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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Fev19

Coisas do meu baú

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Vamos lá às coisas do meu baú. Hoje com mais três imagens, não muito distantes, pois duas são de 2005 e outra de 2004 ( Coreto do Jardim Público). Tudo imagens captadas com a minha primeira máquina digital que teve reforma antecipada por avaria, que tinha um zoom incrível, o único defeito que tinha, aliás transversal a todas as primeira digitais, era a falta de resolução para permitir ampliações, aliás, as fotografias aqui publicadas estão no tamanho original . Chamava-se Fujifilm FinePix 2800 Zoom, e só tenho pena de ter avariado, senão ainda hoje dava umas voltas com ela.

 

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Ficam então três imagens, uma dela do nosso Tio Cândido, ou melhor, do seu busto em bronze que foi roubado do Jardim Público.

 

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As outras duas, uma do Jardim Público antes da última intervenção, onde se gastou um pipa de dinheiro para tudo ficar na mesma ou pra pior e a outra imagem é da Praça da República e Praça do Duque, limpinhas sem popós. Bons tempos. Hoje os popós continuam por lá estacionados a abarrotar a Praça da República, onde penso que continue a ser proibido estacionar, mas como vai sendo um facto adquirido, às tantas a proibição de estacionar já prescreveu.

 

 

 

19
Fev19

Chaves D´Aurora

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  1. ABATE.

 

Com as mãos crispadas, Reis mirou a arma que, sorrateiramente, retirara de uma gaveta da secretária. Segurou firme a velha, mas ainda ativa pistola e viu, não mais do que a um lapso de tempo, o cigano estatelar-se ao chão, ensanguentado. O arrogante inimigo estava a perder, não só essa liberdade e juventude, que tanto queria prolongar, mas o bem mais precioso de todo ser e que, ao desejo de Reis, a Pneumónica deveria ter levado consigo para sempre.

 

Por muitos segundos, o pai de Aurora respirou com dificuldade, quase à apoplexia, enquanto via o seu desafeto agonizar sobre o piso encerado do escritório. Ainda que a cadeia o viesse albergar, Reis sabia que as leis do país, como em quase toda parte no mundo, sempre são maleáveis para quem tem fortuna. Aquele, portanto, era de facto um bom momento para acabar com a maior parte dos seus infortúnios.

 

Empunhou a arma com firmeza, mas, afinal, controlou-se. Ainda que viesse a ser liberto de pronto pela Justiça dos ricos, ainda mais que, àqueles tempos, o ato se atenuava como um crime de honra, Reis pensara, de repente, em sua família. Não estivesse ele, o patriarca, a ser um Édipo, mesmo sem Laio nem Jocasta, a trazer mais e mais desgraças para a Tebas da Grão Pará. Pôs-se então apenas a gritar com fúria – Tu, seu... seu... Cospe-te daqui! Rua, seu canalha, rua! Hás de pagar ainda, algum dia, por tudo o que fizeste! – ao que, estonteado, Hernando correu porta afora. Nem por menos se haveria ali, qualquer minuto mais!

 

Gerente e amigo de Reis, o Mota entrou na sala do escritório, a tempo de socorrê-lo com uma generosa água fresca e açucarada – Pronto, pronto, vê lá se te acalmas! – mas seu chefe foi até à saída lateral e esbravejou – Que vás à pata que te chocou! – ao que o Mota, sem a indiscrição de perguntar quem era o gajo acabado de sair, disse-lhe apenas que, no beco da Travessa do Loureiro, já lá estavam dois tipos muito estranhos a esperar pelo rapaz e os quais, mais céleres do que uma lebre na caçada, seguiram a correr junto com ele, rumo à Ladeira do Trajano.

 

  1. DESPEDIDA DE SOLTEIRO.

 

Às vésperas das bodas de Alfredo, o noivo estivera a gozar com os amigos do Liceu os seus últimos momentos de puto livre. Andar na gandaia, como fazia sempre que pudesse, em um...

(continua)

 

fim-de-post

 

 

18
Fev19

Quem conta um ponto...

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430 - Pérolas e Diamantes: As ervas daninhas

 

Há gente sincera que para não ter de modificar as suas opiniões evita todos os encontros com pessoas que pensam de maneira diferente. Colhem os seus pensamentos em conversa com pessoas que pensam da mesma maneira e em livros escritos por pessoas como elas. É o que se chama em física de ressonância.

