12 anos

Quinta-feira, 1 de Junho de 2017

Ocasionais

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“MOTIVO de TRISTEZA”

 

 

As NOSSAS ALDEIAS são tão ricas por dentro e por fora!

 

Muito luta o Blogue “CHAVES” (o seu autor) por dar a conhecer os cantos e recantos delas, tão expostos à luz do dia e à mão de semear, e tão indiferentes, mesmo até para quem mais obrigação tem de neles reparar e deles cuidar!

 

E os contos e histórias das NOSSAS ALDEIAS, lembrados nas fotografias e nos apontamentos que nos expõe o autor, tão ansiosos por se darem a conhecer!

 

Não concebo (nem admito) flavienses que não sejam “Defensores de CHAVES”.

 

Só aqueles que são e estão inclinados para o Mal é que atraiçoam a CIDADE, consentem a sua despromoção, consentem a sua destruição. Julgam-se «os maiores» tentando fazer da terra e das Gentes Flavienses «menores»!

 

CHAVES está ocupada por uma patrulha de idiotas, fementidos, mofatrões, comandada por um pirangueiro procaz, ora um tal sacripanta cognominado «pavão de Castelões».

 

 As NOSSAS ALDEIAS já foram demasiado  castigadas ao longo da História.

 

Para mim é um motivo de tristeza.

 

A Humanidade, e, particularmente, o mundo Ocidental, atingiu um ponto de desenvolvimento (e evolução) extraordinário.

 

O século XX , apesar das duas Grandes Guerras devastadoras e de regimes políticos monstruosos, universalizou conhecimentos científicos, tecnológicos e sociais extraordinários tais que puseram à mão do Homem imensas possibilidades de desfrutar de uma vida mais feliz, com mais significado e sentido.

 

Porém, a casta de malfeitores parece nunca mais acabar: procria-se mais que ratos ou coelhos.

 

As guerras, hoje, já não se fazem em nome de um Deus ou de deuses. Hoje, as guerras são declaradas em nome dos «Mercados».

 

Freud descobriu o Inconsciente.

 

Os tiranos da Política afundaram a Consciência.

 

Sabem bem, mas não querem saber, que o seu «eu», o seu «ego», fica mínimo quando o querem fazer grande à custa da destruição do «Eu» dos outros, do OUTRO!

 

Nesta Idade Contemporânea   -    era do Petróleo, era do efémero, de um Presente transformado, num abrir e fechar de olhos, num Passado quase esquecido e num Futuro quase perdido; época em que o Homem deixa de ter os pés bem assentes na Terra para pôr a pata na Lua  e voar entre as estrelas; da modernidade multicolorida pelos cantos, enfeites e ademanes do consumismo e coisificação da consciência - é uma infâmia o desprezo, o desleixo, o descuido, a falta de respeito histórico, social e moral para com as NOSSAS ALDEIAS.

 

 Quando visito o Blogue  “CHAVES” e me consolo com os Post(ai)s acerca das NOSSAS ALDEIAS, apetece-me parafrasear Napoleão:

 

 

- Que os pindéricos que armam ao pingarelho tratando tão mal as NOSSAS  ALDEIAS “estudem a História de cada uma, pois é a única filosofia real”!

 

M., catorze de Maio de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Segunda-feira, 29 de Maio de 2017

Quem conta um ponto...

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344 - Pérolas e diamantes: Convém usar… mas não abusar

 

 

Todos aqueles que atualmente trabalham arduamente sentem que estão a ser usados, que os seus impostos estão a ser gastos ou para resgatar bancos e banqueiros ou então para subsidiar pessoas que se recusam a trabalhar.

 

Os Governos mais não fazem do que ajudar substancialmente os que provocaram a crise, em vez de se preocuparem em ajudar os que mais sofrem.

 

Mas também convém dizer que sem os Estados, os bancos teriam cometido abusos ainda maiores.

 

Em tempos de crise, a solução verdadeira para combater a desigualdade reside em dirigir o foco sobre a comunidade em vez de se apostar na defesa do interesse pessoal.

 

A ideologia fundamentalista dos mercados apenas serve os interesses dos poderosos, sobretudo à custa do resto da sociedade.

 

Muitos dos que não conseguem trabalho, sobretudo entre os mais jovens, emigram; as famílias separam-se e o nosso país vê-se esventrado dos seus cidadãos mais talentosos.

 

Todos nos apercebemos que é falso o sentido de considerarmos como garantidos os êxitos do passado na criação de uma sociedade e uma economia mais iguais e mais justas. Temos de nos preocupar novamente com a crescente desigualdade e com as suas consequências sociais, políticas e ideológicas.

 

Cortar nos investimentos no bem-comum ou enfraquecer os sistemas de proteção social põe em risco os valores básicos da nossa sociedade. A questão, embora não parecendo, é mais política do que económica.

 

Mas também é necessário reconhecer que o crescimento da desigualdade tem algo a ver com a globalização e a substituição de trabalhos semiqualificados por novas tecnologias e pelo trabalho terceirizado.

 

O problema não é que a globalização seja boa ou má. O que é má é a maneira como os governos a gerem, somente em benefício de interesses especiais.

 

Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia, tem razão: “A interconetividade entre os povos, os países e as economias de todo o mundo é um desenvolvimento que pode ser usado com a mesma eficácia, tanto para promover a prosperidade como para espalhar a ganância e a miséria.”

 

Os mercados apenas se têm concentrado na “riqueza” dos ricos, passando os custos ambientais à sociedade e abusando dos trabalhadores.

 

Joseph Stiglitz defende que é imprescindível reduzir a desigualdade, pois só dessa forma conseguiremos salvar a nossa economia, a nossa democracia e a nossa sociedade.

 

Um pouco por todo o mundo, os governos mostram não serem capazes de resolver os problemas económicos fulcrais, incluindo o desemprego, deixando cair os valores universais de justiça, sacrificados pela ganância de alguns, apesar da retórica em contrário.

 

Uma coisa sabemos: a desigualdade crescente não é algo de inevitável. Joseph Stiglitz, defende que são os interesses financeiros quem, no processo de criação de riqueza, sufocam o verdadeiro e dinâmico capitalismo. É a ideologia neoliberal quem tornou a sociedade intoleravelmente injusta. 

 

Os jovens manifestantes que agora se juntam aos pais, aos avós e aos professores, não são nem revolucionários, nem anarquistas. Não querem derrubar o sistema. Acreditam ainda na democracia e no processo eleitoral, acreditam que é possível pôr a funcionar os governos, lembrando-lhes apenas que têm de prestar contas ao povo. Estão indignados com a taxa de desemprego entre os 30% e os 40%.

 

Três temas ressoam em força por esse mundo fora: os mercados não funcionam como devem, porque bem vistas as coisas, não são nem eficientes, nem estáveis; e o sistema político e o sistema económico são fundamentalmente injustos. 

 

E os três estão intimamente relacionados entre si. A desigualdade é causa e consequência do falhanço do sistema político e contribui para a instabilidade do nosso sistema económico, que, por sua vez, contribui para uma maior desigualdade, originando uma espiral recessiva onde mergulhámos e da qual só poderemos emergir através de políticas devidamente concertadas.

 

João Madureira

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Quinta-feira, 25 de Maio de 2017

Ocasionais

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“Triste sina!”

 

Até parece

que só com tragédias se purificam

 os sentimentos das Gentes!

