Terça-feira, 30 de Agosto de 2016

Intermitências

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O Arquipélago

 

 

Existe uma ilha onde devo chegar, mas desconheço-lhe o paradeiro. Sei da sua existência, mas nunca ninguém lá esteve para me indicar a direcção que devo seguir para encontrá-la. Desde que desconfio que ela seja o meu lugar neste mundo, procuro incessantemente o caminho para lá chegar.

 

Por enquanto, continuo a percorrer o arquipélago. Navego sem fim à vista, enfrento tempestades, sigo rotas erradas, por vezes naufrago e devo reconstruir outro barco, mas sei que não posso abandonar esta viagem e regressar ao porto seguro. À chegada, está o meu destino e a minha razão de ser.

 

O Arquipélago.jpg

  Ilha Terceira, Açores, Janeiro 2016 - Foto de Sandra Pereira

Esta ilha está dentro de mim mesmo. Esta ilha sou eu. Esse território é um mundo, o meu mundo, aquele onde sou. Alguns chegaram muito longe nas suas explorações, muitos ficaram às suas portas, a maioria desconhece que existe um território assim. Eu vagueio pelo arquipélago, sulcando cada onda com paciência. Em cada naufrágio, a minha fé é a minha única tábua de salvação. Desconheço o paradeiro da ilha onde devo chegar, nem sei se algum dia a alcançarei, mas já ter chegado a este arquipélago é a minha bonança.

 

Sandra Pereira

 

 

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Terça-feira, 9 de Agosto de 2016

Intermitências

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A Vida é um Milagre

 

 

“Um dia, vais ter a certeza de que a vida é um milagre. Depois, ao constatares que aconteceu uma vez, vais-te dar conta de que pode acontecer duas, ou três, ou mais e mais... Começas a acreditar no surreal, pois vês que tudo mesmo é possível e não são apenas ideias e sonhos. Começas a ver a beleza das coisas e a sonhar mais alto. A partir daí, só tens de aprender a controlar a tua impaciência – pois os milagres acontecem no momento justo e não quando tu desejarias –, a tua preguiça, a tua inércia, os teus vícios, os teus impulsos... Quando o conseguires, te garanto meu filho, passarás a desfrutar plenamente da beleza e do surreal que é a vida. Irá aparecer da nada gente no teu caminho que também já conhece essa verdade, e então serás verdadeiramente feliz. Lembra-te: essa felicidade não irá depender do que tens, mas apenas do que sentes.”

 

Quando a minha avó me disse estas palavras, pensava que eram histórias de encantar, para me dar ânimo para aguentar as amarguras da vida. Estávamos sentados debaixo do pomar do jardim de sua casa e ela estava gravemente doente. Nesse dia, ela quis transmitir-me o que a vida lhe tinha ensinado em 80 anos. Fora um caminho largo, difícil e sofrido, disse-me, mas agora sabia do que se tratava a vida e sentia-se em paz e feliz, mesmo após a morte do meu avô.

 

A Vida é um milagre.JPG

Ilha Terceira, Açores, Janeiro 2016 - Foto de Sandra Pereira

 

 “Eu penso coisas, mas digo e faço totalmente o contrário... Não consigo controlar”, respondi-lhe.

 

“Até aos 30 anos não tens de te preocupar, tudo aquilo que fizeres é para aprender. Tem paciência. Quando isso acontecer, lembra-te de sorrir e de que tudo o que dás volta a ti, tanto o positivo, como o negativo.”

 

E é isto. O legado da minha avó era difícil de atingir, mas simples de entender. Para mim, o facto dela ter existido já era um milagre.

 

 

Sandra Pereira

 

 

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Quinta-feira, 4 de Agosto de 2016

Discursos (emigrantes) Sobre a Cidade

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A Lei do Medo

 

            Vivemos tempos conturbados e cheios de interrogações. A Europa ocidental vem gozando desde há uns anos tempos de paz e já todos se habituaram a ver os conflitos nos ecrãs de televisão e páginas de jornais, como se fosse uma série de ficção ou algo fora da sua realidade. Nada mais ilusório e ingénuo, pois a violência, a agressão, a morte, a pobreza extrema e a injustiça continuam a suceder por todo o nosso planeta e a Europa ocidental não é, nem nunca foi, inocente nem neutra no seu contributo... Exemplo disso aconteceu bem recentemente com a tragédia de Nice, em que logo após o ataque de 14 de Julho, o presidente francês veio afirmar alto que a França iria reforçar os ataques na Síria e no Iraque. Pois é, já diz o ditado popular que “quem vai à guerra, dá e leva...”, como podem os franceses, orgulhosos de viver no país onde nasceram os Direitos Humanos, ignorar e tolerar esta escalada de violência?

