Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Solar da família Montalvão - Outeiro Seco - Chaves

Hoje vou reproduzir na íntegra, com a devida autorização do autor, um post de um blog que fala de nós, do nosso património. Desde que tive conhecimento desse post, congratulei-me mais uma vez pela existência da blogosfera, dos blogs e a sua contribuição para, com independência, trazer as verdades a lume, por muito cruéis que elas sejam. Gratuitamente prestam um autêntico serviço público de informação e fazer história que deveria caber aos media, se não estivessem tão dependentes do poder e o poder não fosse na maioria das vezes o responsável pelas desgraças denunciadas.

 

Pois hoje vem ao blog, mais uma vez, o Solar dos Montalvões de Outeiro Seco e logo por um blog de referência na matéria que se tem dedicado precisamente a mostrar o abandono daquilo que temos de melhor, o nosso património.

 

O post que vos deixo foi publicado há uns dias atrás (dia 27 de agosto) no blog RUIN’ARTE, de autoria do fotógrafo Gastão de Brito e Silva e tal como aparece no rodapé do título do seu blog se tem dedicado na blogosfera à:

 

HISTÓRIA MAL ACABADA. ARQUITECTURA DESLEIXADA, CULTURA MAL AMADA. PATRIMÓNIO INCOMPREENDIDO. PAISAGENS SEM SENTIDO.

 

 

Fica então na íntegra uma cópia dos post publicado no RUIN’ARTE no dia 27 de agosto onde para além da boa fotografia do estado atual do Solar dos Montalvões se faz muita da história do mesmo e dos seus antigos proprietários.

 

 

Solar da família Montalvão – Outeiro Seco - Chaves  

 

 

Pela longa e boa amizade que mantenho com alguns elementos da família Montalvão, há muito conhecia algumas histórias deste solar. Devia-lhe por isso uma visita e ruinosa intervenção, que pela distância entre este monumento e o meu Quartel General, foi adiada até uma oportuna viagem ao Norte, animada pela companhia do JJR e do bom amigo Dr. Mário Freitas, tornando possível este velho sonho que tive o privilégio de viver.

 

 

 

Uma vez que este monumento não está sequer cadastrado pela DGPC, toda a pesquisa histórica teria ficado comprometida sem a preciosa ajuda de um dos seus ilustres descendentes, o nosso amigo e seguidor, D. Luís de Montalvão, a quem devo este texto perfeitamente tecido, onde as memórias ainda vivas desta nobre casa contrastam com a sua triste realidade.

 

 

Certamente muitas perguntas ficarão por responder, e muitas lacunas não serão aqui preenchidas, é no entanto necessário não deixar de referir que o abandono a que foi votada deveria ser criminalizado por incúria autárquica e crime de lesa património...ah, se ao menos tivesse uma parede pintada pelo Miró... aqui vos deixo o contributo do amigo Luís, para que possam ter uma vaga ideia do tesouro que todos os dias definha sem que nada se faça ou alguém aja em nome de todos nós...

 

 

Situado no Concelho de Chaves, freguesia de Outeiro Seco, o Solar dos Montalvões foi um edifício erguido ao longo de pelo menos duas centenas de anos, provavelmente entre os séculos XVII e XVIII e com algumas adaptações feitas no XIX.

 

 

É um enorme bloco que se desenvolveu em torno de um pátio interior, segundo um modelo arquitectónico velhíssimo, vindo ainda de um tempo anterior a Roma e cujas várias fases construtivas são visíveis por diferenças estilísticas na fachada ou no interior, pelas diferenças de nível entre os vários corpos, separados entre si por pequenos degraus e ainda através de algumas fontes bibliográficas, arquivísticas e epigráficas, que atestam os vários períodos de construção da casa.

 


A casa que na região é conhecida por Solar dos Montalvões, família cuja história se liga ao edifício por um período de quase 250 anos, pertencia originalmente à família Álvares Ferreira, conforme nos indica José Timóteo Montalvão Machado, no livro os Montalvões, e terão sido eles os construtores iniciais do solar, isto é, dos lados Sul, Nascente e Poente. Aliás, o brasão que se encontra na fachada nobre apresenta as armas dos Álvares Ferreira e não dos Montalvões. 

 

 

Ainda segundo José Timóteo Montalvão Machado foi um membro desta família, o Capitão de Cavalos José Alvares Ferreira (morto em 1738) o grande construtor do solar, como o atesta o facto de ter várias e extensas cavalariças nos baixos da casa (corpos Nascente e Norte). 

 

 

No entanto pelas diferenças de nível entre estes dois corpos e a cozinha, presumimos que algumas partes sejam anteriores à vida do Capitão de Cavalos José Alvares Ferreira, portanto em pleno século XVII. Talvez a parte mais antiga da casa seja o corpo Sul, que corresponde ao que foi a cozinha.

 


Os Montalvões só aparecem nesta casa em 1746, quando uma jovem de catorze anos, Antónia Maria de Montalvão Morais (1732-1809), casou com  Miguel Alvares Ferreira (1716-1779), filho do já referido capitão de cavalos, José Alvares Ferreira. Desde essa época, até aos dias de hoje, o nome Álvares Ferreira foi caindo aos poucos e vingando o apelido Montalvão, uma família com origem na vizinha Galiza e que se passou para Portugal, no tempo do domínio dos Filipes.

 

 

É do tempo de vida desse casal, Miguel Miguel Álvares Ferreira e Antónia Maria de Montalvão Morais, que devem ter tido uma existência economicamente desafogada, que  temos mais documentos e notícias acerca de grandes obras no Solar. 

 

 

Conforme documentação existente no Arquivo Distrital de Braga, sabemos que entre 1761 e 1762, Miguel Alvares Ferreira, requereu autorização para erigir a capela do solar, sob invocação de São Salvador do Mundo, em cumprimento de um voto de sua mãe, Maria Sobrinho. Este processo, cujos documentos tinham a missão de provar que o casal tinha bens para financiar a construção da capela e assegurar a realização de uma missa perpétua por alma de Maria Sobrinho, descreve parte das construções já existentes, demonstrando-nos que em 1762, o corpo poente do solar, a fachada nobre, já estava concluída.

 


"...as cazas do doante …confinão e correm com duas ruas publicas ambas com cunaes, solio e frizio e cornija Huma pello norte, e outra que corre pello poente com estrada mais publica para o sul adonde tem hum arco bem feito e bastantemente alto, e no meyo remate huma pedra de armas das asendesias do doante e por este arco se entra para o patteo das cazas, e nesta parte que pega acima das ao patteo e he munto capaz, e corre para o Sul pretende fazer a Cappella com porta para o poente"- No entanto, as obras da capela, que é o corpo arquitectónico do solar com um tratamento mais cuidado, foram só concluídas em 1784, já depois da morte de Miguel Álvares Ferreira (1779), pela sua viúva Antónia Maria de Montalvão Morais, que a 29 de Abril desse ano pediu provisão para benzer e consagrar a capela, a “qual se acha perfeitamente acabada”, conforme se pode ler no respectivo processo no Arquivo Distrital de Braga.  

 

 

Também é do tempo desta Senhora, Antónia Maria de Montalvão Morais, que se constrói a escada interior do pátio de honra, em 1782, conforme se pode ver pela data da verga da porta e se encomenda também o sino da capela, em 1790, e que hoje se encontra a salvo da destruição na Capela de Nossa Senhora do Rosário, na mesma povoação de Outeiro Seco.

 

 

Acerca da talha que ornamentava a capela, hoje pilhada e retalhada nada se sabe, mas era de excelente qualidade, a julgar por fotografia antigas. Creio mesmo que terá sido concebida por André Soares (1746-1769), o grande arquitecto ou entalhador bracarense, ou talvez por algum dos seus discípulos, embora essa hipótese careça de provas documentais.

 

 

 

Estes são os dados mais objectivos acerca da cronologia da construção do Solar, que não é uma peça arquitectónica de excepção, como o Solar de Mateus ou Palácio da Brejoeira, mas é um exemplar muito representativo do tipo de casas que a fidalguia rural mandava construir em Trás-os-Montes nos séculos XVII e XVIII. 

 

 

 

Embora não contasse com peças de mobiliário de excepção, o seu recheio era significativo. Possuía uma importante biblioteca, localizada num dos salões do corpo nobre do solar, que contava com cerca de 1900 títulos, o que era muito para a época, onde avultavam muitas edições dos séculos XVIII, XVII e ainda quinhentistas, sendo que algumas das obras eram raras. 

 

 

Foi vendida pela família ao desbarato no início dos anos 80 a um alfarrabista de Lisboa. Desta biblioteca, conservou-se apenas o catálogo. Também num dos salões nobres existia aquilo que a família chamava um museu, que na verdade era aquilo que tecnicamente se designa por um gabinete de curiosidades, formado por muitos objectos arqueológicos, etnológicos e colecções de filatelia e numismática. 

 

 

Foi sobretudo constituído por um dos habitantes da casa, o Padre José Rodrigues Liberal Sampaio (1846-1935), um homem extremamente culto, um jurista, um pregador, um arqueólogo, um numismata, um jornalista, enfim um polígrafo, como se diria no século XIX.

 

Foi sócio da Academia das Ciências e da Sociedade Portuguesa de Arqueólogos, correspondia-se com homens eminentes, como o Abade de Baçal ou o arqueólogo Mendes Correia e no seu tempo, a casa tornou-se um pequeno centro de saber, tendo recebido entre outros intelectuais a visita do arqueólogo José Leite de Vasconcelos. 

 

 

Todo esse espólio foi disperso pelos vários membros da família. Esta casa  transmontana foi também o palco dos amores ilícitos entre José Rodrigues Liberal Sampaio e a senhora da casa, Maria do Espírito Santo Ferreira Montalvão (1856-1902), uma fidalga que teve a coragem de assumir a relação com um clérigo e de viver maritalmente com ele e dele ter tido filhos. 

 

 

Não foi um escândalo tão grande como os amores de Ana Plácido e Camilo, mas sem dúvida viveram com coragem uma paixão camiliana. Maria do Espírito Santo está sepultada na casa, na capela, apesar de em 1902, já ser expressamente proibido sepultar os mortos dentro das igrejas.  

 

 

Em 1912, o Solar de Outeiro Seco viu também passar os militares da segunda incursão de Paiva Couceiro, que em fuga para Espanha, abandonaram muitas armas pela propriedade da casa, sendo algumas delas recolhidas e conservadas no museu da família. 

 

Nesse período, a casa foi revistada pelas tropas republicanas e José Rodrigues Liberal Sampaio, um monárquico convicto, esteve alguns dias escondido num quarto secreto do Solar, até conseguir fugir para Espanha. 

 

 

 

A família manteve-se orgulhosamente monárquica e a bandeira azul e branca esteve hasteada na casa durante toda a república. Só nos anos 30, já no Estado Novo, quando o presidente Carmona visitou o Solar, alguém se lembrou que os tempos já eram outros e a bandeira foi recolhida para o chamado museu.

 


A Casa continuou a ser ocupada por José Maria Ferreira Montalvão (19-05-1878/24-5-1965), filho dos amores ilegítimos do padre com a fidalga, um grande proprietário, o homem que pagava maior contribuição autárquica de todo o distrito de Vila Real, e que assegurou até à sua morte a vida de um grande domínio agrícola, quase feudal, de uma forma autoritária, mas ao mesmo tempo paternalista e generosa, a acreditar nos testemunhos de quem ainda se lembra dele na aldeia de Outeiro Seco.

