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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Ago20

Mosteiro - Chaves - Portugal

Aldeias do Concelho de Chaves

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MOSTEIRO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Mosteiro.

 

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Aldeia de Mosteiro que fica em terras da Castanheira, tendo como aldeias mais próximas, todas bem próximas por sinal, as aldeias de Cimo de Vila da Castanheira, Sanfins e Santa Cruz da Castanheira.

 

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Fica esta referência às aldeias vizinhas para não se confundir com a outra aldeia do concelho, cujo topónimo só difere num acento no último ó. Refiro-me a Mosteiró que acresce ao topónimo o de Baixo, ou seja, Mosteiró de Baixo, para se distinguir de outra Mosteiró, a aldeia vizinha de Mosteiró de Cima, esta já do concelho de Valpaços.

 

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Mas referia atrás que as aldeia vizinhas de Mosteiro eram todas bem próximas, e de facto assim é, de tal forma, que vistas em fotografia aérea, quem não conhecer, dirá que as aldeias de Cimo de Vila da Castanheira, Sanfins, Santa Cruz da Castanheira e Mosteiro, são apenas uma aldeia.

 

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Só para se ter uma ideia, entre Cimos de Vila e Sanfins, já não existe separação física entre elas. Desde a última casa de Sanfins a primeira de Santa Cruz, são pouco mais do que 200m e entre Santa Cruz e Mosteiro são 190m e entre Mosteiro e Sanfins são apenas 160m. Para resumir, as 4 aldeias cabem todas num círculo com 1.100m de raio, Mas ainda mais curioso, é que embora todas juntas, pertencem a duas freguesias. Apresentadas assim as coisas, poder-se-á não compreender o porquê das duas freguesias, mas se falarmos nos territórios de cada freguesia, aí já se pode entender que sejam duas.  

 

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Mas hoje estamos aqui por causa do vídeo, pois quanto a Mosteiro já falámos da aldeia aquando do seu post completo e no post da freguesia. Hoje é mesmo pelo vídeo e aproveitamos para trazer mais algumas imagens. Aqui fica, espero que gostem:

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Mosteiro:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/mosteiro-chaves-portugal-1658598

https://chaves.blogs.sapo.pt/507597.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/247356.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/208475.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até à próxima quarta-feira, com a aldeia de Mosteiró de Baixo.

 

 

 

12
Ago20

Crónicas de assim dizer

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O Papão

 

O papão andava atrás de mim, insistia em me mostrar coisas que eu não queria ver e em me ensinar coisas que eu não queria apender. O que tenho chega-me, não quero nem preciso de mais nada. Mas ele, mais do que decidiu, determinou, que me havia de agarrar pela roupa no pescoço e arrastar-me numa visita guiada pela desordem do mundo. E quanto mais eu lhe dizia que não, mais ele insistia que sim. Alegava motivos, justificações, razões, virava do avesso as minhas premissas para tirar conclusões absurdas e apoiava a falta de lógica do seu raciocínio na minha clareza dele.

 

Parecia um filme sem som a preto e branco, onde eu teimava pôr alguma cor, não por teimosia, mas para mais depressa chegar ao fim do percurso e transformar numa curta metragem o que parecia uma eternidade. E o papão não largava o pau que lhe servia para tudo. Parecia um ex-militar, amputado, no pós-guerra. Uma granada tinha-lhe rebentado acidentalmente nas mãos e agora, só com a esquerda, tinha na direita a merda do pau com que acendia e apagava as luzes, com que se orientava e desorientava à luz do dia e pela noite adentro. E batia com aquilo no chão três vezes seguidas para se fazer notar e de cada vez que o fazia eu ouvia o Mostrengo que “… na noite de breu ergueu-se a voar… e disse: quem é que ousou entrar nas minhas cavernas que não desvendo?”

 

E eu que estava ali só por acaso, a achar que tinha, mais que o direito, o dever de libertar as correntes, porque Deus nos tinha criado homens livres, a sacudir o corpo, a apostar que o cadeado se ia libertar mesmo sem eu ter a chave, mas só porque queria muito, e quanto mais abanava o corpo mais os fios se emaranhavam à volta dos meus braços e o papão, obstinado, continuava, ignorando o sangue que começava a escorrer. Foi aqui que eu comecei a perceber que o filme era mesmo e só a preto e branco e que me encontrava numa rua sem saída, que estreitava a cada passo dado e que as paredes laterais iriam acabar por me amputar os braços de tanto nelas raspar, se eu não parasse a tempo ou não detivesse o papão que vinha na minha direcção de braços abertos.

