Quinta-feira, 26 de Abril de 2018

A Pertinácia da Informação

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Abril e a pós-modernidade

 

 

Estamos no final de abril, aconteceu tudo assim, de repente. O sol e o calor chegaram no tempo deles, mas estávamos desprevenidos. Esta azáfama do dia-a-dia é um falso movimento, na verdade permanecemos no limbo. “E quanto tempo dura o limbo?” – perguntava alguém.

 

Eu, não sei quanto tempo dura, mas estou farta dele. Suponho que há etapas a superar para se chegar aqui ou ali. Ter consciência disso às vezes é paradoxal. Não há tempo… já vai tudo muito para além da última palavra que eu acabei de dizer. Isto é a característica própria da Pós-modernidade, a época em que vivemos. A Pós-modernidade é cheia de desencanto e questionamento, procurar a verdade ou as somas das verdades é como procurar uma estaca onde nos agarrarmos num naufrágio. A sociedade está naufraga entre a comunicação ruidosa e o consumo voraz.  

 

Desço a rua, oiço uma música contagiante, daquela que tem batida e apetece dançar… ora, tem um nome este tipo de música, como têm as outras, mas eu desconheço e penso no facto como algo vergonhoso “eu devia saber isso!” O sentimento é mesmo esse, a necessidade de dominarmos todos os assuntos: “Eu preciso saber sobre tanta coisa…” Temos necessidade de saber sobre tudo e não porque sejamos génios, mas apenas pessoas vulgares que devem estar corretamente informadas.  Vem-me à mente Abel Salazar, foi um homem completo, ao nível de qualquer um do seu tempo e do seu nível, em qualquer parte do mundo. A ditadura manteve-o cativo na sua própria casa, impediu de investigar, de lecionar… mas não impediu de ser. No entanto, penso como é perigoso ser-se genial mas fora do sítio, num pais provinciano. Foi acusado de corromper os seus alunos: “influência deletéria da sua ação pedagógica”. A caça às bruxas é uma constante ao longo da história. A invejazinha, a cobiçazinha, de gente pequena… mas o que é, é. Também há quem não seja genial e na sua exagerada medida pense que sim, se sinta perseguido e injustiçado… há ainda quem aspire a sê-lo e por isso nunca será, porque a genialidade é algo que acontece porque acontece e depois tem que se manter com trabalho e disciplina… Mas isso é outro assunto.

 

Hoje quase que precisamos ser uma coisas parecida com genialidade, precisamos ser algo que biologicamente é impossível. Precisamos ser máquinas, que não somos e por isso… rebentamos.

 

Lá está: faz falta uma política de civilização e de humanidade, como nos vão alertando alguns sociólogos. Morin, fala um pouco de tudo isto em “Rumo ao abismo?”. O autor acha que a conceção maniqueísta domina os espíritos e se confunde com racionalidade, a interdependência das sociedades é cada vez maior, mas em vez de ser feita na base da solidariedade, ela gera a sua autodestruição, a comunicação é cada vez mais intensa, mas sem dar azo ao entendimento.

 

Contudo, acredita que a porta para o improvável está aberta, e isso traz-lhe esperança… e a mim também.

 

As miúdas que dançam, ao som da tal música, têm corpos pequeninos… fico assustada. Na minha cabeça está aberta à discussão e ao debate: “A sociedade está a contribuir para um crescimento saudavel e adequado das crianças e das jovens? Estamos a contribuir para a adultização das crianças? Há uma erotização errada da infância através dos diversos produtos que se vendem: os desenhos animados com silhuetas finas, as letras das músicas...  Ou será que é natural deixar o corpo movimentar-se, exprimir-se… se calhar é só medo infundado da mudança... ou é apenas a constatação de que não podemos controlar nem travar esta intricada e complexa movimentação veloz da pós-modernidade?

 

 A minha mente exige-me uma resposta rápida, uma solução eficaz para aquele choque momentaneo. Sou confrotada com a necessidade de desdramatizar, de desproblematizar ou encontrar o caminho pelo menos para a prevenção do problema, se não para a sua solução. Mas a solução não vem em doses unicas. A pluralidade exige soluções singulares e personalizadas... exige tempo, calma e ponderação.

 

Entretanto já estamos a falar linguagens diferentes e entre mim e eles existe um fosso abismal! Estes, são mais crescidos e até parecem responsáveis... pelo menos, vieram imprimir os trabalhos, à última da hora é verdade, mas estão preocupados com a entrega dos mesmos. Um deles tem consigo um trabalho encadernado e leio na capa “Relatório de Biologia”. Falam de videos no youtube de outros a jogarem jogos?!Terei entendido bem? Sim, há youtubers a dar dicas sobre como jogar alguns jogos... e eles vão passar o feriado a ver alguns... discutem sobre o que será melhor se ver os nacionais ou os internacionais. Um deles diz que há um que é o melhor de Portugal, mas fica sem argumentos porque o outro diz que não tem assim atnatas visualizações. Bem, se calhar a conversa não foi bem assim.… dentro da linguagem que eu ainda conheço, ou de acordo com os meus subsunssores foi assim que interpretei a coisa... às tantas eles passaram o tempo todo a falar sobre outa coisa qualquer... lamento, eu cá entendi isto e assim vos conto.

