“Hoje, ao ouvir Lopes Graça – “Acordai” – resolvi-me a mandar-lhe o último comentário alargado, feito acerca do texto «A Memória e a Mentira», do João Madureira.”
“MOCO DE PAVO”
(A memória e a mentira)
Caro autor, por mais que se envergonhe esse «pavãozeco de Castelões» nada se adianta.
Tal amostra de politicastra, qual políticoneiro de silicone residual e curioso modelo de sem-vergonha, depois de ter conseguido violar todos os valores culturais e sociais, conseguiu sublimar o seu complexo de inferioridade e de ridicularia com a falsidade e imposturice com que se fez aceite numa família política que ideologicamente nem é carne nem é peixe.
Sentiu-se salvo, safo, da sua pungente mediocridade quando conseguiu protecção e abrigo junto de outros maltrapilhos políticos, alguns com menos dose de miséria moral e cultural que a sua.
Conseguiu virar o bico ao prego da sorte da sua vida. E isso dá-lhe segurança e distanciamento perante aqueles que lhe descobrem a careca.
Costuma dizer-se que a verdade é como o azeite. Mas quando uma população descobre o engano que suportou de gente ronhosa e sem vergonha, tantas vezes se não chega a tempo de emendar o erro!
“Hoje no desempenho da atividade política exige-se verdade e memória.”,atribui ao pavãozeco.
Vê?! Apanha-se mais depressa um mentiroso que um cocho!
É que essa figura sinistra da vida pública Flaviense está condenada à «damnatio memomriae» dos Flavienses e Transmontanos.
Fala, esse papagaio engasgado, fala de memória!
Saberá ele que grande parte da memória implica o Pensamento?
Todo o acto de recordar exige ter-se sido bem sucedido na aquisição, armazenamento e recuperação de conhecimento - é preciso ter-se aprendido.
Ora esse pavãozeco não aprendeu Humanidades.
Nas suas circunvoluções cerebrais não constam nem foram codificados dignos traçados mnésicos.
Testem-no. E logo darão conta que não tem capacidade de Reconhecimento!
Desprovido de memória, para gentalha dessa só existe o AGORA.
Cheia de pesporrência, é vazia de Consciência essa ave pernambucana. Nem conta dá do seu triste e miserável desempenho das tarefas em que deveria assumir a defesa e protecção dos seus conterrâneos e representados.
Esse pindérico politiqueiro confunde memória com associação casual e oportuna deste ou daquele meio ou processo para atingir os seus próprios e egoístas fins.
Pobre de Conhecimento - que não de «sabiciche porcalhota» ( arranjou uns «conhecimentozitos», sim, senhor! ) - não tem competência para o Pensamento.
As suas representações mentais afunilam-se somente na sua imagem de pavão.
Vai-lhe valendo a inoperância, a fragilidade e as fraquezas das forças políticas locais adversárias. Estas, eivadas dos mesmos vícios de atitude política, resignam-se a um raro e envergonhado, por vezes ridículo, foguetório de bacoco palavreado, mais para sacudirem e apanharem umas míseras migalhitas da mesa do adversário do que para lhes causarem qualquer susto, quanto mais derrubá-lo.
Uns e outros - uns, por acção, outros, por inacção - em nome do que é digno e merecedor para a NOSSA TERRA, o que estão a merecer é uma execução………………….. «em efígie».
A «exigit sinceras devotionis affectus» tem de ser adaptada e aplicada a essa gentalha, ora perniciosa, ora desleixada, no cumprimento dos seus deveres e obrigações de FLAVIENSES e, ou, seus representantes, mesmo que trampolineiramente eleitos.
“Hoje no desempenho da atividade política exige-se verdade e memória” é caso para se dizer a esse demagogo, ‘inda pra mais se ele vier aqui meter o bico":
- eis aqui mais um dos seus «mocos de pavo», seu idiota!
Tupamaro
A MINHA CIDADE
Com que gosto, e bom paladar, dizemos: - A MINHA CIDADE!
Lá ou cá, vê-la ou recordá-la, CHAVES é aquele lugar na Terra que dizemos com uma consolação na alma, com um alento para a vida, com uma tão grata recordação a deixarem-nos os olhos rasos de lágrimas de saudades da nossa infância mimada, mesmo respirada e crescida em casa humilde, mas abençoada.
CHAVES é o ARRABALDE, as FREIRAS, o Largo do Anjo, a Rua do Sol, o Postigo, o Tabulado e as Longras, o Jardim do Bacalhau, a Muralha, o Monumento e o arquipélago da Rua Direita.
E CHAVES é o mar de pérolas e de coral que a cerca, que a envolve, que lhe dar cor e vida de estrela de primeira grandeza - as suas ALDEIAS.
CHAVES, vista do céu, lembra a concha, feita de espuma, de onde nasceu Afrodite.
Quando éramos pequenino, gostávamos de a olhar desde o cimo do Alto do Campo, do Alto do Cando ou do Alto das Carvalhas. Esses eram os pontos altos das nossas fronteiras da meninice, vigiadas pela atenção estremosa da AVÓ SÃO e dos primos, do Tio Zé Manco.
Descer o Monte da Forca, parar na Fonte Nova para cumprimentar a D. Lucindinha, passar à porta da Pensão Reina, atravessar o Ribelas, transpor o Postigo, ir ao Pasteleiro regalarmo-nos com um bom «Pastel de Chaves», receber mimos e festinhas das «Meninas e Senhoras» a quem a AVÓ SÃO nos levava a visitar; entrar na Loja do Sr. Sebastião e trazer um embrulho muito bem feitinho, com uma blusa lá dentro; regressar por Santo Amaro, onde a travessia da ponte sobre o Ribelas deixava uma admiração, e, mais adiante, o espanto de passar por baixo da ponte do comboio; parar na Capela das Casas-dos-Montes para cumprimentar outra avó e outro avô, mai-los os tios e os primos que por aí se vissem; fazer a curva do medonho “trei-ladrão” e percorrer o Pedrete, onde o Mono ou o Chiquinho da Proβessora mantinham uma arreliada conversa com os «machos»; arrepiado com a proximidade da Fonte da Moura; e, ao começar a subir a ladeira das Carvalhas, apanhar uns sustos, pelo carreiro do monte do Picholeto, sempre que os laparotos resolviam mandar quatro pinchos a mudar de toca.
Os portões da Quinta e da Casa Nova estavam sempre cerrados. Mas, nos quinteiros, lá dentro, os galos, os parrecos e os perus refilavam, à nossa passagem.
À chegada ao “Carvalho” já se saudava o sr. Petim, instalado na sua varanda florida, a fumar o fiel cigarro e com aquele ar contemplativo a contar as memórias dos tempos vividos na Beira, em Moçambique.
Sentindo vozes, recomendando à Amélia para costurar bem as bainhas e à Laurinda para pregar os botões das calças e dos casacos mesmo ao direitinho das casas, logo assomava à varanda a Tia Maria do Campo a ver se colhia noβidades.
A Ti’AURORA d’Abobeleira acudia à janela florida, fazendo há-de conta que estava na hora de regar os vasos, mas com o fito de identificar os donos das vozes que escutava.
E a Tia Quinhas do Ti’António Guarda chegava-se à ponta da eira, a fazer que ralhava com os burros, mas a olhar para ver quem estava a chegar.
Na “Pipa”, os rouxinóis metiam-se com o “Luisinho da Tia São”.
Depois, era a chegada à casa do Pobo ou à do “Campo” e arquivar todas as vaidades e prazeres carregadinhos desde a Cidade.
A Teresa do João Carteiro aproveitava o pretexto de ir chamar pela Hermínia, que, tida e achada, andava sempre pisgada a brincar às casinhas no “jardim público” da GRANGINHA, mais conhecido pelo “Campo”, para se chegar ao caminho e conversar e matar a curiosidade com a TIA SÃO.
Mais tarde, a ida à CIDADE era diária.
Em vez da AVÓ, a companhia era feita pelo Mário e o Júlio.
Lá íamos os três para Escola. Os dois irmãos ficavam na das Casas - dos - Montes, lá no Giestal, às ordens e ensinamentos da famosa Proβessora D. Lídia.
O Luisinho da Tia São descia a Quinta da Fraga, passava debaixo da ponte do comboio, à entrada para Santo Amaro, e entrava na do Professor Madureira.
Ao fim do dia, o Mário e o Júlio esperavam-no junto à Taberna do Branco e, em grupo, sentiam-se mais fortes para vencer o medo do “Trei-ladrão” e o susto da “Fonte da Moura”!
Voltas ao mundo dadas, veio o tempo da interpretação d’Os Lusíadas, a Divisão de Polinómios, as «pesagens duplas» num Laboratório à míngua de material, no “Liceu do Fernão de Magalhães”.
O apito do comboio ao atravessar a Ponte de Santo Amaro avisava a hora de saltar da cama, comer as deliciosas torradas de pão centeio que a AVÓ SÃO fazia com extremo carinho, a acompanharem uma tigela de café-cevada, bem quentinha, e a partida para a CIDADE, na companhia dos outros Granginhadinos que iam para a Escola Comercial e Industrial ou para a Oficina.
No Inverno, o rigueiro do Pedrete tinha a mania de desafiar o Tâmega, e fazia-se grande, de tal maneira que, mesmo caminhando por cima dos muros do caminho, chegávamos ao cortelho, aliás, “Liceu” do Largo do Anjo com os pés … e as calças, até cá cima, encharcados.
A «contin(u)a» era boa pessoa. Lá chegado, secávamos os pés e as calças à braseira, fazíamos muda de meias, e as molhadas ficavam a secar ao lume enquanto estávamos nas aulas.
