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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves Rural - Avelelas

09.06.07 | Fer.Ribeiro

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Debaixo de todo este nevoeiro há vida e aldeias. São as aldeias de montanha, do planalto, que melhor que ninguém conhecem o rigor dos Invernos e os infernos do Verão. Vida difícil que facilmente é trocada por uma vida mais suave na cidade ou no estrangeiro, onde além de mais suave conseguem arranjar trabalho para poderem viver com mais dignidade e mais conforto. Claro que há os resistentes, que por amor não abandonam a terra que os viu nascer e os que partem, têm sempre a terra no coração e, qualquer coisa, por mais simples que seja, serve de pretexto para lá dar um pulinho, nem que seja por apenas umas horas.
 
Uma das aldeias que está debaixo do nevoeiro da foto é as Avelelas.
 
As Avelelas pertencem à freguesia de Águas Frias, terra das terras de Monforte, fica a 15 quilómetros de Chaves, e conjuntamente com Sobreira, Vila Nova e Oucidres, dominam o planalto de Monforte, onde o Castelo é Rei e Senhor de todas as vistas.
 
Mas Avelelas, pese embora os que foram procurar noutras paragens uma vida melhor, tenta manter a sua vida e as suas tradições a par do amanhar dos campos e da pastorícia. Uma das tradições curiosas, e que nos presentes dias de primavera se leva à prática, é a de (na capela que se vê na foto) nos dias de trovoada, pôr a Santa à porta (suponho que Stª Bárbara) para afastar a trovoada. Diz quem lá vive, que a trovoada se afasta sempre e com santa à porta, nunca por ali causou estragos.
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Há também quem zele por outras tradições, algumas perdidas ao longo dos anos e que têm sido ressuscitadas pela mão de uma emigrante (Maria Baia de 60 anos) com o apoio da Junta de Freguesia e também apoio e participação de toda a população – estou a falar-vos de jogos tradicionais e populares que pela certa levam muita gente a fazer uma viagem no tempo. Jogos como a corrida de sacos, corrida de colher de pau com ovo e a corrida de cântaros, por exemplo, têm feito a delícia de miúdos e graúdos nos últimos anos.

Jogos e tradições que com o passar dos anos, com a televisão, os computadores e consolas e a ausência de gente jovem nas aldeias se têm perdido. Jogos de futebol entre casados e solteiros ou entre aldeias vizinhas, o jogo da malha, do chino, da sueca, do pau, para jovens e adultos ou o jogo da corda, da macaca, do espeto, do pião e da piôrra, do berlinde, do botão, das caricas ou dos cromos para putos, ou até jogos inventados como lançamento de pedras e estacas ou corridas de cascas em tudo que era rego ou valeta com água corrente, são cada vez mais coisas do passado, jogos saudáveis e ao ar livre ou de taberna que são e foram trocados por pequenos monitores em quartos e salas fechados e onde a luz do dia só incomoda.
Enfim, são os novos dias, os dias de hoje que fazem com que as ruas e os largos das aldeias e bairros da cidade, cada vez tenham menos vidas e mais tristes até.
 
E por falar em até, então até amanhã, pois por hoje já chega de palavreado, embora compensado com duas imagens.
 
Até amanhã, numa aldeia de Chaves.

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