Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

Vivências

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“Mentes pequenas discutem pessoas

Mentes medianas discutem acontecimentos

Mentes grandes discutem ideias”

 

 

 Vivemos hoje num mundo de grande mediatização e globalização do conhecimento. Esta crescente facilidade no acesso ao saber por parte de todos leva a que muitas vezes nos deparemos com situações em que todos se pronunciam sobre tudo. Abrimos os jornais ou ligamos a televisão e, de repente, é como se toda a gente fosse especialista em todos os acontecimentos do nosso quotidiano. A verdade, porém, é que se estivermos mais atentos vamos constatar que, na maioria das vezes, aquilo que toda a gente discute são... pessoas. Não se trata propriamente de dizer mal ou bem, mas simplesmente de comentar, dar a sua opinião, sem que muitas vezes ela tenha sido sequer solicitada.

 

Existe, no entanto, um outro grupo de pessoas que foca as suas observações não sobre as pessoas mas sobre os acontecimentos. Discutem, assim, factos concretos, mas quase sempre já pertencentes ao passado. É uma reflexão a posteriori e que já não vai alterar em nada o rumo dos acontecimentos; quando muito, se for uma reflexão construtiva, poderá servir para melhor preparar o futuro, evitando que se repitam certos erros do passado.

 

Finalmente existe um outro grupo, muito mais restrito, que não desperdiça o seu precioso tempo comentando pessoas ou acontecimentos, mas antes refletindo sobre ideias. Esta reflexão ultrapassa o limiar do imediato e do quotidiano para se centrar num plano muito mais elevado. São, porventura, visionários, mentes que conseguem ver mais além das pessoas, dos factos e do tempo em que vivem, mentes nobres, construtoras de um amanhã que outros não conseguem vislumbrar. São estas pessoas que decididamente mais contribuem para que “o mundo pule e avance.”

 

E nós, o que discutimos?

 

Luís dos Anjos

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:41
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Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2017

Vivências

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Quando é que estamos connosco?

 

Há uns 3 ou 4 anos, numa ação de formação na área do coaching, em Lisboa, a formadora dizia-nos que era importantíssimo encontrarmos no meio da agitação do dia-a-dia um tempo para estarmos connosco próprios. Mais ainda, ela afirmava que devíamos mesmo marcar esse tempo na nossa agenda, tal como fazemos para qualquer outro compromisso da nossa vida social ou profissional…

 

A vida agitada que a sociedade moderna nos impõe obriga-nos constantemente a estar com determinadas pessoas, em determinado local e a uma determinada hora. Às 8h15 temos de estar no infantário para deixar o nosso filho mais novo; às 8h30 temos de estar na escola a tempo do início das aulas do nosso filho mais velho; às 9h00 temos de estar no trabalho… e assim por diante, até ao final do dia, sempre orientados por horas, locais e pessoas que preenchem todo o nosso tempo. E este ritmo repete-se, com algumas (poucas) variações, dia após dia… Então, surge realmente a questão: “Quando é que estamos connosco?”.

 

Como seres sociais que somos, a nossa vida organiza-se, inevitavelmente, em função da vida de outras pessoas, em função de horários e de regras. Mas precisamos também de um tempo só para nós. Precisamos de estar apenas connosco, com os nossos pensamentos, com os nossos silêncios. Precisamos de tempo para parar, para olhar para dentro, para avaliar serenamente o passado e projetar entusiasticamente o futuro. Precisamos de tempo para recuperar forças para continuar a nossa luta. Mas, como encontrar esse tempo quando tudo à nossa volta parece chamar-nos constantemente para alguma coisa: as pessoas, o telemóvel, o e-mail, o Facebook… Sendo extremamente difícil, admito que, no limite, a única forma de conseguir esse tempo é mesmo marcá-lo na nossa agenda, seja ela em papel, no smartphone ou apenas mental. E, assim, quando alguém nos perguntar se no próximo sábado à tarde temos algum compromisso, diremos: “Por acaso não tenho nada marcado, mas preciso de estar comigo…”

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

Vivências

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Herança digital

 