Ao almoço, a que naquele tempo se chamava «JANTAR», os Granginhadinos voltavam a reunir-se no Monte da Forca, debaixo de um pinheiro e de um guarda-chuva, no Inverno, e debaixo de um guarda-sol e de um pinheiro, no Verão, apaparicados pela AVÓ SÃO e pela Tia Olinda.
E lá voltávamos para a MINHA CIDADE, para tomarmos café no (saudosíssimo) IBÉRIA, jogar umas partidas de futebol na LAPA, fazer umas declarações de amor … às violetas das “Freiras”; ir ver os «cowboys» no cinema e, depois, passar pelo “Central” e consolarmo-nos com uma malga de tripas, ou pelo “Mondariz”, com umas almôndegas bem gostosas.
Viesse o tempo florido e quente, e às 5ªs, sábados e domingos havia, na MINHA CIDADE, fartura de Verbenas, e de Festas, pelas ALDEIAS.
E até nos Bombeiros se faziam grandes bailes!
E tempos houve que até no Tabulado se andava a apanhar «o fresco» ao som da música dos alto-falantes!
E o banquinho das Caldas, adornado com folhagem da cor da esperança, que recatadinho era para aqueles beijinhos trocados a medo e com um cibinho de vergonha …”se alguém nos vê!...”!
E na MINHA CIDADE ainda havia um polícia sinaleiro, lá, no Arrabalde, subido num tamborete que, pela noite dentro, a maroteira académica encostava ao “Sarmento” ou aos “Machados”!
E no “Comercial”, em dias de Feira, os Morgados da Montanha (agora chamar-se-iam «senadores»), depois de feitos os negócios, juntavam-se na Cave para um torneio de «SUECA».
E à porta do IBÉRIA, o “Bragança”, inseparável do lenço de seda adornar-lhe o peito e o pescoço, metia-se com o Lopes, inseparável do aprumo e da ironia:
- “Não posso estar solteiro, nem viúvo. Olhai p’ra isto (apontava para o reclame)- «Casa Lopes”. Tenho de estar sempre casado”!
E até a Amália vinha cantar ao Jardim Público!
E tantas paixões se fortaleceram pelas sombras das muralhas, pelos caramanchões do Jardim!
E tantas se desvaneceram nas partidas do comboio … e de aerogramas sem resposta!
E a MINHA CIDADE continua a bater no peito e na memória de todos quantos tiveram a dita de nela nascer, crescer, trabalhar, estudar, militar, sofrer, amar - VIVER!
A MINHA CIDADE!
Quanto desejo que também seja a VOSSA!
CHAVES!
A NOSSA CIDADE!
Tupamaro
«Mau partido»
Do Cimo de Vila desceu lá abaixo, à cidade.
Foi muito a custo que convenceu o pai e a mãe a deixá-la ir com eles.
Todas as Quartas são dias de Feira, lá, na sede do Concelho.
A mãe e o pai sabiam que a Aninhas andava de amores com aquele estudante da aldeia vizinha.
A Tropa chamara-o para Quartéis do Sul, e isso talvez fosse uma boa oportunidade de a afastar de vez desse «mau partido» - segredaram os pais da Aninhas ao compadre e à comadre, à saída da missa domingueira, empurrados pela lembrança de oração que o abade pediu pelos «nossos militares a combater no Ultramar».
Cacilda, a mãe d’Aninhas, suspirava por conseguir um bom casamento para a filha.
Desde que o candidato tivesse uma vinha, uma junta de bois, duas juntas de vacas, três lameiros, quatro bouças; ou um rebanho de ovelhas, duas hortas, três quintais e uma cortinha; viesse passar férias, de África, do Brasil …ou de Lisboa; e se até fosse primo direito da sua filha, à Tia Cacilda era o que verdadeiramente lhe agradava.
Agora, que a sua Aninhas namorasse com um rapazola sem um palmo de terra, ‘inda por cima estudante, namoradeiro e, sabe Deus, quantas já não teria «enganado! – constava-se - ai, lá isso é que não entendia , nem aceitava!
A Tia Cacilda estava avisada de que o galferro que andava atrás da sua rapariga mais velha tinha vindo à terra em licença de mobilização, e que, ao fim desses quatro ou cinco dias, embarcaria para a «Guerra do Ultramar».
Desconfiava que a sua Aninhas quisesse ir à cidade despedir-se dele.
As “caminetes” com a excursão de militares costumavam partir do Largo da Madalena.
A “Feira dos Recos”, sempre muito concorrida, era no “Campo da Fonte”, ao redor da Capela de S. Bento, ali pegado às traseiras da Farmácia e do Largo da partida.
Mesmo que por ali passasse à hora do ajuntamento dos magalas, a Aninhas não correria perigo de ser raptada ou devorada pelo galferro-estudante.
E, assim, a Aninhas lá desceu de Cimo de Vila até à Baixa da cidade.
Naquele mês de Dezembro, o Inverno, mesmo sem ter chegado às varandas do solstício, já havia atravessado a fronteira de Espanha.
Cabeza de Manzaneda mostrava-se garbosa com o seu largo manto de neve. E o Larouco já revelava a crista bem branquinha!
Terça-feira à noite, na véspera da partida para o embarque, o céu prometia uma boa geada. O Quarto Crescente lunar, mais brilhante do que a estrela que guiou os Reis Magos, alumiou os atalhos e os caminhos que levavam da aldeia dele à aldeia dela.
A Aninhas tinha combinado com a irmã Teresa irem dormir, naquela noite, com as duas amigas vizinhas, moradoras na casa do outro lado do caminho. Era um hábito que vinha desde há muitos anos.
Tia Cacilda e o seu «home», o Ti Zé do Ó, não tinham por que estranhar ou desconfiar.
A noite já ia entrada.
A janela do quarto das raparigas, uns bons três metros acima do chão, abriu-se.
Uma vela acesa alumiou uma sombra que acenava.
O mobilizado estudante saiu de trás das giestas onde se agachara, saltou o muro de três palmos, que separava o monte da cortinha, atravessou esta mais rápido que um relâmpago, enfiou um pé certeiro num buraco de respiro da adega e pulou para a janela, onde quatro mãos lhe garantiram a segurança dos braços e o ajudaram a pinchar para dentro do quarto das raparigas.
A vela apagou-se. A surda risota das moças foi demorada.
A cama de nascente ficou para os pombinhos.
Na de poente, aninharam-se as três amigas, em cochichos e risadinhas abafadas.
Pelas quatro da madrugada, a Aninhas e o seu militar continuavam soldadinhos desde a boca até aos pés.
Foi a Ondina que lhes lembrou o perigo da proximidade do romper do dia.
Janela reaberta, bem seguro no beiral, o pé do magala encontrou a friesta da adega. Um último beijinho, tão bem rematado com um suspiro, o salto para o chão e o passo apressado e sorrateiro até à saída do «pobo».
Depois, por carreiros, atalhos e caminhos, uma corrida rápida até casa, para as últimas horas de sono e de sonhos na sua aldeia natal.
Na Quarta-feira, na hora da partida, resguardada no portão do Jardim Público, a Aninhas do Cimo de Vila dizia adeus ao seu soldadinho tão soldadinho ao seu peito.
Vigilante, encostada à montra dos “Volkswaguenas do Emílio” e disfarçada pela casota da PVT, a Tia Cacilda benzeu-se aliviada por ver a «caminete» seguir direitinha à recta de “OuteirJozão”.
Tupamaro
“CASCARROLHOS – DAS – BOTICAS”
Ficávamos admirado, dentro dos nossos oito anos, como é que o ITÓ, lá, nas BOTICAS, conseguia fazer de umas folhas de lata prateadas, pouco mais grossas do que as folhas do nosso caderno de redacção, cópia e ditado, cântaros e cantarinhas, almudes, almotolias, candeias, regadores, ralos, funis de muitos tamanhos, copos de litro, de quartilho ou de canada, púcaros de todas as medidas e g(a)raban(h)os.
Tinha a sua Loja na rua que vai (ia) da esquina do “Roque” até à esquina da rua para Sangunhedo.
Nela ficavam também o Talho do Milo, o posto da GNR, um fontanário público e, no cimo da rua, a fechá-la, um casarão com muitas cortes por baixo, e que um incêndio consumiu, matando o gado nelas guardado.
A hora certa lá ia o ITÓ a Sapiãos, conduzindo a sua segura e veloz carroça, levar e buscar o Correio que as «Carreiras do Marinho», de Braga, carregavam ou descarregavam, a caminho de Braga ou de Chaves.
Ao fim do dia é que chegava a Boticas, fazendo sempre uma cerimoniosa manobra de estacionamento frente à Loja do “Albino da Loja”, padrinho do “Albino do Barbeiro”, a “Carreira de Chaves”.
Os passageiros com destino a Quintas, Codessoso ou à Paróquia Sueva de Berese (BESSA) ainda tinham coragem de se meter a caminho noite dentro, depois de a reforçar com dois ou três copos na taberna ali ao lado.
Os outros confortavam o estômago e o medo da noite na “Pensão Americana”, com porta de entrada frente à porta de saída da «carreira”.
Se a viagem tinha urgência na continuação lá se valiam do «carro de aluguer» do Cirilo.
Nos meses de Inverno, os cães da Vila juntavam-se, à noitinha, na praceta do majestoso Fontanário da Rua Principal. E, a sinal dos canzarrões do Dr. Pinto, partiam para as serranias de Curros, Seirrãos, Torneiros e Pinho em busca de heróicos combates com as alcateias de lobos, então por aí abundantes.
No tempo de caça, por todo o condado de Boticas, havia fartura de lebres, coelhos e perdizes.
