -   a REGIÃO  -   não pode ser apenas um bom lugar para negócios: também o deve ser uma CIDADE   -   REGIÃO  -  para trabalhar … e para criar filhos!

 

É tempo, mais que tempo, de CHAVES dar início a um novo ciclo positivo!

 

Prosperidade atrai prosperidade (abyssus abyssum)!

 

Não basta reduzir a pobreza: há que criar Riqueza!

 

Aos homens e as mulheres que aí param ou aportam há que os manter e para essa prosperidade.

 

CHAVES precisa de um governador-administrador  -   de um Presidente de Câmara   -   que tenha a lucidez, a sabedoria, a coragem e a força para promover as suas potencialidades.

 

Os Produtos de CHAVES não podem ser rótulos: têm de ser «MARCAS»!

 

(Os “Pastéis de Chaves” só serão «Pastéis de Chaves” se AÍ em CHAVES forem feitos!

 

… E vós bem sabeis por quê!).

 

Não há que temer nem ter vergonha do orgulho nativo!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   têm mesmo de encontrar o caminho para o sucesso!

 

As «inbeijas» dos poderes centrais   -   da «Bila» ou de Lisboa  -   que se «lixem»!

 

CHAVES faz parte de TRÁS-OS-MONTES, ou da NUT e de Portugal, sim, senhor!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   não quer, nem deve, virar as costas às duas capitaizinhas!

 

Os Flavienses, os Normando-Tameganos, também são «especialistas»  -   também são especiais e sabem «especializar-se»!

 

Ó Flavienses! Ó Normando-Tameganos!

 

Ó “OS de Barroso”! Ó “OS da VEIGA” [desde Talariño a Curalha]! Ó “OS da Montanha”! Ó “OS da Ribeira”!

 

Vós sois especialistas em muitas, muitas coisas, catano!

 

Sacudi de vez esses lingrinhas que se vos dizem políticos!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   é uma REGIÃO singular e atraente!

 

Metei isso na cabeça, amigos!

 

O que vos falta para estardes motivados para o sucesso, pessoal e da NOSSA TERRA?!

 

M., vinte e quatro de Janeiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sábado, 31 de Dezembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

UMA IDEIA «BRILHANTE» NUM «CHÃO» PEJADO DE INCONGRUÊNCIAS

 

Não pensem as leitoras e os leitores que estamos sempre no «contra» ou somos movidos por qualquer ideia persecutória seja para quem for ou de qualquer outra cor que seja. Muito pelo contrário. O que nos move é o desejarmos um concelho e uma cidade à altura dos pergaminhos da sua história. Porque é nossa. Porque a escolhemos para nela vivermos. Porque verdadeiramente a amamos.

 

Foi, por isso, com verdadeiro espanto, que vimos uma série de imagens da nossa cidade, engalanada de colorido, em época natalícia, nas redes sociais.

 

Sentimos que, quer nas imagens, quer nos escritos postados, havia renascido, finalmente, o verdadeiro orgulho de ser transmontano e flaviense. Afinal de contas - que diabo! -, não é só o futebol que levanta a nossa moral e o nosso «ego».

 

Foi, positivamente, uma ideia brilhante e inovadora, nesta quadra natalícia, decorar e iluminar os nossos monumentos e edifícios públicos.

 

Por isso, também como tantos flavienses, apesar do frio à noite, em dias de inverno soalheiro, saímos do conforto do nosso sofá e, máquina em punho, ao acaso, deambulámos pela cidade à cata do que nesta época em Chaves brilhava.

 

Começámos pela Torre de Menagem.

 

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E gostámos da sua iluminação simples e minimalista.

 

Torneámos as traseiras do Museu da Região Flaviense e, de caras para a «Casa do Povo», sede do poder de todos nós, o que vimos também nos encheu a vista.

 

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Aqui ficámos apenas com um uma pequenina areia no sapato e um pouco pensativos, olhando para a estátua fronteiriça ao edifício, sede do Poder Municipal. Parece-nos que o «nosso» conde aparentava certa tristeza. Porventura gostaria de partilhar tanto brilho, não ficando tanto na sombra...

 

Mais em baixo, o conjunto das duas igreja, quer a da Matriz,

 

03.- NOC9273.jpg

 

quer a da Santa Casa da Misericórdia, em ano de Comemoração dos 500 anos de existência da sua instituição, ajudam a criar um excelente conjunto, numa das praças mais emblemáticas da nossa cidade.

 

04.- NOC9276.jpg

 

Mas, caras leitoras e leitores, se da iluminação deste conjunto da Praça de Camões (vulgo, do Município) gostamos da novidade com que este ano nos presentearam, em boa verdade, não podemos calar o choque que sentimos com a total incongruência no tratamento final de todo este espaço.

 

Expliquemo-nos.

 

Uma iluminação natalícia é, por natureza, feita para encanto e contemplação dos espaços públicos, monumentos e edifícios de uma cidade. Contemplação e encanto que atraem, não só os seus residentes como quem nos visita e aqui vem fazer estadia ou fazer compras. Se, repete-se, por natureza assim é, como é que se explica aquela monstruosa estrutura «gelada» ali postada, ocupando praticamente toda a Praça? Que prazer e contemplação aqui se pode usufruir do conjunto com aquele mastodonte ali colocado? Não estaria melhor situado em cima da estrutura do Balneário Romano, no Largo do Arrabalde? Ao menos, ali, as crianças, e os seus paizinhos, podiam-se divertir também, usufruindo de animados banhos turcos, nesta época fria, com os vapores das águas termais, a custo zero...

 

Ao dobrar a Praça de Camões, lágrimas de tristeza, vindas da Torre de Menagem do antigo Castelo, caem sobre as antigas dependências do Paço dos Duques de Bragança - o atual Museu da Região Flaviense - chorando por ninguém se lembrar dele. É pena, pois bem o merecia!...

 

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Quanto ao resto, ficou tudo às escuras. A Capela da Santa Cabeça, parece, já deixou de ter cabeça para pensar que existe e o típico casario, que emoldura a Praça, a julgar pela «iniciativa», pensamos encontrar-se já despovoado, porquanto não entrou nesta «partilha», nesta «festa».

