12 anos

Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

Vivências

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O início de uma nova era?

No nosso percurso escolar, nas aulas de História, e desde que tenhamos estado atentos à matéria, aprendemos que o tempo se pode dividir em 5 grandes épocas ou idades: a Pré-História, que abrange o período desde o aparecimento do Homem na Terra até ao surgimento da escrita, por volta do ano 4000 a.c.; a Idade Antiga, que se prolonga até à queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.c.; a Idade Média, até à queda do Império Romano do Oriente, em 1453; a Idade Moderna que termina em 1789, ano da Revolução Francesa; e, finalmente, a Idade Contemporânea, aquela na qual vivemos hoje. Mas a história da Terra e da Humanidade é uma história de contínua evolução, transformação, adaptação a novos tempos e a novas circunstâncias e, por isso mesmo, não vamos, obviamente, permanecer para sempre nesta denominada Idade Contemporânea.

 

Nas últimas décadas, e em particular no início deste novo milénio, assistimos a uma evolução sem precedentes. A ciência e a tecnologia proporcionam-nos hoje, a todos os níveis, possibilidades com as quais nem sequer sonhávamos há apenas alguns anos atrás. De repente, tudo nos parece fácil de obter e a Internet colocou-nos o mundo na palma da mão, ou na ponta dos dedos, se preferirmos, à distância de meia dúzia de cliques. Mas a verdade é que, simultaneamente, entrámos numa grave crise que começou por ser apenas económica, mas é, afinal, bem mais do que isso. E para ultrapassar esta crise, quer no plano económico, quer em qualquer outro plano, serão necessárias novas atitudes, novas ideias, novas posturas perante a vida, perante as coisas e perante aqueles que nos rodeiam, um novo entusiasmo, uma nova energia…

 

A mudança para uma nova “idade”, cujo nome e contornos não podemos ainda imaginar, pode estar prestes a começar sem que nos estejamos verdadeiramente a aperceber…

Luís dos Anjos

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Sexta-feira, 10 de Março de 2017

Vivências

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Quem nunca...

 

 

Quem nunca escreveu o seu nome numa árvore?

Quem nunca ficou deslumbrado com a beleza de um pôr-do-sol?

Quem nunca ficou preso até de madrugada às páginas de um livro?

Quem nunca desenhou corações nos cadernos da escola?

Quem nunca deixou uma lágrima escorregar discretamente ao canto do olho?

Quem nunca fez aparecer um sorriso no rosto triste de um amigo?

Quem nunca viu um olhar brilhar intensamente?

Quem nunca viu um rosto irradiar felicidade?

Quem nunca sentiu o coração bater forte ao ver aproximar-se alguém por quem tanto esperava?

Quem nunca sentiu prazer em andar à chuva, de braços abertos e rosto virado para o céu?

Quem nunca parou para admirar um arco-íris?

Quem nunca sentiu no rosto o calor de uma lareira num dia frio de inverno?

Quem nunca ficou na cama até mais tarde só para ouvir a chuva a cair?

Quem nunca quis trepar a uma árvore ou esconder um tesouro?

Quem nunca ficou sentado na areia a observar as ondas esbarrarem na praia?

Quem nunca observou as formas fantásticas que as nuvens desenham no azul do céu?

Quem nunca se rebolou na relva de um jardim?

Quem nunca se emocionou ao ouvir chamar “mamã” ou “papá”?

Quem nunca comeu fruta apanhada das árvores?

Quem nunca adormeceu de cansaço?

Quem nunca sonhou com novos horizontes?

Quem nunca desejou desaparecer?

Quem nunca procurou desesperadamente um olhar?

Quem nunca confiou os seus segredos ou mágoas a uma folha de papel?

Quem nunca teve medo das sombras ou do escuro da noite?

Quem nunca quis guardar só para si um pedaço de luar ou o brilho das estrelas?

Quem nunca sentiu, ainda que só por uma vez, uma destas sensações, então... é porque não viveu!

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

Vivências - Curso de Relações Humanas em seis lições

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Curso de Relações Humanas em seis lições

 

Já se passaram quase trinta anos! Eu frequentava um curso Técnico Profissional, na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, e tive, juntamente com os meus colegas de curso, o privilégio de efetuar várias visitas de estudo, quer em Chaves, quer fora da nossa cidade. E foi precisamente numa dessas visitas de estudo (já não consigo, infelizmente, referir em qual delas) que ouvi da boca da pessoa que amavelmente nos recebeu aquilo que ela designou como sendo um curso de Relações Humanas em seis lições. Recordo que todos ficámos atentos para assimilar essas seis lições que, então, memorizei sem grande dificuldade.

