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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves e Verin do Entrudo até ao Entroido

19.02.07 | Fer.Ribeiro

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Do velho entrudo já pouco resta, agora é mais Carnaval à moda brasileira. No entanto em algumas aldeias transmontanas ainda vai havendo algum Entrudo.

 

Mas os de Chaves não se podem queixar. Em Chaves, é certo, que não há tradição de Entrudo nem de Carnaval, mas mesmo aqui ao lado, em Verin, na Galiza o ENTROIDO ainda é tradição e cada vez mais se recomenda.

 

Desde a Gallaécia, ou seja – desde sempre, que Trás-os-Montes e a Galiza mantêm uma relação muito estreita, principalmente os concelhos da raia, como neste caso o Concelho de Chaves e todos os Concelhos Galegos com que fazemos fronteira. Mas entre a cidade de Chaves e Verin, além da relação, sempre houve amizades e cumplicidades, que nem sequer Salazar e Franco tiveram força para as silenciar ou anular.

 

             

 

Uma das relações de sempre foi a troca de “galhardetes” nas festas. É conhecida a invasão de Galegos na nossa Feira de Santos, tal como é conhecida a nossa invasão ao Lázaro de Verin, mas nos últimos anos, cada vez mais, os flavienses também invadem todas as festividades do Entrudo (Entroido) de Verim, onde, aí sim, ainda se vai mantendo a tradição, embora os desfiles já sejam um misto de Entrudo e Carnaval.

 

Franco proibiu os festejos de Entrudo e dos mascarados, que são o principal atractivo do Entroido e que dão pelo nome de Cigarróns e Peliqueiros. Cigarróns cuja origem se pensa remontar à idade média e que em toda a Galiza só em Xinzo, Laza e Verin existem, com mais importância em Verin. Tanto assim é, que em Espanha, o Entroido de Verin e os Cigarróns são considerados de interesse turístico nacional.

 

“O elemento principal e o mais característico do ENTROIDO de Verín é "O CIGARRÓN",a máscara tradicional da vila, e protagonista absoluto da festa. A orixe do "CIGARRÓN", coma todo que se perde ó longo dos tempos, forma parte da lenda. Crese que puido ser un cobrador de impostos na época do medievo, o encargado de levanta-la caza do señor feudal ou incluso, un enviado da igrexa para facer crer a aqueles que dubidaban da súa fe”.

 

 

Mas quem são os cigarróns? – São naturais que vestem a rigor, vestimentas compostas de bordados, lenços e outros adereços, com muita cor. A vestimenta dos cigarróns é igual para todos, incluindo o desenho da face da máscara, a única diferença que se encontra entre cigarróns e que os diferencia, é o desenho de um animal na parte superior da máscara. Mas o rigor da vestimenta, manifesta-se também no rigor de admissão de novos cogarróns e nas regras entre eles e a população em geral:

“Os Cigarróns e Peliqueiros piden pola rúa perseguindo a xente, pero non poden falar. Non se lles pode tocar. Visten camisa, gravata, chaquetiña de seda, calzóns con volantes, carauta de madera tallada e gorro de follalata decorado con debuxos de animais e unha pelica detrás.

Os Volantes de Chantada levan campaíñas, no cinto, que fan sonar.”

 

Os Cigarróns fan a súa primeira aparición o 17 de xaneiro, festividade de San Antón, anunciando a proximidade do Entroido.

 

Se a sua primeira aparição é a 17 de Janeiro, o cigarron não para durante todo o período de Carnaval e segue rigorosamente um programa, que se vai repartindo pelos dias e que cada vez tem mais adeptos, incluído os da gente de Chaves que cada vez mais aderem e participam nas festividades.

 

XOVES DE COMPADRES

É o primeiro día do Entroido. Os mais valentes viven este día a primeira petardada. Celebrase o "Xuicio do Maragato", que sempre sae condeado e executado.

 

           

 

DOMINGO DE CORREDOIRO

Os Cigarróns esperan á saída da Misa e despois percorren toda a vila. Pola tarde, na Praza Maior, ten lugar a primeira "FARIÑADA".

 

XOVES DE COMADRES

Un dos días máis especiais do ENTROIDO. Centos de mulleres reúnense para cear, xuntándose as doce da noite á procesión "DA VELA E DAS SÁBANAS BRANCAS", que comenza baixo o CASTELO DE MONTERREI. Escoltado polos Cigarróns, chega o Entroido, que percorre as rúas do casco vello da vila ata o balcón da "Raiña do Entroido, Dona Elena". A festa comenzou, animada polos grupos de gaiteiros, charangas y fanfarrias. Una "QUEIMADA" pechará a festa.

 

                             

 

VENRES DE ENTROIDO

Día para que a imaxinación acade o poder na vila. Veciños e visitantes participan xuntos na festa, sacando a relucir ideas de todo tipo.

 

SÁBADO DE ENTROIDO

As charangas, as bombas e os petardos despertan ós veciños. A Praza Maior está tomada polos Cigarróns. A festa prolongase ata altas horas da madrugada.

 

DOMINGO DE ENTROIDO

É o día grande. Ás doce do mediodia comenza o desfile dos Cigarróns e Carrozas. Miles de curiosos e participantes fan que a poboación de Verín multipliquese para ver este espectáculo. A "rúmba" continua toda-la noite.

 

          

 

LUNS DE ENTROIDO

A guerra de fariña, é a protagonista na tarde xunto ós Cigarróns. A continuación comenza a festa na Praza Maior.

 

MARTES DE ENTROIDO

Último día. Aproveitar para adicarse ó bo xantar e gozar dos excelentes viños da zona. As catro da tarde terá lugar un novo desfile de Cigarróns, carrozas e charangas, prolongándose a festa ata ben entrada a noite.

 

Claro que a tradição não termina aqui, haveria ainda que falar da tradição gastronómica, mas como o post já vai longo, de gastronomia falo para o ano, mas mesmo melhor que falar nela, é ir lá e comê-la, que tal como nós trasmontanos, os galegos também são de bom dente e também têm bons vinhos.

 

Até amanhã de regresso a Portugal. (Para quem não sabe, Verin e todo este Entroido ficam a 20 quilómetros de Chaves).

 

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