Nas grandes nevadas - agora já não há disso! - até à mocada se matavam coelhos!
De Canedo, do Couto, de Atilhó, de Cerdedo era frequente virem à Vila pequenos grupos de homens com lobos ou raposas atados pelas patas e pendurados num estameiro apoiado nos ombros de cada par de homens.
Vinham à cata de ovos e de alguns patacos, como compensação pelos galináceos que aquelas feras deixariam de papar, ora a uns, ora a outros barrosões.
No Verão, o ribeiro do Fontão ainda enchia umas poças de água junto às hortas de Sangunhedo, onde a garotada dava uns mergulhos e tentava «caçar» umas enguias.
Nas margens vilórias do Noro, o Nilo Azul das BOTICAS (de notar que é azul a cor da Bandeira de Boticas), bandos de parrecos punham ovos e faziam criação.
Ao número da prole só lhe ganhava o saído das chocadeiras do professor Monteiro, lá em Sangunhedo, com o qual bem melhorava o seu ordenado!
Dias de Feira, de vacina de cães ou de Exames da 4ª Classe traziam enchentes de gente a Boticas, só ultrapassadas pelas multidões que vinham à SENHORA da LIVRAÇÃO.
No Verão, as tardes de domingo eram muito concorridas na “Eira da Floresta”. E animadas com os tocadores de concertina ou de acordeão.
O mais assíduo e famoso era o “Justo de Sapiãos”!
De acordeão branco, a cobrir um «pipo» de três almudes, sentava-se numa forte cadeira tendo ao lado direito o exigido e consagrado garrafão de vinho.
Quando o Justo rasgava com gestos largos as notas mais agudas dum “Vira” ou de um “Malhão”, ou esmagava com um forte apertão o refrão mais grave duma «Chula», a plateia aplaudia com urros, berros, pinchos e palmas, e os dançarinos, metendo a cabeça no chão, ganhavam balanço para um passo mais largo, uma roda maior e um erguer de peito e de braço mais fanfarrão.
A Cadeia, com vistas para a rua principal, estava sempre cheia de larápios e de malfeitores.
Ladrões, assassinos, contrabandistas e «inimigos do Regime», quando apanhados, só nela pernoitavam. Os Guardas-Republicanos esperavam a «Guia do Tribunal» e a hora da «Carreira» para os levar para Chaves.
Um dia vimos um condenado a fugir como um desalmado pela rua que ia ter à ponte do Noro.
Para recolher a «Guia do Tribunal», o Guarda-Republicano amarrou os pulsos do criminoso com um cordel.
A «Carreira» ainda não estava na hora. O Guarda confiou mais no respeitoso brilho dos botões da sua farda de cotim, lustrosamente abrilhantados com solarine, do que na resistência dos baraços que atavam os pulsos do criminoso.
-Já está! - gritou, como sinal de partida, o condenado.
Corria como um desalmado.
O Guarda puxa da Pistola regulamentar e atira.
Juntam-se-lhe populares na corrida atrás do fugitivo.
Chegado à ponte, este salta para as margens do rio e desaparece.
Com um ombro chumbado, e já com o sangue a empapar-lhe a camisa e as calças, agachou-se num silvedo, mais enrolado do que um coelho numa toca tolhido de susto com a perseguição de uma raposa.
Foi apanhado.
Entretanto, a «Carreira» esperou e lá seguiu para a Cadeia da SENHORA das BROTAS.
No centro da Vila havia dois sapateiros irmãos. Ouviram-lhes dizer que o Norton de Matos ou o Vicente é que deviam ganhar as eleições.
Foram para à choldra.
Às vezes, os mais gandulos da Vila organizavam uns Jogos de Futebol, no Largo da SENHORA da LIVRAÇÃO, com os de BESSA ou com uma selecção de outras Aldeias.
Como tinham por eles o Arlindo e o “Meio-Quilo” - dizia-se que o primeiro até era pretendido pelo Benfica! - ganhavam sempre.
O sr. Alvarinho negociava o vinho de todas as vinhas.
O Almeida fazia concorrência ao Roque, no azeite, no sabão e na mercearia. E este bem queria, mas não podia, concorrer com o vizinho colado, a “Albino da Loja”, nas fazendas, nas chitas, nas popelines, nas linhas e nos botões.
A “Loja do Miranda”, perto da Escola frente à Igreja e virada para a avenida do Eiró, fazia mais negócio a vender rebuçados embrulhados nos retratos dos Jogadores de Futebol e nas Cadernetas da colecção do que na restante mercadoria.
O Patrício, dono daquela taberna manhosa, besuntada e escura, lá no cimo do Toural, passava a vida a vender carboneto, copos de vinho, a encher garrafas ao quartilho e a servir sardinhas fritas em fatias de pão centeio.
Ao “Jardelino” chegavam cacifradas de trutas, ora do Tâmega, pescadinhas desde a foz do Noro até ao desfiladeiro de Fiães; ora do Bessa, pescadinhas desde a Ponte Pedrinha até ao Gardunho, onde o Covas o empurra para o Tâmega. Preparadas com todo o esmero, eram um petisco de Jantar ou de Ceia, com fama e proveito para os “Jardelinos”, e proveito e fama para BOTICAS dos tempos futuros.
E naquele pedaço de veiga, carregadinha de macieiras e pereiras, que se estendia desde a GRANJA, passando por detrás do Cemitério e se alongava até à ponte do Noro, assentou acampamento uma legião de CASCARROLHOS mais numerosa do que a “Legioni VII Geminae Felici” à volta da “CANELHA das LONGRAS”!
Certo dia de sol bonito, um primo visigótico do “Dinis de Espertina” resolveu - sabe-se lá bem por quê! - dar uma vista d’olhos por aquele pomar já com pouca folha e menos frutos.
Logo topou um ninho. E toca de subir a macieira para o espreitar.
Mal tinha posto o segundo pé na cruzeta, num instante se convenceu que a II Guerra Mundial ainda não tinha acabado: - um pupilo da «Barão Vermelho», de cor castanha camuflada, acelerando o ruído dos seus gorjeios, faz um voo picado sobre a sua trunfa vaidosa e descarrega-lhe uma forte bicada. Ainda estava a esfregar a «cubata» com uma mão, tentando equilibrar-se com a outra, quando uma pupila do «Barão Rojo» faz um voo rasante e lhe arrepela os cabelos. A velocidade dos ataques era tão estonteante que o visigótico primo se convenceu de estar a ser atacado pela maior esquadrilha aérea do mundo!
Ele, que fora da Força Aérea, nunca vira o semelhante!
“Os F16, comparados com a velocidade e capacidade de manobra destes “CASCARROLHOS - DAS - BOTICAS”, mais pareciam a “CARROÇA do ITÓ” a dar a volta em Sapiãos para o regresso até ao Toural”! - contou-nos.
Tuparamo
“MEMÓRIAS da GRANGINHA”
Mal o sol se levanta por trás do Castelo de Monforte logo o brilho dos seus olhos alumia e aquece a varanda da casa da Tia Maria do Campo.
Do lado desta a quem o sol deixa o último olhar antes de adormecer, a Amélia da Tia Maria do Campo pedala com firmeza na sua máquina de costura Singer, alinhando com toda a habilidade e presteza o tecido por onde a costura tem de ser feita.
A Laurinda chegou ofegante. Cuidar das galinhas, dos coelhos e dos recos fê-la atrasar um bocado. Mas já estava ali para pespontar as saias que a Amélia iria rematar e entregar a tempo e horas às clientes.
A Tia Aurora cumpre o ritual diário de dar de comer às pitas e passa meia hora a berrar com elas como se estas fossem culpadas dos bicos-de-papagaio que a trazem sempre atanazada.
A Tia Quinhas ralha com os burros, ainda refastelados dentro do palheiro da eira, prometendo-lhes um arraial de porrada logo que o Tio António Guarda volte do serviço.
A Elisa, com a desculpa de ir à «Pipa» buscar um cântaro de água, demora-se debaixo da figueira da eira a espreitar para o Alto do Cando a ver se vê a sombra do Jurel.
A resmungar com a sachola que leva ao ombro, o Tio Zé Lita desengonça-se, a caminho da «Lama».
Na curva da Casa Nova já se dá conta da chegada do Aníbal do Treno, pelo chiar do carro puxado por um burreco e pelos responsos que dá à mulher, desde que saiu das Casas-
-dos-Montes.
A Teresa do João Carteiro chama pela Hermínia, que só pensa na brincadeira, lá no CAMPO, em vez de entreter as irmãs mais novas.
O sr. Pinho, depois de beber umas goladas boas da água da «Pipa», senta-se ao fundo das escadas da casa da Tia São enquanto o seu enorme rebanho de cabras rapa as paredes. Com aquele jeito especial de pastor, assobia e chama umas cabritas. Muge-lhes o leite e dá para o Luisinho da Tia São uma caneca cheia.
A Tia Luísa Chardas solta a burra no pátio, carrega um braçado de lenha para acender o lume e vem sentar-se à porta, no cimo das escaleiras, guardada da rua pelo muro de pedra que até lhe serve de varanda, donde pode ver toda a gente que vai ou que vem do tanque, da fonte, da “Sobreira” ou do “Valcoelho”.
Pela fresca das tardinhas de Verão, deixando a cidade, atravessa a “Fonte Nova”, escala o “Monte da Forca”, ganha alento na travessia do “Pedrete”, sobe a ladeira das “Carvalhas” e vem tecer louvores à «Pipa» o sr. José Valtelhas.
Deixava-nos espantado o apreço que este “senhor da cidade” manifestava pela NOSSA ALDEIA!
