Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Jan19

Arte de rua para tapar misérias...

1600-(49597).jpg

Todos nós gostamos de ver a nossa cidade limpa e asseada, bonita. Não é que ela esteja suja, desmazelada e feia, não é o caso, mas bem no centro da cidade há tapumes de obras feios, horríveis, sujos, amolachados,  colocados sem qualquer gosto e a provocar sensações desagradáveis em quem passa por eles ou os vê. Eu sei que são necessários, mas deveria ser exigido um pouco de bom gosto, de arte até, em que já por si os desagradáveis barulhos e poeiras das obras fossem minimizados por coisas agradáveis, pelo menos à vista. Tapumes feitos com arte, isso é que era! Inclusive até se poderia juntar o útil ao agradável e colocar tapumes publicitários, que os há bem interessantes.

 

1600-(49597)-com.jpg

 

Mas ainda mais desagradável é existirem alguns recantos da cidade, como este da imagem de hoje, em que o lixo e silvas se acumulam à frente das ruínas das velhas construções. Também aqui, das duas uma, ou se exige ao(s) proprietários que mantenham estes espaços (logradouros) limpos e asseado, ou até ajardinados ou então obriguem-nos a tapar as misérias, igualmente com painéis feitos com arte, publicitários ou mesmo promocionais da nossa cidade. É uma ideia fácil de por em prática, que a nossa cidade e os flavienses merecem para continuarmos a ter orgulho nela e quem nos visita partirem agradados com o que viram em Chaves. Como se costuma dizer, “Os olhos também comem”. Com um pouco de Photoshop e uma imagem roubada que está pintada num muro de acesso ao estádio municipal, dou um pequeno exemplo e contributo para aquilo que se poderia fazer. 

16
Jan19

Ocasionais

ocasionais

 

“A vida tem destas coisas!”

 

 

*Nunca somos tão infelizes como cremos,

nem tão felizes como ansiávamos*.

- La Rochefoucauld

 

 

Em criança, nos dias que vivi lá pelas minhas Aldeias Trans-visimontanas, ouvia com frequência esta expressão: - A vida tem destas coisas!

 

Uma geada , que queimasse o renovo; uma queda de granizo (de «pedra», usava-se), que rachasse as uvas e as videiras, lá pelo Santiago; o coice de uma mula, que mandasse alguém para o hospital; a turra de um carneiro, que partisse o braço de uma criança (mesmo que ela estivesse a tocar uma «corneta de S. Caetano»!), para dar trabalho ao Garcia; a notícia do decesso de um parente de um vizinho, lá no Brasil; o par de namorados que, contrariando a vontade da mãe de um e do pai de outro, fugia de casa, para fazer o ninho; tudo isto, e tanto outro, parecido ou semelhante, interpretado, transmitido, contado, meditado, fazia sair do peito e da boca das mulheres desse tempo um «amén», de final de discurso … ou de secreta oração: - “A vida tem destas coisas!”.

 

Era a confissão de uma resignação, com se a vida tivesse de ser vivida no seio de um vendaval de fatalidades, de desgostos, de tragédias.

 

Como se até apanhar sol fosse crime ou pecado!

 

Os sinos só serviam para tocar a rebate, para um incêndio, para um sermão, para ladainhas a santos e virgens, para preces choramingas a filhos legítimos e a filhos zorros de um «pai do céu» que nem sabe onde os filhos da Terra penduram o pote! E para dar ao coveiro o sinal de partida para ir comprar um garrafão de vinho à taberna da Aldeia!

 

Modernamente, os sinos fazem tocar o badalo para «dar horas»: inteiras, meias e os «quartos»!

 

Mas Auschwitz e Hiroshima transformaram o mundo.

 

O “Maio de 68” e “Woodstock” roubaram o mel à Lua e inundaram a Terra com leite … da cabra que amamentou Zeus!

 

E o tema de um filme, ainda a preto-e-branco, que vi na minha juventude, também me recorda a dimensão, a surpresa e o despertar que o homem pode ter: “Um homem tem três metros de altura”  -  tradução à portuguesa de “Edge of the City”.

 

Três naipes do jogo da nossa vida, da minha e da vossa, a dizer-nos como um quarto naipe   -     um terno, uma dama, uma quadra   -   poderia ditar-nos uma sorte diferente nas relações com o Outro    -   familiares, profissionais, de amizade, de amor.

 

Não vai há muito, cinquenta anos depois da promessa de um sacho no ar ter deitado por terra a promessa de um amor mais lindo que o luar de Agosto das Aldeias flavienses, o pretendente e o ascendente da cachopa flor de carqueja encontraram-se numa pequenina festa, lá na freguesia.

 

Na sombra e no segredo da barulheira e da distracção da gente reinadora, os dois abraçaram-se com discrição. O tempo, o trato de um e as notícias de outro fizeram ver ao ascendente que ao escolher a sena de paus perdeu o valete de ouros como trunfo   -   o pretendente segredou-lhe:

- Eu gostava mesmo da sua filha!

- O ascendente, sorrindo com amargura, puxou, do bolso, por um lenço; enxugou as lágrimas. E, pegando no braço do pretendente, com a força que os anos acima dos noventa e a fraqueza da doença lhe permitiu, murmurou:

            - Eu sei! Eu sei! Eu soube! Eu soube!

                         A vida tem destas coisas!

 

M., catorze de Janeiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

15
Jan19

Sol, chuva, vitamina D e 60 metros de corrente, deu nisto...

