Quarta-feira, 1 de Março de 2017

E venha a Páscoa que o Carnaval já lá vai

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Venha então a Páscoa que o Carnaval já lá vai. Aliás cá na terrinha se não fosse tradição gastronómica associada ao Carnaval, nem dávamos por ele, isto se nos referirmos só à cidade de Chaves. Agora se quisermos presumir e dizer que somos da eurocidade Chaves-Verin, aí a cantiga já é diferente, pois ali ao lado os nosos irmáns galegos, não brincam com o carnaval  ou entroido, levam-no a sério, ou seja, brincam muito e divertem-se ainda mais com ele, e não é coisa para um dia, mas praí uns 15 dias de loucura.

 

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Talvez seja por esta falta de tradição do carnaval em Chaves que é uma das festas que a mim, pessoalmente, pouco ou nada me diz, a não ser pelas iguarias que vão à mesa e seria um dia como outro qualquer.

 

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Venha pois a Páscoa que, verdade se diga,  é outra das festas que também nada me diz, isto se é que podemos considerar a Páscoa uma festa. Claro que há as iguarias ligadas à Páscoa, como o folar e mais recentemente por força da publicidade comercial os chocolates. Também aqui como não sou lá grande amante do folar nem dos chicolates, a festa da mesa também me passa ao lado, ainda pra mais que hoje em dia, folar,  há-o  todos os dias nas padarias da cidade e ainda por cima é caro comó coiso! Mas o que chateia mesmo é que agora começa aquela cena do jejum, uma chatice. Está claro que ninguém me obriga a jejuar, mas que remédio eu tenho, pois como não cozinho as minhas refeições, tenho que me render àquilo que põem  à mesa ou está disponível na ementa, mas com um bocadinho de sorte temos uma bacalhoada e a coisa fica mais composta.

 

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E tudo se comporia se a seguir à Páscoa tivéssemos por cá uma grande festa, mas nada, desde o Natal (festa que eu gosto) até à Feira dos Santos, cá na terrinha em termos de festas é como é um grande deserto que temos de atravessar, quando muito há umas sardinhas acompanhadas de uns copos e umas modinhas musicais populares lá para o S.João e S.Martinho, mas em pequenas festas de amigos ou familiares, e mais nada. Se não fosse pela abundância de grandes superfícies comerciais e armazéns dos chineses, Chaves seria uma tristeza ou como diz o meu amigo escritor, seriamos uma “Crónica triste de névoa”, cheia de macambúzios deprimidos.

 

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Ah!, ainda ao respeito do parágrafo anterior e dos nossos sítios de diversão, temos a vantagem de estarem abertos aos sábados e domingos, senão o que seria de nós aos fins-de-semana, desejosos e ansiosos pelas segundas-feiras para irmos trabalhar, pois enquanto estamos ocupados não pensamos nessas coisas que só acontecem nos tempos livres ou tempo de lazer, como o pessoal das ciências humanas gosta de chamar. Um direito, dizem!

 

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Já quase pareço um queixinhas. Agora a sério, a verdade é que não necessitamos nada dessas coisas de festas de rua onde se mistura de tudo, com gente a tresandar a suor, bêbados, os casas de cinema com gente a comer pipocas e fazer barulho que nem deixam ver um filme, ou teatros para nos armarmos em intelectuais quando toda a gente gosta de cinema, ou concertos musicais onde só vão putos bêbados e drogados com música de furar os tímpanos, foguetes no ar que só poluem a atmosfera e assustam os passarinhos…

 

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Para quê querer isso tudo se agora temos tudo em casa, o que quisermos, sentados comodamente no nosso sofá. Basta ter um televisor, um computador e uma ligação à internet et voilá, ora estamos a ver um bom filme, a assistir a um bom concerto musical ao vivo com a vantagem de podermos ir comentando com os mais de mil amigos que temos no facebook, além de muita mais coisa que se pode fazer, que eu bem sei. Convém é ter umas bejecas no frigorifico, não vá dar-nos sede a meio da noite… Ah! ainda com a vantagem de que em casa, onde houver mais gente além de nós, não somos obrigados a assistirmos todos ao mesmo, pois cada um no seu sítio, com  a sua televisão, o seu portátil, tablet ou até telemóvel, desde que haja Wi-fi, e está tudo resolvido e se tivermos filhos daqueles que ainda nos obedecem, de vez em quando podemos mandar-lhes uma mensagem para o telemóvel do género: “ Vai ao frigorífico e traz-me uma cerveja que não quero interromper o filme”, ou então se formos mais responsáveis, uma do género: “ vê se te deitas que amanhã tens de te pôr a pé cedo”. Uma vez mandei esta à minha filha e ela respondeu-me: “ Ó pai, acordaste-me, já estava a dormir!”…

 

E com esta me vou!

 

As fotos são do Domingo Corredoiro de Verin.

