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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

O Namoro do Tabolado com o Tâmega e a carta à prima

30.01.07 | Fer.Ribeiro

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Olá cara prima

 

Por aqui vai tudo bem, ou vamos indo, uns dias melhores outros piores, mas o que interessa é que vamos indo, é como o tempo, uns dias faz sol noutros chove, só o raio da neve é que ameaça cair lá de cima, mas não há raio que a faça cair e pintar esta cidade de branco.

 

Desculpa só hoje te responder e agradecer os presentes do Natal e por teres feito, mesmo ausente, a alegria do Natal dos putos. Gosto sempre de lhe ver a alegria estampada no rosto ao abrir um presente na companhia de todos, principalmente dos primos. Faz-me regressar à nossa meninice, do tempo em que os nossos Natais não eram feitos de tantos presentes, mas eram feitos de muita alegria e muito convívio e muitos jogos do rapa, deixa tira e põe, a pinhões, claro, que os tostões, esses, eram guardados para aqueles rebuçados pequeninos, acho que lhe chamavam “mata ratos”, lembras-te!?

 

Já soube que a tia não tem passado lá muito bem, os anos não perdoam e depois este tempo também não ajuda. Dá-lhe um beijinho meu e diz-lhe que tenho saudades daquele doce de cabaça com paus de canela e noz dos frascos que lhe roubava-mos da despensa, vais ver como ela se anima, pois animam-se sempre com as velhas recordações das traquinices do putos, vais ver que dá tema de conversa para todo o dia, se ainda tiveres paciência, claro. Mas o que interessa mesmo é que ela recupere rápido.

 

E por hoje é tudo, mando-te junto uma fotografia do namoro do Tabolado com o Tâmega, que mesmo com este tempo frio, mas mesmo muito frio, não deixa de ter povoado os seus passeios, com passeios da gente e, pela alegria das brincadeiras das crianças, alheias ao frio e a todo o mundo adulto, tal como nós, quando éramos putos.

 

Beijinhos para a tua pequena, um abraço ao teu pequeno e ao teu marido, diz-lhe que tenho na garrafeira aquele branquinho de Anelhe à espera dele, para saborear com as linguiças e o presunto que tenho guardadas da tia Quinhas e até pode ser que com sorte ainda chegue a tempo de uns pimentos do vinagre.

 

Beijinhos para ti e prometo que para a próxima sou mais breve a responder.

 

O sempre amigo e primo

 

(assinatura ilegível)

 

 

 

 Hoje vieram-me as saudades de escrever uma carta, fictícia é certo, mas que bem podia ser para a minha prima de Montalegre, da França, de Ovar, do Brasil ou da América, e pela certa que ficaria contente por recebe-la, com aquele contentamento que a magia de uma carta escrita à mão provocava em quem as recebia na descoberta de qualquer coisa que palavra em palavra iam descobrindo, para não falar do gosto que dava ao dedo e ao cheiro da tinta e do papel.

 

Pois cara prima, se estiveres aí desse lado, qualquer dia escrevo-te uma carta a sério, à mão e até lhe ponho um selo e tudo.

 

Espero que gostem da imagem de hoje e do namoro destes velhos namorados que são o Tâmega e o Tabolado.

 

Até amanhã, em Chaves, claro.

 

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