1600-(49445)

 

Enquanto a chuva não chega, vamos aproveitando os preciosos raios de sol das tardes flavienses, de pouca dura, mas sabem bem, é a vantagem das geadas, branquinha pelas manhãs, para matar a bicheza, segundo dizem, e de tarde tomamos a nossa dose de vitamina D, para os ossos e músculos, 15 minutos de exposição ao sol, dizem ser o recomendado. Claro que isto é tudo o que dizem e oiço por aí, pois não aprofundei qualquer estudo sobre o assunto.

 

Mas por falar em assuntos, o meu assunto do dia até nem é esse, vai mais para 60 metros de corrente metálica que precisei de urgência para resolver um problema urgente. Ora com tanta superfície comercial e lojas de comércio tradicional que ainda resistem à investida das primeiras, não seria difícil de resolver o problema. Curioso que em todos os estabelecimentos a que fui, começando pelo comércio tradicional, a tal corrente existia, mas em todas elas, para aquilo que precisava, eram apenas amostras. Não pensem que 60 metros da tal corrente é muita coisa, longe disso, a bobine completa deve andar nos 60 a 90 metros e a quantidade que eu queria, cabe num bolso. Depois de fazer uns bons quilómetros de estrada a atravessar a cidade de lés a lés e de ter gasto um tempo que cada vez é mais precioso, cheguei à conclusão que em Chaves temos de tudo, mas quando precisamos de uma coisa mais específica ou de uma quantidade que sai um bocadinho do normal, acabamos por não ter nada e resolver o problema com outras soluções que estão longe de ser o ideal. Aqui vem-me à memória os bons tempos do nosso comércio tradicional, em que estava todo concentrado em duas ou três ruas da cidade e onde havia de tudo, e se a amostra da loja não chegasse, recorria-se ao stock em armazém da traseira da loja, e se não tivessem, saímos com a indicação de onde o havia.

 

Pois é, numa cidade com grandes superfícies comerciais, espalhadas por toda a periferia da cidade, com chineses a dar com um pau, com marroquinos pelas ruas fora e ainda com algum comércio tradicional, penso que só faltam mesmo os indianos do qué flô-qué flô, quando precisamos daquela coisa, não encontramos, mas a técnica das grandes superfícies nos  impingir a merdas de que não precisamos, continua a encher carrinhos de compra. Para aquilo que hoje precisava, antigamente ia aos ferreiros ou ao misérias e saía de lá com o assunto resolvido, naquelas coisas mais raras, anilinas e outros pós de tingimentos, por exemplo, ia ao Soares&Coelho, para umas meias-solas caseiras e uns protetores para as botas aletejanas, couros, cordões e afins para outras bricolages, ia aos “sete anões”  (desculpem a alcunha, mas não me lembro mesmo do nome da loja), tudo a granel por uns tostões, subia a rua, via que tinha morrido no Esteves e no Medeiros, olhava para trás para um andar mais torneado, passava pela farmácia e comprava comprimidos para as dores de cabeça, deitava o olho aos sapatos da Bota Grande, comprava umas flores para os anos da minha mãe no Andorinha e abastecia do material da especialidade necessário para os meus desenhos técnicos na Papelaria Juvenil, comprava umas alheiras ao Milo do talho, uns grelos e um pouco de fruta em frente ou desviava um bocadinho e ia à Amélia e tinha a refeição da noite resolvida e comprava os tais 60 metros de corrente no Coutinho, hoje do Gonçalves, metia as compras na mala do carro estacionado de borla no Anjo, ia tomar um café e cigarros ao Chico, entrava no Novo Sol e comprava o que faltava no nécessaire,   atravessava a rua e comprava uma dúzia de pastéis na Princesa e uma bola para mamar pelo caminho, e numa meia hora ou três quartos de hora no máximo tinha as compras feitas, numa rua apenas (ou meia rua, pois nesse dia não precisava de papel selado), um pedacinho de outra rua e um largo pequeno. Tenho saudades desses tempos do nosso comércio tradicional.

 

 

 

15
Jan19

Chaves D´Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. NÓS.

 

 

Graças à boa Zefa, Aurora concertou um encontro com Hernando, apesar de toda a vigilância familiar. Por mais que houvesse ensaiado mil palavras duras para dizer ao rapaz, sentiu uma alegria tão grande e sem controlo ao revê-lo que, de si para si, obteve a evidente certeza de que ainda o amava. Duro, frio e distante, todavia, era o gajo que estava agora diante de si – Que estás a querer, menina, diz logo, pois não estou a dispor de horas perdidas – e ela, no seu tom humilde de sempre – A perder me deixaste!

 

Os braços, que já estavam a preparar os carinhos para o abraço, caíram tristes ao longo do corpo – Papá quer que venhas até ele, para te falar sobre nós – ao que ele contestou – Mas em quantos nós ele me quer atar? – e, de súbito – Quer dizer, então, que todos em tua casa já estão a saber do que fizeste? Pois que bem me ouças... – então ele expeliu toda a sua fanfarronice – Cuida que os teus irmãos não estejam a querer me pegar de jeito, como fazem outros por aí, pois esses franganotes podem se dar muito mal. Que não se metam comigo! Sabes que sou muito bom de briga – ao que completou, a mostrar uma navalha – E de corte!

