O “Discurso Sobre a Cidade” que hoje deveria acontecer, fica adiado para a próxima semana, entretanto aproveito e deixo eu aqui um pequeno discurso, que também é sobre a cidade.
Penso que já o contei aqui uma vez, mas nunca é demais. Nos primeiros tempos em que a autoestrada A24 nos servia, ou seja antes dela se servir de nós ou de nos cobrar as passagens e, também antes desta crise se sentir nos bolsos, começaram-se a ver por aí caras diferentes em visitas de fim-de-semana, sobretudo casais mais jovens sempre munidos de câmara fotográfica não mão. Numa das vezes cruzei-me com um desses casais que me perguntou onde ficava o centro da cidade, pois já tinham dado várias voltas pela zona histórica e não o conseguiram encontrar. Estávamos nós na Rua do Correio Velho (ou Rua Gen. Sousa Machado – se preferirem). Penso que lhes respondi: - “estamos no centro da cidade!” e eles argumentaram novamente – “ sim, mas há sempre uma praça, ou um largo onde as pessoas da cidade se juntam, é esse centro que procuramos” . Depois de eu pensar com a brevidade que o momento exigia, acabei por lhes responder: “Pois, é uma boa pergunta. Sabem, se fosse há uns anos atrás sabia-lhes responder, hoje lamento, mas não sei, temos vários lugares desses que procuram”.
Na realidade com o crescimento da cidade e o abandono residencial do centro histórico a cidade tornou-se policêntrica, com vários pontos onde aglomera pessoas conforme as horas do dia ou os interesses (comerciais, de diversão, etc.). O antigo ponto de encontro dos flavienses que sempre era o Jardim das Freiras e os cafés mais próximos, morreu, no entanto há um ou outro lugar que continua a ser ponto de encontro habitual, principalmente para quem não é da cidade e nos visita aos dias de feira, como o são ainda a Madalena e o Largo do Arrabalde, mas não o suficiente para poderem ser considerados o centro da cidade.
Prometi a algumas pessoas que um destes dias vinha aqui novamente com o tema da “Reabilitação Urbana” e a promessa mantém-se , talvez nessa altura volte aos “centros da cidade”, mas isso fica para breve, pois quero-o fazer como deve ser para que não haja dúvidas ou seja mal interpretado com aquilo que quero dizer. Para já, ficam duas imagens do Arrabalde que é sem dúvida uns dos centros de Chaves e, esperemos que com o “Museu das Termas Romanas” se torne mais atrativo, só temo mesmo é saber qual o impacto que a nova construção poderá ter no largo, mas vamos esperar que seja positiva, ou pelo menos que, mesmo que não se destaque pela positiva se integre no ambiente do largo ou passe despercebida, que para mamarrachos, já nos bastam os da era ACIOP.
Pelo menos este não nos foi roubado, refiro-me claro, ao feriado do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, ou será Dia de Portugal, de Camões, de Pessoa, de Saramago, de Torga, das Comunidades Portuguesas, da Madeira, Açores e Algarves?, mas já lá vamos...
Pois sobre este dia quero deixar aqui um breve apontamento para reflexão, ficando prometido que para o próximo ano aprofundo o tema, mas antes, vamos ao orgulho flaviense neste dia, pois ia jurar que um dos condecorados de hoje pelo Presidente da República era flaviense de nascimento, mas afinal não o é, pois teve Coimbra como berço de nascimento, mas pela certa tem Chaves no coração, pois é de cá a sua família e foi no Liceu Nacional de Chaves que fez os seus estudos do secundário. Trata-se do Reitor da Universidade Técnica de Lisboa, o Professor Doutor António Manuel da Cruz Serra, que vai ser (ou já foi – depende da hora da leitura deste post) agraciado com a Ordem da Instrução Pública (Grã-Cruz).
Então para refletir neste dia que também é dum poeta, vou começar intencionalmente por Miguel Torga, com três poemas da sua imensa obra sobre Portugal e os Portugueses, precisamente com poemas de “Portugal” e dos “Poemas Ibéricos”:
PÁTRIA
Soube a definição na minha infância.
Mas o tempo apagou
As linhas que no mapa da memória
A mestra palmatória
Desenhou.
Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar.
E no Diário X temos o poema “Portugal”
Portugal
Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que te dou.
Mostro aos olhos que não te desfigura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.
E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço:
Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.
Nos “Poemas Ibéricos” temos o nosso “fado” e o “Mar”
FADO
Tem cada povo o seu fado
Já talhado
No livro da natureza.
Um destino reservado,
De riqueza
Ou de pobreza,
Consoante o chão lavrado.