 

            Nestes tempos conturbados e cheios de interrogações, os meios de comunicação social – tampouco inocente e neutros – alimentam a lei do Medo que se instalou na Europa ocidental, com preconceitos, meias e falsas verdades, “não notícias” que servem para desviar a atenção do essencial, “opiniões” suspeitas e partidárias. É fácil apontar o dedo à religião, à intolerância, à diferença de costumes, aos poderosos, à ganância do dinheiro. Certo é que a Terra é só uma e de todos os seres humanos, que são iguais como tais. As fronteiras e as “regras do jogo” foram criadas pelos próprios seres humanos que optaram por “dividir para reinar” em vez de unir em nome da justiça e paz social. Até quando vamos tolerar tanta injustiça e desigualdade? Até quando vamos continuar a viver a lei do Medo que nos paralisa e nos torna indiferentes ao sofrimento e à dor humana? Em que sociedade queremos viver e qual queremos deixar para os nossos filhos e netos?

Verão 2016.JPG

            Nestes tempos conturbados e cheios de interrogações, há que começar a pensar, a debater ideias e formas de agir com a gente que cruzamos cada dia. As grandes mudanças começam sempre com pequenos passos e sobretudo com novas formas de pensar. Porque a Paz é algo tão difícil de alcançar se o desejo de todo o ser humano é ser feliz e o planeta chega para todos? A “Terceira Guerra Mundial” que os media se deliciam a sugerir para manter a lei do Medo não irá acontecer se tal não for a nossa vontade.

 

            Reflicta-se bem em tudo o que aconteceu na curta história de vida da Humanidade. A culpa não é ninguém, a culpa é de todos. Coragem para assumir ideias justas para todos e juntar-lhe os actos certos procura-se. O amor pela Humanidade pode ser a resposta justa.

 

Sandra Pereira

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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

Intermitências

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Intermitência de Verão

 

“Se queres compreender a palavra felicidade, tens que entender-la como uma recompensa e não como um fim”.

 

Antoine de Saint-Exupéry

 

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Castelldefels, Catalunha, Espanha. Foto de Sandra Pereira

 

 

 

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Terça-feira, 28 de Junho de 2016

Intermitências

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Intermitência de Verão

 

 

“É sempre preciso um momento de loucura para construir um destino”.

Marguerite Yourcenar

 

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Castelldefels, Catalunha, Espanha, Janeiro 2016 - Fotografia de Sandra Pereira

 

 

 

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Quinta-feira, 2 de Junho de 2016

Discursos (emigrantes) Sobre a Cidade

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A Viagem

 

Dentro, somos muitos.

Somos de toda a terra que nos viu nascer e nos acolhe.

 

Foto 1 - Sighignola, Itália, Maio 2016.jpgSighignola, Itália, Maio 2016 - Foto de Sandra Pereira

 

Somos de todo o ceú que nos ilumina e dá fé.

 

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Foto de Sandra Pereira

 

Somos de todo o mar que nos dá fôlego e alento para sentir-nos vivos.

 

Foto 3 - Cagnes-sur-Mer, França, Maio 2016.jpg Cagnes-sur-Mer, França, Maio 2016 - Foto de Sandra Pereira

 

Somos da lua e de toda a noite escura que guarda os nossos mistérios e segredos mais íntimos.

 

Foto 4 - Estocolmo, Suécia, Maio 2016.jpg

Estocolmo, Suécia, Maio 2016 - Foto de Sandra Pereira

 

Dentro, somos muitos. A nossa terra é o mundo. O nosso mundo é a terra. A nossa vida é uma viagem, cuja verdadeira descoberta, já dizia o escritor Marcel Proust, consiste não só em ver e buscar novas paisagens, mas em ter novos olhares.