 

Entrámos na Praça da República. E vimos tudo quase às escuras, negro. Também não admira. Preside-a o Pelourinho que a «engalana» e, entre outras coisas, o mesmo simboliza a morte. E o Dia de Fiéis Defuntos já faz tempo que passou.

 

Descemos a rua da Trindade. De fronte aparece-nos, graciosamente iluminada, a Biblioteca Municipal.

 

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À sua frente, o espaço do histórico e emblemático Jardim das Freiras - um dos maiores centros de convívio dos flavienses -, por artes mágicas, nesta época do ano, desapareceu.

 

Não admira, pois, que o antigo Liceu Fernão de Magalhães, os edifícios dos Correios e a agência da Caixa Geral de Depósitos, bem como o comércio confinante, não quisesse partilhar nas «despesas» desta encenação inútil, sem sentido e sem o mínimo de encanto.

 

Descemos, tristes, sob a simples e intensa, mas equilibrada iluminação da rua de Santo António até ao Largo do Arrabalde.

 

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É aqui que reside também um verdadeiro coração de Chaves. Não podia, assim, faltar iluminação natalícia.

 

Antes, impunha-se, neste conjunto, o edifício do Palácio da Justiça - obra do Estado Novo, dirigido por mentalidades velhas, ditatoriais, governando-nos com punhos de ferro, pondo a vida de muitos portugueses a ferro e fogo. Mas lá se ia impondo... Hoje o representante da Justiça apresenta-se envergonhado, mal se mostra já, ofuscado pelo poder imperial da Praça de Camões que, a todo o custo, e a qualquer preço, nos querem impor o «poder romano». Não fora a iluminação natalícia, à noite, pouco se impõe o símbolo da Justiça em Chaves.

 

Mas, da estilização da Árvore de Natal, gostamos.

 

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Bem podia estar noutro sítio, que nós bem cá sabemos! Mas, não querendo sermos bota-abaixo, nem tão pouco má-língua, vá lá, ali até nem fica mal.

 

Do Presépio, aqui colocado, independentemente do gosto de cada um, uma coisa foi acertada: não consta a vaquinha e o burrinho, que todos nós sabemos que até são incómodos quanto a cheiros. E esteve bem avisado quem assim decidiu tirar estas imagens míticas deste Presépio. É que o Bom Menino Jesus aqui não precisa destes úteis animais, nem tão pouco das palhinhas, para nada: os simples vapores das águas das termas romanas, que Lhe estão por debaixo, são por si suficientes para O manterem sempre quentinho!...

 

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Não percebemos é por que não entraram nesta «festa», e neste conjunto, o célebre edifício das «Escadas do Largo dos Pasmados», antiga e outrora prestigiada instituição bancária da nossa praça e os edifícios que lhe estão confinantes, ou nas proximidades, como a antiga Casa de Saúde do Dr. Alcino, bem assim o Café Geraldes. Falta de lembrança ou de sensibilidade dos seus atuais proprietários? Talvez seja a crise. Que não toca a todos da mesma maneira!...

 

Entrámos na Ponte Romana, o nosso ex-libris ou, como alguns escrevinhadores do nosso sítio gostam de lhe chamar - «a nossa top model».

 

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Não apresenta uma iluminação de autêntica «passerelle». Mas a que tem fica-lhe bem. Pena que as suas zonas adjacentes não participem com brio para lhe dar mais brilho! Quanto a este assunto já repisámos o suficiente noutra ocasião e, em dias de festa, não devemos ser mais chatos. Festa é festa!

 

Atravessamos a Ponte e entrámos na Madalena.

 

A única rua da Madalena que entra verdadeira e dignamente nesta «festa» tem uma cor que me agrada. Para um antigo residente desta zona, a cor não lhe fica mal, pese embora saber que nem todos estão de acordo connosco. Compreendemos e aceitamos, pois é a vida...

 

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Sabemos que a Igreja Matriz da Madalena, embora uma excelente obra de arte, está muito confinada, com uma posição muito acanhada, que lhe tira toda a visão do seu esplendor. Torna-se difícil dar-lhe mais visibilidade e brilho. Paciência. Em boa hora se lembraram dela e muito bem.

 

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Cremos que a nossa conversa já vai longa.

 

Nosso desejo, para o ano que vem, é que haja mais novas e inovadoras ideias para abrilhantar esta tão linda e histórica cidade. Com novas mentalidades. Que saibam dar valor ao «chão» que pisamos. Sabendo bem planear e cuidar do espaço público, que é de todos nós. Com verdadeiro espírito democrático. E no uso de uma gestão verdadeiramente culta e participada.

 

São estes os nossos Votos, nesta Quadra, para todos os flavienses.

 

Feliz Ano 2017

 

António Tâmara Júnior

 

 

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Domingo, 18 de Dezembro de 2016

Ocasionais - "Tenho de Ir"

ocasionais

 

“TENHO DE IR!”

 

 

Ó vós, videntes, bruxos, curandeiros, astrólogos, feiticeiros, xamãs e mães-de santo!

 

Ó vós, Senhora de toda a Saúde e de todos os Remédios, das Ajudas e da Livração, do Engaranho, do Ó e do Viso!

 

Ó vós, Senhora das Brotas!

 

Ó vós, psicólogos e psiquiatras; neurologistas; existencialistas e vitalistas; cínicos, epicuros; materialistas e racionalistas; aventureiros, «saídos da casca» ou pingentes, «coninhas» e «mosca-morta»; vendedores de «banha-de-cobra» e peritos no «conto do vigário»; soberbos intérpretes, de esplanada «à la Sport» ou de “Pão-Quente”; de técnico-tácticas e arbitragens nas «quatro linhas» dos «tapetes verdes», «que-lara-mente» compostos por uma «moldura humana»!

 

Ó vós, sábios cheios de certezas absolutas, que certificais a mentira como verdade!

 

Ó vós, continentes de tanta informação «de cabeleireiro»!

 

Ó VÓS!

 

Dizei-me, explicai-me por que, nascido em CHAVES, na NORMANDIA TAMEGANA, em TRÁS-OS-MONTES experimento, no corpo e na alma, (cínicos, nos sentidos e na mente) as saudades dos consolos da era sem luz eléctrica, sem estradas ou caminhos pavimentados; sem caldos «Knorr», nem «hamburgers», nem «pizzas», nem «portagens», nem parcómetros!

