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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

É tempo da dieta do porco

23.01.07 | Fer.Ribeiro

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Somos Transmontanos, quer isso dizer que somos de Trás-os-Montes que tal como as palavras sugerem e bem, estamos para aqui atrás dos montes, ou por entre os montes ou entalados entre montanhas, longe do mar e longe de tudo.

 

Hoje, graças à recente auto-estrada  e ao automóvel, já não é bem assim, eu sei, mas a gente por cá continua em por detrás dos montes. Se por um lado sofremos deste provincianismo, por outro, não invejamos quem vive no litoral e na “civilização”.

 

Cada vez mais a gastronomia, a boa gastronomia, está na moda. Cada vez mais também se vão buscar os pratos tradicionais que fazem a delícia dos melhores restaurantes. Pratos que foram o sustento de muitos tempos de crise e o “matar de muita fome”, são hoje delícia de muita boa boca “comente”. Mas para que a iguaria seja perfeita e o prato abra o apetite para comer que nem um abade, os ingredientes terão de ser de primeira qualidade, que é como quem diz, caseiros ou como agora está na moda, biológicos.

 

Pois estamos em plena época do porco. Até ao Carnaval ou a Páscoa, poderia deixar-vos aqui dezenas de receitas gastronómicas que andam todas à volta do porco, do seu fumeiro, das batatas, do feijão, das couves, dos grelos, dos espigos que poderão ser com arroz, do pão, do azeite e do vinho. Palavras como linguiças, alheiras, salpicões, sangueiras, bexiga, bucho, orelheira, focinho, rabo, palaio, chouriços de cabaça ou de snague, ossos da assuã, etc. fazem a delícia de qualquer cozinheira(o) e crescer água na boca a quem os conhece. Claro que tudo terá de ser caseiro e biológico, e de preferência até com denominação de origem.

 

Assim, os grelos, as couves e os espigos, deverão ser da horta, de uma qualquer horta da veiga de Chaves ou outra horta qualquer da região. As batatas, de preferência que sejam da montanha, da freguesia de Nogueira da Montanha ou então da zona de Travancas ou freguesias vizinhas. O Pão, que seja centeio ou mistura, mas caseiro. Quanto às carnes e fumeiros de porco, desde que sejam caseiros, tanto faz. Mas caseiros quer dizer com porco criado e cevado na corte, com batata, castanha, cabaças e “gerimuns” e outros mimos da arte de bem “cebar”. Quanto ao azeite, se for da região de Valpaços, é uma boa companhia. Quanto ao vinho, que seja tinto e cheio. Poderá ser de Valpaços, da Ribeira de Oura, de Anelhe ou Souto Velho, da Cova do Ladrão,  de Vilarinho das Paranheira, de Vilela, de Bustelo, de Stº Estevão ou se quiserem, até pode ser do Douro ou Alentejano. O que interesse é que tenha algum corpo e abafe bem.

 

Quanto a pratos combinados e tradicionais, além de cada casa ter o seu, há aqueles que são comuns. Os ossos da assuã, o cozido à transmontana, os milhos, a palhada, ou uma simples alheira, com grelos, batata cozida, bom azeite e bom vinho, fazem a delícia de qualquer mesa. Quanto ao presunto, está a salgar na salgadeira. Lá mais para o verão, a gente fala…

 

Com tanta iguaria, já me abriu o apetite. Acho que vou assar uma linguiça na brasa, um pedaço de pão de Vilar e um copo de vinho de Stª Valha e estou feitinho para um merecido sono.

 

Hoje sei que fui mauzinho para os que estão fora da terrinha, mas prometo que cada vez que tiver um destes pratos à minha frente, eu penso em vós.

 

Até amanhã, por aí, como sempre em Chaves, em tempo de dieta.

 

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