 

Aurora persignou-se – Ai meu Deus misericordioso, que não venha a se dar connosco uma desgraça maior! E então, vais falar com o Papá? – Não sei, vou pensar. Nada me obriga a procurar esse senhor – ao que ela, revoltada – Nada?! Mas nada, como, Hernando e esta criaturinha que está a crescer dentro de mim?! – Ele, todavia, foi ainda mais áspero e ríspido – Que tenho eu a ver com isso? Fizeste porque quiseste! E sei lá se, com outros mais, já não andaste também a brincar pelos túneis da Galiza?! – e, a cuspir crueldade – Os homens não têm asas de anjo, mas as mulheres... todos sabem que vós tendes o Diabo no corpo. E como vou lá saber se, de facto, o sangue a correr nas veias desse miúdo é o mesmo que corre nas veias de meu pai, de meu avô e de todos os meus ancestrais?! – ao que a rapariga apenas olhou para ele, estarrecida.

 

Zefa, porém, que a tudo assistia, chegou-se até ele, armada da força de quem amassa o trigo para fazer pão, ou de quem torce, com firmeza, os lençóis acabados de lavar. Aplicou-lhe à cara dois bons e sonoros tabefes. Doeram, pois – Ai que estupor de mulher, que estás a fazer?! Cuida que, se fosses macho, eu pra já te arrebentava as ventas e… e… tudo o mais que me apetecesse te quebrar! – mas a criada já se valia de um porrete para defesa, quando o gajo meteu o rabo entre as pernas e estas… para quê vos quero! Evadiu-se por entre as árvores do pomar, rumo ao portão, a praguejar e esbravejar, fulo de raiva, com as faces avermelhadas pelas mãos de Zefa – Que estropício! Que bruxa! Que megera!

 

  1. AMOLADOR DE FACAS.

Certo galego, amolador de facas; era nele em quem os irmãos de Aurora estavam a cogitar, ao planejarem os mil e um (e mais alguns) modos de vingar a honra da irmã. Teriam só que...

 

(continua)

 

fim-de-post

 

 

14
Jan19

De regresso à cidade...

1600-(42566)

 

Cá estamos de novo de regresso à cidade, depois de mais um fim de semana frio e geadas branquinhas, daquelas que curam as carnes, mas com a chuva a caminho. Lá terá de ser, é chata e molha, mas com o frio a manter-se, há sempre a esperança de que caia um bocadinho de neve, como antigamente, porque antigamente é que era, pelo menos há quem acredite nisso… e a prova disso mesmo é a foto que fica a seguir, uma foto de arquivo do antigo ano de 2018, mais precisamente de 28 de fevereiro.

 

1600-(49291)

 

Na realidade as memórias curtas são um problema que abundam mais por aí do que aquilo que parece, estas do tempo até são inocentes, mas outras há que não são tão inocentes assim, são convenientes, ou pior ainda, digamos, sei lá… doentias, para ser simpático. Pois! Mas o que interessa é que vem aí a chuva, que é chata e molha, mas que dizem fazer falta, daí perdoar-se e sempre pode ser que dê em neve para podermos dar um pouco de liberdade à criança que temos sempre amordaçada dentro de nós.

 

Uma boa semana!

 

 

14
Jan19

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

 

425 - Pérolas e Diamantes: A generosa hostilidade

 

Nos tempos mediáticos em que vivemos, existem dois tipos de gatunos: o que rouba e vai parar à cadeia e o que furta e vai parar à televisão.

 

Na televisão também por lá moram os escritores de hoje. Os escritores de sucesso. Esses, sabemos, escrevem para vender livros, para ganhar fama e dinheiro, ou dinheiro e fama.

 

E os outros? Os outros escritores? Porque se mortificam a armar ao pingarelho?

 

Mas por que raio é que se escreve? Qual a razão de se ser um dedicado turista do inútil? Começa-se a escrever por acaso e, depois de começado, fica-se prisioneiro dessa atividade.

 

A verdade, como veem, pode ser uma inutilidade. E as inutilidades também podem ser muito úteis. Aos escritores inúteis, mas não adulterados, nem subservientes. Aos escritores inconvenientes.

 

Ai como custa saber da autêntica irrelevância da verdade.

 

Penso que sonho pouco. Por vezes, acordo sobressaltado, banhado em suor. Encolhido. Então estico-me, espero que o meu coração serene e ponho-me a pensar na morte da bezerra. Para mim, as noites não possuem poder mágico, nem são irresistíveis, como muitos apregoam. Só oiço o farfalhar das folhas das árvores, os cães a ladrar e, por vezes, o miar agoirento dos gatos.

 

Os meus sonhos são visões recorrentes, por vezes estupidamente idênticas. O que é triste e monótono. São como o tempo que corre. Como os tempos que vivemos.

 

Os meus sonhos são como fotografias. Não possuem mistério. São como a realidade: errados e aborrecidos.

 

Há pessoas que passam a vida a ensinar que em tal época as pessoas pensavam isto ou aquilo, e, de seguida, a partir de tal data, pensou-se que...

 

Há outras que, por não gostarem da erudição repetitiva das anteriores, passam a escrever livros para que tal presunção não seja tão altiva.

 

Os fundamentalismos modernos dizem que as suas ideias são novos métodos de pensamento. Estou em crer que não passam de discretas formas de agressão.

 

Defendem um pensamento anónimo, um saber sem sujeito, uma tradição sem identidade.

 

São uma espécie de últimos marxistas criticando a crítica da dialética crítica. Apresentam-nos o mundo como um espetáculo, como um jogo. Por isso, a atitude razoável tem de ser mágica. Para eles, ou se aceita o sistema ou se faz a sua irrupção, no sentido de o abanar para depois apanhar os frutos caídos no solo. O problema é dos que estão verdes.

