UMA VIAGEM
poema de José Carlos Barros
Quando este texto for publicado on-line, falando
de lugares mágicos, espero estar aí, nesses
lugares, a dormir nas margens de um rio
com a ilusão de que, em parte, me é permitido
regressar a mim mesmo e a uma parcela ínfima
dos sonhos que ao mundo não foi ainda
dado roubar-nos. Há um caminho,
primeiro, a percorrer. Antes de chegar
ao Mousse. Antes de chegar ao Mente. Antes
de chegar às margens de um rio onde os
amigos haverão de dormir sob um céu de estrelas
ou ameaçadoras nuvens. E seis árvores, precisamente
seis, haverão de confirmar-nos que poucas
coisas mudam no mundo, e só vagarosamente
mudam, quando apenas nos conformamos
com os milagres do mundo. Haverei, a
caminho, de parar em Mairos. Apenas
para confirmar que uma horta que é um jardim,
ou um jardim que é uma horta, ou uma horta
e um jardim que são simultaneamente
a mesma coisa, continuam acertados com a
meteorologia e as estações, ou acertados
com a imprevisibilidade delas. Talvez aproveite
para beber cerveja neste café a que se chega
por um corredor estreito de cimento. Mas porque
me apetece ficar um pouco sentado cá fora
a olhar um cacto gigante e uma couve, um campo
de milho ou uma sebe de buxo, e essa
arte tão antiga de domesticar as plantas
e misturá-las para nos darem um fruto, uma
sombra mais alargada, uma luz no outono
ou o prazer dos fenómenos. Haverei
de virar à esquerda, a noventa graus. E depois
entrar na capital da batata, no planalto ecológico,
nessa vastidão de campos que são já
da Galiza sem deixarem de ser da Terra Fria,
que são já fronteira sem deixarem de ser
continuidade e aproximação. E aí, em
Travancas, no Café Central, é provável
que beba cerveja. Mas apenas para me sentar
na esplanada e continuar a olhar a cerejeira
que cresce rente a um muro, do lado
direito, na estrada que em seguida me levará
a Argemil e a S. Vicente da Raia. E em
São Vicente, depois de acompanhar o rio
serpenteando sem derivações bruscas, antes
de se olharem, do alto, os vales com os
seus quadriculados amarelos e verdes,
as encostas erguendo-se em modulações
entre o verde e o castanho, é provável
que pare por alguns momentos
e beba cerveja. Mas apenas porque
me há-de apetecer ficar sentado a uma
mesa de pedra, sob uma latada
ampla, a olhar o ondulado das cumeadas
sucedendo-se na distância. Descerei
então em apertadas curvas deixando Aveleda
à esquerda arrumada num pequeno vale
com o xisto quase improvável a sair dos montes
para as paredes das casas. E, enfim, chegarei
a Segirei. Não seria necessário continuar
até Segirei: porque deveria virar à direita
antes de chegar a Segirei. Mas é preciso regressar
às memórias antigas de um café que
já fechou há muito, e às memórias antigas
da cozinha e do pátio e da adega da casa
do Ramiro. Por isso não chego a parar. Sigo
devagar, faço inversão de marcha no espaço
mais alargado da ponte da praia fluvial,
e rumo em sentido contrário, deixando
novamente Segirei e o tempo suspenso da
revelação dos seus nomes. É
esta a viagem: chegar a Pejas. Encontrar
os amigos que me esperam na margem
de um rio. Olhar as seis árvores, precisamente as
seis árvores onde procuro a demonstração
de que o mundo quase não muda, e muda
muito vagarosamente, quando apenas
nos bastam os milagres do mundo. Sentar-me-ei
então em redor de uma mesa de madeira.
E talvez não beba cerveja. Mas vinho. Para
que o vinho possa deixar durante muito tempo
a memória dos encontros, a memória
dos milagres, a memória desse
momento de aparição em que por um instante
breve nos é revelado o mistério de estarmos
vivos em nós mesmos e no coração
dos que não podem deixar de amar-nos para sempre.
José Carlos Barros
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Na minha ronda pelas aldeias e lugares do concelho, houve sítios que me surpreenderam pela sua beleza, mas houve outros, que me deixaram extasiado de espanto com tanto encanto.
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A cada passo falavam-me de S.Gonçalo e depois de duas ou três tentativas falhadas de descer até lá, decididamente um dia saí de casa com rumo a local. Dos dois caminhos que me apontavam como possíveis, optei por descer a partir de Parada e logo após a aldeia, quando as encostas das montanhas, em conjunto, descem para S.Gonçalo, parei em contemplação durante um longo período… primeiro um mar de pedras, tudo parado e mudo, apenas o coração se movia e fazia ouvir, inquieto, a anunciar o começo de uma grande hora… Como se de um sonho se tratasse, ao acordar, dou-me conta que aquela minha hora e aquele sentir já antes tinham sido vivido e tudo aquilo que se espelhava no meu olhar, era afinal, estou certo disso, o coração do Reino Maravilhoso de Torga:
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“Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.
