Sábado, 6 de Fevereiro de 2016

Outeiro Seco - Solar dos Montalvões nos Monumentos.pt

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Em março de 2006, ou seja quase há 10 anos, publicava a fotografia que atrás vos deixo com o seguinte comentário:

 

“ (…) Quanto à foto, trata-se do Solar dos Montalvões, propriedade da Câmara Municipal e que foi adquirido para instalação da tal universidade que ainda nunca passou do projecto, prevendo-se que nesta bela mas também degradada construção, seja instalada a Reitoria da tal (universidade). (…)”

 

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Pois passados 10 anos deixo-vos a foto atual e atualizo o texto que então deixei: “Quanto à foto, trata-se dos restos do Solar dos Montalvões, hoje em ruinas onde só as paredes exteriores e paredes mestras de pedra teimam em manter-se de pé. O edifício é propriedade da Câmara Municipal tendo sido adquirido há mais de 20 anos com a intensão de lá instalar a Reitoria de uma universidade que seria construída no terreno anexo ao solar. Passados 20 anos, nem universidade nem solar…”, Fica então as fotos atuais do Solar e de seguida vamos ao que hoje interessa:

 

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Há poucos dias atrás fui alertado pelo autor do blog http://velhariasdoluis.blogspot.pt/ que o Solar dos Montalvões, em Outeiro Seco, passou a fazer parte do inventário nacional do património cultural, informação que se encontra on-line no site http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser, onde se faz toda a história e descrição do solar, num trabalho assinado por Paula Noé, 2015. Vale a pena passar pelo sítio dos monumentos.pt (link que vos deixo atrás) para ficar a conhecer (em palavras) o Solar.

 

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Pois só me podia congratular com a notícia e com a inclusão do Solar dos Montalvões no Inventário Nacional do Património Cultural, pois de facto é(ra) merecida esta inclusão, só lamento que o Solar já não esteja a altura de merecer tal honra, pois hoje já não nos podemos referir ao Solar dos Montalvões, mas antes às ruinas do Solar dos Montalvões. Contudo satisfaz-me saber que consta nos monumentos.pt nem que seja para fazer corar de vergonha os responsáveis de hoje termos ruinas em vez de um solar do qual todos nos poderíamos orgulhar de ter. E este parágrafo ficaria politicamente correto se o tivesse terminado no ponto final anterior, mas os culpados, embora sem nomes personalizados, têm nomes, e a ordem dos culpados não interessa, pois todos têm a sua quota parte de culpa:

 

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Então são eles a Junta de Freguesia de Outeiro Seco por nada fazer (NADA) ao ver o evoluir da sua degradação, das pilhagens e os atentados que contra ele se praticaram durante mais de 20 anos. À Junta de Freguesia temos de acrescentar a população de Outeiro Seco, por tal como a Junta de Freguesia nada (NADA) fazer quanto à proteção do seu solar, denunciando e exigindo pelo menos a sua manutenção, para além de saírem do seu seio os atentados e pilhagens ao solar, incluindo á capela. Igualmente culpada a Câmara Municipal porque além de ser a proprietária do Solar, nada (NADA) fez quanto à sua conservação e por último, uma vez que se trata de um edifício municipal, responsabiliza igualmente a população em geral, todos nós, porque o património municipal é de todos os munícipes, pelos menos responsabilizava todos aqueles que tinham conhecimento do evoluir da degradação do Solar.

 

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E o mal do Solar e de hoje ele estar em ruínas está mesmo em ser um edifício municipal, que é de todos, ou seja, que infelizmente não é de ninguém em particular, o que na mente da grande maioria, se é de todos e está abandonado, está perdido e daí se poder fazer dele o que cada um quer, abusar dele, pilhá-lo e destrui-lo ou deixar que se destrua sem nada fazer. Para além de ser um problema de formação penso mesmo que também é um problema cultural dos tempos de hoje em que o antigo comunitarismo e respeito pela coisa pública se transformou no exagero do individualismo com amor apenas por aquilo que é apenas nosso, pessoal.

 

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Claro que há exceções e seria injusto senão as referisse aqui, pois há pelo menos três pessoas que através dos seus blogues têm denunciado o evoluir da degradação do solar, além de contribuir para a história e memória do mesmo. São eles o Blog “Velharias” de Luís Montalvão, o Blogue “Outeiro Seco AQI” de Humberto Ferreira e eu próprio com este blog, pelo menos desde 2006, em:

 

18-3-2006 - http://chaves.blogs.sapo.pt/75874.html

1-5-2010 - http://chaves.blogs.sapo.pt/496213.html

30-10-2010 (1ª parte) - http://chaves.blogs.sapo.pt/552520.html

30-10-2010 (2ª Parte) - http://chaves.blogs.sapo.pt/552941.html

30-10-2010 (3ª parte) - http://chaves.blogs.sapo.pt/553035.html

23-10-2011 - http://chaves.blogs.sapo.pt/701105.html

29-8-2014 - http://chaves.blogs.sapo.pt/solar-da-familia-montalvao-outeiro-1110812

16.5.2015 - http://chaves.blogs.sapo.pt/outeiro-seco-rural-e-urbana-1227760

 

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Mas também, e por coincidência, ontem mesmo ficava aqui um “ Discurso sobre a cidade” de autoria de A.Souza e Silva em que na última parte do “discurso”, ilustrada com uma foto do Solar dos Montalvões, alertava para este mesmo mal (em geral) que vem castigando o nosso património e não será demais repetir as suas palavras, mesmo que ainda ontem aqui tivessem ficado:

“ (…) património construído, rural e urbano (do Alto Tâmega e Barroso e, especialmente, o do concelho de Chaves). Grande parte dele é hoje já, manifestamente, ruínas. Em pouco tempo, se nada fizermos, nada restará senão pó e cinza.”

