Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

Maços - Chaves - Portugal

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Na nossa ronda pelas aldeias hoje toca a vez à aldeia de Maços, freguesia de Nogueira da Montanha e uma das aldeias do planalto do Brunheiro.

 

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Se a Serra do Brunheiro vista desde o vale de Chaves serve de limite ao mesmo, mais parecendo uma parede onde o vele termina, lá em cima, as terras planas parecem assentar  em cima dessa mesma parede, como se tratasse de um piso superior ou um terraço com vistas lançadas para o vale de Chaves, quase parecendo também que além deste longo planalto não há mais montanhas.

 

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É ao longo deste longo planalto que termina já em terras de Valpaços que se encontram as 11 aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, por sinal uma das freguesias que mais tem sofrido com o abandono da sua população, o que até nem é de estranhar, pois graças a altitude que se encontra todo o planalto, sempre a rondar os 900 metros, o rigor do inverno por lá dói mais, mas também viver apenas daquilo que a terra dá, hoje em dia quase nem dá para sobreviver, muito menos dá para dela viver.

 

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Maioritariamente as terras do planalto são terras de cultivo, conhecida pela produção de batata de qualidade que lá se produzia e ainda produz, mas em menor quantidade, pois sem gente para trabalhar a terra, esta, vai sendo invadida pelo mato, mesmo assim, as propriedades maiores ainda se vão mantendo cultivadas.

 

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Mas esta nova ronda pelas aldeias é para trazermos aqui alguns olhares que nos escaparam nas anteriores abordagens à aldeia. Em tempos aqui no blog ia fazendo o elogio ao fio azul, o melhor, pois por onde que que fosse ou vá, há sempre um fio azul a ser utilizado no que quer que seja. É um verdadeiro utilitário mas nunca o vi tão bem aplicado como o estava na baliza do recreio da antiga escola de Maços, uma preciosidade que só ela merecia todo um post. Se houvesse um prémio para a melhor utilização do fio azul, esta aplicação sem qualquer dúvida que seria a vencedora.

 

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E como Maços é uma aldeia por onde vou passado, de vez em quando também por lá vou registando uns olhares, às vezes repetindo-os, sem querer, mas com leituras completamente diferentes, ficam  dois desses olhares, um bem frio e o outro mais quentinho, em ambas com a Serra do Larouco em último plano.

 

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E por Maços é tudo. Como nesta ronda pelas aldeias vamos seguindo a ordem alfabética, na próxima semana termos por aqui Mairos. Digo isto porque há dias alguém pedia Mairos, pois estamos quase lá, só temos de esperar até ao próximo sábado.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:22
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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018

Rua Verde - Chaves - Portugal

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Gosto deste bocadinho de rua ou então, as ruas, tal como nós, também têm momentos felizes.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:45
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

Cidade de Chaves - O tempo das coisas

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O tempo das coisas

 

Durante muito tempo conheci este rio sem ninguém o contrariar. Deixava-se levar pela natureza. Enchia, avolumava-se e ganhava velocidade quando a natureza assim o queria, ou então,  esvaziava, pasmava e ficava reduzido ao mínimo para se manter vivo quando assim tinha de ser. Durante anos foi assim até que o começaram a contrariar, como se a natureza se pudesse contrariar… e às vezes até pode, imagens como a que hoje vos deixo, tomada em 2013,  fazem-nos acreditar que é possível, mas com o tempo também fui perdendo a inocência e aprendi que o acreditar anda quase sempre de mão dada com o sonhar.

 

Hoje quando revi esta imagem, apercebi-me como o acreditar é apenas um momento, um instante em que a natureza nos tira da realidade. Hoje quando revi esta imagem, instintivamente peguei num dos livros que sempre me acompanham, abri-o e parei neste texto:

 

A PRESSÃO DOS MORTOS

 

Fechas a mala do carro cheia de bagagem. E de súbito apercebes-te de que não é novo o gesto. Muitas vezes o viste repetir. A muitas horas do dia, mas nunca como num fim de tarde. Qualquer que fosse a paisagem, a mesma paisagem: a terra calcinada, o canto das cigarras, o ar espesso do vapor a provocar a rarefacção das coisas vistas e a dar-lhe um ar de miragem. Fecha-se o tampo do caixão sobre a cara conhecida para todo o sempre. Nem se levanta o problema da eternidade. Esta terra é que tu amaste com todas as contrariedades e os problemas quotidianos. Amaste homens que por vezes talvez te tenham dado na cara e eram deliciosamente imperfeitos como tu. E tiveste de te despedir deles. Já não eram daqui. Já tinham problemas de mortos. Já se falava deles no imperfeito e não no presente. Mudou um simples tempo de verbo e tudo mudou. Um último olhar a essa caixa de mau gosto. Gostarias de atirar um torrão, como em criança, para esconjurar os maus sonhos. Mas falta-te a inocência. Decisivamente, tens de fechar com força a mala do carro. E pedes que te ponham os pneus à pressão 22. A pressão dos mortos.

 

Ruy Belo in “homem de palavras

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:21
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018

De regresso à cidade, com uma foto de inverno e um sonho

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Hoje fazemos o regresso à cidade pelos passeios à beira rio, com uma foto de inverno, a demonstrar que esta estação fria também tem os seus encantos. Nos meus sonhos, o encanto seria ainda maior se a partir do terraço existente sobre o Rio Tâmega, que foi construído a partir da estrutura do antigo motor de água, tivesse uma ligação à margem esquerda do rio, ou seja, uma ponte pedonal, apenas com a largura de duas pessoas,  com o romantismo das pontes de arame, se pudesse ser… no meu sonho pode!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:18
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Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Morgade

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A nossa aldeia de hoje no “Barroso aqui tão perto” é Morgade, aldeia e sede de freguesia no limite de terras da chã, do Barroso da Chã, e entenda-se esta chã por aquilo que o termo significa, ou seja, o de chão plano ou extensão plana de terra, porque de facto, as terras de Morgade assim eram até à chegada da Barragem do Alto Rabagão ou dos Pisões, que lhes invadiu com água os seus chãos mais baixos e planos, ainda hoje bem visíveis quando a cota de água desce na Barragem.

 

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Para quem não sabe onde fica Morgade, já ficou a dica de ficar em terras da Chã, mesmo à beirinha da barragem dos Pisões, mas vamos ser mais precisos e traçar o nosso habitual itinerário a partir da cidade de Chaves.

 

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Pois para ir até Morgade, como quase sempre, temos várias opções. Vamos ficar por duas, com a mesma distância, 37Km,  e aconselhar uma. A opção que aconselhamos, por ser mais rápida e melhor estrada é a da estrada de Braga, a EN103, com partida de Chaves e depois é só seguir por ela até ao Barracão. Aqui podemos abandonar a EN103 e tomar a EM525 que nos levará até Morgade, no entanto recomendo continuar pela EN103 até à Aldeia Nova do Barroso, e aí sim, abandona-se a EN103, ficamos com a Barragem dos Pisões à vista e logo a seguir é Morgade. Fica o mapa com o itinerário.