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Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente rasga a espessura do silêncio uma voz de franqueza desembainhada (…)
(para conhecer todo o texto do Reino Maravilhoso, passe por aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/564005.html)
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Claro que, para sermos assim invadidos, tal como diz Torga, para vermos este reino, é preciso que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e do coração, pois tudo está lá, perfeito, onde mais nada parece ser possível para além do mar de montanhas mas, espante-se, onde por detrás de cada onda destas montanhas, há um punhado de gente e uma aldeia, é por detrás e entre estas montanhas que hoje vos deixo que estão as terras e aldeias de S.Vicente da Raia - Orjais, Aveleda e Segirei.
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É por estas e por outras, que entro sempre com gosto neste mar de montanhas, banho-me de encanto no seio das suas ondas, sempre com um brilhozinho nos olhos por saber que estou bem no meio, no coração do Reino Maravilhoso e, quem não acreditar, que vá até lá e que veja com os seus próprios olhos, mas sem perder a tal virgindade do olhar…

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Para os amantes das caminhadas fica o convite dos nossos amigos da blogosfera galega, os vizinhos de Soutochao – Vilardevós, para este próximo fim-de-semana, dias 22 e 23 de Maio.
Trata-se de percorrer parte de um dos percursos dos Caminhos de Santiago, a Via de la Plata, com início em Vinhais e passagem por Soutelo, Sobreiro de Baixo, Candedo, Edral, Ferreiros, Sandim, Segirei e Soutochao.
Para os interessados em participar contactem o Tel. 647867486 (Espanha) ou os contactos destes sítios na NET:
ou ainda através do blog de Segirei que poderá dar uma ajuda:
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Hoje não há camisas, nem cuecas, meias ou toalhas
partiram, sabe-se lá para onde
talvez para o monte, para a missa, com o gado
quiçá tivessem descido à cidade
ao médico e à feira
ou talvez estejam no tanque a ensaboar…
Mas voltam… voltam sempre!
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Tal como o carteiro
agora mais raro
tanto
que se alguém está por perto
já nem me dão o gosto de saborear
gozar o cheiro da tinta,
da cola e do papel
Já lá vai o tempo do fino papel das cartas
por avião
da América e do Brasil
do alinhar e desenhar das letras
Quase esquecida
abandonada
a ferrugem tolhe-me as forças
e a saúde das faces rosadas.
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Também com o mesmo amor que se escrevia no papel
escrevia-se na terra
com bico fino, dois bicos ou bico largo
à luz do sol, com o seu rigor
eram rigorosos os traços traçados no desenhar a terra
Também estes desenhadores
ou escritores de escritas largas
talvez
por falta de escantilhão
vão deixando secar a tinta e
os bicos

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Dar o braço a torcer quando se erra ou quando omitimos factos importantes, mesmo que involuntariamente, não dói nada, mas temos que pedir desculpas É o que estou a fazer neste momento para com a povoação de Soutochao, uma aldeia da raia galega, vizinha de Segirei, cujas terras lhe invadimos (a blogosfera flaviense) no último fim-de-semana e, à qual eu não fiz nenhuma referência por descuido meu, talvez “bêbado” de tanta beleza natural que bebi, afinal, em terras de Soutochao.
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Ficar-me-ia mal não vir aqui com este post, principalmente eu que tantas vezes neste blog disse que entre os povos da raia não há nem nunca houve fronteiras, pois de ambos os lados (se é que alguma vez existiram lados) mais que um povo irmão, há um e só o mesmo povo, um mesmo sentir e até a mesma língua, muitas cumplicidades e promiscuidades, mas também as mesmas dificuldades e o mesmo esquecimento.
Soutochao merece estar aqui.
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Mil desculpas para Soutochao, cuja omissão espero minimizar com este post, ao dar a conhecer o seu sítio na NET e também, mais uma vez, a rota do contrabando, que bem merece o destaque pela sua beleza e o inebriar de paixões que nos deixam “bêbados”.
Um forte abraço para Soutochao, com o devido pedido de desculpas, mas também com os parabéns por além ter terem em suas terras, bonitos e espectaculares espaços naturais, estarem tão bem tratados e cuidados.
A partir de hoje, Soutochao tem também link neste blog, que poderá visitar já aqui: http://www.soutochao.com/ , visita que recomendo:
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Até mais logo, com mais uma nas nossas aldeias.

O Grupo de Caminhantes do Encontro (na festa e à mesa, eram mais)
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O prometido é devido e, embora atrasado, cá estou com a reportagem do XI Encontro da Blogosfera Flaviense e Fotógrafos Flickr.
Tal como todos os eventos que se realizam em Chaves, também este Encontro foi um sucesso, não só na variedade e qualidade do seu programa como também em participação, com blogers e fotógrafos vindos de todo o nosso Portugal, desde o Minho ao Algarve, onde não faltaram até, os nossos amigos galegos.
Claro que tudo que se passou neste encontro foi importante, principalmente o convívio e o estreitar de amizades entre blogers, fotógrafos, mas também amigos da blogosfera flaviense que quiseram associar-se a este evento.
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O que seria que despertava o interesse dos fotógrafos!?
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De entre a variedade do programa, há que realçar alguns momentos grandes, começando pela visita a São Vicente da Raia, onde o seu Presidente da Junta nos mostrou alguns dos pontos de interesse da aldeia e onde também não faltou uma conversa e visita à adega de uma velha glória do Desportivo de Chaves, o Domingos. São Vicente da Raia que é uma das nossas poucas aldeias do xisto, conjuntamente com as restantes aldeias da freguesia (Orjais, Aveleda e Segirei.)