 

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E continuava:

“Não está apenas na nossa mão inverter esta tendência global que crassa pelo país fora em termos da delapidação daquilo que nos verdadeiramente identifica - a nossa memória histórica e coletiva.”

 

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“Mas, certamente, está nas mãos de todos os flavienses refletirmos sobre o nosso meio urbano e, principalmente, o meio rural. Para decidirmos o que nele perspetivamos em termos de futuro. Cuidando do património que estamos a deixar cair em ruínas. Respeitando a memória do seu tempo. Inventando novas valências, pondo-as ao serviço do tempo presente e do futuro.”

 

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Para terminar assim: “Deixarmo-nos cair na apatia e na indiferença é desinteressarmo-nos pela nossa própria identidade. É apressarmos a nossa «morte» como flavienses orgulhosos que devemos ser da nossa terra e da grandeza da nossa história.”

 

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Subscrevo na íntegra estas palavras do discurso de ontem e, se valer de alguma coisa, nem que seja para refletir, ficam também as imagens que há dois dias atrás tomei nas, hoje, ruínas do Solar dos Montalvões.

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:09
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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Solar da família Montalvão - Outeiro Seco - Chaves

Hoje vou reproduzir na íntegra, com a devida autorização do autor, um post de um blog que fala de nós, do nosso património. Desde que tive conhecimento desse post, congratulei-me mais uma vez pela existência da blogosfera, dos blogs e a sua contribuição para, com independência, trazer as verdades a lume, por muito cruéis que elas sejam. Gratuitamente prestam um autêntico serviço público de informação e fazer história que deveria caber aos media, se não estivessem tão dependentes do poder e o poder não fosse na maioria das vezes o responsável pelas desgraças denunciadas.

 

Pois hoje vem ao blog, mais uma vez, o Solar dos Montalvões de Outeiro Seco e logo por um blog de referência na matéria que se tem dedicado precisamente a mostrar o abandono daquilo que temos de melhor, o nosso património.

 

O post que vos deixo foi publicado há uns dias atrás (dia 27 de agosto) no blog RUIN’ARTE, de autoria do fotógrafo Gastão de Brito e Silva e tal como aparece no rodapé do título do seu blog se tem dedicado na blogosfera à:

 

HISTÓRIA MAL ACABADA. ARQUITECTURA DESLEIXADA, CULTURA MAL AMADA. PATRIMÓNIO INCOMPREENDIDO. PAISAGENS SEM SENTIDO.

 

 

Fica então na íntegra uma cópia dos post publicado no RUIN’ARTE no dia 27 de agosto onde para além da boa fotografia do estado atual do Solar dos Montalvões se faz muita da história do mesmo e dos seus antigos proprietários.

 

 

Solar da família Montalvão – Outeiro Seco - Chaves  

 

 

Pela longa e boa amizade que mantenho com alguns elementos da família Montalvão, há muito conhecia algumas histórias deste solar. Devia-lhe por isso uma visita e ruinosa intervenção, que pela distância entre este monumento e o meu Quartel General, foi adiada até uma oportuna viagem ao Norte, animada pela companhia do JJR e do bom amigo Dr. Mário Freitas, tornando possível este velho sonho que tive o privilégio de viver.

 

 

 

Uma vez que este monumento não está sequer cadastrado pela DGPC, toda a pesquisa histórica teria ficado comprometida sem a preciosa ajuda de um dos seus ilustres descendentes, o nosso amigo e seguidor, D. Luís de Montalvão, a quem devo este texto perfeitamente tecido, onde as memórias ainda vivas desta nobre casa contrastam com a sua triste realidade.

 

 

Certamente muitas perguntas ficarão por responder, e muitas lacunas não serão aqui preenchidas, é no entanto necessário não deixar de referir que o abandono a que foi votada deveria ser criminalizado por incúria autárquica e crime de lesa património...ah, se ao menos tivesse uma parede pintada pelo Miró... aqui vos deixo o contributo do amigo Luís, para que possam ter uma vaga ideia do tesouro que todos os dias definha sem que nada se faça ou alguém aja em nome de todos nós...

 

 

Situado no Concelho de Chaves, freguesia de Outeiro Seco, o Solar dos Montalvões foi um edifício erguido ao longo de pelo menos duas centenas de anos, provavelmente entre os séculos XVII e XVIII e com algumas adaptações feitas no XIX.

 

 

É um enorme bloco que se desenvolveu em torno de um pátio interior, segundo um modelo arquitectónico velhíssimo, vindo ainda de um tempo anterior a Roma e cujas várias fases construtivas são visíveis por diferenças estilísticas na fachada ou no interior, pelas diferenças de nível entre os vários corpos, separados entre si por pequenos degraus e ainda através de algumas fontes bibliográficas, arquivísticas e epigráficas, que atestam os vários períodos de construção da casa.

