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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Jun06

Chaves, a ponte do Ribelas, o espaço termal e a bandeira do "actor principal"

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Se a ponte romana é a nossa Top Model (como diz o Beto) o castelo é o nosso Actor Principal, nem as novas torres de betão lhe fazem frente. Por querer ou sem querer, sempre que viramos a objectiva para a cidade antiga, ele teima em dizer presente e ainda bem que é teimoso, pois tenho todo o gosto em que ele entre pelas minhas fotografias adentro, como no caso de hoje.

O meu modelo de hoje era mesmo a ponte do Ribelas e das saudades que ela tinha que a água lhe passasse por baixo, pois desde a construção da ponte nova que o Ribelas foi desviado (desde então a passar sob a Praça do Brasil).

Pois a ponte do Ribelas tem de novo água, que embora parada, não passa, mas com um pouco de imaginação é de novo uma ponte e um rio (que por acaso é lago e artificial). Pessoalmente acho que com esta intervenção a ponte do Ribelas e toda a área termal ganha muita mais e interessante vida, pena é que mesmo ao lado exista um monstro ou dois, que lhes esconde toda a beleza (ainda bem que o grande monstro não saiu na foto).

Mas o que agora está a dar são mesmo as bandeiras e o futebol. Não é perceptível na foto, mas o edifício do lado esquerdo tem algumas bandeiras dependuradas, mas mesmo que não estivesse, está lá a sempre presente bandeira “maior” que o nosso actor principal o Sr. Castelo prometeu proteger das incursões inimigas.

Já agora e a respeito de futebol, ao que parece amanhã todos vamos comer uns bifes, a dúvida está em se os havemos de comer bem ou mal passados, mas o que interessa mesmo é que sejam muito bem digeridos… há que acreditar. Pelo que me toca, só quero acabar com as publicações das bandeiras no dia 9 de Julho.

Até amanhã, ainda antes dos bifes.
29
Jun06

Duas vistas sobre a mesma bandeira.

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Ainda ontem falava no dobrar desta esquina, ou seja, como quem vem da Travessa do Município e vira para a Rua Direita. Mas para o post de hoje até pouco interessa.

Hoje, mais que Chaves, vai um bocadinho das nossas cores, ou qualquer coisa assim parecida e misturada com as cores da bandeira nacional – Verde, Vermelho e um poucochinho de amarelo.

Até há dois anos atrás, por altura do campeonato europeu de futebol, nunca tinha visto uma bandeira nacional dependurada fosse onde fosse por causa do futebol ou de outra coisa qualquer. Até aí, as únicas bandeiras içadas estavam nos mastros das instituições publicas ou do Estado. Pois é, o público e estado agora são outros. É mais um estado de alma do público português.

Reinventou-se o orgulho nacional, o orgulho pela bandeira e as suas cores, o orgulho destes heróis do mar, deste nobre povo, desta nação valente e imortal…

Se alguém de fora, um estrangeiro qualquer, nos “cair” agora pela primeira vez no nosso Portugal, pela certa que dirá: “Ah valente povo, pobrezinho mas alegre e orgulhoso” – e tudo correria bem se tudo estivesse bem e não fosse graças ao futebol, aos nossos vinte e poucos rapazes e a um Senhor brasileiro, que levantam hoje de novo os esplendores de Portugal…

Bem e por hoje é tudo e ainda para mais quando começo e desviar-me do caminho da nossa cidade de Chaves, que tal como o estado de alma actual do povo português, pariu muito e bons orgulhosos flavienses que se espalham pelos quatro cantos do mundo.

E desculpem qualquer coisinha, mas também eu, embora não esqueça o resto…, fui picado pelo orgulho nacional e em final de contas, contentamo-nos com bem pouco!

Até amanhã.
28
Jun06

Chaves - Travessa do Município

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Chegou o verão a sério. Aliás nos últimos anos todos os verões têm sido a sério. Muito, mas mesmo muito calor, o que faz com que eu goste cada vez mais destas ruas, ruelas e travessas do Centro Histórico. Afinal os antigos é que sabiam.

São estas as travessas que os meus passos percorrem quando o sol está a pique e o calor aperta. Se soubermos escolher, podemos percorrer todo o centro histórico sempre à sombra. Esta é uma das minhas travessas preferidas e dependendo da hora, viro na Rua Direita ou na Bispo Idácio. Esta última está cada vez mais interessante e cada vez mais, ganha a sua importância na vida da cidade. Mas atenção que há duas ruas Bispo Idácio – A de baixo e a de cima. Eu estou a referir-me à de cima, quase toda ela com cara lavada, com comércios e serviços, bares e restaurantes, uma residencial, o Centro de Emprego e a sede do POLIS. Mas o que mais agrada, além da sombra, é mesmo ser uma rua recuperada (a parte de cima, que a de baixo, bom… é mesmo uma sombra).

