Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2016

Discursos Sobre a Cidade, por A.Adolfo

discursos-adolfo

 

I

A minha profissão há muito que me obrigou a ser um flaviense ausente, mas que vem à terra e ao berço familiar sempre que é possível, tal como vou acompanhando à distância a vida da nossa cidade, principalmente nesta última década em que a internet tem servido também de depósito a muita informação e imagens sobre o pulsar dos lugares e das cidades, onde os blogs de uma forma não institucional, têm tido uma importância fundamental na sua divulgação, transformando-se muitas das vezes num verdadeiro serviço público, como é o caso do blog « Chaves – Olhares Sobre a Cidade». Desde o início da sua feitura que acompanho este blog, não só pela ligação de amizade que tenho como o seu autor mas também por levar a cidade de Chaves até mim quando mais dela necessito.

 

Desde início deste blog que o Fernando Ribeiro me convidou para deixar aqui umas palavras sobre a cidade na perpectiva de um flaviense ausente. Por motivos profissionais fui adiando essa colaboração, embora em tempos ainda tivesse deixado por aqui umas palavras mas que de seguida fui obrigado a abandonar por não poder garantir a sua regularidade. Ultimamente o Fernando tem insistido no meu regresso à colaboração e fazendo eu um exercício introspectivo cheguei à conclusão que não poderia negar essa colaboração, retribuindo assim um bocadinho do muito que tenho recebido deste blog. Assim cá estamos para voltar uma vez por mês neste espaço de «Discursos sobre a Cidade».

 

(22381).jpg

 

II

Infelizmente ou felizmente deixei de ser flaviense presente desde meados dos anos setenta do século passado. Infelizmente porque fui obrigado a deixar a minha terra, a minha família mais próxima e muitos amigos, mas felizmente porque em termos de formação e trabalho tive oportunidade de atingir os objectivos a que me propus. Felizmente ainda, embora com uma felicidade infeliz, a de não ser obrigado a assistir na primeira linha ao crescimento desenfreado e desequilibrado da cidade sem a preocupação mínima de ter havido um trabalho prévio de ordenamento, levando a que em muito desse crescimento se tivessem praticado verdadeiros atentados à cidade, principalmente ao seu centro histórico.

 

Embora durante estes longos anos de flaviense não presente tivesse vindo à terra com uma regularidade de pelo menos uma a duas vezes por mês, a verdade é que me transformei num verdadeiro estranho para a cidade. Não conheço os novos bairros e na tentativa de os conhecer chego-me a perder na cidade nova. Perdi os lugares de referência como o Jardim das Freiras e os cafés da Rua de Stº António que sempre tinham sido local de encontro de flavienses ausentes com flavienses presentes. As caras dos comércios tradicionais mudaram por novas caras e novos ramos de comércio. Com o tempo ir à cidade à procura dos nossos amigos do tempo de liceu e das caras de sempre tornou-se uma missão impossível de ninguém encontrar numa nova cidade. Um verdadeiro estranho na minha terra, e ainda por cima, culpabilizando-me por tal acontecer e por não poder ter estado cá…

 

(45246).jpg

 

III

Assim que, discursar sobre a cidade é uma tarefa complicada. Das duas uma, ou me restrinjo às recordações do passado ou passo à descoberta da nova cidade, deixando aqui as minhas considerações. E foi assim que no último fim-de-semana me propus descobrir mais um bocadinho da nossa cidade, iniciando a descoberta naquela que em tempos era a entrada nobre da cidade – A Estrada Nacional 2. Ao passar na rotunda do Raio X, uma das placas informativa despertou-me o interesse para a descoberta, de interesse turístico, a descoberta da Rota Termal e da Água, rota que desconhecia ter um itinerário definido e da qual ninguém ainda me tinha informado. E lá fui eu seguindo as setas na sua descoberta, em direção a Espanha, confirmada na rotunda da antiga Polícia de Viação.

 

fotos aa (2).jpg

 

fotos aa (3).jpg

 

Mas um pouco mais à frente, junto à Adega Cooperativa a placa da Rota Termal e da Água indica-me o centro da cidade, via nova ponte de S.Roque.

 

fotos aa (4).jpg

 

Um pouco mais à frente, na rotunda da Escola Industrial, mais ou menos onde antigamente havia um tanoeiro e o parque de estacionamento dos burros das Leiteiras de Outeiro Seco de novo a placa da Rota, ou melhor, as placas das Rotas, pois aqui dividem-se em Rota Termal e da Água (Chaves) e Rota Termal e da Águas (Verin). Optei pela de Chaves, que curiosamente me obrigava a voltar para trás.

 

fotos aa (7).jpg

 

Mas logo de seguida e ainda na mesma rotunda a Rota Termal de Chaves desaparece e aparece a de Vidago.

 

fotos aa (8).jpg

 

Afinal não, pois 10 metros à frente aparece de novo a rota de Chaves, conjuntamente com uma novidade para nós, o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso. Seguimos por esta rota que logo a seguir terminava no parque de estacionamento do referido Museu. Pois já que ali estávamos aproveitávamos para visitar o museu, mas por lá alguém nos informou que o Museu embora pronto ainda nunca abriu ao público…

Viramos para trás, que outro remédio não tínhamos e ficamos com a opção de seguir a Rota Termal e da Água de Verin ou retomar a de Chaves que logo passava à de Vidago. Mas observando uma outra placa na mesma rotunda, optámos pela rota de Verin, pois assim também iriamos em direção ao Mercado Abastecedor M.A.R.C. que também desconhecíamos a sua existência

 

fotos aa (12).jpg

 

fotos aa (13).jpg

 

Chegados a Outeiro Seco ficando já para trás a Capela Medieval as placas informativas baralham-nos um bocado. Tivemos de parar para optar pela que nos levava a atravessar o centro de Outeiro Seco em direção a outras aldeias ou então tomar a outra estrada em direção a Espanha, mas também a Universidade (que não sabíamos que existia) e ao Pastelnor (que não sabíamos o que era). Curiosamente a Rota Termal e da Água aqui deixou de ser de Chaves, de Verin e de Vidago e passou a ser uma rota única em direção ao Parque Industrial de Chaves. Desistimos da rota da água. Agora tinha curiosidade em conhecer a universidade. Entretanto perdemos a informação da localização do Mercado Abastecedor.

