Domingo, 16 de Julho de 2017

A Galiza aqui ao lado - A Rapa das Bestas VII (último)

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Para já vamos até à Galiza aqui ao lado, mas mais logo ainda vamos até ao Barroso aqui tão perto.

 

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E hoje terminamos esta espécie de homenagem a uma tradição secular que dá pelo nome de rapa das bestas, uma tradição associada a uma lenda que conta com mais de 400 anos de existência e que tal como dissemos com uma “luta” entre o homem e as bestas que não são mais que cavalos e éguas selvagens a quem o homem presta o serviço de rapar e vacinar as “bestas” para viverem mais um ano de vida selvagem.  Há dias num comentário algures aí pela net alguém perguntava – quem eram as bestas? Pois a pergunta fica sem resposta, tanto mais que no post em causa se dava a conhecer a lenda, a tradição e o respeito que havia pelos animais selvagens (cavalos e éguas), aliados a um espetáculo que no caso até era solidário em que os intervenientes humanos eram ou tinham a supervisão de veterinários, daí , a haver bestas nesta história, essa, só poderá ser a ignorância de quem não sabe do que se trata na “rapa das bestas”.  Pela nossa parte ficámos fãs do evento e sempre que pudermos lá estaremos nem que seja, e só, para dar continuidade à tradição que faz sempre a alma de um povo, neste caso de um povo irmão. E, tenho dito!

 

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Até mais logo com mais uma aldeia do Barroso aqui tão perto.

 

 

 

 

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Sábado, 28 de Maio de 2016

Vilar de Nantes - Presente, tradição e o passado

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Vilar de Nantes, aldeia e freguesia

 

O prometido é devido e cá estamos nós com Vilar de Nantes, a aldeia atual, as tradições que se vão mantendo e um pequeno regresso ao passado não muito longínquo mas bem diferente dos tempos de hoje, muito graças à proximidade da cidade em que a freguesia ainda rural de outrora localizada nas faldas da Serra do Brunheiro,  cedeu para uma freguesia urbana de periferia, funcionando maioritariamente como um dormitório da cidade. Daí contrariar a tendência do despovoamento e envelhecimento da população de que a maioria das aldeias sofrem, sendo uma das freguesias mais populosas da cidade, a terceira mais populosa logo a seguir às freguesias urbanas de  Stª Maria Maior e Stª Cruz Trindade.

 

A tradição

 

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E se a freguesia de Vilar de Nantes cresceu, sobretudo com a construção de novos bairros (Traslar, Bairro de S.José, Lombo, Cruzeiro) com gente oriunda de outras freguesias, manteve nas suas duas aldeias (Nantes e Vilar de Nantes) os seus núcleos históricos com a sua gente de origem, a mesma que ainda vai dando continuação às tradições, sobretudo as que estão ligadas à religião e suas celebrações, como aconteceu há dois dias atrás com o Corpo de Deus e o enfeitar das ruas com passadeiras floridas.

 

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São dessas passadeiras floridas que hoje vamos dar conta, onde em cada rua ou largo fica a sua decoração por conta dos residentes nessas ruas e largos, cada uma a querer mostrar a sua arte numa rivalidade saudável de contribuir para o todo da celebração.

 

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São verdadeiras obras de arte feita de pétalas de flores da época em que o colorido vivo dos amarelos, laranjas  e vermelhos ou a brancura de outras contrastam  com os verdes escuros da folhagem. Um trabalho coletivo, comunitário de muitas horas de trabalho que vai desde a recolha das flores, a separação das pétalas, a feitura dos desenhos aquando na sua colocação no chão, a rega para as manter frescas e viçosas além de lhe dar um certo brilho, onde todos, ou quase todos, trabalham, desde as crianças, mulheres e homens.

 

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Uma arte efémera pois é realizada para durar apenas uns minutos, os suficientes para receber os passos da procissão que à sua passagem deixam as passadeiras coloridas desfeitas, mas gratificante para a fé de quem as faz e para que a tradição se cumpra como deve ser cumprida. Pela minha parte, um bem-haja para quem contribui para esta arte popular e tradicional.

 

Vilar de Nantes de ontem e de hoje

 

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1600-corpo-deus-16 (76)O mesmo local fotografado por Gerald Bloncourt,  50 anos depois

 

Embora há dois dias atrás a minha missão em Vilar de Nantes fosse de mais uma vez fazer o registo das passadeiras coloridas e procissão do Corpo de Deus, levava comigo uma segunda missão de confirmação. Mas explico melhor para melhor se entender. A fotografia além de poder ser uma arte é um precioso e valioso documento que nos pode oferecer em imagem a história dos lugares e de uma época, contribuindo assim para a própria História mas também um valioso documento de estudo para as ciências sociais, e aqui, vale mesmo aquela máxima de “vale mais uma imagem que mil palavras”.  Fotografar a nossa gente nem sempre é uma tarefa fácil, por várias razões, mas há uma que em princípio poderia ser uma vantagem para o fotógrafos que conhece e vive nas comunidades que fotografa que acaba por atraiçoá-los, pois o conhecimento dessa comunidade transforma-a também em banal.  Mas já quem nos visita e quem nos vê com os olhos de outra cultura, tem um modo diferente de olhar e captar pormenores preciosos, os mesmos que para nós são banais.

