Domingo, 26 de Junho de 2016

O Barroso aqui tão perto... Telhado

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21 de abril de 2016, quinta-feira, logo pela manhã, não muito cedo nem muito tarde, arrancámos em direção ao Barroso de Montalegre para mais uma incursão de caça à fotografia. O destino era andar à volta da barragem dos Pisões ou Alto Rabagão (como preferirem).  As condições meteorológicas apontavam para um dia incerto, daqueles em que o dia se apresenta com várias caras em mudança constante. Chuva, sol, nublado, zerbadas, frio, calor, ameno, enfim, era conforme lhe dava na mona, mas fotograficamente falando, são os meus dias preferidos, desde que os períodos de chuva não sejam muito longos, mas mesmo com chuva, estamos lá.

 

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Embora o destino fosse à volta da Barragem dos Pisões, àquele que eu lhe chamos o seu lado interior, o menos conhecido e oposto ao da Estrada Nacional 103, entre a Barragem e a Serra do Barroso, por sinal o mais interessante, tínhamos dois objetivos principais – Negrões e Vilarinho de Negrões – penetrando na sua alma mas também vistas dos miradouros naturais que ao longo da estrada municipal vão aparecendo. Cumprimos este objetivo principal após o qual até poderíamos regressar à terrinha com o espirito de missão cumprida, mas não, o dia prometia muito mais e ainda nem sequer tínhamos almoçado.

 

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Almoçar no Barroso é uma tarefa difícil, não pela falta de oferta mas antes pela dificuldade na escolha, pois em todas as mesas se come bem, a dificuldade está mesmo escolher onde se come melhor, no entanto, só a boa mesa não chega, pois a simpatia da receção conta muito e em tempo de crise o pilim também tem uma palavra a dizer e há mesas em que se come bem, atendem bem e na hora de pagar também se cobram ainda melhor, com tanto entusiasmo que às vezes até exageram. Mas como nestas incursões ao Barroso já não somos maçaricos e temos um amigo infiltrado que nos vai recomendado os locais de boa mesa, já sabemos onde temos de ir e onde não devemos entrar. No entanto, estando onde nós estávamos a decidir a escolha da nossa mesa do dia (Vilarinho de Negrões), a tarefa era fácil – o restaurante da Albufeira, na Lama da Missa, onde a D. Aldina e D. Adelaide sempre nos receberam, nos serviram ainda melhor e no final saímos satisfeitos. Recomendo e a publicidade é gratuita.

 

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Pois bem, já entenderam onde fomos almoçar. À saída o dia apresentava-se de céu azul, sol intenso e quente. Ideal para subir um bocadinho da Serra do Barroso até aos 1050 metros, mais metro menos metro e entrarmos na aldeia do Telhado, a pouco mais de 2 quilómetros da Lama da Missa, mas sempre a subir. Claro que pelo caminho fomos parando em apreciação daquilo que se nos apresentava para apreciar e num de repente o dia entoldou, escureceu e despejou uma carga de água por cima de nós, ou quase, pois encontrámos poiso num pequeno abrigo no largo do tanque com cruzeiro, mas nem por isso foi razão para de vez em quando debaixo de chuva tomarmos mais algumas fotos, de uma aldeia que parecia uma coisa e se nos revelou outra, bem mais interessante do que aquilo que parecia. Pena a chuva não deixar saír as pessoas à rua e não nos permitir grandes aventuras, pois o material fotográfico não é lá muito fã de chuva.

 

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Mas vamos então ao Telhado, uma aldeia meio escondida mas bem perto da Barragem dos Pisões, da Lama da Missa, no limite do concelho de Montalegre, no meio do Barroso e quase em cima dos Cornos do Barroso com Alturas do Barroso na vertente oposta da serra, mas a apenas dois ou três quilómetros. Penso que melhor localização não será possível, só mesmo a do GPS, mas se as quiserem também cá ficam, as do Google Earth – 41º42’15.17”N – 7º49´18.43”O.

 

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Nas pesquisas que fizemos pouco encontrámos sobre esta aldeia. Apenas uma referência a uma fonte de mergulho que no local nos passou despercebida, ou seja, não a vimos. Assim, o que poderemos dizer sobre a aldeia é apenas o resultante da nossa observação.

 

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Quanto ao conjunto da aldeia visto ao longe não se apresenta muito interessante, mas lá entrados, as coisas mudam de figura. O casario tradicional de granito marca uma forte presença. Dele, destacamos algumas construções em perpianho de granito com junta seca e uma construção com acabamento mais cuidado e mais nobre, também em perpianho de junta seca com granito à vista com a arte da cantaria a ser aplicada nos cunhais, nas molduras das portas carrais e janelas, e nos interessantes óculos ao nível do rés-do-chão. Arte de cantaria daquela que hoje, infelizmente, já não se usa. Por último a igreja também se apresenta interessante, no centro da aldeia como mandam as “regras” nas aldeias tradicionais do interior, também ela em pedra à vista, uma torre sineira e avançado coberto na entrada principal.  

 

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Atentados ou pecados também os há. Inevitáveis como sempre por falta de planos diretores ou falta de interesse em preservar os núcleos das aldeias, mas também por falta de incentivos para que tal aconteça. O mal é geral e não é só desta aldeia ou deste concelho ou região. O mal estende-se por todo este nosso Portugal e, com falta de argumentos, é politicamente e legalmente mais fácil permitir que proibir.

 

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Também alguns dos traços da nossa cultura estão patentes nesta aldeia, quer nas alminhas que se encontram na entrada da aldeia ou num dos seus largos, nos fontanários e tanques públicos e cruzeiros, por exemplo. Curiosamente nesta aldeia temos um dois em um, ou seja tanque com cruzeiro dentro, este último com uma base recente embora a cruz nos pareça ser mais velhota. Vale pela originalidade e antes acrescentar algo ao tanque/fonte do que demoli-lo, tal como já aconteceu em algumas aldeias que conhecemos aqui na nossa terrinha (Chaves).

 

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Para finalizar falta realçar a beleza da envolvência da aldeia com os seus pastos verdes, a água em abundância e muito gado bovino, com a raça barrosã a marcar presença por entre outras raças. Agradou-nos ver que na aldeia ainda se usa a tradicional capa de burel, a qual tivemos sorte de a apanhar em imagem e em uso.  

 

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E por hoje é tudo, ou quase, pois só falta mesmo referir as anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

 

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A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:29
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