 

 

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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

Cinco imagens da época - Entroido e cigarróns

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Hoje ainda vamos ter mais uma carta para o Comendador, mas como o carteiro ainda não chegou, vai ficar para mais tarde. Para já ficamos com mais cinco imagens da época, mais propriamente do carnaval que, como vem sendo habitual, aqui por perto, se o quisermos temos de ir até Verin, aqui ao lado, do outro lado da raia, na Galiza, que por muito que se possa ansiar por uma eurocidade Chaves-Verin, em termos de festas e cultura, cada um tem as suas, aliás como sempre teve.

 

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Mas como a cidade de Chaves está zangada com festas, o carnaval em Chaves também não é exceção e se em tempos a juventude ainda ia brincando com as bombas de carnaval, as rabichas, os “estrelotes” as seringas, a farinha e o carvão, com meia dúzia de caretos, agora nem isso e se queremos folia à séria,  lá teremos que ir até às dos vizinhos, que quase do nada, ao longos das últimas dezenas de anos, conseguiram fazer festa de invejar, já tradicional, com vários momentos nesta época de carnaval, como o Domingo Corredoiro (do qual deixo imagens) mas também as grande noites dos compadres, das comadres e os grandes desfiles de domingo e terça feira de carnaval, momentos que levam a Verin milhares de forasteiros.

 

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E se os cigarróns são a imagem oficial da festa, que de ano para ano vão crescendo, sendo já centenas deles,  há lugar para todos viverem  a festa do disfarce, basta quererem, mesmo quando o dia é dos cigarróns, como o domingo corredoiro, há lugar para todos, tal como hoje fica documentado. Momentos aos quais às vezes até as mascaras dos cigarróns não ficam indiferentes.

 

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Ficam algumas imagens desses “penetras” que fazem as festa à sua maneira, contribuindo também para ela, sendo como mimo, como extra-terrestre, como palhaço, ou como lhes der na gana.

 

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Da nossa parte já há anos que somos fãs da festa de Verin,  e nos nossos sonhos gostaríamos também de ser fãs de uma festa alargada à cidade de Chaves, onde com o pretexto da eurocidade, os sonhos se poderiam tornar realidade, mas não, continua tudo como dantes…

 

Amanhã há mais!

 

 

 

 

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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017

3 do Entroido galego de Verin

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  Ele aí está na rua, o entroido galego de Verin, com algumas imagens do Domingo Corredoiro em que os cigarrons saiem à rua pela primeira vez.

 

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Cigarróns e aspirantes a cigarróns, já são às centenas nas ruas de Verin.

 

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Para já ficam três imagens, mas durante a semana iremos deixar aqui mais umas tantinhas.

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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2016

O Introido da Eurocidade Chaves-Verín

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Como hoje é terça-feira de Carnaval mal seria se não fizéssemos aqui referência a este dia de folia que vai sendo celebrado e festejado por esse Portugal fora mas também um pouco por todo o mundo. Mas em Portugal também é festa grande nalgumas cidades, vilas e aldeias, tanto que nesta terça-feira, salvo no regime neoliberal assanhado, sempre houve tolerância de ponto, um quase feriado que hoje em dia já se começa a falar em oficializá-lo.

 

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Chaves, não sei por que razão, nunca ligou muito a este dia. Antigamente ainda havia o queimar e rebentar de uma rabichas e bombas de carnaval, uns peiditos chocos e seringas de água na mão da canalhada, agora nem isso. Chaves é definitivamente uma cidade de costas viradas para as festas, sem festas da cidade, sem carnaval, sem grandes festivais de música, também ela parece governada por neoliberais assanhados em que o povo só serve para trabalhar e pagar taxas e impostos. Festa e cultura são coisas da intelectualisse de esquerda que só pensa na boa vida… Chaves é definitivamente a cidade triste da névoa… Assim, se queremos carnaval, ou nos vingamos à mesa de nossas casas com as iguarias do fumeiro e do reco que são tradicionais nesta quadra ou então vamos a Verin ver, aí sim, a festa do intróido e dos cigarróns, com vários pontos e dias altos de festa ao longo de mais de 15 dias de folia.

 

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Tive esperança que na tal Eurocidade de Chaves – Verín, com projeto reconhecido e premiado pela União Europeia, passasse a existir realmente uma eurocidade, que é muito bonitinha no papel, naquilo que se diz à imprensa e esta reproduz, mas que na realidade Chaves continua como era antes da Eurocidade e Verís, por sua vez, continua como era Verín antes da Eurocidade. Nas notícias (por exemplo em: http://www.rtp.pt/noticias/cultura/eurocidade-chaves-verin-sera-a-primeira-zona-franca-social-da-europa_n865641#sthash.QTNXK4za.dpuf ) diz-se (o sublinhado é meu):

Oito anos depois de Chaves e Verín terem iniciado o projeto, com apoio de fundos da política comunitária de coesão, os dois municípios veem reforçada a possibilidade de criarem, em conjunto, "a primeira zona franca social", com os cidadãos das duas margens do rio Tâmega "a circularem livremente e a utilizarem os serviços" públicos de saúde e educação de um ou de outro concelho, como mais lhes convier”.

