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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

As nossas lágrimas

07.03.07 | Fer.Ribeiro

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Mar Português

 

Ó MAR SALGADO, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

 

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

 

In Mensagem – X Mar Português – Fernando Pessoa

 

Já que está na moda falar das maravilhas do mundo e de Portugal, falemos também das maravilhas da poesia e de um dos melhores poetas de sempre – Fernando Pessoa.

 

E o Mar Salgado vem a propósito do post de hoje, pois parte desse mar salgado que são lágrimas de Portugal é feito também de lágrimas flavienses e lágrimas deste rio de água doce, também feito de lágrimas de mães flavienses, de filhos e até das noivas que ficaram por casar… por se dedicarem ao nosso Portugal.

 

A nossa Top Model (Ponte Romana) é testemunha há 2000 anos das lágrimas flavienses e o nosso rio Tâmega está mais que farto de levar as nossas lágrimas mesmo que oprimidas pelas margens,  por este pedaço de Portugal fora até ao mar e, interrogo-me agora, tal como ó poeta se interrogou – Valeu a pena? E a resposta é : Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena.

 

Sem querer contrariar o poeta do Mar Salgado, como flaviense e transmontano que sou, sou também um homem do povo, deste nosso povo. Não há como o popular e a sua poesia para melhor nos entender-mos e, aqui, os poetas entram em contradição quanto ao choro, às lágrimas e ao valer a pena ou não:

 

Se pedir peço cantando

Sou mais atendido assim

Porque se pedir chorando

Ninguém tem pena de mim

 

In, Este livro que vos deixo de António Aleixo

 

Moral da poesia de hoje e da parte que me toca de flaviense humilde: Também o mar português tem as minhas lágrimas, mas ninguém me rouba a alegria de cantar o encanto e de pisar e até lutar por esta esquecida e desprezada cidade que me honra com o ser Flaviense.

 

As lágrimas são roubadas, mas cantarei sempre para além da dor a nossa terra

 

Ficha técnica da foto:

 

Um arco da ponte romana de Trajano atravessada por muita água que nunca é a mesma, às vezes doce e calma e às vezes furiosa que nem as margens lhe conseguem conter a fúria, como fundo a alma galega a misturar-se com as nossas almas de flávia, ámen!

 

Quanto à vela, manterá a sua chama acesa, a chama da esperança, mas também uma chama que sempre nos ilumina e alumia em lutas e escuridão.

 

Até amanhã, com ou sem poesia, mas na alma flaviense de Chaves.

 

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