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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

A Casa dos Morgados

16.03.07 | Fer.Ribeiro

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Já que nos últimos dias tenho andado à volta das maravilhas de Chaves, aqui fica uma imagem de uma praça de Chaves onde pela certa há mais maravilhas por metro quadrado que em vez de Praça de Camões até se poderia chamar Praça Monumental de Chaves e senão vejamos: Nesta praça tudo é monumento. Desde a Antiga Casa do Morgado de Vilar de Perdizes e actuais Paços do Concelho (que é como quem diz edifício da Câmara Municipal), ao edifício do antigo paço dos Duques de Bragança (actual Museu Municipal e serviços da Câmara), à Igreja  da Misericórdia, ao antigo Hospital, à Igreja de Stª Maria Maior ou Igreja Matriz, à Capela da Stª Cabeça e até ao restante casario centenário que preenche o resto da praça, tudo é monumento e monumental e tudo é maravilha merecedora de ser apreciada, primeiro o conjunto e depois individualmente.

 

Pois enquanto as maravilhas de Chaves  andarem a desfilar  por aqui  (vá até lá e deixe a sua escolha nos comentários) vou tentar trazer também ao blog individualmente ou em conjunto essas mesmas maravilhas e deixar aqui um bocadinho da sua história e descrição.

 

Hoje vamos então (na Praça de Camões) para a Antiga Casa do Morgado de Vilar de Perdizes e actual Paços do Concelho.

 

É um belíssimo edifício de planta rectangular caracterizado pela sobriedade e regularidade das fachadas, com três pisos e sótão que começou a ser construído na primeira metade do Séc. 19 destinado a solar e residência do morgado de Vilar de Perdizes, António de Souza Pereira Coutinho, que nunca viria a ser concluído como tal. Em 1861 a Câmara Municipal, então presidida por Francisco de Barros Teixeira Homem compra o edifício (ainda em construção) pela quantia de dois contos e seiscentos mil reis. Em Outubro do mesmo ano a Câmara abre concurso para conclusão das obras, que se viriam a tornar polémicas e que por várias vezes o Governo Civil quis suspender, valendo a opinião pública da então Vila de Chaves, através de dez representantes que manifestaram o apoio à Câmara e o prosseguimento das obras. Afinal parece que as nossas guerras e reivindicações para com os governos centrais e distritais já não são de hoje e que é a opinião pública e a sua união que nos tem salvo. Afinal o povo é que sabe!  

 

Ao que consegui apurar só em 1880 é que as obras, contra ventos e marés,  seriam concluídas com os arranjos da praça.

 

Hoje em dia o edifício continua a ser o principal edifício dos Paços do Concelho, e embora o morgado de Vilar de Perdizes nunca o tivesse habitado, tem vindo a ser habitado por outros morgados e de vários regimes, desde a monarquia à república, tem sido a casa onde até hoje são ditados os desígnios do concelho.

 

Ainda a respeito da casa dos morgados, tomemos como exemplo as lutas dos nossos antepassados flavienses  e lutemos por outras casas que também agora o poder central nos quer roubar. Afinal a opinião pública já está concertada, e o povo é que sabe, o silêncio e a incerteza do futuro é que incomodam. Claro que falo do hospital como clarinha se irá manter a vela acesa.

 

Até amanhã em Chaves.