Que maravilha, não fosse no meio ter as palavras “A possibilidade de criarem”, pois nada disto existe. Existe, isso sim aquilo onde se diz:

A eurocidade Chaves-Verín já partilha um cartão de cidadão que dá acesso a piscinas, bibliotecas, eventos, formações ou concursos, bem como uma sede, uma agenda cultural, instalações desportivas e recreativas e atividades conjuntas.

É verdade sim senhor, mas se não tiver o dito cartão tem na mesma acesso a esses locais. Para rematar, também é verdade onde se diz:

António Cabeleira sublinhou que os dois lados da eurocidade já partilham uma agenda cultural comum

Sou testemunha disso e até tenho uma agenda dessas em casa, mas este comum não quer dizer que sejam atividades conjuntas da Eurocidade, mas sim Chaves deixa na agenda as suas atividades e Verin deixa na agenda as atividades que Verin promove. Não há cá misturas, cada um com o seu, sem intercâmbios nem realizações conjuntas, cada um trata das suas coisinhas como sempre aconteceu e mais nada, a agenda apenas as anuncia – Já é qualquer coisa. E foi assim que fiquei a saber que hoje em Verín desde as 11h00 (não sei se de lá se de cá) vai haver o Martes de Entroido organizado pelo Concello de Verín. Agora bonito-bonito são…, ou aliás, era ver os Cigarróns a correr também as ruas de Chaves.

 

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Mas enfim, là teremos que ir a Verin para termos Carnaval, como todos os anos e do qual eu até sou freguês já há uns bons anos, mesmo antes da Eurocidade já o era, só que este ano não me dá jeito ir por lá, assim, ficam as fotos do Carnaval (Introido de Verin) do ano passado. Eu não posso ir, mas quem puder, que vá, pois vale a pena lá ir, com ou sem cartão da Eurocidade, pois a festa lá, é de todos e para todos.

 

 

 

 

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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

Chá de Urze com Flores de Torga - 100

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Curral de Vacas, Chaves, 11 de Abril de 1974

 

O Auto da Paixão num pobre lugarejo transmontano transfigurado numa Galileia imaginária, a fonte de Jacob, o Jardim das Oliveiras e o Sinédrio reduzidos a uma bacia cheia de água, a meia dúzia de ramos espetados no chão, a um palanque de feira. Mas nesse cenário ingénuo e sumário, tudo se passou como no verdadeiro — um Cristo do mundo a sofrer as injustiças e agruras do mundo. Pilatos era qualquer regedor, presidente da Câmara ou juiz poltrão a lavar as mãos na hora da verdade; Caifás, o influente poderoso e rancoroso, quem não é por nós é contra nós; Judas, o mau vizinho que muda os marcos e jura peitado; e a turba judaica, a multidão que assistia, mata, queima, esfola, conforme a onda emotiva. Não havia vedetas. Nem o próprio Redentor tentava ultrapassar a medida humana. Todos faziam diligentemente o seu papel, a debitar o texto e a gesticular como a rudeza era servida. A tarde estava de rosas, e essa doçura da natureza emoldurada harmoniosamente aquela lúdica catarse colectiva, teatro e realidade misturados, festa e pesadelo, agonia fingida e vivida. O povo tem isso: sabe encontrar o meio-termo feliz, o equilíbrio entre as exigências da alma e as fraquezas do corpo. A tragédia do Calvário é a nossa própria tragédia. Mas Deus é Deus, um ser absoluto. Pode sofrer absolutamente. Nós somos criaturas relativas... Por isso, a esponja de fel que desta vez o Centurião chegou aos lábios de Cristo era um naco de pão-de-ló ensopado em vinho fino...

Miguel Torga, in Diário XII

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Curral de Vacas

Chaves, 3 de Setembro de 1974

 

Fui rudemente sincero, mas há horas em que só assim. As pessoas afivelam uma máscara, e ao cabo de alguns anos acreditam piamente que é ela o seu verdadeiro rosto. E, quando a gente lha arranca, ficam em carne viva, doridas e desesperadas, incapazes de compreender que o gesto violento foi a melhor prova de respeito que lhes podíamos dar.

Miguel Torga, in Diário XII

 

Verin, 4 de Setembro de 1974

 

Cada povo rem mesmo um perfil singular, inconfundível, que a fronteira recorta. Um modo próprio de ser e de proceder, que se não pega, que se não transplanta, que o cosmopolitismo esfuma mas não apaga, que é uma maneira vital específica de estar no mundo. Comparo as duas realidades que a raia separa. E entro em melancolia. Que diferença de clima humano! Tudo, deste lado espanhol, tem autenticidade, sabe a verdadeiro. As paixões, o patriotismo, a magnanimidade e o brio. Tudo se faz aqui a sério. Ou revoluções verdadeiras, ou contra-revoluções verdadeiras.