 

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O mesmo local fotografado por Gerald Bloncourt, 50 anos depois

 

Gérald Bloncourt um fotógrafo de origem haitiana dedicou-se nos anos 50 e 60 do século passado  a captar e registar momentos do povo português, principalmente a vida dos emigrantes portugueses em França.  Gérald Bloncourt regista  um quotidiano de vida difícil, até de  miséria nos "bidonvilles" (bairros de lata) que acompanhou ao longo de três décadas. Mas ao longo desse tempo veio também a Portugal, à origem desses mesmos emigrantes, focando-se, como é natural, nas terras do interior do Norte de Portugal, onde fez registos preciosos. Pois nos seus registos em Portugal, Gérald Bloncourt também passou por Chaves e por Vilar de Nantes. Da sua coleção deixo aqui hoje dois registos que o fotógrafo legendou como “Portugal 1966 – Região de Chaves”, mas que pelos dados que as fotografias nos oferecem tudo indicava serem de Vilar de Nantes. Foi precisamente o obter dessa certeza que me levou a mostrar estas fotos a naturais da aldeia que me confirmaram isso mesmo. Junto às fotos de 1966 estão as de hoje (de há dois dias), do mesmo local e mais ou menos do mesmo ângulo, precisamente 50 anos depois. As diferenças são notórias, aliás na segunda foto apenas um pequeno muro de pedra se mantém com  fontanário que estava junto ao antigo tanque. Na primeira foto, penso que só mesmo o bocadinho da Serra do Brunheiro se mantém mais ou menos igual.

 

 

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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Chá de Urze com Flores de Torga - 128

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Montalegre, 11 de Janeiro de 1970

 

Avisado por um amigo de que havia hoje cá na terra uma chega de toiros, meti-me a caminho debaixo dum temporal desfeito, e tanto teimei com a chuva, o vento e o granizo, que consegui chegar a horas de assistir ao combate. E valeu a pena. Se há em Portugal meia dúzia de espectáculos que merecem ser vistos, este é um deles. Primeiro, as bichezas, depois de nove voltas propiciatórias à capela do orago e da sanção da bruxa, a sair dos respectivos lugarejos, rodeadas pela juventude dos dois sexos, enquanto o sino toca a Senhor fora e o mulherio idoso reza implorativamente aos pés do Santíssimo; a seguir, a chegada dos cortejos ao toural da vila, as cerimónias preliminares do encontro — vistoria rigorosa dos animais (não tragam eles pontas de aço incrustadas nos galhos), a escolha do piso, etc.; finalmente turra — os dois bisontes enganchados, cada qual a dar o que pode, no esforço hercúleo de não perder um palmo de terreno, ou ganhá-lo, apenas cedido. Turra que dura eternidades de emoção, e só termina quando uma das bisarmas fraqueja, recua, e acaba por fugir.

 

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Não é, contudo, a luta gigantesca, apesar de empolgante, o que mais diz ao espectador forasteiro. É o halo humano que a envolve, os milénios de ancestralidade que ela faz vir à tona da assistência. Símbolo de virilidade e fecundidade, o boi é na região o alfa e o ómega do quotidiano. Cada povoação revê-se nele como num deus. Vitorioso, cobrem-no de flores; derrotado, abatem-no impiedosamente. Quando há minutos a turra acabou, depois de viver numa tensão de que a palidez de um padre a meu lado era a síntese, toda a falange que torcia pelo vencido parecia capada.

 

Miguel Torga, In Diário XI

 

 

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Segunda-feira, 8 de Junho de 2015

Corpo de Deus em Vilar de Nantes

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Hoje não faço o habitual regresso à cidade. Vou ficar em casa e como tal, a também habitual imagem de entrada na cidade não vai ser da cidade, mas de uma aldeia, ou talvez não, pois dá-se o caso de hoje em dia ser mais um bairro da periferia da cidade que propriamente uma aldeia, pelo menos a julgar pela definição que ainda ontem deixei aqui para reflexão, mas continua a ser aldeia pelo menos quanto à sua comunidade e ao seu núcleo histórico, aquele que se desenvolve sempre à volta de uma igreja ou nas suas proximidades.

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Pois hoje vamos deixar aqui a celebração do Corpo de Deus em Vilar de Nantes, celebração que aconteceu ontem num nítido desrespeito pela tradição de séculos, isto, só para que se pudesse cumprir a tradição. Mas já de seguida explico melhor isto que parece ser uma contradição, mas onde não há qualquer contradição.

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Então é assim: O Corpo de Deus, o Corpus Chisti do latim, é uma festa que celebra o sacramento da Eucaristia, instituído na última ceia, na quinta-feira santa, e daí o Corpo de Deus assinalar-se sempre numa quinta-feira, 60 dias depois da Páscoa. A origem desta festa é secular, instituída pelo Papa Urbano VI, desde logo ganhou a adesão popular, principalmente com a realização de uma processão que em Portugal se foi fazendo com as ruas decoradas com flores e as varandas e janelas com colchas e toalhas, do mais fino que as casas têm, havendo ainda algumas localidades que colocam tapetes florais no chão das ruas por onde a processão passa, como é o caso de Vilar de Nantes.