Estamos em crer que a sua inseparável bengala lhe servia de carruagem de luxo a fazê-lo chegar ao rincão do seu conforto.
A Tia Olinda prega os sermões diários - matutinos, vespertinos e «humorinos» - ao Lelo e ao João, sempre que vai para o “Val’ da Cabra”, para a «vinha» ou à Fonte, ou quando de lá chega.
A Alice do Treno passa o dia a recomendar à Judite para ter cuidado com o sol, e ao Luís para não sair do quinteiro.
O Mário e o Júlio desafiam o Luís da Tia São para correr uma «Volta a Portugal em Bicicleta» ou ir a uma “corrida de grilos”.
Pegam nuns arames e constroem um guiador; atam-lhe dois frasquitos, cheios com água da «Pipa»; correm CAMPO acima, passam pela Sobreira, atalham pelo monte e pelo giestal do Picholeto, vencem o prémio da montanha no “Alto do Cando”, descem em louca velocidade até ao “Carvalho” e sprintam doidamente até à «Pipa», onde cortam a meta, a sede e o cansaço bebendo grandes goladas de água fresquinha e levezinha.
Para a “corrida dos grilos”, tradição deixada pelos romanos quando por aqui andaram (claro que estes faziam corridas com quadrigas, mas quem não tem cavalos corre com grilos!), iam às caixas de costura da mãe Teresa, os dois irmãos; à da prima Jesus, o Luís da Tia São. Desenfiavam as agulhas e rapinavam um dos “carrinhos de linha número 30”. Rebuscavam todas as tocas de grilos que houvesse no CAMPO. Com as agulhetas de pinheiro esquiçavam os cavalos, quer dizer, os grilos, para os apanhar à saída da toca. Se teimassem em não sair, aplicavam-lhes a dose certa de uma mijoca, que era remédio santo!
Dos calondros faziam os carros de bois, quase parecidinhos com os “carros de corridas” romanos.
Pelo pescoço ou pelas patas, desde que se lhes desse um nó, lá se prendiam as «quadrigas» de seis ou sete (ou os que calhassem) grilos.
Riscos, de partida e de chegada, feitos na terra poeirenta do caminho de carro de bois, do CAMPO, contava-se até três e …
Ah! Grilos de um raio!
A agulheta de pinheiro transformava-se logo no açougue (látego) do Ben Hur e de Messala, incitando os grilos a correr a galope.
O Mário, o Júlio e o Luís da Tia São, imitando o Charlton Heston … ou o Tio António Guarda, bem gritavam e berravam com a «griliga».
Mas qual quê!
Os marmanjos só sabiam dar saltos e mais saltos. A torto e a direito. Prà frente e pra trás.
Ensarilhavam as linhas. E, às vezes, libertavam-se delas.
Os carros tombavam. Soltavam-se-lhes as rodas. Partiam-se-lhes os cabeçalhos. Os eixos esfrangalhavam-se-lhes.
Os artísticos pedaços de calondro desfaziam-se em mil pedaços!
A Teresa do João Carteiro e a Avó do Luís da Tia São chamavam-nos para a ceia.
Eles não ouviam.
A Avó do Luís e a Teresa do João Carteiro gritavam para o neto e para os filhos irem comer.
O entusiasmo da corrida tornara-os moucos e tirara-lhes a fome!
Então, só quando viam uma vergasta no ar é que aqueles “gabiruns” desatavam a correr para casa.
Uns cascudos da mãe e uns “azoutes” carinhosos da Avó eram as coroas de louro com que aqueles três “galferros” saíam premiados.
Depois, chegado o luar de Agosto, as famílias punham-se à porta de casa a apanhar o fresco, em plácidas conversas.
Eram lindos os dias e as noites da MINHA GRANGINHA NATAL!
Tupamaro
CONVERSAS COM ZEUS”
-XV-
“entroikado”
A pátria dos deuses anda endiabrada.
Indignados, os cidadãos gregos querem deitar ao mar de Atenas ou aos precipícios de Tebas os indignos deputados imputados pelo desastre de ,,,,,,, €urópolis.
O incêndio do porto de Pireu levou fumo e cinzas até ao Olimpo.
HERMES mandou soar trombetas, e preparou as suas legiões para descerem à Terra e “dar nas trombas” dos Παπαδόπουλος (Papadopoulos) Áticos, Socratoulos - Zapateiroulos ibéricos, pelas manigâncias com que levaram a “termópilos” desatres nacionais.
ZEUS apanhou um cheirito a fumo. Achou-o estranho, pois tinha-se habituado, graças a umas lembrançazinhas que lhe havíamos enviado, ao do pernil de reco fumado nas lareiras Normando-Tameganas, e que tão bem combinavam - o fumo e o pernil, disse-nos, por «mão própria» - com as rodelas de linguiça e de salpicão, ou com as alheiras e chouriças com que se regalava, especialmente quando se sentia «cá com uma fraqueza», ou até mais desejoso, assim…, de uma gulodice que lhe chegasse à alma!
Estava ZEUS já a lamber os beiços e os vestígios de três «PASTÉIS de CHAVES», tão fresquinhos de acabadinhos de serem aquecidos no seu divino micro-ondas, quando HERMES lhe vai dar conta dos preparativos para manter na ordem os incendiários de Vancouver, de Paris, de Marselha e do Pireu, e prevenir o foguetório que se anuncia para Madrid e Lisboa.
Por antecipação, ZEUS transforma alguns bons homens em nuvens.
Bem, a maioria era de Mulheres, valha a verdade.
E, pelo sim, pelo não, ZEUS decidiu-se ligar-nos.
Lá lhe explicámos o que era a «TROIKA» e quem eram os TRÊS «troikos» que se abraçaram à «TROIKA». E como a «TROIKA» pariu um Par porque o Kann se «atirou» a uma camareira que confundiu, na camarata, com uma camarada. E como dos TRÊS «troikos» abraçados à «TROIKA» só DOIS é que ficaram encarrapitados nela.
E lá nos foi “sermoniando” ZEUS:
- “Sabes, esses “cafajestes”, que encontram nos túneis da política – politicária a oportunidade de passar da pelintrice profissional ao esplendor social, fazem escala na sola das sandálias ou das palavras de qualquer Herodes sacripanta, sempre na mira de darem um saltito até aos cordões …… dos sapatos, das botas …… ou do ouro!
Disfarçam-se nas listas eleiçoeiras, e eis que surgem, com um sorriso mais aberto do que as comportas das “Três Gargantas”, como membros de concílios de génio, a governar as CIDADES!
Chegando-se a lugares de olhares, põe figura de sultãozito, besuntados de idiota sobranceria politicastra, pegam na régua dos «poderes que lhes são conferidos», rodam o compasso ao ritmo e sabor das suas conveniências mais imãs, e arquitectam paisagens paradisíacas para si e para os seus, e medonhas e infernais para os semelhantes.
- ZEUS, tu sabes bem que «o homem é puro, mas corrompido pela civilização», especialmente os que se afivelam com o cartão ou com a birra “cismenta” do Partido. E não raros são os que, apanhando-se nas «cadeiras e sofás de sonho», se comportam como «reizinhos» que não suportam a “companhia da Filosofia ou dos filósofos”.
Aqui, pelo “Reino” - de PORTUGAL, para nós, e muitos outros - “Portugalório”, tantos, em demasia, identificam as funções na JUNTA de FREGUESIA, CÂMARA MUNICIPAL, nas ASSEMBLEIAS, no GOVERNO, nas PRESIDÊNCIAS com os seus desejos pessoais. Em vez de fazerem o que DEVEM fazer, empenhadamente, engalfinham-se, mas é, naquilo que SÃO CAPAZES de fazer.
Lembramo-nos daquele amigo que avisava: -“…quando o dinheiro justifica todos os golpes, é difícil ou quase impossível que o bem comum possa ser governado com justiça e floresça a prosperidade”.
- Olha, meu caro, vives numa Pátria linda. Mas submetida a prerrogativas de Governação semelhantes às da “Albion” do século XVII - quem (vos) governa está «liberto e absolvido de todas as leis do Governo”!
Cinicamente, o (vosso) Presidente vem, quando lhe “dá na meneta”, lembrar e apelar à «responsabilidade» de TODOS os Portugueses. Claro que não à dos «Tugas» especiais como ele!
A loucura de “xico-‘spertos” auto-apodados de «anti-faχistas” subordinou os Lusitos de agora à (in)justiça de uma «necessidade cruel», aplicada por uma “TROIKA” facínora e hipócrita.
Mas o que mais desejo é que tenhas alegria e saúde. Por isso, já que o calendário lembra o alinhamento de umas festanças «de se lhe tirar o chapéu» aí, pela NORMANDIA-TAMEGANA, vou recomendar a Zéfiro para abençoar a TAMEGÂNIA durante esses célebres «três meses de inferno».
Bem, olha lá, mas é, se me arranjas uma «caixula» daquele vivificante «vinho dos mortos».
Livra-te que eu me queixe à Senhora da Livração!
… E “agora Bou-me, que tenho d’ir-me”!
- Ó Zeus, mas tu julgas que somos o “guarda-rios de Vilarinho SECO”?!
‘Stá bem! O nosso amigo “Bino do Barbeiro” não nos vai deixar ficar mal!
Homessa! Com esta é que ZEUS nos «entroikou»!
Tupamaro
“Nhôra”
Nas carteiras lá do fundo, a Professora notou um certo reboliço cochicheiro.
Do Quadro, onde escrevia palavras para a lição, voltou-se com aquele seu habitual vagar a traduzir bondade, mudou o giz para a mão da vara e a vara para a mão do giz, olhou lá para o fundo e perguntou:
- Meninos, o que é que se passa?