 


Depois da sua morte, a casa ficou desocupada e entrou num lento processo de declínio. Os seus descendentes venderam em 1986 o Solar à Câmara Municipal de Chaves, sem acautelar o seu destino e a respectiva utilização. 

 

 

As imagens da capela deram entrada no Museu Municipal de Chaves, algumas delas estão hoje expostas no Museu de Arte Sacra de Chaves, mas o Solar foi pura e simplesmente abandonado à sua sorte pela edilidade flaviense.

 

 

Vagabundos instalaram-se na casa, acenderam fogueiras que queimaram os pilares e fizeram ruir a estrutura. A talha da capela foi  pura e simplesmente pilhada. Por ordem ou iniciativa de sabe-se-lá-quem, diversa cantaria foi retirada da casa e espalhada por vários pontos da aldeia. No pátio rural em frente à cozinha foi instalado um palco feito com pedra da casa e muito, muito cimento.

 


Enfim, é um processo longo, triste e inexplicável de incúria por parte da autarquia de Chaves, que deixou ruir um dos edifícios mais interessantes do Concelho.

 

 

 

Perante tanta tristeza, fica a memória do tempo em que a casa era uma espécie de senhorio feudal, uma honra, em que bastava que alguém segurasse a aldraba da porta principal do pátio, para ficar fora do alcance da justiça régia.

 

O meu Pai, que não é ainda tão velho como isso, recorda-se de na sua meninice ouvir falar ainda de um senhor muito velhinho, fugido da justiça, que se refugiou no Solar e terminou ali os seus dias. Hoje, o Solar dos Montalvões é apenas um dos muitos e banais exemplos, de que quase todos se estão nas tintas para o património cultural.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:57
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Sábado, 22 de Março de 2014

momentos, olhares e devaneios -3



Um momento com gente dentro, em Outeiro Seco.


publicado por Fer.Ribeiro às 19:31
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Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

Rescaldos dos últimos incêndios

Incêndio de Outeiro Seco

Tal como já referi, ontem não me foi possível sair de casa mas hoje fui fazer o ponto da situação e saber o porque da cidade de Chaves ter estado debaixo de fumo. Claro que os medievais romanos do Tabolado não tinham força para tanto fumo, mas a esses já lá vamos a seguir.


Ontem à tarde (domingo) - Abobeleira

Trago quatro imagens de dois incêndios: - o de sexta-feira de Outeiro Seco, já extinto e o de ontem e hoje (pois reacendeu) na zona da Abobeleira que ao que pude apurar teve início na freguesia de Calvão.

 

Pelo rastro que deixaram e que tão bem se pode ver numa das fotos, ambos os incêndios estiveram à beira de entrar pelas povoações dentro mas (penso) que felizmente não entraram, mas que deixaram cheiro a esturrado, lá isso deixaram.


Incêndio de Outeiro Seco

Esturrado em todos os aspetos, primeiro no cheiro e nas cinzas que não os desmente depois o do tal negócio da época dos incêndios, agora agravado por uma crise de mando ou de quem manda e nesta, estou inteiramente solidário com os bombeiros, ou quase inteiramente, pois nunca convém metermos as mãos no fogo, agora quanto à proteção civil, essa, sempre me cheirou a um grande, mas grande negócio, sem nada (na prática) que possa argumentar a favor da sua existência. Talvez a sua existência se justifique na teoria, mas de teóricos andamos nós fartos…

 

Ontem à tarde (domingo) - Abobeleira - visto das Traseiras do Casino


Estranho também ver nestes incêndios bombeiros de todo o país. Há dias, no Incêndio das Nogueirinhas vi bombeiros de Matosinhos e Leixões. No de ontem eu vi bombeiros de Coimbra mas disseram-me que também viram por aí os de Sesimbra, entre muitas outras corporações de outras localidades.  



publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Domingo, 26 de Agosto de 2012

Outeiro Seco - Chaves - Portugal

 

Hoje vamos mais uma vez até Outeiro Seco, que por sinal é uma das aldeias que mais tenho fotografado, mas, nas publicações que aqui deixo acabo por cair quase sempre nos mesmos motivos, e a razão é simples, caio sempre naquilo que Outeiro Seco vai tendo de melhor.

 

As capelas, o Igreja Medieval, o cruzeiro e o Solar dos Montalvões, mesmo estando este último em ruínas, ainda vai deixando à vista o ar da sua graça, ou pelo menos da graça que teve, pois embora ainda fotogénico, mete dó o seu estado atual, tal como a quinta que o acolhe.



Quanto ao casario, que se desenvolveu fundamentalmente ao longo da estrada, embora até em PDM tenha núcleo protegido, algumas intervenções menos felizes deram cabo da uniformidade daquele que poderia ser considerado casario tradicional rural, e não são só as intervenções mais recentes, pois algumas suponho serem já dos anos 50 a 70. E tanto assim é, que pessoalmente não vejo razão para ter núcleo protegido, aliás não é caso único, pois penso que os dedos de uma mão devem chegar para as aldeias que hoje em dia mantêm ainda núcleos com interesse.




Assim não admira que embora o meu arquivo até esteja recheado de fotos de Outeiro Seco, as que passam por aqui acabem quase sempre por serem da Igreja Medieval e do Solar, isto dentro daquilo que são os meus gostos, claro, pois as modernidades nas aldeias não me seduzem muito.



publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 23 de Outubro de 2011

Outeiro Seco e o que resta do Solar dos Montalvões

 

Tal como ontem, hoje continuo a recorrer ao meu arquivo fotográfico para vos trazer aqui algumas imagens e, se às vezes dá gosto percorrer e rever as imagens de arquivo (não muito antigo), outras vezes revolta ver aquilo que ficou registado. É o caso de hoje.

 

São imagens de uma das construções, um solar neste caso, que há coisa de 20 anos atrás, embora desabitado, era uma das construções mais nobres e bonitas do género (solares) que existia no concelho de Chaves. Pertença da família Montalvão (Montalvões de Outeiro Seco) que o cuidou e manteve na sua integridade e beleza até que foi vendido nos anos oitenta à Câmara Municipal de Chaves, para aí acolher uma universidade. Se a ideia era nobre depressa caiu por terra e as razões são conhecidas por todos. Na época o futebol era mais importante que as universidade e enquanto o povinho andava contente e enganado com os grandes feitos de um Desportivo na primeira divisão, à margem, negociava-se… mas não eram universidades.



Com a compra do Solar dos Montalvões de Outeiro Seco, começou também a sua decadência e como passou a ser coisa pública (ou da Câmara que é a mesma coisa), o Estado (ou a Câmara), que olhasse por ele. Mas não olhou. Acontece que embora coisa pública, também é património, e de interesse, e como tal, para além de ser coisa pública, é de todos nós e de quem lhe está próximo, ainda muito mais. Mas não. Não foi. A Junta de Freguesia que deveria ser a primeira a preservar o seu património, além de fechar os olhos à degradação do solar em nada entreviu para o salvar e nas poucas intervenções que fez ( e se não fez foi com o seu conhecimento) foi para destruir parte das construções anexas existentes no seu pátio exterior. Mas não só o Estado (Câmara e Junta de Freguesia) são culpados, pois o povo de Outeiro Seco também o é, directa ou indirectamente. Directamente nas pilhagens e vandalização do solar, com mais significado na sua capela da qual apenas sobraram as paredes e, indirectamente responsável ao não denunciar os culpados do vandalismo e pilhagens, bem como o estado moribundo do solar. Ninguém fez nada por salvá-lo da ruína e se gente houve que ousou, as suas vozes foram silenciadas e pela certa não lhe faltaram dedos apontados.

 

 

Custa-me sinceramente ter este tipo de discurso num blog que até se propunha mostrar aquilo que temos de bom, mas denunciar também é um dever de cidadão, principalmente quando é de património que se trata e, se esse património é público, então o nosso dever da denúncia aumenta. Talvez agora que todos nós somos culpabilizados e penalizados pelos erros que os políticos foram cometendo nestas últimas décadas nos comecemos a dar conta que denunciar é preciso e que a coisa pública, quando é para pagar, também é nossa.

 

Claro que no presente caso (Solar dos Montalvões) apenas indirectamente contribuiu para a crise financeira actual, pois nele não foi gasto um único tostão (agora cêntimo) para além do valor de aquisição, mas perdeu todo o seu valor ao adquirir o estatuto de ruína, mas já ao lado, na freguesia, foram gastos uns milhões largos de euros em instalações, infra-estruturas e acessos que não funcionam e todos estamos a pagar. Mais valia nada terem feito e terem dispensado meia dúzia de euros para, pelo menos, não deixar degradar o Solar de Outeiro Seco.

 

 

Já sei que estas palavras vão fazer alguma comichão a  alguma gente, mas têm bom remédio – que se cocem e enquanto o fazem podem aproveitar para contabilizar a sua quota de culpa na situação.

 

Ainda antes de terminar tenho que fazer aqui mais um apontamento, pois estava a ser injusto, pelo menos para uma pessoa, que nesta fita até faz o papel de bom e é outeirosecano. Trata-se da pessoa que em boa altura se deu conta que os santos da capela do solar não estavam seguros e intercedeu para que fossem retirados e guardados na Câmara Municipal, onde ainda penso estarem em bom estado de conservação, mas como sempre destes pequenos mas grandes feitos não vai rezar a história e nela, como a maior parte das vezes, ficam apenas registados os feitos e nomes dos que menos merecem, mas que têm ou tiveram influência para nela constarem.

 

Ao meia dia temos por aqui mais um conto do mundo que acabou, de autoria de Herculano Pombo.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:52
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

Crónicas Ocasionais - Ainda Outeiro Seco em Jeito de Comentário

 

 



“Mau homem é aquele que sabe receber um benefício e

não sabe devolvê-lo

 

 

 

 

O BLOGUE “CHAVES”, da autoria do Senhor FERNANDO RIBEIRO, tem dedicado com todo o empenho os Post(ai)s do fim-de-semana às ALDEIAS FLAVIENSES.


Claro que a vaidade de cada um faz com que se considere SEMPRE atrasada a reportagem acerca da sua.


Normalmente, os que menos contribuem para o engrandecimento da «sua terrinha», são os mais lépidos a exclamar:


- “Até que enfim!”.


E, quando aqui lhe chega a vez, empanturram o seu Ego de secreto orgulho e obesa vaidade ao confundir a ressonância do nome e dos atributos da sua ALDEIA, com ao eco que deseja para o seu nome    -   o seu EU.


É assim com muitos dos que visitam este BLOGUE   -   aqueles que de maneira alguma têm uma palavra de reconhecimento para quem, desinteressadamente, dá a conhecer o seu torrão natal     -   quer seja na Caixa de comentários, quer por e-mail, por telefone, pessoalmente, ao autor do Post(al); quer seja no local de reunião ou de encontro ocasional com qualquer amigo, «compadre, ou  companheiro circunstancial.


Alguns buscam e rebuscam uma falha, um  lapso,  um erro, para desfazer do trabalho apresentado, pois encontram mais satisfação glandular e espiritual na oportunidade do desdém  hipócrita do que numa palavra de felicitação para quem lhes deu algum consolo bairrista, lhes consolou a saudade com a lágrima caída, lhes deu motivo para começar o dia com um “Bom Dia!” mais jovial , logo ao primeiro amigo, colega ou conhecido que encontre.


