Sábado, 27 de Agosto de 2016

A Galiza aqui ao lado - Aldeias da Raia vizinhas de Soutelino da Raia

cabecalho

 

Há dias iniciava aqui esta crónica de “A Galiza Aqui ao Lado”. Embora fosse o início da crónica já não era o início de algumas aldeias galegas e outras localidades virem aqui ao blog, principalmente as aldeias da raia.

 

1600-fronteira-1.jpg

 

Em tempo anunciei também por aqui que um dia traria aqui todas as aldeias da raia portuguesa (do nosso concelho de Chaves) e a(s) suas congéneres galegas, mais propriamente a aldeias ou aldeias galegas mais próximas da nossa(s) aldeia(s) da raia. Um projeto que iniciei em tempos, iniciando a recolha de imagens do lado galego, com a ajuda de um amigo do outro lado da raia (o Pablo). Entretanto outras prioridades se impuseram e fui obrigado a suspender a recolha de imagens, contudo vai sendo tempo de retomar o projeto ou de, para já, ir trazendo aqui algumas das aldeias já fotografadas.

1600-soutelinho (555)

 Soutelinho da raia

 

Iniciamos então hoje, conjugando o antigo projeto com a nova rúbrica de “A Galiza Aqui ao Lado”, esse tema das aldeias mais próximas de ambos os lados da raia,  com a nossa aldeia de Soutelinho da Raia e o Santuário do S.Caetano com as aldeias galegas da sua proximidade, e que são três, a saber: Videferre, Espiño e Bousés, de pouco importando ou sem ter em conta as fronteiras administrativas da raia ou das freguesias, pois o que interessa mesmo é a proximidades destes lugares, que no caso ficam todas dentro de um circulo cujo raio da circunferência é de apenas 1.500 metros (aproximadamente).

 

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 S.Caetano

 

Inicia-se assim também, aqui no blog, um relacionamento entre estas aldeias e lugares que na realidade sempre existiu e que nem mesmo a fronteira (desde que passou a existir) nunca conseguiu separar. O espirito da velha Galaécia nunca morreu e perdura ainda hoje na proximidade e identidade de uma cultura reforçada pela língua galega e portuguesa que acaba por ser uma só, com mais ou menos evoluções.

 

1600-videferre (80)

1600-videferre (50)

 Videferre

 

Mas também no contexto da identidade da cultura e língua as aldeias da proximidade da raia aprofundam mais o relacionamento, a cumplicidade e até a promiscuidade que nenhuma lei ou fronteira algum dia conseguiria enfraquecer ou separar, com Soutelinho da Raia a ser um exemplo e uma referência na História da raia como aldeia promíscua que o foi até ao tratado das fronteiras entre o Reino de Portugal e de Espanha,  de 1864, ou seja, uma aldeia que até essa data era metade portuguesa e metade espanhola, dividida a meio pela fronteira.

 

1600-espinho (18)

1600-espinho (59)

 Espiño

 

Claro que aqui no blog,  além da realidade atual e da História, também haveria lugar para as estórias, também elas reais, de contrabando e outros trabalhos partilhados, incluindo os do campo, de partilha de serviços quando eram necessários, de amores e desamores e tudo o mais que é possível passar-se entre vizinhos, sem esquecer os tempos da guerra civil espanhola .

 

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1600-bouses (28)

 Bousés

 

Estórias e muitas que existem, mas isso já é outra loiça que dariam muitas páginas e que nem todas se querem contadas, mas a principal razão é mesmo não termos tempo para esse trabalho que se quer sério e cuidado. Pode ser que um dia, no futuro, também caibam aqui as estórias da raia. Não quer isto dizer que não venham aqui algumas estórias, mas para já a prioridade é mesmo mostrar em imagem as aldeias da raia da nossa proximidade.

 

1600-soutelinho (547)

 Soutelinho

 

Para já ficam pouco mais que duas imagens de cada uma desta aldeias, mas num futuro próximo das uma das aldeias galegas de hoje terá aqui um post mais alargado nesta rubrica de “A Galiza Aqui ao Lado”. Até já.

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Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Chá de Urze com Flores de Torga - 45

 

 

São Caetano, Chaves, 12 de Setembro de 1988

 

 

Padroeiros da nossa devoção! São tantos, e não chegam para os milagres de que necessitamos.

