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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

23
Jan21

São Cornélio - Chaves - Portugal

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São Cornélio

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de São Cornélio.

 

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São Cornélio que fica no limite do planalto de Travancas, ali onde se inicia a encosta que desce para as Nogueirinhas e Mairos e só termina no vale de Chaves.

 

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É uma aldeia que calha muitas vezes nos nossos itinerários de ida ou volta à cidade de Chaves, mas com a variante que há anos atrás construíram, agora, na maior parte das vezes, passamos-lhe ao lado, mas sempre que o tempo permite, entramos na aldeia, nem que seja e só para lançar olhares sobre a cidade de Chaves e o seu grande vale, mas também muito mais além. Algumas das fotos que aparecem no vídeo e que já foram anteriormente aqui publicadas, mostram essas mesmas vistas, pena que todas essas imagens fossem tomadas da parte da tarde, com o sol a contra luz. Numa manhã destas, quando o bicho da pandemia já estiver a milhas de distância, temos que ir lá, nem que seja e só para essa foto com a luz da manhã sobre a barragem das Nogueirinhas e sobre Chaves e o seu vale, com o mar de montanha de fundo.

 

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Fica então combinada a nossa ida a São Cornélio e num dia mais feliz do que o último em que passei por lá, em 30 de julho de 2020, pois esse foi bem negro, com o incêndio que teve início em Vila Verde e galgou a montanha por ali acima. Quando por lá passei, estava a aproximar-se de São Cornélio e Travancas, aliás algumas das imagens que hoje vos deixo aqui e parte do vídeo, são desse mesmo dia, um dia que de certo os de São Cornélio, de Mairos, de Travancas e de Curral de Vacas não esquecerão tão cedo.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falar de coisas tristes, nem de outras sobre a aldeia, pois sobre São Cornélio já fomos falando ao longo dos posts que lhe dedicámos e para os quais fica link no final. Hoje estamos aqui pelo vídeo que ainda não teve, com todas as imagens publicadas até hoje neste blog. Aqui fica, espero que gostem:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de São Cornélio:

https://chaves.blogs.sapo.pt/sao-cornelio-chaves-portugal-1814614

https://chaves.blogs.sapo.pt/s-cornelio-chaves-portugal-1182453

https://chaves.blogs.sapo.pt/706229.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/630365.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/271335.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até à próxima aldeia que será São Domingos, que em princípio estará aqui na próxima quarta-feira ou sábado, pois às vezes por razões alheias à nossa vontade, não podemos cumprir o nosso calendário.

 

22
Jan21

O Barroso aqui tão perto - Paredes - Salto

Aldeias do Barroso

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PAREDES - SALTO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Paredes, freguesia de Salto, Montalegre.

 

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Esta aldeia é uma das Paredes do concelho de Montalegre, mais precisamente da freguesia de Salto. A outra Paredes é do Rio, ou seja, é uma das aldeias implantada na proximidade do rio Cávado, e daí, tal como outras aldeias que lhe são próximas, adotarem o apelido de Rio, ou seja, Paredes do Rio, que será a próxima aldeia a ter aqui o seu vídeo. Mas hoje ficamo-nos pela Paredes, simplesmente Paredes.

 

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Paredes que tem como aldeia mais próxima Caniçó e a Borralha, onde se localizavam as antigas minas da Borralha e em sentido contrário a sede de freguesia – Salto, todas a menos de 2Km de distância.

 

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Paredes que foi para nós uma das aldeias mais agradável de descobrir, não só pela sua beleza e exuberância do verde que a rodeia, mas também pelas pessoas que lá conhecemos e com quem tivemos o prazer de estar e conversar, curiosamente uma aldeia quase sem população, mas onde conseguimos encontrar 3 gerações de uma só família, neto, pai e avó, aos quais mais uma vez agradeço a receção e hospitalidade à boa maneira barrosã. O único lamento que de lá trouxemos foi mesmo e só o de algumas ruinas e o despovoamento da aldeia.

 

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Curiosa foi a nossa entrada na aldeia, pois o primeiro ser vivo que vimos foi uma vaca a aparecer ao fundo de uma rua, depois outra, depois mais umas tantas que ao nos verem ao longe, pararam e ficaram a olhar para nós, aparentemente com receio ou medo, o que se veio a confirmar, pois segundo o dono, não estavam habituadas a ver outras pessoas estranhas e nós estávamos em pleno largo por onde elas tinham de passar. Mas lá foram vindo e passando, uma a uma, desconfiadas na abordagem à passagem mas após isso, apressavam o passo e lá foram, sozinhas, para o monte mais próximo.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falarmos de Paredes, isso, já o fomos fazendo no post que em tempos lhe dedicámos (com link no final). Hoje é mesmo pelo vídeo, mas também, aproveitando esta ocasião, para deixarmos aqui mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções. Vídeo ao qual passaremos de imediato. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Paredes, Salto:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a outra aldeia com o mesmo topónimo, mas do rio – Paredes do Rio.