Mas também há os que se comovem, se sentem felizes e que, mesmo sem letras ou palavras, elevam o seu agradecimento.


A satisfação de se ver AQUI uma menção a uma ALDEIA, seja ela qual for, não toca só o coração dos naturais e/ou moradores da mesma     -   todo o bom e genuíno FLAVIENSE, NORMANDO TAMEGANO e TRANSMONTANO fica contente por mais uma oportuna divulgação de um pedacinho da NOSSA TERRA.


Porém, os engajados em compromissos espúrios, os nombrilistas,  os invejosos, e os ingratos arranjam sempre um enviezado pretexto para denegar o mérito e a grandeza de quem os beneficiou.


O comentador de Outeiro Seco revelou ser uma pessoa de má fé.


Confunde a sua ALDEIA com o seu Eu.


O seu comentário revelou os altos níveis de escatol transportados no seu auto-convencimento e nos meios que utiliza para alcançar os seus fins.


Lamentamo-lo, pois, apesar de algumas divergências conceptuais (necessariamente superficiais que ambos entendemos), esperávamos (como visitante deste BLOGUE),  esperávamos mesmo, outro tipo de comentário do sr. RIO de OUTEIRO SECO.


Como sinal de despedida (do comentário) dedicamos ao sr. Altino Rio o pensamento:


 

-“ A gratidão, como o leite, azeda, caso o vaso que a contém não esteja escrupulosamente limpo”.

 

 

Tupamaro

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:30
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Mais Altino Rio...

Hoje era para haver feijoada, mas não vai haver, pois temos mais Outeiro Seco ou Altino Rio, com um pedido de publicação em defesa da sua honra.


Pois meu caro Altino vou publicar a tua resposta, à qual não vou responder, pois não entro nesse tipo de jogo de ping-pong que vós políticos tanto gostais. Não vou por aí, pois o que tinha a dizer sobre Outeiro Seco já foi dito. Poderás continuar a comentar o que quiseres que não me arrancas nem mais uma palavra de resposta, tanto mais que deturpas tudo aquilo que eu digo e usas do jogo que me acusas, o tal  das rasteiras sub-reptícias. Pois como sabes ler (isto a respeito do cicerone) recomendava-te uma leitura mais atenta e tranquila daquilo que eu escrevi sobre quem foi o meu cicerone, pois parece-me que o que lês, não é bem igual àquilo que eu escrevo.

Meu caro, da minha parte acaba aqui o jogo de ping-pong,  não vou por aí e nem quero converter este blog num “chat de compadres”.


Assim, e para que a tua honra se componha, dou-te toda a razão do mundo e mais alguma, se a houver. Podes ficar com a bicicleta, com os pedais, com as rodas, a caixa dos remendos, a câmara-de-ar suplente e com a campainha, principalmente esta, pois pode dar-te jeito para te anunciar antes de chegares aos locais… e depois, a nossa conversa não iria chegar a nenhuma conclusão além de estar a entrar num tom muito baixo que não é lá muito do meu agrado…


Pois aqui fica o teu texto na íntegra, porque eu publico-os, mas será a última vez que terás direito a tempo de antena numa resposta em post, pois este blog tem a sua vida própria e dispensa bem este tipo de coisas, no entanto, terás sempre a caixa de comentários ao teu dispor.


Lá diz o ditado popular que não há pior cego que aquele que não quer ver….  E com esta me vou, naquilo que a ti diz respeito, para sempre.

 

P.S.  - Mas continuo a aguardar um convite teu para fotografar os Santos nos respectivos altares.

 

 

 

Em defesa do honra agradeço a publicação deste texto, se possível nos mesmos moldes da tua resposta
Sempre ao dispor
Altino Rio

Caro Fernando Ribeiro
Agradeço a excepcionalidade da tua resposta, facto que muito me honra. Temos alguns interesses e gostos comuns, divergências saudáveis ou quem sabe pela luta das audiências…assim ganharás mais visitantes e poderás comemorar publicamente os milhões de visitantes.

Este meu escrito (pois tenho muito mais que fazer em prol da minha terra) poderá ser útil para repor a verdade, para não confundir e dividir as pessoas.
E assim algumas e breves informações e considerações:

- Quando me referia a um dos cicerones tratava-se do Humberto Ferreira (este é que tem um contencioso com a Autarquia) e nunca o Carlos Félix. Conheço-o há muito mais tempo que tu e dele tenho a maior consideração. Por isso nada de confusões nem rasteiras sub-reptícias.
Se me tivesses convidado para cicerone daria o meu melhor: levava-te a conhecer os lagares cavados na rocha, sepulturas (bem visíveis e identificadas), ao altar celta (um dos maiores achados arqueológicos - em fase de homologação – consultar Dr. Manuel Martins), abria-te as portas das igrejas e capelas, pois os habitantes suprem as carências estruturais sistémicas. Mas caso quisesses ver mais defeitos do que apontaste é lógico que te levaria a muitos outros sítios para serem denunciados (que não é a mesma coisa que contribuir para serem resolvidos)…não tenhas dúvidas que faria isso.
Quanto aos postes e fios pelo ar concordo contigo em boa parte. Sempre me meteu confusão. Fiz o que estava ao meu alcance para inverter na resolução desta situação, realizei candidaturas e diversas diligencias….conseguimos inverter algumas situações mas muito pouco. Mas mais importante que a beleza, o conforto destes meio para todos os utilizadores faz-me mais feliz. Fruto das modernidades.
Quanto ao Solar e Quinta o meu trabalho, enquanto cidadão, responsável associativo e autárquico fiz o que estava ao meu alcance para rentabilizar este património. A Casa de Cultura dinamizou durante anos o pátio dos Montalvões , (através de um protocolo com a UTAD ) com animação e cultura: 2 representações do “Ramo” – Auto de Natal, cafés concerto todas as sextas-feiras de Verão, festejos diversos, teatro…; o Solar foi apresentada uma proposta para museu etnográfico, como já referi e a Quinta tem um projecto global. Essa de meter os projectos na gaveta é mesmo muito cinismo: que o governo de Sócrates abra um dos programas de apoio e a construção do lar, em 3 anos, garanto-te que será concluida. E outros projectos para lá previstos seriam uma realidade se o interior não continuasse a ser desprezado por governantes que apenas privilegiam o litoral.
Continuo a pensar que o folhetim a que te referes é de má qualidade por só conter inverdades. Quando se emite uma opinião sobre factos tem de se ouvir ambas as partes. Pergunta então ao Padre da localidade, um homem culto, que ele te informa. Quanto à venda do folhetim pela AMA, por favor não violentes as pessoas. Diz mal das entidades que nos apoiam e somos obrigados a vende-lo? Valham-nos os Santos mesmo os que ainda não estão nos altares.
Com que então a Quinta dos Montalvões é publica….já ouvi essa teoria noutras ocasiões. Então se é entendes que é publica porque criticas quem deita lá os desperdícios? Se é de todos…A proprietária é da Autarquia e pode programar as obras como bem entender. Os desperdícios não degradáveis serão utilizados nas futuras obras...isto é que é pensar à distância. Olhemos para a lua e não para o dedo. Uma vedação opaca resolveria a questão…vou sugerir ao Presidente da Autarquia, Dr. João Batista, para não ferir tanto as susceptibilidades tão requintadas de gente fina. Oxalá tenha razão…mas à semelhança da Avenida da Enfermagem/Utad, do muro e da via sacra as outras obras serão realidade com gente que tem ideias, projectos e os concretiza.
Quanto à divulgação dos meus blogues agradeço a publicitação, tudo menos lugar das comadres, pois tem mais comentaristas residuais que o teu, e outras coisas melhores (coerência com o editorial) tomando as devidas proporções 1:40.
Quanto ao teu ultimo texto nada a comentar. Não me toca...sempre subi a pulso. Não tenho culpa da tua “fortuna”.


Altino Rio

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:34
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Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Ainda Outeiro Seco - a ressaca de um post...

Nos posts de Sábado passado dedicados à aldeia e freguesia de Outeiro Seco, Altino Rio fez um comentário que, embora eu não costume responder a comentários, não poderia ficar sem resposta, pois há que repor algumas verdades e desfazer certas insinuações. Quis dar-lhe resposta na caixa de comentários, mas tal não me foi possível, pois tal caixa só admite 4300 caracteres e a minha resposta tem mais de 8000. Assim, excepcionalmente fui obrigado a fazer um post de resposta, onde para melhor se entender, deixo a abrir, o comentário de Altino Rio:

 

Caro Fernando Ribeiro
Finalmente chegou o post relativo a Outeiro Seco. Estava com uma certa curiosidade. Retrataste todas as freguesias, destacando os aspectos mais típicos, recorrendo a fotos de belo efeito, com destaque para o seu património ancestral e claro ao fio azul.


Outeiro Seco teve um tratamento diferente…e logo pelos piores motivos. Meteste-te em assunto que não dominas e por cima acompanhado por um cicerone que está mal informado e tem uma questão pessoal mal resolvido com a Câmara Municipal. Logo as tuas conclusões são sempre facciosas. Deverias ouvir várias correntes de opinião e bem sabes que há outras pessoas mais bem informadas e eu estaria sempre disponível para as questões de Outeiro Seco. Ou então tiravas umas fotos bonitas que tão bem sabes fazer.


Como compete um comentário não deve ser longo, pois poderia responder ponto por ponto. Deixo-te apenas cinco notas:


- Assumo a Vice-presidência da AMA e vejo que desconheces o trabalho que esta instituição tem feito com o apoio inexcedível da Autarquia. Seria possível vender um folhetim que só diz mal da Comissão Fabriqueira e da Câmara Municipal de Chaves (ex: Presidente da Câmara com letra pequena). Este documento é uma autentica nulidade. Isto é que serve para dividir a aldeia. Cabe na cabeça de alguém dar cobertura a um documento desta índole. A Direcção, por unanimidade, disse não à venda deste documento. Quanto aos santos não estarem nos seus lugares a informação que prestaste é falsa.


- Quanto ao lixo na quinta dos Montalvões só falta uma rede a vedar a propriedade privada (pelo menos para os gados não irem pastar). Trabalhas na Autarquia e pedes ao Arqtº Rodrigo que te informe dos projectos para lá previstos. No que à AMA diz respeito só falta o apoio do Engº Sócrates e o Lar já seria uma realidade. Muito lixo já se retirou colocado pela gestão socialista – carros velhos, vidros proveniente dos vidrões do concelho de Chaves, …). Nunca denunciaste tal situação. Porque?


- Quanto ao Solar o maior responsável pela sua degradação foi a gestão socialista através do protocolo com a UTAD , por 10 anos. Agora não há projectos para este edifício pois já solicitei que o mesmo fosse utilizado para um museu etnográfico, com fins culturais e pedagógicos.


- Existem vários documentos escritos, como em nenhuma localidade do concelho, recomendando este último “No Outeiro das lembranças”, o qual pelo menos tem um artigo que mereceria a tua referência. Foste logo escolher como referência, o pior escrito até hoje publicado em O. Seco. Compadrio? Diz mal da Câmara e já interessa? Não vês que é apenas uma questão pessoal.


- Quanto ao Blog Tradição e Modernidade é bem mais do que retrataste. Não é político, não é conversa de comadres e sempre esteve livre. Como sabes agora é só semanal e estatisticamente um dos mais concorridos na região.