 

 

 

Vou praticar a «picardia» de aplaudir um «pecado«, confessado e declarado no Blogue “CHAVES – um olhar sobre a cidade”, a que a autora trata por «meu amor», em vinte e um de Maio de dois mil e dezassete:

 

 - Perante um texto destes não aparecem por aqui nem «Lalõezinhos», nem «boys cor-de-rosa», nem esquerdalhos, nem direitalhos. Isto é, os que em tempo de campanha eleitoral afivelam estúpidos sorrisos e se passeiam pelas ruas com ares de semi-deuses; os que transbordam genica a erguer painéis com a fronha dos seus caciques; os que atoardam o sossego das ruas com ridículos vozeirões «altifalantados», com um ar de campeonato a ver qual o que mais besuntada lambidela dá aos botins do nabiço do seu «querido líder»; os que nem sequer sabem porque são do «seu» Partido, mas o defendem com mais cega ciumeira só para  aproveitar o pretexto de se afirmarem.

 

Apesar da valentia das suas convicções políticas (sem, até, saberem o que isto é!), lêem este Post(al), ficam cheios de comichão, juntam-se, e , em rebanho, cada qual se mostra aos outros o mais indignado e o mais corajoso a combater o descaramento das  verdades deste Post(al) e deste Blogue, e correm, rafeiramente curvadinhos, a alcovitar ao chefezinho do «seu  Partido» (laranja, cor-de-rosa, cor-de-burro-a fugir, ou cor-de-zebra-parada)  a «cabala» deste (ou de qualquer outro) Blogue!

 

Mas encarar as realidades da CIDADE, meter na linha os enviezados estrategas do seu Partido sempre que dão primazia às golpadas em detrimento do benefício da Comunidade …”Qu’éto!” -   que no aproveitar é que está o ganho!

 

Até parece que estes edis de CHAVES  e as dinastias de governantes lisVoetas têm por objectivo fazer o caminho do Futuro regressando a um Passado miserável e indesejável de escassez de recursos para a Saúde, o Ensino, a Ciência, a Cultura, da Justiça, e a privação da Liberdade!

 

Nos Anos Sessenta atiraram que a geração desse tempo era uma «geração perdida».

 

Triste sina!

 

Grande parte dessa geração, particularmente aqueles que resmungaram contra a situação das coisas, aproveitou a «abrilada», mas foi, para se transformar naquilo que denegava.

 

Depois, para se perpetuarem, pariram a  multidão de enfezados «jotinhas» polliticastras, e arregimentaram «pavões», «lalões«, «morrões da couve», carunchosos «’straga a tábua’”, contrabandistas da mentira e da vigarice, gente canalha vocacionada para a traição.

 

Digo com Silva Gaio: - Os mal intencionados têm, nesta Democracia «abananada», largas ensanchas para poderem cometer as patifarias que Governos e governinhos pútridos, corruptos, lhes consente e lhos ajuda.

 

Na nossa História Nunca a Política se confundiu tanto com a Hipocrisia como nas últimas décadas!

 

Dizem que nas prisões funcionam escolas de comportamento criminoso. Nós dizemos que a admissão nas classes partidárias «Jotas» é uma oportunidade para a aprendizagem clandestina de comportamentos patrioticamente criminosos.

 

Os “poderosos” – aqueles que hoje detêm o Poder – parece não terem memória. Correm o risco de repetir a História.

 

Não conhecem, ou fazem que não conhecem o Povo Português. E julgam-no adormecido.

 

Porém….”a consciência dos povos adormecidos não desperta senão com actos de violência”!.....

 

M., vinte e três de Maio de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

 

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Quinta-feira, 13 de Abril de 2017

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“Salão de Festas”

 

 

Os cidadãos internautas, na sua maioria ou quase totalidade, vêm aqui, aos Blogues, aos Post(ai)s e às Caixas de Comentários, e a outras salas de reunião néticas, mas mesmo que «autografem» a sua presença com duas ou meia dúzia de linhas, não se afirmam como actores sociais, não confrontam nem intimidam os poderes instituídos, não exercem nenhuma influência para o sucesso ou o fracasso do poder   -   o seu pensamento é irrelevante e impotente.

 

Dizem o que bem quer e lhes apetece, o que lhes vem à cabeça ou o que lhes vai na alma. Porém, tudo isso se dilui no virtual.

 

Afinal, hoje, neste salão de festas (a Internet) da «Aldeia global», parece que todos vivemos num «isolamento comunitário»!

 

No presente, todos nos movimentamos no meio de incerteza    -   talvez só Heisenberg lhe tenha dado o «princípio»!

 

Caminha-se para um «viver per si», deixando de lado o «viver em função de Outro».

 

O amor e a amizade estão a deixar de ser um relacionamento duradouro e a converter-se num investimento, num mercado de parcerias descartáveis, conforme as vantagens de momento.

 

Por vezes, até parece que a «Evolução» nos mostra um estranho capítulo, em que que o homo sapiens caminha para hominídeo!

 

Bem, os “orangotangos de celulóide” e os «pavões de aviário» continuarão a fazer das suas, com a trapaça, a mentira, a traição e a sem-vergonha!

 

Mozelos, vinte e quatro de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017

Ocasionais

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Tugaleado tugalês

 

 

De vez em quando, pode ler-se e ouvir-se, nos “media” (leia-se média!  -  a palavra é latina, não inglesa!) como, p. ex., num Semanário de nomeada (há já algum tempo), e que, com a devida vénia e sublinhados meus, transcrevo:

 

{“TROIKA

Governo esconde do FMI intenção de baixar IRS

TEXTO FILIPE SANTOS COSTA COM ÂNGELA SILVA

Versão final da carta de intenções não está fechada

Neste momento "ainda está a ser discutido o wording final", disse ao Expresso fonte governamental”}

 

WORDING final

Os medíocres, coitados, para disfarçarem o tamanho ridículo do seu conhecimento, usam e abusam do enfeite com penas de pavão de aviário: um «repórter desportivo» dissertava sobre a «BILHÉTICA»; outro, um «membro do governo» (qual Saramago a ralhar-nos por não sabermos pronunciar "NÒ-BÉL"!), vem «fazer-nos ver» que não se diz «redacção final», mas, sim, «WORDING final», ora essa!!!

 

Digo-vos uma coisa: mete-me muito nojo que os portugueses usem e abusem, a torto e a direito, dos estrangeirismos, muito especialmente das palavras em Inglês.

 

- Em Vila Nova de Foz Côa, um grupo de labregos, que nem leonês, nem mirandês, nem beirão, nem português sabem, para se dar ares de «gente da cultura» dá à sua Associação o nome de “Foz Côa FRIENDS”!

 

- Em Aveiro,  um grupinho de pontapé-na-bola auto intitula-se A D R C – ALWAYS YOUNG!

 

- Numa aldeiazinha da Terra Quente, no meio de pinhais, fazem-se «workshops» para os aldeãos!

 

- Os de Lisboa anunciam, p. ex., o “Festival de S. Remo”.

 

Mas o seu, com um “Vem aí o Lisbon Music Fest!...

 

- Em BOTICAS, é o «sunset do ...Lesenho»!... Até «nas» BOTICAS!....

 

Porra!

 

Não se consegue ver escritas duas linhas em Português sem que lá não esteja metida uma «inglesada» pindérica, pedantista e ridícula?!

 

Será assim tão pobre o nosso vocabulário?!

 

 

“Bem m’ou finto”!

 

 

Por este andar, logo vem aí um «Ultimatum» a pôr-nos a todos a torcer a beiça e a revirar os olhos à «Londonshire»!

 

Haja decoro …….e orgulho …. na Língua! PORTUGUESA!!!

 

E, como se não bastasse para mau trato do PORTUGUÊS, falado e escrito moxetam-no com modismos, adverbialices e disparates!

 

- Durante um Jogo de futebol, um locutor, para manter a boca sempre aberta, informa-nos: “….aparece aparentemente a perder definitivamente a paciência”.

 

- Outro esclarece os «telespectadores» que o «camisola trinta e três» “vai a jogo,, «acaba de entrar dentro das quatro linhas», “daqui a pouco”!

