
Miguel Torga - Retrato a Carvão de Isolino Vaz
Chaves, 7 de Setembro de 1982
Nenhuma terra da pátria me cansa. Em todas a minha curiosidade insaciável de ver e conhecer encontra sempre qualquer novo motivo interessante. É o que se dá com esta. Hoje descobri que é nela que renovo todos os anos, infelizmente só por alguns dias, o prazer calmo e urbano de viver.
Miguel Torga, in Diário XIV
Quanto mais leio e conheço Torga, mais convencido estou da sua grandeza e, é com orgulho e até vaidade flaviense que, em muita da sua prosa, da sua poesia e dos seus diários, vejo e leio Chaves, vista pela humildade e grandeza de escrita de Torga.
Assim, além da ideia fixa, mantenho a teimosia de trazer aqui Torga e, de cada vez que o faço, insistir que Chaves deve uma homenagem digna a Miguel Torga. Digna e a perpetuar no tempo.
Não é só pelo facto de Torga mencionar Chaves na sua obra, ou de vir cá religiosamente todos os anos no seu “ ritual terapêutico”, mas pelas palavras que ele deixou escritas sobre a cidade e o concelho, pela divulgação que faz também da nossa história e do nosso povo, mas sobretudo, pelo elogio constante que faz das nossas termas e das suas águas, colocando-as ao lado de Anteu e filhas da mesma Deusa Gea a Deusa Terra.
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Chaves, 2 de Setembro de 1984
Integrado no ritual terapêutico dos mais anos, desde o amanhecer que sou um devoto em devoção, inteiramente alheado do resto do mundo. Quando o Outono se aproxima, toda a minha natureza doente me pede esta cura revitalizadora. E bebo religiosamente doses de água como se bebesse doses de energia. O mito de Anteu, para mim, vai até às entranhas da terra.
Miguel Torga, in Diário XIV
Mas tal como o Presunto de Chaves é afamado nos quatro cantos de Portugal sem que Chaves lhe tire o proveito da fama e publicidade ou sequer o saboreie, também Torga é da grandeza dos maiores escritores e poetas, à altura de qualquer Nobel, sempre cantou a cidade de Chaves e, como médico, o melhor publicitário (porque utilizador) das Caldas de Chaves, e a cidade, simplesmente ignora-o…certo que tem nome numa avenida, mas numa cidade onde os nós, a moca, ou até o “olho do …” são topónimos, apenas dar nome a uma avenida, nada significa. Torga merece muito mais.
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Chaves, 29 de Agosto de 1987
Os habituais 15 dias terapêuticos a ingerir linfas cálidas. Sou médico, mas acredito mais na natureza do que na ciência. E tenho inscrições votivas em todas as fontes de Portugal.
Miguel Torga, in Diário XV
Mas enfim, tal como dizia Torga, “em Chaves não há raças, mas castas”, que tal como na vinha, uma má casta nunca dá bom vinho!
A indiferença da natureza! Será ela que faz com que em Chaves nada permaneça de Torga e que por cá não haja resquício sequer das suas passagens por Chaves!? Ou serão outras indiferenças!?
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Chaves, 28 de Agosto de 1993
A indiferença da natureza! Revejo os lugares que há anos me são familiares e onde, num poema, numa frase ou num simples estremecimento emotivo, cuidei que qualquer cousa de mim permanecia e ficaria identificado. E em nenhum deles há resquícios sequer de que por ali passei. Ou então sou eu, que, de tão desfasado do mundo, me vou perdendo de vista até nos Tabores das minhas passadas transfigurações.
Miguel Torga, in Diário XVI

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Mais uma vez com a preciosa colaboração de Carlos Caria trazemos aqui duas preciosidades do coleccionismo de temática flaviense, directamente relacionadas com o termalismo de Chaves e Vidago, mais propriamente com as unidades hoteleiras que lhes davam apoio em termos alojamento.
Trata-se da “Label” utilizada na Pensão Jaime de Chaves e a do Hotel do Parque de Vidago.
A “label” era utilizada nas unidades hoteleiras de Chaves e Vidago, nas malas dos hóspedes nas suas estadias enquanto desfrutavam das estâncias termais de Chaves e Vidago e serviam, essencialmente, para publicitar a respectiva unidade hoteleira.
