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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Jun24

Cidade de Chaves - Um olhar...

Madalena


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Hoje vamos até à margem esquerda do Rio Tâmega, para uma passagem entre cantos, ou melhor, entre a Rua do Canto do Rio e o Beco do Canto do Jardim, por onde se faz uma das 4 entradas para o Jardim Público, esta, fica mesmo junto ao rio. Um lugar agradável para estar e passear, principalmente agora com os dias quentes a marcarem presença, as sombras do jardim sabem sempre bem.

 

Até amanhã!

 

 

13
Jun24

O Factor Humano

"Insistem em voar nas madrugadas"


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"Insistem em voar nas madrugadas"

 

Sentou-se com dificuldade no alpendre. Lentamente retirou um cigarro do maço e procurou a caixa de fósforos no fundo do bolso.

 

Não se recordava já da última vez que tinha fumado, nunca tivera esse hábito.

 

Por longos minutos voltou-se para os amieiros que bordejavam a margem direita do rio, o cigarro, ainda por acender, preso entre os lábios, a caixa de fósforos na mão, a tranquilidade pousada no rosto.

 

Descansou os olhos nos ramos das árvores, procurando ainda adivinhar o rio pleno de águas.

 

Distraída, a mão tocou o telemóvel cujo ecrã se acendeu anunciando, inutilmente, a ausência de rede.

 

Os últimos raios do Sol sumiam-se na cumeada, espalhando uma luz dourada, cada vez mais ténue, nas encostas a nascente.

 

Chegara o tempo de acender o cigarro e desenhar com o seu fumo a última mensagem.

 

Mas não tinha pressa. Estava seguro no seu tempo. Olhou uma vez mais a luz que se esvaía no declive, à medida que uma onda de sombra ia subindo a encosta, abraçando-a e escondendo-a no seu colo.

 

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E, de repente, já não se distinguiam as urzes nem as estevas, mergulhadas na noite que acordava na base do monte.

 

Veio-lhe uma vontade de escrever que não o visitava há muitos anos. Retirou uma factura da carteira e, no seu dorso, começou a escrever uma quadra, vício que tivera no passado. E podia ler-se "Retoma-se uma escrita já esquecida / As letras orgulhosas nas palavras / Quais aves que mesmo de asas partidas"...

 

Percebeu que já não conseguia terminá-la e pousou a caneta que rodou pela mesa até se despenhar.

 

Desviou os olhos para poente, derradeiro reduto do seu último dia. Conhecia o recorte daquela cumeada, como antes conhecera cada ruga da cara da sua companheira ausente.

 

 Quando o sol já partiu, fica uma nitidez vinda da luz que se ausentou, deixando a silhueta das serras, com as suas rochas e as suas árvores, como se fossem recém-nascidas.

 

Com mão firme riscou o fósforo protegendo a ténue chama com a mão. Depois aproximou-a do cigarro, inclinando levemente a cabeça.

 

Uma sucção dos lábios fez brilhar a extremidade do tabaco com uma densa luz laranja, e aspirou o fumo até aos pulmões.

 

Lentamente desenhou com a boca anéis de fumo que foram subindo, vagarosos, na atmosfera. Eram como arcos de um túnel que se alongava e alargava progressivamente.

 

Só ele viu então o cavaleiro da morte, galopando desde longe, através desse ténue caminho, até chegar junto a si.

 

A solidão foi-se inundando de ausências; primeiro de sons, depois de silêncios, até ficar plena de vazio, incapaz já de existir.

 

Mais nada lhe restava, apenas terminar.

 

Pouco a pouco o coração foi deixando de se sobressaltar e permitiu que a morte, aninhada aos seus pés, o serenasse. Sem medos.

 

Sobre a mesa ficou o poema incompleto, numa pequena folha que seria embalada pelo vento da manhã.

 

Atrás da fila de amieiros, as águas do rio foram-se afastando, com um travo salgado a liberdade.

 

Manuel Cunha (pité)

 

10
Jun24

Quem conta um ponto...