 

 Mas da da luz da candeia, da lareira, do luar e do fachuco de palha; do caldo de chícharros, da bica de manteiga, das segadas e das malhadas; da matança do reco; da «chega de bois», do «jogo do pau» e do «jogo da choca»; da pesca no rigueiro de Sangunhedo ou no fio d’água do Rabagão, antes da Barragem da Venda Nova, no Noro, no Tâmega, no Covas; dos bailaricos em «Feces» e das «rubicanadas» travessias «à Júlio César», do Tamenguelos; das cartas, dos telegramas … e da “Caixa Postal”!

 

Do «Domingo dos compadres», do «Domingo das Comadres» e do “Domingo de Ramos»!

 

Das Verbenas e dos Bailes nos Bombeiros!

 

Dos “Lázaros”, de Verin!

 

Do Toque das Trindades!

 

Dos apitos do comboio, desde a Ribeira da GRANGINHA até à Estação, ou desde a Estação até à Ribeira da Granginha!

 

Dos «pontapés-na-bola» no “ROLO”, no Toural, no adrozito da Misericórdia ou no «relvado» do Castelo, lá, em MONTALEGRE; no «maracanã» da Srª da Livração, nas BOTICAS; no «Wembley» da LAPA, na «cidade»; ou num lameiro de Soutelo ou numa eira da Granginha!

 

Das caminhadas sobre a neve, desde a “Ponte da Pulga” até à CASTANHEIRA, só para poder comer um caldo ao pé da minha «apaixonada»!

 

Das maroteiras em fazer desaparecer os pentes, lá no cimo ou no fundo das escadas do Mercado, ao Geninho, ou uma maçã (das mais pequeninas) a uma «Regateira», partir dois ou três ovos e deles caírem clara, gema e… «uma coroa» ou «dez tostões» … e, depois, pagar meia dúzia, pela «brincadeira», não sem antes, primeiro, «sumir» as moedas!

 

Dos bancos e dos canteiros floridos, das «FREIRAS!

 

Das «conspirações», académicas ou românticas, no “IBÉRIA”!

 

Ó VÓS!

 

Dizei-me por que ao chegar a Vila Nova, mal batia com os olhos nos montes da «Fenda de Eva», na «Aberta da Ti’Aurora», na Quinta da Maria Rita, no Alto da Forca, ficava banhado em lágrimas e voltava para sul!

 

Ou, quando os amigos Blogueadores me convidaram para um JANTAR-Convívio, num Janeiro mais que frio, lá, no “Aprígio”, e só fui capaz de lhes deixar lá uma lembrança; e, ido pela ABOBELEIRA e VALDANTA, chegado ao CANDO, as lágrimas fizeram-me deslizar para a saída da cidade e rumar a sul, novamente!

 

E por que, mal faço a curva do “Matadouro”, logo me cresce a água na boca e sou obrigado a ir direitinho à procura, faça chuva ou faça sol, de uma quentinho “Pastel de Chaves”!

 

Ah! Tenho mesmo de ir aí para me indemnizar dos ruídos, das abstinências e das saudades a que por aqui estou condenado!

 

M., Um de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Ocasionais - Abandono

1600-arcos (179)

ocasionais

 

Abandono

 

O autor do Post(al), de Domingo, 4 de Dezembro de 2016, *O Barroso aqui tão perto – Fírvidas*, escreve: “….maleitas que afetam as aldeias do interior, principalmente o  transmontano. Refiro-me, claro, ao despovoamento e envelhecimento da população. Cada vez mais estas aldeias fazem parte de um mundo que se acaba no qual apenas os últimos resistentes resistem”.

 

No Post(al) de três de Maio de 2015, *As nossas aldeias* (Stª Ovaia),  o autor escrevia  - Dá pena, chega mesmo a doer ver as nossas aldeias a morrer lentamente, tal como vão morrendo os seus resistentes, os mais idosos que não abandonam o seu torrão, até ao último para se poder fechar definitivamente as suas portas de entrada para receberem o letreiro de FECHADA   -    e, outrossim, no de  sete de Maio de 2016, *Santiago do Monte e companhia*: “As aldeias vivem agora rodeadas da palavra abandono”.

 

1600-sta-ovaia (109)

 

As aldeias vivem agora rodeadas da palavra Abandono”!

 

A tristeza e a mágoa com que alguns de nós lêem, dizem e gritam estas palavras até nos faz crer que a vida mudou de sentido e passou a ter outro significado.

 

As ALDEIAS foram as geradoras das vilas e das cidades.

 

Os vilãos abandonaram-nas.

 

Os cidadãos-citadinos esqueceram-nas.

 

Não há burguês que se preze que não fique derretido de importância, ridícula e balofa, na verdade, por viver numa «vila» ou «cidade».

 

Na mais importante praça da República, os deputados andaram à porra e à massa para ver qual aquele que conseguia a mais rápida promoção de uma terreola com significativo peso eleitoral a «vila» ou a «cidade».

 

E as ALDEIAS passaram a ser refúgios envergonhados.

 

Os aldeãos cultivavam a terra e o espírito.

 

Falavam e conviviam com a Natureza.

 

1600-montalegre (1254)

 

A Vila e a Cidade eram lugares onde se ia pagar a «décima»; fazer queixa à Guarda ou ser julgado no Tribunal; onde se ia ao Civil «iniciar o processo de casamento», o qual só depois de «lidos os banhos» é que a Igreja tornava «válido»; ao «sr. doutor» e à Famácia»; encomendar o adubo e o «sulfate»; tirar a «licença de isqueiro» ou a do carro de bois; aos Correios «meter uma carta» ou mandar um telegrama, ou à Feira d’Ano!

 

Nas ALDEIAS praticava-se o culto da Amizade.

 

Na Adega ou à Lareira diziam-se os salmos a Deméter e tombava-se o cálice de Dionisos.

 

1600-frades (53)

 

A palavra era de honra.

 

Ser compadre ou comadre, uma distinção.

 

O amor tinha a bênção do arco-íris e do luar.

 

Na ida ou na vinda da missa; na hora das Avé-Marias ou no Toque das Trindades; nas segadas ou nas vindimas; na hora do nascimento e na hora da morte, os ALDEÃOS comungavam da mesma alegria ou da mesma dor.