 

Eu não acredito em determinações unívocas.

 

Quando alguém mais distraído toca temas tais como continuidade, exercício efetivo da liberdade de pensar e escrever, ou a articulação da liberdade individual com as determinações sociais, logo as bravas gentes se põem a gritar que se está ou a violar ou a assassinar a História. Podem mesmo acusar-nos de estarmos a fazer a defesa da burguesia.

 

Pobre burguesia que não possui outra muralha que a nossa humilde pena.

 

Eu sei. Eu sei. A ironia não chega.

 

Nem a poesia.

 

Pode ser a impressão que dá, mas a política não está forçosamente votada à ignorância.

 

Foi o Maio de 68 que me fez “rescindir o contrato” ideológico com os revolucionários marxistas-leninistas. Eles diziam pretender fazer uma revolução. Eu considerava que devíamos ser a própria revolução.

 

Li um livro publicado nessa altura intitulado “Professores Para Quê” onde se dizia que “a universidade é um fragmento da sociedade capitalista” e que o melhor era tudo fazer para que ela fosse “de mal a pior”. De facto, o excesso... era mesmo excessivo. As revoluções também se fazem com estas imbecilidades. Há parvos em todo o lado.

 

Vertigens destas são sempre autodestrutivas.

 

Em 68, na França, havia gente com coragem para criticar os estruturalismo, então em voga. Goldmann, por exemplo, gostava de citar uma frase escrita por um estudante, no mês de maio, na ardósia de uma sala da Sorbonne: “As estruturas não descem à rua.” Para acrescentar: “Não são nunca as estruturas que fazem a história, mas os homens.”

 

A turba pretende sempre derrubar tudo, incendiar e arrasar. Aniquilar a burguesia. Depois só fica o silêncio e nos bairros algumas crianças que brincam com o que resta dos bibelôs partidos.

 

A prática do dia a dia ensinou-me que a precisão da teoria marxista-leninista e o seu proclamado valor científico são verdadeiramente secundários. E as notícias do mundo trouxeram até mim as lembranças horrendas dos campos de extermínio, dos gulagues e de outras aberrações humanas.

 

Também por isso, o mundo está cheio de gente parca de talento mas com sucessos de monta.

 

Eu já me habituei a suportar com ligeireza a sua generosa hostilidade. No entanto tenho de reconhecer, que, por vezes, me sinto agastado com as minhas teimosias.

 

É sempre a mesma ladainha. Depois de se prometer a mais completa liberdade, toca a reprimi-la a partir do momento em que se pretende exercê-la.

 

João Madureira

 

13
Jan19

O Barroso aqui tão perto - Chã e São Vicente da Chã

1600-s-vicente (45)

montalegre (549)

 

No “Barroso aqui tão perto” de hoje vamos até à Chã, ou melhor, até São Vicente da Chã, ou ambas, penso eu.

 

A passagem das aldeias do Barroso aqui pelo blog tem-se feito de maneira aleatória, isto porque alguma metodologia teria de seguir para as trazer aqui. Pensei inicialmente fazê-lo por ordem alfabética, mas para isso, na altura em que iniciámos esta rubrica, teríamos de ter o levantamento de todas as aldeias, o que não era o caso. Como sempre gostamos de ser surpreendidos, optámos por sortear a aldeia a estar aqui todos os domingos. Com alguma batota pelo meio, assim foi sendo. Acontece que a Chã calhou-nos em sorteio algumas vezes, mas tivemos de passar à frente e fazer novo sorteio, tudo isto porque desde início tive a dúvida de se a Chã e  São Vicente seriam duas aldeias, ou apena uma. Estudando a geografia do local e a proximidade daquilo que eu pensava ser São Vicente e a Chã, a distância entre ambas era tão pouca que me convenci ser apenas uma aldeia.

 

1600-s-vicente (18)

 

Pois sendo então uma única aldeia, outra dúvida surgiu. Qual era afinal o topónimo da aldeia? Apenas Chã, apenas São Vicente ou São Vicente da Chã?  

 

Na verdade a Chã é toda uma pequena região que em termos toponímicos, vai aparecendo colada como apelido ao topónimo principal, tal como Travassos da Chã ou Castanheira da Chã, além de a Chã ser a freguesia de uma série de aldeia. Foi talvez por isso, o ser freguesia, que me induziu em erro ou dúvida, pois em princípio, sendo freguesia, seria também aldeia, mas não é obrigatório que assim seja. Aliás no concelho de Chaves acontecem alguns casos idênticos em que a freguesia não é aldeia, como é o caso da freguesia de Stº António de Monforte  à qual pertencem as aldeias de Curral de Vacas e Nogueirinhas.

 

1600-s-vicente (14)

 

Assim, teremos mesmo de chegar à conclusão que aqui se passa o mesmo, ou seja, o topónimo da nossa aldeia de hoje será São Vicente da Chã, em que a Chã é também freguesia e região. Pois é por aí que vamos hoje, com fotografias de São Vicente da Chã mas aproveitando para falar um pouco de toda a freguesia e desta pequena região dentro do Barroso que dá pelo nome de Chã.