 

Tudo começa por convicções sem grande significado, mas que depois se combinam e apoiam umas nas outras até um ponto em que se tornam insuportáveis.

 

Por vezes custa-me respigar no caixote do lixo que é a nossa memória. Mas, como agora se diz, o lixo é para reciclar. Não só o lixo, como a desonestidade, a intriga, a maledicência, a mentira, a cobardia, etc.

 

Pode estar o dia mais bonito, mas na nossa memória chove, cai a noite e fica frio. Depois ficamos em apneia.

 

Já há muito que deixei de representar.

 

Lá está o jardinzinho cheio de ervas daninhas, campainhas, grama e uma macieira morta.

 

No televisor LCD lá está o Casablanca, um dos meus filmes preferidos. E lá dentro o Rick diz a Ilsa: “Please trust me!” E o meu coração enche-se de coragem quando ela, a Ilsa, com aqueles lindos luzeiros marejados de lágrimas, lhe responde: “I will!” Tudo a preto e branco como mandam as leis do bom gosto e da tradição. E também a música: “A Time Goes By”.

 

Está visto e ouvido. Posso voltar a ter esperança no ser humano. Aleluia.

 

Não há nada mais detestável do que aquelas pessoas convencidas que têm razão acerca de tudo.

 

A verdade não é como a comida, não se pode exprimir em calorias. Tal como só há uma vida, também há só uma consciência.

 

Em política, as decisões não podem ser apenas justas, têm de ser também eficazes.

 

A grande maioria dos “fazedores de opinião” que por aí escrevinham são apenas delegados de propaganda política, e quase todos maus, apesar de parecerem razoáveis e impolutos. Pretendem inflamar corações e esclarecer cabeças, mas apenas acirram as paixões, raramente as purificam. Dizem-se arautos da vontade coletiva, mas apenas defendem os seus interesses e os da sua família política, quando não da pessoal.

 

Convidam-nos à valentia, pretendendo a nossa valorosa inatividade.

 

Uma coisa podemos constatar: esta mistura política conjuntural, que nem sequer possui oposição válida, exprime mais emoções do que ideias elaboradas. Daí o seu sucesso. Daí o seu futuro fracasso.

 

Passou-se da sujeição à falta de autoridade. As nossas elites são essencialmente agiotas e roubam o povo tendo como aliado o Estado e os seus súbditos, que por cá se intitulam pomposamente de políticos. O que eles são é capatazes dos banqueiros. Mentem e roubam com a maior desfaçatez, encobrindo-se sobre o manto diáfano do serviço público. O dinheiro é público, disso não restam dúvidas, mas os interesses são apenas privados.

 

Escutem o que vos digo: hoje ninguém tem a coragem, ou a dignidade, de dizer a verdade. Ninguém. Nem o presidente da república, nem o primeiro-ministro, nem o ministro das finanças, nem os deputados, nem o presidente do banco de Portugal. Ninguém. Em política todos mentem. Só que uns mentem menos do que outros. As exceções, a existirem, ficam por vossa conta e risco. Acreditar nos políticos é como acreditar no pai natal.

 

O Estado atual limita-se a expandir a organização técnica e a burocracia.

 

Os novos democratas uma coisa conseguiram: eliminar o respeito pelos prestígios tradicionais. Hoje já não há honra, nem palavra dada. É tudo relativo. Dizem eles.

 

Não resisto a lembrar as palavras de Victor Basch, que se seguiram a uma intervenção de Raymond Aron, um pouco antes da Segunda Guerra Mundial, revestidas de uma tónica patética.

 

“Ouvi-o, Senhor, com um grande interesse; tanto maior quanto não estou de acordo consigo em ponto algum... diria que esse pessimismo não é heroico; diria que para mim, fatalmente, as democracias sempre triunfaram e triunfarão... Há uma regressão hoje em dia, estaremos num vale? Pois bem, subiremos outra vez ao cume. Todavia, para isso é preciso exatamente alimentar a fé democrática e não destruí-la com argumentos tão fortemente e tão eloquentemente desenvolvidos como o senhor fez.”

 

Nem um único dia duvidou da vitória das democracias, nem mesmo quando os milicianos o levaram e à companheira para os assassinarem.