 

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Em opção ao anterior trajeto, temos a estrada do S. Caetano (EM507), via Soutelinho da Raia, depois Meixide e aqui, no final da aldeia a estrada bifurca, uma via Vilar de Perdizes e outra via Pedrário e Sarraquinhos. Opta-se por esta segunda via, mesmo porque a outra, atualmente está cortada por motivo de obras. Seguimos então para Pedrário e Sarraquinhos. Aqui vira-se em direção a Zebral, passa-se ao lado de Cortiço e logo a seguir temos o Barracão. A partir de aqui entramos na parte final do itinerário que aconselhamos, traçado no mapa. A distância em ambos os itinerários é de 37Km, como atrás referido, mas o primeiro, embora menos interessante, é mais rápido e com melhor estrada.

 

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Morgade é assim uma das aldeias ribeirinhas da Barragem dos Pisões, ou quase, pois entre a aldeia de Morgade mais antiga e a Barragem, existe a Aldeia Nova de Morgade que adotou o topónimo de Criande. A placa à entrada da aldeia está pintada de branco, escondendo-lhe o nome lá inscrito, mas nota-se que é Criande o que por lá está gravado. É notório que há ali uma questão mal resolvida entre Morgade e Criande, polémica na qual não quero entrar e nem sequer tenho esse direito. Aliás Criande, além desta referência, não será hoje aqui abordada. Está reservada para um futuro post mais alargado onde irão entrar todas as aldeias novas do Barroso, fazendo-se um pouco da sua história.

 

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Mas seja qual for o conflito existente entre Morgade e Criande, se é que existe, a verdade é que oficialmente Morgade é a sede de freguesia de 4 localidades, onde se conta a própria aldeia de Morgade, a de Carvalhais, Criande e Rebordelo.

 

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Embora Morgade calhe com frequência no nosso itinerário de visitas ao Barroso, a verdade é que para fazemos a recolha fotográfica da aldeia, só lá parámos 2 vezes, ou vez e meia, pois na primeira abordagem (em 2014), estávamos nós no largo da igreja e alguém da aldeia nos falou da capela de S. Domingos e das vistas que desde lá se alcançavam. Não resistimos à provocação/tentação e depois de termos feito duas ou três fotos da igreja, encartámos as máquinas e bota para o alto de S. Domingos, onde confirmámos as tais vistas anunciadas.

 

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CAPELA E ALTO DE S. DOMINGOS – IMPERDÍVEL E IMPERDOÁVEL

Desde já o Alto de S. Domingos é mesmo imperdível, ou melhor, é de visita obrigatória pois as vistas desde lá se podem lançar são mesmo imperdíveis. Vistas sobre toda a barragem, mas também sobre os mares de montanhas de onde se avistam as serras mais importantes do Barroso, como as Serras do Larouco, do Gerês, do Barroso da Mourela e outras das quais não sei o nome. No livro “Montalegre” no capítulo “Festas”, a de São Domingos é uma das que destaca, precisamente pela sua envolvência paisagística.

 

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Nas Memórias Paroquiais de 1758 também Morgade já era referida pela Capela de S. Domingos e o 4 de agosto, onde o povo ia em romagem e no seu dia se celebra a festa com romeiros de várias partes. É aqui que entra o IMPERDOÁVEL, por dois motivos. O primeiro é por mea-culpa por ter lá estado e não ter registado em fotografia a capela. O segundo motivo do IMPERDOÁVEL tem a ver com a razão porque não fiz a tal fotografia. Geralmente nunca fotografo aquilo que não gosto, foi o que lá aconteceu, não pela capela, que embora simples e pequena, tem toda a dignidade de uma capela e a beleza da sua simplicidade, mas pelo seu enquadramento em que é impossível não vermos o mamarracho que construíram junto a ela. Sei com quase toda a certeza que aquele mamarracho foi construído com todo o amor e carinho, possivelmente a expensas do povo de Morgade e dos romeiros, provavelmente até com o suor do povo de Morgade, e que terá uma finalidade nobre ou necessária, mas tudo isso não desculpa nem perdoa o mamarracho que lá está, inestético e a roubar o brilho que capela e o alto mereciam ter.

 

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MORGADE - POPULAÇÃO

Olhando para a evolução da população da freguesia de Morgade ao longo dos tempos, pelo menos desde que existem dados dos CENSOS, verifica-se um comportamento dentro do normal mas um pouco atípico, ou seja, demonstra o mesmo comportamento que as restantes freguesias do interior Norte de Portugal, com a população a aumentar até ao ano de 1960, e a diminuir a partir de aí. No entanto quase todas as freguesias verificam uma descida mais ou menos considerável nos CENSOS de 1920, explicada e justificada por um conjunto de fatores, como o foi a mortandade provocada pela gripe espanhola (a pneumónica) de 1918/1919 (60 mil mortos em Portugal), a I Grande Guerra com 10 mil mortos e um pequeno boom de emigração para o Brasil e Estados Unidos. Pois acontece que na freguesia de Morgade, no CENSOS de 1920 apenas perde 30 pessoas em relação ao CENSOS anterior de 1911.

 

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Desde 1864 a 1930 a população da freguesia de Morgade variou entre os 279 e os 386 habitantes, verificando-se uma linha de tendência de subida uniforme.  A diferença em relação às restantes freguesias dá-se a partir de 1930 e vai até 1960 em que a população subiu vertiginosamente, passando de 386 habitantes em 1930, para 811 em 1960. Inicialmente fui levado a pensar que este acréscimo de população se deveria à construção da Barragem dos Pisões, onde chegou a concentrar 15.000 pessoas na sua construção, no entanto descartei essa hipótese porque a barragem só começou a ser construída em 1958. Ao que se deve este fenómeno de uma subida tão vertiginosa da população? – Pois não o sei, mas mais difícil de explicar é ainda a descida de população, quase a pique, entre os anos de 1960 e 1970 em que a população desce dos 811 habitantes de 1960 para os 451 habitantes de 1970. Embora a descida de população entre 1960 e 1970 também tenha uma explicação em geral, com o primeiro boom de emigração para a europa e a guerra nas colónias, não justifica no entanto uma descida tão acentuada. Alguma coisa me escapa, pois, deve haver uma justificação. Já nos CENSOS seguintes, entre 1970 e 2011, nada a assinalar, pois verifica-se a tendência do decréscimo da população como nas restantes freguesias, com Morgade a atingir o seu mínimo de sempre (desde que há CENSOS), no ano de 2011 com apenas 228 habitantes. Saliente-se que são números da freguesia, ou seja, é toda a população de 4 localidades - Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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Quanto às nossas impressões pessoais sobre Morgade, verificámos ser uma aldeia que se desenvolve ao longo de um arruamento principal, tendo neste, dois largos de alguma importância e ambos ligados a um “serviço” comunitário da aldeia, o primeiro largo, logo à entrada da aldeia é onde se localiza a igreja, bem interessante por sinal, seguindo a arquitetura de outras da época com torre sineira dupla separada da igreja (em frente à entrada principal.

