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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Dez20

Sandamil - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves

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Sandamil

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Sandamil.

 

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Sandamil é uma das aldeias do planalto do Brunheiro, da freguesia de Nogueira da Montanha, uma das maiores freguesias do concelho de Chaves, com 11 aldeias, mas também das que sofre mais com o despovoamento.

 

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Sandamil é assim uma das aldeias de terras altas, a rondar os 830m de altitude, com invernos rigorosos, frios e húmidos, que por cá, principalmente àquela altitude, são de 9 meses, mas pelo menos vai escapando aos 3 meses de inferno que se sentem na veiga, com verões mais suaves.

 

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Para ir até lá, não há nada que enganar, basta apanhar a E314 em direção a Carrazedo de Montenegro, subir toda a Serra do Brunheiro e logo a seguir às bombas de gasolina de France, há um cruzamento, onde deve tomar o desvio da esquerda, logo de seguida apanha uma longa reta no final da qual há outro cruzamento, neste deve desviar à direita. Está tudo bem sinalizado.

 

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Sobre Sandamil já fomos dizendo aquilo que havia a dizer nos posts que lhe dedicámos anteriormente, para os quais fica link no final deste post, hoje estamos aqui pelo seu vídeo que ainda não teve, mas como sempre aproveitámos para deixar mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções. Vamos então ao vídeo, que fica já de seguida. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Sandamil:

https://chaves.blogs.sapo.pt/sandamil-chaves-portugal-1801042

https://chaves.blogs.sapo.pt/350080.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/18883.html

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Sanfins da Castanheira.

 

 

 

 

02
Dez20

Crónicas de assim dizer

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Perdi o cão 

 

Quando o Agente de Autoridade me abordou, perguntando:

- O que anda a fazer, num sábado à tarde cheio de sol, depois da 13h?

Respondi:

- Vim passear o cão.

- E onde é que ele está? 

- Pois, foi isso, perdi o cão!

Demorou alguns segundos a questionar-me de novo, provavelmente a reflectir se aquilo era humor ou só verdade!

E, depois, continuou:

- E a trela?

- Também a perdi. Quando me fugiu fiquei tão desnorteada (isto foi no Porto, ok?) que desatei a correr atrás dele até me cansar, não aguentar mais e parar para descansar um bocadinho. E é aqui que estou. Provavelmente devo-a ter deixado no local onde estava sentada com ele, mas estou tão cansada, mas mesmo tão cansada, que não me lembro onde foi!

 

Ele continuava a olhar para mim pensativo e julgo que na mesma reflexão. Aquela que está lá atrás, do se era humor ou... 

Continuei:

- Eu sei que isto não é o seu trabalho e que não se enquadra no “A bem do Serviço Público”, mas se me ajudasse a procurá-lo...

É que já passaram 2 horas e eu só ainda não desisti porque se trata de um membro da minha família!

 

O Agente aceitou a proposta, pareceu-me naquela atitude de: deixa ver no que isto dá! Palavra puxa palavra, pouco tempo depois, e não sei explicar como, já estávamos a falar da ordem do mundo, dos princípios de ética e moral do ser humano, do sentido de justiça e do que era afinal isto do respeito por nós mesmos e pelo outro e do estabelecer que limites e onde e quando os devemos colocar.

 

Da minha parte, a única de que posso falar, nada disto me estava a parecer estranho, acontece-me com frequência. Cumprimentar alguém pela manhã, dizendo: Olá, bom dia! e 2 horas depois ainda estar ali, de pé, no meio da rua ou na entrada do prédio, a falar sei lá do quê, mas interessante a esse ponto, ou seja, não dar pelo passar do tempo.

 

A coisa corria com verdadeira e fluente normalidade, mas depois o Agente da Autoridade interpelou-me novamente e, desta vez, fez uma introdução:

- O Sol está quase a pô-ser e, depois desta agradável conversa, acaba o meu turno e eu vou ter de voltar para casa. Mas, diga-me só uma coisa:

E o cão? 

- Qual cão?

 

Foi aqui que tirámos as máscaras e desatámos numa gargalhada que até as lágrimas nos saltaram dos olhos e quando, finalmente, me consegui recompor, acabei por dizer:

- O cão deve andar à procura da trela e quando a encontrar vai de certeza voltar para casa. Já aconteceu mais vezes. Há dias em que até me traz o jornal!

Ele olhou-me fixamente e sorriu, mas desta vez de um jeito que não me vou esquecer: para além da boca, usou o olhar.

 

Saímos dali. O Sol tinha acabado de se pôr e, nestes dias de Inverno, fica logo noite e o risco é maior, dizem!