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Segundo momento importante foi a paragem para se apreciar o mar de montanhas, com a aldeia de Aveleda marcando um pequeno ponto de civilização no meio de tanta natureza. Aldeia de Aveleda que também teve no encontro o autor da sua página na net.
Da Aveleda para Cidadelha, já em terras galegas, onde o caminhante Pablo, de Vilardevos mais um amigo, galego andaluz que um dia quis ser português, com o seu casal de cães, esperavam pela comitiva para servirem de companheiros e guias pela Rota do Contrabando, onde todos fomos contrabandistas carregando o fardo dos nossos corpos, mas imaginando como difíceis e perigosos foram aqueles carreiros do contrabando, quando contrabandistas verdadeiros, de ambos os lados da fronteira, carregavam fardos a sério.
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Apenas conheço meia dúzia de rotas do contrabando, mas não andarei longe da verdade se disser que esta rota, é uma das mais belas rotas do contrabando do mundo, e diga-se a verdade, principalmente no trajecto do troço galego, não só pela intervenção cuidada que sofreu para adaptá-la a um trajecto de caminheiros, mas principalmente pelas belezas naturais onde as cascatas, dão um ar paradisíaco ao local, que de tão belo, nem apetecia abandoná-lo. Mas já se sabe, caminhantes que éramos, o caminho fazia-se a andar, que nem sempre foi fácil, diga-se (e eu sou uma fiel testemunha – o último a chegar), pois a descer, todos os santos ajudam, mas em montanha, tanto se desce como se sobe, e nas subidas, quando mais precisamos da ajuda dos santos, eles, estão sempre distraídos, mas também é uma boa forma para reforçar o apetite, a uma boa mesa que nos esperava na Praia de Segirei, mas antes, claro, paragem obrigatória na aldeia de Segirei.
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Curioso, e isto tem de ser dito, é que mal parou o autocarro em Segirei, a vizinha mais próxima da paragem, em vez de se assustar com aquela “cambada de estranhos” refugiando-se em casa, não se assustou e saiu à varanda convidando-nos a todos para beber um copo. Claro que não lhe invadimos a casa, embora insistisse, mas como a visita a Segirei era mesmo visita de médico, pois os assados da praia já cheiravam em Segirei, partimos quase de seguida para “fazer” a barriguinha.
Da comida não vos falo, caiu bem e no momento certo, regado com bons líquidos dos Deuses, onde, como da blogosfera flaviense se tratava, nem sequer faltaram os pastéis de Chaves.
Após o almoço, estava chegado o momento cultural do encontro, momento aliás de fazer inveja a qualquer momento cultural de sucesso, não só pelo ambiente, mas também pelos autores e livros que havia para apresentar. Autores da terra, com escrita da terra, com temas da terra ou à moda da terra, mas com livros presença universal e obrigatória em qualquer biblioteca.
Gil Santos e José Carlos Barros eram os dois autores presentes a apresentar livros neste encontro, e eu, no meio deles, todo babadinho por eles serem colaboradores e discursantes deste blog.
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Da esq. para a Dir. - Tânia Oliveira (Blog Segirei), Gil Santos (escritor), F.Ribeiro (Blog Chaves) e J.Carlos Barros (escritor)
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Gil Santos apresentou o seu livro de “Chaves a Copenhaga – A Saga de Um Combatente”, que já por duas vezes tivemos oportunidade de falar desse livro neste blog. Uma história da I Grande Guerra vivida na primeira pessoa pelo avô/bisavô dos autores onde se enaltece a forma da escrita manuscrita do combatente reproduzida no livro. De Gil Santos também os “Ecos do Planalto”, fizeram presença no encontro e apresentação, onde os contos do planalto do Brunheiro e as suas estórias, fazem também história da vida no planalto do século passado.
O José Carlos Barros, geralmente conhecido como poeta já consagrado e premiado neste nosso Portugal, levou até nós o seu romance, curiosamente filho do seu blog. Um romance feito de mentiras, dizia o autor na sua apresentação, mas de mentiras que são verdades, aquelas que nunca se dizem nas nossas conversas e que ficam nas nossas reservas, mas que bem gostaríamos de as dizer. Mentiras que também tem a ver com a nossa terra e região, pois embora o José Carlos Barros habite e até seja autarca em terras algarvias, é a sua terra que tem no coração e, a sua terra não se resume a Boticas, onde nasceu, mas também a Chaves onde estudou e curiosamente a Segirei, onde o autor confessa ter passado (e quer continuar a passar) bons momentos da sua vida e onde escreveu partes deste livro, que faz questão de mencionar no final do romance, com a assinatura de “ Cacela. Gardunho, Segirei. 3 de Fevereiro de 2008, 3 de Janeiro de 2009”. “Uma história de amor que todos queríamos viver” com muitas mentiras todas elas verdadeiras, da terrinha e não só, que abrem o apetite a qualquer um para a sua leitura, pela certa uma boa leitura, pois o romance já começa a fazer sucesso a nível nacional e que sabe se a curto prazo não o será a nível internacional, como em Cuba, onde o José Carlos Barros já é bem conhecido e querido.