 

 

 

21
Jan21

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

Da Praça D.Carlos I à Praça da República

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Praça da República

 

Neste Chaves de ontem e de hoje, vamos até à Praça da República, contando um bocadinho da sua história com base em algumas imagens disponíveis, sendo sempre um agradável desafio tentar localizar no tempo as imagens de que dispomos recorrendo a alguns dados documentais e outros dados que a própria imagem contém.

 

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Foto 1

Desde já, pela “Acta Municipal de 13-10-1910”, ou seja uma semana após a implantação da República, o Presidente da Câmara, Dr. António Granjo, propõe que a então Praça de D.Carlos I passe a chamar-se Praça da República, tal qual ainda hoje se chama, embora também seja conhecida por praça do Pelourinho, que foi lá erguido pela primeira vez em 1515, mas nem sempre lá esteve, tendo sido daí apeado em 1870, passando para o Largo da Madalena, tendo também aí sido apeado anos depois para no seu lugar ser construído um fontanário, que ainda hoje existe. Há também alguns documentos que posteriormente o localizam no atual Largo do Anjo onde novamente foi apeado, depois esquecido para mais tarde ser relembrado e erguido a meio da Praça de Camões onde pouco durou, vindo por fim a ser erguido no sítio atual. Pelourinho este que nos vai servir para localizar no tempo algumas das imagens de hoje, que para já podemos com estes dados dividir em dois grupos, a fase anterior e posterior ao pelourinho, ma há mais.

 

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Foto 2

 

Só a partir das imagens que temos disponíveis, a Praça da República passou por várias fases, a saber:

1ª – A praça com a casa dos arcos;

2ª – A praça sem casa dos arcos;

3ª – A praça com jardim, sem jardim, com jardim novamente, sem jardim novamente;

4ª – A cobertura da torre sineira da Igreja Matriz, a antiga e a atual;

5ª – A praça sem pelourinho e com pelourinho.

6ª – A praça com e sem olmo na praça de Camões.

 

 

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Foto 3

 

Para as duas primeiras imagens sabemos que a casa dos arcos durou pelo menos até 1920, pois foi nesse ano é que a Câmara Municipal arrematou a sua demolição “ Casa dos Arcos - Arrematada a demolição desta casa pelo construtor civil, desta vila, José Teixeira de Sousa, único concorrente, pela quantia de 50$00, com direito à pedra e com obrigação da limpeza do lugar”. No entanto sabemos a data da foto 1, pois a mesma foi publicada nas incursões autárquicas de autoria de Firmino Aires, onde na legenda consta ser de 1865. Aparentemente a foto 2 é da mesma data.

 

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Foto 4

 

Quanto à foto 3 e 4 sabemos que é posterior a 1920 porque já não tem a casa dos arcos e anterior a 1934, ano em que aí foi reerguido o Pelourinho. Entretanto dá para perceber que se foi ensaiando o ajardinamento, que mais tarde viria a envolver o Pelourinho.

 

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Foto 5

 

A foto 5, por ainda não ter pelourinho, é anterior a 1934, mas também não tem jardim nem canteiros, apenas árvores. Se não fosse pela nova cobertura da torre sineira da Igreja Matriz, seria levado a dizer que esta foto era anterior às fotos 3 e 4, mas assim não há qualquer dúvida que é posterior. Intriga-me é estar sem jardim e os respetivos canteiros e bancos, mas talvez seja uma foto já do ano de 1934 em que o largo é limpo e preparado para receber o Pelourinho e o novo arranjo do largo, com novos canteiros ajardinados, tal como se pode ver nas fotos 6 e 6-1, por sinal a mesma foto que deu lugar à publicação de dois postais ilustrados de diferentes séries. Esta foto já é posterior a 1940, pois ao fundo, o edifício do atual Museu da Região Flaviense já aparece com 3 pisos, tendo o 3º piso sido construído nesse ano.