 

 

Cristina Pizarro

 

 

 

01
Dez20

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

Cidade de Chaves

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Já há muito que não vínhamos aqui com esta rubrica, mas com esta coisa da pandemia e de começar a ter saudades do passado, mesmo que recente, ressuscitou-nos a vontade de trazer aqui mais um bocadinho do Chaves de ontem e o Chaves de hoje, um pouco inspirado, ou em tudo, por uma passagem do diário de Miguel Torga, a respeito da nossa cidade no ano de 1960, quando este senhor que está para aqui a teclar esta escrita, tinha visto a luz pela primeira vez há 5 meses e 4 dias.

 

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Eu que até gosto de Torga e que até o considero o maior escritor e poeta a cantar Portugal, que conheceu e calcorreou o seu território e conheceu a sua gente, principalmente do nosso Portugal interior e mais profundo. Eu que como flaviense me senti sempre muito honrado por Miguel Torga nos incluir (Chaves e a região) tantas vezes no seu diário e que até nos descreve e inclui no Reino Maravilhoso que ele criou para nós. Eu um Torgónamo assumido, quando li uma das passagens que escreve no seu diário em 26 de setembro de 1960, que até elogia a gente de Chaves, não gostei mesmo nada daquilo que ele escreveu sobre a cidade de Chaves. Fica já a seguir, com o que não gostei a negrito e sublinhado.

 

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Chaves, 26 de Setembro de 1960

 

Há terras, como Aveiro, por exemplo, impregnadas de não sei que dignidade específica. É uma espécie de irradiação ética, que compensa largamente o forasteiro de todos os desconfortos e desilusões urbanas que nelas sinta. Chaves pertence a essa família. Apesar de feia, suja e desfigurada, o espírito sente-se aconchegado dentro dos seus muros. O prazer que os sentidos não gozam na pureza dos monumentos, na grandeza das praças e no desaforo das avenidas, encontra-o a alma na atmosfera de sanidade humana que respira na mais abafada e miserável ruela.

Miguel Torga, in Diário IX

 

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Fiquei com esse nó atravessado na garganta até ao dia de hoje, em que fui vasculhar e procurar no arquivo fotográfico do blog Chaves Antiga imagens de Chaves do ano de 1960, onde por sinal até encontrei bastantes imagens, onde depois de as ver e analisar muito bem, despido de sentimentalismos e bairrismos, com o olhar neutro e virgem, tal como Torga viu Chaves na época, só tenho que pedir desculpas, talvez perdão a Miguel Torga. Ele tinha toda a razão, Chaves era feia, suja e desfigurada, ou melhor, a cidade estava  feia, suja e desfigurada, embora fosse a cidade que sempre tinha sido até aí e que ainda hoje é (refiro-me apenas ao Centro Histórico), aliás hoje, o nosso centro histórico até está bem mais desfigurado que nos anos 60 do século passado, só com uma diferença, passou a ser uma cidade mais limpa, asseada e embelezada, principalmente no que diz respeito ao seu património histórico e monumental (fortes, castelo, jardins e espaços verdes, rio, ponte romana e edifícios públicos, igrejas e capelas) e felizmente, a grande maioria dos edifícios privados, pelo menos os mais emblemáticos, têm e estão a ser reconstruídos.

 

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Penso que o próprio Miguel Torga, que nos últimos 20 anos da sua vida passou a vir a Chaves frequentemente, pelo menos uma vez por ano, se apercebeu dessa alteração na cidade de Chaves e que se viesse hoje pela primeira vez a Chaves, com o seu olhar sem que os olhos perdessem a virgindade original diante da realidade e o coração, não diria que Chaves hoje é feia, suja e desfigurada, antes pelo contrário, mas sem esquecer os pecados nela cometidos e alguns que estão por resolver, refiro-me aos mamarrachos de betão e a algum casario que há anos estão em ruinas ou completamente degradados, como o que fica a seguir, que por sinal são as vistas principais que se podem ver desde o Hotel de Chaves recentemente, e que não devem ser nada agradáveis de ver para o turista que pela manhã se aborda da janela para ver como está o dia… Ficam duas imagens para contraste, com pecados de hoje, mas também belezas dos anos 60, bem mais bonito que o atual espaço, pois nem tudo era feio, sujo e desfigurado, talvez exceções, mesmo ao que aqui se disse.

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Pelas imagens que foram ficando de Chaves no ano de 1960 e Chaves dos últimos anos dá para ver que a cidade foi melhorando o seu visual sem se alterar, bem mais limpa, bem mais bonita, uma cidade que hoje se recomenda e que para mim, como flaviense e sem qualquer bairrismo, não há cidade igual à nossa e é a cidade mais bonita do mundo, só o raio do bicho corona é que está cá a mais…

 

 

 

30
Nov20

Quem conta um ponto...

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518 - Pérolas e Diamantes: A má consciência

 

 

A distopia atual apresenta-se-nos como uma espécie de liberalismo a caminho da loucura. Há demasiado ócio.

