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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Out22

Quem conta um ponto...

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607 - Pérolas e Diamantes: A poderosa linguagem humana

 

A linguagem humana é espantosa. Através da ligação de um número limitado de sons e gestos conseguimos produzir uma infinidade de palavras e frases com significados diferentes. Podemos armazenar, conceber e comunicar um incrível manancial de informação sobre tudo o que nos rodeia e também sobre o amor e sobre física quântica. A nossa linguagem evoluiu para nos abrir a possibilidade de tagarelar, de trocar ideias, de trocar informações. Com a linguagem humana sabemos quem nos odeia, quem gosta de nós, quem é honesto e quem é ladrão. Mas o mais interessante de tudo é que a linguagem do Homo Sapiens, mais do que transmitir informação sobre polícias e ladrões, tem a capacidade de transmitir informação sobre coisas que não existem de todo. Apenas ele, entre todos os animais, consegue falar sobre entidades que nunca viu, tocou ou cheirou. Só ele consegue escrever poesia e criar Deus. Foi com a denominada Revolução Cognitiva que começaram a surgir as lendas, os mitos, os deuses e as religiões. A capacidade de os sapiens falarem sobre coisas ficcionais é o aspeto mais singular da sua linguagem.

 

Quando, entre os nossos primos chimpanzés, dois machos disputam a posição de alfa, fazem-no formando diferentes coligações de apoiantes machos e fêmeas. Os laços entre os membros dessa coligação baseiam-se em contactos íntimos diários: abraços, beijos, festas, cuidados de limpeza e mútuos favores. Tal como os políticos que conhecemos em campanha eleitoral, eles andam de um lado para o outro a apertar mãos e a beijar bebés. E a tagarelar.

 

Afinal, isto já vem de longe.

 

No rescaldo da Revolução Cognitiva, segundo Yuval Noah Harari, foi a tagarelice que ajudou o Homo Sapiens a formar bandos maiores e mais estáveis. Mas, ao que dizem, até a coscuvilhice tem os seus limites. Estudos sociológicos referem que a maior parte das pessoas não consegue conhecer intimamente nem falar eficazmente sobre mais de 150 seres humanos. Então como é que o Homo Sapiens conseguiu ultrapassar esse limiar crítico formando aldeias, vilas e cidades de milhares de habitantes e mesmo impérios?

 

Parece que o segredo reside no surgimento da ficção. Ou seja, como todos agora sabemos, um grande número de estranhos consegue cooperar com êxito graças à crença em mitos comuns. Esses mitos fazem parte da memória coletiva das pessoas. As igrejas estão enraizadas em mitos comuns. Os estados estão enraizados em mitos comuns. Os sistemas judiciais estão enraizados em mitos comuns. Mas nada destas coisas existe fora das histórias que as pessoas inventaram e contam entre si.

 

Está tudo centrado no ato de contar histórias e de convencer as pessoas a acreditar nelas. Contar histórias eficazes não é para todos. A principal dificuldade não reside na narração propriamente dita, mas na capacidade em levar as pessoas a acreditarem na ficção. Mas quando consegue tal feito, esse sapiens adquire um enorme poder, pois permite que milhões de estranhos cooperem e trabalhem em prol de objetivos comuns.

 

Foi dessa forma que se criaram as religiões, as nações e as empresas.

 

Ao longo da história da Humanidade, as pessoas teceram uma incrível rede de histórias complexas. Essas ficções acumularam um poder imenso. Nos círculos académicos, os estudiosos denominam-nas como “ficções”, “constructos sociais” ou “realidades imaginadas”.

 

Uma realidade imaginada não é uma mentira. Claro que existem as mentiras. Mas não há nada de especial em relação a elas. Até os cercopitecos e os chimpanzés conseguem mentir. Já foi registada a mentira de um cercopiteco a gritar, em linguagem própria, “Cuidado! Um leão.”, sem que por perto estivesse qualquer animal dessa espécie. No entanto, esse sinal de alarme assustou outro macaco que, curiosamente, tinha acabado de encontrar uma banana, fazendo com que o mentiroso ficasse sozinho para se apoderar do prémio.

