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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

22
Nov18

Do Campo da Fonte até à Escola da Lapa

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O post anterior de “Flavienses por outras terras”, em que o Luís dos Anjos traz até ao blog mais uma flaviense ausente,  a Carmen Antunes, despertou em nós algumas recordações antigas, tudo porque desde criança conheço a Carmen, embora mais novinha que eu, passava-lhe à porta de casa todos os dias, além de ser colega e amigo de uma das suas irmãs,  e termos em comum, pelo menos, os nossos trajetos até à cidade, que não estava assim longe, mas que era obrigatório passarmos pelos mesmos sítios. Claro que as recordações que ela guarda desses tempos idos não serão bem iguais às minhas, mas nas suas recordações vêm à baila sítios, lugares e escolas que hoje em da já não são bem como eram nesses tempos.

 

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Pois em homenagem também à Carmen que nos brinda com algumas das suas recordações antigas, vou fazer em imagem o trajeto obrigatório que ela teria de fazer até à sua escola da Lapa, que tal como ela afirma só funcionou como tal até 1974, sendo depois transformada em Escola do Magistério Primário. Uma mescla de imagens  de vários anos passados, sendo as mais recente mesmo deste ano, mas sem grandes alterações em relação ao que o sítio sempre foi e as mais antigas, repesquei-as dos anos 90, ainda da era da fotografia analógica, e essas sim, com algumas transformações mais ou menos profundas.

 

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Pois no seu trajeto teria de passara pelo Km.0 da EN2, na época um bocadinho mais diferente, aliás, no seu tempo de escola ainda deveria aí existir o posto de Polícia de Viação e Trânsito. Logo a seguir teria de entrar na madalena e atravessar a Ponte Romana, pois duvido que utilizasse a ponte nova bem mais distante.

 

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Do outro lado da Ponte Romana teria que passar forçosamente pelo Arrabalde, o antigo Arrabalde, esse sim bem diferente daquilo que é hoje. Uma praça aberta, vistosas e luminosa ainda sem mamarrachos pelo meio. Por sinal uma belíssima praça onde se festejavam os grandes acontecimentos da cidade.

 

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Quase de certeza que seguia pela rua de Stª António acima ou então, era menina para uns dias ir pela Rua de Stª António e outros pela Rua do Olival para ver o movimento da praça antiga. Fosse por onde fosse, também quase de certeza, que passava pelo Jardim das Freiras, então ainda jardim, a sala de estar da cidade e sempre com muito movimento e vida, não confrontasse então o jardim com o Liceu, com a GNR, com os Bombeiros, com a Caixa Geral de Depósitos, Correios, Aurora e Café Sport. Alguns destes equipamentos ainda estão por lá, e no lugar dos Bombeiros e GNR ganhou-se o espaço da Biblioteca Municipal, o que faz mesmo a diferença é o jardim que existiu duas praças (das freiras) atrás.

 

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Por último seguiria pela rua de Stº. António, contornava o Liceu e subia a ladeira em direção à Capela da Lapa, mesmo ao lado do recreio da escola, apenas uma travessa pelo. Claro que também poderia ir até ao Jardim do Bacalhau e subir um pouquinho da Júlio Martins, onde a meio tinha finalmente a Escola da Lapa. Quanto ao Jardim do Bacalhau, então ainda com a forma de um bacalhau, tinha ainda a pérgula e o antigo edifício militar da antiga cavalaria a confrontar a todo o comprimento de jardim, edifício esse bem mais interessante que os dois mamarrachos que limitam os espaço do atual jardim. Enfim, mas já que deixámos a Carmen na escola, está na hora de nós partirmos.

 

Até amanhã!

 

 

 

22
Nov18

Flavienses por outras terras

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Carmen Antunes

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” continuamos pela Suíça. No cantão de Valais, mais concretamente em Ardon, nos Alpes centrais, vamos encontrar a Carmen Antunes.

 

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Onde nasceu, concretamente?