 

Mas em que epoca vivo afinal? Eu realmente sou parola não entendo de nada! No outro dia, tentei falar com outros... afinal a nossa música era “tipo, muito má!” era mais “a letra era tipo, muito explicita” ... eu fiquei toda feliz a pensr que iamos ter tema para conversa, afinal no outro dia falaram em filmes de David Lynch... mas não, isso já foi tipo há bué de tempo... antes do Natal! Claro, eles fazem um ar de asco, como se a minha parolice de cota os fosse contagiar! Caio então na dura realidade: estou qualquer coisa parecida com uns biscoitos fora de validade – comem-se, mas não são a mesma coisa que antes.

 

E agora? Agora, olha, vamos aceitar os factos e ser uns biscoitos com algum tempo, sim, mas com outras propriedades. Já sofri alguns naufrágios e lá me tive que salvar, agora toca a perceber com a maior rapidez possível e clarividência de pensamento como se comporta a ondulação nesta epoca conturbada, e, dentro do possível, ensinar os outros a nadar o melhor que sei. Isto, terá que ser o suficiente. De resto, terão eles que saber fazer o seu melhor. Terei que confiar que serão capazes, como tivemos que ser nós e por isso é preciso recordar-lhes e insistir todos os dias que são eles que vão ter que nadar a vida deles.

 

Se me for possivel, tentarei mudar as ondas da pós-modernidade: exigir e construir políticas de civilização e de humanidade. Mas isso, já não vai depender só de mim, nem vai lá apenas com muito amor.

 

Lúcia Pereira da Cunha

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:22
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Cidade de Chaves - Um olhar e alguns devaneios

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:25
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Ocasionais - O Museu de FAIÕES

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 “O Museu de FAIÕES”

 

*Vivemos todos sob o mesmo céu,

mas nem todos temos o mesmo horizonte….*

K. Adenauer

 

 

Não consigo esconder o apreço e o respeito que sinto pelos testemunhos históricos, sejam eles pequenos ou grandes monumentos ou simples vestígios.

 

Disseram-nos que «a vida dos mortos está na memória dos vivos».

 

Num pedaço de ânfora, numa ara, numa anta, numas «alminhas», nos restos de uma casa castreja, num templo, pequeno ou monumental; numa muralha ou num castelo; num moinho, de água ou de vento; num «baldão» ou num c(a)ravelho da porta de um «quinteiro» (ou de uma adega!) vejo e sinto sempre a grandeza e a nobreza de gente que construiu o meu Passado.

 

Quem mandou fazer o castro ou o muro; a calçada, a ponte ou o castelo; a capela ou a catedral; um asilo ou uma escola; o açude ou a represa; a levada ou o canal ou a azenha;  a bilha ou o punhal poderá até ter sido um malvado, um tirano. Mas aqueles que aí deixaram o seu suor, a sua arte, os seus sonhos, as suas esperanças e, até a sua vida deixaram-nos lições de dignidade humana.

 

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E a todos eles sinto que devo expressar o meu reconhecimento e o meu respeito.

 

E creio que o merecem por parte de todos os que vieram depois deles.

 

A Escola de FAIÕES é das coisas modernas mais lindas de CHAVES!

 

Está abandonada, disseram-me!

 

Nem posso acreditar!

 

E depois, os pindéricos intrometidos na política, armados em entendidos da mesma, montados na montanha das suas mediocridades, bem mais alta que a Serra do Brunheiro e até da do Larouco, admiram-se que caia «o Carmo e a Trindade» nos comentários e Post(ai)s que «residentes» e «ausentes» escrevem acerca da sua bronca competência política e do seu paupérrimo e ridículo desempenho autárquico ou parlamentar!

 

Coitaditos! Sabem bem armarem-se ao pingarelho, explorar a boa-fé, as crendices e o desejo mais frágil e mais fraco, a esperança, dessa gente!

 

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Os que se dizem políticos locais, e os autarcas, em particular, verdadeira ralé política, social e cultural, não tendo o mínimo respeito pelos antepassados, mesmo por aqueles que foram seus contemporâneos, como podem ter respeito pelos seus coetâneos?!

 

Por aí (tal como por aqui e por todo e qualquer lado) a camarilha político-partidária define a política pela quantidade de comes-e-bebes com que outros lhe enchem a pança, pela quantidade de fotografias nas quais podem revelar as mudas de roupa e os estilos de penteado que as mordomias politiconeiras lhes prrorcionam e pelas vezes em que lhe pôem um microfone à frente.

 

Convencem-se ser imaginativos, criativos e inovadores desfazendo o que antes foi bem feito; e ousados e valentes dando ao desprezo as obras e os monumentos que gente briosa, respeitadora da História e da sua terra natal construiram e que testemunham uma grandeza de sentimentos que essa trupe incompetente, imbecil e insignificante inveja.

 

Aí por CHAVES, inútes, verdadeira e definitivamente inútéis, têm sido os medíocres ascendidos a pindéricos politico(neiro)s  para quem uma coluna de cimento armado tem tido mais valor do que uma Capela Visigótica,  «um martelo vale mais que uma sinfonia», e um arroto de soberba ignorância, mais do que uma Escola Primária desactivada!

 

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E a Escola de FAIÕES é das coisas modernas mais lindas de CHAVES!

 

A JUNTA de FREGUESIA tem a obrigação de «apertar o papo» à Câmara Municipal, para que esse monumento seja respeitado como merece: manutenção e conservação atempada e periódica, e aproveitamento para fins culturais (p.ex., uma Biblioteca, Sala de Exposições, Clube de Leitura e Tertúlia Poética, etc., etc.,).