 

Miguel Torga, in Diário XV

 

 

 

 

 

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Sábado, 29 de Março de 2014

As coisas boas da vida

 

 

Uma caminhada ao São Caetano

 

Ainda estamos a alguns meses de distância, mas quero falar-vos hoje de uma das coisas boas que recordo dos meus tempos de juventude, em Chaves.

 

As caminhadas ao São Caetano, no primeiro fim de semana de agosto, eram um momento de encontro e de convívio com muitos outros jovens da cidade, e numa altura em que ainda não havia telemóveis, e-mail nem Facebook, tudo se conseguia combinar sem grandes dificuldades (hoje, olhando para trás, parece-nos difícil de acreditar como é que era possível…). A caminhada começava normalmente com uma concentração nas “Freiras” ou nas “Caldas” e depois, lá pela uma ou duas da manhã, a malta arrancava em grupo para fazer os cerca de quinze quilómetros. O percurso demorava mais ou menos três horas, dependendo do número de paragens e da maior ou menor animação no grupo. Por vezes alguém levava uma viola e cantavam-se músicas dos grupos de jovens e, então, a caminhada parecia mais curta. No final da reta do Seara, mesmo antes do início da subida da serra, era quase sempre obrigatória uma paragem no “Rali”, onde se podiam retemperar as forças com um caldo verde ou beber alguma coisa, pois era a partir dali que começava a parte mais difícil do percurso.

 

 

Fazendo a caminhada de noite, por causa do calor, esta era uma das poucas alturas do ano em que tínhamos a oportunidade de ver o nascer do sol, o que normalmente acontecia quando já estávamos no santuário. Aí visitávamos a capela para um momento de oração, bebíamos água das três bicas, repousávamos, e pouco depois apanhávamos um dos primeiros autocarros e voltávamos para casa. Alguns mais corajosos (poucos) aventuravam-se a fazer o caminho de volta também a pé. Pela minha parte apenas por uma vez tive essa ousadia.

 

Experimente e depois diga-me qualquer coisa…

Luís dos Anjos

 

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Sábado, 30 de Julho de 2011

Crónicas Ocasionais - A videira e o Castanheiro de Soutelinho

 

 

 

 

“A VIDEIRA  e  o CASTANHEIRO de SOUTELINHO”

 

 

Era uma vez um peregrino de saudades, que aproveitou um dia longo de Verão para rumar a uma Normandia de fronteira.

Madrugou.


E logo foi o primeiro - primeirinho a pôr o pé no campo de concentração , “livre – e - democrático”, de romeiros,  lá no Largo do Anjo.


Não sabemos se do Gabriel, Miguel ou Rafael! Mas isso é lá com o “nazireu de empreitada” e presidente municipal.


Os «Caminhos de Santiago” foram substituídos pelas «Rotas do Contrabando”, e estas pelas alcatroadas estradinholas municipais.


A pé já quase ninguém anda   -  a não ser ao cair da noite, nas «caminhadas da moda» contra o “clesterol” e a favor da «perdida de peso”   -  não que a gordura é para manter!


Assim, num machimbombo velho e cansado, retornado das picadas do CONGO, onde transportava Pigmeus, lá foram os ferv(o)erosos caminheiros, mais parecidos com um “ pelotão de Caçadores 10” ou mesmo até com uma Brigada de Assalto dos “Dragões de Chaves”, pois iam equipados com disparadores automáticos a lembrar bazucas ou morteiros de 60mm.


Apesar de especializado em morteiros pesados de 160 mm, o Romeiro de Alcácer levava apenas uma fisga de meio furco.


Chegados ao S. CAETANO, este, em vez de abençoar os peregrinos com água benta …ou uma(s)  pinga(s), da(s) boa(s), lá  planalto do COUTO, asperge-os com uma cacimbada!

 

 


Por isso uma célebre “Corneta de S. Caetano”, com história contada no Blogue “Valdanta”, soou constipado-desafinada ao “Merino” que mandou o “Neto da Tia São” para o Garcia!


À procura do sol de «inferno», rumou-se até ao «Meco» 198 – noves fora nada  -  lá no cimo do Poβo de SOUTELINHO DA RAIA,  onde todos fizeram as vezes de «gajeiro de nau Catrineta»… e donde só alguns desceram para “proβar”  o «gajeiro “ que empurrou umas rodelas de linguiça e de salpicão numa secreta adega com (antigamente) porta de entrada de … Guardas-Fiscais, do lado de cá, e de «Carabineros», do lado de lá.