Fim-de-semana de chuva. Estou em casa a percorrer a edição online de um conhecido semanário quando um título me chama a atenção: “O que acontece à vida digital depois da morte?”. Paro durante alguns segundos para tentar perceber o significado daquele título, mas como não consigo, avanço, então, para a leitura do artigo e após umas duas ou três frases entendo finalmente do que se está a falar. Fala-se do destino a dar após a morte a toda a informação que ao longo da vida fomos deixando no mundo virtual com o qual nos relacionamos. E não estamos a falar apenas do telemóvel com os nossos contactos e as fotografias dos nossos filhos ou do portátil ou tablet com documentos mais ou menos importantes. Estamos a falar também, e sobretudo, de tudo aquilo que “existe” online sobre nós: as nossas contas de e-mail, a nossa atividade nas redes sociais, as nossas fotografias na “cloud”, as nossas contas e respetivas passwords de acesso a informações tão diversas como a fatura da água ou da luz ou o serviço de homebanking… Tudo isto cabe numa nova designação de “ativos digitais” e acaba por constituir uma espécie de “herança digital” à qual deve ser dado um destino após a nossa partida, do mesmo modo que é dado aos nossos bens materiais… Continuando a leitura, surpreendo-me ao saber que alguns sites têm já funcionalidades que permitem aos utilizadores predeterminarem a forma como deverá ser tratada a sua conta após a morte. Assim, é possível, por exemplo, decidir que a informação seja totalmente eliminada após um determinado período ou que a sua gestão seja cedida a outro utilizador.

 

Refletindo um pouco sobre tudo isto tenho alguma dificuldade em formar uma opinião, pois nunca tinha visto as coisas sob esta perspetiva. Admito que algumas situações, por envolverem acesso a dados críticos, devam ser objeto de imediata e especial atenção (acessos a contas bancárias, por exemplo). Quanto ao resto, como sejam as contas de e-mail ou os perfis nas redes sociais, não sei sinceramente o que pensar… O mundo está, de facto, a mudar muito depressa…

 

 Luís dos Anjos

 

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Sexta-feira, 13 de Outubro de 2017

Vivências

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O Clube dos Poetas Mortos

 

 

Na nossa memória todos temos um filme que nos marcou. Ou melhor, um filme, um livro, uma canção... Ou, provavelmente, melhor ainda, vários filmes, vários livros, várias canções…

 

Voltando aos filmes, “O Clube dos Poetas Mortos” foi um desses filmes. Recordo-me que o vi no Porto, por ocasião de uma visita de estudo de dois dias àquela cidade, andava eu, então, no secundário, na Escola Dr. Júlio Martins.

 

O filme relata a história de um professor de literatura num colégio profundamente elitista e disciplinador. As suas aulas são dadas de forma pouco ortodoxa e quem viu o filme recorda certamente a aula em que o professor incentiva os alunos a arrancarem as folhas de um livro de poesia, pois, segundo ele, a poesia não se pode medir, mas sim sentir e viver. Entusiasmados com o lema “Carpe diem” (aproveita o dia) proclamado pelo professor, os alunos ganham coragem para experimentar desafios e experiências que nunca antes ousariam enfrentar. A dada altura do ano um grupo de alunos descobre um velho “Livro de Turma” do tempo do professor Keating e ficam a saber que ele pertenceu a um denominado “Clube dos Poetas Mortos”. Após uma interpelação ao professor sobre essa vivência do passado, resolvem eles próprios retomar a ideia do Clube e nessa mesma noite iniciam reuniões furtivas numa gruta, nas imediações do colégio, para ler poesia e “sugar o tutano da vida”.

 

Entretanto, um dos jovens, com grande vocação para o teatro mas fortemente reprimido pelo pai, não aguenta a pressão e acaba por suicidar-se. Este acontecimento faz despoletar uma situação de confronto e a direção do colégio acaba por afastar o professor Keating, a quem acusam de incentivar os alunos à desobediência.

 

A cena final é certamente a mais recordada por todos os que viram o filme. Na primeira aula com o novo professor, Keating vai à sala para recolher as suas coisas e, então, os alunos, um a um, põem-se em pé em cima da secretária e dirigem-se a ele com as palavras “Oh, Captain, my Captain!”. “Obrigado, rapazes”, são as últimas palavras do professor aos seus alunos.