 

A primeira lição estabelece quais são as seis palavras mais importantes nas relações humanas: “Admito que o erro foi meu”. A segunda lição, as cinco palavras mais importantes: “Você fez um bom trabalho”. A terceira lição, as quatro palavras mais importantes: “Qual a sua opinião?”. A quarta lição, as três palavras mais importantes: “Se faz favor”. A quinta lição, as duas palavras mais importantes: “Muito obrigado”. Finalmente, a sexta lição, a palavra mais importante: “Nós”.

 

Estando nós numa visita a uma empresa, o contexto de aplicação destes ensinamentos era, obviamente, um contexto de trabalho, mas, sem necessidade de quaisquer adaptações, eles poderão ser aplicados em qualquer outro contexto em que existam relações pessoais, ou seja, em quase tudo na vida, desde uma escola, uma associação, um clube, um grupo de amigos ou, inclusivamente, uma família.

 

Passados todos estes anos continuo a recordar com clareza estas seis lições e dou por mim a pensar como elas resumem perfeitamente dezenas de livros e milhares de páginas que se possam ler sobre relações humanas. Afinal, muitas vezes, os grandes ensinamentos não estão no interior de livros de grossas lombadas, mas sim em pequenos apontamentos que nos chegam quando menos esperamos.

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:09
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

Vivências - Os Escudos, os "contos" e os "paus"

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Os Escudos, os “contos” e os “paus”

 

1 de janeiro de 2002. O Euro chega para substituir o Escudo. As máquinas dos Multibancos começam a dispensar apenas notas de Euros e os Escudos vão sendo retidos sempre que vamos às compras e entregues nos bancos.  Hoje, passados 15 anos, parece-me que já poucos são aqueles que ainda pensam ou fazem contas em Escudos: os mais novos porque não têm memória de outra moeda e nós porque, inevitavelmente, acabámos por nos habituar e já nem quase nos lembramos que um Euro equivalia a 200,482 Escudos.

 

Perdemos, assim, uma moeda só nossa, como o atestavam os elementos referentes à nossa história nas suas faces. Mas, na verdade, não perdemos apenas o Escudo. Perdemos também os “contos” e os “paus”, pois na linguagem corrente tínhamos 3 unidades de moeda: o Escudo, a designação oficial; os “contos”, quando se queria designar uma quantia normalmente a partir dos dois mil Escudos (dizíamos 1999$00, mas depois eram dois “contos”); e os “paus”, termo mais popular e que se utilizava principalmente quando se queria realçar que determinada compra tinha sido cara (isto custou-me 500 “paus”…). Hoje só falamos em Euros e, vá-se lá saber porquê, parece que o valor das coisas passou a ser menor: um Euro é (apenas) um Euro, mas duzentos “paus” era muito dinheiro…

 

Com a chegada do Euro acabou-se a necessidade de cambiar moeda (ou “trocar”, como se dizia habitualmente). Pessoalmente, foram poucos as vezes em que tive de “trocar” Pesetas e na última vez que o fiz, para uma viagem a Sevilha, no verão de 2001, recordo-me de no regresso parar num posto de combustível, antes de chegar à fonteira, juntar todos os trocos que tinha e pedir ao funcionário para encher o depósito até àquele valor, pois já não ia voltar a Espanha no tempo das Pesetas.

 

Curiosamente, por saudade, por fazerem parte de coleções, por estarem perdidos ou ainda esquecidos debaixo de algum colchão, existem milhões de Escudos que nunca foram trocados pela nova moeda. Uma verdadeira fortuna...

 

Luís dos Anjos

 

 

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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2016

Vivências

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Natais de outros tempos

 

Dezembro. Os dias são frios e as noites nesta altura do ano chegam cedo. O dia de Natal aproxima-se, mas na televisão há já muito tempo que a publicidade nos começou a bombardear com sugestões de prendas para todos os gostos: brinquedos, perfumes, livros, smartphones, tablets, jogos… Lá fora, as ruas iluminam-se e as montras reinventam-se, procurando despertar o interesse de quem passa. Entretanto, o mês avança e quase sem darmos por isso depressa chegaremos à noite da consoada. Estaremos com a família, mas sempre atentos às mensagens que se vão trocar aos milhares no espaço virtual... É o Natal das prendas e das redes sociais, sem mais… E é assim todos os anos… ou não foi sempre?