 


Conduzido à Fonte medieval, em recuperação, nasceu-nos a esperança de encontrar por entre os montículos de terra e cascalho alguma flauta doce, que a distracção dos arqueólogos tivesse consentido esquecida.


Não a encontrámos.


Mas um sopro de vento, leve, levezinho, fez-nos voltar o olhar lá para o fundo de uma cortinha que começava logo ali, naquele muro de pedra onde terminava a rua.


Atraído pela arte e deslumbrado com a Natureza.


Perante nós, um frondoso castanheiro. Imponente. Com uma folhagem de um verde pujante. E tingido por madeixas amarelo - prateadas da sua flor.


Ao nosso lado, uma Videirinha elegante, viçosa, estendeu uma gavinha insinuante e fluorescente, e guardou para a posteridade o último testemunho de um jardim natural, outrora passeado por druidas, em cânticos de louvor a Druantia, a Arduinna e a Ailinn.


O sol abriu.


E uma onda de luminosa alegria transportou os peregrinos até ao cimo de CASTELÕES, lá, à SENHORA do ENGARANHO.

 

 

Romeiro de Alcácer

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Domingo, 17 de Julho de 2011

“Maldição de S. CAETANO(?)”

 

“Maldição de S. CAETANO(?)”

 

É Verão.


Todos os frutos da Natureza sabem que nem um regalo!


E o cabrito, e o cordeiro e o frango assadinhos no forno, que bem apaladados se apresentam, depois do delicado trato dos nossos amigos cozinheiros e amicíssimas cozinheiras!


E não é que a «pinga» de qualquer Adega de um vizinho, ou Regional, da NOSSA TERRA «fica mesmo a matar» com aquele especial molho, onde as batatas assadas envernizam aquela cor coradinha que só os fornos e a lenha daquelas Terras sabem dar?!


Por ali, “come-se que nem um abade”, e “bebe-se que nem um camelo”!


É de admirar?!


Nem por isso!


O sorriso franco e os braços abertos com aquelas gentes nos recebem abrem-nos     -     e de que maneira!   -   o apetite.


E a franqueza é sempre tão grande que até nos fazem juntar a sobremesa com a ceia!


Os simples e os modestos, como nós, só têm uma maneira de mostrar o seu reconhecimento: levar o carro e o coração carregadinhos de amizade.


O pior é que nos acontece sempre «o pior»   -   o nosso regresso é feito com a alma cheiinha de mimos e a mala do carro ou a cabina e a caixa da carrinha atulhadas com saborosas lembranças!


Catancho!


“Incréu” como somos, até nos custa ter de acreditar que o S. CAETANO costuma fazer milagres!

 


 

É Verão.

 

E o fresco de uma sombrinha “que bem que sabe”!

 

E o S. CAETANO com ela abençoa os seus devotos em visita.

 

E até os passeantes que por lá andam, e «fazem escárnio» das milagrices que lhe atribuem!

 

Há uma boa meia dúzia de decénios que lhe fomos apresentado pela nossa AVÓ, num Dia de Festa!

 

Porque não tivemos «o garrotilho»; porque fomos curado das «sezões»; porque ficámos bom do braço partido (tri-partido!) com aquela enorme turra do carneiro irritado com «A Corneta de S. Caetano»; lá fomos, pela mão d’AVÓ, agradecer-lhe estes milagres!

 

A ele, S. CAETANO, tão sábio, tão rico e tão poderoso, iam, e vão, os pobres e os pobrezinhos levar «a esmola»!

 

E, como se não bastasse a longa caminhada, desde o termo de Samaiões, ainda tivemos de «esturricar» ao sol, carregadinho com as roupas, a coroa e a estátua, a cruz ou o ramo que nos davam o ar e a figura de «ANJINHO», numa procissão mais lenta do que «passo de boi»!

 

 

 

É Verão.

 

E hoje lá fomos ao “S. CAETANO”, recordar as promessas (da AVÓ) por nós cumpridas, e cobrar o prazer de sombrinha, ora apetecida.

 

Próximo do banco onde, de olhos fechados nos parecia melhor apreciarmos a sombra e o sossego do lugar, e com mais harmonia e emoção desfilariam aquelas recordações distantes, dois casais de «velhotes», mais ou menos da nossa idade, conversavam filosoficamente.

 

Trocavam histórias de milagres de amor, de saúde e de sorte.

 

-….“Nunca mais deixa de ser burro”!  - ouvimos. E ficámos com a atenção desperta.