 

Nas Vilas e nas Cidades ajuntam-se mais pessoas para ver uma casa a arder do que para admirar uma casa a construir!

 

E, das ALDEIAS, delas se faz a “eleição dos montes” para passar neles os anos que (a tantos de vós, de nós e de mim) ficam da vida, qual magnífico “acerto de quem colhe esse fruto maduro entre desenganos.

 

M., sete de Dezembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sábado, 3 de Dezembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

 

Falsídia

 

 

Chegou, às portas da aldeia, cheio de sede.

Vinda da missa, uma beata cruzou-se com ele.

Olhou-o com pena.

Perguntou-lhe se precisava de alguma coisa.

- Água! – respondeu o viajor.

Ela mandou-o entrar em casa.

Pegou numa caneca meada de água e pô-la na mesa, dizendo:

- Aqui tem água. A caneca já está meio vazia. Veja lá a que bebe!

Morto de sede, o viageiro queria era matar a sede.

Levou a caneca à boca.

Molhou os lábios.

Agradeceu.

E saiu.

A caridade cristã falseia o amor.

 

M., Quatro de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

“Natalices”

 

Por aqui, neste Novembro já a meio, menos fresco que o costume, vendedores, feirantes e comerciantes, videirinhos e tratantes, simplórios, gabarolas e «ingénuos úteis», passado o «S. Martinho», e com uma castanha ainda a rilharem numa boca vazia de palavras sérias e decentes, apressam-se desalmadamente a anunciar o «Natal».

 

O Novembro ainda tem pra durar, e já flamejam luzes e luzinhas em janelas e vidraças, desde o rés-do-chão até ao último andar das gaiolas urbanas, pintaroladas com nevadas figuras e figurinhas a representar os motivos de vaidade dos habitantes-figurões destes casulos; nas varandas estão pendurados uns farrapos avermelhados nos quais se percebe um cabeçudo sisudo, com barbas à «pai-do-céu» antigo; e as caixas-do-correio estão entupidas com folhetos dos «Hiper», dos «Super», dos «Mini» Mercados; das Lojas de pneus e de electrodomésticos; dos agentes de Seguros e dos «Institutos» ópticos e de beleza garantindo que «este ano, o Natal chegou mais cedo».

 

E todos falam, e prometem, «preços baixos», produtos milagrosos, serviços «personalizados», prazeres exuberantes, gostos sublimes, consolações «derretidas», alegrias transbordantes, saúde «até dar c’um pau», felicidades supremas!

 

Nas Rotundas, nos Cruzamentos, e nas pontas das pontes, bandos de «voluntários» esforçam-se heroicamente para que os condutores de automóveis, de carrinhas, de camionetas e de camiões, e transeuntes, a pé ou a cavalo, aceitem os seus «certificados de generosidade de bondade, de solidariedade» com a correspondente … côngrua, oblata, dízimo, contribuição, retribuição, oferta retirada da carteira do assarapantado «cruzado»!

 

Nas Ruas, bandos de «legionários» tocam às campainhas de todos os cubículos, de todos os apartamentos, de todas as moradias e de todas as vivendas, e entram pelos “Cafés”, Pastelarias e “Pão-Quente”; Lavandarias, Talhos e Lojas de «pronto-a-vestir»; Drogarias, Papelarias e Mercearias; Sapateiros - Rápidos e Cabeleireiros-de-homens a lembrar a importância dos Bombeiros Voluntários, nos incêndios; a lembrar a importância da PSP e, ou, da GNR e da Brigada de Trânsito, na passagem de multas; a do Rancho Folclórico, a da Tuna, a do Clube de Futebol, a dos Tocadores de Bombo, para a nomeada da Freguesia!

 

Só não tocam nem entram (Credo! Cruzes! Canhoto!) nas «Dependências Bancárias»!

 

Nas Rotundas, nos Cruzamentos, nas pontas das pontes; nas Ruas; nas Caixas-do-correio e nas Caixas-de-mensagens dos telemóveis; e, a toda a hora, a fazerem tocar o telefone fixo pelotões, companhias, batalhões regimentos, exércitos; frotas, comboios, e esquadrões, esquadrilhas e quadrilhas de figurões, impostores, aldrabões, trampolineiros emboscam, cercam, atacam, intimidam, intimam os cidadãos de boa-fé, bondosos, piedosos, solidários a conceder às instituições, que essa cambada tão interesseiramente serve ou diz servir, um imensamente mais ruidoso que glorioso pretexto para aliviarem a sua consciência com tão publicitadas, quão insignificantes e inautênticas, obras beneficentes!

 

O descaramento é tanto que, todos os anos, os publicitários usam sempre a mesma paragangona-chavão: - «Este ano o Natal chegou mais cedo»!

 

E, em nome das boas acções, de benevolências e, ou, favores feitos ou a fazer; em nome das «criancinhas», dos «doentes», dos «velhinhos»,  -   que durante o ano foram esquecidos, ou explorados, ou maltratados, ou abandonados à sua sorte   -    o Natal aparece como o milagre dos milagres, a dar saúde, consolo, fartura, prazer, bem-estar, alegria aos tristes, aos desgraçados, aos oprimidos, aos injustiçados, aos excluídos! Aos infelizes!

 

E isso, graças aos «Preços Baixos», aos Saldos, às Promoções dos Comerciantes; e, mais ainda, graças à dádiva imensa de inúmeros «voluntários» e «legionários» que, de manhã à noite, (e até pela noite dentro!) abordam, de todas as maneiras e feitios, todos quantos, no seu entender, nunca, durante o ano, se lembraram do «Próximo» e não o amaram «como a si mesmos»!

 

Kant espantava-se que no mundo houvesse tanta bondade e tão pouca justiça!...

 

Natal!

 

Estação do ano em que a hipocrisia, a burla, a vigarice, a mentira, a chantagem saem à rua, com vistosas (e ronhosas, também!) roupagens; coloridos (e aberrantes) discursos de bondade e de «bondadeza»; e artísticos (e insultuosos) arremedos de visitas de arcanjos celestiais!

 

Natalices!

 

M., vinte e três de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

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Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

Ocasionais - Conversas com Zeus

 

ocasionais

 

 

 

“Conversas com Zeus”

-XXIII-

-Hermenências-

 

"Um dos segredos mais profundos

que existem,

é que tudo o que realmente

 vale a pena

é o que fazemos

pelos outros".