 

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Foto 6

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Foto 6-1


As fotos 7 a 12 são todas posteriores a 1959 e anteriores a 1966, para afirmarmos isto, temos a data de algumas fotos (1960) a matrícula do carro em primeiro plano (HE-15-99) da foto 7, é uma matrícula do ano de 1959 ou 1960, e todas as fotos são anteriores às obras da Igreja Matriz de 1966 a 1968 em que a configuração do telhado é alterado, deixando de ter duas águas, passando a um telhado com dois níveis diferentes, ficando o beiral mais próximo do chão e a torre sineira mais à vista, embora com a mesma altura. Curiosa é a outra matricula do VW carocha, pois segundo a listagem de matriculas que a ANECRA – Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel disponibiliza, a matrícula do carocha (RS-13-83), deveria ser do ano de 1984, pois em todos os locais que procuramos pelas letras RS nos remetem para esse ano, daí, das duas uma, ou a matrícula é falsa ou então não consta nas listagens consultadas, vou mais pela segunda hipótese.

 

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Foto 7

Para ficarmos a saber mais um pouco sobre esta praça, vejamos o que Firmino Aires deixou registado na “Toponímia Flaviense”:

Praça da República
— Zona: Centro
— Limites: Compreendida entre a Rua de Santa Maria, Praça de Camões e Rua Direita.
É conhecida também como Largo do Pelourinho.

 

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Foto 8


Teve nome realengo, havendo caído em desgraça após a implantação da República. Como muitas vezes acontece, os heróis de ontem podem ser os traidores de hoje, caindo em menosprezo. Vai Victis! — assim diziam os romanos .

Este lugar foi e continua a ser o ponto onde se encontra e redivide todo um passado histórico de Chaves, desde tempos longínquos.
Aqui viveram populações romanas durante séculos. Aqui se comemoram actos religiosos e se viveram horas de opróbrio. Foi também cemitério medieval e praça (mercado).

 

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Foto 9


Desde tempos imemoriais foram ali os Paços do Concelho.

 

Os Paços do Concelho eram, desde tempos muito antigos, situados no pequeno largo contíguo à Igreja Matriz. O modesto edifício compunha-se de rés do chão e um andar, tudo de aspecto pobre e de acanhadas dimensões. Do lado do Norte confinava com a Rua Direita e aí tinha um pequeno torreão no qual estava instalado o velho relógio da vila. Do lado Sul confinava com uma casa particular, que em 1858 pertencia ao marechal de campo reformado Agostinho Luís Alves.


Em frente dos Paços do Concelho, limitando a pequena praça em que também se erguia o pelourinho da vila, havia uma arcada de três arcos, formando um abrigo, com um banco de pedra, destinado às pessoas que tivessem de esperar despachos da Câmara ou do Tribunal da Comarca, também no edifício instalado.

 

 

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Foto 10


A Câmara, para melhorar estas instalações julgou conveniente juntar ao edifício dos Paços do Concelho a casa acima referida e com ele confinante do lado Sul...


Com efeito, da acta de sessão camarária de 22 de Outubro de 1858 consta o seguinte:


O Presidente fez saber à Câmara a grande necessidade de alargar os Paços do Concelho... Por todas as razões propunha à Câmara a aquisição da casa do marechal de campo reformado Agostinho Luís Alves... sendo unanimemente aprovada...


A compra desta casa não remediou porém a deficiência de compartimentos para as instalações do município.

 

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Foto 11


…Mas o tenente de engenheiros José Correia Teles Pamplona, em serviço na guarnição, a quem a Câmara pedira o estudo dessas obras, informou que elas não podiam importar em menos de oito contos de reis e que ainda assim a casa não ficaria com as comodidades necessárias para todas as repartições, como a Câmara pretendia. A Câmara em vista disso resolveu desistir dessas obras.(Carvalho, Gen. Ribeiro de - Chaves Antiga, 109/110).

 

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Foto 12

Nesse mesmo ano de 1861, no mês de Julho, a Câmara foi transferida para o palacete do Largo Principal, pertencente ao morgado de Vilar de Perdizes —António de Sousa Pereira Coutinho, o que havia sido comprado por 2.600:000 reis.

 

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Foto 13

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Foto 14

 

Pelo Almanaque O COMÉRCUI0 DE CHAVES de 1937, viemos a saber que o último nome foi PRAÇA D. CARLOS I. Por proposta do Dr. António Joaquim Granjo, Presidente da Câmara, passou a designar-se Praça da República, deixando de se chamar Praça de Dom Carlos.
(Acta Municipal de 13-10-1910).

 

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Praça da República - Atual


E finalmente a praça que hoje temos, sem casa dos arcos, com pelourinho, sem jardim e sempre com muitos popós estacionados, mesmo que o acesso a esta praça seja de trânsito proibido e de estacionamento também.