 

- Efectivamente, ao fazer AcÓrdos meteu a pata nas PÓças, pronto.

 

- Curi0samente, passados vinte minutos depois das vinte e uma, pronto, a equipa vestiu o fato macaco, pronto, arregaçou as mangas, pronto, com humildade respeitou o adversário, pronto, e pôs o preto no branco do Barreto.

 

- Portanto, o fenómeno, digamos que, raro e, na circunstância, não tão raro assim, coloriu a cermónia nas vertentes da serra, pronto.

 

- Um falso quarto defesa, pronto, avança pelo terreno, de trás para a frente, pronto, e quando faz bem a leitura do jogo, faz um golo de belo efeito, pronto.

 

- Na TV: -“”O clima está a alterar-se, já a seguir notícia “”    – aparece uma nuvem e “veja o clima a alterar-se, já a seguir”.

 

O efectivamente (quase ) passou de moda e, então, surge o então é assim, segue-se-lhe o então e, neste momento,  acompanha-o o de resto. Mas vem de imediato o «também».

 

Até o “Chagas das Bicicletas do Marco” não dá umas pedaladas à língua sem buzinar um «também».

 

 E todas as etapas, curvas, descidas e subidas são «agressivas», tal como a pintura numa caixa de fósforos, o feitio de uns sapatos, o aspecto de uma montra, a distribuição de panfletos de Supermercados ou de cartazes a anunciar a festa do Bairro ou da Aldeia, ou da passeata a favor …da perda de peso são, por via de regra …e de …moda, «agressivas»!

 

E no discurso político, depois do «abrangente», há que impor o «absolutamente» e o «aprofundamento», pois as «geometrias variáveis» e o «paradigma» já quase desapareceram!

 

Porque leram uns livrecos ou umas páginas em «franciú», toca a copiar e a traduzir o «justement» para «justamente»…e mai nada! Toca a metê-lo em toda a frase, dita ou escrita!

 

Tal como um jogador de futebol é catalogado de «reforço» quando muda de clube, toda a mudança, seja aumento ou desconto, tem de levar com «uma mais-valia»!

 

Então quando um jogador, pela primeira vez, «vai a jogo», com que euforia delirante o enviado ou comentador «especial» repete tratar-se de uma «estreia absoluta»! E, quando toca na bola, «pontapeia NA frente»!

 

Vertente, estruturante, fracturante, acrescidas, então, recorrente, colateral, no limite, enlencar, alavancar, alavancagem, transversal, parabenizar são perdigotos constantes a sair pelo cano de escape da fala pedante dos enjoadamente vaidosos pelos cargos que ocupam e ainda mais «inchados» quando lhes põem um microfone à frente dos … olhos!

 

E repare-se na posição em bicos de pés, na postura da boca em forma de cu de galinha, no puxar do ombro para cima e para a frente, no alevantar das sobrancelhas de grandes figuras públicas a referirem-se aos «MEIOS DE COMUNICAÇÃO» (que não de INFORMAÇÃO  - «quéto»! Que «informar» e «formar» é «outra louça»!)  -  dizem «mídia»”!!!

 

E, se mais não fosse preciso, aí está fresquinha a a moda do «claramente»!

 

- O « claramente » não podia faltar: é obrigatório!

 

É execrável modismo epidémico (qualquer farroupilha intelectual ou qualquer intelectual farroupilha aproveita o abrir a boca para exibir a ligeireza na idiota macaquice de imitação de um enfeite ridículo), que «dá classe» a quem tem pouca ou nenhuma!

 

Quando falta substância, corpo, autenticidade, valor ao blá-blá dos que pretendem insinuar-se «pensadores», visionários, entendidos e supra-sumos, se valem das adverbialices da moda, dos tiques intelectualóides e de trejeitos ridículos como certificados de qualidade do seu palavreado baboso, espúrio, que usado numa prova oral da 4ª classe lhes garantia o «REPROVADO»!

 

Para disfarçar a sua mediocridade, pindéricos e «armadores ao pingarelho» usam e abusam desses e de outros modismos descartáveis, badalando-os   como salvo-conduto para a sua presunção, ignorância e incompetência.

 

Se as «adverbialices» e os modismos enjoativos pagassem portagem, a beiça desses pedantes renderia mais que todas as AE e SCUT’s, em cem anos!

 

Então, actualmente, nos painéis de comentadores desportivos, até parece existir um campeonato para ver qual deles usa mais vezes o «claramente»!

 

Para os “aziados” (azedados), o azedador, inspirando-se em Pascoais, diz-vos:

 

-.- A vós, o “Inglês” está na moda.

 

A mim, o PORTUGUÊS está no sangue!

 

 

M., vinte e três de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:05
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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

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“De uma vez por todas!”

 

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e,

de peito feito, diz que detesta a política.

Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política

 é que nasce a prostituta, a criança abandonada

 e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista, desonesto,

o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”

– Bertolt Brecht

 

 

Vêm aí as Eleições Autárquicas de 2017.

 

OS de CHAVES, que saltitam, batem palmas, seguem em procissão e louvaminham esse «pavão de Castelões» e o seu galinheiro real, com os olhos mais tapados do que uma coluna de cimento armado, teimam em não dar conta de que em vez de honras colhem, daí, vergonhas!

 

Os Flavienses, não podem deitar fora a oportunidade de defenestrar, de correr, De uma vez por todas, com a cambada de incompetentes, medíocres e malfeitores que só têm contribuído para o atraso civilizacional, para o apoucamento e para o definhar dessa Cidade, desse Município!

 

CHAVES tem, De uma vez por todas, de deixar de ser o «Bairro Raiano» de VILA REAL, o «Ilhéu das Rolas» dos milhafres da capital do Trancão.

 

Por aí, ainda há «defensores de Chaves», gente que chegue para «levantar a cidade», recuperar o brilho e o prestígio de um território com um Passado, distante e recente, glorioso, nobre!

 

Aquilo que os Flavienses têm feito até hoje é votarem e elegerem um vilão e seus vilões que estavam em luta (eleiçoeira) com outro vilão e seus vilões!

 

Se os FLAVIENSES querem ter Futuro, corram com esses falsários moinantes da política, e elejam os melhores que, por aí, ainda restam!

 

Por aí, esses «pavões» e «lalões», e os seus coreutas, se bem (bem mal!) imitados por outros «poneyzinhos-de-Tróia» incapazes, por incompetentes e medíocres, de serem apóstolos das doutrinas que professam (ou dizem professar) têm-se prestado, prestam-se, sim, para serem autênticos «algozes dos seus conterrâneos»: a política tem-lhes servido como frondosa árvore à sombra da qual conseguem «fartar os seus odiozinhos pessoais».

 

Esse «pavão-mor», embora com alguma instrução, não tem grandeza de ideias nem de reflexão para o lugar a que trepou!

 

Não conhece o Passado da «Província», nem tem a capacidade para compreender o Presente.

 

As suas “ideias” assemelham-se às daquele «Imperador Feminino Chinês» que decretou que as flores brotassem no Inverno !

 

Já ouvi a alguém dizer que esse «pavão» acredita ser um “Buda Maitreya” encarnado!

 

Aqueles que o elegeram apenas lhe têm servido de adorno.

 

Antístenes dizia não se poder fazer de um mesmo ser mais que uma única definição.

 

Antístenes não imaginava que, qual cisne negro da Nova Zelândia, vinte e cinco séculos depois, na NORMANDIA TAMEGANA, «rebentasse» um «pavão de Castelões» a quem cabem tantas e tão vis definições!

