Por cá vai-se seguindo e cumprindo a nossa sina dos três de inferno depois dos nove de inverno, e então este ano, o inferno anda maluco, tanto abranda as chamas como as aviva e nós é que transpiramos e por vezes quase abafamos. Nos dias assim, tenho saudades dos nossos nove meses de inverno, do nosso nevoeiro, das nossas geadas e, é nestes dias, que afinal me dou conta que gostar, gosto mesmo é do inverno, só tenho pena é de no inverno não ter a luz do verão, mas não se pode ter tudo.
E uma vez que no verão não podemos ter inverno, recorro às fotografias de arquivo, dos últimos invernos para refrescar um pouco este blog. Exceto a última fotografia, que já é de verão, mas está aqui por uma boa causa, e passo a explicar.
No jardim público com a última remodelação que a todos, ou quase todos, desagradou, colocaram-se por lá umas mesas com tabuleiro de damas (ou xadrez) e respetivas cadeiras. Acontece que nunca vi ninguém utilizar aquelas mesas e a razão até parece não ser difícil de encontrar, pois de inverno não são convidativas e de verão muito menos porque as mesas estão quase todo o dia ao sol.
Há dias num dos meus passeios pelo centro histórico reparei que debaixo da tília desta última foto, por trás dos bancos onde as pessoas (geralmente os mais idosos), aqui sim, se sentam para desfrutar da sombra que dura todo o dia, existe um espaço amplo onde ficavam a matar as tais mesas com damas e cadeiras que estão no jardim público, e aqui, pela certa que teriam uso e até podiam ajudar a matar o tempo aos mais idosos. É só uma ideia e mesmo que queiram deixar as do jardim público lá plantadas para “decoração”, onde fabricaram aquelas pela certa que fabricariam pelo menos mais uma para colocar debaixo da tília, e depois, o mobiliário urbano existe para ter utilidade e não para decorar, embora à utilidade também se lhe possa juntar a decoração.
E é tudo.
Hoje parti à caça de imagens (no meu arquivo recente) e não tive dúvidas quanto à seleção. Hoje eram estas as imagens que queria. Queria imagens com vida, com gente dentro e não foi difícil, bastava encontrar imagens de um dia de feira, e gente não falta. Penso mesmo que todos os dias deveriam ser dias de feira em Chaves. Que bom que era.
O meu problema surgiu quando me pus à procura de um título para o post.
Ficou este título de “Três imagens de Chaves com gente dentro” mas duvidei se não deveria ser “Três imagens coloridas de Chaves a preto e branco” ou o contrário – “ Três imagens a preto e branco de Chaves colorida”.
Pelo caminho ainda pensei e dar-lhe o título “ A vida do Bino dava um filme” ou “Bino pasmado no largo”, mas como a gente que não é da minha criação não conhece o Bino e as imagens além do largo abrangem a ponte, fiquei-me pelas “Três imagens de Chaves com gente dentro”.
E prontos! Hoje as imagens já aí estão e o problema das palavras, ai as palavras, está resolvido.
Penso que hoje ainda vamos ter um “Discurso sobre a cidade”.