 

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O segundo largo da aldeia, é onde estão localizados um fontanário, tanque e bebedouro públicos, onde é notória a intervenção nova do tanque e bebedouro. Ainda neste largo existem umas alminhas que com a colocação (mais recente) de uma cruz no seu topo passou a alminhas/cruzeiro. Quanto ao casario é o típico nesta parte mais a Norte do Barroso, maioritariamente construções simples, com alguns abandonos e ruinas pelo meio.

 

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Quanto às nossas pesquisas encontrámos na página oficial do Município de Montalegre na internet algumas informações sobre a freguesia de Morgade:

  

"Andou muitos anos anexada, bem como Negrões, à; freguesia da Chã; as três constituíam uma Comenda do Convento de Santa Clara de Vila do Conde. O fortalecimento das regras primitivas e da reforma contra a lassidão em que haviam caído os frades, levados a peito, ao longo do século XVI, originou um grande movimento de apoio das populações, no plano espiritual e no plano material, que as levaram a construir mosteiros e capelas. Vem daí a devoção dos morgadenses a São Domingos de Gusmão, revelada na edificação da sua capela e dos vilapontenses que lhe dão lugar de honra no altar-mor da sua Igreja. Era o comungar desta gente barrosã com os princípios da pobreza voluntária dos monges pregadores, também chamados mendicantes, os frades dominicanos (e os franciscanos) cuja glória mais significativa foi São Tomás de Aquino. E já que falamos de Santos não ficava nada mal – era até um acto de justiça – que os de Carvalhais devolvessem à sua Capela o orago primeiro que foi São Tiago, conforme muito bem expressa a nossa variante barrosã da belíssima lenda dos Sete Varões Apostólicos."

 

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 Onde tem também outras informações sobre a freguesia:

  • Área: 21.2 km2
  • Densidade Populacional: 10.8 hab/km2
  • População Presente: 230
  • Orago: São Pedro
  • Pontos Turísticos: Capela de São Domingos(Morgade) e Casas (Carvalhais).
  • Lugares da Freguesia(4): Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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No livro Montalegre também há algumas referências à aldeia de Morgade e freguesia:

 

“Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes; S. Domingos, em Morgade; Nossa Senhora de Galegos, no Cortiço (Cervos); São João da Fraga, em Pitões; São Lourenço, em Tourém, e Nossa Senhora da Vila de Abril, em São Pedro (Contim).”

 

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E continua:

“São igualmente célebres por serem incomuns: o penedo do Esporão (S. Lourenço Cabril), a Laje dos Bois (Lapela-Cabril) o Penedo da Pala (Cela-Outeiro) o Penedo da Caçoila (Pedrário-Sarraquinhos) A Casa dos Mouros (Morgade), o Penedo Sagrado (Salto) A Mesa do Galo (Borralha-Salto),(…)”

 

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E ainda com:

 

"A grande rota das barragens

Vamos propor um passeio ao longo das albufeiras que se espraiam pelos vales dos rios Cávado e Rabagão. São cenários majestosos de água e serra, bem vivos nos prazeres da pesca, da vela do flyserf,  do remo, da canoagem e do esqui, ou no gosto da vitela barrosã, do cabrito,  das trutas  e das carpas.

Fixe como ponto de partida a vila de Montalegre. Saia em direcção à EN 103, Braga - Chaves, seguindo em direcção às aldeias da Aldeia Nova do Barroso – aldeia dos Colonos - Morgade, Negrões, Lamachã e Lavradas, já no concelho vizinho, para ter acesso ao grande miradouro do Vale do Rabagão, que são os “Cornos das Alturas”.”

 

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E com:

 

“As Festas

Por falarmos em festas, algumas ocorrem cada ano por toda a região. As de mais nomeada e tradição são as festas concelhias ao Senhor da Piedade, que se realizam na capital, durante a primeira quinzena de Agosto; a de Salto, à Senhora do Pranto, em 1de Agosto; a de Vilar de Perdizes, à Senhora da Saúde, a meados de Junho; as das sete Senhoras, todas elas Nossa Senhora dos Remédios, em sete localidades diferentes de Barroso, no dia 8 de Setembro, etc. Muitas delas apresentam um programa de carácter etnográfico e recreativo e realizam-se em locais de impressionante envolvência paisagística. Entre estas destacam-se: a Senhora da Vila de Abril, na freguesia de Contim; a Senhora das Neves, na freguesia de Cabril; São João da Fraga, em Pitões; a Senhora de Galegos, na freguesia de Cervos (Cortiço); o São Domingos, em Morgade e o Santo António, em Viade.”

 

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“Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho, Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).”

 

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Na Etnografia Transmontana (II – O Comunitarismo de Barroso) de António Lourenço Fonte encontrámos as seguintes referências:

 

“Hoje na freguesia de Cervos e os de Gralhós e Morgade juntam muito o gado vacum. A partir do mês dos Santos a fins de Fevereiro, antes de entrarem nos Outonos (lameiros) cada pastor junta o seu gado com o de todos os vizinhos e todos guardam o rebanho, recolhendo à noite ao curral, na aldeia. Por todo o Barroso as ruas da aldeia ficam assim estercadas com a passagem diária de tanta fazenda (gado). Alguns estrumam as suas testadas, são as estrumeiras, para estercar as terras.(…)”

 

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Saliente-se que o “hoje” do início da citação anterior se refere a 1977, ano de publicação do livro, que, e ainda no mesmo, noutra referência que transcrevemos a seguir, o “este século” é o século XX:

“Verdadeiramente só no princípio deste século, mais concretamente na 1ª grande guerra, aí por 1914 é que as riquezas mineiras de Barroso começaram a ter interesse mundial.

 

Assim na Borralha freguesia de Salto foram os belgas, mais tarde os franceses, que vieram explorar o volfrâmio, estanho, pirite, ouro, etc. No Bessa, na zona de Morgade, Rebordelo e Carvalho tem sido explorado em maior quantidade o estanho e menos o volfrâmio. (…)

 

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Ainda do mesmo autor (Padre Fontes) na Etnografia Transmontana, I – Crenças e Tradições do Barroso, encontrámos as seguintes referências:

 

NOMEADAS DAS TERRAS E GENTES

(…)

Pernas tortas de Vilar,

Tarouqueiros de Solveira,

Escorna cruzes de Solveira,

Da amarela de S. André,

Arreda que sou de Gralhas,

Largateiros de Pedrário,

Leites quentes do Antigo,

Ovelhas de Zebral,

Formigueiros de Serraquinhos,

Carvoeiros de Cepeda,

Financeiros de Fírvidas,

Fidalgos de Cervos,

Lobos de Negrões,

Largateiros de Morgade,

Troquistas de Torgueda

(Informou P. Domingos Barroso).

 

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E continua com as alcunhas das aldeias:

 

Travassos, terra dos abraços

Castanheira, terra da madeira

Penedones, terra dos homes

São Vicente, terra da gente

Torgueda, terra da merda

Peireses, terra dos reses

Gralhós, terra dos avós

Medeiros, terra dos peidos,

Negrões, terra dos Ladrões,

Frades, terra dos padres,

Cambezes, terra dos homens portugueses,

Montalegre, povo cigano, que muito pede,

Morgade, roubam muito e ninguém o sabe,

Meixedo, inda que vejam a morte, não têm medo.