 

.... Ou Museu do celebérrimo «Trigo de QUATRO CANTOS”, de FAIÕES!!!

 

M., seis de Abril de 2018

Luís Henrique Fernandes

 

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Quarta-feira, 25 de Abril de 2018

25 de Abril - Sempre!

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Não podia deixar passar a esta data sem vir aqui com o SEMPRE do 25 de abril, em celebração do seu 44º aniversário, que tal como diz o poeta, deste “Abril já feito. E ainda por fazer”. Por mim, continuemos a sua construção… 25 de Abril - Sempre!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 16:09
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Crónicas de Assim Dizer - O Dono da Rua

assim dizer

 

O Dono da rua

 

Tinha um ar imponente, não elegante, imponente! O olhar fixo, falsamente desatento por momentos, mas permanentemente fixo, como se lhe tivessem ensinado em pequeno que o olhar, esse olhar, era uma forma de poder. Raposa matreira que hipnotiza com uma força que lhe é alheia, que roubou a alguém, mas que só o denuncia a uma outra raposa, mais matreira que ela, que o adivinha, que lhe sente o cheiro.

 

Tinha uma armadura que não se percebia bem para o que servia. Protegia-o de tudo, do bem e do mal. Há pessoas assim, com tanto medo, que têm receio de tudo, vivem, em parte, só uma parte de parte das coisas.

 

Por baixo do rosto, saía-lhe um tufo de pêlos gigante, como a juba de um leão em miniatura. Era trágico isto, desconcertante pela falta de equilíbrio, embora esteticamente até fosse agradável, para quem o visse de fora!

 

Diziam os vizinhos: tem personalidade! Ora, quem não tem?! Ter personalidade não é nada, temos de a caracterizar, que a definir, que emitir sobre ela juizos de valor, a nossa opinião, o nosso conceito, a nossa prespectiva, tomar até decisões sobre isso! Então agora é assim?! Tem-se personalidade e pronto?! Mas isto é obviamente uma forma conflituosa de encarar a vida, a maioria vive apenas (aqui agora também não sei muito bem se é separado ou junto!), não a discute e é feliz assim. É mais do que evidente, nunca ninguém lhes explicou conceitos desses, foram procurar ao dicionário o sinónimo, ser feliz é... e ficaram-se por aí e isto não é dizer mal, isto é apenas (aqui é mesmo junto!) e só uma enorme dor de cotovelo, direito e esquerdo, de não ser capaz de ser assim.

 

Aquele olhar não era pacífico, deu para notar em segundos. Era como se dissesse: aqui quem manda sou eu, eu sou o dono disto, o proprietário! Mas onde acabava o seu domínio? As terras de um senhor acabam onde começam as do outro! Reconhecia ele a existência de um outro? Um outro dono, um outro mundo, um outro ser? Existiria para ele qualquer coisa, fora do seu conhecimento? Conceberia ele uma outra realidade para além do seu domínio?

 

Mantinha o olhar fixo, amarelo, profundo, lancinante, como quem desafia o que é sério, perturbador.

 

Mais uns segundos e tinha-me sugado toda a minha energia, como um vampiro, como se fosse possível fazer o download por bluetooth, de tudo o que era eritrócito meu, leucócioto e plaqueta, fibrinogénio e aquelas cenas todas, incluindo os electólitos, que nos mantêm vivos.

 

Mas poupou-me, sabe-se lá porquê, eu sei, mas não digo, só por medo de errar, talvez diga, não sei, desistiu e foi-se embora. Desceu a rua, trepou pela parede do próximo quintal e enfiou-se no jardim, escondeu-se!  Afinal o herói, o dono da rua, dormiria toda a santa noite e no dia seguinte seria o mesmo gato preto, é certo, com ar imponente, mas não elegante!

 

Houve um momento, nós seres humanos temos sempre fraquezas destas por animais abandonados, julgando que eles não têm dono quando têm um fortissimo que é serem donos de si mesmos, em que pensei: e se o levasse para casa? Perceberia ele algum dia que quem mandava lá em casa era eu, que tinha sido eu a adoptá-lo e não o contrário? E foi no exacto momento em que ele me leu este pensamento que fugiu, porque pensou:  Esta gaja é bem capaz de me pôr com dono! Mas enganou-se, e percebe-se porque era gato, porque eu tenho um lá em casa há mais de dez anos, mas gata, que ainda hoje é complicado explicar-lhe coisas tão aparentemente simples como essas! E a dificuldade é minha porque ela não tem qualquer limitação.

 

Cristina Pizarro

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:49
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Terça-feira, 24 de Abril de 2018

Cidade de Chaves - Um olhar

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:18
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Chaves D´Aurora

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  1. PRIMEIRA NOITE.

 

Seria, para o resto da vida de Aurora, a primeira noite de fortuna ou infortúnios. Apesar de toda a ansiedade, a lhe fazer o coração quase saltar por entre os seios, procurou ter calma e esperar que todos dormissem. A primeira a se entregar aos seus sonhos de adolescente fora, de pronto, a sua companheirinha de quarto. Por algum tempo, todavia, Aurora teve de aguardar até que, finalmente, Morfeu se aproximasse de todos os que, nos demais aposentos da casa, ainda estivessem a conversar. Ainda que o fizessem em tons baixos e sussurros, estes eram bastantes para magoar os delicados ouvidos das flores, no absoluto silêncio da veiga. Uma a uma, porém, as bocas foram se calando e, para já, um simples zumbido de insetos se transformava em algo mais barulhento do que um coro de miúdos, à hora do recreio, no pátio de uma escola.

 

Ao ouvir o primeiro assobio, conforme haviam concertado, a rapariga terminou de passar nas faces e no pescoço o pó “Rainha da Hungria”, agasalhou-se para o frio da noite, calçou suas pantufas ultra silenciosas e se deixou ficar, indecisa, diante da porta do quarto.

 

O coração, este palpitava como se quisesse largar-se de si mesmo e partir logo, acelerado e sozinho, ao encontro do amado.

 

Ao segundo assobio, decidiu tomar o caminho da cozinha e da aventura. Deteve-se, porém, ao ouvir alguns passos e, logo a seguir, o ruidoso despejar da urina de Papá, na sentina da casa. Não, não era o Papá, talvez Afonso. Esperou o irmão voltar ao leito, atravessou a cozinha e desceu, lenta e cautelosamente, pela escada que dava ao porão. Uma vez mais parou, entre os pulsos do coração e os impulsos da mente descontrolada. Não era medo de acordar as criadas, pois estas já deveriam estar a dormir o sono dos anjos (e até a sonhar com alguns arcanjos, rústicos e musculosos). Quanto ao cocheiro, este habitava com os seus a uma casita não muito longe, na estrada que vai dar a Bragança.

 

Era medo de si mesma, do passo que estava prestes a dar.

 

O terceiro assobio a fez correr pelas árvores do pomar, até ao portão. Ia abrir um portal e, a outros, fechá-los para sempre. Não apenas os da Quinta, mas outros, muitos outros portais de toda uma existência.

 

 

Sentados sobre uma pedra, lá fora, a falarem de assuntos triviais, logo estava o gajo, de novo, a encantar a menina com suas andanças pelo mundo. Ora, pois, que não iria falar de outras raparigas, mas se Aurora lhe perguntasse sobre as sevilhanas, bretãs, toscanas, tais e mais, dizia-lhe que, em certas coisas, as mulheres são sempre iguais por toda parte (e isso o fazia sorrir, malicioso). Afirmava, porém – Mas cuida-te, minha brasilita, que nenhuma... ai que nenhumazinha, mesmo, pode se comparar à tua beleza, à tua meiguice, a todos os teus predicados!

 

Pois que estivesse a chegar o frescor da madrugada, Hernando aconchegou-a em seus braços. A isto, Aurora deixou-se levar ternamente, sem qualquer resistência. Quando o cigano tentou roubar-lhe um beijo à boca, todavia, a rapariga falou – São horas de voltar a casa, olha que o Papá ou alguém mais pode acordar e dar por falta de mim – e correu a fechar o portão, não sem antes ouvir do rapaz a tão esperada pergunta – Quando te vejo de novo, minha bela? – ao que, ela – Deus há de concertar isso, pois é Ele quem tudo vê – e enfatizou – tudo vê, tudo ouve, tudo sabe.

 

  1. OUTRAS NOITES.

 

O Camacho não quis esperar por Deus nem por Sara Cigana, uma das santas secretárias do senhor Jeová. Sabia que ao entardecer, quando fosse com seus primos ao pasto livre da veiga, para buscar os cavalos do clã e os recolher ao estábulo, certamente Aurita estaria a uma das janelas, na ânsia de vê-lo passar, vaidoso qual sempre, garboso como um oficial da Polícia Montada do Canadá, pelo menos igual ao que ela vira, em um dos muitos filmes no Cineteatro Flávia.

 

Lá estava ela de facto, à janela, a donzela toda bela! Ao vê-la, como previsto, Hernando adiantou-se como pôde dos outros gajos e, ao passar bem rente à casa dela, descobriu a cabeça. Dentro do chapéu estava um papelinho no qual se achava escrito, com letras graúdas, uma só pergunta – Hoje? – e, ao recolhê-lo, a resposta de Aurora veio com um aceno e um sorriso de fada.

 

 

Por muitas luas, assim continuaram os encontros marcados, embora com as marcas da prudência impostas por Aurita. Valiam-se dos mais variados estratagemas, para se comunicarem e combinar os encontros. Ora deixavam bilhetes sob as pedras do jardim da Quinta, ora usavam mensagens cifradas, transmitidas graças aos favores bem pagos de Manuela, a lavadeira comum às duas famílias, quando esta vinha trazer e buscar a rouparia dos Camacho e dos Bernardes, para lavar no regato de sua aldeia.

 

Nas fantasias eróticas de Hernando, essa lavagem de peças comuns parecia um ato de sensual promiscuidade. Isso fazia o rapaz ficar bastante excitado, só em pensar que, nas águas do riacho da aldeia de Manuela, as roupas dele e de sua amada se misturavam, fosse enquanto juntas, ao se ensaboarem, ou quando, lado a lado, ficassem dependuradas nas cordas estendidas por entre as árvores. As vestes de um e de outro estariam a realizar, a essa altura, o que os corpos respetivos ainda nem sonhavam desfrutar.

 

Em geral, punham-se os dois a concertar ali mesmo, no fundo do pomar, as próximas aventuras dessas noites adentro. Aurora sabia dos riscos, mas tentava caminhar sobre a corda bamba de um circo de incertezas, temerosa e oscilante entre o seu senso de pudor e o poder de sedução do namorado. Quando só podiam encontrar-se mais cedo, ao anoitecer, sempre restritos a pouco mais do que o mero palear, Aurita se aproveitava da carinhosa dedicação da ama que lhe ajudara a crescer e lhe pedia ajuda para se encontrar com o cigano – Não te apoquentes, minha boa Zefa. Entre mim e o Hernandito, por enquanto, não há nada de mal. Apenas uma grande amizade.