 

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Praça da República - Atual

E diga-se que não foi fácil encontrar esta fotos, pois embora tenha as redondezas todas fotografadas, à exceção de alguns pormenores da praça, em geral passo-lhe por cima sem a fotografar. O porque é fácil de explicar, em geral, não fotografo coisas que não gosto de ver, e não é pela praça que não a fotografo, pois até é uma das mais bonitas que temos, mas não gosto dos adornos, embora até possam dar jeito num futuro distante, quando alguém como este artolas andar a pesquisar o possível ano da foto pela matricula dos tais adornos.

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Praça da República - Atual

 

Contudo, de vez em quando lá se consegue uma se adornos, com a praça limpinha, e aí, sim, já dá algum gosto tomar umas fotos
Sem carros.

 

BIBLIOGRAFIA
AIRES, Firmino - Incursões Autárquicas, Grupo Cultural Aquae Flaviae, Minerva Transmontana, Vila Real, 2000.
AIRES, Firmino - Toponímia Flaviense, Câmara Municipal de Chaves, Minerva Transmontana, Vila Real, 1990.
CARNEIRO, Francisco Gonçalves – A Igreja de Santa Maria Maior de Chaves, Edição de Autor, Livraria Editora Pax, Braga, 1979.
FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

WEBGRAFIA
http://www.monumentos.gov.pt/, consultada em 18-01-2021
https://www.anecra.pt/, consultada em 18-01-2021

 

18
Jan21

De regresso à cidade...

O nevoeiro e o frio

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Hoje o regresso à cidade não é nosso, pois estamos confinados e somos dos que cumprimos, mas há quem, alheios a esta coisa do vírus, regresse sempre á cidade e ao vale, e se deixe estar por lá desde o cair da noite até por volta do meio-dia do dia seguinte, embora às vezes, teimosos que eles são, fiquem por lá a noite e o dia todo, às vezes, semanas a fio…

 

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Esses dois teimosos têm nome, um chama-se nevoeiro, alapa-se no vale e não sai de lá, o outro chama-se frio, não se vê mas sente-se, costumam andar juntos e é uma das duplas mais flaviense que conheço e que todos os flavienses conhecem, comentam ou falam, e como se de chagas se tratassem, não nos largam, invadem-nos o corpo, às vezes até doer e não há roupa que lhe resista, é como o vírus que praí anda, invade-nos o corpo sem saber por onde entram. Mas indiferentes a tudo isto, talvez por hábito ou simples gosto, há que goste dos dias assim, e quem está longe, quiçá até os recorde com saudades, e uma coisa é certa, visto lá de cima, da croa dos montes, tem tanto de mistério como de beleza e quer queiramos oi não, fazem parte do nosso ser flaviense.

 

 

 

18
Jan21

Quem conta um ponto...

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524 - Pérolas e Diamantes: A arquitetura da virtude

 

 

Como diz Cavafis, mais cedo ou mais tarde, a todos chega “o momento do grande sim ou do enorme não”.

 

A literatura pode ser até útil, mas nunca será aquela que o pretende ser.

 

A virtude ou é secreta ou não existe. A virtude pública é sempre exibicionismo.

 

A boa literatura é aquela que não parece. A que não se parece com o belo. Mas aquela que soa a verdade. A uma verdade diferente, mas universalmente moral. A verdadeira literatura escreve-se sempre contra aquilo que, a cada momento histórico, é considerado convencional.

 

Tudo o que é absoluto, ou o pretende ser, cria incessantemente a mais absoluta das injustiças. Veja-se o caso das religiões monoteístas: cristianismo, islamismo, comunismo e fascismo.  Os seus chefes andam agora a fazer-se de distraídos dando de comer aos pombos.

 

É verdade que a história nunca se repete da mesma maneira, mas recorre sempre a máscaras ideológicas distintas. O erro, que costuma ser gravíssimo para os acólitos, está em acreditar que quando elas novamente surgirem serão menos perigosas.

 

Há homens que a partir da escola primária apenas deram larga à raiva, à inveja, ao azedume e à impaciência. E depois caíram na violência dos seus excessos estéreis, fazendo sátiras sempre mais insolentes que interessantes.

 

O caráter das pessoas de agora parece moldado pelas funções que desempenham. Só que isso não é caráter, é a tal máscara que esconde a personalidade.

 

Muitas das certezas públicas escondem incertezas privadas. Alguma razão tem de haver para ainda hoje sermos uma espécie de nação improvisada, onde é impossível distinguir aquilo que é esforço do que é inspiração.