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Em Portugal sempre se cumpriu a tradição com muitas localidades a realizarem procissões ou pelo menos uma missa e, como dia santo que é, até 2012 era também feriado nacional para que a população pudesse celebrar este dia, no entanto já sabemos que o atual governo de tão preocupado que anda com o Portugal europeu, ou a pretexto disso, vai sacrificando os portugueses e as sua tradições seculares, e lá se foi o feriado e a festa de uma quinta-feira santa.

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Daí o desrespeito pela tradição e a procissão que deveria ter acontecido na quinta-feira santa passada passou a acontecer domingo e tal como diria Torga “Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo, negam-lhe tudo, e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão” … mas isto são contas de outro rosário, pois o que quero mesmo trazer aqui hoje é mesmo a procissão e a tal comunidade que existe nas aldeias que neste caso, Vilar de Nantes, é uma das que bota toalhas e colchas nas varandas e janelas e colocam tapetes florais no chão.

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Procissão que, confesso, foi a primeira vez que assisti em Vilar de Nantes, e quase por mero acaso, não fosse um colega e amigo ter-se oferecido para me tratar das heras do jardim e das pétalas das rosas para atapetar um troço de rua e eu continuaria a descer à cidade para ver uma procissão que acontece aqui tão perto e bem mais enfeitada.

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Pois já que a tinha descoberto resolvi ir até lá atempadamente, assistir a azáfama do decorar das ruas, onde os vizinhos de cada rua quer fazer melhor e mais bonito que as ruas vizinhas, tudo a bem do conjunto e até há, quem não tendo rua com passagem de procissão se voluntaria para decorar uma rua mais abandonada de vizinhos, e depois também quis ir ver as minhas heras e pétalas das rosas a fazer bonito, e foi bonito, sim senhor.

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Certo que algumas ruas foram mais prendadas que outras, com colorido e desenhos de atrair o olhar e a apreciação, e os vizinhos sentem-se orgulhosos na apreciação, mas no final o que vale mesmo é o conjunto e que não haja troço de rua onde a procissão passar que fique sem tapete florido.

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E tudo é feito com amor à tradição e à procissão, pois só assim se entende que se faça uma obra de arte para ser completamente destruída com a passagem da procissão que faz com que todo o trabalho, porque sou testemunha dá trabalho, não seja trabalho inglório, e para o ano, ainda há de ser mais bonito, assim haja flores e verdes à mão.

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Pois por aqui em imagem tento deixar o trabalhar de cada rua, as obras de arte e a procissão. Transpirei a bom transpirar para o conseguir, tanto mais que o calor convidada a transpirar mas também a refrescar, e lá vamos nós outra vez para a tal comunidade de aldeia onde se mata sempre a sede a quem a tem, pois há sempre uma porte que se abre e que nos convida ao refrescar e já há muito que aprendi que é de má educação recusar. Eu nunca recuso.

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E prontos. Sei que não é lá muito correto este remate do “prontos”. Os puristas da língua olham para ele de lado, mas dá jeito para rematar e depois estamos a falar de tradições e aldeias, onde não há caganças dessas, e as pessoas se vão entendendo com o português popular, com ou sem acordo ortográfico…

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Ficam então as imagens, algumas das muitas que por lá tomámos, imagens que queremos repetir e que podem servir de convite para quem não tem nada que fazer neste domingo que agora também do Corpo de Deus, pelo menos até 2017, foi a promessa, mas como já estamos habituados a que as promessas não sejam cumpridas pelos políticos, vamos lá ver se será ou não que 2017 terá de regresso o Corpo de Deus de regresso ao seu dia, na primeira quinta-feira passados que são 60 dias após a Páscoa.

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Fica então a imagem da passagem da procissão na última rua do percurso

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E a entrada na igreja de Vilar de Nantes, onde termina a procissão e se passa à missa do Corpo de Deus.

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Por nós, até para o ano.

 

 

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Terça-feira, 26 de Maio de 2015

Nossa Senhora da Saúde - S.Pedro de Agostém

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Depois de três dias intensos dedicados às coisas da animação sociocultural, reservei a segunda-feira para um dia de descanso. Como a tarde estava agradável decidi dar uma voltinha à caça de imagens para alimentar este blog. Tinha duas aldeias na mira – Redial e Vilela do Tâmega – e como sempre privilegio as estradas mais interiores, mais calmas e onde o contacto com a natureza é mais próximo e, se no itinerário posso meter o alto de Stª Bárbara, então é certo que faço por lá uma passagem, mesmo que seja por breves instantes.

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Pois posta de parte que estava a Nacional 2, resolvi fazer o mesmo com a Nacional 314 e meti pela estrada municipal mais interior em direção a Ventuzelos, com passagem por S.Pedro de Agostém. Estranhei inicialmente o movimento da estrada que geralmente costuma ser mais calmo mas logo de seguida dei-me conta de que algo se passava e fez-se luz. Despiste meu, mas não só, tanto movimento numa segunda –feira de maio para aquelas bandas só poderia ser a Festa da Nª SRª da Saúde, e era.