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Cansado e farto, nos próximos dias vou-me remeter ao jejum das palavras.
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Todos os dias, quando saio de casa, esqueço uma ou outra coisa. As chaves, a carteira, os óculos… é o que calha, penso mesmo que me está no sangue esquecer-me das coisas.
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De nada adianta no dia anterior deixar tudo junto à porta de entrada, pois por uma razão qualquer, no dia seguinte, saio pela porta das traseiras e lá se vai a agenda do dia…
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Há uns dias atrás esqueci-me das cores em casa e, só quando cheguei à cidade é que me apercebi que tudo estava a preto e branco, com muitos cinzentos pelo meio. Primeiro estranhei a ausência de cor, mas comecei por ver que as pombas da praça do duque nada estranhavam, depenicando como de costume as migalhas de pão, logo a seguir, apareceu uma criança a brincar com as pombas, ao fundo da praça notei que havia mais alguém alheio à ausência de cor e de seguida, a praça começou a encher-se de gente, vindo e indo para todos os lados …
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Afinal, a preto e branco, a vida ia-se compondo e seguia o ritmo dos dias de imagens cinzentas, com migalhas e pombas, crianças e gente, rotinas e indiferenças. A preto e branco, com muito cinzento, tudo continuava igual, ninguém se importava com a ausência da cor.
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Também eu aprendi a lição, não pelos dias acontecerem assim por me ter esquecido das cores em casa, mas por perceber que o Photoshop, num click, transforma todas as cores em preto e branco com muitos cinzentos, mas nunca, mesmo nunca, consegue dar cor ao preto e branco de uma imagem, com muitos cinzentos… por mim, nunca mais esquecerei as cores em casa, aos outros, cabe-lhes a eles a escolha da cor ou da indiferença de um preto e branco com muitos cinzentos.
Moral da história: Mais um devaneio a preto e branco com muitos cinzentos pelo meio...ou talvez não!
Hoje, dia de outros olhares, vamos trazer aqui um bocadinho de Chaves a preto & branco, tipo revisão da matéria dada ou passada neste blog. Olhares apenas, sobre Chaves, a Preto & Branco, vários autores, olhares repetentes que espero, gostem de os ver juntos.
Até amanhã!

Foto de APh71
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Foto de Orcar AF
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Foto de Orcar AF
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Foto de Rui Trancoso
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Foto de Mr Conguito
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Foto de Nibes
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Foto de Filipe Martins
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Nota: Autoria das fotos conforme Nick no flickr.
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Ainda antes do discurso sobre a cidade de hoje, há ainda tempo para um brinde de névoa dos finais de outono.
Até já, com mais um discurso de Fe Alvarez.

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Quantas memórias e quantas esperas podem conter o dobrar de uma esquina!?
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Quê matemáticas ou físicas, geometrias, artes, ciências, restos e cinzas haverá em quem morre de pé!?
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E os ninhos!? …sim, os ninhos, porquê depois de abandonados sempre povoam um espaço da memória impossível de formatar!?
Ainda bem que a cor fica resumida ao preto e branco, mesmo assim não tenho respostas para questões complicadas.
Até amanhã, com um ilustre flaviense ao qual, talvez, a justiça nunca lhe fez justiça.

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Embora já todas as aldeias tivesse passado aqui pelo blog, há ainda algumas (poucas) às quais devo um post alargado. Infelizmente este inverno não tem sido muito convidativo para a fotografia e confesso que estou sem material fotográfico para trazer aqui as aldeias em falta. Esta falta abre-me a porta para uma nova rubrica no blog dedicado às aldeias, uma rubrica que há muito andava para trazer aqui e que se irá chamara simplesmente “a preto e branco”.
Pois neste novo espaço só cabem fotografias a preto e branco, às vezes (quando muito) com uma nesga de cor. Será um espaço dedicado simplesmente à fotografia, com apenas duas ou três palavras de embalar e, só caberão aqui as fotos que não couberam no post da respectiva aldeia, aquelas fotos das quais eu gosto, mas que por falta de espaço não puderam entrar na devida altura.

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Será mais uma oportunidade para mais uma volta por todas as aldeias, algumas, até mais que uma vez desde que haja fotos que eu considere dignas deste novo espaço.
Fotos que eu gosto e não couberam no respectivo post e o velho fascínio pela fotografia a preto e branco, que sem cor, sempre teve o seu encanto.
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Estes Domingos “a preto e branco” irão alternar com os posts normais de domingo dedicados a uma aldeia e também estarão aliados à falta de tempo ou de material, como é o caso de hoje em que se aplica a ambas as condicionantes, principalmente porque ontem foi dia (ou melhor – noite) da blogosfera flaviense. Pela certa que irão perceber isso pelos próximos posts da blogosfera cá da terrinha e não só.
Espero que gostem deste novo espaço “a preto e branco”.
Até amanhã!


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