 


A casa que na região é conhecida por Solar dos Montalvões, família cuja história se liga ao edifício por um período de quase 250 anos, pertencia originalmente à família Álvares Ferreira, conforme nos indica José Timóteo Montalvão Machado, no livro os Montalvões, e terão sido eles os construtores iniciais do solar, isto é, dos lados Sul, Nascente e Poente. Aliás, o brasão que se encontra na fachada nobre apresenta as armas dos Álvares Ferreira e não dos Montalvões. 

 

 

Ainda segundo José Timóteo Montalvão Machado foi um membro desta família, o Capitão de Cavalos José Alvares Ferreira (morto em 1738) o grande construtor do solar, como o atesta o facto de ter várias e extensas cavalariças nos baixos da casa (corpos Nascente e Norte). 

 

 

No entanto pelas diferenças de nível entre estes dois corpos e a cozinha, presumimos que algumas partes sejam anteriores à vida do Capitão de Cavalos José Alvares Ferreira, portanto em pleno século XVII. Talvez a parte mais antiga da casa seja o corpo Sul, que corresponde ao que foi a cozinha.

 


Os Montalvões só aparecem nesta casa em 1746, quando uma jovem de catorze anos, Antónia Maria de Montalvão Morais (1732-1809), casou com  Miguel Alvares Ferreira (1716-1779), filho do já referido capitão de cavalos, José Alvares Ferreira. Desde essa época, até aos dias de hoje, o nome Álvares Ferreira foi caindo aos poucos e vingando o apelido Montalvão, uma família com origem na vizinha Galiza e que se passou para Portugal, no tempo do domínio dos Filipes.

 

 

É do tempo de vida desse casal, Miguel Miguel Álvares Ferreira e Antónia Maria de Montalvão Morais, que devem ter tido uma existência economicamente desafogada, que  temos mais documentos e notícias acerca de grandes obras no Solar. 

 

 

Conforme documentação existente no Arquivo Distrital de Braga, sabemos que entre 1761 e 1762, Miguel Alvares Ferreira, requereu autorização para erigir a capela do solar, sob invocação de São Salvador do Mundo, em cumprimento de um voto de sua mãe, Maria Sobrinho. Este processo, cujos documentos tinham a missão de provar que o casal tinha bens para financiar a construção da capela e assegurar a realização de uma missa perpétua por alma de Maria Sobrinho, descreve parte das construções já existentes, demonstrando-nos que em 1762, o corpo poente do solar, a fachada nobre, já estava concluída.

 


"...as cazas do doante …confinão e correm com duas ruas publicas ambas com cunaes, solio e frizio e cornija Huma pello norte, e outra que corre pello poente com estrada mais publica para o sul adonde tem hum arco bem feito e bastantemente alto, e no meyo remate huma pedra de armas das asendesias do doante e por este arco se entra para o patteo das cazas, e nesta parte que pega acima das ao patteo e he munto capaz, e corre para o Sul pretende fazer a Cappella com porta para o poente"- No entanto, as obras da capela, que é o corpo arquitectónico do solar com um tratamento mais cuidado, foram só concluídas em 1784, já depois da morte de Miguel Álvares Ferreira (1779), pela sua viúva Antónia Maria de Montalvão Morais, que a 29 de Abril desse ano pediu provisão para benzer e consagrar a capela, a “qual se acha perfeitamente acabada”, conforme se pode ler no respectivo processo no Arquivo Distrital de Braga.  

 

 

Também é do tempo desta Senhora, Antónia Maria de Montalvão Morais, que se constrói a escada interior do pátio de honra, em 1782, conforme se pode ver pela data da verga da porta e se encomenda também o sino da capela, em 1790, e que hoje se encontra a salvo da destruição na Capela de Nossa Senhora do Rosário, na mesma povoação de Outeiro Seco.

 

 

Acerca da talha que ornamentava a capela, hoje pilhada e retalhada nada se sabe, mas era de excelente qualidade, a julgar por fotografia antigas. Creio mesmo que terá sido concebida por André Soares (1746-1769), o grande arquitecto ou entalhador bracarense, ou talvez por algum dos seus discípulos, embora essa hipótese careça de provas documentais.

 

 

 

Estes são os dados mais objectivos acerca da cronologia da construção do Solar, que não é uma peça arquitectónica de excepção, como o Solar de Mateus ou Palácio da Brejoeira, mas é um exemplar muito representativo do tipo de casas que a fidalguia rural mandava construir em Trás-os-Montes nos séculos XVII e XVIII. 

 

 

 

Embora não contasse com peças de mobiliário de excepção, o seu recheio era significativo. Possuía uma importante biblioteca, localizada num dos salões do corpo nobre do solar, que contava com cerca de 1900 títulos, o que era muito para a época, onde avultavam muitas edições dos séculos XVIII, XVII e ainda quinhentistas, sendo que algumas das obras eram raras. 

 

 

Foi vendida pela família ao desbarato no início dos anos 80 a um alfarrabista de Lisboa. Desta biblioteca, conservou-se apenas o catálogo. Também num dos salões nobres existia aquilo que a família chamava um museu, que na verdade era aquilo que tecnicamente se designa por um gabinete de curiosidades, formado por muitos objectos arqueológicos, etnológicos e colecções de filatelia e numismática. 

 

 

Foi sobretudo constituído por um dos habitantes da casa, o Padre José Rodrigues Liberal Sampaio (1846-1935), um homem extremamente culto, um jurista, um pregador, um arqueólogo, um numismata, um jornalista, enfim um polígrafo, como se diria no século XIX.

