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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Ruas com nome

14.02.07 | Fer.Ribeiro

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Jà tinha saudades de andar por estas ruas… Rua dos Gatos, que raio de nome!

 

Muitas vezes não se compreende o porque do nome de uma rua, de uma praça ou de um largo, mas todos têm uma explicação, ligados à história (R. D.João I, por exemplo), à religião (Rua de Stº Amaro, S. Bento, Stº António), dedicada a um artista ou escritor (R.Nadir Afonso, R. Miguel Torga) às actividades que nela se praticam ou praticaram (Rua do Sal), à sua localização (Arrabalde), dedicados a ilustres da terra (Av. Dr. António Granjo), uma simples taberna pode dar nome ao lugar (Betesga do Olho) ou até por brincadeira (Rua do Alvitre). Outras há, que por mais topónimos que lhe atribuam, são sempre conhecidos pelos nomes populares, desconhecendo muita gente o seu verdadeiro nome (Jardim ou Largo das Freiras para a Praça General Silveira, ou os conhecidos Bacalhau, Rua do Correio Velho, Rua do Faustino, Largo da Câmara, etc.

 

Mas na nossa rua de hoje é um animal que lhe dá o nome – o gato.

 

Segundo a Toponímia  Flaviense, o topónimo é antigo e desde sempre a rua foi conhecida por este nome.

 

“Pelos senhores 1º Sargento de Infantaria 19, Maria de Jesus Pires, directora da Escola Feminina, Júlio Sarmento, Tito Lívio Lopes, Maximino Gouveia e Firmino de Morais, moradores na Rua da Misericórdia é comunicado que na Rua dos Gatos habitam algumas mulheres meretrizes, que pela sua conduta tornam quase impossível o viver dos “sinatários”.

As constantes obscenidades por elas proferidas e que são ouvidas pelas suas esposas e crianças que constituem suas famílias, são um exemplo mau e que torna deficiente a educação das mesmas crianças. Os barulhos que a altas horas da noite se dão, e por várias vezes durante o dia, provocados por homens que sem o mais leve vislumbre da honra pessoal vivem à custa das mesmas meretrizes, sobressaltando continuamente os “sinatários”, que para o caso ousa chamar a esclarecidas atenção desta comissão. A Comissão (Executiva da Câmara) considerando que a resolução do assunto constante deste ofício  pertence à autoridade administrativa, deliberou que do mesmo ofício se extraísse cópia e se enviasse à referida autoridade a fim de tomar as devidas providências”

 

 In Acta Municipal de 1 de Fevereiro de 1922 – fls. 118 e 119

 

Talvez pelo conteúdo desta acta já se perceba um bocadinho o porque do nome, mas a ser assim, deveria ser rua das Gatas e não dos Gatos.

 

Firmino Aires na Toponímia Flaviense dá uma ajuda. “ Uma boa razão era que esta rua desde tempos imemoriais era habitada por meretrizes, que exerciam ali os seus amores ilícitos, como gatas em cio, onde por isso não faltavam os gatos malteses a fazer-lhes a corte” mas adianta também como possibilidade “pela frequência de gatos que vinham apanhar restos de peixe lançados à rua por gente pouco limpa e escrupulosa.”

 

Seja qual for a razão, hoje é a Rua dos Gatos, quer tivessem sido gatas assanhadas, gatos malteses ou pardos, atrás dos restos do peixe ou simplesmente do seu cheiro, a dar-lhe o nome, hoje é a Rua do Gatos.

 

Mas honra seja feita à Rua, não vão vocês pensar que é uma rua de “poucas-vergonhas”. Nada disso. É uma rua séria e até muito pacata e de boa gente, que só peca por, tal como as outras do Centro Histórico, ter pouca gente e as construções estarem em mau estado de conservação. Quanto ao resto, é uma Rua que até se recomenda uma visita para conhecer mais um pedaço do nosso Centro Histórico e se tropeçar com um gato, foi por mero e simples acaso.

 

Até amanhã, em Chaves – claro.

 

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