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Preciosidades que fazem também a memória e história da importância que teve o termalismo na região no século passado, principalmente a de Vidago que se diluiu no tempo e que viu aos poucos, perder toda a sua importância nesta área do termalismo, arrastando consigo a importância do parque hoteleiro, caindo na decadência e fecho da maioria dos seus hotéis e pensões. Felizmente, tem resistido e está actualmente a ser sujeito a obras de restauro um dos hotéis mais belos e interessantes de Portugal, o Palace Hotel, que aliado ao seu parque e campo de golf, continuam a prometer ser um património do qual o concelho de Chaves e particularmente a Vila de Vidago, se pode orgulhar de possuir, como um do mais belos exemplares de Portugal e, porque não, da Europa.
Lamentos, vão só e mesmo para a marca das águas de Vidago terem saído do mercado. Mais uma perda para o concelho, infelizmente, a juntar a outras perdas de marcas do concelho, às quais, parecem passar à margem de quem tem responsabilidades nesta terra. Temos pena!
Mais uma vez um obrigado ao amigo Carlos Caria, um amigo desta rubrica do coleccionismo do qual esperamos continuar a contar com a sua colaboração.

Características:
Material: bronze (desconhece-se a cunhagem noutros metais ou ligas metálicas).
Dimensões (módulo): 8 cm.
Assinada: Baltazar (Baltazar Manuel Bastos, datas desconhecidas).
Medalha número 146 de uma tiragem de 300 exemplares.
Ano: 1973.
Cunhagem realizada pela empresa Berbal (esta designação conjuga os nomes Bernardino Bastos Junior e Baltazar Manuel Bastos).


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O coleccionismo é um tema que não toca a toda a gente, mas àqueles que toca, torna-se numa perdição.
Carlos Caria é um desses coleccionadores de paixão e que pela segunda vez colabora com esta rubrica do coleccionismo de temática flaviense enviando-nos as foto de uma peça – guarda jóias – em porcelana da vista alegre e que tal como ele me dizia no mail que acompanhava as fotos: - “ hoje não resisti em comprar este bonito guarda-jóias em porcelana da Vista Alegre, com cerca de 11cm de comprimento, por
Sem dúvida uma bela peça que pelo carimbo da fábrica, corresponde à administração dos anos de
É sem dúvida uma peça que também enriquece a história das termas da Chaves.
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E por hoje é tudo. Resta agradecer ao Carlos Caria a gentileza oportuna da sua colaboração, partilhando connosco estas pequenas jóias e claro que continuamos a contar com a sua colaboração. Obrigado.
Até amanhã com mais um discurso sobre a cidade.

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Já é sabido que aqui pela terrinha quando se abre um buraco no chão tropeçamos logo com um pedaço de história. Centenas de anos, no mínimo, mas se o buraco afundar mais um bocadinho, então esbarramos de caras com quase 2000 anos de história, pois é conhecido de todos, que por baixo dos nossos pés, existem as ruínas de uma antiga e grande cidade romana, Aquae Flaviae. Cidade essa, que tanto quanto se crê e cada vez mais se acredita, seguiria o protótipo das cidade romanas de então, onde não faltaria um teatro, um fórum, um anfiteatro, termas, um templo e toda uma série de infra-estruturas, vias, aquedutos, rede de saneamento, além do casario e até as suas villas de periferia (Ganjinha, por exemplo).
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Em
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Pois há 4 anos e para levar a efeito o tal parque de estacionamento subterrâneo no Arrabalde, a Câmara Municipal contratou Armando Coelho da Silva para que procedesse à abertura de três sondagens arqueológicas. Na segunda das sondagens previstas foi encontrado um pavimento em lajeado granítico de aparelho muito perfeito e datação romana, que indiciava a presença no local de estruturas monumentais bem conservadas desta época. Dado que nascia
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As escavações iniciaram-se então a um ritmo que parte da população não compreende muito bem, mas que foram decorrendo ao ritmo certo e delicado que este tipo de trabalhos exigem, pois todos os trabalhos arqueológicos foi seguido o método de Barker-Harris com a remoção manual de todas as camadas pela ordem inversa à da sua deposição, e com a descrição, registo gráfico e fotográfico de todas as unidades estratigráficas detectadas. Convenhamos que escavara manualmente e com os cuidados precisos até cerca de 7m de profundidade em toda a área da escavação, além de não ser fácil, é trabalho demorado. Talvez um pouco de informação tivesse ajudado a compreender aquela escavação para não vir a ser, por muitos, apelidada com ironia e desprezo como o buraco da Câmara, e logo ali no Arrabalde onde pára grande parte da massa crítica desta cidade.
