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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Chaves e o ainda Hospital

24.10.06 | Fer.Ribeiro
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Quer se concorde ou não com as políticas dos nossos governantes e com as razões que os levam a tomar certas atitudes, ninguém gosta de perder e, quem disser o contrário, não está a ser sincero consigo mesmo.

Há poucos dias ao ver um desenho antigo das muralhas de Chaves, o título do desenho, a toda a largura do mesmo, chamou-me a atenção. Pois simplesmente dizia, ou melhor diz: - Chaves, Capital de Trás-os-Montes.

Não vos vou manifestar qual foi o meu sentimento quando li aquelas palavras, nem será preciso, pois é fácil de adivinhar, mas deixaram-me também a pensar. A pensar na importância que Chaves sempre teve ao longo da história da sua existência. Desde os Romanos (os testemunhos estão à vista de toda a gente) às várias monarquias e à importância que deram a Chaves na defesa do território como o testemunham as muralhas medievais, as muralhas seiscentistas, os fortes de S.Francisco e Forte de S.Neutel, a Torre de Menagem e ainda neste capítulo militar, e já na República, a construção do actual Regimento de Infantaria. A nível de vias, Chaves sempre se apresentou como um ponto de passagem importante, desde as vias Romanas, aos caminhos de Santiago, a principal estrada nacional, a que ligava o Norte ao Sul do País, a Nacional 2, começava (e ainda começa) em Chaves. Ferroviariamente Chaves era fim de linha. Houve também um tempo recente em que Chaves foi prioridade para a saúde da região de todo o Alto-Tâmega e a demonstrá-lo esteve a construção de um novo Hospital (quando já existia um outro), os Centros de Saúde nº1 e nº2, e desde sempre esteve ligada ao ensino, tendo existido até (e segundo reza a história) uma escola de medicina, para não falar que desde cedo no ensino em Portugal tivemos um Liceu, uma Escola Industrial e Comercial e uma Escola do Magistério Primário (isto no tempo em que ensino universitário se resumia a Lisboa, Porto e Coimbra). Até determinada altura tudo eram ganhos para Chaves, e até no desporto, no futebol, Chaves com o seu Desportivo, atingiu o mais alto escalão - a 1ª Divisão, o único clube transmontano a entrar nas lides nacionais do mais alto escalão. Tudo parecia correr sobre rodas para Chaves se transformar numa verdadeira cidade, com a importância e afirmação de uma cidade média e fronteiriça de Portugal. E embora este parágrafo já vá longo, haveria ainda a acrescentar a importância comercial e agrícola que Chaves sempre teve.

Recentemente, ao longo das últimas dezenas de anos, tem-se dado o inverso. Sempre ouvi dizer que para se construir uma casa são precisos muitos anos, para a destruir, basta um dia.

Começamos por perder o comboio e a linha. Depois o Magistério Primário e perdemos a corrida do ensino superior e de uma universidade em Chaves. E se na luta ao crime a polícia Judiciária era importante em Chaves, também o deixou de ser. Para “Inglês ver” a UTAD montou uma amostra de POLO em Chaves. Já começo a ser anunciada a sua morte com o anuncio do retirar de dois cursos. Em termos militares, já há muito que se vai anunciando e adiando o fecho do Regimento de Infantaria e agora o Hospital também deixou de ser importante, ao que parece, em Chaves transpira-se de saúde e apenas as urgências serão garantidas (para já). Ah! E já agora, o Desportivo de Chaves ocupa o último lugar da 2ª divisão (é assim que eu a conheço). Como se costuma dizer por aí, e tal como vai acontecer com as águas de Vidago que vão ser canalizadas para fora do concelho (outra perda) só falta levarem as águas das caldas, que embora a mim me pareça difícil, pois arrefeceriam pelo caminho, não é de todo impossível, com as nova tecnologias elas chegarão quentinhas até Vila Real para daí…

Que levem tudo, mas uma “coisa” tenho a certeza que não levam – a mim!

Na foto de hoje aquele que proximamente ira encerrar por falta de condições, embora não aparente.

E hoje peço desculpas por tantas palavras, mas às vezes um homem não resiste e tem que desabafar, pelo que termino como comecei, com as devidas correcções e adendas:
- Quer se concorde ou não com as políticas dos nossos governantes e com as razões que os levam a tomar certas atitudes, ninguém gosta de perder e, quem disser o contrário, não está a ser sincero consigo mesmo ou então está a por a sua bandeira acima dos interesses flavienses. E aqui ainda acrescento ou melhor, interrogo: Será que temos aquilo que merecemos!?

Até amanhã, no que nos vão deixando por Chaves.



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