 

Foi sócio da Academia das Ciências e da Sociedade Portuguesa de Arqueólogos, correspondia-se com homens eminentes, como o Abade de Baçal ou o arqueólogo Mendes Correia e no seu tempo, a casa tornou-se um pequeno centro de saber, tendo recebido entre outros intelectuais a visita do arqueólogo José Leite de Vasconcelos. 

 

 

Todo esse espólio foi disperso pelos vários membros da família. Esta casa  transmontana foi também o palco dos amores ilícitos entre José Rodrigues Liberal Sampaio e a senhora da casa, Maria do Espírito Santo Ferreira Montalvão (1856-1902), uma fidalga que teve a coragem de assumir a relação com um clérigo e de viver maritalmente com ele e dele ter tido filhos. 

 

 

Não foi um escândalo tão grande como os amores de Ana Plácido e Camilo, mas sem dúvida viveram com coragem uma paixão camiliana. Maria do Espírito Santo está sepultada na casa, na capela, apesar de em 1902, já ser expressamente proibido sepultar os mortos dentro das igrejas.  

 

 

Em 1912, o Solar de Outeiro Seco viu também passar os militares da segunda incursão de Paiva Couceiro, que em fuga para Espanha, abandonaram muitas armas pela propriedade da casa, sendo algumas delas recolhidas e conservadas no museu da família. 

 

Nesse período, a casa foi revistada pelas tropas republicanas e José Rodrigues Liberal Sampaio, um monárquico convicto, esteve alguns dias escondido num quarto secreto do Solar, até conseguir fugir para Espanha. 

 

 

 

A família manteve-se orgulhosamente monárquica e a bandeira azul e branca esteve hasteada na casa durante toda a república. Só nos anos 30, já no Estado Novo, quando o presidente Carmona visitou o Solar, alguém se lembrou que os tempos já eram outros e a bandeira foi recolhida para o chamado museu.

 


A Casa continuou a ser ocupada por José Maria Ferreira Montalvão (19-05-1878/24-5-1965), filho dos amores ilegítimos do padre com a fidalga, um grande proprietário, o homem que pagava maior contribuição autárquica de todo o distrito de Vila Real, e que assegurou até à sua morte a vida de um grande domínio agrícola, quase feudal, de uma forma autoritária, mas ao mesmo tempo paternalista e generosa, a acreditar nos testemunhos de quem ainda se lembra dele na aldeia de Outeiro Seco.

 


Depois da sua morte, a casa ficou desocupada e entrou num lento processo de declínio. Os seus descendentes venderam em 1986 o Solar à Câmara Municipal de Chaves, sem acautelar o seu destino e a respectiva utilização. 

 

 

As imagens da capela deram entrada no Museu Municipal de Chaves, algumas delas estão hoje expostas no Museu de Arte Sacra de Chaves, mas o Solar foi pura e simplesmente abandonado à sua sorte pela edilidade flaviense.

 

 

Vagabundos instalaram-se na casa, acenderam fogueiras que queimaram os pilares e fizeram ruir a estrutura. A talha da capela foi  pura e simplesmente pilhada. Por ordem ou iniciativa de sabe-se-lá-quem, diversa cantaria foi retirada da casa e espalhada por vários pontos da aldeia. No pátio rural em frente à cozinha foi instalado um palco feito com pedra da casa e muito, muito cimento.

 


Enfim, é um processo longo, triste e inexplicável de incúria por parte da autarquia de Chaves, que deixou ruir um dos edifícios mais interessantes do Concelho.

 

 

 

Perante tanta tristeza, fica a memória do tempo em que a casa era uma espécie de senhorio feudal, uma honra, em que bastava que alguém segurasse a aldraba da porta principal do pátio, para ficar fora do alcance da justiça régia.

 

O meu Pai, que não é ainda tão velho como isso, recorda-se de na sua meninice ouvir falar ainda de um senhor muito velhinho, fugido da justiça, que se refugiou no Solar e terminou ali os seus dias. Hoje, o Solar dos Montalvões é apenas um dos muitos e banais exemplos, de que quase todos se estão nas tintas para o património cultural.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:57
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Domingo, 23 de Outubro de 2011

Outeiro Seco e o que resta do Solar dos Montalvões

 

Tal como ontem, hoje continuo a recorrer ao meu arquivo fotográfico para vos trazer aqui algumas imagens e, se às vezes dá gosto percorrer e rever as imagens de arquivo (não muito antigo), outras vezes revolta ver aquilo que ficou registado. É o caso de hoje.

 

São imagens de uma das construções, um solar neste caso, que há coisa de 20 anos atrás, embora desabitado, era uma das construções mais nobres e bonitas do género (solares) que existia no concelho de Chaves. Pertença da família Montalvão (Montalvões de Outeiro Seco) que o cuidou e manteve na sua integridade e beleza até que foi vendido nos anos oitenta à Câmara Municipal de Chaves, para aí acolher uma universidade. Se a ideia era nobre depressa caiu por terra e as razões são conhecidas por todos. Na época o futebol era mais importante que as universidade e enquanto o povinho andava contente e enganado com os grandes feitos de um Desportivo na primeira divisão, à margem, negociava-se… mas não eram universidades.



