Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

Cidade de Chaves - O tempo das coisas

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O tempo das coisas

 

Durante muito tempo conheci este rio sem ninguém o contrariar. Deixava-se levar pela natureza. Enchia, avolumava-se e ganhava velocidade quando a natureza assim o queria, ou então,  esvaziava, pasmava e ficava reduzido ao mínimo para se manter vivo quando assim tinha de ser. Durante anos foi assim até que o começaram a contrariar, como se a natureza se pudesse contrariar… e às vezes até pode, imagens como a que hoje vos deixo, tomada em 2013,  fazem-nos acreditar que é possível, mas com o tempo também fui perdendo a inocência e aprendi que o acreditar anda quase sempre de mão dada com o sonhar.

 

Hoje quando revi esta imagem, apercebi-me como o acreditar é apenas um momento, um instante em que a natureza nos tira da realidade. Hoje quando revi esta imagem, instintivamente peguei num dos livros que sempre me acompanham, abri-o e parei neste texto:

 

A PRESSÃO DOS MORTOS

 

Fechas a mala do carro cheia de bagagem. E de súbito apercebes-te de que não é novo o gesto. Muitas vezes o viste repetir. A muitas horas do dia, mas nunca como num fim de tarde. Qualquer que fosse a paisagem, a mesma paisagem: a terra calcinada, o canto das cigarras, o ar espesso do vapor a provocar a rarefacção das coisas vistas e a dar-lhe um ar de miragem. Fecha-se o tampo do caixão sobre a cara conhecida para todo o sempre. Nem se levanta o problema da eternidade. Esta terra é que tu amaste com todas as contrariedades e os problemas quotidianos. Amaste homens que por vezes talvez te tenham dado na cara e eram deliciosamente imperfeitos como tu. E tiveste de te despedir deles. Já não eram daqui. Já tinham problemas de mortos. Já se falava deles no imperfeito e não no presente. Mudou um simples tempo de verbo e tudo mudou. Um último olhar a essa caixa de mau gosto. Gostarias de atirar um torrão, como em criança, para esconjurar os maus sonhos. Mas falta-te a inocência. Decisivamente, tens de fechar com força a mala do carro. E pedes que te ponham os pneus à pressão 22. A pressão dos mortos.

 

Ruy Belo in “homem de palavras

 

 

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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018

De regresso à cidade, com uma foto de inverno e um sonho

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Hoje fazemos o regresso à cidade pelos passeios à beira rio, com uma foto de inverno, a demonstrar que esta estação fria também tem os seus encantos. Nos meus sonhos, o encanto seria ainda maior se a partir do terraço existente sobre o Rio Tâmega, que foi construído a partir da estrutura do antigo motor de água, tivesse uma ligação à margem esquerda do rio, ou seja, uma ponte pedonal, apenas com a largura de duas pessoas,  com o romantismo das pontes de arame, se pudesse ser… no meu sonho pode!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:18
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Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Morgade

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A nossa aldeia de hoje no “Barroso aqui tão perto” é Morgade, aldeia e sede de freguesia no limite de terras da chã, do Barroso da Chã, e entenda-se esta chã por aquilo que o termo significa, ou seja, o de chão plano ou extensão plana de terra, porque de facto, as terras de Morgade assim eram até à chegada da Barragem do Alto Rabagão ou dos Pisões, que lhes invadiu com água os seus chãos mais baixos e planos, ainda hoje bem visíveis quando a cota de água desce na Barragem.

 

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Para quem não sabe onde fica Morgade, já ficou a dica de ficar em terras da Chã, mesmo à beirinha da barragem dos Pisões, mas vamos ser mais precisos e traçar o nosso habitual itinerário a partir da cidade de Chaves.

 

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Pois para ir até Morgade, como quase sempre, temos várias opções. Vamos ficar por duas, com a mesma distância, 37Km,  e aconselhar uma. A opção que aconselhamos, por ser mais rápida e melhor estrada é a da estrada de Braga, a EN103, com partida de Chaves e depois é só seguir por ela até ao Barracão. Aqui podemos abandonar a EN103 e tomar a EM525 que nos levará até Morgade, no entanto recomendo continuar pela EN103 até à Aldeia Nova do Barroso, e aí sim, abandona-se a EN103, ficamos com a Barragem dos Pisões à vista e logo a seguir é Morgade. Fica o mapa com o itinerário.

 

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Em opção ao anterior trajeto, temos a estrada do S. Caetano (EM507), via Soutelinho da Raia, depois Meixide e aqui, no final da aldeia a estrada bifurca, uma via Vilar de Perdizes e outra via Pedrário e Sarraquinhos. Opta-se por esta segunda via, mesmo porque a outra, atualmente está cortada por motivo de obras. Seguimos então para Pedrário e Sarraquinhos. Aqui vira-se em direção a Zebral, passa-se ao lado de Cortiço e logo a seguir temos o Barracão. A partir de aqui entramos na parte final do itinerário que aconselhamos, traçado no mapa. A distância em ambos os itinerários é de 37Km, como atrás referido, mas o primeiro, embora menos interessante, é mais rápido e com melhor estrada.

 

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Morgade é assim uma das aldeias ribeirinhas da Barragem dos Pisões, ou quase, pois entre a aldeia de Morgade mais antiga e a Barragem, existe a Aldeia Nova de Morgade que adotou o topónimo de Criande. A placa à entrada da aldeia está pintada de branco, escondendo-lhe o nome lá inscrito, mas nota-se que é Criande o que por lá está gravado. É notório que há ali uma questão mal resolvida entre Morgade e Criande, polémica na qual não quero entrar e nem sequer tenho esse direito. Aliás Criande, além desta referência, não será hoje aqui abordada. Está reservada para um futuro post mais alargado onde irão entrar todas as aldeias novas do Barroso, fazendo-se um pouco da sua história.

 

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Mas seja qual for o conflito existente entre Morgade e Criande, se é que existe, a verdade é que oficialmente Morgade é a sede de freguesia de 4 localidades, onde se conta a própria aldeia de Morgade, a de Carvalhais, Criande e Rebordelo.

 

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Embora Morgade calhe com frequência no nosso itinerário de visitas ao Barroso, a verdade é que para fazemos a recolha fotográfica da aldeia, só lá parámos 2 vezes, ou vez e meia, pois na primeira abordagem (em 2014), estávamos nós no largo da igreja e alguém da aldeia nos falou da capela de S. Domingos e das vistas que desde lá se alcançavam. Não resistimos à provocação/tentação e depois de termos feito duas ou três fotos da igreja, encartámos as máquinas e bota para o alto de S. Domingos, onde confirmámos as tais vistas anunciadas.

 

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CAPELA E ALTO DE S. DOMINGOS – IMPERDÍVEL E IMPERDOÁVEL

Desde já o Alto de S. Domingos é mesmo imperdível, ou melhor, é de visita obrigatória pois as vistas desde lá se podem lançar são mesmo imperdíveis. Vistas sobre toda a barragem, mas também sobre os mares de montanhas de onde se avistam as serras mais importantes do Barroso, como as Serras do Larouco, do Gerês, do Barroso da Mourela e outras das quais não sei o nome. No livro “Montalegre” no capítulo “Festas”, a de São Domingos é uma das que destaca, precisamente pela sua envolvência paisagística.

 

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Nas Memórias Paroquiais de 1758 também Morgade já era referida pela Capela de S. Domingos e o 4 de agosto, onde o povo ia em romagem e no seu dia se celebra a festa com romeiros de várias partes. É aqui que entra o IMPERDOÁVEL, por dois motivos. O primeiro é por mea-culpa por ter lá estado e não ter registado em fotografia a capela. O segundo motivo do IMPERDOÁVEL tem a ver com a razão porque não fiz a tal fotografia. Geralmente nunca fotografo aquilo que não gosto, foi o que lá aconteceu, não pela capela, que embora simples e pequena, tem toda a dignidade de uma capela e a beleza da sua simplicidade, mas pelo seu enquadramento em que é impossível não vermos o mamarracho que construíram junto a ela. Sei com quase toda a certeza que aquele mamarracho foi construído com todo o amor e carinho, possivelmente a expensas do povo de Morgade e dos romeiros, provavelmente até com o suor do povo de Morgade, e que terá uma finalidade nobre ou necessária, mas tudo isso não desculpa nem perdoa o mamarracho que lá está, inestético e a roubar o brilho que capela e o alto mereciam ter.