 

-“’Ind’à semana passada fomos bisitar o Delfim, que está entrabado numa cadeira de rodas, Estábamos eu, ele, a mulher, a filha e o genro, cá fora de casa, ao fresco.

 

O rapaz…

 

-O rapaz!  - exclamou, e interrompeu, uma voz feminina (que presumimos ser da Rapariga que o orador tomou por Mulher, provavelmente no altar do S. CAETANO).

 

-Ele debe ser da nossa idade, ou até mais «belho» um pouco!   -   acrescentou a «madama».

 

-Bem, «Rapaz» foi uma “forma de dezer”.

 

O Rapaz vinha despedir-se.

 

 

Como lhe tinham prometido umas saladas, deixou a mala do carro «a direito» do portão, que já estava aberto.

 

Estava a filha do Delfim a dizer que esperasse um bocadinho, enquanto ia buscar as alfaces   -   que até eram de duas “calidades”   -  quando rompe por meio de nós, que estábamos sentados à roda do Delfim, o filho do Jeremias e da Teresa, genro e filha do Delfim e d’Augusta.

 

«Nem água “bem”, nem água “bai”».

 

“Quer-se dezer: nem bom-dia, nem boa-tarde.

 

Fez questã” de meter o carro dentro do pátio. E como tebe de fazer duas ou três manobras para entrar, ficou muito incomodado.

 

Bai daí”, o cumprimento dele, birando-se para o que «nunca mais deixa de ser burro», foi resmungar que «aquela biatura  estaba  mal estacionada».

 

Ele queria meter o carro «cá dentro» e «quase que nem podia»!

 

Todos ficámos com cara de parbos!

 

O Jeremias, pai do garoto, ficou mais «marelo» do que a cera.

 

A Teresa “afucinhou”  a cabeça no chão, e disse que ia buscar umas «curgétes».

 

A mulher do Delfim, a Ti’Augusta, ficou mais corada do que um pimento bermelho do Cambedo.

 

A mim, deu-se-me cá uma bolta no’stômago!

 

O que «nunca mais deixa de ser burro» ia para se alebantar para ir arrumar o “carroço”.

 

- “Agora já não é preciso. Já consegui entrar” – sentenciou, no mesmo tom zangado e refilão, o neto do Delfim e filho do Jeremias.

 

E sumiu-se dentro de casa.

 

 

A avó desabafou:

 

-Não façam caso. As autoridades são sempre assim!

 

Afinal, somos todos bu---rros!

 

Qualquer labrego que «entre prá Guarda ou prá Polícia» fica logo com a mania de que “tem o rei na barriga”.

 

E até acha que a consideração que as pessoas têm pela sua família não é mais do que a sua obrigação   -   porque ele «é gê-éne-érre», «impõe respeito» e «têm que lhe mostrar medo»!

 

- Tamém! Não precisas de exagerar!  -  atalhou a mulher.

 

- Pois não!

 

Mas se fosse cá eu, com os conhecimentos, amizades e família que ele, o que «nunca mais deixa de ser burro», tem lá em Lisboa, ‘inda por cima na Guarda, ai não, que não punha este fedelho a «piar fino»!

 

Quantos da NOSSA TERRA, que estão por esse mundo fora, bisitam tanta gente na Aldeia; telefonam para tantos, no Natal e na Páscoa; se alembram dos anos deste e daquele; e, lá onde estão, recebem, e dão apoio, aos amigos e bizinhos como esse «burro»?!  - sentenciou o companheiro que se tinha mantido atento e caldo durante a conversa.

 

 

Não quisemos ouvir mais.

 

Abandonámos a nossa sombra.

 

 

Virámo-nos para a Igreja do S. CAETANO e exclamámos cá para dentro:

 

- Como pode haver gente tão soberba, tão «ordinária», e a mostrar tanta falta de respeito, cá pelas bandas de S. CAETANO?!

 

Ou será que será gente das vizinhanças de S. DOMINGOS?!

 

Não é na Natureza, no sol ou na chuva, no frio ou no calor, nas subidas ou nas descidas, nas noites ou nos dias; com os lagartos e as cobras, com os ursos ou os leões, com a petinga ou as baleias que se nos azeda a vida.

 

Ela azeda-se-nos na relação com o “OUTRO”  -   o ser humano!

 

Sentimos a hora amaldiçoada. Regressámos a casa.

 

Afinal, a arrogância salazarenta ainda medra por !...