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:45
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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2017

Vivências

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Km 0

 

Há alguns anos, por altura da Páscoa, fomos com um casal amigo até Madrid. Visitámos a cidade e estivemos, inevitavelmente, na Puerta del Sol, a praça mais movimentada da capital espanhola. Algum tempo depois, em conversa com um colega de trabalho, perguntava-me ele se também fui tirar uma fotografia com um pé no “quilómetro zero”… Não percebi e, então, ele explicou-me que ali existe, assinalado no chão, o chamado “quilómetro zero”. Curioso, fui pesquisar um pouco na Internet e fiquei a saber que aquela marca está situada precisamente em frente à porta da antiga Real Casa de Correos (hoje o edifício tem outra funcionalidade) e serve de referência para a definição de distâncias, quer no interior da cidade de Madrid, quer relativamente a outras cidades espanholas, através das diversas estradas radiais que partem da capital. A marcação do “quilómetro zero” teve, pois, como função marcar um ponto que servisse de referência para as deslocações em território espanhol.

 

Alargando o âmbito desta reflexão, o “quilómetro zero” pode ser qualquer ponto de partida que nós definamos para depois chegarmos a um determinado destino. E tanto podemos estar a falar de uma deslocação em termos físicos (uma viagem ou uma caminhada, por exemplo), como podemos estar a falar de um percurso profissional, ou ainda de uma evolução mais pessoal, interior, ou até espiritual, se quisermos.

 

Vivemos, hoje mais do que nunca, numa sociedade extremamente competitiva, que valoriza essencialmente as metas, as chegadas, as conquistas… Tudo isso é importante e necessário, pois são os objetivos que nos fazem evoluir, quer seja em termos académicos, profissionais, familiares, desportivos, ou outros. Mas a verdade é que na ânsia de definir objetivos e de começar a lutar por eles, esquecemo-nos muitas vezes de perceber primeiro onde é que realmente estamos antes de partir… esquecemo-nos de marcar o nosso “quilómetro zero” - e isso faz toda a diferença.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:28
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Sexta-feira, 11 de Agosto de 2017

Vivências

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Pensar fora do retângulo

 

A forma como hoje olhamos o mundo já não é a mesma de outros tempos. Durante séculos, nas vilas e aldeias onde vivíamos, tínhamos a visão desafogada dos campos e das montanhas e conseguíamos ver a linha do horizonte, lá longe, onde o céu e a terra se encontravam numa fusão de cores. E à noite, em silêncio e sem luzes, conseguíamos ver todas as estrelas do firmamento.

 

Depois, deixámos este mundo rural e quisemos construir outro. Mudámo-nos para as grandes cidades, que se tornaram ainda maiores, trocámos as ruas estreitas pelas avenidas largas, e as casas de pedra pelos apartamentos “T-qualquer coisa”, em construções cada vez mais altas, que, a pouco e pouco, foram limitando o nosso campo de visão. Deixámos de ver os campos, as montanhas, a linha do horizonte… e muitas vezes até o próprio sol e as estrelas… Então, para estreitar ainda mais a nossa visão, apareceram os écrans nas nossas vidas; primeiro, a televisão, e depois tudo o resto: o computador, o telemóvel, o smartphone, o tablet, o GPS… E, assim, com todas estas novas tecnologias (pese embora as suas enormes vantagens para a evolução da nossa sociedade), limitamo-nos hoje a ver quase exclusivamente ao perto, ao alcance da nossa mão, ou, quando muito, à distância que vai do sofá até à televisão. As nossas rotinas diárias, quer em casa quer no trabalho, passaram a incluir um número cada vez maior de horas a olhar para écrans, uns maiores, outros mais pequenos, onde milhões de pixéis coloridos nos criam em cada segundo um novo mundo, onde tudo parece acontecer, mas onde, na verdade, nada acontece realmente… A nossa capacidade de olhar mais longe, de nos orientarmos no espaço à nossa volta, de focar um ponto distante está, pois, a perder-se… E porque a forma de pensar o mundo depende (e muito) da forma como o vemos, esta nova realidade está a limitar a nossa capacidade de pensar “fora do quadrado”, ou melhor dizendo, fora do retângulo…

 

Luís dos Anjos

 

 

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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Vivências

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Tudo isto existe…

 

Um amanhecer que vence a escuridão…

Uma flor que desabrocha discretamente…

Uma chuva que cai dispersa…

Um raio de sol que aquece…

Um arco-íris que risca o céu…

Uma porta que se entreabre…

Uma muralha que se desmorona…

 