 

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MORGADE - POPULAÇÃO

Olhando para a evolução da população da freguesia de Morgade ao longo dos tempos, pelo menos desde que existem dados dos CENSOS, verifica-se um comportamento dentro do normal mas um pouco atípico, ou seja, demonstra o mesmo comportamento que as restantes freguesias do interior Norte de Portugal, com a população a aumentar até ao ano de 1960, e a diminuir a partir de aí. No entanto quase todas as freguesias verificam uma descida mais ou menos considerável nos CENSOS de 1920, explicada e justificada por um conjunto de fatores, como o foi a mortandade provocada pela gripe espanhola (a pneumónica) de 1918/1919 (60 mil mortos em Portugal), a I Grande Guerra com 10 mil mortos e um pequeno boom de emigração para o Brasil e Estados Unidos. Pois acontece que na freguesia de Morgade, no CENSOS de 1920 apenas perde 30 pessoas em relação ao CENSOS anterior de 1911.

 

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Desde 1864 a 1930 a população da freguesia de Morgade variou entre os 279 e os 386 habitantes, verificando-se uma linha de tendência de subida uniforme.  A diferença em relação às restantes freguesias dá-se a partir de 1930 e vai até 1960 em que a população subiu vertiginosamente, passando de 386 habitantes em 1930, para 811 em 1960. Inicialmente fui levado a pensar que este acréscimo de população se deveria à construção da Barragem dos Pisões, onde chegou a concentrar 15.000 pessoas na sua construção, no entanto descartei essa hipótese porque a barragem só começou a ser construída em 1958. Ao que se deve este fenómeno de uma subida tão vertiginosa da população? – Pois não o sei, mas mais difícil de explicar é ainda a descida de população, quase a pique, entre os anos de 1960 e 1970 em que a população desce dos 811 habitantes de 1960 para os 451 habitantes de 1970. Embora a descida de população entre 1960 e 1970 também tenha uma explicação em geral, com o primeiro boom de emigração para a europa e a guerra nas colónias, não justifica no entanto uma descida tão acentuada. Alguma coisa me escapa, pois, deve haver uma justificação. Já nos CENSOS seguintes, entre 1970 e 2011, nada a assinalar, pois verifica-se a tendência do decréscimo da população como nas restantes freguesias, com Morgade a atingir o seu mínimo de sempre (desde que há CENSOS), no ano de 2011 com apenas 228 habitantes. Saliente-se que são números da freguesia, ou seja, é toda a população de 4 localidades - Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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Quanto às nossas impressões pessoais sobre Morgade, verificámos ser uma aldeia que se desenvolve ao longo de um arruamento principal, tendo neste, dois largos de alguma importância e ambos ligados a um “serviço” comunitário da aldeia, o primeiro largo, logo à entrada da aldeia é onde se localiza a igreja, bem interessante por sinal, seguindo a arquitetura de outras da época com torre sineira dupla separada da igreja (em frente à entrada principal.

 

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O segundo largo da aldeia, é onde estão localizados um fontanário, tanque e bebedouro públicos, onde é notória a intervenção nova do tanque e bebedouro. Ainda neste largo existem umas alminhas que com a colocação (mais recente) de uma cruz no seu topo passou a alminhas/cruzeiro. Quanto ao casario é o típico nesta parte mais a Norte do Barroso, maioritariamente construções simples, com alguns abandonos e ruinas pelo meio.

 

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Quanto às nossas pesquisas encontrámos na página oficial do Município de Montalegre na internet algumas informações sobre a freguesia de Morgade:

  

"Andou muitos anos anexada, bem como Negrões, à; freguesia da Chã; as três constituíam uma Comenda do Convento de Santa Clara de Vila do Conde. O fortalecimento das regras primitivas e da reforma contra a lassidão em que haviam caído os frades, levados a peito, ao longo do século XVI, originou um grande movimento de apoio das populações, no plano espiritual e no plano material, que as levaram a construir mosteiros e capelas. Vem daí a devoção dos morgadenses a São Domingos de Gusmão, revelada na edificação da sua capela e dos vilapontenses que lhe dão lugar de honra no altar-mor da sua Igreja. Era o comungar desta gente barrosã com os princípios da pobreza voluntária dos monges pregadores, também chamados mendicantes, os frades dominicanos (e os franciscanos) cuja glória mais significativa foi São Tomás de Aquino. E já que falamos de Santos não ficava nada mal – era até um acto de justiça – que os de Carvalhais devolvessem à sua Capela o orago primeiro que foi São Tiago, conforme muito bem expressa a nossa variante barrosã da belíssima lenda dos Sete Varões Apostólicos."

 

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 Onde tem também outras informações sobre a freguesia:

  • Área: 21.2 km2
  • Densidade Populacional: 10.8 hab/km2
  • População Presente: 230
  • Orago: São Pedro
  • Pontos Turísticos: Capela de São Domingos(Morgade) e Casas (Carvalhais).
  • Lugares da Freguesia(4): Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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No livro Montalegre também há algumas referências à aldeia de Morgade e freguesia:

 

“Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes; S. Domingos, em Morgade; Nossa Senhora de Galegos, no Cortiço (Cervos); São João da Fraga, em Pitões; São Lourenço, em Tourém, e Nossa Senhora da Vila de Abril, em São Pedro (Contim).”

 

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E continua:

“São igualmente célebres por serem incomuns: o penedo do Esporão (S. Lourenço Cabril), a Laje dos Bois (Lapela-Cabril) o Penedo da Pala (Cela-Outeiro) o Penedo da Caçoila (Pedrário-Sarraquinhos) A Casa dos Mouros (Morgade), o Penedo Sagrado (Salto) A Mesa do Galo (Borralha-Salto),(…)”

 

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E ainda com:

 

"A grande rota das barragens

Vamos propor um passeio ao longo das albufeiras que se espraiam pelos vales dos rios Cávado e Rabagão. São cenários majestosos de água e serra, bem vivos nos prazeres da pesca, da vela do flyserf,  do remo, da canoagem e do esqui, ou no gosto da vitela barrosã, do cabrito,  das trutas  e das carpas.

Fixe como ponto de partida a vila de Montalegre. Saia em direcção à EN 103, Braga - Chaves, seguindo em direcção às aldeias da Aldeia Nova do Barroso – aldeia dos Colonos - Morgade, Negrões, Lamachã e Lavradas, já no concelho vizinho, para ter acesso ao grande miradouro do Vale do Rabagão, que são os “Cornos das Alturas”.”

 

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E com:

 

“As Festas

Por falarmos em festas, algumas ocorrem cada ano por toda a região. As de mais nomeada e tradição são as festas concelhias ao Senhor da Piedade, que se realizam na capital, durante a primeira quinzena de Agosto; a de Salto, à Senhora do Pranto, em 1de Agosto; a de Vilar de Perdizes, à Senhora da Saúde, a meados de Junho; as das sete Senhoras, todas elas Nossa Senhora dos Remédios, em sete localidades diferentes de Barroso, no dia 8 de Setembro, etc. Muitas delas apresentam um programa de carácter etnográfico e recreativo e realizam-se em locais de impressionante envolvência paisagística. Entre estas destacam-se: a Senhora da Vila de Abril, na freguesia de Contim; a Senhora das Neves, na freguesia de Cabril; São João da Fraga, em Pitões; a Senhora de Galegos, na freguesia de Cervos (Cortiço); o São Domingos, em Morgade e o Santo António, em Viade.”

 

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“Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho, Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).”

 

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Na Etnografia Transmontana (II – O Comunitarismo de Barroso) de António Lourenço Fonte encontrámos as seguintes referências:

 

“Hoje na freguesia de Cervos e os de Gralhós e Morgade juntam muito o gado vacum. A partir do mês dos Santos a fins de Fevereiro, antes de entrarem nos Outonos (lameiros) cada pastor junta o seu gado com o de todos os vizinhos e todos guardam o rebanho, recolhendo à noite ao curral, na aldeia. Por todo o Barroso as ruas da aldeia ficam assim estercadas com a passagem diária de tanta fazenda (gado). Alguns estrumam as suas testadas, são as estrumeiras, para estercar as terras.(…)”

 

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Saliente-se que o “hoje” do início da citação anterior se refere a 1977, ano de publicação do livro, que, e ainda no mesmo, noutra referência que transcrevemos a seguir, o “este século” é o século XX:

“Verdadeiramente só no princípio deste século, mais concretamente na 1ª grande guerra, aí por 1914 é que as riquezas mineiras de Barroso começaram a ter interesse mundial.

 

Assim na Borralha freguesia de Salto foram os belgas, mais tarde os franceses, que vieram explorar o volfrâmio, estanho, pirite, ouro, etc. No Bessa, na zona de Morgade, Rebordelo e Carvalho tem sido explorado em maior quantidade o estanho e menos o volfrâmio. (…)

 

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Ainda do mesmo autor (Padre Fontes) na Etnografia Transmontana, I – Crenças e Tradições do Barroso, encontrámos as seguintes referências:

 

NOMEADAS DAS TERRAS E GENTES

(…)

Pernas tortas de Vilar,

Tarouqueiros de Solveira,

Escorna cruzes de Solveira,

Da amarela de S. André,

Arreda que sou de Gralhas,

Largateiros de Pedrário,

Leites quentes do Antigo,

Ovelhas de Zebral,

Formigueiros de Serraquinhos,

Carvoeiros de Cepeda,

Financeiros de Fírvidas,

Fidalgos de Cervos,

Lobos de Negrões,

Largateiros de Morgade,

Troquistas de Torgueda

(Informou P. Domingos Barroso).