 

O meu amigo de Roterdão, ao ler as minhas “Conversas com ZEUS” e dar com os olhos nos Post(ai)s de alguns Blogues de CHAVES, numa das suas cartas mostrava o seu espanto: - «Que estranho haver tantos “De CHAVES” a prestarem-se ao papel de bobos mercenários ou de parasitas ridículos”!   

 

Às vezes, chego a crer que os Flavienses, submetidos à estagnação e atormentados com os castigos, os dislates e malfeitorias; o desleixo, a deslealdade, a má-fé; a incompetência e a mediocridade da maior parte dos seus edis, atingiram um tal grau de apatia que não se atrevem a mexer uma palha para mudar a situação, com o medo de ficarem ainda mais prejudicados e «atrasados»! 

 

Podeis crer que, nem com o espelho nem com a varinha mágica, Circe conseguiria transforma esse «pavão» e os seus «lalões» em bons flavienses. 

 

Ó de CHAVES, «lembrende-βos» que esse cafajeste e os seus correligionários são flavienses nas campanhas eleitorais!

 

Chegados aos pedestaizinhos onde vêem multiplicados os salários e as mordomias, e aumentada a untuosidade da sua ridícula quão miserável vaidade, imediatamente consideram inconveniente permanecer no credo da juventude e de toda a conveniência renegarem as juras dos comícios e faltarem às promessas da campanha!

 

Após o 25 A/74, a política tem sido um lindo refúgio de medíocres e infames, de hipócritas e incompetentes, de desleais e de traidores, onde chocam e cultivam a sua mesquinhez moral, as suas vinganças covardes, os seus caprichos doentios, as suas patológicas fantasias.

 

As campanhas, os comícios, os discursos servem mais, muito mais, para ocultar os verdadeiros interesses em jogo do que para esclarecer os eleitores.

 

A preocupação dos candidatos, para agradarem aos seus verdadeiros senhores, consiste mais em inventar argumentos que desviem a atenção pública dos verdadeiros problemas nacionais, sociais e individuais.

 

As campanhas eleitorais são, na realidade, a instalação de uma fraude, concluída e aplaudida no acto eleitoral.

 

Na verdade, o voto democrático corresponde àquilo que Chesterton disse: -“um voto torna-se de tanto valor como um bilhete de viagem de comboio numa linha impedida”.

 

A Assembleia da República, o Parlamento, a “Casa da Democracia”, enche-se de gente cujo maior mérito reside na sua habilidade para ter sido nomeado candidato graças ao seu carácter servil, submisso aos caprichos e disciplina dos seus chefezinhos, e à sua elasticidade de consciência.

 

A (esta) Democracia trouxe à luz do dia a verdadeira qualidade de gente ambiciosa e medíocre, suficientemente esperta e manhosa para se meter em lugares elegíveis em Lista eleitorais   -  foi revelado que apenas possuem um cérebro réptil!

 

E quanto mais medíocres maior a possibilidade de se sentarem em lugar mais à frente no anfiteatro do “Parlatório Nacional”!

 

Mal sabem ler e escrever. E votam de acordo com a «disciplina partidária»!

 

No presente, que valor tem o voto quando é «Bruxelas» a aprovar ou a reprovar o que as nossas Assembleias deliberam?!

 

Que certeiro esteve quem disse: - “A Democracia é o governo dos que não sabem”!

 

CHAVES está empestada com o bodum de falsos políticos.

 

 Os monumentos religiosos do Município de CHAVES são, HOJE, tão esquecidos e abandonados que nem para celebrações religiosas e, nem muito menos, para turismo servem!

 

Aos fins-de-semana, CHAVES é uma cidade tão vazia como a Igreja da Madalena quando nela não se celebra missa!

 

A esse «pavão», persistente no assentimento do lixo espalhado pela cidade e das lixeiras espalhadas pelo Município, a sordidez e a imundície parecem-lhe «luxuoso fedor aromático»!

 

Como gostaria de contrariar, De uma vez por todas, o Gustavo Le Bon ao ver que em CHAVES, nas Eleições Autárquicas de 2017, o «Talento e o Génio» desmentiram que «o exagero das multidões incide unicamente nos sentimentos e de modo algum na inteligência».

 

E como na sua eterna «luta contra a razão o sentimento nunca foi vencido», os espertos-espertalhões, que chamam à ocupação do Poder Governo, adubam bem a imaginação popular e logo as multidões aparecem principalmente constituídas por aqueles que, dentro delas, acreditam conseguir subir muito alto.

 

O adormecimento e a distracção da maioria dos flavienses, junto com a sua falta de coragem para a mudança, faz-me lembrar aquele dito latino-lusitano:

 

-“primo est bibere, deinde philosopfari”.

 

Para os que sabem, mas não se lembram, ou «estão esquecidos», direi:

 

-“Que (lhes) importa (aos flavienses) que a liberdade de pensamento se perca (ou fique arrumada numa choça), se a liberdade de beber continua garantida?!”.

 

Piores que as calamidades do «relâmpago», as cheias furiosas do Tâmega, as trovoadas vindas de Vidago, o calor infernal de um Verão (sempre) «como nunca se viu»; pior que essas calamidades, para os Flavienses são bem mais catastróficas as calamidades dos que os têm governado, quer a partir de Lisboa, quer da Praça do Duque!

 

Um dos erros mais graves no comportamento dos (nossos) políticos caseirotes (autárquicos) consiste no seu enfeudamento, no seu vínculo, não à terra natal (ou adoptiva) na qual exercem uma função administrativa, mas, sim, nesse seu enfeudamento, vínculo e engajamento cegos à comunidade partidária, e com covarde, quão estúpida, submissão ao líder ou ao directório partidários.

 

Os administradores autárquicos «abrileiros», dessa CIDADE, da NOSSA TERRA, não descansaram enquanto não puseram essse Território na miséria civilizacional e política! Julgaram-se triunfantes, pois isso! Porém, o momento, a hora da vergonha lhes chegará!

 

O grande e trágico problema dos flavienses é que têm caído na esparrela de eleger lacaios de cabecilhas políticos «de Lisboa», e de outros políticos «interesseiros, e não Flavienses homens-bons!

 

Mais do que a penúria material de grande parte dos Portugueses, assusta-me e lamento a penúria moral de quem (n)os governa   -   desde «lá de cima», da capital, até «cá em baixo», nas autarquias!

 

Os flavienses (e os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um Passado e Presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

Sabemos da importância que grupos e instituições não-governamentais têm na Sociedade e, especialmente, na Sociedade democrática.

 

E do grau da sua autonomia muito depende a realização dos seus próprios objectivos e satisfação de necessidades da Sociedade.

 

Estes grupos e instituições não-governamentais muito contribuem para a resistência a Governos prepotentes e injustos.

 

Daí, a preocupação e o esforço de governantes medíocres, tirânicos (mesmo que disfarçados) em suprimir a autonomia e a liberdade de tais grupos e instituições, tentando impor, ou mesmo imponde-lhes, um mal disfarçado controle ditatorial.

 

Infelizmente, aí por CHAVES (ai, se fosse só por CHAVES!...) muitas instituições não-governamentais passaram à condição de organizações «recomendadas»!

 

Por aí, os «faroleiros» e candidatos a candidatos dos Partidos e Movimentos da Oposição mexem-se, remexem-se e coçam a comichão pelo Arrabalde e pelas cadeiras dos Cafés, criam células de fanfarrões e de oportunistas e atiram com flores ao peito uns dos outros, contando sempre com o ovo no cu da pita, acabando sempre por ficarem a chupar no dedo!

 

A preparação das Eleições Autárquicas confundem-na com um perliminar olímpico da prova de estafermo, bajulador, «poneyzinho-de-Troya», de «saber fazer pela vida» e vencer a guerrinha entre os seus,  com o qual pensam conquistar a medalha de ouro de integrante na Lista de candidatos aprovada pelo «chefezinho»!