 

Foi quando se deu o milagre: alguém dentro de mim começou a cantar uma canção de embalar, exactamente como aquelas que a nossa mãe nos cantava na infância, com uma voz tão terna, tão meiga, tão doce, que o militar da mão direita amputada começou a amolecer, a entrar num sono ou numa dormência ligeira e aos bocadinhos, step by step, caíram-se-lhe as pálpebras, encerrando a desordem do mundo e rolou pelo chão.

 

Podia-me ter dado para fugir, mas pensei que nunca se deve virar as costas a um papão, mesmo que ele esteja a dormir, porque pode de repente acordar, enfiar-nos a curva da bengala na roupa do pescoço e desatar a fazer-nos uma visita guiada pela desordem do mundo.

 

Comecei então a recuar pelo beco por onde tinha entrado, a única saída possível, porque cavar túneis nas paredes laterais ia acordar o papão que agora já estava a sonhar, provavelmente com paraísos tropicais pois que esboçava, no seu rosto negro, um ligeiro sorriso.

 

E quando as minhas costas bateram na porta da entrada, eu que não sou crente, ergui os olhos e as mãos para o céu e agradeci, humildemente agradeci a Deus. Deixei de ouvir o canto de embalar, o que significava que o papão estava longe o suficiente para me não voltar a puxar a roupa do pescoço e, muito sinceramente, se eu fosse de chorar, nesse momento tinha-me derramado em lágrimas.

 

O que nos vale é que não temos medo, ficamos só esquisitos! “Aqui ao leme sou mais do que eu...” continuava o poema de Fernando Pessoa.               

 

Cristina Pizarro

 

 

11
Ago20

10ª Bienal Internacional de Gravura do Douro em Chaves

EXPOSIÇÃO

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Abriu ontem, dia 10 de agosto, e prolonga-se até dia 31 de outubro,  a 10ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2020.

A entrada é gratuíta, com uso de máscara obrigatório, afastamento social de 2m e permanência no recinto limitada as 15 pessoas em simultâneo.

 

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Nesta bienal participam 1300 obras de 625 artistas, de 64 países e repartem-se por 12 exposições em 10 localidades do norte de Portugal, desde Alijó, a Bragança, Celeirós, Chaves, Favaios, Foz Côa, Peso da Régua, S. Martinho de Anta, Vila Nova de Gaia e Vila Real. Silvestre Pestana é o artista homenageado nesta edição da bienal. 

 

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Em Chaves, a Bienal Internacional de Gravura tem lugar no Pavilhão EXPOFLÁVIA (Junto à PSP) e abre de segunda a sexta, das 10H00 às 12H30 e das 14H30 às 19H00.

 

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Para além dos municípios e outras entidades envolvidas nesta Bienal Internacional de Gravura, tem como:

 

Curador e Diretor:

Nuno Canelas

 

Comissários:

Nuno Canelas (comissário geral/general commissioner)

António Canau (comissário-Portugal/portugal commissioner)

Fernando Santiago (comissário-américa/america commissioner)

Manfred Egger (comissário-Áustria/austria commissioner)

Claudia Sperb (comissária-Brasil/brazil commissioner)

Michael Derek Besant (comissário-Canadá/canada commissioner)

Chen Chuan (comissário-China/china commissioner)

Sheila Goloborotko (comissária-EUA/usa commissioner)

Valeria Bertesina (comissária-Itália/italy commissioner)

Alina Jackiewicz-Kaczmarek (comissária-Polónia/poland commissioner)

Ovidiu Petca (comissário-Roménia/romania commissioner)

Ann-Kristin Kallstrom (comissária-Suécia/sweden commissioner)

 

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Mais informações e dados sobre esta bienal em:

www.bienaldouro.com

 

 

11
Ago20

Chaves D´Aurora

Crónicas

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AS AURORAS DE CHAVES

 

Ainda faltavam três semanas para findar o inverno de 2010, quando cheguei a Chaves, onde um projeto pessoal me faria apaixonar, plena e incondicionalmente, pela terra querida de meus ancestrais. Este sentimento já começara em 1974, pouco após a Revolução dos Cravos, quando viajei pelo antigo caminho de ferro, em um comboio cheio de soldados muito jovens que estavam a celebrar, com uma sadia algazarra, tanto o retorno definitivo à terrinha, quanto o facto de estarem livres, enfim, das guerras nas colónias d’África.  Tendo que voltar no mesmo dia a Lisboa, após aportar à antiga estação (hoje um centro cultural), percorri sítios ainda perdidos no tempo até à Estrada do Raio X, onde tentei, em vão, localizar a Quinta do Grão Pará, que pertencera ao meu avô paterno.