Mas vamos à foto de hoje, até à Travessa do Município que, como o próprio nome indica, é a que chega ou parte do Município, mais propriamente da Praça do Município, que curiosamente fica nas traseiras do Edifico da Câmara Municipal e não em frente. É sobretudo uma travessa que serve de atalho para um lado qualquer, mas mesmo assim tem um Ourives/Relojoeiro, uma Cabeleireira, um café, um café/restaurante, um talho e um pronto a vestir com espelho na rua e tudo… Ao fundo na foto, já na Bispo Idácio, Está um interessante edifício que acabou de ser recuperado, o tal que agora é residencial e restaurante.

Claro que também é uma travessa solidária e lá está a Bandeira Nacional a provar isso mesmo.

Até amanhã!
27
Jun06

Chaves, as torres, bandeiras & companhia

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Depois de uma sofrida e festejada noite como a de ontem, onde até houve lágrimas de “revolta” misturadas com muitos litros de cerveja, regressámos de novo à calmaria, pelo menos até ao próximo Sábado. É, claro, de futebol que vos falo… mas vamos lá ao post de hoje.

Mesmo junto aonde terminava a linha do velho Texas começou a nascer, já há muitos anos, a nova cidade e as suas torres de betão. Pessoalmente acho que o alargamento da cidade nova tinha que nascer precisamente a partir destas torres que se vêem na foto em direcção à Fonte do Leite e por aí fora, mas sem necessidade de se recorrer a torres de betão. E, foi mais ou menos o que aconteceu, embora desorganizadamente e destrambelhadamente a crescerem torres na vertical ao lado de moradias de 2 pisos , enquanto que ao mesmo tempo era permitida (criminosamente) a construção de mamarrachos no seio da cidade antiga em pleno centro histórico. Quanto à arquitectura das torres de betão, há de tudo, mas sobretudo o que é bem visível é o mau gosto e os interesses do promotor imobiliário em construir o máximo possível no menor espaço (também possível). E assim nasceram torres até 13 pisos, onde uma única torre, ocupa uns escassos 300 ou 400m2 de terreno e alberga até 50 famílias ou mais, onde as tradicionais ruas passaram a desenvolver-se na vertical, onde ser vizinho é ser um desconhecido qualquer que se cumprimenta à entrada do elevador e do qual nada se sabe nem a ninguém interessa, seja ele sábio, mestre, professor, trolha, polícia ou ladrão… Sei do que falo, porque vivi durante meia dúzia de anos numa dessas torres da cidade. Bom, mas isto é uma opinião pessoal, porque há muita boa gente que acha que o progresso e a grandeza de Chaves é por aí mesmo que passa – construir na vertical.

Quer se concorde ou não o mal já vem de há cerca de 30 anos até esta data e como disse antes, nessas torres vive gente, de todas as condições e profissões e com certeza que também vive muita gente de bem e gente solidária que gosta também de mostrar os seus sentimentos. Curiosamente nesta coisa do futebol e das bandeiras, nas torres abundam as bandeiras de Portugal, logo seguidas da bandeira brasileira (a maior parte das vezes a par uma da outra), mas há também bandeiras dos Estados Unidos, de Espanha e até da Alemanha (às vezes no mesmo edifício) o que vai demonstrando que Chaves já não é só uma cidade e concelho que tem muitos emigrantes, porque agora também já tem imigrantes. Mas, e, com todo o respeito, prefiro ver uma só bandeirinha nacional misturada com sardinheiras numa janela ou varanda dos velhinhos edifícios da cidade histórica a ver dezenas delas juntas numa muralha de betão. São gostos e gostos não se discutem!


26
Jun06

Chaves, mais uma vitória e mais uma bandeira

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Hoje estou sem palavras e não sou cardíaco, porque se o fosse, a esta hora estava a repousar de tantos ataques ao coração. Sofri mais uma vez, mais valeu a pena! Só já faltam três jogos a Portugal. Acredito que dia 9 de Julho estou aqui a cumprir a minha promessa de publicar mais uma foto de Chaves com bandeira.

Como estou sem palavras, a foto é da Rua direita e acho que tipifica bem a nossa cidade. Umas varandas com gradeamentos em madeira, as sardinheiras e bem lá em cima mais um gesto de solidariedade, a nossa bandeira, que hoje tem um sabor especial.