Sandra Pereira

 

 

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Terça-feira, 24 de Maio de 2016

Intermitências

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O Umbigo

 

Esta é a história de um umbigo.

 

Este umbigo já foi feliz e também já foi triste, mas nunca este umbigo foi tão grande e livre como é hoje.

 

Sempre quis ver o Sol brilhar, sentir o vento e refrescar-se com a água, mas nem sempre a vida lhe foi fácil. A maioria das vezes, era-lhe negada essa liberdade, mesmo que o Sol brilhasse, o vento soprasse ou a água o convidasse a resfrescar-se. Viveu durante muito tempo na escuridão, só, dentro do próprio umbigo, reprimido.

 

Com o tempo, tudo foi mudando, veio a liberdade. Viva a liberdade! Viu o Sol brilhar, sentiu o vento e refrescou-se com a água. Uma e outra vez. Tantas vezes! Quis mais liberdade. Conheceu e começou a relacionar-se com muitos outros umbigos. Quis mais liberdade. Porque contentar-se com o Sol, o vento e a água se podia obter mais para o seu próprio umbigo?

 

O Umbigo.jpgLago di Como, Itália, Maio 2016 - Foto de Sandra Pereira

 

E então chegou a tecnologia. Essa ilusão maravilhosa, que prometeu que tudo seria possível, e mais próximo, e mais rápido, e melhor. Na verdade, nunca foi tão fácil sentir-se próximo de todos os outros umbigos deste planeta. Mas com tantas possibilidades, o umbigo cresceu demasiado e nem se dava ao tempo de saborear cada coisa. Queria viver muito, queria experimentar tanto, queria provar tudo!

 

Nesta euforia, o umbigo não desfrutava realmente do seu umbigo nem se dava conta se apreciava o que vivia, experimentava e provava, ou se o que vivia lhe aportava uma vitória pessoal, uma aprendizagem, uma evolução. O umbigo não era capaz de simplesmente.... fazer escolhas. O umbigo tinha oficialmente ganho a liberdade, mas também a angústia de não saber o que fazer com ela. Começou a sentir-se confuso, e pressentiu o mesmo sentimento nos outros umbigos que conhecia. Só que nenhum se atrevia a quebrar a euforia dos tempos modernos nem a maravilhosa ilusão da liberdade, da proximidade, a magia do instantâneo. Como todos os outros, o umbigo voltou-se cada vez mais para o próprio umbigo.

 

A euforia abrandou, mas o umbigo não se rendeu à insatisfação do próprio umbigo. Era livre! Simplesmente deixou de correr atrás da ilusão do tempo e abandonou-se à sua passagem...

Sandra Pereira

 

 

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Quinta-feira, 5 de Maio de 2016

Discursos (emigrantes) Sobre a Cidade

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“Hoje há circo em Trás-os-Montes!”

 

“Viver não custa, o que custa é saber viver!”. Uma das frases marcantes do livro “Hoje há circo em Torgo”, obra do Fernando Morais Castro, aliás do Fernando Dadim, um “flaviense de coração” que, antes de partir do mundo físico, deixou a sua marca perpétua na escrita. E que marca! Hoje emigrada por outras terras, ler a sua obra, além de recompensar o seu árduo trabalho, transportou-me de volta às minhas raízes, ao meu passado, a todas as crenças, costumes, hábitos e velhos ditados da minha terra, Trás-os-Montes. Lê-lo despertou em mim tanta emoção, sorrisos e saudade, que não posso deixar de lhe dedicar um espaço nos Discursos (Emigrantes) sobre a Cidade.

 

Ao regressar ao Trás-os-Montes dos anos 50, quando as crianças iniciavam a aula com o cantar do Hino Nacional, este é (também) um livro sobre a vida. E o que era a vida na nossa região, dentro de um país salazarista com necessidade de mudança de regime? “é a comédia que representamos, e mesmo quando nos possamos embebedar é o momento em que assumimos essa nossa condição de comediantes que a sociedade permite”.

 

Neste “circo da vida”, mergulhamos nos costumes, virtudes e pecados transmontanos, que explicam o que somos hoje e que até persistem, apesar do “progresso” que na altura gerou tanta desconfiança e cepticismo. “Não credes em nada, ainda acabais por deitar tudo a perder!”, aconselha-se em mais uma comédia portuguesa do “rir para exorcizar”.