 

Entretanto, a oportunidade de construir a melhor planificação estratégica para derrubar a capoeira de medíocres e infecciosos «pavões» e apresentar projecto sólido, eficiente e exitoso da recuperação do prestígio da CIDADE e do Município, e do Progresso que se lhe ajuste, vai pelo Caneiro abaixo!

 

A modorra, o narcisismo e a falta de sinceridade num ideal político-administrativo para a CIDADE (polis) tem feito com que CHAVES vá de mal a pior! E a perpetuação de gentalha reles e medíocre, no Palácio do Duque, fica garantida!

 

Que notória gente essa da Oposição, que não se cansa de tristes e humilhantes derrotas eleitorais!

 

Pobrezita!

 

Fica de papo cheio e com o ego bezuntado de vaidade balofa só por   -   de eleição em eleição  -   misturar umas bazófias de pretensa sabiciche política, em autênticos pelágios reciclados de si própria, com interpretações tão indigentes quão inifensivas, de ridículos actos ou omissões do «pavão», dos «pavões», dos «lalões», e regadas com uns copecos ou umas «bejecas» nos «Sport’s” ou nos “Faustinos” trajano-chavinos!

 

Fatalmente, sem imaginação nem credibilidade!

 

Porra!

 

Numa terra onde abundam arquitectos, não aparece   -   na Oposição   -   um Plano Estratégico com que se vencer esse bando de aves de rapina e de mau agoiro, que tem destruído o Passado, o Presente e o Futuro dessa CIDADE?!

 

Terão os Flavienses de gritar “aqui d’el rei” quando se virem obrigados a imitar Luís XVI , fazendo dos Jardins da cidade; da Veiga, da Groiva e da Ribeira; das vinhas, dos soutos, das carvalheiras ; das hortas, das cortinhas; dos batatais, das searas, dos pinhais, e dos olivais pomares de laranjeiras?!

 

CHAVES, cidade e Município, está num perigoso plano inclinado de degradação.

 

O Governo Central (de ontem, de hoje, de sempre), com a vergonhosa e indecente colaboração da maior parte dos autarcas e deputados Normando – Tameganos, parece ter um ódio de morte aos que trabalham, vivem, e aos que amam essa Região.

 

A malvadez, a ruindade, a estupidez, a imbecilidade, a ignorância, a mediocridade e a covardia de alguns flavienses, de nascimento ou por adopção, anda mal disfarçada pelos verdes véus de espuma da inveja e pelos amarelo-pálidos véus da ingratidão.

 

Aí por CHAVES, não quero que a tragédia político-administrativa vivida nos últimos decénios não cumpra a profecia «karlista-marxista» de voltar a ocorrer, como uma farsa!

 

Os flavienses (muitos, tantos, demasiados) continuam a descobrir boas qualidades no «salteador de estrada», na esperança de que ele lhes poupe nas algibeiras”:

 

- O “Pita” já morreu há muito!.......

 

Cumpre lembrar o meu amigo, e de Michel Eyquem,  Éthiene de la Boétie:

 

- “É muito próprio do vulgo desconfiar de quem o estima e confiar nos que o enganam”.  

 

Meus conterrâneos, FLAVIENSES, arrumai De uma vez por todas com essas almas pequeninas, com esses manobristas politíticos, que até mesmo nisso são reles e medíocres!

 

M., dezassete de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

Ocasionais

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DA CIDADE DE CULTURA AO GOVERNO DE INCULTOS

 

Estamos de acordo com Antoni Remesar e Fernando Nunes da Silva quando, na obra coletiva Arte pública e cidadania - Novas leituras da cidade criativa enfatizam que “a paisagem integral, isto é, o tratamento material do território assumido de onde vem (a sua memória) e para onde vai (a sua sustentabilidade), converte-se num dos atuais paradigmas de intervenção”.

 

Por outro lado, na mesma obra, Don Julíán Aliseda e D. Edgar Maria Gomes de Andrade, a dado passo, escrevem que “o facto de vivermos atualmente numa aldeia global, leva a pensarmos as cidades como «os nossos bairros». [E] neste sentido, a Cultura tem papel preponderante na gestão das cidades. Ela está intimamente ligada à identidade do desenvolvimento dos territórios, às nossas raízes. É importante sabermos rececionar o legado que os nossos antepassados nos deixaram, sabendo vivê-lo e transmiti-lo às gerações vindouras [...preservando o] património cultural, na sua forma tangível como intangível”.

 

Temos em Chaves um património milenar, orgulho os flavienses e, por isso mesmo, considerado por todos como o nosso «ex-libris», fruto do lavor e contributo dos povos autóctones da altura, que aqui construíram uma das mais belas pontes romanas.

 

Se vemos tanto frenesim e afã na «folclorização» e encenação «rasca» dos trajes e «cenas» dos romanos que por esta terra passaram, é nosso dever fundamental, como flavienses, assumir essa memória de uma forma plena, convertendo-a em fator de sustentabilidade para o futuro. E não atender só aos aspetos «folclóricos», mas cuidar efetivamente desta magnífica estrutura que os nossos antepassados nos legaram, integrando toda a sua envolvente.

 

Na década de 90 do século passado, em Chaves, ainda não estando muito conscientes que estávamos, cada vez mais, imersos numa nova sociedade - a da globalização - e em que ainda não se tinha completa consciência de que vivíamos, ou estávamos caminhando, para uma aldeia global, tinha-se clara consciência que o desenvolvimento do território flaviense tinha de ser assumido a partir da sua genuína identidade, na qual a Cultura era um dos seus fatores primordiais.

 

A aposta na dotação de toda a cidade - e depois todo o concelho - com o saneamento básico; o arranjo e valorização do nosso Centro Histórico; a melhoria soa arruamentos e acessibilidades; o integrar o Tâmega, e as suas margens, na convivência urbana, em que a atual ponte pedonal era a sua aposta mais visível; a reestruturação do Museu da Região Flaviense, assumido na sua vertente castreja e romana; os Encontros de Arte Jovem; os Simpósios do Granito e os Cortejos Etnográficos, entre outras atividades e eventos, inseriam-se numa estratégia, depois plasmada no Plano Diretor Municipal, da cidade de Chaves como uma Cidade de Cultura.

 

Foi no respeito não só pela preservação da nossa memória mas também pela valorização do nosso património que se fez a intervenção na Alameda Trajano, contígua à Ponte Romana, relvando aquele espaço e, por ocasião do Simpósio do Granito, ali se colocou uma obra em granito - um dos recursos da nossa região - feita por um jovem escultor português.

 

Na rotunda que faz a junção da Travessa da Alameda Trajano com a Alameda Trajano, colocou-se uma coluna romana que, posteriormente, se achou mais condigna estar no Museu da Região Flaviense, ficando-se de, posteriormente, ali colocar uma sua réplica.

 

Quase trinta anos depois, o que foi colocado no plinto onde assentava a coluna romana?

 

 A imagem que se mostra, recentemente tirada, é verdadeiramente significativa. Nada!...

 

Imagem 01.jpg

 

E na Alameda Trajano, o que se fez para a sua preservação e/ou valorização?

 

Aqui, há uns escassos meses, embora com nítido mau trato do relvado, ainda podíamos ver o que esta imagem mostra:

 

Imagem 02.jpg

 

No verão passado, quando por ali passávamos, eis o que nossos olhos presenciaram e nossa objetiva registou...

 

Imagem 03.jpg

 

Na semana passada, quando passávamos por este «atropelo», o local pareceu-nos ser objeto de recuo. Arrebate de consciência dos responsáveis pelo governo da nossa coisa pública ou puro calculismo eleitoral, face a eventuais críticas feitas à devassa deste espaço?