 

A barrosã retrucava – “Por enquanto”... já és tu mesma a dizer e é disso que tenho medo. Não estiques a corda demais, que ela sempre arrebenta pra cima de nós, as mulheres... e esse gajo, desculpa que eu te fale assim, ele não é só um cão, como os outros, atrás de fêmea na cainça; ele, sozinho, é uma verdadeira canzoada! Cuida lá do que estás a fazer, minha menina! – e Aurora – Não te preocupes, Zefa, já não sou mais uma boba nem tonta miúda. Sei me guardar.

 

Aos poucos, Aurita ganhava mais coragem em suas saídas noturnas, ao tempo que se tomava, também, dos maiores cuidados, para que tudo viesse a dar certo e ela pudesse desfrutar de bons momentos ao lado de seu gitano. Agora já costumava levar uma colcha velha, que jogava sobre a relva do pomar. Com o namorado a trazer vinho e ela, pão e queijo, deixavam-se gozar da penúltima ceia antes do Calvário, desejosos de que este ainda tardasse bastante a chegar, embora sabedores da maldição de Anás e Caifás a lhes rondar o Horto das Oliveiras.

 

Apesar de beber apenas alguns goles do tinto, a rapariga já se deixava levar pelos eflúvios do vinho e começava a permitir alguns carinhos mais ousados do rapaz. Sabia, no entanto, o momento certo em que seu galo interior deveria cantar as horas da paragem. Então, logo se punha a fechar o portão da quinta com um “até sempre” ao amado.

 

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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018

De regresso à cidade

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:29
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Quem conta um ponto...

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389 - Pérolas e diamantes: Humor e Confrarias

 

À boleia do “reaccionário com dois cês” Ricardo Araújo Pereira, aprendi com Milan Kundera o quanto valia o humor na época do terror estalinista. Tinha ele 20 anos.

 

O escritor checoslovaco disse que conseguia sempre identificar as pessoas que não eram estalinistas pelo modo como sorriam. Essas, referia, eram as que ele não precisava de temer. “O sentido de humor era uma maneira fiável de nos reconhecermos.”

 

Desde então, confessa Kundera, sente-se aterrorizado diante de um mundo que tem sucessivamente perdido o sentido de humor.

 

No entanto, em Portugal, os políticos, neste caso, os deputados das ilhas, gostam de nos fazer rir com as suas piadas. Então não é que esses intrépidos representantes do povo ilhéu são reembolsados por viagens que não pagam!

 

Carlos César, esse herói socialista dos arquipélagos, e presidente do PS, é um dos parlamentares a quem a Assembleia da República paga as viagens, mas que depois levanta o subsídio de insularidade.

 

Ou seja, segundo o Expresso, sete deputados pedem de volta ao Estado dinheiro que não gastaram, recorrendo ao subsídio de insularidade para residentes nas ilhas. Cinco são do PS, um é do PSD e outro do BE (este último já renunciou ao mandato por causa da notícia). Ainda há quem tenha vergonha na cara.

 

Dos doze deputados das ilhas, apenas Rubina Bernardo, do PSD, disse não pedir reembolso.

 

Mas o sentido de humor das elites nacionais forjadas na dura luta dos combates políticos não se fica por aqui.

 

Durão Barroso foi o orador convidado na abertura do I World Opera Fórum, em Madrid. Neste encontro reuniram-se 250 especialistas mundiais em ópera.

 

Barroso é, por incrível que pareça, membro do Conselho Internacional do Teatro.

 

Para o consultor do grupo financeiro multinacional sediado em Nova Iorque, Goldman Sachs, a “ópera pode contribuir para a diversidade” e é um símbolo da Europa e da sua história.

 

Durão Barroso é mesmo um patusco com boa voz e um sentido de humor verdadeiramente operático.

 

Incapaz de deixar o seu sentido de humor por mãos alheias, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da República e o rei nacional dos afetos, falando numa cerimónia de comemoração da Batalha de La Lys, uma das maiores derrotas militares portuguesas de sempre, disse, aparentemente sem se rir: “Somos fortes no nosso território e fora dele. Somos fortes mesmo nos momentos mais difíceis. Acabamos por vencer sempre.”

 

Tenho de vos confessar uma coisa, para mal dos meus pecados também eu pertenço a uma Confraria. Entrei nela pela mão do Conde Rostov, quando ele ainda habitava no sumptuoso Hotel Metropol. Tinha sido condenado por um tribunal bolchevique a prisão domiciliária, pois era um cavalheiro sem profissão que ocupava o seu tempo com jantares, conversas, leituras e reflexão. O seu principal crime foi o ter escrito um poema que incomodou muito quem mandava. Também ele esgrimia a sua pena. E tinha um sentido de humor muito apurado, coisa que provocava pesadelos nas autoridades policiais soviéticas.

 

Tal como a maçonaria, a Confraria dos Humildes é uma irmandade muito unida, cujos membros se deslocam sem sinais exteriores que os identifiquem. No entanto, reconhecem-se com um olhar.

 

Claro que, tal como as outras confrarias e demais organizações similares, também a dos Humildes caiu em desgraça. Apesar de partilharem uma certa perspetiva. Todos os confrades sabemos que a beleza, o poder de influência, a fama e o privilégio nos são emprestados e não concedidos. Por isso não nos deixamos impressionar.