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685 - Pérolas e Diamantes: Eufemismos

 

George Orwell tinha razão, usam-se os eufemismos na política, na guerra e nos negócios como instrumentos para tornar as mentiras verdadeiras e o homicídio respeitável. A política ao mais alto nível é, mesmo assim, uma intenção de esconder a crueza dos factos com retórica, omissões, complexidade, exclusividade, conceitos e eufemismos. Os estados modernos conseguiram transformar as nossas necessidades em dinheiro. Ou melhor, criaram uma espécie de ideologia das necessidades essenciais para daí obterem lucros astronómicos. A verdade é que até o lixo ou a ecologia dão lucros chorudos. E a obesidade. E a hipertensão. E a diabetes. Primeiro empanturras-te e depois vais à farmácia comprar pastilhas para o desenjoo. Ou a bicicleta para emagreceres. E o capacete protetor e a indumentária e as sapatilhas desportivas e os óculos e as luvas, etc. Já não é a necessidade que cria o órgão. É o capitalismo que cria a necessidade. Os algoritmos direcionados são certeiros. As empresas tecnológicas compreenderam que utilizando a manipulação astuta da cultura da intimidade e da partilha do Facebook, por exemplo, são capazes de aplicar o excedente comportamental não só para satisfazer a procura, mas para criá-la. Os maquiavélicos, ou realistas, se preferirem, dizem uma coisa acertada e provada por séculos de história do poder: na prática, o objetivo essencial de todos os governos é servir os seus próprios interesses e defender e manter o poder e os seus próprios privilégios. Não há exceções. Nem as tais usadas para confirmar a regra. Uma forte oposição e uma opinião pública esclarecida são as únicas formas de refrear esses abusos. Alguém disse, e com razão, que apenas o poder restringe o poder. A “aristocracia democrática” é, na sua maioria, constituída por académicos ou cientistas, burocratas, técnicos superiores, ministros, presidentes de câmara, dirigentes sindicais, técnicos especializados de publicidade, sociólogos, jornalistas, deputados, comentaristas e políticos profissionais. O objetivo do poder é manter o poder. O poder não é um meio. É um fim. As relações de poder são sempre assimétricas, por mais que a “aristocracia democrática” nos tente convencer do contrário. O seu tipo de “linguagem democrática” é apenas um instrumento do seu poder. Está cheia de lugares-comuns. E, como todos sabemos, os lugares-comuns são inimigos da liberdade e da democracia. E aí está o CHEGA para o provar. A Google, por exemplo, que é uma empresa multinacional de softwares e serviços online, aprendeu rapidamente a ser uma espécie de adivinho que se sustenta em elementos que substituíram, em larga escala, os dados fornecidos pela ciência, para conseguirem adivinhar a nossa sorte e vendê-la com lucro aos clientes, mas não a nós. Nós somos o seu produto. A Google adivinha o comportamento dos indivíduos e dos grupos e vende esse conhecimento com lucro. O valor comercial do comportamento humano é enorme. Tudo o que vemos, ouvimos e vivemos é pesquisável. A nossa vida inteira é pesquisável. Vivemos numa sociedade de mercado livre. Esse mercado, em plena sociedade dita democrática, é protegido pelos fossos do secretismo, da ilegibilidade e da perícia. Há operações paralelas e secretas que convertem os excedentes em vendas, ultrapassando os nossos interesses. Ou seja, através da publicidade disfarçada, somos sugestionados a comprar aquilo de que não necessitamos com o velho truque dos preços baixos. Apesar de nos dizerem o contrário, o saber, a autoridade e o poder pertencem ao capital de vigilância, para quem nós não passamos de meros recursos humanos naturais a preço de saldo. As velhas reivindicações do direito à autodeterminação desapareceram dos radares da nossa existência. O circo é o mesmo, os palhaços é que mudaram. Como escreveram Eric Schmidt e Jared Cohen: “O mundo digital não se encontra realmente limitado pelas leis terrestres (…) é o maior espaço mundial sem governo.” Os espaços operacionais estão fora do alcance das instituições políticas. Foram expropriados. Por isso, a democracia dita liberal não passa de uma treta. De uma palhaçada. O circo montado são as redes sociais. Cada um tem direito às suas próprias palhaçadas. Neste circo de marionetas, os fios foram substituídos pelas teclas do computador, ou do iPhone ou do iPad. Por alguma razão, a Google é indiscutivelmente a maior empresa do mundo. E está sempre fora do alcance e do controle dos Estados e das suas instituições democráticas: “Eis a fórmula de Andy Grove (…) As empresas de alta tecnologia andam três vezes mais depressa do que as empresas normais. E o governo anda três vezes mais devagar do que as empresas normais. Portanto, temos um intervalo de nove vezes (…) Logo, deve garantir-se que o governo não se intromete nem atrasa as coisas.” Eles sabem o que andam a fazer. Andam a “circunscrever a democracia”.

João Madureira

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