Com a compra do Solar dos Montalvões de Outeiro Seco, começou também a sua decadência e como passou a ser coisa pública (ou da Câmara que é a mesma coisa), o Estado (ou a Câmara), que olhasse por ele. Mas não olhou. Acontece que embora coisa pública, também é património, e de interesse, e como tal, para além de ser coisa pública, é de todos nós e de quem lhe está próximo, ainda muito mais. Mas não. Não foi. A Junta de Freguesia que deveria ser a primeira a preservar o seu património, além de fechar os olhos à degradação do solar em nada entreviu para o salvar e nas poucas intervenções que fez ( e se não fez foi com o seu conhecimento) foi para destruir parte das construções anexas existentes no seu pátio exterior. Mas não só o Estado (Câmara e Junta de Freguesia) são culpados, pois o povo de Outeiro Seco também o é, directa ou indirectamente. Directamente nas pilhagens e vandalização do solar, com mais significado na sua capela da qual apenas sobraram as paredes e, indirectamente responsável ao não denunciar os culpados do vandalismo e pilhagens, bem como o estado moribundo do solar. Ninguém fez nada por salvá-lo da ruína e se gente houve que ousou, as suas vozes foram silenciadas e pela certa não lhe faltaram dedos apontados.

 

 

Custa-me sinceramente ter este tipo de discurso num blog que até se propunha mostrar aquilo que temos de bom, mas denunciar também é um dever de cidadão, principalmente quando é de património que se trata e, se esse património é público, então o nosso dever da denúncia aumenta. Talvez agora que todos nós somos culpabilizados e penalizados pelos erros que os políticos foram cometendo nestas últimas décadas nos comecemos a dar conta que denunciar é preciso e que a coisa pública, quando é para pagar, também é nossa.

 

Claro que no presente caso (Solar dos Montalvões) apenas indirectamente contribuiu para a crise financeira actual, pois nele não foi gasto um único tostão (agora cêntimo) para além do valor de aquisição, mas perdeu todo o seu valor ao adquirir o estatuto de ruína, mas já ao lado, na freguesia, foram gastos uns milhões largos de euros em instalações, infra-estruturas e acessos que não funcionam e todos estamos a pagar. Mais valia nada terem feito e terem dispensado meia dúzia de euros para, pelo menos, não deixar degradar o Solar de Outeiro Seco.

 

 

Já sei que estas palavras vão fazer alguma comichão a  alguma gente, mas têm bom remédio – que se cocem e enquanto o fazem podem aproveitar para contabilizar a sua quota de culpa na situação.

 

Ainda antes de terminar tenho que fazer aqui mais um apontamento, pois estava a ser injusto, pelo menos para uma pessoa, que nesta fita até faz o papel de bom e é outeirosecano. Trata-se da pessoa que em boa altura se deu conta que os santos da capela do solar não estavam seguros e intercedeu para que fossem retirados e guardados na Câmara Municipal, onde ainda penso estarem em bom estado de conservação, mas como sempre destes pequenos mas grandes feitos não vai rezar a história e nela, como a maior parte das vezes, ficam apenas registados os feitos e nomes dos que menos merecem, mas que têm ou tiveram influência para nela constarem.

 

Ao meia dia temos por aqui mais um conto do mundo que acabou, de autoria de Herculano Pombo.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:52
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Sábado, 30 de Outubro de 2010

Outeiro Seco - Aldeia e Freguesia - II Parte

II PARTE

 

O Solar dos Montalvões

 

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Imagem retirada do blog de Luís Montalvão

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Com uma longa e rica história ligada a Outeiro Seco e a um ramo da família Montalvão, apresenta-se hoje triste, moribundo e quase em total ruína. É mais uma história que inevitavelmente também está ligada à MODERNIDADE, pois o seu declínio começa com a aquisição por parte da Câmara Municipal de Chaves, com boas intenções, mas quando os esforços desta, apoiados pela cidade (leia-se cidadãos e um povo fácil de iludir) estavam postos no futebol e nos negócios do betão que o envolviam e subsidiavam, deixando irremediavelmente esquecida a luta de Chaves se poder afirmar

 

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Imagem de Arquivo com o Solar a Iniciar Ruina

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noutros campos e, assim, também o Solar e a Quinta dos Montalvões, que parece ter sido comprado com intenções nobres, depressa ficou no esquecimento e de fora dos planos de qualquer intervenção e qualquer futuro, pelo menos a julgar pelo que lhe tem acontecido desde que foi vendido pela família Montalvão. Mas bem pior que isso, é que se perdeu um solar e o seu espólio – principalmente o da sua biblioteca, um “museu” e a sua capela que além de abandonada foi vandalizada ficando praticamente destruída, incluindo o altar e a sua talha, tal, afinal, como todo o Solar, hoje em ruínas, e como a sua quinta, hoje, uma autêntica lixeira a céu aberto.

 

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Também aqui a TRADIÇÃO (recorrendo de novo aos termos futebolísticos) levou logo com uma cabazada de 6 ou 7 “frangos” seguidos, com essa cedência (e permissão) dos seus terrenos para depósitos de lixos, escombros, entulhos… E isto não é inventar, pois está à vista de todos entre as ruínas do Solar e a Escola de Enfermagem, hoje, graças a Deus (é sempre a Deus que se dão as graças), também pólo da UTAD.

