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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Mai22

Um olhar sobre o Tabolado e Rio Tâmega

Cidade de Chaves

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Hoje fica um olhar sobre o Tâmega e o Tabolado, um olhar que muitos de nós lançamos diariamente por vários segundos quando passamos na ponte ou ao lado, sem dúvida um olhar agradável, mas ainda mais agradável é descer até ao Tabolado, desfrutar do sol ou da sombra e do murmurar da queda das águas do Tâmega na presa, das melodias debitadas pelos melros e outros passarinhos que mesmo invisíveis ao nosso olhar estão lá com o seu instrumento a compor toda a orquestra da passarada, e tudo isto é grátis, mas mais que isso, gratificante. Vale sempre a pena perdermos por lá breves minutos que sejam para no final podermos ganhar o dia.   

 

 

18
Mai22

Crónicas de assim dizer

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The Queen

 

Estávamos ali numa discussão

Num debate de ideias

Eu e eu

Que a realidade era ficção 

A ficção realidade

Tudo do avesso

Sem transparência nenhuma

E era preciso! 

 

O tabuleiro estendido à minha frente

As peças no lugar certo

Pareciam no lugar certo 

Mas era um jogo

De estratégia a preto e branco

Sem meio termo

Não me podia esquecer disso!

 

O que sobrava disto

As peças eliminadas

Por distracção do jogador

Esperavam ainda ao largo

Por uma oportunidade 

Com uma fé inexplicável 

Como é toda a fé 

De regressar ao sítio 

De onde tinham sido expulsas

Como se o tempo pudesse

Andar para trás 

Corrigir injustiças

Limar imperfeições 

Lapidar relevos

Esticar montanhas 

Num vale imenso... 

 

Nisto levanta-se a Rainha

Austera

Imperturbável

Não diz nada

Trespassa com um olhar

Preciso e fulminante 

Os peões do Xadrez e

Dá o jogo por terminado. 

 

- Mas... 

- Tche.... 

 

Cristina Pizarro 

17
Mai22

Chaves de ontem

Lavadeiras do Rio Tâmega

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Hoje, com esta imagem, fazemos um regresso até 1960, quando os rios e ribeiros eram as "grandes máquinas" de lavar roupa. Na imagem, ao lado das lavadeiras, uma das famosas barcas que serviam para os moradores locais atravessar o rio e mercadorias sem ter de recorrer à ponte romana, barca(s) que, se a memória não me atraiçoa,  deixaram de fazer travessias nos finais dos anos 70 do século passado.

 

 

16
Mai22

De regresso à cidade...

Braguinhas - S.Bento - Chaves

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O regresso à cidade de hoje faço um regresso ao passado dos meus regressos à cidade e a casa, que fui fazendo até ao início da minha adolescência, com a passagem obrigatória pelos “braguinhas”, onde ainda sem perceber nada de arquiteturas, passava encantado pelo conjunto de casario, de ambos os lados da estrada, onde as artes da arte de bem construir, desde a arte de pedreiro e canteiro, à de carpinteiro e marceneiro até à de serralheiro, uniram todos os mestres para fazerem uma verdadeira obra de arte da arquitetura que ainda hoje encanta no seu todo e em todos os pormenores.  Hoje, fica apenas o pormenor da entrada no Casal de Santo António, também ele cheio de pormenores.

 

Uma boa semana!

 

16
Mai22

Quem conta um ponto...

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590 - Pérolas e Diamantes: Contágios

 