 

Ao contrário da mentira, a realidade imaginada é algo em que todos acreditam, ou dizem que acreditam. E enquanto existir essa crença coletiva, a realidade imaginada exerce força sobre o mundo.

 

Desde a Revolução Cognitiva, o sapiens tem vivido uma realidade dual. Por um lado, a realidade objetiva dos rios, das árvores, do lince da Malcata e do burro Mirandês. E por outro, a realidade imaginada dos deuses, das nações e das empresas. Mas à medida que o tempo vai passando, é a realidade imaginada que se torna cada vez mais poderosa, ao ponto de ser ela quem atualmente permite que a própria sobrevivência dos rios, das árvores, do lince da Malcata e do burro Mirandês dependa da boa vontade de entidades imaginárias como deuses, nações e empresas.

 

João Madureira

 

 

02
Out22

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Um trecho da vila

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Aos domingos vem sendo hábito neste blog dar uma volta, nem que seja virtual ou em imagens, por localidades que nos são próximas. Temos andado pelo Barroso e embora já tivéssemos trazido aqui umas dezenas de aldeias barrosãs, entre as quais todas as aldeias do concelho de Montalegre e quase a totalidade de Boticas, e ainda nos falta abordar tantinhas do concelho de Vieira do Minho e de Ribeira de Pena que também fazem parte do território barrosão, mas para hoje tínhamos prometido trazer aqui mais uma aldeia de Boticas, a Granja, que é uma das três aldeias de Boticas que nos falta abordar, mas não tivemos tempo de selecionar e preparar as imagens e reunir a documentação sobre a aldeia, acontece que também há vida para lá deste blog e às vezes termos outros afazeres urgentes e inadiáveis que ocupam o nosso tempo, no entanto arranja-se sempre algum para uma imagem deste Barroso que nos fica aqui tão perto e que bem merece um passeio, nem que seja feito num pulinho até Montalegre, por exemplo, onde não faltam motivos interessantes, como alguns que hoje ficam em imagem, com a igreja da misericórdia em primeiro plano e o castelo lá ao fundo, onde ao lado poderá apreciar outra igreja bem interessante e lançar vistas privilegiadas sobre o Larouco. Se hoje não tem nada que fazer hoje à tarde e lhe apetece dar um passeio, pode ir até lá, principalmente se ainda não conhecer. Verá que não se vai arrepender.

 

Resto de um bom domingo e até amanhã, de regresso à cidade.

01
Out22

Alminhas, nichos, cruzeiros e afins... Cela

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Cela - Chaves

 

Nestas andanças de procurar, divulgar e inventariar elementos de arquitetura e outros símbolos de cariz religioso no concelho de Chaves, hoje vamos até a aldeia de Cela.

 

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Nesta aldeia, e sempre ao longo da estrada e rua principal, podemos encontrar uma igreja, um cruzeiro descoberto, um cruzeiro coberto e uma inscrição de uma data e cruz numa fonte de mergulho.

 

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Como já tivemos oportunidade de o dizer aqui algumas vezes, na abordagem desta temática temo-nos valido das imagens que temos em arquivo de levantamentos fotográficos de algumas voltas que demos pelas nossas aldeias ao longo dos anos de existência deste blog, pelo que algumas das imagens ou motivos que aqui trazemos poderão não corresponder à imagem atual, e repetimos este facto, porque hoje deixamos aqui uma imagem, a do cruzeiro coberto, que temos conhecimento que recentemente recebeu uma cobertura de um telhado de quatro águas revestido com telha cerâmica, que ainda não tivemos oportunidade de fotografar, pelo que fica uma imagem já com alguns anos, mais precisamente de novembro de 2007, mas prometemos que logo que tivermos a imagem atual, também a deixaremos por aqui, bem como outros motivos que nos tivessem escapado nas passagens anterior pela Cela.

 

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Ficam então algumas imagens dos motivos que atrás enunciamos e também o nosso mapa de localização/inventário devidamente atualizado, embora ainda com a falta de muitos motivos que ainda não foram aqui abordados, mas lá iremos…

 

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Resto de um bom fim-de-semana.