 

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E continua com as alcunhas das aldeias:

 

Travassos, terra dos abraços

Castanheira, terra da madeira

Penedones, terra dos homes

São Vicente, terra da gente

Torgueda, terra da merda

Peireses, terra dos reses

Gralhós, terra dos avós

Medeiros, terra dos peidos,

Negrões, terra dos Ladrões,

Frades, terra dos padres,

Cambezes, terra dos homens portugueses,

Montalegre, povo cigano, que muito pede,

Morgade, roubam muito e ninguém o sabe,

Meixedo, inda que vejam a morte, não têm medo.

(Informou Bento Joaquim, A. Alves de Travassos, 68 anos)

 

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E vamos agora espreitar o que se diz na “Toponímia de Barroso” a respeito da nossa aldeia de hoje:

 

"MORGADE

É o genitivo do nome pessoal germânico Mauregatus. Assim, uma “VILLA” Mauregati > Mourgade > Moorgade > Morgade, em:

- 1258 « de villa de Morgadi est» INQ 1518 donde se vê que no século XIII já só faltava “abrandar” o i em e — o que acontecia já na pronúncia."

 

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Na “Toponímia Alegre” mais duas achegas:

 

“Quem andou sempre topou:

Um cão de caça na Vila da Ponte,

Um ladrão em Morgade,

Uma lebre em Covelo do Monte

E uma puta em Viade.

Toda a vida se ouviu dizer

Quem sempre terá de haver:

Um cão de caça nas Alturas,

Uma lebre em Morgade,

Um puta em Parafita

E um ladrão em Viade."

 

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E ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, passaram a estar na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, António Lourenço, (1974), Etnografia Transmontana, I — Crenças e Tradições de Barroso. Coimbra: Edição do Autor.

FONTES, António Lourenço, (1977), Etnografia Transmontana, II — O Comunitarismo de Barroso. Minerva Transmontana – Vila Real: Edição de Autor.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Loivos - Chaves - Portugal

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Hoje puxamos o garabelho e abrimos as portas à aldeia de Loivos, plantada à beira da veiga da Ribeira de Oura que começa aos pés de Escariz, passa pelo Seixo, encontra-se com Loivos, continua para Vila Verde de Oura, estende-se até Oura, estreita em Vidago, alarga-se em Arcossó e perde-se no Rio Tâmega. Quase tão longa como a veiga de Chaves, mas mais estreitita.

 

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Já Loivos, aldeia, é das aldeias mais larguinhas do concelho de Chaves, ou melhor, foi, pois com a modernidade do pós 25 de abril não cresceu tanto como as aldeias da proximidade da cidade. É, esta também é uma das verdades da democracia, que não só trouxe melhores condições de vida como também incentivou o êxodo do mundo rural.

 

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A aldeia de Loivos também foi uma das que foi traída por estes novos tempos e que, como quase todas as aldeias do interior, acabou por sofrer dessa maleita do despovoamento, Loivos, que a meu ver era uma das aldeias mais desenvolvidas do concelho de Chaves, servida por estrada nacional e estação de comboio (quando o havia), para além de ser uma animada, não fosse ela terra de músicos.

 

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E embora as imagens de hoje tente abordar um pouquinho de tudo que Loivos tem, o que em sete imagens é sempre impossível, mas complementam um pouco dos posts anteriores dedicados à aldeia. Embora tentemos fazer essa abordagem, dedico o resto das palavras à música, à sua banda filarmónica e aos seus músicos, que estão fartos de dar provas da sua qualidade. Palavras que lhes dedicamos, mas que fomos roubar ao site das bandas filarmónicas

 

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Fundada em 1826, a Banda Musical de Loivos tem vindo a desenvolver, ininterruptamente, uma ação promotora da música numa região que desde há muito tempo tem vindo a ser desconsiderara no que toca à qualidade musical que apresenta. Não obstante este facto, a Banda Musical de Loivos sempre se pautou por ser um polo de aglutinação de jovens e menos jovens, assumindo muitas vezes um papel de relevo na integração social dos habitantes de Loivos e aldeias vizinhas. Ao longo dos quase dois séculos da sua existência, a BML soube construir uma reputação de qualidade, entrega e paixão pela música, potenciando os parcos recursos que foi tendo à sua disposição, ao longo dos tempo, ao ponto do nome da aldeia que a alberga ser sinónimo de “música” e de “músicos” na sua região. Realiza regularmente concertos na sua região e é uma presença assídua nas festas e romarias, tendo sempre recebido críticas positivas por parte do público. Contou sempre com Diretores Artísticos abnegados e com espírito de missão que pautaram sempre o seu trabalho pela evolução musical da BML, sendo de registar alguns nomes importantes na história da BML, tal como os Maestros Francisco Gomes (anos 30 e 40), José Rodrigues “Carriço” (anos 50 e 60), José Maria (anos 80), José Lourenço Costa (anos 90), entre outros, que, pela sua longevidade frente à BML, deixaram construídas as bases para a banda de hoje.

 

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Atualmente, a BML é composta por cerca de 60 elementos, na sua maioria jovens, que conciliam a sua vida profissional e académica com a atividade musical nesta banda. Embora seja uma banda bastante jovem na sua composição, conta nos seus quadros com jovens músicos em formação no seu instrumento, fruto de uma aposta forte da BML na formação dos seus músicos como único meio para a evolução da banda e consequente afirmação num panorama musical mais alargado, através de protocolos com escolas de Ensino Artístico Especializado como através da sua escola de música onde jovens dão os primeiros passos no mundo da música, ingressando, mais tarde, no corpo da própria banda.

 

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Em 1999 gravou um disco cujos temas ilustram o trabalho desenvolvido pela Banda. Este trabalho visava registar e perpetuar, pela primeira vez, o resultado da dedicação e arte – com todas as limitações que este termo implica para quem apenas é amante da música sem, todavia, esquecer a pesada herança que uma organização quase bicentenária, como é a Banda Musical de Loivos, carrega e tenta legar às gerações presentes e vindouras.

Atualmente e desde Novembro de 2012, a BML tem como Diretor Artístico o Maestro Luciano Pereira que iniciou o seu percurso na BML com apenas 11 anos e natural da aldeia de Loivos, tendo iniciado uma nova etapa da sua contínua evolução, tendo como diretrizes a formação dos seus elementos, a abertura da Banda a novas realidades musicais e, acima de tudo, o respeito pela herança de dois séculos de heróis que mantiveram a BML sempre no caminho do progresso e da qualidade, sem nunca esquecer o meio envolvente e as pessoas que a ajudaram a construir, ano após ano. Dentro deste espírito de trabalho, a BML teve já o prazer de se apresentar em concerto no Festival “Filarmonia ao mais Alto Nível”, em 2013, tendo obtido uma critíca bastante favorável por parte do público.

Em 2015 concorreu na 2ª Secção do II Concurso Internacional de Bandas “Filarmonia d’Ouro”, tendo sido laureada com o 2º Prémio.

Para saber mais sobre a Banda Filarmónica de Loivos, clique aqui.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:43
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018

Rua das Longras - Pormenores

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Hoje vamos fazer uma breve passagem pela Rua das Longras, sem grandes comentários, apenas dizer que é uma das ruas que hoje vive na sombra da cidade.

 

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Talvez os mais jovens não entendam as minhas palavras, mas os da minha geração e mais velhos, pela certa que as entendem. Uma rua cortada a meio pela modernidade, onde a metade resistente,  é apenas uma das vítimas do betão que entrou pela cidade histórica adentro sem sequer pedir licença.  

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:06
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2018

De regresso à cidade

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De regresso à cidade com passagem noturna pela torre de menagem, com uma amoreira e a lua por companhia.

 

E agora um pequeno esclarecimento para aqueles que ontem contribuíram para por um pontinho no mapa-múndi que colocámos na barra lateral e que hoje já não existe. Foi de pouca dura, não por nossa vontade, mas a conselho da equipa de blogs da SAPO, que nós aceitámos, pois o widget (era assim que a coisa se chamava) não era fidedigno, além de também eu ter dado conta que atrasava consideravelmente a abertura de páginas no blog. É, tal como se diz por aí “não há almoços grátis” e mais dia-menos-dia o widget  (gratuito) que tinha instalado,  começaria a abrir publicidade indesejada quando vós acedêsseis ao blog. No passado já tivemos uma experiência dessas que não queremos repetida, mas a todos que contribuíram com um pontinho, o nosso obrigado, pois foi bonito de ver enquanto durou.