 

Outra mentira deles: a desigualdade não diminuiu em Portugal. O famoso combate à fraude fiscal e ao desperdício é tudo treta, é argumento para enriquecer alguns e fazer pagar ainda mais impostos aos de sempre. Em Portugal continua-se a viver de baixa tecnologia e de baixos salários.

 

Há ainda a ignorância do cidadão comum, que não percebe o que se passa, e a incúria e a irresponsabilidade dos peritos, que, mesmo percebendo, acham melhor para os seus interesses e para os interesses de quem lhes paga, não dizer nada.

 

Enquanto os portugueses respirarem é só andar para a frente.

 

João Madureira

 

 

17
Fev19

O Barroso aqui tão perto - Fiães do Rio

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montalegre (549)

Com o domingo quase a terminar mas ainda a tempo de cumprir a promessa de trazer aqui mais uma aldeia do Barroso, hoje fica Fiães do Rio, com apenas uma imagem, pois Fiães já aqui teve o seu post completo. E o porquê de a trazer aqui hoje Fiães?  A resposta é simples, mas tem estória. Acontece que esta imagem foi tomada há cinco anos, mais precisamente no dia 7 de junho de 2014, às 14H48, e sei isto pelo EXIF[i] da foto e porque a imagem foi tomada num passeio que a Associação de Fotografia Lumbudus fez ao Barroso, e também sei que a imagem foi tomada em andamento,  desde o autocarro que nos transportava e pela hora a que foi tomada iriamos a caminho de Pitões das Júnias. Sabia isto tudo, mas como a minha máquina não tem GPS, não consegui identificar qual a aldeia que tinha fotografado.  Mas não desisti de descobrir e durante estes cinco anos, de vez em quando, lá ia planando com o Google Earth por cima das aldeias que tínhamos passado. A imagem estava entre duas outras imagens, uma da Barragem dos Pisões e outra já de Pitões das Júnias. Daí tinha no trajeto (visível à fotografia)  as aldeias de Brandim, Contim, São Pedro, Sezelhe, Travassos do Rio e Covelães, no entanto nenhuma delas se enquadrava na imagem, principalmente porque na triangulação que fazia da imagem, faltavam-me sempre duas aldeias que aparecem em segundo plano na fotografia. Hoje teimei mais que nas últimas tentativas de descoberta e lembrei-me que o condutor do autocarro poderia não ter feito o trajeto que eu faria se fosse a conduzir, tanto mais que nessa altura não conhecia tão bem o Barroso como hoje conheço e na viagem do autocarro, nesse troço da viagem, fui distraído com a animação do interior do autocarro. Dai estudei um itinerário alternativo que o condutor pudesse ter tomado, e de facto em São Pedro poderia ter optado por ir para Pitões das Júnias via Barragem de Paradela, o que me alargava o leque de aldeias. Assim, a seguir a São Pedro, teria as aldeias de Vilaça, Fiães do Rio, Loivos, Paradela,  Outeiro, Parada de Outeiro, Paredes do Rio, Covelães e Travassos do Rio. E lá fui de novo planando com o Google Earth. Vilaça não era, Fiães do Rio, ora bem se a imagem tivesse sido tirada desde … as aldeias ao fundo poderiam ser… o recorte das montanhas também, e comparando em pormenor a fotografia e o Google Earth tudo encaixava. Não havia dúvidas, a imagem era de Fiães do Rio.  Feliz pela vitória alcançada e porque esta semana passada não tive tempo de preparar o post completo para mais uma aldeia, fica então esta imagem de Fiães do Rio que, por sinal, sempre gostei, desde que a vi.

 

E é tudo, mas se é amante de fotografia e ainda está na fase de aprender umas coisas, não deixe de ler a nota de rodapé, pois ficam lá umas dicas para poder aprender umas coisas.

 

Fica também o link para a abordagem completa anteriormente feita à aldeia de Fiães do Rio:

( https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619)

 

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[i] Para quem não sabe, o EXIF (iniciais de Exchangeable Image File Format) de uma fotografia digital, comummente falando, poderemos dizer que são uma série de informações que ficam registadas no ficheiro da fotografia e que poderão ser vistas através de vários programas, como por exemplo no photoshop ou mesmo em locais onde aloja a fotografia, como no nosso caso acontece no FLICKR. Pois essas informações vão desde a marca da máquina fotográfica e lente que utilizou para a tirar, bem como a velocidade, abertura, iso, etc , data e hora em que foi tirada, software com que foi tratada e data de tratamento, ect.etc.etc, mais uma série de outras informações, ao todo são mais de 100 as informações que ficam registadas, incluindo o local onde foi tomada e o autor da fotografia, mas aqui, apenas se a máquina tiver GPS incorporado e se o autor registou o seu nome na máquina. O EXIF é muito útil para quem gosta de fotografia e quer aprender ou aprofundar conhecimentos sobre fotografia, pois nele estão todas as informações sobre como o fotógrafo regulou a máquina para tomar determinada imagem. Claro que há fotógrafos que não gostam de partilhar essa informação e escondem-na, não permitindo que se veja, mas há sempre formas de lá chegar.  Só para terem uma ideia da informação do EXIF, deixo aqui o EXIF da imagem deste post:

 

Nikon D2X

Nikon AF-S DX Nikkor 18.0-200.0 mm  f/3.5-5.6

  • Abertura ƒ/7.6
  • 18.0 mm
  • Velocidade 1/250
  • ISO 250
  • Flash (desligado, não disparado)
  • Make - NIKON CORPORATION
  • Orientation - Horizontal (normal)
  • X-Resolution - 300 dpi
  • Y-Resolution - 300 dpi
  • Software - Adobe Photoshop CC 2015 (Windows)
  • Date and Time (Modified) - 2019:02:18 00:31:33
  • Artist – Fernando DC Ribeiro
  • Copyright – Fernando DC Ribeiro
  • ISO Speed - 250
  • Exif Version - 0221
  • Date and Time (Original) - 2014:06:07 14:48:10
  • Date and Time (Digitized) - 2014:06:07 14:48:10
  • Exposure Bias - 0 EV
  • Max Aperture Value - 3.5
  • Metering Mode - Spot
  • Light Source - Unknown
  • Sub Sec Time - 37
  • Sub Sec Time Original - 37
  • Sub Sec Time Digitized - 37
  • Color Space - Uncalibrated
  • Sensing Method - One-chip color area
  • File Source - Digital Camera
  • Scene Type - Directly photographed
  • CFAPattern - [Red,Green][Green,Blue]
  • Custom Rendered - Normal
  • Exposure Mode - Auto
  • White Balance - Auto
  • Digital Zoom Ratio - 1
  • Focal Length (35mm format) - 27 mm
  • Scene Capture Type - Standard
  • Gain Control - None
  • Contrast - Normal
  • Saturation - Normal
  • Sharpness - Normal
  • Subject Distance Range - Unknown
  • Lens Info - 18-200mm f/3.5-5.6
  • Lens Model - 18.0-200.0 mm f/3.5-5.6
  • Compression - JPEG (old-style)
  • Thumbnail Offset - 978
  • Thumbnail Length - 5036
  • Coded Character Set - UTF8
  • Application Record Version - 65242
  • Date Created - 2014:06:07
  • Time Created - 14:48:10+00:00
  • IPTCDigest - 0f21698ef38e431377808326400d168f
  • Displayed Units X - inches
  • Displayed Units Y - inches
  • Global Angle - 30
  • Global Altitude - 30
  • Photoshop Thumbnail - (Binary data 5036 bytes, use -b option to extract)
  • Photoshop Quality - 8
  • Photoshop Format - Progressive
  • Progressive Scans - 5 Scans
  • XMPToolkit - Adobe XMP Core 5.6-c067 79.157747, 2015/03/30-23:40:42
  • Creator Tool - Ver.2.00
  • Rating - 0
  • Metadata Date - 2019:02:18 00:31:33Z
  • Lens ID - 139
  • Image Number - 154212
  • Approximate Focus Distance - 7.94
  • Distortion Correction Already Applied - True
  • Lateral Chromatic Aberration Correction Already Applied - True
  • Vignette Correction Already Applied - True
  • Color Mode - RGB
  • ICCProfile Name - Adobe RGB (1998)
  • Document ID - adobe:docid:photoshop:807f9259-3314-11e9-ae4e-b1f09143f087
  • Original Document ID - C579EEB82AF310B3EF6076CC1A9C21D6
  • Instance ID - xmp.iid:528f0a1a-3447-724e-83fe-550e4b3660f2
  • History Action - derived
  • History Parameters - converted from image/x-nikon-nef to image/tiff
  • History Instance ID - xmp.iid:e072b6dc-d020-dd41-a7b8-3fcbaaea65f9
  • History When - 2019:02:18 00:11:49Z
  • History Software Agent - Adobe Photoshop Camera Raw 11.0 (Windows)
  • History Changed - /
  • Derived From Instance ID - xmp.iid:213c266e-df5b-c94e-b8fa-dfa0307c01de
  • Derived From Document ID - xmp.did:64cbe2d0-c5fe-9542-ac15-5c917ec2be6e
  • Derived From Original Document ID - C579EEB82AF310B3EF6076CC1A9C21D6
  • Format - image/jpeg
  • DCTEncode Version - 100
  • APP14 Flags0 - (none)
  • APP14 Flags1 - (none)
  • Color Transform - YCbCr
  • Camera ID - 82
  • Camera Type - Digital SLR  

 

16
Fev19

São Julião de Montenegro e 3+1 Kmºs Zero de Chaves

1600-s-juliao (285)

 

Embora iniciemos o post com duas fotografias de neve, a verdade é que esta neve já não é de hoje e há muito que derreteu, aliás, depois desta nevada, já caíram outras. Para sermos precisos, esta nevada caiu em 25 de janeiro de 2009. Mas não ficamos só por aqui, pois se a foto com neve nos leva ao engano, a própria placa de entrada no concelho de Chaves também é enganadora, mas sem nos enganar. Na realidade esta placa está à entrada do concelho de Chaves, localizada  antes de chegarmos à aldeia de São Julião, deixando para trás o concelho de Valpaços, só que antes de aqui chegámos já tínhamos entrado no concelho de Chaves e passado por Limãos, deixado o concelho de Valpaços para trás, só que logo a seguir a Limãos, entramos novamente no concelho de Valpaços (Barracão), deixando o concelho de Chaves para trás, ainda antes de entrámos nele. Confuso, mas é assim mesmo, ou seja, saímos do concelho de Valpaços e entramos no concelho de Chaves, logo a seguir saímos deste e entramos novamente no de Valpaços para logo a seguir sair dele e entrar novamente no de Chaves… é melhor ficar por aqui, mas a realidade é mesmo assim.

 

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Quanto a esta segunda imagem, do mesmo dia da anterior, também é enganadora, mas só quanto à neve, pois quanto às placas, o STOP é mesmo para parar antes de entrar na estrada principal, placa que nos tapa um pouco a outra placa, tirando a santidade a São Julião de Montenegro, a nossa aldeia de hoje.

 

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A título de curiosidade, São Julião é um dos 10 santos (talvez 12) aos quais concelho de Chaves   recorre para ser topónimo das suas aldeias, a saber: Santiago do Monte; Santo Estêvão; São Caetano; São Cornélio; São Domingos; São Gonçalo da Ribeira; São Julião, São Lourenço; São Pedro de Agostém e São Vicente. Disse talvez 12 porque Sanjurge e Sanfins da Castanheira, também podem ter na sua origem um Santo, no primeiro caso o São Jurge, pois este topónimo existe por exemplo em Ranhados no concelho da Mêda, e no segundo caso o São Pedro Fins, este sim, é assumido com estando na origem de outras localidades portuguesas que hoje têm como topónimo Sanfins.

 

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Tal como tenho vindo a afirmar todos os sábados, esta nova abordagem às nossas aldeias do concelho de Chaves, tem sido feita por ordem alfabética, no entanto como no nosso arquivo em alguns casos abreviámos o Santo para Stº e o São para S. fomos levados ao engano, por exemplo na ordem em que Stº Estêvão apareceu e,  trouxemos primeiro os topónimos Santos quando deveriam ter trazido as Santas (Santa Bárbara, Santa Cruz, Santa Cruz da Castanheira,  Santa Leocádia, Santa Marinha e Santa Ovaia). As nossas desculpas às Santas, mas fica prometido que a seguir ao último Santo, o São Vicente, vamos às Santas, para continuar na santidade dos topónimos flavienses, que ao todo (Santas e Santos) são 18, talvez 20.

 

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Deixando as curiosidades de parte, entremos então na Aldeia de São Julião de Montenegro que até à última reforma administrativas das freguesias, foi também sede de Freguesia, hoje integradas na grande/extensa freguesia da União de Freguesias das Eiras, São Julião de Montenegro e Cela. Atrás disse grande/extensa porque agora o território desta freguesia estende-se desde o Concelho de Valpaços até ao Vale de Chaves (Eiras).

 

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Quanto à localização de São Julião de Montenegro, para trás, neste post, já fomos adiantando onde fica, mas para sermos mais precisos, a aldeia fica junta à EN 213 (Chaves-Vila Flor), no troço entre São Lourenço e o Barracão (Valpaços).

 

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Os 3+1 Kms Zero de Chaves

A título de curiosidade, pois hoje parece que além de ser um post dedicado a São Julião o é também às curiosidades. Então agora que o Km zero da EN2 está tão na moda, temos também que realçar que esta Estrada Nacional  que serve São Julião, tem também o seu Km Zero em Chaves, mais precisamente na Rotunda do Raio X. Trata-se da EN213 que tem início no Raio X em Chaves e termina em Vila Flor. Ora aqui surge outra curiosidade e outro Km zero, o da Antiga EN314, hoje R314 que também tem o seu KM zero em Chaves, naquela rotunda que não é rotunda (outra curiosidade flaviense) a apenas 200 do KM zero da EN213. Curiosamente esta R314 que tem o seu Km zero em Chaves a 200 metros do Km zero da EN213, termina precisamente em Vila Flor, no preciso cruzamento onde termina a EN213. Ainda outra curiosidade menos curiosa é a dos 3 Km’s zeros destas 3 estradas nacionais se encontrarem dentro de um circulo com 300 m de raio, quase juntos e a EN213 nasce na EN2 e a R314 nasce na EN213, ou seja, rodoviariamente falando, isto só prova que Portugal nasce em Chaves, estatuto que lhe é conferido pela EN2 que atravessa Portugal de Norte a Sul. Por último, referia no título o 3+1 Kms Zero de Chaves, pois além dos três já referido ainda temos outro, o Km zero da EN103-5, que começa no Lameirão e terminava na Fronteira de Vila Verde da Raia, hoje, outra curiosidade, termina na Galiza.

 

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Voltemos a São Julião a uma razão que seja para ser de visita obrigatória. Pois tem mais que uma razão para ser de visita obrigatória, mas há uma muito forte, a da sua Igreja, pois é uma que está nos roteiros obrigatórios das Igrejas Românicas.

 

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Num post anterior deste blog dedicado a São Julião dizia eu a respeito desta igreja:

“A igreja matriz de São Julião de Montenegro é um templo de traça românica onde ainda persistem muitos dos elementos arquitectónicos originais. Só a fachada principal, com uma orientação a Oeste, é que se encontra completamente descaracterizada por obras de restauro mais recentes, aliás obras a que tem estado mais ou menos sujeita ao longo dos tempos e ligadas a estragos causados por causas naturais, como o terramoto de 1755 (segundo alguns documentos) ou mais recentemente, atribuídas a um ciclone do início do século passado que muitas vezes é referido pela população mais idosa, ou mais recentes ainda, nos anos 80, por iniciativa do então padre da freguesia. Obras mais ou menos felizes que lá foram mantendo a cachorarrada  que testemunha a sua origem românica, bem como uma pequena porta que se rasga na parede norte do edifico e que curiosamente podemos ver repetida em desenho na Igreja de Moreiras, desenho onde se encontra reproduzida a famosa cruz usada pela Ordem dos Templários que neste caso seria já da Comenda da Ordem de Cristo, à qual pertenceu S.Julião.”

 

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A Igreja de São Julião de Montenegro está classificada como MIP - Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 740-EH/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012.

Saliente-se que esta portaria veio repor o estatuto de interesse público que a Igreja de São Julião já tinha possuído e que indevidamente lhe tinha sido retirado em 2010.

 

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Na nota Histórico-Artística que consta na ficha da Direção-Geral do Património Cultural, a respeito da igreja de São Julião, pode ler-se o seguinte:

Povoado desde a Pré-história, como atestam as necrópoles, os testemunhos de arte rupestre, os povoados fortificados de altura (castros) da Idade do Ferro e as construções do período romano (calçada, ponte, barragem e villa) identificados até ao momento, numa comprovação da diversidade e da excelência dos recursos cinegéticos que dispunha às comunidades humanas que o percorriam e nele se fixavam, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Chaves confina, a Norte, com a Galiza, constituindo um dos seis municípios do 'Alto Tâmega'. 