 

 

 

Romeiro de Alcácer

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Sábado, 31 de Julho de 2010

Visita Sacramental ao S. Caetano - por Miguel Torga

 

 

 

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Chaves, 26 de Agosto de 1990

 

 

Visita sacramental ao S. Caetano, um santo fronteiriço que tem na terra os serviços administrativos modelarmente organizados. «Meta as esmolas nos petos» - avisam os letreiros.

 

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E lá estão as tulhas para os cereais, a grade para os galináceos, e o orifício aberto na parede granítica da capela para encarreirar a pecúnia. Peregrino anual e céptico, não peço ao orago graças que sei que não pode conceder a um mau romeiro.

 

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Bebo-lhe a água gelada da fonte das três bicas, regalo os olhos na paisagem aberta e larga, espreito o cemitério visigótico precariamente preservado e fico satisfeito. Mas volto sempre, e sempre com a mesma curiosidade e disponibilidade emotiva. A minha bem-aventurança começou quando abri os olhos no mundo e há-de acabar assim, quando, já cansado de tanto o ver e surpreender, os fechar.

 

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 


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Sábado, 9 de Agosto de 2008

São Caetano - Chaves - Portugal

 

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Por aqui, popularmente e religiosamente falando, costuma-se dizer que quem não vai a Santiago de Compostela em vida, vai em morte. Talvez por essa razão haja tantos caminhos que nos levam até Santiago e, caminhante que se preze, vai a pé. Pois por cá, neste fim-de-semana todos os caminhos também são caminhados a pé como é tradição, mas vão dar ao São Caetano.

 

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Este blog também faz questão de lá ir todos os anos, não a pé, mas numa caminhada virtual de levar o (nosso) São Caetano a todos os flavienses ausentes e também lembrar aos presentes este fim-de-semana que é de festa, mas muito mais que isso, é de fé, e por muito alheados que estejamos dos rituais e da “festa” religiosa, a fé há que respeitá-la, tal como a tradição.

 

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Num dos posts passados sobre este Santuária eu dizia que o santuário do S.Caetano está para o concelho de Chaves e concelhos vizinhos, como o Santuário de Fátima está para Portugal. Mantenho todas as palavras desta afirmação e basta percorrer hoje as estradas que nos levam ao São Caetano para verificar que em todo o seu trajecto há centenas de pessoas a percorrer todos esses caminhos a pé.

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A aproximadamente 13 quilómetros de Chaves, pertence da freguesia de Ervededo, o S.Caetano tem o seu ponto alto todos os anos no 2º Domingo de Agosto, quando é tradição mas também promessa, fazer a deslocação até ao santuário a pé. E neste caso a tradição continua a valer e penso mesmo que de ano para ano cada vez há mais adeptos a cumprir a caminhada. Penso que serão já alguns milhares de pessoas que, sobretudo na noite do 2º Sábado de Agosto, cumprem o ritual e tradição de se deslocarem ao S.Caetano a pé.

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Mas o S.Caetano é também convidativo pelo espaço em si. Há uns anos atrás foi lá criado um parque de lazer, com merendeiros e churrasqueiras, aliadas às apetecidas sombras dos dias quentes de verão e primavera. Desde que o sol começa a abrir e a aquecer, que não há fim-de-semana que não haja merendas no S.Caetano, à nossa boa maneira, de manta no chão, muitos “comes” e bebes que se reflectem no garrafão de tinto à sombra, com a merecida e obrigatória sesta, claro!

 

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Mas também a água deste Santuário é tão famosa como fresca e não há peregrino ou visitante que não a beba ou se refresque um pouco com ela. Quanto às suas qualidades milagrosas e, se ali bem próximo todos os anos centenas de pessoas se deslocam a Vilar de Perdizes por acreditarem nas bruxas (ou por mera curiosidade ou passeio), porque não acreditar nos milagres da água deste Santuário. Tal como diz o cartaz colocado ao lado da fonte: «É de S.Caetano esta fonte pura quem nela beber de seus males cura». Não sei se o cartaz ainda está por lá, pois todas as imagens de hoje são de arquivo, mas quer esteja lá ou não, há que acredite nos milagres da água e a fé, é tudo.

 

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E por hoje é tudo. Para os que não podem deslocarem-se lá neste fim-de-semana, ficam as imagens do Santuário que mais gente chama deste concelho e das redondezas, por tradição, por religião e por fé, só comparado em termos religiosos e de tradição, à Nossa Senhora da Saúde, em S.Pedro de Agostém.

 

Até amanhã, de volta às aldeias. 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:17
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