 

 

30
Set22

Cidade de Chaves - Um olhar

Igreja da Madalena - Pormenor

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Hoje ficamos com mais um belíssimo exemplar dos mestres de cantaria, mas também de serralharia, em segundo plano no catavento. Obas mestras, principalmente as primeiras, que infelizmente só a uma certa distância se poderão apreciar, por cima dos telhados do casario, mesmo assim, sem os pormenores que uma teleobjetiva pode captar. Trata-se do coroamento da igreja da Madalena, que poderá ser visto assim desde a o terreiro da Madalena.

 

 

28
Set22

Chaves a P&B

Pormenor de uma casa quarteirão

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Uma casa quarteirão, com frente para a Praça da República, para a rua Direita, para a Travessa das Caldas e para a rua de Stª Maria, que já passou por melhores dias, hoje maioritariamente abandonada, apenas o primeiro piso ainda tem alguma vida com alguns comércios e escritórios. Vamos esperar para ver se entra nesta onda de reconstrução do centro histórico...

 

27
Set22

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

Postais antigos a cores

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Mais um postal a cores, este, pelo que se pode ver e ainda não ver, leva-me a crer que seja dos inícios dos anos 70 do século passado, isto a julgar pela ainda existência do parque de campismo de S.Roque, pelo antigo mercado e lá mais ao fundo pelo jardim do Tabolado aparentemente ainda na sua versão original.

 

 

26
Set22

Quem conta um ponto...

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606 - Pérolas e Diamantes: O burro nas couves

 

Neste mundo, os que se aventuram nas areias movediças da política, treinam-se sempre para ganhar. Não para competir. A sua genialidade é medíocre. Afeiçoam-se a isso, treinam a pose e o hábito da felicidade. Treinam a alma para as mentiras. Tentam evitar a euforia e o impulso vingativo, face aos rivais. Desviam a agressão para ganhar tempo. Quando fazem o juramento dizem sentir um impulso profundo para viver na virtude e no bem. As suas rebeliões de juventude esconderam sempre as incertezas. A estrada cansa. E os reflexos vão enfraquecendo. O amor pela verdade, quando se mastiga, tem sempre um travo azedo. A coerência não come com eles à mesa. Estas estrelas têm fraca intensidade. Quando querem proteger os milhais, levantam poeira e atiram pedras para longe. Normalmente, os pardais fogem por causa das sombras e do barulho. Depressa envelhecem expiando as suas cobardias. A confiança já não é o que era. A cintilação destes novos timoneiros é breve. Os militantes e simpatizantes, depois das campanhas eleitorais, só estorvam. Há sempre modos de fazer as coisas. A política está cheia de profissionais cínicos que não sabem fazer outra coisa. É tão bonito observar os gestos elegantes do nosso chanceler, o seu ar de George Clooney, e a sua condescendência estudada com que acompanha a mais simples das afirmações. Ele não sabe tudo, mas parece. Ele não diz tudo, mas parece. Que lindo o seu excesso de eficiência, a sua postura. É pena viver no interior, na periferia dos centros de poder e de decisão, senão outro galo cantaria. É tão difícil encontrar nos dias de hoje homens que entendam realmente os problemas mais técnicos da política! Os políticos persistentes discutem coisas sérias. E quando nos aborrecem não o fazem de propósito. A política, sobretudo a autárquica, é feita na base da rotina. E todo o homem, ou mulher, rotineiro desaprova os empreendimentos arrojados. Mas uma coisa confesso, dá gosto vê-los de óculos estilosos, traje à maneira, gravatas e outros acessórios dispensáveis, sorrisos engomados, modos compostos, iphones requintados e ar de padres a rezar a missa pascal. Alguns até esboçam um certo ar de arrependimento, mas é sol de pouca dura. A necessidade dos votos abre sempre a brecha por onde entra o fingimento. Mas nós tudo perdoamos. Faz parte da nossa maneira de ser. E de estar. Eles, que são mais novos do que nós, tratam-nos como se fôssemos seus filhos. E nós a fingir que não vemos os seus gestos nem ouvimos as suas palavras para não sermos indelicados. É melhor assim. Se estes se vão embora vêm outros ainda piores. E o respeitinho é sempre bonito. Vamos ter de os levar a sério. Também a estes porque os que vierem a seguir ainda vão ser piores. Então, mais respeitinho, pela bandeira nacional, pela bandeira do município, pelo presidente da República, pelo presidente da Câmara, pelos senhores ministros, pelos senhores vereadores e por tudo o que de bom acontece à nossa volta. Mesmo o que é mau e nos afeta a vida foi feito com a melhor das intenções. E por isso mesmo vamos fingir consideração, acatamento e deferência. Mas a verdade é que o respeitinho que nos exigem, e recomendam, também se vai esgotando. O certo é que pelo meio desta banalidade democrática feita de meias-verdades e meias-mentiras, cresce o tédio. Eles dizem o óbvio e nós temos paciência. Eles armam-se em heróis e nós temos paciência. Ter paciência é uma virtude. Os da nossa terra bem queriam ver a tão apregoada audácia, a tal determinação pessoal, o tal sentido de risco e o gosto de realizar, mas só nos sai inércia, distribuição seletiva de panelas de pressão e protecionismo. E ainda mais inércia. Nós, os ingénuos, até acreditámos que o relacionamento entre o poder político e económico, tinha abandonado a mancebia. Mas parece que nos enganámos, de novo. Claro que esta perspetiva também pode ser fruto da distorção provocada pela minha miopia que desfoca tudo o que está por perto. Eu até vejo bem ao longe, mas isso de pouco me serve. A verdade é que os homens e as mulheres até podem ser excelentes, mas os destinos são medíocres. E daí não saímos. Só agora compreendi o que um velho amigo meu me disse vai para uns dias: “Temos de novo o burro nas couves.”

