Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves - Memórias futuras de um comboio

15.05.07 | Fer.Ribeiro

Pare, escute e olhe

.

 

Pois está decidido, esta semana vou dedicar o blog à memória futura e a testemunhos do passado que hoje fazem memória.
 
Hoje fica um testemunho que faz memória, a de que houve um tempo em que existia comboio em Chaves, pelo menos na placa, abandonada e “enferrujada” pelos anos assim o reza:
 
ATENÇÃO AOS COMBOIOS
PARE, ESCUTE, OLHE
PROIBIDO O TRANSITO PELA LINHA
 
E eu sou testemunha de que é verdade, pois tive a felicidade de durante quase 20 anos fazer muitas viagens no velho Texas a carvão e no Texas-Diesel, embora seja o Texas-Carvão que deixa mais saudades.
 
Pois, para quem “não acredita” aqui fica o testemunho de que o comboio existiu mesmo em Chaves.
 
Já agora um pouco da história da linha do Corgo e do velho Texas.
 
Se olharmos à história das linhas ferroviárias facilmente compreenderemos a importância que tiveram nas primeiras grandes ligações do nosso país. Uma importância nas acessibilidades e na economia do país, quer com o transporte de passageiros, quer e principalmente no transporte de mercadorias. 
 
Em 28 de Outubro de 1856, desde a estação provisória de Stª Apolónia em Lisboa, saía o primeiro comboio em direcção ao Carregado. 37 quilómetros que demoraram “apenas” 60 minutos a percorrer. A partir de aí foi um lançar de linhas para ligar todo o país.
 
Quase 50 anos após o primeiro comboio em Portugal, mais precisamente em 15 de Maio de 1905, era inaugurado o primeiro troço entre a Régua e Vila Real. Nascia assim, em linha estreita, o primeiro troço da Linha do Corgo com início na Régua e término em Chaves. A construção desta linha foi faseada por vários anos. Em 1907 chegou às Pedras Salgadas. Em 20 de Março de 1910 fez a sua primeira chegada a Vidago. Em 20 de Junho de 1919 chegava a Vilela do Tâmega e só (finalmente) em 21 de Agosto de 1921 é que fez a viagem completa da Régua a Chaves.

Entre Vila Real e Chaves existiam 8 estações e 14 apeadeiros. Entre as duas cidades percorria 41 km e demorava 2H20, ou seja fazia o percurso a uma média de 17km/h.
 
Durante muitos anos foi o principal meio de transporte de passageiros e mercadorias de e para Chaves, e se com a melhoria dos transportes rodoviários e a criação das estradas nacionais o transporte de passageiros foi perdendo ao longo dos anos alguma importância, mantinha-a no transporte de mercadorias.
 
Ano após ano e com a melhoria dos transportes rodoviários (quer de vias, quer de máquinas) o comboio foi perdendo a sua importância e ia morrendo aos poucos. Havia duas soluções – melhorar e modernizar a linha ou fechá-la.
 
E a verdade seja dita, com o “consentimento” de todos e sem a oposição de ninguém, o Governo decidiu em finais de Dezembro de 1989 fechar definitivamente o troço da linha do corgo entre Vila Real e Chaves, em troca, dava-se preferência aos acessos rodoviários e aos IP’s.
 
Em 1990 a reciclagem já estava na moda e teria sido de bom tom, em vez de se ter abandonado por completo o troço de linha desactivado, deixando-a a saque de carris e de todo o património que ao poucos foi sendo roubado, ou vendido (no caso das estações e apeadeiros), dizia eu, teria sido de bom tom, manter o património e reciclar a linha para o turismo, pelo menos entre estâncias termais (Chaves – Vidago – Pedras Salgadas). Mas não, não houve nenhum iluminado que tivesse visto o potencial turístico desta linha, o que aliás até nem admira, enquanto o poder de decisão couber aos políticos.
 
Enfim, e de comboios restam-nos uma ou outra placa que ainda não foi roubada do Pare, Escute e Olhe e, um museu do comboio, que de tão fechado que está entre quatro paredes e com portas fechadas 6 dias por semana, quase ninguém sabe que existe

É por tudo (isto e daquilo) que o velho Texas deixou saudades, principalmente o Texas a carvão.
 
Pena é que os nossos políticos (locais e nacionais) a Comissão Regional de Turismo e outras entidades iluminadas não tivessem tido
 
ATENÇÃO AOS COMBOIOS
 
E que como sempre, quem decide nunca
 
PARE, ESCUTE, OLHE
 
Os verdadeiros interesses das pessoas e da nossa região e que tenham para sempre e irreversivelmente
 
PROÍBIDO O TRÂNSITO PELA LINHA.
 
 
Tenho pena, verdadeiramente muita pena,  mas da minha parte apenas vos posso trazer aqui uma placa que já fez e continuará a fazer memória futura de que um dia em Chaves houve comboio.
 
Até amanhã, com mais memórias futuras de Chaves.
 
 
 

1 comentário

Comentar post