 

Teria ficado bem a Outeiro Seco, às suas gentes mas sobretudo aos seus representantes, já que a Câmara Municipal nunca o fez, ter preservado ou pugnar pela preservação deste solar, mas infelizmente, ao que apurei, tal nunca aconteceu e a pouca intervenção que houve, até foi para destruir ou construir-se o que não devia… está à vista.

 

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Claro que estou a falar do solar de hoje ou daquilo que resta dele, pois quanto ao Solar tal como existiu nos seus anos de Solar, com gente dentro da Família Montalvão, um dos seus descendentes vai contado (com pena sentida) toda a sua história feita com pequenas estórias publicadas no seu blog. É caso para dizer que do Solar dos Montalvões quase e só resta a sua história e as estórias nele vividas. É ao seu blog e palavras que recorro agora para deixar aqui, pelo menos, a descrição do Solar tal como ele existiu nos seus melhores tempos, nos quais até a primeira dama Madame Carmona era visita:

 

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Imagem de Arquivo com o Solar a Iniciar Ruina

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01 - LOJA - Destinada inicialmente a cavalos. Havia baias em pedra e aros de ferro para prender os mesmos.

02 - LOJA - Havia 3 tulhas para cereais. Urna grande, para centeio. Duas mais pequenas, para trigo.

03 – CAPELA.

04 – ADEGA

05 - BICA
06 - LOJA - Pequena loja que servia para criar coelhos.
07 - LOJA - Loja inicialmente para acolher cavalos. Era agora preparada para armazenar batata.

 

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08 - ADEGA
08a- LOJA - Destinada a guardar baratas ou galinhas.
09 - LOJA - Destinada a guardar galinhas e patos.
10 - PÁTIO PEQUENO
11 - LOJA - Em destinada a porcos. No meio, havia uma enorme pia de granito, que servia para os porcos comerem, a comida que era deitada do andar de cima, por um alçapão aberto no chão da cozinha.
12 - LOJA - Destinada aos porcos. Tinha também uma pia de granito por baixo de outro alçapão.
13 - LOJA
14 – ADEGA

 

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15 - LOJA - Para esta loja, davam as 2 retretes do andar superior. O chão, estava cheio de palha, que era substituída regularmente.
17 - BICA
18 - JARDIM
19 - BALCÃO

20/21 - CASAS DE BANHO
22 - CORREDOR
23 - QUARTO DA MIMI –

 

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24 - QUARTO DOS AVÓS - Para entrar neste quarto, tinha de se subir um degrau. Na parede que dava para a sala de jantar, havia uma «roda», que talvez tivesse servido para passar comida da sala de jantar para este quarto. Nessa época estava desactivada.
25 - SALA POLlVALENTE
26 - SALA DE JANTAR -
27 - TRÊS DEGRAUS - Para passar à cozinha, tinha de subir-se três degraus.
28 - COZINHA - Era o maior compartimento da casa, dividido em duas partes. Uma parte, com o chão lajeado a granito, a outra parte com o chão a madeira. A parte lajeada tinha a grande lareira, ladeada por dois escanos.

 

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29 - 30 - QUARTOS - Eram quartos das empregadas
31 - ARRUMAÇÃO - Era utilizado como quarto das empregadas e servia ao mesmo tempo de arrecadação. Antes de um grande incêndio, tinha um outro andar que ardeu completamente, nunca mais sendo reconstruído.
32 -CORREDOR - Fazia a ligação com a parte nobre da casa
33 - QUARTO DO LILI
34 - ARMÁRIO NA PAREDE - Mesmo em frente á porta do quarto do Lili,

 

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Este armário, tinha uma característica especial. Dava acesso a um quarto secreto, que pelo menos por uma vez salvou o Liberal Sampaio da prisão.
35 - VARANDA - Esta varanda, tinha vários escanos e bancos encostados à parede. Era também aqui que o feijão era seco ao sol e descascado.
36 - QUARTO
37 - QUARTO DAS ARMAS
38 - QUARTO PEQUENO

39 - QUARTO

 

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40 - QUARTO - com escadas que davam acesso ao andar superior.
41 - BIBLIOTECA

42 - SALA DE VlSITAS. Tinha um grande fogão de sala
43 - SALA D0 MUSEU - Era aqui, que estava previsto ser a entrada principal do Solar, pois, seria ligada ao pátio pequeno por escadaria, nunca terminada. No topo da sala, uma porta com dois degraus, ligava ao coro da capela. Era deste local , que os habitantes do solar assistiam aos Ofícios de Domingo.
44 - MIRANTE - Este acrescento, construído em madeira, foi mandado fazer por um dos Montalvões, para mais facilmente poder avistar os sinais feitos pela sua amada, moradora num solar vizinho
45 - SALA
46 - SALA
47 - SALA –

 

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ANEXOS

 