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Projecção sobre fotografia aérea das termas romanas (apenas o que foi descoberto em escavações), pois o complexo termal seria de maiores dimensões - ainda por descobrir)
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Logo desde cedo, primeiro com o renascimento de um troço das muralhas seiscentistas que foi soterrada em 1870 para construção do mercado que aí existiu até meados do século passado. Na base começaram os primeiros indícios das tais termas romanas que viriam a confirmar as suspeitas das sondagens, ficou inviabilizada a construção do parque de estacionamento previsto e, antevendo-se um grande interesse museológico para a autarquia, o executivo abandonou de vez a ideia de um parque de estacionamento no local. Uma boa opção, sem dúvida alguma.
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A monumentalidade das estruturas descobertas; a sua proximidade à ponte romana; o facto de, das numerosas intervenções arqueológicas até agora realizadas na cidade, quer de iniciativa pública quer privada, poucas terem resultado na musealização do património exumado; e, finalmente, o grande interesse científico que os achados poderiam vir a ter, quer por serem os primeiros vestígios de um edifício público encontrados na cidade em contexto de escavação, quer pelo aparente bom estado de conservação do registo arqueológico, levou a Câmara Municipal, e muito bem, a requer o estatuto de Monumento Nacional para o local, além da musealização dos vestígios encontrados no local, onde serão colocados todos os achados (milhares e em bom estado de conservação) encontrados no local. Ao que sei, o projecto para o local já está em elaboração e congratula-me saber que desta vez, toca a uma equipa de flavienses (arquitectura e engenharia) fazer o projecto. Congratulo-me, porque está demonstrado que nestas coisas dos projectos, o sentimento e conhecer-se bem a terrinha, são condições muito importantes. Neste aspecto, o projecto, está bem entregue.
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Maqueta das termas romanas de Bath (Aquae Sulis) em Inglaterra - Semelhantes às que agora estão a descoberto no Arrabalde, à excepção do conjunto da parte esquerda da maqueta (templo), que se crê também existir em Chaves, mas que ainda não foi descoberto.
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Mas vamos a um pouco daquilo que por lá se encontrou, que tal é a quantidade e qualidade, que este blog é pequeno para deixar aqui pormenores:
- Logo na muralha, uma conduta de escoamento de águas coetânea que descarregava no fosso exterior a esta e que era composta em grande parte por silhares medievais, muitos deles com siglas de canteiro, reaproveitados, muito provavelmente, do desmonte do torreão que, de acordo com a planta de Duarte d'Armas, se situava ao fim da Rua Direita guardando a porta principal da vila;
- As fundações de uma casa do arrabalde anterior à construção da muralha da restauração incluída no interior de um muro tosco de pedras graníticas irregulares, que delimitava também uma área agrícola (hortas). Encostado ao lado exterior do muro da casa que dava para o interior da área vedada, encontrava-se um canteiro constituído por lajes graníticas fincadas na vertical delimitando uma pequena área. O resto do terreno vedado apresentava ainda marcas de arado. Este conjunto estava construído sobre um outro de cronologia medieval composto
-Uma grande quantidade de escórias de fundição e numerosas ferraduras e canelos e restos de cota de malha, que indiciam a localização nas imediações de um ferreiro. De notar que ainda hoje se chama Rua dos Ferradores à artéria que corre paralela à ponte do lado montante e que desemboca no Largo do Arrabalde.
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Ilustração de Alma-Tadema do que seriam as termas romanas no seu interior -
Também idênticas às de Chaves
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Sob este conjunto de unidades estratigráficas encontrava-se uma série de depósitos aluviais de areias e limos, correspondentes a um momento de abandono do local, sob os quais se detectou:
- as valas de violação do balneário termal romano, abertas nas camadas de derrube da cobertura deste. Pelo menos algumas destas valas devem ter sido abertas imediatamente após a derrocada do edifício, uma vez que se encontrou uma sepultura romana em tégulas formando uma caixa que continha um esqueleto em conexão anatómica, escavada nos derrubes da cobertura. A maior parte das valas estavam abertas ao longo das paredes da estrutura, de modo a recuperar, com o mínimo esforço os silhares bem aparelhados que as compunham.