« O Prazer e o Tédio », é este o romance de José Carlos Barros, que está à venda numa livraria perto de si, incluindo em Chaves, onde além desta obra poderá também encontrar à venda a o livro de Gil Santos (Pai e filho). Dois livros que são obrigatórios em qualquer biblioteca, principalmente nas flavienses.
Da parte da organização deste encontro e pela certa da blogosfera flaviense, agradecemos a presença dos autores e desejamos-lhe o maior sucesso.
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Rafael, o galego, andaluz que um dia quis ser português, companheiro, guia e poeta cantante
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E já que estamos em maré de agradecimentos, vou terminar com os agradecimentos a quem devemos agradecer, começando pelo Paulo Bessa que se disponibilizou para nos ir confeccionar o “comer” na Praia de Segirei e que em Chaves abriu recentemente um Restaurante na Travessa Cândido Reis no espaço da antiga Pensão Flávia. Agradecer também ao «Prazeres na Loja», com loja no Largo do Anjo, que nos ofereceu os pastéis de Chaves, loja que aliás recomendamos, pois é uma loja que é um verdadeiro embaixador dos produtos regionais, onde poderá encontrar desde o genuíno presunto de Chaves, aos pastéis de Chaves, mas também ao bom vinho de qualidade, azeite, enchidos e fumados, compotas, etc. Isto é publicidade que faço gratuitamente e com gosto, pois é uma loja onde se pode encontrar do melhor que Chaves e a região tem e que, deveria servir de exemplo ao restante comércio tradicional cá da terrinha. Com bons produtos e a tradição, só se pode fazer comércio de sucesso.
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Agradecemos também a quem bem nos recebeu, como o Presidente da Junta de São Vicente da Raia, o Sr. Antenor, mas também ao Domingos, velha glória do desportivo, como agradecemos ao Pablo por nos servir de guia e nos fazer companhia, mas também a Rafael, o galego andaluz que quis ser português, por ser guia, companheiro e também pelo recital e animação musical da tarde. Agradecemos também à população de Segirei pelo seu espaço e por se juntar a nós no período da tarde, como também agradecemos à Câmara Municipal de Chaves o apoio que deu a este encontro, mas também agradecemos a visita no período da tarde do Sr. Presidente da Câmara, Dr. João Batista e do Sr. Vereador , Arqº Castanheira Penas. Agradecimento também para o Sr. Guerra por nos aturar e transportar durante todo o dia.
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Pablo, o nosso guia, à conversa com os amigos de Segirei (Foto de Tânia Oliveira)
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Penso não ter esquecido ninguém nos agradecimentos, a não ser (claro) aos participantes, mas esses, fazem parte do sucesso deste encontro, com um agradecimento especial ao José Carlos Barros por ter vindo propositadamente do Algarve e ao Gil Santos por vir de Braga, ambos até Segirei para participar neste encontro mas também por nos brindarem com a apresentação dos seus livros, mas também ao pessoal que veio de Sintra e do Porto e aos de Chaves e das aldeias e amigos que se associaram ao evento, pois, todos fomos um sucesso, aliás, como todos os eventos que acontecem em Chaves, mas este, foi mesmo.

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Prometi vir por aqui e, cá estou, mas só para deixar duas imagens e marcar presença, a reportagem sobre o encontro, fica para mais logo.
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Hoje deveria ser mais um dia dedicado às aldeias e a realidade é que, hoje, toda a blogosfera flaviense (aderente) vai dedicar o seu dia a uma das aldeias mais interessantes do nosso concelho – Segirei.
De facto hoje todos os caminhos vão dar a Segirei, mesmo os da rota do contrabando, com início em Espanha, é em Segirei que vão terminar.
Longe da internet e da rede móvel telefónica, que ainda não chega a Segirei, entre um mar de montanhas em convívio pleno com a natureza, quarenta e tal fazedores, colaboradores, acompanhantes e amigos da blogosfera flaviense vão viver um dia diferente, bem longe do pequeno ecrã de contactos virtuais.
Do Minho ao Algarve, da Galiza, de Lisboa, do Porto, cá da terrinha, de Segirei, da Aveleda e de terras de Bragança, todos vamos estar em Segirei, quer para vestir a pele de um contrabandista percorrendo os seus caminhos, quer saboreando a boa gastronomia transmontana e flaviense, quer assistindo a momentos únicos de cultura com o lançamento de dois livros de autores flavienses, bem entranhados também nas lides da blogosfera flaviense, com a presença dos seus autores (Gil Santos e José Carlos Barros), mas também o som gaiteiro galego tocado por gentes de Segirei. Tudo isto vai ser realidade, hoje, em Segirei.
Claro que sendo uma festa convívio da blogosfera flaviense, onde vão estar presentes umas dezenas de blogues e muitos autores, é também uma festa aberta à população da freguesia de São Vicente da Raia, em especial à aldeia de Segirei, mas também a quem se queira associar a ela, hoje, durante todo o dia, em Segirei.
Sobre este encontro, mais logo, já noite avançada, se houver ainda alguma disposição e forças, darei aqui conta do que foi este dia de convívio da blogosfera flaviense, curiosamente de um dia passado bem (,) longe destas lides das comunicações informáticas e globais.