Miguel Torga, in Diário XII

 

 

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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015

Chá de Urze com Flores de Torga - 95

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Verin, 2 de Abril de 1968

 

No alto da torre do castelo de Monterrey, a pairar sobre a veiga do Tâmega, iço ao sol primaveril de Espanha a bandeira do patriotismo instintivo, e arreio-a logo a seguir, racionalmente. O guarda confiou-me a chaves do baluarte — quem o diria noutros tempos! —, e não pude evitar o impulso irreflectido. Teve o bom senso de me chamar à ordem. Lá em baixo, na cidade, milhares de patrícios, que vieram a um desafio de futebol, abarrotam os carros de contrabando. Bacalhau, bananas, farinha triga, pão, conhaque, queijo, compotas, rebuçados. Um saque inconsciente, pago com pesetas do mercado negro. «A fome…», penso com os meus botões. A fome que todo o português teve, tem, ou teme vir a ter. A fome que nos levou à Índia, ao Brasil, e nos faz chafurdar agora nos esgotos de Paris. Fome que não é desonra, quando confessada, mas que nenhum de nós confessa, como não confessamos outras misérias. Fomos civilizar, emigramos por amor à aventura, sabe-nos bem iludir o fisco. Mais nada. E é essa nossa falta de humildade que agora me pesa arrobas na consciência, a contemplar o desdém da grandeza castelhana e a ouvir o rumor da pilhagem. Ora assim peado da alma, que posso fazer mais do que enrolar no coração o altivo estandarte da independência pátria, e resignar-me a pertencer a uma comunidade de lazarados, convencidos de que têm o rei na barriga?

Miguel Torga, In Diário X

 

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Chaves, 8 de Abril de 1968

 

Quanto mais apertado me sinto na prensa da vida, a estalar de desespero por todos os lados, mais necessidade tenho de escrever. Os desafios de viva voz — que a raridade de ouvidos atentos e compreensivos vão, de resto, tornando impossíveis — nada resolvem, e sã até contraproducentes. Saem da boca às golfadas, intempestivamente, e deixam na alma uma penosa sensação de esvaziamento sem alívio. De tão informe, a lava apenas testemunha a ígnea actividade do vulcão. Mas, na escrita, os sentimentos ordenam-se na ordem das palavras. O que se diz, adquire, na disciplina da frase, a claridade e a economia que faltavam ao impulso comunicativo. EW a consciência encontra repouso nesse rigor e nitidez, que dão transparência e inteligibilidade ao próprio rosto absurdo da vida.

Miguel Torga, In Diário X

 

Chaves, 9 de Abril de 1968

 

Deixo cair a tarde

Nos olhos fatigados.

O dia foi de luz intensa e demorada,

Nevada nas alturas,

Guardei o que podia.

Agora quero a noite

E a brancura das horas

Sem lembrança.

Trevas de claridade

Inconsciente.

Longe daqui, e sempre aqui

Presente,

Quero sonhar apenas o que vi.

Quero ver o que vi mais transparente.

                                    

                                              Miguel Torga, In Diário X

 

 

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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015

Intróido de Verin - Galiza

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Cigarróns

Se a Eurocidade Chaves-Verin fosse uma coisa “visível” , também Chaves (graças à irmandade) se poderia gabar de ter um dos melhores carnavais, mas como tal não acontece vamos , aliás como sempre fomos, vendo o Intróido de Verin.

 

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E é sempre com gosto que lá vamos, só temos pena de não poder participar em toda a festa do intróido que durante mais de 15 dias se vai manifestando e diversas atividades, como a noite das comadres que leva até Verin milhares de pessoas.

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Assim, só nos vai sendo possível ir ao desfile onde os cigarróns fazem do intróido de Verin um intróido (entrudo) único de uma beleza singular, ou quase, pois não podemos esquecer os peliqueiros de Laza.

 

Ficam três olhares deste ano sobre esse intróido.

 

 

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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

A Eurocidade Chaves-Verin e o Entróido

 

 

 

 

E como hoje é carnaval e em Chaves não há tradição do seu festejo,  vamos passar por Verin, onde o carnaval, ou entrudo, por lá,  já é festa grande com tradição.  Em Chaves não há tradição e também de pouco nos valeria que houvesse, pois com a adesão de Chaves (instituições públicas) à não tolerância de ponto, hoje é dia de trabalho, embora por parte do poder local, conhecendo-os como conheço, não estranhe o gesto, mas nem por isso lhes fica muito bem. Eu explico já os porquês, mas primeiro uma imagem do Entróido de Verin, ao qual fui no Domingo, quebrando a minha tradição de ir lá hoje.