 

A realidade não é só aquilo que acontece aos outros. Torna-se necessário desconfiar das lindas palavras proferidas pelos papagaios altruístas.

 

Apesar de não o verem, muitos portugueses continuam a ouvir ao longe os cascos do corcel do nosso infatigável rei encoberto D. Sebastião.

 

Depois de quase meio século de vida, a nossa democracia parece estagnada. Imaginámos um país diferente e uma vida diferente, mas o país, e a vida da maioria dos portugueses, continua a ser cinzenta. Respondemos à esperança com os socos da realidade.

 

Temos de convir que a má consciência não é a consciência democrática. Nem pouco mais ou menos. O problema é termos todos de a pagar, com língua de palmo, por causa dos maus democratas, que, por incrível que possa parecer, são os que mais a invocam (em vão), ou dizem defendê-la. A tal putativa democracia.

 

Nós não temos má consciência do passado, nem pretendemos esquecer a velha memória das cumplicidades. Apenas pretendemos mudar de vida.

 

No meio de todo este processo, não é o povo quem tem má consciência. Mas é ele quem, invariavelmente, tem de pagar a conta dos que cometem erros em seu nome. Ou invocando-o sempre em vão. Sacrificamo-nos todos em benefício de alguns.

 

As tretas de ontem, são as penas de hoje. E serão os sacrifícios de amanhã.

 

Mas a pós-modernidade está bem presente no nosso dia a dia, tanto quando cuidamos dos cães e dos gatos, como quando alinhamos os dentes nas clínicas da especialidade para podermos sorrir com insistência e conseguirmos mastigar os vegetais com o necessário rigor dietético.

 

Tudo tem a harmonia de um carrossel. E a mesma lógica. E o mesmo sentido de diversão.

 

A verdade é que somos bons a cozinhar bacalhau e a ver navios.

 

Ensinaram-nos que o nosso destino é viver entre a felicidade e a indiferença. A ritmar as atitudes, sem nos entusiasmarmos.

 

Nós gostamos que nos contem a história de D’Artagnan, mas a verdadeira.

 

Nós gostamos de festejar o valor da poesia, da nossa raça, do nosso partido, do nosso concelho, e de nomear comissões e subcomissões para se reunirem nos dias pares de cada mês para deliberarem sobre as respetivas comemorações.

 

E decidimos dar sempre um cunho e um significado que testemunhe o alto valor intelectual do povo. Sobra-nos em altruísmo, o que nos falta em criatividade. Mas não se pode ter tudo.

 

Gostamos de festivais poéticos, culturais, musicais e, antigamente, até dos taurinos. Mas agora touros nem vê-los, quanto mais comê-los.

 

Nós gostamos muito de ajudar a História e até as suas personagens a movimentarem-se à vontade. E, se nos deixassem, enfiávamos meio Portugal no Panteão e nos Jerónimos.

 

Claro que muitas vezes gostamos de pensar no almoço. Nós gostamos muito de almoçar de graça nos dias festivos. Mas também todos sabemos que não há almoços grátis.

 

Antigamente, nesses dias, acendiam-se os fachos da lírica eterna que nos possuía. Agora fazem-se sessões pirotécnicas de fogo preso que nos enchem de satisfação e orgulho.

 

Apreciamos fechar com estrondo todo o tipo de comemorações.

 

Sem fogo, todos sabemos, a festa nem parece festa. 

 

E temos sempre os bombeiros a apoiar tudo.

 

Todos os portugueses sabem que o amor é o que conta na vida. O resto são tretas. Por isso todos amamos com força. E isso é o que interessa.

 

O que seria de nós sem o amor, como muito bem diz o senhor presidente da República, que, mais do que um comentador, é um vidente. Ao senhor presidente custa-lhe muito pouco adivinhar o futuro. Provavelmente aprendeu com a Blimunda a ver através dos corpos opacos.

 

Para ele, todos os empreendimentos devem ser, essencialmente, amorosos. Por alguma razão lhe chamam o presidente dos afetos. E o epíteto está-lhe muito bem empregue.

 

Nós somos muito bons a esperar pelas comemorações. E quando elas se transformam em feriados, é ouro sobre azul. Mas somos ainda melhores a falar. A falar dos outros e do tempo. Dentro de cada um de nós estagia um ministro das finanças e um meteorologista. 

 

Pouco nos interessa o presente. Nós gostamos muito de vegetar nas glórias do passado.

 

Antigamente é que era. Já nada muda como soía.

 

João Madureira

 

 

29
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Pinhal Novo

Al deias do Barroso do Concelho de Boticas

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PINHAL NOVO

 

Nesta rubrica de O Barroso aqui tão perto, vamos continuar até concluir, as aldeias da freguesia de Beça, ficando aqui hoje a aldeia de Pinhal Novo.

 

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Estivemos quase para não trazer aqui esta aldeia, e o porquê ou razão é muito simples, já a tínhamos abordado anteriormente neste blog, mas foi num post especial, um post conjunto dedicado a várias aldeias, mais precisamente às aldeias de Salazar da Colónia do Barroso da Junta de Colonização Interna, da qual Pinhal Novo faz parte. No entanto seria injusto não ter uma abordagem particular, mesmo porque no referido post conjunto foi integrada nos posts dedicados às aldeias do concelho de Montalegre, e embora o Pinhal Novo faça parte desse conjunto da colónia do Barroso, é a única que pertence ao concelho de Boticas, e como tal, terá aqui o seu post, incluindo o seu vídeo. Vai ser pouca coisa e tudo muito parecido, mas a aldeia também é pequena e as casas originais da aldeia eram e ainda são, mais ou menos,  todas iguais.

 

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Embora tenha aqui o seu post, não vamos repetir aquilo que já dissemos sobre ela, principalmente sobre a sua origem e história, ou melhor, vamos repetir sim, mas recorrendo ao que sobre ela dissemos no tal post especial dedicado às aldeias de Salazar da Colónia do Barroso, mas antes, vamos deixar aqui, muito resumidamente, a história da origem desta e das restantes aldeias e colónias internas de Salazar.

 

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O designado Estado Novo de Salazar cria em 1936 a Junta de Colonização Interna (JCI), que, em síntese, visava povoar as zonas mais despovoadas de Portugal, construindo nelas aldeias novas destinadas a colonos, aos quais seriam entregues grandes áreas de terrenos, sobretudo constituídos por baldios existentes, Ideia que na época, não foi bem aceite pelas populações locais, sobretudo porque eram elas que administravam esses baldios e que deles tiravam, o que para muitos era o seu único rendimento e áreas de pastagem, embora, teoricamente, para a ocupação dessas novas aldeias fosse dada a preferência à população local, coisa que não aconteceu, pois foram maioritariamente ocupadas por casais (condição necessária) de vários pontos de Portugal. No entanto, a pobreza e necessidade da época fez com que alguma população trabalhasse para a JCI na construção desses novos aldeamentos, com alguns boicotes pelo meio, como o de plantarem árvores ao contrário (com as raízes para cima), segundo rezam alguns documentos da altura.

 

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Ao todo a JCI projetou para Portugal 7 colónias internas, sendo as mais próximas a Colónia do Barroso e a do Alvão, em Vila Pouca de Aguiar. Na Colónia do Barroso foram construídas 7 aldeias de colonos (ou colónios como dizia a população local) e ainda um Centro Administrativo para alojar técnicos e funcionários da JCI, centro este onde se localizava também o apoio administrativo às aldeias dos colonos, a fiscalização, sobretudo do cultivo e colheitas que os colonos tinham de entregar ao Estado, ou seja, em 7 partes da colheita, 6 eram para o Estado, e uma para seu sustento, destinando-se as 6 partes do Estado a amortizar empréstimos concedidos aos colonos, bem como a amortização do custo de cada casal (terrenos e habitação dos colonos), que a não ter sido o 25 de abril, hoje,  a segunda geração desses colonos, ainda estariam a amortizar.

 

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Colonização Interna que foi um fracasso, principalmente a do Barroso, começando logo pelas aldeias de colonos de Criande e Aldeia Nova que viu a maioria dos terrenos destinados aos casais dos colonos a serem inundados pela barragem do Alto Rabagão, para além de os terrenos que os colonos ocuparam serem maioritariamente impróprios para a agricultura, com a agravante de os terrenos cultiváveis estarem sujeitos a um clima hostil e pouco produtivos.

 

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A barragem invadiu parte da aldeia dos colonos de Criande e todos os seus terrenos de cultivo

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Com o 25 de abril as coisas alteraram-se e foi permitido aos colonos resolverem as obrigações que tinham com o Estado, podendo adquirir os casais que cultivavam ou abandoná-los, passando-lhes também a ser permitido vender o casal após a sua aquisição, coisa que não era permitida anteriormente, pois as obrigações do casal obrigatoriamente tinham de passar na totalidade para um e só um dos herdeiros dos colonos, de modo a que a propriedade não fosse dividida.

 

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De realçar que toda esta colonização interna era enaltecida pelo Secretariado da Propaganda Nacional, com constantes campanhas para a produção nacional e mostrando estas colónias como locais paradisíacos, produtivos e ocupados por famílias felizes, que na realidade não eram mais que escravos do estado e do sistema, além de mal queridos e até difamados pelas populações locais, porque afinal de contas, sem culpa, tinha tirado parte do rendimento e muitas vezes todo o rendimento ou sustento das populações locais. Hoje em dia, estas aldeias dos colonos encontram-se com alguns casais abandonados, outros foram vendidos e recuperados por não colonos tal como aconteceu nos Casais da Veiga de Montalegre, e nalguns, poucos,  ainda se mantêm os “colónios”, hoje, parece-me, já perfeitamente integrados e aceites nas populações locais.

