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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Pormenor da Torre Sineira da Igreja de Stª Maria Maior - Matriz

16.11.06 | Fer.Ribeiro
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E hoje fica a imagem de mais um pormenor, neste caso da torre sineira da Igreja Matriz e da imagem de Cristo esculpida na mesma. Com a imagem do pormenor, talvez um pouco de história, para variar, não fique mal. Da documentação consultada sobre a Igreja Matriz, fico-me pelo que Pedro Verdelho publicou sobre a mesma. Em síntese, acho que está lá tudo que há de importante a dizer sobre a Matriz e passo a transcrever:

“Núcleo populacional importante, Chaves foi ao longo da história, também, um notável centro religioso. No fim do império romano aqui ficava a sede de um bispado cristão.
Foi seu bispo Idácio, o Límico, que se notabilizou por reduzir a escrito as suas impressões sobre o conturbado período histórico de então. No seu Chronicon, este romano, bispo de Chaves desde 427 d.C. e por mais de 40 anos relata as invasões suevas do noroeste peninsular. Foi feito prisioneiro por Frumário, rei bárbaro que arrasou a cidade flaviense. Apesar de ser libertado e voltar à sua igreja, que ficara muito danificada, não pôde evitar que o seu templo fosse demolido pelos visigodos. Depois da ocupação árabe, em 716, não mais houve diocese em Chaves, que se quedou como paróquia, rica em eminentes religiosos e letrados, que muito contribuíram para o engrandecimento da Igreja Católica e para o seu profícuo trabalho além-mar.

A grande herdeira deste passado é a IGREJA DE SANTA MARIA MAIOR, vulgarmente conhecida por Igreja Matriz. É possível que esteja construída no local onde existiu primeiro um templo romano e depois a igreja do bispo Idácio. Todavia, a primeira referência que há a ela é a das Inquirições Afonsinas de 1259. Terá sido reconstruída pouco antes dessa época, talvez no século XII, sobre os escombros dos templos anteriores. No contexto, seguiu os modelos do estilo românico. Dessa edificação existem ainda a torre sineira e o pórtico que lhe está na base, muito gracioso, com quatro colunelos e arquivoltas. No topo da torre está esculpida uma imagem tosca representando Cristo (o Cristo românico, em magestade, designado por Pantocrator). Nas costas da capela-mor, na parte posterior da igreja, na fachada de topo, reforçada por contrafortes, também do período românico, existe uma escultura em pedra, de Santa Maria. Já no século XVI, no tempo de D. João III, a igreja foi restaurada, seguindo-se agora os modelos renascentistas da época. Foram-lhe introduzidos os novos pórticos, em rigoroso estilo neoclássico, e foi-lhe alterada a capela-mor, cujo tecto foi feito em abóbada polinervada, como era gosto dominante. Duzentos anos mais tarde, no século XVIII, foram-lhe feitas janelas nas paredes laterais, onde foram também construídos altares. Foi ainda remodelada a capela do Santíssimo, à direita da capela-mor, que passou a estar encimada por uma lanterna.

Ainda actualmente o interior desta igreja tem três naves, separadas por robustas colunas graníticas cilíndricas, unidas, por sua vez, por arcos de volta inteira. Conserva o seu ambiente românico, escuro e recolhido. Para isso contribui também, além do demais, o tecto escuro, em madeira de castanho, à vista, que suporta o telhado. A fisionomia actual deste templo é o resultado de profundas obras de restauro, levadas a cabo em 1968.

Durante muito tempo, esta igreja de Santa Maria Maior foi a sede da única paróquia de Chaves. Assim era em 1386, altura em que, segundo as crónicas de Fernão Lopes, após conquistar a praça, o Mestre de Avis e o Condestável, aqui ouviram missa. (…)”

In “ Chaves – A Alma de Um Povo”, 1993, de Pedro Verdelho.

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