Nasci num dia de grande cheia, no Campo da Fonte, a um passo do jardim público e do famoso Km 0 da Estrada Nacional n° 2.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

A minha primeira escola foi a Escola Primária da Lapa. Após o 25 de abril, todos os alunos foram transferidos para a Escola da Estação. Frequentei depois os dois ciclos na cidade. Por último, frequentei o Liceu, ou seja, a Escola Secundária Fernão de Magalhães, onde terminei o 12° ano, em Humanísticas.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Em 1984, os estudos levaram-me, uma primeira vez, a trocar Chaves pela periferia de Londres, em Inglaterra. Em 1988, foi o casamento que me levou para longe, e desta vez definitivamente, para a Suíça, país onde já vivia o meu marido.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Vivi em Chaves, onde nasci e cresci. Também em Iver, Buckinghamshire, Inglaterra, onde estudei, e em Ardon, Valais, Alpes centrais, onde formei o meu lar e criei raízes, adotando a nacionalidade suíça.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

A recordação de uma infância feliz, a brincar na rua, a nadar no rio e a subir às árvores é-me preciosa e ficará para sempre gravada. Lembro, com saudades, as noites de verão passadas à frescura do luar, os adultos sentados a conversar, a criançada a brincar e os jovens a escapar-se às escondidas, atraídos pela música das verbenas no jardim público. Veio depois a adolescência e os tempos de Liceu onde se criaram amizades para a vida. E, por último, a família do Karaté, no seio do Karaté Club Alto Tâmega, onde mais do que simplesmente Karaté se aprendia, sobretudo, a firmeza de caráter e a nobreza do espírito e da mente.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Duas sugestões sabe a pouco, pois Chaves é uma autêntica joia em termos de património histórico, cultural, gastronómico, e sobretudo humano. Estou convicta que cada turista, segundo os seus próprios interesses, encontrará atividades ao seu gosto e medida. Sugiro começar o dia com um passeio histórico - Ponte Romana, Castelo - prosseguir com um passeio cultural - Museu, Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso - e terminar em grande, gastronomicamente, claro está: presunto, folar, Pastéis de Chaves, e tudo o que vier de bom, rodeado de preferência de bons amigos Flavienses que nos levem, no final do dia, a beber um copinho de água às Termas para ajudar a digerir…

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Passear nas ruas, simplesmente. Caminhar nas calçadas que já conhecem os nossos passos. Dizer alegremente “Bom dia” e sorrir a quem nos viu nascer e crescer. Só quando abandonamos o berço damos conta da tranquilidade, da riqueza familiar e social que significa viver numa cidade onde todos sabem quem somos.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Tento regressar uma vez por ano, no mínimo, mas, para minha grande tristeza, nem sempre tem sido possível.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Gostaria muito, mesmo muito, que a autoridade competente revigorasse o centro histórico, avivando-lhe a alma, e que todos os esforços fossem feitos para que não se deixe esmorecer o coração da nossa bela cidade. Dá dó ver as lojas de proximidade encerrarem as portas, umas após as outras, dá dó ver a desertificação populacional, dá dó ver casas tão representativas da nossa identidade caírem em ruínas. Salvar o que é nosso não é saudosismo, é sabedoria. Apostar no futuro não pressupõe desprezar o passado.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Todo o Português que se preze, por muitos que sejam os mares navegados, sonha em voltar à terra. Penso que os Flavienses não fogem à regra. Se a vida me permitir, voltarei.

 

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O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

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21
Nov18

Em cada outono...

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Atrás dos primeiros menos-calores do estio findo vieram, nos acasos das tardes, certos coloridos mais brandos do céu amplo, certos retoques de brisa fria que anunciavam o outono. Não era ainda o desverde da folhagem, ou o desprenderem-se das folhas, nem aquela vaga angústia que acompanha a nossa sensação da morte externa, porque o há de ser também a nossa. Era como um cansaço do esforço existente, um vago sono Sobrevindo aos últimos gestos de agir. Ah, são tardes de uma tão magoada indiferença, que, antes que comece nas coisas, começa em nós o outono.

 

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Cada outono que vem é mais perto do último outono que teremos, e o mesmo é verdade do verão ou de estio; mas o outono lembra, por o que é, o acabamento de tudo, e no verão ou no estio é fácil, de olhar, que o esqueçamos. Não é ainda o outono, não está ainda no ar o amarelo das folhas caídas ou a tristeza húmida do tempo que vai ser inverno mais tarde. Mas há um resquício de tristeza antecipada, uma mágoa vestida para a viagem, no sentimento em que somos vagamente atentos à difusão colorida das coisas, ao outro tom do vento, ao sossego mais velho que se alastra, se a noite cai, pela presença inevitável do universo.

 

In, Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa.