(Lewis Carroll)

 

 

Zeus tem andado, distraído ou entretido com o carnaval brasileiro fora d’horas, o cultivo de bananas no deserto de Gobi, o novo corte de cabelo de Kim Jong-un, o aparecimento de pinguins na ilha Spitsbergen e no Alasca, e de ursos polares no Território do “País da Edite Ronne, na Antártica”.

 

Tanto assim que faz já muito tempo que não me liga.

 

Encontrei o Marconi, no Café, na hora do meu «pingo da manhã», e falei-lhe do silêncio de Zeus.

 

Rapou do bolso de uma antena do tamanho de uma esferográfica e deu-ma.

 

- Toma! – disse.  Na hora do «pingo da tarde» clicas neste pontinho. O campo magnético da glândula pineal de Zeus será perturbado, e o teu amigo, sacudido por essas vibrações magnéticas logo vai exclamar para Pan:

 

- “Estou com uma comichão e um ardejar aqui na orelha. Não me digas que é aquele «cara de carai» que ficou de me mandar um «salpicão da língua e uma chouriça de cabaça» que está preocupado, mas mesmo muito preocupado comigo”!

 

- Ó Marconi, «atão» tu «agôra» já sabes d’antemão o que Zeus pensa e diz no que respeita comigo?

 

- Aos bocados e aos pedaços, vou apanhando as vossas técnico-tácticas de comunicação.

Ora experimenta lá, e depois diz-me se não vai acontecer como te digo.

 

- Hoje, sexta-feira 13, inda por cima, de Maio, não me digas que queres fazer um milagre ou um bruxedo, Marconi   -  exclamei!

 

Não perdi tempo

 

Liguei para Vilar de Perdizes. Tive a sorte de apanhar juntos o Padre Fontes e o Bruxo Queiman.

 

 - António, chegou a hora de te incomodar: precisava que tu mais essa multidão de bruxos e bruxas, aí reunidos (qual é o Substantivo colectivo para «muitas bruxas e muitos bruxos juntos?!- Bem, como nem Lindley Cintra nem o Bessa Monteiro, nem Fernando Campos mo ensinaram, vou propor «Fontesão»… não, para evitar pecados, «Fontesia»   -    multidão de Bruxas e Bruxos inventada e realizada pelo Padre Fontes, num dos famosos «Lameiros de Barroso»!) concentrásseis , logo à tarde, na «hora do pingo» (explica-lhes que é assim como «à moda do chá das 5») todas as vossa energias, as direcionásseis para a croa do deus Larouco, durante apenas aquele segundo que dê para se contar: um, dois, três!

 

E podes dizer a esse teu amigo tão chegado, o deus Larouco, que só por esse momento mágico, eu aí irei, no Mês das Segadas, sacrificar três cordeiros no altar (Penedo) de Caparinho e assadinhos «à maneira» no FORNO de MEIXIDE.

 

Como isto é uma das minhas «maroscas» ao meu amigo Zeus, espero que, desde já, de dês a tua católica absolvição e a tua «larouquense» bênção.

 

 

É escusado dizer aqui que «foi feita a minha vontade»!

 

Vai então, na hora do «pingo da tarde» peguei na bússola e coordenei-me com o FORNO de MEIXIDE e o Penedo de Caparinho.

 

Pimba!

 

Cliquei no tal pontinho, elevei o meu pensamento a Zeus, e… catrapumba!

 

Não demorou um piscar d’olhos para o meu telemóvel começar a retinir.

 

Fiz-me caro. Deixei tocar e tocar.

 

Lá para a quinta ou sétima vez, atendi:

 

Era HERMES.

 

- “Inselência”, daqui é da parte de Zeus. Sou o Hermes!

 

- Que dianho! Andas aqui por perto?

 

- Não. Estou por aqui na sala piramidal de Zeus, a pôr em ordem alguns (alguns?! Uma montanha!) papéis para ele despachar, logo que regresse de uma saída que nem eu sei bem com destino.

 

Acaba de me contactar para eu lhe ligar imediatamente a saber se foi coisa sua as estranhas tonturas que acabou de ter.

 

- Porra! Catano, Hermes!

 

O «DEPOR» sobe à «PRIMEIRA», “OS de CHAVES” fizeram uma festa do car…..v….alho, e Zeus nem um copo veio botar com eles!

 

E, repara lá tu, que não contentes por subirem «de escalão», “Os de CHAVES” ainda serviram de palco e de plateia para uma segunda festa “Fogaceira” deste ano: o “FEIRENSE” foi ao Campo da Srª das Brotas conquistar, com um empate, o direito de jogar «entre os grandes»!

 

Pois Zeus vai «lerpar» daquelas batatas lourinhas que acompanham o cordeiro depois do pousar das seitouras, numa daquelas segadas tradicionais que se vão fazer ali pela NORMANDIA TAMEGANA. O cheirinho vai-lhe chegar, mais tentador do que Métis ou Témis, Leda ou Dánae.

 

-“Inselência”, antes de partir, Zeus teve uma reunião aqui connosco. Mostrou-se preocupado consigo.

 

Há já que tempos que nada sabe de si, lamentou-se-me ele há dias.

 

Olhe, já se lhe acabaram os «pimentos do Cambedo», o «branco» da Granginha; o «tinto» d’Águas Frias, a Geropiga de Outeiro Seco, as «nozes de Vidago», os «figos de Valpaços»…

 

-Alto lá, ó Hermes.

 

Pede o guloso para o desejoso, é?!

 

Bem, ougadinho, ougadinnho destes ando eu, realmente!

 

- Zeus deixou um apontamento que, segundo me disse, iria ultimar, logo que regressasse.

 

Como demora, adianto-lhe o «discurso», se assim entender.

 

E dizia Zeus:

 

- Grande Mestre tem a «tua» cidade.

 

Tu és um simples praticante de pesca recreativa, e sabes bem quão difícil é apanhar um peixe, mesmo com um bom isco no anzol.

 

O Grande Mestre tem a tarefa mais facilitada. Ao “Zé Povinho” passa-lhe pela boca ou pelos olhos um engodo rafeiro e já o tem no papo.