Era notório o derrube organizado da abóbada de canhão que cobria originalmente a área de uma das piscinas e do acesso a esta, prolongando-se até as estruturas do balneário romano.
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Projecção das piscinas termais (sem cobertura) sobre fotografia aérea. As duas piscinas da parte inferior da imagem já estão a descoberto, a piscina na parte superior da imagem, está apenas parcialmente a descoberto nas escavações. Pensa-se que parte da piscina com dimensões idênticas à projectada neste esquema, está por baixo da actual praça de táxis.
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Após a escavação da área intra muralha até ao interface de destruição das estruturas romanas, procedeu-se à abertura de uma sondagem de controlo estratigráfico no enchimento do fosso, presumivelmente aterrado aquando da terraplanagem de 1870. Verificou-se, assim, que os construtores da muralha, ao abrirem a enorme vala para implantação da camisa e construção do fosso, destruíram todos os níveis medievais e removeram uma fiada de pedras
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Parte de Pirgo ou Turricula ( à esquerda tal como foi exumado) - à Direita um exmplar do Landsmuseum de Bona, também em opus interassile. De salientar que o pirgo encontrado em Chaves é o que se encontra em melhor estado dos três únicos existentes e encontrados até hoje e com desenho bem mais interessante que os outros dois existentes. Trata-se de um lançador de dados para jogo.
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Após a escavação, também deste lado, até ao interface de destruição do balneário romano, procedeu-se ao registo minucioso do derrube organizado da abóbada de canhão em opus laetericium que apresentava grandes tramos ainda em conexão e parte do revestimento em opus signinum, denunciando, uma derrocada súbita num movimento único e abrupto. Esta interpretação viria a ser confirmada pela presença de esqueletos humanos sob o derrube,
Removidos os derrubes da cobertura e as camadas de argamassas e areias de construção que lhe estavam associadas, verificámos que as lamas subjacentes tinham conservado em ambiente húmido anaeróbico todos os metais e matéria orgânica em condições de conservação excepcionais, proporcionando um espólio de peças únicas de grande valor cientifico. De entre estas peças destaca-se um pirgo (torre para lançar dados de jogar) em opus interassile de bronze que constitui um dos três únicos exemplares deste tipo de objecto existentes no mundo (os outros dois encontram-se no Landsmuseum de Bona, na Alemanha e no Museu do Cairo, no Egipto), um fragmento de cestaria forrada de cortiça que envolvia originalmente uma garrafa, de forma a conservar a temperatura da água no seu interior, vários pentes em madeira, uma turquês em ferro perfeitamente conservada, uma ampulla (garrafa achatada e larga com duas asas) em madeira com uma inscrição no exterior, uma taça baixa em madeira, diversos objectos de adorno em madeira, metal e osso, como anéis, braceletes e pulseiras, contas em madeira osso vidro e cornalina, etc. Um autêntico tesouro.
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Punhos em madeira em forma de mano fico fálica alada
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O EDIFÍCIO TERMAL
Tal como as restantes cidades romanas com o elemento Aquae no seu nome, cerca de uma centena em todo o Império e oito conhecidas na Hispania (VELASCO 2004), Aquae Flaviae era uma verdadeira estância termal no período romano, o balneário, que constituiria o núcleo definidor do aglomerado urbano, deveria ocupar uma grande parte da área total da cidade.
Tratavam-se de termas de tipo terapêutico, muito diferentes tanto em forma como em função das termas higiénicas comuns a todas as cidades romanas. Eram vocacionadas para o tratamento de doenças e este facto, junto com o de estarem, seguramente, associadas a um centro de culto dedicado à divindade que se julgava propiciar os efeitos benéficos das suas águas, atraíam gente de diversos lugares, por vezes bem distantes.
Tendo em conta as informações de que, durante as obras de construção do Cine Teatro de Chaves, em 1964, distante cerca de
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Aneis, pulseiras, colares, ferragens, contas, centenas de moedas, loiça, alicates, etc, etc, ect, milhares de obrjectos encontrados no decorrer da escavação em materiais que vão desde o ouro, ao bronze, cobre, ferro, madeira, porcelana, mármore, e até cestaria se encontrou nas escavações, entre outros - um autêntico tesouro.