(Informou Bento Joaquim, A. Alves de Travassos, 68 anos)

 

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E vamos agora espreitar o que se diz na “Toponímia de Barroso” a respeito da nossa aldeia de hoje:

 

"MORGADE

É o genitivo do nome pessoal germânico Mauregatus. Assim, uma “VILLA” Mauregati > Mourgade > Moorgade > Morgade, em:

- 1258 « de villa de Morgadi est» INQ 1518 donde se vê que no século XIII já só faltava “abrandar” o i em e — o que acontecia já na pronúncia."

 

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Na “Toponímia Alegre” mais duas achegas:

 

“Quem andou sempre topou:

Um cão de caça na Vila da Ponte,

Um ladrão em Morgade,

Uma lebre em Covelo do Monte

E uma puta em Viade.

Toda a vida se ouviu dizer

Quem sempre terá de haver:

Um cão de caça nas Alturas,

Uma lebre em Morgade,

Um puta em Parafita

E um ladrão em Viade."

 

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E ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, passaram a estar na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, António Lourenço, (1974), Etnografia Transmontana, I — Crenças e Tradições de Barroso. Coimbra: Edição do Autor.

FONTES, António Lourenço, (1977), Etnografia Transmontana, II — O Comunitarismo de Barroso. Minerva Transmontana – Vila Real: Edição de Autor.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Loivos - Chaves - Portugal

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Hoje puxamos o garabelho e abrimos as portas à aldeia de Loivos, plantada à beira da veiga da Ribeira de Oura que começa aos pés de Escariz, passa pelo Seixo, encontra-se com Loivos, continua para Vila Verde de Oura, estende-se até Oura, estreita em Vidago, alarga-se em Arcossó e perde-se no Rio Tâmega. Quase tão longa como a veiga de Chaves, mas mais estreitita.

 

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Já Loivos, aldeia, é das aldeias mais larguinhas do concelho de Chaves, ou melhor, foi, pois com a modernidade do pós 25 de abril não cresceu tanto como as aldeias da proximidade da cidade. É, esta também é uma das verdades da democracia, que não só trouxe melhores condições de vida como também incentivou o êxodo do mundo rural.

 

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A aldeia de Loivos também foi uma das que foi traída por estes novos tempos e que, como quase todas as aldeias do interior, acabou por sofrer dessa maleita do despovoamento, Loivos, que a meu ver era uma das aldeias mais desenvolvidas do concelho de Chaves, servida por estrada nacional e estação de comboio (quando o havia), para além de ser uma animada, não fosse ela terra de músicos.

 

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E embora as imagens de hoje tente abordar um pouquinho de tudo que Loivos tem, o que em sete imagens é sempre impossível, mas complementam um pouco dos posts anteriores dedicados à aldeia. Embora tentemos fazer essa abordagem, dedico o resto das palavras à música, à sua banda filarmónica e aos seus músicos, que estão fartos de dar provas da sua qualidade. Palavras que lhes dedicamos, mas que fomos roubar ao site das bandas filarmónicas

 

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Fundada em 1826, a Banda Musical de Loivos tem vindo a desenvolver, ininterruptamente, uma ação promotora da música numa região que desde há muito tempo tem vindo a ser desconsiderara no que toca à qualidade musical que apresenta. Não obstante este facto, a Banda Musical de Loivos sempre se pautou por ser um polo de aglutinação de jovens e menos jovens, assumindo muitas vezes um papel de relevo na integração social dos habitantes de Loivos e aldeias vizinhas. Ao longo dos quase dois séculos da sua existência, a BML soube construir uma reputação de qualidade, entrega e paixão pela música, potenciando os parcos recursos que foi tendo à sua disposição, ao longo dos tempo, ao ponto do nome da aldeia que a alberga ser sinónimo de “música” e de “músicos” na sua região. Realiza regularmente concertos na sua região e é uma presença assídua nas festas e romarias, tendo sempre recebido críticas positivas por parte do público. Contou sempre com Diretores Artísticos abnegados e com espírito de missão que pautaram sempre o seu trabalho pela evolução musical da BML, sendo de registar alguns nomes importantes na história da BML, tal como os Maestros Francisco Gomes (anos 30 e 40), José Rodrigues “Carriço” (anos 50 e 60), José Maria (anos 80), José Lourenço Costa (anos 90), entre outros, que, pela sua longevidade frente à BML, deixaram construídas as bases para a banda de hoje.

 

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Atualmente, a BML é composta por cerca de 60 elementos, na sua maioria jovens, que conciliam a sua vida profissional e académica com a atividade musical nesta banda. Embora seja uma banda bastante jovem na sua composição, conta nos seus quadros com jovens músicos em formação no seu instrumento, fruto de uma aposta forte da BML na formação dos seus músicos como único meio para a evolução da banda e consequente afirmação num panorama musical mais alargado, através de protocolos com escolas de Ensino Artístico Especializado como através da sua escola de música onde jovens dão os primeiros passos no mundo da música, ingressando, mais tarde, no corpo da própria banda.

 

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Em 1999 gravou um disco cujos temas ilustram o trabalho desenvolvido pela Banda. Este trabalho visava registar e perpetuar, pela primeira vez, o resultado da dedicação e arte – com todas as limitações que este termo implica para quem apenas é amante da música sem, todavia, esquecer a pesada herança que uma organização quase bicentenária, como é a Banda Musical de Loivos, carrega e tenta legar às gerações presentes e vindouras.

Atualmente e desde Novembro de 2012, a BML tem como Diretor Artístico o Maestro Luciano Pereira que iniciou o seu percurso na BML com apenas 11 anos e natural da aldeia de Loivos, tendo iniciado uma nova etapa da sua contínua evolução, tendo como diretrizes a formação dos seus elementos, a abertura da Banda a novas realidades musicais e, acima de tudo, o respeito pela herança de dois séculos de heróis que mantiveram a BML sempre no caminho do progresso e da qualidade, sem nunca esquecer o meio envolvente e as pessoas que a ajudaram a construir, ano após ano. Dentro deste espírito de trabalho, a BML teve já o prazer de se apresentar em concerto no Festival “Filarmonia ao mais Alto Nível”, em 2013, tendo obtido uma critíca bastante favorável por parte do público.

Em 2015 concorreu na 2ª Secção do II Concurso Internacional de Bandas “Filarmonia d’Ouro”, tendo sido laureada com o 2º Prémio.

Para saber mais sobre a Banda Filarmónica de Loivos, clique aqui.

 

 

 

 

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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018

Rua das Longras - Pormenores

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Hoje vamos fazer uma breve passagem pela Rua das Longras, sem grandes comentários, apenas dizer que é uma das ruas que hoje vive na sombra da cidade.

 

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Talvez os mais jovens não entendam as minhas palavras, mas os da minha geração e mais velhos, pela certa que as entendem. Uma rua cortada a meio pela modernidade, onde a metade resistente,  é apenas uma das vítimas do betão que entrou pela cidade histórica adentro sem sequer pedir licença.  

 

 

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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2018

Um dia de Entrudo fora de casa...