 

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E continua:


De entre a multiplicidade de construções erguidas ao longo dos tempos faz parte a "Igreja Paroquial de São Julião de Montenegro", originalmente construída, ao que se supõe - pela análise da estrutura e das pinturas a fresco existentes na parede interior - , ainda no século XIII, inscrevendo-se, por conseguinte, na arquitectura românica da região, até que, em meados de oitocentos, a fachada principal adquiriu nova feição, destituindo-a da primitiva estrutura. 
Constituindo um dos templos melhor conservados de todo o termo administrativo de Chaves, a igreja preserva, no entanto, a maior parte do estaleiro românico. 

 

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E remata assim:


Composto de nave única (pavimentada com lajes graníticas), cabeceira e sacristia (adossada) de planta rectangular, o templo alberga capela-mor separada do restante corpo por arco quebrado com banda externa de enxaquetado apoiado em meias-colunas com capitéis decorados com motivos zoomórficos, ostentando pinturas a fresco nos dois lados da parede. A capela acolhe grande retábulo de talha dourada profusamente decorado - com tribuna escalonada e sacrário - contendo imagem de Sto. António, sendo, ainda, de destacar, a presença, no interior, de arcossólio na parede Sul com tampa sepulcral com cruz de Cristo. 
Acede-se à nave através de portal rectangular sobrepujado por óculo, ambos rasgados no alçado principal encimado por campanário de dupla ventana coroado com dois pináculos laterais e cruz central. No exterior, merecem especial destaque, a par de duas pias baptismais, talhadas em granito, as fachadas laterais Sul e Norte com cachorrada lavrada com elementos zoomórficos, antropomórficos ou com decoração em rolos e cornija em laços e/ou bolas. 
[AMartins]

 

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Penso que quanto à igreja, deixo documentação suficiente para justificar  a visita obrigatória a a São Julião de Montenegro, mas há mais, pois a aldeia, embora com algumas construções mais recentes que não se enquadram dentro do nosso gosto particular, mantém as suas características como aldeia típica transmontana, principalmente ao longo da rua principal que se inicia na rua da escola e termina no largo da Igreja, bem como ao redor desta, área hoje protegida que no entanto não corrige erros do passado.

 

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No largo da entrada da aldeia, onde se encontra a escola, existe o cruzeiro da aldeia com a sua escadaria elevada em relação ao pavimento do largo, o que lhe confere um ar mais interessante e alguma imponência.

 

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Existe também, numa rua transversal a rua da igreja que liga aos campos de cultivo da aldeia, uma fonte de mergulho que na altura do levantamento fotográfico me indicaram como sendo muito antiga. É notória uma intervenção mais recente em que o arco originalmente aberto e que dava acesso à fonte, foi tapado com blocos de cimento nos quais colocaram uma porta de ferro, retirando-lhe algum interesse. Penso que na altura me falaram também em certas estórias ou lendas ligadas à fonte, mas não o posso afirmar com certeza.

 

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Pela certa que haverá outros motivos de interesse que agora já não recordo, pois também São Julião foi uma das primeiras aldeias a fazer o levantamento fotográfico, isto já lá vão pelo menos 10 anos. Fui por lá mais recentemente mas com a missão mais nobre de acompanhar um amigo à sua última morada onde coincidiu despedir-me de outro pela última vez, um momento em nada apropriado quer para recolha de novas imagens ou para procurar motivos de interesse.

 

E é tudo!

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Consultas em: http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71282 em 16-02-2019

 

 

15
Fev19

Alminhas e Cruzeiros

1-cabecalho

1700-seara-velha (674)

Pormenor das alminhas em Seara Velha - Chaves

 

Tal como prometido, cá estamos com mais alminhas, e hoje também cruzeiros.

 

1700-sanfins (1)

Cruzeiro e alminhas em Sanfins da Castanheira - Chaves

 

Alminhas e cruzeiros que às vezes aparecem no mesmo cruzamento de caminhos, tal como acontece num cruzamento da aldeia de Sanfins da Castanheira, em Chaves.

 

1700-seara-velha (673)

Cruzeiro e alminhas, numa única peça, em Seara Velha - Chaves

 

Ou então, mais raro, na mesma construção, ou seja, cruzeiro e alminhas juntos, como é o caso desta última imagem num cruzamento de Seara Velha, também no concelho de Chaves.