 

 

 

21
Nov18

Crónicas de assim dizer

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Era uma vez

 

 

As pessoas gostam de histórias, quanto mais metafóricas, melhor! Pergunto porquê. Começa a não metáfora! Porque têm medo da realidade nua e crua, que não nos permite acreditar noutra, que não nos deixa margem para a imaginação, que não nos dá a liberdade de acharmos que pode ser diferente do que parece ou do que é! E nós adoramos essa parte, aquela que nos dá asas ao pensamento, aquela que nos permite ser o protagonista do filme, entrar para a história sem ninguém nos ter posto lá. Ainda melhor do que isso, que nos permite ser os críticos do filme! Nós adoramos dar a nossa opinião, a nossa arrogância chega ao ponto de dizermos, quando a emitimos, "no meu conceito...", como se as nossas opiniões passassem a conceitos depois de as manifestarmos! Pomo-nos literalmente em bicos de pés! 

 

Há outra coisa que as histórias também nos permitem, que é o podermos ler nas entrelinhas! São festas à nossa inteligência: “ai tu percebeste isso?! Eu não! Eu, que sou muito mais inteligente que tu, percebi exatamente o contrário! Mas isso é possível?” É, quando se trata de histórias é! E nós amamos esse conforto, o nosso ego cresce, a nossa auto-estima aumenta... A propósito disto, nunca vi uma definição ou um significado de auto-estima que me agradasse! É, no meu conceito, ok, apanharam-me, mas eu primeiro, um convencimento, um autoconvencimento: eu acredito que... Mas pode não ser verdade! Completamente diferente de um outro conceito, este também meu, que é a autoconfiança, que é um gajo saber que é capaz daquilo que realmente é capaz. E defino estas coisas mais ou menos assim. Mas se calhar estou enganada, lá está, o de há bocado!

 

Do exposto até aqui decorre que é muito mais fácil ler histórias, são mais acessíveis, do que ladainhas de considerações, porque as considerações nos obrigam a pensar naquilo mesmo, e nós não queremos que ninguém nos imponha nada, ninguém tem paciência para isso! Então agora, para além de perder o meu rico tempinho a ler isto, ainda me querem obrigar a pensar no que eu não quero?! Não, e as histórias ainda têm outra vantagem, é que se podem contar. Então não é bom contar histórias que se lêem? Há sempre assunto de conversa: ontem li uma história que dizia assim.... Mas ninguém vai começar uma conversa: ontem li um artigo de opinião que dizia assim... Até podemos, mas...

 

O problema, há quase sempre um problema quando as coisas parecem estar a correr bem, está em que as histórias fáceis de ler são difíceis de escrever! É preciso pensar em quinhentas coisas e escrever só uma, qual?; pôr uma cadência em coisas sem relação aparente nenhuma e inventar uma; arranjar uma sequência mais ou menos lógica de enunciação; colocar pormenores a substituir o fundamental, distraindo o leitor com acessórios e adereços até ele se perder completamente no emaranhado de uma floresta densa e quando ele chega à beira do abismo aparece-lhe uma cama elástica que lhe permite saltar para a beira do próximo precipício, donde nunca cai porque se trata de uma história!

 

Nas considerações a gente cai. E o abismo está sempre mais perto e é sempre maior do que de início supúnhamos. Corremos riscos: de fazermos hematomas, de fraturar ossos, de distender tendões, de fazer rupturas musculares, traumatismos cranianos, luxações da anca, descolamento de retina, deslocação de... Ui, um sem número de possibilidades, quase todas más, mas que sobretudo dão uma trabalheira dos diabos a reparar e ninguém tem paciência para isso! Então agora para além de perder o meu rico tempinho a ler isto ainda me querem obrigam a ir ao hospital, serviço de urgência, que neste país é como sabem…

 

E isto tudo para dizer que, hoje, vou contar uma história que começa assim: era uma vez.

 

 

Cristina Pizarro

 

20
Nov18

Inicio de 4 contos que não li e outros devaneios

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Olhou a fauna humana por olhar, já que não lhe restava muita opção. Ou melhor: não lhe restava opção porque, para ele, tudo era igual. Escolheu a mesa central, surpreendentemente vazia. Fora de padrão, menor que as demais. Sábado, naquele bar, a tendência era as mesas engatadas umas às outras, em conversas barulhentas. Fosse em Vitória, fosse em BH.