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Já há muito que tínhamos decidido que este ano trocávamos o Intróido galego pelo Entrudo português, mais propriamente tínhamo-nos decidido pelo do Nordeste transmontano, com preferências a cair no de Podence. No entanto tínhamos também decidido que com frio ainda lá íamos, mas com chuva ficávamos em casa. A previsão era de chuva e frio e a decisão foi de ficar em casa.

 

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Dia de entrudo, de frio e chuva em casa, é quase o mesmo que dizer mais um dia de sofá. Claro que a gastronomia do dia faz um pouco a diferença, mas após a almoçarada, então é que de certeza estamos condenados ao sofá, e depois, para ser sincero, a ementa do domingo gordo e a do entrudo, foi acontecendo um pouco ao longo das últimas semanas e o do último domingo ainda não estava bem digerido, além do mais, à família apetecia-lhe ir laurear a pevide, e  andar de cuzinho tremido todos gostam, e sem medo a frio ou chuvas, pois o popó também é um pequeno lar com as suas comodidades. Vai dai — Vamos! Pra onde!? — Logo se vê…

 

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A ideia era sair das autoestradas e privilegiar as estradas nacionais e secundárias, de preferência por terras menos conhecidas, não muito longe, nem muito perto, que desse para não levantar muito cedo e regressar a casa ainda de dia. Comer, logo se via, onde desse mais jeito. Ficou decidido ir para terras de Vinhais, entrar um pouco no distrito de Bragança, pois este nunca nos calha nos nosso itinerários obrigatórios além em muitas das suas localidades se festejar o Entrudo com caretos. Partir um pouco à descoberta do interior mais interior, e lá fomos nós com o primeiro destino em Vinhais e aí logo se veria.

 

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Chegados a Vinhais, resolvemos deixar a EN 103 e virar para o interior. Destino Macedo de Cavaleiros e aí logo se veria. E assim foi. Curva e mais curva, sem muita velocidade, pois queríamos apreciar aquilo que ainda não conhecíamos. Céu escuro bem carregado de nuvens a ameaçar chuvada, mas não passava da ameaça, já a temperatura ia variando entre os 4 e 1º, frio de rachar, mas isso era fora do popó, dentro ia-se bem. Mesmo assim não resisti ao que ia vendo e próximo de uma aldeia que dava pelo nome de Edrosso, parei o popó e fiz duas fotos cuja composição tinha aberto o apetite à objetiva.

 

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Mais uns quilómetros e a surpresa do dia – Podence e a Barragem do Azibo aparecia nas placas, ambos lugares desconhecidos para nós, além de Podence ter feito parte dos nosso planos. Já quase na hora do almoço, seriam bons locais para comer qualquer coisa. Decidimo-nos pela barragem do Azibo, passando ao lado de Podence, ao qual deitaríamos uma olhadela após o almoço. Mas na barragem só deu mesmo para umas fotos, bem fias por sinal. Onde comer, não havia. “Bota” pra Podence.

 

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Chegados a Podence, mesmo ao lado da barragem do Azibo, demos com as ruas quase desertas, sem caretos, sem entrudo, mas pelo menos não faltava onde comer, quase porta sim porta não. Perguntámos à GNR de serviço que estava na entrada da aldeia o que era feito dos caretos e do entrudo!? – E  resposta foi pronta, que a noite anterior tinha sido de festa grande, com os “casamentos” e ainda deviam estar a descasar.

 

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Quem já não descasava nessa altura eram as nossas barriguinhas a pedir alimento. Demos uma volta pela aldeia, fomos tirando umas fotos e vendo as ementas nos restaurantes improvisados. Ementa repetida em quase todos eles, e a preços acessíveis. As queixas do frio agravado por algum vento que se fazia sentir convidou-nos a entrar num desses restaurantes improvisados, ainda quase vazio, mas que aos poucos se foi compondo e enchendo. Comemos bem, obrigado! E aquecemos um pouco.

 

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Findo o comer, de novo as ruas de Podence, ainda sem grande movimento, mas notava-se que havia gente a chegar. Caretos, nem vê-los. Perguntámos de novo por eles e disseram-nos que ainda era cedo que deveriam estar a comer…  o frio continuava mas algumas fogueiras estrategicamente colocadas nos largos iam aquecendo um pouco, embora o vento fizesse com que o fumo não nos largasse. Por vontade das mulheres podíamos pensar em partir. Que não, teimei eu, sem fotografais dos caretos não abalava. E depois de mais umas voltas pelas ruas, um café e uma ginjinha, uma visita à Casa/Museu do Careto, de ouvir um pouco de música pelo grupo de serviço, de apreciar as curiosas placas que em quase todas para além da rua ou largo tinha um cometário por baixo, sempre do género “aqui existiu, ou teria existido…”  começa-se a ouvir o chocalho de um careto, depois mais outro e depois mais dois ou três.

 

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Embora poucos, já dava para umas fotos, as ruas começaram a encher, o frio continuava a apertar, e a festa iniciava-se espontaneamente onde houvesse caretos e música. Uns dançavam, outros apreciavam, outros não largavam as fogueiras, alguns ainda iam entrando nos restaurantes improvisados enquanto outros iam saindo, fotógrafos por todo o lado, televisões e a festa tinha começado.

 

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Começou para os que ficaram, nós já tínhamos a nossa dose de frio, de fumo, de caretos, de entrudo e de fotos.  Regressámos a casa, desta vez deixámos o romantismo de parte e decidimo-nos pela autoestrada em direção a Mirandela. Autoestrada  que curiosamente separa a aldeia de Podence da Barragem do Azibo.

 

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E num instante estávamos em Chaves de regresso ao lar, doce lar e que depois de um dia que até se tornou gostoso, pelo menos para mim que fiz o gosto ao dedo dos cliques. Isto das autoestradas e vias rápidas têm a desvantagem de passarmos literalmente ao lado das coisas, localidades e paisagens, sem tempo para reparar em pormenores, mas têm a vantagem de serem muito mais rápidas que as estradas nacionais e municipais.  Quanto a Podence, aguçou-nos o apetite para lá voltarmos no próximo ano, mas aí, com tempo para ficar à festa.

 

E estamos de novo de regresso à cidade!

 

 

 

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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018

O Entroido da Eurocidade Chaves-Verín

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Como hoje é dia de Carnaval, ninguém leva a mal – diz o povo – e se o povo o diz, então é porque é mesmo assim. É  uma espécie de dia 1 de abril, dia das mentiras, só que aqui, no carnaval,  é a verdade que se disfarça com a mentira, quer com máscaras, quer vestindo-se a verdade de careto, de matrafona, de peliqueiro ou cigarón, estes últimos os mais próximos de nós, pois são da nossa Eurocidade Chaves-Verín. Assim sendo, as imagens de hoje são dos nossos cigarróns de Verín, e entendam esta última frase também como uma frase carnavalesca, ou seja, uma verdade também ela vestida com uma mentira.

