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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Dez21

Crónicas de assim dizer

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Bouquet

 

Nunca me tinhas dado rosas

Nem à partida

Nem à chegada

Rosas atrás das costas... 

Talvez porque 

Verdadeiramente 

Nunca chegaste

Nem nunca te foste embora

Ias estando enquanto estavas

E ias embora ficando

Como as rosas

 

E quando elas apareceram

Vindas do nada 

Emergindo de trás das tuas costas 

E os teus olhos sorriram 

Tanto como os meus

Castanhos

Eu fiquei ali sem saber como fazer

E o que dizer

 

Veio-me a palavra com tracinho

Que da boca não saiu

Pareceu-me pouco

Cheirei as rosas

Eram tão verdadeiras... 

Cheiravam mesmo à cor que tinham

Que era de fogo 

Nascidas e ardidas na alma

E duraram para sempre

Naquele fugaz 

E sublime instante 

Serviram de eternidade

 

Nunca mais me vou esquecer

Nem de ti

Nem das rosas

Nem de ti a dar-me as rosas

 

Cristina Pizarro 

 

 

 

08
Dez21

José Carlos Barros - Prémio LEYA 2021

1600-segirei-2009 (499)

 

Ia para começar por dizer que ontem fui surpreendido com a atribuição do Prémio Leya 2021 a José Carlos Barros, mas não, não fiquei surpreendido, ficá-lo-ia se o não tivesse ganho, e ficámos felizes e contentes como se fosse recebido por nós. E o porquê de trazermos aqui esta notícia é simples, pois para quem não conhece o José Carlos Barros, ele é natural da Granja, Boticas, um orgulhoso barrosão que fez os seus estudos do secundário no Liceu de Chaves (Escola Secundária Fernão de Magalhães) nos finais dos anos setenta, inícios de oitenta e sei que para além de Boticas,  vive a cidade de Chaves como qualquer flaviense, ou mais ainda…

 

Como podemos parecer suspeitos quanto a esta notícia, fica, tal e qual ela foi publicada no Diário de Notícias (DN/Lusa).

 

José Carlos Barros conquista Prémio Leya 2021 com "As Pessoas Invisíveis"

 

Depois de dois dias de reuniões do júri, ao qual presidiu Manuel Alegre, foi anunciado que José Carlos Costa Barros venceu, por unanimidade, o Prémio Leya 2021 com a obra “As Pessoas Invisíveis”.

 

José Carlos Costa Barros venceu o Prémio Leya 2021, por unanimidade do júri, com a obra “As Pessoas Invisíveis”, anunciou esta terça-feira a organização.

 

À edição deste ano concorreram 732 originais, dos quais foram selecionados 14 para apreciação do júri, presidido pelo escritor Manuel Alegre, que anunciou José Carlos Barros como vencedor.

 

“As Pessoas Invisíveis” é uma viagem por vários tempos da história recente de Portugal, desde a década de 40 do século XX, narrada a partir de uma personagem ambígua, Xavier, que age como se tivesse um dom ou como se precisasse de acreditar que tem um dom, revelou o júri.

 

“Dos anos 40 do século XX, com a ambição do ouro, a posição de Salazar face à guerra, a guerra colonial com todas as questões que hoje levanta, o nascimento e os primeiros anos da democracia. Em todas estas paisagens e em todos os tempos que o romance toca, a palavra é de quem não a costuma ter. Dramática, velada, fugaz, lapidar, tocada pelo sobrenatural”.

 

Ainda segundo a descrição do júri, “os habitantes do mundo rural ou os negros das colónias são seres quase diáfanos que sublinham uma sensação de quase perdição que atravessa todo o livro e constitui um dos seus pontos mais magnéticos. Em ‘As Pessoas Invisíveis’, o leitor é convocado para preencher com a sua imaginação o não dito, os silêncios, o invisível”.

 

Outro aspeto salientado na escolha desta obra foi o trabalho de linguagem, o domínio de uma “oralidade telúrica a contrastar com a riqueza de vocabulário e de referências histórico-sociais”.

 

Esta não foi a primeira vez que José Carlos Barros concorreu ao Prémio Leya, já que em 2012 foi finalista com o romance “Um Amigo para o Inverno”, editado no ano seguinte pela chancela Casa das Letras.