 

Imagem 04.jpg

 

Alguém sabe porque se fez esta nova alteração de uso deste espaço? Ou sequer foi informado?

 

Alguém sabe o que fizeram à obra em granito que ali estava colocada?

 

Será que gerir uma cidade, e o seu espaço público, é estar constantemente a fazer e a desfazer o que outros fizeram, sem que se informe ou, tão pouco, se tenha uma ideia do que se pretende? E quanto é que tudo isto custo ao erário público, suportado por todos nós?

 

Alguém dizia que falar de arte pública implica naturalmente falar também de espaço público. A arte «apodera-se» do espaço público e o espaço público não cessa de retomar da arte aquilo que esta restituiu após ter sido digerida e transformada. Nós, atualmente em Chaves, e principalmente os representantes que elegemos, parece que não restituem nada, digerem ou transformam; apenas se limitam a desfazer, destruindo!

 

Ou seja, e em síntese, o que os nossos responsáveis autárquicos estão fazendo na nossa cidade - e nos seus espaços públicos -, não é um ato de cultura, pelo contrário, é uma manifesta atividade de gestão inculta!

 

António Tâmara Júnior

 

 

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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2016

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309 - Pérolas e diamantes: o gabinete de ajustamento e os cromos da caderneta

 

O escritor de ficção científica americano Philip K. Dick escreveu, ainda o século passado ia para aí a meio, que vivíamos numa sociedade de realidades adulteradas pelos media, os Governos, as grandes empresas e os grupos religiosos e políticos. Já ninguém atinava com o que era a realidade, pois éramos bombardeados com pseudorrealidades fabricadas por pessoas muito sofisticadas que usavam vários mecanismos eletrónicos complexos.

 

Philip K. Dick não desconfiava dos seus motivos, desconfiava era do seu poder. O que parecia então uma teoria da conspiração tornou-se realidade.

 

De facto, vivemos dentro de uma democracia que revela cada vez mais aspetos de um reality show. As massas são manipuladas por gente muito sofisticada.

 

O sociólogo britânico Zygmunt Bauman, refere, no seu livro Modernidade e Ambivalência, que no mundo que nos rodeia “as certezas não passam de hipóteses, as histórias não passam de construções, as verdades são apenas estações temporárias numa estrada que avança sempre, mas nunca acaba”.

 

Segundo o sociólogo, as desigualdades continuam a aumentar de forma rápida, mas a política é condicionada pela ilusão de que essas desigualdades são inócuas. Daqui resulta o populismo, pois sem direitos sociais para todos, um número crescente de pessoas considerará, e com razão, que os direitos políticos de pouco servem. A sua utilidade tende a ser nula.

 

Philip K. Dick vaticinou que uma organização chamada “gabinete de ajustamento” iria controlar as nossas vidas de acordo com planos que nos transcendem fazendo tudo para que não haja fugas ao que já se encontra escrito no guião.

 

Previu que os partidos “republicanos e democratas” iriam escolher indivíduos irrelevantes que se limitariam a ocupar o poder durante quatro anos.

 

Por muito que nos custe, e para mal dos nossos pecados, o que era ficção científica converteu-se em realidade.

 

Dentro dessa realidade, ou ficção, encontra-se o Juiz Carlos Alexandre que diz sentir-se cercado pelo Fisco, que o investigou, e mesmo por pessoas desconhecidas que andam a perguntar pelas propriedades que possui e que o escutam e até lhe deixam manuais de espiões à porta de casa. Surpreso, mas firme, disse ao Expresso acreditar que o querem afastar de tudo. Sobretudo, pensamos nós, do processo que envolve José Sócrates.

 

O apelidado de “superjuiz”sente que existem movimentações estranhas à sua volta.

 

Um dia recebeu um recado através de uma pessoa que tinha relações com indivíduos ligados a vários casos mediáticos, do seguinte teor: “Deves meter-te com gajos do teu tamanho porque precisas do teu ordenado para comer.”

 

Disseram-lhe ainda outras coisas tais como “se não souberes colar os cromos na caderneta não terás direito a brinde”.

 

Mário Soares, a propósito da prisão de José Sócrates, escreveu: “O Juíz Carlos Alexandre que se cuide…”

 

O Juiz diz não se vergar ao dinheiro e que a sua maior preocupação está relacionada com a enorme sucessão de escândalos na área financeira e a sua escalada de grandeza.

 

Chegaram mesmo a entrar-lhe em casa. Os intrusos não roubaram nada, limitaram-se a deixar uma fotocópia do BI do seu filho e o fragmento de uma arma de fogo do seu sogro. Mexeram em alguns dossiês de trabalho de processos e abriram-lhe o computador.

 

Lá pelo meio da entrevista citou uma carta que Thomas More escreveu a Erasmos: “Se a honra fosse rentável, todos seriam honrados.”

 

O título na capa da revista era “O juiz só”.

 

É caso para dizer que mais vale só do que mal acompanhado.

 

José Sócrates, por causa das coisas, resolveu fazer queixa do juiz Carlos Alexandre invocando, para o efeito, ódio, perseguição e devassa da sua vida pessoal e política.

 

Razão tem Pacheco Pereira ao escrever que “Sócrates quer levar tudo com ele para um destino que ainda não sabemos qual é mas que nunca será brilhante”.

 

João Madureira

 

 

 

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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2016

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304 - Pérolas e diamantes: o trabalho e a filantropia

 

Entardece devagar, devagarinho. Como quem se refresca em pleno verão com uma brisa vinda do Brunheiro, leio no jornal que o João Teixeira, o João Freitas e o João Alves, os três alunos do Agrupamento de Escolas António Granjo, tiraram vinte valores no exame nacional de matemática.

 

O segredo reside, segundo estes jovens, no muito trabalho que fazem ao longo do ano, no esforço e na dedicação. No entanto, continuaram a fazer o que faziam nos seus tempos livres.

 

Como se isto não fosse proeza bastante, leio noutra edição d’A Voz de Chaves que a Bruna, a Célia e a Laura, também alunas do Agrupamento de Escolas António Granjo, conseguiram a mesma proeza: alcançaram nota 20 no exame nacional de matemática.

 

Por vezes as coisas fazem sentido. Os mitos também se abatem e os preconceitos também se desfazem.

 

O sol esconde-se por detrás dos pinheiros e dos carvalhos. As sombras nos bosques estendem-se pelos caminhos. Por fim param e desaparecem. Os raios de luz penetram no arvoredo e são filtrados através da folhagem, inundando os troncos com uma luz morna. Por cima de nós ergue-se o céu azul já pálido do crepúsculo. Algumas aves voam alto. O vento parou por completo.

 

Beberrico o meu gim tónico Nordés (versão leve) com água tónica Nordic, muito gelo, bagas de zimbro, casca de lima e um pedaço de folha de louro.

 

Tudo isto é bonito. Eu continuo entregue aos meus devaneios, ora amargos e por vezes doces (daí eu apreciar gim), próprios, segundo os escritores românticos, dos espíritos solitários.

 

Por vezes gosto de sonhar com a vida no campo. Lembro-me bem de um tio meu que parecia saído de um romance de Ivan Turguéniev, pois possuía um olhar doce, tinha os lábios enrugados, amava a natureza, especialmente de verão, pois era muito friorento, e era homem para expressar-se com toda a vulgaridade do mundo, dizendo coisas como esta: “Adoro ver cada abelhinha a transportar no seu corpinho, de flor em flor, o seu grãozinho de pólen…”

 

Conhecia quase todas as frases bempostas com que se socializava na época. Por isso acompanhava, com alguma perseverança, a evolução da literatura. Quase toda de cordel, por certo.