E nada pode mudar
A fatal condenação,
No solo que lhe calhar,
Humana vegetação
Tem de viver, vegetar,
A cantar
Ou a chorar
Às grades dessa prisão.
MAR
Mar!
Tinha um nome que ninguém temia:
Era um campo macio de lavrar
Ou qualquer sugestão que apetecia…
Mar!
Tinhas um choro de quem sofre tanto
Que não pode calar-se, nem gritar,
Nem aumentar nem sufocar o pranto…
Mar!
Fomos então a ti cheios de amor!
E o fingido lameiro, a soluçar,
Afogava o arado e o lavrador!
Mar!
Enganosa sereia rouca e triste!
Foste tu quem nos veio namorar,
E foste tu depois que nos traíste!
Mar!
Quando terá fim o sofrimento!
E quando deixará de nos tentar
O teu encantamento!”
Ou como dizia Pessoa, “Ó mar salgado, Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!”
Voltemos ao 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, mas regressemos ao ano de 1997 em cujas comemorações que se realizaram aqui na nossa cidade de Chaves, Alçada Batista contestava a letra belicista do nosso Hino Nacional, Pois pessoalmente penso que Alçada Batista tinha toda a razão, uma música tão bonita merecia outra letra, não só porque a atual é belicista, que nasceu como a de uma marcha num estado de revolta contra a monarquia e o Ultimato Inglês de 1890, mas também por ser sebastianista e desvirtuada do seu original, porque na sua versão inicial era composta de três partes das quais lhe amputaram as duas últimas (em 1957). Então se Salazar logrou amputá-la, porquê a democracia ( que aconteceu para acabar com as nossas guerras ultramarinas) não acabou de vez com uma letra belicista que apela à guerra na marcha contra os canhões? Esta fica para refletir ou talvez pra o próximo ano, mas desde já posso adiantar, e esta é a minha opinião pessoal, a razão porque se manteve o hino é a mesma que mantém Camões associado ao Dia de Portugal. Mas para quem não sabia, aqui fica a versão completa da letra do Hino/Marcha nacional:
I
Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
Bem, então agora vamos a Camões, o nosso grande poeta épico das navegações, dos descobrimentos e da língua portuguesa. Alguém me sabe responder porque está associado ao Dia de Portugal? Esta também fica para reflexão.
Portugal é terra de poetas e escritores maiores, desde Gil Vicente, o pai do teatro português, aos mais recentes Fernando Pessoa o grande poeta universal português (o “Supra-Camões” dizem alguns), a Saramago Prémio Nobel da Literatura, a Miguel Torga, o maior poeta de Portugal a cantar Portugal e os Portugueses, e muitos mais. E ainda há outro – Fernão Mendes Pinto, do tempo e conhecido de Camões, igualmente embarcado nos mares das descobertas, alguém o conhece? Isto também fica para reflexão, entretanto, Camões lá está, entalado entre o Dia de Portugal e as Comunidades Portuguesas.
Por último vamos às Comunidades Portuguesas, pois também fazem parte do dia de Portugal( como não poderia deixar de ser), porque se são comunidades portuguesas são portugueses de Portugal, só que estão fora de Portugal, e pelas mais variadas, mas pela certa todas válidas razões (mesmo para aqueles que o Passos Coelho agora convida a emigrar), nem que seja a de Portugal não lhe ter permitido uma vida digna a que cá tinham direito. Assim sendo os portugueses que estão fora de Portugal são igualzinhos e com a mesma portugalidade que os portugueses que estão cá, são capazes é de ter mais saudades da sua terra, de resto, gostam de sardinhas e bacalhau como nós gostamos, adoram Fátima como nós adoramos, são do Benfica, do Porto ou do Sporting e do club da terra como nós somos, gostam de ouvir cantar o fado como nós gostamos, em suma, são portugueses com iguais direitos e deveres (culturalmente falando) como nós, os que estamos cá, Parece-me que a inclusão das “Comunidades Portuguesas” junto ao Dia de Portugal e de Camões é bem intencionada e por uma causa nobre, mas simultaneamente, e pelas razões que atrás deixei, é discriminatória, pois pode parecer que há os portugueses de Portugal e os portugueses lá de fora, é assim como a língua portuguesa quando se fala de português de Portugal (língua) e português do Brasil, em que a língua é a mesma mas quem a fala tem nacionalidades diferentes e são diferentes de nós. Pois para rematar, cá por mim, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, passava a ser apenas DIA DE PORTUGAL, e mais nada, senão um dia destes vamos ter de acrescentar ao Camões, também o Pessoa, o Saramago, o Torga e deixar espaço para outros que ainda possam aparecer com igual valor e, às Comunidades Portuguesas, ainda alguém se vai lembrar de acrescentar a Madeira, os Açores e o Algarve. Os de Lisboa são meninos para isso. Lá isso são
Então VIVA PORTUGAL!