Não é meu hábito dar “lições de moral” a quem quer que seja. Mas sinto-me melindrado porque “quem não se sente não é filho de boa gente” e acima de tudo pela necessidade de, cada vez mais, dizer a verdade…verdade que conduz à liberdade. E de mentirosos estamos todos fartos.


Altino Rio

 

Pois aqui fica a resposta, também em tom pessoal, tal como o comentário:

 

Tens realmente razão quando dizes que Outeiro Seco teve um tratamento diferente, começando logo pelas ilustrações e fotografias, pois aldeias houve que apenas tiveram direito a 5 fotografias e todas as outras se ficaram entre as 10 e 20 fotografias. Outeiro Seco teve direito a 52 (fotografias/ilustrações) e penso ter retratado nelas todo o património arquitectónico e religiosos digno de realce bem como uma ideia geral da aldeia. Só não trouxe aqui os lagares e as sepulturas da Quinta dos Montalvões, porque como deves saber, ou estão por entre o mato ou foram tapadas com entulhos e lixos e, até há quem diga, que foram destruídas na altura das recentes obras da estrada e, como tal, não poderia fotografar aquilo que não está à vista ou até já nem existe. Claro que, como em todas as aldeias e freguesias, também deixo os meus lamentos e considerandos sobre aquilo que é visível, afinal o blog é pessoal.  Se lesses todos os posts dedicados às aldeias, saberias isso. Portanto se Outeiro Seco teve um tratamento diferente, foi pela positiva e na tentativa de trazer aqui tudo sobre a Aldeia e Freguesia.

 

Quanto ao cicerone que me acompanhou em Outeiro Seco, o Carlos Félix, tenho dele as melhores referências, não só como pessoa, mas também como colega e amigo além de ser um verdadeiro interessado pela história, não só de Outeiro Seco mas de todo o concelho e, já se torna hábito constar um agradecimento à sua pessoa e nome em todas as publicações que se fazem sobre a história da região. Tenho muito gosto e honra em tê-lo como amigo e colega além de sempre nutrir por ele muita consideração, amizade e respeito, além de não me parecer mal informado, como tu dizes, antes pelo contrário. Agora se tem ou não questões pessoais mal resolvidas com a Câmara, isso já não é assunto meu, pois tal como tu dizes – são pessoais - , mas também pelo que conheço dele, não me parece ser pessoa para ter “questões” com quem quer que seja, mas se tu o dizes…

 

Quanto à beleza das fotos, não me pronuncio pois não advogo em causa própria. Fiz o melhor que sei e nalgumas delas até tive muito trabalho a retirar-lhe postes e fios eléctricos que só desvirtuavam a beleza daquilo que queria retratar, como foi o caso da Igreja Paroquial (numa das fotos) e da capela de Nossa Senhora da Portela, entre outras. Agora se te referes às fotografias da capela do solar, às do próprio solar e da lixeira da Quinta dos Montalvões, nessas tens razão, não pela qualidade das fotos, mas pela qualidade daquilo que é retratado, pois o que se vê nelas não é nada de agradável, mas devem ser entendidas como – fotos de denúncia – e nessas não há montagens, é a realidade que está (infelizmente) à vista de todos, ou não está?

 

Quanto à AMA, além do donativo que fiz de 5€, nada mais sei. Aliás este trabalho que tenho feito sobre as aldeias, sozinho, de borla, com sacrifício dos meus fins-de-semana e tempo livre, não me tenho debruçado sobre as associações, pois nem o meu dinheiro nem o tempo dão para tudo e nunca tive a sorte de ser subsidiado para fazer seja o que for, e nem quero, pois isso, pela certa, implicaria silêncios e submissões às quais a verdade e a liberdade não devem estar sujeitas.

 

Quanto às vossas guerrinhas entre os responsáveis da AMA, da qual fiquei a saber seres Vice-Presidente, e a publicação “Altares Vazios” do Beto Alferes,  aí não meto o bedelho. Eu apenas relatei aquilo que me contaram (pessoas de Outeiro Seco)  quanto à proibição da venda dessa publicação. Convenhamos que proibir a venda de uma obra, são coisas do passado, e quanto à publicação referida, não penso que seja um “folhetim” e uma autêntica “nulidade” (como tu dizes), mas antes um documento importante sobre o património religioso de Outeiro Seco, tal como do Solar dos Montalvões e, só é de louvar a intenção benemérita de oferecer as receitas à AMA. Aliás outra coisa não poderia fazer. Quanto ao resto, às tais correntes de opiniões, quezílias e afins, isso é coisa vossa na quais não me meto. Quanto à tua disponibilidade para me mostrares o teu Outeiro Seco, desculpa-me, mas penso que o Carlos Félix é um bom cicerone, isento e sem vícios em questões políticas  e partidárias, por isso, não poderia ter escolhido melhor para me dar a conhecer Outeiro Seco. No entanto agradeço a tua disponibilidade.

 

Quanto aos santos não estarem nos seus lugares a informação que prestaste é falsa – Isto são palavras tuas, pois todas as pessoas que abordei me disseram (com pena) que os Santos não estavam nos respectivos altares e nas respectivas capelas. Erro meu não o ter confirmado, mas também nenhuma das portas das capelas se abriu à nossa reportagem e digo nossa, porque nesse dia até éramos 6 fotógrafos, entre os quais 3 do Porto, que tal como eu, viram as coisas bonitas que Outeiro Seco tem para oferecer, mas também retrataram o resto, com um lamento, principalmente com um grande lamento pelas ruínas do solar. Deduzimos que as portas das capelas sem santos não tivessem sido abertas porque as pessoas responsáveis por essas capelas tivessem vergonha de mostrar os altares vazios – mas claro que isso foi dedução nossa. Fico pois feliz em saber que os Santos regressaram às suas capelas e até aceito um convite teu para os ir fotografar nos respectivos lugares ou altares.

 

E continuas a dizer:  “ - Quanto ao lixo na quinta dos Montalvões só falta uma rede a vedar a propriedade privada (pelo menos para os gados não irem pastar)”. Pois meu caro Altino eu pessoalmente penso que falta muito mais que uma rede a vedar a propriedade que até nem é privada, mas de todos nós, pois é propriedade do Município de Chaves. Penso que esse espaço (tal como o defendi no post)  até nem deve ser vedado com rede, mas antes limpo, arranjado/arborizado  e aberto à população e à Escola de Enfermagem/Polo da UTAD. Quanto a ser pastagem de gado, isso até nem é uma má imagem para Outeiro Seco, antes pelo contrário, até aumenta o bucólico e tradição de aldeia rural,  agora a lixeira, isso já são coisas de terceiro mundo, e/mas pelos vistos, só há uma maneira de acabar com elas – com denúncia – para ver se, ao menos, os responsáveis por ela têm vergonha. Denunciar não é crime, antes pelo contrário, pois é um dever e direito de cidadania. Era assim que deverias entender as minhas palavras em relação àquele espaço que em nada dignifica Outeiro Seco. Se reparares bem no meu post, quanto à lixeira e Solar dos Montalvões eu não acusei ninguém em particular, mas, isso sim, acusei todos os responsáveis desde que ele foi adquirido pela Câmara Municipal. Para mim os responsáveis são a própria Câmara e a Junta de Freguesia e, aqui a coisa não se põe em termos de partidos, como tu insinuas (“Muito lixo já se retirou colocado pela gestão socialista”), pois tanto quanto sei, desde esse período, tanto a Câmara como a Junta de Freguesia, tiveram gestões do PS e do PSD. Ironicamente, aqui,  também poderei deduzir, a julgar pelas tuas palavras, que o lixo que lá está agora, é da gestão do PSD, pois o lixo do PS já foi retirado…  ironias à parte, politiquices partidárias, aqui neste blog, também não entram, e esta de atirares com a culpa da lixeira para o PS, não te fica lá muito bem, principalmente quando foste Presidente da junta durante alguns anos, precisamente naqueles em que o solar acabou por ruir e a lixeira da quinta aumentou.

 

Quanto aos projectos que há para o Solar e para a Quinta dos Montalvões, eu sei que já houve alguns, e parece que continua a haver, mas convenhamos que em vinte e tal anos de projectos já era altura para se começar a ver alguma coisa por lá, pois não basta fazer projectos para ficarem na gaveta… o que é preciso e até urgente é a obra, de preferência bem feita e com destino e futuro sustentado, senão mais vale não fazer nada.

 

Já agora uma resposta à tua pergunta a respeito do lixo do PS: - “Nunca denunciaste tal situação, porque?” – pois a resposta é simples – Na altura não tinha blog para o fazer e não costumo desenterrar mortos do passado para justificar factos actuais. Quanto às restantes perguntas que me deixas, por tão baixas e rasteiras que são, nem te respondo…

 

Quanto ao teu blog, se bem te lembras, fui um dos que o ajudou a fazer e até teve aqui destaque num post a ele dedicado em 10/02/07, (http://chaves.blogs.sapo.pt/149302.html ) tinha ele acabado de nascer, tal como o fiz com o teu outro blog o  Chaminés no dia 6/9/07 - http://chaves.blogs.sapo.pt/206174.html coisa que não aconteceu com outros blogues de Outeiro Seco, como por exemplo o Outeiro Seco Aqi e, por isso eu sei que o teu blog Outeiro Seco, além do politicamente correcto  e do “chat das comadres” também  às vezes foca outros assuntos, no entanto, o meu post é dedicado a Outeiro Seco e não a ti ou ao teu blog, por isso, apenas fiz a referência à sua existência, ao seu autor e àquilo que eu penso do blog, tal como o fiz com os outros blogs, assim, tudo o que disse é apenas a minha opinião pessoal à qual não retiro uma linha, afinal, como já disse, este blog é pessoal e aquilo que disse, é o que penso dele, mas peço desculpas por ter-te melindrado, nunca foi essa a intenção, pois eu apenas quis trazer aqui Outeiro Seco com o seu melhor ( e penso que o fiz) mas sem esquecer (como sempre o faço) aquilo que de menos bom tem. Agora se o teu melindre era por causa de no post a Outeiro Seco não falar de ti e das tuas obras… bem, por linhas travessas, lá conseguiste (até)  ter aqui um post exclusivo dedicado a ti.

 

E para terminar deixo aqui o texto final do post dedicado a Outeiro Seco:

 

“Tenho consciência de que com o presente post não agradarei a todos os Outeirosecanos, mas já estou numa idade em que não tenho de agradar a todos e vou mais pelas verdades nuas e cruas. Já não ajoelho ao passar da procissão. Gosto da aldeia de Outeiro Seco, penso ser uma das aldeias mais interessantes da proximidade de Chaves, mas penso também que poderia ser muito mais interessante, mais cuidada (principalmente no seu património do casario tradicional do seu núcleo bem como o Solar e, já agora o meio ambiente), mais interessada no seu ser, sem actores “pavões” imitadores dos da cidade, daqueles que olham em frente e só vêem o seu umbigo. Sei também que existe uma grande dinâmica na aldeia, mas infelizmente também sei que está minada por alguns interesses de brilho pessoal e politiquices que em vez de ir ao encontro de uma desejável união e interesses da população, a afasta e cria atritos entre ela. Já sei que nada tenho a ver com o assunto, mas, como tenho alguns amigos em Outeiro Seco (suponho que também alguns menos amigos) sofro com eles o sofrimento de quererem uma aldeia de Outeiro Seco melhor e, bem o poderia ser, pelo menos aproveitando os trunfos que têm dado à freguesia e que mais nenhuma freguesia do concelho tem.”