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Na área agora escavada (28 x
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fragmento de um elemento arquitectónico em mármore com uma moldura de folhas de acanto
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Quanto à cronologia do edifício, apenas se poderá referir, de momento, que o seu abandono se terá dado, como indicam os materiais selados pelos derrubes associados ao colapso da abóbada de cobertura, no último quartel do Séc. IV d.C. Não tendo ainda sido escavados os níveis correspondentes ao enchimento das valas de fundação de nenhuma das estruturas do complexo termal, não dispondo de elementos que permitam avançar para a datação da construção ou remodelações que este terá sofrido.
Da minha parte, pessoalmente e como flaviense, congratulo-me com as decisões que a Câmara Municipal tem tomado no decorrer destas escavações, agora concluídas numa primeira fase. Congratulo-me pelas escavações em si, mas também pela decisão de requerer o estatuto de monumento nacional e da musealização onde se poderão expor todos os achados no local. Congratulo-me também com a equipa de projectivas flavienses e deixo como única senão desta escavação a falta de informação pública que deveria existir no local desde inicio (agora colmatada com um pequeno painel colocado há semanas atrás – que peca por pequeno), além da delimitação da área de escavação que poderia ter um aspecto bem mais agradável, em vez das actuais vedações correntes de uma obra qualquer, porque aquilo não é uma obra qualquer, mas antes um tesouro que a cidade encontrou e que tanto nos pode a vir a dignificar com a sua importância.
Sem dúvida alguma que por baixo dos nossos pés existe um autêntico tesouro por descobrir.
Por último resta agradecer ao Director Científico das Escavações e Arqueólogo da Câmara Municipal, Dr. Sérgio Carneiro, a cedência de imagens dos achados bem como todas as informações sobre as mesmas escavações, sem as quais este post não seria possível.

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Há dias um visitante do blog alertava-me para um tema que poderia trazer a esta rubrica do coleccionismo, principalmente por estar também associado às termas – Os copos. Claro que aceitei desde logo o desafio, só havia o problema de não ter nenhum copo. No entanto o nosso visitante,
Isto demonstra bem o quão abrangente é coleccionismo e os temas que pode abordar e, sugere-me também, pedir a Vossa contribuição para esta rubrica, quer seja ou não coleccionador, basta que tenha objectos que sejam coleccionáveis e os queira partilhar aqui no blog. Só há uma condição e que se prende com o tema ter de ser obrigatoriamente flaviense ou referir(-se) a Chaves. Se quiser contribuir e partilhar, basta enviar uma ou mais fotos para o mail do blog (proart@net.sapo.pt).
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No caso dos copos de hoje, diz-nos
E por hoje é tudo, só me resta agradecer ao
Até amanhã, com mais um discurso sobre a cidade.

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Chaves está mais pobre, pois acabou de perder um genuíno e ilustre flaviense que dedicou quase toda a sua vida à cidade e às Caldas de Chaves que abraçou como Director Clínico desde 1945, quando começaram a ser usadas e exploradas, graças a si, mediante orientação médica. Manteve-se no cargo de Director Clínico durante quase 60 anos, mais precisamente até 2004 quando pede a renúncia do cargo. Assistiu e contribuiu ao longo da sua vida como Director Clínico à defesa e divulgação das termas bem como à sua evolução e construção de novos balneários e à implementação de novos e variados tratamentos que as actuais e modernas instalações das termas hoje oferecem.
Conhecido por todos, amigo de todos e reconhecido por todos, o Dr. Mário Gonçalves Carneiro era um conversador nato e interessado por tudo quanto tinha a ver com Chaves, principalmente no que respeita à sua história e cultura. Interesses que muito contribuíram para granjear amizades com os mais ilustres da cultura portuguesa, como o Médico Adolfo Rocha ou o escritor e poeta Miguel Torga (como preferirem) que religiosamente durante 20 anos, no final do verão, frequentava as Termas de Chaves e se hospedava em casa do Dr. Mário Carneiro.