 

Não, não foi sempre assim… Olhando para trás, recordo com nostalgia Natais de outros tempos, com outras vivências, sobretudo nos anos em que integrei o grupo de jovens da minha paróquia, no final da década de 80 e início da década de 90. Eram Natais sem e-mail’s, SMS’s ou redes sociais, mas em que nos desdobrávamos em diversas atividades concretas e que nos davam imensa satisfação: fazíamos cartazes e espalhávamo-los pelos bairros da paróquia; construíamos o presépio, ora na igreja de Santa Cruz, ora na igreja da Trindade (a igreja paroquial ainda não era mais do que um projeto); enviávamos postais de Boas Festas (sim, por correio, num envelope, com selo e tudo…) aos outros grupos de jovens e a algumas entidades oficiais da cidade animávamos a Missa do dia de Natal... Até houve um ano em que tivemos a ideia de fazer uma árvore de Natal na rotunda de Santa Cruz, junto à antiga escola primária... e fizemo-la mesmo! De machado às costas, fomos para os lados da zona industrial e trouxemos um pinheiro enorme que lá colocámos e que enfeitámos o melhor que pudemos, enquanto um vento frio nos gelava as mãos e a cara…

 

Menos tecnologias, mais calor humano…

 

Outros tempos, outros Natais, outras vivências…

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

Vivências - Sociedade Líquida

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Sociedade líquida

 

Se lermos um pouco de História ou conversarmos com pessoas de uma geração anterior à nossa rapidamente percebemos o quanto uma sociedade muda no espaço de poucos anos. E esta evolução não é um fenómeno exclusivo dos tempos modernos. Contudo, nas últimas décadas, como consequência da conjugação de vários fatores (sendo a evolução tecnológica o principal) a mudança tem sido, sem dúvida, mais rápida, mais notória e mais profunda.

 

No passado (na verdade, até há 20 ou 30 anos talvez), a sociedade estava claramente alicerçada em valores sólidos, tradições, personalidades de referência em casa (o pai, a mãe, o avô…) e fora dela (na música, na literatura, na política, no desporto…). Hoje, a realidade é bem diferente. Os jovens não têm ídolos (eles sucedem-se mais ao menos ao ritmo dos programas de televisão ou do aparecimento e desaparecimento de uma qualquer banda de música) e os valores, tais como a boa educação, o respeito pelos mais velhos, a responsabilidade, a solidariedade ou outros, parecem muitas vezes completamente ausentes das suas vidas. Por outro lado, as tradições, os saberes, os usos e costumes que outrora passavam de geração em geração (todo um património) parecem ter perdido significado neste mundo cada vez mais virado para o consumo e para o imediato. Simultaneamente, não se consolidam quaisquer novas tradições ou costumes, pelo que caímos, assim, numa espécie de vazio…

 

Numa recente reunião de pais com filhos na catequese ouvi a expressão “sociedade líquida”. Fiquei intrigado e, pesquisando um pouco na Internet, descobri que o conceito é de um sociólogo polaco (Zygmunt Bauman) e define uma sociedade sem forma consistente, como se fosse um qualquer corpo líquido que, tal como a água, é incapaz de manter a sua forma. E é isso que me parece que, infelizmente, estamos a construir: uma sociedade onde cada vez mais tudo é volátil, efémero e nada ganha uma forma duradoura…

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016

Vivências - 25 anos depois

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25 anos depois…

 

Há 25 anos entrei no Ensino Superior. Estávamos em 1991 e o mundo era muito diferente… Ao contrário dos jovens de hoje, não soube da minha colocação pela Internet, nem sequer por SMS, mas sim depois de uma hora de viagem de autocarro até Vila Real para consultar, em papel, as enormes listas afixadas nas paredes do minúsculo Gabinete Coordenador do Ingresso no Ensino Superior. Com a saída de Chaves para o prosseguimento de estudos alarguei, inevitavelmente, os meus horizontes e a minha maneira de entender o mundo. Conheci outras realidades, outras vidas, outras formas de pensar, conheci novas pessoas e fiz novos amigos de vários pontos do país. E tudo isto me enriqueceu e me fez crescer…