Todos fizeram há-de conta que não era para eles tal pergunta, e até se mostraram interessados nos livros e cadernos que traziam na “saca”.
-Francisco, que é que aconteceu?
- Não foi nada, «Nhôra».
- João, diz tu. Que estavas a dizer, Augusto?
As carteiras eram de madeira «mociça». A tampa, em plano inclinado, era porta para uma caixa. No topo, em lados opostos, para cada um dos dois alunos que a ocupavam, duas ranhuras, para lápis e caneta, e um buraco para o branco tinteiro de cerâmica.
E a comichão que, lá no fundo da sala, atacou os rapazes deu propósito à Professora para lhes perguntar:
- Há por aí muitos bichos – carpinteiros?!
O «Gusto» era um mariola crescido, já repetente na «terceira”. E na «quarta» nem chegou a ir a exame.
O «Tero» era o mais novo da classe. Nesse dia chegara à Escola revoltado com o Gusto.
No dia anterior foi para casa muito intrigado.
Tinha vontade de conversar com a mãe ou falar com o pai. Mas o assunto assustava-o.
O Gusto tinha-lhe segredado que já namorava e que a Proβessora precisava dum “home” com quem dormir.
Ele, Tero, é que mal dormiu naquela noite.
Não parava de pensar nas tretas do Gusto, nem no entusiasmo que sentia sempre que olhava para a Virinha da Ti’Aurora.
Na Catequese repetiam-lhe para fugir dos «maus pensamentos, actos e omissões» , que era para ele não «ir direitinho par o inferno».
Mas no inferno sentia-se já o Terinho!
A Virinha parecia-lhe uma borboleta a esvoaçar por dentro da sua cabeça, e a acender com fósforos milhentas lamparinas, que até lhe faziam arder o coração.
Mas fora o Gusto que, com as suas tretas, o deixara em tal sobressalto.
Madrugou, com a consciência pesada e com a angústia da dúvida se teria cometido um pecado mortal.
Então, chegado à Escola, lá no fundo da sala, mal o Gusto se sentou no banco ao lado, na outra carteira, que com a sua fazia o corredor, esticou a perna direita e pisou o pé esquerdo do Gusto. Este respondeu com um «fonha-se» e um pequeno punhaço no braço do Tero.
- És burro ou fazes-te?! – resmungou o matulão.
- Tu é que és um valente aldrabão e trampolineiro! - soprou entre dentes o Terinho.
-Ai sou?! Ora diz lá porquê! – desafia o mariola. Não sei que bicho te mordeu!
E foi nestes entretantos que a Professora captou o burburinho lá no fundo da sala.
Manda a verdade REVELADA, aprendida na Catequese, que os meninos e meninas devem falar sempre a verdade. Se não, vão direitinhos para o inferno.
O Terinho andava assustado da vida. Com tanta lição de Catequese, tinha a impressão de que a vida ou «era assim» ou «era assado».
“Assado”?!
Lá lhe vinha aquela medonha imagem das almas a arderem e a penarem nas profundas do inferno.
Quando ia buscar água à fonte, com aquela cantarinha de alumínio, de duas canadas e meia, que a mãe encomendara ao Severo latoeiro, das Casas-dos Montes, com oficina no Largo do Anjo, de propósito só para ele, e passava em frente daquele nicho onde se via as almas a penar entre labaredas, arrepiava-se todo e jurava nunca ir cometer pecados - por pensamentos, actos e omissões.
Também não entendia porque estando as almas a penar entre as labaredas do inferno ainda lhes punham velas e mais velas ali, a arder, a fazer tanto calor e a salpicar as almas, em figura de gente, com pingos de cera ardente.
E, agora, lá estava a Professora a pôr à prova as suas juras.
Os pensamentos que toda a noite lhe tiraram o sono não queria revelá-los.
Praticar o acto de mentir?
Via-se já a ir direitinho, direitinho, para o inferno!
Calar-se, ficar mudo, era uma “omissão”, como lhe ensinaram na Catequese.
E se até do Purgatório tinha medo!....
A Professora, com um ar menos bondoso e uma voz menos afável, falou:
- Então, meninos, não querem dizer o que se está a passar?
Com olhar lacrimoso e a palidez piedosa de quem pede e espera uma bênção, o Terinho murmurou:
- “Nhôra”, o Gusto, ontem, disse que a “Nhôra” andava a precisar «d’home» para dormir.
Credo, cruzes, canhoto!!!
A Professora lá se refez, num repente, da pancada que o sussurro do Tero lhe acertou nos tímpanos, nas meninges e no coração.
-Meninos! – exclamou num tom de voz mais forte. (Esta Professora nunca berrava!). Vamos acabar com essas maldades.
Com Deus me deito, com Deus me levanto.
O meu marido é Nosso Senhor!
Tupamaro
CONVERSAS COM ZEUS
-XIV-
“E V O É!”
O nosso amigo ZEUS anda com a trombeta virada para oriente e até se esquece dos amigos a ocidente.
Ente por ente, os daqui ainda são os que melhor nozes têm para ele dar ao dente.
Mas os tipos de olhos em bico andam a dar-lhe volta à cabeça, e a Zeus não lhe sai da cisma o sismo em Honshu.
«Segundo fonte próxima» do palácio de Inverno, de Zeus, o nosso amigo desconfia que devem ser a mão de um tal Osama, ou doutro que tal Obama, que anda a mexer na “HAARPa”. E de tal maneira que as vibrações das cordas fazem tremer o céu e a terra.
Tendo-lhe constado, por alto, que uma seita de vampiros estava a infiltrar-se pelo cabo Espichel, com a intenção de sugar os Portugueses até ao tutano , mandou-nos a casa um secretário de Dioniso para saber «noβidades».
Fizemos por recebê-lo bem:
- Fomos ao «Teique a Uei» buscar uma canja. Pusemos-lhe três bijus que, de passagem, comprámos no «Pão Quente»; servimos-lhe «robalo à Godinho», acabadinho de pescar no Furadouro, e acompanhado com batata francesa que está à venda no mini-supermercado do rés do chão do nosso Bloco. A pinga foi um copo mal medido, de uma garrafa a quem escondemos o rótulo.
Mas o secretário permanecia com um ar esquisito.
Molhou a boca, a fazer render o copo, e soltou:
- Não consigo assentar as ideias e recolher com modos as informações enquanto não entender uma coisa.
- Ora desembuche, catrino!
-É que ao atravessar a fronteira para a Tugalândia deparei com uma nuvem de aviões com o nariz virado para tudo o que era estância de Férias! E era cá um pagode lá dentro!
E bandeiras das Quinas por tudo quanto era sítio!
… A vossa Selecção ia jogar fora?!
E o Scolari tornou a trazer a senhora do Caravaggio?!
-Qual caral….., ou caravaggio!
Isso são os deputados das últimas filas do Parlamento, os administradores das PPP’s, das Empresas Municipais, os eternos dirigentes sindicais, os clientes do BPN, os reitores das Novas Oportunidades e os sortudos do Rendimento Mínimo (aqui com a principesca oportunidade de se “inserirem socialmente”).
Como todos ultrapassaram os objectivos previstos receberam chorudos prémios e foram-lhes abertas «Janelas de Oportunidades» para gozarem, à grande e à francesa, estas Férias de Páscoa.
-Ai! P á s c o a!....- interrompeu-nos.
Dioniso bem lembrou a Zeus que já ia muito tempo sem ele fazer uma visita à Cornualha Ibérica, e especialmente à Normandia Tamegana.
As almôndegas vietnamitas, o kaisehi japonês, o echon e o lambanog filipino têm – lhe dado cabo da saúde.
E não é que está mesmo a calhar-lhe bem uma vinda nestes dias?!
P á s c o a!.....Lembra o amigo!
Ora aí está!
Um cabritinho da Padrela ou do Alvão, um cordeirinho de Castelões, assados no Forno do Poβo de uma dessas Aldeias dos arredores de CHAVES, uma pinga de Balcerdeira, de Vidago ou Vila Meã!...
Espere lá!
Mas esta semana não calha naquela particular e especial altura em que essas Flavínias sacerdotisas do Lar, das Lareiras e dos lareiros fazem um abençoado pão, dum marelinho mais doirado que a luz dos sóis, recheadinho com uns cibinhos «disto, daquilo, doutro e daqueloutro» com mil paladares, fofinho e a derreter-se-nos na boca e a derreter-nos de consolo, quer logo na primeira dentada no primeiro carolinho, quer depois, se benzido com um, dois (três…trinta, trinta e três!...) goles de pingota de qualquer pipote ou «lumínio» - ou mesmo até com uma boa malga de café ou com uma «Sagres» ou «super bock»?!
Ah! Lá pelos corredores dos palacetes de Zeus até já se falou em «ovos de pita pedrês»!
Será que….
-P’ra secretário está tão bem esclarecido como um ministro! - interompemos.
Não se esqueça de que aqui onde o recebemos os pitos são de aviário, e o marelinho dourado dos “cro-à-sans” se deve a umas pinceladas com anilina.
Para proβar do que está a falar temos de nos pôr a caminho do próximo dia de Aleluia. Mal se tope o Minhéu, é deixarmo-nos cair ……bem, podemos começar em ………….. Souto Velho, num petiscanço de «Rojões com mel» acompanhados com um «arcossó reserva».
Em seguida, em seguida…….só nos resta mandar parar o sol e, de vez em quando, ir às Caldas beber uns copos, «’tás a ver, ó meu?!».
-Quem me dera! Quem me dera!