 

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Direitos de autor da imagem de Berto Alferes

 

 

Isso viria a concretizar-se apenas em 2006, quando, por uns três dias, num simpático hotel nos Anjos, a contrastar a Aquae Flaviae antiga – e que já me deslumbrava – com a então modernizante Chaves, colhi alguns dados para a construção do romance que pretendia escrever, e no qual me propunha a narrar os acontecimentos que levaram meu avô, meu pai e os mais da família para o norte do Brasil, sem jamais retornarem  –  do quê e onde resultou, afinal, meu estar no mundo.

 

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Dessa vez, porém, o carro de aluguer conduziu-me para a outra margem do Tâmega, ao aconchegante Hotel 4 Estações, próximo à Capela do Senhor do Bom Caminho, numa avenida que se prolonga até a estrada que vai dar à Galiza. Era já noitinha e, por estar cansado, comi um resto de farnel que trouxera de viagem e atirei-me ao sono. Despertei bem cedinho e, ao abrir a janela do quarto,  visualizei partes da veiga, outras tantas da estrada que seguia para o norte, e mais uma pequena amostra do início do planalto Barrosão, a oeste. Fascinante, porém, era o banho de luzes e cores que respingavam em meus olhos. A Natureza apresentava-me – muito prazer em conhecê-la! – a aurora de Chaves.

 

Infelizmente, só algumas vezes pude obter de novo esse gozo, pois, no pouco mais de cem dias em que estive a debruçar-me sobre o notebook, ou, em “pesquisas de campo”, a colher dados na Biblioteca Municipal de Chaves,  percorrer todos os sítios da cidade e conversar com os locais, entre os quais fiz bons e excelentes amigos, eu trabalhava até bem tarde da noite e raramente me podia dar à alegria de dizer  –  bom dia, aurora!       

 

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Certa vez, porém, aconteceu algo que me emocionou bastante. Os amáveis Sr. Ilídio e Dona Ana haviam-me transferido, há pouco tempo, para uma água-furtada no último andar do hotel. Esta era, a meu ver,  o que de mais romântico e charmoso poderia haver para  um escritor. O teto era em diagonal, enviesado, com uma claraboia bem acima da pequena mesa de trabalho, o que, na minha imaginação, reportava-se às mansardas de Paris, onde vários artistas escreveram, pintaram ou compuseram suas obras. Havia dormido cedo, na véspera e acordei com uma súbita inspiração para novo capítulo. Após as abluções matinais, fui até à claraboia e ergui a moldura de vidro, para entrar o ar da manhã. Pus a cabeça para fora, a fim de prover meus olhos, novamente, do orgasmo visual da aurora flaviense.

 

Cerrei o caixilho e... o melhor veio a seguir. Estava a digitar o romance, quando escutei batidas leves, mas insistentes. Abri a porta do quarto, para atender a quem tocava. Ninguém. Ao voltar à mesinha, olhei para o teto e vi o autor dos toques. Era um belo representante da Natureza, um passarinho de penugem quase toda amarela, que pinicava com insistência o vidro da claraboia. Talvez quisesse dar-me o bom dia; o mais provável, no entanto, era entrar para comer alguns nacos de pão e de queijo que, com um bom vinho trasmontano, sobraram da minha frugal ceia noturna. Esse delicioso facto levou-me a pesquisar na Internet e escrever o capítulo 221: “No último dia dos Bernardes ao Raio X, ao abrir uma janela, Aurélia deixou seus ouvidos inebriarem-se do canto dos passarinhos. Ah, os pássaros de Chaves! Eles estão por toda parte e alguns, como cantam! Tordos, toutinegras, estorninhos, rouxinóis, rolas-turcas, melros, chapins, bicos-de-lacre, piscos, ferreirinhas, cotovias, chamarizes, pintassilgos, vendilhões... e muitos outros que, àquela altura, abundavam na veiga, nos jardins, nos pomares e nas margens arborizadas do Tâmega”. Talvez Aurélia viesse a inverter, no Brasil, a geografia dos versos de Gonçalves Dias, na “Canção do Exílio”: “As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.