 

Terminados os cinco anos do curso cada um foi seguindo o seu caminho. Muitos continuaram pelo Porto, outros regressaram às suas terras, outros ainda seguiram para outras cidades, e até para o estrangeiro. E assim, numa época ainda sem telemóveis, e-mails ou Facebook - os únicos contactos que tínhamos uns dos outros eram a morada e o telefone fixo da casa dos pais - os contactos nos anos seguintes nem sempre foram tão frequentes quanto o desejaríamos. Marcaram-se alguns almoços de reencontro, mas pouco a pouco foram-se tornando cada vez mais espaçados… Com as novas tecnologias voltamos vários anos depois a estar mais próximos, à distância de uma chamada de telemóvel ou de uma mensagem no Skype ou no Facebook. Mas o tempo passou e já nem todos temos os mesmos interesses nem as mesmas recordações. Alguns de nós, no entanto, insistem em manter um contacto mais efetivo e é com orgulho que vamos cultivando estas amizades iniciadas há mais de duas décadas. E assim, quando olhamos para o mapa de Portugal ou quando em família viajamos pelo país temos uma outra perceção: para além de estradas, auto-estradas, nomes de vilas e cidades, há também nomes e rostos de pessoas que conhecemos…

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016

Vivências

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Da vontade de mudar o mundo…

à resistência para que o mundo não nos mude…

 

Ao princípio é simples. O mundo parece-nos perfeito. Acreditamos nas fadas e nas princesas (as raparigas) e nos super-heróis (os rapazes). Acreditamos também no velhinho de barbas brancas que numa só noite consegue a proeza de visitar todas as casas onde há crianças para deixar prendas àquelas que se portaram bem durante o ano. Depois crescemos e a magia começa a perder-se. Afinal o mundo não é assim tão perfeito. Pensamos, então, que somos nós que o vamos mudar e ai de quem nos diga o contrário! Estamos no turbilhão de emoções e sonhos que é a juventude, a fase da vida em que tudo nos parece possível. E a nossa luta continua, mas, de repente, damo-nos conta que já tudo mudou à nossa volta. Já não temos vinte anos. Crescemos, tornamo-nos homens, mulheres, pais, trilhamos o nosso caminho e a vida foi adquirindo outro sentido. Há muito que deixámos de acreditar nas fadas ou super-heróis para nos salvar. Eles existem sim, mas são, afinal, humanos como nós e chamam-se simplesmente “amigos”. Continuamos a acreditar em tudo o que sempre acreditámos, mas já não temos as mesmas ilusões de querer mudar o mundo sozinhos. Agora, mais do que agir, pensamos sobretudo em resistir para que o mundo, ou a sociedade como lhe queiram chamar, não nos mude a nós. Queremos continuar fiéis aos valores que um dia nos incutiram e que queremos agora transmitir aos nossos. Por isso, ficamos felizes quando o nosso filho faz algo errado e nos diz a verdade, quando poderia mentir-nos, ou quando encontra na escola algo que não lhe pertence e procura o legítimo dono para o devolver.

 

 Acreditamos agora que, mais do que grandes ações, são estes pequenos gestos praticados no dia-a-dia que nos fazem sentir que estamos a fazer a nossa parte para um mundo melhor para nós e para os nossos filhos.

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

Vivências - É tão pouco o que sabemos...

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É tão pouco o que sabemos…

 

Julho de 2013. Estou na Ericeira, na Região do Oeste, a poucos quilómetros de Lisboa, e tenho de ocupar a manhã enquanto aguardo pela minha esposa que está a participar numa ação de formação. Tenho comigo um livro para ler, um bloco de folhas para o caso de me apetecer escrever algumas linhas, e uns quantos “sudoku’s” que também poderão ser úteis. Estaciono o carro e percorro a pé algumas ruas até chegar à zona mais turística da vila. No café onde páro para tomar um café ouço falar francês e inglês, e enquanto recebo o troco pergunto onde fica a Biblioteca Municipal. Sei que não estou longe, pois no dia anterior fui ao Google Maps e fiquei com uma ideia da zona. O empregado indica-me que é numa rua paralela àquela onde me encontro e, efetivamente, chego lá sem qualquer dificuldade. Para o acesso não é necessário qualquer formalismo especial, apenas um pequeno impresso para assinalar os livros, jornais ou revistas que consultar. Diz-me a senhora da receção que é para fins estatísticos. No interior da biblioteca deparo-me com vários corredores de estantes e, ao fundo, uma pequena sala com computadores com acesso à Internet. Após consulta ao meu e-mail, e a mais um ou dois sites para ver as notícias do dia, regresso à zona dos livros. São certamente alguns milhares, deduzo eu, todos eles devidamente catalogados, agrupados em categorias e alinhados nas estantes, simplesmente à espera que alguém os venha resgatar daquela imobilidade e lhes dedique alguns minutos, ou quiçá horas de atenção, mas não me é difícil imaginar que muitos deles já não serão consultados há anos…