 

Fernando Dadim na Biblioteca Municipal de Chaves,

 Fernando Dadim na Biblioteca Municipal de Chaves, em Junho de 2011 - Fotografia de Sandra Pereira

 

Aqui, nesta Vila Pequena que parece Chaves e neste Torgo que parece uma das nossas aldeias, também se percebe como os temas tabus – divórcio, homossexualidade, aborto, infidelidade e libertação da mulher – eram discutidos, em surdina, numa sociedade profundamente dividida em classes e baseada em aparências, muitas vezes com métodos “pouco católicos”, como explica a personagem Gualter a um visitante francês: “Os lisboetas dizem que nós, os transmontanos, somos os sicilianos de Portugal”. Com uma particularidade: “honestidade, honra e lealdade nos negócios privados, mas no que diz respeito à lealdade ao Estado impera o princípio: o que é de todos não é de ninguém!”.

 

Recordo-me bem ter estado presente na apresentação desta obra, em Junho de 2011, na altura como jornalista da “Voz da Chaves”. Apenas sete meses depois, em Março de 2012, Fernando Morais Castro, o “leitor mais assíduo da Biblioteca de Chaves”, voltaria a marcar presença, sempre nesse mesmo espaço, para apresentar a sua terceira obra, “O Suicídio dos Pássaros”, (a estreia seria com “O Enjaulado”), que desta vez retrataria os vícios e virtudes dos jovens flavienses marginalizados da sociedade.

 

Ler Fernando Dadim soa tão familiar, que é imprescindível para as gerações mais jovens entenderem a sua história e identidade, além dos preciosos relatos e legados dos mais velhos. Ler os nossos escritores transmontanos regala-nos e enche-nos a alma, deixa-nos seguros que o nosso passado define o nosso carácter e que, em qualquer época, sempre podemos sonhar.

Sandra Pereira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:10
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016

Intermitências

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Primavera

 

Nada de novo nos últimos meses. Os dias seguiam-se uns aos outros, sem surpresas, rotineiros. Ia para o trabalho, voltava para casa, sempre de cabeça baixa e olhos no chão. Que vida esta, pensava, escravo do trabalho...

 

Nada de novo nos últimos meses. Não tinha feito amigos novos, não tinha conhecido lugares novos, não tinha tido conversas interessantes, não tinha aprendido nada de novo. Ia para o trabalho, voltava para casa, sempre de cabeça baixa e olhos no chão. Que vida esta, pensava, escravo do trabalho e do lugar onde vivo...

 

Primavera.jpg

 Fotografia de Sandra Pereira

 

“Pode por favor olhar para mim quando lhe falo?”

 

Levantou a cabeça e viu uma bonita senhora servir-lhe o café acompanhado de um belo sorriso. “Não olhe para o chão a não ser que estejam aí as estrelas!”.  Ele agradeceu e decidiu seguir o conselho.

 

Saiu à rua e levantou os olhos. Viu um ceú azul, árvores em flor, pássaros a cantar, cães humidelmente alegres, e rostos de pessoas. Alguns sorridentes, muitos não. Olhou nos olhos cada rosto que se cruzava com ele. Não todos, porque muitos também andavam sempre de cabeça baixa e olhos no chão ou no telemóvel. Mas quando lhe retribuíam o olhar, sentia sempre um arrepio. Parecia que conhecia cada pessoa com que se cruzava, que sabia o que pensavam e sentiam. Pareciam-lhe tão humanos... quanto ele.

 

Sorriu. Era Primavera.

 

Sandra Pereira

 

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Terça-feira, 12 de Abril de 2016

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Uma definição de amor

 

Um dia, perguntei por uma definição de amor. Queria ser capaz de não usar a palavra em vão. Queria ser capaz de reconhecer e proteger o seu verdadeiro sentido e valor, num mundo que tantas vezes o esquece e o ignora.

 

Perguntei a amigos e desconhecidos. “O amor é lindo”, “O amor é eterno”, “O amor é inexplicável”. Sempre frases vagas, lugares comuns, ou pensamentos de filósofos famosos. Apercebi-me que não obteria resposta perguntando cara a cara. Porque, para muita gente, é tão difícil e desconfortável falar de amor?