Mas estou tão preocupado com a fraqueza de Zeus e o fastio de Dioniso que vou, mas é, já fazer uma escala no Campo da Roda, rumo a Nantes a apanhar o Pluto, arrombo as portas do Anjo e pego no Dinis e, de braço dado com eles, vou aos sítios mais secretos e eleitos que só eles conhecem, encho os bornais e os odres, e «ala que se faz tarde»!
Disse FOLAR?!
-AH! Seu «aldrabas”! Sabes a missa toda!
Mas fica a saber que não te digo onde fica a Feira do Folar de Valpaços!
Toma lá um salvo-conduto para depois poderes gabar-te que te regalaste com um «Pastel de Chaves» feito por uma Helena!
Ou tu julgas que só vós tendes uma Helena!
A vossa só sabia fazer olhinhos!
A nossa faz uns ricos «Pastéis de Chaves»!
A vossa é de Tróia.
A nossa é d’ ABOBELEIRA!
Ora proβa aqui deste salpicão que ainda nos resta, dos reais, dos de lá de cima, e põe-te a mexer, que é para chegares a horas.
E diz a Zeus que, lá porque o profeta falso, João Baptista, só gosta de patrocinar Festivais e Congressos virtuais, onde nenhum concorrente ou orador põe a pata em Chaves, os LUMBUDUS estão «operacionais» para que, na Cidade de Trajano, ele realize o próximo Congresso “di (n) – vino”!
V e r i t a s!
E V O È!!!!!!!!!!!!
Tupamaro
“O 2 1”
Anos 60.
Da Estação, de comboio, lá partiu para Tavira mais uma gabela de almas.
Iam cumprir um dos períodos de adaptação para uma viagem ultramarina, com ou sem regresso.
Chaves, Régua. Régua, Porto. Porto, Stª Apolónia. Lá pelo meio da noite, travessia do Tejo em cacilheiro, tempo de apanharem o comboio no Barreiro. Daqui até à estação de Tavira.
Depois, um percurso a «butes» até ao Quartel.
Distribuição de botas, calças de cotim, mais pálido do que cinzento, camisas e cuecas de pano cru, blusão de flanela, capote com mangas assimétricas, capacete de ferro, bivaque, cantil e «Mauser»; Camarata e um colchão sustentado em ferros.
Tempo de encontrar o número da cama calhado, objectos pessoais arrumados no armário metálico, e logo um “Sargento - lateiro” veio à porta avisar para Formatura na Parada.
Feita a Formatura, dadas umas instruções regulamentares, lá vem um punhado de «gaijos» bem fardados, com riscos doirados nos ombros, em conversa sorridente.
Dividem-se, cada um para o seu grupo de Formatura e logo põem «cara de pau».
E assim começou a adaptação a um acordar cedo, fazer corridas desalmadas levando ao ombro uma «Mauser», na cabeça um capacete de ferro, sobrado da II Grande Guerra, e nos pés umas botas pretas e grossas, que pesavam como chumbo.
Enganava-se a fome ao almoço e aldrabava-se ao jantar.
O Gilão, sujo, lodoso, fedorento, fazia sentir saudades daquele pedaço do Tâmega que vai de Vila Verde da Raia até Vidago.
Lá, antes de qualquer preceito cumprido, fazia-se uma formatura.
O comprovativo das presenças era feito por um «Recruta» , indicado por escala.
O fim-de-semana só começava no sábado à hora de almoço. Terminava à meia-noite de domingo.
Mas só se merecia depois de um exame final, em formatura, à barba e ao brilho do couro das botas, ao nó de cordões bem dado e à ausência de uma sombra, sequer, de pó no calcanhar ou na biqueira de uma bota.
No dia 21 de Novembro de um dos anos sessenta calhou ao GONÇALVES estar «de dia» ao seu Pelotão.
Feita a Formatura para o Jantar, o GONÇALVES , antes do «’m frente! Marche!», para o Refeitório, iniciou a chamada:
- número 1! –
-Pronto! – responderam.
-Número dois!
-Presente! – seguiu-se.
-Nº Três! Nº Quatro! Nº Cinco! ………..Número dezanove! - A resposta enérgica do “Pronto!” ou do “Presente” ouviu-a sequentemente o GONÇALVES.
-Número Vinte !
-Pronto! – ouviu-se.
- Número Vinte e UM!
- O silêncio durou uns longos cinco segundos.
-Acrescentando seis decibéis à voz, o GONÇALVES, REPETE:
- Número Vinte e UM!
- O silêncio alongou-se para nove segundos.
O GONÇALVES dá um passo em frente, desencolhe um pouco a barriga, mete um pouco mais de ar no peito, percorre com um olhar mais sério as três fileiras do «seu» Pelotão, e grita:
-VINTE E UM!
- O Pelotão mexeu-se como se lhe tivesse dado uma pequena comichão.
Para esticar o seu metro e sessenta de altura e fazer-se ver e ouvir melhor, o GONÇALVES pôs-se em bico de botas e chamou, com toda força dos seus pulmões e todo o sério que coube na sua cara miúda:
-V I N T E E U…u…uM!
Que estranho silêncio!
Atemorizado, o GONÇALVES, com medo de ser «topado» por alguém dos outros Pelotões ou pelo «Oficial - Dia», dá mais dois passos em frente para ficar mais próximo dos camaradas e diz, em tom apaziguador:
-Eh! Pá! Não me f………as!
Responde lá de uma vez!
A comichão do Pelotão fez cócegas e os Camaradas soltaram à gargalhada.
-Oh! O 21 sou eu, CAR(V)ALHO!...
Tupamaro
“…. À SOPA CASEIRA”
A Praça da Batalha é um ponto de passagem e de paragem obrigatórias para quem visita o Porto.
O Teatro S. João não deixa saber se está aberto ou fechado.
A Praça é larga, mas os carros e os autocarros circulam por uma faixa estreita.
Agora, na época do fresco e do frio, as esplanadas dos Cafés continuam cheias de mesas e de cadeiras, e vazias de clientes.
O dia estava solheiro, e sabia bem um descanso, sentado num dos bancos que se espalham pela Praça.
Da rua Alexandre Herculano saem continuadamente autocarros para travessia a Ponte do Infante.
Da rua de Cimo de Vila vêm à esquina da Praça meia dúzia de bebedolas escarrar para o chão e sacudir priscas de cigarros fumados até à última.
A passadeira com a rua Duque de Loulé tem o verde, o vermelho e o amarelo para os automobilistas; e o preto e o branco para toda a gente que quer ou tem de atravessar, com pressa ou com vagar.
Estávamos a abrir a pasta, à procura do livro que andamos a ler, quando ouvimos um…
-Dá licença?
O banco chegava bem para mais duas ou três pessoas.
-Faça favor - respondemos.
Apreciámos a boa educação daquele homem, já mais distante da nossa longeva idade.
-O dia está frio. Mas, ao sol, a tarde fica quente, e até apetece um pedacito deste descanso.
O fecho da pasta fechou-se, e o livro continuou guardado.
Ao nosso lado sentara-se um homem asseado e elegante, apesar de a roupa que trajava revelar uma modéstia ditada pelo uso, que não pelo elevado padrão quando fora nova.
A gravata, com nó perfeito, pareceu-nos dizer tanto como o casaco, o pulóver e a camisa, como com a expressão do seu olhar.
“Um pedacito”! Pareceu-nos ter apanhado aqui uma entoação tão à moda de …
-Sim. Está uma tarde linda, de um Outono já viradinho para o Inverno - dissemos.
-Outono!
Outonos ainda os conta o senhor.
Eu já tenho saldo de Invernos! – exclamou o estranho.
-Ora essa! Se calhar até somos ambos do mesmo tempo de tropa ou de escola! – retorquimos.
-Tropa! Escola!
Nas nossas idades, são temas aonde todas as conversas vão parar, e sabe-se lá bem porquê!
Da Escola, porque foi no Pilocénico das nossas pincha-carneiras nas paixonetas, nos mergulhos nas ideologias e na navegação de mil aventuras - desde a caça aos grilos, à fisgada aos tralhões, ao armar de esparrelas aos pintassilgos; ao imitar a conquista do Everest, subindo um morro ou um «Alto» pela parte mais difícil, ou atravessar o Tamenguelos com água pela cintura e a namorada do dia às carranchulas; até no atrevimento de se desafiar o reitor, recusando escrever-se no «Ala dos Namorados» do regime e reivindicar-se uma página no Jornal da Terrinha”!
Da Tropa, porque no peito ficaram inscritas as linhas de navegação das salinas de Tavira, as angústias das datas de embarques para a Guerra, que nos marcavam e desmarcavam até à partida inesperada, mas sempre garantida; o tempo de «mato»; as tricas e traições de ditos companheiros de armas; os laços de amizade com Quicongos, Mussorongos, Cabindas, Bondi-Bângalas ou Quiocos, e com «europeus» e ………Transmontanos!
Nem imagina quanta surpresa e quanta satisfação sentimos sempre que, quer na «protecção à coluna», quer em «operações», topávamos com um Transmontano!
Dobrava-se-nos a coragem e multiplicava-se-nos a alegria!
Que raça de gente!
Com alma até Almeida e o coração mais amigo do mundo!
Oh! Mas do que eu lhe estou a falar!
E, o senhor, que me diz?
-Que o ouvimos com gosto - respondemos.
-O Sol já está a desviar-se da Madalena para se esconder na Afurada.
O passeio à Invicta aumentou-me a tristeza.
Ali, ao cimo daquela rua que nos fica nas costas, era a «Mamuda» e o «Ribeiro» - Restaurantes célebres no tempo em que me era possível frequentá-los. Tal como o da «Confiança», na Stª Catarina, e que hoje nem sombra dele resta.