 

Umas cocegazitas feitas com uns joguitos, uns espectáculos, umas bugigangas e festas medievais são mais que suficientes para tornar servis os pategos que o olham.

 

Não dá conta, o Zé Pagode, que pagará com língua de palmo o quartilho de tinto e a malga de tripas com que deu prazer à boca e à barriga!

 

A humanidade, essa humanidade do Grande Mestre, não passa, afinal, de crueldade.

 

Tal como Nero, a sua «peçonhenta doçura» só serve apenas para adoçar a servidão, a amargura dos Flavienses.

 

Os teus conterrâneos, consciente, uns, inconscientemente, a maioria, continuam imprudente e teimosamente a ser negligentes quanto à postura de mentira, falsidade e charlatanice desse grupo de medíocres e oportunistas, videirinhos e xico’spertos que ambiciona, contra a corrente da Verdade, da Justiça, do Progresso, fazer a Conta-Corrente do Município.

 

Os Flavienses, uns e outros, todos, têm de se lembrar que a Verdade também é útil, também ela, a Verdade, corresponde a realidades objectivas.

 

Medíocres quanto baste, cretinos até mais não, refinados impostores e consumados charlatães, «pavão», «pavões», «lalões» e «poneyzinhos-de-Tróia», aí de CHAVES, desempenham a primor o papel de profissionais de bondade, trazendo assim os Flavienses bem engrampados!

 

-Hermes,   -  interrompi   -   sabemos que foste tu o «grande» descobridor da linguagem e da escrita, graças às quais nós, cavaleiros do céu e do inferno, podemos tornar inteligíveis, compreender e comunicar o significado das coisas.

 

Por isso mesmo, Zeus te incumbe como seu privilegiado mensageiro, e eu te trato com aquela consideração transmontana que tanto te agrada (e consola, di-lo!).

 

Eu, de ti, também, nota bem, também, espero ajuda para que a minha escrita, as minhas palavras escritas, tenha a maior aproximação à expressividade da palavra, das minhas palavras, falada!

 

- “Inselência”,  Zeus tem aquele modo de ser especial de reparar e de se preocupar com as grandes GRANDEZAS e com as pequenaspequenezas”!

 

Bem lhe zucrino os ouvidos para não se ralar tanto com as «pavonices» e as «lalices» que alagam mais «CHAVES” que as cheias do Tâmega.

 

Ainda há días lhe lembrei aquele «franciú», G. Le Bon, que considerava os filósofos uns «ingénuos» e que «as multidões nunca tiveram sede de verdade. Diante de evidências que lhes desagradam, viram as costas e preferem divinizar o erro, se ele as seduzir. Quem as souber iludir, facilmente será seu senhor; quem as tentar desiludir, será sempre a sua vítima».

 

Por isso, “Inselência”, deite pra trás das costas ao sua afeição pela «herdade romana» de Trajano, e deixe os “Aquiflavienses” e os “Tameganos” a serem mentes superficiais que não conseguem ver para além do que alcançam de momento.

 

Chegará o tempo em que aprenderão, mas já sem proveito, a lição de “Aristócles”, também conhecido como Platão: «O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior".

 

- Hermes, sei da tua estima por mim e da pronta disponibilidade para atenderes as minhas solicitações, pressas ou caprichos.

 

Espero que dês boa nota desta nossa conversa a Zeus. Lembra-lhe para ele ir semeando umas grainhas de inspiração no deserto neuronal dos flavienses, a ver se para o ano, têm a coragem e o acerto de arrasar a capoeira do «pavão de Castelões» e fazerem com que essa raça seja declarada extinta.

 

Como sabes, não sou de promessas. Mas podes anotar na tua agenda que dos primeiros figos «do cedo», de VALPASSOS, irás receber uma abada deles! E porque te portas bem, junto irá um pão centeio, fresquinho, ainda quentinho, cozido no Forno de Castelões.

 

-“Inselência”, contente com o que acabo de ouvir, deixe-me despedir-me com D. Miguel …Unamuno:

 

- “Todo o homem que combate por um ideal qualquer, ainda que pareça do passado, impele o mundo para o Futuro e sei ainda que os únicos reaccionários são aqueles que se encontram bem no Presente

 

Mozelos, Treze de Maio de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sexta-feira, 10 de Junho de 2016

Ocasionais - "Lumbudínios"

ocasionais

 

Lumbudínios

 

 

Estes fotógrafos da “LUMBUDUS” são mesmo levados do dianho!

 

Catancho!

 

Venha o diabo e escolha!...

 

Encantam com as cores, seduzem com as flores!

E eu que fique a ver estrelinhas mirabolantes, como aquelas do fogo-de-artifício, na Srª da Saúde ou no S. Caetano, ou da Srª da Livração (antigamente!) ou do Sr. do Monte (noutros tempos!)

 

Estes fantásticos fantasistas “lumbudínios” vêem, e apanham, pétalas, caules, raminhos, sombrinhas, segredinhos e, depois, eu que fique pràqui a ver historinhas d’amor,  paixonetas, súplicas de miminhos, promessas de consolinhos, e mistérios e misteriozinhos a desafiarem a minha imaginação , a intrigarem a minha lógica difusa e a torná-la mais confusa.

 

Qualquer dia, quando menos esperardes, ponho no meio dos vossos painéis de fotografias uma das minhas «historinhas» e, depois, quero ver como ficais quando fordes fazer trabalhinhos como este: apanhar flores com esse olhar de cristal!

 

Para nós, ocidentais, tudo (quase) o que brilha é ouro.

Para alguns povos orientais, o que resplandece horroriza-os.

 

Por cá, nós preferimos o brilho.

Por lá, eles, os reflexos.

 

Para nós, a luz é o maior aliado da beleza.

Para outros, a beleza «perde a sua existência se suprimem os efeitos da sombra».

 

Os “lumbudínios” são brilhantes fotógrafos.

 

Não sei nem consigo imitar-vos, embora vos siga e acompanhe.

Fico-me pelos enigmas das sombras, dos pensamentos que escondeis de mim, das mensagens codificadas que deixais em cada imagem.

 

Encantam-me a vossas fotografias: mais pelo que me sugerem do que pelo que (me) evidenciam.

Das suas sombras cato sensações, emoções, sentimentos e imaginação sem conta.