 

fotos aa (14).jpg

 

fotos aa (15).jpg

 

Mais à frente, numa outra rotunda, ficámos com duas opções, a primeira de Espanha e Vila Verde da Raia e na segunda, para além de algumas aldeias do concelho, tínhamos de novo o Pastelnor e uma nova informação, a do Instituto Politécnico. Das duas, uma, ou nos trezentos metros que andámos de caminho a Universidade foi desqualificada para Instituto Politécnico ou então para além da Universidade também havia um Instituto Politécnico. Esta possibilidade aguçou-nos a curiosidade e fomos ver.

 

fotos aa (18).jpg

 

Ainda na mesma rotunda apareceu-nos outra placa, de novo com o Pastelnor e a Universidade. Perdeu-se o Politécnico ou afinal sempre há as duas instituições, Ah, e aparece-nos o Parque Empresarial ou Zona Industrial 3.

 

fotos aa (19).jpg

 

Trezentos metros mais à frente novas placas informativas que para além do Pastelnor aparece de novo a desaparecida rota Termal e da Água, a geral, sem Verin, Chaves e Vidago. Informações sobre Universidade, Instituto Politécnico e Mercado Abastecedor não havia.

 

fotos aa (22).jpg

 

Na ausência de melhor lá seguimos de novo a Rota Termal e da Água que logo à frente (50 m) de um lado e outro da estrada, apontando para direções opostas, isoladas sem mais informação, lá estava em destaque a rota Termal e da Água, de um e outro lado da Estrada a apontar para lameiros. Decididamente resolvemos não ir pastar e seguimos em direção ao que nos restava – o PASTELNOR.

 

fotos aa (23).jpg

 

fotos aa (24).jpg

 

Mais à frente, passadas as entradas para a autoestrada, finalmente o Parque Empresarial, aparentemente novo e aparentemente abandonado. No painel informativo da rotunda encontramos o MARC – Mercado Abastecedor da Região de Chaves e a Plataforma Logística.

 

fotos aa (34).jpg

Seguimos nessa direção e a única coisa interessante e inovadora que descobrimos foi o gradeamento das sarjetas. Plataforma logística nem vê-la e em vez de MARC – Mercado Abastecedor há bolos, fábricas de bolos que segundo nos informaram depois, antes dos bolos já tinha sido peixaria… Ficam os gradeamentos inovadores das sarjetas:

 

fotos aa (31).jpg

 

Desiludido, nem MARC, nem Plataforma Logistica, nem Universidade, nem Instituto Politécnico e a rota Termal e da Água a terminar em dois lameiros, resolvi regressar à cidade e no regresso, numa rotunda que já tínhamos passado antes, afinal havia outra placa, já no regresso da cidade onde de novo aparecia a Universidade e a rota Termal e da Água. Quanto a esta última indica-nos a direção das outras pelas quais já passámos, quanto a Universidade, tivemos curiosidade e continuámos à procura.

 

fotos aa (39).jpg

 

Mais à frente, já após termos passado a aldeia de Outeiro Seco sem encontrar a dita universidade, de novo uma placa a Indicar-nos o MARC e a Universidade, curiosamente a indicar-nos o caminho que tínhamos seguido inicialmente e que nos trouxe até ao ponto onde estávamos. Não, nesta já não caio, disse eu para com os meus botões…

 

fotos aa (45).jpg

 

Mas mesmo assim, em vez de seguir o cainho já trilhado indicado nas placas, resolvi voltar atrás ao centro da aldeia e perguntar onde raio ficava a universidade. Disseram-me que não, que por ali não havia universidade. Havia, isso sim, uma Escola de Enfermagem à saída de Outeiro Seco. Quanto a universidade disseram-me que há muitos anos atrás disseram que queriam construir uma no solar, curiosamente mesmo ali ao lado e que reconhecemos de imediato por já inúmeras vezes ter passado neste blog, mas que ninguém fez nada.

 

solar-16 (9).jpg

 

Concluindo, placas a presumir que se tem, não é tudo, é preciso ter mesmo, senão tudo não passa de um embuste. Quanto a Rota Termal e da Água durante toda a semana andámos à procura de informação sobre a mesma e sobre o assunto encontrámos um artigo de 2013 no sítio da internet da Eurocidade Chaves Verin (aqui), cheio de boas intenções mas que ainda não saíram lá do sítio da internet, a não ser as placas informativas que não levam a lado nenhum ou quando muito servem para andarmos à volta da cidade ou para terminarmos num lameiro de Outeiro Seco. Mas como o projecto é (ou foi) financiado pela União Europeia, presume-se que por aí andou muito dinheirinho, só que não se sabe onde ele para, embora nas ditas e inúteis placas se tenha gastado algum.

 

A.Adolfo

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:01
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Fevereiro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9


20
21
22
23
24

25
26
27
28


.pesquisar

 
blogs SAPO
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Blog Chaves faz hoje 13 a...

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Discursos Sobre a Cidade,...

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites