Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Jun21

Vivências

Banner Vivências - 1024 x 256 (2)

 

 

Bateria, Wi-Fi… e depois o resto…

 

Independentemente da formação académica ou percurso profissional, estou certo que em algum momento da vida todos já lemos ou ouvimos falar da Pirâmide de Maslow. Em termos simplistas, esta pirâmide é uma hierarquização das necessidades humanas em cinco níveis, começando pelas necessidades mais básicas até às necessidades de auto-realização. Temos, assim, de baixo para cima, as necessidades fisiológicas (ar, água, comida…), as necessidades de segurança, as necessidades de amor e relacionamento, as necessidades de estima e, finalmente, as necessidades de realização pessoal. O autor desta teoria, o psicólogo americano Abraam Maslow (1908-1970), defende ainda que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais elevado. E tudo isto faz, obviamente, sentido e aplica-se a todas as pessoas, qualquer que seja o espaço ou a época que consideremos.

 

A verdade, porém, é que vivendo neste tempo das novas tecnologias e do “tudo e todos online e a toda a hora” parece-me que a hierarquização das necessidades segundo Maslow carece de uma atualização. Porquê? Porque observando o comportamento da generalidade dos jovens (e até de muitos adultos) em situações do quotidiano é possível constatar a desorientação (para não dizer verdadeiro pânico, nalguns casos) quando deixam de ter bateria no smartphone ou acesso a uma rede Wi-Fi, como se o mundo pudesse acabar no instante imediatamente a seguir… De repente, a necessidade de ter bateria e manter-se online parece tornar-se ainda mais vital que a própria necessidade de ar, água ou alimento…, pelo que poderíamos criar na Pirâmide de Maslow dois novos níveis - um chamado “bateria” e outro chamado “Wi-Fi” - ambos colocados na base da pirâmide, ainda abaixo das necessidades fisiológicas, como sendo o princípio das necessidades humanas…

 

Haja paciência!

 

Luís Filipe M. Anjos

Leiria, maio de 2021

 

18
Jun21

O Barroso aqui tão perto - São Ane

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

1600-sao-ane (10)

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de SÃO ANE, freguesia de Cabril, concelho de Montalegre.

 

1600-sao-ane (2).jpg

1600-google-2.jpg

 

São Ane é uma das aldeias do Barroso que vive numa das encostas da Serra do Geres, quase em frente à sede de freguesia – Cabril, tendo pelo meio o Rio Cabril, ali mesmo onde começa a alargar o leito para dar origem à barragem de Salamonde e imediatamente antes de se misturar com as águas do Rio Cávado.

 

1600-sao ane (4)

 

Trazemos um pequeno vídeo porque, culpa nossa, tomámos poucas imagens e embora não sirva de desculpa, a razão não for por a aldeia ter falta de motivos, pois embora pequena, há sempre motivos e pormenores interessantes que se podem recolher, o que aconteceu mesmo foi o cansaço de fim de tarde de um dia quente de verão a recolher imagens desde madrugada, cansaço esse que embora parecendo que não, tolhe-nos o olhar e a inspiração.

 

1600-sao-ane (3)

 

No entanto o Barroso, principalmente o dos rios, cascatas, albufeiras e montanhas não está encerrado e será sempre, enquanto cá andarmos, um motivo de inspiração e São Ane calhará outra vez no nosso caminho, a aí faremos justiça nos registos e São Ane voltará por aqui outra vez. Mesmo assim conseguimos um pequeno vídeo, que talvez não faça justiça completa à aldeia, mas faz alguma.

1600-sao ane (1)

1600-sao-ane (8)

 

E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de SÃO ANE que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre  SÃO ANE, a seguir ao vídeo, ficam links para esse post.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de SÃO ANE:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de São Fins.

 

 

16
Jun21

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

1024-antonio granjo

 

António Granjo

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

18

Nota: A GRANDE AVENTURA - (SCENAS DA GUERRA) é um pequeno livro que resultou da participação do ilustre flaviense António Granjo na I Guerra Mundial de 1914-1918, que deixamos aqui em episódios, escritos no português da altura, incluindo erros e gralhas tipográficas.