 

 

 

Pois dizia eu que o gesto não lhes fica muito bem por duas razões. A primeira por falta de solidariedade com a grande maioria dos municípios que se marimbaram para as recomendações do governo e deram tolerância de ponto e, neste momento de crise a tolerância justifica-se ainda mais que nos anos de não crise, mas pelos vistos parece que além de nos quererem pobres também nos querem tristes e de castigo, como se nós fossemos os culpados da crise para a qual eles nos conduziram e continuam a enterrar, os números não mentem e, se os contabilistas do poder fizerem contas a quanto se perde com a não tolerância verão que é muito mais do que aquilo que vão ganhar e, se a intenção era castigar (mais uma vez a função pública) quem fica a perder (mais uma vez) são os privados. Penso que não será necessário explicar porquê.

 

 

Mas esta primeira razão até nem é a que fica mal ao poder local. Então a Eurocidade Chaves-Verin que tanto se apregoa no papel? Então as festas de Verin (tal como se anunciam na agenda cultural), agora, não são também as festas de Chaves? Então sabendo que grande número das gentes que enche as ruas de Verin nos desfiles de Entróido são flavienses, não os deixam ir ao desfile?

 

 

Claro que as perguntas são para ficar sem resposta e depois todos sabemos que a Eurocidade, que já existe desde 2007,  ainda não saiu das intenções do papel e da publicidade, pelo menos que seja visível e que se note,  tendo em vista a única meta a alcançar pela Eurocidade, ou seja (fica o copy-past daquilo que se diz na página oficial) :

 

 

 

 

Meta:

  • Proporcionar uma maior qualidade de vida à população dos municípios de Chaves e de Verín através da promoção do desenvolvimento sustentado.

 

Pois,  é tão fácil escrever palavras, mas analisando a frio, a eurocidade já existe há 5 anos e quanto a uma maior qualidade de vida da população, está à vista – estamos mais pobres e mais tristes e a eurocidade em nada tem contribuído para a nossa felicidade, pois continua tudo igual ou pior que antes da sua existência  e o resto é blá.blá,blá…e a crise, claro. As obras não se veem nos papéis, é no terreno. No papel apenas ficam ou projetam intenções, no terreno é que se vê a realidade e, tomemos esta tão simples como é a do Entróido, pois as festas e tradições também promovem o desenvolvimento sustentado, mas para isso, têm de se abrir à participação de todos.

 

 

A teoria da eurocidade é engraçada mas a realidade é que não tem graça nenhuma ou usando linguagem de entrudo – a cara não condiz com a careta.

 

 

Mas deixemos a tristeza de lado e já que não podemos ir ao desfile de Verin fiquemos ao menos com algumas imagens daquilo que por lá vai desfilar, num desfile que é único graças aos Cigarróns, para além das críticas sociais e políticas que este ano, como não poderia deixar de ser, andam à volta da crise e da justiça…sim, não é só por cá... mas com muito colorido, alegria e música, afinal como se diz por cá, tristezas não pagam dívidas.

 

 

Ainda hoje, ao meio dia, vamos ter por aqui a Pedra de Toque, de António Roque, com "Todos Temos Uma Cruz"

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:12
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011

O Entrudo de Chaves é em Verin

 

 

 

Carnaval é carnaval, mas por Chaves, não há tradição do seu festejo, pelo menos organizado, com desfiles e folia nas ruas. Claro que temos as criancinhas pela rua de Stº António abaixo, mas a coisa é tão breve, que se por acaso alguém se distrai 5 minutos a tomar café, o desfile já foi, já era, já passou – foi o que me aconteceu no desfile de Sexta-Feira passada.

 

 

No tempo das bombas e rabichas de carnaval  ainda se iam ouvindo uns estouros aqui e além, e na cidade, na mesma rua onde desfilam as criancinhas, era um regalo ver as bombas a rebentar nos pés dos polícias que, na ausência de outros crimes que a pacata cidade não proporcionava, se entretinham a perseguir (sem nunca apanhar) os criminosos das bombas de carnaval. Afinal nem sei quem se divertia mais, se os lançadores de bombas, se os espectadores se os polícias…

 

 

Mas, claro, já sabemos que a tradição não se faz do pé para a mão e, penso que também nunca houve interesse em criar por cá a festa do carnaval ou do Entrudo. Refiro-me à festa da rua, pois à mesa, a tradição ainda vai sendo o que era – um regalo de iguarias – daquelas que são (estas sim) um verdadeiro desfilar de sabores e saberes da terra e do fumeiro, ou seja, aquelas coisas boas que se guardam do reco que se matou por altura do Natal.