 

Muitos dos nossos homens públicos pensam-se aves de quatro asas, mas não passam de avestruzes.

 

Aprendi com a burguesia duriense que os frutos e os gostos sabem melhor fora de época. Por isso são mais caros.

 

O verdadeiro luxo é austero, nunca artificioso.

 

Jonathan Swift, na sua obra Instrução aos Criados, escreveu: “Se o teu patrão ou a tua patroa chamam um criado ausente, que nenhum outro entre vocês responda. Porque nunca mais acabam de correr.”

 

Por alguma razão me fascinam os políticos que olham para as bouças de pinheiros com um ar preocupado. Talvez porque pensem, os mais letrados, que ali está a floresta de Dunsinane. Pressentem, ao de leve, que a vida se deteriora através de pequenos sinais que ignoramos.

 

Quando levamos os bobos a sério acabamos por perder o melhor deles.

 

Os mais astutos dos políticos são os que enchem os seus discursos com aquilo a que chamam de “profundos objetivos políticos”.

 

Maquiavel afirmou que os homens do seu tempo estavam menos afetos à liberdade porque eram mais fracos e mais religiosos. Nem quero pensar o que diria dos homens atuais. Talvez que estropiaram as nossas convicções.

 

O nosso povo debilitou-se pelo contágio dos seus dirigentes. Já ninguém se envolve em grandes ações. A indignação deu lugar à ociosidade.

 

Nunca há decisões definitivas. Ou melhor: nunca há boas decisões definitivas. A estrutura das cidades tentou transformar os rios. Mas a boa ideia talvez seja transformar as cidades a partir dos rios. 

 

Por vezes parece-me ouvir alguns queixumes de sofrimento, mas é apenas o vento a soprar de encontro aos padrões dos povos que ilustram a ponte Romana.

 

Agora sei contemplar o sítio exato onde os arcos da ponte são mais perfeitos. E desiludo-me com a nossa falta de entusiasmo político com os projetos arquitetónicos. E culturais.

 

A verdade é que as colunas se podem tornar perigosas.

 

As pessoas, parecendo andar aceleradas, vivem em “câmara lenta”.

 

Organizam festas sumptuosas sobre o rio. E sobre a ponte.

 

E generalizam. Pois, o que mais hão de fazer? Enquanto aguardam o resultado da primeira iniciativa, tratam de vulgarizar a ligação ao sistema. Ao sistema do êxito e da envergadura leve dos sistemas pesados.

 

Com ligeiros tremores de terras, as colunas que assentam em estruturas amovíveis desabam.

 

Mas até as estruturas mais robustas vêm abaixo quando atingem proporções desmesuradas.

 

Há sempre um nostalgia estranha que nos afasta da verdade. Há até amigos assimétricos que fazem cálculos curiosos para predizerem repartições, condições, traições e cogitações.

 

São sempre esses os que, depois de destruírem a estrutura, nos chegam a pedir para a reconstruirmos. Só que não se apercebem que já não há estrutura, nem aspetos, nem dimensões, nem integração, nem versão, nem entusiasmo. E muito menos dinamismo.

 

A partir de determinado momento, as recusas são sempre definitivas.

 

João Madureira

16
Jan21

O Barroso aqui tão perto - Pardieiros

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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PARDIEIROS

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Pardieiros, concelho de Montalegre.

 

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Iniciemos já por aquilo que nos poderá levar a pensar o topónimo Pardieiros, que pelo significado comum do termo nos levaria até casas velhas, em ruinas e toscas, mas não, embora tenha algumas construções em ruínas, mas qual é a aldeia que não as tem!?  A única diferença entre esta aldeia e a maioria das aldeias do Barroso ou até de Trás-os-Montes, está apenas na sua dimensão, uma aldeia pequena em que as casas se contam pelos dedos das mãos e habitantes, se calha, são outros tantos ou menos, mas isso não o podemos confirmar porque não temos dados para tal, agora no que não temos dúvidas é que Pardieiros,  é a mais pequena aldeia do Barroso, mas mesmo assim, tem o seu núcleo de casas, arrumadinhas na croa de uma pequeno monte e o seu ser de aldeia.

 

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Só a título de curiosidade, este topónimo de Pardieiros não é assim tão invulgar, pois em Portugal existem pelo menos mais seis aldeias com este topónimo e em Espanha, pelo menos duas localidades e em Terras de Bouro também existe uma aldeia com o topónimo de Pardieiro (no singular). E já que estamos em maré de curiosidades, há um topónimo, também em Terras de Bouro, que até há um ano atrás talvez passasse despercebido, mas que hoje chama a atenção: Covide.