E tenho dito.

publicado por Fer.Ribeiro às 00:52
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Sábado, 30 de Outubro de 2010

Outeiro Seco - Aldeia e Freguesia

 

Finalmente vamos até Outeiro Seco, mas hoje, ao contrário do habitual e devido a limitações impostas pelo SAPO, os post será composto de três partes, e em três posts.


 

I PARTE


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Abordar Outeiro Seco é complicado e pelas mais variadas razões, começando logo pelo seu ser como aldeia, a aldeia típica transmontana que embora ainda o seja com toda a sua beleza e tipicidade, já há muito que não o é, pois nela estão implantados equipamentos urbanos próprios das cidades e dos seus arredores, afinal, arredores nos quais está integrada Outeiro Seco, dando mesmo, nesta década, origem a uma freguesia urbana saída do seu território.

 

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Talvez daí Outeiro Seco assumir em placa na sua entrada da aldeia, a TRADIÇÃO e a MODERNIDADE,  que embora não se conjuguem lá muito bem também não se querem de costas voltadas e, podem ser até boas amigas, um pouco como, teoricamente, acontece ou deveria acontecer nas relações da cidade com o mundo rural, pois a não serem amigas corre-se o risco de a MODERNIDADE ser uma feroz inimiga da TRADIÇÃO podendo mesmo acabar com ela.

 

Durante estes anos de blog andei também a tentar descobrir e compreender a tal TRADIÇÃO de Outeiro Seco e onde ela se conjuga ou não com a MODERNIDADE. Quanto à MODERNIDADE, não tenho dúvidas, ela é bem visível, como aliás o é sempre e, nem sempre pelas melhores razões.

 

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Quanto à TRADIÇÃO, aí a coisa já pia mais fino, pois TRADIÇÃO é uma palavra muito complexa que não pode ser usada levianamente porque a ela estão sempre associadas raízes profundas onde quase sempre o preservar é muito mais importante que modernizar e, quando se moderniza, deve-se ter o cuidado de como se moderniza tendo em conta uma modernização sustentada sempre atenta à preservação da TRADIÇÃO…mas isto são outros assuntos, porque eles até nem se aplicam a Outeiro Seco. Não quero com isto dizer que Outeiro Seco não tenha as suas tradições e muito


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menos a MODERNIDADE, porque as tem, mas embora as tenha, parecem ser indiferentes uma à outra e, assim, entendo eu que estou de fora e não falo com o coração, a placa de entrada onde se lê TRADIÇÃO e MODERNIDADE deve ser lida como se lê um cartaz a anunciar um jogo de futebol dentre duas equipas, em que cada uma faz o seu jogo no campo e tenta ganhar à equipa adversária, onde, quase sempre ganha a mais forte, a que tem mais dinheiro, a que tem melhores jogadores e sabe jogar dentro e fora do campo sem olhar a meios para atingir a vitória, com ou sem fruta.

 

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Postas as coisas em termos futebolísticos, neste encontro travado no campo de Outeiro Seco entre a TRADIÇÃO e a MODERNIDADE, a segunda, a equipa visitante, parece estar a dar uma cabazada à TRADIÇÃO, assistindo esta, apática, a todas as jogadas da MODERNIDADE, prostrada e sem qualquer reacção. Indiferente, ou se não o é, parece.

 

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TRADIÇÃO e MODERNIDADE - Aquilo que se vê.


 

Primeiro a cidade entra pelo território de Outeiro Seco quase sem pedir autorização e a solução, em vez de Outeiro Seco reivindicar e se assumir como uma grande freguesia urbana, um autêntico braço direito da cidade, cede parte do seu território para uma nova freguesia, ou seja, fechou-se no seu núcleo tradicional de aldeia provinciana, na aldeia de sempre, e afasta-se da cidade, embora pareça que a TRADIÇÃO ficou a ganhar, foi a MODERNIDADE que ganhou uma freguesia roubando território à TRADIÇÃO. Em suma o resultado do jogo inicia-se com: TRADIÇÃO - 0  *  MODERNIDADE - 1.

 

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Mas vamos por partes e deixemos a MODERNIDADE para o final. Vamos para a TRADIÇÃO, para Outeiro Seco aldeia fechada no seu núcleo, para os seus valores como aldeia, começando pela sua história, bem remota por sinal.

 

 

Um pouco da história mais antiga

 

Há historiadores que defende que na época do Império Romano, a cidade de Aquae Flaviae se poderia estender até às actuais terras de Outeiro Seco.


Os inúmeros vestígios romanos podem confirmar essa teoria, como a ara (com data provável o Sec. II)  já atrás referida, mas também os fornos de fabrico de material cerâmico para construção. Com a descoberta destes fornos, poder-se-á pensar mesmo (sou eu a deduzir) que Outeiro Seco poderia funcionar como a zona industrial Romana da cidade de Aquae Flaviae, onde, também se acredita que tivessem existido explorações mineiras de ouro, pelo menos a julgar por notícias relacionadas com o lugar de Lagares, que para isso apontam.

 

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Mas o povoamento de Outeiro Seco será muito anterior ao povoamento Romano, pois graças as suas óptimas condições de terras planas e de veiga fértil, a julgar por achados arqueológicos, terão atraído às suas terras povoados pelo menos desde uma fase final da Pré-história, dos primórdios da metalurgia, remontando ao III milénio A.C.


O Castro de Santana, por outro lado, aparece como arrolado a um povoado fortificado  da idade do Ferro.


Quanto às origens paroquiais  de S.Miguel de Outeiro Seco, estas remontarão à época pré-nacional . Nas inquisições dos reinados de D.Afonso II e III (1220 e 1258), no Julgado de Chaves, existiam separadamente as freguesias de Outeiro Seco e Santa Maria da Azinheira.

 

Ao contrários dos tempos actuais, há séculos, Outeiro Seco integrou nas suas terras esta freguesia de Santa Maria da Azinheira, na qual está implantada a Igreja da Senhora da Azinheira.


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De data muito mais recente, testemunhei a existência em duas casas, uma no Largo da Mesa de Pedra e outra junto ao cruzeiro do Solar dos Montalvões (actualmente em obras – a casa, infelizmente não é o solar)  de figuras gravadas na pedra das construções com representação de animais e outras figuras (um burro ou coisa parecida, uma pomba ou outra qualquer ave, bolas e duas chaves, umas rosetas,  um arranjo floral, uma máscara ou rosto e outras figuras de animais e escudos). Parece tratar-se de um possível e também importante povoado de uma comunidade judaica.

 

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Junto da casa onde funcionou em tempos passados o Julgado de Paz e em frente a uma das atrás referenciadas no capítulo anterior, existe uma mesa de pedra que parece ter tido também funções históricas e à qual o povo dedica uns versos:


Adeus ó pedra de mesa,
Do Bairrinho do Pontão,
Onde se faziam audiências,
Donde se concedeu algo de perdão.

 

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Perdão esse, que também parece estar associado a quem atingisse a entrada principal do Solar dos Montalvões, e neste, não só o perdão, mas também o matar de muita fome a gentes do povo, pelo menos é o que consta nas conversas que tivemos com gentes de outeiro Seco e confirmadas pelo meu cicerone Carlos Félix e também por Berto Alferes nalgumas contribuições que tem feito no seu blog e para o Blog das Velharias, que à frente referenciaremos. Mas antes, vamos às Igrejas e Capelas de Outeiro Seco.



As Igrejas e Capelas

 

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A Igreja Românica da Senhora da Azinheira é sem dúvida alguma o ex-líbris da aldeia de Outeiro Seco, mas também da freguesia e uma referência para o concelho e para a região, sendo também uma referência do Românico no Norte de Portugal e Galiza. Monumento românico do século XII ou XIII (diferem as opiniões ao respeito), classificada como “Imóvel de Interesse Público” desde 1938, devendo-se ao Prof. Virgílio Correia a sua valorização como uma esplêndida obra de arte, através de uma minuciosa descrição feita em 1924, na obra “Monumentos e Esculturas”. No seu interior está decorada, nas duas paredes laterais, com valiosos frescos quinhentistas, embora algo degradados. Bons dias se poderão aproximar para este templo do românico com a recente notícia de ser um dos templos do românico contemplados com obras de restauro com base num protocolo assinado entre o nosso Governo, o Governo Galego e a Iberdrola (a tal das barragens do Tâmega – ninguém dá nada de borla).

 

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Da Igreja da Senhora da Azinheira, um belíssimo exemplar da arte românica,  só temos pena que ela não esteja com as portas abertas ao público para turista ou passante interessado poder visitar e valorizar. Talvez, fica a dica, pedindo ao Centro de Emprego (penso que existem programas para tal), pudessem dispensar um dos seus desempregados para abrir, guardar e fechar portas diariamente. Era uma mais-valia para a TRADIÇÃO de Outeiro Seco e para o turismo religioso de fronteira, que curiosamente este fim-de-semana até tem Jornadas marcadas para Chaves.

 

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No centro da aldeia encontra-se a Igreja Paroquial de construção em estilo barroco e de devoção a S. Miguel, o orágo da freguesia.. A igreja possui um belo retábulo também barroco em talha dourada, sendo nela que se realizam todas as cerimónias religiosas da freguesia.

 

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A Capela de Stª Ana, construída em cima de um altar rupestre, à qual está associada uma interessante lenda. Conta a mesma que a imagem de Santa Ana apareceu em cima do altar rupestre. A população conduziu a imagem para a Igreja românica que lhe fica em frente. Porém, a imagem misteriosamente, voltou para a fraga, com a face voltada para o pôr-do-sol. Vieram romeiros e a imagem era recolocada na Igreja românica, toda enfeitada de flores, mas ela voltava sempre à fraga. Então a população construiu-lhe uma capelinha nesse local que tomou o nome de Monte de Santa Ana.  Desde então, nas procissões de 8 de Setembro, dia da festa da Senhora da Azinheira (esta sim de grande TRADIÇÃO), ela desfila no seu andor, oferta das mães de Outeiro Seco que a tomaram como protectora.

 

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A Capela da Senhora do Rosário, no centro da aldeia, na qual está depositada uma ara romana, segundo se julga, dedicada por Caio Fuscus ao Deus Hermes Eidevoro, oferecida pelo êxito do espectáculo de gladiadores. Também a esta ara está associada uma lenda. Diz ela que a ara apareceu em tempos remotos no cimo das águas que inundaram a aldeia na consequência de uma forte trovoada. A ara foi recolhida e, para além do seu valor histórico, passou a ser também um escudo protector contra os malefícios das trovoadas.

 

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A Capela de Nossa Senhora da Portela, na extremidade Norte da aldeia, do século XVII ou XVIII, onde está sepultado o Capitão de Cavalos José Álvares Ferreira e possui um interessante cruzeiro no seu adro. Pena que por parte das empresas que procedem a colocação dos postes de electricidade e respectivos cabos não haja o cuidado e gosto de afastar estas infra-estruturas das capelas e outros pontos de interesse, pois conseguir uma foto desta capela sem os malditos postes ou cabos da MODERNIDADE é quase missão impossível.

 

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A Capela de Santa Rita, integrada no Solar dos Montalvões e da qual hoje praticamente só resta a fachada, pois o interior foi vandalizado, é outra que, mesmo assim, merece uma visita (infelizmente apenas à fachada).