 

Uma boa semana, com o dia de amanhã de muita folia.  

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:33
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Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

Limãos - Chaves - Portugal

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Seguindo a ordem alfabética que estabelecemos para esta nova ronda pelas nossa aldeia, a seguir a Lamadarcos, a aldeia da última semana, vem Limãos. É para lá que vamos hoje.

 

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Tal como já deixei por aqui nas anteriores publicações que este blog dedicou a Limãos, esta aldeia tem as suas particularidades, e bem curiosas. Uma delas tem a ver com a sua localização, cuja particularidade lhe é conferida pelo acesso à aldeia através da EN213, ou seja, Limãos pertence ao concelho de Chaves sendo estrada nacional o único acesso que temos para chegar a Limãos, no entanto antes de lá chegarmos temos que entrar no concelho de Valpaços, passar por uma das suas aldeias (Barracão) para de novo entrarmos no concelho de Chaves e aí sim, temos Limãos, para logo a seguir termos o concelho de Valpaços outra vez.

 

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Outra particularidade tem a ver com a curiosiosa arquitetura da capela. Original e singular, parecendo uma construção cortada longitudinalmente a meio. Pessoalmente gosto da diferença. Outra curiosidade tem a ver com o  topónimo Limãos, que por sinal não é caso único, pois no concelho de Vinhais também existe uma localidade com este topónimo. Pois de cada vez que em conversa calha mencionar a aldeia de Limãos, há logo uma voz próxima que tenta corrigir para “Limões”.  Limãos, dizemos nós, é mesmo assim. E é. Não conheço a origem do topónimo, mas no Blog Limãos  a Wilma (autora do blog) avança com duas hipóteses para a sua origem.

 

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Diz assim o blog Limãos:

“O nome poderá provir de limais, que significava terra pantanosa e coberta de limos. No entanto há outra opinião, que diz que esta povoação teve a sua origem numa colónia constituída por indivíduos provenientes da Galiza, da região de Límia.”

 

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Pena que o Blog Limãos não seja atualizado desde março de 2013, pois ia sendo mais uma das nossas aldeias que estava no mapa da blogosfera flaviense, mas mesmo assim, para quem quiser aprofundar mais um pouco sobre esta aldeia, o blog tem algumas informações. Nem há como passar por lá, fica o link: http://limaos.blogs.sapo.pt

E por falar em atualizações, também nós temos de atualizar as nossas idas a Limãos, pois as imagens que hoje aqui ficam já têm mais de 10 anos.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:10
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2018

Momentos!

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Às vezes a imagem não é tudo, mostra-nos sempre e apenas aquilo que se vê, ou aquilo que queremos que se veja, até a podemos congelar para todo o sempre, mas a quem a vê faltar-lhe-á o momento vivido aquém daquilo que o olhar alcança, esse, ah esse momento, é só nosso, de quem o vive.    

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:22
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2018

Rua do Poço - Chaves - Portugal

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Por mais fotografias que tenha desta cidade de Chaves, sempre que me faz falta alguma de um determinado local ou pormenor, dou-me conta que essa nunca a fiz. Claro que mais dia, menos dia, acabo por fazê-la, mas então já não faz falta. É por essa razão, que de vez em quando, dou umas voltas pelo nosso centro histórico, repito passos que já antes dei, registo novos momentos de que já registei, e às vezes lá vai acontecendo um ou outro que foi falhando nas minhas anteriores passagens. Claro que são olhares seletivos, pois há pelo nosso centro histórico muitos atentados cometidos que não interessam a ninguém.

 

Nestas voltas há ruas e pormenores que são mais fotografados que outros. Uma das ruas da qual tenho menos motivos registados é da Rua do Poço e sempre que passo por lá compreendo o porquê. Parece uma rua com duas faces, que na realidade tem, uma com construções assentes sobre a muralha medieval com os seus alçados principais virados para a rua e mantendo a sua traça antiga. A outra face parece feita de alçados posteriores e maioritariamente com reconstruções descuidadas, varandas de betão que não condizem com a rua.

 

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Mas mesmo assim nesta mescla em que os sentires ficam divididos, há momentos únicos na rua, às vezes feitos pela magia da luz e da cor, outras vezes num quadro antigo de um gato à espera que a porta se abra ou de um mini à espera que lhe abram a porta. Vale a pena insistir, os momentos sucedem-se uns aos outros e por muito semelhantes que sejam, nunca são iguais.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:04
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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2018

Chaves de hoje e de ontem

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Vamos fazer uma breve passagem pela fotografia de hoje, de há um século ou mesmo dois:

 

“ A fotografia originária da cooperação da ciência e de novas necessidades de expressões artísticas, tornou-se logo à nascença objecto de violentos litígios. Saber se a máquina fotográfica era apenas um instrumento técnico, capaz de reproduzir de modo puramente mecânico as aparências ou se era preciso considera-la como um verdadeiro meio de exprimir uma sensação artística individual, infamava os espíritos dos artistas, críticos e fotógrafos. Esta querela, que engendrava artigos e disputas pessoais, tanto se abateu sobre os estúdios quanto veio a inundar os tribunais. De igual modo, a Igreja tomou posição; muito hostil no início, ela inspirava a um jornal alemão de 1839 a seguinte passagem: “Querer fixar reflexos fugidios não só constitui uma impossibilidade, como o demonstraram as seriíssimas experiências feitas na Alemanha, mas o simples facto de querer tal coisa confina com o sacrilégio. Deus criou o homem à Sua imagem e nenhuma máquina humana pode fixar a imagem de Deus; ser-lhe-ia preciso trair de repente os seus próprios princípios eternos para permitir que um francês, em Paris, lançasse para o mundo uma invenção tão diabólica (Cf. Leipziger Anzeiger, 1839.)

 In “Fotografia e Sociedade” de Gisèle Freud, 1989.

 

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Embora a questão da fotografia ainda não esteja bem resolvida, ainda bem que vingou e evolui. Independentemente de ser usada como arte, ou como mero congelamento de um momento, a verdade é que também se tornou num precioso instrumento documental para vários fins, entre os quais o da memória futura, se assim não fosse, hoje não poderíamos estar a comparar os dois momentos congelados nas imagens que vos deixo aqui,  colhidos  a uma distância quase de um século,  e que nos dá também para ficarmos a saber que a noia de destruir jardins em Chaves,  já não é de hoje, é hereditária…

 

Mas como a fotografia também se transformou num negócio e há para aí gentinha que se dedica a sacá-las da NET para reproduzir e vender, a foto antiga que vos deixo leva uma leve marca de água e é publicada com pouca definição, que embora não a torne impeditiva de ser reproduzida, mas pelos ficará sem qualidade e dará algum trabalho a retirar a marca de água. Não é por mim, mas por quem mas cede com boas intenções para publicação e não para negócio.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:52
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Domingo, 4 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Fafião

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No Barroso aqui tão próximo, vamos até à aldeia mais distante do nosso ponto de partida, vamos até Fafião, que dependendo do nosso itinerário a partir da cidade de Chaves, pode ficar a 80 ou 90 quilómetros de distância, mas às vezes vale a pena fazer mais 10 quilómetros e, se forem como nós que não gostamos de regressar pelo mesmo caminho, sempre pode tomar um itinerário na ida e outro na vinda. Mas como sempre recomendamos um, e para Fafião recomendo o itinerário via estrada de S.Caetano, com passagem por Montalegre, Paradela, Cabril, Pincães e finalmente Fafião.

 

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E se for até lá, não faça como nós fizemos na primeira vez que agendámos uma visita a esta aldeia, pois agendámos mais meia dúzia de aldeias que fomos vendo pelo caminho e quando lá chegámos já era tarde, estávamos cansados e a pensar mais no regresso a casa do que propriamente em descobrir a aldeia, mesmo assim, demos a nossa voltinha e depressa concluímos que teríamos que ir por lá outra vez, com tempo, muito tempo, ,mesmo que tivéssemos de passar por lá o dia, pois Fafião tem todas as condições para receber quem a visita, para a cativar e demorar a visita, e de verão, até “praia” pode fazer, não tem areal, é certo, mas pela certa que tem um penedo e uma poça de água cristalina à espera de si, e embora esses locais até sejam concorridos, há sempre lugar para mais um. Não experimentámos os penedos nem as poças, mas desfrutámos de umas minis fresquinhas à beira da “praia”. Claro que isto é só para a época de verão, pois de inverno há outros atrativos.