 

João Madureira

 

 

25
Set22

O Barroso aqui tão perto - Eiró

Aldeias do Concelho de Boticas

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Eiró - Boticas

 

Iniciamos hoje a abordagem da última freguesia de Boticas, a freguesia de Boticas/Granja composta pela Vila de Boticas e sede de concelho, e as aldeias de Eiró, Granja, Sangunhedo e Ventuzelos.

 

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Seguindo a metodologia que temos utilizado até aqui, ou seja fazer a abordagem das povoações pela ordem alfabética, hoje deveríamos abordar a Vila de Boticas, no entanto vamos passar à frente e seguimos para a que se perfila em segundo lugar, Eiró, isto porque para as sedes de concelho teremos uma abordagem final quando terminarmos a abordagem de todas as aldeias do Barroso, mas para isso ainda falta abordar a presente freguesia e uma freguesia do concelho de Ribeira de Pena e outra de Vieira do Minho.

 

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Ora vamos lá até Eiró, a qual, para a trazemos aqui tivemos que pedir ajuda a um amigo e colaborador do nosso blog, natural de Boticas, o Luís de Boticas, sem a colaboração do qual não teríamos este post, bem como o que iremos dedicar a Sangunhedo, tudo porque após algumas tentativas de identificarmos o povoado de Eiró e Sanguinhedo, não conseguimos perceber onde terminava a Vila de Boticas e onde se iniciavam estas duas povoações, e vamos ser sinceros, estivemos até para as ignorar, ou melhor, apenas mencionar a sua existência no post que irá ser dedicado a Boticas, o que, como veremos à frente, seria de uma grande injustiça.

 

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Aparentemente e na realidade atual também assim acontece, estas duas povoações foram absorvidas pelo crescimento da Vila de Boticas, sendo hoje um só aglomerado, isto a nível físico, pois ambas as povoações ainda mantêm um bocadinho da sua identidade inicial, principalmente a aldeia de Eiró, o problema estava mesmo em saber onde começava e terminava cada uma delas, mas tudo deveria ser ao contrário.