 

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Sem dúvida alguma que Outeiro Seco possui um importante património religioso de Igrejas e Capelas, como também de peças de arte sacra (santos) desses mesmos templos, para além de uma interessantíssima Via Sacra que prolonga as suas cruzes muito além da aldeia e também dois cruzeiros. Mas no que respeita aos santos, espante-se, alguém mandou retirar os santos das respectivas capelas e reuni-los a todos na Igreja Paroquial. Ao que apurei, a razão de tal (julga-se) prende-se com o medo dos santos serem roubados das respectivas capelas.

 

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Se a razão até pode ser aceitável também se corre o risco de num roubo, só de uma vez, levarem todos os santos da freguesia, pois tal como as Capelas, também a Igreja Paroquial pode ser vitima de um assalto. Por outro lado, as capelas sem os respectivos santos, perdem todo o seu interesse e até religiosidade ou devoção, pois para ser capela ou igreja, não bastam as suas paredes. Até dá para dizer que capelas sem santos, são como uma procissão sem andores…e já que não os ai, também sem povo para ajoelhar. Mas se há gente de Outeiro Seco que até se conforma com a decisão, há também que não se conforme com tal. Uma dessas pessoas é Berto Alferes que denuncia o caso numa interessante publicação intitulada “Altares Vazios…” onde além

 

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da denúncia e outros assuntos, é também um autêntico trabalho de investigação à procura dos Santos, sinos, vestes e outros da freguesia, que ele consegue descobrir e fotografar, reproduzindo-as nesta publicação. Publicação essa, edição de autor (ou de blog), que era oferecida a troco de um donativo de 5€ para a AMA – Associação Mãos Amigas de Outeiro Seco. Se a ideia e atitude do autor é de louvar e elogiar, já não o é a atitude do “poder instituído” e não instituído de Outeiro Seco, pois à boa maneira de antigamente, “censurou” a publicação, não permitindo que nas suas instalações e instalações que controlam, a publicação pudesse ser oferecida a troco do respectivo donativo.

 

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Felizmente, através de mãos amigas, consegui um exemplar, contribuído também com os 5 € para a AMA, mas ganhando uma publicação, ainda por cima de tiragem reduzida (apenas 100 exemplares) que conta e reúne em fotografia toda a história religiosa de Outeiro Seco, um valioso documento. Toda a história desta publicação é contada no Blog Outeiro Seco aqi, mas também contada por aí…, a quem não achou piada aos acontecimentos (e não me refiro ao autor). Esta cidade é uma aldeia e tudo se sabe! Temos pena, que em pleno Séc. XXI, já com trinta e poucos anos de democracia, ainda se continuem a praticar actos do antigamente em que a liberdade de expressão e opinião, democraticamente, ainda seja censurada.

 

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Mas vamos continuar com aquilo que Outeiro Seco tem de melhor, ou tinha, com um daqueles que foi o seu património civil e arquitectónico mais valioso e que a par da Igreja Românica da Senhora da Azinheira, é(ra) também um dos seus ex-líbris – o Solar dos Montalvões.

 

Já a seguir, a II PARTE.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:57
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Outeiro Seco - Aldeia e Freguesia - II Parte

II PARTE

 

O Solar dos Montalvões

 

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Imagem retirada do blog de Luís Montalvão

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Com uma longa e rica história ligada a Outeiro Seco e a um ramo da família Montalvão, apresenta-se hoje triste, moribundo e quase em total ruína. É mais uma história que inevitavelmente também está ligada à MODERNIDADE, pois o seu declínio começa com a aquisição por parte da Câmara Municipal de Chaves, com boas intenções, mas quando os esforços desta, apoiados pela cidade (leia-se cidadãos e um povo fácil de iludir) estavam postos no futebol e nos negócios do betão que o envolviam e subsidiavam, deixando irremediavelmente esquecida a luta de Chaves se poder afirmar

 

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Imagem de Arquivo com o Solar a Iniciar Ruina

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noutros campos e, assim, também o Solar e a Quinta dos Montalvões, que parece ter sido comprado com intenções nobres, depressa ficou no esquecimento e de fora dos planos de qualquer intervenção e qualquer futuro, pelo menos a julgar pelo que lhe tem acontecido desde que foi vendido pela família Montalvão. Mas bem pior que isso, é que se perdeu um solar e o seu espólio – principalmente o da sua biblioteca, um “museu” e a sua capela que além de abandonada foi vandalizada ficando praticamente destruída, incluindo o altar e a sua talha, tal, afinal, como todo o Solar, hoje em ruínas, e como a sua quinta, hoje, uma autêntica lixeira a céu aberto.

 

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Também aqui a TRADIÇÃO (recorrendo de novo aos termos futebolísticos) levou logo com uma cabazada de 6 ou 7 “frangos” seguidos, com essa cedência (e permissão) dos seus terrenos para depósitos de lixos, escombros, entulhos… E isto não é inventar, pois está à vista de todos entre as ruínas do Solar e a Escola de Enfermagem, hoje, graças a Deus (é sempre a Deus que se dão as graças), também pólo da UTAD.

 

Teria ficado bem a Outeiro Seco, às suas gentes mas sobretudo aos seus representantes, já que a Câmara Municipal nunca o fez, ter preservado ou pugnar pela preservação deste solar, mas infelizmente, ao que apurei, tal nunca aconteceu e a pouca intervenção que houve, até foi para destruir ou construir-se o que não devia… está à vista.

 

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Claro que estou a falar do solar de hoje ou daquilo que resta dele, pois quanto ao Solar tal como existiu nos seus anos de Solar, com gente dentro da Família Montalvão, um dos seus descendentes vai contado (com pena sentida) toda a sua história feita com pequenas estórias publicadas no seu blog. É caso para dizer que do Solar dos Montalvões quase e só resta a sua história e as estórias nele vividas. É ao seu blog e palavras que recorro agora para deixar aqui, pelo menos, a descrição do Solar tal como ele existiu nos seus melhores tempos, nos quais até a primeira dama Madame Carmona era visita:

 

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Imagem de Arquivo com o Solar a Iniciar Ruina

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01 - LOJA - Destinada inicialmente a cavalos. Havia baias em pedra e aros de ferro para prender os mesmos.

02 - LOJA - Havia 3 tulhas para cereais. Urna grande, para centeio. Duas mais pequenas, para trigo.

03 – CAPELA.

04 – ADEGA

05 - BICA
06 - LOJA - Pequena loja que servia para criar coelhos.
07 - LOJA - Loja inicialmente para acolher cavalos. Era agora preparada para armazenar batata.

 

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08 - ADEGA
08a- LOJA - Destinada a guardar baratas ou galinhas.
09 - LOJA - Destinada a guardar galinhas e patos.
10 - PÁTIO PEQUENO
11 - LOJA - Em destinada a porcos. No meio, havia uma enorme pia de granito, que servia para os porcos comerem, a comida que era deitada do andar de cima, por um alçapão aberto no chão da cozinha.
12 - LOJA - Destinada aos porcos. Tinha também uma pia de granito por baixo de outro alçapão.
13 - LOJA
14 – ADEGA

 

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15 - LOJA - Para esta loja, davam as 2 retretes do andar superior. O chão, estava cheio de palha, que era substituída regularmente.
17 - BICA
18 - JARDIM
19 - BALCÃO

20/21 - CASAS DE BANHO
22 - CORREDOR
23 - QUARTO DA MIMI –

 

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24 - QUARTO DOS AVÓS - Para entrar neste quarto, tinha de se subir um degrau. Na parede que dava para a sala de jantar, havia uma «roda», que talvez tivesse servido para passar comida da sala de jantar para este quarto. Nessa época estava desactivada.
25 - SALA POLlVALENTE
26 - SALA DE JANTAR -
27 - TRÊS DEGRAUS - Para passar à cozinha, tinha de subir-se três degraus.
28 - COZINHA - Era o maior compartimento da casa, dividido em duas partes. Uma parte, com o chão lajeado a granito, a outra parte com o chão a madeira. A parte lajeada tinha a grande lareira, ladeada por dois escanos.

 

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29 - 30 - QUARTOS - Eram quartos das empregadas
31 - ARRUMAÇÃO - Era utilizado como quarto das empregadas e servia ao mesmo tempo de arrecadação. Antes de um grande incêndio, tinha um outro andar que ardeu completamente, nunca mais sendo reconstruído.
32 -CORREDOR - Fazia a ligação com a parte nobre da casa
33 - QUARTO DO LILI
34 - ARMÁRIO NA PAREDE - Mesmo em frente á porta do quarto do Lili,

 

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Este armário, tinha uma característica especial. Dava acesso a um quarto secreto, que pelo menos por uma vez salvou o Liberal Sampaio da prisão.
35 - VARANDA - Esta varanda, tinha vários escanos e bancos encostados à parede. Era também aqui que o feijão era seco ao sol e descascado.
36 - QUARTO
37 - QUARTO DAS ARMAS
38 - QUARTO PEQUENO

39 - QUARTO

 

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40 - QUARTO - com escadas que davam acesso ao andar superior.
41 - BIBLIOTECA

42 - SALA DE VlSITAS. Tinha um grande fogão de sala
43 - SALA D0 MUSEU - Era aqui, que estava previsto ser a entrada principal do Solar, pois, seria ligada ao pátio pequeno por escadaria, nunca terminada. No topo da sala, uma porta com dois degraus, ligava ao coro da capela. Era deste local , que os habitantes do solar assistiam aos Ofícios de Domingo.
44 - MIRANTE - Este acrescento, construído em madeira, foi mandado fazer por um dos Montalvões, para mais facilmente poder avistar os sinais feitos pela sua amada, moradora num solar vizinho
45 - SALA
46 - SALA
47 - SALA –

 

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ANEXOS

 

48 - CASA DO LAGAR
( a ) Loja onde eram engordados porcos
(b ) loja onde estava o lagar. Este era construído em granito da região, com grandes lajes maciças. A trave de madeira da prensa, dividia-o em duas partes iguais.
49 - PORTA DE ENTRADA LATERAL -Fazia a ligação do pátio grande com rua principal da aldeia.
49a- PORTA DE ENTRADA - Fazia a ligação do pátio grande com a rua principal da aldeia. Dava passagem a carros de bois carregados. Era protegida por um telheiro de 2 águas.
50 - TELHEIRO - Protegia um grande forno de cozer o pão. Este era feito de barro branco e tinha uma cruz gravada por cima da boca. Havia sempre muita lenha a secar.
51 - CASA DOS CASEIROS - LOJA - Tinha um grande forno de cozer o pão. Servia também para guardar madeira serrada e rachas de pinho para os fogões de ferro.
52 - CASA DOS CASEIROS - LOJA - Era a segunda loja dos coelhos.
53 - CASA DOS CASEIROS - LOJA - Esta loja era aproveitada para engordar porcos.
54 - CASA DOS CASEIROS - ESCADA DE PEDRA - Dava acesso ao primeiro andar.
55 - CASA DOS CASEIROS - ESPIGUEIROS - As paredes eram feitas de ripas de madeira. Depois da colheita do milho, ficavam cheios de espigas a secar.
56 - CASA DOS CASEIROS - SALA - Sala bastante ampla, com lareira para cozinhar e com duas janelas para a rua principal da aldeia. Esta sala, comunicava com dois quartos, cada um uma janela que dava para o pátio grande. Estes aposentos, eram ocupados pelos criados de lavoura.
57 - MIRANTE

58 - GARAGEM - Esta garagem ficava do outro lado da rua principal da Aldeia, em frente da CASA DOS CASEIROS.