 

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Deixamos a fotografia que se segue propositadamente para o fim porque esta imagem está repleta de informações. Este é já aquele Barroso ao qual eu apelido de Barroso minhoto. Aliás as últimas montanhas e as montanhas azuladas do lado esquerdo já pertencem ao Minho, mas o Barroso ainda continua pelas primeiras montanhas azuladas, embora o Rio Cávado que nessa zona agora é barragem de Salamonde, separe o Barroso minhoto (do lado esquerdo da imagem com as primeiras freguesias de Vieira do Minho) e o Barroso transmontano do concelho de Montalegre que se prolonga até ao final da barragem de Salamonde, onde ainda existem as aldeias de Pincães e de Fafião. Na imagem, ao centro e ao fundo, ainda se vê um nico da barragem de Salamonde.

 

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Continuando a analisar a mesma imagem (a imagem anterior) a aldeia que vemos em primeiro plano à direita é Santa Marinha, também localizada na croa de uma montanha a serra do Facho, que se prolonga até Ferral e um pouco mais além, cuja pendente após a aldeia, desce para o Rio Cávado que vai descendo entre montanhas até encontrar o Rio Cabril que corre entre a segunda montanha (que já é serra do Gerês) do lado direito (ainda esverdeada) e a montanha seguinte (azulada – continuação da serra do Gerês). Um último apontamento, que nos leva até à ponte da Misarela (também conhecida por ponte do diabo) que fica sobre um pequeno ribeiro que desagua no Cávado imediatamente antes deste se unir com o rio Cabril. Ou seja, uma imagem cheia de ofertas turísticas, principalmente de natureza, para descobrir

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Pardieiros que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre esta aldeia, a seguir ao vídeo, ficam um link para o post que há tempos lhe dedicámos.

 

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Pardieiros:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até ao próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Paredes do Rio.

 

 

15
Jan21

Vivências

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Tem a certeza que pretende apagar 2020?

 

Tem a certeza que pretende apagar 2020?

 

Se o ano de 2020 fosse um ficheiro do qual já não precisamos ou uma fotografia que tiramos e da qual não gostamos, esta seria a pergunta à qual responderíamos de imediato com um clique no botão “Sim” (e depois até poderíamos ir à “Reciclagem” e esvaziá-la, só para ter a certeza de que 2020 ficaria definitivamente apagado...).

 

Mas 2020 não foi nem um ficheiro nem uma fotografia que possamos, pura e simplesmente, apagar. Foi mais um ano das nossas vidas, com a (grande) diferença de que apenas foi “normal” até março (ou nem tanto...). Depois, de um dia para o outro, tudo mudou, e semana após semana, mês após mês, fomos passando por situações absolutamente novas para todos nós e inéditas até na história da Humanidade.

 

Para além da apreensão generalizada quanto à evolução da pandemia e do distanciamento a que fomos obrigados (para nós que tanto apreciamos precisamente o contrário: a proximidade e o contacto físico), o ano de 2020, ao contrário de todos os outros anos normais das nossas vidas, fica marcado, essencialmente (e lamentavelmente), pelo que não fizemos. Assim, fica marcado, entre muitas outras coisas, pelas férias que não fizemos (nem na Páscoa, nem no verão nem em qualquer outra altura do ano), fica marcado pelos feriados de que não desfrutamos, pelos lugares que não visitamos, pelos almoços de família que não realizamos, pelos cafés com os amigos que não tomamos, pelos eventos culturais ou desportivos a que não fomos, pelos apertos de mão, beijos e abraços que não demos (e foram tantos, tantos...)...

 

Agora que já estamos em 2021, cansados e desgastados por quase um ano de pandemia, mas com uma legítima e renovada esperança, impõe-se prosseguir firme e pacientemente o nosso caminho e chegar a dezembro próximo sem que nos passe pela cabeça a ideia de querer apagar 2021 das nossas vidas...

 

Luís Filipe M. Anjos
 
Leiria, janeiro de 2021
15
Jan21

Reino Maravilhoso – Puebla de Sanabria

Douro e Entre os Montes

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1600-reino maravilhoso

 

Puebla de Sanabria – Castela e Leão – Espanha (aqui ao lado)

 

Hoje saímos da moldura e do nosso reino maravilhoso, mas entramos noutro, ou melhor, na continuação do nosso, igualmente interessante e aqui tão perto.

 

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Inicialmente, a ideia, era mesmo para ir até à Galiza, aqui ao lado,, mas também ultrapassamos um bocadinho a sua raia.