Mas hoje não poderia deixar passar em claro uma notícia de ontem que tem a ver com o Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista 2009 e onde, indirectamente, Chaves também foi premiada, pois o Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista na categoria de Espaços Exteriores foi atribuído ao arquitecto Luís Guedes de Carvalho, do atelier do Beco da Bela Vista, com o trabalho de Requalificação Paisagística das Margens do Tâmega, entre a Ponte de S.Roque e a Estação de Tratamento de águas de Santa Cruz, em Chaves.

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Aparentemente o troço menos atraente da requalificação POLIS das margens do Tâmega, acaba (e bem ) de ser premiado. Afinal de contas a arquitectura paisagística é isto mesmo, ou seja, intervir na paisagem, disponibilizando-a à população sem a ferir ou alterar. Pessoalmente também acho que o trabalho ali realizado é merecedor de ser premiado, principalmente porque nos oferece o rio em todo o seu percurso, mas também deixa transparecer sem ofender, o lado rural de Chaves. Ouro sobre azul, onde temos o campo e o rio em plena cidade.
Da parte deste blog, deixo aqui também os parabéns por este prémio ao seu autor, o Arquitecto Luís Guedes de Carvalho.

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Pena que não possa dar os parabéns também a outros arquitectos e outras intervenções recentes em Chaves, nomeadamente às intervenções feitas no Jardim das freiras e no Jardim Público, além de lamentar que árvores centenárias continuem a ser abatidas em Chaves, como há dias foram mais meia-dúzia delas no início da E.N.2, em frente ao Jardim Público, aliás, foi o remate final no assassínio total daquela que era uma das mais belas entradas em cidades de Portugal. Em apenas duas dezenas de anos conseguiu-se abater cerca de dois quilómetro de árvores centenárias que adornavam a entrada da cidade, conhecida como recta do Raio X e que eram também um dos nossos ex-líbris.

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Curiosamente, actualmente um dos responsáveis máximos desta nossa autarquia, é Arquitecto Paisagista e até é cá da terrinha… olha se não fosse. Ainda bem que não vai a concurso! Concretamente falando, estamos na época do concreto, que traduzido para português de Portugal (como se diz na net) estamos na época do b€tão e subjugados ao seu poder.
Até amanhã, se houver disposição e forças…mas pela certa qualquer coisa se há-de arranjar.

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Na Rota do Contrabando
texto de José Carlos Barros
Em vez dos delitos que o Poder enunciava, do que se tratava era de juntar as margens de ambos os lados, rasurar fronteiras, misturar pronúncias, acentos, nomes de toponímia. Nada nunca distinguiu de uma e outra banda o azul do céu ou a nuvem suspensa a espalhar uma sombra na tão difusa e abstracta linha da raia dos livros de autoridade. Tudo
era objecto de contrabando: tudo o que era e não era possível medir-se, tudo quanto não calhava com a letra da lei ou a polícia dos costumes, tudo quanto revertia do negócio, da possibilidade de troca, da exaltação. Por isso
nada chegava a distinguir o amor clandestino e os sapatos de revenda, o desejo numa outra língua e o açúcar concreto ou o azeite. Hoje
regresso a estas veredas com os troncos muito esguios dos álamos jovens a erguer-se das margens dos remansos e os muros de pedra dos lameiros e as encostas declivosas e as levadas onde mergulho na água as mãos de memória. Memória
do contrabandista de Segirei que nunca tive a felicidade de ter sido.

Informações: proart@net.sapo.pt e segirei@sapo.pt

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O MORRO da FRÀGATÂNIA”
Texto de Tupamaro
SEGIREI fica mesmo lá naquela preguinha plissada gaélica da fronteira que as lutas mourisco-leonesas alinhavaram, para mais tarde, a Espanha concertar com Portugal.
Da corola dos seus encantos, a ribeira do seu rio Mente convida-nos a um poiso, qual mariposa a gulosar-se com o néctar da sua flor preferida.
Sentados num dos bancos da sua ribeira, agora Praia Fluvial, esquecemo-nos do mundo.
E sonhávamos.
Lá, à nossa frente, do lado de lá do rio, na outra margem, apareceu uma perdiz perdida dos caçadores, a esgravatar, sossegada e distraída, o chão daquele carreiro que sobe o rio pela margem esquerda.
Não demos conta de mais nada, mas, pelas nossas costas, algo, ou alguém, veio tapar-nos os olhos com aquele jeito suave do «adivinha quem é».
E só nos disse, numa estranha eufonia:
-“Não te mexas. Vou contar-te a Lenda da Fraga Negra”.
Acudiu-nos ao pensamento a imagem de Legiões romanas, disciplinadas e ameaçadoras, mas assustadas com a travessia do Rio Sil, e, do outro lado, pintadas com a “woad” (ou tinta vegetal azul), as hordas aguerridas, barulhentas, desafiadoras, dos clãs Celtas, afoitadas pelo ímpeto e bravura das suas mulheres.
Outros Povos se atreveram e reinaram por estas paragens.
Nem os Muçulmanos, que nos deixaram por herança, entre outras, A NORA, nos «fazem andar mais à nora» do que os CELTAS.
Por mais literatura ou informação que deles nos cheguem, sabe-nos sempre a pouco. Sentimos que falta sempre mais uma página, um conto, um relato, um enigma, um segredo,
Adivinhando o mistério em que mergulhava o nosso pensamento, a deusa Nai, que os olhos suavemente nos tapara, sussurrou:
- Vou contar-te a Lenda:
- “Por este Planalto ondulado, entre o Sil, o Tâmega e o Tuela, Tribos e Clãs de mestiçagem céltico-romana se fixaram.