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Despiste meu por não me ter lembrado antes, mas não só, pois a par do S.Caetano, a Nª Srª da Saúde é das festas religiosas mais importantes do concelho, a que atrai mais peregrinos, mas parece-me que esta coisa das festas e romarias já não são o que eram e se há uns anos atrás uma passagem pela Srª da Saúde era obrigatória para a maioria dos flavienses, e a visita até era facilitada com autocarros a transportar pessoal e dispensa de trabalho para quem lá ia em peregrinação, mas os tempos mudaram-se e estas tradições que fazem parte do nosso património cultural imaterial, por muito que se apregoe que é preciso salvaguardá-lo e valorizá-lo, tudo se tem feito para acabar com ele, não de forma intencional, mas por outras formas indiretas e por outros interesses.

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Mas pode ser que seja só impressão minha, despiste meu, embora não acredite em nada disto que afirmo, pois além daquilo que dizia no parágrafo anterior, o despovoamento rural contribui diretamente para a perda destas tradições, por mais que se fale e digam que se promovem os sabores e saberes do nosso mundo rural…mas claro que sem mundo rural não podem haver sabores e saberes rurais.

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Mas mesmo assim o ambiente da N.Srª da Saúde ainda é de festa, com bandas nos coretos ao despique, ontem a de Rebordondo e Loivos), as barracas dos comes e bebes, as farturas, pipocas, balões… isto no que respeita à festa que se faz a par da religião e da devoção à Nª Srª da Saúde.

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E assim lá acabei por fazer uma pequena reportagem à festa da Nª Srª da Saúde que era obrigatório vir aqui ao blog. Falta também a do S.Caetano que vamos tentar ir por lá este ano.

 

E como hoje é dia das Intermitências da Sandra Pereira, elas também cá estarão, mas mais tarde. Ficam prometidas para o meio-dia em ponto.

 

 

 

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Segunda-feira, 13 de Abril de 2015

De regresso à cidade e à N.Srª das Brotas

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Claro que no regresso à cidade de hoje temos que passar obrigatoriamente pela N.Srª das Brotas. É assim que manda a tradição e eu sou pelas tradições, mesmo que moribundas, eu estou lá.

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No cartaz da festa diz-se em jeito de nota de rodapé: “A Comissão de Festas apela à população flaviense a sua colaboração nesta tradição secular, a fim de dar continuidade aos festejos, sendo esta festa a mais antiga e popular da cidade”, pois!

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Pois é, mas a população flaviense anda alheada das festas. Não quer nada com festas e se quer, não parece. ..por outro lado as tradições fazem-se com a tradição, neste caso a tradição da festa, mas para que a festa aconteça, tem de haver festa e, festa que é festa é para todos, feita com todos.

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Assim sendo, e para bom entendedor meia palavra basta, a festa da N.Srª das Brotas vale o que vale, e, vale a festa que o povo flaviense merece, pois outra não exige e acomoda-se àquela que lhe dão.

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E assim Chaves, à exceção de uma feira que vale por festa, deve ser das poucas, senão a única cidade que não tem uma festa, e já deixo as aldeias e vilas de fora, aquelas que ainda têm gente dentro.

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Deixando os entretantos de lado eu vou lá sempre, nem que seja para fazer uns registos fotográficos que embora se repitam de ano para ano, são sempre diferentes e há sempre um ou outro pormenor que vale o nosso registo e deslocação.

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Pormenores como o de brincar à moda antiga em que na ausência de brinquedos se inventavam brincadeiras. Que gozo deu ver os putos com as mãos na terra a enfarelarem-se todos. Claro que no final as palmadas no rabiosque eram escusadas, mas é o que eu dizia atrás – esta gente não gosta de festas nem gosta que os outros se divirtam, enfim, esta sociedade cada vez está mais triste e distraída com outras coisas.

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Mas isto é para os que não vão lá, pois os que vão ainda são dos purinhos, dos que mal ouvem os primeiros acordes das concertinas se põem logo a dançar ou a apreciar quem dança, que nisto das festas, cada um goza-a com quer.

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Uma visita à capela também é obrigatória, tanto mais que só uma vez por ano é que o forte abre as suas portas para podemos desfrutar deste espaço onde se acolhe um dos auditórios ao ar livre mais interessante, de fazer inveja a qualquer outro, mas, enfim, só existe por existir pois outra função parece não ter. Eu tenho pena, mas a minha pena de nada vale.

 

As imagens são todas do fim da tarde de ontem.

 

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Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Com o devido respeito e na dose certa

 

 

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A vida também é feita de símbolos, crenças, religião e fé, sobretudo esta última, vai-nos guiando no caminho da vida. Fé no sentido de acreditar em Deus, em alguém, nas coisas, ou até naquilo que nem sabermos muito bem o que é, se existe ou não, como as coisas da sorte,  azar ou destino.

 

 

 

 

Mesmo os que não acreditam, nos seus momentos difíceis e complicados da vida, não é raro vê-los a trilhar novos caminhos rendidos à fé do sagrado, do profano e, às vezes, ambas as coisas ou coisa nenhuma.

 

 

 

 

 

Seja como for, os que acreditam e têm fé, são abençoados, desde que, claro, tomem a dose certa de fé.

 


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Domingo, 12 de Dezembro de 2010

A matança do reco na Abobeleira

 

 

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Já começa a ser tradição cumprir a tradição da matança do reco na Abobeleira, mas não é uma tradição qualquer, mas esta em especial, a de fazer uma matança aberta a toda a população da aldeia e da freguesia. Tem sido assim desde há seis anos para cá e tudo isto graças a um filho da aldeia que por sua conta tem promovido este evento – O Jorge Carvalho.