 

Sento-me e penso que ali, naquela sala relativamente pequena, está reunido mais conhecimento do que aquele que alguma vez conseguirei assimilar e mais histórias do que aquelas que alguma vez conseguirei ler em toda a minha vida… É assim mesmo, tão simples quanto isto… basta um pequeno momento para nos recordar que é tão pouco aquilo que sabemos e tanto aquilo que temos para aprender…

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:04
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

Vivências - A idade das escolhas

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A idade das escolhas

 

A vida é feita de escolhas constantes. A começar pela roupa que vestimos de manhã, antes de sair de casa, e a acabar no programa de televisão que vemos à noite, depois do jantar, passando pela música que ouvimos no carro a caminho do trabalho ou pelo prato que escolhemos para o almoço.

 

A verdade, no entanto, é que durante os primeiros anos da nossa vida não tivemos necessidade de fazer qualquer escolha. Não escolhemos se queríamos ou não nascer, nem o momento, não escolhemos os nossos pais, não escolhemos as nossas primeiras roupas nem a nossa primeira escola... Os nossos pais tudo escolheram por nós... E sentimo-nos bem.

 

Um dia, porém, quando menos esperamos, chegamos à idade das escolhas. Reparamos, então, que ter de escolher nem sempre é agradável. Primeiro, porque nos vemos obrigados a abdicar de muitas coisas para poder escolher outra, ou outras. Depois, porque, na realidade, escolher nem sempre é uma tarefa fácil; umas vezes porque não temos grandes opções, outras vezes porque temos opções a mais. Mas é uma inevitabilidade; se assim não fosse nunca chegaríamos a lado nenhum porque ficaríamos eternamente a analisar as alternativas sem nos decidirmos por nenhuma delas. E à medida que vamos crescendo vamos tendo cada vez maior necessidade de fazer escolhas e escolhas mais marcantes para a nossa vida; um curso, uma namorada, um emprego, um carro, uma casa... e por aí adiante.

 

É, pois, importante saber escolher e ter a noção de que uma escolha não é uma simples renúncia a uma coisa em favor de outra; uma escolha deve ser sempre uma opção consciente e ponderada por aquilo que julgamos ser melhor para nós, naquele momento e para o futuro.

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:12
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Quinta-feira, 9 de Junho de 2016

Vivências - Uma viagem de comboio

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Uma viagem de comboio

 

Agosto de 2009. Fornos de Algodres. Distrito da Guarda. Domingo. 17h07. Lentamente, o comboio que me vai levar até Leiria inicia a sua marcha. Passaram-se já vários anos desde a minha última viagem de comboio. E, verdade seja dita, também nunca fui um grande viajante neste meio de transporte, não pelo facto de não gostar, mas simplesmente porque as oportunidades não surgiram.

 

Na década de 1980 fui até às Pedras Salgadas, numa agradável viagem na Linha do Corgo. Anos mais tarde, nos tempos da faculdade, aventurei-me por duas vezes numa viagem Porto-Vila Real, primeiro acompanhando a belíssima paisagem do Rio Douro, até à Régua, e depois, já na via estreita, subindo em curvas intermináveis por entre socalcos de vinhas até Vila Real. E como nessa altura o troço até Chaves há muito que já havia encerrado, ainda me restou mais uma hora de autocarro. Depois dessa época talvez tenha feito mais uma ou outra viagem sem particular significado.