 

Autor de vasta obra poética, a sua estreia na prosa aconteceu com "O Prazer e o Tédio", romance que o cineasta André Graça Gomes adaptou ao grande ecrã, em 2012, sem financiamento e com atores amadores. A longa-metragem foi rodada em Boticas, onde o escritor nasceu, em 1963, e aborda a angústia do mundo rural.

(…)

A notícia completa na sua origem: DN

 

1600-segirei-2009 (561)

 

Da nossa parte estamos duplamente contentes, pois para além de sermos amigos do José Carlos,  foi colaborador deste blog durante alguns anos com a excelência da sua escrita. Escrita que já conhecemos desde os tempos do liceu, dos seus primeiros livros de poesia e que acompanhámos até que chegou à prosa, tendo mesmo, em 2009 lançado o seu livro “O Prazer e o Tédio” num encontro que a Associação de Fotografia Lumbudus realizou na aldeia de  Segirei, por sinal,  aldeia que sabemos ser tão querida por José Carlos Barros, da qual é visitante assíduo, encontro esse onde foram tomadas as duas fotografias que aqui ficam para ilustrar esta notícia. Parabéns José Carlos Barros, tens, merecidamente, a porta dos grandes escritores de língua portuguesa aberta, desfruta o momento e o reconhecimento. Ficamos à espera das tuas próximas publicações.  

 

 

07
Dez21

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

Postais Antigos

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ontem-hoje

Em agosto passado iniciámos aqui a publicação da coleção de 12 postais da Casa Geraldes, edição sépia. Publicámos os 6 primeiros postais e sem qualquer razão ou darmos por isso, interrompemos a publicação. Retomamos hoje a publicação dos restante 6 postais, em lotes de três, tal como o fizemos nas duas publicações anteriores. Assim, hoje ficam os postais nºs 7, 8 e 9 da referida edição.

 

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Para rever os postais anteriormente publicados, fica aqui o link:

Postais 1,2 e 3

Postais 4,5 e 6

 

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Na próxima terça-feira ficarão os restantes.

 

Até amanhã!

 

 

 

06
Dez21

Quem conta um ponto...

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569 - Pérolas e Diamantes: Os círculos intermináveis

 

