Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Mulheres das Aldeias

06.01.07 | Fer.Ribeiro

.

E hoje vão-me desculpar, mas vou dedicar o post às mães e avós das aldeias, às mulheres das aldeias e até aos penteados das mulheres aldeias.

 

Desde já, não é nada fácil falar dessas grandes mulheres e de toda a importância que elas têm para a vida das casas e das aldeias, mas vou tentar, tendo como exemplo uma avó da aldeia.

 

Com mal entendidos, machismos e feminismos à parte e olhando para a mulher como igual que o é e, com todo o respeito que me merece, sempre teve na vida das aldeias também as suas responsabilidades e tarefas mais ou menos definidas e instituídas. Responsabilidades e tarefas que foram passando de geração em geração, aprendidas também e sempre com as gerações mais velhas e logo desde pequenas. A mulher podia ter a sorte de aprender a ler e escrever, caso houvesse escola, disposição e algum empenho da família, mas mais importante que aprender a ler e escrever era aprender a bordar, costurar, cozinhar, tratar da casa, tratar dos irmãos, pais, filhos. Tomar conta das crias, alimentá-las, ajudá-las nos partos, fazer o fumeiro, aquecer o forno e fazer o pão, olhar pela horta, educar e formar os filhos, sendo além de mãe, irmã, companheira e enfermeira, que os encoraja e os estuda e que sente orgulho dos seus feitos. Mas sobretudo, cabe à mulher governar a casa.

 

Fora de portas, há sempre a ajuda na lide dos campos. A apanha da batata, as vindimas, secar os frutos, limpar o milho, cortar a ferrã e fazer dela belos penteados tipo Wanda Stuart, só que em verde. Cabem também às mulheres e sem menosprezar as tarefas comuns e diárias, missões mais nobres, como tratar dos mortos e velá-los, tratar das capelas e igreja, tratar e zelar pelas campas dos seus mortos, além do ser solidária, que a mulher da aldeia sempre é.

 

Mas mais que tudo, cabe à mulher da aldeia, ser mulher, companheira, cúmplice e conselheira.

 

Mulheres de “armas, digo eu, terminando com um poema intitulado “Mulheres de Maio” que são mulheres de todo o ano:

 

mulheres que são luz

sem serem sol

mulheres que são jardins

sem serem flores

mulheres que em cada gesto

transportam uma criança

sem serem mães

mulheres que são mulheres

mesmo quando ser mulher

não apetece

 

 

E quanto à foto de hoje, claro que é uma Mulher, de Lamadarcos (por mero acaso) e com o tal penteado tipo Wanda Stuart, só que em verde.

 

Até amanhã, por aí neste concelho rural.

 

2 comentários

Comentar post