 

Então, pensei que nem todos seriam capazes de explicá-lo porque nem todos o tinham alguma vez sentido verdadeiramente ou nunca tinham pensado em defini-lo realmente, com o seu próprio coração, sem frases feitas ou ideias pré-concebidas.

 

Uma definição de Amor.JPG

Monastério Budista, Parc del Garraf, Barcelona, Fevereiro 2016

Fotografia de Sandra Pereira

 

Então, pensei em quem poderia dar-me uma definição de amor por escrito. Seria certamente mais fácil.

 

Do lado feminino, recebi uma definição de amor.

 

“Com as suas imperfeições, ele faz-me crescer como pessoa. E aceita as minhas imperfeições para crescer também. Só por amor. Só por essa força estranha e poderosa que é o amor. E o que é o amor? É luz? É energia? É interligação cósmica de matéria orgânica? É reacção química? São partículas quânticas complementares? Instinto maternal, fraternal? Porque amamos tanto? Porque somos capazes de sentir um amor incondicional durante a vida inteira? Que força é essa do amor, a única capaz de vencer a razão?”

 

Do lado masculino, recebi uma definição de amor.

 

“O amor é alguém que seja capaz de suportar-me além de mim próprio. O amor é amar alguém, seja como seja, faça o que fizer. É amá-la e pronto. Amá-la toda a vida e pronto. Não é uma escolha. Amor é amar sem razão”.

 

Então, senti que um dia também eu seria capaz de dar uma definição de amor. Quem mais, senão a minha mãe e o meu pai, poderia dar-me a certeza de que o amor é uma forte vibração universal que nada nem ninguém pode controlar?

 

Sandra Pereira

 

 

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Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

Discursos (emigrantes) Sobre a Cidade

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De coração aberto

 

Como todas as manhãs, ela esperava o comboio para ir trabalhar e seguir a rotina habitual. No final do trajecto, iria sentar-se oito horas em frente a um computador, teclando as mesmas palavras de sempre.

 

Mal começou a enrolar um cigarro, aproximou-se uma senhora. Pediu-lhe um. Não era pobre, nem triste. Não tinha cigarros porque estava a tentar deixar de fumar. Contudo, permitia-se um cigarro por dia para “não ser tão radical”. Estava doente, e tinha mesmo de deixar de fumar.

 

Ela olhou para a sua bolsa de tabaco. Tinha pouco, talvez só desse mesmo para dois. Na primeira reacção, disse à senhora que já não tinha mais tabaco. A senhora agradeceu e afastou-se.

 

Depois de enrolar o seu cigarro, começou instintivamente a enrolar outro. Também ela já tinha estado na delicada situação de tentar deixar de fumar. Usara a mesma táctica: nunca tinha tabaco na bolsa, mas de vez em quando não resistia em pedir um. Também ela já tinha sentido o mesmo que aquela senhora.

 

Discursos_CoracaoAberto.JPG

 Monastério Budista, Parc del Garraf, Barcelona, Fevereiro 2016 - Fotografia de Sandra Pereira

 

Ao dar-lhe o cigarro, o rosto da senhora abriu-se e sorriu. Num desabafo, começou a contar a sua história. Falou do esforço mental diário que fazia para deixar de fumar. Era uma luta que travava há anos. Ela ouviu os sentimentos da senhora de coração aberto. Entretanto o comboio chegou e ela ganhou uma companhia inesperada para o resto da viagem.

 

Pouco depois, a senhora perguntou para que trabalho se dirigia. Ela explicou o que fazia com uma cara triste. Não gostava do que fazia. A senhora sorriu. “Eu já fiz o mesmo trabalho e saí. Não aguentei”. O rosto dela iluminou-se. “O que faz a senhora agora?”.

 

A senhora explicou como tinha mudado de trabalho para outro que a libertava e a satisfazia bem mais. Depois, com algumas perguntas pelo meio para perceber o seu perfil, deu-lhe várias alternativas para também ela mudar de trabalho, com sites e locais específicos onde começar a procurar a mudança. No final da viagem, a senhora despediu-se com um sorriso. Ela nem queria acreditar no que acabava de acontecer: a vida enviara-lhe um sinal. Essa foi a “paga” por abrir o coração.