Aí está o brilho do demónio e as chispas de beleza que entram pelo bairro sem nos darmos conta. A tempestade é inevitável. Os homens afogam-se em vinho. Quero ter a liberdade de não participar. A verdade da dúvida. As obrigações matam-me. Tudo o que é natural desaparece nas convenções. Agora leio as placas colocadas pelo município para tentar entender a cidade e cada vez a percebo menos. Dá-me raiva aparecer como ignorante diante desta gente erudita. Mas a verdade é que o desequilíbrio é irresolúvel. Esta gente possui outro domínio das línguas, das dicções e dos sotaques. Nem parecem de cá. Por vezes, também não parecem de lá. Apesar das linhagens e linguagens diferentes, somos todos patriotas. Mas… bem, agora deu-me para me armar em pedante. É da velhice, caros amigos. É da velhice. A verdade é que não sou bem português. Sou sobretudo transmontano, com ascendência galega. É isso que julgo ser. Esquecemo-nos muito mais do mal que causamos do que daquele que nos é aplicado. Não saímos das armadilhas que impomos sem mácula. Quando se sente frio é quando se está melhor ao sol. Agora anda toda a gente armada em gastrónoma. E não existe nada de mais entediante do que falar de comida. Ou de política. Todo o bom político é um mestre pasteleiro. Estamos todos um pouco fartos de ouvir paleio avulso sobre tretas alimentares, ou políticas, ou sobre qualquer outra amena e deslumbrante imbecilidade. Agora armamo-nos todos em mundanos simpáticos, sem nos esquecermos do tal sorriso prévio. Mas o passado é um intruso do qual dificilmente nos mantemos à distância. E isso tanto é válido para nós como para os outros. Eu, como muitos outros, fui educado à antiga. E, como todos sabemos, ficam sempre em nós os vícios da educação original: as dúvidas, as reservas, as objeções e os remorsos antecipados. E também um forte sentido de lealdade. E convicções verdadeiras. Ensinaram-nos que é necessário saber de tudo um pouco, o máximo possível, no nosso trabalho. Que é preciso estudar História pois é aí que estão os ensinamentos, as instruções e os modelos de comportamento. Afinal, por muito que nos custe, nós apenas nos deparamos com as variantes do que já aconteceu. A crueldade é contagiosa. O ódio é contagioso. A fé é contagiosa. O fanatismo é contagioso. A mentira é contagiosa. A loucura é contagiosa. É contagiosa também a estupidez. A responsabilidade é sempre alheia, por isso é que a irresponsabilidade se espalha por aí como erva daninha. À estupidez, a razão não lhe faz mossa. Mas até Cervantes participou na batalha de Lepanto e ficou com uma mão inutilizada. Intitulava-se “o maneta são”. Dizem-me que as ostras são frescas. O problema é que eu não gosto de ostras. Dizem que sabem bem com umas gotas de limão e que não é necessário trincá-las. O problema é que eu não gosto de ostras. Com limão, sem limão, trincadas ou engolidas. Não gosto de ostras. Nem de beija-mãos. Criticar é mais fácil do que compreender, mas, como já disse, eu não gosto de ostras. Duvidei e ainda duvido de tudo, ou de quase tudo. Claro que não duvido das ostras nem da sua frescura, quando estão frescas, claro está, pois de outro modo não se podem comer. O problema é que não gosto de ostras, ao contrário destas novas gerações aceleradas, pragmáticas e sem problemas morais. Agora cumprem-se as obrigações sem questionar o estilo do mundo. O que não levanta problemas e dúvidas também não deixa recordações. E por aqui anda a província, na sua grande tacanhez e pequena violência, na sua pequena intriga, no trabalho surdo da manipulação. Por aqui todos são aprazíveis cães do dono, fiéis e incultos. A curiosidade provinciana é maligna. A chuva que por aqui cai é sempre monótona e fria. Nas reuniões e na missa aprendemos a reprimir os bocejos, sobretudo quando a elas assistem os notáveis da treta. Pequenos industriais, pequenos comerciantes e pequenos políticos sentam-se à mesma mesa para distribuírem equitativamente as migalhas que sobram do manjar do poder central. E os que resistem são amavelmente colocados num plano inclinado onde não param de escorregar.

 

João Madureira

 

 

14
Mai22

Aldeias de Chaves - Abobeleira

Alminhas, nichos, cruzeiros e afins...

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Para além dos mosteiros, catedrais, igrejas, capelas e capelinhas, os cruzeiros, alminhas, cruzes, calvários, nichos, cruzes dos mortos e santuários, fazem parte das culturas cristãs e católicas, como a nossa, onde quer sejamos mais ou menos religiosos, crentes, menos crentes ou não crentes, vivemos essa e nessa cultura, com as suas celebrações, festas e tradições às quais nos associamos e também celebramos.

 

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Assim, em todo o nosso Portugal, existem estes elementos religiosos construídos pelo homem que desde há mais, ou menos, centenas de anos ou mesmo mais recentes, fazem a arquitetura religiosa que vais desde os grandes mosteiros, catedrais, igrejas, etc que existem em maior ou menor quantidade em todas as localidades, mas também em elementos mais simples, espalhados por todo o nosso território, erguidos ao longo dos caminhos, encruzilhadas, muros, numa curva da estrada ou mesmo em lugares ermos onde ninguém passa ou raramente se vai, como aqui bem perto, no barroso, o São João da fraga erguido lá bem em cima de um pico dos picos da serra do Gerês.

 

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Qual ou quantas(os) das nossas aldeias, caminhos rurais, encruzilhadas, uma curva ou reta de estrada não têm um destes elementos da arquitetura religiosa, como alminhas, cruzeiros ou uma simples cruz que seja a assinalar o lugar da morte de em ente querido.

 

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Elementos de arquitetura religiosa que fazem também parte do nosso património cultural e arquitetónico e que nem sempre é tratado ou preservado como deve ou deveria ser, e que me conste, nem sequer inventariado está, pelo menos na sua totalidade. Coisa que já não é de hoje e ao longo dos tempos, lá vai havendo quem se lembre da sua preservação, pelo menos a julgar por alguns documentos.

 

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Esbarramos sem querer com um desses documentos datado dos inícios do século passado, mais precisamente com a 4ª Série — Tomo X, Nº9 do Boletim da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes, que sobre os pelourinhos e cruzeiros  dirigem uma missiva ao Sua Majestade o Rei de Portugal onde se pode ler:

“«Senhor:

«Não tem o governo de Vossa Majestade descurado da conservação e restauração dos monumentos de maior importancia historica, ou archeologica; existem, porém, dispersos em todo o paiz uns pequenos monumentos, que tambem devem merecer os cuidados do mesmo governo; referimo-nos aos pelourinhos e cruzeiros, muitos dos quaes são de subido merecimento.