 

1600-s-vicente (40)

 

São Vicente da Chã é uma velha conhecida minha que vem do tempo em que aí me apeava da carreira Chaves-Braga para apanhar a ligação para Montalegre. Se bem recordo penso que assim passou a ser a partir de meados dos anos 70, pois antes recordo também que o apeadeiro e ligação a Montalegre se fazia a partir do Barracão para depois seguir via Gralhós.

 

1600-s-vicente (4)

 

Mas vamos então à Chã (região e freguesia) para depois ficarmos nos pormenores de São Vicente da Chã.

 

Ora a Chã, como o seu significado indica:

 

chã 
(latim plana, feminino de planus-a-um, plano, liso, uniforme, chato, fácil)

- Chão

 - plano ou extensão plana de terra.

- planície; planura; chapada; chada

- planalto

 

1600-s-vicente (39)

 

E de facto assim é, todas as aldeias que pertencem à freguesia da Chã estão em terras pouco acidentadas, em planalto a rondar a cota dos 900 metros de altitude. Conhecendo a região, penso mesmo que a Chã (região) vai muito além dos limites da freguesia e bem se poderia estender para todo o planalto do Larouco e outras freguesias vizinhas que estão todas em terra de planalto na cota aproximada dos 900m de altitude

 

BRASAO-CHA__1_1024_2500.jpg

1600-s-vicente (20)

 

Quanto à freguesia da Chã e segundo consta na página oficial do Município de Montalegre, temos o seguinte:

 

Ainda ostenta evidentes vestígios da sua importância constante nos tempos medievais e clássicos.

Cinco das suas doze povoações receberam a visita da estrada Romana – a XVII do Itinerário de Antonino: Penedones (Santo Aleixo), Travaços, São Vicente, Peireses e Gralhós. Pouco mais jovem que a via Romana é a ara que recentemente se achou em São Vicente – sinal inequívoco de que no outeiro (altarium) onde o cristianismo ergueu o templo românico, séculos antes, os povos que nos antecederam, aí adoravam o seu “Deus Óptimo Máximo”.

O mesmo lugar foi também do interesse dos reis de Portugal que o ofereceram como comenda às freiras de Santa Clara com mais duas freguesias anexas, num total de dezasseis povoações. O actual templo da freguesia é bem digno da mais atenta visita devido à obra patente dos Pintos de Donões, exímios artistas de Barroso.

 

1600-s-vicente (15)

 

Outros dados da freguesia:

- Área: 51 km2

- Densidade Populacional: 14.7 hab/km2

- População Presente: 752

- Orago: S. Vicente

- Pontos Turísticos: Igreja Românica e Inscrição votiva a Júpiter (S.Vicente); Ponte Velha (Peireses); Sepulturas Antropomórficas e Ara (Penedones); Via Romana (Gralhós); Cascata de Fírvidasl; Parque de lazer de Penedones.

- Lugares da Freguesia (12): Aldeia Nova, Castanheira, Fírvidas, Gorda, Gralhós, Medeiros, Peireses, Penedones, São Mateus, São Vicente, Torgueda e Travaços da Chã.

 

1600-s-vicente (6)

 

Pois aqui nos pontos turísticos, penso que são muito modestos e bem lhe poderiam acrescentar outros tantos, mas há pelo menos mais três pontos turísticos ou de interesse que seria obrigatório mencionar, deixando a paisagem natural de parte. Pois esses três pontos são: a Barragem dos Pisões; a gastronomia (restaurantes);  e as duas aldeias dos colonos (Aldeia Nova e S. Mateus), sem esquecer, claro, a arquitetura tradicional transmontana/barrosã das restantes aldeias.

 

1600-s-vicente (12)

 

São Vicente da Chã

Ainda antes de entrarmos nos pormenores, fica um conselho ou alerta – Não se deixe levar a crer que São Vicente da Chã é aquilo que vê desde a Estrada Nacional 103 ou da estrada que liga esta a Montalegre, pois não é assim, aí apenas verá o que é mais recente. As suas preciosidades, estão mesmo na e à volta da sua Igreja Românica, mas para isso, terá de sair da estrada nacional, tomar a estrada secundária (M509-1) e 250m à frente, abandonar esta última, virando à esquerda até chegar à Igreja Românica a apenas 150m. Aí sim, temos tudo, a cereja e o bolo.

 

1600-s-vicente (34-35)

 

Quanto à igreja Românica, para mim, é uma das mais interessantes que o Barroso tem, e nem sequer vimos o seu interior. Principalmente o enquadramento, mesmo com a torre sineira separada da igreja a esconder a sua fachada principal, ou será antes, com a torre sineira separada, mas a fazer parte da fachada principal da igreja.

 

1600-s-vicente (10)

 

Como dissemos não é só a igreja Românica, mas também o seu enquadramento e casario à sua volta logo seguido da exuberância do verde barrosão, que quando é verde é mesmo verde, cheio de frescura que as terras com água lhe dão. Neste conjunto, mais uma pérola do Barroso, apenas um reparo. Tal como diz o povo, no melhor pano cai a nódoa, e esta lá está, em forma de telhado em fibrocimento na construção mesmo em frente à igreja (15m). Não é por nada, mas destoa do conjunto, no entanto é de fácil reparo e ouro sobre azul, no reparo, era o telhado retomar a sua cobertura original, o colmo, nem que fosse e só para memória futura ou para a história das coberturas de colmo. Claro, eu sei que se trata de uma construção particular e que (talvez) não se possa exigir tal ao seu proprietário, mas aqui, como o interesse até é público e turístico, as pessoas são sensíveis a alterações e o Município, através ou com a Junta de Freguesia, poderiam e deveriam contribuir para a substituição e preservação do espaço envolvente da igreja.   