 

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Já entenderam que fomos lá a segunda vez, onde chegámos logo pela manhã, fizemos a devida visita à aldeia, almoçámos lá e fomos fazer a assossega à beira do Rio Toco, que, sem ter a certeza, parece dar também pelo nome de Rio Fafião. Seja ele qual for, foi lá que fizemos a assossega enquanto outros desfrutavam do sol, dos penedos e da tal água cristalina. As cascatas ficaram para depois, em tempo oportuno.

 

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E quando já dávamos a visita por concluída, no regresso pelo outro itinerário pela qual poderíamos ter ido, ou seja, descer à barragem de Salamonde e daí apanhar a EN103 até Chaves, ou então, chegado à Venda Nova, subir às Minas da Borralha, Salto, Boticas e de novo a EN103 até Chaves. Mas ia dizendo que já tínhamos dado a visita por concluída quando somos de novo surpreendidos com o lobo e a paisagem sobre a barragem de Salamonde e mais além. Apeteceu mesmo esperar pela noite para ver o lobo a uivar à lua, mas como ainda não foi desta, lá tivemos que arranjar a coisa no Photoshop… uma pequena mentira construída com verdades.

 

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Embora já tivesse abordado o regresso, só agora é que vamos entrar em Fafião. A caminho de Fafião, veio-me á memória uma estória contada aqui no blog pelo Gil Santos em que falava do 101 de Fafião e do Rio Toco. Recordava a estória, mas não os pormenores. Assim fui ao mapa turístico de Montalegre à procura do Rio Toco e, em Fafião aparecem quatro pontos de interesse assinalados no mapa com os números, 2, 4, 101, e 104. Quando vi os números, disse para com os meus botões, - “queres ver que o 101 de Fafião já virou a ponto de interesse!?” Fui logo ver do que se tratava, mas afinal não era o nosso 101. Não estão a perceber nada do que estou para aqui a dizer, mas já a seguir, quando chegarmos à estória do 101 de Fafião, vós ides perceber. Para já o 101 do mapa refere-se às piscinas naturais no rio Fafião. O 102, esse sim, refere-se ao Toco – cascata, piscinas naturais, lagos, penedos, paisagem do Parque Nacional da Peneda – PNPG, mas também nada tem a ver com a estória do 101 de Fafião. Já agora o nº 2 refere-se ao fojo do lobo de Fafião e o nº 4 ao Ecomuseu do Barroso – Vezeira e a Serra.

 

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Vamos lá então ao 101 de Fafião, à estória. Nem sempre temos a felicidade de ter estórias das aldeias que trazemos aqui, mas com Fafião até essa sorte temos, pois existe pelo menos uma estória que até já passou aqui pelo blog, que é de autoria de um nosso colaborador e escritor, Gil Santos, estória que já há muito está em livro[i] e que até já foi contada numa das rádios nacionais. Claro que temos de a deixar aqui outra vez, mesmo porque se calha muitos de Fafião ainda não a conhecerão, e esta é a estória de um dos seus (pelo meio da estória vamos deixando umas imagens de Fafião que nada têm a ver com a estória, mas como temos muitas imagens, temos que as ir metendo onde calha melhor):

 

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O 101 de fafião

Fernando Calvão, militar de carreira hoje reformado, é pai da mulher que amo há três dezenas de anos. Às refeições domingueiras, mais demoradas, gostava de contar algumas das estórias mais significativas da sua larga experiência pelos quatro cantos do mundo. No início da sua carreira, anos cinquenta, o furriel Calvão cruzou-se, no dezanove de Chaves, com o cabo Santos, meu falecido pai, que cumpria o seu serviço militar obrigatório. Ao cabo Santos cabia a tarefa de quarteleiro, ao furriel o acompanhamento da instrução dos recrutas.

 

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Na altura, era exceção saber ler e escrever. Os analfabetos tinham oportunidade de aprender as primeiras letras na chamada Escola Regimental, entregue, neste quartel, ao alferes Ceroulas. Tendo este que se ausentar por uns tempos, foi o furriel incumbido de dar continuação às suas lições. Eram públicas as dificuldades do soldado 101 para aprender a juntar as letras. O alferes vivia angustiado! O furriel, aproveitando a oportunidade, quis surpreender o oficial com o 101 a ler no seu regresso. A estratégia era simples: utilizando a Cartilha Maternal João de Deus, explicava ao soldado que deveria olhar primeiro para o desenho e só depois para a respetiva palavra. Ensaiou-o, ensaiou-o e parecia tudo aprumado. O alferes regressou. O furriel Calvão acorreu a dar-lhe a novidade:

— Meu alferes, o 101 já sabe ler!

— Não me diga Calvão! Como é que você conseguiu? Chame-o lá.

E lá veio o 101 todo pimpão. Abriu-se o livro e vai de ler. O furriel apontou para a tigela e o 101 leu maurga; apontou para o pato e o 101 leu parreco; apontou para a caixa e o 101 leu caixote. O alferes não aguentou, agarrou-se à barriga e rindo a bandeiras despregadas só parou no empedrado da parada.

 

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Doutra vez, o furriel ministrava instrução de armamento ao pelotão do 101 que se encontrava num terreiro à sua volta. Explicava o funcionamento de uma metralhadora ligeira, cuja manga se apresentava cheia de furos laterais para arrefecimento do cano. O furriel explicava a comutação entre o tiro-a-tiro e o tiro de rajada:

— Quando se quer que a arma dispare tiro-a-tiro, põe-se o comutador nesta posição, quando se pretende que dispare muitos tiros de cada vez, põe-se na outra posição. — Depois continuou, brincando:

— Mas cuidado, porque se eu puser agora o comutador na posição de rajada e disparar, as balas saem todas por estes buracos laterais e vocês morrem todos. O 101, pasmado e, mais do que isso, assustado, gritou:

— Ai rapazes fuginde que o furriel é maluco e fode-nos a todos!

 

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No início dos anos cinquenta o Estado Novo estava na pujança e a palavra de ordem era amealhar. A poupança era quase uma religião! Nesta senda, o equipamento distribuído aos soldados era rigorosamente controlado em termos de duração. Um dos maiores problemas era fazer com que as botas durassem mais de um ano a cada militar. O nosso herói morava em Fafião, aldeia alcandorada nos picos da serra do Gerês e a uma centena de quilómetros de Chaves. Como na altura não havia transportes e o dinheiro escasseava, o 101 saía para fim-de-semana na sexta-feira, a pé, chegava à aldeia à noitinha de sábado, botava um copito, um cibo de boroa e uma racha de bacalhau, dava a volta ao lugar e regressava, nessa mesma noite, à cidade de Chaves. Porém, as botas é que pagavam a fatura de tal distância, daí que o comandante decretasse que todos os que morassem a mais de cinco léguas da cidade estavam proibidos de gozar o fim-de-semana. Foi um desconsolo para o 101, que doravante ficou a conhecer melhor os cantos à cidade.

 

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E muitas e muitas outras estórias, curiosas, eram contadas. E como eu gostava de as ouvir!

Como amante da pesca desportiva à truta e como trabalhei e morei, na segunda metade os anos oitenta, na Vila do Gerês, ia muitas vezes pescar para o rio de Fafião, também conhecido por Toco.

Um dia de abril encontrava-me sobre a ponte da Pigarreira, na altura ainda de pranchas de madeira maciça, cogitando sobre o que faria as trutas estarem de férias naquele dia. Do monte sobranceiro descia um rebanho de cabras acompanhadas pelo pastor de regresso a casa. Ávido de conversa com gente, por passar os dias a conversar com o gado, o pastor parou ao pé de mim. Dei-lhe corda, porque também eu queria conhecer melhor a zona e os seus hábitos. Depois de vários minutos de conversa de circunstância, lá veio a inevitável pergunta:

Antão vocemecê donde é?

— Sou de muito longe, uma terra que certamente não conhece. Sou de Chaves.

Notei um brilhozinho estranho nos olhos daquele homem simples.

 

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Num me diga! Eu fiz lá tropa em 1952. — Dizia o pastor.

— Então conheceu o cabo Santos? E o furriel Calvão?

Antão não conheci! O cabo Santos era muito meu amigo, matou-me a fome muitas vezes e o furriel Calvão enxinou-me a ler!

— Então diga-me lá quem é, para ver se o meu pai ou o meu sogro se lembram de si.

— Eu era conhecido pelo 101 de Fafião!...

Caí das nuvens!...

Então não acabava de conhecer o herói de tantas estórias?!

A vida sempre nos reserva cada uma!

 

Estória de Gil Santos

 

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Tal como atrás tinha dito, esta estória foi contada numa rádio nacional (RFM), no final do post há um vídeo com a gravação da estória. Mesmo que a tivesse lido, não deixe de a ouvir, pois faço-a acompanhar de todas as imagens que hoje vos deixo aqui. Está no final deste post.