Atticus, o pai de Jem, aquele senhor que nunca tinha dito que era pecado fazer alguma coisa, avisa o filho de que se vai andar atrás dos pássaros com a sua espingarda de pressão, até pode matar todos os gaios-azuis que encontrar, se lhes conseguir acertar, mas que é pecado matar uma cotovia. Miss Maudie explica mais tarde à irmã de Jem, Scout, que as cotovias não fazem nada a não ser cantar belas melodias. Não estragam os jardins das pessoas, não fazem ninhos nos espigueiros, só sabem cantar com todo o sentimento, para nós. É por isso que é pecado matar uma cotovia. Atticus era, de facto, um ser civilizado do fundo do coração, sabedor de que os cães velhos raivosos tinham de ser abatidos. Na sua juventude tinha sido o melhor atirador da sua cidade. E também era um mestre a tocar berimbau. Como advogado, defendia pretos e por isso era odiado pela maioria da vizinhança, em Maycomb, Alabama. Todos lá no bairro sabiam que as pessoas que estão no seu perfeito juízo nunca se orgulham dos seus talentos. Jem aprendeu, mesmo contrariado, uma coisa com Mrs. Dubose: a verdadeira coragem não está em quem é capaz de empunhar uma arma, coragem é sabermos que estamos vencidos à partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até ao fim. Raramente se ganha, mas às vezes conseguimos. No entanto há gente que não deixa escapar uma oportunidade para destacar os defeitos de outros grupos tribais e, ao mesmo tempo, exortar a glória da sua raça. Há raças e racistas para todos os gostos e feitios. Eu não sei se as suas almas florescem. Se assim for, essas são as flores do mal. Por vezes é difícil encontrar a diferença entre o ser humano e o animal. Parece que a estupidez não dorme. E quando ataca deixa marcas profundas. O ódio costuma aprisionar quem o sente. Não existe sabedoria no ódio. Nem nas armas. A tolerância e a não-violência têm de ter paciência de Jó. A ignorância é o pior dos conselheiros. Um inimigo vai para Jerusalém e o outro para Jericó. Ambos avançam para a escuridão. Divide-os um fio de água. Apesar de não parecer, a água dissolve mais substâncias do que qualquer outro líquido, incluindo o ácido. E tudo isso consegue porque, com a sua persistência, quebra as forças de atração que mantêm as moléculas juntas. Ben-Yehuda e Einstein afirmaram que judeus e árabes eram da mesma família e que por isso deviam partilhar a terra e viver juntos. Muitas das palavras hebraicas que Ben ajudou a criar tinham raízes árabes. No fundo, eram línguas irmãs. Por isso as pessoas podiam viver lado a lado. Cristo, que era uma coisa e outra, tentou ensinar-lhes a ética da reciprocidade: Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti. A guerra é uma coisa contraditória: ao mesmo tempo simples e absurda. Há soldados que morrem porque se atrasam a fazer festas a um cão vadio. Ou se intrigam com as nuvens no céu. Ou se demoram a atravessar uma estrada monitorizada pelo suposto inimigo. Alguns rezam as orações com a entoação das tabuadas da multiplicação. No aniversário de uma guerra, o bolo tem de ficar intacto como se fosse um presente para o silêncio. Os bandos de aves da guerra ensombram sempre todas as áreas em disputa. O pai de Bassam manobrava uma azenha no celeiro de uma aldeia chamada Sa’ir. Lá dentro, um cavalo branco andava em círculos à luz de uma candeia de azeite. O cavalo estava vendado para não ficar tonto. Entretanto rodava a trave de madeira que fazia girar uma pedra circular sobre uma fixa, esmagando as azeitonas que libertavam o azeite. O pequeno Bassam não conseguia entender por que razão o cavalo conseguia passar o dia inteiro a andar em círculos e não cair de exaustão. Só um pouco mais tarde é que se apercebeu que eram três os cavalos brancos que se iam alternando. Dois anos depois dessa descoberta, foi introduzido no moinho de azeitona uma prensa elétrica e o trio de cavalos foi levado para um campo pedregoso onde passaram o resto dos seus dias a mover-se ainda em intermináveis círculos.

 

João Madureira

 

06
Dez21

O Barroso aqui tão perto - Gestosa

Aldeias do Concelho de Boticas

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GESTOSA - BOTICAS

 

Nestas andanças por terras do Barroso, nos últimos tempos, temos abordado as aldeias do concelho de Boticas, freguesia a freguesia, por ordem alfabética, e já vamos na freguesia de Dornelas onde depois da aldeia de Antigo, Casal e Espertina chega a vez de Gestosa, que às vezes também vemos grafada com Giestosa.

 

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Se observarmos com atenção a corografia envolvente desta aldeia, para além de a localizarmos em plena serra do Barroso, verificamos que ela se encontra na vertente exterior de um conjunto de altas montanhas que vistas à distância (de satélite por exemplo) parece ser um único bloco montanhoso com os seus pontos mais altos despidos de vegetação ou com uma vegetação escassa e muito rasteira.

 

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Nesse bloco montanhoso estão as serras do Gerês, do Larouco da Cabreira e do Barroso, quase poderíamos dizer, pelas suas características, serem uma única montanha, uma vez que não o são, são como irmãs ou primas canais muito chegadas. Tal como já atrás dissemos, os seus pontos mais altos são rochosos e sem vegetação, ou quase, onde o clima caracterizado por invernos frios e rigorosos não convidaram o homem ao seu povoamento,  apenas junto às linhas de água, que no Barroso até são abundantes, em pontos em que a sedimentação formou pequenas várzeas, que vistos à distância são pontos verdes, como se tratasse de um oásis no meio do deserto, é que o homem se atreveu a estabelecer-se, construindo pequenas aldeias, que pela certa, inicialmente, se deveria resumir a uma ou duas famílias, dedicando-se ao cultivo das pequenas várzeas e  à caça e criação de gado.

 

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Gestosa é uma das aldeias que se enquadra bem nas aldeias que atrás descrevemos, localizada numa pequena várzea que surge no encontro de várias linhas de água, onde uns “passos” mais acima, começa a serra do Barroso mais agreste, onde os rochedos abundam e a vegetação escasseia.