Uma mão aberta que se estende…

Um coração que de amor transborda…

Um olhar que envolve e procura…

Uns lábios que baixinho murmuram…

Um sorriso que encurta distâncias…

Uma lágrima que teima em escorregar…

Um gesto que rasga o espaço…

 

Um pássaro que canta no bosque…

Uma onda que esbarra na praia…

Uma estrela que cintila no céu…

Uma fonte que nos traz frescura…

Uma janela que nos traz a Primavera…

 

Um relógio que marca o tempo…

Uma caneta que percorre o papel…

 

Tudo isto existe…

 

Luís dos Anjos

 

 

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Sexta-feira, 9 de Junho de 2017

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Eu agradeço a um professor

 

 

Junho de 2012.

 

Está a ser amplamente difundido pelo Facebook, mas acabei por saber, por mero acaso, num pequeno cartaz afixado na porta de um centro de explicações. O movimento chama-se “Eu agradeço a um professor” e um dos seus objetivos é levar-nos a recordar aquele ou aqueles professores que mais nos marcaram ao longo do nosso percurso escolar. Olho para trás em busca dos rostos e dos nomes dos meus professores e a primeira constatação é que não me lembro da grande maioria deles, facto que deixa de me parecer estranho quando calculo que ao longo da minha vida terão sido bem mais de uma centena aqueles que contribuíram, uns mais outros menos, para a minha formação académica.

 

Lembro-me, no entanto, de vários, desde a escola primária ao ensino superior, e da maioria deles por boas razões. Lembro-me daquela professora de Secretariado a quem preparámos uma festa surpresa no dia do seu aniversário e a quem oferecemos uma lembrança como forma de reconhecimento por tudo aquilo que fez por nós. Lembro-me daquela professora de Contabilidade que frequentemente se atrasava e por quem nós esperávamos, já depois do “2º toque”, depois de a termos visto da janela do 3º piso a entrar, em passo apressado, no portão da escola. E lembro-me também daquele professor de Cultura e Civilização Portuguesa com quem passámos várias aulas a descortinar a verdadeira origem do vaso campaniforme, facto que, como é óbvio, em nada contribuiu para o meu futuro…

 

Não fui à página do movimento deixar qualquer testemunho ou agradecimento, pois também não saberia se seriam lidos por aqueles a quem me iria dirigir. Mas agradeço aqui a todos os meus professores: aos que souberam ser exigentes quando tal era necessário, aos que souberam ser compreensivos, aos que souberam preocupar-se, aos que souberam motivar e dar esperança, aos que souberam, pela sua postura e pelas suas atitudes, transmitir valores, para além de conteúdos… A todos devo parte do que hoje sou. Obrigado!

 

Luís dos Anjos

 

 

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Sexta-feira, 12 de Maio de 2017

Vivências

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Recordando o “Força Construtora”

 

O título desta crónica remete-nos para o final da década de 80 e início da década de 90 e para o movimento de grupos de jovens ligados à Igreja que naqueles anos existia na cidade de Chaves.

 

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O grupo “Força Construtora”, ao qual pertenci desde a sua criação até ao último momento, era um desses grupos e reunia essencialmente jovens da zona de Santa Cruz e do Bairro da Trindade, mas também de outros pontos mais distantes, como a estrada de Outeiro Seco ou a Fonte do Leite. O grupo surgiu no final de 1988 por iniciativa do Padre José Banha, que chegou para assumir a criação da nova paróquia naquela zona da cidade. Para além das habituais reuniões semanais onde se debatiam os mais variados temas, o grupo desenvolveu muitas outras atividades, tais como, encenações, encontros de oração, animações da Eucaristia (umas vezes na Igreja da Trindade, outras na Igreja de Santa Cruz, pois a Igreja Paroquial ainda não era mais do que um projeto), encontros com outros grupos da cidade e da região, caminhadas ao São Caetano… Foram tempos vividos com uma grande energia e uma entrega total, como é próprio nos jovens que acreditam naquilo que fazem.