 

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Embora protagonizado por minha tia Aurora (ainda que meu avô seja o antagonista e a verdadeira protagonista seja, talvez, a própria cidade), e cujo prenome no livro é o único real, não fictício, é possível, também,  terem sido as auroras de Chaves que me inspiraram o título do romance. As palavras chaves e aurora têm várias conotações. Fazem pensar em quantas portas fechadas minha tia deparou, reais ou metafóricas, e nas tantas chaves que esteve a buscar, na esperança de abrir, para si, um novo alvorecer.

 

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Conforme é exposto na página inicial de Chaves d’ Aurora: “Em que subtis cornucópias os deuses escondem as chaves da aurora, enquanto brincam, perversos, com o desespero dos pobres mortais que, ao intenso frio da madrugada, anseiam pelo amanhecer?”    

 

 

(Nota do Autor: Agradeço a imensa honra de ser convidado por esse dedicado flaviense, meu caríssimo amigo Fernando Ribeiro, a escrever em seu blog https://chaves.blogs.sapo.pt, esta e outras crónicas que virão, sobre as minhas vivências na querida Chaves. Buscarei fazer essa escrita de acordo com as grafias e acentuações de uso em Portugal, ao mesmo tempo em que seguirei o novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Como tenho dupla cidadania, mas nascido e residente no Brasil, peço apenas a compreensão dos leitores se, em razão de não dominar bastante o linguajar lusitano, houver palavras ou expressões que causem estranheza aos usuários portugueses do idioma).

 

 

 

10
Ago20

Quem conta um ponto...

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503 - Pérolas e Diamantes: Amarcord

 

Lembro-me das discotecas dos anos setenta, todas nas entradas da cidade, com hall, porteiros, bilheteira e uma grande pista de dança sobrevoada por esferas de luz estroboscópica, um balcão lateral ou ao fundo e sofás na zona mais escura onde os casais se escondiam. Aquilo funcionava entre a meia-noite e as três ou quatro da madrugada. Dançava-se muito, mas, sobretudo, bebia-se cerveja e fumavam-se cigarros até o ambiente ficar pesadíssimo. Nas casas de banho esganavam-se os charros. A rapaziada dançava. Os mais duros olhavam, nunca dançavam, talvez para não se sentirem ridículos. As raparigas bebiam menos, fumavam menos, mas dançavam mais. Muitas passavam a noite a dançar. A maioria bailava todo o tipo de música por igual, mas havia algumas que dançavam todas as músicas de maneira diferente, adaptando-se ao ritmo como uma luva se adapta a uma mão. Naquela altura estava na moda imitar o John Travolta e a Olivia Newton John, por causa do filme Febre de Sábado à Noite.

 

É terrível quando nos damos conta de que as coisas que aprendemos em determinada altura não nos servem para nada, ou estavam simplesmente erradas. A inquietação transforma-se em medo.

 

A verdade é que nessa altura os jovens e os seus pais viviam em mundos diferentes. As diferenças culturais eram grandes e tendiam a acentuar-se. Aquilo que os pais pensavam ou deixavam de pensar passou a ser irrelevante.

 

A situação política passou do zero ao cem, em pouco tempo. E isso pôs toda a gente a refletir. Havia os que pensavam que sim. Os que pensavam que não. E também aqueles que não sabiam bem o que deviam pensar.

 

Era a época da política por tudo e por nada. Diziam-se pequenas mentiras, a maioria delas inofensivas. Mas evitava-se falar verdade, por se julgar ser esse um procedimento imprudente.

 

Alguns passaram das drogas leves para as duras, assim de repente. E isso não foi bonito de se ver. Muitos até tinham pinta de bons rapazes. Naquela altura todos imitavam a forma de vestir, de se pentear, de andar e de falar uns dos outros. Os adolescentes da altura imitavam o lado selvagem dos cães domésticos.

 

A verdade é que, por vezes, algo se mete nos mecanismos, alterando por completo o seu modo de funcionamento.

 

Mas quem é forte não precisa de exibir a sua força. Só os fracos o fazem.

 

Há sempre um início para o declínio. Então surgiram de maneira evidente as discussões, os protestos, a má-criação e os silêncios hostis. Os adolescentes frágeis e tímidos deixaram de o ser. A ignorância não era premeditada. Fazia parte dos sintomas da subordinação.