 

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Pois Pinhal Novo é uma dessas aldeias de colonos, onde inicialmente foram construídas 10 habitações e constituídos os respetivos casais (casa+logradouro+terreno) e posteriormente uma escola. Estas aldeias que pela sua arquitetura e organização, nada têm a ver com as aldeias típicas do Barroso, eram constituídas por moradias isoladas com logradouro e tinham para a época já algumas condições de habitabilidade, além de todas elas serem servidas com as infraestruturas mínimas, ainda com um tanque e chafariz público, e áreas verdes envolventes, algumas com escola, e no caso da Aldeia Nova de Montalegre, tinha igreja, miradouro e posto da GNR, além da escola e espaços verdes.

 

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Hoje em dia ainda existem no Pinhal Novo as 10 construções iniciais, dessas, pelo menos 7 foram reconstruídas e/ou ampliadas, 3 mantêm a traça inicial e penso que estão abandonadas e dentro do espaço do aldeamento já nasceram pelo menos 3 novas construções/habitações e na proximidade outros tantos armazéns agrícolas.  

 

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Agora passamos àquilo que dissemos sobre o Pinhal Novo no tal post conjunto dedicado a todas as aldeias da colónia do Barroso:

 

As aldeias de Salazar – Aldeias Jardim

 

(…)

Esta aldeia, conjuntamente com a de Criande, Vidoeiro e Pinhal Novo, fazem parte de uma segunda fase de aldeias de colonos, decidida pela LCI em 1945.

(…)

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7 - Pinhal Novo

Esta aldeia foi implantada a apenas 1,5km da aldeia do Fontão, foi-lhe atribuído o topónimo de Pinhal Novo, talvez pela mesma razão das anteriores adotarem o nome do lugar. É a única aldeia da colónia de Barroso que foi construída no concelho de Boticas.

 

O Lugar de Pinhal Novo: «[…] com 10 casais, ficará situado já na freguesia de Beça, limite da aldeia do mesmo nome, na encosta Oeste do Alto das Pias. Para lhe dar acesso projectou-se a construção duma estrada principiando na E.N. - 4 - 1ª. no local denominado Alto do Fontão e terminando na povoação de Beça, do concelho de Boticas; prevê-se a continuação desta estrada para as termas de Carvalhelhos e para Boticas, sede do concelho do mesmo nome.» (J.C.I., 1945: 98). (…) A Escola e Capela: «Pinhal Novo, com 10 casais, ficará situado a cerca de 1.500m. de Beça, sede de freguesia, de que dependerá quanto à capela e escola.» (J.C.I., 1945: 99).

COSTA (2017)

 

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O terreno para implantação das moradias é retangular, com um arruamento de entrada, ao centro, que depois bifurca para dois arruamentos que acabam por se unir em curva no lado oposto à entrada. As moradias foram implantadas 5 de cada lado ao longo dos lados mais compridos do retângulo a confrontar com os arruamentos, entre os quais ficou uma zona verde, onde mais tarde se decidiu construir a escola, mesmo ao centro desta zona verde.

 

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Nos documentos acedidos, não se encontrou qualquer referência à área agrícola e florestal pertencente a cada casal nestas duas colónias. Supõe-se que no caso do Lugar do Pinhal Novo dado o número de casais ter permanecido inalterável, a área agrícola e florestal também terá permanecido. Já no caso do Lugar do Fontão, a redução do número de casais pode estar na origem da divisão da área agrícola estando, contudo, a área atribuída inicialmente a esta colónia dentro da média (14,5 a 25 ha) da área agrícola da colonização do Barroso.

COSTA (2017)

 

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Quantos aos projetos tipo adotados para a colónia de Barroso, a autoria é atribuída a mais que um arquiteto. Nalguns documentos que consultei, o arquiteto autor do projeto tipo das aldeias de colonos de Montalegre, à exceção da do Fontão é atribuída ao arquiteto Eugénio Corrêa (?), mas sempre com o ponto de interrogação à frente. Já quanto aos autores dos projetos da aldeia de Fontão e Pinhal Novos, temos o seguinte (no final também fica uma interrogação, mas por outros motivos:

 

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Fevereiro 1961: Projecto de Adaptação das Instalações Agrícolas do Casal a Posto Escolar. O projeto foi desenhado, pelo arquiteto António Trigo, para o Lugar do Pinhal Novo. O plano desta colónia também foi alterado, e a escola acabou por integrar a nova disposição no assentamento. O casal agrícola adotado, para o Lugar do Pinhal Novo, foi o mesmo desenhado pelo arquiteto Maurício Trindade Chagas para o Lugar do Fontão em Janeiro de 1951, e não o casal inicialmente pensado para esta colónia, o casal tipo desenhado para o Barroso, de 1943. Neste projeto, também se faz a adaptação do casal agrícola a posto escolar mas o edifício ao contrário do esperado foi construído de raiz no centro do largo que organiza os restantes casais agrícolas. Ainda mais intrigante é que o mesmo projeto foi replicado com a mesma disposição dentro da colónia de Lugar de S.Mateus — Seriam estes projetos destinados a casais desocupados e por não existir nenhum nessa condição tenham optado por construir uma cópia do projeto de adaptação?.

