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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Sobrado, uma aldeia de montanha

11.02.07 | Fer.Ribeiro

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Nº1, nº2, 3 e 4 casas habitadas a 2 pessoas por casa = 8 pessoas. Eia como sou bom em matemática de desertificação, ainda por cima é uma disciplina que é muito fácil de compreender.

 

É assim no Sobrado, no casco velho do Sobrado. Muitas casas mas pouca gente, apenas os mais resistentes, os que teimaram em ficar (por amor com certeza) se agarraram à terra, não partiram e vão fazendo a vida no contar (que já é descontar) dos dias, à espera que chegue o Natal que aqui, é em Agosto, nas féria de verão, quando a aldeia ganha alguma vida com gente jovem, quando é chegada a hora de receber os filhos e netos que andam lá fora a lutar pela vida.

 

Triste sina a sina da vida na montanha deste Portugal desigual, mas o mais curioso e, que até chega a meter impressão, é que a gente da montanha é grande, valente e orgulhosa, não partiu, é certo, mas é como se tivesse partido por esse mundo fora e quando se vê ao espelho, vê filhos e netos com orgulho, honra e até vaidade de os saber bem na vida, na França, na Suiça ou seja lá onde for…e para eles, para estarem bem com a vida, é condição suficiente que os seus filhos o estejam e estejam livres da vida agreste da montanha.

 

O post de hoje é dedicado aos 8 resistentes do casco velho do Sobrado, septuagenários e octogenários que vivem os dias à espera do Natal, que lá, é em Agosto.

 

E agora a ficha técnica do post:

 

Sobrado, aldeia localizada no planalto da montanha, logo a seguir ao Brunheiro, pertence à freguesia de Nogueira da Montanha, fica a 15 quilómetros de Chaves e o acesso é feito a partir de Chaves pela estrada nacional 314 e que chegados a France, é só virar à esquerda (antes ou depois – tanto faz). Terra da boa batata, alguma castanha, lenha e as culturas próprias do planalto da montanha. Potencialidades agrícolas não lhe faltam, falta é gente.

 

A foto de hoje é da casa nº 3 do sobrado e os números prolongam-se por aí fora até ao 4.

 

Lamentos: - Para quando é que este Portugal será um Portugal igual!?  Tanto desprezo começa a fartar, como fartos estamos de ver este Portugal a duas velocidades como se houvesse um Portugal a cores e um outro a preto & branco.

 

Até amanhã de volta à cidade de Chaves.