 

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Foto gentimente cedida por Firmino Vital

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 Foto gentimente cedida por Hélia Silva

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Foto gentimente cedida por Norberto Costa

 

Em janeiro de 1992, o grupo deu por terminadas as suas atividades e recordo-me que, contrariamente ao que era hábito, foi na Igreja de Santa Cruz que decorreu a última reunião (já não sei qual terá sido o motivo). Dos cerca de 40 jovens que chegaram a integrar o grupo restava apenas uma meia dúzia com disponibilidade para continuar, pois com o passar dos anos as circunstâncias e as responsabilidades de cada um foram mudando: a ida para a Universidade, a tropa, o trabalho, o casamento…

 

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Em 1993, por iniciativa de um pequeno grupo dos seus antigos elementos (eu, incluído), foram registados em livro os três anos de vida do “Força Construtora”. Dos vários testemunhos recolhidos na altura recordo perfeitamente um que dizia, textualmente: “Força Construtora é mais do que uma recordação... é algo que vive”.

 

É verdade! E já lá vão 25 anos!

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:42
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

Vivências

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O início de uma nova era?

No nosso percurso escolar, nas aulas de História, e desde que tenhamos estado atentos à matéria, aprendemos que o tempo se pode dividir em 5 grandes épocas ou idades: a Pré-História, que abrange o período desde o aparecimento do Homem na Terra até ao surgimento da escrita, por volta do ano 4000 a.c.; a Idade Antiga, que se prolonga até à queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.c.; a Idade Média, até à queda do Império Romano do Oriente, em 1453; a Idade Moderna que termina em 1789, ano da Revolução Francesa; e, finalmente, a Idade Contemporânea, aquela na qual vivemos hoje. Mas a história da Terra e da Humanidade é uma história de contínua evolução, transformação, adaptação a novos tempos e a novas circunstâncias e, por isso mesmo, não vamos, obviamente, permanecer para sempre nesta denominada Idade Contemporânea.

 

Nas últimas décadas, e em particular no início deste novo milénio, assistimos a uma evolução sem precedentes. A ciência e a tecnologia proporcionam-nos hoje, a todos os níveis, possibilidades com as quais nem sequer sonhávamos há apenas alguns anos atrás. De repente, tudo nos parece fácil de obter e a Internet colocou-nos o mundo na palma da mão, ou na ponta dos dedos, se preferirmos, à distância de meia dúzia de cliques. Mas a verdade é que, simultaneamente, entrámos numa grave crise que começou por ser apenas económica, mas é, afinal, bem mais do que isso. E para ultrapassar esta crise, quer no plano económico, quer em qualquer outro plano, serão necessárias novas atitudes, novas ideias, novas posturas perante a vida, perante as coisas e perante aqueles que nos rodeiam, um novo entusiasmo, uma nova energia…

 

A mudança para uma nova “idade”, cujo nome e contornos não podemos ainda imaginar, pode estar prestes a começar sem que nos estejamos verdadeiramente a aperceber…

Luís dos Anjos

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Sexta-feira, 10 de Março de 2017

Vivências

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Quem nunca...

 

 

Quem nunca escreveu o seu nome numa árvore?

Quem nunca ficou deslumbrado com a beleza de um pôr-do-sol?

Quem nunca ficou preso até de madrugada às páginas de um livro?

Quem nunca desenhou corações nos cadernos da escola?

Quem nunca deixou uma lágrima escorregar discretamente ao canto do olho?

Quem nunca fez aparecer um sorriso no rosto triste de um amigo?

Quem nunca viu um olhar brilhar intensamente?

Quem nunca viu um rosto irradiar felicidade?

Quem nunca sentiu o coração bater forte ao ver aproximar-se alguém por quem tanto esperava?

Quem nunca sentiu prazer em andar à chuva, de braços abertos e rosto virado para o céu?

Quem nunca parou para admirar um arco-íris?

Quem nunca sentiu no rosto o calor de uma lareira num dia frio de inverno?

Quem nunca ficou na cama até mais tarde só para ouvir a chuva a cair?

Quem nunca quis trepar a uma árvore ou esconder um tesouro?

Quem nunca ficou sentado na areia a observar as ondas esbarrarem na praia?

Quem nunca observou as formas fantásticas que as nuvens desenham no azul do céu?

Quem nunca se rebolou na relva de um jardim?

Quem nunca se emocionou ao ouvir chamar “mamã” ou “papá”?

Quem nunca comeu fruta apanhada das árvores?

Quem nunca adormeceu de cansaço?

Quem nunca sonhou com novos horizontes?

Quem nunca desejou desaparecer?

Quem nunca procurou desesperadamente um olhar?

Quem nunca confiou os seus segredos ou mágoas a uma folha de papel?