 

E havia por aí uns tipos duros, ligados a organizações clandestinas. Eram indivíduos realmente duros. Mas os tipos realmente duros são quase sempre uns pobres homens. A ficção da sua realidade acabou por consumi-los.

 

A realidade é que olhava para todos nós ao mesmo tempo.

 

A verdade é que as grandes ideologias acabam por cair vítimas do seu próprio peso. Muitas vezes não é o medo aquilo que nos derrota, mas o esforço desproporcional que fazemos para o esconder.

 

Numa década fomos capazes de criar e destruir um mito. Os seus percursores transformaram o sonho em anacronismo. A nossa revolução transformou-se num postal ilustrado. Uma coisa ridícula que se ia sustentando a ela própria como um circo ambulante. Uma espécie de guia turístico para adolescentes de classe média. Nas cidades começaram então a urbanizar-se as hortas e a construírem-se os bairros sociais. E também parques e bairros com casas geminadas, garagens, jardins e churrasqueiras.

 

Muitos homens começaram a desenvolver uma espécie de fixação infantil em colecionar selos. Seria pior se lhes desse para o vinho.

 

O bom rebelde acaba por se transformar num malfeitor que, ao compreender o mal que fez, se converte numa espécie de delinquente arrependido.

 

Muitos homens passaram a querer e a não querer ser aquilo que eram. Ou que diziam que eram. Defendiam os proletários mas não queriam estar na sua situação. Eram bons a solucionar os problemas sociais dos outros mas eram incapazes de desmentir as suas próprias contradições. Diziam defender os trabalhadores mas o que desejavam era ser bons burgueses. Solucionaram a questão transformando-se em sociais-democratas. Os mais radicais optaram mesmo pelo liberalismo.

 

João Madureira

 

08
Ago20

Moreiras - Chaves - Portugal

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MOREIRAS

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Moreiras.

 

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Moreiras que é uma das aldeias de Chaves de visita obrigatória, não só pela sua história, principalmente a que está ligada à religião católica, mas também pela aldeia em si e principalmente por algumas obras de arquitetura públicas e privadas.

 

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Das obras de arquitetura públicas ou destinadas a todos, destacam-se  a igreja românica, o cruzeiro e o conjunto da fonte coberta, tanque e bebedouro, tudo em granito. Também toda em granito e confrontante com o mesmo largo da igreja, cruzeiro e fonte, a chaminé de uma casa agrícola destaca-se pela sua beleza e pormenores da arte dos mestres canteiros. Também a casa do pároco, anexa à igreja, se destaca pela sua arquitetura, toda em perpianho de granito com molduras nos vãos, beirais e cunhais também trabalhados pelos mestres canteiros, e ainda jardim. Curiosamente, à exceção da casa do pároco, nenhuma das imagens que hoje vos deixo poderão ilustrar estas palavras, no entanto todas elas estão no vídeo final, pois hoje, apenas metemos algumas imagens que escaparam nas seleções anteriores para ilustrar os posts dedicados a aldeia de Moreiras, posts esses para os quais fica um link no final deste post

 

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E agora sim, o vídeo, a razão de estarmos aqui mais uma vez com aldeia das Moreiras, onde deixamos todas as imagens que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem .

 

 

 

Posts do blog Chaves dedicados à aldeia de Moreiras:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/moreiras-chaves-portugal-1655065

https://chaves.blogs.sapo.pt/moreiras-chaves-portugal-1072839

https://chaves.blogs.sapo.pt/1008407.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/966426.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/670935.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/430134.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/377900.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/312457.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/305322.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/40434.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/88552.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até à próxima quarta-feira,  em que teremos aqui a aldeia de Mosteiro, de terras da Castanheira.

 

07
Ago20

O Barroso aqui tão perto - Lapela

Aldeias do Barroso de Montalegre - Com Vídeo

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LAPELA - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Lapela, Montalegre.

 

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Aldeia de Lapela vista desde Ponteira

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Aldeia de Lapela vista desde Peneda de Cima

Uma das vantagens das aldeias de montanha são as suas vistas. Delas alcançam-se muito mais além do que desde um vale, e também as suas aldeias vizinhas. Claro que o contrário também é verdade, as aldeias ganham outra visibilidade quando são aldeias de montanha, principalmente vistas desde as aldeias vizinhas, como é o caso das duas últimas imagens, uma com Lapela vista desde Ponteira e a outra desde a Peneda de Cima.