 

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Entre tantos pela rua andando, vai o pai à frente, desviando suas rugas de preocupação das dos outros que procuram perder as suas nas lojas. Vai à frente, puxando o pequeno. O que puxou a mãe. É mais claro que o pai. Quatro anos ou cinco. Aos passos largos, vão. Ele é sozinho agora, tinha de acostumar...

 

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Acordei inteiramente expatriado do tempo. Sabia que tinha sido atropelado no dia anterior, mas a avalanche de matizes, que se embaralhavam em segredo, tombou-me para fora do mundo calendário.

 

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O destino cruzou-lhes o sorriso. Um toque desses especulares, de tão hipnótico. Ainda que recheado de dúvidas. Não se viam havia mais de dez anos e, apesar disso, era como se o flerte dos olhos fosse o derradeiro arremate da tinta de um esboço que se esculpia há anos.

 

 

20
Nov18

Chaves D´Aurora

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  1. LADRÃO DE HONRAS.

 

 

De repente, ambos olharam-se nos olhos, a uma só cumplicidade – Olha lá que não seja quem estou a pensar. – Será? – Se calhar… – Ai meu Deus, não pode ser! – e deu um pequeno grito – Os gatunos! – correu até um pequeno armário e dele retirou o chapéu que o cocheiro lhe entregara, como se fora um butim de guerra. Na parte interna, sobressaía bordada, em maiúscula cursiva, a letra Agá. Escapara-lhe na ocasião que, além de aquele bordado representar, na verdade, uma só letra e não duas, ocorre muitas vezes uma diferença entre a inicial de um nome escrito e a do que é pronunciado. Existem letras mudas, é claro; tão impronunciáveis como certos pensamentos que nos advêm, em alguns momentos da vida e não os podemos externar. Acabam por se armazenar em nosso id e se tornam, até para nós mesmos, demasiadamente ocultos.

 

Flagelou-se então, mentalmente, a supor que, se tivesse sido um pouco mais perspicaz, poderia talvez ter cortado, em tempo hábil, as asas do vampiro, ter serrado os seus caninos e, quem sabe, impedido assim que as mordidas desse Drácula cigano prosseguissem, até chegar a esse hemorrágico desenlace – Como pôde esse maldito cão me fazer isso?! E ela, a nossa menina, deixar-se levar como as cadelas na cainçada?! – ao que Mamã, tomada de coragem, repreendeu-o – Bernardes! Vê primeiro como falas e de quem estás a falar! – E ele, murcho – É. Lá isso…

 

Galgou a saída de seu gabinete em um breve de segundos, quase a não dar tempo a que Aldenora e Lilinha se afastassem de sua escuta, atrás da porta. Encaminhou-se até ao cómodo de Aurora, mas um grito suplicante o alcançou – Por piedade, meu rico maridinho, deixa para fazer isso ao ar fresco da manhã. Como já diziam os antigos, essas coisas se fazem melhor após a noite ir embora, pois ela pode ser tão boa quanto má conselheira.

 

Sem dizer palavra alguma, o patriarca voltou à salinha, para saber apenas, a essa altura, de um charuto mofado e um Porto azedo. Trancou-se a um silêncio e melancolia que lhe seriam, doravante, a nova e triste expressão de si mesmo. Abatido, mergulhado na depressão, pousou os olhos no quadro de Nossa Senhora de Fátima, cujo rosto virginal era o mesmo de sua Aurora aos quinze anos. Um tempo que já lá se fora. Lágrimas de revolta se lhe vieram aos olhos, mas logo as enxugou, antes que os mais da casa estivessem de repente a ver um homem (e um homem como ele) chorar feito um bebé. Nesse mesmo dia, mandou que transferissem a pintura para as acomodações daquela que, involuntariamente, servira-lhe de modelo.

 

À manhã seguinte, pediu a Florinda que lhe levassem o pequeno-almoço ao gabinete, do que ela própria achou por bem se incumbir. Feito um autómato, com terríveis pensamentos a lhe martelar a alma, após mal alimentar o corpo, apenas a mordiscar vez por outra, com raiva nos dentes, uma indefesa côdea de pão, João Reis Bernardes preparou seu espírito para o mais doloroso momento.

 

– Que a nossa fi... que essa menina me venha falar!

 

(continua)

 

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19
Nov18

De regresso à cidade pela rua...