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E termino esta introdução de um adeus a um ilustre flaviense precisamente com um excerto de palavras do seu amigo Miguel Torga, por sinal também umas das suas últimas palavras com registo da cidade de Chaves no seu último diário:
Chaves, 27 de Agosto de 1993
Envelhecer não é para covardes. E, morrer, muito menos. Corajosamente, envelheci, e corajosamente morro…
In Diário XVI, Miguel Torga
Fica um pequeno resumo da vida do Dr. Mário Gonçalves Carneiro, que Nasceu em Chaves, viveu em Chaves, faleceu em Chaves e vai a sepultar, amanhã, dia 7 de Julho, pelas 9 horas, também em Chaves.
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Mário Gonçalves Carneiro
Nasceu a 7 de Dezembro de 1917 na freguesia de Santa Maria Maior, Chaves.
Faleceu em 5 de Julho de 2008 na freguesia de Santa Maria Maior, Chaves.
Médico - Cirurgião.
Habilitações
Licenciado em Medicina e Cirurgia (1942) e Doutoramento Profissional em Medicina pela Universidade de Coimbra; Curso de Hidrologia e Climatologia Médica; Curso de Ciências Pedagógicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Especialização
Associações a que pertenceu
Sócio correspondente da Sociedade Espanhola de Hidrologia Médica de Madrid (1949); Sociedade Portuguesa de Hidrologia e Climatologia Médica (1956); Sócio de Mérito da Associação dos Jardins Escolas João de Deus de Lisboa (1963) - (por ter sido Presidente da Comissão angariadora de fundos e executiva da construção do Jardim Escola João de Deus, de Chaves). Elos Club (Porto). Sociedade Histórica da Independência de Portugal (Lisboa). Sociedade Martins Sarmento (Guimarães). Instituto D. João de Castro (Lisboa). Membro da Sociedade Internacional de Hidrologia e Climatologia Médica (Alemanha). Membro correspondente estrangeiro da "Real Academia de Medicina e Cirurgia da Galiza".
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Jornais, revistas e obras conjuntas em que colaborou
Diversos Jornais, Revistas e Colaborações conjuntas; Estações de Rádio Nacionais e Locais, e Televisão Portuguesa e da Galiza.
Livros:
- "Caminhos portugueses de peregrinação a Santiago"
- “A Magia de Aquae Flaviae – Caldas de Chaves” e
prefácio "As Águas-Flávias".
Obras publicadas e comunicações apresentadas
As Caldas de Chaves (Tese de Licenciatura em Medicina, 1945); As Caldas de Chaves (No passado, na presente e no futuro, 1946); Participação no Salão de Artistas Médicos (Exposição Nacional - de Artistas Médicos - XXV Aniversário da Ordem dos Médicos - Porto, 14 de Dezembro de 1963); As Caldas de Chaves (Documentos do Arquivo do seu primeiro Director Clínico, 1967; Termalismo Intensificação do aproveitamento termal (Comunicação do I Colóquio para o Desenvolvimento do Distrito de Vila Real, 1970);
As Caldas de Chaves (Contribuição nos trabalhos preparatórios do IV Plano de Fomento da Região Norte, 1972); Evolução Termal de Chaves (Comunicação do I Colóquio Termal Transmontano, 1973); Condições essenciais para o desenvolvimento do Termalismo em Portugal (Comunicação às Jornadas do Termalismo Português em Monfortinho, Maio de 1980 e ao Congresso da Federação Internacional de Termalismo e Climatismo - FITEC - em Guimarães, Outubro de 1980; Hidrologia Médica e Dignidade Profissional (Comunicação ao Colóquio Termal das Beiras - Zona Sul, em Monfortinho, Outubro de 1981); Participação no II Encontro de Escritores e Jornalistas Transmontanos, em Chaves (Março de 1982); A Água e o Clima na sabedoria popular transmontana (Palestra proferida no Liceu Fernão de Magalhães, em Chaves, no dia mundial do ambiente, 7 de Junho de 1983); Importância da Crenoterapia em Reumatologia (Palestra proferida no VI seminário Luso-Norueguês,
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Conferências
Na Câmara Municipal de Chaves (8 de Julho - dia da Cidade); Regimento de Infantaria de Chaves (As Caldas de Chaves e os Militares), em Agosto de 1988; Pólo de Chaves da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Energia Geotérmica, em Julho de 1989); Sociedade Cultural Flaviense (Influência do Termalismo no Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega), nas comemorações do 1º Centenário; Associação Comercial de Chaves; Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro; Liceu Fernão de Magalhães (Chaves na História e na Lenda); Escola Secundária Dr. Júlio Martins (Saúde e Insucesso Escolar); Escola Secundária dos Fortes, Escola Secundária de Casas dos Montes, em Chaves; Escola Secundária de Montalegre; Escola Secundária de Vai paços; Escola Secundária de Carrazedo de Montenegro; Escola Secundária dos Aregos (Toxicodependência - 1992); Escola Secundária Dr. Júlio Martins (À Volta das Ideias - 1992); Casa da Cultura Popular de Outeiro Seco - 1993; Casa da Cultura de Vilarelho da Raia - 1993. Relatórios anuais das Caldas de Chaves. Fundación Hospital (Verin) (O Termalismo no Vale do Tâmega).