Quando a sombra é recolhimento…

Na sombra, nessa sombra, expressa-se a reserva de quem recebe, a elegância de quem se dá, o deleite de quem desfruta, o retiro de quem se assombra e medita.

Da outra sombra, da sombra-placenta dos medíocres, dessa nem me quero lembrar!

Olho para a sombra para, a partir dela, ver e apreciar a luminosidade da vida, seja ela reflectida na, ou pela, alegria ou tristeza, artes ou letras, filosofias ou ciências, distâncias ou proximidades, cânticos ou murmúrios   -   “pungir delicioso” ou “espinho acerbo” que os “seios da minh’alma” dilaceram, e a alma de “inconsolável amante” me transportam à de “amada ausente”!

 

Na Fotografia apanho sempre um bocadinho mais de vida que na Pintura.

No Real da Fotografia também encontro o Simbólico e o Imaginário.

Defeito meu.

 

M., vinte e oito de Maio de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Terça-feira, 7 de Junho de 2016

Ocasionais - Duas ou três colheres de "Chá de Urze com flores de Torga"

ocasionais

 

₮ Duas ou três colheres de “Chá de Urze com flores de Torga” ₮

 

LETREIRO

 

Porque não sei mentir,

Não vos engano:

Nasci subversivo.

A começar por mim

(Meu principal motivo

De insatisfação),

Diante de qualquer adoração,

Ajuízo.

Não me sei conformar.

E saio, antes de entrar,

De cada paraíso.

 

(Miguel Torga)

 

 

 

TORGA foi um português, um Transmontano estranho, esquisito.

Como tantos outros.

Apenas mais famoso.

Deixou uma obra literária enorme.

Para muitos dos seus pares da escrita foi enorme.

Para alguns seus pares da poesia, uma incómoda insignificância.

Tenho lido algumas (bastantes) considerações acerca de TORGA.

Se o seu feitio desagrada, a sua escrita encanta.

 

Perante este aparente paradoxo, tenho contido o meu entusiasmo de deixar duas ou três palavras na Caixa de Comentários do meu BLOGUE Favorito: “CHAVES – olhares sobre a cidade”, da autoria de um Flaviense distinto, Fernando Ribeiro.

 

O fim de “Chá de Urze com flores de Torga”, tomado sempre com tanto paladar, leva-me ao atrevimento, respeitoso e humilde, de deixar aqui, num cantinho de uma casa que me tem acolhido, uns alinhavos paradoxais (que pretendo levemente redundantes e suavemente contraditórios) acerca de MIGUEL TORGA.

 

ǂ

 

MIGUEL TORGAandava sempre com a telha”.

Entendeu que a vida foi desde sempre demasiado dura e madrasta com ele.

Tinha veneração pela Natureza. Mas não «gramava» as pessoas.

 

A amizade era um sentimento que detinha enquanto lhe durasse a conveniência do amigo. E essa conveniência resumia-a ao essencial, ao imediato.

 

Tinha medo de alimentar esse sentimento, pois considerava-o um sentimento nivelador, igualizador, e ele, TORGA, prezava profundamente a diferença, e, até, a originalidade.

 

Aborrecia-o a proximidade das pessoas.

Só aceitava a presença delas se estivessem de passagem apressada.

Todavia, a distância entre ele e a gente contraditava o sentimento de aspereza e de desdém da proximidade.

 

À distância, TORGA via as pessoas como entes que a Natureza criou para com a sua dor e sofrimento, o seu trabalho e canseira, o seu suor e as suas lágrimas, o seu canto e sorriso, a sua veneração e humilhação, o seu sacrifício e poesia, se sentisse glorificada.

 

TORGA era um fingidor.

 

Julgou-se a realização da profecia bíblica dum tal Isaías: ser semente saída de Jacob (Jacó) e o herdeiro dos montes, vindo de Judá!

 

Jorge de Sena, em correspondência com Eduardo Lourenço, escreveu, 1955, «olhe que o Torga é, para mim, a imagem do que a poesia não deve ser!».

 

MIGUEL TORGA «desviava-se», quanto a mim, da moda literária «em moda».

 

ǂ

 

 “Só os homens livres são

muito gratos uns para os outros”

 

Poucos lêem TORGA; menos, os que reflectem no que ele escreve; quase ninguém quer aprender com ele.

 

Custa-me a indiferença com que os Flavienses tratam vizinhos ou visitantes que tanta e tão prestimosa afeição demonstram pela «cidade», pela Região, pela NOSSA TERRA.

 

MIGUEL TORGA ainda não foi celebrado em CHAVES como tanto merece.

 

Para os «ignorantes», para os distraídos, para os «esquecidos» e para os ingratos, neste Blogue tem o seu autor vindo a lembrar uma «obrigação» mais do que justa e digna.

 

Mas, com gente-gentalha, medíocre, inculta, mal-agradecida, e que faz da impostura e da cretinice o seu modo de vida, a dirigir os destinos do Município, não admira a inconsequência da verdade.

 

Se, aí por CHAVES, pela NORMANDIA TAMEGANA, há corações reconhecidos a MIGUEL TORGA, também abundam, aí por CHAVES, pela NORMANDIA TAMEGANA (e um ou dois, já seria uma «abundante abundância»!) algumas mentes obscenas, iconoclastas, videirinhas, para quem TORGA só merece lembrança e surdo aplauso quando lhes convém, para adorno da sua biliosa e estéril vaidade e disfarce da sua tremenda hipocrisia e imposturice.

 

TORGA, Pessoa e Saramago estão na moda de muita, demasiada, gentinha e gentalha medíocre, mas tão lesta em fingir de super-sumo da intelectualidade, da cultura, das Artes e das Letras, usando e abusando de chavões e «adverbialices» como se tivessem descoberto a equação definitiva da “Teoria de Tudo”, como se fossem alguns dos raros a compreender o último Teorema de Fermat.

 

Então, a um peralvilho altamente conceituado, nómada por todos os territórios que lhe cheirem a unto ou a margarina, perito na insinuação, afinal um dos «cromos» mais exemplares deste «jardim à ….», que, daí ou de qualquer lugar, faz estação ou cais de embarque para as suas surtidas tão narcisistas quão impostoras,  só lhe falta mesmo proclamar, com paráfrase: "Tenho uma demonstração maravilhosa da magnificência, da imortalidade e da importância de Miguel Torga, para a Região (não escreve NORMANDIA TAMEGANA porque não vai a tempo de atribuir-se o neologismo, como tanto se tem aproveitado em fazer com outros) que esta margem é demasiado estreita para conter."