 

O que aconteceria se todos abrissemos o coração aos outros? Viveríamos num mundo melhor? Nas grandes cidades, na velocidade da passagem dos dias, é fácil esquecer que abrir o coração é uma questão de sobrevivência para uma vida mais humana. Nas terras mais pequenas, na lentidão da passagem dos dias, é fácil recordar que abrir o coração faz parte do nosso quotidiano mais humano. Não esqueçamos, recordamos.

 

Sandra Pereira

 

 

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Terça-feira, 22 de Março de 2016

Intermitências

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A Vida é Perigo

 

 “O que farias se não tivesses medo?”

 

Nessa manhã, quando leu esta frase, parou de ler o jornal. “O que eu faria se não tivesse medo...”. Na verdade, podia resumir todos os medos num só: o medo de existir. Eram muitos os filósofos e esotéricos que apontavam para o medo de existir, mas nenhum enumerava medidas para combatê-lo. Esse medo parecia uma sujidade da qual não se libertava senão com muito esforço.

 

O assunto não lhe saía do pensamento. Decidiu abordar o tema com um amigo dedicado à espiritualidade. “Para isso”, defendia o amigo, “haveria que parar tudo e começar a escutar-se a si próprio... começar a usar o coração para decidir e razão para planificar...”. Mas para ele, tudo isso era difícil de pôr em prática. Escutar? Alguém teria de lhe ensinar as palavras do coração, porque as desconhece. Por outro lado, pensou segundos depois, se lhas tivessem ensinado, seria incapaz de dizê-las.

 

A Vida e Perigo.jpg

 Castelldefels, Catalunha, Espanha, 24 de Dezembro 2015 - Foto de Sandra Pereira

 

Escutar. Ou melhor, escutar-se. Esse era o primeiro passo que ele ia dar para perder o medo de existir. Tentou escutar-se. Rápido se deu conta que, para ouvir algo vindo do seu coração, necessitava aprender a calar. Ao fim de poucos dias, as pessoas à sua volta estranhavam o seu silêncio, supondo que devia encontrar-se triste ou doente, mas a verdade é que a sua vida começou a fluir e tudo o que lhe sucedia, sucedia naturalmente. Assim, tornava-se mais fácil detectar e identificar o medo. Depois, só tinha de decidir se queria enfrentá-lo ou não.

 

Num desses dias, a mãe estranhou-lhe o silêncio e perguntou-lhe que triste acontecimento atormentava o seu ser.

 

“O que farias se não tivesses medo?”, respondeu-lhe.

 

“A minha avó sempre disse que o coração de um homem necessita acreditar em algo e crê mentiras quando não encontra verdade que acreditar. Eu só acredito no que sinto. O que faria se eu não tivesse medo? Talvez o mesmo que fiz até agora... A vida é perigo”.

 

Sandra Pereira

 

 

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Terça-feira, 8 de Março de 2016

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A Decisao.jpg

 

             A Decisão

 

               “Para.

               Escuta.

               Escolhe um caminho.

               Decide qual com o coração.

               Planifica-o com a razão.

               Escolhe uma paixão. E ama a tua escolha.”

 

                 Sandra Pereira

 

 

 

 

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Quinta-feira, 3 de Março de 2016

Discursos (emigrantes) Sobre a Cidade

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Uma vida simples

 

O Homem é o único animal que come sem ter fome, bebe sem ter sede e fala sem ter nada que dizer”. Mark Twain

 

Indiferença. Ao que nos rodeia, ao natural, à simplicidade, ao respeito pelo ser vivo. Insensibilidade. Aos nossos semelhantes, às nossas intuições, aos apelos que cada um sente dentro de si, ao amor universal, pelo próximo e pelo semelhante. Até quando seremos o único ser vivo a destruir os próprios recursos naturais, a matar a própria espécie (sem ser por instinto de sobrevivência), e no fundo, a auto-destruir-se?

 

Esta não é uma questão de hoje, mas hoje (e cada dia até que o planeta recupere o seu equilíbrio) é preciso falar sobre ela. Porque a indiferença e a insensibilidade seguem. Porque todos se importam com o seu futuro material e conforto pessoal (e dos filhos), mas poucos se preocupam realmente em reconhecer que sem planeta sustentável, não haverá futuro para ninguém, nem material, nem humano (e não faltam assim tantos anos). Porque ainda não reina a consciência de que o primeiro elemento do meio ambiente é a harmonia, logo, a felicidade humana.