 

Mas em coisa de festas, vamos sempre deitando o olho àquilo que os vizinhos fazem e vamo-nos tornando convivas das suas festas. Refiro-me à festa do Entróido de Verin onde, para além da Festa do Lázaro, lhe vamos retribuindo as visitas que fazem à nossa Feira dos Santos. Aqui sim, há tradição, tanta, que mesmo na altura do Salazar e do Franco, em plena Península Ibérica controlada pelos dois ditadores fascistas, a fronteira abria-se para os flavienses irem ao Lázaro e para os nosso amigos Galegos virem à Feira dos Santos. Já quanto ao Entróido, aí a coisa era diferente, pois parece que o Franco não gostava de Entróidos e a festa do Entróido galego, embora nunca tivesse deixado de se fazer, era assim meio clandestina e festa caseira.

 

 

Só após Franco,  e Espanha se ter convertido à democracia (sem república),  é que a festa do Entróido começou a ganhar grandeza, sendo hoje uma das principais festas da Galiza, que não se resumem só ao dia de ontem, mas já vem de há umas semanas atrás, com as já célebres noites dos compadres e das comadres, o desfile de Domingo, entre outros festejos e cerimónias, com muitos copos à mistura e sempre muita festa.

 

 

Não estranhará portanto que sendo Verin nossa vizinha, os flavienses lhe invadam os festejos e participem neles. Aliás Chaves-Verin agora até é uma eurocidade que até vai ter um autocarro a ligá-las e tudo… Pode ser que com o tempo a tal eurocidade se comece mesmo a sentir e em termos culturais e de tradição também possa haver um intercâmbio para além das actividades de cada,  contarem na agenda cultural de Chaves. Sei, porque me contaram, que este ano o desfile das criancinhas já teve alguns Cigarrons. Quem sabe se a coisa bem negociada não pode trazer até nós um desfile galego como o que ontem aconteceu em Verin. Isso é que era isso, mas para já, vamo-nos contentando com uma eurocidade que ainda não saiu das reuniões e da papelada. Já agora, talvez não fosse mal sermos mais ambiciosos e deitar um olhinho também a Orense, porque com Verin, já nem se inventa muito, pois o nosso relacionamento, pelo menos comercial e de amizade,  sempre foi próximo e de há muitos, muitos anos.

 

 

Pois eu sempre que posso, Domingo ou Terça-feira de carnaval vou até ao Entróido de Verin. Gosto da festa, do colorido, dos cigarrons e também de apreciar a beleza e até a crítica e a sátira que sempre esteve associada ao Entrudo, carnaval ou entróido, afinal como se diz por cá – no carnaval ninguém leva a mal – e este ano até havia pormenores bem picantes por Verin.

 

 

Mas o que mais impressiona é os nossos amigos galegos levarem as coisas a sério. Brincar sim e muito, mas com algum profissionalismo e dedicação e isso nota-se na qualidade dos trajes, dos adereços e do próprio espectáculo, pois a coisa, sem o profissionalismo das escolas de samba, também não é um simples arejo que se dá às peças de vestuário esquecido no roupeiro.


 

Sem menosprezar a festa em si, os Cigarrons  dão um toque especial e único ao entróido de Verin além da sua própria existência e história bem como alguns “rituais” ou regras que há a cumprir para se ser Cigarron. Mas isso já o expliquei por aqui num dos carnavais ou entróidos passados.


 

E é tudo por hoje é tudo e quanto ao carnaval, também , pois por cá é apenas um dia e é à mesa que se cumpre.

 

Até já, com a crónica de Mário Esteves.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:25
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Entroido, Carnaval ou Entrudo...

 

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Entroido, introido, Entrudo, Antroido, Entruido, Entrudio ou Carnaval, em galego e português que vem a ser a mesma coisa, pois fomos beber à mesma fonte, duas línguas ou uma só cuja origem é a mesma – o latim.

 

Mas vamos ficar pelos termos mais comuns em galego e que penso ser o Entroido ou Carnaval e os portugueses Entrudo e também Carnaval.

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Pois dizem por aí, que o Entrudo está mais associado às tradições antigas, onde por cá entram os caretos e pela Galiza, mais propriamente aqui nas terras galegas mais próximas, como Laza, Verin ou Xinzo de Limia e Manazaneda entram os Boteiros e os Cigarróns  ou Peliqueiros. O Entrudo por cá (e entenda-se por cá as terras da raia de um e outro lado da fronteira)tradicionalmente também estava associado a brincadeiras sujas com água, farinha, carvão e a própria “bosta” à mistura, existindo mesmo para os lados de Vigo os “merdeiros”, cujo nome é bem sugestivo. Embora actualmente estas tradições ainda se vão mantendo, mais acentuadas na Galiza (em Laza e Verin, por exemplo), tendem a dar espaço aos desfiles organizados e a outras festas associadas ao Entroido, como a já famosa “Noite das Comadres” em Verin, ou segundo os entendidos locais, dizem que o Entroido ou Entrudo começa a dar lugar ao Carnaval.