 

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Dos pontos de interesse assinalados no mapa turístico do concelho de Montalegre, apenas visitámos o Rio Toco, junto à ponte que liga o Distrito de Vila Real ao Distrito de Braga e o posto do Ecomuseu, Não houve tempo para explorar o rio Toco, as cascatas, as piscinas naturais nem o fojo do lobo. Primeiro demos prioridade à aldeia, o Rio, as cascatas, etc., vão ter de ficar para uma próxima visita, mas lá iremos…

 

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Mas vamos ao que se diz sobre Fafião. Por exemplo no Livro “Montalegre”

 

A primeira referência no livro leva-nos até uma das “portas” do concelho de Montalegre e acesso à Vila de Montalegre, a “porta” de Fafião:

 

“Acessos

Na vila actual podemos entrar por várias portas. Quem circula pela Nacional 103, entre Braga (a 90 km) e Chaves (a 3 km), chega às Terras de Barroso desde Salamonde- Fafião, atravessando a zona ribeirinha de Cabril, do Gerês e do Rio; desde Vilarinho dos Padrões pela Barragem da Venda Nova e terras de Covêlo do Gerês e Paradela do Rio; desde a Chã – o acesso mais comum e fácil, pelo Alto da Corujeira; desde o Barracão – a porta do Rei D. Carlos, em 1907, que nos permite entrar por nascente; desde Chaves – pela linha da fronteira galega, a deslado das terras de Ervededo, de Meixide, Vilar de Perdizes, Solveira, Gralhas e Meixedo. E, antigamente, a esmagadora maioria visitante chegava a Montalegre pelo romântico Ourigo e Carvalhais do Avelar.”

 

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Na segunda referência a Fafião, curiosamente, faz alusão ao troço final do itinerário que nós recomendamos para chegar à aldeia:

“Barroso constitui um mosaico de paisagens edénicas. Podemos dizer que em cada canto há um novo encanto. Basta percorrer as nossas estradas municipais ou vicinais através do planalto para redescobrirmos mil recantos admiráveis. A título de exemplo referimos a estrada de Fafião a Cabril e daqui aos Padrões ou a Cela e Sirvoselo;”

 

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Continuando no livro Montalegre:

“Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril;”

 

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Mais uma referência a Fafião, à boleia do Parque Nacional da Peneda Gerês no qual a aldeia está integrada;

“Uma das atracções do concelho de Montalegre é que, uma quarta parte do seu território, mais de 200 quilómetros quadrados, integram o único Parque Nacional do País, o da Peneda-Gerês. Dele fazem parte seis freguesias num total de dois mil habitantes distribuídos por vinte e seis povoados. Serve-lhe parcialmente de fronteira o rio Cávado que recebe águas de vários ribeiros do Parque e fazem, em cada recanto, a sedução dos visitantes: o Rio Mau que une as freguesias de Seselhe e Covelães; o rio Campesinho que, depois de lavar os pés ao Mosteiro de Pitões, se despenha em rumorosa cascata; o rio Cabril que desce das brenhas infernais entre as Minas dos Carris e a Garganta das Negras e nos brinda com as mais belas piscinas naturais do mundo, escavadas no granito; e, por fim, o rio Fafião ou Toco que corre abruptamente entre penedais e arvoredo e lança as águas na barragem de Caniçada.”

 

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Mais uma referência no livro Montalegre onde, a meu ver, o autor na lista que deixa de aldeias, peca por defeito, pois há muitas mais aldeias no Barroso que bem poderia integrar essa lista:

“Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído. Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.”

 

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E mais uma referência no mesmo livro, que, naquilo que conhecemos, subscrevemos:

“Curva após curva, ao longo da EN 308, surgem vistas de sonho. Cabril, Santo Ane e Fafião são nomes de aldeias a não esquecer. Em Fafião visite o Fojo do Lobo, os lagares de azeite, aprecie a gastronomia de montanha (o javali), contemple os penhascos da majestática Serra do Gerês, delicie-se com a panorâmica do Vale do Cávado e repouse à sombra dos pinheirais.”

 

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E agora passemos ao topónimo Fafião, recorrendo à “Toponímia de Barroso”:

 

Fafião

Radica em Fafila, nome pessoal já documentado em:

-915 Fafila, D.C.21, pelo genitivo Fafilani < Fafiani > Fafião. Ao contrário do que por vezes se afirma não são os nomes terminados em ane, na antroponímia, que resultam em ão; chegam ao ão os que terminam em ani.

Não queria deixar de referir um casal existente na freguesia de Salto que se chama Fáfia. Creio tratar-se da mesma raiz, Fafila, com uma evolução de sentido normal. Aqui se reproduz a afirmação da tónica Fá por influência tardia de Fafes e Fafe. Não me admiraria que o nome se devesse ao fidalgo Fafila Luci (Fafes Luz) por ser ascendente de outro nobre da mesma linhagem que aí se aposentava e ao qual os saltenses chegaram fogo ao paço onde dormia, talvez por estarem cansados de p aturar e dos gastos que com ele e com a comitiva faziam. Falam desse facto as INQUIRIÇÕES:

-1258 «…dixit quod Dominus Rex est patronus (de Salto) et habet ibi palatia et arsserunt quando pausavit ibi Godinus Fafiz».

 

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Em quase todas as pesquisas que fiz, aparecem várias vezes a referência ao comunitarismo da aldeia, nomeadamente as vezeiras, o fojo do lobo, o rio Toco (lagoas, penedos e cascatas) e também os lagares de azeite. Referências também a uma associação que dá pelo nome de Vezeira – Associação de Desenvolvimento de Fafião, que na sua página na net diz o seguinte: “ É uma Associação sem fins lucrativos, reflete a vontade é o dinamismo da comunidade da aldeia de Fafião da Freguesia de Cabril. O Principal objetivos é não acabar com o comunitarismo e manter as tradições e costumes de esta aldeia do Parque Nacional da Peneda Gerês.” . Pelas preocupações da associação, poder-se-á concluir que o comunitarismo da aldeia está em perigo. Não sei se ainda existem vezeiras, os lagares de azeite comunitários, o forno do povo. Se existem e se funcionam, na minha visita à aldeia não dei por eles nem nos foi apontado com lugares a visitar (forno e lagares).

 

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É notório que Fafião é uma aldeia turisticamente muito procurada, pelo menos de verão, nas nossas duas visitas notava-se algum movimento turístico. Nota-se na aldeia, em termos de casario recuperado, ter havido alguma preocupação em manter a integridade da aldeia e que para além da aldeia há outros atrativos que chamam gente interessada neste tipo de turismo rural, como o rio Toco e suas lagoas e cascatas, as barragens, a montanha, a paisagem, trilhos que sem dúvida alguma devem ser interessantes para quem gosta de caminhar e a atração do lobo possivelmente ainda andar na serra. Tem onde se pode comer, restaurantes e onde pernoitar, isto pelo que pude ver na net e em alguns panfletos turísticos, mas também lá, pessoalmente o pude verificar. Pelo que conheço e já percorri todas as aldeias do concelho de Montalegre, sem dúvida alguma que é a aldeia mais turística do concelho, sente-se isso estando lá, já o mencionado comunitarismo e ruralidade da aldeia não é sentido.

 

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Uma das obras que consultámos foi a Etnografia Transmontana – II – O Comunitarismo de Barroso, de António Lourenço Fonte (Padre Fontes). Uma edição já com algum tempo ( de 1977), em que aborda também Cabril, nomeadamente o lagar de azeite e o comunitarismo:

 

“Faião é a última aldeia, da freguesia de Cabril, nas faldas do Gerês, da região de Barroso. Como em toda a freguesia de Cabril o comunitarismo está em patente e vivo. Moinhos, lagares de azeite, alambiques comuns, vezeira da rês, boi do povo, trabalhos do povo, fojo, este em bom estado, tudo aqui devemos visitar”

 

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E continua:

Desde tempos imemoráveis se colhe azeite. Hoje, vemos dispersas muitas oliveiras, velhinhas, descuidadas, sem dono, infrutíferas. Há dois lagares do povo: o de baixo, mais antigo e em funcionamento e o de cima, ou do Muro, em ruínas, parado há cerca de 11 anos, devido à questão das águas. Este fica junto à aldeia, perto do fojo. O de baixo, dista meia hora a pé, cinco minutos de carro, no rio Toco, no porto das ovelhas, junto à estrada que vai para a Ermida do Gerês.

 

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E continua:

Descrevo o de cima, pois o de baixo ainda se pode ver a funcionar. Contudo hoje ambos estão condenados à ruína, devido à facilidade de levar azeitona a lagares mecânicos, em Vieira di Minho (1) — { A nota (1) diz o seguinte: Em Pincães há um lagar de azeite, em Cabril outro e 2 na Peneda (Covelo do Gerês) todos parados}.