 

18h20. Estação de Santa Comba Dão. A paisagem agreste de fragas e giestas do início da viagem foi mudando e deu lugar ao verde da floresta e aos campos cultivados. Também o povoamento é agora menos disperso; vêem-se mais casas, mais vida… Sentimos que deixamos a pouco e pouco o interior e caminhamos para o litoral. A viagem segue. Passamos pelo Buçaco, Pampilhosa e chegamos a Coimbra-B. É altura de mudar de comboio. Cruzamos o rio em direção a Oeste e novamente a paisagem se altera. À nossa volta estendem-se vastos arrozais irrigados pelas águas do Mondego que se prolongam por toda esta veiga até à Figueira da Foz. Vamos fletindo para Sul e começam a surgir extensas áreas de pinhal.

 

20h22. Estação de Leiria. Viajar de comboio é uma experiência diferente de viajar de carro, ou até mesmo de autocarro. Passei por lugares e apeadeiros cujos nomes nem sabia que existiam, longe das principais estradas que aparecem nos mapas, reparei em pormenores diferentes e apreciei esta viagem de outra forma. E como não tive de vir atento à estrada ainda tive tempo para escrever…

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:19
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

Vivências - Adamastor

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Recordando os “Adamastor”

 

Estamos em Chaves, nos finais dos anos 80. O mundo é muito diferente – não existe Internet, leitores de MP3 ou Youtube, nem sequer existem telemóveis – e a forma como ouvimos e partilhamos a música não é em nada comparável aos dias de hoje. Ouve-se música portuguesa, música inglesa e alguma música espanhola, consequência da proximidade com Espanha. Para aqueles que, como eu, integraram grupos de jovens ligados à Igreja as músicas de mensagem (muitas delas inspiradas nos movimentos Gen Verde e Gen Rosso) são também uma referência.

 

Frente LP.jpg

 É neste contexto que, em 1988, surge o grupo musical “Adamastor”, inicialmente sob a forma de trio, sendo a sua formação posteriormente alargada até seis elementos. O grupo atua numa sonoridade rock conservadora e as suas músicas chegam ao conhecimento da editora Espacial, que lhes propõe a gravação de um disco (um LP, abreviatura do Inglês “Long Play”) que viria a ser lançado em 1992. Os anos seguintes confirmam os “Adamastor” como uma referência na música flaviense.

 

Verso LP.jpg

Em 2010, numa fase em que o grupo já tinha deixado de atuar, o seu guitarrista Alberto Paulo (mais conhecido por Beto) faleceu com apenas 39 anos, vítima de doença oncológica. Dois anos depois, em 2012, foi constituída a Associação Alberto Paulo – Adamastor, que tem como principal objetivo a angariação de fundos para apoiar doentes oncológicos no concelho de Chaves. Entre outras atividades, esta associação promove todos os anos, no verão, um espetáculo com a presença do grupo “Adamastor” e de outros grupos de música rock, cuja receita reverte para a Liga Portuguesa Contra o Cancro - uma iniciativa louvável que demonstra que a música também pode (e deve) servir para mobilizar pessoas e apoiar causas.

 

Muitos anos se passaram já, mas para aqueles que viveram a sua juventude em Chaves nos anos 80 e 90, o nome “Adamastor” será sempre relembrado como uma das melhores bandas flavienses.

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:36
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Terça-feira, 15 de Março de 2016

Vivências - Um dia, quando os meus filhos crescerem...

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Um dia, quando os meus filhos crescerem...

 

 

Se eu lhes conseguir explicar e eles quiserem entender…

 

Quero que saibam que noutros tempos, na infância dos seus pais, o mundo era um lugar muito diferente…

 

Quero que saibam que não ficávamos horas a fio em frente à televisão (ainda a preto e branco e só com 2 canais) ou agarrados a um viciante jogo de computador...

 

Quero que saibam que não tínhamos Playstation, nem MP3, nem Internet…

 

Quero que saibam que as palavras sms, e-mail, download, entre tantas outras, não faziam parte do nosso vocabulário porque não existiam, pura e simplesmente…

 

Quero que saibam que não havia telemóveis e que a maioria das casas nem sequer tinha telefone…

 

Quero que saibam que mesmo assim conseguíamos ser felizes, brincar e fazer as nossas tropelias…

 

Quero que saibam que tínhamos amigos com quem partilhávamos todos os momentos que podíamos e que íamos a casa deles, a pé ou de bicicleta, para ver se eles lá estavam…

 

Quero também que saibam viver cada momento presente, que saibam preparar o futuro e, acima de tudo, aprendam a lutar por ele...