Além de território estratégico era sedutor pelos seus recursos naturais, que garantiam farto sustento.
Assim, também os Bárbaros o cobiçaram. Vândalos, Suevos e Visigodos por aqui andaram às turras.
E até a Moirama nele se estabeleceu.
Com a Reconquista, Monges e Frades os Vândalos suplantaram na destruição das memórias desses Povos, que de bárbaro tinham apenas a sua independência do Jugo Romano!
Constantino em 313 - Édito de Milão - e Teodósio, 391, decretaram o cristianismo em todo o Império.
Pois, por estas paragens, ali por volta de 435 um príncipe suevo, afilhado do Bispo de Ourense, Sinfósio, fez uma incursão guerreira a estes domínios.
O Bispo de Chaves, Idácio, tinha por aqui uma afilhada linda como uma flor.
Andava a pastorear o seu rebanho quando, numa cavalgada de reconhecimento táctico, o príncipe suevo, ao voltear um morro, com ela se deparou.
Fitaram-se.
O dia anoiteceu num repente.
O céu encheu-se de milhões de estrelinhas.
Dos bosques chegavam derretidas melodias saídas das flautas de faunos enternecidos.
Quando o sol se levantou no amanhecer a pastora e o guerreiro ainda continuavam abraçadinhos.
A Ourense e a Chaves demoravam as notícias acerca do paradeiro dos afilhados.
Idácio, Bispo de Chaves e Sinfósio, Bispo de Ourense (aquele, mais cristão-romano; este, mais cristão - suevo) acordaram num conciliábulo em SIGIREDI.
De Sandini (hoje Sandim), de Rodorici (Roriz), de Argimiri (Argemil) e de Potamii (Pedome) , pontos de apoio à cintura de busca dos afilhados, as notícias eram nenhumas.
Uma e outro haviam-se sumido.
Era noite de Lua Cheia. Os lobos uivavam nos bosques; as corujas piavam nos palheiros.
Uma chuva de estrelas caiu do céu.
Os dois acampamentos, embora em oração, arrepiaram-se de medo.
Olharam para o sítio onde pareceu cair a chuva de estrelas.
Lá no cimo daquele monte uma fita de cetim prateado pareceu rodear o cabeço.
E de uma fenda guardada por estevas floridas saíam luzes a moldar a figura dos dois afilhados.
Sinfósio e Idácio benzeram-se, atónitos e incrédulos.
Compreenderam o mistério do amor.
Ainda hoje, no “Morro da FràgaTânia”, aquela Fraga Negra se ouve a emitir brilhos e suspiros, em noites de Lua Cheia.
Não lhe toques. A fenda abrir-se-á para te arrebatar para o mundo do excelso”.
Estremunhámos.
Do lado de lá, na margem esquerda do rio Mente, já não vimos a perdiz perdida dos caçadores.
Uma placa prateada indicava um trilho:
↑M O R R O da F RÀGATÂNIA!

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Decálogo de Segirei
escrito em tábuas de pedra
um texto de José Carlos Barros
http://casa-de-cacela.blogspot.com
§ um:
Heraclito disse o que se sabe sobre as águas serem diferentes de cada vez que nos banhamos nelas; e que nós mesmos seremos diferentes. Metade é verdade: estas águas, ano após ano, são as mesmas; nós é que mudamos e somos outros de cada vez que as olhamos.
§ dois:
A integridade e o sentido de justiça, sobre todas as coisas, deveriam comover-nos. Eu, Ramiro, comovo-me sempre quando falas do teu entendimento do mundo. Como hoje, sentados na margem direita do rio Mente, ao insistires que a palavra de um homem é mais valiosa do que o próprio homem que a profere.
§ três:
Um apertado largo por entre casas de pedra; e a pedra da rua erguendo-se, irregular, a misturar-se nas paredes de pedra das casas. Às vezes é assim: apenas pedra sobre pedra. Musgo. A escassez e o seu espelho volátil.
§ quatro:
A cozinha minúscula. Mas, em redor da lareira, com um pequeno escano de cada lado, é como se coubesse quase tudo o que a alegria e a generosidade podem trazer dos lugares mais afastados da península.
§ cinco:
Os caminhos a pique, as encostas declivosas, o labirinto das ruas: para que o riso das raras crianças possa correr, em chegando o Verão, no breve terrapleno dos pátios.
§ seis:
Bebo destas águas de Segirei como devem tomar-se os medicamentos das boticas: espaçadamente; com regra; em parcimoniosas doses; a colheres de chá; e em não havendo alternativas válidas.
§ sete:
Oh as noites do único café de Segirei que já fechou e onde cheguei a ver no tecto desse salão fantástico do Zé Monteiro as estrelas todas que em situação diversa se vêem num céu sem nuvens, o único assim na orbe, olhando ao relento da margem direita do Mente…
§ oito:
Juro que ela pisava as ervas da praia fluvial quase sem pisá-las; e com a luz das encostas a poisar-lhe nos ombros. Por menos, não há muitos anos, seria presa por contrabando e não haveria advogado que pudesse, em consciência, defendê-la.
§ nove:
É em Vale de Armeiro (e quase ninguém sabe) que se juntam todos os rios do mundo.