Até amanhã com mais uma bandeira em Chaves, esteja lá ela onde estiver!
25
Jun06

Chaves Rural - Redial

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Há aldeias do concelho que toda a gente conhece, nem que seja pela simples razão de que são ponto de passagem obrigatória nas nossas deslocações pelas estradas nacionais. Há no entanto outras que para as conhecermos temos propositadamente que nos deslocarmos até elas. Há ainda outras cujo nome é sobejamente conhecido por terem uma placa na estrada nacional a indicar a sua direcção como é o caso da nossa aldeia de hoje: REDIAL.

Quem passa pela Estrada Nacional 2 (a mais longa do país que começa em Chaves e termina em Faro) vê a escassos quilómetros de Chaves a placa de Redial. Mas de Redial só vê o nome. Para se conhecer é preciso mesmo tomar o caminho que a placa indica e ir até lá.

No que a mim me toca, Redial já faz parte do meu itinerário de atalhos ou de passeios ocasionais de domingo há mais de 20 anos. No último passeio fui à procura de uma bandeira e encontrei-a.

Redial fica a 10 quilómetros de Chaves, pertence à freguesia de Vilela do Tâmega e é mesmo uma aldeia rural. Agricultura, alguma emigração (como todas as nossas aldeias) e graças à proximidade de Chaves, é também e naturalmente aldeia dormitório de alguns naturais que trabalham em Chaves.
24
Jun06

Chaves Rural - Vilarelho da Raia

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E lá diz a canção “ Viva o Stº António, viva o S. João, viva o 10 de Junho e a Restauração…” claro que a canção só é assim por o S.Pedro não rima. Estamos na noite de S.João, na noite das sardinhas, da broa e muito vinho, porque já toda a gente sabe que sardinha não combina com água – Dizem que até faz mal... Vivam então os Santos Populares e em especial o S. João, que é pela certa o mais festejado em tudo quanto é lugar português.

Mas hoje é dia de freguesias e aleatoriamente calhou a vez de Vilarelho da Raia e mais uma bandeira.

Vilarelho da Raia é sede de freguesia e fica a 15 quilómetros de Chaves e com os seus 619 habitantes é uma das freguesias com mais habitantes do concelho. À freguesia pertencem ainda o Cambedo, Vila Meã e Vilarinho (que oportunamente terão aqui o seu post).

Como o próprio nome indica, Vilarelho é uma aldeia e freguesia da raia, pois Galiza (Espanha) fica mesmo (mas mesmo) ali ao lado e que por observação pessoal, é uma freguesia com uma vida muito própria à qual não são alheias as povoações próximas da Galiza.

Quanto a festividades, a freguesia honra-se de ter uma das maiores festas do concelho, que curiosamente rivaliza (por exemplo no tradicional fogo de artifício) com uma aldeia do outro lado da Raia.

É uma freguesia com fortes ligações à Galiza e com muita história e muitas estórias para contar. Reservo alguma história e estórias para o post dedicado ao Cambedo, que merece um tratamento cuidado para que a História, as estórias e a verdade não sejam prejudicadas. Fica a promessa e muitas estórias de encantar e de revolta…

Quanto à foto de hoje, claro que em Vilarelho há muito mais para mostrar, mas como estou a cumprir a promessa das bandeiras, hoje calhou esta!
24
Jun06

Chaves e o 3º Arco da ponte

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Eu sei que hoje é dia das freguesias, mas como é noite de S.João, hoje em vez de uma publicação vamos ter duas.


Há poucos meses atrás recebi um mail dum amigo e também flaviense ausente (o CB que às vezes aparece nos comentários) a propor-me a publicação de uma lenda.


 Mais que achar interessante a ideia, acedi logo à sua publicação, no entanto, como a lenda está também relacionada com a noite de S. João, reservei a publicação para hoje, precisamente na noite de S.João.


Quanto à fotografia de hoje, bom, o melhor é mesmo lerem a lenda e depois compreenderão o seu significado.


Lenda da Moura da Ponte de Chaves:


Depois da retoma de Chaves pelos Mouros, em 1129, ficou alcaide do castelo um guerreiro que tinha um filho que adorava, de seu nome Abed, e uma sobrinha. Por vontade do alcaide, ambos ficaram noivos. A bela jovem não recusara Abed, pois os mouros poucos eram ali e nenhum lhe despertara paixão.