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De regresso à cidade por aquela que sempre pensei ser a rua principal da cidade, aquela que atrai as pessoas, que mais movimento tem. Penso que um dia foi assim, quando tinha de passar por lá todos os dias para sentir a cidade. Hoje já não tenho essa certeza. Ainda ontem ao fim da tarde, de regresso a casa de popó, passei por lá. Até me fica mais longe, pois obriga-me andar às voltas, mas é vício antigo o passar por lá para ver como vão as modas… e de relance vi haver por lá novas lojas, mas nem sei o que vendem, o problema é que passo na rua e não vejo nada, na rua parece-me nada acontecer, além de ter de ir com atenção para não me espetar contra as malgas ou alguém a desviar-se delas. A caminho de casa vim a pensar que talvez esta cegueira fosse culpa minha, comecei a sentir-me culpado por tal acontecer, mas, agora, a frio, desculpabilizo-me de todo. Mas que raio, afinal se a rua não me atrai é porque não é atraente, de todo, então aquelas malgas com hortências, tiram-me do sério. Pensei que os passeios se faziam para os peões circularem, calmamente e em segurança, com as malgas a ocupar metade do passeio, apenas deixam espaço para passar uma pessoa e a rua parece atravancada, quer para os popós quer para as pessoas. Se os pousaram lá para enfeitarem, vou ali e já venho, para segurança dos peões não levarem com um carro em cima ou para estes não estacionarem por lá, mais vale fecharem a rua ao trânsito, aí é que era, então com umas esplanadas pelo meio...  até eu ia dar por lá umas voltinhas a pé, nem que fosse e só para ver o que os novos comércios vendem, pois quem sabe, se calha até há por lá qualquer coisa que me interesse.   

 

19
Nov18

Quem conta um ponto...

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418 - Pérolas e Diamantes: O vime da História

 

Ramalho Eanes, lá do alto dos seus 83 anos, disse uma coisa que nos deve servir de lição: “Um homem que olha a sua vida e que não se arrepende de nada é um inconsciente.”

 

O problema é quando olhamos para trás e descobrimos que não fomos gente de bom senso. A leitura de D. Quixote fez-me mal. Mas a verdade é que não posso queixar-me de Cervantes. É como na comida, perdoamos o mal que nos faz pelo bem que nos sabe.

 

Mas até nos livros mais sérios podemos encontrar sempre coisas com graça. Querem um exemplo?, pois aí vai ele. No livro “Ramalho Eanes - O Último General”, de Isabel Tavares, Vasco Vieira de Almeida, conta que em pleno governo de Vasco Gonçalves, foi chamado a S. Bento naqueles tempos de “cobardia suave” para servir de intérprete a uma delegação do Bundestag. Estava ele a falar com o primeiro-ministro quando a secretária vem anunciar a chegada dos deputados alemães. E lá vão eles recebê-los. Entram na sala ao mesmo tempo que um grupo de deputados que em vez de altos, loiros e de olhos azuis, eram atarracados, gordos e morenos. Vasco Gonçalves estende-lhes a mão e diz: “Auf wiederseben!” E o putativo deputado alemão que vem à frente responde num português autêntico: “Senhor primeiro-ministro, muito obrigado por nos receber...” Atalha Vasco Gonçalves: “Mas você fala perfeitamente português.” E o putativo: “Pois, nós somos a administração da Torralta.” “Ai são?! Estão todos presos!” Foi desta maneira que Vasco Vieira assistiu à prisão da administração da Torralta, tendo a impressão de que estava no meio de um filme de Woody Allen.

 

Mas há mais. Quando VVA era ministro da economia do governo de transição de Angola, acabou por escrever uma carta aos movimentos de libertação (MPLA, FNLA, UNITA) a dizer que eram todos uns bandidos. Quiseram expulsá-lo logo de lá, por dizer a verdade. Aquilo era de uma violência enorme, os ministros andavam todos de pistola, que tiravam de uma elegante pasta Samsonite e colocavam em cima da mesa. Agora dá vontade de rir, mas na altura fiava mais fino.

 

Segundo Júlio Castro Caldas, tudo estava a ser manipulado pelo Partido Comunista. E não era sequer por Álvaro Cunhal, ministro sem pasta. Quem mandava no Conselho de Ministros era o Vasco Gonçalves, mas quem mandava no primeiro-ministro (pode parecer surrealista, mas acontecia assim) “era o tipo que fazia as críticas da televisão no Diário de Lisboa, o Mário Castrim, casado com a Alice Vieira e a quem puseram a alcunha de  ‘o Secretário-Geral’. Eram críticas repletas de mensagens que Vasco Gonçalves lia e seguia as suas instruções.”