 

E porque esta questão não incomoda a maioria das pessoas ao ponto de as levar a acreditar, a exigir e a lutar por uma mudança? O que comeremos daqui a 50 anos? Betão, alcatrão, smartphones? Que ar respiraremos e que água beberemos daqui a 50 anos? Porque esta questão não incomoda a maioria das pessoas ao ponto de as levar a optar conscientemente por hábitos mais naturais no seu quotidiano?

 

O impossível é sempre aquilo que não se tentou e felizmente, cada vez mais, muitos tentam. Dedicando um pouco de tempo a buscar informação sobre o meio ambiente e a evolução consciente, em vez das notícias diárias sobre crimes, guerras, futebol e corrupção, vemos que há motivos para sorrir e ter fé. A reflexão está a crescer...

 

Uma Vida Simples - 1.jpgIlha Terceira, Açores, Janeiro 2016 - Foto de Sandra Pereira

 

Por sorte, a internet e as redes sociais não contêm apenas parvoíces. O apelo à tomada de consciência da defesa do planeta e de todos os seus habitantes já não é feito apenas por ecologistas da Greenpeace. Aparecem cada vez mais blogues, sites e páginas no Facebook a promover uma vida mais saudável, mais sustentável, mais simples, mais humana. Como, por exemplo, este belíssimo blogue de Alba Sueiro Román (http://unavidasimple.es/). Fala de como viver bem (e até melhor) com menos: dá dicas de como ter apenas a roupa essencial no armário, como usar menos plástico, reciclar mais, ser mais feliz, às vezes com exemplos de pessoas que optaram por vidas mais simples.

 

Outro belo exemplo, e um pouco mais universal, é a página “Humans of”, no Facebook. O conceito é simples: escolhe-se uma cidade no mundo e dá-se a palavra a uma pessoa desconhecida na rua. Resultado: as palavras ditas provam que todos temos uma história para contar e um pensamento positivo sobre a vida, as pessoas fotografadas mostram a diversidade, a força e a beleza do ser humano. A página tornou-se tão popular, que agora são muitas os locais onde se exprime a gente comum. Desde Nova Iorque a Jerusalém, de Barcelona a Berlim, de Bombai a Medellín. Em Portugal, é possível seguir os retratos e as histórias de “Humans of Lisboa” e “Humans of Porto”, e além-mar, mas bem familiar, “Humans of Luanda”, “Humans of Mozambique”, “Humans of Rio” ou “Humans of Macau”. Por um sorriso garantido por dia, vale a pena seguir.

 

Já na música, seguir o "Playing for Change" é uma overdose de optimismo. Trata-se de um grande projeto colaborativo que junta artistas famosos e desconhecidos cantando as músicas de sempre desde todas as partes do mundo. Quer sorrir agora mesmo? Clique aqui: https://playingforchange.com/videos/dont-worry-be-happy/

 

Por sorte, o cinema também não contém apenas parvoíces. Aparecem também trabalhos notáveis no grande ecrã, como recentemente o documentário “Humans”, de Yann Artus Bertrand, a chamar a atenção para o nosso lado mais humano. Ver este admirável trabalho é um turbilhão de emoções, é ir do riso às lágrimas, é sentir a compaixão e a admiração. São testemunhos de pessoas oriundas do mundo inteiro, testemunhos fortes, comoventes. Testemunhos de quem já matou e de quem já viu a sua dignidade humana manchada. Testemunhos de quem já foi julgado pelo preconceito e de quem luta contra ele. Testemunhos de quem já perdeu tudo o que tinha e de quem, mesmo depois de ver o pior da natureza humana, ainda ama e, sobretudo, tem fé. Para dar-nos conta (sem esquecer) que somos todos iguais e partilhamos todos os mesmos desejos, os mesmos sentimentos e o mesmo espaço – o planeta Terra – vale a pena ver e rever.