 

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Entremos então em Gestosa, cuja descoberta fizemos antes mesmo de a descobrir, ou seja, já a conhecíamos à distância, mesmo ante de lhe conhecer o topónimo e de verdadeiramente entrar na sua intimidade, tudo graças ao S. Sebastião que se celebra na Vila Grande e nas Alturas do Barroso, isto porque desde que fomos pela primeira vez ao S. Sebastião, no caminho (estrada) entre a Vila Grande e as Alturas do Barroso, ainda antes de Vilarinho Seco, há um largo à beira da estrada, com um miradouro natural, que nos convida à uma paragem e ao tomar de umas imagens fotográficas.  

 

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Pois desde esse miradouro natural com vistas viradas para poente, avista-se tudo que é montanha, mas logo aos pés do miradouro, uma pequena várzea abriga uma pequena aldeia, a Gestosa. Nos primeiros anos que passámos por lá, ainda antes de fazermos o levantamento de todas as aldeias do Barroso, aquela pequena aldeia, desde lá de baixo do seu aconchego que nos convidava a uma visita, e num dos anos em que fazíamos o trajeto entre A Vila Grande e as Alturas do Barroso, quase por impulso e como se o nosso popó tivesse vontade própria, vez um desvio e direção à Gestosa, numa visita apressada mas que deu para sentir a sua alma, mas só mais tarde, é que fomos lá a sério, ou com a intenção de lá ir, mesmo calhando em mais um trajeto entre A Vila Grande e as Alturas, mas com todo o tempo que fosse necessário, e assim aconteceu.

 

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Vida humana encontrámos pouca, aliás só vimos mesmo uma senhora, já de certa idade, que por sinal, tal como nós, também vinha da Vila Grande. Mais pessoas havia-as pela certa, mas talvez algumas ainda estivessem no São Sebastião da Vila Grande ou para as Alturas e outras andassem nas lides do campo ou da casa. Como sempre que podemos ou temos a oportunidade, damos dois dedos de conversa, não só para que as pessoas nos possam indicar algumas das coisas mais interessantes da aldeia, mas também para não ficarem com a pulga atrás da orelha, atitude que por segurança, em geral, as povoações tomam quando veem gente estranha a rondar e fotografar as aldeias. E pela nossa parte não custa nada dizer ao que vamos, quem somos ou de onde somos, para além de, nestas conversas, aprendermos sempre qualquer coisinha com os mais velhos.

 

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Claro que o nosso tempo nunca é suficiente para criar a empatia necessária para que as verdadeiras estórias da aldeia venham ao de cima, pois elas só saem, naturalmente, quando encontram na conversa uma oportunidade para saírem, assim, ficamos pelo possível e pela recolha de imagens daquilo que vai atraindo a objetiva.

 

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A Gestosa é uma pequena aldeia, mas onde existem duas ou três casas mais senhoriais, com uma capela num largo central da aldeia e outras pequenas construções e alguns armazéns mais recentes, nitidamente seriam casas de duas ou três famílias mais abastadas que viviam da riqueza das terras várzea e as pequenas construções da povoação que trabalhava os campos, talvez já desde o Couto de Dornelas, mas tudo isto o dizemos por pura observação, sem tempo ou documentos que corroborem o que afirmamos.

 

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Duas dessas construções mais senhoriais tem passadiços com um arco perfeito por cima dos arruamentos que ligam o piso superior das casas diretamente aos campos, o que arquitetonicamente falando, dá um interesse especial a estas construções. Este tipo de passadiços, embora não sejam frequentes, também não são raros e existem em algumas aldeias do Barroso, mas também noutros concelhos, às vezes mesmo no centro da aldeia para ligarem construções, alguns cobertos, tal como acontece na aldeia vizinha de Vilarinho Seco.

 

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E estamos a caminhar para o final deste post, faltando apenas fazer a referência àquilo que encontrámos na monografia “PRESERVAÇÃO DOS HÁBITOS COMUNITÁRIOS NAS ALDEIAS DO CONCELHO DE BOTICAS”, como o santo que se celebra na aldeia, embora apenas com celebração religiosa, o S. Bento na respetiva capela de S. Bento e o Castro da Gestosa:

Castro de Gestosa (Património Classificado - IIP)

Designação: Castro de Gestosa ou Souto da Lama

Localização: Gestosa (Dornelas)

Descrição: Existe na aldeia de Gestosa, freguesia de Dornelas, um velho Castelo de Mouros a que o povo chama Castro de Lamas ou Souto de Lamas. O monte em cujo topo assenta o castro fica ao lado da ER 311, a uma distância de 300 m, sendo defendido por três linhas de muralhas.