 

Este senhor, o Castro Caldas, evidentemente, era do PSD e orgulhava-se de “ter antenas” em praticamente todas as situações militares. “E o Eanes, numa dada altura fez o mesmo no PS.” Talvez daí, o facto de Mário Soares não gostar dele. Nessa matéria, quem mandava “era o Manuel Alegre”. Cesteiro que faz um cesto, faz um cento.

 

Na altura do “Verão Quente” os democratas “conservadores” fartaram-se de conspirar. Tomé Pinto, um militar ligado a Eanes, recorda-se das reuniões em casa de Henrique Granadeiro em que o ex-ministro da Administração Interna, Costa Braz, trazia sempre as mensagens nos sapatos.

 

Segundo Joaquim Aguiar, que foi assessor de Ramalho Eanes e também de Mário Soares, refere que enquanto Soares queria que o elogiassem, Eanes queria que o ajudassem a decidir.

 

Joaquim Letria, que também trabalhou próximo de Ramalho Eanes, pois foi porta-voz da presidência da república, lembra que Eanes não aceitava com facilidade “esta coisa de utilizar uma linguagem mais simples nos seus discursos”. E dizia-lhe uma coisa com “muita graça”; contava-lhe que “uma vez tinha assistido a um discurso do Spínola pela televisão, estava em Viseu ou algures na província, num restaurante, ou algo assim, no meio de mais pessoas. E Spínola fez um discurso muito fechado, hermético. Ele pelo menos achou isso. Mas depois, falando com as pessoas que ali estavam, elas disseram: ‘Ah, gostamos muito de ouvir este homem... Sabe, os outros só dizem coisas que a gente também já sabe’.”

 

Sobre as gravações das conversas de Ramalho Eanes com Francisco Balsemão, enquanto primeiro-ministro, refere que “se havia uma coisa capaz de exasperar Eanes era a mentira”.

 

Ramalho Eanes fez um doutoralmente aos 71 anos. Adriano Moreira destaca que esse foi o abrir de um caminho para “uma coisa que em Portugal pouca gente nota, que é a estratégia do saber”.

 

Cerca de 50% da população portuguesa acredita que não precisa de aprender mais nada, já sabe tudo, o que é dramático.

 

Talvez por isso, tenha escrito que “a poesia é, assim, uma espécie de brisa fresca que nos lembra que, afinal, nem tudo é o calor asfixiante do interesse; que há muitas vezes, o vento fresco que faz com que olhemos a vida, olhemos os outros, de uma maneira mais próxima e mais afetiva”.

 

O cartoonista António, caricaturou-o com a figura de Dom Quixote, o que lhe assenta na perfeição.

 

João Madureira

 

18
Nov18

O Barroso aqui tão perto - Lodeiro Darque

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Continuando as nossas visitas ao Barroso aqui tão perto, hoje vamos mais uma vez até à freguesia de Salto, para uma aldeia que fica simultaneamente no limite da freguesia, no limite do concelho de Montalegre, no limite do Barroso e no limite de Trás-os-Montes, dá pelo nome de Lodeiro de Arque, às vezes também grafado como Lodeiro d’Arque, Lodeiro Darque, Lordeiro Darque e Lodeiro de Arca. Por aqui quase parece ser uma aldeia em tudo plural, mas não, é até muito singular nas suas características.  Da nossa parte para não estarmos a utilizar todos os topónimos conhecidos, de futuro, passaremos a referir a aldeia como Lodeiro Darque.

 

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Só fomos a esta aldeia uma única vez, decorria o dia 27 de maio de 2016, já depois das 17 horas, debaixo de uma valente trovoada em que chovia a potes, céu carregado e “baixo”, com muito pouca luz. Ainda pusemos a hipótese de lhe passar ao lado e ficar para uma próxima visita, que teria de ser propositada, pois sendo uma aldeia de limites não calha na passagem dos nossos itinerários pelo Barroso. Era um daqueles momentos em que sair do carro não era mesmo recomendável, nem com guarda chuva, mesmo assim decidimos dar uma volta pela aldeia.