 

1600-s-vicente (32)

 

Depois deste pequeno conjunto que não é mais que o centro histórico de São Vicente da Chã, temos a paisagem, com muito verde, sobretudo de lameiros limitados por estremas de arvoredo autóctone, principalmente na baixa que liga à aldeia de Torgueda da Chã. Mais além, já na estrada que liga a Montalegre, outro tipo de cultivo, menos verde. Também nesse trajeto, um monumento religioso chama a atenção de quem passa.

 

1600-s-vicente (26)

 

O tal monumento, de construção recente, de um lado, no canteiro relvado, numa placa tem inscrito “Grande Jubileu – Ano 2000” e do outro lado, noutra placa, uma mensagem religiosa: “Mistério da fé para a salvação do mundo! / Glória a vós que morrestes na cruz e agora viveis para sempre. Salvador do mundo, salvai-nos, vinde Senhor Jesus”

 

1600-medeiros (6)

 

Vamos agora ao itinerário para chegar até São Vicente da Chã, como sempre a partir da cidade de Chaves e que não tem nada que enganar, pois fica mesmo junto à Estrada Nacional 102 que liga Chaves a Braga. Por curiosidade o nosso itinerário de hoje é idêntico ao do último fim de semana onde mais uma vez optamos pelas estradas secundárias em vez da estrada nacional, ou seja, via São Caetano/Soutelinho da Raia, Meixide após a aldeia outra pela estrada da esquerda até Serraquinhos, passar ao lado de Viade tomar a direção do Barracão e estramos na EN103 em direção a Braga, logo a seguir temo a Aldeia Nova do Barroso e um pouco mais à frente São Vicente da Chã. Mas fica o nosso mapa para melhor orientação.

 

mapa-cha.jpg

 

Vamos agora ao que dizem os livros e documentos.  Iniciando pelo livro “Montalegre”:

 

“Sinais dos tempos”

Vários outros monumentos da romanização se descobriram e permanecem cá testemunhando a sua origem e finalidade: marcos miliários em (Padrões, Currais, Travaços e Arcos) aras romanas em (Vilar de Perdizes, Pitões e São Vicente da Chã) estelas funerárias (Vila da Ponte/ Friães), o célebre Penedo de Rameseiros (Vilar de Perdizes) e outros.

 

Padre José Adão dos Santos Álvares (séc. XIX) nasceu no Cortiço, filho do anterior, em 1814. Foi correspondente muito conceituado de vários jornais e revistas do Porto, Braga e Lisboa. Foi pároco de São Vicente da Chã, onde jaz, e arcipreste de Montalegre. Descreveu com realismo os últimos momentos de vida de José Fernandes, o Bagueiro, último condenado à morte em Barroso, que subiu ao cadafalso em 17 de Setembro de 1844.

 

O vale do Regavão, que bordeja a freguesia pelo sul e nascente, dá passagem à via prima, aqui assinalada por um miliário gigante que depois se transformou na cruz de Leiranque. Não longe desse local houve um pisão – que passou a topónimo da barragem e mais acima a antiquíssima Vila de Mel, provavelmente a primeira “statio” (São Vicente da Chã seria a segunda ) entre as cidades de “Praesidium” e “Caladunum” – “mansiones” da dita via imperial.

 

1600-s-vicente (7)

 

Quanto à “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

CHÃ

É um corónimo: nome de uma região!

Chã, como já se disse (veja Cabril) vem do adjectivo latino PLANA > CHÃ, o que implica subentender  um substantivo terra ou seara: terra chã!

 

Quanto a S.Vicente na mesma obra temos:

 

SÃO VICENTE teve culto remoto. O célebre mártir de Saragoça já gozava honras de templo importante e antiquíssimo na própria cidade de Braga. Diz o ignorado mas interessante sabedor, Almeida Fernandes, em “Cadernos Vianenses” TV (1980) pp.285, que os cultos antigos (como S. Vicente) vieram substituir cultos pagãos.

-1258, «in collatione Sancti Vicencii de Chaa» INQ 1517.

Em S. Vicente da Chã foi encontrada uma ara dedicada ao deus olimpo Júptiter Óptimo Máximo, em 2004, o que vem confirmar o que Almeida Fernandes afirma. São Vicente é o orago da extensa freguesia da Chã que, com suas anexas de Morgade e Negrões, constitui Comenda das Clarissa de Vila do Conde. Também é orago de Contim e de Campos (esta, depois de desmembrada de São Martinho de Ruivães) e foi-o  da antiquíssima freguesia extinta que teve o nome de São Vicente d’ O Gêres, junto de Pitões e a que estupidamente vão chamado Juríz.

 

1600-s-vicente (31)

 

Na “Toponímia Alegre” incluída na “Toponímia de Barroso”, temos o seguinte:

 

Chã – São Vicente

Ruim sítio, ruim gente,

Coelheiros de Medeiros,

Ciganos os de Peireses,

Pretinhos de Travaços de Chã,

Cruz-veigas de Gralhós,

Viajantes de Penedones,

Carvoeiros de Castanheira,

Torgueiros de Torgueda,

De Fírvidas são salta-pocinhas e

Arranca-torgos de Codessoso da Chã.

 

1600-s-vicente (1)

 

E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

1600-medeiros (4)

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

- "chã", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/ch%C3%A3 [consultado em 13-01-2019].