 

 

Pois ontem cumpriu-se mais uma matança no lugar do costume e com a aldeia a aderir também como de costume e à hora do costume, ou seja, logo pela manhã.

 

Quanto à matança em si e para não repetir o que já foi dito nos anos anteriores, deixo apenas aqui os links para dois posts onde se fala das coisas desta tradição:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/431958.html - Por Gil Santos

http://chaves.blogs.sapo.pt/339613.html - A matança de 2008 na Abobeleira

 

 

Hoje ficam apenas os registos fotográficos dos momentos do dia que, como convém, começam logo pela manhã bem cedo com o acender o colocar os potes do lume.

 

 

Claro, pois como mandam as regras a água já deve estar a ferver quando recebe o sangue que ira fazer as primeiras delícias da mesa.

 

 

E questões de direitos e sexos à parte, na matança do reco há trabalho para todos e se os homens se encarregam de agarrar e matar o reco, queimar-lhe o pelo, lavá-lo, pendurá-lo e desmanchá-lo às mulheres não têm menos afazeres na cozinha, com o fritar das miudezas e o preparar do sarrabulho.

 

 

À mesa, não faltarão os elogios a tão apreciadas iguarias, que podem ser servidas e confeccionadas em toda e qualquer parte do mundo, mas que junto ao reco pendurado e depois de toda a azáfama da manhã, é um manjar sem igual, sobretudo se o vinho também for bom, e era!

 

 

Depois, durante a tarde, já se sabe que algum descanso cai sempre bem para recompor forças e nem há como uma boa suecada.

 

 

Claro que todo este movimento também tem outros adeptos que tem curiosidade em saber como estas coisas se fazem e para isso voltam de novo ao recreio da escola, agora já sem escola.

 

 

Nos entretantos os rapazes dos clicks aproveitam para mais umas imagens e visitas culturais. Este ano com uma deslocação à barragem romana, também na Abobeleira, ao moinho e à ribeira de águas cristalinas.

 

 

Mas não só, pois o tempo recomenda que se aproveitem estes fins-de-semana para fazer a matança antes do Natal e a matança à qual assistimos repete-se um pouco por todas as aldeias e freguesias, assim, nem foi necessário ir muito longe para se assistir a mais tarefas da matança. Fomos à casa do Nel em Valdanta onde dois gigantes já estavam pendurados na trave.

 

 

A noite depressa chegou e de novo a mesa. Uma boa feijoada à transmontana, febras, vinho de várias colheitas.

 

 


 

 

E o momento alto é sempre à noite, já longe da matança, mas o momento em que toda a gente se senta à mesa  para um início de noite de festa de um dia que já vai longo.

 

 

Com convidados que aproveitam para pôr a conversas em dia ou definir estratégias…

 

 

E claro, as concertinas e a festa tinham de começar, e nestas coisas de música e músicos, com tanta festa, bom manjar e bons vinhos, não seria de estranhar se um músico estivesse menos afinado, mas nem se notava…

 

 

E na rua o fogo estava no seu melhor, não era de artifício, pois não, mas parecia… e sempre foi melhor que o das festas da cidade e até teve direito a muitos clicks.

 

 

Enfim, por este ano foi tudo. Para o próximo ano, se a tradição se continuar a cumprir, também nós temos uma promessa para cumprir.

 

Até amanhã!

 

 

 

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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Reis de S.Sebastião em Valdanta e novas páginas e blogs de Chaves

Hoje deveria ser dia de um Ilustre Flaviense, mas tinha prometido que quando acontecessem o cantar dos Reis de S.Sebastião na Freguesia de Valdanta, era para lá que este blog ia, e foi. Pois entre outros assuntos, vamos desde já até à freguesia de Valdanta.

 

 

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Já há dias, quando por aqui passou a aldeia e freguesia de Valdanta, eu abordava o tema e a tradição do cantar dos Reis de S.Sebastião, que se realizam todos os anos em Janeiro, nas aldeias da freguesia de Valdanta (Abobeleira, Cando, Granjinha e Valdanta).

 

Diz a lenda ou pelo menos tem passado de geração em geração que este cantar dos reis se deve a uma promessa colectiva feita a S.Sebastião para que a peste cessasse de dizimar a população. Os mais velhos da freguesia ainda ontem me diziam o mesmo e garantiam-me que já os avós deles se referiam a esta tradição sem saberem quando tinha começado. Pois vamos recorrer à História onde podemos tentar deduzir a origem deste cantar dos Reis a S.Sebastião, partido da promessa feita para que a peste cessasse.

 

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Reis de S.Sebastião em Valdanta e imagem do Padroeiro da Freguesia - São Domingos

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Segundo reza a história, o grande surto de peste em Portugal e que dizimou entre um terço a metade da população, iniciou-se em 1348  e que ficou conhecida como a peste negra. No entanto existem dados de que Portugal teria sido acometido por pestes epidémicas em outras ocasiões onde se salienta a data de 1599 e que, se viu livre desse mal, após actos públicos suplicando a intervenção de S.Sebastião. Actos públicos esses que seriam copiados ou inspirados em Itália, pois anos antes tinha sido acometida também por pestes epidémicas onde as súplicas ao S.Sebastião teriam tido bons resultados. Sendo S.Sebastião um Santo Mártir nascido no final do século III, tudo encaixa em questões de datas. Poder-se-á no entanto estranhar que tais súplicas tenham sido feitas a S.Sebastião e não a S.Roque, que é o Santo que se evoca contra a Peste e as doenças em geral, mas mais uma vez a história poderá ter resposta para a intervenção de S.Sebastião, pois já no grande livro medieval da vida dos santos a «Legenda Aurea» (em Latim) ou «Legenda Dourada» (tradução para português) de Jacobus de Voragine, nascido no Séc. XIII se mencionam as súplicas (bem sucedidas) da população italiana a S.Sebastião, culminando com a construção de um altar em Pavia em devoção a S.Sebastião.