 

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É mais uma proposta para um dia fora de casa, a pouco mais de uma hora de viagem (ida ou volta), sempre por autoestrada. Bem sei que por autoestrada as viagens são bem menos interessantes, mas neste caso justifica-se, porque a ideia é mesmo aproveitar ao máximo a nossa estadia em Puebla de Sanabria demorámos muito menos tempo a chegar lá.

 

mapa sanabria.jpg

 

Uma proposta para um dia de verão ou de inverno. De verão Puebla de Sanábria tem uma praia fluvial como oferta, mas também a montanha, a subida aos lagos, afinal de conta estamos num Parque Natural que não é mais que a continuação, também natural, do nosso  Parque Natural de Montesinho.

 

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Para o inverno, a neve é o seu principal atrativo, mas em todas as estações Puebla de Sanabria é interessante, pois a montanha e os lagos estão sempre lá e depois, não podemos esquecer a povoação, pois é considerado um dos mais pitorescos pueblos espanhóis,  com um rico património arquitetónico, com o seu casco histórico bem preservado onde o seu castelo domina e prende as atenções, e no casario a riqueza das casas brasonadas.   

 

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Quanto à gastronomia, claro que não tem a riqueza e variedade da nossa, mas de vez em quando, entrar numa de tapas, até sabe bem, e os vinhos, em geral, também são bons.

 

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Claro que agora com a pandemia lá teremos que adiar estes dias de um dia de passeio, ainda para mais que as autoridades galegas, mesmo sem encerramento de fronteiras, não nos deixam avançar muito além da raia, segundo me disseram nem à “gasolina” se pode ir, mas melhores tempos virão e então, aí, reserve um dia para Puebla de Sanabria, pois não se vai arrepender.

 

 

14
Jan21

São Caetano - Chaves - Portugal

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Santuário de São Caetano

 

Hoje estava previsto irmos até a aldeia de São Cornélio, pois assim o ditava a ordem alfabética que temos seguido nesta rubrica, no entanto no meu arquivo, antes de São Cornélio, aparece o São Caetano, que embora seja um santuário e não uma aldeia, de vez em quando, temos-lhe disponibilizado este espaço das aldeia de Chaves, daí, penso que também merece ter aqui o seu vídeo resumo com todas as fotografias publicadas até hoje neste blog.

 

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São Caetano que, como santuário, é um lugar de culto e de fé, mas também de reflexão e de estar, independentemente da fé de cada um.

 

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É um lugar onde vou com alguma frequência, precisamente pelo bem estar que o local proporciona, quer de verão onde a abundância de sombras nos refresca o corpo e a alma, quer de inverno onde se sente a natureza semisselvagem a invadir-nos todos os momentos, e já deixo de parte a arte da natureza a pintar com todos os matizes de do verde todo aquele espaço nas primaveras, ou a magia de todas as cores de outono, e sim, com todo este ambiente e bem estar, mesmo sem fé, a reflexão acaba sempre por acontecer.

 

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Mas o São Caetano para a cidade de Chaves e região, é muito mais que tudo isto, que vai além da fé, do culto e do cumprir promessas, é um lugar de peregrinação com a tradição de a viagem se cumprir a pé, iniciando-se essas caminhadas a partir do dia 7 de agosto, no dia da morte do Santo e se prolonga até ao domingo mais próximo deste dia, o dia grande das caminhadas que durante toda a tarde de sábado e madrugada de domingo da celebração a estrada de acesso ao santuário é invadida por peregrinos, geralmente em pequenos grupos. Caminhadas que por promessa ou puro entretenimento ou lazer,  se vão repetindo um pouco ao longo de todo o ano.

 

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Um lugar que era também de visitas habituais de Miguel Torga, não só pelo santuário e pelo hábito de Torga gostar de beber água de todas as fontes, principalmente às quais são atribuídas características milagrosas, mas também pelo cemitério visigótico que existe junto ao santuário, momentos que foi registando por várias vezes no seu diário: “(…) Peregrino anual e céptico, não peço ao orago graças que sei que não pode conceder a um mau romeiro. Bebo-lhe a água gelada da fonte de três bicas, regalo os olhos na paisagem aberta e larga, espreito o cemitério visigótico (…)”.

 

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Por uma ou por outra razão ou até sem razão nenhuma, o São Caetano é de visita obrigatória, mas hoje não estamos aqui para falar do Santuário, pois isso já o fomos fazendo nos vários posts que lhe dedicámos ao longo da existência deste blog, posts para os quais fica link no final desta abordagem de hoje, cuja intenção é mesmo deixar aqui o vídeo com todas as imagens aqui publicadas até à presente data.