 

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O Texto está disponível no blog de Luís Montalvão. Os desenhos das plantas e alçados são de autoria do Arquitecto Manuel Sousa Cardoso e a compilação dos dados são de José Manuel Montalvão Cunha. Tudo isto e muita mais história e estórias do Solar dos Montalvões estão no blog das velharias de Luís Montalvão em http://velhariasdoluis.blogspot.com/ ao qual recomendo uma visita.

 

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Estórias sobre a família Montalvão e Solar que curiosamente é também ajudada a ser feita ou a preservar por cidadãos anónimos de Outeiro Seco, despojados de outros interesses que não sejam os de contribuir para a história do Solar e também de Outeiro Seco. Cidadãos anónimos que no entanto têm nome como o Carlos Félix graças ao qual ainda hoje existem devidamente guardados os Santos da Capela do Solar e um excelente cicerone e conhecedor da história de Outeiro Seco, sempre pronta a partilhá-la com quem a solicite, bem como o Humberto Ferreira (Berto Alferes) na recolha de estórias e na defesa dos interesses do solar, das suas terras e também de Outeiro Seco, com recolha, informação e até denúncia que tão bem o tem feito em publicações de sua autoria, como também no seu blog Outeiro Seco Aqi - http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/ ao qual recomendo uma visita, não só pelo que aqui foi dito ao seu respeito mas também pelas boas fotografias que vai apresentando e revelando um excelente fotógrafo.

 

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Em suma, sobre o Solar dos Montalvões, por aqui, é tudo, certo que o Solar as suas terras não mereciam o estado de abandono a que está dotado, com o edifício em ruínas e as terras a servirem de lixeira onde a custo, só o mato consegue romper, sem esquecer os atentados que lá se têm cometido como o soterrar dos milenares Lagares. É caso para perguntar – Então a TRADIÇÃO que se anuncia na entrada da aldeia não deveria ter entrado em acção neste solar? E a Junta de Freguesia que tem feito por ele? Será que por ser propriedade da Câmara Municipal a Junta de Freguesia se demite dos seus deveres de defender o património da aldeia? Pois uma coisa é a propriedade e outra é o património e esse, ninguém o tira a Outeiro Seco, mas também a nós, pois o património artístico, cultural, arquitectónico e religioso, afinal é de todos e daí, também é meu. Eis a razão destas palavras que pela certa não agradarão a que está envolvido na indiferença com que tem olhado para este solar. Mas adiante …

 

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E termino este lamento sobre o solar com um lamento (pela certa muito mais sentido) do Luís Montalvão, deixado no seu blog e na conclusão de um dos seus posts :

 

“Como conclusão, podemos arriscar que a sua morte [referindo-se ao “Montalvão Velho” (como era conhecido) – a nota é minha], em 1965, com 87 anos, é mais do que falecimento de um homem com uma existência feliz, marca também o fim de uma grande casa agrícola, cujo modo de produção e vivência vinha praticamente da Idade Média. O seu desaparecimento significou a partilha da grande propriedade e a venda do solar, que entrou numa triste e imparável ruína.”

 

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E fica a inevitável pergunta – Para quando uma solução e uma intervenção neste solar, enquanto ainda é possível recuperar alguma da sua memória?

 

E é precisamente nos terrenos da Quinta dos Montalvões que a MODERNIDADE entra mais uma vez em Outeiro Seco, com a Escola de Enfermagem, hoje também Pólo da UTAD.

 

Abordada que está a história e alguma da TRADIÇÃO de Outeiro seco, vamos então à MODERNIDADE.

 

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Escola de Enfermagem/Pólo da UTAD


 

Esta tem sido uma das bandeiras abanadas pela MODERNIDADE de Outeiro Seco, mas muito mal abanada, pois também aqui, mais uma vez, a vitória é da MODERNIDADE com a TRADIÇÃO a ficar de novo de lado ou esquecida, e temos pena.

 

Qualquer freguesia ou aldeia ficaria contente com uma instalação destas nas suas terras e qualquer aldeia ou freguesia tiraria dessa instalação o seu proveito, atrevo-me mesmo a dizer - o justo proveito. Tive esperanças que Outeiro Seco (núcleo) despertasse e ganhasse com este empreendimento e instalação do Ensino Superior nas suas terras, que se tornasse até numa aldeia universitária, atractiva para os estudantes e com toda a vida que eles lhes dão. Mas não, a Escola de Enfermagem, agora também Pólo da UTAD é um mundo à parte, fechado em que a aldeia de Outeiro Seco apenas lhe cedeu terreno para a construção e apenas serve de passagem entre Chaves e o agora Pólo Universitário. De quem é a culpa não o sei, apenas sei que Outeiro Seco e a sua população, até hoje, nada ganharam com esta escola e é pena, pois perdem todos os proveitos que as universidades costumam dar aos lugares. Pelo menos (coisa de nada - insignificante) poderia exigir que o espaço (da Quinta dos Montalvões) existente entre a aldeia e a Escola de Enfermagem/Pólo da UTAD, fosse limpo e no mínimo, beneficiar de algum arranjo paisagístico onde todos ficariam a ganhar, quer a aldeia quer os alunos universitários com uma zona de estar, nem que fosse e só para ser agradável à vista. Mas enfim, continua a ser um depósito de lixo, entulhos e mato, pouco digno como vizinho de uma aldeia e de um estabelecimento universitário.

 

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As Novas Vias e o Parque Empresarial

 

Tal como a Escola de Enfermagem/Pólo da UTAD, as novas vias e o Parque Empresarial só vieram roubar terrenos e território à freguesia, pois a freguesia nada tem ganho com este empreendimento, a não ser na venda de terrenos (mas que ficou sem eles) e num nó da auto-estrada. Fora isso, em nada consta que Outeiro Seco tivesse ganho o que quer que seja. Poderia talvez ganhar em postos de trabalho se houvesse empresas a funcionar no Parque Empresarial, mas sem empresas e toda uma plataforma logística onde só existem em instalações e nome, transformada hoje em “sexódromo” ou “sexometro” (como preferirem) onde se recomenda até à RESAT que coloque por lá um Ecoponto para recolha de papel e látex. Recomendações à parte, sem empresas não há postos de trabalho e, nas poucas que por lá há, não me consta que haja pessoas de Outeiro Seco a trabalhar.

 

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Com as novas vias por lá executadas, Outeiro Seco também em nada beneficia (excepção para os que utilizam a Auto-Estrada), pois as novas vias nada ligam e com uma delas, até se conseguiu destruir parte de uma estação arqueológica onde existiam uma série de fornos romanos, mas também aqui, a julgar pelo que aconteceu pelo Vale de Lagares e outros, o rico património arqueológico que Outeiro Seco possui, também tem sido vítima da MODERNIDADE. Já perdi a contagem dos golos marcados pela MODERNIDADE e a TRADIÇÃO ainda está a zeros.

 

 

Parque Empresarial que mais que um bem, tem sido um mal para Outeiro Seco, pelo menos em termos ambientais e agrícolas, conforme denúncias que chegam a este blog e que já mais que uma vez tive oportunidade de trazer aqui, como neste post: (http://chaves.blogs.sapo.pt/439286.html).

 

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Denúncias que também vão sendo feitas no Blog Outeiro Seco Aqi, e não é de estranhar, pois pasme-se, o parque empresarial não tem o efluente do seu saneamento básico ligado a qualquer rede pública, como também não tem nenhuma estação de tratamento, possuindo apenas uma fossa, que após a passagem do efluente o devolve à linha de água que vai desaguar ao Rio Tâmega. E se hoje com as poucas empresas que por lá existem já faz moça, imagine-se quando num hipotético futuro haja por lá empresas a funcionar a sério. Ao que sei, por Outeiro Seco desconhecem-se estes acontecimentos que ocorrem no seu território, salvo, claro, aqueles que são prejudicados directamente e que não calam a sua indignação, mas ao que também sei, ninguém lhes liga. Aqui a TRADIÇÃO leva outra cabazada monumental de uma MODERNIDADE fedorenta…

 

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Em suma, e no que respeita à MODERNIDADE, Outeiro Seco bem que a podia dispensar, pois só tem perdido com ela.

 

Esquecendo a MODERNIDADE e a TRADIÇÃO de Outeiro Seco, vamos à TRADIÇÃO deste blog trazer aqui as aldeias do concelho um mosaico de cada freguesia, que no caso, aldeia e freguesia, são a mesma coisa.

 

 

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E como, por razões alheias a feitura do blog, tenho de acelerar o encerramento dos posts dedicados às aldeias e freguesias, assim hoje este post funciona também como um dois-em-um, ou seja, vamos ter também aqui, o respectivo mosaico da freguesia, seguindo a sua habitual feitura, à excepção dos seus pontos de interesse, pois esses, na sua essência, já foram referidos.


 

Já a seguir, a III e última parte.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:50
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Outeiro Seco - Aldeia e Freguesia - III Parte - Mosaico da Freguesia

III e última parte


 

Mosaico da Freguesia de Outeiro Seco

 

 

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Localização:


Localiza-se em plena veiga de Chaves, a norte da cidade, na margem direita do Rio Tâmega.

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Stª Cruz/Trindade, Sanjurge, Bustelo, Ervededo (num único ponto), Vilela Seca e Vilarelho da Raia. Confronta ainda com as freguesias de Vila Verde da Raia, Stº Estêvão e Faiões, nestas últimas, o Rio Tâmega serve de limite de freguesia.

 

Coordenadas: (Adro da Senhora da Azinheira)


41º 46’ 06.70”N

7º 27’ 02.62”W

 

.

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Altitude:


Variável – Entre os 349 e os 425m

 

Orago da freguesia:


S.Miguel

 

Área:


Lamento, mas não possuo dados da área actual, pois os que disponho são ainda antes de se ter criado a freguesia de Stª Cruz/Trindade, cuja área era de 16.15 km2

 

Povoações da freguesia:


- Outeiro Seco é a única povoação da freguesia

 

 

População Residente:


Em 1900 – 514 hab.

Em 1920 – 598 hab.

Em 1940 – 746 hab.

Em 1960 – 905 hab.

Em 1970 - 977 hab.

Em 1981 – 2059 hab.

Em 2001 – 3435 hab.

 

.

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Como é sabido os últimos Censos ainda contabilizaram a população residente da actual freguesia de Santa Cruz/Trindade, onde graças ao crescimento imobiliário de edifícios de habitação colectiva, todo um bairro para alojar retornados do ultramar e o vrescimento inevitável de Santa Cruz, fez disparar em flecha os números após o 25 de Abril de 1974. Estou em crer que o comportamento da população da actual freguesia de Outeiro Seco seguirá a tendência que se registou até aos Censos de 1970, mantendo uma subida ligeira da população, pois se por um lado Outeiro Seco núcleo (estou em crer) perdeu população, os dois grandes Loteamentos de S.Bernardino I e II compensam essa perda. Deduzo que actualmente a sua população residente pouco irá além do milhar de habitantes, mas os Censos que se aproximam de 2011 encarregar-se-ão de repor a verdade.

 

Em suma, também aqui a MODERNIDADE fez das suas, pois nos últimos Censos Outeiro Seco era a 2ª freguesia mais populosa do concelho, logo a seguir a Santa Maria Maior e muito além da freguesia da Madalena, pois então só tinha 2004 habitantes contra os 3435 de Outeiro Seco. No ranking de 2011, tento adivinhar que Outeiro Seco passará a ocupar a 7ª ou 8ª posição.

