Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves Rural - Carvela

18.11.06 | Fer.Ribeiro
carvela.jpg

Hoje é dia das aldeias e a sorte cabe a Carvela.

Carvela, pertence à freguesia de Nogueira da Montanha, fica a 12 quilómetros de Chaves. O acesso é feito a partir da EN 314 que liga Chaves a Carrazedo de Montenegro, no entanto poder-se-á fazer também pela E.N. 213 (Chaves- Valpaços), via Cela e Tresmundes, sendo o acesso a partir desta última aldeia feito por estradão em terra batida, mas geralmente em bom estado, permitindo o trânsito a veículos ligeiros.

Quanto às características da aldeia, é o costume das aldeias de montanha, pouca população residente e envelhecida que vai vivendo do pouco que a terra dá . Terra de emigrantes que religiosamente em Agosto dão alguma vida e alegria à aldeia. Terra fria também, de Invernos muito rigorosos, onde o gelo alterna com nevoeiros também frios, o que fazem da lareira um “regalo” obrigatório.

Dada a sua situação geográfica, mesmo no topo da Serra do Brunheiro, onde para um lado se inicia o planalto e para o outro o Brunheiro começa a sua descida até o vale de Chaves, é ponto de partida para vários desportos radicais, como o BTT, o downhill e o parapente.

Mas hoje quero trazer-vos aqui a arte de Carvela. Há cerca de 20 anos atrás fui lá com alguém (que já não recordo quem) à procura de um artesão que fazia miniaturas em madeira de carros de bois, arados, charruas e outras alfaias agrícolas. Depois de perguntar-mos o paradeiro do artesão, de porta em porta, lá chagámos à sua oficina, no rés-do-chão da sua casa, num compartimento com apenas uma porta, sem janelas e sem luz, e ele lá estava no meio da escuridão a talhar as suas peças. Inocentemente e ainda cá fora, perguntei ao nosso guia improvisado se o senhor trabalhava às escuras e, a resposta foi pronta – “trabalha às escuras, porque é cego”. Se até aí já admirava as peças do artesão, passei a admirá-las triplamente e muito mais. Pelas próprias peças, pela maneira fiel como eram reproduzidas e pelo próprio homem e artesão que dá pelo nome de Júlio Nascimento.

Pois hoje fica aqui a fotografia de uma das suas obras de arte, propriedade da Junta de Freguesia e só não fica a fotografia do artesão-artista porque na minha deslocação à aldeia para recolha fotográfica, o artista estava ausente, mas fica prometido para uma próxima oportunidade, a fotografia e mais um pouco da sua vida e obra, e não é por favor, é pela dignidade e arte da sua obra.

Carvela passará de certo por aqui de novo, não só pelo que atrás prometi, mas também pela própria aldeia e ainda por um outro artesão, este com a arte esculpir e dar vida às pedras ou melhor ao granito.

Até amanhã, numa outra aldeia.

1 comentário

Comentar post