 

 

Os dois prisioneiros

 

A noticia correu veloz pela primeira linha. Um maqueiro tinha aprisionado dois alemães.

 

Acabado o meu quarto, enfiei pela primeira trincheira de comunicação e corri ao abrigo do comandante, a saber do caso.

 

A' porta do abrigo, no meio dum pequeno grupo, estavam os dois alemães.

 

Era proibido interrogar os prisioneiros. Tinham de ser remetidos imediatamente para o comando do batalhão e daqui para o quarrtel general, onde sofreriam o necessário interrogatório.

 

Mas os dois homens estavam visivelmente a morrer de fome, e por minha conta e risco, valendo-me da consideração que por mim tinha o comandante da companhia, dei-lhes do que havia — pão, queijo, marmelada e café.

 

Um deles falava bem o francês. Tinha sido caixeiro viajante duma casa alemã, em Paris. Disse-me que era brigadas. O outro era um soldado, sua ordenança.

 

Comiam avidamente, pegando no pão com as mãos ambas, engolindo os bocados quasi inteiros, com os olhos dilatados e uma expressão de quasi ferocidade no rosto. Emquanto comiam, o maqueiro ia-me contando como tinha dado com eles, metidos num abrigo abandonado, atraz da Garden Trench. Quando desembocava da Juntion Street tinha sentido um rumor abafado de palavras. Espreitára e vira dois vultos acocorados ao canto, com as cabeças voltadas para a parede. Puxára da pistola e intimára-os a sair. Um deles desenhou ainda um gesto de resistência, mas logo se converteram á realidade e marcharam, de cabeça baixa, deante dele, pela Garden Trench, até ao abrigo, onde os entregara ao comandante.

 

Só então reparei que os dois prisioneiros traziam dois chapéos de lona, a que tinham dado uma forma semelhante aos nossos chapéos metálicos, segurando as copas, por dentro, com duas tiras de lata. Teriam fugido dalgum campo de concentração de prisioneiros, á nossa rectaguarda, e procurariam alcançar os primeiros postos alemães ou teriam vindo fazer o reconhecimento do nosso sector?

 

O brigadas tinha acabado de tomar o café e sorria, agradecendo. Perguntei-lhe o que tinham vindo fazer.

 

Andavam ha seis dias pelo nosso sector. Estavam cheios de fome, de sôno e de sêde. Tinham conseguido fugir dum campo de concentração, perto de Calais, e depois de se livrarem vinte vezes da morte tinham podido, ha uns oito dias, ganhar um posto alemão, em frente das nossas trincheiras. Deram-lhes dois dias para descançar e mandaram-nos logo fazer o reconhecimento do sector.

 

Parecia despreocupado. Cofiava o bigode loiro e inspeccionava a farda cheia de lama. Vendo que lhe tinha caído um botão do dolman, tapou a casa com o braço, como quem esconde uma falta vergonhosa. Erecto, firme, sorridente, parecia encarar o destino com absoluta confiança.

 

A ordenança estendera a cabeça, num movimento que fazia lembrar o duma ave de rapina pousada, perscrutando hostilmente o espaço, e olhava a linha de abrigos das guarnições dos morteiros. Quando o brigadas acabou de falar voltou-se e fez-lhe qualquer pergunta, levantando de repente a cabeça. O brigadas respondeu secamente:

 

Nein !

 

E dirigindo-se para mim, creio que no receio de que eu tivesse percebido a pergunta da ordenança:

 

— Nous somes prisioniers. Nous somes cer[1]tains de la loyauté portugaise...

 

E enterrou os olhos nos meus, interrogativamente. Eu tinha ouvido falar, havia uns dias, do fuzilamento de dois espiões alemães que, tendo fugido dum campo de concentração, haviam voltado ás linhas alemãs e se tinham prestado a fazer o reconhecimento dum sector inglês. Mas não quiz deixar a esses homens, que falavam da lealdade portuguesa, uma falsa ideia sobre a sua situação. Disse-lhes que, conforme as instruções recebidas, seriam mandados ao quartel general, e aí entregues aos ingleses.

