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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Construção no Raio X

11.01.07 | Fer.Ribeiro

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As construções e a sua arquitectura vão acompanhando os tempos e as modas. A construção que hoje vos trago em fotografia marcou com certeza uma época e um estilo. Penso ser uma construção do final do 1º quartel do século passado, que possivelmente se prolongou pelo 2º quartel. Em Chaves conheço pelo menos uma dúzia de construções com este estilo e desenho (embora mais pequenas), onde até o pormenor do desenho das caixilharias é repetido. Construções que se desenvolveram sempre junto a estradas e caminhos, as tais construções de que ainda há poucos dias vos falava e que utilizavam as tais cores do vermelho sangue de boi e do verde-garrafa nas caixilharias e portas (que não é o caso da construção de hoje). Mas em todas essas construções (idênticas em estilo) há pormenores que as individualizam, geralmente um ou outro pormenor de cantaria, de carpintaria ou serralharia.

 

Na construção da foto de hoje há um pormenor que pela certa chama a atenção dos olhares mais atentos: a Varanda e o seu desenho. Ao que consegui apurar trata-se de um dos poucos exemplares de varandas (senão único) do estilo Art Nouveau em Chaves (cidade).

 

Mas afinal o que é isso de Art Nouveau ou Arte Nova?

 

Recorrendo a quem sabe mais do que eu sobre o assunto, podemos ficar a saber que:

 

Ao contrário do estilo Art Déco, que lhe sucedeu e cuja designação apenas se institucionalizou décadas mais tarde, o estilo Art Nouveau (Arte Nova) teve a sua designação estabelecida logo em 1895, com a criação em Paris da famosa loja La Maison de L’Art Nouveau, de Samuel Bing. Durante cerca de duas décadas o estilo marcou as artes decorativas da Europa e das Américas, particularmente depois da exposição internacional de Paris, em 1900, que consagrou definitivamente a Arte Nova.

 

Essencialmente, a Arte Nova caracteriza-se por uma assimetria do desenho e por uma utilização hiperbólica das linhas curvas, cujas sinuosidades são aplicadas em motivos vegetais e na decoração da figura feminina. As raízes deste estilo mergulham nas artes decorativas Japonesas. Assim, os motivos animais, particularmente os ligados a insectos, surgem também em número apreciável, sendo as libelinhas e os gafanhotos insectos frequentemente utilizados, tanto na joalharia de R. Lalique como na cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro.

 

Na Alemanha, na Áustria e na Escócia, contudo, este estilo apresentou significativas variantes, as quais assentavam numa predominância de figuras geométricas e de ângulos rectos.

 

A arquitectura foi também marcada por este estilo, sendo notáveis, entre muitos outros, os trabalhos de A. Gaudi, em Espanha, H. Guimard, em França (existe uma réplica de uma das suas entradas para o metropolitano de Paris, em ferro forjado, na estação de Picoas, em Lisboa), V. Horta, na Bélgica, C. R. Mackintosh, na Escócia, e da Wiener Werkstätte, na Áustria, com J. M. Albrich, J. Hoffmann e O. Wagner.

 

No concelho de Chaves, vários detalhes de influência Arte Nova podem ser encontrados nos pavilhões do parque de Vidago.

 

E por hoje termino, só resta mesmo agradecer a contribuição do amigo “T” na feitura deste post e o até amanhã, por aqui, em Chaves.

 

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