 

Quero que saibam alegrar-se com os sucessos, mas sobretudo levantar-se e recomeçar após uma desilusão...

 

Quero que saibam entender e amar a vida com tudo o que ela tem de simples, de belo, mas também de cinzento e de luta…

 

Um dia, quando os meus filhos crescerem, se eu lhes conseguir explicar e eles quiserem entender, quero que saibam tudo isto e muito mais para mais tarde também eles o ensinarem aos seus filhos...

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:13
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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

Vivências - O Tempo

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O tempo

“O tempo é aquilo que fica quando nada acontece”

 

Já não me recordo onde li esta citação, mas isso também não é relevante, pois o que interessa mesmo é a citação em si, e nada mais.

 

Os dias sempre tiveram vinte e quatro horas, mas nesta sociedade moderna em que vivemos elas parecem não chegar para tudo o que temos de fazer, pois andamos sempre a correr de um lado para o outro e sempre a queixar-nos que não temos tempo para nada. Mas, pensando de outra forma, bem vistas as coisas, o que muitas vezes nos sobra é precisamente tempo. Apesar de toda a agitação das nossas vidas, apesar de nos vermos envolvidos em variadíssimas atividades, quantas e quantas vezes chegamos a uma dada altura, olhamos para trás e parece-nos que não fizemos nada, que não construímos nada, que não temos nada para contar. Apenas temos o tempo que passou. Depois, olhamos para a frente, para o futuro, e também não vemos nada, nem sonhos, nem projetos, nem esperanças... Numa palavra, não vemos nada a não ser o tempo, atrás de nós e à nossa frente. Se temos esta sensação, então, é urgente mudar algo ou mudar tudo, porque na realidade não estamos a viver, apenas existimos, o que é bem diferente.

 

Porto, Estação de São Bento.JPG

 Fotografia de Luís dos Anjos

 

O tempo é um vazio que tem de ser preenchido! Para isso precisamos de um olhar atento e criador, precisamos de ser capazes de preencher cada minuto com sessenta segundos intensamente vividos, tornando cada dia que passa num dia especial, único e feliz. Só assim poderemos um dia olhar para trás e falar daquilo que fizemos - e não do tempo que passou.

 

Não vamos deixar que o tempo seja a única coisa que fica das nossas vidas!

 

Luís dos Anjos

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:09
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016

Vivências - Do telefax ao Skype

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Do telefax ao Skype

 

Chaves. Finais da década de 80. Estou numa visita de estudo às instalações dos CTT, no Largo das Freiras e, conjuntamente com os meus colegas de turma, assistimos entusiasmadíssimos a uma demonstração de funcionamento de um meio de comunicação revolucionário na época: o telefax, abreviadamente designado por fax, ou também chamado telecópia. O funcionário dos CTT pega numa folha branca e numa caneta e escreve uma pequena mensagem. De seguida, insere a folha num aparelho semelhante a um scanner, digita um número de telefone e a folha começa a desaparecer na parte superior do equipamento para logo aparecer um pouco mais abaixo, após ter sido “lida”. O destino da mensagem de demonstração foi a estação dos CTT de Vila Real, que passados uns quatro ou cinco minutos nos responde. O equipamento emite um sinal sonoro e, lentamente, uma folha com a mensagem de resposta começa a surgir aos olhos esbugalhados de todos. O telefax representa, explica-nos o funcionário, um grande avanço relativamente ao telex (um outro meio de comunicação da época e já existente há vários anos), pois permite a transmissão não só de texto, mas também de uma imagem, um documento ou uma fotografia.

 

Leiria. Setembro de 2014. Estou na minha hora de almoço a tomar um café no centro comercial. Na mesa ao lado, um homem de meia-idade termina o seu café, afasta um pouco a chávena para ganhar algum espaço na mesa e abre o seu notebook. De seguida, coloca um auricular no ouvido, ajusta o microfone e passados alguns instantes está em conversa online, com som e imagem em tempo real, com a filha (que tanto poderá estar em casa, como na biblioteca da faculdade, ou em qualquer outro local do outro lado do mundo…).

 

E pensar que há pouco mais de duas décadas atrás eu e os meus colegas ficámos estupefactos ao assistir a uma simples demonstração de envio e receção de um fax…

 

Luís dos Anjos

 

 

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