 

Os olhos do brigadas tornaram-se primeiro côr de cinza. Nas corneas passou depois uma sombra, emquanto as iris assumiam um fulgor estranho, como dois traços fuforescentes emergindo de duas ondas de treva. Fechou os olhos e desviou a cara. Vi-o trocar um olhar de inteligência com a ordenança. Este encolheu os hombros resignadamente.

 

Só me lembro de ter sentido uma impressão semelhante á que me produziram os olhos desse homem, uma vez que vi morrer dum tétano um meu visinho.

 

Arrependi-me da minha brutalidade. Um soldado entregou-me os jornais. Perguntei ao brigadas se queria ler.

 

—Mais, oui...

 

Os seus olhos tinham readquirido o verde metálico e todo o seu ser aparentava uma esplendida e impressionante serenidade.

 

Pegou no Matin e correu os títulos que encabeçavam os telegramas da guerra. Os franceses e ingleses tinham desencadeado uma ofensiva fulminante no Yzer. Eram enormes as cifras dos prisioneiros e do material apreendido.

 

— Oh! vous serez vaincus!

 

O brigadas pareceu estranhar o tom de sinceridade das minhas palavras. Fitou-me um instante em silencio e entregou-me o jornal sorrindo desdenhosamente. Esse sorriso era alguma coisa de formidável. Afrontava como uma bofetada, vexava como um escarro, indignava como a cinica apologia duma iniquidade. O sorriso desse homem era uma verdadeira arma ofensiva. Revelava um tal orgulho da raça, uma tal certeza do triunfo final, que acendia de raiva o sangue do adversário.

 

Veiu a ordem do comando do batalhão para os dois prisioneiros seguirem imediatamente.

 

Percebendo do que se tratava, perfilaram-se e esperaram o sinal de marcha.

 

— Si vous voulez, du café encore...

 

Agradeceram, emborcaram as ultimas goladas e perfilaram-se novamente.

 

Os olhos do brigadas tornaram a fazer-se da côr da cinza. Pareciam dois carvões apagando-se. A ordenança olhava agora indife[1]rentemente para tudo, repetindo automatica[1]mente os movimentos do brigadas.

 

Partiram, entre dois soldados. Atravessaram a passadeira lançada á guiza de ponte sobre a linha de agua que corria em frente do abrigo e sumiram-se na Lansdowne Street, a trincheira que ia ter ao comando do batalhão.

 

Seriam fuzilados provavelmente no dia seguinte, encostados ao muro de um cemitério ou aos troncos de duas arvores, depois de verificada a identidade e de se averiguar que tinham fugido dum campo de concentração e fornecido indicações das nossas posições ao inimigo.

 

Éramos nós, os portugueses, que os entregávamos á morte, visto que os nossos costumes não nos permitiam fuzilal-os com a serena firmeza com que o faziam os pelotões ingleses.

 

E mais do que o sorriso desdenhoso daquela boca boche, vexou-me a condição de inferioridade em que estávamos em relação ao comando geral. Aqueles prisioneiros eram nossos. Aquelas vidas pertenciam-nos. Nós é que devíamos dispor delas. Sujava-me a alma a ideia de que, não tendo a coragem de os eliminar, tomados de cobardia perante a responsabilidade de matar inimigos inermes, fazíamos o papel de os mandar para o açougue, desviando os olhos.

 

Porque não os fuzilavamos nós? Não mereciam eles a morte?

 

Se porventura esses dois ignobeis espiões tivessem escapado ás vistas dos nossos e conseguissem voltar para as suas trincheiras, com as nossas posições referenciadas, com os nossos abrigos marcados, não seriamos nós todos assassinados friamente pela artilharia alemã? Não era justo que esses homens pagassem essa tentativa de assassinio em massa?

 

Os ingleses tinham razão. A guerra tinha de ser conduzida em obediência á necessidade de vencer. Os espiões não mereciam quartel. Era preciso defender-nos — e essa defeza exigia o sangue desses inimigos que se haviam aproveitado da circuntancia de lhes haverem poupado uma primeira vez a vidà para promoverem a nossa morte e o nosso aniquilamento.

 

A guerra não podia compadecer-se com sentimentalismos de meninas românticas ou com doutrinas doentias de filosofos faceis. Era preciso vencer e todos os obstaculos tinham de ser eliminados implacavelmente. — Pois não era isto?