 

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Em tempos achei piada a uma frase que tentava explicar o que era a Eurocidade Chaves-Verín em que dizia “aqui somos todos galegos que vivem na mesma cidade mas em dois bairros, uns vivem no bairro do Norte e outros no bairro do Sul.”. Eu próprio acho que adotei algumas vezes, isso aconteceu quando achei também piada à ideia de Verín e Chaves serem uma só cidade, com um mesmo povo que culturalmente somos, e que cheguei a acreditar que essa cidade seria possível, tanto mais que até os senhores da Europa, que são assim uma espécie de senhores de Lisboa mas à escala europeia, numa das suas páginas oficiais da WEB diziam o seguinte: “O projeto Eurocidades procurou encontrar formas de promover os serviços e as políticas comuns em áreas como a cultura, turismo, comércio, educação, investigação e política social. Este projeto pretendeu fomentar uma colaboração territorial mais profunda e edificar uma coesão social entre as duas comunidades, ao mesmo tempo que procurou melhorar a qualidade de vida em geral das pessoas.” (in: http://ec.europa.eu/regional_policy/pt/projects/spain/eurocity-bringing-cultures-together-to-forge-lasting-bonds )

Palavras encantadoras “ políticas comuns em áreas como a cultura, turismo, comércio, educação…” . Fiquei convencido, mas tudo isto foi antes de cair em mim.

 

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Com o tempo essa dos “galegos do Norte e dos galegos do Sul” fez-me lembrar aquela anedota que pretendia demonstrar a xenofobia e racismo do apartheid  na África do Sul,  quando a professora branca que entrou pela primeira vez numa turma mista, disse: aqui não há brancos nem pretos, somos todos azuis. Uma vez que assim é, o azuis-claros sentam-se à frente e os azuis-escuros sentam-se atrás.

Pois por aqui também é tudo galego, mas cada um no seu cantinho e cada um brinca com os seus brinquedos, festas, culturas, educações, etc.  incluindo no Carnaval.

Vejamos por exemplo uma sondagem que está na página da Eurocidade Chaves-Verín:

 

sondagem.JPG

 

 

Não seria mais correto o texto dizer assim:

 

Concorda com um único hospital na Eurocidade Chaves-Verín com todas as valências médicas e especialidades?

Com apenas duas respostas: sim ou não

 

Mas para evitar guerrilhices até deveria ser assim:

Concorda com um único hospital na Eurocidade Chaves-Verín a construir na antiga fronteira, com todas as valências médicas e especialidades?

 

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Os mais atentos dirão que não, que as coisas não são assim, que até já existe um cartão de eurocidadão para mostrar aos amigos, e uma agenda cultural comum onde cada um (galegos do Norte e galegos do Sul) deixam as suas atividades individuais (que não são comuns porque não existem).

 

Tudo isto porque, ao contrário de Verín,  Chaves não tem tradição de festejar o Carnaval, e quando apareceu essa coisa da Eurocidade Chaves-Verín, cheguei a sonhar que seria possível fazer qualquer coisa em conjunto, onde Chaves também passasse a ter alguma da festa do Entroido de Verín.

 

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Eurocidade Chaves- Verín que agora também já se autointitula “Eurocidade da Água”. Para esta e para quem conhece o nosso Rio Tâmega entre Chaves e Verín,  deixo aqui um texto que há dias se cruzou comigo na internet, num grupo do Facebook “Tâmega Internacional – Natureza e Mundo Rural”  de autoria de Marco António Fachada:

 

"Durante anos sonhamos: com uma área protegida, com bosques ribeirinhos onde pudéssemos ensinar como se sabe, pelas árvores e líquenes, onde está o Norte, com moinhos reconstruídos e transformados em centro de interpretação da natureza, com o silêncio do canto das aves e o ruído das águas a bater nas pedras.


Um espaço onde pudéssemos mostrar que uma árvore morta é ainda uma fonte para a vida.


Vieram estudantes e turistas, nacionais e estrangeiros. Fomos à televisão e a congressos, cá dentro e lá fora.

Acreditámos.


Houve uma petição, assinada por (quase) todos nós. O tempo foi passando, desacreditando.


Hoje os caminhos onde víamos o sardão ou a cobra-de-escada a aquecer no cascalho, são estradas movimentadas em alcatrão.


Vieram outros, puseram novos observatórios e sinalética, mas a vegetação continua a ser destruída, a extração de areias voltou, à luz do dia, encoberta pela neblina, à luz do sol depois do nevoeiro levantar...


Parece que resta um sofá...largado, à beira da tal estrada de alcatrão, de frente para uma lagoa, sem árvores, sem aves...


Chamam-lhe desenvolvimento, eu acho que é apenas desilusão. 


Eu assumo a minha."

 

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E eu a minha!

 

 

Claro que tudo isto vem porque hoje é Carnaval e ninguém leva a mal… E com esta me bou!

 

Desculpem lá, mas gosto mais da versão barrosã de “me bou” do que da flaviense “bou-me”. Continua a ser Carnaval…. ou Entroido na Eurocidade.

 

 

 

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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2018

De regresso à cidade

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De regresso à cidade com passagem noturna pela torre de menagem, com uma amoreira e a lua por companhia.

 

E agora um pequeno esclarecimento para aqueles que ontem contribuíram para por um pontinho no mapa-múndi que colocámos na barra lateral e que hoje já não existe. Foi de pouca dura, não por nossa vontade, mas a conselho da equipa de blogs da SAPO, que nós aceitámos, pois o widget (era assim que a coisa se chamava) não era fidedigno, além de também eu ter dado conta que atrasava consideravelmente a abertura de páginas no blog. É, tal como se diz por aí “não há almoços grátis” e mais dia-menos-dia o widget  (gratuito) que tinha instalado,  começaria a abrir publicidade indesejada quando vós acedêsseis ao blog. No passado já tivemos uma experiência dessas que não queremos repetida, mas a todos que contribuíram com um pontinho, o nosso obrigado, pois foi bonito de ver enquanto durou.

 

Uma boa semana, com o dia de amanhã de muita folia.  

 

 

 

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Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Sacoselo

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Sacoselo é a nossa aldeia barrosã de hoje, bem próxima da aldeia que deixámos aqui há 15 dias, a aldeia de Reigoso, embora Sacoselo já pertença à freguesia de Ferral. Assim, o nosso  itinerário para chegar a esta aldeia, como sempre a partir da cidade de Chaves, será uma cópia do itinerário até Reigoso.

 

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Tal como a aldeia de Reigoso, Sacoselo fica na transição entre o Barroso da Chã, o Barroso do Gerês, o Barroso do Rio e o Barroso de Salto e das Alturas. Fica mais ou menos ao centro das três Barragens (dos Pisões, Venda Nova e Padrela) a mais distante a dos Pisões a 9 km e a mais próxima a da Venda Nova a apenas 600 metros. E fica também entre dois dos rios mais importantes do concelho, o Cávado e o Rabagão, rios que alimentam as barragens atrás citadas.

 

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Vamos ao nosso itinerário com partida da cidade de Chaves que tal como aconteceu com a aldeia de Reigoso optámos por ir pela EN103 (Estrada da Braga), com a aldeia de Sacoselo a 63 km. Não há nada que enganar, é seguir sempre a EN103, passa-se a Barragem dos Pisões, logo a seguir passa-se ao lado de Vila da Ponte e logo a seguir, coisa de 2 Km, vira-se à direita para Ladrugães, passa-se ao lado desta e a seguir vem a aldeia de Reigoso que temos de atravessar, já na saída a estrada bifurca à esquerda para a aldeia de Currais e à direita para Sacoselo, que fica 3 quilómetros mais à frente.