 

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Lapela é uma das aldeias barrosãs da Serra do Gerês, mas estar na serra do Gerês não significa que esteja lá nas alturas, aliás as aldeias mais baixas do Barroso estão todas na Serra do Gerês, principalmente aquelas que ficam mais próximas do Rio Cávado (margem direita) e Rio Cabril. Lapela, não é das mais baixas, mas anda na cota dos 650m de altitude.

 

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Lapela é também uma das aldeias das proximidades do Rio Cávado, a cerca de 500 m do rio, medida em projeção horizontal, mas também não é sinónimo de acessibilidade, embora possa parecer. Acontece que entre a aldeia e o rio a montanha desce a pique. Veja atrás as fotografias da aldeia vista desde Ponteira e Peneda de Cima para ver quão acentuada é essa descida para o rio, que não se vê, mas fica lá bem no fundo da encosta da serra.

 

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Quanto à aldeia, foi para nós uma agradável surpresa, arrumadinha e limpinha, rodeada com o verde que é característico nestas terras mais baixas do Barroso, mas logo interrompido pelos grandes rochedos da Serra do Gerês, onde a vegetação quase desaparece, pela menos a vegetação mais alta, pois quando muito, algumas urzes, carqueja e outra vegetação ainda mais rasteira. O verde só existe mesmo à volta da aldeia. Veja novamente a foto de Lapela vista desde Ponteira, onde esta palavras são ilustradas.

 

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Por último, na última imagem que vai ficar a seguir, fazemos um elogio ao fio azul, trazendo aqui mais uma das suas utilidades. Até hoje, não houve nenhuma aldeia transmontana onde tivesse estado que não haja utilizações deste fio azul, o melhor de todos, daí o elogio que lhe faço de vez em quando, principalmente quando o vejo com uma nova utilidade. Apenas um aparte para justificar a última foto.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia das Lapela que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre  Lapela  no post anterior que lhe dedicámos, fica um link no final para o mesmo.

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Lapela:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

 

 

E quanto a aldeias de Barroso, despedimo-nos até ao próximo domingo, quando teremos aqui a mais uma das suas aldeia, mas do concelho de Boticas.

 

 

 

06
Ago20

A cidade confinada dentro da cidade

Cidade de Chaves

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Hoje vamos dar uma pequena volta pela cidade confinada dentro da cidade.

 

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Vamos dar uma pequena volta pela cidade dos gatos e dos quintais, uma volta por aquela cidade que não se vê desde as ruas e largos por onde cirandamos e debitamos os nossos passos, por uma cidade de intimidades, por uma outra cidade, a verdadeira cidade que existe dentro da cidade.

 

 

 

 

05
Ago20

Matosinhos - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Matosinhos.

 

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Matosinhos, mais uma daquelas aldeias que para a conhecer é preciso ir lá de propósito, isto é, não calha como aldeia de passagem para outras aldeia, embora isto não seja bem verdade, pois calha em passagem para outras aldeias na mesma condição, mas apenas como ligações secundárias, exceção para a aldeia de Fernandinho.

 

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Quanto à sua localização, é uma das aldeias da Serra da Padrela, alí onde começa a surgir já a Serra do Brunheiro, e encontra na encosta que descai para as aldeias de Loivos, uma das aldeias mais próximas a par de Fernandinho, Santa Ovaia e Adães.

 

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Para ir até lá, tem três hipóteses, uma via EM314 até ao Carregal depois tem de fazer o desvio para Adães. Outra é via Loivos, uma autêntica estrada de montanha, a última, interessante mas que não recomendo, é via Seixo, e a não recomendação é porque embora pavimentado, é uma caminho agrícola, onde só pode circular uma viatura, ou seja, se apanhar com um de frente, vai ter problemas, pois dois popós, por mais pequenos que sejam, não se conseguem cruzar, para além disso, ao longo do trajeto há poucos sítios onde possa sair da via para deixar passar o outro. Assim, se não quiser ter problemas, não vá por lá, a não ser que vá a pé… aí, pode ser.

 

Mas hoje estamos aqui pelo vídeo, ao qual passamos de imediato:

 

 

 

E faltam apenas os links para os posts dedicados a Matosinhos ao longo da existência deste blog, pelo menos 10 vezes que já passou por cá:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/matosinhos-chaves-portugal-1652151

https://chaves.blogs.sapo.pt/matosinhos-chaves-portugal-1381032

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E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Moreiras.

 

 

 

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