Mais tarde que o costume, mas cá estamos. Vamos lá então abrir mais um janeluco sobre o nosso concelho rural. Vamos mais uma vez fazer uma breve passagem por Loivos.
Com imagens de arquivo, mas que algumas poderiam ser de hoje, pelo menos esta última que dá ares de um dia feio, chuvoso de inverno. Pois é, estamos a um passo do verão, já deveríamos estar com a toalhinha estendida no areal da praia, mas não estamos, e desta vez a culpa não é da crise nem daquela gentalha de Lisboa que nos anda a desgovernar, mas é mesmo do frio e do mau tempo, pelo menos do frio de hoje que se não fosse por vergonha, já tinha acendido a lareira.
Mas deixemos as instabilidades do clima de parte, pois já nos chega a outra bem mais séria para nos ralar e incomodar, ou até já é mais que isso, muito mais, penso que a situação já é mesmo de revolta generalizada que, embora ainda pacífica, já se começam a ouvir os murmúrios ao passar da procissão e até já há quem não ajoelhe à sua passagem.
Mas se por um lado a instabilidade incomoda e as más políticas revoltam, por outro lado a nossa enraizada cultura secular manda que dos problemas se façam anedotas e que nos entretenhamos com o espetáculo da desgraça – Estamos em plena pré-campanha autárquica e anedotas já não faltam por aí e, temos garantido o espetáculo a partir do fim do verão.
De cada vez que vou por Santa Leocádia, bem me posso esforçar por encontrar os pormenores habituais que procuro nas nossas aldeias, mas é escusado, a presença da Igreja Românica domina e atrai todos os olhares e observações. Digamos que é a Top Model lá do sítio.
Claro que a sua localização não é alheia a esta atração, mas não só, pois tal como as Top Model têm tudo no sítio também esta igreja tem e, até, alguns as anormalidades se tornam atraentes, mas explico melhor, o cruzeiro frontal no exterior do átrio teima em ter uma inclinação que aparentemente vai contra as leis da física, mas penso que a mania é só para chamar um pouco de atenção, não vão as atenções perderem-se todas na igreja.
Enfim, hoje fico-me apenas pelas suas cruzes, ou quase, pois nunca resisto a um olhar sobre a sua face mais atraente.
Olhares do meu olhar, mas nem há como viver estes olhares lá, no seu ambiente. Mesmo eu que já passei por lá umas boas dezenas de vezes, nunca resisto a uma paragem e novos registos, pois tem sempre pormenores que nas visitas anteriores nos passam despercebidas.
A neve não é de hoje, mas até podia ser pois a lareira está acesa e lá fora o frio diz-nos que por ai à volta, nas serras mais altas, há neve de certeza, embora maio já caminhe para junho. Mas a razão desta primeira foto é para trazer aqui umas palavras de Torga, que pela certa foram inspiradas ou mesmo escritas na proximidade desta imagem.
Mairos, Chaves, 1 de Setembro de 1989
Quanto mais chegado a Espanha, mais eu gosto de Portugal. Nestas terras raianas a pátria sente-se nos pés. Quando ela acaba, o piso é outro.
Miguel Torga, in Diário XV
Palavras de Torga que irão passar por aqui muitas vezes. Lá para o próximo mês este blog fara uma pequena remodelação. Entrarão novos autores, imagens de outros fotógrafos e Miguel Torga terá aqui um espaço semanal. Já que a cidade não presta a devida homenagem àquele que sem qualquer dúvida é o maior poeta de Portugal, este blog irá trazê-lo aqui todas as semanas com aquilo que ele dizia de nós e, podem crer que não há ninguém que melhor nos conheça ou conheça Portugal como ele conheceu.
Mas Torga e alterações ao blog só para junho e já quando ele caminhar para julho, entretanto vamos mantendo o blog como até aqui, mas pode ficar desde já prometido que o mundo rural flaviense continuará a ter aqui lugar aos fins-de-semana.
Entretanto hoje vamos mais uma vez até Mairos e com alguns dos seus motivos de interesse, como o interessantíssimo peto que penso nunca aqui ter trazido. Mas nunca é tarde e se não fosse hoje seria para uma próxima vez.