Passeei pela cidade, e, à medida que se aproximava a hora de almoço, o apetite ia morrendo.
Senti que não conseguiria engolir uma garfada que fosse.
E hoje até é dia de «Tripas à moda do Porto»!
Não almocei, e nem vontade tenho ainda.
Da «Mamuda» passei para os de «Refeições Económicas». Acabo na procura de vidraças onde apareça «Sopa caseira – 1€».
Ah! …. que tolo estou!
Chega-se a hora de apanhar o comboio para Caíde!
Mas ainda tenho tempo e muito gosto em convidá-lo para um «café».
Para essa despesa ainda me chegam as minhas misérias.
- Muito obrigado! – atalhámos.
Também “se faz horas” para nós. Mas ainda sobra tempo para celebrarmos este encontro. O senhor toma um café e nós um pingo.
Levantámo-nos ambos em simultâneo e caminhámos os vinte passos que nos separavam do balcão do ”Chave de Ouro”, em silêncio.
Demos conta que o nosso companheiro tirava do bolso um lenço branco, bem dobrado, com monograma, e, lentamente, o levou ao canto do olho.
Mais se apertou o nosso coração.
-À sua saúde! - disse, levantando ligeiramente a chávena de café.
-À sua, também! - respondemos, imitando-lhe o gesto.
Fez finca pé em pagar.
Na rua, estendeu-nos a mão. O aperto de ambos foi firme e sincero.
Pôs o indicador esquerdo ao alto, cruzando os lábios e escondendo o nariz, e disse, enquanto se virava, para descer «Stº António»:
-Eu sei que Você é da “NOSSA TERRA”!
Tupamaro
“…ou da Meca dos Chouribebes”
A NORMANDIA TAMEGANA (para os mais apressados nas leituras esclarecemos que este é o nome que criámos e preferimos para o “Alto Tâmega”) é rica e cheia de preciosidades - no património Histórico-cultural, na multiplicidade de quadros da Natureza, nas matizes multicoloridas dos seus céus, na “bendição” (bênção”) dos imensos frutos da sua terra, e na grandeza de alma das suas Gentes.
Ninguém ama com tanta paixão, ninguém sofre com tanta saudade, como um TRANSMONTANO e, em especial, como um NORMANDO TAMEGANO.
…. “Porque és Tu A NOSSA TERRA”!
Assim a cantamos e celebramos na corrente de uma lágrima, sempre teimosa em orvalhar-nos o olhar e a afogar-nos o coração.
Já o dissemos, porque o sentimos e o vivemos, que essa TORRE DE MENAGEM é o ponto cardeal de referência de todos esses Lugares, Aldeias, Vilas e Cidades que se albergam na NORAMANDIA TAMEGANA.
Por isso, quando nos lembram, sempre que nos falam, de Tourém ou de Salto, da Venda Nova ou de Mourilhe; de Atilhó ou de Torneiros, de Pinho ou de Serraquinhos; de Canedo e de Santo Aleixo, de Agunchos, de Alvadia ou de Penalonga; de Vilarandelo ou de Lebução, de Sonim ou de Águas Revés e de Carrazedo de Montenegro; do Peto de Lagarelhos ou do Cambedo, de Stª Cruz da Castanheira ou de Vilela do Tâmega; do Castelo de Monforte ou do Castelo de Montalegre; do Castro de Curalha ou do Castro de Carvalhelhos; da Srª da Livração, da Srª da Guia e da Srª da Saúde, de Valpaços, ou da Srª da Saúde de Agostém; da Srª das Brotas, dentro da Fortaleza; do Sr. da Piedade (na Meca dos Chouribebes), ou do Senhor do Monte e do S. Caetano; do Museu de Fornos do Pinhal, ou do Centro de Artes Nadir Afonso; da Pedra da Bolideira ou da Pedra de Pevide; dos penedos da Mijareta, ou dos lagares na pedra, nos cabeços de Santa Valha; da Srª da Azinheira ou a Capela do Anjo da Guarda (Lebução); das Trutas do Beça e do Mente, ou das Bogas do Rabaçal ou de Paradela; da Sêmea de Lebução e do trigo de 4 cantos, de Faiões, ou da bica de manteiga de Barroso e da costeleta de vitela, do mesmo sítio; do cabrito de Macieira ou da Padrela, ou do cordeiro de Castelões; da «pinga» de Sonim ou de Anelhe, ou de «Balcerdeira» e de Asnela; do fumeiro de qualquer dessas ALDEIAS, dos grelos da Gaiteira, do Azeite de Valpaços, da aguardente de Merogos, de S. Lourenço; do mel de Boticas; das chegas de touros; d’“O Desportivo”, do Atlético ou do Flávia ; do padre Fontes e Mons. Alves da Cunha; dos «Pardais», dos «Canários» e do «Calypso»; das Verbenas, no Jardim Público; da Feira dos Santos; da bruxa de Escarei ou da bruxa de Amoinha; do Café e do Livro “Terra Fria”; do «Jardelino» e da «Soreta»; do «Pàraqueto», do «Jorge», do Central ou do Ibéria; por isso, quando nos lembram, sempre que nos falam, dos signos e dos símbolos, dos mitos e dos deuses, dos santos e heróis da NOSSA TERRA, prestamos atenção, escutamos com interesse, e exultamos de emoção.
Terra de tesouros , é tempo de cessar de ser maltratada e posta «à margem»!
Tupamaro
.
“…FILHOZINHA de GERIMUM!”
Hoje é Dia de Consoada.
Não há tempo para serdes interrompidos com saudosas conversas, quanto mais com «Discursos»!
Andais todos «a mata – cavalos», para que, logo à noite, nada falte na vossa mesa, nem no íntimo do peito (e nos sapatinhos) daqueles a quem quereis bem, de todo o coração.
O «Discurso» que hoje nos compete deixamo-lo-vos nos nossos votos de BOAS BESTAS, apenas, e no último poema, inédito (feito há dias), pelo longevo e distinto Flaviense EDGAR CARNEIRO:
N A T A L
Todos os dias nascem
Neste mundo
Meninos e meninas
Que passados os tempos
Nunca serão lembrados
Salvo rara excepção
De génio humano.
Mas no santo Natal
É outra a natureza,
Pois trata-se de Alguém
Que morre em cada ano
E renasce mais próximo
Em Belém.
Edgar Carneiro – Dezembro de 2010
Ah! E se não é pedir-vos muito, trincai uma filhozinha de gerimum (que saudade!) por nós!
Tupamaro
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“ANGOLA É NOSSA!”
17 de Dezembro de 1(.)96………!
Ainda a noite mal anunciava a madrugada, o navio Vera Cruz ia-se enchendo de almas penadas, para serem levadas aos infernos do «Ultramar Português».
O Comando Supremo das Forças Armadas, levado pelo seu elevado sentido estratégico, montou no cais de Alcântara um “arquipélago de gulag” para alguns familiares, poucos amigos e imensas apaixonadas daqueles que iam partir.
Levantadas as escadas, a chaminé do navio soltou uma grossa e imponente golfada de fumo negro que se apagou só quando o silvo do sinal de partida bateu no céu.
O nevoeiro cerrava-se cada vez mais. E a lentidão com que a nau se afastava do cais pareceu ser empurrada com a força da pesada nuvem.
Da amurada, pareceu-nos ficar a ver fantasmas, medonhos, a gritar e a bracejar, a afogarem-se.
Ao nosso lado, uns cobardolas cretinos ameaçavam atirar-se borda fora prometendo cair nos braços das putas que ali vieram gritar o contentamento de se verem livres deles.
Vencida a barra, os chorões e os desesperados depressa esqueceram a saudade ou a tristeza, e instalaram-se nas mesas dos salões «a batê-las».
Ao almoço já parecia estar-se na Srª da Saúde, na Srª da Livração ou no S. Caetano.
E o «caralho» era o deus omnipresente em toda e qualquer oportunidade de abrirem a boca!
Enquanto o navio cortava a linha do Equador, a amurada ia-se enchendo de gargantudos guerreiros a lançarem golfadas de bravuras estomacais pela borda fora.
S. Gregório nunca fora tão festejado!
O Natal foi passado no mar alto.
Na noite de Consoada, «O Conjunto» do navio - nada que se comparasse com o «Calypso» das Verbenas do Jardim Público (quando este era Jardim e tinha público!) de CHAVES - tocou umas modas e repetiu as «QUEZARDAS de MONTI» … porque um «maçarico» da Trafaria quis-se dar ares de «lisvoeta».
Um, ou outro, demorou-se no convés, a contemplar o portão de entrada em África - a Baía de Luanda!
Do barco ao Grafanil nem se soube como lá se chegou.
Pouco importava.
As visitas solenes à catedral da CUCA e da NOCAL mataram a sede às saudades dos saudosos e fizeram nascer gigantes entusiasmos para se cumprir «a missão» - todos iam em «comissão»!
E, depois de apanhado o travo da Cuca ou da Nocal, lá seguiram, uns e outros, para «o destino», algures naquela imensa Angola.
Poucas semanas passaram para que toda aquela maralha fosse posta a «olhar para o passarinho», com aprumo e asseio encomendados, o «brilhozinho nos olhos», a dentuça abrilhantada na hora, e a dizer:
-“…….rinhónhó, rinhónhó”, e “Adeus até ao meu regresso” - sem vírgula no adeus.
Um, ou outro, não se prestou à cena.
Mas que outras cenas se deram por lá!
E por cá!
Alguns deixaram lá o corpo e a alma.
Outros trouxeram só o corpo defunto.
Alguns chegaram decepados.
Muitos de vós, com medalhas ao peito.