À muralha que defende o topo Sul segue-se uma rampa que termina em dois fossos justapostos, que rodam para cima e estendem-se ao longo da encosta Nascente do castro originando um grande fosso. O topo Norte do terreiro é marcado por um montão de fragas. A ladeira da face poente, abaixo da muralha do terreiro, é toda semeada de fragas até um pequeno patamar amparado pela segunda muralha.  Desta muralha existe o seu alinhamento de 80m ao longo da ladeira Poente, que desanda para Norte e vai terminar num conjunto de fragas de granito, natural linha defensiva. Entre 20 a 30 metros abaixo da segunda muralha corre a terceira muralha, que se estende num comprimento de pelo menos 100 m, com altura média de 2 m. Esta muralha, tal como a segunda, parece estar rota numa abertura de uns 2 m que se pode considerar o vão de uma possível porta. Foram encontrados vestígios de casas circulares e restos de cerâmica. Na base do monte do castro corre o Ribeiro da Gestosa.          

 

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Só nos resta localizar e deixar um itinerário para a partir da cidade de Chaves chegar até à Gestosa, freguesia de Dornelas, concelho de Boticas. Como quase sempre tomamos a EN103 (estrada de Chaves-Braga) até Sapiãos, onde abandonamos a EN103 em direção a Boticas, aqui, depois de atravessar a vila, pela variante ou pelo seu interior, tomamos a R311 em direção a Ribeira de Pena e Cabeceiras de Basto. Sempre pela R311 depois de passarmos por Quintas e Carreira da Lebre, até passarmos pela capela da Espertina, à beira da estrada do lado esquerdo, onde logo a seguir existe um cruzamento com saída à esquerda para a Espertina e Antigo e à direita para as Alturas e Vilarinho Seco, depois deste cruzamento, mais 1,5km e temos à direita, em plena curva, a saída para a Gestosa que fica a 400m.

 

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E agora o habitual vídeo com todas as imagens da aldeia de GESTOSA que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de LOUSAS.

 

02
Dez21

Novo regresso à cidade

Cidade de Chaves

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Hoje fazemos um regresso à cidade a meio da semana, já a caminhar para o fim, tudo porque ontem foi feriado. Como vivo do outro lado do rio, aliás, vivemos sempre do outro lado, seja ele qual for… mas queria eu dizer que vivo do lado da Madalena, assim, para regressar a cidade institucional (por estarem lá todas as instituições que necessitamos), tenho sempre de atravessar o rio, e como tal as opções não são muitas, e uma vez que a velha barca já há muito se reformou, que era mais uma opção, hoje ou atravessamos por uma das pontes ou pelas poldras. A velha ponte romana, para quem anda a butes, entre todas ainda vai sendo a melhor opção, pois do outro lado desagua-se logo no centro da cidade.

 

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Depois de dezenas de anos a entrar na ponte com o velho casarão do Dória por companhia, a pedir reforma já desde o século passado, finalmente ganhou nova cara, reconstruído à maneira, pelo menos por aquilo que se vê do exterior, que a supor que o interior sofreu idêntica remodelação, temos mais um edifício antigo a ficar bem na fotografia, mesmo com uma ou outra coisinha que pessoalmente não gostamos mesmo nada, que no conjunto são apenas pormenores, é certo, mas que fazem a diferença para que a reconstrução tivesse ficado perfeita aos nossos olhos que até nem são muito exigentes, e como não resisti à provocação, botei mãos ao Photoshop e deixe um toque que eu daria se a casa fosse minha, aqui fica o casarão com o meu toque pessoal:

 

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Afinal de contas o meu toque resume-se a dar um ar de cobertura de pagode ao pombal que se vê na cobertura, tal como acontece no piso de baixo e retirava o reclame da casa guardião, penso eu, pois quase nem se consegue ler, só mesmo ao perto, que ao longe mais parece uma mancha preta. Mesmo que fosse para manter, precisava de umas linhas mais finas, com um design mais light, mais simples, de modo a que a fachada o absorvesse naturalmente. Às vezes, ou quase sempre, quanto mais simples, mais bonito é. Curioso é que o nome que na fotografia mais sobressai acaba por ser o da “Casa Benito” no tolde do comércio. Mas claro, isto era se aquilo fosse meu, como não o é, limito-me a deixar a minha opinião. Contudo, e pormenores à parte, felicito a reconstrução e o novo ar que dá àquele conjunto de casario da Madalena.