 

Uma Vida Simples 2.jpgIlha de Formentera, Espanha, Setembro 2015 - Foto de Sandra Pereira

 

Outro documentário recente de destaque é “Tomorrow”, da actriz Mélanie Laurent e do activista Cyril Dion, que percorrem o mundo para mostrar ao mundo alternativas concretas em matéria de ecologia, economia, democracia e educação, provando que é possível mudar. Mostra, por exemplo, como um horticultor de uma quinta órganica em França prescinde do uso de máquinas para não usar gasolina e mesmo assim consegue ter lucro, ou como a cidade de San Francisco recicla 100% do lixo que produz, ou mesmo um exemplo de moeda alternativa na Grã Bretanha, que permite evitar a especulação e a fuga de capitais para paraísos fiscais, e manter a riqueza no circuito local de uma cidade. Um documentário financiado por donativos de anónimos através da internet e redes sociais. Verdadeiramente inspirador e motivador, não é?

 

Por sorte, a política também não contém apenas parvoíces. Começam a aparecer políticos, com discursos que realmente não dão um pouco de esperança, como Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, cuja voz se eleva e se distingue de tudo o que estamos acostumados a ver e ouvir nos ecrãs e no teatro mediático atual: “Es mejor vivir liviano de equipaje, con poco, con lo justo y poca complicación desde el punto de vista material porque si tienes mucha complicación, no te queda tiempo para las cosas que a ti te motivan”. Certíssimo. Mas para os que não ficam convencidos com este argumento, Mujica acrescenta: “Yo no estoy planteando volver a las cavernas o tener que vivir abajo techos de paja. Lo que estoy planteando es darle la espalda al mundo del despilfarro y de los gastos inútiles y de las casas inútiles que necesitan cuatro, cinco, media docena de sirvientes”. Simples.

 

Por sorte, a religião também não contém apenas parvoíces. O Papa Francisco está a reconquistar a confiança e a tolerância de crentes e não crentes, ao suavizar um pouco o discurso tradicional da Igreja Católica. “Não é preciso acreditar em Deus para ser uma boa pessoa. De certa forma, a ideia tradicional de Deus não está atualizada. Uma pessoa pode ser espiritual, mas não religioso. Não é preciso ir à Igreja e dar dinheiro. Para muitos, a Natureza pode ser uma Igreja. Algumas das melhores pessoas na História não acreditavam em Deus, enquanto muitos dos piores actos se cometeram em seu nome”. Sim, são palavras do Papa Francisco, que está a levantar uma ligeira (mas necessária) revolução na Igreja ao quebrar dogmas que vêm de longe. Mais frases do Papa Francisco? Sobre a homosexualidade: “Quem sou eu para julgá-los?”. Sobre o aborto:  “O perdão de Deus não pode ser negado a quem se arrependeu”.

 

Por sorte, crescem também adeptos de práticas como ioga, meditação, reiki ... e todo o tipo de práticas e terapias que visam reconectar o ser humano consigo mesmo e com a Natureza. Adeptos a regressar ao campo e a uma vida mais tranquila e saudável. Adeptos que buscam meios de informação alternativos. As grandes mudanças nascem sempre de uma semente, e o importante é acreditar, dar o exemplo e passar a mensagem. Escutar e rir mais com as gentes deste mundo incrível. Eu? Em Chaves ou qualquer cidade de qualquer país, que posso fazer? Citando Séneca, “pobres são aqueles que precisam de muito”.

 

Sandra Pereira

 

 

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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016

Intermitências

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O Impossível

 

“Vida dura e injusta, mundo complexo. Desculpa. Parece impossível.”

 

Não queria acreditar. Olhou-me nos olhos e indignou-se:

 

“Impossível? O impossível apenas demora um pouco mais de tempo a cumprir-se. Não te habitues a rotinas. Não te habitues a coisas inúteis ou em excesso: pesam muito e atrasam-te no caminho. Não te habitues ao impossível. Percorre todos os caminhos, mesmo os errados. Falha, aceita e segue. O único impossível é viver com medo.

 

O Impossivel.jpg

Ubatuba, Brasil, Dezembro 2014 - Fotografia de Sandra Pereira

 

Impossível? O impossível apenas demora um pouco mais de tempo, mas não te habitues a pensar que vais viver para sempre. Da-te conta que estás presente neste mundo.”

 

Sandra Pereira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:58
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