 

…………………………................................................................................................................................................

 

Sentei-me no banco de sacos de terra que se tinha feito junto da boca do abrigo, encostado á parede. Uma esquadrilha de caça fugia das linhas inimigas perseguida por outra esquadrilha de caça alemã. Um dos nossos aviões foi cercado pelos aviões inimigos, e, para se salvar, fez o loop the looping verticalmente sobre a segunda linha, escapando-se depois rente ás arvores.

 

Todos esses pensamentos de morte e de vingança não seriam, dentro de mim, o resíduo da raiva que me fizera acender nas veias o sorriso desdenhoso do prisioneiro alemão?

 

…………………………................................................................................................................................................

 

Os aviões boches, ao avistarem no horisonte outra esquadrilha inglesa, retiraram sobre as suas linhas e descreviam agora grandes círculos a enormes alturas, como aves de rapina que haviam deixado fugir a presa e desafogavam a cólera indireitando para o céo, numa ameaça, as meninges agressivas.

 

 

(Continua na próxima quarta-feira.)

 

16
Jun21

Crónicas de assim dizer

cabecalho-assim-dizer

 

Imagens

 

A preto e branco, é uma parte da nossa vida! Sempre à procura da cor, como um artista na paleta à procura da certa com que pintar na tela o céu, o seu céu, o mar, o seu mar ou a terra, a sua terra! Umas vezes dilui outras concentra. Mas o que verdadeiramente procura é a luz, alguma luz. De fora para dentro, de dentro para fora… uma fórmula, uma qualquer forma. Esconde uma coisa e exibe outra. Protege uma parte e oferece outra. Defende uma coisa e fragiliza outra. Vive um momento e anseia por outro.

 

Um dia, diz a esperança universal e imortal, no círculo de luz da objectiva, da máquina fotográfica que o Grande Senhor traz ao pescoço, aparecerá o nosso maior sorriso, aquele que vem da alma, do coração, seja de onde for, de dentro. Estarás lá nesse momento, para fazer o clic que o registará para sempre? Sim, a cores! 

 

Mesmo assim, a luz nunca será completa. Se completa, não de todo plena. Vem em rasgos, filtrada por uns quaisquer obstáculos ou objectos que no seu percurso se interpõem. Não sei porque razão lá estão nem quem lá os colocou, sei que estão. São pedaços, pedacinhos, como pérolas de um colar que se vão alinhando, coleccionando na memória. Da pureza do primeiro instante, fica apenas um momento original, depois vai-se fabricando uma história, vai-se fazendo um guião que serve de base à peça de teatro onde várias personagens entram e saem, algumas ficam. Há monólogos, há diálogos, há silêncios, há cenários, há roupagens, há enredos, vozes, pensamentos, sonhos, rostos, sentimentos e emoções. Funcionam como um trampolim, daí partimos. Se mais para perto ou mais para longe, depende da força de impulsão, que por sua vez depende de muitas outras coisas, mas sim, começa e acaba em nós. Primeiro a cores, depois a preto e branco.

 

Vivemos em círculos, acreditando sempre, a cada início, que são espirais com dois sentidos de movimento, que acreditamos sermos nós a determinar-lhe ou a escolher a direcção. A única coisa que podemos ter por certa é que sabemos onde a linha começa, mas não onde ela terminará ou quando!

 

Atravessamos a rua fora da passadeira sem olhar para os lados, passa um comboio a cores e somos atropelados. Acordamos no momento seguinte, brevíssimos instantes depois, num mundo a preto e branco com uma luz que nos cega, agora sem filtro, sem coisas pelo meio, vem directa a nós e queima. Não temos como nos proteger nem com quê. Estamos nus, visceralmente nus. A nossa pele é agora transparente, tudo a atravessa. Estamos, como nunca estivemos, frágeis.

 

É nesta fase que alguém amigo nos aparece com o poema de Torga! E nós, sensibilizados, a gostar dele e a pensar: o “Recomeça” ainda nos faz sentido, mas o “se puderes”… põe-nos a pensar: até podemos, mas será que ainda queremos? Ou é ao contrário, queremos, mas não sabemos se ainda podemos!