 

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E continua com a descrição do lagar de azeite, o abandonado:

“ Está situado, junto a uma série de alambiques de herdeiros, alguns também em ruínas. É movido a água de nascente. Devido a questões com água e com os herdeiros o lagar deixou de funcionar.”

(…)

 

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Mais à frente interroga:

Qual a origem destas ou outras manifestações de vivo comunitarismo?

 

Neste caso Fafião e os seus lagares e alambiques de herdeiros, apenas podemos remontar a antiguidade desta prática comunitária à cultura do azeite e do vinho, que não é das mais antigas no Barroso. Mas o que acontece com estas culturas aconteceu com todas as outras. Conforme vão surgindo no contexto económico desta região, logo o povo as enquadra no seu sistema centenário, para não adiantarmos milenário. O porquê deste enquadramento, a raiz funda deste hábito donde virá? Da nossa origem germano-celta, dirão uns, pela influência mediterrânica. Mas esta parcela do Noroeste português terá mais uma influência atlântica, que marca este substrato humano.

 

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E António Lourenço Fonte continua:

“ Jorge Dias em Rio de Onor diz ser pré-romano o comunitarismo na península. Mendes Correia, vincula-o à forte organização colectivista da cultura dolménica.

 

A cultura árabe não destruiu a maioria dos costumes agrários da vida comunitária.

 

A dificuldade da exploração da terra, a sua pobreza, a grande variabilidade climatérica, a pouca densidade e pequeno aumento de população, a emigração, as grandes extensões de baldios, a tendência para o pastoreio, a forte coesão familiar, favorecem a vida comunitária, a entreajuda, o afolhamento, a luta contra a apropriação particular ou estatal dos baldios, preferindo o bem da propriedade comum, seguindo suas leis ou posturas mais que as leis dum Governo estranho e distante.

 

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E continua com o tema:

Há pois três grandes factores que vincaram esta tradição de vida comum. A nossa história, mesmo a dos povos mais remotos, a nossa situação geográfica e todas as suas consequências telúricas, e o substracto humano que aqui vive com suas tradições que seguem de pais a filhos e chegam até nós.

 

1600-fafiao (113)

 

E remata o tema assim:

Já morreu em muitos dos seus aspectos e em muitas regiões onde o havia. Morrerá em breve “noutras. Porquê? O Individualismo, a tendência para a propriedade particular, o açambarcamento pelos mais ricos, a divisão dos baldios, em meras, borrajos, cavadas, lamas do povo vendidas, floresta pública, etc. “

 

1600-fafiao (179)

 

Estávamos em 1977 e o comunitarismo já estava então ameaçado com estas questões mais locais, mas nestes últimos 40 anos muita coisa se modificou. A taxa de natalidade diminuiu drasticamente, o despovoamento rural agravou-se, a população rural envelheceu e o nível de vida melhorou. Tudo isto levou ao abandono de muitos trabalhos rurais que por sua vez esvazia de sentido o comunitarismo, deixou de haver necessidade da sua existência. Sem gado não pode haver vezeiras, o boi do povo é coisa do passado, os fornos do povo já não cozem o pão de todos os dias…

E tal como prometemos atrás, de seguida fica a estória “ O 101 de Fafião” contada em programa da RFM e ilustrada com fotografias de Fafíão, em vídeo, as mesmas fotos que estão publicadas neste post e que nada têm a ver com a estória, a não ser o de serem imagens da terra do personagem da estória. Não deixe de ouvir a estória, tem outro sabor…

 

 

 

Só nos resta deixar aqui as referências às nossas consultas e a lista de links para anteriores abordagens a aldeias ou temas de Barroso

 

Links

 

Os links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso passam a estar na barra lateral deste blog. Estão por ordem alfabética. Se a sua aldeia ou a aldeia que pretende ver ainda não está na listagem é porque ainda não passou por aqui, mas num próximo domingo chegará a sua vez.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

Webgrafia

 

www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

[i] «Ecos do Planalto» - Estórias, de Gil Santos, Edições Ecopy – Porto – 2007.

 

 

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Sábado, 3 de Fevereiro de 2018

Lama de Arcos, Chaves, Portugal e um pouco de História

1600-lamadarcos (402)

Vista geral de Lama de Arcos, na fronteira com a Galiza

 

De vez em quando ouve-se por aí falar dos povos promíscuos, pois a nossa aldeia de hoje — Lama de Arcos — foi um desses povos promíscuos, que não eram mais que aldeias que pertenciam ao Reino Espanhol e ao Reino Português, ou melhor, que eram atravessadas a meio pela fronteira entre os dois reinos.

Também quando se fala de Lama de Arcos ( ou Lamadarcos) e dos povos promíscuos, obrigatoriamente fala-se das aldeias portuguesas do Cambedo e Soutelino da Raia, ambas aldeias que foram também promiscuas, e das aldeias espanholas de  Rubiás, Santiago e Meaus  que foram um Couto Misto (ou Mixto), com leis próprias, encravado em território do Reino de Espanha, próximo da fronteira entre os dois reinos (perto de Tourém, concelho de Montalegre) com população portuguesa e espanhola, e independente dos Reinos de Espanha e Portugal.

 

1600-lamadarcos (367)

 Vista parcial de Lama de Arcos, com a igreja Portuguesa

 

Em Lama de Arcos, e nas restantes aldeias atrás mencionadas, assim foi ao longo dos tempos até ao Tratado de Limites entre Portugal e Hespanha realizado aos 29 de Setembro de 1864 e Assignado em Lisboa pelos respectivos plenipotenciários, tratado este pelo qual todas as aldeias atrás mencionada ficam ligadas pela História, mas para melhor compreendermos essa ligação, nem há como ir até ao que foi escrito no referido tratado, bilingue, grafado com o português e castelhano da época, conforme consta na edição da IMPRENSA NACIONAL —  LISBOA — 1866, do qual passamos a transcrever a introdução e os artigos 7º, 10º, 11º e 27º.

 

1600-lamadarcos (354)

 Um pormenor de rua de Lama de Arcos

 

"DOM LUIZ, por graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d’aquem e d’alem mar, em Africa senhor de Guiné, e da conquista, navegação e commercio da Ethiopia, Arabia, Persia e da India, etc. Faço saber aos que a presente carta de confirmação virem, que aos 29 dias do mez de setembro do anno de 1864, se concluiu e assignou na cidade de Lisboa entre mim e Sua Magestade a Rainha das Hespanhas, pelos respectivos plenipotenciarios munidos de competentes pelenos poderes, um tratado de limites dos reinos, desde a foz do rio Minho até á confluencia do rio Caia com o Guadiana, cujo teor é o seguinte:"

 

1600-lamadarcos (164)

Antigo trilho do contrabando entre a Galiza e Lama de Arcos

 

"Sua Magestade El-Rei de Portugal e dos Algarves e Sua majestade a Rainha das Hespanhas, tomando em consideração o estado de desassocego em que se encontram muitos povos situados nos confins de ambos os reinos, por não existir uma demarcação bem definida do território, nem tratado algum internacional que a designe, e desejando pôr termo, de uma vez para sempre, aos desagradaveis conflictos que por tal motivo se suscitam em varios ponto da raia, estabelecer e consolidar a paz e harmonia entre os povos limítrophes, e finalmente, reconhecendo a necessidade de fazer desapparecer a situação anómala em que, á sombra de antigas tradições feudaes, têem permanecido até hoje alguns povos immediatos á linha divisoria de ambos os estados, com reconhecido e commum prejuizo d’estes, convieram em celebrar um tratado especial que determine clara e positivamente tanto os direitos respectivos dos povos confinantes, como os limites territoriaes de ambas as soberanias, na linha de fronteira que se estende desde a foz do rio Minho, até á confluencia do Caia com o Guadiana. Para este effeito nomearam seus plenipotenciarios ; a saber:

 

Sua Magestade El-Rei de Portugal e dos Algarves, o sr. Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, duque e marquez de Loulé, conde de Valle Reis, estribeiro mór,...