Uns anos depois, os cristãos do jovem reino de Portugal iniciaram a conquista da região de Chaves, tendo mesmo atacado a cidade. À frente do exército português estavam os cavaleiros Rui e Garcia Lopes, irmãos de D. Afonso Henriques. O alcaide e seu filho encabeçaram a resistência moura e a defesa do castelo. Mas a população da cidade, perante os ataques cristãos, começou a fugir da cidade desesperadamente. Era grande a confusão entre guerreiros e fugitivos. Impassível àquelas correrias, mantinha-se a sobrinha do alcaide. A vida pouco lhe dizia, desde que ficara órfã devido à guerra. Entretanto, o alcaide e o filho lutavam tenazmente, embora sem sucesso. Numa dessas ocasiões, enquanto apreciava os combates, a moura fixou os olhos num belo jovem guerreiro cristão que ganhava com os seus homens cada vez mais posições no castelo. No mesmo instante, o guerreiro parou a ofensiva. Dirigindo-se a ela, interpelou-a acerca da sua presença ali. O que fazia uma tão bela mulher num triste espectáculo daqueles? Respondeu a jovem que queria perceber a guerra, coisa que o cristão lhe disse ser só para homens que na guerra jogam a vida. Retorquiu a moura que o mesmo faziam as mulheres, dando-lhe o exemplo da sua orfandade devido à guerra. O cristão lamentou o facto e quis saber se ela estava só.


Quando a moura respondeu que vivia com o tio, alcaide do castelo, o guerreiro mandou levá-la imediatamente para o seu acampamento. A luta prosseguiu, entretanto.


O castelo acabou por ser tomado e oferecido pelos Lopes a D. Afonso Henriques. Contudo, a jovem moura manteve-se refém dos cristãos que não a trocaram por cativos mouros. Passou a viver com o cavaleiro que a raptara, num ambiente de felicidade.


Abed, conhecedor da situação, nunca lhes perdoou. Depois de restabelecido de um ferimento de guerra, voltou a Chaves, disfarçado de mendigo. E como não conseguisse acercar-se da sua apaixonada, um dia esperou-a na ponte. Pediu-lhe esmola. A jovem estendeu a mão para o pedinte e, nesse momento, algo de fatídico aconteceu. Olhando-a nos olhos, Abed disse-lhe:


- Para sempre ficarás encantada sob o terceiro arco desta ponte. Só o amor dum cavaleiro cristão, não aquele que te levou, poderá salvar-te. Mas esse cavaleiro nunca virá!


Ouviu-se um grito de mulher. A jovem tinha reconhecido Abed. Contudo, como por magia, a moura desapareceu para sempre.


Abed fugiu de seguida. Só as damas cristãs que a acompanhavam testemunharam o sucedido.


Desesperado, o guerreiro cristão que com ela vivia tudo fez para a encontrar. Procurou incessantemente na ponte e até pagou para que lhe trouxessem Abed vivo para quebrar o encanto. Mas a moura encantada da ponte de Chaves nunca mais apareceu e o cristão morreu numa profunda dor e saudade, ao fim de alguns anos.


Ora, diz o povo, que certa noite de S. João, cheia de luar, pela ponte passou um cavaleiro cristão. Ouviu, surpreso, murmúrios. Não viu ninguém, mas ouviu uma voz de mulher pedindo ajuda e que lhe disse docemente:


- Estou aqui em baixo, na ponte, sob o terceiro arco.


Estranhou a situação. Procurou sob o dito arco; no entanto, continuava sem ver a moura. Ouviu outra vez a moura que agora lhe dizia estar "encantada" e lhe pedia que descesse e a beijasse para a salvar. Mas o cavaleiro hesitou. Tocou no crucifixo que ao peito trazia e recordou-se dos contos que a mãe que lhe costumava contar sobre as desgraças de cavaleiros entregues aos feitiços de mouras encantadas. Perante estes pensamentos, olhou para o cavalo, montou-o e partiu, jurando nunca mais ali passar à meia-noite.


Assim, a moura da ponte de Chaves ali ficou para sempre encantada. E nas noites de S. João, conta o povo, ouvem-se os seus lamentos como castigo do amor que tivera por um cristão.


Compreendem agora o significado da a foto?


Pois é precisamente neste arco que a Moura está presa ao eterno encanto. Por isso se hoje durante a noite passar por lá e ouvir uns lamentos, não são os lamentos das sardinhas que comeu ou do vinho que bebeu, é mesmo o lamento da moura encantada…


Não haverá por aí um bom cavaleiro cristão que lhe dê o seu amor e a liberte para sempre?


Compreendem agora porque é que aquele arco está tapado!?


Obrigado CB pela ideia. Um abraço desde a cidade da moura encantada.