 

Há dias em que pegamos na ponta da espiral, que afinal não era um círculo, e vamos desenrolando, puxando o fio, como se fosse possível ele levar-nos ao útero materno de onde saímos! E percebemos, a meio do percurso, que mesmo que lá cheguemos, já não cabemos lá! Eram outros os tempos…

 

Retomamos então o poema no ponto onde atrás ficámos, lemos o resto e diluem-se as angústias e, acreditando no tempo que ainda temos, desaceleramos a marcha e começamos a pensar que deve haver uma qualquer forma de dar a volta ao texto! Sopra então, de dentro de nós, uma voz muito baixinho, quase me atrevo a dizer em surdina, que diz: e se em vez da pedra de Sísifo empurrares uma bola de algodão-doce?

 

Podemos, queremos e, quando assim é, de certeza que conseguimos!

 

 

Cristina Pizarro

 

 

 

15
Jun21

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

Postais Antigos

1024-4-ca (1767) postais.jpg

ontem-hoje

 

Aqui ficam mais dois postais antigos da então Vila de Chaves, a primeira, perfeitamente identificável pois este largo pouco se alterou. Desapareceu o velho olmo cujo abate deu que falar na cidade, ainda no tempo em que não se sabia que os olmos tinham os seus dias contados, pois a espécie, que eu saiba, desapareceu por completo na nossa região, um a um, foram morrendo naturalmente. Quanto ao resto, o Hospital da Misericórdia deixou de ser hospital, encerrando as suas portas em finais dos anos 70 para depois dar lugar a um centro de dia e de terceira idade, os paços do duque sofreram algumas alterações e a Igreja da Misericórdia continua igual ao que sempre foi, uma relíquia, embora aquela escadaria que ainda hoje existe, tivesse sido um acrescento doutros tempos, não muito distantes, pois ainda existe pelo menos um registo com um adro ao nível do pavimento da igreja.

 

1024-3-ca (1766) postais.jpg

 

Quanto a esta última imagem, do Forte de São Neutel, se não fosse pelo forte e pelo espaldão (à esquerda do forte), hoje, ninguém identificaria este local, de tão diferente que está. Aliás esta imagem hoje seria impossível de tomar, de tanto betão que aqui cresceu, desde bairros de habitação económica ou não,, a campos da bola, regimento de infantaria, pavilhão gimnodesportivo, mercado municipal… foi por aqui, também, que a velha cidade começou a sair da moldura da urbe milenar para dar lugar à cidade grande.  

 

 

 

 

14
Jun21

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

 

544 - Pérolas e Diamantes: Política e omeletes

 

A minha avó costumava dizer que gostava das pessoas que eram iguais por dentro e por fora, pois eram dignas de confiança.

 

Independentemente dos sucessos, ou dos insucessos, dos bons ou dos maus desempenhos, e até dos bons ou dos maus princípios, a política é sempre um empreendimento desgastante. O processo da conquista do poder até pode ser estimulante, mas na sua maior parte é um tormento.

 

Todo o processo é muito alienado, pouco digno e, muitas vezes, brutal.

 

E as campanhas não são fáceis: engolir de manhãzinha o pequeno-almoço, entrar no carro, fazer telefonemas, participar em comícios, dar entrevistas à imprensa e às estações noticiosas regionais, encontrar e saudar líderes locais do partido, fazer paragens para ir à casa de banho, entrar de novo no carro, fazer mais telefonemas e angariar mais fundos. Isto várias vezes ao dia, entre sandes frias ou saladas engolidas nalguma paragem acidental.

 

À noite é tempo de ler os memorandos para o dia seguinte, enquanto o dossier escorre das mãos porque a exaustão acaba sempre por vencer.

 

Ora esta não é uma vida de esplendor, mas de monotonia e de desgaste. Pois é necessário todos os dias dizer exatamente a mesma coisa e exatamente da mesma maneira para que o povo leve os candidatos a sério.

 

E há que cumprir, sem grandes falhas, o programa delineado. E os horários.

 

E há que subir ao palco sem que o desconforto transpareça. É preciso mourejar muito para se vencer. E fazer discursos estimulantes, o que não é nada fácil.

 

Os dias são intermináveis e as apresentações particularmente desinteressantes. E é necessário estar sempre a sorrir.