 COSTA (2017)

 

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Ainda antes de terminar este post e passarmos ao vídeo, vamos até ao itinerário para chegar ao Pinhal Novo, este, feito quase até ao destino pela N103 (estrada de Braga), com partida de Chaves e passagem por Curalha, Casas Novas, São Domingos, Sapelos e Sapiãos, a seguir a esta última aldeia, mesmo onde termina a longa subida, num cruzamento onde aparecem algumas construções, vira à esquerda em direção a Beça, e logo a seguir, a 1470m, num total de meia hora de viagem, num percurso de 26,3Km, temos Pinhal Novo. Ficam os nossos mapas

 

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Para quem quiser saber mais sobre as aldeias de Salazar também conhecidas popularmente como as aldeias dos “colónios”, fica aqui, na integra, em PDF, o que escrevemos e imagens sobre o assunto, basta clicar na imagem. Podem guardar e utilizar, desde que não seja para fins comerciais ou publicação na íntegra, e claro, como mandam as regras e eticamente o mais correto, caso utilizem em publicações ou trabalhos, por favor deem créditos à autoria.

Clicar na ligação:

aldeias jardim-Colonia do Barroso.pdf

 

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E agora sim, chegamos ao fim deste post, apenas nos falta o vídeo, aquele que nos foi possível

Fazer com as imagens disponíveis.  Mesmo assim, espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Este e outros vídeos, agora, também podem ser vistos no Meo Kanal nº  895 607

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

- COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

 

 

 

 

28
Nov20

Samaiões - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves C/Vídeo

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SAMAIÕES

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Samaiões.

 

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Samaiões que foi sede de freguesia até à ultima reorganização administrativa das freguesias e que hoje faz parte da União de freguesias de Madalena e Samaiões, ou seja, deixou de ser uma freguesia de periferia da cidade para hoje entrar nas freguesias urbanas da cidade e mesmo no centro da cidade, ao longo de toda a margem esquerda do rio Tâmega. Samaiões urbana, mas com toda a ruralidade de uma aldeia de montanha, que aliás já é, pois localiza-se em plenas faldas da serra do Brunheiro.

 

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Embora a proximidade da cidade, a aldeia com um tipo de povoamento concentrado à volta da igreja e de um arruamento principal, nos anos do boom de construção, não saiu da sua moldura, isto, penso que se deve ao estar rodeada de terrenos férteis numa espécie de “península” da veiga de Chaves, que termina mesmo onde o casario da aldeia começa.

 

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Embora o que se diz no parágrafo anterior, Samaiões é uma das aldeias que tem todas as condições para continuar como aldeia, com toda a sua integridade de aldeia típica e crescer , ganhando população, pois tem todas as condições para que tal aconteça, com bons acessos à cidade e próxima, a apenas 4km do centro da cidade e com vários acessos à cidade e vice-versa, o que às vezes pode fazer a diferença, com ótimas condições de aldeia dormitório, ou seja, um viver na cidade com a qualidade do campo, que em alturas ou situações como a da pandemia que atualmente atravessamos, aqui sim, faz toda a diferença, não por ter mais defesas quanto a contaminação, mas por, em caso de confinamento, terem em geral um pedaço de terra e ar livre onde podem passar parte dos dias ou usufruir dele quando quiserem, e isto, vale o que vale, mas para quem não o tem, vale muito. Mas íamos dizendo que Samaiões tem condições para crescer, não em direção à veiga, mas em direção oposta, nos caminhos que ligam à N314 e serra do Brunheiro. O tempo nos dirá se assim será ou não.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falarmos de Samaiões, isso, já o fomos fazendo ao longos dos vários posts que lhe dedicamos (com link no final). Hoje é mesmo pelo vídeo, mas também, aproveitando esta ocasião, para deixarmos aqui mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções. Ora vamos então ao vídeo, que espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº  895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Samaiões:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/samaioes-chaves-portugal-1798268

https://chaves.blogs.sapo.pt/samaioes-a-ruralidade-versus-1028029

https://chaves.blogs.sapo.pt/814803.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/694253.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/545928.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/245343.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/177166.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que subiremos ao planalto do Brunheiro para trazermos  aqui a aldeia de Sandamil.