 

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Para sermos mais exatos e para quem se guia pelas coordenadas, aqui ficam elas, mas também fica a seguir o nosso habitual mapa com o itinerário:

41º 42’ 22.36” N

7º 57’ 36.56” O

A aldeia fica implantada na vertente da montanha que descai para a barragem da Venda Nova e implanta-se entre os 797 e os 846 metros de altitude.

 

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Embora este seja o nosso itinerário para o post de hoje, quando abordámos pela primeira vez Sacoselo,  levávamos na agenda a visita às aldeias de Ladrugães, de Reigoso, de Currais e mais algumas após Sacoselo. Isto para vos dizer que já não ficámos surpreendidos com o que vimos em Sacoselo, pois as três aldeias que tínhamos visto antes já não deixavam margem para mais surpresas, em Sacoselo repetia-se a exuberância do verde das pastagens, as vistas lançadas mais além para o mar de montanhas, etc. Só não sentimos a presença da barragem  da Venda Nova, como aconteceu em Currais, que embora a 600 metros de distância, as encostas das pequenas montanhas não a deixam ver .

 

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Assim é natural que aldeias tão próximas partilhem das mesmas paisagens e do mesmo verde, no entanto têm sempre as suas singularidades que acabam por caracterizá-las, dando-lhes uma identidade própria, tal como acontece com os irmãos de uma família.

 

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Já atrás salientámos o verde que rodeia a aldeia, hoje pintado maioritariamente pelas pastagens e algum arvoredo, carvalhos, na maioria, mas a quantidade de canastros que existem na aldeia são um testemunho que outrora o verde era resultante do cultivo da terra, do milho, talvez do linho e mais recentemente também da batata. Não sei quais seriam as culturas, mas milho havia de certeza, e ainda deve haver, isto a julgar pelo estado de conservação de alguns canastros e do novo canastro que por aqui começa a aparecer já com recurso ao tijolo furado à vista e estrutura de betão armado, embora ainda apoiados nas antigas estruturas e fundações de granito.  Não são tão interessantes como os mais antigos, mas serão pela certa mais duradoiros.

 

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No restante chamou-nos a atenção algumas soluções construtivas interessantes, sobretudo as mais antigas, que embora hoje degradadas e abandonados, o costume, não deixam de ter ainda autênticos exemplares da nossa arquitetura rural. Casario simples, maioritariamente. Ficou-nos o olhares numas escaleiras redondas em semicírculos quase perfeitos, uma outra já muito degradada mas deixou à vista às várias camadas “arqueológicas” da sua arquitetura e construção, com o granito na base, a estrutura ripada de madeira de suporte do estuque ou aglomerados de argila, a chapa zincada, o tapamento posterior de uma porta com pedra miúda, etc. 

 

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Ao nível das construções é também notória a utilização daquilo que o solo tem, neste caso o xisto vai aparecendo com alguma frequência, ou melhor, uma mistura de xisto com granito, este último sempre de maiores dimensões e em componentes estruturantes da construção. Nota-se também a ausência de muretes de suporte nas coberturas que era utilizado para remate e acomodar do colmo, tão habitual nas aldeias do planalto do Larouco e um pouco por todo o restante Barroso.

 

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Intervenções novas com traços de modernidade também se fazem sentir e são bem visíveis, um no acrescento da capela em que o perpianho serrado de fabrico e perfeito, contrasta com o granito mais antigo da capela, de pedra mais irregular a pico de pedreiro, mas pelo menos a cor do granito é idêntica.

 

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No mesmo largo da Igreja, ao lado também é notória uma intervenção recente na construção de uma fonte/bebedouro de animais e um tanque coberto/lavadouro público e muro de suporte, tudo em granito azul, serrado e amaciado, à exceção do muro de suporte. Dá-lhe um ar limpinho e até higiénico, mas perde a rusticidade do mais antigo. No entanto, nada a dizer sobre esta intervenção, sempre é mais interessante que os antigos lavadouros público “tipo” de tijolo rebocado. Dá-me é a impressão que este lavadouro já chegou tarde, pois é também notório que tem pouca utilização, ao contrário de outros tempos, em que era mesmo uma necessidade. Mas se calha até estou errado, pois não sei se este novo lavadouro veio substituir um aí existente ou se existia outro lavadouro antigo. Para rematar, tem traços de modernidade mas até embeleza o largo.

 

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Ainda no mesmo largo há também uma nova construção/habitação seguindo os mesmos traços de modernidade, que se repetem numa ou outra reconstrução ou intervenção nova, mas na grande maioria a aldeia mantém a sua integridade de aldeia típica transmontana, embora já não tanto quanto a aldeia típica barrosã. Mas claro, que tudo isto vale o que vale, pois é apenas a minha opinião.

 

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Quanto às dimensões da aldeia, não é grande mas também não é das mais pequenas. A entrada na aldeia (para quem vai de Reigoso ou Currais) faz-se pelo largo principal da aldeia, onde se encontra a capela e a fonte/bebedouro/lavadouro, desenvolvendo-se a aldeia à volta de um aglomerado concentrado.

 

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Deixando as nossas observações pessoais, passemos àquilo que os livros e documentos dizem sobre a aldeia, pois na WEB nada encontrámos quanto à sua história ou outros que aqui possam interessar.

 

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Pois no livro Montalegre, para além da referência à aldeia pertencer à freguesia de Ferral, nada mais consta. Reparei, no entanto, que no livro é grafada com Z, ou seja, Sacozelo, e não Sacoselo, como aparece nas placas, e mapa turístico de Montalegre e em alguns documentos de Montalegre, incluindo na página oficial do município e da Junta de Freguesia na WEB, embora na primeira apareça a aldeia grafada das duas formas, com S e com Z, quase parece que é conforme lhes dá na gana. Não é que esta questão, à primeira vista, seja importante, mas agora em plena era digital até já faz alguma diferença, principalmente em catalogações e pesquisas, tal como me aconteceu hoje, pois na WEB tive de pesquisar nas duas formas do topónimo, o dobro do trabalho. E também não fica bem na página oficial estar grafada de ambas as formas. Decidam-se por uma, “e prontos”!

 

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Seja como for aqui no post é Sacoselo, pois foi assim que a vi nos mapas, embora se não a tivesse visto escrita e a tivesse de escrever pela primeira vez, escreveria Sacozelo, mas vamos à Toponímia de Barroso, que sendo do mesmo autor que o livro Montalegre, aposto que a aldeia está grafada com Z, ora vejamos:

 

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Pois é, perdia a aposta… Sacoselo, na Toponímia de Barroso está grafada com S:

 

Sacoselo

É também (só pode ser) o adjetivo secoso (de seco+oso) por sua vez do latino SICCU, “seco”. Portanto, terreno seco. Tão secoso era o terreno que ainda mais seco ficou no diminutivo ELO = SECOSELO. E como já vimos , o E surdo e mudo deu lugar ao A um pouco mais fácil de pronunciar. Não temos o topónimo documentado, infelizmente.