Quem nunca teve medo das sombras ou do escuro da noite?

Quem nunca quis guardar só para si um pedaço de luar ou o brilho das estrelas?

Quem nunca sentiu, ainda que só por uma vez, uma destas sensações, então... é porque não viveu!

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

Vivências - Curso de Relações Humanas em seis lições

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Curso de Relações Humanas em seis lições

 

Já se passaram quase trinta anos! Eu frequentava um curso Técnico Profissional, na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, e tive, juntamente com os meus colegas de curso, o privilégio de efetuar várias visitas de estudo, quer em Chaves, quer fora da nossa cidade. E foi precisamente numa dessas visitas de estudo (já não consigo, infelizmente, referir em qual delas) que ouvi da boca da pessoa que amavelmente nos recebeu aquilo que ela designou como sendo um curso de Relações Humanas em seis lições. Recordo que todos ficámos atentos para assimilar essas seis lições que, então, memorizei sem grande dificuldade.

 

A primeira lição estabelece quais são as seis palavras mais importantes nas relações humanas: “Admito que o erro foi meu”. A segunda lição, as cinco palavras mais importantes: “Você fez um bom trabalho”. A terceira lição, as quatro palavras mais importantes: “Qual a sua opinião?”. A quarta lição, as três palavras mais importantes: “Se faz favor”. A quinta lição, as duas palavras mais importantes: “Muito obrigado”. Finalmente, a sexta lição, a palavra mais importante: “Nós”.

 

Estando nós numa visita a uma empresa, o contexto de aplicação destes ensinamentos era, obviamente, um contexto de trabalho, mas, sem necessidade de quaisquer adaptações, eles poderão ser aplicados em qualquer outro contexto em que existam relações pessoais, ou seja, em quase tudo na vida, desde uma escola, uma associação, um clube, um grupo de amigos ou, inclusivamente, uma família.

 

Passados todos estes anos continuo a recordar com clareza estas seis lições e dou por mim a pensar como elas resumem perfeitamente dezenas de livros e milhares de páginas que se possam ler sobre relações humanas. Afinal, muitas vezes, os grandes ensinamentos não estão no interior de livros de grossas lombadas, mas sim em pequenos apontamentos que nos chegam quando menos esperamos.

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:09
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

Vivências - Os Escudos, os "contos" e os "paus"

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Os Escudos, os “contos” e os “paus”

 

1 de janeiro de 2002. O Euro chega para substituir o Escudo. As máquinas dos Multibancos começam a dispensar apenas notas de Euros e os Escudos vão sendo retidos sempre que vamos às compras e entregues nos bancos.  Hoje, passados 15 anos, parece-me que já poucos são aqueles que ainda pensam ou fazem contas em Escudos: os mais novos porque não têm memória de outra moeda e nós porque, inevitavelmente, acabámos por nos habituar e já nem quase nos lembramos que um Euro equivalia a 200,482 Escudos.

 

Perdemos, assim, uma moeda só nossa, como o atestavam os elementos referentes à nossa história nas suas faces. Mas, na verdade, não perdemos apenas o Escudo. Perdemos também os “contos” e os “paus”, pois na linguagem corrente tínhamos 3 unidades de moeda: o Escudo, a designação oficial; os “contos”, quando se queria designar uma quantia normalmente a partir dos dois mil Escudos (dizíamos 1999$00, mas depois eram dois “contos”); e os “paus”, termo mais popular e que se utilizava principalmente quando se queria realçar que determinada compra tinha sido cara (isto custou-me 500 “paus”…). Hoje só falamos em Euros e, vá-se lá saber porquê, parece que o valor das coisas passou a ser menor: um Euro é (apenas) um Euro, mas duzentos “paus” era muito dinheiro…

 

Com a chegada do Euro acabou-se a necessidade de cambiar moeda (ou “trocar”, como se dizia habitualmente). Pessoalmente, foram poucos as vezes em que tive de “trocar” Pesetas e na última vez que o fiz, para uma viagem a Sevilha, no verão de 2001, recordo-me de no regresso parar num posto de combustível, antes de chegar à fonteira, juntar todos os trocos que tinha e pedir ao funcionário para encher o depósito até àquele valor, pois já não ia voltar a Espanha no tempo das Pesetas.

