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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves, "vou alí à serra e já venho" ou Downhill

18.06.07 | Fer.Ribeiro

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Prometi que havia post extra e ele aqui está, mas como não estamos em tempo de desperdícios, o post extra é também post do dia e assim, com um tiro, mato dois coelhos, ou seja, dou a volta à questão e cumpro o que prometi mesmo sem o cumprir – alguma coisa vamos aprendendo com nossos políticos…
 
O Downhill neste fim-de-semana invadiu o Brunheiro e Vilar de Nantes. Como nos fins-de-semana cá na terrinha nada acontece, geralmente dedicamo-los às dietas dos almoços em família, mais ou menos prolongados, mais ou menos bem regados e seguidos de um merecido repouso de sofá. Mas quando há acontecimentos estranhos a esta pacatez dos fins-de-semana, ainda por cima aqui à porta e com nome estrangeiro, há que dar uma espreitadela ao acontecimento e (a custo) prescindimos do repouso no sofá. Foi o que me aconteceu ontem, Domingo, e fui dar uma espreitadela ao tal Downhill.
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Para quem não sabe o que é dawnhill eu explico, por palavras minhas, pois não sou especialista na matéria e apenas testemunho aquilo que vi.
 
Pois para melhor ilustrar as minhas palavras, vou regressar um bocadinho no tempo, aos finais dos anos 60, inícios dos anos 70 em que eu era puto adolescente e também tinha a minha quota parte de “destravamento” ou “maluqueira” e muita adrenalina a correr nas veias, embora até fosse um puto certinho.
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Por finais dos tais anos 60, vivia eu no Bairro da Casa Azul, mesmo ali nas faldas do Brunheiro e o meu divertimento era desviar ou tomar emprestada a bicicleta da família e partir a pedalar em direcção ao Brunheiro, por caminhos, “caminhitos” e carreiros, tudo em terra (claro) até onde as pernas ou os caminhos e carreiros mo permitiam. Chegado a esse ponto, o ponto do retorno, era só virar para trás e aproveitar a descida a toda a velocidade, ignorando buracos e pedras, ou seja “à maluca”, até casa. Se tudo corria bem, arruma a bicicleta no seu sítio habitual e nada acontecia. Se alguma coisa corria mal, como um tombo com feridas e sangue à vista, uns raios partidos ou uns aros empenados, já sabia que me esperava um aconchego de orelhas ou umas “lostras” que eu até achava bem merecidas.
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Sem saber, já então praticava Downhill, o meu Downhill,  que traduzido para o meu português corrente era: - vou ali à serra e já venho.
 
Claro que o Downhill de hoje é completamente diferente. Começa pelas bicicletas que se chamam Bikes, construídas em fibras de não sei que, com amortecedores, suspensões e outras características que reduz o seu custo a uns milhares de euros. O equipamento é rigoroso, com capacetes, fato de competição colorido ou não e todo um conjunto de elementos que além de proporcionarem alguma segurança, garantem uma vistosa fatiota toda colorida (ou não) mas que fica sempre bem na fotografia. Em tudo o resto, é o mesmo de há 30 anos atrás – descer a montanha a toda a velocidade e à maluca, com uma diferença, a dos pais. Enquanto que o meu “desporto” se chamava vou ali à serra e já venho e era clandestino aos olhos dos meus pais e às vezes com direito a aconchego de orelhas, agora é legal, está enquadrado dentro dos desportos oficiais chamados radicais e dá pelo nome de Downhill e, os pais estão à espera dos filhos, com beijinhos e abraços, parabéns e outras coisas mais e tais.
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Como eu invejo os putos de hoje!
 
Mas ainda bem que as coisas hoje são assim e os pais têm dinheiro e compreendem que os desportos radicais são mesmo para praticar nas devidas idades, e já que assim é, que o façam com segurança e com todo o apoio e aconchego (sem ser de orelhas). Um desporto que tem o seu perigo, mas que também é salutar para o desenvolvimento dos jovens e para o contacto com a natureza que estes desportos sempre proporcionam, principalmente quando acontecem no nosso Deus Brunheiro.
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Pois e após a devida resenha histórica desde o “vou ali à serra e já venho” até ao “Downhill”, vamos a reportagem em si.
 
Tal como ontem imaginei, subi até à quinta do Quim e tomei lá as primeiras fotos na zona dos “pulos”. Devido às chuvas dos últimos dias a pista estava enlameada e bem escorregadia o que proporcionava uns bons tombos para espectador ver o que aumentava a adrenalina. Pela montanha fora e a contrastar com o verde dominante do Brunheiro havia muitas cores, com mais realce para os vermelhos, amarelos, azuis e também alguns brancos. Ouviam-se apitos e alguns gritos e aplausos, principalmente quando algum concorrente malhava na lama. Os que desciam nas bikes tinha capacetes e números na parte da frente e nas costas…. já perceberam que quando ao desporto em si não percebo nada, por isso o meu realce vai para o acontecimento que “esventrou” as terras do Brunheiro, para o acontecimento que foi para Vilar de Nantes e para a cidade de Chaves, onde até não faltaram os barros pretos de Vilar.
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Quanto a prova, segundo foi anunciado no som do acontecimento, a descida mais rápida da segunda manga, a manga da tarde, foi feita em 4 minutos e tal (desde terras de Carvela até terras de Vilar) e foi ganha por Emanuel Pombo, da equipa Run Bike de Chaves. Repito a última parte – de CHAVES. Ou seja, mesmo com os craques nacionais em prova, os nossos putos são bons no “vou ali à serra e já venho” . Grandes malucos!
 
Valeu pelo espectáculo e por mais uma vez poder desfrutar do Brunheiro.
 
Até amanhã na cidade de Chaves, mesmo na cidade!