 

Há por aí um pivete baboso, espertalhão   -   não fosse ele o exemplar perfeito do «gosmista», do impostor, do falso amigo, do «amigo da onça», e do hipócrita    -    que, por ter dado boleia a TORGA até Monterrey, já se considera «o maior» conhecedor de TORGA!

 

Este e outros que tais, bem que se mordem sempre que neste Blogue aparece, habitualmente, às 4ªs feiras, “Chá de Urze com flores de Torga”: é que eles não são capazes, não sabem mostrar, ou demonstrar, um sentimento de gratidão, de reconhecimento, de admiração por quem lhe sé superior.

 

A soberba fá-los ter por si próprios uma opinião «mais vantajosa que o que seria justo acerca de si mesmos», e, consequentemente, a inveja, que transportam jung(u)ida à soberba, entristece-os com a felicidade e o prestígio de TORGA, e de Outros!

 

Em TORGA, como em Camões e em Pessoa, encontramos nos seus poemas a força sobrenatural que justifica o orgulho de «ser Português»!

 

Na poesia e na prosa de TORGA encontramos toda a profundidade da alma e do coração dos Portugueses!

 

Bastar-nos-ão as carinhosas e eloquentes palavras escritas no seu Diário, e que no Blogue “CHAVESOlhares sobre a Cidade” têm vindo a ser reproduzidas, para que, na “Cidade de Trajano”, uma justa homenagem lhe fosse feita a MIGUEL TORGA.

 

 

ǂ

 

E com este «sim e não», ou aparente «não e sim», um e outro aparentes do que é aparente, pequenino esforço meu para espreitar o que toda a gente sabe sobre TORGA, e de quase toda (essa) gente se esquece, e eu, timidamente, ando a aprender, deixo o meu agradecimento a quem comunga da minha gratidão a quem honra e prestigiou, e prestigia e honra, a NOSSA TERRA, a NORMANDIA TAMEGANA, TRÁS-OS-MONTES e PORTUGAL.

 

 

Liberdade

Liberdade, que estais no céu...

 Rezava o padre-nosso que sabia,

 A pedir-te, humildemente,

 O pio de cada dia.

 Mas a tua bondade omnipotente

 Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...

 E a minha voz crescia

 De emoção.

 Mas um silêncio triste sepultava

 A fé que ressumava

 Da oração.

 Até que um dia, corajosamente,

 Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,

 Saborear, enfim,

 O pão da minha fome.

— Liberdade, que estais em mim,

 Santificado seja o vosso nome.

{Miguel Torga]

 

 

M., Um de Junho de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

Ocasionais - A condessa de S.Julião da Várzea

ocasionais

 

A condessa de S. Julião da Várzea

 

 

Andava descalça.

 

Não por penitência. Mas porque lhe faltava a sandália nazarena onde lhe coubesse o pé.

 

Desde garota que aprendeu a meter a mão … e o bedelho.

 

E a bordar insinuações.

 

Tinha jeito para a mentira.

 

Mais jeito para a falsidade.

 

Aprimorou-o para a imposturice.

 

Tanto andou por varas (de porcos), por cáfilas (de camelos), por ninhadas (de pavões); com corja (de velhacos), com choldra (de malfeitores), com cambada (de malandros), com farândola (de vadios), com horda (de moinantes) que se especializou na falta de vergonha, no descaramento, na desfaçatez!

 

Com tanto traquejo, até soube aproveitar para entrar na roda (de pessoas) e aproximar-se de uma plêiade (de poetas e de artistas).

 

Foi junto do padre, prometeu-lhe beatas.

 

Do banqueiro, depósitos.

 

Do empreiteiro, obras.

 

Do comerciante, encomendas.

 

Do contribuinte, isenção de impostos.

 

Do taberneiro, borrachos.

 

Do moleiro, maquias.

 

Do polícia, a cova dos ladrões.

 

Do político, votos.

 

O Clube de Futebol, da sua Freguesia, subiu do escalão Regional para o Distrital. Nunca assistiu a um jogo, nunca pagou Quota. No dia da vitória, ei-la, a “condessa de S. Julião da Várzea”, radiosa e contente, a gritar, no meio da multidão, mas estrategicamente ora ao lado do presidente do Clube, ora do da Junta, ora do treinador:

 

- “Vitória! Vitória!” – “Ganhámos!”.

 

E fica toda derretida porque cem olhos caíram sobre si.

 

Haja procissão.

 

Ei-la bem enfeitada, e com o ar mais solene e beatífico, junto ao pálio.

 

Haja um Jantar de celebração ou uma Ceia de beneficência: a arte e o engenho sobram-lhe para se fazer convidada. Depois de se certificar, pelo canto do olho, de que a conta está paga, levanta-se da mesa, caminha com cerimónia, para na Caixa, e pergunta pomposamente:

 

- “Quanto se deve”?

 

A “condessa de S. Julião da Várzea” desce a Rua pela esquerda; sobe na vida pela Direita!

 

Não tardará a hora em que a “condessa de S. Julião da Várzea” se dará conta de caminhar na lama com pés descalços!

 

Convenceu-se ter sido, em «vidas passadas», uma prima afastada, mas muito chegada, de Madame Pompadour.

 

Soube do apoio que esta deu a Diderot para elaborar a “Enciclopédia”, e a outros artistas.

 

Bem tenta imitá-la.

 

Como não é capaz de criatividade pictórica para o «barro de Nantes», candidatou-se à peregrinação para os «escritos da Ponte», confundindo-os com hieróglifos de «ogham goidélico».

 

Diz, para quem tem pachorra de a ouvir, que depois dela, depois de um dia se despedir de S. Julião da Várzea, acontecerá o Dilúvio!

 

E o «pavão de Castelões», ou algum dos seus «lalões» herdeiro, nesse dia de sol ou de névoa, de chuva ou de neve acenar-lhe-á, e dirá cinicamente:

 

- A “condessa de S. Julião da Várzea” não terá bom tempo para a sua viagem ao Tártaro”!

 

M., quinze de Maio de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:47
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