 

Curiosamente, por saudade, por fazerem parte de coleções, por estarem perdidos ou ainda esquecidos debaixo de algum colchão, existem milhões de Escudos que nunca foram trocados pela nova moeda. Uma verdadeira fortuna...

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:08
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2016

Vivências

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Natais de outros tempos

 

Dezembro. Os dias são frios e as noites nesta altura do ano chegam cedo. O dia de Natal aproxima-se, mas na televisão há já muito tempo que a publicidade nos começou a bombardear com sugestões de prendas para todos os gostos: brinquedos, perfumes, livros, smartphones, tablets, jogos… Lá fora, as ruas iluminam-se e as montras reinventam-se, procurando despertar o interesse de quem passa. Entretanto, o mês avança e quase sem darmos por isso depressa chegaremos à noite da consoada. Estaremos com a família, mas sempre atentos às mensagens que se vão trocar aos milhares no espaço virtual... É o Natal das prendas e das redes sociais, sem mais… E é assim todos os anos… ou não foi sempre?

 

Não, não foi sempre assim… Olhando para trás, recordo com nostalgia Natais de outros tempos, com outras vivências, sobretudo nos anos em que integrei o grupo de jovens da minha paróquia, no final da década de 80 e início da década de 90. Eram Natais sem e-mail’s, SMS’s ou redes sociais, mas em que nos desdobrávamos em diversas atividades concretas e que nos davam imensa satisfação: fazíamos cartazes e espalhávamo-los pelos bairros da paróquia; construíamos o presépio, ora na igreja de Santa Cruz, ora na igreja da Trindade (a igreja paroquial ainda não era mais do que um projeto); enviávamos postais de Boas Festas (sim, por correio, num envelope, com selo e tudo…) aos outros grupos de jovens e a algumas entidades oficiais da cidade animávamos a Missa do dia de Natal... Até houve um ano em que tivemos a ideia de fazer uma árvore de Natal na rotunda de Santa Cruz, junto à antiga escola primária... e fizemo-la mesmo! De machado às costas, fomos para os lados da zona industrial e trouxemos um pinheiro enorme que lá colocámos e que enfeitámos o melhor que pudemos, enquanto um vento frio nos gelava as mãos e a cara…

 

Menos tecnologias, mais calor humano…

 

Outros tempos, outros Natais, outras vivências…

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:25
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

Vivências - Sociedade Líquida

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Sociedade líquida

 

Se lermos um pouco de História ou conversarmos com pessoas de uma geração anterior à nossa rapidamente percebemos o quanto uma sociedade muda no espaço de poucos anos. E esta evolução não é um fenómeno exclusivo dos tempos modernos. Contudo, nas últimas décadas, como consequência da conjugação de vários fatores (sendo a evolução tecnológica o principal) a mudança tem sido, sem dúvida, mais rápida, mais notória e mais profunda.

 

No passado (na verdade, até há 20 ou 30 anos talvez), a sociedade estava claramente alicerçada em valores sólidos, tradições, personalidades de referência em casa (o pai, a mãe, o avô…) e fora dela (na música, na literatura, na política, no desporto…). Hoje, a realidade é bem diferente. Os jovens não têm ídolos (eles sucedem-se mais ao menos ao ritmo dos programas de televisão ou do aparecimento e desaparecimento de uma qualquer banda de música) e os valores, tais como a boa educação, o respeito pelos mais velhos, a responsabilidade, a solidariedade ou outros, parecem muitas vezes completamente ausentes das suas vidas. Por outro lado, as tradições, os saberes, os usos e costumes que outrora passavam de geração em geração (todo um património) parecem ter perdido significado neste mundo cada vez mais virado para o consumo e para o imediato. Simultaneamente, não se consolidam quaisquer novas tradições ou costumes, pelo que caímos, assim, numa espécie de vazio…

 

Numa recente reunião de pais com filhos na catequese ouvi a expressão “sociedade líquida”. Fiquei intrigado e, pesquisando um pouco na Internet, descobri que o conceito é de um sociólogo polaco (Zygmunt Bauman) e define uma sociedade sem forma consistente, como se fosse um qualquer corpo líquido que, tal como a água, é incapaz de manter a sua forma. E é isso que me parece que, infelizmente, estamos a construir: uma sociedade onde cada vez mais tudo é volátil, efémero e nada ganha uma forma duradoura…

 

Luís dos Anjos

 

 

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