 

Uma vez que não há documentação escrita quanto a esta tradição dos Reis de S.Sebastião na freguesia de Valdanta, todos estes dados são preciosos e levam-me a deduzir, que tal promessa teria acontecido com a peste de 1599 em que estes actos públicos de súplica a S.Sebastião se reproduziram um pouco por todo Portugal e que, a ser assim, esta tradição terá mais de 400 anos de existência.

 

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E como se vai cumprindo essa tradição!?

 

Todos os anos a Padre da paróquia nomeia os mordomos para o ano seguinte, que são geralmente um ou dois casais, casados numa das aldeias da freguesia há mais de 20 anos, sendo esta nomeação dos mordomos rotativa pelas aldeias da freguesia. Cabe aos mordomos organizar o grupo de cantadores de reis, que casa-a-casa, percorrem todas as casas das quatro aldeias da freguesia, recolhendo as oferendas para mais tarde entregar à igreja. São também os mordomos encarregues de nesse dia alimentar não só os cantadores, mas também todos os comensais ou população que se apresente para o “banquete”. Dizem que para os mordomos funciona como uma segunda festa de casamento. Teoricamente é assim que se cumpre a tradição, mas nem sempre assim acontece, pois a tradição tem elevados custos para os mordomos e nem todos a conseguem suportar e outros não aceitam a incumbência e, quando assim acontece, (como foi o caso de este ano cujos mordomos seriam do Cando), a Junta de Freguesia e a Comissão da igreja substitui-se aos mordomos e os Reis de S.Sebastião lá se vão cantando e a tradição lá se vai cumprindo e continuando.

 

Bem de manhãzinha começam os cantares numa das aldeias da freguesia e só à noite é que terminam, formando-se às vezes mais que um grupo de cantadores para poderem percorrer todas as casas. Algumas queixas dos cantadores e da freguesia para os novos moradores sem origens na freguesia, pois por desconhecerem a tradição, a maior parte das vezes “não estão em casa”.

 

E também a minha promessa de trazer aqui os Reis de S.Sebastião da freguesia de Valdanta foi cumprida. Faltamos à parte da manhã, acompanhamos um dos grupos de cantadores durante a tarde e faltamos ao banquete da noite, que as mulheres no forno público do povo, em Valdanta, se foram encarregando durante a tarde, de assar os leitões, os cabritos, as aves e outras carnes, que pelo menos o grupo de cantadores pela certa agradeceram por tanto trabalho e tantos cantares num só dia.

 

Em tempo (7-01-09) – Em comentário a este post o Blog da Rua Nove chama a atenção para a imagem do Santo que aparece na primeira fotografia deste post não ser o S.Sebastião. De facto assim é, ou seja, a imagem que aparece na foto é de São Domingos, Padroeiro da freguesia de Valdanta. Embora o Blog da Rua Nove (no comentário) já nos descreva a imagem do santo (representado atado a um poste, ou tronco de árvore, com o peito nu crivado de setas), nem há como uma imagem da iconografia de S.Sebastião, neste caso duas imagens, a primeira de autoria de Gregório Lopes (c.1490-1550) pintor português, pintada em 1536 para o Convento de Cristo em Tomar e actualmente no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa. A segunda imagem cujo autor desconheço, faz parte da colecção de arte antiga do Museu Grão Vasco em Viseu.

 

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Desde já as minhas desculpas por vos induzir em erro com a introdução despropositada da imagem do padroeiro de Valdanta na primeira foto e por não o mencionar na mesma. As correcções já estão feitas.

 

E por Valdanta e Reis de S.Sebastião é tudo, mas hoje ainda há tempo para anunciar aqui páginas e blogs que dizem respeito a Chaves e ao concelho e/ou com autores de Chaves, começando pela página dos Tamagani:

 

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Os Tamagani ou a Associação Tamagani, é uma associação de artistas plásticos de Chaves e Vale de Monterrei, que conta já com dezenas de associados e que tem galeria com exposições permanentes e abertas ao público no antigo foyer do Cine-Teatro de Chaves, na Ruas de Stº António:

 

Aqui fica o respectivo link para uma visita aos Tamagani e também o respectivo link na barra lateral na secção dos artistas.

 

http://www.tamagani.pt/

 

E de Chaves para Vidago, pois há algum tempo atrás apareceu um blog intitulado “Meu Vidago”, de autoria de Júlio Silva onde podermos encontrar interessantíssimas fotos de Vidago de outros tempos, bem como calendários, rótulos e outros objectos de interessante coleccionismo, todos dedicados a Vidago e com os quais o autor vai fazendo também um pouco da história da Vila.