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Cargos que ocupou
Director Clínico das Caldas de Chaves, nomeado pela primeira vez em 22 de Setembro de 1945, funções que desempenhou até ao seu pedido de renúncia do cargo em 2004.
Director da Casa de Saúde, na Rua de Santa Maria, em Chaves, desde 1950.
Secretário Geral no I ColóquIo Termal Transmontano (Junho de 1973).
Secretário Geral do Colóquio Termal do Alto Tâmega e Encontro Luso-Espanhol de Hidrologia Médica (Maio-Junho de 1986).
Organização do Curso de Divulgação de Hidrologia Médica para Clínicos Gerais do Norte de Portugal e da Galiza (Abril de 199 I).
Médico Escolar do Jardim Escola João de Deus em Chaves.
Médico do Serviço Nacional de Emprego e Formação Profissional.
Médico do Serviço Nacional de Saúde.
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Homenagens
Dos Amigos, nos 25 anos de actividades nas Caldas de Chaves.
Do "Grupo dos Amigos das Caldas de Chaves”, nos 40 anos de actividades (colocação de lápide na buvette, e no Jardim Escola João de Deus).
Das Rádios locais do Alto Tâmega (individualidade do ano de 1991).
Diploma concedendo a Medalha Municipal de Mérito - Grau Prata (Julho de 1993).
Diploma concedendo a Medalha Municipal de Mérito - Grau Ouro (Setembro de 1995).
Descerramento do Busto, situado no Largo Tito Vespasiano, em Chaves (22 de Setembro de 1995).
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Medalhas e Condecorações
Placa da Casa da Cultura de Outeiro Seco
Da "Associação dos Jardins Escolas João de Deus, de Lisboa"
Comemorativa dos 100 anos da "Sociedade Flaviense", e da Escola Secundária C +S de Chaves
Medalha Municipal de Mérito - Grau Prata (Julho de 1993)
Medalha Municipal de Mérito - Grau Ouro (Setembro de 1995)
Grande Oficial da Ordem de Mérito (10 de Junho de 1997).

Sempre que passo pelo espaço termal lembro-me de Torga, e hoje, mais uma vez, lembro-me dele e cito-o. Prometo que hoje não reivindico a justa homenagem que a cidade de Chaves lhe deve, pois hoje o assunto até é outro.
Chaves, 2 de Setembro de 1984
Integrado no ritual terapêutico dos mais anos, desde o amanhecer que sou devoto em devoção, inteiramente alheado do resto do mundo. Quando o Outono se aproxima, toda a minha natureza doente me pede esta cura revitalizadora. E bebo religiosamente doses de água como se bebesse doses de energia. O mito de Anteu, para mim, vai até às entranhas da terra.
Miguel Torga, in Diário XIV
Também eu costumo andar alheado do resto do mundo e nessas minhas distracções diárias, só duas coisas despertam a minha atenção: uma obra de arte (seja ela qual for) e o oposto, ou seja o feio e o mau gosto. Pois o novo revestimento das paredes da buvete das termas, embora transparente, tiraram-me das minhas distracções diárias e, sem qualquer comentário, penso que já é altura de dispensar os “arquitectos” que têm pensado e projectado a cidade dos últimos tempos. É só uma opinião, e ao que consta, partilhada por muita gente.
Até amanhã, com outros olhares!

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