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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves e a nova cidade do betão.

24.11.06 | Fer.Ribeiro
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Chaves e a nova cidade do betão. É assim o título do post de hoje e é assim também que inicio o texto de hoje e a razão é simples, ou melhor, não há qualquer razão, há antes uma realidade, a realidade do betão.

Este blog tem andado sempre (e continuará a andar) à volta do centro histórico de Chaves. A ponte romana, o castelo, as muralhas, os fortes militares, as igrejas, as praças, as ruas e ruelas dentro das antigas muralhas e, o que de fora se lhe aproximava. Tem andado à volta daquilo que é o nosso mais valioso património histórico e monumental, aquele património que além de flaviense é um património de todos, um património que, se devidamente cuidado e programado, poderia ser património da humanidade. Poderia, e disse muito bem, mas para isso haveria que haver o empenho de todos. O empenho dos políticos, dos comerciantes, dos intelectuais puros, dos intelectuais do Sport, de todas as forças vivas e actores desta cidade, em suma, de todos os flavienses naturais (presentes, residentes e ausentes com responsabilidades), principalmente dos flavienses, que se dizem e se sentem flavienses, quer sejam ou não naturais.

Só com um interesse mútuo é que os patrimónios são da humanidade. Pensar em nós pensando nos outros e, aí, o vice-versa até caía na perfeição – pensar nos outros a pensar em nós. Mas infelizmente as coisas (parece-me, ou melhor, tenho a certeza) têm sido só pensar em “nós”, no mais puro dos nós, os nós individual, o Eu & o Mim Ldª, ou Unipessoal Ldª.

Mas como ia dizendo e “utopias” à parte, este blog tem-se dedicado ao centro histórico de Chaves, às suas estórias e suas gentes, a um pouco que sabe da sua história e também à ruralidade do nosso concelho e, continuará assim. Mas (claro!) não podemos esquecer a realidade e, a realidade é a do betão, da expansão, do crescimento e, de tudo o que o crescimento traz agarrado a ele, que tal como na composição do betão - o cimento, os inertes e a água, se unem para fazer a força de um património, não da humanidade, mas financeiro, porque “eles” já há muito sabem (eles!) que não é o sonho que comanda a vida…

Entretanto hoje fica a imagem de onde a cidade do betão começa ou pelo menos deveria ter havido o bom senso de ter começado a nascer, não fossem os “pecados mortais” do consentimento de mamarrachos em pleno centro histórico e que o comprometeram para todo o sempre, e no entanto, tudo poderia ser perfeito, porque tudo tem o seu lugar, e em Chaves também (o poderia ter sido). Não apontem o dedo a ninguém, porque todos nós somos culpados. Claro que há uns mais culpados que outros, mas o silêncio, a indiferença, o deixa andar e o “isso-não-é-comigo”, também é uma forma de culpa…

Numa próxima reencarnação quero ser outra coisa qualquer e não esta de viver e sofrer uma cidade na qual nasci!

E por hoje tenho dito, o que vale é que amanhã vamos até ao nosso concelho rural, à descoberta, quem sabe, de mais uma aldeia.

Até amanhã.

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