 

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Um blog a não perder e que merece a nossa visita pela sua qualidade. Um bem haja para o seu autor e as devidas desculpas por só agora o linckar e anunciar.

 

Poderá ser visto aqui e fica também com linck na barra lateral na secção Vidago:

 

http://vidagoimagens.blogspot.com/

 

E por último mais uma companheira de viagem na arte de blogar e da fotografia com o seu blog “Espelho Mágico”, de autoria da flaviense Ana Maria Borges. Um blog a ter debaixo de olho e que poderá espreitar aqui:

 

http://imaginacao-ana.blogspot.com/

 

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E por hoje é tudo. Amanhã cá estarei de novo com outros olhares sobre a cidade de Chaves

 

 

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publicado por fernando ribeiro às 01:40
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Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Abobeleira - A Matança do Porco - Chaves - Portugal

 

Associadas às estações do ano vão-se cumprindo algumas das tradições populares centenárias, cada vez menos, é certo, mas algumas sempre vão resistindo mais que outras. Associadas ao Inverno e ao frio, temos uma das tradições mais populares e também importantes, pois dela irão depender o cumprimento de muitas outras tradições que ao longo do ano lhe estão associadas – a matança do porco, do reco ou da ceva, como preferirem.

 

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Já lá vão os anos em que cada casa de família das aldeias ou bairros limítrofes da cidade tinham pelo menos um porco para a matança. Casas mais habitadas ou ricas, chegavam a matar até 6 ou mais porcos por ano, pois deles estavam pendentes muitas das refeições a fazer durante o ano, mas também algum rendimento para a família, associados à venda dos presuntos e também algum fumeiro. Com o despovoamento das aldeias, hoje em dia, as matanças são mais escassas e deixaram de fazer parte dos afazeres comuns do dos dias frios de Inverno e de Dezembro.

 

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Há no entanto aldeias, principalmente aquelas onde o despovoamento menos se fez sentir, que a tradição ainda se mantém, e hoje além da tradição, é também um dia de festa ou de reunião da família.

 

Abobeleira é uma dessas aldeias onde a tradição ainda se mantém, mas além das matanças familiares e particulares, há uma que se vem realizando nos últimos anos, que além de se recriar toda a tradição associada à matança, se transformou também em dia de festa da aldeia.

 

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Tudo começou há 3 anos atrás quando um filho da terra e seu habitante, o Jorge Carvalho, se lembrou de matar um porco e de convidar toda a população da aldeia e amigos. Claro que nas matanças além dos trabalhos que lhe estão associados e que todos vão ajudando como podem e sabem, há que dar de comer aos convidados e vai daí, que o próprio porco que vai à faca também vai servir de refeição aos convivas, dia fora e noite adentro. Claro que aqui se perde tudo que está associado aos afazeres e tradições que chegam nos dias, semanas e até meses seguintes à matança, mas a intenção é mesmo recriar e manter a tradição do dia da matança, transformando-o num dia de festa da aldeia, de uma aldeia onde ainda há gente e se mantém o espírito de vizinhança e inter ajuda dos seus habitantes, pelo menos entre os seus habitantes de sempre, os naturais da aldeia ou os que por casamento também passaram a fazer parte dela.

 

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Este ano, além da aldeia e de alguns convidados de honra que já são habituais, o Jorge Carvalho convidou também a blogosfera flaviense para participar na festa, na qual participaram além deste blog, os blogues Cancelas do casal Milita e Domingos Pires, o Reflexos na pessoa do Dinis Ponteira e o Terçolho na pessoa do João Madureira. O Chaves Antiga também teve como representante o flaviense residente, uma vez que os outros elementos e flavienses ausentes andam ocupados nas lides da Capital. Faltou o blog Valdanta, mas motivos de saúde justificaram a sua falta. Amigos da blogosfera flaviense e valdantina esteve presente o A.Cruz, mas faltou o amigo Tupamaro. Faltou também o bom tempo que se quer nestes dias, mas festa é festa e mesmo com muita chuva, vento e frio, o reco foi ao banco, subiu à “trave”, desceu aos potes e foi à mesa dos convivas.

 

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Mas vamos então recriar um pouco do dia da matança, em particular este da Abobeleira em dia de matança-festa, que sai um pouco do tradicional dado o apressar da descida do porco ao pote, mas que mesmo assim se foram mantendo os rituais da matança do reco.

 

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Ainda o dia está a nascer, bem cedo, em manhã chuvosa mas gelada como convém e já o matador tem o seu naipe de facas afiadas e preparadas para o acto. O reco já anda pela redondezas, ainda à solta.

 

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De entre os muitos convidados aparecem dois voluntários para irem convidar o porco a dirigir-se ao banco. A teimosia do porco é conhecida por todos e não vai lá por convites, por isso há que lhe apertar o cerco, agarra-lo e levá-lo à força. No banco já o espera o matador (neste caso o anfitrião) onde uma dúzia de mãos imobilizam o reco para que a faca seja rápida e certeira. É nesta fase que os mais sensíveis se afastam para o lado assobiando para o ar e o mais curiosos se aproximam.