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Pois por cá (discussão entre entendidos) o Carnaval é mais a festa do desfile, como se faz no Brasil, em Itália ou com as versões portuguesas de Ovar, Torres Novas …do centro e Sul deste Portugal além da velha Galaécia. Ou seja, e esta dedução é minha (tendo en conta a dedução entre entendidos) o Entrudo ou Entroido é de terras da velha Galaécia e, além Galaécia, festeja-se o Carnaval.

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Pois penso que todos têm razão (entendidos ou não) e ninguém a tem, pois uma e outra coisa é a mesma coisa e até descendo à origem dos termos, vamos cair no mesmo, e ambos nos levam e nos fazem depender da Páscoa, senão vejamos:

Entrudo ou Entroido, o termo tem origem no latim “introitu” e que significa “entrada” no período pascal em que se diz adeus à carne, ou adeus carne,  que em latim de dizia “carne, vale” que é precisamente onde tem origem o termo Carnaval.

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Pois por cá (Chaves)  tendo em conta a tradição, a bem dizer, deveríamos continuar a referirmo-nos ao Entrudo, não o dos festejos onde nunca tivemos tradição, mas ao da gastronomia, pois embora se entre em período de Carnaval, é na carne que temos alguns dos bons pratos  tradicionais de carne associados a este período, excepto as sextas-feiras do peixe.

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Quanto a festa, e agora que somos eurocidade Chaves-Verin (embora aparentemente tudo continue na mesma, mas é mesmo só aparente porque o povo anda distraído, pois eurocidade acontece todos os dias) agora temos o entrudo/entroido dividido em duas partes, com a festa maior em Verin, onde a festa é mesmo festa, de todos, com desfiles, copos, tradições e brincadeira que nalguns dias (como na noite das comadres) entra pela noite fora até ao nascer do dia e concentra em Verin milhares de pessoas em todos os seus festejos.

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A parte didáctica e intelectual do Entrudo acontece em Chaves, com o habitual desfile dos putos da escola, temático (este ano foram as “Invasões Francesas”), onde sobretudo se inventa num desfile que ora sobe ora desce a rua principal (depende do ano) e onde umas dezenas largas (centenas escassas) de crianças mais ou menos acompanhadas pelos transtornados dos pais (leia-se transtornados como transtorno que provoca nos pais), provocam algumas dores de cabeça aos professores…

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um verdadeiro sucesso para os putos (mais pequenos) por mais um dia de brincadeira sem aulas. Quanto às lições temáticas ficamos a saber que a invasão francesa era azul,

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pois o desfile é sempre tão rápido que apenas se aprendem as cores. Um sucesso! Até os grelos, os espigos e as nabiças se fizeram amarrar de fio azul (que já o conhecemos como o melhor), só faltaram mesmo os “Rapazes da Venda Nova”.

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Quem aproveitou o Entrudo foi a blogosfera flaviense para fazer mais um dos seus encontros/convívio, o 10º encontro que coincidiu com o encontro de Inverno (pois também há do de Verão). Não éramos tantos como os putos a desfilar as “Invasões Francesas”, mas éramos muitos, mais que nunca, num encontro que promete ter cada vez mais adeptos, pois o convívio à mesa sempre foi salutar. Puro convívio onde o mundo virtual da NET se comunga à mesa por umas horas e sempre termina na fonte das digestões difíceis das Caldas de Chaves.

Encontro que agora é alargado também aos fotógrafos flickr flavienses e da alta Tamagânia, tal como à blogosfera, que neste encontro contou já com um representante do concelho de Montalegre (Ourigo – fotógrafo flickr) e Valpaços (Lamadeiras (Flickr)/Blog de Pedome) e lamenta-se a ausência do Blogex de Boticas, cujo autor justificou a falta com a sua ausência em terras de sua majestade.

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Da blogosfera da terrinha, os habituais marcaram presença (Chaves Antiga, Blogoflavia, Terçolho, Chaves, Um Olhar através da Objectiva, Arco-Iris, Espelho Mágico e  Lai-lai-lai), também os temáticos Cruzeiros e Pelourinhos, Cancelas e Chaminés marcaram presença. As aldeias também lá tiveram os seus representantes com Valdanta sempre presente (falta justificada para o amigo Pereira do qual sentimos a ausência e para o 5 de Maio), Granjinha atenta acompanhada da habitual e respectiva amarelinha (escondida da ASAE), Águas Frias com os seus profs, Outeiro Seco, Argemil da Raia, Segirei e Eiras (acompanhada da sempre boa, também amarela e doce).

E de entre outros amigos, convidados, disfarçados, sportinguistas felizes (o encontro foi sábado à noite), comentadores e seguidores tivemos ainda o Romeiro de Alcácer com as flores para as meninas e senhoras bloguistas.