-   https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/ch%C3%A3 (Consultado em 13-01-2019)

- https://www.cm-montalegre.pt/pages/451 (Consultado em 13-01-2019)

 

12
Jan19

São Cornélio - Chaves - Portugal

1600-s-cornelio (29)

 

Cá estamos em mais uma aldeia do concelho de Chaves, uma na qual tantas vezes passamos e tão raramente paramos e as desculpas, que não nos ilibam de culpas, são precisamente o ser uma aldeia de passagem,  e uma variante construída há uns anos que em vez de nos fazer passar pelo centro da aldeia, nos faz passar ao lado, mas isto, como se costuma dizer, são “desculpas de mau pagador”.

 

1600-s-cornelio (78)

 

Tinha de iniciar este post com a verdade e as desculpas, pois São Cornélio até é uma das aldeias que merecia mais paragens nossas, por várias razões. A primeira por termos lá, por terem passado por lá ou descenderem de lá pessoas nossas amigas (com as três afirmações verdadeiras), aliás já tivemos oportunidade de explicar isto mesmo em posts anteriores dedicados à aldeia. Uma outra razão é porque foi uma das aldeias onde melhor fomos recebidos aquando do levantamento fotográfico e por último, por ser uma aldeia interessante para fotografar e desde onde se podem lançar vistas de encanto sobre um mar de montanhas mais ou menos distantes, onde o Vale de Chaves se deixa ver em pequenino.

 

1600-s-cornelio (72)

 

Mas há ainda uma outra razão pela qual vale a pena ir até São Cornélio e que se prende com a importância que a sua localização teve em tempos idos.  Sabemo-lo por algumas estórias que tiveram São Cornélio como palco, isto se recuarmos ao tempo das feiras que se realizavam no Castelo de Monforte, em que, já então, São Cornélio era aldeia de passagem obrigatória para outras aldeias vizinhas e suponho que também para algumas aldeias galegas da raia. Algumas são estórias complicadas, estórias de sangue, estórias hoje adormecidas pelo tempo mas que ainda se sentem e que às vezes calham em conversas. Pelo meio também haverá pela certa outras estórias, algumas anedóticas,  quiçá algumas de amores, e muitas de amizades.

 

1600-s-cornelio (47)

 

Pena que muitas dessas estórias acabem por morrer com quem as sabe ou genuinamente sabia, pois hoje algumas delas chegam até nós já deturpadas e/ou com várias versões, dependendo do lado de quem as conta, ou seja, estórias que têm todas as características para poderem passar à História, que, esta última, mesmo que documentada, tem sempre interpretações diferentes, mas isto são contas de outro rosário, que até acabam por ser interessantes, principalmente quando as mentiras são tantas vezes defendidas e repetidas que acabam por ser verdades indiscutíveis, é um bocado com o que hoje em dia se passa na internet/redes sociais e um pouco pelos media (mass media)  em geral, principalmente nas televisões  com as “fake news” (notícias falsas) em que basta serem noticiadas para passarem a ser verdades que dificilmente se desmontarão, e mesmo que se prove o contrário, a dúvida ficará semeada para sempre. Pior ainda é que, com a desconfiança, começa-se a duvidar das noticias verdadeiras.

 

1600-s-cornelio (46)

 

Mas todo este assunto do parágrafo anterior, embora também possa afetar as nossas aldeias, fazem-lhe pouca mossa, pois a este respeito as notícias que a eles dizem respeito, facilmente são confirmadas, e por serem pequenas comunidades em que todos se conhecem, já sabem quando devem acrescentar ou tirar um ponto, dependendo de quem leva ou traz a noticia e depois, nestas pequenas comunidades, a grande maioria é gente de bem e de confiança, pelo menos para quem lhas merece.

 

1600-s-cornelio (17)

 

Ainda antes de mudar de assunto, um outro pedido de desculpas, este por aqui no blog às vezes se recorrer à língua inglesa,  da qual agora se usa e abusa,  fazendo com que às vezes apenas fiquemos a ver passar navios , e bem longe da costa, mas que, infelizmente, às vezes, a sua utilização é a única forma de nos fazermos entender, isto por não haver palavras em português para definirem a coisa corretamente. É o abuso do inglês e das siglas/abreviaturas. Num pequeno exercício propus-me fazer uma “fake news” sobre o frio e anunciado surto de gripe, com recurso às habituais siglas que nos atiram para cima sem nos explicarem de onde vêm ,notícia que bem poderia ser verdadeira, e que seria assim:

“Esta onda de frio levou que a CIMAT  e a CMC a acusar o CHTMAD EPE de não cumprir o estipulado para a RRHUC, não tendo o HC e os CSC 1 e 2, capacidade de resposta a um surto de  H3N2 e H1N1, H3N2, H7N1 entre outros, pondo em causa o SNS a prestar à população ao não se cumprir o PNS conforme defende a DGS e o próprio PM. A gravidade da situação já fez com que  o MAI, através do SEPC e a ANPC decretassem o alerta Laranja para TMAD e que as DNPEBRPCAF e o SINAE, acompanhem o evoluir da situação pelo que o MAI já convocou para os devidos efeitos as DAJDORICS da ANPC.” [i] (ver a tradução das siglas no final do post

 

1600-s-cornelio (140)

 

A notícia e uso de siglas até podem estar exageradas, mas a notícia até poderá vir a tornar-se real, contudo o que mais irrita, é que no meio de tanta informação, os media, raramente informam no que é essencial. Por exemplo, mal a Proteção Civil decreta um alerta, laranja, por exemplo, todos (os media) se apressam a dizer que os distritos tais vão estar sobre alerta laranja, mas raramente dizem o que se deve fazer ou como proceder neste tipo de situação.   Cá para nós que ninguém nos ouve, nesta coisa (que para nós é uma treta) dos alertas às cores, os de Lisboa para nos avisarem, mais valia dizerem: “Para Trás-os-Montes vai cair uma geada do caralho…” e toda a gente ficava a saber que durante a manhã tínhamos de sair de casa mais agasalhados que o costume e que nas sombras teríamos de estar atentos ao gelo.