 

Resto de uma boa semana!

 

 

 

01
Dez21

Dia 1º de dezembro - Com bacalhau à espanhola

Dia da Restauração de Portugal

1600-(53684)

 

Hoje é dia 1º de dezembro, feriado nacional, e neste dia, que embora não seja de festa, é de celebração, convém rever a matéria dada para não nos esquecermos da nossa História e do ser português. Pois então, hoje celebra-se o dia da Restauração da Independência, e convém estas três palavras andarem sempre juntas (restauração da independência), não se vá confundir com um simples dia da restauração, que faz mais lembrar a restauração do comes e bebes, ou com o da independência de Portugal, pois Portugal, antes de o ser já o era, ou seja, esta  restauração da independência só veio repor a independência que Portugal já tinha desde 1139 e que perdeu em 1580,  após a morte de D. Sebastião (o que dizem ter-se perdido no nevoeiro marroquino), quando se levantou o problema da sua sucessão, por este não ter um sucessor direto. E aqui aquela da restauração e do comes e bebes que atrás referíamos até nem é descabida de todo, pois na luta pelo tacho, perdão, na luta pela sucessão do poder e da regência de Portugal, o Rei de Espanha, o Filipe, que por acaso até era tio de D. Sebastião, entrou por Portugal adentro como quem diz: - uma vez que não está cá o meu Sebastião, isto é tudo nosso… e foi. Durante 60 anos, três reis espanhóis todos com o nome de Filipe (tal como o atual rei), dominaram Portugal, daí ser também conhecido pelo Domínio Filipino, que durou até 1 de dezembro de 1640, dia  em que um punhado de portugueses verdadeiros e desinteressados,  invadiram o Paço Real e limparam o sebo  a Miguel de Vasconcelos, o representante da Espanha em Lisboa, aclamando D. João, duque de Bragança, como rei de Portugal.

 

E prontos, deixo-vos com esta pequena revisão da história, só para não esquecer o porquê de hoje ser feriado. Simbolicamente deixo uma ponte que nos une construída por cima de um rio que nos separa, ou seja, uma boa desculpa para justificar aqui a imagem da ponte que nada tem a ver com o dia da Restauração de Portugal, que bem se poderia celebrar na nossa restauração com um dos nossos pratos nacionais,  o bacalhau (em espanhol bacalau), mais precisamente com o “bacalhau a espanhola”. Bem… o melhor é terminar por aqui senão ainda me sai uma do género: “até os comemos”!…

 

 

 

01
Dez21

Crónicas de assim dizer

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Eternidade, hoje

 

Deixa-me encostar a cabeça

No teu peito

Não respires

Não digas nada

Deixa-me só encostar a cabeça

No teu peito

Deixa que nasça o dia

Deixa que durma a noite

Deixa o pôr do sol 

Deixa a lua

Deixa

Ainda que a meio

O que tens por fazer

O que tens para fazer

Deixa o nada

E

Enquanto isso

Deixa-me encostar a cabeça

No teu peito

E

Nesse fugaz e escasso segundo

Não respires

Que a vida espera

E o tempo também 

Por tudo o resto

Menos por ti e por mim

Porque nada regressa

Do que nunca foi

É outra a música 

No presente de hoje

Onde nada interessa

E

Enquanto isso

Deixa-me encostar a cabeça

No teu peito

E

Prometo

Não respirar também 

Nesse fugaz e escasso segundo

Em que a vida lateja

O coração bate

O corpo transpira

A cabeça descansa

E não são precisas palavras

Nem talvez imagens

Mesmo que não interesse para nada

Deixa-me só encostar a cabeça

No teu peito

E

Se disseres sim

Talvez possamos depois 

Respirar

Por escassos segundos

O teu e o meu

Os únicos de que precisamos

Hoje

 

Cristina Pizarro 

 

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