 

 

15
Fev19

O Factor humano

1600-cab-mcunha-pite

I

         “Espera por mim” disse o espelho quando ele se afastava: “esconde-te aqui” e espelhou com ternura uma luz de águas.

         Teve vontade de ficar, mas a memória do que viria a passar-se lembrou-lhe a sua obrigação.

         Apagou a luz, fechou a porta e caminhou lentamente pela sombra do caminho, naquela tarde de verão do ano de 197…

         Durante muitos anos não voltará àquela cabana, àquela aldeia, àquela serra. Mas nunca esqueceu.

 

1600-XXIV-encontro (300)

II

         Com altos e baixos, o caudal das ribeiras no verão ia-se reduzindo e as trutas começavam a escassear. F, que tinha optado por se deixar prender pela luz das águas, assistia a tudo e foi-se enrugando como os troncos dos amieiros. Nunca se arrependeu e sempre esperou que os outros voltassem, antes de que a ribeira, que já fora de todos, secasse de vez.

         Guardava as cartas com que todos tinham jogado, junto com alguns papeis onde se tinham registado vitórias e derrotas, com bandeiras e pontos de exclamação.

         Durante os primeiros anos manteve também duas garrafas de vinho generoso, muito antigo, mas não tinha resistido nos momentos de maior nostalgia. Desculpava-se dizendo que as tinha bebido a pensar neles…

 

Manuel Cunha (pité)

14
Fev19

Cidade de Chaves, uma imagem e algo mais...

1600-12922

 

Já farto do Inverno, fui à procura de uma imagem com sol, cor e vida. Encontrei esta que vos deixo. Não sei como cada um de vós, que estais para além deste ecrã que tenho à frente, vê e lê estas imagens. Da minha parte, quando seleciono uma foto para trazer aqui, há um clique inicial que me incentiva à escolha, só depois passo aos retoques, e enquanto os faço, vou vendo a imagem, alguns pormenores que à primeira vista nos escapam, e só depois passo à sua leitura, ou seja, aparentemente entro em modo de pasmaceira a olhar para ela em silêncio, mas a cabecinha não para de reflexionar sobre o que os olhos vão vendo. Na imagem de hoje, por exemplo, a reflexão caiu sobre em como o edifício dos antigos Bombeiros se transformaram em Biblioteca Municipal e sobre o Forte de São Francisco, como de uma unidade militar passou ao ensino, depois ao abandono, depois à sua ocupação por desalojados e finalmente a sua recuperação para uma unidade hoteleira, e chego à conclusão que em ambos os casos, a reciclagem foi feliz, exemplar até. Mas a minha cabecinha e reflexão acabou por aproveitar o portão do Liceu aberto, para entrar nele e perder-se nas salas e corredores, tal como quando andei nele perdido quando o frequentei, com um sistema de ensino que valoriza o marranço e decoranço,  sem deles tirar grandes ensinamentos, mas que dão médias altas para poder ingressar no ensino superior, num curso em que, na maioria das vezes, os jovens desconhecem, não gostam e nem têm vocação para ele. Enquanto, no entretanto, na mesma escola, alunos menos dedicados ao marranço e decoranço, que também se dedicam a outras atividades extracurriculares, são desvalorizados e penalizados por essas ações e eventos em que participam e organizam, quer na escola quer na sociedade, onde aprendem informalmente a desenrascar-se, a ganhar outras competências e a levar a bom porto as suas tarefas e objetivos, acabando muitas das vezes marginalizados e mesmo rejeitados pelo ensino formal e professores formais, sendo, em casos extremos,  dados como “casos perdidos”. Claro que não há regra sem exceção, e também há bons professores, poucos, que além de ensinarem, partilham conhecimentos e despertam, valorizam e incentivam os alunos a explorar as suas aptidões, conciliando-as com o ensino formal, abrindo-lhes outos horizontes e caminhos e percorrer. Mas claro que nestas coisas da escola, atualmente, o sistema e a maioria dos paizinhos, cada vez mais incutem nos filhos o espirito da concorrência e do egoísmo,  para os filhos atingirem um futuro pensado por eles (pais), que dê dinheiro e posição, pouco interessando a vocação e a felicidade de uma vida, e já nem quero falar em profissionalismo ou falta dele que hão de ter. E fico-me por aqui. Até amanhã!

 

 

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