48 - CASA DO LAGAR
( a ) Loja onde eram engordados porcos
(b ) loja onde estava o lagar. Este era construído em granito da região, com grandes lajes maciças. A trave de madeira da prensa, dividia-o em duas partes iguais.
49 - PORTA DE ENTRADA LATERAL -Fazia a ligação do pátio grande com rua principal da aldeia.
49a- PORTA DE ENTRADA - Fazia a ligação do pátio grande com a rua principal da aldeia. Dava passagem a carros de bois carregados. Era protegida por um telheiro de 2 águas.
50 - TELHEIRO - Protegia um grande forno de cozer o pão. Este era feito de barro branco e tinha uma cruz gravada por cima da boca. Havia sempre muita lenha a secar.
51 - CASA DOS CASEIROS - LOJA - Tinha um grande forno de cozer o pão. Servia também para guardar madeira serrada e rachas de pinho para os fogões de ferro.
52 - CASA DOS CASEIROS - LOJA - Era a segunda loja dos coelhos.
53 - CASA DOS CASEIROS - LOJA - Esta loja era aproveitada para engordar porcos.
54 - CASA DOS CASEIROS - ESCADA DE PEDRA - Dava acesso ao primeiro andar.
55 - CASA DOS CASEIROS - ESPIGUEIROS - As paredes eram feitas de ripas de madeira. Depois da colheita do milho, ficavam cheios de espigas a secar.
56 - CASA DOS CASEIROS - SALA - Sala bastante ampla, com lareira para cozinhar e com duas janelas para a rua principal da aldeia. Esta sala, comunicava com dois quartos, cada um uma janela que dava para o pátio grande. Estes aposentos, eram ocupados pelos criados de lavoura.
57 - MIRANTE

58 - GARAGEM - Esta garagem ficava do outro lado da rua principal da Aldeia, em frente da CASA DOS CASEIROS.

 

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O Texto está disponível no blog de Luís Montalvão. Os desenhos das plantas e alçados são de autoria do Arquitecto Manuel Sousa Cardoso e a compilação dos dados são de José Manuel Montalvão Cunha. Tudo isto e muita mais história e estórias do Solar dos Montalvões estão no blog das velharias de Luís Montalvão em http://velhariasdoluis.blogspot.com/ ao qual recomendo uma visita.

 

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Estórias sobre a família Montalvão e Solar que curiosamente é também ajudada a ser feita ou a preservar por cidadãos anónimos de Outeiro Seco, despojados de outros interesses que não sejam os de contribuir para a história do Solar e também de Outeiro Seco. Cidadãos anónimos que no entanto têm nome como o Carlos Félix graças ao qual ainda hoje existem devidamente guardados os Santos da Capela do Solar e um excelente cicerone e conhecedor da história de Outeiro Seco, sempre pronta a partilhá-la com quem a solicite, bem como o Humberto Ferreira (Berto Alferes) na recolha de estórias e na defesa dos interesses do solar, das suas terras e também de Outeiro Seco, com recolha, informação e até denúncia que tão bem o tem feito em publicações de sua autoria, como também no seu blog Outeiro Seco Aqi - http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/ ao qual recomendo uma visita, não só pelo que aqui foi dito ao seu respeito mas também pelas boas fotografias que vai apresentando e revelando um excelente fotógrafo.

 

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Em suma, sobre o Solar dos Montalvões, por aqui, é tudo, certo que o Solar as suas terras não mereciam o estado de abandono a que está dotado, com o edifício em ruínas e as terras a servirem de lixeira onde a custo, só o mato consegue romper, sem esquecer os atentados que lá se têm cometido como o soterrar dos milenares Lagares. É caso para perguntar – Então a TRADIÇÃO que se anuncia na entrada da aldeia não deveria ter entrado em acção neste solar? E a Junta de Freguesia que tem feito por ele? Será que por ser propriedade da Câmara Municipal a Junta de Freguesia se demite dos seus deveres de defender o património da aldeia? Pois uma coisa é a propriedade e outra é o património e esse, ninguém o tira a Outeiro Seco, mas também a nós, pois o património artístico, cultural, arquitectónico e religioso, afinal é de todos e daí, também é meu. Eis a razão destas palavras que pela certa não agradarão a que está envolvido na indiferença com que tem olhado para este solar. Mas adiante …

 

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E termino este lamento sobre o solar com um lamento (pela certa muito mais sentido) do Luís Montalvão, deixado no seu blog e na conclusão de um dos seus posts :

 

“Como conclusão, podemos arriscar que a sua morte [referindo-se ao “Montalvão Velho” (como era conhecido) – a nota é minha], em 1965, com 87 anos, é mais do que falecimento de um homem com uma existência feliz, marca também o fim de uma grande casa agrícola, cujo modo de produção e vivência vinha praticamente da Idade Média. O seu desaparecimento significou a partilha da grande propriedade e a venda do solar, que entrou numa triste e imparável ruína.”

 

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E fica a inevitável pergunta – Para quando uma solução e uma intervenção neste solar, enquanto ainda é possível recuperar alguma da sua memória?

 

E é precisamente nos terrenos da Quinta dos Montalvões que a MODERNIDADE entra mais uma vez em Outeiro Seco, com a Escola de Enfermagem, hoje também Pólo da UTAD.

 

Abordada que está a história e alguma da TRADIÇÃO de Outeiro seco, vamos então à MODERNIDADE.

 

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Escola de Enfermagem/Pólo da UTAD


 

Esta tem sido uma das bandeiras abanadas pela MODERNIDADE de Outeiro Seco, mas muito mal abanada, pois também aqui, mais uma vez, a vitória é da MODERNIDADE com a TRADIÇÃO a ficar de novo de lado ou esquecida, e temos pena.