 

 

 

28
Nov20

Ocasionais

ocasionais

 

“O cachorro de ALCIBÍADES”

 

 

*Pode ser certo que ninguém engana o povo

eternamente;

mas o número de tontos é incontável

 e por meio da sua manipulação

 um grande país

pode ser dominado por muito tempo*.

-W.Durant

 

 

Os tugaleses regalaram-se todos quando, numa certa madrugada de Abril, acordaram e viram o estandarte da “República democrática anti-parlamentar” deitado abaixo e substituído pelo da “Democracia parlamentar”, isto é, a União Nacional ficou desfeita e a desunião nacional, em forma de seitas partidárias, foi feita.

 

Acabara-se o cantarolar e o falar a «solo»   -   em bandas e em bandos todos passaram a ter o seu momento de fama!

 

Quando não, com o passar do tempo e a consolidação dos interesses e poderes partidários, as melodias cantadas por cada um e por todos os tugaleses depressa ficaram dentro do mesmo tom: a maioria dos tugaleses ficou transformada num autêntico rebanho de Panurgo!

 

E todas as tretas e pantominas daqueles a quem os tugaleses entregam as rédeas do Governo serão sempre uma inspiração do “cachorro de Alcibíades”.

 

O exemplo presente de tais pantominas é o aproveitamento de tudo ou nada que o actual Presidente dos EE. UU. faça ou deixe de fazer, diga ou deixe por dizer   -  Donald TRUMP.

 

TRUMP é «o cachorro de Alcibíades» exposto pelos nossos governantes e pelos seus novos «cães de guarda».

 

Os «coyotes» da matilha mundializada com que mantêm parentesco, ai, esses são corcéis garbosos e valentes que saltam todos os obstáculos na corrida para a feitura do «homem novo», do seu glorioso e futuro «homo sino-sovieticus»!

 

A mim, resta-me dizer: quem não os conhecer que os compre!

 

Só que para minha fatalidade e desencanto meu, e, depois, de quase todos, os nossos «alcibíades» anões, caseirotes, pedantes a darem-se ares de marialva da política, sem saberem o que esta é ou significa, mesmo que pouco ou nada ignorantes, estúpidos ou demasiado estúpidos quão malvados e impostores, conseguem mesmo serem investidos com os votos de um bando enorme de pacóvios e «patos-bravos» tugaleses!

 

Os nossos políticos (como lhes encontro graça quando dizem, com os olhos inflamados, peito inchado e a beiça torcida, a adornarem-se com o ouropel da expressão: - Sim! Nós, os políticos!) embora «de vistas curtas, mas de mãos rápidas», incitam os palonços dos tugaleses a terem esperança num amanhã melhor, muito melhor, e, provavelmente, nuns «amanhãs que cantam»!…

 

Mas não lhes dizem como esperar!...

 

Tal como vai a moral social, ora consentida, ora alimentada por um governo sem prestígio, sem competência, sem interesse e dedicação sinceros à «causa pública», a coesão nacional vai-se desmoronando, o respeito pelas leis e pelas normas de boa convivência, os crimes de todos os padrões, modelos e feitios alastram que nem labaredas sopradas pelos ventos de vendavais   -   o “amor ao próximo” está a ser substituído pelo «medo do próximo».

 

A política ideológica de transformar uma sociedade, um povo, num rebanho de pensamento único, ou mesmo de pensamento vazio, onde o «mé» da carneirada é o som e o tom do «politicamente correcto» está a ser posta em prática pelo actual Governo, dito «da Geringonça» e a obrigar o indivíduo, a pessoa, o cidadão, a sociedade portuguesa à ignorância do conceito de dignidade humana!

 

Como, sensatamente, escreveu Nietzsche: - “Tudo o que eleve o indivíduo acima do rebanho e amedronte o próximo chama-se mau”   -   a nobreza de espírito, de atitudes e de auto-responsabilidade altivas  são «aquele estado de coisas» motivo de desconfiança.

 

Tornar a «carneirada» inofensiva é mais cómodo do que aplicar castigo!   -   assim entendem os modernos governantes com desígnios totalitários e social-fascistas!

 

Os portugueses estão a ser, delicada, mas descaradamente, capados …nos seus direitos e nas suas liberdades!

 

Ai se não estão!

 

Adormecidos, endrominados pelas lengas-lengas de governantes e de políticos de baixo quilate, os tugaleses estão a contentar-se com a felicidade geral dos rebanhos de pasto!

 

Nietzsche profetizou com acerto: - “Os europeus (de certo estava a pensar nos «tugas»!) do futuro serão trabalhadores verbosos, pobres de vontade e muito dóceis, que precisam do senhor, do chefe, como de pão para a boca!