 

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Então é assim, no diz que diz do dizem que…, já tinha ouvido dizer que a existência do Eiró era muito anterior a Boticas, mas uma coisa é o que se diz e outra, é haver documentos para a confirmar, e no caso existem, mas também falta deles, isto é, nos documentos mais antigos Boticas nunca é mencionada, apenas o Eiró e Sangunhedo, ou seja, por dedução, se não é mencionada é porque não existia. Na separata da “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” dedicada à antiga freguesia de Boticas isso mesmo se confirma, senão vejamos o que se diz por lá:

 

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“Boticas ou Boticas do Barroso, era no passado, até pelo menos 150 anos atrás, uma humilde povoação da paróquia de Eiró. Em 1530, no numeramento de D.João III, o seu topónimo não aparece, talvez porque a aldeia ainda não existisse como tal (…)”

 

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Já num documento de 1758, um inquérito que Marques de Pombal envia para todas as paróquias a mando do Rei D. José, cujas respostas eram dadas pelos párocos das freguesias, o Reitor de Sapiãos Domingos Gonçalves, o Vigário João Gonçalves e o Vigário padre Manuel Diogo, respondem ao mesmo inquérito, à 3ª questão do inquérito respondem: “Tem cento e dois fogos ou vizinhos e trezentas e trinta e três pessoas pouco mais ou menos”. à 6ª questão reponde que: “A paróquia está dentro do mesmo lugar de Eiró. Tem esta freguesia mais dois lugares que lhe pertencem: o lugar de Sangunhedo e o das Boticas do Barroso”

 

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Ainda na mesma separata da “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas” e referido o documento anterior de 1758 diz-se o seguinte:

“Ao tempo, a paróquia era conhecida por Eiró ou São Salvador de Eiró. Efectivamente, a igreja matriz encontrava-se dentro do lugar de Eiró, constituindo por isso a paróquia e dando nome ao conjunto das três povoações que a compunham – Eiró, Sangunhedo e Boticas do Barroso. A partir de 1836, com a constituição do concelho de Boticas a partir da desanexação de freguesias do concelho de Montalegre, da extinção do Couto de Dornelas e ainda de uma freguesia do concelho de Chaves a freguesia de Eiró passou a designar-se por freguesia de Boticas, que deu nome ao concelho, passando por isso a ser vila e sede do concelho de Boticas."

 

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Este caso de Eiró/Boticas e da “importância” de uma povoação passar para outra com desenvolvimento assimétrico, repete-se um pouco por muitas localidades. No concelho de Chaves, por exemplo, aconteceu o mesmo com Arcossó e atual Vila de Vidago, às vezes é só uma questão de “sorte” na sua localização, e de infraestruturas que chamam a esses lugares mais população, como a passagem de uma estrada principal, de se um cruzamento de estradas ou caminhos ou de uma riqueza natural local tornar-se necessária ou pegar em moda, tal como aconteceu em Vidago nos finais do Século XIX/inícios do Século XX com a exploração das suas águas minerais naturais e o termalismo.   

 

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E sobre o Eiró pouco mais há a dizer, mantém a sua belíssima igreja, com a grandeza de uma igreja de freguesia, um cruzeiro, um interessante calvário todo em cima de um rochedo e algumas construções antigas, mas a modernidade também já lá chegou, era inevitável dada a proximidade da que passou a ser sede de freguesia, que na realidade entre o centro histórico de Eiró e o “menos” histórico de Boticas distam apenas cerca de 800 metros.

 

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Vista parcial de Boticas e Sangunhedo desde Eiró

Só nos resta deixar aqui o mapa com a localização de Eiró e os mapa com o itinerário para lá chegar, que resumido, a partir de Chaves é Chaves-Sapiãos via N103, em Sapiãos vira-se em direção a Boticas e mesmo na entrada de Boticas, imediatamente antes da primeira rotunda e logo a seguir à placa de trânsito indicativa da entrada em Boticas, vira-se à direita e 500 metros à frente, encontrará um núcleo de casas mais antigas – aí já estará em Eiró.

 

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E agora chegamos àquela altura em que nos despedimos e anunciamos o vídeo resumo com todas as imagens que hoje aqui foram publicadas, vídeo que também podem ver no MeoKanal e no nosso canal do YouTube.

Aqui fica:

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no…

 

MEO KANAL Nº 895 607

 

… e no YouTube, onde podem subscrever o nosso canal para serem avisados de todas as publicações que lá fizermos, e nós agradecemos. Pode passar por lá e subscrevê-lo aqui 

 

No próximo domingo teremos aqui a aldeia da Granja.

 

 

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