 

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Entrámos e fomos logo brindados com um conjunto que nos agradou. Cruzeiro, alminhas e um pequeno chafariz compunham o largo de entrada. Não dava para sair do carro, mas com o vidro aberto sempre dava para fazer umas fotos rápidas. Muito escuras, por sinal, mas antes escuras que queimadas com luz a mais.

 

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As técnicas recomendam que o trabalho de campo seja precedido do devido trabalho de casa. Antes de avançarmos para o terreno deveríamos saber e recolher o máximo de informação daquilo que há por lá, no terreno. Mas digamos que sempre fui um pouco rebelde quando a normas estipuladas e que gosto de ser surpreendido. A única coisa que defino com antecedência são os itinerários de ida e volta a casa. Sei que com esta atitude às vezes deixámos coisas importantes para trás, mas também descobrimos outras, pormenores, que não vêm nos livros ou na informação disponível. Depois há também outra razão para esta atitude, é que ficando o Barroso aqui tão perto, a qualquer altura podemos lá chegar para completar o nosso levantamento, ou seja, arranjamos um pretexto para ir por lá outra vez. Não sei se será o caso, pois ainda estou na introdução do post sem saber o que os livros e outros documentos para pesquisa me reservam, mas prevejo que não sejam muitos.

 

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Em suma já tenho desculpas, talvez, para coisas que fossem de abordagem obrigatória e que tenham escapado ao levantamento, em imagem, pois quanto as conversas, na maioria das aldeias, vai sendo cada vez mais difícil, é que ao contrário do que acontecia há coisa de 30 e tal anos atrás, em que ao entrarmos numa aldeia apareciam logo os cães, os gatos, as crianças e as ruas tinham uma correria viva de pessoas e animais domésticos, hoje entramos e saímos, às vezes, sem ver vivalma. Pois em Lodeiro Darque, mesmo que habitualmente tenha uma vida social de rua, nesse dia não era mesmo recomendável andar nela. E assim foi, entramos e saímos sem ver vivalma.

 

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Já em casa, no pós-levantamento da aldeia, uma das primeiras coisas que geralmente faço é consultar as cartas, mapas e fotografia aérea. Às vezes lá dou conta de algumas falhas, de pequenos núcleos separados da aldeia que parecem merecer uma visita. No caso de Lodeiro Darque, a aldeia resume-se mesmo ao que vi. Pareceu-me então uma pequena aldeia que deveria ter mais qualquer coisa, mas não. Na realidade deve tratar-se de uma aldeia antiga que vivia à volta de duas grandes casas agrícolas, isto a julgar pelo casario existente em que duas construções se destacam como tal, e outras tantas com menos opulência, parecendo-me o restante serem armazéns agrícolas. Num total de cerca de vinte de casas, incluindo a capela e os armazéns e arrumos agrícolas.

 

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Pequena, sim, mas nem por isso deixa de ser interessante, com destaque para a sua entrada com o cruzeiro, alminhas e pequeno chafariz encostado às alminhas, as duas grandes casas agrícolas com pátio interior, a capela, o restante casario tipicamente transmontano e barrosão e a paisagem chegam para lhe recomendarmos uma visita.

 

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Vamos então à sua localização e itinerário para lá chegar a partir (como sempre) da cidade de Chaves. Pois desta vez, quanto a itinerário, partimos desde a estrada de Braga (EN103) até Sapiãos, onde abandonamos esta estrada para nos dirigirmos a Boticas. Depois tomamos a Nacional 311 em direção a Salto, nada que enganar, pois é sempre pela estrada principal, mesmo assim, a estrada está bem sinalizada para qualquer dúvida que possa surgir. Tem de se atravessar Salto e no final tem duas opções, sensivelmente de igual distância, numa segue-se pela N311 , passando ao lado de Reboreda e de Póvoa, a outra é via CM 1033, passando por Corva, Amial e Bagulhão, logo a seguir entra de novo na N311 e 400 metros à frente tem Lodeiro Darque. No nosso mapa que fica a seguir, recomendámos o CM1033 para ir (com passagem por 3 aldeias). No regresso, sempre poderá fazê-lo pela Póvoa e Reboreda, até Salto. Quanto ao restante itinerário de regresso a Chaves, desta vez, recomendo o mesmo de ida, mas sempre podem, chegado a Salto, descer à EN 103 e seguir sempre por ela até Chaves. Pelo itinerário recomendado, de Chaves a Lodeiro Darque são 60km (Via EN103 são mais 16Km).