Já a seguir, mais uma freguesia e uma bandeira.

23
Jun06

Chaves - Antiga rua do Calau, actual Rua do Tabolado

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Então vamos começar por um bocadinho da história da Rua.

Começa no Largo do Arrabalde e Termina às portas do Jardim do Tabolado – Daí o nome que hoje assume – Rua do Tabolado. Mas nem sempre foi assim, pelo menos e segundo documentos municipais no início do Século passado, pelo menos até 1913, chamava-se Rua do Calau, que segundo os mais entendidos que eu na matéria, levantam a hipótese de Calau derivar do vocábulo latino “callis” e cujo significado é: caminho feito e frequentado por gado. É natural que sim, aliás como se pode observar em fotografias antigas, o Tabolado era frequentado por muito gado, inclusive acho que era aí mesmo que se fazia a feira do gado.

Em 1920 e sob a presidência da Câmara do General Ribeiro de Carvalho a Rua é Alargada. Não possuo dados para saber se foi a partir de aí que adoptou o nome de Rua do Tabolado, é natural que sim.

Mas vamos à Rua do Tabolado de hoje. É uma rua que merece uma apreciação cuidada. Vamos começar pelo lado esquerdo da Rua. Aquando da construção destes edifícios, entre as suas traseiras e o rio, apenas existiam pequenos quintais que pela certa eram inundados no tempo das chuvas com a subida do leito do rio. Por essa razão, o lado mais cuidado e mais nobre destas construções ficou virado para a rua existente, o que foi pena, pois se a actual alameda que foi construída junto ao rio já então existisse, as actual margem direita do rio era bem mais interessante, pela simples razão de que todos os edifícios existentes na rua, quase sem excepção, são lindíssimos e mereciam melhores vistas. Quanto ao lado direito da rua, começa e termina com dois dos edifícios mais bonitos da cidade, o do antigo Banco Nacional Ultramarino e o Antigo Hotel de Chaves. Entre eles há um ou outro (dos poucos que existem) que merecem a nossa atenção, principalmente um, o edifício do Antigo Sarmento, que dado o seu estado de conservação nos pode cair em cima a qualquer momento. Contrastes!

Quanto à rua propriamente dita, foi sujeita a obras de requalificação recentemente. A rua ficou mais bonita e mais interessante, sem desníveis no pavimento. Comparo-a assim com alguém que anda sempre com roupa de trabalho e resolve vestir um bom fato, uma boa camisa, um bom par de sapatos, faz a barba e arranja o cabelo, mas estraga tudo quando escolhe a gravata. É o que se passa nesta rua. A rua tem tudo para ser uma das mais interessantes e bonitas da cidade, mas as “gravatas” que plantaram ao longo da rua incomoda toda a gente, principalmente os peões e os “alguns” que lá estacionam, pois raro é o dia em que não acertam numa das “gravatas”. Mas o que estraga mesmo a imagem da rua são os automóveis estacionados e o trânsito. Sem trânsito e estacionamentos era uma rua perfeita. Bom, o melhor é mesmo terminar aqui, porque começo a entrar em campos muito complexos e discutíveis e este blog não é por aí que quer ir. O que quer é mesmo levar a nossa cidade a todos os flavienses, principalmente aos ausentes.

Quanto às bandeiras, é mais uma rua solidária com as cores nacionais.
22
Jun06

Chaves e a ruralidade de S.Roque

3683-bl.jpg
Não, não estou enganado. Eu sei bem que hoje o post é dedicado à cidade e não às freguesias e na foto de hoje também não há engano. De facto as construções têm todas as características das construções rurais e de facto estão também no lado rural da cidade, já em plena veiga, mas em simultâneo estão também a escassos metros do centro histórico da cidade – são construções do largo de S.Roque que hoje têm uma visibilidade privilegiada depois de longos anos escondidas por trás do antigo parque de campismo.

No conjunto actual, parecem construções desenquadradas, mas não o são tanto assim. Prefiro a ruralidade e a calma destas a uma muralha de betão e todo o movimento que as envolve e elas chamam, e depois, que raio, Chaves é uma cidade rural que nasceu ao lado de uma veiga e um rio e que está bem no meio de Trás-os-Montes e não nos adianta lançarmos a vista para Espanha que ficamos bem no meio da Galiza, que vem a ser a mesma coisa.

Pela parte que me toca gosto desta cidade no campo, não fosse eu filho da veiga.

Até amanhã, talvez com um olhar mais urbano da antiga urbe.

E viva Portugal, três já cá cantam, só faltam mais quatro!

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