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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves Rural - Soutelinho da Raia

03.02.07 | Fer.Ribeiro

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Há dias, por mail, um visitante do blog chamava-me a atenção por, no post de S.Vicente, eu ter omitido o Raia, da qual muito se orgulhava. Claro que a Raia não só faz parte do nome de muitas das nossas aldeias como faz parte da vida de um povo que nasceu e sempre viveu na Raia e em função da Raia. Um povo que é feito do lado de cá e do lado de lá, que embora com uma fronteira política entre ambos e de nacionalidades também diferentes, nunca impediu que o povo fosse o mesmo e só um.

 

Pois hoje vamos até outra aldeia que tem Raia no seu nome. Soutelinho da Raia.

 

Geograficamente falando, por um lado, Soutelinho da Raia já é pertença do planalto barrosão que se dirige até Montalegre passando pela serra do Larouco, com vistas abertas para barroso. Por outro lado, quase a entrar-lhe pela aldeia adentro, tem a Galiza, a mesma que nunca lhe foi alheia, pois se hoje é pertença do concelho de Chaves e de Portugal, nem sempre foi assim, pois conta-nos a história que já houve um tempo, não muito longínquo em que Soutelinho da Raia pertenceu ao lado de lá da Raia.

 

Já em tempos e a respeito de Lamadarcos, trouxe aqui a história do Couto Mixto. Pois, e para ir de encontro à história de Soutelinho da Raia, penso não ser demais trazer aqui de novo a sua história.

 

“A norte de Montalegre situa-se o Couto Mixto composto pelas aldeias de Meaus, Rubiás e Santiago. Hoje pertencem a dois municípios galegos, mas até 1855, formaram um território com apenas 27 quilómetros quadrados, que gozava de uma série de privilégios, a começar pela auto governação, embora dependessem das casas do duque de Bragança e do Conde de Monterrei.

Os seus habitantes podiam escolher entre a nacionalidade portuguesa e a espanhola, ou nenhuma. Estavam isentos da tropa, de pagar impostos e até podiam cultivar tabaco. A falta de taxas aduaneiras favoreceu o comércio e também o contrabando. Quem fosse por um caminho que ligava o Couto a Tourém, em Portugal, não podia ser preso nem a mercadoria apreendida. E, para não perder tais benesses, os habitantes do Couto casavam uns com os outros.”

Pois bem, dirão vocês, o que é que tudo isto tem a ver com Soutelinho da Raia!?

 

Pois, hoje em dia, nada. Mas houve tempos em que a actual aldeia de Soutelinho da Raia era Galega e é precisamente aqui que entra o Couto Mixto, pois o tratado de Lisboa de 1864 instituiu a troca do Couto Mixto pelas aldeias de Soutelinho da Raia, Cambedo e Lamadarcos, hoje portuguesas, passando o Couto Mixto, desde então, a ser território galego e daí espanhol.”

 

Mas hoje, passados quase 150 anos, Soutelinho da Raia é aldeia e freguesia do concelho de Chaves.

 

Soutelinho da Raia é sede de freguesia e fica a 18 quilómetros de Chaves. Embora com 238 alojamentos (segundo o Censos 2001) só tem 192 pessoas de população residente, o que significa que sofre dos males da grande maioria das aldeias de Chaves em que a cidade se tornou mais atractiva e é pena, pois pessoalmente considero que como conjunto, é uma das aldeias mais bonitas do concelho de Chaves.

 

Pois para este fim-de-semana fica a sugestão de um passeio até Soutelinho da Raia, tomando a E.M. 507, em direcção ao Seara, depois nas Campinas recomendo virar à esquerda e passar por Calvão, sendo visita obrigatória a Srª da Aparecida e de novo Calvão, depois Castelões (pela estrada interior) e de novo a E.M.507 até ao S.Caetano. Aqui a paragem é de novo obrigatória e se levar merenda, tanto melhor. Depois é seguir mais um bocadinho pela E.M.507, e eis Soutelinho da Raia. O Regresso pode ser feito directo até Chaves.

 

Quanto à fotografia, é do Largo do Forno e é uma pequena amostra daquilo que por Soutelinho da Raia de pode ver, claro sem esquecer a Igreja e a Fonte, entre outros pontos de interesse.

 

Até amanhã em mais uma aldeia, de Chaves, claro.

 

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