 

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Retomemos agora com aquilo que encontrámos na documentação disponível, à qual tive acesso, sobre Lodeiro Darque, começando pela Toponímia de Barroso:

 

Lordeiro Darque, ou melhor, Lodeiro de “Arca”

 

É  mais um caso de eruditismo bacoco que até rima com idiotismo. Derivado de LODO (do latino LUTEU, que quer significar terreno enlameado) chegamos a lodeiro. No determinativo reside a dificuldade. Arque não é nada mas por dissimilação chegamos a Arque, corruptela de Arca. E essa arca teria de entrar no domínio arqueológico: ou “arca” > do latino arca como sepultura rupestre; ou como construção dolménica (que representa o mesmo); ou como marco divisório predial.

Como se trata de “lodeiro” onde a água e a terra se misturam, e condiz com parte da envolvência topográfica do sítio em causa, opto pela existência de algum marco que dividisse duas “vilinhas”, talvez Lodeiro de Arque e Lamachã, ali perto.

A confirmar quanto digo estão as INQUIRIÇÕES de

-1258 «in Lodeiro de Archa». A que propósito virá cá o Arque? Que tolice tamanha!

“Mais vale dinheiro na arca que fiador na praça”.

 

1600-lodeiro (9)

 

Tolices quem não as comete… mas pelo menos já fiquei a compreender porque chovia tanto quando fui a Lodeiro … E agora apetecia-me dizer: “e com esta me bou!”, mas ainda vou ficar mais um bocadinho.

 

1600-lodeiro (5)

 

Esperávamos que na “Toponímia Alegre” houvesse uma referência a Lodeiro Darque, mas não há, no entanto, bem mais antiga, há uma referência (do género) na Etnografia Transmontana I:

 

Alcunhas da Freguesia de Salto

(…)

Fome lazeira de Pereira,

Fome de rachar de Amiar, ou Manilhas

Tripas de Coelhos de Linharelhos,

Secos de pó de Caniçó,

Corvanitos de Corva,

Toucinheiros de Seara,

Pouco pão e muitas arcas de Lodeiro d’Arque

Peles de coelho em Paredes,

Sacos de palhas da Borralha.

(Informou Domingos Pereira Fernandes de Amial e José Frutuoso de Salto)

 

1600-lodeiro (12)

 

 

E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

1600-lodeiro (18)

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

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18
Nov18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

Poema f-u-t-u-r-o

 

quando tiver a certeza biológica 
que de alguma forma cresci
quero que me olhes com
as tuas pálpebras pisadas mortas 
extremamente fatigadas 
completamente destruídas
mas ainda brilhantes
inteiramente penetrantes
como um hieróglifo egípcio
a circundar entre o nervo ótico
e a iris mais distante. 

quando tiver a certeza biológica
que de alguma forma cresci
quero olhar pela janela amarela da sala
uma floresta um campo
lá fora é tudo cinzento
inundada por felinos selvagens
Pantherinae e Felinae
empoleirados em troncos de eucaliptos e
rochas de papel antigo 
envelhecido 
manchado com café expresso
o tempo acabar-se-ia logo ali
num nevoeiro perdido a três
que só os pontos ligados
na rosa-dos-ventos
formar-se-iam um qualquer ser mitológico 
que nos ajudasse a fugir dali
daqui
de qualquer parte fora dali
daqui 

quando tiver a certeza biológica
que de alguma forma cresci
quero sentir o cheiro 
no travesseiro pequeno
que a mamã comprou
é dia de passear com mamã
estás pronto
chocolates coisas moles que na boca
só pode ter o papá e a mamã 
hoje foi dia de passear com a mamã
gostaste

quando tiver a certeza biológica
que de alguma forma cresci
quero sonhar que estou a sonhar
beijar-vos enquanto durmo na sensação 
que estou a sonhar
que estou realmente a sonhar
meio olho aberto meio olho fechado
sobre uma escrivaninha velha que o avô me deu
acabei o próximo romance amor
a ver-te beijar outro
embalando-o como se fosse eu
há anos
esse outro 
que dizem ter destruído a torre de babel
com um simples golpe de choro e chichi
que lindos estão vocês os dois

quando tiver a certeza biológica 
que de alguma forma cresci
espero que não seja tarde
para vos adormecer –
o papá gosta muito de vocês.

 

Herman JC

 

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