 

Qualquer freguesia ou aldeia ficaria contente com uma instalação destas nas suas terras e qualquer aldeia ou freguesia tiraria dessa instalação o seu proveito, atrevo-me mesmo a dizer - o justo proveito. Tive esperanças que Outeiro Seco (núcleo) despertasse e ganhasse com este empreendimento e instalação do Ensino Superior nas suas terras, que se tornasse até numa aldeia universitária, atractiva para os estudantes e com toda a vida que eles lhes dão. Mas não, a Escola de Enfermagem, agora também Pólo da UTAD é um mundo à parte, fechado em que a aldeia de Outeiro Seco apenas lhe cedeu terreno para a construção e apenas serve de passagem entre Chaves e o agora Pólo Universitário. De quem é a culpa não o sei, apenas sei que Outeiro Seco e a sua população, até hoje, nada ganharam com esta escola e é pena, pois perdem todos os proveitos que as universidades costumam dar aos lugares. Pelo menos (coisa de nada - insignificante) poderia exigir que o espaço (da Quinta dos Montalvões) existente entre a aldeia e a Escola de Enfermagem/Pólo da UTAD, fosse limpo e no mínimo, beneficiar de algum arranjo paisagístico onde todos ficariam a ganhar, quer a aldeia quer os alunos universitários com uma zona de estar, nem que fosse e só para ser agradável à vista. Mas enfim, continua a ser um depósito de lixo, entulhos e mato, pouco digno como vizinho de uma aldeia e de um estabelecimento universitário.

 

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.

 

As Novas Vias e o Parque Empresarial

 

Tal como a Escola de Enfermagem/Pólo da UTAD, as novas vias e o Parque Empresarial só vieram roubar terrenos e território à freguesia, pois a freguesia nada tem ganho com este empreendimento, a não ser na venda de terrenos (mas que ficou sem eles) e num nó da auto-estrada. Fora isso, em nada consta que Outeiro Seco tivesse ganho o que quer que seja. Poderia talvez ganhar em postos de trabalho se houvesse empresas a funcionar no Parque Empresarial, mas sem empresas e toda uma plataforma logística onde só existem em instalações e nome, transformada hoje em “sexódromo” ou “sexometro” (como preferirem) onde se recomenda até à RESAT que coloque por lá um Ecoponto para recolha de papel e látex. Recomendações à parte, sem empresas não há postos de trabalho e, nas poucas que por lá há, não me consta que haja pessoas de Outeiro Seco a trabalhar.

 

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Com as novas vias por lá executadas, Outeiro Seco também em nada beneficia (excepção para os que utilizam a Auto-Estrada), pois as novas vias nada ligam e com uma delas, até se conseguiu destruir parte de uma estação arqueológica onde existiam uma série de fornos romanos, mas também aqui, a julgar pelo que aconteceu pelo Vale de Lagares e outros, o rico património arqueológico que Outeiro Seco possui, também tem sido vítima da MODERNIDADE. Já perdi a contagem dos golos marcados pela MODERNIDADE e a TRADIÇÃO ainda está a zeros.

 

 

Parque Empresarial que mais que um bem, tem sido um mal para Outeiro Seco, pelo menos em termos ambientais e agrícolas, conforme denúncias que chegam a este blog e que já mais que uma vez tive oportunidade de trazer aqui, como neste post: (http://chaves.blogs.sapo.pt/439286.html).

 

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Denúncias que também vão sendo feitas no Blog Outeiro Seco Aqi, e não é de estranhar, pois pasme-se, o parque empresarial não tem o efluente do seu saneamento básico ligado a qualquer rede pública, como também não tem nenhuma estação de tratamento, possuindo apenas uma fossa, que após a passagem do efluente o devolve à linha de água que vai desaguar ao Rio Tâmega. E se hoje com as poucas empresas que por lá existem já faz moça, imagine-se quando num hipotético futuro haja por lá empresas a funcionar a sério. Ao que sei, por Outeiro Seco desconhecem-se estes acontecimentos que ocorrem no seu território, salvo, claro, aqueles que são prejudicados directamente e que não calam a sua indignação, mas ao que também sei, ninguém lhes liga. Aqui a TRADIÇÃO leva outra cabazada monumental de uma MODERNIDADE fedorenta…

 

.

.

 

Em suma, e no que respeita à MODERNIDADE, Outeiro Seco bem que a podia dispensar, pois só tem perdido com ela.

 

Esquecendo a MODERNIDADE e a TRADIÇÃO de Outeiro Seco, vamos à TRADIÇÃO deste blog trazer aqui as aldeias do concelho um mosaico de cada freguesia, que no caso, aldeia e freguesia, são a mesma coisa.

 

 

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.

 

E como, por razões alheias a feitura do blog, tenho de acelerar o encerramento dos posts dedicados às aldeias e freguesias, assim hoje este post funciona também como um dois-em-um, ou seja, vamos ter também aqui, o respectivo mosaico da freguesia, seguindo a sua habitual feitura, à excepção dos seus pontos de interesse, pois esses, na sua essência, já foram referidos.


 

Já a seguir, a III e última parte.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:50
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Sábado, 1 de Maio de 2010

Outeiro Seco - Solar dos Montalvões (ou o que resta)

Enquanto o devido post de Outeiro Seco não chega a este blog, vamos ficando com com aquilo que de melhor há por lá, ou havia!

 

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Como passatempo, uma das fotos é de 2007 a outra é de ontem (2010) - Qual é qual?

 

Já agora, para entreter, descubra as diferenças.

 

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Até amanhã!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:44
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