 

1600-s-cornelio (129)

 

Às vezes um caralhinho na boca dos lisboetas até nem lhes ficava mal, pelo menos informavam devidamente o pessoal e muito mais que essa cena das cores verde, amarela, laranja e vermelha, que ninguém sabe o que fazer com elas. Ah! Ainda outra, e quando derem informações, que as deem entendíveis para todos os níveis de educação, pois ainda há por aí muita gentinha a não entender metade do que dizem, estou a ver,  por exemplo, num alerta VERMELHO os de Lisboa a dizerem: “ Atenção, todas as zonas em perigo são para evacuar” .  Cá pra mim, alguns dirão “Estes de Lisboa estão malucos” no entanto, estou a ver outros, uns poucos,  a pegar apressadamente num pedaço de papel que tenham à mão e aí vão eles a correr para evacuar na zona de perigo… mesmo sem saber porque! há pessoal que gosta de cumprir com o dever… Por isso, tento na língua naquilo que dizem.

 

1600-s-cornelio (107)

 

Acho que com esta, está na altura de me ir… Então assim sendo, bou-me!

Até amanhã e desculpas ao pessoal de São Cornélio por termos saído do carreiro e andar práqui com outras conversas, mas às vezes temos de aproveitar esta idas às aldeias para falar um bocadinho nos nossos problemas e preocupações que, afinal de contas, nas aldeias se sentem muito mais do que aqui na cidade. 

 

1600-s-cornelio (97)

 

 

[i]  “Esta onda de frio levou que a Comunidade Intermunicipal do Alto-Tâmega   e a Câmara Municipal de Chaves a acusar o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro EPE de não cumprir o estipulado para a Rede de Referenciação Hospitalar de Urgência/Emergência, não tendo o Hospital de Chaves  e os Centros de Saúde de Chaves 1 e 2,  capacidade de resposta a um surto de  vírus da gripe, pondo em causa o Serviço Nacional de Saúde a prestar à população ao não se cumprir o Plano Nacional de Saúde conforme defende a Direção Geral de Saúde e o próprio Primeiro Ministro. A gravidade da situação já fez com que o Ministério da Administração Interna, através do Secretário de Estado da Proteção Civil e a Autoridade Nacional de Proteção Civil decretassem o alerta Laranja para Trás-os-Montes e Alto Douro e que as Direções Nacionais: de Planeamento de Emergência, de Bombeiros, de Recursos de Proteção Civil e de Auditoria e Fiscalização e o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, acompanhem o evoluir da situação pelo que o Ministro da Administração Interna já convocou para os devidos efeitos as Divisões de Apoio Jurídico, de Desenvolvimento Organizacional e Relações Internacionais e de Comunicação e Sensibilização da Associação Nacional de Proteção Civil.”

 

 

11
Jan19

Cidade de Chaves - Casario da Rua dos Dragões

1600-(42189)

 

Ao ver a fotografia que hoje vos deixo, veio-me à memória uma passagem que li há tempos no VOL. XXII de “O Archeologo Português” se 1917, volume dedicado a Trás-os-Montes, com uma passagem por Chaves, onde o cronista percorrendo as ruas da então Vila de Chaves, faz o seguinte apontamento:

 

“Visto que me estou referindo a construções, notarei que das duas únicas sacadas de taboinhas que, ao que dizem, existem em Chaves, cabe á Rua Direita a posse de uma (no caso presente a palavra taboinhas quer dizer rótula),  Ha na rua outras sacadas e varandas de pau, porém de sistema de balaústres, que ora são esvaziados no interior, ora torneados, mas sempre simetricamente talhados. Por toda a Chaves se encontram numerosas varandas (rara até será a casa que não possua uma!): torna-se necessario, por causa dos rigores do inverno, aproveitar o mais possível o sol.”[i]

 

De facto assim era e ainda vai sendo no Centro Histórico de Chaves, rara será a casa que não tem varandas, como estas que hoje vos deixo da Rua dos Dragões, daí haver muitas vezes a referência a Chaves, a cidade das varandas.

 

Quanto às sacadas das taboinhas atrás referidas, ainda existem, um destes dias também ficarão por aqui.

 

Até amanhã com mais uma das nossas aldeias do concelho de Chaves.

 

 

 

 

[i]  In “O ARCHEOLOGO PORTUGUÊS”, Edição e Propriedade do Museu Ethnologico Português, VOL. XXII Janeiro a Dezembro de 1917 – N.ºs 1 A 12

 

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

Olhares de sempre

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      Esta loja pertenceu ao meu falecido avo Venâncio (...

    • Anónimo

      De regresso à cidade!!! Frase linda que eu também ...

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado!

    • Anónimo

      PARABENS PELO VOSSO TRABALHO

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado meu caro AB pela sua companhia nestas via...