Ficam também mais palavras de Torga. Palavras que ao serem lidas se transformam em imagens que tive a sorte de ver e de viver, por isso também mais sentidas “que nem podem imaginar nem a fundura, nem a santidade”, mas sobretudo palavras que são documentos:
Mairos, Chaves, 4 de Setembro de 1990
Despeço-me supersticiosamente da paz do planalto em restolho. O sol morre nos confins dos horizontes, as charruas dormitam, cansadas, à beira dos caminhos, manadas de vacas arrastam placidamente o amojo a caminho da ordenha, e o meu silêncio apreensivo como que cumplicia os companheiros numa comunhão cósmica de que não podem imaginar nem a fundura, nem a santidade.
Miguel Torga, In Diário XVI
Miguel Torga, in Diário XVI
Chaminé e clarabóia na Rua Dr. Júlio Martins
Casario da Praça do Município
Rua Dr.Júlio Martins com novo visual
1º de Maio, Dia do Trabalhador em Chaves, em Portugal e em todo o mundo democrático, pelo menos, mas como Chaves não é muito dada a manifestações, aproveita-se o feriado para desfrutar como cada um lhe da na gana.
Cá eu, por obrigações familiares aproveitei uma ida à cidade e andei a calcorrear os caminho do “Lombudo” devidamente equipado. Faltou o cão, faltam os militares atrás das “sopeiras”, faltam os barcos no Tâmega e muita coisa que repousa nas memórias do passado. Hoje é mais espanhóis e um ou outro turista nacional a percorrer as ruas da cidade. Poderíamos ter mais turistas se as políticas atuais não fossem de pobreza (em todo o seu sentido), e também a cidade poderia apostar mais nestes dias, mas enfim, a pobreza (também de ideias) é generalizada e os residentes do largo dos pasmados lá se vão entretendo a ver magotes de espanhóis a passar. Recordações de Chaves levam-nas em imagem. Eventos, festas, feiras e feirinhas, só as de sucesso e depois para que oferecer Chaves aos que nos visitam… os nossos sonhos vão muito mais além, só nos falta mesmo é encontrar o sonho certo.
Seja como for, fica um registo fresquinho de Chaves com uma imagem do Arrabalde e de um magote de espanhóis há coisa de uma hora atrás. Mais fresquinha que esta é quase impossível.
Um bom resto de 1º de Maio que amanhã é dia de trabalho para quem tem a felicidade de ainda ter trabalho.
Como o tempo não tem andado de feição para grandes reportagens nas nossas aldeias, vamo-nos valendo do nosso arquivo para trazer aqui imagens do nosso mundo rural e, felizmente que há aldeias como a de Soutelinho da Raia onde há sempre uma imagem para trazer aqui e, é com gosto que o faço, pois Soutelinho é uma das poucas aldeias que ainda mantém a sua virgindade de aldeia tradicional transmontana, onde se tem reconstruído com gosto e onde felizmente há poucos atentados à sua dignidade. Claro que também sofre do envelhecimento e de despovoamento, aqui não é exceção, mas, embora com muito casario abandonado e em mau estado, é preferível vê-lo assim, pois sempre há a esperança de que melhores dias virão para uma boa recuperação, do que vê-lo transformado numa modernice pirosa que em nada dignificam as nossas aldeias. Claro que as modernices também devem ter lugar nas aldeias, mas em lugar próprio, fora do seu núcleo.
A um passo de Chaves, o casco antigo da Abobeleira vai resistindo como pode à entrada da modernidade.
Com a crise que atravessamos era um bom momento para analisar também as más políticas que nos conduziram até ela. Poderão dizer que a crise não é só nossa, pois não, mas as más políticas de muitos anos agudizaram-na. Eu, por cá, costumo dizer que tudo começou com o comboio(s), quando em vez de se modernizar a nossa rede ferroviária se optou por construir a torto e direito IP’s e autoestradas, em detrimento dos comboios e da sua modernização. Os grandes interesses, sempre os grandes interesses dos poucos que os podem ter, interesses do b€tão como se apenas no betão estivesse o desenvolvimento de um país. Grandes interesses de alguns que pobres e remediados têm de pagar.
Fico-me por aqui em lamentos para ouvidos moucos e, apenas o fiz, porque duas das imagens de hoje têm diretamente a ver com esse comboio que nos roubaram, um dos primeiros roubos que ao longo dos anos se viriam a repetir…
Ficam memórias desse comboio mas também imagens daquele que ao longo de alguns quilómetros o acompanhava no seu trajeto e se deixava atravessar precisamente em Curalha. Claro que é do Rio Tâmega que vos falo.


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