§ dez:
O teu blogue, Tânia, demonstra que Segirei te pertence quase tanto quanto lhe pertences: e estas coisas são tão raras no nosso apressado mundo que também tu deverias ser presa, com justa causa e sem apelo, por contrabando.

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Hoje vamos finalmente até Segirei e ao seu post alargado que, diga-se, já deveria ter acontecido há mais tempo, pelo menos a julgar pelas tentativas de recolha de fotografias e pelas visitas que fui fazendo à aldeia, mas como sempre que vou para aqueles lados, perco-me nos encantos da longa caminhada que é necessário fazer para se chegar a esta aldeia, que fica apenas a
Mas finalmente consegui chegar a Segirei quase a horas decentes para tomar algumas fotos da aldeia.
Hoje digamos que o texto vai indo ao sabor das imagens, tal-qual como se fosse da primeira vez que fui a Segirei, já há mais de 20 anos, quando ir até lá era uma aventura de uma longa tarde com regresso de noite (principalmente em tempos de chuva) e ainda com a estrada (que era caminho) em terra batida.
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Até Travancas ou Argemil a coisa lá foi indo, a partir de aí, o bem-bom de estrada com asfalto terminava. Chegado bem lá ao alto de Argemil avista-se uma mar de montanhas onde só um olhar atento e selvagem conseguia descobrir aqui e ali pedaços de caminho que serpenteavam por entre montanhas, então cheias de verde e sombras, ainda o grande incêndio não lhes tinha comido a cor da verdura. Vida para além da selvagem, parecia não haver, mas diziam-me que sim, que no meio daquele mar de montanhas havia aldeias e havia vida.
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Depois de uma longa e agitada descida, finalmente ouvia-se o rugir das águas. Era o rio Mousse, pequeno, de águas puras e transparentes que se adivinhavam frescas. Neste momento já estava engolido bem lá no fundo do ondulado das montanhas, neste momento deixava a longa descida da estrada como se tivesse acabado de descer uma serpente, sem veneno, mas igualmente perigosa nas suas curvas e descidas para logo começar a subir a montanha. Ao lado, um pequeno “casal” cujo casaria mal se distinguia por entre o verde do arvoredo. Era o primeiro sinal de vida.
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Chegado ao cimo da também grande subida, chegava a S.Vicente da Raia. A aldeia surgia de repente como se de uma ilha se tratasse no meio deste mar de montanhas. Tinha então mais vida que hoje, ainda com crianças na rua, cães, galinhas e gado. A chegada de um carro, embora não deixasse de ser habitual, dava nas vistas e despertava o olhar curioso da aldeia. Sem abandonar a estrada principal, adivinhava-se que Segirei seria a seguir e espanto meu…acabava de deixar uma aldeia e um mar de montanhas para entrar num oceano delas. A partir de ali parecia mesmo não existir mais nada para além das montanhas. Mas eu sabia que existia. Tinha visto Segirei no mapa e sabia que era por aqueles lados que começava a Galiza e que toda a Europa estava para além daquele oceano.
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Curva e mais curva, sempre a descer, lá ia sendo de novo engolido pelas montanhas daquele oceano. De Segirei, nada, só o verde da floresta e o azul carregado do céu de um dia de inverno, mas limpo. Deve ser a seguir…mais uma curva, mais descida, mais curva prá’li curva prá’qui e continua a descer. Desde Chaves já tinha percorrido mais de
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Como a estrada, que continuava a ser em terra, tinha seguimento, resolvi continuar. Afinal nada tinha a perder e Segirei era mesmo o meu destino. Continuava a perder-me entre o ondulado das montanhas. Agora a subir, sempre a subir, com uma curva logo sucedida por outra curva, e outra subida e outra curva e mais curva e mais subida e uma mesmo daquelas apertadas a escassos graus dos 360º…e continua com curvas e subidas que pareciam nunca mais terminar. Para trás só se avistavam montanhas, dos lados a mesma coisa, em frente, o mesmo. Estaria enganado. Se calha já andava por terras galegas sem saber ou então já tinha entrado em terras de Vinhais. A estrada continuava e a algum lado teria que ir dar. Ia continuando e de novo terminavam as subidas para de novo começarem as descidas e mais montanha e mais curva após curva. Confesso que me comecei a sentir mesmo perdido e tentado a voltar para trás quando de súbito me surge uma aldeia, bem juntinha, aconchega e encostadinha à montanha. Eis que tinha acabado de descobrir Segirei.
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Tudo isto parece estória para encher romance, mas que pela primeira vez foi a Segirei há mais de 20 anos, sabe que não o é.
Hoje felizmente, embora as curvas, subidas e descidas continuem no seu caminho, já têm o “piche” no chão, só continuo é sem perceber como sempre que saio de Chaves (logo após o almoço) com destino a Segirei, regresso à cidade e já é noite serrada e estou a falar dos dias longos do verão.
Mas depois desta longa caminhada vamos lá entrar finalmente em Segirei.