«.As camaras municipaes, as juntas de parochia e irmandades fabriqueiras por diversas circumstancias não teem curado delles, como convinha, e por isso muitos se encontram mutilados, e alguns já foram destruidos.

«Para obstar á mutilação ou destruição completa de taes monumentos foi apresentada nesta Associação pelo seu consocio Sebastião da Silva Leal urna. proposta relativa a pelourinhos, a qual se tornou extensiva a cruzeiros por proposta do consocio Monsenhor Alfredo Elviro dos Santos.”

 

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Tal pedido teve os seus efeitos e a Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes enviou uma circulara a todas as Câmaras Municipais a pedir o empenho das mesmas para que cuidassem e recuperassem os seus monumentos religiosos e em especial os pelourinhos e cruzeiros.

 

Circular à qual a Câmara Municipal de Chaves de então responde assim:

 

“Chaves, 12 (de janeiro de 1906).— «Accusando a recepção do officio Circular . ... tenho a honra de participar a V. Ex.a que esta Camara o tomou na devida consideração e vae fazer os possiveis esforços no sentido de alguma coisa conseguir, restaurando alguns dos monumentos a que V. Ex." se refere. «Em Chaves existiram, pelo menos, 4 pelourinhos. Se se obtiverem os elementos necessarios para a desejada restauração, esta Camara o noticiará a V. Ex.·»

 

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E a então Câmara Municipal informou e bem (o negrito e sublinhado é nosso “…em Chaves existiram, pelo menos, 4 pelourinhos”. Do mal o menos, pelo menos um desses quatro, ainda o podemos apreciar na praça da República, em Chaves, quanto aos outros, não sei qual o seu paradeiro.  

 

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As imagens de hoje são todas da aldeia da Abobeleira, onde deixamos 2 cruzeiros, um nicho e um santuário, este último não é em honra de uma aparição, milagre ou santo, mas antes fruto do trabalho de um homem que, suponho,  queria um santuário à porta de casa, e como tal não existia, construiu-o.

 

 

13
Mai22

Montalegre - Sexta-Feira 13

dia das bruxas

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Hoje é sexta-feira, dia 13 e como vem mandando a tradição, nas sextas-feiras 13, todos os caminhos convergem para Montalegre, exceção para os dois últimos anos de pandemia, mas a tradição está de regresso. Infelizmente não vamos poder lá ir, mas isso não impede de trazer aqui algumas imagens de anos anteriores, numa daquelas que é das maiores festas de rua da nossa região e Portugal. Aqui ficam algumas imagens de uma seleção de algumas imagens que temos em arquivo, não muitas, porque das vezes que lá fomos estivemos mais empenhados em viver a festa, em detrimento da fotografia.

 

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Já sei que a queimada é boa e umas bejecas correm bem, mas nestas coisas convém sempre recordar que, se beber… não voe!!!, mesmo porque há sempre quem esteja à nossa espera nas estradas de regresso a casa, também parece fazer parte da tradição…

 

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Quer vá ou não à noite das bruxas a Montalegre, ficam os desejos de bom fim de semana, e de preferência, sem ressacas.

 

 

13
Mai22

Vivências

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A noite

 

Em agosto de 2013, quando iniciei a minha colaboração com o Blog Chaves (parece que ainda foi no outro dia…), fi-lo com uma rubrica chamada “As coisas boas da vida” e aí, ao longo de vários meses, fui dissertando sobre algumas das muitas coisas boas da vida e das quais, na maior parte das vezes e sem grande custo, podemos facilmente disfrutar no nosso dia a dia, como por exemplo, tomar um café com um amigo de longa data, ler um bom livro, ou dar um passeio na praia, ao fim da tarde, com os últimos raios de sol a refletirem-se sobre o mar… Pois bem, o título desta crónica poderia perfeitamente ter sido o ponto de partida para mais uma dessas reflexões, mas a ideia simplesmente não me ocorreu naquela altura…

 

Falemos, então, da noite. Apenas da noite em si mesma, sem mais. Não se trata, portanto, da noite enquanto tempo de diversão, de folia ou de excessos, até porque, em boa verdade, nunca fui um grande noctívago... Trata-se, sim, por exemplo, daquela noite quente de verão que convida a sair para a rua, caminhar pela cidade e beber um copo com os amigos numa esplanada; ou daquela noite fria de inverno, que traz consigo aquele nevoeiro que tudo envolve e distorce e que nós, os Flavienses, tão bem conhecemos; ou então, daquela noite em casa, à varanda ou à janela, simplesmente a contemplar a imensidão do céu, bem acima de nós…

 

A verdade é que qualquer que seja a circunstância, a noite tem em si mesma, quiçá inexplicavelmente, um encanto próprio, um silêncio diferente de qualquer outro, uma quietude impossível de sentir à luz do dia, uma magia e um mistério…

 

É assim a noite, e por isso me agrada.

 

Sem dúvida, uma das coisas boas da vida!

 

Luís Filipe M. Anjos

Leiria, novembro de 2021

 

 

 

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