 

Mais do que atulhar a cabeça com factos, o mais importante é ter respostas para os problemas mais prementes.

 

A verdade é que a maioria dos candidatos é muito mais estilo que substância. Muito mais blá, blá, blá, Mário Soares; blá, blá, blá, Sá Carneiro; blá, blá, blá Álvaro Cunhal,  blá, blá, blá, Freitas do Amaral/Paulo Portas, blá, blá, blá, etc.

 

E depois há sempre o teste das sondagens a puxar o candidato para o populismo.

 

A verdade é que o excesso de premeditação também pode matar a esperança de um candidato, seja ele do tipo “igual por dentro e por fora”, como dizia a minha avó, ou não.

 

O candidato que costuma triunfar não é aquele que responde a todas as perguntas, mas o que consegue fazer passar a sua mensagem, expor o seus valores e elencar as sua prioridades.

 

Quando reparamos atentamente nos debates políticos, sobretudo nos eleitorais, as respostas mais eficazes não são as que visam esclarecer, mas antes as que evocam uma emoção ou identificam um inimigo, ou, ainda, as que fazem saber aos eleitores que o candidato, está, e estará sempre, do seu lado. Aconteça o que acontecer.

 

Claro que isso é treta, mas é o que ajuda a ganhar as eleições.

 

Quer gostemos ou não, a maioria das pessoas são mais afetadas pelas emoções do que pelos factos.

 

A arte está em puxar pelo melhor, e não pelo pior, das emoções, apostar na razão e nas políticas sensatas. Não apenas falar verdade, mas atuar em conformidade.

 

Os triunfadores, além das convicções profundas, gostam simplesmente do combate.

 

Em política, a melhor estratégia significa pouco se não existirem recursos para a executar. E é sempre aí que começam os problemas. Com o dinheiro. Como todos sabemos, não há almoços grátis. Nem almoços, nem jantares.

 

Os financiadores são sempre a vantagem durante a campanha eleitoral. E o grande problema quando se atinge o poder. É preciso retribuir continuamente a confiança prestada.

 

Por mais fome que haja de mudança, não se fazem omeletes sem ovos.

 

Claro que o aumento de impostos nunca é uma boa retribuição aos financiadores. Mas existem milhentas maneiras de cozinhar ovos.

 

Claro que existem também as eficazes angariações de fundos populares, mas isso nem para os pines costuma chegar.

 

No entanto, a política tem de continuar. E tem de aprender a ser transparente. E a ouvir realmente as pessoas. E a respeitar e a tratar todos – incluindo os adversários e os seus apoiantes – da maneira como queremos ser tratados.

 

Convém ninguém esquecer que a maioria do nosso povo cumpre horários de trabalho extensos e vivem com salários de subsistência. E que muitos deles vivem, sobretudo os mais jovens, com acessos de solidão e medo.

 

Temos de fazer com que a política seja menos uma luta entre o poder e a oposição e mais a favor da comunidade e da comunicação.

 

 

 João Madureira

13
Jun21

Centenário da chegada do comboio a Chaves

28/08/1921 - 28/08/2021 (100 dias - 100 imagens)

CP0025.jpg

 

Estes comboios deveriam vir aqui todos os dias até ao 28 de agosto, mas nem sempre nos é possível vir por aqui, outros afazeres vão-nos roubando o tempo, e depois, não chega para tudo..., mas para honrar o compromisso, hoje ficam aqui três comboios, o do dia de hoje e o dos dois dias anteriores.

 

CP0026.jpg

 

Comboios e/ou locomotivas que circularam na linha do Corgo.

 

CP0027.jpg

 

Imagens gentilmente cedidas por “Viagens no Tempo” https://viagens-no-tempo.blogs.sapo.pt/  de Humberto Ferreira.

 

 

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      Caro Fernando,Bom dia.Interessantes estas descriçõ...

    • Anónimo

      Grata!!

    • Ikarus Forest

      Para encontrar o castelo têm que subir ao morro, d...

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado pelo seu comentário. Quanto à escola prim...

    • Fer.Ribeiro

      Desde já obrigado pelo seu comentário. Quanto a m...

    FB