 

.

.

 

Principal actividade:


De Outeiro Seco da TRADIÇÃO - a agricultura.

 

De Outeiro Seco da MODERNIDADE - a Indústria, os Serviços e o Ensino Superior. Infelizmente das actividades da MODERNIDADE, Outeiro Seco e a sua população não são parte interveniente das actividades desenvolvidas no seu território, estas, vivem à margem e apenas se servem do seu território para implantar as suas estruturas e edifícios, não só no novo Parque Empresarial, mas também (neste com alguma importância) a zona industrial que se desenvolve ao longo da estrada municipal de acesso a Vila Verde da Raia.

 

Em tempos, pelo menos que eu recorde, anos 60 e 70, uma das suas principais actividades era a produção de leite com o qual abasteciam a cidade com leite fresco do dia. Era sobejamente conhecido o transporte de leite pelas famosas Leiteiras de Outeiro Seco, em cântaros de inox com recurso a burros e que logo de manhã cedo se dirigiam à cidade para o distribuir porta a porta. Costuma-se dizer que o leite de Outeiro Seco criou muita boa gente da cidade. Eu, fui um dos que ainda bebeu muito desse leite que religiosamente me era deixado à porta aquando habitante da Estrada de Outeiro Seco. Também a MODERNIDADE veio por termo a esta actividade da freguesia e aldeia, principalmente a partir do momento em que o Leite começou a ser comercializado nos actuais pacotes de litro ultrapasteurizado (ou lá o que é) pela AGROS, ditando o início da “morte” das Leiteiras de Outeiro Seco. Seria bom e pela certa todos aplaudíamos, que a tão apregoada TRADIÇÃO de Outeiro Seco prestasse uma homenagem a essas Leiteiras, algumas ainda vivas e mães de muitos filhos de Outeiro Seco. Em vez de aceitarem o que ninguém aceitou para enfeitar uma rotunda, refiro-me ao túmulo da rotunda da Escola de Enfermagem, aquele que está encimado pelas Chaves de Chaves, ficaria bem melhor e seria bem mais digna, uma estátua ou monumento que reproduzisse as antigas leiteiras de Outeiro Seco. Seria uma justa homenagem às mulheres de Outeiro Seco, bem aceite e compreendida por todos os que fomos ajudados a criar com o seu leite como por todos os que se recordam delas. E tenho dito.

 

Ainda antes de terminar uma referência a uma colectividade de Outeiro Seco que não posso ignorar – A Banda Filarmónica de Outeiro Seco a qual já teve direito a um post neste blog. Assim, em vez de umas palavrinhas para a banda, deixo aqui o link para esse tal post:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/59979.html

 

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Fotografia de Arsénio Pinto

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Tenho consciência de que com o presente post não agradarei a todos os Outeirosecanos, mas já estou numa idade em que não tenho de agradar a todos e vou mais pelas verdades nuas e cruas. Já não ajoelho ao passar da procissão. Gosto da aldeia de Outeiro Seco, penso ser uma das aldeias mais interessantes da proximidade de Chaves, mas penso também que poderia ser muito mais interessante, mais cuidada (principalmente no seu património do casario tradicional do seu núcleo bem como o Solar e, já agora o meio ambiente), mais interessada no seu ser, sem actores “pavões” imitadores dos da cidade, daqueles que olham em frente e só vêem o seu umbigo. Sei também que existe uma grande dinâmica na aldeia, mas infelizmente também sei que está minada por alguns interesses de brilho pessoal e politiquices que em vez de ir ao encontro de uma desejável união e interesses da população, a afasta e cria atritos entre ela. Já sei que nada tenho a ver com o assunto, mas, como tenho alguns amigos em Outeiro Seco (suponho que também alguns menos amigos) sofro com eles o sofrimento de quererem uma aldeia de Outeiro Seco melhor e, bem o poderia ser, pelo menos aproveitando os trunfos que têm dado à freguesia e que mais nenhuma freguesia do concelho tem.


.

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E por hoje é mesmo tudo, deixo apenas, também como habitualmente, os links para os espaços na NET da freguesia, onde aquilo que acabei de dizer também se reflecte um pouco.


Por ordem alfabética por causa dos melindres:


Aldeia de Outeiro Seco - http://www.outeiroseco.com/ - Uma página interessante e bem estruturada. Penso que foi o primeiro espaço de Outeiro Seco a aparecer na NET. Não apurei a autoria, mas assina como Kostinha. Pena, como todas as páginas, ser tão estática, pois prometia se por lá houvesse vida diária.


Altino - Blog do Altino - Um blog politicamente correcto. O Blog do antigo presidente da Junta, e também o blog da TRADIÇÃO e MODERINADE, alinhado com o poder autárquico instituído onde tudo corre sempre bem por Outeiro Seco e, um verdadeiro chat onde as comadres se juntam para conversar no seu dia-a-dia. Recomendo o chat do blog, é divertido, embora haja queixas de que só os comentários alinhados é que entram.


Berto AlferesOuteiro Seco Aqi - De autoria de Berto Alferes, com muita fotografia, boa e interessante, documentos de interesse e denúncia. Poderemos dizer, que ao contrário do blog do Altino, este, vai mostrando o que Outeiro Seco tem de bom mas também denuncia o que de mal por lá se passa. Sou fã deste blog, não o escondo, e recomendo-o, mesmo sem ter a diversão do chat. Um abraço para o Berto e boa recuperação.


Casa de Cultura Popular de Outeiro Seco - http://ccp-outeiroseco.blogs.sapo.pt/ - É o Blog da Casa da Cultura, por onde vão passando as suas ctividades.


Junta de Freguesia - http://jf-outeiroseco.webnode.com.pt/ - Página oficial da Junta de Freguesia.


E por último o blog http://velhariasdoluis.blogspot.com/ que embora não se dedique exclusivamente a Outeiro Seco, é nele que se pode ver e ler quase toda a história (apaixonada) do Solar dos Montalvões. É de autoria de Luís Montalvão, um dos descendentes da família do solar.

 


E “prontos”, para aqueles que reclamavam, finalmente Outeiro Seco passou por aqui, talvez não para agrado de todos, mas é tal como eu vejo a aldeia e freguesia, afinal tal como sempre o tenho feito até aqui, com a sua história, actualidade e com a minha visão pessoal.

 

 

 

 


publicado por Fer.Ribeiro às 02:40
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Sexta-feira, 9 de Julho de 2010

Discursos Sobre a Cidade - por Fe Alvarez

 

.

 

LAS GUERRERAS BLANCAS

 

Quien no recuerda aquellos tiempos en que éramos invadidos, todos los días, por una pacífica horda de guerreras blancas? ellas venian sobre sus monturas, dignas y orgullosas, impecablemente vestidas con sus armaduras de faena, como un bando de palomas de la paz, o como eternas compañeras de los caballeros andantes, esto lo digo por sus monturas, en procesión, las guerreras blanca y sus burritos; las había para todos los gustos, juerguistas, dicharacheras, calladas, con empaque, serias, pero todas amables y serviciales, que no serviles, siempre, siempre, hubiese frio o calor, lluvia o sol, siempre llegaban, nada las detenía, no había barreras que no salvasen, después de llegar se desparramaban amablemente y recorrian todas las calles de la vieja ciudad, traian consigo el nectar blaco, que repartian puerta a puerta y como todo grupo que se precie, tenian defensores y detractores.

 

- Ola Doña Maria, que hace?

 

- Estoy esperando a mi lechera, tengo que salir y no quiero quedarme sin la leche.

 

- Cual es su lechera?

 

- Creo que es Maria, creo, aunque pero todos la conocemos como "Tia Bina"

 

- Ya, me dijeron, que trae muy buena leche.

 

- Yo estoy contenta y mire que ya la tengo hace muchos años, desde que me casé.

 

- Pues la mía creo que también es buena, dicen que tiene vacas frisonas.

 

- Como son?

 

- Blancas y negras, o negras y blancas.

 

- Si esas dicen que dan mucha leche pero las "ratinas", oí comentar que son mejores.

 

- Mejores, por qué?

 

- Pues no lo sé bien, creo que su leche es más  densa.

 

- Y cuales son las ratinas?

 

- Me explicaron que se llama así a las mirandesa, son nacionales.

 

- Nacionales o gallegas, que los ganaderos van y vienen. No entiendo de vacas, pero la leche es superior, a mis hijos les gusta y no pienso cambiar.

 

- No mujer, yo no le digo eso.

 

- Además se oyen cosas y le tengo confianza a la tia Bina.

 

- Mira no tiene que esperar más, ya viene allí.

 

- Primero irá a casa de mi prima, creo que de mi familia tiene a unos quince clientes.

 

- La dejo, que tengo que ir a las compras, nos vemos más tarde. Chao

 

- Chao.

 

........................................

 

- Buenos dias Dña Palmira. Ya vino la señora Irene?

 

- Aun no la hé visto, aunque me supongo que ya no tardará. Es la hora.

 

- Qué mujer, trabajadora, siempre agradable y de buen humor.

 

- Es un cascabel y dicen que no hay fiesta en Outeiro Seco en que no participe, se apunta a un bombardeo.

 

- Y tiene una vida dura, los trabajos del campo empiezan con el alba, así que el campo, las vacas, la leche y la casa, no para.

 

- Sí, como todas.

 

- Buenos días señoras, me estaban esperando?

 

- Sí, sí, ya hace rato, seguro que estuvo riendose con algún cliente.

 

- Anda esta!!! a quién le amarga una risotada, mire le contaré que cuando veniamos para Chaves, pasó un coche a toda velocidad y un burro se asustaró, mi compañera se cayó de la montura y nos reimos mucho, claro que mirándolo bien no tiene gracia, aunque en realidad fue más el susto que el daño, no me suelo reir, pero las caidas... y el rosario de insultos que le cayeron al conductor, ja, ja, bueno bueno, vamos a lo que interesa, cuanto le dejo hoy?

 

- Dos cuartillos.

 

....................................

 

Y así todos los dias, la gente esperándolas, ellas atendiendo solícitas las necesidades de las amas de casa, dando un poco de conversación, no mucha, que en casa aun quedaba mucho que hacer, su trabajo empezara al alba, primero tenian que ordeñar las vacas, dejar todo preparado para los niños ir a la escuela y con las claritas del día montaban los asnos que transportaban aquellos recipientes enormes, recorrian la distancia que las separaba de Chaves y después de pasar por el mercado, donde un fiscal les "pesaba la leche" empezaban el peregrinaje, con un cántaro grande, que iban posando en lugares pre establecidos y uno pequeño, con el que servian directamente los redipientes presentados por las clientes, estas eran conocidas por su nombre própio y tratadas con deferencia, respeto o familiaridad, según la confianza.

 

Añoranzas del pasado, del sabor, del contacto humano, en fin de las guerreras blancas.

 

 

Fe Alvarez

publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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Sábado, 1 de Maio de 2010

Outeiro Seco - Solar dos Montalvões (ou o que resta)

Enquanto o devido post de Outeiro Seco não chega a este blog, vamos ficando com com aquilo que de melhor há por lá, ou havia!

 

.

 

 

.

 

Como passatempo, uma das fotos é de 2007 a outra é de ontem (2010) - Qual é qual?

 

Já agora, para entreter, descubra as diferenças.

 

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Até amanhã!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:44
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