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Segirei (recordemos) fica a
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Regressemos à aldeia e à sua população que se adivinha envelhecida. Em 2001 (dados do Censos) a aldeia possuía 38 residentes (18 homens e 20 mulheres). No mesmo Censos com menos de 24 anos de idade apenas havia 3 residentes entre os 9 e os 13 anos. Actualmente (passados que estão7 anos após o último Censos) desconheço se ainda por lá existem crianças residentes. Penso que não, a Tânia talvez nos possa ajudar (já vos falo da Tânia). Aparentemente poderá parecer uma aldeia sem vida, e talvez o seja durante os dias de Semana e durante o Inverno, mas em todas as minhas idas a Segirei (sempre em fim-de-semana) encontrei muita vida e juventude na aldeia. Filhos e netos mantêm uma forte ligação e dedicação à aldeia, regressando a ela sempre que podem. Basta passar numa tarde de verão pela aldeia ou pela praia fluvial para ver como a vida pulsa no meio daquele oceano de montanhas. Aliás, ao que sei, a aldeia também já foi descoberta por alguns casais mais jovens da cidade, onde recuperaram ou arranjaram casas para “refúgios” de fim-de-semana, onde se adivinham momentos de passagem paradisíaca, claro, para quem gosta de montanha, ar puro, verde, água limpa e transparente.
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Uma das visitas regulares (penso que semanais) à aldeia é a Tânia. “Neta” da aldeia e que tem feito tudo por levar a aldeia a todo o mundo quer com o seu blog Segirei, quer com a página Segirei. É uma das jovens onde se sente no seu olhar que parte do seu brilho é de Segirei. Basta visitar o seu blog ou a página de Segirei para compreender aquilo que por aqui deixo
Segirei tem magia. O Seu aconchego à montanha com olhares abertos para as montanhas da Galiza ou para os pequenos e verdes vales que se desenvolvem ao longo do riacho até ao desaguar no Rio Mente, antecedidos por um rugido ou rumor, sussurro ou murmúrio sempre presente e constante das quedas de águas nas cascatas que desde a Galiza entram por Portugal adentro deliciando qualquer um que as descubra ou seja atraído por elas. Apetece estar lá, viver todo aquele ambiente intimista concentrado num pequeno ponto no meio de um oceano de Montanhas.
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Claro que a todos recomendo uma visita a este pequeno paraíso, mas com tempo, muito tempo para poder desfrutar de tudo que Segirei e a sua envolvente tem para oferecer. Não façam como eu, não se percam pelo caminho e pelas aldeias da freguesia. Quando quiserem conhecer Segirei, reservem pelo menos um dia inteiro, façam a rota do contrabando (só pedonal) desde as cascatas de Espanha até à Praia Fluvial do Mente, senão correm o risco de (tal como eu) conhecer Segirei por capítulos (se calha até o faço de propósito). Para as restantes aldeias da freguesia, reservem outro dia, que também vale a pena, mas não no mesmo dia de Segirei.
E agora passemos à aldeia, fisicamente falando, e a um pouco da sua história e até lendas.
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Pois embora a aldeia se integre em plena região das aldeias do xisto e embora ainda existam por lá alguns exemplares de casas de xisto, notam-se uma remodelação da aldeia talvez (tudo indica) durante e a partir do terceiro quartel do século passado, onde foram introduzidos novos materiais nas construções, principalmente em ampliações e revestimentos com rebocos. É pena, pois tudo leva a crer que teria sido uma das aldeias genuínas das construções em xisto, que a terem-se preservado e resistido até hoje, fariam de Segirei, mais que um paraíso, um autêntico património da humanidade de uma aldeia de xisto na montanha de Portugal profundo, bem profundo.
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E já que falamos em profundidade, falemos também em elevação, pois depois de todas as subidas e descidas até Segirei (deixando de parte as curvas) a aldeia encontra-se a numa encosta da Serra da Trave a cerca de
O Topónimo dizem ser proveniente de um apelido de família espanhola.
Possui uma pequena capela no “cimo” do povo cujo padroeiro penso ser S.Gonçalo. Não sei se terá alguma ligação ao S.Gonçalo também próximo ali onde o Rio Mousse desagua no Rio Mente.
Dizem ainda os escritos a que tive acesso que o termo de Segirei confina com o Castelo de Cidadelha (desconheço e terei que fazer por lá outra visita – mais um capítulo). Dizem ainda que nas cercanias da aldeia têm sido encontrados vestígios romanos levando-nos a crer que o povoamento de Segirei remontará a esses tempos.
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E terra que se preze, tem as suas lendas. Pois segundo apurei, diz a lenda que as ruínas do tal castelo são habitadas por uma moura encantada que guarda grande tesouros. Na manhã de S.João costuma tecer num tear de ouro e estender às orvalhadas ricas barrelas de linhas.
Bem apuradinha esta lenda e a moura encantada de Segirei vai daí e é irmã da nossa moura encantada, fechada no terceiro arco da Ponte Romana e que também dá sinais de si no dia de S.João. Quem sabe!?
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E de Segirei por hoje é tudo. Não digo que não regressarei lá, porque mais tarde ou mais sedo por lá andarei de novo. Agora em descoberta do castelo, da moura encantada e também do moinho que ainda nunca visitei ou pelo menos, num desfrutar do Mente e da praia fluvial.
E de Segirei é tudo, ou quase, pois ainda falta realçar a doçura e qualidade do mel que por lá se faz. Obrigado.
E quanto à freguesia de São Vicente da Raia, só falta mesmo passar por este blog a sede de freguesia, que prometo será em breve.


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