( …. )"

 

1600-lamadarcos (160)

  Campos entre Lama de Arcos e a Galiza

 

"Os quaes, depois de haverem communicado os seus plenos poderes, achados em boa e devida fórma, tendoexainado minuciosa e detidamente varios e numerosos documentos assim antigos como modernos, adduzidos por ambas as partes em apoio dos seus direitos e pretensões, e tendo alem d’isto presentes os estudos e trabalhos da commissão mixta de limites que nos ultimos annos percorrêra a linha de fronteira, convieram nos artigos seguintes:"

 

1600-lamadarcos (7)

Igreja "espanhola" em Lama de Arcos, antigamente em território espanhol

 

 

A seguir à introdução e termos do tratado, segue-se a publicação de 34 artigos com retificações de fronteira entre o Rio Minho e a confluência do Rio Caia com o Guadiana, dos quais a nós nos interessam os artigos 7º (sobre o Couto Misto)  o 10º e 11º dos povos promíscuos e o artigo 27º do Couto Misto/povos promíscuos, artigos que passo a transcrever:

 

1600-lamadarcos 320 art (5)

 Pormenor de um pátio/rua em Lama de Arcos

 

ARTIGO 7º

Desde as Pedras de Malrandim se dirigirá a raia em direcção N. pela actual linha se separação entre o Couto Mixto e o termo de Villar, até ao ponto em que a corte um alinhamento recto, tirado do Castello da Piconha ao Pico do Monte Agudo, e d’este ponto de encontro voltando em direcção E. continuará por outro alinhamento recto até ao Porto de Banzellos.

Portugal renuncia a favor de Hespanha todos os direitos que possa ter sobre o terreno do Couto Mixto, e sobre os povos n´elle situados, os quaes em virtude da direcção determinada pela linha acima descripta ficam em território hespanhol.

 

1600-lamadarcos (79).jpg

Campos na periferia da aldeia de Lama de Arcos

 

ARTIGO 10º

Da ponte d’Assureira a linha de separação entre as duas monarchias se encaminhará pelos marcos ora existentes até ás immediações do Povo Promiscuo de Soutelinho, e passando pelos pontos que se demarcarão, perto do dito povo, que ficará em territorio portuguez tornará a encontrar o limite actual da fronteira, e continuará por elle tocando na Cruz da Fonte do Asno, Porto Cavallo de Cima, e de Baixo, Penedo dos Machados, Marco da Fexa, seguindo pelo ribeiro de Cambedo até á sua confluencia com o Valle de Ladera.

 

O povo promiscuo de Soutelinho pertencerá a Portugal, demarcando-se-lhe em território de Hespanha, uma zona de noventa a cem metros de largo contigua à povoação.

 

1600-lamadarcos (222).jpg

Rua principal de Lama de Arcos, com a igreja Portuguesa

 

ARTIGO 11º

A raia partindo do ribeiro de Valle de Ladera seguirá o leito d’este, e continuará pelo limite do termo municipal hespanhol de Cambedo até á Portella de Vamba, para dirigir-se á Penha ou Fraga da Raia. D’este ponto irá atravessando o valle do rio Tamega pelos marcos que hoje determinam a fronteira, tocará no Pontão de Lama, e logo passando próxima dos povos portuguezes de Villarelho e Villarinho, entrará no rio Tamega pela Fraga do Bigode ou Porto de Villarinho. D’aqui seguirá pela veia principal do rio Tamega até á confluencia do rio Pequeno ou de Feces, por onde subirá até á Fraga de Maria Alves, proseguindo depois pelo limite do termo municipal hespanhol de Lama de Arcos até ao Oiteiro de Castello Ancho.

 

Os dois povos promíscuos Cambedo e Lama de Arcos, com seus actuaes termos municipaes ficam pertencendo a Portugal.

 

1600-lamadarcos (324).jpg

Pormenor de construções típicas rurais em Lama de Arcos

 

Artigo 27º

Havendo passado integralmente ao domínio e soberania de Portugal, em virtude dos artigos 10º e 11º os tres povos promíscuos denominados Soutelinho, Cambedo e Lama de Arcos, e ficando igualmente sob o domínio e soberania de Hespanha, em vitude do artigo 7º, os tres povos do Couto Mixto, chamados Santa Maria de Rubias, S.Thiago e Meaus, conven ambas as partes contratantes, que tanto habitantes do Couto Mixto que sejam realmente subditos hespanhoes, como os habitantes do Couto Mixto que sejam realmente subditos  portuguesez, possam, se assim lhes convier, conservar a sua respectiva nacionalidade. Para este fim tanto uns como outros decalararão a sua decisão as auctoridades locaes no termo de um anno, contado desde o dia em que se ponha em execução o presente tratado.

 

 

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Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

1600-(47356)

 

 

 

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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018

A ponte romana de hoje, de há 50 anos e um pormenor com 109 anos e 39 dias...

1600-(46499)

 

Nos grupos do facebook barrosões tenho visto por lá umas fotos antigas das aldeias barrosãs, uma delas Viade de Baixo. Ontem entrei em contacto com um dos administradores do Grupo Viade de Baixo para me indicarem quem era o autor das fotos a fim de lhe pedir autorização para as utilizar num post deste blog. Acabei por saber o nome do fotógrafo que, afinal, se trata de um dos melhores fotógrafos portugueses do século XX, um Engº Técnico Agrário que se apaixonou pela fotografia e que nos anos 50/60 esteve a trabalhar em Montalegre como Engº Téc. Agrário. Este fotógrafo que dá pelo nome de Artur Pastor (1922-1999) fotografou todo o Portugal real, urbano e rural , do Norte a Sul de Portugal e ilhas. Estando em Montalegre nos anos 50/60 suspeitei que a objetiva da sua Rolleiflex também tivesse andado por Chaves a captar alguns momentos da cidade de então, e não me enganei. Chaves faz parte do seu espólio fotográfico que hoje é propriedade do Arquivo Municipal de Lisboa.

 

chaves-A-Pastor.jpg

Fotografia de Artur Pastor (anos 50/60)

 

Apreciei devidamente de Artur Pastor, da qual não apurei a data exata, anos 50/60 é o que diz na sua coleção de Trás-os-Montes. E sim, dá para verificar que a fotografia não é muito antinga e que quase tudo que é retratado pouco difere do que hoje existe, inclusive eu que pela certa sou mais novo que a foto, ainda me lembro daqueles candeeiros da Ponte Romana, mas há um pormenor nesta foto que me chamou a atenção e que veio confirmar sem qualquer dúvida aquilo que já há uns anos sabia. Trata-se da placa que assinala a cheia do Tâmega de 22 de dezembro de 1909, mais propriamente da sua localização. Para melhor entenderem aquilo a que me refiro, ampliei as duas fotos que vos deixo atrás na zona da referida placa e assinalei a vermelho as referências de duas janelas da construção (que na reconstrução de há uns anos atrás não foram alteradas) e da placa da cheia, antes e depois das obras.

 

1400-(46499)-1

 

Não é por nada, mas após as obras, a placa não ficou bem no mesmo sítio. Acredito que quem recolocou a placa tivesse a intenção de enaltecer a grandeza da cheia de dezembro de 2009, pois se o espanto da sua grandeza já era grande com a placa no devido sítio, isto acreditando que quem a colocou lá originalmente respeitou as marcas da cheia, se a placa subisse mais um metro, o pessoal espantar-se-ia muito mais. E confesso que eu fui um dos que se espantou quando a vi nesta nova localização, não pela grandeza da cheia, mas pelo atrevimento e pela mentira que agora lá está colocada.

 

600-chaves-A-Pastor.jpg

 

Mas tudo bem, desde que o pessoal saiba a verdade e haja provas de tal, como a foto de Artur Pastor que vos deixo ou mesmo o testemunho das fotos da época da referida cheia de 1909, não há grande mal, desde, claro, que o contar da história verdadeira se vá mantendo ao longo das gerações, ainda para mais que a estória é caricata. Mas bem melhor era que a placa regressasse ao seu devido sítio. Mas esta estória dá também para perceber que não devemos acreditar em tudo que vemos e em tudo que lemos na História, e Chaves tem alguns destes exemplos, e até bem mais graves que este da placa.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:25
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2018

De regresso à cidade

1600-(48701)

 

Hoje fazemos o regresso à cidade pela Ponte Nova, embora na placa que está colocada nas entradas da ponte ateste que é Ponte Barbosa Carmona, o que já vai sendo habitual em Chaves, ou seja, o topónimo escrito na placa lá do sítio é um, mas nós tratamos o lugar pela alcunha, tal como se passa com o Largo das Freiras, o Jardim do Bacalhau, o Largo do Anjo e o Largo dos Pasmados, entre outros. E já que é assim, e o povo quer, assim seja! Que o povo tem sempre razão.

 

1600-(48721)

 

E regressamos à cidade com duas noturnas. Não por regressarmos à cidade de noite, às vezes lá calha, mas agora já o fazemos de dia (a grande maioria).  Para ser sincero, as fotos até foram feitas ontem no regresso a casa, mas isso até pouco interessa, pois o que vale mesmo são as imagens da nossa ponte, do nosso rio, do nosso jardim e de um a rua com carros para lá e pra cá que o tempo de exposição da foto só permitiu captar as luzes e os seus trajetos.

 

Um boa semana!

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:28
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