 

…A democratização da europa é, ao mesmo tempo, uma instituição involuntária para a criação de tiranos   -   entendida esta palavra em todos os sentidos, mesmo no mais espiritual   -   e levará à produção de um tipo preparado para a escravatura no sentido mais subtil”!

 

Nietzsche deixou-nos que pensar e que para reflectir!

 

Os portugaleses adoram a superficialidade: não foi por acaso que aderiram tão expeditamente à “Era do Efémero” (assim tenho qualificado a Era que que estou a viver)!

 

Sei bem, e vós também, quão pouco asseados de intenções, de propósitos e de espírito têm sido, e são, os nossos «abrílico-democratas» governantes!

 

Que prazer lhes encherá a alma, o corpo … e a carteira na medida em que falseiam uma “aurora de Abril” anunciadora da Democracia!

 

A verdade desse dia não demora a ser virada do avesso!

 

M., dezassete de Outubro de 2020

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

26
Nov20

REINO MARAVILHOSO - PINHÃO

Douro e Entre os Montes

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1600-reino maravilhoso

 

PINHÃO

 

Nesta rubrica do Douro e entre os montes, hoje vamos até uma localidade que quase entra pelo Rio Douro adentro – o Pinhão.

 

Vamos já ao mapa e itinerário para ir e vir do Pinhão, num passeio feito com partida e regresso à cidade de Chaves. No mapa aparecem duas alternativa de itinerário, a nossa recomendação, como sempre, é ir para o Pinhão por um dos itinerários e regressar a Chaves pelo outro. Passeios estes que são sempre para fazer nas calmas, em maré de apreciação e contemplação, para um dia.

 

mapa pinhao.JPG

 

E agora fica um pouco sobre o Pinhão, com aquilo que se diz na página oficial do Município de Alijó, ao qual pertence a freguesia do Pinhão.

 

A Freguesia do Pinhão encontra-se situada no coração da Região Demarcada do Douro, e é ladeada pelos rios Douro e Pinhão, situando-se deste modo na rota do Vinho do Porto.

Elevada a Freguesia em 1933, foi pioneira na rede eléctrica e iluminação pública, sendo a primeira freguesia do distrito de Vila Real a ter telefone, correio permanente e água canalizada.

 

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 Em 1934, foi criada a primeira Casa do Povo do Distrito em parceria com a freguesia.

 

Devido à sua situação geográfica, Pinhão tornou-se um importante entreposto comercial, sobretudo para o transporte do Vinho do Porto, primeiro em Barcos Rabelos, depois em vagões pela Linha do Douro e finalmente em camiões cisterna, o que permitiu a esta localidade um rápido desenvolvimento, alcançando o estatuto de centro económico geográfico da Região demarcada do Vinho do Porto.

 

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Hoje, o Pinhão, visando essencialmente o comércio e o turismo, oferece aos seus visitantes costumes, usos seculares, tradições, vindimas, adegas tradicionais, artesanato e sobretudo a famosa paisagem em socalcos das vinhas durienses.

 

Esta localidade possui ao nível do património, uma Estação de Caminhos de Ferro ornamentada com azulejos datados de 1937 que foram encomendados à fábrica Aleluia, sendo dos mais belos de Portugal, constituído por 24 painéis com motivos vitivinícolas, documentando a labuta do trabalhos durienses. A Ponte Rodoviária sobre o rio Douro projectada por Gustave Eiffel no século XIX, a Ponte Metálica Ferroviária, ponte sobre o rio Pinhão, a Igreja Matriz, Cruzeiro, Barco Rabelo, velhos solares, Quintas com visitas em veículos todo-terreno e sobretudo as paisagens durienses que convidam os turistas a visitas sazonais com especial realce para as vindimas e lagaradas.

 

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Não devemos esquecer o rio Douro, sempre convidativo para um passeio de barco avistando-se as quintas das bem conhecidas casas produtoras de vinhos generosos, assim como a Linha do Douro com realce para o Comboio Histórico a Vapor.

 

A festa anual em honra a N.ª S.ª da Conceição acontece no segundo domingo de Julho, atraindo milhares de crentes a esta Vila.

 

No plano gastronómico destacam-se o cozido à portuguesa, o cabrito assado no forno, doces conventuais, bolo borrachão, vinhos finos e de mesa, compotas e mel.

 

No artesanato são famosas as miniaturas do Barco Rabelo, a latoaria típica, mantas, colchas, rendas, bordados, cestos, chapéus, olearia, balsas e pipas.

 

Principais associações: Comissão de Melhoramentos do Pinhão, Clube Pinhoense, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Pinhão, Associação de Lavradores e Produtores do Vinho do Porto.

 

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“Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo.”

Miguel Torga in “Reino Maravilhoso”

 

 

Consultas: http://www.cm-alijo.pt/pagina/72 em2 5/11/2020

 

 

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