 

E resta apenas publicar as conclusões do encontro de Inverno, o 10º, com um único ponto e que diz respeito à marcação do encontro de Verão, que ficou para data ainda a definir, mas com local marcado: Segirei

 

Uma palavra de apreço também para o Aprígio (restaurante) que como sempre nos soube receber e aturar.

 

E fica assim adiada para a próxima terça-feira a rubrica de “outros olhares” que deveria hoje passar por aqui. Mas penso que estou desculpado, pois por cá o carnaval ainda é Entrudo, nem que seja e só à mesa e em Verin.

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:17
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Do Entrudo de Chaves ao Entroido de Verin

 

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Já sabemos que a tradição do Carnaval em Chaves não existe. Bem se tenta por os miúdos das escolas primárias e infantários a desfilar pela cidade nas sextas de Carnaval, mas além da alegria das crianças, não passa de uma correria pela Rua de Stº António e muito transtorno para os pais. Vale como uma festa para as crianças, e 15 minutos de amostra de Carnaval, mas apenas isso. Se alguma tradição ainda vai havendo, essa é de Entrudo e só à mesa se nota, principalmente no Domingo de Entrudo e no próprio Entrudo, em que o melhor do reco, grelos, couve e boa batata, regada com bom azeite e tudo bem abafado com um bom tinto encorpado, fazem a diferença e um bom Entrudo ou não.
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Tenho conhecimento que numa ou outra aldeia do nosso concelho vai havendo algumas manifestações de Entrudo, que no entanto não passam de tradições caseiras para consumo próprio e cuja divulgação não chega até à cidade.
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Definitivamente, tirando a tradição das iguarias do Entrudo à mesa, Chaves não tem tradição de Entrudo, muito menos de Carnaval.
 
Mas até nem estamos muito preocupados com isso, pois bem aqui perto, mesmo à porta, temos um dos melhores Entrudos e Carnavais da Península Ibérica, o Entroido de Verin. Uma prova disso, são os milhares de pessoas que os festejos do Entroido juntam em Verin todos os anos, vindos de toda a Espanha e também com umas largas centenas de flavienses. Só a título de exemplo do valor da festa, a Televisão Galega, durante a noite das comadres que se realiza sempre na Quinta-Feira antes do Entrudo, esteve a transmitir em directo e sem interrupção durante horas desde Verin.
 
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Há no entanto gente cá da terra que tem alguns preconceitos em aceitar este nosso povo irmão. Não entendo muito bem este tipo de preconceitos, mas aceito-os. Da minha parte, vejo no povo Galego um povo irmão de identidade igual à nossa identidade transmontana. Aos meus olhos falar do interior galego e de Trás-os-Montes, é falar do mesmo povo e em termos de identidade, estou muito mais identificado com eles do que com o nosso Portugal Sul. Não leiam nestas palavras qualquer tendência político-independentista, ou movimento, ou outra qualquer politiquice. Falo-vos da realidade e da identidade de um povo que não há fronteiras ou nacionalidades que o separem. Digamos, e olhando à história, que é o velho espírito da Galaécia que ainda está presente, mas apenas isso, pois não luto por uma Galaécia hoje impossível, embora sinceramente tenha pena que não exista, pois dos “mouros” de Portugal, com sede em Lisboa e que nos olham de longe apenas como paisagem, já há muito que me comecei a fartar e até enjoar. Inclua-se nesses mouros, alguns infiltrados na nossa terra e outros que enviados de cá, chegados a Lisboa depressa se convertem em mouriscos. Para terminar repito em maiúsculas que este sentimento é PESSOAL e além disso, um desabafo daquilo que me vai na alma. Talvez este sentimento esteja incarnado em mim por me terem concebido na raia. “Mi cage em diós” em como isto é puro e sincero.
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Ontem avisei. O dia de hoje é o único dia em que este blog sai da fronteira do concelho de Chaves e vai até Verin. Até ao Entoido e não o troco por nenhum dos Carnavais portugueses, sejam eles os políticos, ou os da Madeira, de Torres Vedras, Ovar, ou seja ele qual for, pois seja onde for, não há cigarróns ou peliqueiros.
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E sobre o entroido de Verin, e de Laza (mais puro ainda) não digo mais, se quiserem saber mais alguma coisinha sigam este link: http://chaves.blogs.sapo.pt/tag/entroido , do post do último ano, pois lá está tudo que há para dizer.
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Quanto às fotos de hoje, são as possíveis e são de arquivo, pois o tradicional desfile de domingo este ano não se realizou por causa do mau tempo. Vamos esperar que hoje às 16 horas galegas, 15 horas portuguesas o desfile de Entroido engrandeça como de costume as ruas de Verin. Eu lá estarei.
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Até amanhã de regresso a Chaves e à feira sem gado. Anda triste o nosso povo.
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publicado por Fer.Ribeiro às 02:46
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