 

Os da Confraria dos Humildes não se deixam apanhar pela rapidez da inveja, nem pela facilidade da ofensa. Nem sequer espiolham os jornais à procura do seu nome. Preservam o empenhamento de viver entre os seus pares, mas acolhem a lisonja com prudência, a ambição com comiseração e a condescendência com um sorriso íntimo.

 

Claro que alguns se queimam como as traças, teimam em aproximar-se demasiado da luz.

 

A República dos Sovietes tinha razão. A arte é o subordinado mais artificial do Estado. Não só é criada por indivíduos caprichosos que se enfadam com a repetição ainda mais depressa do que a receber ordens, mas também é humilhantemente ambígua.

 

De uma coisa eu sei, a Confraria dos Bolcheviques era admiravelmente criativa. Nos primeiros tempos da União Soviética, os bolcheviques depararam-se com a incómoda realidade de terem de tolerar a ideia de cadeiras douradas e cómodas Luís XIV nas mansões das estrelas de cinema ou até nos apartamentos das elites. E como é que isso podia ser feito sem trair a ideologia? Simples. Pregavam no fundo de cada peça de mobiliário de categoria uma placa com um número gravado. Esse número destinava-se a identificar a peça como parte do enorme inventário do Povo. Desta forma, um bom bolchevique podia dormir descansado, sabendo que a cama de mogno em que se deitava não era sua. Ou seja, apesar do seu apartamento estar mobilado com valiosíssimas antiguidades, ele tinha menos posses do que um sem-abrigo.

 

João  Madureira

 

PS – Como barrosão adotivo, foi com um sorriso rasgado no rosto que li a notícia de que a paisagem agrícola do Barroso foi declarada património mundial. Os autarcas de Montalegre e Boticas receberam em Roma o certificado de reconhecimento do sistema agro-silvo-pastoril barrosão como “um sistema importante do património agrícola mundial”, do ponto de vista da diversidade.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Sábado, 21 de Abril de 2018

Nogueira da Montanha - Chaves - Portugal

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Esta primeira imagem é feita de pura ilusão. Real, sim senhor, é real, mas ilude e leva-nos a crer numa realidade que não existe lá no alto planalto da Serra do Brunheiro, em terras da freguesia de Nogueira da Montanha, freguesia e aldeia para onde vamos hoje, mais uma vez com o mesmo discurso, o do despovoamento rural.

 

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Embora o planalto do Brunheiro até seja feito de terras maioritariamente cultiváveis,  onde até é conhecida a excelência da qualidade dos produtos que lá se produzem, como por exemplo a batata, sempre teve todas as condições para convidar as pessoas a partir para melhor vida. Terras altas de invernos rigorosos, a terra altamente repartida, falta de uma política agrícola, falta de infraestruturas básicas, sem perspetivas para o futuro, etc. Tudo convidava à partida e o seu povo partiu, e se aguentaram por lá alguns séculos, foi porque então, se partissem e fossem para onde fossem, a realidade era a mesma, exceto nas grandes cidades, que para nós se resumiam a duas e onde gente não qualificada era mais escrava que na terra mãe.

 

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Mas os tempos mudaram, felizmente, e desde que a educação passou a ser uma das nossas prioridades ou uma das nossas necessidades como a modernidade o exigia, os horizontes alargaram-se e passou a existir vida para além das leiras das aldeias, bem melhor,  e que ia além da subsistência. A emigração passou a ser um convite sério, num ano ou dois deixava-se de andar a conduzir carros de bois carregados com quase nada para passarem a conduzir um popó todo janota, bem melhor do que aquele que os bem remediados e alguns mais abastados tinham por cá. Em meia dúzia de anos construíram casas novas, com novos materiais, cozinhas todas xpto, etc. Certo que a vida de emigrante não era fácil, mas o suor que lhes corria nas faces era cambiado por dinheiro e não por batatas, centeio, nabos que em anos maus nem davam para as despesas e em anos bons, muitas das vezes apodreciam nos armazéns…

 

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Mas não foi só a emigração. De novo a educação teve um papel importante no abandono do mundo rural. Os mais remediados que não emigraram e não abandonaram as terra, mandaram os filhos descer ao vale para continuar os estudos além das primeiras letras e números aprendidos na escola da aldeia. Fizeram o secundário e mediante as possibilidades dos remediados, continuaram os estudos em cursos médios ou superiores, formaram-se, tudo com cursos virados para a cidade, para os grandes centros onde poderiam exercer as profissões para que estavam habilitados, e a aldeia passou a existir apenas no natal,  na páscoa, às vezes no carnaval, no dia da festa da aldeia, na morte de um familiar próximo, ou numa ou outra visita ocasional de fim de semana para visitar os seus, matar algumas saudades e meter uns sacos de batatas, umas chouriças e uns garrafões de vinho e azeite na mala do carro.