  

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Ora cá está, na toponímia foi-se à origem da palavra Sacoselo a partir da palavra secoso, que nos leva a terra seca. Pois eu estive por lá e não achei a terra assim tão seca, aliás a água até corria livremente por algumas valetas nas ruas da aldeia e os campos estão bem verdinhos. Pois se “selo” final de Sacoselo fosse “zelo” de Sacozelo, aí outro galo cantaria, pois, o zelo de zelar já tem outro significado que até seria bem mais nobre para a aldeia, atendendo ao que significa (empenho, cuidado, interesse, dedicação, desvelo…) Mas mais uma vez esta é a minha opinião e vale o que vale.

 

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Ainda na Toponímia de Barroso, mas agora na “Alegre” há ainda duas referências a Sacoselo:

 

Muito vagar teve Deus

Quando fez Cela e Sirvozelo

São Pedro e Contim

Nogueiró e Sacoselo.

 

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E ainda mais esta:

 

De Cabril são carvoeiros

Pata mansa de Sertelo;

Pica-burros em Pardieiros

E saca-bolsas de Sacoselo!

 

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E como nas nossas pesquisas nada mais encontrámos e já deixámos por aqui as nossas impressões e observações, se calha até em demasia, pois há coisas que seria politicamente mais correto aceitá-las tal qual nos as servem, mas, como não me está no feitio comer tudo que me dão e já tenho uma idade em que já escolho aquilo que como, também já me são permitidos alguns devaneios, e depois, quando não há documentos e escritos sobre as aldeias e tenho que meter alguma coisa entre cada fotografia para elas não ficarem aqui a monte, estes devaneios até dão jeito. Sinceridade acima de tudo!

 

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Pois finalizamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, desde o último fim-de-semana, passaram a estar na barra lateral deste blog, tudo porque no último fim-de-semana não consegui publicar o post com os links. Só depois de os retirar é que consegui. Mas há males que vêm por bem ou para bem, e assim passamos a ter os links para o Barroso sempre visíveis no blog e não apenas uma vez por semana. Tal como já disse, se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.jf-ferral.pt/

http://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

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Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

Limãos - Chaves - Portugal

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Seguindo a ordem alfabética que estabelecemos para esta nova ronda pelas nossa aldeia, a seguir a Lamadarcos, a aldeia da última semana, vem Limãos. É para lá que vamos hoje.

 

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Tal como já deixei por aqui nas anteriores publicações que este blog dedicou a Limãos, esta aldeia tem as suas particularidades, e bem curiosas. Uma delas tem a ver com a sua localização, cuja particularidade lhe é conferida pelo acesso à aldeia através da EN213, ou seja, Limãos pertence ao concelho de Chaves sendo estrada nacional o único acesso que temos para chegar a Limãos, no entanto antes de lá chegarmos temos que entrar no concelho de Valpaços, passar por uma das suas aldeias (Barracão) para de novo entrarmos no concelho de Chaves e aí sim, temos Limãos, para logo a seguir termos o concelho de Valpaços outra vez.

 

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Outra particularidade tem a ver com a curiosiosa arquitetura da capela. Original e singular, parecendo uma construção cortada longitudinalmente a meio. Pessoalmente gosto da diferença. Outra curiosidade tem a ver com o  topónimo Limãos, que por sinal não é caso único, pois no concelho de Vinhais também existe uma localidade com este topónimo. Pois de cada vez que em conversa calha mencionar a aldeia de Limãos, há logo uma voz próxima que tenta corrigir para “Limões”.  Limãos, dizemos nós, é mesmo assim. E é. Não conheço a origem do topónimo, mas no Blog Limãos  a Wilma (autora do blog) avança com duas hipóteses para a sua origem.

 

1600-limaos (131)

 

Diz assim o blog Limãos:

“O nome poderá provir de limais, que significava terra pantanosa e coberta de limos. No entanto há outra opinião, que diz que esta povoação teve a sua origem numa colónia constituída por indivíduos provenientes da Galiza, da região de Límia.”

 

1600-limaos-139 (10) art

 

Pena que o Blog Limãos não seja atualizado desde março de 2013, pois ia sendo mais uma das nossas aldeias que estava no mapa da blogosfera flaviense, mas mesmo assim, para quem quiser aprofundar mais um pouco sobre esta aldeia, o blog tem algumas informações. Nem há como passar por lá, fica o link: http://limaos.blogs.sapo.pt

E por falar em atualizações, também nós temos de atualizar as nossas idas a Limãos, pois as imagens que hoje aqui ficam já têm mais de 10 anos.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:10
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Pedra de Toque

1600-(45517)

pedra de toque copy.jpg

 

                       QUANDO

 

                        Quando te descobri,

                        Acariciei logo teu pensamento.

 

                        Quando te senti,

                        Afaguei logo teu coração.

 

                        Depois,

                        Dirigi-me para dentro de mim

                        E quedei-me absorto olhando a cidade, o rio

                        E teus olhos líquidos.

 

                        O cansaço adoeceu-me.

 

                        Só a tua boca,

                        Acalma as tempestades,

                        Reflete o sol

                        E sara maleitas!

 

                        Bendita sejas!... 

 

António Roque

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:44
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2018

Momentos!

1600-(48788)

 

Às vezes a imagem não é tudo, mostra-nos sempre e apenas aquilo que se vê, ou aquilo que queremos que se veja, até a podemos congelar para todo o sempre, mas a quem a vê faltar-lhe-á o momento vivido aquém daquilo que o olhar alcança, esse, ah esse momento, é só nosso, de quem o vive.    

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:22
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2018

Rua do Poço - Chaves - Portugal

1600-(48824)

 

Por mais fotografias que tenha desta cidade de Chaves, sempre que me faz falta alguma de um determinado local ou pormenor, dou-me conta que essa nunca a fiz. Claro que mais dia, menos dia, acabo por fazê-la, mas então já não faz falta. É por essa razão, que de vez em quando, dou umas voltas pelo nosso centro histórico, repito passos que já antes dei, registo novos momentos de que já registei, e às vezes lá vai acontecendo um ou outro que foi falhando nas minhas anteriores passagens. Claro que são olhares seletivos, pois há pelo nosso centro histórico muitos atentados cometidos que não interessam a ninguém.

 

Nestas voltas há ruas e pormenores que são mais fotografados que outros. Uma das ruas da qual tenho menos motivos registados é da Rua do Poço e sempre que passo por lá compreendo o porquê. Parece uma rua com duas faces, que na realidade tem, uma com construções assentes sobre a muralha medieval com os seus alçados principais virados para a rua e mantendo a sua traça antiga. A outra face parece feita de alçados posteriores e maioritariamente com reconstruções descuidadas, varandas de betão que não condizem com a rua.

 

1600-(48834)

 

Mas mesmo assim nesta mescla em que os sentires ficam divididos, há momentos únicos na rua, às vezes feitos pela magia da luz e da cor, outras vezes num quadro antigo de um gato à espera que a porta se abra ou de um mini à espera que lhe abram a porta. Vale a pena insistir, os momentos sucedem-se uns aos outros e por muito semelhantes que sejam, nunca são iguais.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:04
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