Um, ou outro, passa, ou passou, a vida com medalhas no coração e cicatrizes na mente.
Depois, acabou o «Ultramar Português»!
Mas todos LÁ deixaram um pedaço, maior ou não tão grande, do coração!
De um, ou outro, - ou de (quase) todos - ANGOLA será sempre NOSSA!
Tupamaro
“Cabeça da Cobra”
O Destacamento ficou instalado numa arriba com acesso ao mar por um carreiro único e difícil de descer, quanto mais de subir!
Rodeado por floresta e um frágil murete a delimitar as casotas que faziam de Caserna, Cozinha, e Sala de jantar, tinha, para as idas e vindas, uma «picada», que meandrava por uma planura de capim, do lado norte.
A água colhia-se numa fonte da floresta, em lugar vizinho da costa, e que denotava ter recebido arranjos apropriados, por ocupantes primevos.
Normalmente, dois Rapazes, escalados, empurravam facilmente um pipote de, mais ou menos, cem (100) litros - que antes havia chegado com, menos ou mais, noventa litros de vinho (canforado), mas a valer uns bons cem litros de água - até à fonte.
Aí, enchiam-no «à cafeteirada»!
Isto é, levavam umas cafeteiras de lata, que, de manhãzinha, se enchiam, até cima, de café, para se “matar o bicho” à «maralha»; e, ao meio-dia e à noite, enchiam-se, mal, quase até cima, do vinho dum “pipote-de-cem-litros-a-conter-quase-nove
A dormir ou acordados, dentro ou fora do aquartelamento, neste ou noutro qualquer, cada tic-tac dos segundos da vida desta mocidade, ou de outra qualquer, com igual tarefa, marcava o compasso de espera entre aventuras incríveis e até estranhas.
Ao “Bê” e ao “Vê” calhou-lhes ir à água.
E lá levaram consigo o pipote.
Para encherem, bem cheio, com cem litros de água fresquinha, talvez, até, com mais uns quartilhos, para vir bem testinho - não que a sede, ali, naquelas paragens, apertava de manhã à noite.
E de que maneira!
A ida era fácil. Até porque a ligeira inclinação a descer ajudava a rebolar o pipote.
A vinda era mais custosa, mesmo para dois rapazolas valentes e na flor da idade.
Engenhocas, haviam criado um fabuloso invento: - uma corda, com medida calculada, prendia a cada ponta um pedaço de ferro em forma de gancheta.
Um aplicava os ganchos nos rebordos do pipo; o outro esticava a corda.
Um, à frente, a lembrar-se do macho, ou da mula, que puxava o semeador, no tempo das sementeiras; outro, atrás, a recordar as vezes em que tinha de empurrar o carro de bois, carregadinho com os sacos de batatas, naquele pedaço de ladeira, estreita e pedregosa, que até mesmo só com o sacho às costas custava a subir.
Naquele dia, enorme alarido se espalhou pelo acampamento - espaço pouco maior do que o quinteiro de um Morgado de Monforte de Rio Livre.
O “Vê” e o “Bê” apareceram lá ao fundo do quinteiro, onde o capim estava «capinado», em louca corrida e aos gritos desentendidos.
No meio do quinteiro erguia-se, ainda com infantil elegância, uma pequena palmeira, defendida por um pequeno círculo de pedras miúdas, e adornada por um jardim de erva regada com estremecido cuidado por todos.
O “Bê” e o “Vê” estancaram a corrida só quando chegaram ao pé do jardim.
O pipo acompanhava-lhes a velocidade da pressa com que davam à perna e, com tão repentina paragem, quase os ia cilindrando, não fora o travão dos espantados companheiros que corriam ao encontro dos gritos.
- O que foi?! O que não foi?!
- Que se deu?!
- Que aconteceu?!
- O que houve?!
As perguntas batiam contra os gritos.
O “Vê” e o “Bê” arfavam, pálidos, lívidos, sentados no chão.
-“Co ---- o ----o---- bra”! – gaguejou o “Bê”.
-“Gigante”! – soltou o “Vê”.
-O quê?! – pergunta o “Tê”.
-Um Gigante com uma cobra?! – pergunta o “Rê”, ficando com os olhos arregalados e a boca aberta.
- Trazei-lhe água, porra! – berra o “Cê”.
As pedras miúdas, a circular e defender a pequena palmeira, cresceram num repente.
E trinta pares de olhos e outros trinta pares de orelhas estavam afiados para ver e ouvir os modos e as palavras com que o “Vê” e o “Bê” iriam fazer o relatório da desastrada e falhada tomada de um pipote de água!
Enquanto o “Bê” e o “Vê” se recompunham, com a ajuda de uns goles de água e a presença apoiante dos companheiros, o “Mê” quis dar uma ajuda à soltura da língua dos dois arfantes e atira:
- Mas que grande c………alho! Isto é algum Alcácer – QuibirE?!
- Qual QuibirE, qual c……..alho! – berra o “Nê”. O “Bê” é de Alcácer do SalE, porra!
Os gritos deixaram de ecoar pela floresta e perderam-se no mar.
O ”Vê” e o “Bê” levantaram-se.
- Ó Alcácer, fala tu! - diz, ainda com a voz fraca, o “Vê”.
- Não! Conta tu, ó “Bila Pouca”! – devolve, com a voz fraca ainda, o “Bê”.
- Oh! Que catano! “Contaide” os dois! - berra o “Valpaços”.
- Vamos ali p’ra dentro do refeitório! - ordena o “Fê”. E remata a ordem:
- Ó “Boticas”, busca uma cafeteira de vinho!
E no refeitório, depois de todos molharem a goela, o “Bê”, de Alcácer do SalE, explicou:
- Estávamos a colher a água quando, num repente, ouvimos um barulho estranho que nos fez arrepiar a espinha e pôr os cabelos” in” pé. Pareceu-nos ver um rascalho grande a mexer, mas, de repente, vimos uma cobra quase tão gorda como o pipo, e a cabeça quase do tamanho da de um bezerro barrosão.
Ela queria comer-nos vivos!
Abriu a bocarra enorme e lançou uma lança que quase nos espetava.
Começámos a gritar como desalmados e a correr como perdidos.
Agora, que “bá” à agua quem quiser!
Nós é que nunca mais temos sede d’água!
O “Murça”, o “Carrazedo”, o “Mairos” e o “Soutelinho”, correram a pegar nas “FN” e voaram para a fonte.
O lugar estava sossegado e continuava lindo.
Encheram os cantis.
Regressaram, calmos e serenos.
Dentro do quinteiro, chamaram:
- Ei! Rapaziada!
E, à vista de todos, regaram a palmeira de toda a estimação.
Tupamaro
“Mau homem é aquele que sabe receber um benefício e
não sabe devolvê-lo”
O BLOGUE “CHAVES”, da autoria do Senhor FERNANDO RIBEIRO, tem dedicado com todo o empenho os Post(ai)s do fim-de-semana às ALDEIAS FLAVIENSES.
Claro que a vaidade de cada um faz com que se considere SEMPRE atrasada a reportagem acerca da sua.
Normalmente, os que menos contribuem para o engrandecimento da «sua terrinha», são os mais lépidos a exclamar:
- “Até que enfim!”.
E, quando aqui lhe chega a vez, empanturram o seu Ego de secreto orgulho e obesa vaidade ao confundir a ressonância do nome e dos atributos da sua ALDEIA, com ao eco que deseja para o seu nome - o seu EU.
É assim com muitos dos que visitam este BLOGUE - aqueles que de maneira alguma têm uma palavra de reconhecimento para quem, desinteressadamente, dá a conhecer o seu torrão natal - quer seja na Caixa de comentários, quer por e-mail, por telefone, pessoalmente, ao autor do Post(al); quer seja no local de reunião ou de encontro ocasional com qualquer amigo, «compadre, ou companheiro circunstancial.
Alguns buscam e rebuscam uma falha, um lapso, um erro, para desfazer do trabalho apresentado, pois encontram mais satisfação glandular e espiritual na oportunidade do desdém hipócrita do que numa palavra de felicitação para quem lhes deu algum consolo bairrista, lhes consolou a saudade com a lágrima caída, lhes deu motivo para começar o dia com um “Bom Dia!” mais jovial , logo ao primeiro amigo, colega ou conhecido que encontre.
Mas também há os que se comovem, se sentem felizes e que, mesmo sem letras ou palavras, elevam o seu agradecimento.
A satisfação de se ver AQUI uma menção a uma ALDEIA, seja ela qual for, não toca só o coração dos naturais e/ou moradores da mesma - todo o bom e genuíno FLAVIENSE, NORMANDO TAMEGANO e TRANSMONTANO fica contente por mais uma oportuna divulgação de um pedacinho da NOSSA TERRA.
Porém, os engajados em compromissos espúrios, os nombrilistas, os invejosos, e os ingratos arranjam sempre um enviezado pretexto para denegar o mérito e a grandeza de quem os beneficiou.
O comentador de Outeiro Seco revelou ser uma pessoa de má fé.
Confunde a sua ALDEIA com o seu Eu.
O seu comentário revelou os altos níveis de escatol transportados no seu auto-convencimento e nos meios que utiliza para alcançar os seus fins.
Lamentamo-lo, pois, apesar de algumas divergências conceptuais (necessariamente superficiais que ambos entendemos), esperávamos (como visitante deste BLOGUE), esperávamos mesmo, outro tipo de comentário do sr. RIO de OUTEIRO SECO.
Como sinal de despedida (do comentário) dedicamos ao sr. Altino Rio o pensamento:
-“ A gratidão, como o leite, azeda, caso o vaso que a contém não esteja escrupulosamente limpo”.
Tupamaro


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