 

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Os mesmos iluminados de sempre, os de Lisboa, pensaram e bem numa educação para todos, se possível superior, mas esqueceram-se de vocacionar esses cursos e de pensar o mundo rural com políticas apropriadas para os novos formados poderem nele fazer o seu futuro se assim o desejassem, contribuindo assim para o nosso desenvolvimento e para um Portugal mais igual. Está tudo nos livros em que estudaram, senhores de Lisboa que muitos deles saíram destas aldeias,  mas que a sedução de outros interesses os levou à cegueira, para com facilmente esquecerem ou ignorarem uma realidade, que muito bem conhecem, onde deixarem nela os seus resistentes, que alguns até são avós, pais, irmãos, tios, primos…

 

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Quase todas as aldeias que em tempos foram das melhoras aldeias,  com gente maioritariamente remediada com o suficiente para estudarem os filhos, hoje estão à beira da falência e do total abandono. Nogueira da Montanha é uma delas. Há coisa de um ano, quando passei por lá para mais uma recolha de algumas imagens, vi de passagem apenas uma pessoa, que até poderia nem ser de lá. Na aldeia vizinha, também com apenas meia-dúzia de pessoas, disseram-me que em Nogueira apenas resistiam três pessoas... Vai sendo esta a triste realidade das nossas aldeias.

 

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Mas o que mais dói no meio de todo este abandono, não são as casas fechadas, degradadas ou em ruínas, nem as ruas sem gente, o tanque sem lavadeiras, os pátios sem animais. Tudo isso pode ser reposto num futuro próximo ou mais distante, o que mais dói é a cultura rural ainda com algum comunitarismo que se vivia nas aldeias, os saberes e sabores, folclore e tradições que ao longo de séculos existiram e que iam passando de geração em geração. Tudo isso se perdeu ou está em vias de se perder na maioria das nossas aldeias, e seja qual for o futuro das nossas aldeias, nunca mais voltarão a ser como eram.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:55
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Pedra de Toque

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A bondade do silêncio

 

Dou-me bem com o silêncio.

Procuro-o a todo o instante.

Quando o encontro falo com ele.

Desabafo e ele ouve-me, “em silêncio”.

Gosto de o ter comigo no cume das montanhas, nas margens de todos os rios, enquanto olho silenciosamente em meu redor.

Hoje vi-o, num rosto na net.

Em silêncio olhei-a e sorvi-lhe o sorriso.

Só o silêncio é grande.

Só o silêncio é sonho.

Lembro-o quando danço, e a tua mão aperta a minha e o teu rosto se cola ao meu.

Momentos de fascinação que estremecem a alma.

O som aveludado que sai do timbre de vocalista, recolhe-se no silêncio dos nossos corpos que se movimentam na pista.

Como te aprecio, oh silêncio, no recolhimento que a catedral proporciona na enormidade da mesquita que os crentes em fervor respeitam e que eu nas viagens que tenho feito pelo mundo, apesar de convictamente agnóstico, não deixo de visitar.

O silêncio por vezes alia-se ao medo.

Dor aguda e persistente, mas quando o medo se esvai regressa luminoso o belo silêncio.

Acredito na tua bondade silêncio!...

                       

António Roque

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:54
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018

Cinco dias cinco postas

1600-postas

 

O Melhor Restaurante de Portugal

 

Não sei se é o melhor restaurante de Portugal, sei que o restaurante do Pedro de Vilarinho Seco, foi o primeiro em Portugal a receber o selo Ceres Ecotur. Foi há cerca de um ano, saiu em todas os jornais, mas eu gosto de relembrar. O Pedro recebeu o selo por servir comida biológica e local, o que faz diminuir a pegada ecológica dos alimentos e aumentar a qualidade dos comeres. Essa da biológica tem que se lhe diga, porque o que ele serve é biológica caseira, muito diferente da biológica industrial que se encontra à venda nas cidades. Na altura, achei piada ouvir o Pedro a dizer na tv que nem precisava de mais publicidade, que já tinha clientes que lhe chegassem! Lá está, deve ser uma seca atender centenas de telefonemas para ter que dizer que o cozido está esgotado para o resto do ano. Como é um gajo cinco estrelas e não é ganancioso, diz que o prémio é bom porque pode vir a trazer benefícios para os colegas vizinhos. A verdade é que nas redondezas há uns 4 ou 5 restaurantes, entre os quais alguns normalíssimos que não têm o aparato das paredes de pedra antiga, que servem derivados de porcos bem cevados em casa pelos donos. Há um que serve uma travessa de cozido de primeira que vai incluído na diária de 7 euros. É de malucos, não dão valor ao que têm em casa. Pode-se correr o Porto todo que nem por 50 euros se encontra algo parecido. Fico-me por aqui com esta série de 5 postas seguidas e tão cedo não volto a escrever para o blogue. Isto de vir para o blogue de Chaves com a cantiga de que o melhor restaurante de Portugal é de Barroso, o melhor músico é de Barroso, o melhor fumeiro do mundo é de Barroso, a ONU em Barroso, etc, já deve estar a enjoar os amigos de Chaves. O pior é que eu era gajo para fazer mais uma série de 5 postadas neste tom de Barroso é o melhor do mundo! Vou fazer um intervalo e para a próxima o tema vai ser só flaviense.

Luís de Boticas

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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O meu ensaio sobre a cegueira

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Sonhar é porreiro, é talvez a maior liberdade que nos é possível gozar, pois não tem qualquer limite, e refiro-me aos dois sonhos, os sonhos do passado, aqueles que sonhámos enquanto dormíamos e aos outros, os do presente, que se sonham acordados e que esperamos que se venham a cumprir. Mas fixe, mesmo fixe, é acreditar, sem sonhos, apenas acreditar, acreditar mesmo, é assim como tornar real um sonho porreiro sem que ele se tenha realizado, é fixe e eu sou o MAIOR — Acredito nisso!

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:13
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Ocasionais

ocasionais

 

“Jardim das Berlengas!”