 

Gostava, no entanto, de se mostrar um leitor prático. Ouvi-lhe muitas vezes dizer que não se consegue alimentar um pintassilgo com cançonetas.

 

Também eu, qual Vassíli Ivánovitch, me vejo a trabalhar no meu jardinzinho, com árvores plantadas por mim, com frutos e bagas e flores e ervas medicinais.

 

Não me hei de despedir por hoje sem vos citar o velho médico militar russo reformado que, virando-se para os senhores jovens, lhes dá conta das suas cogitações.

 

“Como sabeis, deixei a prática, mas duas vezes por semana tenho que recordar os velhos tempos. Vêm-me consultar e eu não os posso pôr na rua. Acontece que os pobres me vêm pedir ajuda. E por aqui não há médicos. Há um vizinho, um major reformado, imagina, que também dá consultas. Eu pergunto: estudou medicina? Respondem-me: não estudou, não, ele é mais por filantropia… Ah-ah, por filantropia! Hem? Vejam só. Ah-ah! Ah-ah!”

 

Para homenagear quem devo, aqui fica a expressão latina suum cuique, que em português de lei podemos traduzir por a cada um o seu. E voilà tout.

 João Madureira

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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2016

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302 - Pérolas e diamantes: o calor de julho e outras merdices

 

Dizem os entendidos que nunca tivemos um mês de julho tão quente, com os valores médios de temperatura máxima a rondar os 32 graus, o que originou muitas noites tropicais. Daí a crise política se ter evaporado, pelo menos na opinião de Pedro Santos Guerreiro, o novo diretor do Expresso, que adota e subscreve as declarações do nosso presidente MRS. O calor de julho, por incrível que pareça, não teve expressão na mortalidade, mas, segundo dois jornalistas do Público, o cenário pode mudar. Quando o calor aperta, o rendimento do trabalho baixa, por isso a ONU prevê que as alterações climáticas tenham um forte impacto na economia global, porque vão levar a uma diminuição do rendimento profissional nos países mais pobres. Já ao nível do investimento, a bolsa registou o mês passado como o melhor dos últimos 19 anos. Pedro Nuno Santos acha que seria um erro provocar eleições, até porque a geringonça já chegou a ter 16 reuniões por dia. Atrapalhados com a situação do país, os deputados Domingos Pereira, João Gouveia, Joaquim Raposo, Pedro Pinto e Miranda Calha ainda não abriram o bico neste ano parlamentar. Manuela Ferreira Leite diz que nunca levou as sanções europeias a sério porque tinha a perceção de que tudo isto foi um teatro bem montado, em que o Governo e as autoridades europeias contracenaram com muita qualidade. Pedro Passos Coelho enfiou o barrete até às orelhas. Em 163.668 professores das escolas públicas portuguesas, apenas 451 têm menos de 30 anos. Já os alunos afirmam que andam a esforçar-se para ter sorte. No entanto, apostar no Euromilhões vai ficar mais caro a partir de setembro. Uma professora confessa ao Sol que, como as escolas são o barómetro da sociedade, os alunos refletem o desprezo pelo saber e a desesperança. Em Sesimbra, os turistas que ajudam a puxar as redes recebem peixe de borla. Os militares, gastos e cansados de tanta guerra, resolveram cerrar fileiras e lutar contra a idade da reforma. Segundo o Expresso, a Parvalorem, a antiga dona do BPN vai ser liquidada. A invasão dos Pokémons é mesmo verdadeira. Luís Onofre criou uma nova linha de sapatos masculina que pode tornar os homens mais altos cerca de 3 centímetros. O património ao abandono vai ser aberto a privados. Segundo o Expresso e o Ministério Público, os pagamentos a José Sócrates vêm desde a OPA da PT e têm origem na ES Enterprises, desde 2006. Para José Mourinho, andar a cheirar títulos não é o mesmo que ganhar. E no futebol roçar a arrogância é positivo. Por isso é que Portugal, segundo o Special One, partiu do pressuposto de que não ia sofrer golos e fazendo um ganhava. Por causa da pesca predadora feita nas costas portuguesas, pela procura desenfreada do mercado asiático, o cavalo-marinho, o meixão e o pepino do mar estão em vias de extinção. Segundo o jornal I, Ascenso Simões não foi afastado da campanha do Partido Socialista por causa dos cartazes. A razão é mais complexa. AS é transmontano, católico e da ala mais à direita do PS. E quem lê a entrevista até pode chegar mais longe e concluir que Ascenso Simões é também da ala mais à direita do catolicismo português pois prefere o Papa alemão Bento XVI, considerando que o Papa Francisco, quando lhe fazem uma pergunta, responde de forma inopinada, o que evidencia que é um Papa sem estrutura ideológica clara. E que a bonomia não é suficiente para uma igreja com 2000 anos. Presunção e água benta, etc. Quanto ao futuro do primeiro-ministro já o observou na bola mágica da vidente do vale de Vila Pouca: Quando a festa acabar, Costa deverá regressar ao parlamento europeu, cujo mandato interrompeu. Culturalmente vai mais longe, muito mais longe do que o PS alguma vez foi, pois, na sua douta opinião, o seu partido tem de perceber que a condecoração do governo francês a Tony Carreira é um elemento central (sim, central, não leram mal) do simbolismo público. Estou em crer que AS subscreve na íntegra as palavras de César Mourão: “Não sou um humorista, embora achem que sou.” Claro que ainda não atingiu (o Mourão, claro!) as explosões de humor do Vasco Santana n’O Pátio das Cantigas, mas é jovem e possui talento. Bem vistas as coisas, tudo é uma comédia de enganos. Diane Arbus defendia que fotografar de perto é a condição para existir como pessoa. Já Moebius ou Gir ou Jean Giraud, o magistral desenhador de BD, defendia que não existe qualquer razão para que uma história seja como uma casa. Pode ser como um campo de trigo, um elefante ou fogo de artifício. Francisco Valente noticiou no ipsílon que Barry Lyndon, do genial Stanley Kubrick, vai voltar a ser exibido nas salas de cinema. Na sua opinião, nunca um filme tão bonito nos mostrou o quão feios podemos ser. Claro que tudo isto me deprimiu. Julho deitou-me abaixo. Só podia. Mas arribei quando li a entrevista de Teodora Cardoso, a presidente do Conselho das Finanças Públicas. Explica que os economistas são um pouco incultos e aconselha-os a prestarem mais atenção à História, à Sociologia e à Ciência Política. Afirma que precisa de ler livros policiais para adormecer, pois distraem-na das preocupações do dia a dia. Mas o que me deixou deveras tranquilo foi a revelação de que do seu apartamento, com vista para o Bugio, acompanha, através dos binóculos, as regatas e a entrada e saída dos navios.

 

João Madureira

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Segunda-feira, 4 de Julho de 2016

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330 - Pérolas e diamantes: epístola aos néscios ou o princípio da pena

 

Dá pena observar os templos e as praças religiosas transformados em armazéns de venda de fancaria e pechisbeque. Tudo isso supostamente abençoado por Deus. Está visto que os vendilhões do templo nunca o abandonaram. Limitaram-se a esconder-se por detrás de algum altar.

 

Na Bíblia diz-se que os fariseus afirmavam existir um grande perigo em substituir um Deus no coração pelo coração de Deus. Os vendilhões invocam agora o Espírito Santo para apregoarem a sua mercadoria. Uns pensam que basta trazer ao peito um santinho para ganharem o céu. Outros consideram que o alcançam confessando-se, para depois irem tomar a hóstia com os olhos fechados e o coração momentaneamente apertadinho. Mas nada nesses atos tem algo a ver com o amor. É apenas rotina. Pensam salvar-se pela rotina.

 

Não vejo no olhar dos fariseus a doçura dos santinhos que marcavam as páginas do meu catecismo.