 

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Claro que aproveitamos esta oportunidade para deixar mais algumas imagens do São Caetano, imagens que escaparam às anteriores seleções ou que entretanto fomos tomando nas nossas passagens por lá, por sinal com alguma frequência, pois fica num dos nossos itinerários preferidos para entrar no Barroso do concelho de Montalegre.

 

E agora sim, o vídeo com todas as imagens. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados ao Santuário do São Caetano:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/sao-caetano-chaves-portugal-1811957

https://chaves.blogs.sapo.pt/660003.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/414108.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/414108.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/199847.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/186179.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/63542.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de São Cornélio.

 

 

 

13
Jan21

Crónicas de assim dizer

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Os contrários

 

Estava ali a pensar nele e era como se me morresse por dentro! E por uma estupidez... continuava eu a pensar! Mas depois, pensei mais: se por uma estupidez se morre assim, é verdadeira vida o que se tinha antes? E fiquei aqui uma eternidade, talvez mesmo um dia, vá, um pouco mais, a tentar perceber se isto era mau ou bom. Há coisas complicadas, temos de admitir! Ou seja, a situação em si que levou àquela conclusão não foi de todo agradável. Quando se está a sentir na pele a agressão de alguém, e digo pele em sentido figurado e dou esta explicação por respeito às palavras porque quem lê dispensa esta explicação, nunca ficamos confortáveis. Aqui há duas hipóteses: ou temos inteligência e escolhemos a serenidade ou somos patetas e devolvemos a agressão. Sim, é verdade, umas vezes uma e outras vezes outra.

 

Eu nesse dia estava inteligente e por isso fiquei serena, como se os tiros disparados não me tivessem a mim como alvo e não tinham, obviamente não tinham e isso também o percebemos nos dias em que estamos inteligentes. Não é sempre. 

 

Assim, curvei ligeiramente os ombros, inclinei levemente a cabeça, flecti tenuemente as pernas, afastei vagamente os joelhos e nenhum dos disparos me atingiu. É engraçado que me podia ter virado para trás, para ver qual era afinal o alvo, mas não tive essa curiosidade.

 

Ainda fiquei uns tempos à espera que a situação se revertesse, sem para isso ter feito nada (aqui haverá alguém tentado a corrigir-me, achando que o correcto é “sem para isso ter feito alguma coisa”, mas hoje estou sem paciência nenhuma para este tipo de coisas e para essa espécie de gente) e a razão disso não foi outra senão (aqui o mesmo alguém ou uma sua variante poderá achar que faria melhor se escrevesse “se não”, mas continuo com a paciência de há bocado) o facto de permitir que o outro o fizesse, se isso quisesse. Ou seja, quando somos muito solícitos, pecamos às vezes sem dar conta porque não damos ao outro a liberdade de ele tomar a iniciativa. E isto pode funcionar como uma castração ou uma imposição nossa ao outro, impedindo-o de ser livre e agir de acordo com a sua consciência, supondo que a tem, e esse é o nosso limite. Não podemos ultrapassá-lo porque estamos a invadir o espaço do outro.

 

E com esta consciência, fiquei tranquilamente quieta e em paz. Mas o que aconteceu foi que o outro usou a sua liberdade de fazer, não fazendo. É um direito seu que eu respeito, embora nunca fosse o que eu escolheria. E lá esta, o relativo. Não escolheria desta vez porque a pessoa me interessava, mas já era capaz de o escolher, se a pessoa não me interessasse. E aos poucos chegámos lá, foi o que aconteceu. 

 

Ora, se me não interessava e eu estava ali a desviar-me dos disparos que não eram para mim, a conclusão era simples de tirar: eu não estava ali a fazer nada! (E os que ficaram lá atrás voltam agora: “Nada ou nenhuma coisa?” Poupem-me, que isto hoje não está católico!) 

 

De forma que o lamentável nem sempre é de lamentar. Às vezes, se analisarmos bem as situações, acabamos por dizer, como foi este o caso: Bendita estupidez! Foi pequena, mas tenho de lhe agradecer na mesma, porque o impacto dela foi gigantesco! Claro que ficamos sempre com aquela réstia de dúvida que podia ter sido diferente! Tão diferente que até podíamos ter sido nós a não ter lá estado! Considerações que nunca nos hão-de levar a lado nenhum e já se percebeu que essa é a pior forma de gastar o tempo: perdê-lo.

 

Cristina Pizarro 

 

 

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