 

As datas (políticas) memoráveis estão, hoje, vazias de significado, no coração e na acção dos «berlenguíndios»!

 

No “Jardim das Berlengas”, os «berlenguíndios» já nem se lembram, e quase todos não sabem, por que são «berlenguíndios».

 

Mas, os proeminentes da sociedade, astutos, sabidolas, doutorados em gosmice, em engrampanço, em imposturice, em aldrabice e em trampolinice sabem bem como aproveitar a laparotice, a ingenuidade e a boa-fé dos «berlenguíndios» para lhes impingir falsas crenças, engrampá-los com lindas promessas.

 

E eles, os «berlenguíndios», o «Zé pagode», continuam a «cair como patos-bravos».

 

Gostam dos ajuntamentos, das romarias políticas e das procissões partidárias!

 

Vivem a democracia na medida em que aproveitam as oportunidades para falar ao microfone, sacudir a melena diante de câmara «tv», fazer coro com quem empunha cartazes e fazer peito quando se sente em rebanho.

 

Os «berlenguíndios» fazem pouco uso da Razão.

 

Ou antes, aproveitam-na mais para defender e justificar os seus actos e as suas crenças e menos para procurar a verdade.

 

Politicamente, os «berlenguíndios» desleixam o conhecimento e a informação políticas: perdem-se a tomar banho nos charcos  de opiniões de Café; nas poças das tretas de cabeleireiro; e nos açudes dos programas televisivos, «de maior audiência»!

 

Os «berlenguíndios»  não estão interessados na defesa do seu País!

 

Treta! Na forma como se comportam durante o intervalo entre Eleições, no exercício dos mandatos, na avaliação dos programas eleitorais e na hora de votar, demonstram viverem (politicamente) apenas interesados na sua tribo política. E, assim, o seu voto maioritário continua a dar maus resultados: repetem o erro!

 

O homem não é menos escravo por ser autorizado a escolher um novo dono ao fim de alguns anos” – escreve H. Spencer.

 

Pelas salas e gabinetes da política dessa terra, têm andado e andam demasiados imbecis a governar-se e a desgovernar a «cidade», com a esperança de conseguirem uma abundância de bens e de dinheiro muito maior do que a sua capacidade merece.

 

E todos os benefícios que consigam não os sentirão como um triunfo, mas, sim, como uma vergonhosa lembrança.

 

Por cá, pelo “Jardim das Berlengas”, o dinheiro corre mais fluentemente para quem trafica favores do que para quem produz bens; tantos que  se fazem, e fazem vida de, ricos pelo suborno e pelas influências!

 

Pois cá, pelo «Jardim das Berlengas», pelo que se está a ver e a ouvir, a corrupção é recompensada e a seriedade e a honradez convertidas em auto-sacrifício!

 

Por este andar, a maldade será convertida num meio de sobrevivência!

 

Medíocre, a cambada de incompetentes que administra, seja em que nível for, o País, constitui realmente uma «aristocracia da burocracia».

 

Viver não custa.

 

O que custa é saber viver.

 

E viver nos “bairros de lata”  -  e que “lata”!   -   dos Partidos Políticos é que é «viver à grande e à francesa».

 

Entrar para a «famiglia» é garantia de se estar sempre com um pezinho em chinela durada, garantia de meter a mão nas tetas do saco azul, de encher a pança … e os cofres.

 

E, depois de bem instalados, promover uma «Grande Reportagem» nos mé®dia, em que todo o discurso entre vis (t)ado se resume no supremo e extasiado consolo do «subiu a pulso».

 

O palco e o palanque são  o amor de perdição dos «berlenguíndios»   -   mesmo no centro e em cima deles ainda se «esgadunham» para se porem em bicos de pés!

 

Mozelos, dezassete de Abril de 2018

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:13
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

Cinco dias cinco postas

 

 

1600-postas

 

O Melhor Músico de Portugal

 

Há quem diga que o melhor músico de Portugal é o Amadeu Magalhães (link: http://www.amadeu.pt/wp/wp/), um barrosão nascido e criado no Couto de Dornelas, aldeia do concelho de Boticas. O Amadeu é um músico que toca, ao vivo e em discos, com gente como Dulce Pontes, Fausto, Roberto Leal, Né Ladeiras, Chico César, Paulo de Carvalho, Luis Represas, entre muitos outros. Tem corrido o mundo a tocar com esta gente nos mais famosos anfiteatros que há por aí fora, desde Nova Iorque a Atenas, de Buenos Aires a Paris, etc. Há alguns músicos famosos que dizem por aí que ele é o melhor. O ser o melhor é uma coisa que tem que se diga, o certo é que não há nenhum músico multi-instrumentista a tocar uns 20 instrumentos a nível profissional como ele faz. Com uma curiosidade extra. Parece que por vezes lhe pedem para ir gravar uma concertina ou uma gaita num disco, e ele, para atender ao pedido, vai pedir o instrumento emprestado a um amigo, até porque há certos instrumentos que ele nunca teve em casa. Isto é que é talento! O melhor gaiteiro de Portugal nunca teve uma gaita em casa! Pega na concertina, treina um bocado, grava o disco, já está! Brutal! Isto só mesmo de Barroso! Dizem que quando pode ainda vem por aí acima até ao Couto de Dornelas onde gosta de disfrutar da boa carne e do bom fumeiro e de botar umas concertinadas com a malta. No último verão fez um concerto a tocar cavaquinho com a banda filarmónica do Couto, a banda onde deu os primeiros passos na música.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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