 

Os fariseus aparecem agora como os salvadores do mundo, mas são gente perigosa porque se especializaram em abstrações.

 

Estamos a embrutecer, meu Deus, estamos a embrutecer sem nos darmos conta. A impaciência cresce dentro de nós. Os amigos esfumam-se ou disfarçam-se. Por isso é que cada um de nós necessita de um inimigo em quem confiar.

 

A voz dos fariseus redime-os. Possuem uma voz funda e conveniente, regulada, uma voz treinada para mentir com elegância e convicção, exercitada para conquistar os adversários pela ilusória limpidez dos propósitos.

 

Os militantes da política cada vez se parecem mais com os religiosos sem Deus. Andam sempre a escolher o caminho às apalpadelas, sem revelar vontade própria, sem um princípio orientador. Sem um desígnio nobre.

 

Estão sempre a falar das razões pelas quais o seu partido tem razão antes mesmo de nos apercebermos de que a não tem.

 

Há demasiadas imagens deles a circular por aí, mas que funcionam ao contrário, em vez de os fortalecer, enfraquece-os. Pensam que melhoram como pessoas se se deixarem assessorar.

 

Sorrio. Só nos resta sorrir. Um bom sorriso é a melhor arma em qualquer lugar.

 

Depois olhamos para o que se passa no mundo e pensamos como é revoltante a atitude da maioria das pessoas que vivem na Europa e dizem sentir-se frustradas por não desfrutarem ainda do último modelo de telemóvel, por não vestirem a roupa de marca que está na moda ou de o seu carro não estar tão artilhado como o do vizinho.

 

Por mais que me esforce não consigo distinguir entre a violência “legítima” praticada pelos denominados governos legais e a violência “ilegítima” exercida pelos grupos insurretos. Todas as bombas mutilam e matam da mesma maneira. Não acredito na violência como argumento, nem na paz imposta pelas armas.

 

Não creio na razão da força. Acredito na força da razão.

 

Só após dedicar longas horas à leitura de textos das três religiões monoteístas é que me dei conta que possuem muitas coisas em comum. Apesar disso, judeus, muçulmanos e cristãos andam há mais de quinze séculos a matarem-se uns aos outros. Mesmo o Alcorão, que muitos apelidam de violento, afirma-se um livro da revelação que começou com Abraão e integra nos textos fragmentos, personagens e episódios da Bíblia e do Talmude.

 

Num dos seus contos iniciáticos, o Mullah Nasruddin narra que um dia apareceu no mercado um homem generoso que – vendo-o ridicularizado por, de cada vez que alguém lhe oferecia uma esmola, mostrando-lhe sempre duas moedas, uma dez vezes mais valiosa do que a outra, e pedindo-lhe que escolhesse a que preferia, Nasruddin escolhia invariavelmente a de menor valor –, lhe disse: “De cada vez que te ofereçam duas moedas, escolhe a de maior valor. Assim terás mais dinheiro e os outros não te vão considerar idiota.” Então o sábio Mullah respondeu: “O senhor parece ter razão. Mas se eu escolho a moeda maior, as pessoas vão deixar de me dar dinheiro para provarem que sou mais idiota do que eles. Não imagina a quantidade de dinheiro que já ganhei usando este truque. Não há mal em fazer-se passar por tonto se na realidade se está a ser inteligente.”

 

Um antigo provérbio árabe diz: “Tenta alcançar a Lua com uma pedra… Nunca conseguirás, mas acabarás por manejar a funda melhor do que ninguém.”

 

João Madureira

 

 

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Segunda-feira, 7 de Março de 2016

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280 - Pérolas e diamantes: lá à frente também chove

 

E de repente os pais entraram na discussão política em Portugal. E não foi da melhor maneira. O BE comportou-se como um elefante dentro de uma loja de porcelana.

É claro que cada um tem o pai (ou pais) que lhe calhou em sorte. Por exemplo, o pai de Magnus Pym, O Espião Perfeito de John le Carré, era tão aldrabão que se chegava a enganar a ele próprio. E, sobretudo, o que é desprezível, enganava o filho com o amor que lhe devotava.

Um dia o filho, já secretário comercial e funcionário encarregado dos vistos da embaixada britânica nos EUA, respondeu em carta a Rick: “Querido Pai. Fico muito contente por aprovares a minha nomeação. Infelizmente não estou em posição que me permita tentar convencer Pandita Nehru a conceder-te uma audiência, para lhe apresentares o teu plano de apostas mútuas no futebol, embora imagine com facilidade o avanço que isso poderia representar para a economia periclitante da Índia.”

O BE, mais papista que o Papa, resolveu utilizar a imagem de Jesus num cartaz para fazer uma campanha a assinalar a aprovação da lei que permite a adoção por casais do mesmo sexo, dizendo que “Jesus também tinha 2 pais.”

Dois pais também parece ter a brilhante ideia de nacionalizar o Novo Banco: não só o Partido Comunista, o que não é de estranhar, mas também o economista Vítor Bento, ex-conselheiro de Estado, primeiro presidente do ex-BES e um neoliberal assumido.

O Vítor economista veio lançar a ideia, peregrina por certo, de que a eventual nacionalização do NB serve para evitar que a consolidação na banca seja liderada por entidades externas. O PCP aplaude de pé. O PS espera sentado que a solução, qual fruto maduro, lhe caia no regaço.

Taur Matan Ruak, o presidente timorense, talvez sentindo-se órfão de mãe, resolveu acusar os dois putativos pais da independência de Timor Leste, Xanana e Alkatiri, de beneficiarem amigos e familiares em contratos do Estado, comparando tais privilégios aos que existiam no tempo do antigo ditador Indonésio Suharto, que eles combateram de armas na mão.

Matan Ruak disse no Parlamento que Xanana e Alkatiri usam a unanimidade e o entendimento para terem “poder e privilégios”. Bem-vindos sejam pois, estes dois progenitores, ao sistema democrático.

Mas voltemos ao BE. Bernardo Ferrão, no Expresso, disse que “imbecil” era a palavra certa para definir o polémico cartaz sobre a adoção gay com a imagem de JC.

A mim, que sou agnóstico, a provocação aos católicos deixou-me parcialmente indiferente. Não alinho em guerras ideológicas, nem sexuais e muito menos religiosas.

O que me deixa triste é que nem na provocação conseguimos ser criativos. As palavras impressas no cartaz são a tradução de dois placares da St. John’s United Methodist Church, publicitados nos EUA e no Canadá, um em inglês (Jesus had two dads and he turned out just fine) e outro em francês (Jesus aussi avait deux papas!).

É o nosso triste fado, nem na “imbecilidade” conseguimos ser originais.

Esta esquerda chique e bem vestida faz-me lembrar o tio do João, de um texto de António Mota, que depois de o seu sobrinho soprar as velas do bolo de aniversário, pega num caixote, senta-se no terraço e começa a encher balões. E ali fica toda a tarde: Pfffffffff… Pffffffffff… Pfffffffff…. Depois larga-os. E os balões lá vão subindo, guiados pelo vento, em várias direções. Não sabe para onde se dirigem nem onde vão parar. Nem isso lhe interessa. Acredita que algumas das sementes que levam dentro hão de germinar. Claro que dali poderão nascer algumas papoilas, mas delas nunca uma seara rebentará.

Na Tertúlia de Mentirosos, Jean-Claude Carrière refere um conto da tradição chinesa, que passo a contar aos estimados leitores, como forma de conclusão que tem a enorme vantagem de não ser conclusão nenhuma.

Um homem caminha lentamente à chuva. Um outro passa por ele apressado e pergunta-lhe: Porque não andas mais depressa? O homem lento responde: Lá à frente também chove.

 

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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