 

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Posto o alguidar de barro de Vilar de Nantes em posição para recolher o sangue que irá dar lugar à primeira iguaria do dia, é altura de espetar a faca. Acto que é certeiro e rápido, pois em menos de um minuto o reco está pronto para os trabalhos seguintes. Entretanto o sangue o seu destino a caminho das mulheres, que o cuidado de não o deixar coalhar, não tardará a entrar no pote que já há muito está na fogueira com a água a ferver.

 

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No banco, começa de imediato o trabalho de pelar o porco com ajuda de um maçarico (a palha já há muito que caiu em desuso) enquanto meia dúzia de mãos vão raspando a pele queimada e algum pelo que fica. Logo de seguida passa ao banho, continuando-se e apurando-se o resto de algum pelo, com a ajuda de pedras para raspar bem e de uma faca afiada para a barba teimosa.

 

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“Se queres ver o teu corpo abre um porco” é ditado popular e é também o passo seguinte para as mãos do matador. Um trabalho cuidado e feito com alguma mestria, pois trata-se de abrir o reco para lhe retirar as tripas, e todo o cuidado é pouco, não vá uma das tripas rebentar-se. Parte no banco até que chega a hora de o subir à trave, que na ausência desta, qualquer coisa que o pendure lá no alto, serve.

 

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Se a tradição fosse cumprida à risca, estava na hora de recolhidas as tripas num alguidar, as mulheres seguirem com elas para as lavarem no riacho mais próximo, pois seriam elas que iriam dar lugar aos futuros enchidos (alheiras, linguiças, salpicões, chouriços). Também aqui se fica a conhecer mais uma das funções do famoso fio azul.

 

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Esventrado o reco, deveria ficar dependurado pelo menos durante um dia e uma noite, antes de ser desmanchado, para que todo o sangue lhe saia das carnes e o frio torne as carnes mais limpas e com um pouco mais rijas, mas como por aqui o tempo era pouco, a desmancha seria feita umas horas mais tarde.

 

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Entretanto já algumas horas passaram e havia que dar algum conforto ao corpo. Uma breve passagem pela fogueira para aquecer por fora, servia, mas por dentro, o consolo chegava com o sangue já cozido, temperado com azeite e alho, algum picante, uns pedaços de pão e uns copos de tinto, começavam a acomodar a casa por dentro, mas também as iscas de fígado frito com um preciso molho e logo de seguida os rojões faziam a sua entrada triunfal, quentinhos e loirinhos eram um regalo para a vista, mas muito mais para os estômagos, que já começavam a estar satisfeitos com as primeiras iguarias do dia.

 

Passadas algumas hora chegava o trabalho de desmanchar o porco. Trabalho de mestre que já requer as mãos de quem sabe. Alfredo foi o mestre na arte de desmanchar debaixo do olhar atento de curiosos, aprendizes mas também paparazzis blogueiros que desde a manhã já tinham uma boa centena de fotos batidas onde havia ainda lugar até para um arco-íris enquanto que o reco, nas mãos do Alfredo, aos pouco se ia transformando em febras, costelinhas ou carne para o pote, que nunca saiu do lume e ia apurando carnes para a feijoada da noite.

 

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Já era quase chegada a noite quando a desmancha acabou. Havia de novo que aquecer os corpos na fogueira enquanto que a feijoada ia apurando e os grelhadores já aqueciam para as febras e costelinhas.

 

Entretanto a festa continuava e já se sabe que não há festa sem música, bombos, concertinas e cantares que iam entretendo a entrada na noite enquanto que na cozinha entre um convívio alegre a feijoada à transmontana ia ficando pronta e ficou momentos depois.

 

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Salão cheio num espaço que já foi sala de aulas e onde pela certa alguns dos presentes aprenderam as primeiras letras, num agradável espaço que foi transformado para todo o tipo de eventos que a aldeia leve a efeito, com um salão amplo, instalações sanitárias e uma cozinha bem equipada, não faltando um amplo espaço exterior, que a esta hora do campeonato já estava quase abandonado, com a fogueira sozinha e alguns voluntários nos grelhadores, é que a feijoada já fumegava nas mesas e já se sabe que é quentinha que ela entra bem.

 

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“Merenda comida, companhia desfeita” e como os convidados de honra (Presidente da Câmara, Adjunto e Vereador) pela certa que tinha outros afazeres, abandonaram a sala ao fim do primeiro assalto, faltavam ainda as febras e as costelinhas, mas para essa parte ficou como representante o Vice-Presidente, do qual ficamos a saber que não tem lá muito jeito para tocar o bombo, mas lá vai tendo para ir falando e cumprimentado as pessoas.

 

Os representantes da blogosfera flaviense ainda provaram as febras, mas como ainda tinha de fechar a edição do post de hoje, também regressaram a casa para que as suas reportagens possa estar agora aqui.

 

Ao Jorge Carvalho agradecemos a simpatia do convite, ao povo a Abobeleira a prazer do convívio e fica a promessa que passamos na freguesia pelos reis e para o ano também acietamos convite.

 

Agradecer ainda ao A.Cruz por nos ter servido de cicerone na freguesia, com visita guiada ao núcleo histórico Valdanta e ao á história do Cando. Pena só para o tempo que sem ter ajudado à festa, também não a prejudicou.

 

 

À margem da matança do porco fica link para o post dedicado por este blog à aldeia:

http://chaves.blogs.sapo.pt/278053.html

 

Até amanhã de volta à cidade.

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:57
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